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Com alta de 14% em 2020, Brasil passa a ter 1.383 cervejarias

Mesmo com os desafios impostos pela pandemia do coronavírus, o Brasil ampliou o número de cervejarias registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e passou a ter 1.383 ao fim de 2020, com um aumento de 14,4% no número de fábricas em relação a 2019. Porém, houve queda no número de produtos registrados pela primeira vez desde 2008. Os dados constam no Anuário da Cerveja 2020, divulgado nesta sexta-feira pelo Mapa.

Além disso, o material informa que todos os estados brasileiros agora têm uma cervejaria. A expansão, inédita, foi registrada após o Acre abrir a sua primeira fábrica no ano passado. Essa foi, aliás, umas das 204 novas cervejarias inscritas no Mapa em 2020, embora outras 30 tenham cancelado seus registros. E agora 609 municípios brasileiros possuem cervejarias, um crescimento de 5% em comparação a 2019.

“A expansão do mercado cervejeiro no Brasil vem crescendo nos últimos dez anos, e essa tendência se manteve em 2020 mesmo com as dificuldades impostas pela pandemia”, afirma o coordenador-geral de Vinhos e Bebidas do Mapa, Carlos Vitor Müller. 

O Piauí, com expansão de 200%, e a Paraíba, com alta de 60%, foram os estados com crescimentos mais expresssivos no número de fábricas de cerveja no ano passado. Já São Paulo segue sendo o estado com mais estabelecimentos: 285, uma alta de 18,2% em relação a 2019, acima, portanto, do crescimento nacional.

Essa expansão paulista foi impulsionada por Ribeirão Preto, que teve aumento de 50% no número de fábricas de cervejas, e São Paulo, com incremento de 44%. A capital paulista, assim, passou a ter 39 cervejarias, apenas uma a menos do que Porto Alegre, a líder do ranking nacional entre os municípios. Nova Lima (MG), com 23, Curitiba, com 22, e Caxias do Sul, com 19, completam o Top 5.

Os estados da região Sul continuam sendo fundamentais para o setor. Santa Catarina lidera na densidade de cervejarias por habitantes – 41.443 -, enquanto o Rio Grande do Sul tem 9 das 10 cidades com maior densidade, sendo Santo Antônio do Palma a líder da relação.

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Além disso, o Rio Grande do Sul é o segundo estado com mais cervejarias – 258 -, com Santa Catarina em quarto lugar – 175 – e o Paraná em quinto – 146. Na lista, liderada por São Paulo, Minas Gerais é a terceira colocada, com 178 cervejarias.

Queda nos lançamentos
O crescimento do número de cervejarias, entretanto, veio com uma ressalva importante. Em um efeito claro da pandemia, houve queda no número de registros de produtos para cerveja em 2020, o que não ocorria desde 2009. Foram concedidos 8.459 novos registros, o que representa redução de 15% em relação a 2019.

Sabemos que muitos desses lançamentos de novos produtos foram impactados pela pandemia, pelas restrições de consumo e restrições econômicas de forma geral. Com um menor número de lançamentos, se faz um menor número de registros de produtos também

Carlos Vitor Müller, coordenador-geral de Vinhos e Bebidas do Mapa

Confira dicas de cervejas fortes para presentear mães modernas

Todo dia é oportunidade de demonstrar o carinho e amor que temos por nossas mães, mas em 2021 o 9 de maio será especial. Afinal, é esse o dia da celebração do Dia das Mães. Por isso, o Guia preparou um material especial com dicas de cervejas fortes para mães modernas, uma lista que fuja do clichê antiquado que mulheres e mães necessitam gostar de cervejas leves, doces ou frutadas.

Sabendo que este é mais um ano de celebração do Dia das Mães em meio à pandemia da Covid-19, o Guia também separou rótulos de cervejas com a possibilidade de entrega em praticamente todo o Brasil. Assim, você pode garantir o presente para a sua mãe com toda a segurança e conforto do lar, do jeito que todas elas gostam.

As cervejas do estilo IPA – e suas variações – dominam a relação das indicações, mas também há espaço para uma Quadrupel nessa seleção especial para você homenagear a sua mãe com uma bebida que pode ser pedida online, no site das marcas.

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Confira abaixo os rótulos de cervejas fortes para mães modernas indicadas pelo Guia:

Bragantina Red IPA

A Cervejaria Bragantina colocou sabor e aroma intensos de lúpulos frutados e resinosos da sua Red IPA. Ela tem corpo médio e amargor em equilíbrio com o caramelo proveniente do malte. A bebida possui 6,7% de graduação alcoólica, 65 IBUs, sendo ideal para as mães porque oferece muita personalidade, sabor e aconchego, como o abraço delas nos filhos. A cor vermelha ainda remete à força, energia, intensidade e amor. Talvez por isso sempre retratamos os corações de “Eu te amo” em tons vermelhos, dando mais ênfase ao sentimento. Fato é que essas características podem ser facilmente identificadas em nossas mães.

Cervejaria Bragantina
Entrega: DF, ES, GO, MG, PR, RJ, RS, SC e SP.
Endereço: Rua Boa Vontade, nº 169, Centro – Bragança Paulista (SP).
Telefone: (11) 4032 0990 / (11) 97748 0312.


Dogfight American Imperial IPA

A Dogfight American Imperial IPA, da cervejaria Dogfight, reúne maltes ingleses e uma combinação extrema de intensos lúpulos norte-americanos com um potente dry hopping, entregando citricidade e frutado em um aroma contagiante. A bebida traz um equilíbrio entre amargor e dulçor, com carbonatação e corpo médio. Com 8,1% de graduação alcoólica e 100 IBUs, é uma cerveja forte, ideal para mães fortes.

Dogfight
Entrega: Em todo o Brasil.


Leuven Dark Wolf

A Leuven Dark Wolf, da Leuven, é outra cerveja forte e potente, uma quadrupel complexa, inspirada na escola belga. Seu aroma maltado remete ao caramelo e as notas de ésteres frutados trazem frutas vermelhas, passas, tâmaras e ameixa seca, que finalizam com suave nota vínica e de carvalho francês. O rótulo é uma obra-prima do artista Marcelo Rodino. Com 10% de graduação alcoólica e amargor moderado, ela é indicada para as mães justamente por ser complexa, potente, surpreendente e muito saborosa, uma das mais premiadas da Leuven, ideal para uma pessoa tão especial.

Leuven
Entrega: Em todo o Brasil.
Endereço: Via Comendador Pedro Morganti, 4795. Monte Alegre, Piracicaba (SP).
Telefone: (19) 99832-7772.


OAK IPA Mango

A IPA Mango, da Cervejaria OAK, é uma mistura interessante e saborosa que promete agradar os diferentes paladares das mães. Na boca, o sabor da fruta mango é dominante até ser encoberto pelo amargo e herbal do lúpulo que fecha a viagem sensorial. A bebida tem 6,2% de graduação alcoólica e 45 IBUs.

Cervejaria OAK
Entrega: São Paulo e algumas cidades da região metropolitana.
Endereço: Rua Padre Carvalho, 769, São Paulo (SP).
Telefone: (11) 94362-7334.


JT fornece bomba centrífuga específica para médias e pequenas cervejarias

A eficiência no processo de fabricação da cerveja artesanal é fundamental para o êxito do empreendimento, sendo importante a adoção de cuidados nas diferentes etapas. Para que as pequenas e médias cervejarias não precisem se preocupar com potenciais problemas, como vazamentos, a JT Instrumentação & Processos trouxe, ao mercado nacional, uma opção de bomba centrífuga da Ampco Pumps, desenvolvida especificamente para esse tipo de empresa.

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Trata-se do modelo CB+, uma bomba projetada com especificidades para a indústria de cerveja artesanal. Ela pode ser utilizada em várias aplicações da produção da bebida, mas principalmente na transferência do mosto. E foi feita com um design sanitário que otimizou as vedações internas, mantendo as faces com temperaturas baixas, o que minimiza o acúmulo de produto na região do selo mecânico e garante maior vida útil a este componente.

Isso é importante porque alguns fabricantes de bombas apresentam baixa durabilidade nas vedações mecânicas, por causa da combinação da temperatura alta, próxima à ebulição, como na fervura do mosto, com as partículas em suspensão no fluido. Mas a JT assegura que não há risco de isso ocorrer com essa bomba centrífuga da Ampco.

Saiba mais sobre a JT Instrumentação em nossa página do Guia do Mercado

O modelo CB+ possui vazão de até 210 m³/h, pressão de até 9bar e viscosidade de até 100cps. E o seu projeto promete reduzir o acúmulo e o vazamento do produto, algo que ocorre porque a vedação interna é submersa nele para promover o resfriamento. E, quando a pressão dentro da bomba aumenta, ela cria uma força de fechamento maior nas faces de vedação para minimizar o acúmulo de produto. Além disso, uma mola interna agita os sólidos do mosto para evitar o acúmulo nas faces da vedação.

Entrevista: “A água pode fazer uma boa cerveja ótima ou ruim”

Malte, lúpulo e leveduras estão entre os ingredientes básicos da cerveja, mas nenhum é mais importante do que a água. Fundamental, mas ainda assim o mais incompreendido de todos esses componentes por sua sutileza, na visão de John Palmer, o que o levou a abordá-lo em um livro que chegou neste ano ao mercado brasileiro: Água, escrito em parceria com Colin Kaminski.

Reconhecido como uma das principais figuras do mercado cervejeiro mundial, ele também é autor de How to Brew, obra vista como fundamental por quem decidiu iniciar a produção caseira. Agora, John Palmer decidiu se concentrar no papel da água no processo produtivo da cerveja, principal tema desta entrevista ao Guia.

Ao abordar a química da água nas respostas à reportagem, John Palmer valoriza o seu tratamento para a produção cervejeira, mas alerta que se prender a conceitos como o do pH pode provocar erros se o quadro completo não for analisado no processo de fabricação. E faz uma interessante comparação ao apontar que os cuidados e efeitos da água na produção cervejeira são os mesmos daqueles obtidos no processo de cozimento de alimentos.

A água pode fazer uma boa cerveja ótima, e pode fazer uma boa cerveja ruim; da mesma forma que salgar demais o jantar pode arruiná-lo ou torná-lo adorável

John Palmer

Assim, ele aponta que o mais fundamental para o cervejeiro é compreender a química da água. E, para auxiliar quem empreende no setor, colocou sua experiência no livro escrito ao lado de Colin Kaminski após se debruçarem por mais de dois anos em experimentos e visitas a fábricas, como relata nesta conversa, em que também aborda questões de sustentabilidade e relembra bons momentos vivenciados no Brasil.

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Confira, abaixo, a entrevista do Guia com John Palmer, um dos autores de Água, livro lançado nos primeiros meses de 2021 no Brasil pela Editora Krater.

Como seu livro pode ajudar os cervejeiros? É mais voltado para quem já trabalha em fábricas ou também pode ajudar quem produz sua cerveja em casa?
Muitos cervejeiros, mesmo cervejeiros experientes, não entendem a química da água e o pH. Mesmo que realizem o ajuste da água, com adições a ela ou ao mosto, provavelmente estão apenas medindo o pH como seu controle de qualidade, ao invés de compreender o quadro geral. É uma abordagem de marreta para um pequeno problema de martelo. O livro Água explica o quadro geral e como todas as peças se encaixam nele. O benefício para o cervejeiro é que ele pode fazer pequenos ajustes para resolver problemas específicos com sua água e a cerveja. Eu comparo isso a ter um vazamento no vaso sanitário e a contratação de um encanador para substituí-lo quando tudo que o dono da casa precisava fazer era comprar uma nova válvula de retenção por US$ 3 na loja de ferragens e instalá-la.

As informações do livro Água foram escritas para serem abrangentes, para serem capazes de atender às necessidades de cervejeiros industriais e caseiros. Um cervejeiro caseiro não precisará de alguns dos capítulos do livro, como tratamento de águas residuais ou dos detalhes extremos de alcalinidade Z, mas os detalhes estão lá para quem precisar.

A literatura sobre cerveja tende a focar mais em temas como lúpulo, malte e estilos, por exemplo. Você acredita que a água é um assunto ainda pouco explorado? E qual é a razão disso?
Malte e lúpulo (e leveduras) são os sabores principais da cerveja, e fazer experiências com eles traz resultados mais claros. A água é mais sutil. Muitos cervejeiros tentam manter um mistério, dizendo que “essa cerveja é feita com uma água especial que só está disponível para a nossa cervejaria” – isso é marketing. E entender a água como um ingrediente requer um pouco de lição de casa, aprender sobre a ciência. Mas depois de fazer isso e experimentar algumas cervejas para entender, isso faz sentido. Sempre digo que cerveja e fazer cerveja é como comida e cozinhar, porque é isso. Você usa a água exatamente da mesma maneira em ambos! Mas as pessoas ficam desencorajadas pela química. A água é um ingrediente muito importante e seus efeitos são sutis. Ajustar a água pode fazer uma boa cerveja ótima, e pode fazer uma boa cerveja ruim; da mesma forma que salgar demais o jantar pode arruiná-lo ou torná-lo adorável.

Como foi o desafio de organizar tantas informações sobre a água no processo de produção do seu livro?
Foi um desafio muito grande. Passamos 2 anos visitando cervejarias e aprendendo o que faziam, como faziam e por que faziam. Em seguida, tivemos que organizar essas experiências e informações em objetivos e métodos comuns. Muitos testes foram feitos para provar nossa hipótese. Estou sendo sincero quando digo que a publicação foi adiada por 2 meses enquanto realizávamos testes para verificar nossas ideias e conclusões. O editor me ligava duas vezes por semana para perguntar se eu já tinha terminado, e eu tinha que dizer: “Não, preciso fazer mais testes neste fim de semana, se funcionar, então saberei mais.” Isso continuou e continuou, até que eu finalmente entendi como o sistema funcionava e pude terminar. Colin e eu aprendemos muito escrevendo este livro.

Pela sua experiência, quais são os erros mais comuns no tratamento da água pelas cervejarias? E como evitá-los?
O grande erro é tentar ajustar a água com base no pH da água – isso está errado. É o conteúdo mineral da água e os efeitos que esses minerais têm no mosto é que são importantes. Outros erros são adicionar cegamente ácidos e sais à água porque “foi assim que (outra pessoa) fez”. Os sabores da cerveja são sutis e diferentes regiões têm diferentes químicas da água. Não existe uma resposta correta sobre como tratar a água para fazer uma boa cerveja. É verdade que adicionar sulfato de cálcio geralmente é uma boa ideia, mas quanto? Essa é a questão, e depende da água que você tem. A maneira de evitar esses erros é ler o livro! Aprenda como funciona a química da água, realmente não é muito complicado, e a maioria dos softwares de cerveja fará os cálculos para você. Você só precisa entender o que precisa ser feito e por quê.

Temos acompanhado alguns relatos de escassez de água em várias regiões do mundo, como em parte da Califórnia, que tem muitas cervejarias. Como você acha que esse problema global pode afetar a indústria cervejeira?
A escassez de água na Califórnia e em outros estados é sempre um problema. Os fabricantes de cerveja fizeram um bom progresso na redução do uso de água e na sustentabilidade e, na verdade, usamos menos água do que muitas outras indústrias alimentícias. A parte complicada disso é que a composição da água é importante para o sabor da cerveja, e obter a mesma composição mineral de forma consistente é um problema. A solução é usar sistemas de osmose reversa para retirar todos os minerais da água e, em seguida, reconstruí-la com os sais apropriados. É caro, mas garante uma qualidade consistente da cerveja, semana a semana, mês a mês, e isso não tem preço. A qualidade e a sustentabilidade da água são problemas globais e a solução é se ter responsabilidade de todas as indústrias, não apenas das cervejarias. O escoamento da produção agrícola é um poluente primário que afeta a qualidade da água e o sabor da cerveja. Todos precisam entender que somos parte de um todo, que não podemos presumir que o que fazemos em nosso próprio quintal não afeta outras pessoas.

Você é uma das principais referências sobre cerveja no mundo. Como avalia o setor e as cervejas do Brasil?
São muito excitantes. Sempre estou ansioso para visitar o Brasil e experimentar novos estilos e ver as mudanças na cultura cervejeira. Algumas das melhores cervejas que já provei foram concebidas e produzidas no Brasil. Comida, cerveja e festas! Jamais esquecerei meus tempos em Ouro Preto, em Porto Alegre, em Santa Maria e no Rio de Janeiro! Muitos estados, muitas culturas, todas maravilhosas!

Com Imperial Sour e RIS “sem Oreo”, Mindu mescla criatividade e tradição

Criatividade e, ao mesmo tempo, tradição. É mirando nessas duas vertentes que a MinduBier, conceituada cervejaria de Salvador, na Bahia, apostou para enfrentar abril, o mês mais difícil da pandemia do coronavírus.

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A presença da tradição veio com a Magic Cake, uma Russian Imperial Stout com um perfil mais “old school”, como descreve a cervejaria. E a criatividade chegou por meio da Biomas, uma Imperial Sour com goiaba, licuri, laranja e baunilha.

Desenvolvida em colaboração com a HopMundi, de Natal, a Magic Cake é uma Straight RIS com adição dos terpenos 24K e Berry Gelato, trazendo um toque cítrico, floral e condimentado. Possui, ainda, 11,5% de teor alcoólico. E, sobretudo, como brinca Gustavo Martins, sócio da MinduBier, não leva na receita “biscoito Oreo”.

“A Magic Cake é um uma Russian Imperial Stout com um perfil mais Old School, mais amarga, sem cacau, café, coco, baunilha nem biscoito Oreo”

– Gustavo Martins, sócio da MinduBier

Gustavo explica que os terpenos aparecem discretos, apenas para garantir maiores camadas de complexidade, mas sem cobrir o perfil de uma Straight RIS. “Decidimos fazer essa mistura em um momento em que a maioria das cervejas ‘terpenadas’ é do estilo India Pale Ale. Então considero que este seja o diferencial dela, já que hoje existem pouquíssimos exemplares parecidos.”

Produzida na Startup Brewing, a cerveja traz outro “componente” especial: permitir que o antigo desejo de produzir uma colaborativa com a HopMundi fosse concretizado, como detalha Gustavo.

“Eu e Cyro (sócio da HopMundi) já nos conhecemos desde os tempos de Acerva e, desde que ele iniciou com a HopMundi, a gente conversa sobre uma collab. E esse momento chegou. Pensamos em muita coisa antes da Magic Cake, até que tanto a Mindu quanto a HopMundi produziram outros rótulos com terpenos, aí estávamos empolgados em continuar na saga, porém agora em um estilo novo: Russian Imperial Stout”, conta o sócio da MinduBier, para depois complementar.

“Então pensamos em uma receita de Straight RIS (Russian Imperial Stout sem adjuntos, sem dulçor excessivo, como nos velhos tempos), só que com um toque dos terpenos 24K e Berry Gelato para acrescentar camadas de complexidade. Fizemos testes dos terpenos com outras straight RIS para avaliar o melhor terpeno a acrescentar, montamos o grist e decidimos produzir na Startup Brewing, que é onde a HopMundi produz muitas de suas cervejas”, complementa Gustavo.

Criatividade
Se a Magic Cake remete a uma cerveja mais tradicional, a Biomas veio com bons traços de criatividade, especialmente ao apostar na complexidade dos biomas brasileiros. “A maior riqueza do Brasil está em seus diferentes biomas, onde conseguimos extrair uma infinidade de aromas e sabores de suas frutas e especiarias”, explica Gustavo, comentando sobre a inspiração do rótulo.

Com 8,1% de teor alcoólico, a cerveja é uma Imperial Sour que traz uma mistura de biomas nacionais, como a goiaba, proveniente da Mata Atlântica, o licuri, coquinho presente em abundância na Caatinga, a laranja, que tem o Brasil como o seu maior produtor mundial, e a baunilha, iguaria utilizada em todo o planeta, mas que tem no nosso país uma das variedades mais requisitadas: a do Cerrado.

Saiba mais sobre a MinduBier em nosso Guia do Mercado

“Juntamos então todos estes sabores em uma textura smoothie que nos faz até esquecer que o teor alcoólico é de 8,1%”, finaliza o sócio da MinduBier.

Beer4U se consolida como tap house em SP com padrão e cerca de 180 torneiras

A pandemia do coronavírus alterou rotinas e modalidades de consumo, mas não modificou o desejo das pessoas pela cerveja. E é dentro desse contexto que a rede Beer4U tem atendido ao seu público, com cerca de 180 torneiras de chope disponíveis em diferentes pontos de São Paulo, buscando unir diversidade, padronização e comodidade.

A quantidade impressionante de opções torna a rede de lojas também uma das mais relevantes tap houses em operação na capital paulista. Com 15 torneiras em média por unidade, a Beer4U tem conseguido atender ao público em diferentes regiões da capital paulista a partir de algumas características, como a ofertas de chopes da casa e marcas conhecidas, além de promoções.

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“As cervejas da casa são o nosso padrão. As demais, vão de acordo com a demanda da região, sendo oferecidas as principais marcas do mercado”, explica Ériton Soares, sócio da rede Beer4U, ressaltando que, além da produção própria, há ofertas de chopes de marcas emblemáticas do segmento de cervejas artesanais, como Hocus Pocus, Dádiva, Croma, Avós, Schornstein e Bodebrown, variando de acordo com a semana e a unidade do grupo.

Essa diversidade de estilos também pode ser vista nos chopes da casa disponibilizados pela Beer4U. Eles são dos estilos Pilsen, IPA, APA, Session IPA, Weiss, Wtibier, Hop Lager e Catharina Sour com Tangerina, além dos recém-lançados Porter e Catharina Sour com Amora, sendo produzidos em Nova Odessa (SP), na fábrica da Berggren.

Em um período no qual os deslocamentos estão restritos e nem são muito recomendados, a Beer4U vê a comodidade como um dos seus diferenciais aos clientes. Afinal, com 12 lojas espalhadas por São Paulo, oferece a possibilidade de o cervejeiro encontrar o seu chope preferido próximo de casa, pois há uma padronização entre o que é oferecido pelas diferentes unidades.

“A gente mantém os estilos básicos em todas as lojas. Elas sempre vão ter uma Sour, uma cerveja escura, uma de trigo… O cliente não precisa ir de loja em loja por causa do seu estilo preferido”, explica Ériton.

Além disso, com uma média de 15 torneiras por loja, a Beer4U tem a capacidade de oferecer diversidade de estilos e até mesmo de preços para o consumidor do chope ofertado em suas lojas, atendendo aos diferentes bolsos e paladares.

Como o setor é dinâmico, montamos uma lousa democrática, com chopes de preços bons e outras cervejas de estilos que são naturalmente mais caros. A ideia é deixar diversificado para o cliente fazer a leitura e a escolha. E o franqueado ajusta a lousa pela demanda do público que atende

Ériton Soares, sócio da rede Beer4U

A rede também oferece uma promoção em todas as suas lojas: na compra de 4 litros de chope, o consumidor ganha o mais barato deles, o que torna ainda mais atrativo o preço da bebida, que já é mais competitiva do que a cerveja em lata ou garrafa. “É mais barato comprar chope por litro do que garrafas e latas. O consumidor quer continuar bebendo, mantendo a quantidade, mas pagando menos”, argumenta Ériton.

Matriz da rede Beer4U, a loja da Vila Madalena tem o diferencial de contar com mais torneiras de chope que as demais unidades – são 20 –, além de oferecer cervejas em lata e garrafa, que também podem ser adquiridas pelo e-commerce. Fora de São Paulo, a rede também conta com unidades em Piracicaba e Santos.

Com brasileiros, congresso cervejeiro internacional online acontece até quinta

Um importante evento internacional sobre o setor se iniciou nesta terça-feira e terá sequência até quinta, de modo virtual e com a participação de representantes brasileiros. Trata-se da 1ª VLB International Craft Brewing Conference, congresso cervejeiro online destinado ao segmento de artesanais.

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No seminário, serão abordados temas atuais e interessantes sobre o setor – eles vão desde as matérias-primas, passando pelo processo de produção e incluindo aspectos sobre embalagem, logística e transporte. O congresso organizado pela VLB Berlin conta com participações de convidados do segmento cervejeiro artesanal e fornecedores de equipamentos e matérias-primas. E, entre os palestrantes, haverá a presença de alguns profissionais que atuam no mercado brasileiro.

É o caso da Siemens, que além de contar com um estande virtual no congresso cervejeiro, realizará a palestra Modern Craft Brewer Automation. Ela vai ocorrer nesta quarta-feira, às 10h25 (horário de Brasília), com Ewerton Silva, engenheiro focado no segmento de alimentos e bebidas da multinacional, e Adejan Ticz, coordenador comercial da Zegla Indústria, que fornece soluções para a indústria de bebidas, sendo parceiros no projeto da cervejaria artesanal Bierbaum, onde a solução Braumat foi implementada.

Já na quinta-feira, por sua vez, será a vez da participação de Rodolfo Rebelo, gerente industrial da Maltearia Blumenau, no congresso da VLB Berlin. A partir das 13h30, ele vai proferir a palestra “My experiences establishing a micro malt house in Brazil”, falando da sua experiência com a produção de malte no país.

As palestras gravadas estarão disponíveis para visualização até 5 de maio no campus virtual da VLB Berlin. Da mesma forma, todas as apresentações estarão disponíveis em formato pdf para download pelos participantes. Os preços das inscrições para os interessados variam entre 100 euros e 500 euros (entre R$ 656 e R$ 3.280, aproximadamente).

Fornecedores lamentam crise, mas diversificam apostas e esperam colher frutos

A continuidade da pandemia do coronavírus afeta todas as pontas da indústria cervejeira e exige a adoção de novas estratégias. Com as restrições às atividades já passando de um ano e a incerteza sobre quando será possível operar sob a sensação de normalidade, fornecedores do setor têm sido cautelosos na crise, mas não deixam de buscar alternativas. As ações passam por mudanças de planejamento e reforço da comunicação, para manter a proximidade dos clientes.

É assim que vem operando a Porofil. Com a longa duração da pandemia, a estratégia tem passado pela busca da ampliação do seu campo de atuação, ainda que buscando manter a proximidade dos antigos clientes. Afinal, mesmo sabendo que a crise atinge diferentes setores da economia, a esperança é de que alguma oportunidade apareça em diferentes campos.

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“Nossa estratégia foi de fazer parcerias e ampliar nossa área de atuação com os clientes mais próximos, de maneira a aumentar o faturamento onde já tínhamos canais abertos de fornecimento. Outra estratégia foi a de expandir as aplicações dos produtos que já temos e fomentar novos mercados. Mesmo que pequenos, seriam uma nova frente de negócio, diversificando assim as atividades”, conta Nelson Karsokas Filho, sócio-proprietário da Porofil, apresentando detalhes dessa estratégia.

“Nossa ideia era aumentar as frentes de aplicação e permitir que a composição de faturamento fosse pulverizada e tivéssemos um melhor equilíbrio mesmo que um ou outro mercado estivesse mais prejudicado”, acrescenta o sócio da Porofil.

As restrições impostas pela pandemia e a necessidade de reforçar os cuidados também alteraram estratégias da JT Instrumentação & Tecnologia, com a preocupação de melhorar a comunicação, já que alguns contatos agora vêm sendo feitos de modo remoto, algo inusual antes da pandemia. “Estamos nos reinventando na maneira de dar suporte aos clientes com as ferramentas de comunicação atuais”, aponta David Souza, diretor da empresa.

Somada a essa proximidade dos clientes, a JT ainda conseguiu oferecer novos produtos, o que foi viabilizado ao se voltar para projetos que estavam paralisados. “Também focamos os esforços internos no desenvolvimento de projetos que estavam em stand by, conseguindo colocar 2 novos produtos no mercado, o agitador de embalagens para análise de TPO e o dispositivo acondicionador de amostras para análise de oxigênio em mosto quente”, complementa o diretor da JT.  

Mudanças de rotina e mesmo estruturais também ocorreram na MCPack, como relata Marcelo Cozac, diretor da empresa. “Buscamos otimizar processos. Reestruturamos a área comercial, pois as viagens e visitas presenciais ficaram muito difíceis. Buscamos motivar a equipe, para manter o nível de concentração e produtividade, o que é difícil neste momento.”

A Porofil, nesse mais de um ano, também precisou realizar mudanças nos seus planos para evitar prejuízos. “Nesse um ano de crise, preferimos não pensar em perdas, mas em um ajuste de curso onde em um momento próximo todas essas oportunidades represadas nesse período serão disponibilizadas. Contamos com isso”, projeta o sócio da empresa.

Como somos uma pequena empresa, fizemos muitos ajustes de curso e, com muito trabalho e dedicação, não chegamos a computar perdas, mas deixamos de ganhar e não atingimos nossa meta de crescimento esperada

– Nelson Karsokas Filho, sócio-proprietário da Porofil

Cenário adverso
Ainda assim, os desafios para os fornecedores sobreviverem na crise vêm sendo diversos. A MCPack, relata seu diretor, tem visto de perto a dificuldade de parceiros da indústria cervejeira, aos quais vendeu equipamentos, mas encontram dificuldades para arcar com os pagamentos. Nesse caso, a estratégia é renegociar prazos.  “Eles não estão conseguindo pagar e negociamos os pagamentos, postergando e parcelando novamente. Entendemos a situação de cada um e tentamos chegar a um denominador comum”, explica Cozac.

Além do desafio provocado pela paralisação da economia em função da pandemia, a alta do dólar também tem sido outra adversidade. Em um setor onde muitos equipamentos e insumos são importados, a desvalorização do real afetou as contas dos fornecedores, já abaladas pela crise, como relata o diretor da MCPack.

Como importamos equipamentos, não conseguimos repassar todo o aumento do dólar, que foi de aproximadamente 40% no período. Tivemos uma redução de 5% no nosso resultado de 2020. Isso significa uma perda de aproximadamente R$ 1 milhão

– Marcelo Cozac, diretor da MCPack

Outro desafio, como o que atingiu a JT Instrumentação, foi sanitário. Em um país com mais de 14 milhões de casos de contaminação, a empresa também registrou ocorrências de coronavírus, o que afetou as suas operações. “Tivemos casos de infecção de aproximadamente 50% dos funcionários e sócios, porém, ainda bem que não tivemos nenhum óbito e apenas um caso mais grave que necessitou de internação”, relata David, diretor da empresa.

Futuro
Os fornecedores da indústria cervejeira, porém, buscam trabalhar pensando que a crise passará. Para a Porofil, os desafios impostos pela pandemia não alteram a lógica que guia a empresa: a de que é preciso seguir em atividade, à espera de um cenário externo melhor.

“A Porofil tem acompanhado de perto o desenrolar desse processo epidêmico e percebemos que, apesar do cenário econômico incerto, todos precisam manter seus negócios, seus funcionários e tudo o que daí deriva”, argumenta Karsokas Filho.

É uma situação parecida com a da JT, que viu seu crescimento estagnar em função da pandemia, adiando os planos de expansão para um cenário futuro, quando a economia iniciar a recuperação.

Ano passado tivemos uma estagnação no faturamento, quando esperávamos um crescimento de 20%. Para esse ano estimamos novamente manter o nível, quando pretendíamos crescer 15%

– David Souza, diretor da JT Instrumentação

Os desafios de 2020 foram prorrogados para 2021, mas os empreendedores ainda projetam uma recuperação. E apostam que, quem passar por um período tão complicado, poderá encarar um futuro bem melhor ao fim da crise. “Projetamos uma melhora a partir de 2022 apenas, quando tivermos nossa população vacinada. Acredito que quem tiver fôlego e investir agora, vai colher muitos frutos na retomada”, conclui o diretor da MCpack.

Heineken se compromete a ter produção carbono zero em nível global até 2030

A Heineken anunciou uma nova ambição em suas metas de sustentabilidade ao revelar que pretende tornar a sua própria produção carbono zero até 2030, além de toda a cadeia de valor até 2040. O objetivo faz parte do programa Brew a Better World, que constitui uma parte relevante da estratégia de crescimento equilibrado da cervejaria, denominada EverGreen.

Com o intuito de reduzir a sua pegada de carbono, a Heineken pretende que todas as suas unidades produtivas se tornem neutras em carbono, maximizando a eficiência energética e o uso de energia renovável até 2030.

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Além disso, para o fim da década, estima um corte de 30% nas emissões de carbono em toda a sua cadeia de valor, tendo como base os números de 2018. Com isso, quer se tornar, em 2040, a primeira cervejaria global a ter neutralidade na emissão de carbono na cadeia de valor.

“Estamos nos comprometendo a acelerar nossas ações para enfrentar as mudanças climáticas. Nosso objetivo é sermos neutros em carbono em nossas unidades de produção até 2030, a fim de cumprir a meta de 1,5°C definida pelo Acordo de Paris”, destaca Dolf van den Brink, presidente do conselho executivo e CEO da Heineken.

Iniciativas globais
Para confirmar ser factível a busca para se tornar uma empresa carbono zero, a Heineken enumerou uma série de iniciativas globais que vem realizado em diferentes países. Na Finlândia, por exemplo, fez uma parceria para construir um parque eólico que injetará eletricidade renovável na rede que abastece 13 de suas empresas operacionais na Europa.

Na Indonésia, por sua vez, a empresa utiliza biomassa sustentável, feita de resíduos agrícolas, em suas duas cervejarias. Na Nigéria, inaugurou recentemente painéis solares em sua cervejaria. E, no Vietnã, a companhia obtém cascas de arroz com agricultores locais para aquecer suas caldeiras de fabricação de cerveja.

Além disso, a Heineken está migrando para cervejarias de emissão zero de carbono na Espanha e na Áustria. No México, a empresa conta com geladeiras inteligentes que utilizam um software para ajustar automaticamente as configurações de resfriamento para minimizar o uso de energia. Na Holanda, é pioneira em métodos de transporte interno mais limpo para sua cerveja e sidra. E, no Reino Unido, lançou uma inovadora embalagem de papelão, reduzindo a emissão de carbono e economizando 500 toneladas de plástico todos os anos.

Agora, com o anúncio das novas metas de sustentabilidade, a Heineken deve preparar iniciativas para atingir a meta de carbono zero em sua produção, o que certamente incluirá as suas operações no Brasil, onde está desde 2010 com 15 unidades, sendo 12 cervejarias.

Crítica: Druk aborda prazeres, contradições e efeitos do álcool de forma atraente

*Por Leandro Silveira

A sinopse de um filme indica caminhos, mas nem sempre deixa claro o que virá pela frente. É assim com Druk – Mais Uma Rodada, representante da Dinamarca no Oscar, concorrendo aos prêmios de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Direção, para Thomas Vinterberg, neste domingo.

“Druk – Mais uma Rodada é a história de quatro professores com problemas em suas vidas, testando a teoria de que ao manter um nível constante de álcool em suas correntes sanguíneas, suas vidas irão melhorar. De início, os resultados são animadores, porém, no decorrer da experiência, eles percebem que nem tudo é tão simples assim”, afirma a sinopse.

A partir dessa premissa, o filme poderia desembocar em uma comédia divertida e boba sobre homens que se divertem como adolescentes, abusando do álcool. Nas mãos de Vinterberg, porém, se transforma em uma interessante abordagem sobre os prazeres e as dores do excesso, ainda que sem perder a leveza para tratar da cultura da bebida, já a partir de sua cena de abertura, quando o seu consumo é inserido em uma gincana adolescente.

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Esse início ajuda a dar o recorte do filme: o consumo de álcool pelas classes sociais abastadas. E serve como pano de fundo para o início da busca pseudocientífica de que o seu uso pode trazer bem-estar em meio à chamada crise da meia-idade, pois todos nasceriam com uma deficiência de álcool no sangue – e equilibrar essa conta seria o caminho para a felicidade, despedaçando a bolha do enfado.

A abordagem se dá com empatia e ternura pelos personagens: o professor de história em uma escola de Ensino Médio apático e com o casamento à beira do fim, Martin, interpretado por Mads Mikkelsen, puxa a fila da transformação – e das boas atuações – ao se tornar um ótimo contador de história a partir da largada da experiência.

Só que o êxito inicial do experimento também traz, consigo, uma armadilha: a imprevisibilidade de não se saber se os personagens estão à beira do êxtase ou de se machucarem. Todos, porém, têm conhecimento disso em meio a uma farra, mas diante dos bons momentos que o álcool traz nas experiências anteriores e do vício não assumido que os levou a atingir esse estágio, prosseguem.  É, ambiguamente, até previsível.

Ao fim, o mais importante acerto de Vinterberg, fundador do movimento Dogma 90 ao lado de Lars von Trier e autor de filmes fortes como A Caça, está em abordar a indeterminação dos efeitos do álcool sem se prender a questões sociais e, principalmente, morais. E isso dá a Druk uma grande e agridoce sequência final, sem a óbvia condenação ao uso da bebida.

Vinterberg, assim, une uma classe média pouco empolgante, homens de meia-idade vacilantes em suas vidas pessoais, expondo o mal-estar dos seus personagens e os misturando com álcool. Uma união rara de se ver nas telas de cinema. Deixa a conclusão ao espectador, entre a abordagem séria sobre o abuso da bebida e o entretenimento provocado pelo seu prazer, mas com a conclusão de que Druk é uma história atraente. Vale uma rodada.

*Leandro Silveira é jornalista e editor-chefe do Guia da Cerveja