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Após Skol perder posto de marca mais valiosa, Ambev anuncia que investirá R$ 2 bi

A Ambev vai reforçar sua aposta no mercado premium e puro malte. Durante encontro realizado nesta semana entre Bernardo Paiva, presidente da Cervejaria Ambev, e Paulo Guedes, ministro da Economia, a companhia informou que pretende investir mais de R$ 2 bilhões no mercado brasileiro em 2019.

“A Cervejaria Ambev anunciou que seus investimentos no Brasil devem ultrapassar a casa dos R$ 2 bilhões durante o ano de 2019. O investimento será na produção de cervejas premium e puro malte, e em inovações. O anúncio foi feito durante encontro realizado entre Bernardo Paiva, presidente da Cervejaria Ambev, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, para conversar sobre os investimentos que a companhia vem fazendo no país”, informou a cervejaria em comunicado.

O anúncio parece reiterar o recente movimento da Ambev – sobretudo com a Skol e os lançamentos da Hops e da Puro Malte – de buscar a linha de frente do mercado premium. Mas a tentativa de alcançar esse novo segmento, ligado às artesanais e bastante preocupado com a qualidade da cerveja, tem duas percepções distintas.

Se, por um lado, o balanço do primeiro trimestre da Ambev apontou significativo aumento de lucro e de vendas, por outro o mercado financeiro tem olhado com certa desconfiança a essa tentativa de ingressar no segmento premium.

Tanto que, depois de seis anos, desbancada pelo Bradesco, a Skol deixou de ocupar a primeira colocação das marcas mais valiosas do país, segundo a nova edição do ranking BrandZ Brasil, divulgado nesta semana pela WPP, pela Kantar e pela revista Isto É Dinheiro.

Com US$ 7,253 bilhões de valor de marca, a Skol foi ultrapassada também pelo Itaú e caiu para a terceira colocação do ranking. Ainda assim, a Ambev colocou outras duas marcas entre as seis primeiras: Brahma, em quarto com US$ 3,781 bilhões, e Antarctica, em sexto com US$ 2,672 bilhões.

Vale destacar, porém, que enquanto Bradesco e Itaú tiveram variação positiva de 35% no valor de marca, a Skol apresentou queda de 12%, a Brahma de 16% e a Antarctica de 10%.

Entre as demais marcas de cerveja presentes no ranking das 60 melhores, também aparecem a Bohemia em 14º (US$ 1,3 bilhão e queda de 19%) e a Schincariol em 28º (US$ 604 milhões e queda de 3%), única não pertencente à Ambev.

“As marcas que são percebidas como inovadoras crescem sete vezes mais do que as que não são. Nesse caso, o importante não é ter muitos dados, mas saber usar os que já temos para gerar crescimento nas marcas”, avalia Eric Salama, CEO Global da Kantar.

Espaço aberto: Colecionismo cervejeiro no Brasil

*Por Carlos Alberto Tavares Coutinho

O colecionismo é a prática de organizar, guardar, selecionar, trocar, preservar, restaurar e expor diversos itens que possam ser catalogados e mantidos em função dos interesses da pessoa que coleciona, vulgo colecionador. Colecionar é manter a história viva. Me desculpem, mas para falar de colecionismo cervejeiro há a necessidade de falar em colecionismo de outras coisas.

O colecionismo é a vitrine mundial dos itens de bebidas. Ele é muito amplo, abrangendo muitos itens colecionáveis. Tudo pode ser objeto de coleção por mais estranho que possa parecer, desde que seja um item autêntico e tenha marca, logotipo e/ou uma relação explícita com uma fábrica de bebidas. Como tal o são: tampinhas metálicas, tampinhas plásticas, abridores de garrafas, rótulos, garrafas e latas (vazias ou cheias), barris, tampas de barris, torneiras de chopp, bolachas, bandejas, móveis e utensílios (copos, taças, canecos, coolers, geladeiras, freezers, mesas e cadeiras, etc.), vestimentas (bonés, camisetas, aventais, etc.), porta-garrafas, porta-latas, guarda-sóis de praia, material de propagandas de PDV (cartazes, cartazetes, banners, displays, faixas, etc.), placas luminosas e, ainda, promoções, brindes e prêmios relacionados às bebidas e que são de interesse dos colecionadores.

Os colecionadores de itens de bebidas podem ser especializados, colecionando itens por tipo de bebidas (cervejas, refrigerantes, vinhos, alcoólicos ou não, etc.), somente de um ou alguns países, por tema (com determinados textos ou imagens, etc.) ou por evento ou período (determinado ano, olimpíada, guerras mundiais, etc.). Os itens preferidos dos colecionadores são difíceis de se apontar, pois normalmente se dedicam a mais de um tipo de coleção. Normalmente, quem tem espaço para guardar e expor sua coleção, opta por uma maior diversificação e por itens de maior volume (latas, garrafas, barris, propagandas, etc.). E, quem não tem espaço, opta por itens de menor volume (tampinhas, rótulos, bolachas, etc.), normalmente preferidos pelo time feminino.

No Brasil os colecionadores estão espalhados por todo o território, com a maior concentração na região Sudeste e Sul. Há aqui três principais clubes de colecionadores: o Brasil Chapter – Clube de Colecionadores de Itens de Cerveja, Refrigerantes e Afins, com mais de 1000 associados, reconhecido pelo Brewery Collectibles Club of America (BCCA), constituindo-se em seu Chapter #147; o RioLatas – Grupo de Colecionadores de Itens Cervejeiros do Rio de Janeiro; e o Tcherveja – Clube Gaúcho de Colecionáveis Cervejeiros.

O que movimenta este tipo de colecionismo no país é a constante procura. Como necessita de grande comunicação, são utilizados sites de grupos em redes sociais, grupos no WhatsApp. A cada movimentação dessas peças o seu valor se eleva, pois com a normal utilização dos Correios a tarifa passa a ser incluída no preço. Os colecionadores conseguem suas peças trocando e/ou negociando nas reuniões e convenções tanto de seus clubes como nas convenções e encontros de multicolecionismo que ocorrem nos mais diversos Estados. Também compram de particulares no site do “Mercado Livre”, em lojas e feiras de antiguidades, em lojas de colecionismo, em lojas virtuais. E participam de leilões e vendas a preço fixo, com itens sendo negociados a preços exorbitantes em função da procura.

Os exemplos a seguir mostram um pouco desse mercado: uma lata cheia de cerveja Alterosa dos anos 1970 atinge fácil em qualquer leilão a cifra dos R$ 4 mil – e sua tampinha e rótulo, raríssimos, têm um valor inimaginável; uma tampinha de refrigerante Gato Preto, da Fábrica de Bebidas Paraguay, já fechada, é vendida em promoção por R$ 200.

Geralmente a média de tampinhas no Mercado Livre, dependendo de idade, raridade e conservação, gira entre R$ 10 e R$ 30 – e, se tiver texto ou desenho internamente, pode chegar a R$ 80. Há ainda um ramo desse colecionismo de tampinhas que não é de bebidas, mas está sempre atrelado a ele: o de produtos como óleo de peroba, água sanitária, detergente ODD, etc., que pela idade e raridade são ainda mais caros. Os rótulos usados, dependendo do estado, chegam a R$ 60, enquanto os novos, sem uso, atingem valor ainda maior.

No exterior, principalmente na Europa e nos Estados Unidos, onde o universo do colecionismo é maior, há uma enorme gama de itens e um comércio especializado muito mais desenvolvido, tornando muito conhecido os produtos da indústria. É caríssima a compra no exterior através do site do E-Bay.

No Brasil, a maioria dos fabricantes de bebidas prefere destinar grandes somas para propaganda em publicações e outros veículos em vez de usar o que tem nas mãos quase gratuitamente: os rótulos e as tampinhas, que são os verdadeiros marketeiros de seus produtos, ignorando-os por achar irrelevante, seja por ignorância ou por acreditar que a qualidade e o boca-a-boca farão com que seus produtos sejam muito conhecidos. No caso dos rótulos, por exemplo, há mau gosto nos desenhos, marcas em língua estrangeira que não dizem absolutamente nada ou textos muito reduzidos, tornando difícil saber o que é e o que contém, confundindo o comprador e fazendo com que ele acabe levando a bebida das grandes fábricas que ele já conhece, quando poderiam trazer informações de seus prêmios conquistados e que tanto prezam.

No tocante às tampinhas a situação é bem pior. Em função do espaço reduzido, ela não traz informação alguma, esquecendo-se que no momento em que ela se separar da garrafa ninguém jamais saberá do que se trata. A memória é curta. O fabricante, por causa de centavos na fabricação de uma tampa, prefere usar uma tampa genérica de cor única (lisa) ou um desenho estranho, em vez de um pequeno texto com a marca e/ou o nome da fábrica. Poderia até ser usado um adesivo que faria com que ele economizasse um bom dinheiro em propaganda. Trata-se de um material que interessa ao colecionador e que possivelmente fará com que sua marca viaje por vários países, tornando-a conhecida. Não se exige que o produto seja distribuído e vendido em todo o Brasil, mas, através do colecionismo, uma marca pode se destacar e ser conhecida, pelo menos regionalmente.

O mais doloroso de tudo isso é a forma como é tratado o colecionador, com raras exceções, junto aos fabricantes de bebidas. Ele é considerado “um chato”, “um pedinte” e que não deve ser atendido. E o interessante é que normalmente há uma seção para atendimento ao consumidor em seu site, mas ele não atende, não informa, não responde.

O colecionador tem que ser um pedinte realmente, tem que tentar conseguir. Como ele conseguirá o item que procura para sua coleção? Um item de uma pequena e desconhecida fábrica a mais de centenas de quilômetros de onde ele está? Comprar o produto? Nem pensar… Não chegaria nunca.

Então ele pede e não é atendido, normalmente tendo suas mensagens ignoradas, nem ao menos tendo direito a uma explicação e, às vezes, ouvindo ou lendo coisas que ninguém gostaria de ler ou ouvir. Continuando sua procura, ele acaba encontrando alguém que tem o item e que irá lhe cobrar por várias vezes o preço do produto – e ainda pagará o frete dos Correios. Os colecionadores geralmente pagam R$ 10 ou R$ 15 por uma tampinha de um produto que ainda está no mercado. O fabricante do produto nem tomou conhecimento, pagou centavos pela tampinha, não irá usufruir disso e nem ao menos terá uma propaganda de seu produto, já que a circulação será restrita pelo alto valor pedido.

Acredito que os fabricantes, tanto os estabelecidos e os que têm uma loja virtual para a venda de seus produtos, quanto os que não têm a loja mas possuem um site ou fazem parte de rede social, poderiam dar atenção aos colecionadores e atendê-los. Se não for possível doar, que possam pôr à venda esses itens colecionáveis, mesmo que cobrando um valor pelo frete dos Correios, satisfazendo os dois lados: o colecionador que conseguirá o item e o fabricante que terá sua propaganda, fazendo seu produto conhecido até, quem sabe, no exterior. E, por favor, pelo menos ouçam os colecionadores que podem ter boas ideias, inclusive dizendo se gostam ou não de seu produto, mas jamais fazendo uma má propaganda.

*Carlos Alberto Tavares Coutinho é funcionário público septuagenário e aposentado que atende pelo pseudônimo de Cervisiafilia, colecionador de itens de bebidas desde 1994, blogueiro que tenta escrever sobre a história da cerveja brasileira no blog cervisiafilia.blogspot.com.br – A História das Antigas Cervejarias

Para promover o debate entre os mais distintos segmentos do setor cervejeiro, o Guia deixa o espaço totalmente aberto para seus leitores. Quer mandar uma sugestão de artigo, é só escrever para nosso editor: itamar@guiadacervejabr.com

Matisse lança rótulo que homenageia 100 anos do 1º livro de Cecília Meireles

Conhecida por unir cerveja e arte, a Matisse decidiu prestar uma nova homenagem ao lançar a Espectros. O novo rótulo da cervejaria de Niterói utiliza o nome do primeiro livro de Cecília Meireles, uma coleção de sonetos que completa cem anos do seu lançamento em 2019.

“(Cecília Meireles é) Uma grande inspiração para a Cervejaria Matisse homenagear a arte, a expressão feminina da arte e a criação brasileira”, afirma Mario Jorge Lima, sócio-fundador da Matisse, em entrevista ao Guia, explicando a decisão de homenagear a escritora.

Mas, na Espectros, Cecília Meireles não é a única grande figura artística homenageada. Afinal, a cervejaria colocou no rótulo um poema de Olavo Bilac dedicado a Antonio Parreiras, pintor que, assim como a cervejaria artesanal, também nasceu em Niterói.

A Espectros é uma Blonde Ale com grumixama, uma fruta brasileira que está sob risco de extinção. Será vendida em garrafas de 500ml e a sua graduação alcoólica é de 4,9%.

O seu lançamento em Niterói se deu na última quinta-feira, na Fina Cerva. Já nesta quarta, confirmando a relação da Matisse com as artes, ocorrerá uma apresentação e degustação da Espectros durante a vernissage da exposição fotográfica Sertões, que ocorrerá até 29 de agosto na Unilasalle, em Niterói.

Já no Rio, o lançamento será nesta quinta-feira, no Narreal, na rua Real Grandeza, 129, em Botafogo.

Debate: 5 tendências que vão mexer com a cerveja nacional nos próximos anos

A Brasil Brau, maior feira de negócios do setor cervejeiro do país, se configurou em sua 15ª edição não apenas como um foro interessante para os negócios, mas como um ambiente fértil para debates de tendências e rumos do mercado nacional.

Na mesa “Tendências cervejeiras – destaques para as próximas temporadas”, os analistas Rafa Brunetto, Luís Celso Jr., Bob Fonseca, Raphael Rodrigues e Heloisa Lupinacci discutiram quais das inúmeras tendências têm potencial para se consolidarem no mercado.

Da importância de oferecer boas experiências, passando pela questão da sinergia com a gastronomia, a diversidade nos portfólios e a influência externa, os especialistas concordam com a necessidade de um amadurecimento do mercado brasileiro – algo que eles veem acontecendo lenta e consistentemente. Confira, a seguir, os cinco principais pontos discutidos na mesa.

1- Experiência: Tap Room x Brewpub
Os dois formatos têm se popularizado e se aperfeiçoado nos últimos anos. Se, por um lado, a proposta das tap rooms se adéqua melhor àqueles que têm mais envolvimento com a cerveja em si e pouco exigem do entorno, os brewpubs tendem a valorizar mais a experiência da ocasião de consumo, abordando a cerveja como mais um (talvez o principal) dos elementos que compõem uma experiência mais complexa.

“O modelo proporciona o consumo local, você não precisa se deslocar muito para consumir a cerveja artesanal. Mas, especificamente em São Paulo, os cervejeiros vêm fazendo isso de forma meio atabalhoada, copiando o modelo norte-americano, de um espaço pequeno, sem muito espaço para sentar e com poucas opções de comida. O público do Brasil busca uma experiência mais completa. Acho que o modelo de brewpub atende mais a esse perfil, passa a ser uma opção para as famílias, enquanto o tap room limita um pouco o perfil. Na África do Sul muitas cervejarias têm espaço para crianças, para que a família vá passar um tempo legal juntos”, avalia Bob Fonseca.

Para Heloisa, os tap rooms partem do pressuposto de que existe um comportamento padronizado entre os cervejeiros – de conhecer a marca e o produto, sem outras preocupações. “São lugares pequenos, concebidos para quem não se importa de consumir em pé, e não tem que prestar atenção se sua criança está atravessando a rua. Tem um mercado imenso completamente à parte disso, e já temos vários exemplos de lugares que já estão preparados para acolher esse público novo.”

2- Minorias e Diversidade de Público
Não é de hoje que a cultura da cerveja artesanal arrasta consigo determinados padrões étnicos, sociais e culturais, formando uma massa bastante homogênea nesse sentido e, consequentemente, excluindo minorias. Em diversos momentos a questão da diversificação e da inclusão de outros públicos no ambiente cervejeiro foi debatida na Brasil Brau.

“Quando estamos falando de cerveja, estamos falando obviamente de mercado, mas estamos falando é de cultura. Eu tenho medo disso (a questão da inclusão) se tornar uma pauta de mercado antes de ser tratada como algo relacionado à cultura. O caminho natural é entender como isso está acontecendo na cultura cervejeira, para depois ver como isso pode se reverter em produto”, afirma Heloisa.

3- Brasilidade e Escola Brasileira
O reconhecimento da Catharina Sour como estilo oficial do Beer Judge Certification Program (BJCP) não poderia ser diferente: suscitou ao longo do último ano discussões sobre as características tipicamente nacionais na cerveja e a possibilidade da formação de uma escola brasileira. Para Luiz Celso Jr, a discussão é apressada. “Temos um potencial grande no Brasil de uso da cor local para criar futuramente, quem sabe, uma escola brasileira de cerveja. Mas a gente ainda está nas fraldas. É um mercado muito novo, que tem muito a amadurecer, tanto do ponto de vista de market share como na maneira de utilizar os produtos”, diz, citando a opção “fácil” de cervejarias pelos estratos de frutas e de outros elementos em vez do aprimoramento técnico do uso dos produtos.

Para Bob Fonseca, mais do que uma discussão técnica de ser ou não um estilo, a Catharina Sour põe o Brasil em uma posição que nunca ocupou. “Dá para considerar uma vitória. Ela inverte o fluxo de apenas reproduzirmos o que é feito nos Estados Unidos, e faz com que cervejeiros de fora do Brasil se interessem em produzir algo que foi concebido aqui”, afirma. “Mas é muito cedo para falar sobre escola brasileira. Não temos o protagonismo do mercado norte-americano, nem a tradição do mercado europeu. Vai levar algumas décadas para poder falar nisso.”

4- Diversidade de Estilos
Ao contrário do que a indústria pode sugerir, modismos e foco em determinados estilos por um certo período de tempo não devem ser a tônica do mercado em um futuro com consumidores mais maduros. Segundo Celso, relatórios da Brewers Association já apontam o resgate de antigos estilos leves e refrescantes (como Kölsch e Helles) como tendência, quebrando a hegemonia das lupuladas, fortes e extremas. Raphael Rodrigues questiona a pertinência de lógicas óbvias propostas pelo mercado.

“Há uma tendência de dizer que estamos em um país tropical, portanto precisamos de cervejas mais leves e o consumidor abraça essa ideia. Mas aqui vemos gente tomando RIS na praia. O povo é muito diverso, por isso, o portfólio deve ser amplo. Vamos explorar”, afirma Raphael. “Com um portfólio que vai desde o básico até o mais complexo, você vai alcançar todo o tipo de público”.

Já Heloisa enxerga uma tendência de acomodação do consumidor ao passo que o frescor das novidades se esvai. “Há uma cultura cervejeira brasileira que é ligada a conversar por muitas horas consumindo, que de certa forma exige uma cerveja leve. Assim, tem um ciclo natural de deslumbramento do consumidor e do mercado com novidades, mas também de uma redescoberta de um modo nosso de consumir cerveja.”

5- Gastronomia
Ainda há muito o que ser explorado na interação entre gastronomia e cerveja, ao mesmo tempo em que barreiras muito fortes se impõem. “Tem alguns pares que funcionam muito bem. Ninguém questiona tomar cerveja com pizza, ou hambúrguer com IPA. Mas quando vai para uma gastronomia mais chique, só vejo as pessoas abrindo uma garrafa de vinho. Não vejo um dono de restaurante comprando uma briga que não é dele para inserir a cerveja nesse ambiente”, avalia Heloisa. “O consumidor está pedindo ajuda para escolher”.

Na opinião de Raphael, a cultura popular, como as novelas e séries, ainda hoje muito influentes na opinião pública, alarga esse abismo. “Como um público mais amplo vai falar de cerveja artesanal se na novela, em um jantar mais elegante, só se toma vinho?”.

Entrevista: Brasil precisa olhar para outros mercados além dos EUA

Por mais que a cena cervejeira brasileira viva um bom momento, com o crescimento do número de marcas e uma revolução criativa no que diz respeito a receitas e estilos, é primordial que os envolvidos no mercado mantenham os olhos abertos ao que vem de fora do país, além da nossa principal influência, os Estados Unidos. É o que defende a sommelier e professora Taiga Cazarine.

Após sua recente participação como jurada do Mbeer Contest, Taiga conversou com o Guia sobre os rumos do mercado e da educação cervejeira brasileira, bem como as influências de produtos e culturas de outros países nessa jornada.

“Tem muita coisa bacana acontecendo no mundo inteiro que ninguém imagina”, afirma ela, citando os mercados latino-americanos como exemplos a serem observados.

Taiga é juíza certificada pelo Beer Judge Certification Program (BJCP) e já julgou concursos em eventos de locais como Brasil, Costa Rica, Canadá e Panamá. Nos últimos anos, empreendeu viagens por diversos países em busca de novas perspectivas e olhares sobre o mundo da cerveja. Sua última viagem foi para o estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, a convite do governo do Estado, para conhecer mais de perto a cena cervejeiro local.

Confira, a seguir, a entrevista completa com Taiga Cazarine , juíza do BJCP, sommelier e professora.

Em seu atual estágio de desenvolvimento do mercado de cervejas artesanais, que outros mercados servem como horizonte para o mercado brasileiro?
O Brasil se inspira muito no mercado norte-americano, mas eu aconselho que as pessoas olhem para mais mercados craft. Tem muita coisa bacana acontecendo no mundo inteiro que ninguém imagina. Na Alemanha, que a gente entende como um país cheio de história cervejeira, não imaginamos que eles também sofram para conseguir fazer a venda de cerveja artesanal. Em Colônia, região muito famosa por sua cerveja, a praça principal está cheia de cervejarias com até 300 anos. Só em uma esquina você encontra um bar de cerveja artesanal, com gente trabalhando arduamente como os nossos empreendedores aqui do Brasil, tentando educar o consumidor, buscar clientes, fazer esse resgate de estilos.

Por mais que existam diversos estilos alemães, o que mais se encontra lá é basicamente o Kölsch. No entanto, ele é transformado, muito diferente do que a gente está acostumado a ler nos guias e degustar aqui quando alguém faz seguindo o estilo tradicional. Lá ele é muito mais límpido, lembra muito a nossa Pilsen. É uma transformação de mercado, que se tornou muito comum lá.

Fora isso, há outros mercados muito recentes em artesanais, como Argentina, Venezuela, Uruguai e Chile, que começaram cenas de cervejas artesanais mais tarde do que o Brasil, mas que estão em um desenvolvimento tão bacana quanto o nosso. Em pouco tempo eles podem nos alcançar.

Atualmente o mercado brasileiro tem uma massa muito grande de consumidores em um estágio inicial de contato com as artesanais, e uma fatia pequena com envolvimento alto. Há uma tendência ou espaço para crescimento dessa fatia de mais envolvida?
Ainda há uma fatia muita grande do mercado com pouco envolvimento, muito superficial, com a cerveja artesanal. Pense no mercado de vinho, acontece a mesma coisa: tem muita gente que não entende de vinho, mas se predispõe a consumir. Temos pessoas entrando na idade legal para o consumo de bebidas alcoólicas o tempo todo, tem sempre novos consumidores. Tem sempre pessoas entrando no mercado, estudando, saindo do mercado. A possibilidade de crescimento está se renovando o tempo todo.

Em que sentido devem ir os esforços de educação de cervejarias e escolas?
O sentido da educação de cervejarias e escolas, eu acho, deve ser mais concentrado em criar atuação de mercado. Temos um monte de profissionais, mas não temos vagas disponíveis para todos.

A ideia de artesanal carrega consigo quase sempre a valorização do “local”. Há algum tipo de conflito entre a proposta de beber local e possíveis esforços para o fomento das importações?
Beber local e ter contato com produtos de outros lugares são estruturas diferentes de pensamento. Uma coisa não inviabiliza a outra. Ter acesso ao que está sendo feito lá fora é importante, assim como proporcionar a oportunidade de consumir local. Assim como importamos para ter acesso ao que está rolando lá fora, exportamos para mostrar o que está acontecendo por aqui. É uma troca de perfil de qualidade.

O que o consumidor brasileiro pode aprender com um acesso mais amplo das importadas?
O que tanto o consumidor quanto o empreendedor brasileiros têm a aprender com o acesso ao que vem de fora é justamente buscar entender um perfil de receita, sensorial. Tem muitas cervejas sendo produzidas aqui que não são o que se entende por seu estilo nos mercados lá fora. Já tomei muita English IPA que nada tem a ver com a English IPA de fato. Só fui entender o que realmente era esse estilo indo para a Inglaterra. Não basta pegar o guia da BJCP e construir de acordo com a receita. É preciso entender o que de fato você precisa reproduzir. Seria o mesmo que alguém lá de fora querer produzir a Catharina Sour e reproduzir sem nunca ter tomado. Para ele entender o que o consumidor deve esperar dela, ele tem que provar uma, autêntica. O contato com o que vem do exterior é exatamente essa percepção de aprendizado.

Novas políticas públicas podem trazer efeitos nocivos para cevada nacional

A previsão de dificuldades para a produção de cevada no Brasil em razão das mudanças climáticas se insere em um cenário de adoção de políticas públicas que parece seguir no rumo oposto ao das preocupações com os efeitos do aquecimento global. E isso pode afetar diretamente a produção agrícola nacional.

Iniciando o sexto mês à frente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina já liderou ações questionáveis na pasta do governo de Jair Bolsonaro. Em maio, por exemplo, o Brasil chegou aos 197 agrotóxicos liberados em 2019, em um ritmo de aprovação nunca antes visto no país.

Embora o uso de agrotóxicos seja visto como um “mal necessário” para melhorar mais rapidamente a produção agrícola brasileira em um espaço curto de tempo, a situação preocupa especialistas, que apontam efeitos danosos no médio prazo, ainda que o impacto inicial possa ser de aumento da safra, como destaca Rene Eugenio Seifert Junior, professor do Programa de Mestrado em Administração (PPGA) e do Departamento de Gestão e Economia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná.

“A política agrícola do novo governo eliminará limites outrora estabelecidos (como por exemplo para o avanço das fronteiras agrícolas sobre áreas indígenas e quilombolas), o maior uso de agrotóxicos favorecendo o aumento da produção de grãos em grande escala, com enormes prejuízos à natureza. Ainda que existam justificativa técnicas para esse tipo de ação, as consequências no médio prazo serão gravíssimas”, diz o professor, em entrevista ao Guia.

Acordo de Paris
Um freio para o aquecimento global e seus efeitos na produção agrícola poderia ser o cumprimento das metas firmadas no Acordo de Paris, do qual o Brasil era signatário. Mas há dúvidas sobre os esforços do governo Bolsonaro para cumpri-las, ainda mais pelas críticas feitas pelo próprio presidente e por figuras de relevo da sua gestão, o que coloca em risco a biodiversidade nacional.

“O Brasil é signatário do Acordo de Paris, que pretende limitar o aumento da temperatura global ao máximo de 2°C em relação a níveis pré-industriais. Para se conseguir isso, uma das medidas estabelecidas para o país é zerar o desmatamento ilegal até 2030 e aumentar a participação de bioenergia em sua matriz energética, entre outras. No entanto, o país investe pouco para implementar essas metas”, avalia Marina Lacôrte, engenheira agrônoma e especialista do Greenpeace em Agricultura e Alimentação.

“O que temos visto na prática é um verdadeiro sucateamento dos órgãos ambientais brasileiros. Além disso, há uma série de projetos de lei no Congresso Nacional que colocam o Brasil na contramão do cumprimento deste acordo e da preservação do meio ambiente. A flexibilização do licenciamento ambiental, a diminuição de áreas protegidas na Amazônia e o ‘Pacote do Veneno’ são alguns exemplos dos retrocessos que podem causar impactos diretos e indiretos nas mudanças climáticas”, acrescenta Marina.

Perda de espaço
Para a especialista do Greenpeace, nenhuma ação que vem sendo adotada por Tereza Cristina à frente do Ministério da Agricultura chega a ser surpresa, pois o atual posicionamento já era visto na legislatura anterior, quando ela era deputada federal. Marina afirma que isso traz riscos à população e ao meio-ambiente, além de ameaçar o setor agrícola, que pode até mesmo perder espaço em mercados mais exigentes.

“Em seu mandato como deputada federal, a ministra foi uma das maiores defensoras do Projeto de Lei nº 6.299/2012, conhecido como ‘Pacote do Veneno’, que pretende afrouxar o uso e a liberação de agrotóxicos no país, colocando ainda mais veneno na comida e bebida dos brasileiros. Tereza Cristina presidiu a comissão que analisava a matéria e que aprovou o projeto, ignorando as inúmeras manifestações contrárias da sociedade e de órgãos como Inca, Fiocruz, Ibama e ONU”, diz Marina.

Sobre o risco de perda de mercado, a especialista lembra que alguns países adotam critérios de preservação ambiental que podem até impedir a exportação pelo Brasil caso eles não sejam cumpridos. “Combater o desmatamento na Amazônia, por exemplo, é fundamental para as relações comerciais do país, afinal ninguém quer adquirir produtos manchados pela destruição florestal ou por violações de direitos”, comenta.

Tornando o cenário ainda mais nebuloso, o Brasil tem hoje um negacionista do aquecimento global como ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Não coincidentemente, no último mês, o país cancelou um evento da ONU em Salvador que discutiria temas relacionados ao aquecimento global em agosto, em preparação para a Conferência do Clima (COP-25), que ocorrerá no Chile em dezembro.

Assim, como demonstra a própria dificuldade enfrentada pela cevada no cenário nacional, parece ser preciso apostar em um modelo agrícola mais sustentável, que não agrida tanto o meio-ambiente, para que o Brasil possa se consolidar em um cenário de segurança alimentar e com produção agrícola de qualidade e na quantidade necessária.

“O modelo agrícola atual degrada o solo, contamina os recursos hídricos, destrói a biodiversidade (causando, por exemplo, a morte de polinizadores fundamentais para a produção de alimentos), além de contribuir enormemente para as emissões de gases de efeito estufa. Essa forma de produzir acabará inviabilizando a própria produção”, conclui a especialista do Greenpeace.

Com exibição da final da Liga dos Campeões, Mondial SP confirma sua versatilidade

O público ainda arrastava mesas e cadeiras para as proximidades de um telão quando a bola bateu no peito e no braço aberto de Sissoko, em jogada vista como pênalti pela arbitragem. O lance, com menos de um minuto do primeiro tempo, encaminhou a conquista da Liga dos Campeões pelo Liverpool, em final disputada em Madri e acompanhada atentamente por um público que lotou o Espaço Arca, palco da segunda edição paulistana do Mondial de Bière. Foi lá onde, por 90 minutos, as atenções ficaram divididas entre as cervejas e o futebol.

Divididas, aliás, talvez não seja o termo certo. Afinal, a segunda edição do Mondial em São Paulo tem sido marcada pela versatilidade de rótulos, tipos e sabores de cervejas disponíveis para o público, mas também por opções que aproveitam a feira cervejeira para atrair um público interessado em outros aspectos culturais.

O futebol, claro, foi uma dessas atrações, diante da coincidência de calendários, com a decisão da Liga dos Campeões agendada para o sábado, terceiro dos quatro dias do Mondial em São Paulo. Assim, o festival exibiu no telão do palco onde são realizados os shows noturnos, na área de alimentação do Espaço Arca, a vitória do Liverpool por 2 a 0 sobre o Tottenham.

Ali, não se falava em Corinthians, Flamengo ou Palmeiras, mas em nomes como Origi, Klopp, Salah, Alison e Kane. Um microcosmo de uma parcela da sociedade que cada vez mais vive, consome, aprende e até se apaixona por futebol europeu, assim como acontece com o mundo das cervejas artesanais há alguns anos.

Esporte e gastronomia
Nem todos os olhares, claro, se voltavam apenas para os jogadores de Tottenham e Liverpool durante o sábado. Também havia espaço para a prática de esportes. Conhecida por sua relação com atividades que vão além apenas da cerveja, a artesanal paulistana Tarantino aproveitou a estrutura do Espaço Arca para montar uma pequena quadra de basquete.

Lá, vários desafios foram disputados, com orientação e participação de dois ex-jogadores, Nilo e Michel, que passaram por vários times do basquete paulista. “Trouxemos a tabela que temos na Tarantino e que foi utilizada no torneio 2×2, que aconteceu lá na semana passada”, explicou Nilo, um dos responsáveis pela atividade e estrutura adaptada pela cervejaria do bairro do Limão.

Para além do esporte, seja assistindo, praticando ou torcendo, o público presente ao Espaço Arca também pôde aproveitar outras atrações. Entre elas, estandes que comercializavam alimentos como queijo e alho, em uma interessante oportunidade de divulgação da produção artesanal.

Para Thais Roji, da A Queijaria, estar presente ao Mondial – muito mais do que apenas fechar negócios – representa a oportunidade de apresentar o que definiu como “projeto de educação” a um público que valoriza o produtor artesanal, demonstrando a importância da busca por uma alimentação que respeita a natureza, aliando saúde, cultura e política em um produto de qualidade.

“A gente acredita na revolução queijeira e quer disseminar o queijo brasileiro e a cultura brasileira através do alimento”, afirma Thais, apontando similaridades entre os contextos e conceitos que norteiam a produção do queijo e da cerveja artesanal. “É um resgate da comida de verdade. Estamos distantes da natureza, sem conexão. A tecnologia deve ajudar a aprimorar a produção, mas sem deixar para trás a nossa essência”.

Assim, com esporte, alimentação e, claro, centenas de rótulos de cerveja, o Mondial vai se consolidando como um importante evento de entretenimento aliado ao conhecimento e à valorização da produção artesanal.

Saudosa e refrescante: Colorado leva a SP fonte de cerveja que a reconecta com Ribeirão

Uma das marcas precursoras da cena artesanal brasileira, a Colorado ganhou escala nacional após ser adquirida pela Ambev, em 2015. Mas, aparentemente, embora tenha alcançado bares e prateleiras de quase todo o país, a marca pretende manter firme sua conexão com Ribeirão Preto, a divertida cidade no interior de São Paulo onde sua história começou.

É o que garante Vanessa Nastari, coordenadora de marketing da marca, ao falar ao Guia sobre as inúmeras ações de marketing que envolvem o novo lançamento da Colorado, a Ribeirão Lager. Trata-se de uma cerveja refrescante com laranja, de 4,5% de teor alcoólico e 20 IBUs.

Mas, sobretudo, é uma bebida que, segundo Vanessa, ressalta a ligação da marca com Ribeirão Preto, tradicional destino para quem gosta de cerveja e famosa por seus bares especializados em chope leve e extremamente gelado.

“Olhando nosso portfólio, ainda sentíamos falta de uma cerveja mais refrescante, fácil de beber e, como o nome sugere, que reforçasse nossas origens e ligação com nossa terra. Daí nasceu a Ribeirão Lager, que combina bastante com o perfil de consumo de cerveja na cidade”, conta Vanessa.

Fonte de cerveja
Para promover seu mais recente lançamento, a Colorado vai proporcionar uma experiência inusitada aos consumidores paulistanos. A cervejaria leva, neste domingo, uma fonte de cerveja ao Beco do Batman, na Vila Madalena.

A fonte tem o formato de um urso, o mascote da Colorado, e jorra a nova Lager da marca para o público – obviamente, só para maiores de 18 anos. Ela já esteve em Ribeirão Preto no sábado passado, no Novo Mercadão da cidade, e é para lá que ela vai voltar e se estabelecer definitivamente após seu passeio por São Paulo – ficará no bar da marca.

Parte de uma estratégia que aposta em lançamentos inusitados e marcantes, a ação acontece das 11h às 17h deste domingo. A fonte vai ter 300 litros da Lager. “Somos conhecidos pela inovação em nossas receitas, sempre trazendo um ingrediente diferente e tipicamente brasileiro, desibernando o consumidor para tudo que uma cerveja pode ser. O lançamento da Ribeirão Lager não poderia ser diferente,” ressalta Vanessa.

E a Vila Madalena, tradicional bairro ligado à vida noturna da capital paulista, despontou como o lugar ideal. “Queríamos fazer a ação em um local da cidade que fosse de fácil acesso para o público e que tivesse uma boa circulação de pessoas. A fonte de cerveja vai estar em um dos pontos mais visitados de São Paulo nos fins de semana, em um dos bairros mais boêmios da capital”, acrescenta Vanessa.

Além da fonte de cerveja, o lançamento da Ribeirão Lager também contou com outra campanha inovadora: uma gôndola virtual no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. “Qualquer pessoa que passasse pelo saguão de embarque poderia comprar a cerveja de maneira virtual, usando apenas o celular”, lembra ela.

Não bastassem a fonte e a gôndola, a marca ainda criou um outdoor interativo que servia como chopeira. Assim, qualquer pessoa maior de 18 anos pôde experimentar a bebida do próprio outdoor. A ação foi realizada em maio e distribuiu 220 litros de chope para centenas de consumidores.

Dia da cerveja
Já em sua ação para o dia da cerveja brasileira, celebrado em 5 de junho, a Colorado vai presentear consumidores com um copo de cerveja. O rótulo escolhido para a ação também é a Ribeirão Lager.

Basta ao interessados fazer um cadastro pelo site (eles serão realizados a partir de segunda-feira, dia 3), preencher os dados e escolher seu bar de preferência para a retirada, que deve acontecer entre os dias 5 e 9 de junho – é preciso apresentar um documento com foto e CPF.

8 análises sobre a queda do PIB e sua relação com a indústria cervejeira

No momento em que o mercado cervejeiro realizava o seu maior evento em termos industriais, apontando importantes soluções tecnológicas e concretizando a premissa do enorme potencial de expansão das artesanais, o IBGE divulgou nesta quinta-feira que o PIB brasileiro teve resultado negativo de 0,2% no primeiro trimestre do ano. Impossível não pensar na questão: como o péssimo momento político e econômico estaria interferindo em um segmento que cresce dois dígitos desde o início da década?

Para entender mais sobre como se dá essa relação entre macroeconomia e mercado cervejeiro, o Guia procurou escutar no setor justamente quem faz essa “ponte” com a indústria: os fornecedores que estavam expondo na Brasil Brau.

As percepções são as mais distintas possíveis. Mas, aparentemente, uma conclusão parece quase unânime: se a crise econômica afeta diretamente o mercado de cerveja mainstream, as artesanais parecem sentir um pouco menos os efeitos da turbulência.

Confira, a seguir, 8 análises da indústria cervejeira sobre a queda do PIB e sua relação com o setor.

Anderson da Silva Carvalho, vendedor técnico da Mcpack
Quando falamos em mercado de cerveja, precisa pensar que é algo muito amplo. Hoje podemos falar que existem dois mercados dentro da indústria brasileira de cerveja: o mainstream e o artesanal. Existe uma tendência no Brasil e no mundo de diminuição dessa cerveja de massa, dessa cerveja de grande produção. E o contrário ocorre com a artesanal, que está crescendo. Pelo que temos visto, há uma grande tendência de evolução no mercado de artesanal, os próprios números de registro no Mapa (Ministério da Agricultura) mostram isso. Então, há uma tendência de crescimento de mercado. Para nossa empresa, o mercado está bem fomentado, estamos em expansão.

Cristiano Cesar Nascimento, sócio-diretor da Hiper Centrifugation
O que a gente vem percebendo nos últimos meses é um retardo de investimento dos clientes, não só de cerveja, mas da indústria em geral. Esperamos que o mercado volte a crescer nos próximos meses.

Francis Zandona, diretor da Palenox
A gente vem há alguns anos com um cenário bem instável e, com a mudança de governo, as coisas ainda não estão firmes. O ano começou interessante, depois deu uma travada e agora as coisas estão soltando. Mas foi uma notícia negativa e que, com certeza, influencia. Vamos aguardar o que acontecerá, mas é algo negativo e que precisamos aprender a lidar e a se adaptar. O mercado artesanal vem crescendo, mas é algo supérfluo. Quando diminui capital, as pessoas cortam o que não é essencial. Então precisa fazer algo diferente e que atraia para que esse consumo siga aumentando.

João Carlos Ortigosa, diretor comercial da Memo
Em relação ao mercado, ele vem em uma crescente desde 2010 por conta das cervejas especiais. Então, a queda do PIB não afeta diretamente o mercado cervejeiro, que ainda está começando, ainda está crescendo no Brasil. A tendência é crescer cada vez mais. Hoje temos mais de mil cervejarias registradas em nosso cadastro da Chopeiras Memo. É um mercado fabuloso e o público, em geral, está cada vez mais exigente, está procurando um chope, uma cerveja, diferenciados. Então, quando pensamos nesse mercado de qualidade, de puro malte, a queda não afeta.

Juliano Rost, mestre-cervejeiro e responsável pela área de especialidades da Prozyn
O mercado cervejeiro mainstream está andando de lado, isso já era esperado, porque o mercado cervejeiro está totalmente ligado à economia. Já o mercado craft cresce, porque a base é pequena. Mas é um mercado que a gente acredita e aposta. Hoje temos seis mestres-cervejeiros na Prozyn, para conseguir atender todo esse mercado. Atendemos tanto os grandes, as multinacionais, quanto os pequenos – e pequenos no nome, porque vêm crescendo muito.

Leandro Spaniol, coordenador de marketing da Zero Grau
Acho que o momento econômico atual requer certo cuidado, todos os setores acabam sofrendo com essa movimentação da economia.

Leandro Schimanski, vendedor da Theodosio Randon
O setor cervejeiro vem oscilando bastante. Tem momentos de altos e baixos porque o principal fator é a concorrência, tanto no ramo de cervejarias como no de fornecedores de equipamentos. Alguns fatores impactam nisso, como a economia, mas há outros fatores também, como a questão do consumo. O consumidor ainda opta por tomar mais cerveja no verão, ainda que a artesanal esteja se tornando algo a se propagar no Brasil. Vai demorar um pouco para o consumidor entender que ele também pode tomar uma cerveja diferente no inverno, uma cerveja mais alcoólica. Então, isso também impacta.

Lucca Della Monica, sócio-fundador da Realli
Dentro do setor cervejeiro, eu diria que as cervejas mainstream – Ambev, Heineken – tiveram bastante queda. A gente vê o mercado craft crescendo não de uma maneira tão rápida quanto as mainstream cresceram antigamente, mas ainda assim é impressionante como ele cresceu mesmo em um cenário de crise, como essa que tivemos de 2017 a 2019.

Pratinha leva 3 medalhas e Nikita Cherry Hickey é bicampeã do Mbeer Contest

O primeiro dia do Mondial de la Bière São Paulo trouxe nesta quinta-feira o anúncio dos ganhadores do Mbeer Contest Brazil, uma competição com avaliação baseada nas qualidades intrínsecas das cervejas.

A disputa teve a inscrição de 131 rótulos, sem estilos pré-definidos. E a grande vencedora da noite foi a Antuérpia, que ganhou a medalha de platina com a Nikita Cherry Hickey, uma Russian Imperial Stout com cereja que recebeu o mesmo prêmio na edição carioca do Mondial de la Bière, em 2018. A cervejaria ainda faturou a medalha de ouro com a Rock me Baby, uma Wood and Barrel Aged.

Quem também se destacou na premiação foi a Pratinha. Além de conquistar o público com o lançamento de sua cerveja instantânea, uma artesanal ultra concentrada que fica pronta com a adição de um copo de água com gás gelada, a marca de Ribeirão Preto levou medalhas de ouro com a Culotte de la Duchesse, uma Red Flanders Ale que já fora eleita a melhor cerveja da Copa Cervezas de América; a Darkmoon, uma Stout com nibs de cacau; e a Tonka e o Bravo Cevejeiro, uma Imperial Stout.

A cerimônia desta quinta foi conduzida por Jeannine Marois, idealizadora e presidente do Mondial de la Bière internacional, e por Luana Cloper, diretora de negócios da GL Events, empresa responsável também pela realização da Brasil Brau (veja, aqui, os vencedores do Prêmio Brasil Brau).

Seis jurados, por sua vez, foram escolhidos para analisar as amostras: Gustavo Renha, sommelier de cervejas; Leonardo Sewald, mestre cervejeiro e sócio fundador da Cervejaria Seasons; Randy Mosher, cervejeiro, designer e autor; Taiga Cazarine, jornalista, sommelier e juíza internacional de cervejas; David Michelsohn, desenhista industrial, jornalista e criador da Cerveja Júpiter; e Jayro Neto, sommelier de cerveja e mestre em estilos.

Confira, a seguir, todas as vencedoras do Mbeer Contest Brazil. E aproveite os próximos dias para degustá-las. O Mondial de la Bière São Paulo, que ocorre no espaço Arca, na Vila Leopoldina, vai até domingo.

Medalha de platina
Antuérpia – Nikita Cherry Hickey

Medalhas de ouro
Ampolis – Ditriguis
Antuérpia – Rock me Baby
Cerveja Blumenau – Macuca
Croma – Red Strike
Dádiva – Point of View
Mea Culpa – Ira
Pratinha – Culotte de la Duchesse, Darkmoon e Tonka e o Bravo Cervejeiro
Unicorn – Unicorn Neipa

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