Gilberto Tarantino foi reeleito como presidente da Câmara Setorial da Cerveja, órgão ligado ao Conselho do Agronegócio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A decisão foi tomada em reunião em dezembro do ano passado e submetida ao ministro da Agricultura, Carlos Fávaro. A decisão final foi publicada em portaria no Diário Oficial no dia 13 de fevereiro. Além de continuar o trabalho que desenvolveu nas discussões da Reforma Tributária e Imposto Seletivo, ele também pretende dar foco na capacitação dentro do setor no novo mandato.
Nesse segundo mandato, ele diz que uma das prioridades é fazer os negócios da cerveja funcionarem e prosperarem. “O business da produção de cerveja tem que dar certo. Então, a gente vai focar em cursos. Não só de produção, mas de gestão, de marketing e outros, vamos também levar a cerveja para ciência, para gastronomia, para agricultura. A luta é essa”, conclui.
A Câmara Setorial da Cerveja tem como objetivo propor, apoiar e acompanhar ações para o desenvolvimento da cadeia produtiva da cerveja no país. Profissionais de diferentes segmentos do setor, abrangendo embalagens, agricultura, indústrias, supermercados, turismo, bares e restaurantes, compõem o colegiado.
O principal foco de Tarantino no mandato anterior concentrou-se na discussão sobre a implementação do Imposto Seletivo e a Reforma Tributária.
“E foi onde tivemos mais sucesso. A gente conseguiu incluir que as pequenas indústrias de bebidas — como as de cerveja, vinho e destilados — poderão ter um tratamento diferenciado no Imposto Seletivo. Quanto menor o nível de produção, maior o desconto sobre o Imposto Seletivo. Mas essa briga começa agora”, diz.
Segundo o presidente reeleito, as discussões sobre o novo tributo devem voltar à pauta do Congresso em março, quando o Ministério da Fazenda deve enviar a proposta sobre qual será a alíquota e a mecânica de operação do imposto.
O Imposto Seletivo, também conhecido popularmente como Imposto do Pecado, é um tributo federal criado pela Reforma para desestimular o consumo de bens e serviços considerados como de risco para a saúde ou o meio ambiente pela nova lei. Bebidas açucaradas e alcoólicas, veículos poluentes, extração mineral estão incluídos.
Outras pautas da Câmara Setorial da Cerveja
Em relação aos demais objetivos da gestão iniciada há dois anos, Tarantino conta que havia duas propostas principais: a criação de um código da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) para cervejas artesanais e a aproximação com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), para reforçar as exportações.
Tarantino conta que a ideia do CNAE específico acabou sendo descartada em reuniões com a Receita Federal e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os órgãos alegaram que o volume ainda é muito baixo para justificar a mudança e o processo é longo e demorado.
Já no ramo das exportações, novas abordagens estão sendo tentadas com a Associação Brasileira dos Exportadores e Importadores de Alimentos e Bebidas (BFBA). E talvez seja possível viabilizar uma missão comercial de compradores para a Brasil Brau.
A cerveja zero ou sem álcool, a low alcohol e as chamadas “ultra” deixaram de ser nicho. Elas entraram no cotidiano por diversas razões, como saúde, direção, esporte e rotina de trabalho. Do lado do mercado, os números recentes ajudam a explicar por que esse assunto ganhou destaque, já que há crescimento do consumo e reportagens apontando salto expressivo na produção no Brasil entre 2024 e 2025, com projeções ambiciosas para 2026.
Até aqui, a conversa parece restrita a portfólio e comportamento do consumidor. Há, porém, um segundo motor, menos comentado fora do balcão jurídico, que é o desenho do Imposto Seletivo. Esse tributo nasce com a missão constitucional de incidir sobre bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Nesse ponto, a tendência no and low passa a ser também uma discussão sobre arquitetura de produto e sobre o limite entre inovação legítima e reclassificação arriscada.
A lógica do Imposto Seletivo para bebidas alcoólicas é, em essência, simples de entender. A lei prevê que, para bebidas alcoólicas, a tributação deve levar em conta o teor alcoólico em volume do produto. Se o tributo é calibrado pelo álcool, reduzir o ABV pode significar reduzir custo tributário. Isso influencia decisão de receita, processo, embalagem e posicionamento.
A diferença de cerveja zero e low alcohol
A cerveja low pode pagar menos Imposto Seletivo ou, dependendo do enquadramento, pode nem estar sujeita a ele. No recorte normativo inicial, o Anexo XVII da Lei Complementar 214/2025 associa bebidas alcoólicas aos códigos NCM 2203, 2204, 2205, 2206 e 2208. Em linguagem de mercado, a cerveja de malte (NCM 2203) está no radar do seletivo.
A cerveja zero ou sem álcool, por sua vez, aparece no comércio e em referências fiscais com a classificação NCM 2202.91.00. Assim, quando o produto é efetivamente uma cerveja sem álcool classificada como 2202.91.00, ele não integra a lista de bebidas alcoólicas do anexo e fica fora do novo imposto. Isso tem implicações diretas de estratégia.
Na linha low alcohol, que em regra continua dentro do NCM 2203, o incentivo é diminuir o teor alcoólico para reduzir a carga tributária. Esse movimento é, por si, um estímulo legítimo à inovação e pode ser saudável para o mercado e para o consumidor. O problema aparece quando a engenharia de produto vira maquiagem.
Sempre que o sistema cria diferenças relevantes de tributação entre categorias próximas, o mercado reage com ajustes de receita, porção, rotulagem e narrativa comercial. Isso não é, em si, errado. Faz parte do jogo regulatório. O erro é confundir marketing com classificação fiscal e acreditar que trocar nome, slogan ou layout de rótulo resolve o enquadramento.
No Imposto Seletivo, essa distinção tende a ficar ainda mais sensível porque o ponto de partida é a NCM, ou seja, um elemento técnico. Essa classificação depende de características do produto, de notas explicativas, de documentação e de coerência ao longo da cadeia. A estratégia legítima, nesse contexto, é aquela em que a empresa faz uma escolha empresarial verdadeira e sustentada. Quando desenvolve uma session ou “ultra” com menor ABV sem induzir o consumidor a erro. Ou lança uma cerveja sem álcool (ou cerveja zero) com processo e controle que efetivamente a caracterizam como não alcoólica. Ela mantém padrão de qualidade, estabilidade e rotulagem coerentes com o enquadramento. Trata-se de inovação de produto, não de inovação de tese.
Para pequenas cervejarias, esse tema não precisa virar paranoia, mas exige método. Antes de lançar um novo produto no or low, vale trabalhar com um roteiro de conformidade. Isso inclui ABV-alvo e controle por lote, enquadramento técnico do produto, documentação que sustente a condição de não alcoólica, quando for o caso, e consistência de NCM em toda a cadeia documental.
Inovação e risco
No fim, a mensagem mais útil para quem produz e para quem consome é simples. A tendência no and low é boa para o mercado e pode ser virtuosa para o consumidor, mas ela também inaugura um tipo de competição que envolve enquadramento regulatório. Quem transforma isso em inovação real, com transparência e documentação, colhe vantagem. Quem tenta resolver no design do rótulo aquilo que é problema de substância, assume o risco de descobrir, tarde e caro, onde termina a criatividade e começa o contencioso.
Clairton Gamaé advogado e sócio do escritório Kubaszwski Gama Advogados Associados. Possui mestrado em Direito pela UFRGS e é especialista em Direito Tributário pelo IBET. Além disso, é cervejeiro caseiro.
* Este é um texto opinativo. As opiniões e informações contidas nele são de responsabilidade do colunista e não refletem necessariamente a opinião do Guia da Cerveja.
O 14º Concurso Brasileiro de Cervejas (CBC) de Blumenau (SC), que acontece de sábado (28) a domingo (2), chegou à marca de 2,7 mil rótulos inscritos em 175 categorias técnicas. O número representa um crescimento de 7,5% em relação ao ano anterior. A diversidade também cresceu com um aumento de 5,14% no número de estilos contemplados. Os vencedores serão anunciados no dia 3 de março, no Parque Vila Germânica, data que antecede o Festival Brasileiro da Cerveja.
Alguns destaques das inscrições foram a categoria Gluten Free, que teve alta de 700% no número de amostras; rótulos com maturação em madeiras brasileiras, que cresceram 55%; e cervejas sem álcool, com aumento de 9,3%. American IPA e Catharina Sour lideram o ranking de estilos com maior número de cervejas para avaliação.
A qualificação do corpo de jurados, selecionado pelo Conselho Consultivo, é, para Carlo Bressiani, fundador da Escola Superior de Cerveja e Malte e um dos organizadores do Concurso Brasileiro de Cervejas, um dos grandes alicerces da credibilidade da competição. “São mais de 70 nomes com experiência atestada pelo mercado e qualificação à altura do desafio que é destacar alguns desses rótulos”, diz.
A edição de 2026 do Concurso Brasileiro de Cervejas marca a inclusão do estilo Manipueira Selvagem, cerveja fermentada a partir de micro-organismos vindos da prensagem da mandioca. O evento também ampliou a parceria com o World Beer Awards para facilitar a inscrição de brasileiros no concurso global. Por fim, a organização publicou um Hall da Fama, com o histórico de premiados no concurso, no site oficial.
A escola de conhecimento da Ambev, em São Paulo (SP), reforça as dicas para quem vai curtir os bloquinhos de pós-Carnaval: descansar bem na noite anterior, estar bem alimentado com comidas leves e manter a moderação. E, para isso, as cevejas sem álcool podem ajudar bastante para equilibrar o consumo ou alternar entre uma cerveja e outra, mantendo o equilíbrio. A instituição também abriu inscrições para cursos de harmonização gastronômica nos formatos online e presencial. As aulas ensinam combinações de bebidas com carnes e peixes. Informações sobre a agenda completa de cursos estão disponíveis no perfil @academia.da.cerveja no Instagram.
Em Blumenau (SC), a organização do evento que ocorre em outubro reduziu em 100 reais o preço dos ingressos. A promoção termina no sábado (28). O público pode adquirir as entradas pelo site oficial Oktoberfest Summit com o código SUMMITFOLIA. A programação inclui visitas guiadas e palestras sobre a gestão da maior festa alemã das Américas. O encontro revelará bastidores inéditos da gastronomia e dos desfiles da festa.
Itaipava contrata Virgínia Fonseca para time de influenciadores
A cerveja Itaipava, do Grupo Petrópolis, anunciou em São Paulo (SP) a contratação da influenciadora Virgínia Fonseca. A parceria integra o reposicionamento da marca para atrair o público jovem. Virgínia possui 54,5 milhões de seguidores e soma-se ao grupo que inclui Ivete Sangalo e Nicole Bahls. A estratégia foca em criadores de conteúdo para aumentar a visibilidade nacional. O Grupo Petrópolis é a única grande cervejaria com capital totalmente nacional.
Amstel e Alceu Valença fazem ação imersiva em Pernambuco
O cantor Alceu Valença usou óculos inteligentes para gravar imagens em primeira pessoa durante o Carnaval de Recife (PE) e Olinda (PE). O conteúdo integra a estratégia de expansão da marca Amstel no Nordeste. A cervejaria foi a patrocinadora oficial dos circuitos de rua e do bloco Galo da Madrugada. Segundo o governo estadual, a folia na região atraiu 4 milhões de pessoas em 2026. A parceria em formato collab distribuiu vídeos dos bastidores e do palco nas plataformas digitais.
A marca promove a ação Combo Premiado em São Paulo (SP), Campinas (SP) e Ribeirão Preto (SP) até sexta-feira (27). Consumidores que comprarem duas cervejas long neck recebem brindes exclusivos em bares selecionados. A iniciativa celebra a turnê brasileira da banda australiana AC/DC. O roteiro inclui shows de grupos covers e distribuição de copos personalizados. Os interessados devem realizar cadastro com promotores da marca nos locais participantes. A plataforma busca aproximar a cerveja premium da comunidade rockeira.
Bodebrown realiza Growler Day com tributo ao AC/DC
Banda Youngs AC/DC Cover será uma das atrações do evento da Bodebrown neste sábado (Foto: Renan Lima)
A cervejaria em Curitiba (PR) promove dois shows covers de rock neste sábado (21), das 9 às 18 horas. O evento tem entrada franca e oferece mais de 40 rótulos de cerveja. A programação inclui um café da manhã solidário mediante a doação de três quilos de alimentos não perecíveis. Visitantes também podem realizar passeio guiado pela linha de produção da fábrica com degustação direto da fonte. A homenagem antecede as apresentações da banda australiana marcadas para este mês em São Paulo. Mais informações no perfil do Instagram da Bodebrown.
Não lembro exatamente quando foi a primeira vez que fui no Torneira Bar, atualmente Torneira Boteco, mas sei exatamente como me senti: bem. É um ambiente acolhedor que fica na Vila Madalena, região boêmia da Zona Oeste de São Paulo —, mas longe o bastante do fervo para as pessoas poderem ter uma boa conversa enquanto degustam boas cervejas. Duas coisas chamam a atenção desde o início: a arquitetura, já que o desenho do espaço é um prolongamento da rua; e a política de diversidade. Toda a equipe era composta mulheres e pessoas da comunidade LGBTQIAPN+, especialmente trans, grupo que está entre os mais excluídos do mercado formal de trabalho.
Ao chegar lá hoje você pode se surpreender pelo fato de não haver porta, e sim uma entrada “vazada”, um grande pórtico que marca, mas não divide fora e dentro, abraçando o espaço público. Há mesas, cadeiras, bancos, como todo o bar, porém o piso é uma continuação do “petit pavé” da calçada, as paredes têm lambe-lambe e há plantas por todos os lados, como num jardim. O balcão de bar está lá, mas é de concreto, e as torneiras de chope que dão nome ao bar tem decoração com aquele estilo de registos metálicos de água da entrada das casas.
Ou pode estranhar o fato que naquele balcão o chope artesanal divide espaço com cervejas mainstream, lado a lado e sem problema nenhum. Mas nem por isso o bar perdeu sua essência. Continua aberto a todos, democrático, e mantém as políticas de inclusão que fazem parte da sua personalidade.
E muito provavelmente vai encontrar Danielle Lira atrás daquele balcão. Mulher, negra de cabelos orgulhosamente crespos e volumosos, prestes a completar 35 anos agora em março, ela é a mente por trás do Torneira Boteco. “A diversidade sempre foi parte da identidade e dos valores do Torneira. Não como discurso, mas como prática e ações diárias e afirmativas”, conta.
Uma história de competência
Mas, não se preocupe. Essa não é só mais uma história de superação, daquelas que se tornaram quase um clichê no jornalismo ultimamente. A trajetória da Dani é marcada pela competência acima de tudo, o que se torna ainda mais especial por ela ser quem é e vir de onde veio.
Foi criada na Zona Norte de São Paulo em uma família de origem periférica. Nasceu quando sua mãe tinha apenas 14 anos — hoje cozinheira e parte da comunidade LGBTQIAPN+. “Sempre me incentivou a estudar, a buscar crescimento, a ter autonomia. Ela é uma das minhas maiores referências de coragem e autenticidade”.
Cresceu no caminho do estudo e do trabalho. Conta que sempre foi inquieta, “com personalidade forte”, e gostava de liderar grupos. “Nunca tive medo de falar e ocupar espaços”. Um comportamento ótimo para empreendedores.
Começou a trabalhar com 16 anos em uma rede de fast-food, foi para a área de atendimento e construiu uma carreia de dez anos na área de finanças em instituição financeira. “Foi ali que desenvolvi visão estratégica, capacidade de gestão, negociação e planejamento”.
Essas habilidades foram essenciais para que fosse convidada para uma sociedade, para estruturar um negócio. A cerveja artesanal já fazia parte dos seus interesses. Ela estudava e conhecia o mercado, promovendo até degustações entre amigos.
“Mas, ao mesmo tempo, eu observava um mercado muito fechado, direcionado a um público bastante específico, principalmente masculino. Eu não me sentia pertencente e incluída ali e percebia que outras pessoas também não se sentiam, especialmente mulheres e pessoas da comunidade LGBTQIAPN+”.
Então aquela oportunidade deixou de ser apenas um negócio e se tornou a construção de um espaço. Formada em Marketing e pós-graduada em ESG, com especialização em Diversidade e Inclusão, Dani sempre teve essa bandeira, que passou a ser um pilar central do empreendimento.
A segunda coluna de sustentação foi uma certa “desgourmetização” da cerveja artesanal, mantendo qualidade, mas sem distanciamento. “A proposta nunca foi apenas abrir um bar. Foi criar um espaço onde as pessoas pudessem conhecer a cultura da cerveja artesanal de forma descomplicada e se sentirem confortáveis, sem julgamentos”.
De Torneira Bar para Torneira Boteco
Dani Lira se formou também sommelière de cervejas (Crédito: Arquivo Pessoal / Dani Lira)
Outro equívoco é achar que a Dani é idealista, daquele tipo que tem a cabeça nas nuvens. É o oposto. Sim, há nela um senso de propósito claro, e ela frisa que a formação não é apenas acadêmica, “mas prática aplicada na minha trajetória”. Porém, a empreendedora sempre teve os pés no chão.
Abriu o bar há cinco anos. Já enfrentou Pandemia de Covid-19, a sazonalidade do mercado cervejeiro, a formação de novos territórios boêmios e mudanças no comportamento de consumo. “O mercado de cerveja artesanal vive um momento de ajuste. O poder de compra mudou, o perfil de consumo mudou. Isso exigiu decisões estratégicas. Eu precisei amadurecer como gestora”, conta.
Tudo isso pediu mudanças no negócio. E elas vieram. Recentemente, o Torneira Bar se tornou Torneira Boteco. Ela fez ajustes estratégicos no sentido de ampliar o público e democratizar ainda mais o espaço, sem abandonar a cerveja artesanal.
“A escolha de incluir marcas mais populares, como a Amstel, do Grupo Heineken, veio da necessidade de uma parceria forte, estruturada e alinhada aos valores do Torneira, que ajudasse na sustentabilidade do negócio. E essa parceria tem sido incrível, com resultados muito positivos”, conta.
Mudar sem perder a essência
As artesanais continuam presentes. Mas hoje a casa oferece diferentes opções de experiências e preços. Houve ajustes também no cardápio, para entrar mais na proposta de boteco. Mas o compromisso e as políticas de inclusão seguem de pé. “Não romantizo essa escolha. Mas, dentro da minha possibilidade de pequena empreendedora, eu escolho olhar para quem muitas vezes não é olhado e/ou escolhido”.
É verdade, o mercado de cervejas artesanais mudou. Está mais desafiador. E Dani tem clareza disso. “Na minha visão, atualmente a cerveja artesanal é consumida de forma mais pontual, mais experiência do que recorrência. E assim, permanece quem tem identidade clara e gestão consciente”.
Hoje, conta, se sente mais madura como empreendedora, entendendo que propósito sustentabilidade precisam caminhar juntos. “Empreender sendo mulher negra no Brasil é construir todos os dias. É desafiador, é cansativo, mas também é transformador e vem me transformando como gestora e mulher”.
O Torneira Boteco segue com suas bases fortes, mostrando soluções para os negócios cervejeiros e representando a inclusão no mercado artesanal. E a Dani é exemplo, não só pela sua história de superação, mas principalmente pela sua visão empreendedora.
“Sou grata pelo que construí até aqui e pelo legado que o Torneira vem plantando. Mais do que um bar, ele trouxe reflexão sobre inclusão e diversidade dentro do setor cervejeiro. E esse sempre foi o meu maior objetivo”.
Falar de tendências é sempre um exercício de futurologia — e a chance de errar é maior do que de acertar. Mas vale a aposta. Quem chega antes nelas pode garantir uma vantagem competitiva e, muitas vezes, com risco baixo. Mas como saber o que vai ser tendência? Steve Jobs dizia que para prever o futuro “é preciso olhar para as bordas”. Então, para ajudar você a pensar sobre o assunto, o Guia da Cerveja focou nesses movimentos marginais dos principais nichos do mercado cervejeiro e trouxe seis entre as muitas possíveis tendências de consumo para 2026.
Cervejas funcionais vão crescer ainda mais
Aposta: cervejas sem açúcar
Na era do Ozempic e do Mounjaro, quem não prestar atenção na onda de saudabilidade corre sérios riscos de perder boas oportunidades. Já faz algum tempo que o consumidor busca uma melhor saúde e bem-estar e vem bebendo “com o lado esquerdo do cérebro”, priorizando escolhas mais racionais e equilibradas entre lazer e saúde. E nada indica que isso vá mudar esse ano.
Por isso, novos produtos com mais funções não param de pipocar por aí, propondo soluções para diferentes questões dos consumidores. Uma aposta recente vem acontecendo com as cervejas sem açúcar — que nada mais são que o extremo das versões de baixa caloria (low carb). Logo antes do Carnaval, a Ambev lançou a Skol zero zero, sem álcool e sem açúcar. No exterior, se fala e se pesquisa sobre cervejas com proteína e para a saúde intestinal, com fibras ou probióticas. Mas para quem quer se aventurar nessas, melhor consultar o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) antes.
Moderação vai impulsionar cervejas sem álcool
Aposta: cervejas de baixo teor alcoólico
Falar que cerveja sem álcool é uma das tendências de consumo já é algo que ficou velho. Na verdade, esse segmento se tornou um nicho de mercado super relevante com o crescimento de mais de 300% em 2024. E o motivo vai além da saudabilidade hoje. “Pegar leve” já não tem a ver só com bem-estar físico, mas envolve também questões sociais e psicológicas. Dá para dizer que a moderação virou uma tendência à parte.
A questão é que elas podem ganhar companhia das cervejas de baixo teor alcoólico, também conhecidas como de teor alcoólico reduzido. Basta olhar como o público vem usando as cervejas sem álcool para controlar melhor o consumo. Muitos vem “fazendo a zebra”, ou seja, alternando as zero com as comuns. Na conta, seria o mesmo que cortar pela metade o teor alcoólico. A Carslberg está apostando nisso na Dinamarca. E anunciou no começo do ano sua nova linha de produtos Session.
Aqui no Brasil já existe até um espaço na legislação para isso, no qual as cervejas devem ter entre 0,5% e 2,0%. Mas para o consumidor, essa limitação não importa muito — desde que seja mais “leve” do que a cerveja normal.
Premium como remédio para queda de volume
Aposta: cervejas saborizadas
No difícil equilíbrio entre preço, volume e margem de lucro, as empresas acabam tendo que compensar um com outro algumas vezes. Com venda em menor quantidade no último ano, o valor a mais pago nas cervejas premium acaba equilibrando a conta. É o que mostram os balanços de 2025 da Heineken e Ambev divulgados na semana passada. Por isso, as cervejas premium devem continuar sendo uma das tendências de consumo em 2026.
Como a classificação premium é uma questão de preço — em geral, 20% a mais do que a cerveja mainstream —, uma das questões é como ampliar a oferta de produtos. E é aí que entram as cervejas saborizadas.
O público continua atento e curioso com novos aromas e sabores. Mas talvez não queira desembolsar o valor de uma cerveja artesanal para isso. São cervejas com botânicos, como a Heinken Lager Spritz, ou com limão, como a Flying Fish, que tem um diferencial claro de sabor no líquido, custam um pouco mais, mas cabem no bolso.
Produção de outras bebidas
Aposta: coquetéis prontos e águas lupuladas
Apertem os cintos: o consumidor sumiu. É assim que se sentem muitos empresários do meio cervejeiro com as mudanças do mercado nos últimos anos. Se antes tudo vendia, agora parece que o público desapareceu. Quem quer continuar no negócio, ou procura meios de encontrá-lo — e aí vem a crescente importância do marketing no setor —, ou atrai outros perfis.
Aproveitar a estrutura já existente para explorar outras bebidas é um passo lógico. Coquetéis prontos para beber, kombuchas, sidras e o que mais tiver demanda podem ser, sim, boas ideais, desde que bem trabalhadas.
Essas outras bebidas atingem um público novo ou atendem ocasiões de consumo que a cerveja não consegue entrar. É o caso das as águas lupuladas, uma aposta nos Estados Unidos, como mostra reportagem do New York Times de dezembro. Elas não são novidade. Já existiram outras tentativas sem muito sucesso. Mas talvez dessa vez acabem sendo melhor aceitas como nesse novo momento do mercado.
Eficiência e volta ao básico
Aposta: estilos clássicos para o dia-a-dia e embalagens menores
Todas as mudanças recentes do mercado cervejeiro exigem das cervejarias artesanais uma boa capacidade de adaptação. Não há fórmula mágica. É preciso testar, errar — de preferência com baixo custo — e ajustar rápido. Até achar algo que funcione com o seu público.
Em termos de estilos, parece que o consumidor está cansando de cervejas com excessos sensoriais, pelo menos nos Estados Unidos. Por lá, uma das saídas está sendo a consolidação da tendência das Lagers artesanais, que já vem acontecendo há uns anos.
Aqui no Brasil, é bastante claro que o mercado está num momento no qual a eficiência conta muito. Manter os custos baixos e melhorar as margens é uma necessidade. Apostar em cervejas “carro-chefe” é uma das maiores recomendações de especialistas. Mas, nesse contexto, uma boa aposta poderia ser a volta ao básico, fazendo estilos clássicos que tem recorrência de consumo em vez lançamentos que o cliente vai comprar uma vez só. É mais fácil e barato vender uma segunda vez para um cliente que já é seu do que atrair um novo.
Outra das tendências de consumo que vem aparecendo forte nos Estados Unidos são as embalagens menores, que diminuíam a percepção de preço nas gôndolas. Recentemente a Sierra Nevada lançou latas de 250 ml.
Cervejaria como varejo
Aposta: melhores experiências e hospitalidade
Saindo de “o que” se consome para o “como”, a venda direta ao consumidor tem se mostrado uma das melhores soluções para as pequenas cervejarias. E é um ganha-ganha com o consumidor. Cortar intermediários garante mais margem para o produtor e um preço melhor para o cliente.
Mas isso também exige novas competências. A indústria tem que ser cada vez mais varejo e precisa aprender a lidar diretamente com esse consumidor. Um espaço adequado, limpo e com bom serviço é o mínimo. É preciso ser super-premium também na hospitalidade.
O diferencial vai estar na experiência que você oferece — que deve ser memorável, e não algo que o consumidor possa ter em casa —, na autenticidade da sua marca e na conexão com essa comunidade. Ser só mais uma cervejaria ou ter só mais um taproom com decoração industrial não é um diferencial. As pessoas precisam de um motivo para sair do conforto do seu lar.
E o ano começa com uma boa notícia. O preço da cerveja caiu em janeiro. Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), houve deflação de -0,06%. Esta é a menor taxa para um mês de janeiro desde 2020, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado considera as cervejas em domicílio. Já a produção industrial de bebidas alcoólicas apresentou recuo de -4,7% no acumulado do ano de 2025 em relação ao acumulado do ano de 2024.
Preço da cerveja cai
A variação negativa de -0,06% na inflação da cerveja em domicílio ficou abaixo dos 0,33% do IPCA do mês. O resultado interrompe a alta de oito meses consecutivos em que a bebida tinha variação de preço acima do índice geral. Já os preços das cervejas fora do domicílio tiveram avanço de 0,97% em janeiro, acima do IPCA. Esta é a maior taxa para o mês desde 2020.
Denise Ferreira Cordovil, da Gerência Nacional de Índices de Preços do IBGE, explica que, no caso da cerveja, o aumento em janeiro pode ser explicado por alguns fatores. Entre eles, a maior demanda relacionada às festas de fim de ano, o aumento do consumo no verão e o maior consumo como resultado do aumento da renda.
Em janeiro, a cerveja ficou acima do IPCA geral em cinco das 15 capitais monitoradas pelo IBGE. A cidade que lidera o ranking é São Luís (MA), com alta de 2,39% no preço da cerveja em domicílio, se comparado ao mês anterior.
Na sequência vêm Goiânia (GO) e Recife (PE), empatadas com alta de 0,83%; Rio de Janeiro, com alta de 0,63%; e Brasília (DF), com alta de 0,38%.
As maiores quedas de preços foram registradas em Porto Alegre (RS), com recuo de -0,71%; Curitiba (PR), com -0,54%; e Campo Grande (MS), com -0,38%.
No acumulado de 12 meses, São Luís segue tendo a maior variação de preço, com alta de 9,13% na cerveja em domicílio; seguida pela Grande Vitória (ES), com variação de 8,93%, Recife (8,35%) e Campo Grande (MS), com alta de 7,29%.
Em meio à queda no consumo, a fabricação de bebidas alcoólicas industriais apresentou recuo em dezembro, de acordo com dados da PIM-PF (Pesquisa Industrial Mensal — Produção Física), do IBGE. Este índice não mede a fabricação por tipo de produto, mas as cervejas correspondem a cerca de 90% do volume de bebidas alcoólicas produzidas no país.
Na leitura dos dados sobre a produção de bebidas alcoólicas, o índice captou um recuo de -5% em dezembro frente ao mesmo mês do ano anterior. E de -4,7% no acumulado de todo o ano de 2025 em relação ao acumulado do ano de 2024.
Já a fabricação de bebidas não alcoólicas teve avanço de 1,6% em dezembro de 2025 e de -0,3% no acumulado do ano passado.
No dado geral, a produção industrial do país teve recuo de -1,2% em 2025. Segundo André Macedo, gerente da PIM, esse “menor dinamismo guarda uma relação importante com a política monetária mais restritiva, especialmente marcada pelo aumento na taxa de juros, o que impacta diretamente nas decisões de investimento por parte das empresas”, avalia.
Ambev e Heineken, as duas maiores empresas de cerveja do mundo, divulgaram na última semana os balanços financeiros do quarto trimestre de 2025, que fecham o ciclo do ano e dão um panorama de como foi o desempenho no período. As companhias conseguiram aumento de receita por meio da venda de produtos mais caros, como as cervejas premium e super premium, mesmo enfrentando um cenário desafiador. “Fatores cíclicos”, segundo os documentos, como clima e condições macroeconômicas, levaram a um recuo nos volumes de vendas. Ambas sinalizam que o futuro próximo será marcado pela busca de eficiência.
O relatório de resultados da Ambev aponta queda de 3,3% no volume vendido em todo 2025 e de 3,6% no quarto trimestre (4T25), comparado ao mesmo período do ano anterior. Ao mesmo tempo, houve aumento de receita líquida de 4% na comparação anual e de 4,8% no quarto trimestre.
Segundo a empresa, a queda no consumo foi motivada por “fatores cíclicos que afetaram as ocasiões de consumo”.
Somente no Brasil, a queda no volume de vendas foi de -4,1%, sendo -4,5% em cerveja e -3,1% em outras bebidas. No recorte pelo quarto trimestre, o recuo foi de -3,7%. Dentro deste percentual e neste período, as cervejas tiveram redução de -2,6% e as demais bebidas, de -6,6%.
Este cenário não afetou o lucro da empresa, que teve crescimento de 1,6% em 2025, comparado ao ano anterior.
Já o EBITDA Ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, excluindo gastos não recorrentes) cresceu 5,6% no ano e 1,3% no último trimestre. Esse desempenho foi sustentado por uma estratégia de gestão de receita que elevou a receita líquida por hectolitro em 7,5% em 2025, segundo a empresa.
“Condições climáticas adversas e um ambiente de consumo mais desafiador reduziram as ocasiões de consumo, especialmente nos canais ligados à socialização, pressionando os volumes da indústria”, diz o CEO da empresa, Carlos Lisboa, no relatório.
A aposta no segmento de alta renda foi crucial. Segundo o relatório da administração, as marcas mais caras, como cervejas premium e super premium, cresceram “um dígito alto” (high-single-digit) no ano, superando a média da categoria. A eficiência operacional também permitiu que a margem EBITDA expandisse 50 pontos-base, alcançando 33,4% em 2025 — o terceiro ano consecutivo de expansão.
Heineken e as cervejas premium
A holandesa Heineken apresentou resultados na mesma linha. Houve recuo no volume total de venda de -1,2% em 2025, comparado ao ano anterior, e crescimento da receita líquida de 1,6%. O relatório da empresa cita a estratégia de vendas de produtos premiunizados, como o segmento cervejas premium. Em 2025, o segmento teve aumento de volume de 2,7%, puxados por mercados como China, Vietnã, Nigéria e Índia.
No Brasil, as marcas Heineken e Amstel estão envolvidas nessa estratégia, ao lado da Eisenbahn.
O relatório também citou o mercado brasileiro, um dos mais importantes para a empresa, como um ponto de atenção, já que “fatores cíclicos” enfraqueceram a demanda.
“Em 2025, entregamos um desempenho resiliente e bem equilibrado. Ganhamos participação de mercado, impulsionamos a produtividade de custos e caixa, e aumentamos o investimento em nossas marcas”, afirmou o CEO global, Dolf van den Brink, no relatório de resultados. O executivo alertou para a continuidade da cautela, afirmando que a empresa permanece “prudente” para as condições do mercado de cerveja no curto prazo. Ele anunciou que deixará o cargo em 31 de maio deste ano.
Perspectivas
Ambas as empresas sinalizam que 2026 será um ano de foco em eficiência e inovação. A Heineken projeta um crescimento do lucro operacional entre 2% e 6% para o próximo ano e anunciou um corte de 5 a 6 mil cargos em todo o mundo ao longo dos próximos dois anos como parte de seu programa de produtividade. Já a Ambev aposta na digitalização de seu ecossistema, citando o crescimento de 70% no volume bruto de mercadorias.
A indústria cervejeira alemã acompanhou no último mês uma movimentação histórica no mercado bávaro. A Schneider Weisse, famosa por suas cervejas de trigo, confirmou a aquisição das marcas Bischofshof e Weltenburger, a cervejaria mais antiga do mundo ainda feita em monastério, fundada em 1050. Ambas estão entre as mais tradicionais instituições cervejeiras da Baviera.
O negócio busca preservar o legado das marcas em um momento em que a indústria cervejeira alemã passa por mudanças estruturais.
“Solução bávara”
A transação, prevista para ser concluída oficialmente em 1º de janeiro de 2027, foi descrita pela imprensa especializada como uma “solução bávara” para garantir a sobrevivência das marcas em um cenário econômico desafiador.
Segundo o site The Drinks Business, o diretor administrativo da Bischofshof e Weltenburger, Till Hedrich, afirmou que a continuidade das operações de forma independente não era mais economicamente viável, apesar dos esforços recentes.
A aquisição pela Schneider Weisse evita que as marcas sejam fragmentadas ou adquiridas por investidores sem ligação com a tradição regional. Conforme relatado pelo portal BR24, a Schneider Weisse assumirá o controle das marcas e da produção, mantendo o foco na qualidade e na herança cultural da região de Kelheim e Regensburg.
Cervejaria mais antiga do mundo feita em monastério
Abadia de Weltenburg. (Foto: Reprodução / Kloster.Weltenburg.de)
O ponto alto da negociação é a Weltenburger Klosterbrauerei. Fundada em 1050, ela é reconhecida como a cervejaria mais antiga do mundo feita em mosteiro e ainda em atividade. De acordo com o portal Plataforma Media, a venda marca um momento histórico para a instituição.
A boa notícia para os entusiastas da marca é que a unidade de produção em Weltenburg será mantida. O site inFranken.de destaca que a Schneider Weisse pretende dar continuidade às operações no mosteiro, preservando os 21 postos de trabalho locais e garantindo que a famosa Weltenburger Kloster Barock Dunkel continue sendo produzida em seu local de origem.
O título de cervejaria mais antiga do mundo em geral fica com a também alemã Weihenstephaner (Bayerische Staatsbrauerei Weihenstephan), que faz e vende cervejas desde 1040. Apesar de ter se iniciado no mosteiro beneditino de Freising, na colina de Weihenstephan, em 1803 ela passou para o controle do estado. Ou seja, ela não é mais administrada por monges, mas sim pelo estado da Baviera. A operação funciona em conjunto com a Universidade Técnica de Munique.
Fechamento da Bischofshof em Regensburg
Weisses Brauhaus, da Schneider Wiesse, da cidade de Kelheim, a cervejaria de trigo mais antiga da Baviera. (Foto: Reprodução / Schneider-weisse.de)
Se, por um lado, a Weltenburger ganha fôlego, a situação da Bischofshof é mais delicada. Fundada em 1649, a cervejaria em Regensburg deve encerrar suas atividades de produção no final de 2026, após 377 anos de história.
Conforme apurado pelo inFranken.de, a unidade de Regensburg, que emprega 56 pessoas, deixará de fabricar cerveja, mas a marca Bischofshof continuará existindo sob o guarda-chuva da Schneider Weisse.
A logística da empresa, que conta com 21 funcionários, também será integrada ao novo grupo. O objetivo, segundo o The Drinks Business, é tentar realocar os colaboradores afetados em outras áreas do grupo ou em empresas parceiras do setor de bebidas.
As partes envolvidas, que optaram pelo sigilo contratual, e não revelaram os detalhes financeiros da transação, conforme informado pelos veículos alemães citados.
Produção brasileira da Weltenburger
O Grupo Petrópolis produz as cervejas da Weltenburger sob licença desde 2010. Procurada pela reportagem, a empresa preferiu não se manifestar sobre a continuidade ou não da fabricação das cervejas da marca no Brasil. Os rótulos que estavam sendo feitos no país são Urtyp Hell, Hefe-WeiBbier, Anno 1050 e Barock Dunkel.
O ano de 2025 terminou com uma notícia muito boa para o turismo e turismo cervejeiro, principalmente para o estado do Rio de Janeiro. Em 2025, o estado recebeu 2.196.443 turistas internacionais, um crescimento de 43,7% em relação a 2024, consolidando um novo recorde, segundo a Federação de Convention & Visitors Bureaux do Estado do Rio de Janeiro (FC&VB-RJ) e a Secretaria de Estado de Turismo do Rio de Janeiro (Setur-RJ). Os números são um resultado expressivo do forte investimento da Secretaria de Turismo na promoção do destino, qualificação profissional e melhoria da infraestrutura turística.
Apesar de não termos números concretos de qual foi a contribuição do turismo cervejeiro nesses números, é importante estarmos atentos a essas estatísticas. O turista chega pela capital, mas cada vez mais se conecta com o interior, criando uma grande expectativa nas 12 regiões do estado do Rio de Janeiro.
Mirando nesse público internacional, algumas cervejarias da Serra Fluminense já começaram a se preparar. Com o apoio do Sebrae, foi feita uma oficina estruturando as experiências, de maneira que tenham atrações distintas, precificadas corretamente, num contexto no qual cervejarias, guias e agências ganhem de forma consistente.
Ao final do projeto, está sendo publicado um material de divulgação em três idiomas, que serão distribuídos em feiras de turismo nacionais e internacionais. Além disso, os cardápios dos espaços físicos dos brewpubs, bares e restaurantes também estão sendo elaborados de forma multilíngue, o que torna mais fácil e atraente para um público consumidor internacional.
Esse é um grande momento para as rotas cervejeiras do país se unirem, compartilhando e divulgando o que já existe de experiências estruturadas e precificadas, para que o produto “cervejeiro” se torne cada vez mais atraente.
Com a nossa lição de casa feita, podemos aproveitar apoio do governo, do Sebrae, da Federação dos Conventions & Visitors Bureau e outras organizações civis organizadas para colocar cada vez mais o turismo cervejeiro no mapa do turismo nacional.
É importante que as cervejarias tenham essa percepção para atrair sua fatia desses visitantes internacionais, um segmento de turistas que deve crescer muito ao longo de 2026.
Ana Cláudia Pampillón é turismóloga e sommelière de cervejas.Tem uma longa jornada de atuação no mercado turístico e cervejeiro do estado do Rio de Janeiro. Coordena há 10 anos a Rota Cervejeira RJ e também atua no mercado de lúpulo brasileiro, aproximando os produtores das cervejarias.
* Este é um texto opinativo. As opiniões e informações contidas nele são de responsabilidade do colunista e não refletem necessariamente a opinião do Guia da Cerveja.
A cervejaria Carlsberg lançou no final de janeiro uma nova plataforma de produtos com “o menor teor alcoólico na Dinamarca”. Segundo a empresa, o objetivo da linha Session é “desbloquear” um novo nicho de crescimento no mercado: o das cervejas de baixo teor alcoólico. Até agora, há dois produtos: a Lager Carlsberg Nordlyst (2,5%) e Hazy IPA Jacobsen Barbaras (3,5%), produzida pela microcervejaria Husbryggeriet Jacobsen, que pertence à empresa.
Segundo Peter Haahr Nielsen, diretor-geral da Carlsberg Dinamarca, a rápida adoção de cervejas sem álcool pelos consumidores nos últimos anos demonstra a rapidez com que as preferências podem mudar quando novas opções de alta qualidade se tornam disponíveis.
“Se você observar o mercado de cervejas sem álcool, verá que ele realmente decolou, porque os consumidores de hoje se acostumaram com a opção e a boa variedade disponível. Esperamos que o mesmo aconteça com as cervejas com menor teor alcoólico, assim que os consumidores descobrirem que a opção que desejam agora existe.”
Pesquisa sobre cervejas de baixo teor alcoólico
Uma pesquisa nacional realizada pela Ipsos para a Carlsberg na Dinamarca mostra uma mudança clara: 64% dos dinamarqueses afirmam ter começado a moderar o consumo de álcool recentemente ou nos últimos cinco anos.
Além disso, dois em cada três consumidores dizem estar abertos a experimentar cervejas com menor teor alcoólico ou as escolhem como sua principal opção. O interesse é especialmente grande entre os homens.
“Os dinamarqueses têm se tornado cada vez mais flexitarianos em relação à cerveja”, afirma o diretor-geral.
“Isso se deve a uma tendência de moderação que não se trata de ‘ou um ou outro’, mas sim da liberdade de escolha da cerveja e da porcentagem de álcool que melhor se adequa a cada situação. Isso criou uma nova e interessante lacuna no mercado de cervejas com menos álcool do que o habitual.”
A nova linha Session da Carlsberg tem cervejas que contêm aproximadamente metade do teor alcoólico de suas versões tradicionais.
Os cervejeiros criaram os rótulos para oferecer flexibilidade, dando aos consumidores mais controle sobre o consumo de álcool, sem abrir mão do prazer de apreciar uma boa cerveja em qualquer ocasião, desde jantares durante a semana até almoços e comemorações de fim de semana.
A Carlsberg Nordlyst foi lançada em 21 de janeiro. É uma Lager com 2,5% de teor alcoólico que já está sendo distribuída para supermercados, restaurantes e bares em toda a Dinamarca. Apesar do teor alcoólico mais baixo, ela oferece o perfil de sabor de uma Lager moderna e equilibrada. Foi produzida com variedades de lúpulo cuidadosamente selecionadas que conferem um leve sabor frutado tropical com notas de pinho fresco e cítricos refrescantes.
“A Carlsberg Nordlyst é uma cerveja moderna com um bom corpo”, disse Johan Sølling Henriksen, que criou a receita da Carlsberg Nordlyst.
“Normalmente, a sensação na boca de uma cerveja pode ser comprometida por uma porcentagem de álcool mais baixa, mas estamos muito satisfeitos com o resultado: conseguimos criar uma Lager saborosa sem abrir mão do caráter e da qualidade, mesmo com apenas 2,5% de álcool. O segredo está em um processo de fabricação cuidadosamente adaptado e em uma técnica especial de dry hopping que proporciona um perfil de aroma e sabor elegante.”
Jacobsen Barbaras
Já Jacobsen Barbaras Easy IPA é uma Hazy IPA de 3,5% criada pela Husbryggeriet Jacobsen em colaboração com a fábrica de pães Schulstad. Ela recebeu o nome de Barbara — bisneta de Carl Jacobsen e Viggo Schulstad e última moradora da vila de Carl perto da Carlsberg.
Feita com malte de cevada e trigo, tem dry-hopping com os lúpulos Citra e Amarillo, trazendo notas de grapefruit, numa expressão cítrica fresca e equilibrada.