A ação da Ambev voltou a acompanhar a alta do índice Bovespa em junho e teve valorização de 13,3% no mês encerrado na última terça-feira. Assim, ampliou a recuperação do seu valor de mercado, após enfrentar queda expressiva no primeiro quadrimestre de 2020. É um cenário bem semelhante ao do Ibovepa, que subiu 8,76% no semestre inicial do ano.
A ação ordinária da multinacional cervejeira fechou o pregão da última terça-feira com o preço de R$ 14,14, sendo que havia começado junho cotada a R$ 12,48. Apesar disso, a queda em 2020 continua sendo expressiva, pois o papel da Ambev havia terminado a R$ 18,67 em 2019. Com isso, a desvalorização neste ano está em 24,26%.
Na Bolsa de Valores de São Paulo, a Ambev acompanhou a recuperação do principal mercado nacional em junho, com o índice Bovespa atingindo o segundo mês de resultado positivo em 2020. Fechou o pregão da última terça-feira em 95.055,82 pontos, sendo que havia terminado maio com 87.402,59.
Continua, porém, sendo insuficiente para recuperar as expressivas perdas dos três primeiros meses do ano, pois o Ibovespa tinha encerrado 2019 com 115.645,34 pontos. Ou seja, mesmo com a recuperação de abril, maio e junho, a queda acumulada em 2020 está em 17,80%.
Isso ocorreu porque o primeiro trimestre foi o pior da história do Ibovespa. Assim, mesmo sendo seguido pelo melhor trimestre desde 2003, o saldo permanece consideravelmente negativo em 2020.
A virada do semestre se dá, porém, em um cenário de incerteza sobre as perspectivas para a economia global e também sobre a continuidade da pandemia do coronavírus, com o aumento de casos em países que iniciaram a reabertura das suas atividades e os riscos de uma segunda onda da doença, que já matou mais de 500 mil pessoas no mundo.
Além disso, há dúvidas sobre como a economia irá reagir, especialmente a produção industrial. E se vai haver demanda por consumo, lembrando que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, a PNAD, apontou que apenas 49,5% das pessoas com idade de trabalhar no Brasil estavam ocupadas no trimestre encerrado em maio.
No exterior Entre as principais cervejarias do mundo, o destaque foi para a alta da ação da Anheuser-Busch InBev – multinacional fruto da fusão da belga Interbrew com a Ambev – na Europa. O papel da AB-Inbev começou o mês custando 41,91 euros e encerrou junho com o valor de 43,87 euros. A valorização, portanto, foi de 4,68% nesse período.
Já a ação da Heineken fechou junho cotada a 82,06 euros. Como havia terminado maio valendo 82,48 euros, a queda foi de 0,51% no sexto mês de 2020.
Explorar o conceito de equidade social e como ele pode trazer benefícios para a sociedade e, mais especificamente, para o mercado cervejeiro. Esse é o tema central da live do Guia nesta quinta-feira, às 19 horas, no Instagram.
Para falar sobre esse assunto tão importante, a apresentadora e sommelière de cervejas Candy Nunes receberá a diretora educacional da Doemens Akademie na América Latina e Península Ibérica, Cilene Saorin.
Cilene é uma das maiores autoridades brasileiras sobre cerveja. Ela tem graduação como mestre-cervejeira pela Universidad Politécnica de Madrid, na Espanha, sendo sommelière de cervejas pela Doemens Akademie, na Alemanha. Com 28 anos de experiência no setor cervejeiro, já trabalhou para a Brahma, Petrópolis, Antarctica e Ambev no Brasil, além da empresa especializada em qualidade sensorial de cervejas FlavorActiV, na Inglaterra.
Ela também escreve sobre cervejas para veículos como Folha de S. Paulo, UOL e revistas internacionais como Brewing and Beverage Industry (Alemanha) e Brewers’ Guardian (Inglaterra). Além disso, produziu prefácios e textos de introdução para alguns livros importantes para a cultura cervejeira, como A Larousse da Cerveja (Ronaldo Morado, Brasil, 2009), Cerveja & Filosofia (compilado por Steven Hales, Estados Unidos, 2010), Vinhos versus Cervejas (Charles Bamforth, Estados Unidos, 2011), A Mesa do Mestre Cervejeiro (Garrett Oliver, Estados Unidos, 2012) e Radical Brewing (Randy Mosher, Estados Unidos, 2018).
Na live do Guia, Cilene vai debater com Candy como o conceito de equidade está diretamente ligado ao contexto social em que vivemos e a resistência da sociedade em refletir sobre esse assunto. “Com o advento da pandemia e dos novos comportamentos sociais, esse tema fica em voga e há uma grande importância em se entender o que é equidade, como ela pode ser aplicada e quais são os benefícios tanto do ponto de vista social como do ponto de vista econômico da absorção desse tema”, ressalta Candy.
Além disso, Cilene vai falar sobre os resultados de um estudo feito pelo departamento de equidade que existe na Brewers Association, a associação de cervejarias independentes dos Estados Unidos.
A live com Cilene Saorin acontece nesta quinta-feira, 2 de julho, às 19 horas, no perfil do instagram @guiadacervejabrasil.
Todas as semanas, em seu perfil no Instagram, o Guia leva ao ar lives com o objetivo de discutir temas relevantes e divulgar a cultura que cerca a cerveja, através de análises profundas sobre o que acontece nesse universo, sempre com convidados de diferentes áreas.
Na semana passada, a live do Guia recebeu a cantora e compositora Teresa Cristina, que falou sobre a relação entre samba, cerveja, mulher e Ogum.
Uma das mais respeitadas representantes da revolução da cena cervejeira paulistana, a Trilha começou sua trajetória em 2016 buscando a valorização do consumo local. Agora, em 2020, o ano em que tudo virou de cabeça para baixo, a cervejaria da zona oeste amplia os seus caminhos e passa a atender em todo o território nacional, entregando criações de alta complexidade e inventividade sempre frescas por meio de um delivery próprio.
Reconhecida pela ousadia, a cervejaria artesanal paulistana busca trabalhar com lotes pequenos. Além disso, utiliza produtos nacionais em suas receitas, como frutas, café e cacau, com preocupação especial para os aspectos sensoriais.
Foi assim que conquistou o reconhecimento do público cervejeiro de São Paulo com rótulos como a Melonrise, uma das primeiras Juicy IPAs nacionais e receita de estreia da marca, e a Pão de Mel, uma Pastry Stout. “Não pasteurizamos os nossos produtos e cuidamos da cadeia até o consumidor para garantir a melhor experiência no copo”, explica Daniel Bekeierman, que fundou a cervejaria ao lado de Beto Tempel, seu amigo de infância.
No link da loja virtual da Trilha você encontra informações sobre os clubes de assinatura, o sistema de entrega e as últimas novidades no menu de cervejas frescas da marca
“Somos uma cervejaria inventiva que não segue limitações de estilo e aposta no ingrediente local. Gostamos de usar em nossas receitas o que temos de melhor: frutas, café, cacau e tantos outros ingredientes que fazem qualquer gringo morrer de inveja”, acrescenta Bekeierman. “Nossos lotes são pequenos e estamos sempre lançando novidades em uma frequência semanal. Nossas cervejas estão sempre frescas, garantindo uma explosão sensorial.”
Além disso, a Trilha passou os últimos anos buscando fortalecer sua identificação com a cidade de São Paulo. “Aqui nos orgulhamos da pizza, das padarias, dos restaurantes, mas, quando o assunto é cerveja, existia um certo distanciamento que nos incomodava bastante”, detalha o sócio da cervejaria.
Delivery nacional No entanto, assim como aconteceu com a maioria das cervejarias de pequeno porte, a pandemia do coronavírus forçou a marca a mudar seus planos, desviando parte do foco do taproom em Perdizes para a criação e a consolidação de sua loja virtual.
O impulso inicial, aliás, já fora dado. Desde o final de 2018 a Trilha opera um clube de cervejas, o Trilha Barrel Aged, que seleciona e envia mensalmente rótulos da marca envelhecidos em barris de madeira a um número bastante limitado de assinantes. E foi com os clientes do clube que, em maio, a cervejaria começou a colocar em prática seu sistema de entrega.
“Foram 3 meses de testes com os nossos clientes mais exigentes. Agora, estamos preparados para atender uma demanda maior e levar nossas cervejas para novas fronteiras”, relata Bekeierman.
Para ampliar e diversificar a operação, foi preciso desenvolver uma nova embalagem garantindo que as cervejas cheguem a seu destino nas mesmas condições em que são consumidas no taproom da fábrica. Para isso, a Trilha criou uma embalagem especial para a entrega de cervejas que precisam ser transportadas refrigeradas, a Termo-Pack. Além disso, para viabilizar a expansão, testou sua eficiência e experimentou algumas parcerias com transportadoras, monitorando o padrão de entrega nas cinco regiões do país.
“Estamos nos transformando e entendemos que o canal digital é o nosso caminho para nos aproximarmos de muita gente”, destaca o sócio da Trilha. “Queremos estar nas geladeiras de todo o país, mas precisamos criar a logística para nossas cervejas chegarem na melhor condição possível. Não faz sentido acabarmos com elas no meio do caminho.”
E, de fato, não é o que tem acontecido. Segundo Bekeierman, o retorno dos clientes mais distantes tem sido positivo quanto à qualidade da bebida recebida. “Ver a alegria do pessoal ao receber nossas cervejas geladas em cidades como Recife e Salvador não tem preço.”
Junto da consolidação do sistema de entregas, a marca estendeu a abrangência do seu clube de cervejas “ultrafrescas”, enviadas diretamente do envase. Nele, a Trilha produz pequenos lotes especiais todo mês, em um “pacote” que inclui 4 latas de 350ml de receitas lupuladas de IPA – são dois rótulos diferentes por mês, ou seja, duas latas de cada receita.
Antes limitado à Grande São Paulo, o 4 Pack Ultrafresco pode ser comprado desde agosto por clientes do interior e do litoral do estado. E, de acordo com Bekeierman, aos poucos deve ficar disponível para outras regiões do Brasil.
Priorizar a segurança em detrimento até mesmo do lazer. Essa deve ser a postura do público na reabertura dos bares durante e após a pandemia do coronavírus. Preocupados com os riscos de contaminação, os consumidores indicam que vão optar por lugares conhecidos, que deixem claro o respeito às medidas sanitárias, sem grandes aglomerações e com espaços abertos.
Esses temores, que pesarão na escolha sobre como, quando e quais bares frequentar no momento em que eles estiverem reabertos, foram captados pela reportagem do Guia ao ouvir consumidores que estavam muito habituados a frequentar esses lugares antes da pandemia.
“O que me deixaria segura para ir em um bar seria primeiramente ter poucas pessoas no lugar, sem aglomerações. Apresentar também as devidas precauções sanitárias. E, também, lugares abertos”, afirma a professora e artista de dança Daniela de Souza Firmino, que mora em São Paulo, no Brooklyn.
Outra moradora da capital paulista, mas do Butantã, a microbiologista Carola Souza Ramos de Carvalho também tem preocupações com a segurança, mas pretende voltar aos bares logo na reabertura. “O quanto antes, desde que respeitadas algumas normas de segurança e higiene como presença de álcool gel, ambiente limpo, maior distanciamento entre as mesas e funcionários com máscaras”, conta ela.
Já o arquiteto Eric Zompero, morador da Lapa, que tinha o costume de explorar a cidade descobrindo bares antes da pandemia, diz que agora só irá frequentar lugares que já conhece e confia. “Eu acho que nesse começo vou ficar mais em casa. Antes eu ia em vários lugares em bairros diferentes. Agora vou deixar para ir aos bares que eu conheço mais e sinto mais segurança”, relata.
Morador de Piracicaba, a 160 quilômetros da capital paulista, o advogado Rodrigo Prado Marques explica que ia pelo menos duas vezes por semana a bares antes da pandemia. E admite que vai demorar a recolocar os estabelecimentos na sua rotina de lazer.
“Só volto a essa frequência quando eu sentir uma segurança real. Não basta apenas uma autoridade dizer que saímos do laranja para o amarelo, tem que ser uma segurança visível nos números e nos fatos. Não adianta pegar pequenas verdades e transformar isso no seu dia a dia”, argumenta o advogado.
Hora da volta Na cidade de São Paulo, ainda que com restrições, bares e restaurantes deverão estar autorizados a reabrir a partir da próxima segunda-feira, 6 de julho. Mas pesquisas de opinião, feitas com consumidores, apontam que a maioria das pessoas ainda não sente segurança em frequentar lojas e estabelecimentos.
Em levantamento do Datafolha publicado na última segunda-feira, 29 de junho, pela Folha de S. Paulo, 52% dos entrevistados disseram ser contra a reabertura dos estabelecimentos comerciais e de serviços, como os bares.
Para Daniela, o momento ainda não é o ideal para a volta do funcionamento. Mas a professora e artista aponta a motivação econômica como fator motivador para a decisão.
“As pessoas estão comentando que essa é uma medida bastante irresponsável (reabrir os bares). No meu bairro os bares e restaurantes estão meio receosos com a abertura, porém a necessidade de obter uma renda está sendo maior”, comenta Daniela.
Consumidores em outros países Nos lugares do mundo onde a atividade dos bares já foi retomada, o movimento de clientes voltou a acontecer. O Guia também conversou com brasileiros que moram na Europa e nos Estados Unidos para saber como está a situação por lá.
Morador da cidade de Praga, na República Checa, o executivo Rafael Coluci diz que as pessoas voltaram aos bares, mesmo com restrição de horário e de distanciamento entre as mesas.
“As pessoas estão agora saindo mais cedo pois os estabelecimentos fecham às 23 horas. Mas eu me sinto seguro, estou frequentando normalmente os bares por aqui”, relata Rafael, que informa ainda a existência de uma limitação de 300 pessoas em cada estabelecimento. “Mas como a maioria dos pubs aqui é pequeno esse limite nem é atingido.”
Mas um fato recente nos Estados Unidos pode indicar que deve haver mais cuidado com a reabertura dos bares. Na última sexta-feira, dia 26 de julho, os estados do Texas e da Florida, que haviam liberado o funcionamento dos estabelecimentos, retrocederam e voltaram a fechá-los por causa do aumento no número de casos do coronavírus.
Ricardo Gouvêa, morador de Orlando, conta que as pessoas se comportavam como se não houvesse risco de contaminação. “Eu estive há uma semana na cidade litorânea de São Petersburgo, no Golfo do México, e parecia tudo normal lá, as praias cheias, estacionamentos lotados, bares cheios e equipes de atendimento sem máscaras. Fiquei admirado”, aponta ele, citando essas atitudes entre os motivos do retrocesso na abertura dos estabelecimentos.
Se o Brasil ficou de fora de importantes iniciativas da ONU que estão debatendo a retomada sustentável da economia mundial após a pandemia do coronavírus, uma empresa nacional acaba de ser lembrada pela organização. E ela tem ligação direta com o mercado cervejeiro.
Startup de logística reversa inteligente e parceira de importantes iniciativas no setor, como a de reciclagem de garrafas de vidro no boêmio bairro de Pinheiros, em São Paulo, a Green Mining foi convidada para integrar o grupo de empresas do Pacto Global da ONU, maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo.
A Green Mining faz parte da Aceleradora 100+, programa da multinacional cervejeira que impulsiona projetos e ideias com soluções inovadoras para problemas socioambientais. Sua iniciativa em Pinheiros, inclusive, foi realizada em parceria com a Goose Island, marca da Ambev.
O projeto envolvendo as garrafas de vidro consiste em recolher embalagens em bares, restaurantes e condomínios e, depois, encaminhar para reciclagem na fábrica de garrafas da Ambev.
Até o momento, segundo a multinacional cervejeira, a Green Mining coletou mais de 960 toneladas de embalagens e evitou 160 toneladas de emissões de CO2. No total, a startup possui 19 hubs de coleta distribuídos entre São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal.
Em entrevista ao Guia no final de 2019, Rodrigo Oliveira, CEO da Green Mining, assegurou que o setor cervejeiro traçava um caminho sustentável sem volta, algo que parece agora corroborado pela importante inclusão da startup no Pacto Global da ONU.
“Acredito que o setor cervejeiro nacional vem protagonizando grandes mudanças por iniciativas internas de ter processos mais sustentáveis”, avaliou o CEO da Green Mining à época.. “Definitivamente, não tem volta.”
Balcão do Tributarista: Questões práticas sobre a LGPD e sua implementação
Por meio da Lei nº 13.709/2018 foi instituída no Brasil a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), que dispõe sobre o tratamento de dados pessoais com o objetivo de proteger os direitos fundamentais de liberdade, como o respeito à privacidade, à inviolabilidade da intimidade, da honra e da imagem, à livre iniciativa, à livre concorrência e à defesa do consumidor.
Após diversas modificações no termo inicial de vigência da lei, a situação hoje é de que a LGPD começará a vigorar em agosto de 2020, sendo que os artigos que tratam das sanções somente passarão a ser efetivos em agosto de 2021.
Muito se tem discutido a respeito da efetiva aplicação da LGPD após sua entrada em vigor. Isto porque no Brasil, não raras vezes, nos deparamos com o surpreendente fenômeno de leis que, mesmo válidas e vigentes, acabam por não produzir os efeitos práticos esperados.
Neste contexto, surgem comparações com os programas de compliance decorrentes da chamada Lei Anticorrupção (Lei nº 12.846/2013), os quais são tratados pela legislação brasileira como “mecanismos internos de integridade” e que visam a criação de uma estrutura interna nas empresas para evitar, detectar e sanar a prática de irregularidades contra a administração pública.
É que, embora exista a possibilidade inclusive de repercussão penal pelo descumprimento destas medidas de compliance, na prática um número mínimo de empresas adotou os procedimentos necessários para a implementação destes mecanismos.
Também se observam comparações entre a LGPD e o Código de Defesa do Consumidor (CDC), que, embora seja de 1990, somente nos últimos anos parece ter ganho a força normativa e protecionista ao consumidor que se esperava desde o início de sua vigência.
Diante deste cenário, é razoável questionar se a LGPD terá o mesmo destino de “não eficácia prática” ou de uma grande demora até que atinja seu objetivo. Entendemos, contudo, que não deverá ser este o caminho, pois há importantes diferenças entre o que prevê a lei de proteção de dados e as demais leis mencionadas. O principal ponto é que, diferentemente da compliance e do CDC, a LGPD contará com uma agência própria para sua fiscalização, inclusive com poder sancionatório.
Ademais, há uma grande pressão externa, principalmente da comunidade europeia, para que o Brasil implemente uma lei de proteção de dados. Aliás, a LGPD é praticamente um espelho da General Data Protection Regulation, a lei de proteção de dados da União Europeia.
Portanto, é preciso que tomemos ciência da LGPD e nos preparemos para sua vigência, adequando nossas operações internas de modo que se coadunem ao previsto na legislação. Procuraremos no presente artigo, de forma bastante breve, abordar alguns dos principais aspectos da lei e de sua implementação.
O que está sendo protegido? De forma geral, a LGPD, como o próprio nome já indica, visa a proteção de dados. Os dados são classificados da seguinte maneira: quanto à forma, podem ser físicos (dados impressos em papel, por exemplo) ou eletrônicos (armazenados em mídias digitais); e quanto a sua natureza, podendo ser normais (dados pessoais de identificação, como nome, números de documentos, endereço, e-mail, etc.) ou sensíveis (dados relacionados a saúde, religião, sexualidade, raça, etc.).
Aqui identificamos o primeiro ponto de atenção. É que um formulário padrão de cadastro de clientes, por exemplo, pode facilmente conter estes dois tipos de dados – normais e sensíveis. E isto demanda uma atenção particular por parte de quem está os coletando, pois dependendo de sua classificação, os cuidados e tratamento devem ser distintos.
Outro importante ponto a ser observado é que, independentemente de se tratar de dados em papel ou em meio digital, quem faz a coleta deve obter o consentimento expresso do titular do dado, com a devida explicação sobre como ele será empregado e por que está sendo coletado.
Quem deve proteger? A LGPD é extremamente abrangente quanto a quem está obrigado a seguir suas determinações, dispondo que qualquer operação de tratamento realizada por pessoa natural ou por pessoa jurídica de direito público ou privado, independentemente do meio, do país de sua sede ou do país onde estejam localizados os dados, está sujeita aos seus ditames.
E o tratamento – ou operação de tratamento de dado – é igualmente abrangente, englobando qualquer operação realizada com dados pessoais, como coleta, produção, recepção, classificação, utilização, acesso, reprodução, transmissão, distribuição, processamento, arquivamento, armazenamento, eliminação, avaliação ou controle da informação.
Em linhas gerais, portanto, podemos dizer que qualquer um (pessoa natural ou empresa) que tenha qualquer tipo de contato com dados pessoais está realizando uma operação de tratamento de dado e, consequentemente, está vinculado ao disposto na LGPD.
Assim, a lei de proteção de dados, ao contrário do que poder-se-ia imaginar em um primeiro momento, não está restrita apenas a companhias privadas de cunho digital, como redes sociais ou empresas que forneçam soluções em TI. Pelo contrário, sua aplicação atinge todas as pessoas jurídicas, incluindo a administração pública, e até mesmo pessoas físicas, em determinados casos.
Assim, um advogado ou médico, um escritório de contabilidade, uma empresa, independentemente de seu porte ou ramo de atuação, estará sujeita a LGPD, inclusive em relação aos dados de seus funcionários, clientes e fornecedores, entre outros tantos.
Estão excetuados da aplicação da LGPD os tratamentos de dados realizados por pessoa natural para fins exclusivamente particulares e não econômicos, assim como aqueles realizados exclusivamente para fins jornalísticos, artísticos ou acadêmicos; ou ainda para fins de segurança pública, defesa nacional, segurança do Estado ou investigações de infrações penais; bem como os dados provenientes de fora do território nacional e que não sejam compartilhados com agentes brasileiros.
Como deve ser a proteção? Inicialmente é preciso ter em mente que as rotinas internas, especialmente de coleta dos dados, precisam ser revistas. Para a coleta do dado, é necessário que, de forma bastante clara, se tenha o consentimento do seu titular. Da mesma forma, é preciso explicitar a finalidade da coleta daquele dado (para que eu preciso dele e qual o tratamento que vai ser dado). No ambiente interno de quem faz a coleta ou tratamento dos dados, ou de forma geral quem terá contato com os dados, também é preciso fazer entender a seriedade necessária para o tratamento destes. E estas questões precisam estar devidamente documentadas.
A LGPD estabelece uma série de princípios que precisam ser observados nas atividades de tratamento de dados. Dentre eles, destacamos os princípios da finalidade (pelo qual o propósito do tratamento do dado precisa ser legítimo e específico); da adequação (que exige compatibilidade entre o dado e as finalidades informadas); da necessidade (referente à limitação do tratamento do dado ao que realmente é necessário para quem o coleta); e da segurança e prevenção (que determinam a adoção de medidas para proteger e evitar riscos aos dados).
Aqui verificamos uma correspondência com o acima referido quanto à possibilidade de encontrarmos em um mesmo formulário de cadastro de cliente dados pessoais normais e sensíveis. É preciso que se revisem estes documentos para verificar se os dados coletados (especialmente os sensíveis) estão de acordo com a finalidade, adequação e necessidade exigidos pela LGPD.
Partindo destas observações, podemos esquematizar um modelo de implementação da LGPD que compreende diferentes etapas:
Inicialmente, é preciso fazer um levantamento de quais os dados que se possui hoje e fazer a sua adequada classificação conforme os critérios legais;
Com os dados classificados, é preciso mapeá-los para verificar quais eventualmente não são mais adequados ou necessários, criando uma nova rotina especialmente no que diz respeito a coleta de novos dados, para evitar a obtenção de mais dados inadequados ou desnecessários;
Após estas duas etapas, é preciso rever os processos de TI para os dados digitais e de logística dos dados físicos, bem como é preciso realizar uma revisão jurídica dos documentos a partir dos quais se realiza a coleta e tratamento dos dados (sejam contratos, fichas de cadastro, formulários online, termos de uso, entre outros), tanto do público externo (clientes, fornecedores, usuários), como interno (funcionários, por exemplo), adequando ou implantando cláusulas que ajustem o tratamento dos dados à LGPD;
Por fim, deve-se realizar um treinamento da equipe para prepará-la para a nova realidade de tratamento de dados.
Acreditamos que este processo de implementação da LGPD é absolutamente multidisciplinar, envolvendo atividades jurídicas, administrativas e de tecnologia.
Quais as consequências para o descumprimento? Como dissemos, um grande diferencial da LGPD é que a própria lei cria um órgão de fiscalização para sua aplicação. Denominada de Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), será o órgão da administração pública responsável por zelar, implementar e fiscalizar o cumprimento desta lei em todo o território nacional, inclusive com competência para impor penalidades.
Aqueles que cometerem infrações às normas previstas na LGPD estarão sujeitos a sanções como advertências, multa em percentual sobre o faturamento da empresa, publicização da infração, bloqueio ou eliminação dos dados e até mesmo suspensão ou proibição do exercício da atividade de tratamento dos dados.
Três cervejarias de Barão Geraldo, o acolhedor bairro de Campinas que abriga a Unicamp, conseguiram juntar no lançamento da colaborativa Ciclo Básico valores caros à comunidade cervejeira: ao mesmo tempo em que homenageia o bairro, contribui com a sociedade e valoriza o produtor local.
Em uma iniciativa conjunta, Tábuas, Garimpero e Confra lançaram na quinta-feira passada uma APA. O rótulo faz referência ao conjunto de prédios onde são ministradas as disciplinas básicas para a maioria dos alunos da universidade, tendo como propósito reverter parte da renda obtida com a colaborativa para o Hospital das Clínicas (HC) da Unicamp.
A ideia surgiu de uma conversa sobre iniciativas de cervejarias que reverteram algum benefício para a sociedade nesse período de crise sanitária e financeira. “Comentamos sobre a All Together, que uma cervejaria de Nova York lançou com o intuito de arrecadar fundos para ajudar os trabalhadores do setor de bares e restaurantes”, afirma Alexandre Leme, sócio da Tábuas.
“Como nós, cervejarias artesanais, temos um alcance local, a ajuda ao HC foi algo natural”, acrescenta ele, que vinha observando pedidos de ajuda ao hospital nas redes sociais. “Não tem nem o que pensar, tem que ser uma doação para o HC na ajuda no combate à Covid-19”.
A união entre valorização da comunidade local e solidariedade se revelou tão boa que, em quatro dias, os mil litros da APA produzida na fábrica da cervejaria Cogumelo (também em Campinas) se esgotaram.
“Foi o recorde. Nunca houve um caso desses, de lançar a cerveja e acabar em tão pouco tempo. O pessoal abraçou mesmo a causa”, celebra Alexandre, lembrando da grande procura e entusiasmo por parte de ex-alunos da universidade.
O sócio da Tábuas avalia que o consumo engajado por parte do público se somou à solidariedade e ao apoio ao negócio local. “Justamente a cerveja que está ajudando foi a que vendeu mais rápido, e tivemos a semana de melhor faturamento durante a pandemia”, comenta.
Segundo Alexandre, as cervejarias de Barão Geraldo já planejam um segundo lote da Ciclo Básico para os próximos meses. As doações a serem repassadas para o HC da Unicamp estão sendo contabilizadas e devem totalizar aproximadamente R$ 6 mil.
A crise do coronavírus trouxe um olhar fundamental para a necessidade do reforço da segurança alimentar, incluindo o setor cervejeiro. Afinal, a produção tem papel preponderante para a saúde mundial. E os desafios estarão reforçados mesmo ao fim da pandemia da Covid-19.
Esses foram alguns dos temas abordados durante o Seminário Alimentos Seguros, realizado na semana passada e promovido pela Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo (AEASP).
“Precisamos nos preocupar com a qualidade e a sanidade dos alimentos. A exigência da sociedade com a questão já vinha crescendo e certamente será ainda maior com surgimento da Covid-19. O importante é que todos os sistemas de produção sigam rigorosamente os critérios preconizados a cada um deles”, afirmou o presidente da AEASP, João Sereno Lammel, durante o evento.
Outra conclusão dos debates envolveu a necessidade de cumprir as medidas que garantam a segurança alimentar como algo primordial para a manutenção do Brasil como força relevante no agronegócio mundial.
Hoje coordenador do FGV Agro, o ex-ministro Roberto Rodrigues destacou que a pandemia impôs o reforço das ações sanitárias nas atividades. Mas ele também apontou que as lições aprendidas na crise podem ajudar a fortalecer o setor produtivo brasileiro.
“A pandemia mostrou ao mundo que a régua da sanidade estava muito baixa e fez com que essa questão ganhasse uma nova importância. Não tenho dúvidas de que o setor tem feito a sua parte e, se trabalharmos o equilíbrio, sairemos dessa crise ainda mais fortalecidos”, disse Rodrigues.
Durante o encontro, um dado alarmante foi destacado para reforçar a importância da segurança alimentar. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), são estimadas 600 milhões de pessoas doentes por ano e 420 mil mortes, sendo 125 mil crianças com menos de cinco anos, em decorrência do consumo de alimentos não seguros.
Para reduzir esses números, o poder público tem papel fundamental para garantir a oferta de alimentos de qualidade, como destacou a superintendente estadual do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Andréa Figueiredo Procópio de Moura.
“Segurança alimentar e alimentos seguros são dois assuntos dessociáveis. O consumo de alimentos inseguros cria um círculo vicioso de doenças, afetando principalmente as populações mais vulneráveis como idosos, crianças e doentes”, aponta a superintendente do Mapa.
“Por essa razão, o Brasil, como grande produtor de alimentos, precisa ter um controle efetivo, um padrão de segurança do que produz. Tanto para sua própria população, como também para outros consumidores a quem nossos produtos chegam. Dessa forma, os controles do Ministério abrangem todas as fases desde a fase da produção dos insumos, agropecuária, industrialização até exportação”, acrescentou Procópio.
Novas exigências do consumidor Além disso, a crise do coronavírus se deu em um cenário que já apontava algumas mudanças no padrão de consumo da população. Em geral, o aumento das opções e a busca pela diversidade se dão somadas com a preocupação sobre a origem e o processo de produção do que está sendo ingerido, como destaca a pesquisadora Marta Taniwaki, do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital).
“Hoje, o consumidor tem o direito de saber o que tem dentro da embalagem, mas também como esse alimento foi produzido. Se foi produzido respeitando as regras ambientais, as emissões de gases e, no caso de produto animal, se houve a prática do bem-estar animal. Também há um aumento de demanda por alimentos éticos, produtos sazonais cultivados localmente e sustentáveis. As percepções do consumidor de alimentos não seguros levam ao desperdício”, ressaltou Marta.
Essa visão de que as novas gerações exigem a adoção de outros comportamentos na produção alimentar foi reforçada pelo presidente da Associação Brasileira de Agronegócio, Marcello Brito. “Os estudos no mundo mostram que a geração X já tinha uma visão de produção em relação à geração anterior, acelerada agora pela geração dos millennials, que acreditam no novo normal, pensam na produção sustentável, nas emissões de carbono e no bem-estar animal. Cada vez mais isso vai ser cobrado”, apontou.
A ciência também terá papel fundamental para o desenvolvimento de pesquisas e novas tecnologias, unificando o aumento da produção sem qualquer descuido envolvendo a segurança alimentar, como destacado pelo diretor de assuntos regulatórios e científicos da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos, Alexandre Novachi.
“O momento que estamos hoje é um ponto de reflexão: para onde vamos a partir de agora? Muito se fala do novo, mas será que é tão novo assim? A tendência é buscarmos o equilíbrio entre a oferta de alimentos e o alimento seguro. E definitivamente é a ciência que vai nos garantir isso hoje e amanhã, assim como garantiu no passado. O que vamos comer amanhã? A resposta para essa pergunta depende das escolhas que faremos hoje, de quais são as nossas prerrogativas e os novos valores”, concluiu Novachi.
Mesmo em meio à pandemia, as cervejarias artesanais brasileiras seguem apostando em excelentes novidades. A Blumenau, por exemplo, lançou duas edições comemorativas da Macuca de São João, enquanto a Dádiva apresentou uma Belgian Specialty para festejar seus seis anos. Destaque ainda para o clube de assinaturas da Duranz e para a parceria entre a Colombina e a Verallia. Confira essas e outras novidades.
Comemorativa da Dádiva A cervejaria Dádiva está completando seis anos e, para celebrar, apresentou a Dádiva VI, uma Belgian Specialty que traz amoras em sua receita, o que confere uma coloração avermelhada, puxando para os tons de violeta. Envelhecida em barricas de Bourbon fresco, a Dádiva VI tem o sabor da fruta combinado com a baunilha do carvalho norte-americano. Possui 9% de teor alcoólico e está envasada em uma garrafa de 375ml, que pode ser encontrada em bares que estão trabalhando com sistema de delivery e take away e em comércios digitais de todo o país, além de poder ser retirada na própria fábrica da Dádiva aos sábados, das 11h às 16h, na cidade de Várzea Paulista. O preço sugerido é de R$ 45.
Macuca de São João O amendoim e o coco são ingredientes-chaves das celebrações de São João. Em homenagem à data, a Cerveja Blumenau lançou duas novidades em edições limitadas: a Pé de Moleque e a Bala de Coco da Macuca, a Imperial Stout da marca. Serão comercializadas em garrafas de 500ml e possuem 10,5% de teor alcoólico e 80 IBUs. Para Marcos Guerra, cervejeiro da Blumenau, a ideia é valorizar a celebração nacional mostrando como a cerveja é versátil e se adapta a vários climas e calendários. “Nosso propósito enquanto marca é transformar a forma como as pessoas apreciam a bebida. As combinações da Imperial Stout com amendoim e coco certamente são inéditas para muita gente, que vai sentir isso no paladar”, diz ele.
Clube da Duranz A microcervejaria artesanal Doutor Duranz, uma das integrantes da Rota Cervejeira RJ, acaba de lançar o Clube de Assinatura de garrafas de cerveja e growlers de chope. Inicialmente serão três modalidades: na primeira os clientes podem recarregar growlers de vidro diretamente na fábrica; na segunda recebem em casa growlers descartáveis; e na terceira ganham garrafas de cervejas. Dentro destas modalidades, o cliente poderá escolher dois tipos de planos de assinatura: no Aprendiz estão disponíveis estilos como Pilsen do Mestre, Preciosa Belgian Blond Ale, Elixir Red Ale, Chocolager e a Obra-Prima IPA; e, no Mestre, além de toda a gama de cervejas básicas, encontra-se rótulos como a Russian Imperial Stout e outros lançamentos. A cervejaria também lançou em garrafas sua Sour com coco queimado. Chamada de Life is SOur Good, ela é uma cerveja produzida com a técnica de Kettle Sour, com adição de maltes escuros e de coco queimado.
Brinde pela Vida A Zuraffa, em parceria com outras cervejarias, criou o Brinde Pela Vida. A proposta é que cada cervejaria participante doe 50% do lucro arrecadado pelas vendas de algumas cervejas para instituições que amparam pessoas mais vulneráveis durante a pandemia. O What’s On Tap, brewpub localizado no Itaim Bibi, em São Paulo, participará do projeto com a verba revertida da venda da cerveja Querosene, uma American Light Lager feita em parceria com o Grupo Querosene. Os interessados podem comprar as cervejas pelo site https://www.beercapp.com.br/vendedores/brinde-pela-vida/.
Colombina e Verallia A Cervejaria Colombina repaginou o visual da Romaria e, para isso, adotou a Celeste, da Verallia. Trata-se de uma garrafa de 330ml que faz parte da Selective Line, linha premium da empresa de embalagem. O modelo escolhido foi na cor âmbar escuro, com fechamento em coroa. E o rótulo foi reformulado pela design Thatiane Bentley, da agência BBP, de Goiânia. “A Verallia sempre traz embalagens inovadoras e isso é muito importante para nosso segmento de cervejas artesanais. A troca de embalagem foi crucial para reposicionar a Romaria, que tem várias premiações em conceituados concursos cervejeiros. Este reposicionamento foi traduzido na nova garrafa e no rótulo. Com isso, aumentamos as vendas, pois conseguimos gerar mais valor para o nosso produto”, aponta Patrícia Mercês, diretora da Cervejaria Colombina. A Romaria é uma Belgian Dark Strong Ale, cerveja típica das abadias belgas.
Aplicativo da Loba A Cervejaria Loba está lançando seu novo aplicativo para que os clientes possam adquirir em casa todo o portfólio da marca. Nele, haverá dois dias da semana escolhidos para entregas grátis em Belo Horizonte e em algumas regiões do entorno da capital mineira. Os preços são mais vantajosos, garante a cervejaria. O iFood também virou parceiro da Loba, que criou ainda um ponto de venda no estilo To Go – pegue e leve – na rua Claudio Manoel, 475. Ainda há o tradicional sistema de delivery pelo telefone (31) 99246-0471. Segundo Kelvin Azevedo, sócio da marca, “criamos nosso próprio aplicativo e também iremos disponibilizar vendas presenciais na loja e on-line pelo site. Turbinamos nossos canais de venda, como o aplicativo próprio compatível com sistemas Android e IOS, além do site: http://cervejarialoba.com.br/peca-aqui/”.
Entramos no fim do mês de junho, que começou com a série de protestos antirracismo nos Estados Unidos, com momentos de revolta e dor que tomaram conta das ruas e das redes sociais. As mortes de George Floyd e, mais recentemente, a de Raychard Brooks deram oxigênio ao grito de “Chega!” que ecoa há mais de 500 anos, desde quando os negros eram levados à força de sua terra, separados da família, e tinham subtraídos sua origem, sua identidade e sua liberdade.
No Brasil, não é diferente. As mortes de Pedro Vitor, João Pedro, Ághata, Marielle, dentre tantos outros, escancaram a seletividade da polícia, que tanto tem em comum com a norte-americana – inclusive sua origem, que data de uma época de escravidão e tinha como função trabalhar para elite, capturando e torturando negros escravos fugitivos. Essa prática era institucionalizada pelo Estado. Até 1888, a tortura foi legal no Brasil, mas apenas em negros, afirmou em entrevista à BBC o historiador Luiz Felipe de Alencastro, um dos maiores pesquisadores da escravidão no Brasil.
Se compararmos a história com a realidade atual, olhando para o Atlas da Violência de 2019, vemos que 75,5% das vítimas de assassinato são indivíduos negros (dados de 2017). Assim, dá para traçar um claro paralelo.
Este é mês também do Orgulho LGBTQIA+ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e pessoas intersex). E a história dessa data, oficialmente 28 de junho, vem de um episódio ocorrido em Nova York, em 1969. Neste dia, as pessoas que frequentavam o bar Stonewall Inn (até hoje um local de forte presença de gays, lésbicas e trans) reagiram a uma série de batidas policiais que eram realizadas ali com frequência. Pois é, outra reação de revolta e dor que deu origem a um ato político que acontece todos os anos em vários países, de luta por liberdade corporal e comportamental: a Parada do Orgulho. E o Brasil é o país que mais mata trans no mundo, segundo a ONG Transgender Europe (TGEu).
O grito social e econômico das minorias pelos direitos individuais à vida, liberdade, igualdade, segurança e propriedade, instituídos para todos pela Constituição brasileira, pode parecer besteira para alguns que dizem “todas as vidas importam”. Mas o fato é que esses direitos pétreos garantidos, na verdade, só são assegurados para uma parcela da população. E o respeito, reconhecimento e proteção são negados a uma outra parte, por causa de sua cor, identidade de gênero, orientação sexual, lugar de origem ou deficiência.
As minorias de direito são definidas como grupos marginalizados dentro de uma sociedade devido aos aspectos econômicos, sociais, culturais, físicos ou religiosos sem, necessariamente, se referir à quantidade numérica, mas sim ao controle de um grupo sobre os demais.
A população brasileira tem mais mulheres (50,4%) e pessoas não brancas (54,9%) como maioria, mas são grupos que possuem seus direitos cerceados, assim como as demais minorias. Cada uma delas tem recortes transversais, que podem colocar a pessoa individualmente em um grupo de maior risco ou de direito limitado, como um homem negro gay portador de deficiência, por exemplo, ou uma mulher transgênera, lésbica e periférica.
Dentro desses grupos, existe um estado de vigia intenso aos direitos adquiridos até hoje. Racismo é crime. Homofobia é crime. O casamento entre pessoas do mesmo sexo é possível por lei. Existe cota racial e de renda para concursos, além de vagas especificamente destinadas a pessoas com deficiência. Mas ainda existe muita impunidade, muito preconceito e desigualdade.
E o que a cerveja tem com isso? A Brewers Association, entidade que representa as cervejarias independentes dos Estados Unidos, tem um programa de apoio financeiro para eventos locais e regionais que possuam o propósito de fomentar uma comunidade de cerveja artesanal mais diversificada e inclusiva. A prioridade dos financiamentos é para eventos que aumentem o acesso e a conscientização acerca da cerveja artesanal a diversos grupos demográficos, enquanto cultivam um ambiente inclusivo.
Vimos, em junho, surgir o projeto “Black is Beautiful”, da cervejaria Weathered Soul, uma artesanal independente no Texas. A iniciativa é um esforço colaborativo para que a comunidade cervejeira e consumidores se conscientizem das injustiças que muitas pessoas de cor enfrentam diariamente. A árdua missão é preencher aos poucos a lacuna que existe há séculos e fornecer uma plataforma para mostrar que a comunidade cervejeira é um espaço inclusivo para todos, de qualquer cor.
E no Brasil? A Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) criou, neste mês, o Núcleo de Diversidade, visando estabelecer uma estrutura organizacional comprometida com a diversidade, equidade e inclusão na entidade.
É preciso um comprometimento real da sociedade para mudar essa realidade. E é nosso dever escutar o que cada uma dessas comunidades tem a nos dizer, dar voz às suas palavras e agir para fortalecê-las. Por isso, o núcleo fará lives para dar voz a representantes dessa diversidade, às quartas-feiras, às 20 horas, no YouTube da Abracerva.
Todos nós temos muito o que fazer daqui para frente, para conscientizar e erradicar os preconceitos sistêmicos de nossa sociedade. Esse é um pequeno passo para uma comunidade com liberdade e melhor.
Nadhine França é sommelière, membro da Confraria Maria Bonita, coordenadora do Instituto da Cerveja no PE e do Núcleo de Diversidade da Abracerva