Início Site Página 223

Cervejeiro caseiro é branco, pós-graduado e prefere IPAs, aponta censo da Acerva

10

Engenheiro pós-graduado, homem, branco, de meia idade, classe média-alta e que produz IPA apenas para consumo próprio. Esse é o perfil do cervejeiro caseiro brasileiro, revelado pelo censo 2019/2020 da Associação dos Cervejeiros Artesanais (Acerva), demonstrando que a cerveja nacional ainda tem um longo caminho a evoluir até atingir uma maturação que envolva um grau maior e necessário de diversidade e democratização.

Realizado entre abril e maio de 2020, o levantamento teve respostas de 872 dos cerca de 6 mil filiados às Acervas estaduais e permite traçar um perfil comportamental e demográfico de quem faz cerveja em casa no Brasil.

Leia também – Slow Brew é adiado em 2020 e terá dois dias em dezembro de 2021

Olhando para o aspecto demográfico do censo da associação, a grande maioria é de homens: 93%, contra 7% de mulheres. Quase metade (45%) estão na faixa entre 30 e 39 anos, e outros 35% têm entre 40 e 49 anos – totalizando uma maioria de 80% dos cervejeiros caseiros entre 30 e 50 anos. Os jovens, entre 22 e 29 anos, são apenas 6%, e os da terceira idade, acima de 60 anos, somam 3%. Quanto à cor, 73% se declaram brancos, enquanto 17% são pardos e apenas 3% são negros.

Se considerados os dados de escolaridade, é possível afirmar que a cerveja caseira é uma atividade que interessa principalmente aos homens que têm formação universitária: 49% dos respondentes têm pós-graduação, mestrado ou doutorado – enquanto apenas 15% não possuem ensino superior completo.

Dentre os que fizeram curso superior, a maioria tem sua formação em áreas que sugerem alguma familiaridade com processos produtivos, como engenharia (21%), ciências exatas (20%), ciências biológicas, agrárias e área da saúde (15%). No entanto, há um equilíbrio – e os demais 39% são formados em ciências humanas, sociais, artes, línguas e outras carreiras.

É possível observar, também, uma concentração entre pessoas de classes média e alta. Do total de respondentes, 26% declararam renda entre 3 e 5 salários mínimos (R$ 3.135 a R$ 5.225), enquanto 35% ganham entre 6 e 10 salários mínimos (R$ 6.270 a R$ 10.450). Outros 32%, por sua vez, têm renda maior do que isso.

Produção e consumo
De acordo com o censo da Acerva, o cervejeiro caseiro brasileiro está dividido quanto à intenção de se profissionalizar: 53% não pretendem abrir uma cervejaria, 34% têm essa intenção e 13% já possuem sua cervejaria, seja com fábrica própria ou cigana.

A produção do cervejeiro caseiro comum é de uma brassagem mensal (70%) pequena, destinada principalmente ao consumo próprio: 14% fazem menos de 20 litros, 33% entre 20 e 40 litros, enquanto outros 13% produzem entre 40 e 100 litros – apenas 5% fabricam mais de 200 litros por mês.

As lupuladas receitas de IPAs, feitas por 66%, e de APAs, executadas por 57%, são as mais populares entre os cervejeiros caseiros, seguidas pelas Belgian Ales (25%), American Porter e Stout (21%).

Já o gasto anual com insumos de 75% dos cervejeiros caseiros fica entre R$ 500 e R$ 5.000, enquanto aproximadamente 10% despendem mais do que isso, segundo o censo da Acerva. Somam-se aos custos os equipamentos, que totalizam menos de R$ 2.000 anuais para aproximadamente 80% dos respondentes, sendo que 27% gastam menos de R$ 500 – e outros 28% ficam entre R$ 500 e R$ 1.000.

Com cerveja própria para consumir em casa, as saídas para beber fora de casa não são uma atividade essencial para a maioria, que considera os gastos com sua própria cerveja maiores do que o gasto comprando cerveja. Do total de respondentes, assim, 5% afirmam não sair para consumir fora de casa, enquanto 35% costumam sair menos de uma vez por semana, outros 18% saem uma vez e 28% saem duas vezes. Sair três vezes ou mais é costume para 14% deles. E o gasto a cada saída é de, no máximo, R$ 120 para 80% dos respondentes.

Grupo Petrópolis aposta em “preço que o consumidor aceita” para ser competitivo

0

Em meio a uma crise que levou o Produto Interno Bruto brasileiro a desacelerar 9,7% no segundo trimestre de 2020, o Grupo Petrópolis chamou a atenção ao inaugurar a maior das suas fábricas de cerveja. Foi em Uberaba, no interior mineiro, no fim de agosto, em uma ação que pode ser considerada ousada, seja pelo contexto de dificuldades para a economia nacional ou mesmo para a própria empresa. Uma postura que foi abordada pelo Guia na entrevista exclusiva com Diego Gomes, diretor industrial e mestre-cervejeiro da companhia.

O Grupo Petrópolis, afinal, se vê pressionado pela disputa que tem se tornado mais acirrada entre as multinacionais Ambev e Heineken pelo mercado brasileiro. Além disso, as dificuldades econômicas do país e o cenário desafiante para ampliação da presença no setor se somam aos problemas enfrentados pela empresa, que em 2019 teve o seu fundador, Walter Faria, preso.

Apesar disso, o Grupo Petrópolis optou por colocar em atividade a planta industrial em Uberaba, até por enxergar o mercado mineiro como fundamental para ampliar a sua presença no país. No estado, afinal, tem participação de apenas 9% no mercado, o que espera ampliar para ao menos a sua média nacional – 14,5% -, algo que pode ser alcançado pela produção regionalizada.

Para isso também – e não só em Minas Gerais – a companhia vai apostar em preços competitivos e na escolha mais acertada dos pontos de venda. O Grupo Petrópolis, que optou por não comentar sobre o dano à imagem provocado pelas acusações de corrupção envolvendo o seu fundador, após ser questionado pelo Guia nesta entrevista, também garante estar atento às mudanças no mercado provocadas pela crise do coronavírus, sendo a maior delas o aumento do consumo de cervejas em lata.

Leia também – Grupo Petrópolis investe R$ 40 milhões para auxiliar retomada de bares

As movimentações do Grupo Petrópolis, seus planos, visão do mercado e tendências foram alguns dos temas abordados na entrevista com Diego Gomes, diretor industrial e mestre-cervejeiro da empresa. Confira.

Qual é o peso da fábrica de Uberaba na produção cervejeira do Grupo Petrópolis? Qual a capacidade produtiva dela e a quanto chega a capacidade da empresa com a operação dessa nova fábrica?
A nossa nova cervejaria tem capacidade produtiva superior a 8,6 milhões de hectolitros de cerveja por ano – ou seja, são 860 milhões de litros de cerveja anualmente. São mais de 108 mil m² de área construída e números que a colocam entre as maiores do país, com certeza. É uma fábrica moderna, mas com um toque artesanal, capaz de produzir todos os estilos de cerveja possíveis, e isso será fundamental para o nosso crescimento, não só em Minas Gerais, mas em diversas outras regiões.  Nossa capacidade produtiva ganha um fôlego para seguir conquistando o mercado.

A fábrica em Uberaba é a primeira do Grupo Petrópolis em Minas Gerais e, imagino, facilitará o escoamento da produção dentro do estado. Qual é a importância de Minas Gerais para empresa e o impacto que essa inauguração terá? Há expectativa e metas de crescimento dentro do mercado mineiro?
Atualmente, Minas Gerais consome 14% de toda cerveja produzida no país. É, sem dúvida, uma região muito importante para o setor. Aliado a isso, Uberaba possui uma excelente posição geográfica com uma malha viária que facilita o escoamento para todo o Brasil. Outros pontos fundamentais foram o terreno com topografia adequada, o apoio irrestrito da prefeitura e a qualidade e abundância da água. Já temos, atualmente, mais de 9% de participação de mercado no estado e o grupo está presente em quase 650 municípios. Nosso objetivo é chegar, na região, aos 14,5% – que hoje é nosso share nacional. Temos um bom desafio pela frente, mas estamos mais do que preparados.

Haverá um foco específico na produção da indústria de Uberaba ou ela produzirá todos os rótulos do grupo? Isso inclui marcas artesanais, como Brassaria Ampolis e Black Princess?
A fábrica de Uberaba tem condições de produzir qualquer estilo de cerveja. O que determina o tipo e o rótulo que será produzido é, claro, o volume de vendas. As brassagens em Uberaba são de cerca de 110 mil litros, por exemplo. Inicialmente vamos produzir parte das nossas premium como Petra, Cacildis e Itaipava Premium, que são um sucesso de vendas e têm um volume condizente com nossa produção. Mas também teremos as mainstreams do mesmo estilo: Crystal, Lokal e Itaipava.

As obras da fábrica se iniciaram em meados de 2019, mas a sua inauguração ocorre em um momento de crise econômica, com recuo do PIB de quase 10% no último trimestre. Como isso impacta no grupo? Houve alguma mudança de planos por conta disso?
A crise econômica gerada pela pandemia, claro, também trouxe impacto ao setor cervejeiro. De início, em março e abril, os volumes caíram significativamente, mas depois voltaram a patamares de volume em uma margem próxima ao pré-covid. Uma questão interessante ainda está no reflexo do perfil de consumo, com vendas aquecidas nas embalagens descartáveis de alumínio. Mas, para nós, a razão para construir e continuar com as obras de Uberaba foi acreditar que essa crise irá passar e a nossa necessidade de ampliar a capacidade produtiva se mantém. Mesmo com a crise e uma retração do mercado, precisamos entregar mais nossos produtos nos PDVs para seguir o ritmo de crescimento.

Falando um pouco mais diretamente sobre comportamentos do consumidor, vemos que o consumo tem se concentrado mais nas residências em função da pandemia. Isso muda estratégias da cervejaria para atender essas alterações de comportamento? Se sim, quais?
O que se percebe é um crescimento acentuado de vendas em lata, com o maior consumo de bebidas em casa. Claro, ainda é incerto apostar que isso vai se manter com o processo de reabertura dos bares e restaurantes em algumas regiões. Mas, mesmo nesse cenário, conseguimos um bom desempenho. A Itaipava se manteve como líder de consumo nos lares do Nordeste, por exemplo, com 28,7%.

Importante também dizer que a crise – no entanto – não revolucionou o padrão de compra. O consumidor tem em mente um leque de marcas de sua preferência e, dentro desse grupo, ele leva em consideração a relação do melhor custo x benefício.  Mas, voltando a questão do perfil de consumo, a Petrópolis conseguiu atender bem a esse crescimento da venda de latas, adaptando o seu portfólio e alinhamento na linha de envase.

Além da crise sanitária e econômica no país, há também, nesse momento, a alta do dólar, que afeta o setor cervejeiro. Quais impactos já foram sentidos pelo Grupo Petrópolis? E como lidar com eles?
A desvalorização de nossa moeda trouxe, claro, mais um desafio ao setor cervejeiro nacional, que é ainda muito dependente de insumos importados e matéria-prima lastreada em dólar. A subida da moeda norte-americana agregou ainda mais ao já desafiador ano de 2020, mas estamos nos adaptando a essa pressão maior dos custos com uma operação mais efetiva e enxuta, e alinhando as readequações de margens, por exemplo. Ainda é cedo para termos os detalhes ou termos consolidadas respostas para essas questões, mas estamos acompanhando tudo de perto e os possíveis impactos no curto e médio prazo.

Atualmente se vê uma intensa disputa entre as duas principais concorrentes do Grupo Petrópolis no setor cervejeiro. Como se posicionar e mostrar a relevância de uma empresa que, inclusive, é a principal com composição 100% nacional nesse mercado?
Vamos seguir com a receita que fez do grupo a empresa que mais cresceu organicamente na última década: produto de excelência, no ponto de venda certo e com preço que o consumidor aceita pagar. Concorrência é bom pois faz com que nosso nível de competitividade e competência sejam cada vez maiores. E estamos prontos. O investimento em mais uma fábrica só reafirma isso: acreditamos no Brasil, em nosso potencial enquanto empresa de excelência e seguiremos crescendo.

Recentemente, o Grupo Petrópolis perdeu uma de suas figuras mais emblemáticas, o Roland Reis. Quais foram os principais aprendizados para você que ele deixa? Quais são os desafios e como é seguir sem ele?
Falar do senhor Reis para mim tem dois extremos. O primeiro é o vazio no peito de sua ausência, preenchido em seguida por uma alegria transbordante pela satisfação de ter estado ao lado de alguém que me adotou como filho e me ensinou não apenas como se faz cerveja, mas também com quais lentes um homem proposto a deixar um legado deve encarar o mundo. O Mestre dos Mestres, como nós o chamávamos, foi responsável pela formação de mais de 80% dos cervejeiros do grupo, e nos deixou o maior legado de sua vida: a luta e o amor pela cerveja. O desafio de seguir sem ele é ter que conviver com a saudade de sua ausência. Em todo resto, meu mestre pensou. Sendo assim, sua crença e sua jornada serão eternizadas.

Science of Beer cria pesquisa para traçar mapa da ciência cervejeira no país; Participe

0

O Science of Beer acaba de anunciar uma importante iniciativa para o mercado cervejeiro no Brasil. Para organizar um projeto de mapeamento da cena da ciência no setor, a instituição irá realizar o 1º Mapa da Ciência e Pesquisa Cervejeira no Brasil, um estudo com o objetivo de conhecer e reunir pesquisadores, laboratórios e interessados em produzir estudos no segmento.

Leia também – Crescimento na devastação da Amazônia deixa cerveja da Colorado 45,9% mais cara

“Queremos mostrar como a ciência está no copo, no líquido e em cada matéria-prima da cerveja. Conhecer melhor cada ingrediente, etapa do processo, cadeia produtiva e tecnologias é essencial para termos cervejas melhores e processos mais eficientes”, destaca Amanda Reitenbach, CEO do Science of Beer, detalhando a importância da pesquisa para o mercado nacional.

Além de traçar um importante retrato da área científica cervejeira do país, segundo acrescenta Amanda, o estudo será fundamental para abrir espaço e discutir novos caminhos para financiamentos de pesquisas sobre cerveja no Brasil.

O mapeamento ocorrerá de modo contínuo, ou seja, não há um prazo para que os interessados preencham o formulário. A ideia é criar um canal para que pesquisadores possam discutir os caminhos para evoluir a ciência cervejeira no país, além de divulgar as pesquisas e projetos realizados e aproximar o público geral da ciência, segundo descreve o Science of Beer.

Para participar do mapa da ciência e pesquisa cervejeira no Brasil, pesquisadores, cientistas e acadêmicos que estão desenvolvendo algum projeto cientifico cervejeiro podem acessar o formulário de pesquisa e preencher seus dados.

O Science of Beer relata, ainda, possuir um grupo de WhatsApp destinado especificamente para trocas científicas entre pesquisadores iniciantes e seniors. Ao preencher o formulário, o pesquisador pode indicar se deseja participar do grupo.

Acesse o formulário aqui e participe da importante pesquisa criada pelo Science of Beer.

Gigante das embalagens, Verallia diversifica e auxilia comunicação de artesanais

0

Parceria, comunicação e diversificação das tarefas são três características importantes para o êxito de quem empreende no segmento de cervejas artesanais. A atuação ao lado de outras marcas é mais clara quando se vê os rótulos colaborativos, aqueles em que mais de uma empresa contribui, seja com a participação na definição da receita ou mesmo na sua produção. Mas esse não é o único exemplo de trabalho cooperativo, algo importante para a evolução do setor.

As parcerias também podem englobar fornecedores em diferentes funções da indústria, com empresas que cada vez mais se tornam multitarefas e precisam se preocupar com a comunicação, algo fundamental para atingir um público maior, pois o setor e o consumo de seus produtos ainda estão bastante concentrados em nichos.

Leia também – Linha da Verallia une sustentabilidade com praticidade e reduz emissão de CO2

E um exemplo de atuação focada em ampliar o público é um trabalho desenvolvido pela Verallia. Uma das maiores produtoras globais de embalagens para alimentos e bebidas, a empresa conta com o seu variado portfólio de garrafas à disposição das cervejarias artesanais. Mas não resume o seu trabalho ao fornecimento dessas opções, também contribuindo para a comunicação dos seus parceiros.

“O objetivo da Verallia é estabelecer, sempre, uma parceria ativa, seja com as pequenas cervejarias artesanais, seja com as grandes indústrias, participando do seu dia-a-dia e ajudando no desenvolvimento e na consolidação de seus negócios”, afirma a empresa de embalagens.

Para isso, a multinacional criou o Verallia & Você, um programa em que fornece uma estrutura de comunicação para as cervejarias com o intuito de atuar na divulgação dos produtos em plataformas digitais, seja em eventos ou mesmo com publicações em veículos de imprensa, dos mais tradicionais aos segmentados.

A empresa já desenvolve esse tipo de trabalho para diferentes artesanais com as quais atua no fornecimento de embalagens, casos da Cozalinda, da Heusch e da Colombina. Elas têm acesso gratuito ao programa de comunicação, que também inclui divulgação nas redes sociais que podem atingir até 25 mil pessoas, além da promoção de ações com influenciadores digitais.

“A Verallia quer crescer junto com os seus clientes. Queremos ajudar a desenvolver o mercado nacional de cerveja, criando oportunidades para que os produtores, especialmente as cervejarias artesanais, possam conversar diretamente com o consumidor final”, explica Catarina Peres, supervisora de marketing da Verallia.

Com três fábricas no Brasil – em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo -, a empresa disponibiliza outros serviços, preocupada em atender os seus clientes. São eles: o My Verallia, com atendimento personalizado, o Virtual Glass, que dá a possibilidade de testar seus projetos nas embalagens da cervejaria, e o Dia da Criação, em que o desenvolvimento dá embalagem ocorre em parceria.

Confira os serviços oferecidos pela Verallia para cervejarias:

Verallia & Você – Esse serviço é gratuito. Para participar, ter os lançamentos, produtos envasados em garrafas, eventos, premiações e outras notícias das cervejarias divulgados nos canais de comunicação da Verallia, só é preciso entrar em contato pelo e-mail verallia.br.marketing@verallia.com, fornecendo informações básicas do que quer divulgar. Assim que for recebido, a empresa entrará em contato para finalizar os detalhes. O conteúdo produzido, antes da divulgação, será aprovado pelo cliente.


Virtual Glass – É uma ferramenta desenvolvida pela Verallia que permite aos clientes, produtores e envasadores de bebidas e alimentos imaginar, criar, testar e compartilhar projetos de embalagem. É possível selecionar uma garrafa ou pote, escolher cor, conteúdo, tampa e inserir rótulos visualizando o resultado em 3D, sob diversos ângulos e em cenários de ambientes reais. É uma forma eficaz de testar o produto, ganhando a confiança para apresentá-lo ao consumidor e ainda criar materiais de comunicação com imagens em ótima resolução.


My Verallia – Simples de usar, rápida e inovadora. É uma plataforma especialmente desenvolvida para atender de forma personalizada os clientes da Verallia. O portal é, além de um canal de compras, um ambiente multifuncional que reúne, em um único espaço, serviços que o cliente precisa, ampliando o relacionamento e tornando mais fácil a comunicação. Com o MyVerallia, o cliente passa a ter a autogestão dos processos, com informação, em um ambiente personalizado.


Dia da Criação – É uma ação inovadora em que o cliente, juntamente com os profissionais da Verallia, trabalha no desenvolvimento e/ou transformação de uma embalagem de vidro para seu produto. Cada projeto é discutido, estudado e posto em prática buscando atender às expectativas e às necessidades do produtor. Assim, o processo de criação parte do briefing do cliente até chegar ao desenho definitivo do produto, o molde e a produção. Elementos como decoração e pintura também fazem parte desta ação.


ESCM oferece webinar gratuito e abre inscrições para curso sobre fermentação

0

A Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) vai realizar nesta quinta-feira mais uma edição do webinar Conexão ESCM. O evento faz parte das estratégias adotadas pela instituição de ensino para se adequar ao cenário ocasionado pela pandemia da Covid-19. No mês passado, inclusive, a escola anunciou a ampliação da oferta de cursos concentrados com aulas à distância.

Leia também – Com parceria, ESCM expande atuação e oferece cursos online em Portugal

O webinar Conexão ESCM é gratuito e terá especialistas compartilhando conhecimento por três horas. Gabriela Mueller, doutora em bioquímica e PhD em Biotecnologia e Biociências pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), vai abrir o evento abordando o tema microbiologia.

André Dias, mestre em Ciência e Tecnologia de Alimentos pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), dará sequência ao encontro falando sobre o desenho sanitário de equipamentos para cervejarias.

Já o diretor da ESCM, Carlo Bressiani, PhD em finanças pela Universitat Ramon Llull, na Espanha, fechará a programação com uma apresentação com informações sobre tendências para o mercado cervejeiro após a crise do coronavírus. O webinar está previsto para ser realizado das 19h às 22h, com a inscrições devendo ser feitas no link.

Curso sobre fermentação
A ESCM também abriu as inscrições para o curso de formação específica em fermentação. Ele é o primeiro dos quatro novos cursos concentrados que passaram a ser oferecidos pela instituição com aulas à distância.

Os conteúdos serão ministrados por Ligia Marcondes Rodrigues dos Santos, professora formada em Química que acumula experiências em empresas como a Ambev, no Centro de Tecnologia de Alimentos e Bebidas do Senai do Rio de Janeiro e em projetos internacionais no Peru, Colômbia e Panamá. Os alunos terão 20 horas de aulas à distância, que vão ocorrer de 28 de setembro a 2 de outubro.

Entre o conteúdo oferecido estará a história da fermentação, controles de processos, parâmetros, armazenamento de fermento, on e off flavors e processo de maturação.

Além do curso de fermentação de cervejas, os interessados poderão escolher entre as novas opções em gestão financeira para cervejarias, análise sensorial avançada e controle de qualidade. Ainda serão ofertadas as tradicionais capacitações do catálogo da escola.

Slow Brew é adiado em 2020 e terá dois dias em dezembro de 2021

0

Apontado como um dos principais festivais cervejeiros do Brasil, o Slow Brew é mais um evento que não será realizado em 2020 por causa da pandemia do coronavírus. A festa já havia sido adiada uma vez, para 20 de dezembro, em função da crise sanitária, mas agora a sua realização precisou ser descartada neste ano e transferida para 2021, como anunciado pelos seus organizadores nesta segunda-feira.

Leia também – Covid-19: São Paulo Oktoberfest é adiada para setembro de 2021

“Mesmo já existindo protocolos sanitários elaborados pelas mesmas instituições, ainda não temos menção de liberação para os próximos 90 dias. Aguardamos até onde foi possível por uma melhora no cenário sem comprometimento das etapas executórias de nosso evento junto a cervejarias e fornecedores”, afirmaram os organizadores.

“Concluímos que o momento ainda requer maiores cuidados, e que o melhor que podemos fazer e a única opção disponível é aguardarmos mais um pouquinho este nosso encontro”, acrescentaram no site oficial do evento.

Como forma de compensar a ausência do Slow Brew no calendário de 2020, os seus responsáveis já começaram a pensar na edição 2021. E definiram que a festa terá dois dias no próximo ano, em 3 e 4 de dezembro. Já o local de realização será o mesmo, o Centro de Eventos Pro Magno, na Avenida Professora Ida Kolb, nº 513, em São Paulo.

Os organizadores também determinaram que os ingressos adquiridos para o Slow Brew de 2020 passam a valer automaticamente para a segunda noite da festa em 2021. Além disso, os compradores dessas entradas terão desconto na aquisição dos bilhetes para o primeiro dia do evento no próximo ano.

Quem tiver adquirido ingressos para a festa de 2020 e não puder comparecer no próximo ano, deve pedir o reembolso pelo e-mail ingresso@slowbrew.com.br até 27 de novembro de 2021. A organização do Slow Brew lembra, porém, que a devolução do dinheiro não será imediata, seguindo a política da Lei 14.046 de 24 de agosto de 2020.

“Precisamos alinhar expectativas: infelizmente o reembolso não é efetuado de forma imediata justamente por termos recursos aplicados em contratações que estão em andamento com diversos fornecedores, centro de eventos, pagamento de tributos, folha de pagamentos, etc. Necessitamos de um prazo que dentro do que a lei prevê e regula (12 meses a contar do fim da calamidade pública) é mais que suficiente para restituição de valor por quem escolher por este caminho”, explicam os organizadores.

A edição 2020 do Slow Brew previa a presença de 80 cervejarias, com mais de 400 rótulos, sendo que metade delas havia sido escolhida por meio de enquete realizada com os participantes das últimas edições do festival, além das marcas que tinham sido destaque em 2019, também de acordo com votação popular.

Balcão do Advogado: A LGPD e como ela afeta cervejarias e e-commerces

Balcão do Advogado: A LGPD e como ela afeta cervejarias e e-commerces

Uma pesquisa feita recentemente pela empresa norte-americana Akamai Technologies com mais de 400 companhias instaladas no Brasil apontou que 64% delas não estão em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

No mercado cervejeiro, onde a preocupação com a proteção de dados aparenta ser menor do que em outros setores, este percentual tende a ser muito maior.

Mas, afinal, o que é a LGPD?
A Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018) é um conjunto de normas que regula as atividades de tratamento, uso e armazenamento de dados pessoais. Ela é inspirada no Regulamento Geral de Proteção de Dados (GDPR, na sigla em inglês), que vigora desde 2018 na União Europeia.

Na prática, a LGPD oportuniza aos titulares (qualquer pessoa física) mais controle sobre seus dados pessoais e estabelece que as empresas devam ter mais responsabilidade e adotem práticas mais transparentes no armazenamento e no uso desses dados.

A LGPD qualifica o dado pessoal como qualquer informação que identifique ou possa identificar uma pessoa, conferindo ainda maior proteção ao dado pessoal classificado como sensível (informação sobre origem racial ou étnica, convicção religiosa, opinião política, filiação a sindicato ou a organização de caráter religioso, filosófico ou político, dado referente à saúde ou à vida sexual, dado genético ou biométrico).

A lei basicamente determina que os serviços só podem tratar dados pessoais através do enquadramento da atividade em uma das 10 bases legais previstas no artigo 7º, primando pela coleta de consentimento expresso do titular.

O que muda com a LGPD?
Antes da lei, as empresas utilizavam de forma indiscriminada dados pessoais obtidos por cadastros em plataforma própria ou por meio de captação de leads.

Com a implementação da LGPD, vigorará uma rígida regulamentação estabelecendo requisitos para o tratamento de dados pessoais, ou seja, sobre como e quando se poderá armazenar, processar e transferir esses dados.

A lei ainda determina que, se uma empresa desejar obter o consentimento do cliente para realizar tratamento dos seus dados pessoais, deverá adotar abordagem clara e transparente sobre esse intuito, evitando que a cláusula para o consentimento esteja nas entrelinhas ou ao final de textos longos, além de prever que a finalidade da utilização dos dados pessoais seja informada ao seu titular.

O descumprimento dos termos previstos na LGPD pode causar a proibição total ou parcial do tratamento de dados pela empresa, além da aplicação de multas que poderão chegar a até 2% do faturamento anual ou até mesmo ao montante de R$ 50 milhões, dependendo da gravidade da infração cometida. É importante esclarecer que as penalidades administrativas da LGPD só poderão ser aplicadas a partir de agosto de 2021, mas isso não afasta a possibilidade de os titulares buscarem indenização via judicial ou órgão de proteção ao consumidor.

É possível concluir que a LGPD, em um primeiro momento, apresenta-se como uma lei reputacional, sendo que as cervejarias que se adequarem mais rapidamente alcançarão um diferencial de mercado, pois além de afastarem eventuais penalidades, transmitirão aos seus clientes que realmente se preocupam com a integridade das suas informações pessoais.

Como as cervejarias devem se adequar à LGPD?
Primeiramente, é importante dizer que é fortemente recomendável a contratação de assessoria especializada para a implementação e adequação das mudanças necessárias para alcançar a conformidade à LGPD.

Com isso em mente, seguem algumas dicas de como começar o processo de adequação da sua cervejaria:

Conscientização: a cervejaria deve compreender a necessidade de resguardar os dados pessoais dos seus clientes, funcionários e fornecedores. É essencial também que seja fomentada entre os empregados, terceirizados e demais colaboradores a importância da privacidade de dados pessoais.

Contratos: é necessária a inclusão e adequação de cláusulas de privacidade específicas nos contratos da empresa, em atenção à responsabilidade subsidiária decorrente da LGPD. Para questões contratuais, recorra sempre a um advogado de confiança.

Apenas o que importa: é vital que a empresa evite coletar informações que não sejam extremamente necessárias para a sua atividade comercial. Coletar muito mais informações do que a cervejaria precisa amplia riscos de exposição a vazamentos e incidentes de segurança.

Transferência de dados: a LGPD estipula que a transferência de dados com terceiros seja realizada mediante consentimento do titular. Com isso, algumas práticas de compartilhamento de dados pessoais constantes de bases cadastrais da empresa deverão ser revisadas.

Transparência: uma das obrigações trazidas pela LGPD é a transparência. Portanto, é importante prestar informações claras e objetivas, sempre informando a razão pelo uso dos dados pessoais e as medidas de proteção e segurança adotadas para proteger os dados coletados e armazenados pela cervejaria.

Cookies: no site da cervejaria é necessário estabelecer novos termos de privacidade ou solicitar o consentimento para coletar informações como “cookies”, por exemplo, buscando garantir mais segurança e transparência às informações pessoais coletadas. Alguns sites exibem uma mensagem em seu rodapé sobre a utilização de cookies por meio de link para a página de política de privacidade. Essa é uma boa forma de deixar claro para os usuários que o site colhe cookies.

Newsletter: a LGPD estipula que o envio de mensagens ofertando serviços, vantagens e ofertas deverá ser realizado mediante autorização prévia e expressa do seu titular; com isso, é dever da cervejaria revisar o seu banco de dados com o objetivo de coletar a autorização dos titulares, a fim de oportunizar a continuidade da ferramenta.

E-commerces de cerveja: e-book
Tendo em vista a grande quantidade de cervejarias que aderiram à modalidade de venda de cerveja através de loja virtuais próprias (e-commerce de cerveja) durante a pandemia, desenvolvemos um e-book específico para as cervejarias entenderem como a LGPD afetará esse canal de vendas, para que procedam com as devidas adequações.

Baixe o e-book gratuitamente aqui: LGPD – GUIA PARA E-COMMERCES DE CERVEJA


André Lopes, sócio do escritório Lopes, Verdi & Távora Advogados, é criador do site Advogado Cervejeiro

Com vice-presidência digital, Heineken mira ser cerveja “mais conectada do mundo”

0

O Grupo Heineken anunciou a criação, no Brasil, da vice-presidência de Digital & Tecnologia. A ação é mais um passo da multinacional holandesa em seu processo de expansão global, com foco na transformação digital. O executivo Celso Bica, até então diretor de Tecnologia da Informação, muda de cargo e vai assumir a posição, dizendo querer transformar a marca na “cervejaria mais conectada do mundo”.

Leia também – Heineken sobe preço da cerveja no Brasil e aponta alta do dólar como justificativa

Para isso, Bica deverá liderar os planos de acelerar a transformação digital do Grupo Heineken no Brasil, buscando as melhores formas de capturar e acelerar todo o valor que a tecnologia, os dados e as suas análises podem trazer para consumidores, clientes e colaboradores, segundo descreve a companhia.

Na visão da Heineken, as transformações vistas nos segmentos digital e de tecnologia representam grandes oportunidades para a indústria de bebidas e para a empresa junto aos seus clientes e fornecedores, algo que foi acelerado na sociedade em diferentes setores por causa da crise do coronavírus, que indisponibilizou diversos canais de venda em função da adoção de medidas de isolamento social.

“Todos esperam uma experiência digital perfeita ao interagir com nossas marcas e nossa companhia. Esse movimento global, também realizado aqui no país, reforça a ambição de nos tornarmos a cervejaria mais conectada do mundo. Sou grato pela oportunidade de liderar essa transformação e esse time no Brasil”, destacou o novo vice-presidente digital da cervejaria.

Há um ano, Bica deu início à transformação tecnológica da empresa, buscando traduzir as necessidades e objetivos de negócio em processos e ferramentas modernas, de forma cada vez mais ágil – a Heineken, por exemplo, possui um aplicativo próprio para compras online.

Mais recentemente, motivada pela pandemia e em parceria com a startup Goomer, a companhia desenvolveu a criação de cardápios online para bares e restaurantes, que podem ser acessados através do WhatsApp.

Antes de atuar na Heineken, Bica acumulava experiências nas áreas de tecnologia da informação, inovação e estratégia em grandes empresas do setor de consumo, como Unilever e Coty.

Balcão Beersenses: Temos que discutir o indiscutível e desenhar com maçãs

Rodrigo Sena Beersenses

Balcão Beersenses: Temos que discutir o indiscutível e desenhar com maçãs

Eu preferia estar escrevendo sobre cerveja, sobre estilos e harmonizações, sobre os bares e o mercado cervejeiro. Mas não há como deixar passar os recentes acontecimentos que expuseram toda a desigualdade da cultura cervejeira brasileira.

E sim, infelizmente, estamos perdendo o que temos de mais precioso para discutir um assunto que deveria ser indiscutível. Estamos dedicando nosso tempo e nossa energia sobre um problema que já foi equacionado na evolução humana.

Há pelo menos 200 anos a humanidade já descobriu que todas as pessoas são iguais, independentemente do gênero, da origem e da cor da pele. E, quando caiu a ficha dos poderosos que isso seria bom para a economia, as mudanças começaram a acontecer. Escravos foram libertos, mulheres ganharam poder e imigrantes foram aceitos.

Percebam que, quando essas questões foram colocadas em discussão novamente no mundo, no início do século 20, houve uma grande guerra, que fez com que praticamente 50 anos de evolução fossem perdidos. Portanto não sou eu que digo que é perda de tempo e de energia discutir o indiscutível, são os fatos.

E agora, em pleno século 21, somos submetidos à leitura de mensagens horrendas vindas de empresários, blogueiros, professores e profissionais gabaritados do mercado cervejeiro brasileiro, que se autointitulavam Cervejeiros Illuminati. Só para registrar, na Alemanha, em 1776, foi criada uma sociedade secreta que ficou conhecida como Illuminati, que pretendia difundir as ideias do iluminismo e ganhar importância política. E, nos dias de hoje, essas pessoas entenderam que seria muito bom inspirar suas ações em uma obscura sociedade secreta de 300 anos atrás. Compreensível, uma vez que os comentários divulgados revelam que essas pessoas possuem a mesma capacidade intelectual e cognitiva de um cidadão médio do século 18.

E, como esse grupo influenciou outras pessoas com esse pensamento, agora temos que dedicar esse tempo e essa energia para discutir esse assunto. Temos que desenhar com maçãs para essa gente entender que esse tipo de atitude não cabe mais no mundo atual. Mais um exemplo de perda de tempo e energia com isso é eu estar usando esse espaço nobre da mídia cervejeira para abordar esse tema. Mas, temos que fazer.

Então vamos desenhar com maçãs. Somos todos iguais. Somos pessoas com medos, anseios, alegrias e tristezas. Todos somos capazes de exercer todas as funções e todos precisam de reconhecimento e valorização financeira adequados. As pessoas podem fazer cerveja, as pessoas podem consumir cerveja, as pessoas podem estudar e falar sobre cerveja, independente da cor da sua pele, da sua orientação sexual ou do lugar que nasceram.

E se isso não faz parte dos valores individuais de algumas pessoas, que elas sejam sensibilizadas pelo bolso, que entendam que esse pensamento é importante para os negócios, que uma empresa que não pense assim está fadada ao fracasso. Ninguém (ou a grande maioria) quer consumir produtos e serviços de empresas racistas, machistas e homofóbicas. Esse é o mundo moderno, essa é a nova economia, esse é o século 21.

E se você ainda é daqueles que se acha muito superior por causa da sua raça, ou por causa do lugar onde você nasceu, recomendo que assista a um vídeo muito educativo.

Em 2016, a Momondo, um market place dinamarquês de hospedagens e passagens aéreas, produziu um vídeo bem didático mostrando que literalmente nós todos somos irmãos de raça. No vídeo é feito um rastreamento do DNA de diferentes pessoas com diferentes origens. Os resultados são impressionantes, vale a pena assistir. Espero que colabore com a formação da sua opinião sobre o assunto.

Rodrigo Sena é jornalista, sommelier certificado em tecnologia cervejeira com especialização em harmonizações e responsável pelo canal Beersenses

“Recebi muitos ‘nãos’ por ser mulher”, diz cervejeira da Goose Island

0

Os preconceitos estão presentes nos diferentes ambientes da sociedade, incluindo o das cervejas artesanais, como ficou exposto nas últimas semanas com a divulgação de publicações machistas e racistas de figuras relevantes do segmento. Logo, é de se esperar que o caminho de qualquer mulher no setor seja mais difícil. O que dizer então das que assumem funções “no chão de fábrica”? Foi sobre tais desafios que Marina Pascholati, cervejeira da Goose Island, falou ao Guia em live realizada nesta semana.

Confira na íntegra a live do Guia com Marina Pascholati

No “chão de fábrica”, um lugar predominantemente masculino, Marina conquistou seu espaço e se tornou um exemplo para inúmeras mulheres que sonham exercer uma das profissões mais complexas no ambiente cervejeiro. Embora com anos de experiência, ela ainda precisa superar o preconceito no cotidiano. “Infelizmente, o machismo está presente em todos os lugares”, lamenta Marina.

“Senti mais o machismo na pele quando estava procurando um emprego e recebi diversos ‘nãos’ por ser mulher. Mas, onde estou hoje, acabei escutando o oposto: ‘Temos excelentes funcionários mulheres e isso jamais seria um problema para a gente’”, acrescenta a cervejeira da Goose Island.

Leia também – Presidente da Abracerva prega serenidade e foco na diversidade durante transição

Formada em Engenharia Agrônomica e Tecnologia de Alimentos, Marina atua no setor desde 2014, quando começou sua trajetória ainda como estagiária. Isso ocorreu um ano após ter o primeiro contato com o universo cervejeiro, em uma viagem à Alemanha, em 2013, quando a diversidade e sabores dos rótulos locais conquistaram seu paladar e despertaram a curiosidade pela bebida.

Sua primeira experiência na produção industrial de uma cervejaria foi na Dortmund Beer, em Serra Negra (SP). Ainda como estagiária, Marina precisou substituir o cervejeiro da casa, que teve de se afastar da função. “Uma mudança muito brusca e uma grande oportunidade profissional”, relembra.

O desempenho no “desafio” foi um sucesso e, após o término do estágio, ela foi contratada pela empresa. “Toda experiência de fazer a cerveja em casa foi crucial para o momento”, conta ela.

Vá em frente
Em sua visão, é importante falar do machismo para se exigir um tratamento respeitoso às mulheres. Mas Marina também aponta que o preconceito sofrido serviu como combustível para que ela pudesse seguir em frente. “O lado positivo foi também estar cercada de pessoas maravilhosas.”

Às mulheres que se inspiram em Marina e que também pretendem trabalhar com produção das artesanais, mas que temem ser alvo de preconceitos, como o sexismo e o racismo, a cervejeira deu um recado bem direto.

“Vai em frente. Bem clichê. Se tiver medo, vai com medo mesmo. Não vou dizer que é fácil, mas é um caminho que vale a pena. Se é o seu sonho então não há o porquê de não ir atrás”, destaca a cervejeira da Goose Island.

Marina avalia que os movimentos recentes de resistência e luta por igualdade no setor têm feito os profissionais do setor cervejeiro se unirem mais, principalmente as mulheres. “Acho importante elas saberem que existe essa rede de apoio e que estamos disponíveis”, diz. “A minha forma de reagir [às situações desagradáveis no trabalho como o machismo] é tentar ir pela autorreflexão ou, dependendo do local e da situação, ir pelo lado do humor e fazer a pessoa ficar sem graça.”

A cervejeira da Goose Island diz não ser um exemplo para outras mulheres, mas reconhece ser vista assim por algumas colegas, embora mantenha os pés no chão. “O que faço hoje é minha obrigação e é muito bom saber que inspiro outras pessoas. O meio cervejeiro é muito íntimo, mas ao mesmo tempo é muito expansivo e não é fácil de trabalhar, mas depois que entra não sai, é um mundo sem volta”, conclui Marina.