Durante muito tempo, dizer que uma empresa era optante pelo Simples Nacional praticamente encerrava a discussão sobre a forma de recolhimento dos principais tributos incidentes sobre sua atividade. Com a Reforma Tributária do Consumo, porém, essa resposta deixa de ser suficiente. A partir de 2027, as micro e pequenas empresas enquadradas no regime — entre elas, as cervejarias que preencham os requisitos legais para permanência no Simples — terão uma escolha adicional a fazer: manter a CBS e o IBS dentro do recolhimento unificado ou optar pela apuração desses dois tributos pelo regime regular.
Essa possibilidade está prevista no art. 41, § 3º, da Lei Complementar nº 214/2025. Na prática, a empresa continuará sendo optante pelo Simples Nacional para os demais tributos, mas poderá retirar IBS e CBS da sistemática unificada e submetê-los às regras gerais aplicáveis aos novos tributos sobre o consumo. É o que a Receita Federal passou a denominar, de forma didática, de “Simples híbrido”.
A escolha, no entanto, não deve ser reduzida a uma simples comparação de alíquotas. O que está em jogo é mais amplo, pois a opção interfere na forma como a própria cervejaria poderá aproveitar créditos de IBS e CBS, no crédito que poderá ser apropriado por seus clientes e, consequentemente, na relação da empresa com fornecedores, distribuidores, bares, restaurantes, supermercados e demais compradores.
Simples híbrido ou não?
Se IBS e CBS permanecerem dentro do Simples Nacional, a cervejaria continuará recolhendo esses tributos dentro da sistemática simplificada e, em regra, não poderá apropriar os créditos de IBS e CBS relativos às suas próprias aquisições. Isso não significa, entretanto, que seus clientes sujeitos ao regime regular ficarão necessariamente sem crédito. A legislação permite que o adquirente aproveite crédito correspondente ao IBS e à CBS efetivamente devidos pelo fornecedor por meio do Simples Nacional. Ou seja, há crédito, mas ele ficará limitado ao montante dos novos tributos efetivamente recolhidos dentro do regime simplificado.
Caso a cervejaria opte pelo regime regular para IBS e CBS, a lógica muda. Esses tributos deixam de integrar a parcela correspondente do recolhimento unificado e passam a seguir a sistemática normal de débitos e créditos prevista na LC 214/2025. Nesse cenário, a empresa passa, em regra, a poder aproveitar os créditos admitidos pela legislação em suas aquisições e suas vendas passam a gerar créditos dentro da lógica integral do novo sistema. É justamente por isso que não existe uma resposta única que sirva para todas as cervejarias.
Pense, por exemplo, em duas pequenas cervejarias com faturamento semelhante. A primeira concentra suas vendas no próprio estabelecimento, em eventos ou diretamente ao consumidor final. Nesse caso, o crédito tributário associado à aquisição da cerveja normalmente não interfere na decisão do comprador, porque o consumidor final não aproveitará esse crédito. A segunda, por sua vez, vende parcela relevante da produção para distribuidores, supermercados, bares, restaurantes ou outras empresas submetidas ao regime regular. Aqui, o crédito relacionado à compra pode passar a integrar a própria formação do custo do cliente e, portanto, influenciar a negociação comercial.
E as compras?
Isso não significa, evidentemente, que a cervejaria predominantemente B2B deva necessariamente optar pelo regime regular, nem que aquela voltada ao consumidor final deva manter IBS e CBS dentro do Simples. Há outro lado dessa conta que precisa ser considerado: os créditos que a própria cervejaria poderá aproveitar. Malte, lúpulo, embalagens, energia, serviços, equipamentos e outros custos da operação podem gerar créditos, desde que atendidos os requisitos legais. Dependendo da estrutura de compras e investimentos da empresa, esse aspecto pode alterar significativamente o resultado da comparação entre os dois modelos.
É por isso que olhar apenas para o faturamento, para a alíquota efetiva atualmente suportada no Simples ou mesmo para o valor projetado do DAS tende a produzir uma análise incompleta. A reforma faz com que o planejamento tributário passe a dialogar ainda mais com a própria cadeia de negócios. Para uma cervejaria, será necessário conhecer não apenas quanto vende, mas para quem vende, de quem compra, quais despesas poderão gerar créditos e quanto esses créditos representam na formação do custo.
A partir de 2027, portanto, perguntar se uma cervejaria está ou não no Simples Nacional deixará de contar toda a história. Será preciso fazer uma segunda pergunta: IBS e CBS estão dentro do Simples ou estão sendo recolhidos pelo regime regular? A resposta poderá produzir efeitos não apenas sobre a carga tributária, mas também sobre custos, créditos, formação de preços e competitividade dentro da cadeia cervejeira.
Clairton Gamaé advogado e sócio do escritório Kubaszwski Gama Advogados Associados. Possui mestrado em Direito pela UFRGS e é especialista em Direito Tributário pelo IBET. Além disso, é cervejeiro caseiro.
* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.
A Stella Artois, marca da AB InBev, controladora da Ambev, será a cerveja oficial das competições masculinas de clubes da Uefa — Champions League, Europa League e Conference League — por seis temporadas, de 2027/28 a 2032/33. A novidade foi revelada nesta semana pela cervejaria em apresentação a investidores que contou com o ex-jogador David Beckham, embaixador global da marca. O acordo encerra mais de três décadas do Grupo Heineken no torneio: a parceria começou em 1994, com a Amstel, passou à Heineken em 2005 e termina em agosto de 2027, segundo o Poder360.
Os valores não foram divulgados oficialmente. Segundo a imprensa internacional citadas pelo site brasileiro, a AB InBev deve pagar cerca de 200 milhões de euros por ano, perto de 1,2 bilhão de euros em todo o contrato, ante cerca de 120 milhões anuais do acordo atual da Heineken — uma alta de aproximadamente dois terços. A Heineken já havia anunciado o fim da parceria com a Champions League em outubro de 2025.
Com a troca, a AB InBev passa a reunir os patrocínios de cerveja das duas maiores competições do futebol: a Stella Artois na Champions League e a Budweiser, também do grupo, na Copa do Mundo da Fifa há 40 anos, segundo a própria marca. No Brasil, onde a Stella Artois é produzida e distribuída pela Ambev, as duas marcas disputam o segmento premium.
Heineken atualiza metas de sustentabilidade; Spin completa dois anos
O Grupo Heineken anunciou uma nova fase de sua estratégia de sustentabilidade, batizada Heineken Brinda um Mundo Melhor, com metas atualizadas para 2030 que colocam o consumo responsável no centro da agenda e ampliam compromissos em segurança hídrica e desenvolvimento social — entre elas, o crescimento de 25% no volume do portfólio de baixo teor alcoólico e sem álcool e a redução do consumo médio de água para 2,4 hl/hl em áreas de estresse hídrico até 2030. No Brasil, a companhia cita como exemplos o ecossistema Heineken Spin, o investimento de até R$ 460 milhões em bioenergia em Jacareí (SP) e projetos de segurança hídrica em Itu (SP) e na bacia do Ribeirão Bocaina, na região de Passos (MG).
Citado entre esses exemplos, o Heineken Spin — ecossistema de negócios de impacto lançado em 2024 com investimento inicial de R$ 150 milhões — completa dois anos com mais de R$ 560 milhões em faturamento acumulado, puxado sobretudo pelas marcas de impacto, que triplicaram de faturamento no período. Praya, Mamba Water e Baer-Mate ampliaram a distribuição de 10 mil para mais de 60 mil pontos de venda. Entre as apostas de longo prazo está o HEIFOREST, projeto de restauro florestal e agrofloresta em Itu que já plantou mais de 65 espécies arbóreas em mais de 600 hectares, com foco em recarga hídrica e remoção de carbono.
A marca paulistana de streetwear Egho, o restaurante Fôrno, conhecido pelas noites de jazz que promove às terças-feiras na Consolação desde 2023, e a Heineken lançaram a cápsula “Punk Jazz”, que transforma em vestuário o encontro entre música, cultura underground e a vida noturna de São Paulo. A coleção reúne camisetas, jaqueta e acessórios com estampas inspiradas em fanzines punk, impressões em xerox e no arquivo visual histórico da marca de cerveja. Para Ana Carolina Matos, Regional & Culture Marketing da Heineken, a colaboração parte de uma cena que “já existe e acontece de forma muito genuína em São Paulo” e busca registrar essa conexão entre música e público em peças que possam circular além das noites do Fôrno.
Biergarten Pomerânia aposta em Märzen com malte histórico
Com a Oktoberfest Blumenau (SC) marcada de 7 a 25 de outubro, o Biergarten Pomerânia, cervejaria de Pomerode (SC) comandada pelo chef Heiko Grabolle e pelas sócias Camila Pedrini e Gicele Lanser Corrêa, prepara uma Märzen comemorativa, estilo historicamente ligado aos festivais alemães de outono. O lote experimental, de 300 litros, foi produzido com o malte alemão Weyermann Isaria 1924 na cervejaria da Agrária/Weyermann, em Guarapuava (PR), e resultou numa cerveja de coloração dourado-profundo, amargor equilibrado e 5,8% de teor alcoólico, que será engarrafada em unidades de 500 ml. A novidade chega num momento de expansão da casa, que produziu 25 mil litros entre janeiro e julho e prevê fabricar mais 30 mil no segundo semestre, e de reconhecimento: no Brasil Beer Cup 2026, conquistou cinco medalhas, três de ouro e duas de prata.
Cervejaria Blumenau leva chope low carb à Oktoberfest
A Cervejaria Blumenau, de Blumenau (SC), vai servir nos pavilhões da 41ª Oktoberfest Blumenau, entre 7 e 25 de outubro, a Blumenau Ultra, rótulo sem glúten e considerado low carb, com 3% de teor alcoólico, lançado em setembro. A marca também leva ao evento suas opções sem álcool nos estilos Hop Lager e IPA. Segundo o diretor executivo Valmir Zanetti, a novidade busca ampliar as ocasiões de consumo sem abandonar rótulos tradicionais da casa, como a Capivara Little IPA e a Frida Blonde Ale. Os ingressos para a festa são vendidos pelo site oficial da Oktoberfest Blumenau.
Oktoberfest da RuERA, em Campinas, tem campeonato de botinha
A RuERA Cervejaria promove neste sábado (26), a partir das 16h, sua Oktoberfest no Beco de Barão, em Barão Geraldo, distrito de Campinas (SP), com campeonato de botinha valendo R$ 150 ao vencedor, shows dos grupos Mother Folk Duo e Rebels and Sinners, cervejas artesanais e comida típica alemã. Na disputa, grupos de seis participantes bebem um copo de 600 ml da Pilsen da casa em formato de bota; quem termina primeiro avança de fase. A inscrição custa R$ 10 e já inclui a cerveja.
A Nova Serraria, em Belo Horizonte (MG), recebe em 3 de outubro, a partir das 12h, a Oktoberfest Beagá, com show do Biquini e mais cinco atrações musicais, entre elas os grupos Cash e Velotrol e o tributo 100% Charlie Brown. O evento reúne 20 cervejarias artesanais mineiras e mais de 40 rótulos, além de gastronomia típica alemã e brincadeiras como o Desafio do Chopp. Os ingressos, segundo a organização, estão no último lote e são vendidos pela Sympla.
Oktoberfest Ribeirão terá maior edição da história
O Parque Municipal Dr. Luís Carlos Raya, em Ribeirão Preto (SP), recebe de 30 de setembro a 4 de outubro a Oktoberfest Ribeirão 2026, que a organização descreve como a maior edição já realizada do evento, com entrada gratuita e um parque de diversões ampliado, operado pela Coney Island. A Spaten é a patrocinadora master e divide as torneiras de chope com rótulos artesanais da Cervejaria Walfänger, enquanto a programação musical reúne nomes como Danilo Teoro e Balaco, além de apresentações culturais alemãs dos grupos Rotkappen e Weisser Schwan.
Bodebrown lança duas cervejas de trigo no Growler Day
A Bodebrown realiza neste sábado (26), das 9h às 19h, uma edição especial do Growler Day inspirada na temporada de Oktoberfest, na fábrica da cervejaria, em Curitiba (PR), com entrada gratuita. O destaque é o lançamento de duas cervejas de trigo de estilos alemães: a Regina Sour Framboesa, uma Berliner Weisse com framboesa e 6,1% de teor alcoólico, e a Weizenbier, uma Hefeweissbier com notas de cravo e banana e 6% de teor alcoólico. A programação inclui gastronomia alemã, exposição de 45 carros antigos da Dodge, show da banda Hillbilly Rawhide e um Café da Manhã Solidário, até as 11h, aberto a quem doar pelo menos três quilos de alimentos não perecíveis. Ao todo, a cervejaria oferece mais de 40 opções de cerveja, 14 delas no chope.
Mondial de la Bière anuncia line-up musical no Rio
O Mondial de la Bière Brasil divulgou a programação musical de sua 14ª edição, que acontece de 29 de outubro a 1º de novembro no Pier Mauá, no Rio de Janeiro. O line-up reúne Sandra Sá, Arlindinho, Serjão Loroza e o tributo Tchopu (Pearl Jam), entre outras atrações, ao longo dos quatro dias de festival. Na edição anterior, o evento reuniu cerca de 40 mil visitantes e movimentou R$ 35 milhões na economia do Rio de Janeiro. A organização fala em cerca de 250 cervejarias e mais de 1.500 rótulos; a curadoria gastronômica é do chef Pedro de Artagão, e o mestre-cervejeiro Garrett Oliver, da Brooklyn Brewery, está entre as presenças confirmadas. Os ingressos estão à venda na Ingresse.
Grand Mercure oferece harmonização com Baden Baden
O Grand Mercure São Paulo Vila Olímpia promoveu, na sexta-feira (25), a Experiência Harmonizada Baden Baden, uma masterclass de uma hora que combinou a degustação de cinco estilos da cervejaria — Cristal, Witbier, Peach, Golden e IPA — com harmonizações gastronômicas específicas para cada rótulo. Ao final, cada participante escolheu seu estilo favorito e recebeu uma garrafa de 600 ml para levar para casa. A atividade, com valor de R$ 98 por pessoa, terá novas datas divulgadas no Instagram do hotel.
A Flying Fish, cerveja com limão da Ambev, transformou o centro histórico de São Paulo em um cenário inspirado no universo de Drácula na noite de quarta-feira (23), reunindo celebridades como Claudia Ohana e Giullia Buscacio para divulgar sua promoção que levará dois consumidores, cada um com acompanhante, a uma festa no Castelo de Bran, na Romênia, em 7 de novembro. Para concorrer, o consumidor deve comprar produtos da marca e cadastrar o cupom fiscal no site oficial até 29 de outubro; a ação distribui também mais de 2 mil prêmios instantâneos, incluindo mini câmeras e vouchers do Zé Delivery.
A Eisenbahn, marca do Grupo Heineken, será mais uma vez patrocinadora master e cerveja puro malte oficial do The Town, que ocorre em 4, 5, 6, 11 e 12 de setembro de 2027 no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Depois de levar a Locomotiva à edição de 2025, a marca repete a plataforma Eisen Rock Station, com novidades ainda não detalhadas. Na última edição, o festival recebeu 420 mil pessoas.
Blues Beer Festival volta ao Jardim Pamplona Shopping
O Jardim Pamplona Shopping, em São Paulo, recebe neste sábado (26) e domingo (27), das 12h às 20h, a 2ª edição do Blues Beer Festival, com entrada gratuita no rooftop do empreendimento. A programação musical passeia por blues, folk e rock, com nomes como Bia Marchese e o tributo aos Rolling Stones Tumbling Dices, ao lado de uma curadoria de cervejas e cachaças artesanais, vinhos e opções gastronômicas. O evento é pet friendly e conta com espaço kids monitorado.
A Cervejaria Central, em Santa Cecília, São Paulo, lançou uma nova carta de coquetéis assinada pelo bartender Caik Lima, com opções que vão de drinks mais leves, como o Café Giuseppe (R$ 39, com Cynar, vermute, limão e café) e o Rosato Spritz (R$ 39), a receitas mais potentes, como o Black Manhattan Putumuju (R$ 40), com bourbon, Cynar e bitter de café e putumuju. A novidade chega perto dos dez anos da casa, que tem também uma filial na Barra Funda.
Budweiser é cerveja oficial da NFL pelo terceiro ano
A Budweiser é, pelo terceiro ano consecutivo, a cerveja oficial da NFL no Brasil, desta vez com a Bud Zero, em nova embalagem, como protagonista no NFL Rio Game 2026, no Rio de Janeiro. A marca assinou a pré-festa para convidados na sexta-feira (25), organiza atividades para influenciadores neste sábado (26) e, no jogo, neste domingo (27), comanda os bares, com mochileiros levando a cerveja até o público e um copo temático. Segundo a Ambev, seu portfólio Wellness, de cervejas de baixa caloria, sem glúten ou zero, cresceu mais de 60%.
A Brahma distribuiu gratuitamente cerveja — incluindo a versão Brahma 0,0% — a torcedores do Flamengo cadastrados no Zé Delivery, depois de o clube se tornar o primeiro integrante da Sociedade Anônima Brahma (S.A.B.) a somar cinco vitórias consecutivas em competições oficiais. Segundo a Ambev, mais de 600 mil flamenguistas resgataram o benefício entre 14 e 21 de setembro, em uma operação que alcançou 805 cidades do país. A S.A.B., programa lançado em 2025, reverte 10% do valor gasto em compras no Zé Delivery para os clubes escolhidos pelos torcedores, sem custo adicional ao consumidor.
Ambev expande Guaraná Antarctica Zero com Fibras na linha wellness
A Ambev ampliou a distribuição do Guaraná Antarctica Zero com Fibras, lançado como projeto piloto no fim de 2025, para todo o Sudeste e as regiões Sul e Centro-Oeste, com previsão de cobertura nacional até o fim de 2026. O refrigerante mantém o sabor do Guaraná Antarctica Zero e acrescenta 4,4 g de fibras — a maior quantidade entre os refrigerantes nacionais, segundo a empresa —, sem adição de açúcares. No segundo trimestre de 2026, o produto figurou entre as cinco latas de bebidas não alcoólicas mais vendidas da companhia, de acordo com a própria Ambev. Ele pertence à linha de wellness da companhia, que também traz a cerveja Spaten Pro, Stella Artois Pure Gold e as cervejas sem álcool.
O cervejeiro caseiro Gustavo Fiorentin, de Chapecó (SC), venceu a primeira edição do Caipira Beer Cup com uma British Strong Ale, entre 126 amostras de 72 competidores do Sul e do Sudeste do país. A premiação, realizada em 18 de setembro no auditório do Simespi, em Piracicaba (SP), durante o Congrecerva, também classificou Fiorentin em nono lugar com uma Belgian Single. Segundo os organizadores, o concurso, que avaliou as amostras pelo guia BJCP 2021, busca estimular cervejeiros caseiros a abrir as próprias cervejarias comerciais.
A Beats, marca de drinques prontos da Ambev, lançou o sabor Pink Lemonade, apresentado por Anitta, head de Inovação e Criatividade da marca, na final do programa Estrelas da Casa, da TV Globo, na quinta-feira (24) — o primeiro lançamento de um produto da Beats na emissora. Segundo a empresa, o sabor nasceu de tendências identificadas nos dados do Zé Delivery, depois levadas a pesquisas e testes com consumidores. A novidade chega num momento de alta: de acordo com a Ambev, a Beats, líder da categoria de drinques prontos, cresceu mais de 20% em volume no segundo trimestre de 2026.
O Grupo RFK, indústria de bebidas fundada no Paraná, estreou no comércio eletrônico na quarta-feira (23) com a Loja RFK, canal próprio de venda ao consumidor com entregas em todo o país. A loja reúne quatro marcas do grupo: Refriko (refrigerantes), Furioso (energéticos), Bella Roma (chope de vinho) e Cowboys, recém-lançada, que marca a entrada da empresa no hard tea, bebida pronta à base de chá preto, vodca e saquê. Segundo a companhia, o canal digital também deve servir para testar a demanda em regiões onde a distribuição física ainda está em desenvolvimento; a meta do grupo, que fabrica as cervejas Bamboa e Moema, é chegar a R$ 2 bilhões de faturamento até 2030.
Quando o Guia da Cervejaconversou pela primeira vez com Luiz Antonio Simas sobre cerveja, o historiador colocou o botequim no centro de uma teoria do encontro: um espaço de conversa, sociabilidade e exercício informal da cidadania.
Mas essa ideia parte de um ponto menos confortável do que uma suposta vocação brasileira para a festa.
Para Simas, os encontros que marcaram a vida urbana brasileira foram construídos muitas vezes em resposta a um país organizado historicamente pela exclusão. Festa, samba, futebol, botequim e cerveja aparecem, então, não como ornamentos dessa história, mas como formas coletivas de reinventar a vida dentro dela.
E Luiz Antonio Simas sabe muito sobre isso. É um historiador, professor, escritor e compositor carioca, amplamente reconhecido como um dos maiores intérpretes das culturas populares, das religiões afro-brasileiras e do samba. Vencedor do Prêmio Jabuti pelo Dicionário da história social do samba (em parceria com Nei Lopes), ele é autor de mais de 30 livros, como “O corpo encantado das ruas”, além de ser um compositor de destaque gravado por grandes nomes da MPB.
Nesta conversa com o Guia, Simas aprofunda essa relação e volta à Primeira República para localizar um momento fundamental da formação das sociabilidades urbanas brasileiras.
Você já falou da cerveja como parte de uma teoria do encontro. Como essa ligação se aprofunda quando você olha para a história nacional?
Acho importante não valorizar o encontro a partir de uma visão idílica da história do Brasil. Pelo contrário: temos uma história marcada por um projeto colonial que se aprofunda e, depois, se mantém mesmo com a independência.
O Brasil como Estado-nação foi projetado para a exclusão. O que surpreende, e acho que essa é uma chave para entender a cultura popular brasileira, é como, diante de projetos sistemáticos de exclusão, concentração de renda e propriedade, aniquilação de saberes não brancos e domesticação dos corpos, foram sendo construídos sentidos de afirmação da vida pela cultura.
Quando penso nos encontros, nas festas populares e nas sociabilidades brasileiras, percebo que elas não são construídas por causa de um projeto de Brasil. São construídas, muitas vezes, como resistência a esse projeto.
Então a festa não nasce simplesmente de uma suposta “alegria brasileira”?
É importante politizar isso.
Nós construímos sociabilidades festeiras e urbanas nas brechas de um projeto de exclusão. O Estado brasileiro, com exceções que confirmam a regra, nunca foi inclusivo. Ele é desigual e foi projetado para ser desigual.
O que é extraordinário é perceber como a cultura popular e as sociabilidades foram construídas coletivamente para reinventar a vida diante de um projeto de aniquilação e morte. Não dá para dourar essa pílula em nome de uma suposta alegria inerente ao brasileiro. A gente não faz festa porque a vida é boa. A gente faz porque a vida não é boa — é uma ideia que já desenvolvi em “O corpo encantado das ruas”.
Como essa leitura do encontro se relaciona com seu trabalho sobre cultura popular e antropologia urbana?
Não me considero exatamente um estudioso do “Brasil do horror”. Parto da constatação de que existe um projeto de exclusão, de concentração de renda, que vem da Colônia e se estende pelo Império e pela República. O que eu estudo é o inverso: a construção de sentidos coletivos de vida nas brechas desse projeto.
Sou um estudioso da cultura popular entendida como um conjunto de bens simbólicos e materiais de invenção de modos de vida. As maneiras como você come, bebe, brinca, festeja, reza, lamenta seus mortos e convive com os vivos fazem parte desse campo.
A cerveja entra diretamente porque está inserida na construção das sociabilidades urbanas, de uma cultura de rua e também de um exercício informal de cidadania.
E por que o botequim ocupa lugar tão importante nessa construção?
Costumo dizer que, em certo sentido, o botequim fez mais pela cidadania brasileira do que o Parlamento. Os parlamentos, na maior parte da nossa história, foram muito fechados aos interesses populares. O botequim, ao contrário, foi uma expressão da construção de coletividade.
É nesse ponto que a cerveja dialoga diretamente com meu trabalho: ela participa de um contexto de construção de sociabilidades humanas e urbanas. Quando estudo cultura popular, memória, história e antropologia urbana, estou interessado justamente nessa afirmação da vida diante de um projeto de país que, tantas vezes, esteve associado à exclusão.
Existe um período em que a cerveja ganha um papel especialmente importante na formação dessa cultura urbana?
A cultura cervejeira vai se desenvolvendo no Brasil com mais consistência ao longo do século XIX, mas eu destacaria sobretudo a Primeira República. É um período de avanço muito evidente da urbanização e da construção de sociabilidades urbanas. Posso falar principalmente do Rio de Janeiro, que é o que estudo mais de perto.
“É nesse ponto que a cerveja dialoga diretamente com meu trabalho: ela participa de um contexto de construção de sociabilidades humanas e urbanas. Quando estudo cultura popular, memória, história e antropologia urbana, estou interessado justamente nessa afirmação da vida diante de um projeto de país que, tantas vezes, esteve associado à exclusão”
Luiz Antonio Simas
O Rio da Primeira República é marcado pela consolidação do botequim como espaço de sociabilidade da classe trabalhadora, pela formação do samba urbano, pela consolidação de um modelo de Carnaval de rua que desembocaria nas primeiras escolas de samba e pela popularização do futebol, que chega ao Brasil no final do século XIX como esporte de elite e se amplia nas primeiras décadas do século XX. Há também, nesse ambiente urbano, a formação e o fortalecimento de diferentes religiosidades populares.
A cerveja está vinculada a tudo isso: ao botequim, à popularização do futebol, à formação da música urbana brasileira, sobretudo do samba, e a esse processo de consolidação do Carnaval. Por isso, se eu tivesse que apontar uma chave para entender a consolidação da cerveja como elemento importante da cultura brasileira, olharia para a Primeira República e para a formação dessas culturas de rua no Brasil pós-Abolição.
De onde vem o caráter de uma Manipueira Selvagem: da mandioca, do barril de madeira ou do ambiente de cada cervejaria? Um estudo financiado com mais de R$ 400 mil pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) vai passar três anos tentando responder. E, com isso, dar base científica à sua candidatura a novo estilo brasileiro de cerveja.
A manipueira é o líquido que escorre da prensagem da mandioca na fabricação de farinha. Depois de extraída, ela passa por fermentação espontânea — feita pelos microrganismos presentes no ambiente, e não por uma levedura selecionada, como nas Lambics belgas. Em seguida, vira o inóculo, a “semente” de microrganismos adicionada ao mosto. A cerveja fermenta e matura por 12 meses em barris de madeira. A ideia nasceu da parceria entre as cervejarias Cozalinda, de Florianópolis (SC), e Zalaz, de Paraisópolis (MG), e foi ampliada nacionalmente com o apoio da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva). A primeira safra, lançada em 2023, reuniu 21 cervejas, e outras vieram depois.
O trabalho será conduzido no Centro Multidisciplinar de Tecnologia Cervejeira (CTCerv) do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), no campus de Sertãozinho (SP), com pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), a Cozalinda e a cervejaria Uçá, de Aracaju (SE). Serão acompanhadas duas safras seguidas em São Paulo, Santa Catarina e Sergipe. Em cada lugar, parte da cerveja fermenta nos barris e parte em recipientes de plástico (polipropileno), o que permite medir a influência da microbiota que vive na madeira. As amostras passam por análises metagenômicas, que identificam os microrganismos pelo DNA, e metabolômicas, que mapeiam os compostos químicos formados na fermentação.
Professor Jean Carlos Rodrigues da Silva também dá aulas nos cursos de Licenciatura em Química, Técnico em Química e Técnico em Cervejaria do campus (Arquivo Pessoal)
À frente do estudo está o professor Jean Carlos Rodrigues da Silva, que também coordena o CTCerv e dá aulas nos cursos de Licenciatura em Química, Técnico em Química e Técnico em Cervejaria do campus. Ao Guia da Cerveja, ele explica o que a ciência pretende medir e por que o objetivo não é chegar a uma receita-padrão. Também conta como a pesquisa vai tratar de uma questão de segurança: o cianeto presente na mandioca brava.
O que a pesquisa quer descobrir? A ideia é chegar a uma receita-padrão da Manipueira Selvagem?
O objetivo não é padronizar uma receita, mas sim entender como a biodiversidade de microrganismos em diferentes regiões age na cerveja através do inóculo da manipueira. Resultados preliminares conduzidos pela Dra. Ana Carolina Souza Ramos de Carvalho, a Carola, que também está na equipe, já demonstraram diferentes dinâmicas da microbiota nessas diferentes regiões. Agora, nossa ideia é ir mais a fundo: entender a influência dos barris e agregar a metabolômica para verificarmos os produtos formados nas diferentes condições. Com certeza temos um terroir muito complexo, mas pesquisas desse tipo são focadas quase que exclusivamente nas Lambics. Trabalhos desse tipo incluem tanto a cerveja como a ciência brasileira nesse mapa.
A abordagem proposta, com análises físico-químicas, microbiológicas, metagenômicas, metabolômicas e sensoriais, busca mapear e apresentar as diferenças e toda a complexidade envolvida na produção dessas bebidas. O que já conhecemos empiricamente e é praticado de forma tradicional há tanto tempo terá um olhar da ciência para tentar compreender e, daí, quem sabe, valorizar ainda mais.
Por que fermentar parte da cerveja em barril de madeira e parte em plástico?
Há estudos bem recentes, feitos em Lambics, que demonstram o papel ativo dos barris de madeira na modulação da microbiota das bebidas. Com esse desenho experimental, nossa ideia é entender o que “vem da manipueira”, o que “vem do barril” e o efeito sinérgico entre essas fontes.
E dá para ligar os microrganismos de cada lugar ao sabor que chega ao copo?
Esse é justamente o objetivo dessa abordagem que chamamos de multiômica. Além das diferenças sensoriais, vamos tentar correlacionar os microrganismos, suas origens e os produtos formados, quase que uma “assinatura” de cada cerveja.
A mandioca brava, a mais usada na produção de farinha, contém compostos que liberam cianeto. Como a pesquisa trata a segurança da bebida?
No Projeto Manipueira Selvagem nacional, coordenado pela Abracerva, um dos parâmetros principais é o uso de manipueira oriunda da mandioca mansa, para evitar a presença do cianeto. Mas sabemos que para a produção de farinha e polvilho é utilizada principalmente a mandioca brava. Alguns cervejeiros conseguiram isso fazendo sua própria extração com mandioca mansa; outros conseguem a partir de produtores de farinha que utilizam mandioca mansa que passou do tempo de colheita, o que a deixa mais dura e fibrosa. Além disso, a manipueira, após extraída, passa por um processo de fermentação espontânea antes da inoculação no mosto cervejeiro. Um dos pontos que a pesquisa prevê é a dosagem de cianeto de manipueiras fermentadas advindas de mandiocas bravas e mansas. Essa é uma contribuição prática importante para orientações de uso futuras do projeto.
O estudo abre caminho para catalogar variedades de Manipueira Selvagem regionais, uma da Caatinga, outra do Cerrado, outra da Mata Atlântica?
É difícil generalizar como uma Manipueira do Cerrado, da Caatinga ou da Mata Atlântica, pois, quando falamos de microrganismos, o microambiente influencia muito. Já há trabalhos demonstrando a grande influência das madeiras das cervejarias nas Lambics, por exemplo. Mas, como faremos o acompanhamento de, ao menos, duas safras consecutivas, a pesquisa nos ajudará a entender o “tamanho” dessa variação entre uma safra e outra e quais compostos estão presentes nas três regiões ou que as diferenciam. Isso já é um passo enorme.
Se cada região e cada safra dão uma cerveja diferente, como descrever a Manipueira Selvagem num guia de estilos como o do BJCP (Beer Judge Certification Program, usado como referência em concursos de vários países)?
A complexidade é a beleza dessas cervejas, mas sabemos que há características que são intrínsecas delas e provavelmente existirão, em maior ou menor grau, em todas. Isso ocorre por conta do metabolismo primário de vários microrganismos que estão presentes mesmo em diferentes regiões e em diferentes cepas. O estudo pode ajudar a entender melhor o que é comum entre elas e o que está se apresentando distintamente nas diferentes regiões, contribuindo para a descrição do estilo.
O consumidor se acostumou a encontrar a mesma cerveja em todas as garrafas. Dá para convencê-lo de que a variação entre safras é uma qualidade?
Reeducar o consumidor nesse sentido é uma tarefa árdua. É quase um processo de decolonização, como diz o Diego Rzatki, idealizador do Projeto Manipueira, que considero um dos maiores especialistas na área no Brasil e que também está na equipe desse projeto. O projeto tende a mostrar a nossa riqueza, as diferenças intrínsecas de cada local e de cada processo. A partir daí, precisamos de um trabalho coletivo, com vários profissionais que atuam no serviço, turismo, produção, gastronomia e comunicação, para apresentar o valor desse diferencial e da imprevisibilidade de cada safra e região.
Daqui a três anos, o que o CTCerv espera entregar?
Difícil essa! Na ciência não podemos “esperar” demais, pois lidamos com os dados reais que são gerados, não com o que gostaríamos. Mas acredito que daremos um grande salto na compreensão dessas bebidas de fermentação espontânea no nosso clima, com a nossa microbiota, a nossa forma de fazer, e não nos basearmos apenas em estudos de outras culturas e biomas. Esse é um grande legado. Além disso, incluir uma cerveja de tanta qualidade sensorial também com conhecimento científico de nível internacional agregado amplia nossa exposição no mapa mundial da cerveja. E ainda: utilizar um ingrediente tão nosso, que tem tanto da nossa cultura, que tem tanto conhecimento dos povos originários, é uma valorização da nossa brasilidade e um reconhecimento aos saberes que já adquirimos na história desse alimento.
O Tank Brewpub, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo (SP), serviu o último chope no início de setembro. Com isso, a capital paulista já soma 15 brewpubs (negócio que produz a própria cerveja e a serve no salão, quase sempre com cozinha) fechados desde a pandemia, numa lista que inclui até a Goose Island Brewhouse, da gigante Ambev. Para a sócia do Tank, Julia Fraga, e para o consultor Carlos Lima, analista do mercado cervejeiro, o formato não está condenado. O problema é administrar dois negócios, uma fábrica e um bar, como se fossem um só.
A conta é informal, de autoria de Carlos, também conhecido no meio como “Véio”, sommelier e fundador do bar Tap Tap, tendo sido publicada na sua newsletter no Substack. A lista foi feita com o jornalista Roberto Fonseca, que, por anos, foi colunista do Paladar, suplemento do Estadão. Estão ali nomes como What’s On Tap (2020), Capitão Barley (2026), Rivas (2025), Soma (2023) e uma das unidades da Les 3 Brasseurs em Pinheiros (2023).
Carlos admite que cada fechamento tem sua história: um sócio que saiu, um aluguel que ficou caro, a pandemia (ou seus reflexos financeiros), o cansaço. Mas enxerga um padrão. “Quando 14 negócios [além do Tank] do mesmo formato, de um ramo tão nichado, fecham na mesma cidade, uma cidade gigante como São Paulo, a gente tem que olhar menos para cada caso, mas para o formato como um todo”, disse ao Guia da Cerveja.
Ele cita como exemplo a Goose Island Brewhouse. A casa abriu em 2016, no Largo da Batata, em Pinheiros, na Zona Oeste da cidade, com 750 metros quadrados e capacidade para produzir 15 mil litros por mês. Pela conta de Carlos na newsletter, isso equivale a mil chopes de meio litro por dia. A casa encerrou as atividades em dezembro de 2024. “Se a maior cervejaria do mundo, com dinheiro, marca e um baita ponto, não fez a conta fechar, não dá para atribuir aos outros fechamentos só à falta de capital ou má gestão”, afirma.
Dois sócios, três operações
Se a Goose mostra que dinheiro não basta, o Tank, por outro lado, mostra que qualidade também não. Aberto em setembro de 2020 por Julia e Fábio Comolatti, que já tocavam o bar Âmbar, ele virou referência em pouco tempo: o júri da Folha de S.Paulo o elegeu o melhor bar de cervejas da cidade em 2023 e 2024. Julia reconhece que o momento não ajudou. Para ela, a cerveja artesanal vive “um encolhimento do mercado desde a pandemia, com leve retomada em 2023, mas que não prosperou muito”. Na gastronomia, somam-se à rotatividade alta de funcionários, os encargos e a exigência dos clientes.
O que decidiu, porém, foi o desgaste dos dois sócios, responsáveis ao mesmo tempo por fábrica, cozinha, salão, equipe, finanças e até redes sociais. Para não falar de uma outra casa. “Saturamos e fomos até onde fez sentido para nós!”, resume Julia.
Nem por isso ela culpa o formato. “Não acho que seja o modelo de negócio. Brewpubs realmente são uma alternativa boa. Conseguimos estar no Simples Nacional, e quando a venda de cerveja não ia bem, a cozinha puxava e vice-versa.”
Carlos concorda com ela. “Eu não defendo que brewpub seja um modelo ruim”, diz. Para ele, a compensação entre cozinha e cerveja protege a casa de um jeito que um bar comum não consegue. O problema está em como a operação é montada. “Um brewpub são dois negócios, e muita gente monta como se fosse um.”
Uma fábrica pede volume, lotes grandes e a mesma receita repetida. O bar pede variedade, giro e liberdade para trocar a carta quando o público muda de gosto. São métricas, equipes e problemas diferentes, e no caso do Tank ainda havia o Âmbar na conta. “A hospitalidade no Brasil é um negócio que é brutal. O ‘saturamos’ dela é o que acontece quando duas pessoas sustentam as duas, três operações que em qualquer outro lugar, em qualquer outro setor, seriam equipes diferentes”, afirma Carlos.
Há ainda uma questão de origem. Nos Estados Unidos, o formato tem atravessado melhor a crise do setor: em 2025, a produção dos brewpubs caiu 1,7%, menos da metade da queda da cerveja artesanal como um todo, que foi de 4%, segundo a Brewers Association. Lá, explica Carlos, a cervejaria costuma vir primeiro, e só depois de já produzir e distribuir abre um salão dentro da própria fábrica, em regiões normalmente de aluguéis baratos. “Aqui é um restaurante, entre aspas, num bairro caro com uma fábrica lá dentro”, compara Carlos. “A gente inverteu o negócio.”
Nos brewpubs, o bar antes da fábrica
É dessa inversão que partem os conselhos de Carlos para quem pensa em abrir uma casa no modelo dos brewpubs. O primeiro é testar o bar antes de assinar o aluguel da fábrica. Na newsletter, ele cita o Armazém 77, que passou anos sem tanque nenhum antes de instalar as panelas. O segundo é dimensionar a produção pelo que o salão vende hoje, e não pelo que se imagina vender daqui a dez anos. “Tanque ocioso em imóvel caro é um dos piores custos que o negócio vai ter.”
A cerveja também precisa de outro destino além do salão desde o primeiro dia: barris para bares da região, latas ou delivery. “Não precisa ser nada imenso. Só que precisa existir antes de ter um problema, antes da crise, não depois dela”, diz. Segundo Carlos, foi o delivery, montado em 2018, que sustentou a Cervejaria Nacional, a mais antiga em funcionamento na cidade, quando a pandemia fechou os salões.
Além disso, a cozinha deve ser tratada como negócio, como fez a Los Forajidos ao investir numa pizzaria de verdade. “Antigamente a pessoa saía, ia no bar para beber cerveja. Hoje ela vai comer e acaba pedindo cerveja.”
Fábrica e salão precisam ainda de equipes próprias, e esse é o conselho que mais conversa com o caso do Tank. Na newsletter, Carlos resume tudo numa pergunta para quem vai assinar o contrato: “Se as panelas do brewpub quebrassem amanhã e você tivesse que comprar toda a cerveja de terceiros por seis meses, o teu bar continuaria cheio?”
A primavera começa oficialmente no Brasil nesta terça-feira (22), às 21h05, e traz na bagagem um velho conhecido em sua versão mais radical: o El Niño. A NOAA, agência norte-americana de meteorologia, calcula mais de 90% de chance de que o fenômeno chegue, até novembro, à categoria “muito forte” — o chamado Super El Niño — e 69% de que seja o mais intenso desde 1950, de acordo com o terceiro boletim do Painel El Niño 2026-2027, do governo federal.
Para o setor cervejeiro, que costuma ver a chegada do calor como início da melhor fase do ano, isso é um sinal de alerta e pede cautela. Não só das cervejarias, mas da cadeia como um todo. O El Niño não só esquenta: ele bagunça o mapa do clima. A previsão dos órgãos federais é de mais chuva no Sul e menos chuva no Norte, no Nordeste e em parte do Centro-Oeste e do Sudeste, com temperaturas acima do normal em quase todo o país.
Segundo o Painel El Niño, boletim divulgado em agosto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e outros órgãos, dá para esperar de três a cinco ondas de calor no trimestre, contra duas a três nos anos sem o fenômeno. Mais intensidade não garante mais estragos, ressalva o próprio Painel, mas aumenta a chance de alguns deles.
Para quem olha de fora, a conta parece simples: dias mais quentes, praias cheias, cerveja em alta. E há números que sustentam essa tese. Um levantamento da Scanntech, que cruzou vendas do varejo com dados de cerca de 600 estações do Inmet entre 2022 e 2026, mostra que cada grau a mais na temperatura eleva em 4,1% o volume de bebidas sensíveis ao clima. Na cerveja, o ganho é de 5,0% por grau, o terceiro maior, atrás da água (5,7%) e dos isotônicos (5,4%).
O problema é que essa conta tem teto. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, da ETH Zurich e da Universidade Estadual da Carolina do Norte analisaram vendas no varejo dos Estados Unidos entre 2006 e 2023 e viram o consumo de bebidas alcoólicas subir com o calor até cerca de 32 °C. Acima disso, o efeito positivo diminui, segundo a agência Reuters. Em junho, Paris chegou a proibir o consumo de álcool na rua e a venda de bebidas durante uma onda de calor pelo risco de desidratação — ironicamente, o álcool inibe o hormônio que controla a diurese e gera perda de líquido total no corpo.
Se o Brasil vai esbarrar nesse teto, ainda ninguém sabe. Na teleconferência do balanço do segundo trimestre, em 30 de julho, o CEO da Ambev, Carlos Lisboa, disse a analistas que “o ano de 2024 ilustrou que temperaturas mais altas podem, sim, influenciar a demanda”, mas que “esses efeitos são imprevisíveis”. E completou: “O que podemos fazer é nos prepararmos para enfrentarmos diferentes cenários climáticos”.
Apreensão na lavoura com o Super El Niño
Se no bar a relação com o calor é ambígua, no campo os riscos são mais concretos. O principal está na cevada.
O Paraná, que responde por 84% da área e deve entregar 88,1% da safra brasileira, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), vive uma contradição típica dos anos de anomalia climática. Plantou 130 mil hectares, área recorde e 23% maior que a do ano passado, animado pela demanda de novas maltarias. Agora, o excesso de chuva e a falta de sol ameaçam transformar o ano do recorde em um ciclo de apreensão.
O Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral) do governo paranaense, divulgado na quinta-feira (17), mostra que o clima já deixa marcas. A colheita, iniciada em agosto, chegou a 4% da área total, ritmo parecido com o do ano passado (6%), sem atraso relevante. Mas, em uma semana, a fatia de lavouras em boas condições caiu de 86% para 80%. Um ano antes, eram 90%.
“O principal fator de incerteza recai sobre os efeitos do El Niño”, escreve o engenheiro agrônomo Carlos Hugo Godinho, autor da análise de cevada do boletim. Segundo ele, a chuva já se destacou durante o inverno, período historicamente mais seco no estado, e deixa “pouca margem para expectativas favoráveis na primavera”.
O pico da colheita cai em outubro e novembro, e a previsão é de chuva acima da média no Sul. O Painel El Niño alerta que o excesso de umidade pode comprometer a qualidade dos grãos. Repetir o rendimento de 4.736 kg por hectare da safra passada, avalia Godinho, é improvável. No entanto, a área maior ainda pode garantir um volume superior às 500 mil toneladas do ciclo anterior, desde que o clima, afetado pelo Super El Niño, dê trégua.
O boletim não estima perdas, e com a colheita no início ainda é cedo para medi-las. Para a cervejaria, porém, a questão não é só quanto de cevada será colhida, mas quanta terá qualidade para virar malte.
O problema vai além do Paraná, porque o Brasil ainda compra muito de fora. Em 2024, o país produziu 955 mil toneladas de malte, metade do 1,93 milhão de toneladas de que precisaria, segundo dados apresentados por Jeferson Caus, da Cooperativa Agrária, no congresso Do Grão ao Gole. Uma safra ruim tende a aumentar essa dependência.
Impactos indiretos
Fora da lavoura, os efeitos são mais difusos e mais difíceis de medir. Mas o setor cervejeiro pode sofrer com problemas que vão desde uma logística mais cara e complicada até o que os economistas chamam de inflação climática. Lisboa lembrou que eventos climáticos extremos podem afetar agricultura, commodities, preços de logística e custos de insumos.
A conta de luz é um dos pontos de atenção: a Aneel manteve a bandeira amarela em setembro, com adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh, por causa da estiagem típica da época e do maior uso de termelétricas, que geram energia mais cara. Se o calor elevar o consumo e a seca apertar os reservatórios, o custo chega a uma cadeia que depende de frio, da fábrica ao balcão do bar.
E se os alimentos ficarem mais caros por causa de safras ruins, o orçamento apertado pela inflação relacionada ao clima pode tirar a cerveja da mesa. Com o orçamento doméstico espremido por alimentos mais caros, o consumidor é forçado a redefinir prioridades e cortar gastos discricionários de lazer, o que afeta diretamente o volume de vendas de cerveja nos bares e supermercados.
Diante desse cenário imprevisível, a capacidade de antecipar oscilações passou a ser a principal ferramenta que o mercado deve desenvolver para lidar com os efeitos do Super El Niño, analisa Felipe Passarelli, diretor de inteligência de mercado da consultoria Scanntech, em reportagem do Valor Econômico. “Com um El Niño de intensidade elevada previsto para os próximos meses, o clima deixa de ser um imprevisto operacional e passa a ser uma premissa de planejamento”, disse. “A diferença entre reagir e antecipar está em tratar a temperatura como dado, e não como sorte”, finaliza.
A Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) divulgou no sábado (19) os resultados da etapa Norte-Nordeste da 6ª Copa Cerveja Brasil, realizada em Feira de Santana (BA). O concurso distribuiu 33 premiações (30 medalhas e três prêmios Best Of Show) para cervejarias de cinco estados. Cerca de metade dos prêmios ficou na Bahia (15 medalhas, além do primeiro e do segundo lugar entre as melhores cervejas da competição). Entre os produtores, a Cervejaria Turatti (CE) foi a mais condecorada, com cinco medalhas (4 de prata e 1 de bronze) — sendo responsável por quase a totalidade das seis medalhas do Ceará, segundo estado no ranking de premiados.
Além da medalha, as cervejas premiadas garantem a classificação para a etapa final da competição, que avalia os melhores produtos em âmbito nacional.
A competição integra o Conexão Cerveja Brasil, projeto da Abracerva que percorre diferentes regiões do país, reunindo concurso cervejeiro, conteúdo técnico e ações de integração entre cervejarias, fornecedores, especialistas e demais elos da cadeia produtiva. Em 2026, Norte e Nordeste foram reunidos pela primeira vez em uma única etapa.
A premiação de Best of Show (BOS) é uma das mais esperadas. São as melhores do concurso, definidas no embate direto com todas as medalhistas de ouro da competição. O primeiro lugar nesse pódio ficou com a Dança do Maxixe, da Proa Cervejaria, de Lauro de Freitas (BA), uma Gose com maxixe. Trata-se de um estilo de cerveja de tradição alemã que é ácido e salgado, que recebeu a adição dos frutos da planta.
A prata ficou com a Dragornia Stout, uma Export-Style Stout da Cervejaria Dragornia, de Feira de Santana. O terceiro lugar foi para a cerveja Café das Almas, uma Coffee Beer da Barbudos, de Ananindeua (PA). Clara e leve, ela é produzida com café especial Robusta Amazônica. O rótulo já havia conquistado a prata na etapa Norte de 2024.
Os mais premiados
Além das três melhores do concurso, a etapa premiou os rótulos de maior destaque em suas respectivas categorias. Foram distribuídas 11 medalhas de ouro, nove de prata e dez de bronze.
A Bahia teve o maior número de premiações, com 15 medalhas, seguida por Ceará, com seis; Paraíba, com quatro; Alagoas, com três; e Pará, com duas. No total, 13 cervejarias tiveram pelo menos um rótulo premiado.
Entre as cervejarias, a Turatti ficou no topo do ranking com cinco medalhas, seguida da Proa com quatro e das cervejarias Bardo (BA) e Vierbrauer (PB) empatadas em terceiro lugar com 3 medalhas cada.
“A cada ano a Copa Cerveja Brasil é testemunha e contribui com a evolução da qualidade dos produtos e a criatividade dos cervejeiros. Essa é a brasilidade que se expressa nas pessoas que, de fato conduzem processos e selecionam como os insumos regionais se conectam com os estilos e receitas cervejeiras”, afirma Juliana Behr, diretora de eventos da Abracerva.
Conexão Cerveja Brasil
A programação realizada em Feira de Santana integrou a entrega de premiações a eventos de capacitação profissional e ao Congresso Cerveja Brasil, reforçando o objetivo da Abracerva de aproximar os diferentes elos da cadeia produtiva e valorizar a produção artesanal nas regiões Norte e Nordeste.
Além disso, o evento contou com o apoio do Sebrae-BA e do Centro das Indústrias do Estado da Bahia (CIEB), e divulgou que a próxima etapa da competição, a Sul-Sudeste, ocorrerá na capital paulista com inscrições abertas até 10 de outubro para cervejarias legalmente regularizadas da região. A etapa Centro-Oeste foi realizada em junho.
Poderia até ser um filme de comédia, se não fosse assunto de polícia. Em agosto, duas grandes marcas de cerveja perderam cargas inteiras para ladrões: a americana Pabst, nos Estados Unidos, e a irlandesa Guinness, na Inglaterra. Cerca de um mês depois, ninguém foi preso e a cerveja não apareceu. E tudo foi feito, a princípio, sem uma só ameaça. Com aparência de total legalidade. Num caso, alguém se fez passar por quem deveria buscar a carga; no outro, dois caminhões passaram pela cancela do depósito e saíram com os reboques.
Há coincidências entre os casos. Duas marcas famosas, duas retiradas por caso, todas com ar de rotina. Mas, até agora, nada indica que um tenha relação com o outro. Mesmo assim, o raciocínio por trás da escolha do alvo pode ter sido o mesmo: cerveja é o tipo de carga que o ladrão consegue vender facilmente.
Nos Estados Unidos, o ladrão trocou a força pela papelada. Em 17 de agosto, dois furtos com uma hora de diferença levaram cargas de cerveja da Pabst de um centro de distribuição da Anheuser-Busch (dona da Budweiser), em Montclair, na Califórnia.
No primeiro, US$ 45 mil em cerveja que deveriam seguir para Tucson, no Arizona, foram retirados e nunca chegaram ao destino. Os documentos eram falsos. No segundo, uma “suposta empresa subcontratada” apareceu com papéis igualmente frios e saiu com mais US$ 25 mil, segundo a Associated Press, agência de notícias americana.
Somadas, foram cerca de 34 mil latas da tradicional Pabst Blue Ribbon e da Old Milwaukee sem álcool, avaliadas em US$ 70 mil (cerca de R$ 360 mil). Paul Myers, diretor sênior de operações integradas de marketing da Pabst, resumiu o método à mídia: um bad actor (expressão inglesa para quem age de má-fé) “fingiu ser a pessoa que deveria retirar a cerveja e foi embora com ela”.
No Reino Unido, o roteiro lembra o de uma coleta comum: chegar, engatar, sair. E também foi rodado duas vezes. Em 31 de agosto, um caminhão pesado entrou às 19h45 num parque industrial em Runcorn, no noroeste da Inglaterra, engatou um reboque carregado de Guinness e saiu dez minutos depois. Às 21h12, chegou um segundo e fez o mesmo, segundo a polícia de Cheshire.
As câmeras mostram o motorista descer, trocar breves palavras num prédio na entrada e ver as barreiras se levantarem. A polícia não divulgou o que foi dito e não fala em falsa identificação.
Sobraram os reboques, que apareceram vazios nos dois dias seguintes, em Skelmersdale, a cerca de 48 quilômetros dali; da cerveja, nem rastro. Ao todo, sumiram cerca de 880 barris, avaliados em £ 115 mil (cerca de US$ 155 mil ou R$ 800 mil), sem contar os reboques, segundo a polícia.
Por que cerveja?
Porque o ladrão de carga pensa como comerciante: olha a demanda antes de escolher a mercadoria. Keith Lewis, vice-presidente de operações da Verisk CargoNet (base de dados sobre furto de carga nos Estados Unidos e no Canadá), disse à revista americana Inc: “Os bandidos são bons de marketing: sabem o que o consumidor vai comprar […] Vai ter jogo de futebol importante ou alguma celebração em que todo mundo vai querer uma cerveja? Isso faz a demanda subir e, quando a demanda sobe, o preço sobe”.
Cerveja rende menos pelo valor e mais pela liquidez (a facilidade de virar dinheiro). Não é carga de milhões, mas sempre há quem compre.
Os números mostram um ladrão que sabe onde apostar. Em 2025, a categoria de alimentos e bebidas teve a maior alta de furtos nos EUA e no Canadá, com 708 casos e aumento de 47%, segundo a Verisk CargoNet. Os dados não isolam a cerveja. Em 2026, o ladrão passou a mirar menos e escolher melhor: no segundo trimestre, os incidentes de furto de carga nos EUA e no Canadá caíram 26%, mas as perdas mais que dobraram, para US$ 304,6 milhões, segundo a Verisk, puxadas por metais e tecnologia. Alimentos e bebidas seguem entre os itens mais furtados do trimestre.
O papel falso, aliás, tem versão digital. Segundo a Verisk, a invasão de e-mails corporativos segue como principal porta de entrada de muitos dos esquemas mais sofisticados do trimestre: com acesso à conta, o criminoso pode se passar por parceiro de confiança e desviar a carga para outro destino.
E não é só a cerveja. A Nestlé informou que 413.793 barras de KitKat sumiram no caminho da Itália para a Polônia, em março, e chamou o furto de carga de “tendência criminosa cada vez mais comum”, segundo a Fortune.
Pabst fez piada, Guinness fez apelo
Para completar a comédia, a Pabst transformou o furto em campanha de humor. Nas redes, avisou que a cerveja estava “ficando mais quente” e a pista, “mais fria”, e deu ao ladrão “exatamente 18 dias e 44 minutos” (uma referência ao ano de fundação da cervejaria: 1844) para devolver “nossa carga de cerveja, sem perguntas”, segundo o Guardian. E com direito a nota de rodapé: “Isso é real e estamos falando muito sério”.
Depois, o CEO Greig DeBow ofereceu uma recompensa: até US$ 5 mil por informações até 9 de setembro e até US$ 20 mil depois dessa data, segundo a ABC News. O primeiro prazo passou, e nada da cerveja até agora.
Já a Guinness deixou o microfone com as autoridades. O sargento-detetive Gary McClatchey, da polícia de Cheshire, lembrou que “é famosa a frase de que ‘Guinness faz bem’, mas isso só vale quando ela foi comprada e paga”, e pediu que quem for procurado por vendedores de Guinness “permaneça cauteloso” e avise a polícia. A Diageo, gigante britânica dona da Guinness, não se pronunciou.
O apelo inclui uma testemunha improvável: um aluno de autoescola. Segundo a BBC, quando o segundo reboque foi deixado em Skelmersdale, acredita-se que o caminhão que o levava tenha saído na frente de um Renault Captur dirigido por um aprendiz. A polícia quer falar com ele ou com o instrutor para obter mais detalhes.
Ladrão que pensa como comerciante sabe vender. O que ele não planejou foi quem estaria olhando: se a cerveja voltar a aparecer, talvez seja por causa de um detalhe assim.
É com imensa alegria que acompanho a formação de novas rotas do turismo cervejeiro Brasil afora. Recentemente, o Governo do estado de São Paulo lançou o projeto Rotas da Cerveja de São Paulo, que reúne 107 cervejarias e produtores em 55 municípios. A iniciativa integra o programa Rotas SP, ao lado de roteiros já consolidados como os do vinho, café, queijo e cachaça.
Essa iniciativa do poder público é de extrema relevância. Quando o Estado chancela e organiza, o turismo cervejeiro deixa de ser apenas um nicho e passa a ser política de desenvolvimento. Fortalece as cervejarias, profissionaliza a recepção ao turista e cria um ativo econômico poderoso para toda a região.
Afinal, cerveja é gastronomia. E é também cultura, território e experiência. Os amantes da bebida viajam para conhecer processos de produção, visitar plantações de lúpulo, provar harmonizações diferenciadas e se hospedar em lugares que fazem esses visitantes quererem voltar. Eles não consomem apenas um copo, consomem o destino.
Turismo cervejeiro global
Alguns dados nos fazem refletir: você sabia que, mesmo com uma cena cervejeira pouco expressiva, Paris figura em listas internacionais de melhores destinos turístico-cervejeiros, na 10ª colocação?
Agora pense na nossa própria cena, na nossa variedade e qualidade quando o assunto é produção artesanal. O Brasil não aparece nesse ranking. Incrível, não é?
É exatamente esse cenário que nos inquieta e que precisamos reverter. Temos matéria-prima, temos criatividade, temos terroir, temos cervejeiros premiados internacionalmente. O que nos faltava era organização em forma de produto turístico.
E o país finalmente está percebendo a importância do turismo cervejeiro como um potente indutor da economia. A ferramenta é a “CERVEJA”, mas o que ela movimenta vai muito além: hotelaria, gastronomia, transporte, agricultura familiar e comércio local.
Com tantos destinos e cervejarias lindas, além de cervejas maravilhosas, vemos um mundo de possibilidades. E são esses movimentos de formação de rotas que precisamos multiplicar para, em breve, colocar o Brasil não apenas no ranking, mas no topo dele.
Ana Cláudia Pampillón é turismóloga e sommelière de cervejas.Tem uma longa jornada de atuação no mercado turístico e cervejeiro do estado do Rio de Janeiro. Coordena há 10 anos a Rota Cervejeira RJ e também atua no mercado de lúpulo brasileiro, aproximando os produtores das cervejarias. Leia mais colunas dela.
* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.
O Rio de Janeiro inaugurou oficialmente nesta semana sua Rua da Cerveja: um polo de cervejarias artesanais instalado na Rua da Carioca, endereço histórico do Centro que reunia, até pouco tempo, uma série de imóveis fechados e ociosos. Batizado de Primeiro Polo Cervejeiro do Rio, o projeto já reúne sete estabelecimentos em funcionamento, de um total de nove participantes, todos no modelo brewpub — em que a própria cervejaria produz e vende chope e petiscos no local.
Os sete brewpubs já abertos na Rua da Cerveja venderam, ao longo de 2025, 100,3 mil litros de cerveja em 300,9 mil chopes servidos, das mais diversas qualidades. A ocupação desses imóveis — tombados pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) e pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) e fechados havia anos — foi viabilizada pelo programa municipal Reviver, que subsidiou em até R$ 200 mil a reforma de cada prédio e oferece auxílio de até R$ 15 mil para despesas gerais ao longo de 30 meses, num investimento total de cerca de R$ 8,1 milhões.
Os imóveis ocupados pelas cervejarias na Rua da Cerveja integram o Sítio Cultural da Carioca, tombado pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) e pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), com história que remonta ao século 17 — a rua leva esse nome desde 1848, em referência ao antigo Chafariz da Carioca. Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, a revitalização tem efeito multiplicador sobre a economia do entorno, ampliando a circulação de pessoas, fortalecendo empreendedores e valorizando o potencial econômico da região.
A semana foi movimentada no Rio de Janeiro. Além da Rua da Cerveja, a Heineken encerrou nesta edição do Rock in Rio Brasil seu ciclo como patrocinadora oficial do festival, após 15 anos de parceria. A marca afirma que passará a investir em experiências próprias e projetos sob medida para se aproximar de consumidores e comunidades. O Grupo Heineken segue parceiro da Rock World, dona do evento, e já confirmou a Eisenbahn como patrocinadora do The Town 2027. No mesmo fim de semana, a marca também venceu o Prêmio Rock in Rio Atitude Sustentável 3.0, na categoria de marcas e ativações acima de 60 m², com avaliação da Deloitte em seis frentes — entre elas, gestão de resíduos e engajamento —, além de iniciativas como copos reutilizáveis, compensação de emissões e a adaptação inclusiva do espaço The Clinker.
A Lagunitas, outra marca do Grupo, também encerrou sua passagem pelo Rock in Rio Brasil 2026. O espaço Lagunitas DayTime, na Cidade do Rock, reuniu karaokê com repertório ligado à cena californiana, a atração Cão Cartomante — que distribuía previsões bem-humoradas e vouchers para chope — e cenários para fotos com referências ao personagem Kraken, na primeira participação do rótulo no festival.
A 9ª edição da São Paulo Oktoberfest começa neste sábado (19), na Arena de Eventos do Parque Ibirapuera — a abertura estava marcada para a sexta-feira (18), mas, segundo a organização, foi adiada por causa das condições climáticas. A festa segue até 4 de outubro, em datas selecionadas, e reúne música ao vivo, gastronomia alemã e o Festival de Cervejas Artesanais, que forma uma espécie de rota cervejeira com mais de 70 cervejarias ao longo dos três fins de semana de evento, incluindo a SPOF Bier, rótulo criado especialmente para a festa. O cardápio traz pratos como joelho suíno e a SPOF Wurst, salsicha de 30 centímetros. O evento, criado em 2017, já reuniu mais de 800 mil visitantes ao longo de suas edições.
A Amstel, patrocinadora da CONMEBOL Libertadores há dez anos, estreou na primeira edição da CONMEBOL Libertadores Experience, evento gratuito que ocupa a Enseada de Botafogo, no Rio de Janeiro, até este domingo (20). A programação reúne bares da marca, com opções de chope Amstel e Amstel Ultra, o troféu original da competição e a presença de lendas do futebol sul-americano, além de atividades interativas na chamada Arena.
A marca também levou a campanha Amstel–HEISHOP à reta final: bares, restaurantes e lanchonetes cadastrados na plataforma de compras do Grupo Heineken têm até 30 de setembro para concorrer a uma viagem à final da Libertadores, em Montevidéu (Uruguai), ao adquirir ao menos duas caixas de Amstel Retornável — o sorteio será em 11 de outubro. Na quarta-feira (16) e na quinta-feira (17), a Amstel também promoveu a Escala de Emoções Amstel, que mediu a intensidade da torcida nos jogos de quartas de final entre Corinthians e Estudiantes de La Plata e entre Flamengo e Independiente del Valle.
A banda curitibana Jelly Roll comanda o repertório de blues, jazz e rock neste sábado (19), na edição semanal do Growler Day, na fábrica da Bodebrown, em Curitiba (PR). O evento, gratuito, vai das 9h às 18h e reúne mais de 40 rótulos entre garrafas, latas e chopes, com 16 opções nas torneiras, incluindo lançamentos como Frutti Sour, Gol de Bicicleta e Low IPA. A programação inclui ainda café da manhã solidário, tour pela fábrica com degustação (R$ 65) e opções gastronômicas como o ensopado belga Carbonade Flamande.
Sommelier do Brewteco indica cervejas para a primavera
Além da Rua da Cerveja, o Rio de Janeiro conta com ótimas opções para curtir as cervejas artesanais. Com a chegada da primavera, Pedro Barcellos, sommelier do Brewteco, do Rio de Janeiro, recomenda estilos como Pilsen, Witbier, Helles, Blonde Ale e IPAs mais aromáticas para os dias mais quentes, destacando que corpo, carbonatação e temperatura de serviço influenciam a sensação de frescor tanto quanto o teor alcoólico. Para quem quer experimentar, ele sugere uma sequência que começa por uma Pilsen leve, passa por uma Blonde Ale e termina em uma American IPA — a mesma lógica usada em degustações de vinho, dos estilos mais suaves aos mais intensos.
A produção de cervejas sem álcool tem avançado com técnicas como o uso de leveduras especiais que limitam a fermentação e a desalcoolização por destilação a vácuo, que retira o álcool preservando aroma e corpo. Segundo Alexandre Esber, mestre cervejeiro e professor da Academia da Cerveja da Ambev, o processo começa com os mesmos ingredientes de uma cerveja tradicional — água, cereais, lúpulo e levedura —, e o controle de qualidade chega a mais de 1,3 mil pontos de inspeção. O avanço amplia o portfólio Wellness da companhia, que inclui rótulos como Stella Pure Gold, Michelob Ultra, Budweiser Zero, Corona Cero e Brahma 0.0%.
O mercado brasileiro de cervejas puro malte cresceu 81% em litros vendidos em 2024, segundo dados da Kantar, ante avanço de 2% das cervejas comuns no mesmo período. No segmento, a Heineken foi apontada pela NielsenIQ como a mais vendida do país em sua versão regular. A marca, criada na Holanda em 1873, afirma manter a mesma receita — água, malte, lúpulo e a Levedura A, exclusiva da companhia — em seus 192 mercados, com amostras mensais enviadas à Holanda para controle de qualidade. O Brasil é hoje o maior mercado global da Heineken, com 11 anos consecutivos de crescimento.
A Petra, cerveja puro malte do Grupo Petrópolis, lançou uma nova identidade visual e um reposicionamento sob o conceito “premium à brasileira”, assinado pela agência anacouto, com curvas inspiradas na Serra de Petrópolis (RJ), cidade onde a marca nasceu. O movimento acompanha o lançamento de Petra Ultra, versão puro malte sem glúten, com 4% de teor alcoólico e 67 calorias na lata de 269 ml. Para apresentar a nova fase, a marca reúne um grupo de influenciadores que inclui Marina Sena, Jota.Pê, Mestrinho, Mari Gonzalez, Danielle Diz, José Loreto e Lary Nascimento.
Heineken lança laboratório de sustentabilidade no Primavera Sound
A Heineken lançou, em parceria com o Primavera Sound São Paulo 2026, o Green Your City Lab, programa de inovação aberta que vai selecionar três projetos de startups, negócios de impacto e organizações da sociedade civil para testes em ambiente real durante o festival, marcado para 5 e 6 de dezembro, em Interlagos. As inscrições vão até este domingo (20), e os desafios abrangem comportamento, gestão de resíduos e revalorização de materiais; cada solução selecionada recebe ao menos R$ 50 mil para o projeto-piloto, com resultado divulgado em novembro.
Sempre na primeira sexta-feira do mês, a partir das 20h, a Cervejaria Central, na Barra Funda, em São Paulo, promove uma rodada de campeonato de bilhar; a inscrição custa R$ 30, inclui um chope e garante prêmios em consumo aos três primeiros colocados. A casa também renovou a carta de drinques com o aperitivo Cynar, criado pelo bartender Caik Lima, recebeu novo mural do artista lvcasfat e mantém as noites de vinil da Disco Sequência às sextas-feiras.
O Zé Delivery, marketplace de bebidas da Ambev, promoveu entre 9 e 18 de setembro dez dias de ofertas para marcar seu aniversário de dez anos, com descontos de até 30% e promoções relâmpago no aplicativo. A comemoração inclui ainda um sorteio de R$ 100 mil entre consumidores cadastrados no programa de pontos, válido entre 4 de setembro e 5 de outubro, sem exigência de compra de produto específico.
Nesta sexta-feira (18) e neste sábado (19), a Farmasi Arena, no Rio de Janeiro, recebe o confronto entre Brasil e Suíça pela Copa Davis, com patrocínio da Stella Artois e a presença dos embaixadores Gustavo Kuerten e Fernando Meligeni. A marca mantém dois bares e um espaço exclusivo para convidados no entorno da competição e também estará presente com a versão Stella Pure Gold, sem glúten e com menos calorias.
Mais de 270 estudantes de seis unidades do interior de São Paulo — Votorantim, São Roque, Itu, Sorocaba, Indaiatuba e Piracicaba — participaram do hackathon INTER-FATECs 2026, promovido pelo Grupo Petrópolis em parceria com a Fatec. Trata-se da maior iniciativa de inovação aberta já realizada pela companhia com instituições de ensino. Organizados em 56 equipes, os alunos desenvolveram, ao longo de uma semana, soluções para fortalecer a marca premium Black Princess; os finalistas vão apresentar os projetos a lideranças da empresa e visitar a fábrica do grupo em Boituva (SP).
A Eisenbahn participa neste sábado (19) do Rock Rec, festival realizado na área externa do Centro de Convenções de Pernambuco, em Recife (PE), com line-up que reúne nomes como Capital Inicial, Jota Quest, Biquini, Camisa de Vênus, Nação Zumbi e Charlie Brown Jr., além de bandas da cena autoral pernambucana. A marca leva ao festival três estilos em lata de 350 ml — Pilsen, Unfiltered e IPA — dentro da plataforma Eisen Rock Station, criada para ampliar sua presença em cenas de rock de diferentes regiões do país. Como preparação, a Eisenbahn promoveu, entre 10 e 12 de setembro, a Rota do Rock, com ações em três bares de Recife e Jaboatão dos Guararapes (PE), incluindo shows das bandas Zero Bronca e Papaninfa e uma promoção de compre-e-ganhe que trocava a compra de Eisenbahn por copos e ingressos para o festival.
A Choperia Du Leitte, point tradicional do bairro Caiçara, em Belo Horizonte (MG), lançou sua primeira cerveja proprietária de garrafa, batizada de Cerveja Du Leitte e inspirada na tradição da Estrada Real. Classificado tecnicamente como uma cerveja de baixa fermentação, mas com perfil sensorial de American IPA, o rótulo tem 7% de teor alcoólico, coloração de 21 EBC e chega ao mercado em garrafas de 600 ml, produzidas pela Indústria de Bebidas Loba, em Santana dos Montes (MG).
A primeira edição do Salão Abrasel reuniu 10.932 inscritos na terça-feira (15) e na quarta-feira (16), no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, com programação voltada à alimentação fora do lar e apresentação de Ambev, Keeta e Stone. Entre os destaques do primeiro dia estiveram a 10ª edição do concurso O Quilo é Nosso, vencido pelo Restaurante Maria Izabel, de Palmas (TO), e o prêmio Missão Empreendedora, da Pluxee em parceria com a Abrasel, que reconheceu dez empreendedoras do setor. A programação também incluiu painéis sobre o crescimento do delivery, o impacto das canetas emagrecedoras nos hábitos de consumo e o uso de dados para a gestão financeira dos estabelecimentos.
Mamba Water abre edital para ampliar acesso à água
A Mamba Water, marca de água do ecossistema de impacto HEINEKEN Spin, abriu inscrições, entre 9 e 30 de setembro, para o Edital Corrente Pela Água, o primeiro do Mamba Water Project, que busca soluções para ampliar o acesso à água no Maranhão — estado escolhido a partir de indicadores como segurança hídrica, desenvolvimento humano e risco hídrico, com destaque para municípios como Humberto de Campos, Araioses e Cajari. Desenvolvido com o Quintessa, o edital vai selecionar um projeto, que poderá receber até R$ 200 mil para implementação, além de networking com os parceiros e potencial de exposição ao ecossistema; a seleção ocorre entre outubro e novembro, com vencedor anunciado em novembro de 2026. Desde 2023, o Mamba Water Project já destinou cerca de 51,8 milhões de litros de água a comunidades do Ceará, do Pará e do Rio de Janeiro.