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Entrevista: Inclusão racial na cerveja avançou, mas “mercado tem muito que se adaptar”

Em Porto Alegre, um bar na Cidade Baixa tem servido bem mais do que cerveja artesanal. O Mocambo, da Cervejaria Implicantes, é um espaço de afeto, ativismo e resistência. Fundada em 2018, a Implicantes surgiu como primeira fábrica cervejeira negra do Brasil. Desde então, enfrentou desafios, reposicionou o negócio e se consolidou como uma referência não só em qualidade das bebidas, mas na luta por mais inclusão racial e diversidade no mercado.

Conversamos com Marcelo Moreira Pires, sócio da Implicantes, sobre os caminhos que a cervejaria tem trilhado, os aprendizados da experiência com o bar Mocambo e os desafios ainda presentes na luta antirracista dentro da cultura cervejeira.

>>> Leia mais – O que pensa o Guia: É preciso se envolver na luta por inclusão racial no setor

Marcelo Moreira (direita) ao lado de Daniel Dias, ambos sócios da Cervejaria Implicantes e bar Mocambo (Crédito: Implicantes)
Marcelo Moreira (direita) ao lado de Daniel Dias, ambos sócios da Cervejaria Implicantes e bar Mocambo (Crédito: Implicantes)

Primeiramente, poderia falar sobre como está a produção da Implicantes atualmente?

A gente acabou vendendo a fábrica em 2022 e, desde então, estamos só com o bar Mocambo, que é na Cidade Baixa, bairro boêmio de Porto Alegre (RS) — e que já foi considerado um bairro negro. Começamos com produções bem pequenas, de 300 litros, de forma terceirizada, e vendendo exclusivamente no bar. Hoje em dia, a gente já está com produção um pouquinho maior e produzimos na modalidade royalties. Então, conseguimos acompanhar a nossa produção e vender os barris também de maneira terceirizada. No caso, uma fábrica terceirizada produz, assume o custo de produção e de uma boa parcela das vendas, mas quando eles vendem, eu tenho uma taxa de uso da minha marca. Dessa forma, a gente consegue focar nas receitas das cervejas e no bar, sem ter essa preocupação da produção, venda e de lidar com estoque. Vendemos no Mocambo e para mais alguns pontos em Porto Alegre.

Estão felizes com esse formato?

Sim. Mas foi muito difícil toda a nossa jornada com a fábrica. Até o momento que vimos que tínhamos que repensar o negócio. Atualmente, o bar é muito mais viável. Até em questão de trabalho mesmo. Quem tem cervejaria sabe que a fábrica exige até a última dose de energia, até o último fio de cabelo que você tem. E o bar funciona de forma um pouco diferente. Ele nos permite trabalhar bem mais livremente, inclusive com outras cervejarias. E temos parceiros comerciais super legais.

Como avalia esses dois anos de Mocambo?

Está sendo uma experiência muito massa. A gente não sabia muito o que esperar, mas fomos muito abraçados pela comunidade. O pessoal da rua nos adora e os vizinhos são maravilhosos. Estamos sofrendo atualmente por alguns processos da prefeitura. O bairro vive um processo de gentrificação. Mas todos os bares que funcionam lá são uma maneira de resistir, de manter viva a cultura boêmia dessa parte que é muito tradicional em Porto Alegre. Então, a gente foi para dar a cara a tapa. E conseguimos formar uma base de clientes muito rápido.

Detalhe da frase na porta do bar Mocambo: posicionamento ativista e de resistência da marca está presente no espaço do bar (Crédito: Implicantes)
Detalhe da frase na porta do bar Mocambo: posicionamento ativista e de resistência da marca está presente no espaço do bar (Crédito: Implicantes)

E o bar traduz muito da essência da Implicantes, não é?

Com certeza. O ambiente é totalmente “de esquerda”. Quando tu entra, dá de cara com a placa da Marielle. Na porta tem os nossos dizeres, que é livre de racismo e preconceito. E todo mundo aceita, sem drama. Ninguém nunca tentou ser babaca com a gente. Estamos muito felizes com nossa base de clientes.

Vi pelo Instagram que vocês estão fazendo um bolão para quem acertar a data de prisão do Bolsonaro. Qual o prêmio?

[Nota do editor: a entrevista foi feita antes do anúncio da prisão domiciliar, decretada na segunda-feira, 1º de agosto.]
O prêmio é um fardo de Brown Ale. Na terça-feira passada [29 de julho], fizemos uma promoção relâmpago de todas as cervejas da casa, por conta da prisão da Carla Zambelli. A gente quer aproveitar esses momentos tomando uma cerveja. E os clientes compram muito nossas ideias.

O público parece se engajar com essa postura da marca, né?

Sim. Tem gente que só aproveita um determinado mês para fazer alguma ação, por exemplo, fazer algo sobre o Dia das Mulheres somente em março. E acho que tem que ter essa autenticidade de se expressar sempre que alguma coisa notória acontece, se comunicar com o que está acontecendo no dia a dia mesmo, com o que os clientes e o povo brasileiro está vivendo.

Desde que vocês começaram, em 2018, como avalia a evolução da inclusão racial no setor cervejeiro?

Eu acho que o mercado ainda tem muito que se adaptar, mas dá para notar um avanço muito grande. A gente participou recentemente de um documentário sobre cervejeiros negros ao redor do país, que estava sendo realizado pelo Edital Fermenta da Ambev. É muito legal ver as maiores cervejeiras do mundo tentando fazer a sua parte, tentando aumentar a diversidade do mercado cervejeiro, que é muito importante. Para não ser só os pequenos lutando. Isso é uma coisa que lá em 2020 era muito difícil de imaginar. Acho que não só a cervejaria está assumindo um lugar de destaque, mas como a gente está podendo dar para outros cervejeiros negros e para pessoas que têm projetos diversos, um pouco mais de valorização e destaque dentro do mercado.

No Mocambo as festas muitas vezes tomam as ruas da Cidade Baixa, em Porto Alegre (Crédito: Implicantes)
No Mocambo as festas muitas vezes tomam as ruas da Cidade Baixa, em Porto Alegre (Crédito: Implicantes)

Esse documentário já está disponível?

Ainda não foi lançado. Filmamos nossa parte em março de 2025. É o Rota Cervejeiras, da Karla Danitza. É um documentário super lindo. Ela escolheu a gente para falar aqui do Sul, e ficamos muito felizes. E ainda mais por ela ter falado que havia outros cervejeiros aqui na região com quem ela queria falar também. É ótimo saber que tem outras pessoas negras fazendo cerveja, que tem mais gente no mercado. E que esse número aumente cada vez mais.

E como a Implicantes evoluiu neste processo de abrir espaço para produtores negros no mercado cervejeiro?

Nosso slogan antigamente era “a primeira fábrica cervejeira negra do país”. E de fato é o que somos, até onde temos registro. Hoje em dia, a intenção é trazer mais diversidade. Então, nos posicionamos como fábrica cervejeira negra. E aí eu acho que a gente está conseguindo acompanhar um aumento da diversidade. Tanto que o perfil de público do Mocambo também mudou um pouco. Apesar de ser o bar da Cervejeira Implicantes, hoje em dia a gente tem uma porcentagem que é 50/50 entre negros e brancos. Sempre tivemos um perfil de público majoritariamente negro, mas mudou um pouco. Até porque o bar está aberto ao público, então as pessoas que estão passando por lá, entram para conhecer e querem participar. Sempre com esse caráter de gente de esquerda mesmo. Tem muita gente LGBT e pessoas brancas de esquerda que estão lá com gente.

O que considera ser o principal desafio da Implicantes atualmente?

Acho que não só para gente, mas para todos os outros empreendedores, ainda existe falta de suporte e de políticas públicas. Pelo menos aqui em Porto Alegre, falta muito apoio da prefeitura. A gente, por exemplo, quer fazer uma extensão do bar, uma coisa bem simples, e o processo está parado na prefeitura. Em Porto Alegre é um plano muito difícil de mover, e aí acaba que outros bares conseguiram contornar isso com um pouquinho mais de tranquilidade. A gente tem que fazer campanha, mandar e-mail, entrando em contato com vereadores para tentar mover isso. Mas sei que isso não é exclusivamente nosso, mas sim de vários pequenos empreendedores.

Bar está sendo um negócio mais víável do que foi a cervejaria, avalia Marcelo (Crédito: Implicantes)
Bar está sendo um negócio mais víável do que foi a cervejaria, avalia Marcelo (Crédito: Implicantes)

Como você vê o trabalho da Afrocerva?

É um grupo de pequenos cervejeiros, sommeliers e profissionais negros que são associados à cerveja. Eles produzem principalmente manifestações culturais, movimentos em redes sociais, para poder empoderar cervejeiros negros, pequenos eventos e cerveja no geral. Foi originalmente fundada pelo Diego, um dos nossos sócios. Eles formam essa rede de cervejeiros negros ao redor do país, para ter uma forma de contato, networking, apresentação de oportunidades e desenvolvimento. É um grupo muito massa, recomendo a todo mundo que puder, seguir no Instagram, participar de alguns eventos que são super bem feitos e legais.

Quais os próximos passos da Implicantes?

Nossa batalha agora está sendo essa extensão do bar. Nós já contratamos dois arquitetos para fazer uma reforma. Então, queremos renovar o Mocambo, para depois a gente tentar expandir para outros estados — voltar a participar de mercados um pouquinho maiores, como o de São Paulo. E também temos planos para Salvador. São Paulo é um estado que nos acolheu muito bem. E Salvador, por motivo de cultura e herança histórica, por ser um estado majoritariamente negro.

Linha Nova: cidade com mais cervejarias por habitante faz parte da história do setor

Com a divulgação na terça-feira (5) do Anuário da Cerveja 2025, publicação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) que compila os dados do setor cervejeiros de 2024, muitos dados do setor passaram a ser conhecidos. Foi revelado, por exemplo, que houve crescimento de 5,5% no número total de estabelecimentos registrados e que chegamos a 1.949 fábricas no país. Mas também há números curiosos. A pequena cidade de Linha Nova, na encosta da Serra Gaúcha, ainda na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, mantém desde 2022 o título de município com maior número de cervejarias por habitante do Brasil. Ela tem duas cervejarias que abastecem seus 1.720 habitantes. Ou seja, uma para cada 860 pessoas.

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O destaque acaba acontecendo, é claro, não por conta do grande número de plantas fabris, mas pela população reduzida. Sua emancipação é relativamente recente. Foi parte da colônia de São Leopoldo, depois de São Sebastião do Caí até 1959 e do município de Feliz até 20 de março de 1992, quando se tornou independente. Lá ficava um dos mais antigos povoados de imigrantes alemães do país conhecido pelo nome alemão “Neuschneiss” (Picada Nova em português), fundado em 1840. No entanto, essa explicação rápida não faz jus, e acaba escondendo, um dos grandes valores dessa cidade: a grande relevância na história da cerveja brasileira. É de lá a cervejaria mais antiga do Rio Grande do Sul e uma das mais antigas do país, que pertencia ao imigrante alemão Georg Heinrich Ritter.

Prédio da Cervejaria Ritter de Linha Nova foi restaurando em 2018 e está aberto a visitação (Crédito: Luís Celso Jr./Arquivo pessoal)
Prédio da Cervejaria Ritter de Linha Nova foi restaurando em 2018 e está aberto a visitação (Crédito: Luís Celso Jr./Arquivo pessoal)

Linha Nova: o berço da cerveja no Rio Grande do Sul

Ritter aprendeu o ofício ainda na Alemanha, mas ao chegar no Brasil foi agricultor. Após se estabelecer em Picada Nova, montou um pequeno comércio com salão de baile e fazia cerveja para família e amigos. Em 1864, começou a também vender a bebida, mostram documentos históricos. Por isso, a população da cidade tem duas datas para a fundação da cervejaria Ritter: 1846, quando se estabelece o comércio, e 1864, quando há documentos que comprovam a venda de cervejas.

Prédio da cervejaria foi feito em pedra, provavelmente para manter a temperatura baixa e ajudar no processo de fabricação da cerveja  (Crédito: Luís Celso Jr./Arquivo pessoal)
Prédio da cervejaria foi feito em pedra, provavelmente para manter a temperatura baixa e ajudar no processo de fabricação da cerveja (Crédito: Luís Celso Jr./Arquivo pessoal)

O prédio onde ficava a cervejaria pode ser visitado hoje. Após um tempo sem uso, foi restaurado e reinaugurado em 2018. Hoje é parte de um centro de cultura cervejeira da cidade, que fica no Parque Municipal, no centro de Linha Nova (Rua Henrique Spier, 2420).

Estive lá em 2024 e pude visitar as instalações reformadas, uma casa de pedra — provavelmente para manter a temperatura mais baixa para produção da bebida. Na antiga casa de madeira, ao lado, onde ficava o comércio, pude visitar inclusive o porão, aonde provavelmente parte do trabalho de fabricação se dava (principalmente antes da construção da outra edificação). Lá também e eram mantidas as garrafas das cervejas prontas para venda, por ter temperatura mais amena.

Porão da casa de maneira já foi utilizado para fabrição e armazenamento de cerveja (Crédito: Luís Celso Jr./Arquivo pessoal)
Porão da casa de maneira já foi utilizado para fabrição e armazenamento de cerveja (Crédito: Luís Celso Jr./Arquivo pessoal)

A cervejaria Ritter de Linha Nova é conhecida como berço da cerveja no Rio Grande do Sul não só por ser a mais antiga a se tornar fábrica, de fato — há alguns comércios que faziam cerveja com datas anteriores, como o de Ignácio Rasch, datado de 1824 na colônia de São Leopoldo. Mas também porque partiram de lá as raízes para outras cervejarias, que se tornaram grandes empreendimentos do século 19 e início do século 20 no estado.

Carlos Ritter, Um dos filhos de Georg Heinrich Ritter, fundou uma cervejaria em Pelotas; outro, Henrique Ritter, fundou sua fábrica em Porto Alegre. A de Henrique acabou dando origem à Cervejaria Continental em 1924 ao se fundir com duas concorrentes, Cervejaria Bopp e Cervejaria Sassen. E assim se tornou uma das maiores do Rio Grande do Sul e do país até ser comprada pela Brahma em 1946.

Luís Celso Jr. é Diretor de Conteúdo e editor do Guia da Cerveja. Viajou para Linha Nova em 2024 como parte da pesquisa para escrever um livro sobre a história da cerveja no Brasil. Projeto foi contemplado pela 1ª edição do Edital Fermenta! — Incentivo a Projetos de Cultura Cervejeira, da Academia da Cerveja, da Ambev. Livro ainda será publicado.

Dados do Anuário mostram resiliência da indústria cervejeira, avalia Sindicerv

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Dados do Anuário da Cerveja 2025 revelaram crescimento de 5,5% no número de cervejarias no país, que chegou a 1.949 fábricas em 790 municípios. Números que mostram a “contínua resiliência” do setor no Brasil diante das adversidades, avalia Marcio Maciel, presidente-executivo do Sindicerv. Em 2023, eram 1.847 cervejarias, distribuídas em 771 localidades.

Convidados se reuniram para o lançamento do anuário no Sesi LAB, em Brasília (Crédito: Marcelo Tárraga / Guia da Cerveja)
Convidados se reuniram para o lançamento do anuário no Sesi LAB, em Brasília (Crédito: Marcelo Tárraga / Guia da Cerveja)

A nova edição da publicação oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) que consolida os dados da indústria cervejeira brasileira, foi lançada na terça-feira (5) em evento promovido pelo Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) no Sesi LAB, em Brasília. A cerimônia reuniu diversas autoridades, lideranças setoriais e representantes da cadeia produtiva, além de contar com a presença do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro (PSD-MT).

>>> Leia também: Número de cervejarias no Brasil cresce 5,5% e chega a 1.949

Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD-MT), esteve presente na cerimônia de lançamento do Anuário da Cerveja Crédito: Marcelo Tárraga / Guia da Cerveja)
Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD-MT), esteve presente na cerimônia de lançamento do Anuário da Cerveja Crédito: Marcelo Tárraga / Guia da Cerveja)

“O brasileiro é um povo trabalhador. Tudo o que pega para fazer, vira referência mundial. Especialmente quanto à qualidade”, disse o ministro no discurso de abertura.

O crescimento aconteceu apesar das enchentes históricas no Rio Grande do Sul, e das dificuldades econômicas globais, disse Maciel em entrevista ao Guia da Cerveja. “Os dados mostram a relevância da indústria cervejeira para economia e para a geração de emprego e renda no Brasil”, completa.

Densidade e dispersão no Anuário da Cerveja 2025

“A gente imaginou que não ia crescer. Mas cresceu”, disse Hugo Caruso, diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (DIPOV) do Mapa, o responsável por apresentar os principais números na cerimônia. Ele destacou que apesar das enchentes, o Rio Grande do Sul manteve a maior densidade cervejeira, com uma cervejaria para cada 32.177 habitantes.

O diretor também destacou que o número de municípios com pelo manos uma cervejaria cresceu 2,5%, indicando uma maior dispersão e gerando empregos em mais localidades. “Somente o setor de cerveja gera 43 mil empregos diretos e isso reflete em mais de 1,5 milhão de empregos indiretos no Brasil. Algo muito relevante para nossa economia”.

Hugo Caruso, diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (DIPOV) do Mapa, apresentou os números do novo anuário (Crédito: Marcelo Tárraga / Guia da Cerveja)
Hugo Caruso, diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (DIPOV) do Mapa, apresentou os números do novo anuário (Crédito: Marcelo Tárraga / Guia da Cerveja)

Em termos de volume, a produção nacional se manteve praticamente estável em relação a 2023 (queda de apenas 0,11%), fato também comemorado pelo presidente do Sindicerv diante do contexto. “Não só o volume está se mantendo em patamares elevados — o Brasil é o terceiro maior produtor de cerveja do mundo e continuamos nessa posição já há alguns anos —, mas a gente também está vendo crescimento de cervejarias. É algo super positivo”, explica.

O diretor do DIPOV, por sua vez, também chamou atenção para o volume de exportações de cerveja brasileiras “que cresceu 43%, ou seja, nos tivemos um superávit na balança comercial brasileira de 195 milhões de dólares graças a exportação de cervejas e a baixa importação”, afirmou Caruso.

O deputado Covatti Filho também celebrou o resultado e o impacto no país. Ele é líder da Frente Parlamentar Mista da Cadeia Produtiva da Cerveja, iniciativa apoiada por quase duzentos congressistas. “Hoje o anuário está trazendo toda essa grandeza, não só em números, mas também em geração de empregos e também contribuição e impostos para o nosso Brasil. Cerveja é sim uma grande paixão nacional e agora ela também é transmitida em números de uma realidade que todos nós, brasileiros, temos que se orgulhar.”

Investimentos

Brasil conta com quase 2 mil cervejarias  (Crédito: Marcelo Tárraga / Guia da Cerveja)
Brasil conta com quase 2 mil cervejarias (Crédito: Marcelo Tárraga / Guia da Cerveja)

A maturidade da indústria também se expressa nos investimentos robustos realizados nos últimos anos. Segundo levantamento do Sindicerv e da consultoria Euromonitor, o setor aportou mais de R$ 17,5 bilhões desde 2020, especialmente em tecnologia, expansão de capacidade e modernização das plantas fabris.

“A gente fica muito feliz com esses números do anuário da cerveja e espera que nos próximos anos os números continuem positivos. É super importante que os setores do governo estejam alinhados e entenderem a importância dessa cadeia. E é por isso que o anuário da cerveja é muito importante”, conclui o presidente do Sindicerv.

A íntegra do Anuário 2025 pode ser acessada nos sites do Sindicerv.

Número de cervejarias no Brasil cresce 5,5% e chega a 1.949

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Apesar de eventos trágicos, como as enchentes históricas no Rio Grande do Sul, e da das dificuldades econômicas globais, o número de cervejarias no Brasil continua crescendo. Em 2024, ele chegou a 1.949 fábricas em 790 municípios, um crescimento de 5,5% em relação ao ano anterior, segundo o Anuário da Cerveja 2025, publicação oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) que consolida os dados da indústria cervejeira brasileira a cada ano. Em 2023, eram 1.847 cervejarias, distribuídas em 771 localidades.

Já o volume de cerveja produzida permaneceu praticamente estável, com queda de apenas 0,11%. Em 2024 foram fabricados 15,34 bilhões de litros contra 15,36 bilhões no ano anterior. Os dados foram divulgados pelo Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) em evento intitulado “Confraria Sindicerv” nesta terça-feira (5) no Sesi LAB, em Brasília, que reuniu autoridades, lideranças setoriais e representantes da cadeia produtiva.

>>> Leia mais: Rússia supera Alemanha como maior produtor de cerveja da Europa

Para Márcio Maciel, presidente-executivo do Sindicerv, o Anuário 2025 mostra que o setor segue resiliente e inovador, mesmo num contexto desafiador. “Isso é resultado de uma estrutura sólida e de investimentos contínuos na produção e nas pessoas que fazem essa vasta cadeia acontecer, do campo ao copo. Cerveja é agro, emprego, renda, diversidade, cultura e gastronomia. Cerveja é Brasil”.

A maturidade da indústria também se expressa nos investimentos robustos realizados nos últimos anos. Segundo levantamento do Sindicerv e da consultoria Euromonitor, o setor aportou mais de R$ 17,5 bilhões desde 2020, especialmente em tecnologia, expansão de capacidade e modernização das plantas fabris.

Durante o evento, também houve o lançamento da Frente Parlamentar Mista da Cadeia Produtiva da Cerveja, iniciativa apoiada por quase duzentos congressistas sob a coordenaçãodo deputado federal Covatti Filho (PP-RS).

Sudeste lidera, mas Sul é o que mais cresce

O Anuário da Cerveja também traz números regionalizados nos quais é possível perceber que o Sudeste é a região como maior número de estabelecimentos registrados (889), sendo São Paulo a unidade da federação que mais concentra cervejarias no Brasil (427). Porém, o maior crescimento em números absolutos aconteceu no Sul — que ganhou 43 plantas fabris, saindo de 731 para 774. Santa Catarina puxou esse aumento em grande parte, com um aumento de 25 fábricas (aumento de 11,11% em relação ao ano anterior).

O maior crescimento relativo foi da região Nordeste, com 16,4% de aumento no número de cervejarias, partindo de 122 para 142 estabelecimentos registrados.

Cervejarias no Brasil apostam em cerveja sem álcool

A cerveja sem álcool já vinha crescendo anualmente nos últimos anuários. No entanto, em 2024 ela explodiu. A produção nacional cresceu 536,9% em volume em relação a 2023. “A evolução da cerveja 0,0% reforçam nosso compromisso com a diversidade de escolhas e com um consumo cada vez mais equilibrado e consciente”, afirma Márcio Maciel.

Ao lado disso, a grande quantidade de marcas (55.015) e de produtos registrados (43.176) mostra que a indústria oferece um amplo portfólio e está atenta às mudanças no comportamento do consumidor, com uma diversidade capaz de atender diferentes perfis de renda e de realidades regionais.

Os dados do anuário revelam também avanço expressivo nas exportações, com mais de 332 milhões de litros enviados ao exterior e um superávit comercial recorde de US$ 195 milhões.

A íntegra do Anuário 2025 pode ser acessada nos sites do Sindicerv e do Ministério da Agricultura.

Dia da cerveja – datas pelo mundo que você precisa colocar na agenda

Todo mundo gosta de uma data comemorativa. Pode ser um aniversário, um feriado ou até a Confraternização Universal. Não importa. A questão é ter um motivo para um bom brinde. E quem é fã da cerveja tem muita sorte nisso, já que há vários Dias da Cerveja além do Dia da Cerveja propriamente dito — e sempre surgem mais!

São datas de alcance global ou outras locais, dias de estilos queridos ou mesmo de festivais com grande relevância no mundo. Que tal conhecer algumas e colocar no calendário para não esquecer mais?

>>> Leia mais: Balcão do Profano Graal: São Patrício e o dia da cerveja verde

Começamos pelo mês de agosto. As datas especiais são as mais importantes e por isso ele bem que poderia se chamar Mês da Cerveja.

AGOSTO

Dia da Cerveja (International Beer Day)

Data: 1ª sexta-feira de agosto

Site oficial: International Beer Day

Se fossemos comparar, o Dia Internacional da Cerveja seria a Confraternização Universal dos cervejeiros. Aconteceu pela primeira vez em 2007, organizado por um grupo de amigos em um bar em Santa Cruz, na Califórnia, nos Estados Unidos. Hoje a comemoração gera brindes centenas de cidade de diversos países de todos os continentes. São três propósitos declarados: se reunir com amigos e apreciar o sabor da cerveja; celebrar os responsáveis pela fabricação e serviço da cerveja; unir o mundo sob a bandeira da cerveja, celebrando as cervejas de todas as nações em um único dia.

Dia Internacional da IPA (International IPA Day)

Data: 1ª quinta-feira de agosto

Data criada nos Estados Unidos em 2011 principalmente como uma comemoração pelas redes sociais — era pedido que as pessoas postassem uma foto com a #IPADAY para participar. Mas no ano seguinte a barreira da internet já foi rompida e o dia foi comemorado presencialmente pelo mundo.

Great British Beer Festival (GBBF)

Data: Início de agosto (datas variam a cada ano) 

Site oficial: Great British Beer Festival

O Great British Beer Festival é um dos maiores eventos de cerveja do Reino Unido, organizado em Londres pela CAMRA (The Campaign for Real Ale), uma das maiores associações de consumidores do mundo. O festival destaca principalmente cervejas britânicas como Ales, Bitters e Stouts no método de serviço em Cask (Real Ales). Conta com centenas de rótulos, inclusive internacionais, além de música ao vivo e comidas típicas.

SETEMBRO

Belgian Beer Weekend

Data: Primeiro fim de semana de setembro

Site oficial: Belgian Beer Weekend

O Belgian Beer Weekend é um festival dedicado à cerveja belga realizado anualmente na Grand-Place, em Bruxelas. O evento reúne dezenas de cervejarias do país e apresenta ao público uma ampla variedade de estilos tradicionais. A programação inclui degustações, desfiles de confrarias cervejeiras e atividades culturais. É um dos mais importantes do mundo.

Arthur’s Guinness Day

Data: 28 de setembro

O Arthur’s Guinness Day é celebrado em 24 de setembro em homenagem a Arthur Guinness, fundador da icônica cervejaria irlandesa Guinness. A data marca a assinatura do contrato de arrendamento da St. James’s Gate Brewery, em 1759, sendo comemorada com brindes sincronizados em pubs do mundo todo (pontualmente às 17h59 no horário de Dublin). Já houve um evento criado pela marca em 2009 com shows e campanhas culturais ligados ao legado de Guinness. Mas ele não acontece mais.

Sour Beer Day

Data: 3ª quinta-feira de setembro

O Sour Beer Day celebra as cervejas ácidas, como Berliner Weisse, Gose, Lambic e outras variações com fermentações selvagens. A data promove a diversidade de sabores e a complexidade dos estilos desse grupo. A celebração foi criada por entusiastas para valorizar as Sours como parte essencial da cultura cervejeira moderna.

OUTUBRO

Great American Beer Festival (GABF)

Data: Variável. Geralmente entre o final de setembro e começo de outubro

Site oficial: Great American Beer Festival

O Great American Beer Festival é o maior festival de cerveja dos Estados Unidos, realizado anualmente em Denver, no Colorado. Reúne centenas de cervejarias e milhares de rótulos para degustação. Também promove uma das competições mais importantes do país. Se você é fã das cervejas norte-americanas, é passagem obrigatória.

Oktoberfest

Data: Variável. Começa sempre perto de 20 de setembro

Site oficial: Oktoberfest

Colocamos a Oktoberfest em outubro por convenção. Mas a festa original, realizada em Munique, na Baviera, Sul da Alemanha, começa mesmo no final de setembro. Isso acontece para os participantes poderem aproveitar o finalzinho do calor do verão do hemisfério norte. Ela é conhecida como uma das maiores festas cervejeiras do mundo – apesar de, na verdade, comemorar um casamento. Ela aconteceu pela primeira vez em  1810, como uma celebração do casamento do príncipe Ludwig da Baviera (futuro Rei Ludwig I) com a princesa Therese von Sachsen-Hildburghausen. A partir daí, gerou festas todos os anos na mesma época para lembrar o fato. A cerveja é importante, claro, mas o evento é um grande parque de diversões para todos. Passagem obrigatória para todo o beer lover.

Black Brewer’s Day

Data: 10 de outubro

Site oficial: Black Brewer’s Day

O Black Brewer’s Day é celebrado para reconhecer e homenagear os cervejeiros negros e sua contribuição para a indústria cervejeira. A data promove visibilidade e inclusão, destacando histórias e talentos da comunidade negra no universo da cerveja artesanal. Criado por ativistas e entusiastas, o dia busca fortalecer a diversidade no setor.

NOVEMBRO

Dia Internacional da Stout (International Stout Day)

Data: 1ª quinta-feira de novembro

O International Stout Day promove degustações, eventos e lançamentos especiais em bares e cervejarias ao redor do mundo. Criada por apreciadores do estilo, a celebração destaca a importância das Stouts (são vários estilos) na cultura cervejeira global.

Small Brewery Sunday

Data: 1ª domingo após o feriado norte-americano de Ação de Graças

O Small Brewery Sunday incentiva o apoio às pequenas cervejarias artesanais. A data promove o consumo local e destaca a importância das microcervejarias para a diversidade do mercado. Criado por grupos da indústria da cerveja artesanal norte-americana, como a Brewers Association (BA), o evento busca fortalecer a comunidade cervejeira independente. Mas, infelizmente, parece que parou de ser estimulado pela BA ainda em 2021. Se for participar, use a hashtag #SmallBrewerySunday.

DEZEMBRO

Dia Nacional da Lager nos EUA (National Lager Day)

Data: 10 de dezembro

O National Lager Day homenageia as cevejas e estilos da família Lager. A data valoriza a versatilidade e refrescância das Lagers, incentivando a degustações e eventos em bares e cervejarias. Surgiu como iniciativa de entusiastas para reconhecer o impacto das Lagers na cultura cervejeira global.

JANEIRO

Dia Baltic Porter (Baltic Porter Day)

Data: 3º sábado de janeiro

Site oficial: Baltic Porter Day

Celebra o estilo Baltic Porter, criado por cervejarias dos países do Mar Báltico — dizem que surgiu na Polônia! — no século 18 para competir com a Imperial Stout, exportada pelo Reino Unido para lá. Ambas são cervejas encorpadas, bastante alcoólicas e feitas com maltes torrados, que trazem sabores de cacau, chocolate e café. Foi criado pelo cervejeiro e entusiasta de cerveja polonês Marcin Chmielarz em 2016, inspirado no Stout Day.

FEVEREIRO

Mês da Stout (Stout Month)

Data: o mês todo

Nos Estados Unidos, fevereiro é conhecido como mês da Stout. Não se sabe ao certo como a comemoração começou. Porém, é inverno no hemisfério norte, o que pode ter estimulado a comunidade cervejeira a criar um motivo para brindar com cervejas mais intensas, principalmente com as Imperial Stouts.

Carnaval

Data: variável. Em geral, fevereiro ou início de março

Em terras brasileiras não há data mais cervejeira que o Carnaval. Vale a pena manter no calendário.

MARÇO

Dia Internacional da Tripel (International Tripel Day)

Data: 3 de março

Site oficial: International Tripel Day

Criado pelo entusiasta americano Mike Sawchuck em fevereiro de 2022 para comemorar o estilo Belgian Tripel — estilo belga de abadia, dourado e intenso, muito aromático.

Dia Internacional da Colaboração Feminina na Cerveja (International Women’s Collaboration Brew Day)

Data: 8 de março

Site oficial: International Women’s Collaboration Brew Day

Data criada em 2013 pela premiada cervejeira britânica Sophie de Ronde — eleita “Cervejeira do Ano” pela British Guild of Beer Writers em 2019. No ano seguinte, ela entrou em contato com a Pink Boots Society (ONG internacional que apoia mulheres e pessoas não-binárias na indústria de bebidas fermentadas) para criar uma data que encorajasse as mulheres a fazer cervejas juntas no Dia da Mulher. Parte do dinheiro é doado para caridade e para a ONG, para criar mais ações com os mesmos objetivos. No primeiro ano, mais de 60 mulheres de 5 países participaram da produção da Unite. Em 2015, foram 80 em 11 países, para produzir a Unite Red — inclusive no Brasil. Em 2024 foram mais de 800 mulheres criando cerca de 60 cervejas em todo o mundo.

Dia de São Patrício (St. Patrick’s Day)

Data: 17 de Março

O Dia de São Patrício, padroeiro da Irlanda, é uma data festiva muito associada à cerveja — talvez pelo gosto do povo irlandês pela bebida. No país de origem, foi por muito tempo somente uma data religiosa. Começou a ser comemorado com festa nos Estados Unidos no século 18, com direito a paradas e, mais tarde, no início do século 20, com chope verde. Hoje movimenta brindes em milhares de locais pelo mundo.

Dia Internaconal da Orval (International Orval Day)

Data: 3º sábado de março

O International Orval Day é celebrado em março por fãs da icônica cerveja trapista belga Orval. Bares e lojas especializadas ao redor do mundo promovem degustações e eventos em homenagem à cerveja. A celebração foi criada em 2016 pela importadora americana de produtos europeus Merchant du Vin, com o objetivo de divulgar a Orval e fortalecer a cultura trapista entre apreciadores de cervejas especiais.

ABRIL

Saison Day

Data: último sábado de abril

O Saison Day é celebrado anualmente em abril e homenageia o tradicional estilo belga Saison, conhecido por seu perfil seco, frutado e condimentado. O evento reúne bares e cervejarias artesanais em todo o mundo, promovendo lançamentos e degustações do estilo. A data foi criada em 2014 pela cervejaria americana Allagash Brewing, com o objetivo de valorizar e divulgar as Saisons no cenário craft internacional.

Dia da Cerveja Alemã (aniversário da Lei da Pureza)

Data: 23 de abril

O Dia da Cerveja Alemã é comemorado em 23 de abril e marca o aniversário da Reinheitsgebot, a Lei da Pureza da cerveja alemã, decretada em 1516 na Baviera. A data celebra a tradição e a qualidade das cervejas alemãs, com eventos em cervejarias e bares em todo o país. A comemoração foi oficialmente instituída em 1994 pela associação de cervejeiros da Alemanha.

Festival da Cerveja de Praga (República Checa)

Data: primavera (abril ou maio)

O Festival da Cerveja de Praga é o maior evento cervejeiro da República Checa, realizado anualmente na capital durante a primavera. Reúne dezenas de cervejarias checas e internacionais, oferecendo mais de 100 rótulos, além de comidas típicas e música ao vivo. Criado em 2008, o festival busca promover a cultura cervejeira do país, conhecido pela tradição das Pilsners.

MAIO

Mikkeller Beer Celebration Copenhagen (MBCC)

Data: Variável.

Site: Mikkeller Beer Celebration Copenhagen

O Mikkeller Beer Celebration Copenhagen é um dos festivais mais prestigiados do mundo da cerveja artesanal, realizado anualmente em maio na capital da Dinamarca. Criado em 2012 pela cervejaria Mikkeller, o evento reúne algumas das cervejarias mais inovadoras do mundo em uma celebração de rótulos exclusivos e colaborações especiais. O foco é a qualidade e a experimentação, com acesso limitado para garantir uma experiência diferenciada.

Mondial de la Bière de Montreal

Data: variável

Site: Mondial de la Bière de Montreal

O Mondial de la Bière de Montreal é o principal festival de cerveja do Canadá, realizado desde 1994 na província do Quebec. O evento acontece geralmente em junho e reúne centenas de cervejarias locais e internacionais, promovendo degustações, harmonizações e atividades educativas. É uma vitrine para a diversidade e inovação da cena cervejeira canadense e global.

JUNHO

Dia da Cerveja Brasileira

Data: 5 de junho

O Dia da Cerveja Brasileira foi criado em 2012 por iniciativa de um grupo chamado Blogueiros Brasileiros de Cerveja (BBC) e visava valorizar a cerveja nacional. A data escolhida é uma homenagem ao ex-proprietário da cervejaria Canoiense, Rupprecht Loeffler, nascido nesse dia. Loeffler, carinhosamente conhecido como Seu Lefra, dedicou grande parte de sua vida à produção da bebida. Ele faleceu em 2011, aos 93 anos. A Canoiense foi fundada em 1908, sendo considerada uma das mais antigas microcervejarias do Brasil.

Dia da Cerveja no Reino Unido (Beer Day Britain)

Data: 15 de junho

Site: Beer Day Britain

A data visa promover a cultura cervejeira britânica e marca o aniversário da assinatura da Magna Carta, em 1215, que fazia referência ao direito de comércio de cerveja. Criada em 2015 pela escritora Jane Peyton, a celebração inclui brindes coletivos, festivais e ações em pubs por todo o país.

JULHO

St. Arnoldus Day

Data: 18 de julho

O St. Arnoldus Day é data do padroeiro da cerveja, São Arnoldo de Soissons. A data reconhece o papel histórico da cerveja como alternativa segura à água contaminada na Idade Média, graças ao processo de fervura. Criado na Bélgica, o dia é comemorado com brindes à saúde e à tradição da cerveja monástica e artesanal. Algumas fontes apontam o dia 14 de agosto para a comemoração.

3ª Festa da Colheita de Lúpulo: entre cones e conversas 

Araraquara recebeu, na sexta (1º de agosto) e sábado (2), um evento que ajuda a marcar esse novo capítulo que vem sendo escrito sobre a história do lúpulo brasileiro. Mais do que uma celebração simbólica do Dia do Agricultor, a 3ª Festa da Colheita de Lúpulo reuniu agricultores, pesquisadores, cervejeiros, estudantes e autoridades públicas para discutir o papel estratégico do lúpulo na economia regional e nacional. Ela foi organizada pelo Sindicato Rural de Araraquara em parceria com a Cadeia Produtiva Local do Lúpulo (CPL), a APROJAPE e o projeto Lúpulo Guarani.

Ribeirão Preto, que é a famosa cidade do chope, fica a menos de 100 quilômetros de distância de Araraquara e as culturas cervejeiras vão se encontrando e se formatando em uma região muito rica e potente do setor de turismo, entretenimento e gastronomia, com a cerveja como ferramenta de cultura regional. 

>>> Leia Mais: CPL do Lúpulo mira produção nacional mais autossustentável. Confira a entrevista com Luciana Andreia Pereira, da Lúpulo Guarani, que esteve à frente do projeto

Lançamento da CPL do Lúpulo em Araraquara contou com a presença de autoridades durante a 3ª Festa da Colheita de Lúpulo, como: Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva (esq.) e o prefeito da cidade de Araraquara, Doutor Lapena (ao centro, de camisa listrada). Crédito Bia
Lançamento da CPL do Lúpulo em Araraquara contou com a presença de diversas autoridades durante a 3ª Festa da Colheita de Lúpulo, como: Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva (esq.) e o prefeito da cidade de Araraquara, Doutor Lapena (ao centro, de camisa listrada). Crédito: Bia Amorim

A programação começou com uma missa presidida pelo Padre Nelson e seguiu com o cerimonial de abertura, pronunciamentos de autoridades e a inauguração da tão aguardada Unidade de Beneficiamento da planta. Trata-se de uma estrutura técnica com capacidade para processar até uma tonelada de lúpulo por dia, e que conta com o apoio do programa estadual SP Produz. A iniciativa insere o lúpulo de Araraquara no rol das CPLs (Cadeias Produtivas Locais), o que viabiliza investimentos, reconhecimento formal e articulação entre diversos agentes: do campo à indústria.

Palco principal da abertura do evento com as autoridades presentes (Crédito: Bia Amorim)
Palco principal da abertura do evento com as autoridades presentes (Crédito: Bia Amorim)

Durante a abertura da 3ª Festa da Colheita de Lúpulo, o prefeito de Araraquara, Doutor Lapena, destacou o papel estratégico do lúpulo no desenvolvimento econômico do município: “Estamos construindo aqui uma referência nacional na produção de lúpulo. A força do campo é o alicerce do nosso futuro, e apoiar o agricultor é garantir que a inovação ande de mãos dadas com a tradição”, afirmou.

Unidade de beneficiamento também foi entregue durante o evento (Crédito: Bia Amorim)
Unidade de beneficiamento também foi entregue durante o evento (Crédito: Bia Amorim)

O secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, Jorge Lima, também elogiou a atuação dos produtores da região: “Araraquara mostra como é possível alinhar vocação agrícola e empreendedorismo. O Estado está atento a esse movimento e pronto para apoiar iniciativas que geram emprego, renda e tecnologia no campo.”

Presidente da Abracerva, Gilberto Tarantino, mostra o interior de uma flor de lúpulo na 3ª Festa da Colheita de Lúpulo
Presidente da Abracerva, Gilberto Tarantino, mostra o interior de uma flor de lúpulo

Depois da faixa oficial cortada, fomos visitar a plantação dos lúpulos e ver, e sentir, de perto os lindos cones verdes, em camadas finas e aroma delicioso. Colhi um lúpulo pela primeira vez e fiquei muito feliz. Abri ao meio a flor e lá estava, aquele miolo amarelinho e cheio das substâncias que fazem da cerveja tão equilibrada, amarga e cheirosa, como eu gosto!

Segundo dia da 3ª Festa da Colheita de Lúpulo

No segundo dia de evento, o IPA Day reuniu cervejeiros, sommeliers, professores universitários e representantes da Abracerva, da Aprojape e da comunidade local. Painéis técnicos abordaram temas que iam desde genética vegetal e adaptação ao clima até experiências práticas na produção de cervejas com lúpulo nacional. O clima foi de festa, mas também de escuta e troca e o lúpulo, enfim, vai deixando de ser só promessa para se apresentar em forma de pellet, mudas de diferentes variedades e produtos como a cerveja Ópera Guarani (Session IPA) e a água saborizada com lúpulo.

As torneiras estavam bem representadas por cervejarias da região que apostam na produção artesanal com identidade. Entre elas, nomes como Cervejaria Ópera, Feitoria, Avenida 42, Vitruviana, Bendita, Taberna Augustina, Invicta e Cachorro Magro marcaram presença, levando suas interpretações criativas — e frescas — sobre o uso do lúpulo brasileiro.

Bia Amorim participou da 3ª Festa da Colheita de Lúpulo e conta suas impressões (Crédito: Mari Astolfi)
Bia Amorim participou da 3ª Festa da Colheita de Lúpulo e conta suas impressões (Crédito: Mari Astolfi)

Entre os presentes estavam nomes importantes da cena cervejeira, Duan Ceola, Patrick Bannwart (Global Food), Mari Astolfi, Marcelo Rubino (Cervejaria Ópera), Bruno Virgílio (Vitruviana), Guilherme Donato (Cachorro Magro), Rodrigo Silveira (Invicta) e representantes da comunidade acadêmica da UNESP. Também participaram Herman Wigman e a equipe da Van de Bergen, a BioSab Leveduras, com a Sabrina Ciane, reforçando a importância da troca de conhecimentos com iniciativas internacionais de cultivo e tecnologia.

Gilberto Tarantino (ABRACERVA) fez uma fala importante na abertura do evento, relembrando a importância da cerveja na economia do país: “Cerveja é agricultura, um produto feito no Brasil. Isso gera mais de 2 milhões de empregos, diretos e indiretos e representa 2% do PIB no país. O Estado de São Paulo tem capacidade de sobra para uma central de lúpulo como essa.” apresentou Giba.

O evento reforça a consolidação de Araraquara como um dos polos emergentes do cultivo de lúpulo no Brasil. Ainda é cedo para falar em autossuficiência, mas o que se viu ali, entre falas, risadas, mudas, cervejas e compromissos públicos, foi um sinal claro de que há movimento, pesquisa, governança e, principalmente, vontade de fazer diferente e fazer com nossa identidade, frescor e comunidade agrícola.

Como uma formiguinha que carrega folhas maiores do que seu próprio corpo, seguimos. Com o aroma do lúpulo no nariz e os pés firmes no chão do Brasil.

Bia Amorim é sommelière, pesquisadora e palestrante. Atua na interseção entre gastronomia, cultura e bebidas brasileiras, com foco em comunicação, experiência, consumo consciente e hospitalidade.

CPL do Lúpulo mira produção nacional mais autossustentável

Apesar de o Brasil ocupar o terceiro lugar no ranking mundial de consumo e produção de cerveja, menos de 1% do lúpulo utilizado no país é cultivado em solo nacional. Mas um grupo de cervejeiros, empresários e pesquisadores está determinado a mudar esse cenário. Nessa sexta (1º de agosto) e sábado (2), eles se reuniram em Araraquara, na região central do estado de São Paulo, para a 3ª Festa da Colheita do Lúpulo. E o evento teve um motivo especial para comemorar este ano: o lançamento oficial da Cadeia Produtiva Local do Lúpulo (CPL do Lúpulo), projeto aprovado pelo programa SP Produz 2025, do Governo do Estado de São Paulo, que oferece apoio estratégico ao fortalecimento de cadeias produtivas locais.

Além de uma programação cheia de palestras com mestres cervejeiros, agrônomos e produtores, o evento também celebrou a inauguração de uma Unidade de Beneficiamento, com maquinário que será compartilhado por dezenas de produtores da região.

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À frente dessa potente iniciativa está a empreendedora e publicitária Luciana Andreia Pereira, da Lúpulo Guarani. Em entrevista ao Guia da Cerveja, ela explica como o projeto pode representar uma virada de chave na produção de lúpulo paulista e abrir novas perspectivas para o setor no Brasil.

Lançamento da CPL do Lúpulo (Cadeia Produtiva Local do Lúpulo): Luciana Andreia Pereira, da Lúpulo Guarani (esquerda) e o prefeito de Araraquara, Doutor Lapena (PL-SP), cortam a faixa inaugural da Unidade de Beneficiamento de lúpulo
Lançamento da CPL do Lúpulo (Cadeia Produtiva Local do Lúpulo): Luciana Andreia Pereira, da Lúpulo Guarani (esquerda) e o prefeito de Araraquara, Doutor Lapena (PL-SP), cortam a faixa inaugural da Unidade de Beneficiamento de lúpulo (Crédito: Divulgação / Lúpulo Guarani)

Qual é a importância da aprovação da CPL do Lúpulo para produtores de São Paulo? 

A CPL é um programa que trabalha em cinco frentes: institucional, produção, insumos, indústria e comercialização. É um ecossistema integrado. Atualmente somos um grupo grande, cerca de 50 CNPJs, que abriga instituições ligadas a produção e cultivo de lúpulo num raio de 100 quilômetros aqui de Araraquara. O objetivo da CPL é justamente criar elos institucionais, de produção, de insumo, de indústria, de comercialização, para a gente fortalecer essa cadeia produtiva, para que ela seja autossustentável. 

Qual foi o maior desafio no processo de elaboração do projeto e inscrição no edital da CPL?

Achamos que não conseguiríamos a aprovação porque o lúpulo ainda é muito incipiente, tem somente 1% de mercado [no Brasil]. Em contrapartida, o mercado das mudas, das pesquisas, do agro, ele também é muito forte. O Brasil é o terceiro maior país em consumo e produção de cerveja, então, existe muito potencial de crescimento. E isso ajudou muito.  

Qual foi o seu papel na construção da CPL do Lúpulo?

Meu movimento foi o de comunicação, de trazer pessoas engajadas, que “arregaçam as mangas”. Porque temos pessoas brilhantes nesta área. Todo mundo sabe do potencial cervejeiro brasileiro, com uma produção de lúpulo de 1%. E contamos com muita gente neste movimento: Sebrae, Governo do Estado de São Paulo, Unesp (Universidade Estadual Paulista), os secretários Guilherme Piai (de Agricultura e Abastecimento) e Jorge Lima (Desenvolvimento Econômico) e prefeitura de Araraquara. A gestão da CPL é da Aprojape (Associação dos Produtores Rurais do Vale do Rio Jacaré Pepira), o sindicato rural de Araraquara. Enfim, muita gente que apoiou e acreditou no projeto. Então, o que fiz foi ajudar a direcionar, colocar esse pessoal de forma estratégica. Mas não fui eu que montei essa estrutura da CPL, quem montou foi o Governo do Estado, de forma brilhante.

Como você avalia a produção do Lúpulo no Brasil atualmente?

Lançamento da CPL do Lúpulo ocorreu durante a 3ª Festa da Colheita de Lúpulo em Araraquara (Crédito: Luciana Andreia Pereira / Divulgação / Lúpulo Guarani)
Lançamento da CPL do Lúpulo ocorreu durante a 3ª Festa da Colheita de Lúpulo em Araraquara (Crédito: Luciana Andreia Pereira / Divulgação / Lúpulo Guarani)

A gente entende que hoje o cultivo já se estabeleceu, que é uma planta que pegou por aqui. Antes, entendia-se que era de clima temperado. “Ah, mas não vai crescer aqui”, diziam. Cresceu. De que maneira? Através da suplementação luminosa. “Ah, mas não vai dar produtividade”. Temos três colheitas por ano. “Ah, mas não vai entregar qualidade”, que é a teor de alfa-ácidos e óleos essenciais. Com a terra que a gente tem aqui, começamos a superar a qualidade em termos de alfa-ácido. A questão fitossanitária também é bem importante. Mas temos conosco o professor Éder Antônio de Piotti, que é um fitopatologista, que criou mudas 100% saudáveis há 20 anos e que montou um projeto de ecossistema integrado para a nossa cadeia produtiva. Então, isso também foi resolvido.

E o que falta para a produção vingar?

Os principais gargalos são o beneficiamento, comercialização, industrialização e divulgação, que é essa parceria com as cervejarias. Acho que com a criação da CPL do lúpulo conseguimos mapear todos esses desafios e agora é criar mecanismos para fazer essa cadeia acontecer de forma sustentável. 

Quando comecei neste ramo, entendi que o lúpulo cresceu nos Estados Unidos porque o governo fez essa intermediação. Porque a gente precisa de um background firme. Eu, por exemplo, perdi toda a minha primeira colheita de lúpulo em 2022 porque não tive um bom beneficiamento, não tive uma orientação de como conduzir.

O objetivo da CPL é aumentar o número de plantios, criar uma governança, dar suporte, trazer pesquisa para as cervejarias encontrarem um lúpulo de qualidade, fresco, com “terroir” genuíno. E para que a gente possa depois fazer a comercialização de uma forma vantajosa para todos os envolvidos. 

Qual o objetivo de eventos como a Festa da Colheita?

A gente recebe no evento as associações de cervejeiros e especialistas justamente para que esse diálogo entre todos os elos da cadeia se torne um hábito — as cervejarias artesanais, a indústria química, o comercial, o agro. É um momento para todo mundo trazer suas dores, para poder dialogar juntos, para que essas engrenagens que começamos a rodar com a CPL do Lúpulo sigam girando. 

De que forma a unidade de beneficiamento vai ajudar os produtores da região?

Unidade de beneficiamento vai processar o lúpulo colhido em flor, que será transformado em pellets (Crédito: Luciana Andreia Pereira / Divulgação / Lúpulo Guarani)

Essa unidade vai atender produtores num perímetro de 100 quilômetros aqui da região, tanto os lúpulos já produzidos quanto os que ainda serão plantados aqui. A gente vai criar um valor mais baixo para custear o operacional e dar uma grande competitividade para todos. E nós também vamos ajudar a construir uma nova CPL nas regiões do município de Fartura e no Vale do Ribeira. Tudo que tive de experiência nesse edital, vou passar para eles, porque é muito importante que os produtores não tenham mais problemas com o beneficiamento do lúpulo. Para que a gente consiga atender as cervejarias artesanais e, quem sabe, num futuro, até as grandes cervejarias.

Como você percebe a aceitação das cervejarias para o lúpulo nacional?

As cervejarias artesanais estão com grandes expectativas, porque essa produção nossa vai diminuir a necessidade deles pelo insumo importado, além de ser um lúpulo recém colhido, fresco. Teremos o nosso próprio “terroir”. Mas precisamos ainda criar uma divulgação muito efetiva para não haver dúvida de que o insumo esteja sendo produzido com uma base científica muito forte para entregar a eles um lúpulo no nível do importado, se não for melhor.

Guia completa 7 anos e retoma atividades com nova equipe e site

Um novo Guia da Cerveja vem pela frente. Após meses de paralisação, o portal está retomando suas atividades com algumas reformulações, com uma equipe diferente e um layout modernizado de sua home. A premissa editorial, entretanto, seguirá a mesma: fazer um jornalismo cervejeiro de qualidade e diversificado, buscando sempre tratar as notícias com equilíbrio, profundidade e senso crítico.

Reforçando a ideia de manutenção da linha jornalística, as editorias do Guia serão as mesmas: Indústria, Internacional, Mercado, Consumidor e Cultura. Já os colunistas agora serão fixos, com oito nomes que assinarão artigos bimestrais — Bia Amorim, Chiara Barros, Clairton Gomes e Sara Araujo, entre outros.

Completando sete anos em julho de 2025, o Guia terá como novo diretor de conteúdo Luís Celso Jr., que é jornalista especializado em jornalismo digital, com 18 anos de atuação em Redação de veículo diário, impresso e digital, além de atuar há 18 anos no mercado cervejeiro. Também é sommelier de cervejas premiado, professor do Instituto da Cerveja Brasil e consultor. “É uma honra e uma grande responsabilidade integrar a equipe do Guia da Cerveja nessa nova fase. Manter a qualidade do conteúdo que o Guia sempre apresentou é um desafio diário, mas que será realizado com o máximo de dedicação e empenho”, diz.

Marcelo Tárraga, que é jornalista de formação e já teve passagens por TV Globo e Band, além de carimbos de Y&R e Meta no currículo, seguirá na direção de marketing digital. E Débora Pivotto, jornalista com anos de experiência em grandes veículos brasileiros de comunicação, como Rede Globo, Editora Abril e Grupo Estado, será a nova repórter.

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Em sua nova fase, ao mesmo tempo em que buscará a manutenção da linha jornalística, o Guia apostará em novas frentes de divulgação, redobrando sua atuação nas mídias sociais e trazendo conteúdos mais amplos e diversificados para Instagram, Youtube e Linkedin, entre outros.

Para Marcelo Tárraga, que está presente desde a concepção do Guia, a companhia atinge o seu momento de maturação perfeita. “A jornada até aqui foi para nos trazer gigantes aprendizados das engrenagens do segmento cervejeiro. Onde ir, como funciona, o que é mais relevante, entender as características de cada player. Diria que nesse longo processo, de mais de quatro anos de trabalho, retomamos agora contemplando a mesma receita: de transparência, profundidade, respeito ao setor, qualidade editorial, que é a nossa pedra fundamental”, aponta o diretor de marketing digital, para depois complementar.

“Porém, agora, com um produto já consolidado e maturado — após anos de experiência — reforços de extrema relevância na equipe e nas parcerias, estamos fincando nossa marca no setor com mais força. E com uma missão de elevar o produto Guia para muitos outros patamares. Explorar o mundo e mercado das cervejas. E aprofundar os relevantes debates do segmento cervejeiro, mostrando toda sua importância para a indústria nacional. O lançamento de um novo portal e a reestreia da marca após o hiato organizativo é apenas o primeiro novo passo de muitos planos que vamos construir juntos ao setor”, garante Marcelo.

Rússia supera Alemanha e lidera produção de cerveja na Europa

O aumento na fabricação na Rússia (8,18%) e uma queda de volume na Alemanha (1,13%) forçaram a primeira mudança no top 5 mundial dos maiores países em termos de produção de cerveja no mundo. Os russos conquistaram o 5º lugar com 9,08 bilhões de litros em 2024, empurrando os germânicos para a 6ª colocação com seus 8,39 bilhões, segundo o mais recente relatório da BarthHaas, divulgado na semana passada.

Apesar de rara, a mudança de posições nesse nível do ranking não é inédita na história recente. Em 2000, a Rússia já havia conquistado o 5ª posição, mas a Alemanha recuperou o posto em 2013.

Os três primeiros colocados continuam os mesmos, com a China em primeiro, com 34,1 bilhões de litros (cerca de 18,2% de toda a cerveja produzida no mundo), Estados Unidos em segundo, com 18,45 bilhões (9,8%) e o Brasil em terceiro, com 14,75 bilhões de litros (7,9%).

A BarthHaas é uma empresa alemã e hoje um dos maiores grupos produtores de lúpulo do mundo. O relatório é produzido desde 1912 e se tornou um dos mais relevantes do setor com números abertos sobre cerveja e lúpulo ao nível global. Ele é organizado com base em diversos levantamentos e estimativas — como acontece com os números da Rússia —, dada as dificuldades de obter essas informações em alguns países.

Segundo o relatório, mudanças no comportamento do consumidor, o aumento do consumo de cerveja sem álcool e a queda no poder aquisitivo podem ser algumas das razões para a queda no consumo na Alemanha. Na sexta-feira (25) a Oettinger-Brauerei, uma das maiores cervejarias do país, anunciou que pretende fechar uma de suas fábricas que fica em Brunsvique, no centro-norte do país, por conta do excesso de capacidade ociosa devido à queda de consumo na última década.

Maiores empresas em produção de cerveja do mundo

Também vêm da Rússia as principias novidades no ranking de 40 maiores empresas produtoras de cerveja do mundo, que respondem juntas por 87,4% de toda a cerveja global. A Baltika entrou na 12ª posição e a United Breweries – Holding (OPH) na 24ª colocação. A primeira fazia parte da dinamarquesa Calsberg até meados de 2023. A segunda, pertencia à Heineken. Ambas foram recriadas a partir da venda das operações no país em razão da guerra contra a Ucrânia.

A primeira empresa do ranking é a AB InBev com 49,55 bilhões de litros (uma participação de 26,4% no volume mundial de cervejas), seguida pela Heineken, com 24,07 bilhões (12,8%), e a gigante chinesa Snow Breweries, com 10,88 bilhões (5,8%).

Estabilização ao nível global

Os números também apontam uma queda de apenas 0,3% no volume mundial de produção de cerveja (chegando a 188 bilhões de litros). Ou seja, uma tendência de estabilização, já que o volume se mantém perto da faixa de 190 bilhões de litros desde 2022.

Uma das maiores quedas por continente foi na Ásia, que perdeu 2,3% do volume de produção, ficando com 56,54 bilhões de litros em 2024. O resultado foi puxado principalmente pela China, que perdeu 1,8 bilhão de litros. Já a Oceania vem na sequência, já que perdeu 1,6% do volume.

Nas Américas, a produção caiu 1,3%, chegando a 61,7 bilhões de litros no total. A queda foi mais expressiva nos EUA, onde a produção caiu 920 milhões de litros. Já o Brasil perdeu 150 milhões de litros e o México, por outro lado, aumentou 260 milhões de litros, segundo o relatório.

O México é o 4º lugar mundial em produção, com 14,49 bilhões de litros, logo atrás do Brasil. E vem crescendo ano a ano, principalmente por conta das exportações para os Estados Unidos. No entanto, com as novas tarifas do governo norte-americano, os números podem ser sensivelmente prejudicados em 2025.

Já os maiores crescimentos por continente foram registrados na África, com crescimento de 6,7%, e na Europa, com aumento de 1,1%.

Lúpulo

Na área do lúpulo também houve queda de produção mundialmente. A área plantada caiu cerca de 8% (perda de 4.630 hectares). Mas houve um aumento de 4% da produtividade por hectare, o que levou o volume mundial de colheitas a 113,5 milhões de quilos de lúpulo em flor, uma queda de apenas 3,9% em relação a 2023.

A Alemanha manteve sua posição como maior fornecedor mundial de lúpulo (tanto em volume de produção quanto em área plantada). Ainda assim, o número de produtores da planta caiu para níveis historicamente baixos, ficando pouco acima de mil em 2024.

Uma das principais conclusões do material é que o mercado de lúpulo permanece sobreofertado e reduções adicionais de área plantada são essenciais para que ele volte ao equilíbrio. A área plantada de lúpulo no mundo diminuiu 7,7% em 2024, com queda de 18% só nos Estados Unidos (segundo maior produtor mundial) e apenas 2% na Alemanha.

Confira o BarthHaas Report 2024/2025 completo aqui.

Prêmio Lata Mais Bonita: Abralatas destaca evolução do design no setor

O prêmio Lata Mais Bonita do Brasil, que está com inscrições abertas para a 4ª edição, já é um velho conhecido no setor cervejeiro. Organizado pela Abralatas (Associação Brasileira da Lata de Alumínio), ele mostrou para o mercado as melhores artes de rótulos das cervejas no país nos últimos anos. E o grande destaque dessa trajetória é justamente essa evolução do design no setor, segundo Cátilo Candido, presidente da Abralatas. Um impacto positivo que deve ser ampliado a partir deste ano com a criação de uma nova categoria para outras bebidas.

“Temos percebido uma evolução significativa. As marcas passaram a investir ainda mais em inovação, cores, acabamentos especiais e narrativas visuais que traduzem a identidade do produto e da empresa”, afirma Cátilo. “Acreditamos que o concurso tem estimulado um olhar mais atento para o design como elemento estratégico de diferenciação e conexão com o consumidor”.

Festa de premiação da terceira edição do prêmio aconteceu no Insntituto da Cerveja em São Paulo. Da esquera para direita, Roberto Castro, membro do Conselho Administrativo, e Cátilo Cândido, presidente executivo da Abralatas, ao lado dos premiados. Foto: Luís Celso Jr.
Festa de premiação da segunda edição do prêmio, que aconteceu no Insntituto da Cerveja, em São Paulo. Da esquera para direita, Roberto Castro, membro do Conselho Administrativo, e Cátilo Cândido, presidente executivo da Abralatas, ao lado dos premiados. Foto: Luís Celso Jr.

A edição 2025 do concurso tem como principal novidade a criação de uma nova categoria para além do mercado cervejeiro. A organização anunciou que a partir deste ano, bebidas como água, energéticos, sucos e refrigerantes também poderão concorrer à premiação. A mudança reflete tanto uma transformação no comportamento do consumidor quanto uma estratégia para valorizar o alumínio como embalagem versátil e sustentável. “Embora a cerveja ainda seja a principal bebida comercializada em lata no Brasil, há um crescimento consistente no uso dela por outras categorias, como energéticos, chás prontos e água, impulsionado principalmente pela praticidade”, afirma a Cátilo Candido, presidente da Abralatas.

A premiação está aberta às empresas de pequeno, médio e grande portes, que podem inscrever gratuitamente no máximo cinco rótulos por categoria até o dia 25 de agosto. São duas categorias: Cervejarias e Outros Produtos. Cada uma delas terá três rótulos premiados. O regulamento e o formulário de inscrição estão no site oficial do prêmio.

Como é escolhida a Lata Mais Bonita do Brasil

Segundo a organização, o processo de escolha das melhores latas acontece em duas etapas. Primeiro, um júri técnico composto por profissionais das áreas de design, artes visuais, marketing e merchandising seleciona cinco finalistas de cada categoria. Entre os critérios avaliados estão: criatividade, beleza estética, adequação ao produto e clareza na comunicação. Em seguida, a votação passa para o público geral, que escolhe os vencedores em votação online. “O júri popular traz uma diversidade de critérios dos consumidores, deixando o concurso ainda mais atrativo, diverso e plural”, explica Cátilo.

Além do reconhecimento simbólico, os vencedores recebem o Selo da Lata Mais Bonita do Brasil, que pode ser usado como ativo promocional. O primeiro lugar em cada categoria também recebe um pallet de latas já rotuladas com a arte vencedora; o segundo lugar ganha destaque na edição 2025 da Revista da Lata; e o terceiro pode divulgar seu rótulo durante o evento de premiação. “O setor de bebidas é grande, mas de uma forma ou de outra todos acabam sabendo [dos vencedores], além da imprensa que tem um papel fundamental de comunicar para um grande público”, ressalta o presidente da Abralatas.

O resultado da premiação será divulgado em outubro, em um evento em São Paulo.