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Balcão do Profano Graal: Santos cervejeiros – Santa Brígida de Kildare

Balcão do Profano Graal: Santos cervejeiros – Santa Brígida de Kildare

Salve, nobres!

Neste mês, quero falar de um aspecto curioso da cultura medieval europeia, que surgiu da junção entre antigas tradições pagãs (celtas) e os novos hábitos cristãos que se espalhavam pela Europa após a queda do Império Romano: o surgimento de santos cervejeiros. Conhecidos assim não necessariamente porque produzissem cerveja (pelo menos de forma convencional), mas porque alguns dos milagres atribuídos a eles envolvem a “santa bebida”. E, por esse fato, alguns foram logo adotados como patronos das comunidades de cervejeiros. Em fevereiro, são comemorados dois desses santos cervejeiros: Santa Brígida de Kildare e Santo Amândio. Neste texto, quero me concentrar sobre a figura de Santa Brígida de Kildare.

As vidas de santos, principalmente daqueles do início do cristianismo, são tão repletas de mitos que se torna difícil separar fatos e ficção. Algumas pessoas podem argumentar que historiadores devem se ocupar apenas de fatos históricos devidamente registrados por documentos e não de mitos. Mas os mitos também fazem parte da história. São criações humanas que cumprem finalidades sociais e influenciam comportamentos ao longo do tempo. E, como dizia o historiador francês Marc Bloch (1886-1944), nada do que é humano deve ser estranho ao trabalho do historiador.

Brígida de Kildare (453-525), conhecida na Irlanda como Naomh Bhríde, foi uma freira irlandesa, fundadora do mosteiro de Kildare (em 480). É considerada padroeira da Irlanda juntamente com São Patrício e São Columbano. Segundo a tradição, teria nascido em Faughart, filha de mãe católica e pai pagão, tendo se convertido ao cristianismo inspirada pela pregação de São Patrício, pioneiro da cristianização da Irlanda. Muitas histórias e lendas atribuídas a ela envolvem cerveja. Como, por exemplo, a história de que um viajante sedento teria chegado a Kildare e Brígida, sem nada para oferecer-lhe, transformou a água que havia usado em seu banho em cerveja. Em outra, Brígida teria enviado a uma paróquia um barril de cerveja que se multiplicou ao longo do caminho, acabando por abastecer 18 igrejas da região. Ela morreu em Kildare e foi enterrada em um túmulo na igreja de sua abadia. Um poema do século X atribuído a ela começa com as seguintes palavras:

Eu gostaria de dar um grande lago de cerveja para o Rei dos Reis.
Eu gostaria que os anjos do paraíso bebessem dele por toda a eternidade.
(…)
Eu me sentaria com os homens, as mulheres e Deus perto do lago de cerveja.
Estaríamos bebendo boa saúde para sempre e cada gota seria uma oração.

Um fato interessante com relação à sua biografia é que Brígida tem o mesmo nome de uma antiga deusa celta: Brighid (ou Brigid, ou Brigit), que era conhecida como a deusa tríplice do fogo, pois o fogo alimenta as forjas, esquenta os experimentos dos alquimistas e incendeia a mente dos poetas. Dessa forma, era vista também como patrona das artes e da poesia. É uma das deusas chamadas de pan-célticas, pois era cultuada por todos os diferentes povos celtas.

Alguns estudiosos sugerem que a santa católica é nada mais nada menos do que a cristianização de tal entidade. Outros defendem que a religiosa foi uma liderança druida de um templo gaélico dedicado a tal divindade que existia justamente na cidade de Kildare. E que, depois de se tornar católica, foi responsável pela conversão do espaço em um mosteiro cristão. Talvez por isso, ela é conhecida também como “Mary of the Gaels” (Mãe dos Gaélicos, em português) e a sua festa é comemorada em 1º de fevereiro, dia em que se festejava o Imbolc, comemoração dos primeiros sinais da primavera na tradição gaélica irlandesa.

É interessante notar que, assim como Brígida, a maioria desses santos cervejeiros vêm de países onde o consumo de cerveja é um traço cultural anterior ao cristianismo. E, muitas vezes, profundamente relacionado aos rituais pagãos, como vimos quando falei das cervejas de Natal e do Yule.

Dessa forma, é possível afirmar que a associação dos milagres de santos católicos ao consumo de cerveja foi uma forma encontrada pela Igreja Católica para facilitar a adoção do cristianismo por esses povos. E Santa Brígida parece ser uma síntese do sincretismo que marcou os primeiros séculos do catolicismo.



Sérgio Barra é carioca, historiador, sommelier e administra o perfil Profano Graal no Instagram e no Facebook, onde debate a cerveja e a História.

Conhecida por camarote, Brahma leva desfiles marcantes do carnaval à TV

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O período do carnaval de 2021 vai ficar marcado pela nostalgia, em função da impossibilidade de se festejar nas ruas e avenidas. E, sempre associada aos desfiles das escolas de samba, especialmente em função do seu icônico camarote, a Brahma reforçará esse cenário ao apoiar e patrocinar a TV Globo na transmissão do Desfile Nº1 Brahma, com a exibição de momentos históricos das escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo para entreter as pessoas dentro das casas durante a pandemia.

Assim, ainda que com a Marquês de Sapucaí e o Sambódromo do Anhembi vazios, um pouco do clima que marca os dias de carnaval nesses locais poderá ser vivenciado a partir da TV, em uma forma de compensar a ausência dos desfiles das escolas de samba, que não deixavam de ocorrer desde 1932. E, para dar um clima de disputa para a transmissão, haverá uma votação popular para definir o melhor desfile entre os transmitidos de cada estado. A escolha será através da internet.

Leia também – Live, beer tours, tap rooms abertas: Atrações da Rota RJ para o período do carnaval

“A Brahma e o carnaval são inseparáveis. A cervejaria engarrafou seu primeiro chope por causa do carnaval. A primeira fábrica da cervejaria era na Sapucaí. Por isso, para estimular as pessoas a ficarem em casa nesse carnaval, decidimos levar a programação do nosso famoso Camarote Brahma para a casa dos consumidores. Uma marca com uma trajetória dessas precisava ter um papel importante no resgate da alegria dessa festa logo no ano mais difícil da história do carnaval”, afirma Gustavo Castro, diretor de marketing de Brahma.

A transmissão da TV Globo acontecerá nas madrugadas de sábado e de domingo. Serão 28 desfiles – 14 por dia – marcantes do carnaval. A escolha foi feita por curadores especializados, que tiveram o apoio das ligas organizadoras do carnaval e das escolas de samba. Já a apresentação do programa será realizada pelo ator Ailton Graça e pelo carnavalesco Milton Cunha.

Outras ações
Além de apoiar a transmissão dos desfiles de carnaval, a Brahma realizará sorteio de convites para o seu camarote na Marquês de Sapucaí para o carnaval de 2022. E a marca da Ambev ainda preparou lives especiais para o período, com transmissão direto do Anhembi.

Por fim, a Brahma vai promover combinações únicas, de artistas que nunca cantaram juntos: Zeca Pagodinho com a dupla Zé Neto & Cristiano; e Matheus e Kauan com Os Barões da Pisadinha. As lives serão transmitidas no Multishow e no YouTube do canal e dos artistas, sábado, das 20h30 às 23h, e no domingo, das 14h às 17h.

Confira os desfiles que serão reexibidos pela Globo:

Rio de Janeiro
Acadêmicos do Salgueiro (1993) – “Peguei um Ita no Norte”
Mocidade Independente de Padre Miguel (1990) – “Vira Virou, a Mocidade Chegou”
Unidos do Viradouro (1998) – “Orfeu – O Negro do Carnaval”
Beija-Flor (1989) – “Ratos e Urubus, Larguem a Minha Fantasia”
Portela (2017) – “Quem Nunca Sentiu o Corpo Arrepiar ao Ver Esse Rio Passar”
Unidos da Tijuca (2010) – “É Segredo”
Imperatriz Leopoldinense (1989) – “Liberdade! Liberdade! Abra as Asas Sobre Nós”
Estação Primeira de Mangueira (2016) – “Maria Bethânia, a Menina dos Olhos de Oyá”
Unidos de Vila Isabel (1988) – “Kizomba, Festa da Raça”
Mocidade Independente de Padre Miguel (1985) – “Ziriguidum 2001”
Beija-Flor (2011) – “A Simplicidade de um Rei”
Acadêmicos do Grande Rio (2017) – “Ivete do Rio ao Rio”
Unidos do Viradouro (2020) – “Viradouro de Alma Lavada”
Império Serrano (2004 – reedição do samba de 1964) – “Aquarela Brasileira”

São Paulo
Águia de Ouro (2020) – “O poder do saber”
Mancha Verde (2019) – “Oxalá salve a princesa”
Mocidade Alegre (2014) – “Andar Com Fé Eu Vou… Que a Fé Não Costuma Falhar”
Acadêmicos do Tatuapé (2018) – “Maranhão: Os Tambores Vão Ecoar Na Terra da Encantaria”
Unidos de Vila Maria (2017) – “Aparecida – a rainha do Brasil – 300 anos de amor e fé no coração do povo brasileiro”
Dragões da Real (2017) – “Dragões canta Asa Branca”
Rosas de Ouro (2005) – “Mar de Rosas”
Tom Maior (2009) – “Uma nova Angola se abre para o mundo. Em nome da paz, Martinho da Vila canta a liberdade”
Império de Casa Verde (2005) – “Brasil, se Deus é por nós, quem será contra nós”
Barroca Zona Sul (2020) – “Benguela, a Barroca clama a ti, Teresa”
Gaviões da Fiel (2003) – “Cinco deusas encantadas na corte do rei”
Colorado do Bras (2019) – “Hakuna Matata, isso é viver”
Vai-Vai (2008) – “Vai-Vai Acorda Brasil”
Acadêmicos do Tucuruvi (2011) – “O Xente, o que seria da gente sem essa gente, São Paulo, a capital do Nordeste”

Live, beer tours, tap rooms abertas: Atrações da Rota RJ para o período do carnaval

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O carnaval de 2021 será bem diferente. Com a folia cancelada nas ruas em função da pandemia do coronavírus, marcas estão buscando alternativas para permitir momentos de alegria em datas tão relevantes do calendário. É assim que integrantes da Rota Cervejeira RJ têm atuado, oferecendo uma série de novidades ao público.

Para os próximos dias, haverá diversas opções de delivery, além da possibilidade de ida a tap rooms e realização de beers tours em diferentes cervejarias da Serra Fluminense. Além disso, marcas da Rota RJ realizam lançamentos de rótulos que poderão ser saboreados durante o período do carnaval. E haverá até uma live.

Leia também – Rota RJ: O legado do difícil 2020 para as cervejarias da região serrana

Confira as novidades de algumas das cervejarias da Rota RJ para os dias do carnaval:

PETRÓPOLIS
Bohemia
A tradicional cervejaria estará com seu bar, restaurante, loja e beer tour abertos em horários especiais. Além disso, preparou promoções nos growlers, tanto comprando na cervejaria como pelo iFood.

Brassaria Matriz
A Brassaria Matriz, que fica na localidade de Corrêas, estará com seu espaço aberto no carnaval, sempre a partir das 12 horas. Lá, os visitantes podem aproveitar as cervejas da casa e de outras integrantes da Rota Cervejeira e os pratos do restaurante, além de contemplar a cachoeira que existe no local.

Brewpoint
Além de estar com as lojas Brewpoint Express e Brewgarden funcionando durante o período com todos os seus rótulos, a cervejaria tem promoção de chopeiras e parcelará o delivery no cartão de crédito. A fábrica funcionará no esquema de drive-thru nesta sexta-feira, das 13h às 18h; e no sábado, das 10h às 13h.

Colonus
A cervejaria também vai estar com seu tap room em funcionamento no carnaval e fará promoção de growlers. As cervejas da marca também podem ser adquiridas por delivery.

Doutor Duranz
A Doutor Duranz vai funcionar com seu tap room durante os quatro dias do carnaval, também vendendo seus rótulos pelo sistema de delivery.

TERESÓPOLIS
Mad Brew
A tap & steak house da cervejaria terá chope, drinques e acompanhamentos especiais. A casa vai funcionar na sexta-feira, de 17h às 0h; de sábado à terça-feira, de 11h às 0h; e na Quarta-feira de Cinzas, de 11h às 23h.

GUAPIMIRIM
Rota Imperial
O bar da cervejaria funcionará no carnaval, mas, quem preferir aproveitar o período em casa, poderá contar com o delivery de chopes da Rota Imperial pelo telefone (21) 2010-7558.

NOVA FRIBURGO
Alpendorf
A cervejaria vai ter o Carnaval Biergarten (o bar da fábrica estará aberto, mas sem eventos); Alpen Tour (beer tour) de sexta a terça-feira sem necessidade de agendamento prévio; e até lançamento de cerveja. Além disso, os cervejeiros vão colocar à venda a cerveja Brut IPA, inicialmente feita para o réveillon.

Saiba mais sobre a Rota Cervejeira RJ em nosso Guia do Mercado

Barão Bier
A cervejaria, que funciona em uma fazenda, receberá visitantes para um beer tour sob agendamentos pelo telefone (22) 9762-0760 ou (22) 99998-4206. No domingo, das 15h às 20h, a Barão Bier cederá a parte externa do espaço da cervejaria para a live Samba do Povo, evento solidário que terá o objetivo de resgatar a cultura do samba e realizar arrecadação de materiais para o hospital Municipal Raul Sertã e a maternidade Dr. Mario Dutra de Castro. De acordo com a cervejaria, participarão desta live 25 pessoas, sendo integrantes de bateria e intérpretes das escolas de samba de Nova Friburgo, sem público presencial.

Após ano difícil, cervejarias reforçam aproximação do consumidor final

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A pandemia do coronavírus trouxe vários efeitos danosos para a economia global, mas também escancarou algumas oportunidades e novas formas de atuação para os negócios. É desse cenário que as cervejarias artesanais trouxeram um legado que deverá se refletir no segmento em 2021, consolidando-se como uma tendência: a aproximação do consumidor final.

Importantes marcas artesanais destacam a necessidade de reforçarem iniciativas como vendas através dos próprios sites e por delivery, ainda que, eventualmente, em parceria com bares e outros estabelecimentos. Uma ação necessária para atender a mudança no consumo que, esperam as cervejarias, virá atrelada com a recuperação do setor, como argumenta Flávio Haas, sócio-proprietário da Odin.

Leia também – As tendências da Ab InBev para 2021: Delivery, bem-estar, sustentabilidade…

“Compreendemos que este novo perfil de consumo e o foco na venda direta ao cliente final irá se manter em 2021. Acreditamos que, com a recuperação do mercado, parte dos negócios volte ao normal, mas que sem dúvida não será o mesmo perfil de antes. Não digo em termos de volume total, mas em termos do aumento da participação de vendas diretas ao cliente final”, afirma o sócio da Odin.

Esse cenário, claro, traz desafios para as cervejarias, que precisam entender o perfil do consumidor final, reforçando a necessidade de se ter um banco de dados que atinja esse público específico. Para isso, a Proa promete investir na melhoria dos serviços, aproximando-se mais dos cervejeiros.

“O que vamos levar de mais importante é uma maior aproximação com o consumidor final. Acreditamos que isso vem para fortalecer todo mundo. Planejamos estreitar ainda mais essa relação e chegar cada vez mais rápido aos nossos clientes, o que demanda ainda alguns ajustes de logística e implantação de novas rotinas”, detalha a cervejaria.

É uma visão parecida com a apresentada por Thomé Calmon, sócio-proprietário da DeBron Bier. Para ele, a busca pelo consumidor – especialmente para vendas online – continuará sendo fundamental para as cervejarias artesanais.

“Canais de vendas digitais serão mais incentivados, bem como forma de vendas direta ao consumidor. O mercado de cerveja artesanal é muito promissor, resta atravessarmos este período de turbulência que as coisas voltarão melhores”, diz o sócio-proprietário da DeBron, também ressaltando o plano da marca de até fazer alterações em seu portfólio em função da mudança de perfil do seu público-alvo.

“2021 será um ano de recuperação, precisaremos ser cada vez mais Lean e focar em produtos que tragam escala. Provavelmente repensaremos a manutenção de alguns produtos tendo em vista um maior giro”, argumenta Thomé.

A Blondine também encara o ano recém-iniciado com otimismo. Para a cervejaria, a crise em 2020 a ajudou a realizar ajustes em seus planos de negócios, testando alternativas e novos públicos. Por isso, com o foco modificado, promete apresentar muitas novidades ao mercado cervejeiro em 2021.

“Apesar de 2020 ter sido um ano atípico, com adversidades que exigiram muito labor, estamos animados para 2021. 2020 foi um ano de reorganização, de focar na essência da marca e pesquisar novos mercados. Temos muitas novidades que preparamos ao longo do último ano e que agora tomaram forma. Depois de muitas pesquisas e testes, iremos apresentar ao mercado novidades nunca antes vistas, estamos ansiosos para um novo momento da marca e esperançosos também que 2021 será um ano melhor para todos”, conclui Sibele Xerfan, fundadora e diretora de marketing da Blondine.

Entrevista: ‘Educação foi a base do movimento e é fundamental para o setor’

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Foi do conhecimento que o setor de cervejas artesanais começou a ser construído. E é a partir da sua disseminação que ele poderá crescer e se consolidar. Com essa constatação Chiara Barros, sócia-proprietária do Instituto Ceres, que tem seu foco no ensino e na consultoria, destaca, em entrevista ao Guia, o papel fundamental que a educação precisa ter para a expansão das atividades e resolução dos gargalos do setor.

Para Chiara Barros, a educação foi a base do movimento no Brasil, sendo fundamental para o surgimento de associações e confrarias que uniram profissionais com conhecimento cervejeiro e que desejavam construir a sua empresa do zero.

Assim, Chiara Barros destaca que cervejarias e instituições devem apostar na aprendizagem, com investimento em pesquisas e parcerias, para que possam tornar os profissionais que atuam no setor mais qualificados. Algo que se tornou ainda mais importante diante do desafio de continuar enfrentando o cenário caótico provocado pela Covid-19.

A visão do desenvolvimento do setor com base no ensino e na aprendizagem guia Chiara Barros, também, em sua atuação no Instituto Ceres. Ela divide o comando da instituição com Patrícia Sanches, cervejeira profissional e sommelier de cervejas. Ela lembra que o instituto começou suas atividades em 2017, justamente na época em que o setor ganhava relevância no país, mas com “uma lacuna grande de profissionais qualificados na área”. E foi para ajudar a atender a essa demanda que o Ceres se inseriu.

Na entrevista ao Guia, Chiara Barros contou os planos do instituto educacional e consultoria cervejeira para 2021, com a criação de cursos à distância para ampliar o público alcançado. E, para combater o preconceito e a desigualade, o Instituto Ceres tem trabalhado com ênfase nas mulheres. Para este ano, o foco segue na inclusão e equidade, como o programa de bolsa de estudos para pessoas em situação de vulnerabilidade econômico-social e um programa de mentoria para mulheres.

Leia também – Delivery, sustentabilidade, bem-estar e beba local: 4 tendências da AB InBev para 2021

Confira a seguir a entrevista completa que Chiara Barros concedeu ao Guia:

O Ceres funciona tanto como instituição de ensino como consultoria. Quais têm sido as principais ações nesses campos?
Nas consultorias, atendemos todos os portes de cervejarias, seja para criação de receitas, implementação da gestão e controle de qualidade, gestão sensorial, gestão de produtividade, etc. Fazemos também treinamentos in company direcionados e de acordo com o perfil e a realidade de cada fábrica. Fazemos consultoria também para bares e restaurantes com a construção de carta de cervejas e treinamentos de brigada, por exemplo. Na parte de educação, temos cursos livres para amantes da cerveja, mas também cursos com conteúdo mais aprofundados, incluindo o curso de sommelier de cervejas. Além dos cursos presenciais, temos cursos à distância.

Na sua opinião, qual é a importância do fomento à educação para o desenvolvimento do setor de cerveja artesanal? O que o Instituto Ceres tem feito para contribuir com isso?
A educação tem papel fundamental no desenvolvimento do setor cervejeiro, foi a base do movimento no Brasil. No início, o conhecimento era compartilhado entre as pessoas que eram curiosas e estavam buscando conhecimento em livros, vídeos, fóruns. Nasceram as associações, as confrarias, o movimento do faça você mesmo. Porém, existia uma lacuna grande de profissionais qualificados na área. E foi aí que o Ceres se inseriu no mercado, com um trabalho importante de desenvolvimento de pessoas não só nos cursos, mas também nas consultorias com os treinamentos in company e as orientações on the job. Em paralelo, também levamos conhecimento técnico-científico para aqueles grupos que manipulam a cerveja de forma empírica. E continuamos disseminando a cultura cervejeira com nossos amantes da bebida.

Que avaliação o Ceres faz do ano de 2020? Como foi o desafio de encarar uma pandemia que paralisou o mundo?
Foi um ano desafiador e difícil. Estávamos com um planejamento de migração de alguns dos nossos cursos presenciais para a modalidade de ensino à distância antes da pandemia. Porém, os planos foram adiados devido a toda essa situação. Conseguimos voltar aos pouquinhos e retomamos o planejamento.

Falando de modo mais amplo, 2020 ficou marcado pela pandemia do coronavírus e por crises mais específicas do setor, como o Caso Backer e a escassez de matéria-prima. Como avalia o ano para o mercado cervejeiro?
Consideramos o ano de 2020 como um ano difícil e de muitos aprendizados e recomeços. A maior parte das cervejarias precisou desligar parte dos funcionários, investir no delivery, se reinventar criando outras possibilidades. Com isso, mudou também o consumidor. A saúde financeira das empresas pesou bastante para que tivessem um fôlego para sobreviver nesses momentos de crise. Em relação ao caso Backer, infelizmente com vítimas fatais, veio para aumentar uma luzinha que a gente já tinha acendido há um bom tempo. Não basta construir receitas e produzir cervejas perfeitas, o produto precisa ser seguro para o consumidor. Temos alertado nas consultorias e, no final de janeiro, lançamos um curso sobre Boas Práticas de Fabricação aplicada a Cervejarias. Analisando o caso, o que se encontra, basicamente, são falhas graves de gestão, principalmente de Boas Práticas. Houve iniciativa da Abracerva de treinamento para as cervejarias, mas ainda precisamos evoluir muito nas questões de qualidade. Não só de controle de qualidade, mas também no que se refere à garantia da qualidade e à gestão.

Quais aprendizados e ações concretas o setor deve levar de 2020 para o ano recém-iniciado? O que esperar para os mercados cervejeiros e consumidor em 2021?
Ainda estamos em pandemia, então as ações precisam continuar, principalmente com o foco de venda de produtos on-line e take away. O ano de 2021 será um ano de recuperação, que necessitará de muita reinvenção ainda. Difícil fazer uma previsão de um ano que inicia com a escassez de insumos e a possibilidade de muitos serviços serem fechados novamente. As apostas em desenvolvimento de novos produtos, utilização de matérias-primas locais alternativas, ampliação e novas estratégias de venda podem trazer um fôlego para enfrentar esse ano que não começa fácil.

A necessidade de agir efetivamente para a inclusão das minorias no setor de cerveja nacional foi vista em acontecimentos recentes, quando preconceitos – como o racismo e o machismo – tornaram-se públicos. Como você avalia estes casos no setor e o que Ceres busca fazer em contribuição para minimizar a desigualdade?
Os casos de racismo e machismo no mundo cervejeiro em 2020 só exibiram uma triste realidade que já existia no mercado de maneira geral, não só no cervejeiro. Desde o início, temos um trabalho com ênfase no destaque das mulheres no setor. A maior parte dos profissionais que prestam serviço para o Ceres é de mulheres – somos 85%. Temos apoiado eventos criados e promovidos por mulheres, dado descontos nos nossos cursos para confrarias femininas, feito lives com apenas mulheres cervejeiras como protagonistas desde 2019 para inspirar outras mulheres e para mostrar que estamos em todas as áreas deste setor. Também já oferecemos bolsas de estudo e cursos gratuitos para alunos de baixa renda.

E para o ano recém-iniciado? Quais são os planos do Ceres para ajudar na construção de um setor mais igualitário?
Em 2021, as ações serão mais sistemáticas. Estamos com um programa de bolsa de estudos parciais e integrais nos nossos cursos para pessoas em situação de vulnerabilidade econômico-social e um programa de mentoria para mulheres que inicia no primeiro trimestre. Além de aulas com orientações para nossas professoras e professores sobre inclusão e equidade.

Quais são os principais planos do Ceres para 2021 e quais destes projetos já estão em andamento?
No planejamento para 2021 está a expansão do EAD (cursos à distância), com isso atingimos também outras regiões. Dentre os cursos, teremos diversos cursos que focarão no conhecimento em relação ao food safety, à integridade do produto. O mercado cervejeiro tem uma carência na área de qualidade e queremos expandir o bom trabalho que temos feito nas consultorias em cervejarias para nossos cursos. O projeto de mentoria para mulheres está ficando muito especial, estamos contando com profissionais voluntárias que farão parte dele. Junto com mais três escolas, fazemos parte do projeto Academia da Cerveja, criado pela Ambev. As consultorias para microcervejarias continuam neste ano e alguns outros projetos ainda estão no forno, em breve a gente conta mais.

As tendências da Ab InBev para 2021: Delivery, bem-estar, sustentabilidade…

Líder mundial do setor cervejeiro, a AB InBev enxergou 2020 como um ano desafiante, mas que reforçou algumas tendências. Para a empresa, algumas delas serão mantidas em 2021, independentemente da continuidade da pandemia do coronavírus. Assim, acredita que os consumidores vão ampliar a busca por sabores exclusivos e produtos autênticos, além da exigência de sustentabilidade e da demanda pelo serviço de delivery.

“Agora, mais do que nunca, as marcas que consumimos são uma extensão de quem somos e do que representamos. Em 2021, você pode esperar ainda mais demanda por produtos que são melhores para você, sua comunidade e o mundo”, afirma Charles Nouwen, chefe do programa Paixão por Cerveja da AB InBev.

Leia também – Cooperativas cervejeiras: A necessária mudança cultural para conquistas coletivas

A AB InBev preparou um documento, publicado em seu site oficial, para apontar as tendências para 2021 nos setores de bebidas e de cervejas. Confira quais são as quatro principais vertentes definidas pelo conglomerado:

1 – Saúde e bem-estar
A busca por saúde e bem-estar continuará em alta em 2021, o que deve manter o êxito de bebidas sem ou, ao menos, com pouco carboidrato e calorias, sendo consumidas por pessoas com um estilo de vida ativo. Nesse cenário, estão inseridas bebidas como a Michelob Ultra Organic Seltze, lançada em janeiro pela AB InBev nos Estados Unidos.

Isso deve, também, reforçar a tendência por cervejas sem álcool ou de baixo teor alcoólico, tanto que no ano passado a Budweiser Zero e a Stella Artois 0.0 foram lançadas em diversos mercados. Em 2020, a Stella Artois Sem Glúten passou a ser vendida no Brasil, onde uma concorrente da AB InBev, a Heineken 0.0, fez enorme sucesso.

2 – Novos sabores e ingredientes locais
Para a empresa, a pandemia do coronavírus reforçou a busca por produtos locais e novas opções de sabores. São comportamentos e cenários que a AB InBev aposta que serão ampliados em 2021. Para a empresa, afinal, a crise econômica levou as pessoas a apoiarem ainda mais os trabalhadores que estão mais próximos, ao mesmo tempo em que cervejarias artesanais exploravam sabores únicos, encontrando demanda para isso.

“As pessoas definitivamente experimentaram mais com o que beberam em casa em 2020 e acho que isso continuará neste ano”, projeta o mestre-cervejeiro Rob Topham, da Camden Town Brewery, na Inglaterra.

3 – Serviços de delivery
A demanda por serviços de delivery explodiu com o início da pandemia do coronavírus. Milhões de pessoas passaram a usufruir da conveniência de ter seus produtos favoritos a partir de alguns cliques. E a cerveja não foi exceção. A AB InBev aposta que em 2021 as plataformas que conectam varejistas aos consumidores expandirão experiências e ofertas. E cita, claro, as suas opções, como o Zé Delivery, da Ambev, no Brasil.

4 – Sustentabilidade
A AB InBev também avalia que o consumidor tem dado preferência para produtos que causam impacto mínimo ao meio ambiente. E o conglomerado cervejeiro assegura que tem investido em energia renovável, como a eólica e a solar. A sua estimativa é de que a Budweiser fabricou quase 7 bilhões de garrafas de cerveja com energia 100% renovável em 2020.

A AB InBev aponta soluções que poderão ser tendência em 2021, como a substituição dos anéis de plástico por embalagens de papel reciclável. E aponta que produtos com objetivos específicos também são apreciados pelos consumidores preocupados com a sustentabilidade, caso, no Brasil, da água mineral AMA, da Ambev, que destina 100% dos lucros para projetos sociais que levam água potável para comunidades carentes em todo o país.

Cerveja acompanha alta dos alimentos e tem inflação de 1,23% em janeiro

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O ano de 2021 começou com inflação expressiva da cerveja. O preço do produto em domicílio apresentou alta nos preços de 1,23% em janeiro, de acordo com os dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE).

A cerveja em domicílio acompanhou, assim, a tendência do seu segmento, o de alimentação e bebidas, também com inflação alta em janeiro de 2021, de 1,02%, ainda que tenha desacelerado em relação a dezembro, quando tinha sido de 1,74%.

Leia também – Ação da Ambev acompanha Ibovespa e desvaloriza 4% em janeiro

Ainda assim, o segmento teve a maior variação e causou o maior impacto (0,22%) sobre o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre os grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE no primeiro mês do ano.

“Os alimentos para consumo no domicílio, que haviam subido 2,12% no mês anterior, variaram 1,06% em janeiro. As frutas subiram menos (2,67% contra 6,73% em dezembro) e as carnes caíram de preço (-0,08% contra alta anterior de 3,58%), assim como o leite longa vida (-1,35%) e o óleo de soja (-1,08%). Por outro lado, os preços da cebola (17,58%) e do tomate (4,89%), que haviam recuado no mês anterior, aumentaram”, destaca o gerente da pesquisa do IBGE, Pedro Kislanov.

Este ritmo foi bem mais acelerado do que o da inflação geral em janeiro, que ficou em 0,25%. Pode ser considerada uma redução relevante em relação a dezembro de 2020, quando o crescimento da taxa foi de 1,35%. Nos últimos 12 meses, o indicador acumula alta de 4,56%. Já em janeiro de 2020, a variação havia sido de 0,21%.

“Houve uma queda de 5,60% no item energia elétrica, que foi, individualmente, o maior impacto negativo no índice do mês (-0,26 p.p.). Após a vigência da bandeira tarifária vermelha patamar 2 em dezembro, passou a vigorar em janeiro a bandeira amarela. Assim, em vez do acréscimo de R$ 6,243 por cada 100 quilowatts-hora, o consumidor passou a pagar um adicional bem menor, de R$ 1,343”, explica Kislanov.

A cerveja fora do domicílio, por sua vez, teve inflação de 0,65% em janeiro. O IBGE também registrou que outras bebidas alcoólicas no domicílio tiveram inflação de 2,42% em janeiro. Já o mesmo item, mas fora do domicílio, apresentou deflação de 0,89% no mesmo período.

Cerveja e Gestão: Business Analytics em cervejarias

Cerveja e Gestão: Business Analytics em cervejarias

Certamente você já se deparou com as oportunidades geradas a partir do acesso a dados em negócios. Então, tendo acesso a um sistema estruturado de inteligência de negócio (ou inteligência de mercado), sem dúvida, o gestor irá se munir com maiores informações sobre potenciais cenários e, consequentemente, reduzirá a margem de erro nas tomadas de decisão.

Desta forma, indicadores de gestão “guiam” gestores sobre decisões necessárias para manter um negócio nos trilhos. Este tipo de dado fornece informações sobre o presente e pode ser mantido em registros históricos em bases de dados, como, por exemplo, dados de CRM, indicadores de performance, etc. No entanto, estes possuem limitações quanto às análises preditivas, ou seja, não fornecem informações que preveem comportamentos e/ou cenários futuros.

Daqui, é senso comum que o alcance de dados permite que empresas mudem o mindset tradicional – baseado em percepção e intuição, para o mindset dirigido por dados. Dados na atualidade são conhecidos como o ouro do século! Não obstante, o World Economic Forum tem apontado a profissão “cientista de dados” como a mais demandada em 2025.

Além disso, o próprio contexto trazido pela Covid-19 fez com que houvesse uma aceleração dos negócios ao modelo de negócio digital e, portanto, o acesso a ferramentas de analytics em cloud tem aumentado exponencialmente em diversos segmentos econômicos. E como andam as cervejarias?

Empresas líderes do setor como a Heineken e a Anheuser-Busch InBev têm investido pesadamente em analytics, que auxiliam na gestão do negócio como um todo. Estas cervejarias gigantes têm criado departamentos e posições para lidar com business analytics. Particularmente, a Heineken tem investido em analytics para identificar padrões no comportamento dos consumidores, como localização dos produtos nos mercados, preferências e gostos.

Por sua vez, a Anheuser-Busch InBev tem adotado analytics para gerenciar processos em plantas em tempo real, como, por exemplo, planejamento logístico, rotas, controle de estoques e atendimento de mercados. Esta solução nasceu de uma arquitetura de dados estruturada baseada na necessidade do negócio. Em 2019, a Ambev adquiriu uma empresa de tecnologia para acelerar a gestão de analytics nos processos logístico e operacional.

Apesar das grandes cervejarias estarem migrando para analytics, como uma cervejaria de pequena escala pode se beneficiar da adoção de business analytics? Acreditamos que há várias maneiras de investir em analytics mesmo com um tímido aporte.

Primeiro, pequenas cervejarias podem aproveitar dados de clientes e/ou consumidores para prever comportamentos de compra, quando, onde, quanto, produtos, etc. a partir de dados estruturados (CRM-Customer Relationship Management) ou não estruturados (redes sociais). Ferramentas como o MS Excel podem ser úteis aqui — incluindo suplementos (data analytics) e plugins (ex. action stat) ou, ainda, soluções prontas baseadas em cloud que forneçam alguma predição com maior velocidade.

Segundo, equipamentos automatizados com sensores de temperatura, pressão, acionamento, etc. podem fornecer dados do processo. Estes podem ser correlacionados como qualidade dos produtos (pH, consistência, etc.), dados de equipamentos, agilidade e indicadores de processo.

Terceiro, é muito comum ver pequenas cervejarias quebrando a cabeça com a logística de distribuição (last mile) devido à baixa escala. Há várias soluções para atender a este fim em específico (mas lembre-se que não é mágica!), desde otimização logística com MS Excel, Google Maps, bem como soluções pagas (Routeasy). Por fim, todas estas alternativas podem ser efetivas a curto, médio e longo prazo.

Mas por onde começar? Como sugestão, avalie as principais oportunidades de ganho ou redução de desperdícios — seja a nível de mercado, operação, ou esforços administrativos. Na sequência, avalie os dados que você possui em mãos e os que ainda devem ser gerados para fornecer informações relevantes.

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Depois, desenvolva uma arquitetura de dados e scripts para que as informações sejam prontamente calculadas a partir dos dados. Por fim, você terá em mãos um dashboard com indicadores de desempenho, assim como visibilidade sobre os próximos períodos. Por fim, lembre-se que, a depender da informação do negócio, ter a informação em tempo real pode fazer toda a diferença!


Alexandre Luis Prim é professor das Faculdades Senac Blumenau, Saint Paul e Uniasselvi nas áreas de administração e supply chainAssina também a coluna Marcelo Martins de Sá, doutor em administração e coordenador acadêmico na Saint Paul Escola de Negócios

Heineken preferida e Bud a 2ª escolha: O gosto do brasileiro segundo o Credit Suisse

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A Heineken não é a cerveja mais vendida no Brasil, mas a preferida do consumidor. Essa é uma das constatações de uma pesquisa realizada pelo Credit Suisse, denominada “Um gole de cerveja: entendendo as preferências do consumidor”, e que apontou outras tendências, como a Budweiser ser a segunda opção quando o cervejeiro não tem à disposição a sua marca preferida, além da opção prioritária pelas garrafas.

Na pesquisa, o Credit Suisse ouviu 800 consumidores de bebidas alcoólicas de todo o Brasil em 23 de novembro, em parceria com o Gerson Lehrman Group, uma consultoria norte-americana. O banco de investimentos destaca que a amostra representa a população do Brasil em termos de idade, sexo e região, mas não em nível de renda e educação, o que pode provocar algumas discrepâncias no estudo.

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Esse contraste pode explicar por que a Heineken foi apontada como a cerveja mais consumida – 22%, contra 17% da Brahma e 16% da Skol, considerada a mais vendida no país, segundo outras pesquisas. “Acreditamos que a diferença é explicada em grande parte pelo melhor rendimento do perfil dos entrevistados em relação ao Brasil, notadamente evidenciado por um nível de educação superior da amostra”, justificou o Credit Suisse.

Além disso, a Heineken é considerada a cerveja preferida por 28% dos entrevistados, contra 13% da Skol, 12% da Brahma, 11% da Budweiser e 8% da Brahma Duplo Malte. Na avaliação do Credit Suisse, a diferença de 6% entre cerveja preferida e consumida pode ser explicada por falta de “estoque e preços elevados, que foram os dois principais problemas recentemente citados pelos donos de bares”.

A Budweiser é a segunda escolha quando os consumidores não conseguem encontrar a cerveja que bebem com mais frequência, de acordo com 24% dos consumidores, seguida pela Stella Artois, com 13%. A relação é completada por Brahma Duplo Malte, Skol e Brahma, “o que mostra a amplitude do portfólio da empresa (Ambev), mas também sugere que a Heineken permanece altamente dependente de uma única (embora bem-sucedida) marca”, destaca o relatório, em um aspecto relevante da disputa pelo mercado entre os dois grupos cervejeiros.

Já o sabor é o fator mais importante considerado na escolha de uma cerveja para beber – 88% –, seguido por preço e tipo (puro malte) – 54%. Os consumidores também preferem beber cerveja em garrafas de vidro – 47% a 39% na comparação com as latas. O sabor é o principal fator citado para a escolha pelas garrafas – 54% -, enquanto a preferência pela lata se dá pela possibilidade de diferentes formatos – 58%.

Efeitos da pandemia
De acordo com a pesquisa, mais pessoas estão bebendo cerveja com menos frequência do que antes do começo da pandemia do coronavírus. No maior grupo de consumidores, 37% bebem cerveja duas ou três vezes por semana – antes, eram 44%.

Os gastos com cerveja não sofreram alteração relevante por causa da pandemia com a maior parcela dos pesquisados – 34% – gastando entre R$ 26 e R$ 50 por semana. Mas 42% dos consumidores afirmaram que bebem cervejas mais baratas agora.  

A pesquisa também apontou que a volta aos bares é uma questão de tempo – e de vacinação. Se antes da pandemia 87% dos entrevistados afirmaram que costumavam consumir cerveja nos estabelecimentos, agora 89% disseram que desejam voltar aos bares quando a vacina contra a Covid-19 se tornar amplamente disponível.

E em um dos efeitos mais falados da pandemia, 18% dos entrevistados tiveram dificuldade para encontrar cerveja no momento da compra, especialmente em garrafas de vidro – 40%.

Menu Degustação: Parceria da Berggren com a Bräu Akademie, loja da Latido…

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A primeira semana de fevereiro foi recheada de ações das cervejarias. Com foco no conhecimento, o laboratório da cervejaria Berggren será utilizado para ministrar cursos em parceria com a renomada Bräu Akademie. Também de olho na capacitação, a Ball oferece cursos gratuitos e exclusivos para mulheres na sua indústria em Frutal (MG).

Entre as novidades das cervejarias artesanais, a Berliner Weisse da Landel agora também está disponível em lata. E a Latido Ale House criou o seu comércio digital, a Loja LAH.

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Confira abaixo estas e outras novidades da semana do setor cervejeiro:

Berggren e Bräu Akademie
A cervejaria Berggren, de Nova Odessa (SP), e a escola cervejeira Bräu Akademie se uniram para ministrar cursos sobre o universo cervejeiro. As aulas poderão ser feitas nos formatos online e presencial, acontecendo no laboratório da cervejaria, batizado de Núcleo Oscar Berggren de Estudos Cervejeiros. “Sempre tive o sonho de transformar o laboratório da Berggren em um espaço de cursos e treinamentos voltados à cultura cervejeira”, conta Robson Vergílio, CEO da Berggren.

Curso para mulheres
A Ball Corporation, líder mundial em embalagens sustentáveis de alumínio, em parceria com o Senai, abriu 50 vagas para cursos de formação técnica exclusivos para mulheres, em Frutal (MG). São duas turmas com os temas Operadoras de Máquina CNC e Controle de Qualidade. Os cursos são gratuitos, com 180 horas de duração. As inscrições devem ser feitas entre segunda e quarta-feira, através do link. “Diversidade é um imperativo para o nosso negócio e almejamos investir fortemente no desenvolvimento de talentos femininos, principalmente nas áreas técnicas, como já fazemos em outras fábricas pelo Brasil”, explica Suellen Moraes, gerente de diversidade e inclusão da Ball Embalagens para bebidas na América do Sul.

E-commerce da Latido
A Latido Ale House lançou seu e-commerce, a Loja LAH, que terá entrega em todo o Brasil e pagamento em 3 vezes sem juros. Para os clientes do Rio de Janeiro e Niterói, o frete é grátis. A loja disponibiliza packs de 6, 12, 18 ou 24 latas e acessórios exclusivos divididos entre a Coleção LAH e a linha Glassware. O comercial digital pode ser acessado através do link. “É fundamental para a Latido Ale House estar próxima do público cervejeiro, estabelecer uma comunicação constante, e com a pandemia o caminho natural foi desenvolver a Loja LAH”, detalha Fernando Rocha, cervejeiro e sommelier da Latido Ale House.

Trainee da CBCA
A Companhia Brasileira de Cerveja Artesanal (CBCA), empresa com sedes em Piracicaba (SP) e Pomerode (SC), está com inscrições abertas para o seu programa de trainees. Ao todo, serão disponibilizadas cinco vagas para a unidade de Piracicaba, distribuídas entre as seguintes áreas: comercial, operações, produção e financeiro. Para participar, os interessados devem ter graduação concluída entre 2019 e 2020, nos cursos de Administração, Contabilidade, Matemática Financeira ou Engenharias. As inscrições vão até 14 de março e podem ser feitas através do link.

Lata da Landel
A cervejaria Landel passou a disponibilizar a sua Berliner Weisse também em latas de 473 ml. O rótulo foi criado no ano passado para ser servido nas torneiras da sua tap house. Ela possui 4,7% de graduação alcoólica, cor amarelo palha e acidez médio-alta. As notas de fermentação láctea, devido ao processo de kettle souring, conferem um toque especial de frutas amarelas, como abacaxi. Disponível para compra pelo e-commerce (com entrega em Campinas e São Paulo), nos aplicativos e diretamente na tap house.

Loba repaginada
A Cervejaria Loba, de Santana dos Montes (MG), aproveitou os meses de pandemia para elaborar novas estratégias de marketing. A primeira é a mudança visual dos rótulos. As receitas das cervejas seguem inalteradas, sendo elas: Lager, Weiss, Pale Ale, American IPA, Delatora, Vienna Lager, Strong Scotch Ale, Berry Saison e Belezzz (cerveja feita para o humorista Ceguinho). “Buscamos com essas mudanças de rótulo mostrar uma Loba mais moderna, uma comunicação com nosso público final mais clara, direta e objetiva”, aponta Karine Nunes, responsável pela publicidade da empresa.

Ação da Lohn
Uma ação solidária promovida pela Lohn Bier e pelo Bistek Supermercados vai repassar um cheque no valor de R$ 7.207 para a instituição Bairro da Juventude. O valor é resultado da iniciativa que destinou parte do lucro com a venda de 7.458 garrafas da Cerveja Social à instituição que atende gratuitamente cerca de 1,5 mil famílias no período do contraturno escolar. “Queremos fazer a nossa parte para ajudar a vida de outras pessoas”, afirma Tatiani Felisbino Brighenti, diretora de marketing da Lohn Bier.

Nacional na Zona Leste
A Cervejaria Nacional está com uma nova unidade de delivery e take away no Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo. O raio de entrega atinge até 7km e alcança bairros próximos como Anália Franco, Mooca, Brás, Vila Carrão e Vila Prudente, entre outros. Moradores da região podem se refrescar com os chopes clássicos em pet growlers de 1l.

Noi em Belo Horizonte
A Cervejaria Noi está chegando em Belo Horizonte através do Grupo Super Nosso. Hoje, o portfólio da marca de Niterói possui 19 rótulos, sendo 13 de linha e seis sazonais. Neste primeiro momento, os clientes do Super Nosso terão disponíveis as cervejas Amara (Imperial IPA), Avena (Belgian Pale Ale), Oro (Pilsen Premium), Fiorella (India Pale Ale), Noi LowCarb (Pilsen), Nera (Schwarzbier), Rossa (Irish Red Ale) e Sicilia (Witbier). “Estarmos no Super Nosso reforça nosso posicionamento de termos a Noi em pontos de venda frequentados não só pelo grande público, mas também por cervejeiros com mais experiência”, explica Bianca Buzin, diretora da Noi.