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Himalaia inspira West Coast IPA de cervejaria paulistana

Depois de buscar inspiração na Oceania em seu último lançamento, mais precisamente na Tasmânia, a cervejaria paulistana La Caminera mirou a Ásia para a sua próxima novidade. E assim criou a Himalaya, que homenageia a mais alta cadeia montanhosa do mundo, o Himalaia.

A novidade da La Caminera é uma West Coast IPA com 7% de teor alcoólico e 43 IBUs. Traz aromas de manga verde, pêssego, leve cítrico na linha da toranja e resinoso no sabor. É feita, ainda, com single hop de Cashmere.

E foi da similaridade com o nome do lúpulo e da lã fabricada no Himalaia que veio a inspiração para a nova viagem. “Decidimos falar um pouco mais das montanhas, dos caminhos, de suas lendas, para ter mais uma história nossa. Contar sobre mais uma parte do mundo pouco desvendada, até por ser de difícil acesso”, explica Márcio Moreira, sócio da La Caminera, ao Guia.

“A relação que trazemos com o estilo é por conta do lúpulo Cashmere. Em nossa pesquisa descobrimos que as casas que habitam as montanhas do Himalaia são as que fornecem a lã que suporta o frio abaixo de zero, bem forte, que para gente, em português, é a cashmere. Então, a relação com o nome do lúpulo é o que trouxe a aproximação com o Himalaia e a nossa West Coast”, acrescenta Márcio.

Essa junção entre a força do lúpulo e o frescor dos ventos do Himalaia, aliás, é apontada como um dos destaques do lançamento. “O diferencial é que ela foi pensada para trabalhar com single hop de Cashmere, que é um lúpulo bem interessante. Então, seu diferencial é ser uma explosão de sabores e ser a nossa releitura desse estilo que já é considerado clássico, só que com técnicas de lupulagem e quantidades de lúpulo extremas, como o mercado vem praticando”, complementa o sócio da marca.

O lançamento da Himalaya será nesta sexta-feira, a partir das 19h, no Empório Alto de Pinheiros (EAP), em São Paulo. Entre os demais rótulos da La Caminera estão a Atlantis, uma referência à mítica ilha, a Peabiru, que lembra o caminho percorrido pelos indígenas sul-americanos até o interior do continente, e a Palawa, que busca homenagear os aborígenes da Tasmânia.

Budweiser vai patrocinar Campeonato Espanhol e Premier League

As cervejarias estão dominando o patrocínio de grandes eventos futebolísticos. Cerveja oficial da Copa do Mundo até 2022, a Budweiser anunciou nesta terça-feira uma parceria global e de longo prazo com os dois principais campeonatos nacionais do mundo: a Premier League, a primeira divisão do futebol inglês, e a La Liga, da Espanha.

Segundo detalhou a marca em comunicado, o patrocínio terá início na temporada 2019/2020 do calendário europeu, a partir de agosto. Será, ainda, válido para mais de 20 países, entre eles o Brasil.

“A Budweiser sempre apoiou grandes eventos internacionais. Somos parceiros de longa data da Copa do Mundo, da NBA e da NFL. Agora estamos nos aliando a duas das mais valiosas ligas do mundo”, aponta Bruna Buás, diretora de marketing da Budweiser no Brasil.

“Essa nova parceria vai permitir uma conexão ainda maior com fãs do esporte, aumentando ainda mais o alcance global da marca”, acrescenta a diretora de marketing.

Assim, com o novo patrocínio à Premier League, a Budweiser terá sua marca “atrelada” a clubes como Manchester City, Liverpool, Chelsea, Arsenal e Manchester United. E, com o apoio ao Campeonato Espanhol, vai se vincular a Barcelona x Real Madrid, uma das maiores rivalidades do planeta.

Outras importantes competições patrocinadas por cervejarias são a Liga dos Campeões da Europa (Heineken) e a Copa Libertadores (Amstel). Já a Brahma apoiou recentemente a Copa América, além de ser parceira de dezenas de clubes no Brasil.

Asahi compra subsidiária da AB InBev na Austrália

Uma semana após ter desistido da abertura de capital da sua subsidiária asiática, a Budweiser Brewing Company APAC, na bolsa de Hong Kong, a AB InBev fechou acordo de venda da sua operação na Austrália para o grupo japonês Asahi Group holding. Com a venda da Carlton & United Breweries (CUB), o maior conglomerado do mundo levanta US$ 11,3 bilhões. O acordo passa a valer a partir de março de 2020.

Após sucessivas aquisições, a AB InBev acumula hoje dívidas da ordem de US$ 100 bilhões, resultantes principalmente da compra da SABMiller em 2016. A CUB e suas marcas Victoria Bitter (VB), Carlton Draught, Foster’s e Pure Blonde integravam o portfólio da SABMiller e foram parte do negócio naquele momento. Agora, a venda da tradicional companhia australiana pode significar um alívio em suas dívidas.

Segundo analistas do mercado, a manobra faz sentido dentro da estratégia da AB InBev de investir em mercados emergentes e deixar em segundo plano mercados maduros. Algo semelhante aconteceu em 2016, logo após a compra da SABMiller, quando, motivada por questões regulatórias, a companhia optou por se desfazer de cervejarias na Europa, como Peroni (Itália), Grolsch (Holanda) e Meantime (Reino Unido), vendendo-as (com lucro) também para o grupo Asahi.

No ano seguinte, uma nova leva de vendas de compras de marcas e cervejarias da SABMiller pelos japoneses se deu no leste europeu, com a negociação de Pilsner Urquell (República Tcheca), Tyskie e Lech (Polônia), Dreher (Hungria), Ursus (Romênia) e Topvar (Eslováquia).

Em comunicado, a companhia deixa clara sua estratégia de “acelerar sua expansão em relação a outros mercados em crescimento na região APAC (Ásia-Pacífico) e no mundo”, diz a nota. “A AB InBev continua acreditando na lógica estratégica de uma possível venda de uma parte minoritária da cervejaria Budweiser APAC Limited), excluindo a Austrália, desde que isso possa ser feito com uma boa avaliação”, arremata o comunicado.

Do lado da Asahi, a estratégia é praticamente a oposta. O grupo busca colher os frutos de operar com estruturas consolidadas e o principal argumento para a compra é sua associação a marcas líderes no país, o que dá espaço para o desenvolvimento de capacidades de marketing e de produto.

Em segundo lugar, a japonesa mira a lucratividade das marcas australianas, com margens de 40%. Além disso, e não menos importante, está o acesso à já estruturada rede de distribuição da CUB. No início do ano, um movimento comparável se deu quando a companhia comprou a tradicional cervejaria inglesa Fuller’s, beneficiando-se de sua capilaridade no Reino Unido

Pelo acordo, a Asahi também obterá direitos de comercialização na Austrália para as marcas internacionais da AB InBev. O contrato inclui também as cervejarias artesanais recentemente adquiridas pela CUB – 4 Pines e Pirate Life -, além do e-commerce BoozeBud.

São Luís e Salvador lideram deflação da cerveja no primeiro semestre

A deflação no preço da cerveja no domicílio no primeiro semestre de 2019 foi puxada por São Luís e Salvador. Enquanto o índice medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou redução de 0,13% no preço nacional da bebida nos seis meses iniciais do ano, as capitais do Maranhão e da Bahia registraram queda de 4,93% e 4,28%, respectivamente.

Das 16 capitais pesquisadas pelo IBGE, 11 tiveram redução no preço da cerveja no primeiro semestre. Além de São Luís e Salvador, o preço também caiu em Belém (-1,19%), Fortaleza (-3,91%), Recife (-2,77%), Belo Horizonte (-1,41%), Grande Vitória (-0,88%), Porto Alegre (-2,86%), Aracaju (-3,13%), Campo Grande (-1,72%) e Brasília (-2,73%).

No sentido oposto, Rio Branco, com 2,21%, e São Paulo, com 2,13%, lideraram a inflação da cerveja no domicílio no primeiro semestre. E foram acompanhadas por Rio de Janeiro (1,06%), Curitiba (1,05%) e Goiânia (0,44%).

Já a cerveja fora do domicílio fechou o primeiro semestre com alta acumulada de 0,53%. Foram dez cidades com inflação, sendo Belo Horizonte, com 3,24%, a principal delas, acompanhada por Fortaleza, Recife, Grande Vitória, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Rio Branco, Goiânia e Brasília.

São Luís, por outro lado, como ocorreu no domicílio, teve a maior deflação fora do domicílio, com 5,27%. As outras cidades com redução nos preços nesse cenário foram Belém, Salvador, São Paulo, Aracaju e Campo Grande.

Junho
Novamente destaque em um item da pesquisa do IBGE, São Luís liderou a inflação em junho da cerveja no domicílio. Enquanto o índice foi de 0,06% no país, ele atingiu 1,51% na capital do Maranhão e 1,47% em Curitiba. O preço também subiu em Belém, Fortaleza, Grande Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.

A maior deflação em junho foi em Salvador, de 2,22%. Aracaju teve queda de 1,42%, enquanto a redução do preço no Recife foi de 1,16%. Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio Branco, Campo Grande e Goiânia também apresentaram deflação.

Fora do domicílio, por sua vez, a cerveja teve deflação de 0,25% em junho, dado liderado pela queda nos preços de Recife, com 1,55%, e Curitiba, com 1,35%. Salvador, São Paulo e Aracaju também apresentaram deflação no sexto mês do ano.

Já Porto Alegre teve inflação expressiva, de 1,22%, assim como São Luís, com 1,09%,  Belo Horizonte, com 1,02%, e Rio de Janeiro, com 1%. Belém, Fortaleza, Grande Vitória, Rio Branco, Campo Grande e Goiânia também tiveram alta, enquanto Brasília permaneceu com os preços estáveis.

Skol mira mercado pet e lança cerveja para cachorros

O setor cervejeiro está definitivamente se aproximando do mercado pet. Depois da Colorado investir em uma cerveja para cachorros, agora foi a vez da Skol mirar esse nicho com o lançamento da Skol Dogz.

A novidade foi apresentada no sábado, dia 20 de julho, quando se celebrou o Dia do Amigo. “Quem nunca quis tomar uma cerveja com o seu melhor amigo?”, questionou a marca na ação de lançamento. “A Skol vai dar a oportunidade aos consumidores de brindarem com os melhores amigos: seus doguinhos.”

Lançada em parceria com a Petz, maior rede de pet shop do Brasil em número de lojas, a cerveja para cachorros será vendida em packs contendo uma Skol Puro Malte e outra Skol Dogz, uma cerveja criada pela Dog Beer. A renda, por sua vez, será revertida para o Instituto Pet Van, da estudante de medicina veterinária e influenciadora Vanessa Mesquita.

Ao contrário da cerveja tradicional, a Skol Dogz não é fermentada e não causa incômodos gástricos no pet, se oferecida na dose certa. É feita à base de água, malte e carne, sem álcool, além de ser rica em vitamina B e ajudar no funcionamento dos rins.

“A Skol tem um espírito inquieto e inovador e sempre apoia iniciativas com esse caráter. É a primeira vez que desenvolvemos uma campanha para pets e, como cerveja democrática, que quer abrir a roda para todo mundo, nada mais justo do que pensar também nos cachorros nesse Dia do Amigo. Afinal, eles são em, muitos momentos, a nossa melhor companhia”, diz Maria Fernanda Albuquerque, diretora de marketing da marca.

“A Petz aposta sempre em ações inovadoras e que busquem potencializar a relação entre o tutor e o Pet. O lançamento desse pack junto com a Skol mostra, mais uma vez, o quanto incentivamos que você viva mais momentos ao lado seu amigo”, acrescenta André Marinho, coordenador de marketing da Petz.

O pack exclusivo terá edição limitada e será comercializado pelo site da Petz.

Lançamentos da Bodebrown, Skol em um clique: As novidades da semana

A semana de inverno rigoroso em algumas cidades brasileiras também ficou marcada por diversos lançamentos, como os da Bodebrown, que apresentou dois novos rótulos, a Black IPA da Schornstein e a sazonal da Cervejaria Nacional. E a Skol fechou uma parceria com o Zé Delivery que vai facilitar o pedido de cervejas em casa. Confira essas e outras novidades selecionadas pelo Guia.

Lançamentos da Bodebrown
A cervejaria curitibana Bodebrown tem dois novos rótulos: Fruta a Vapor, que leva uma geleia feita de sucos de frutas evaporados, e Banchá Sour, com o uso de seriguela e do lúpulo japonês Sorachi Ace, no estilo sparkling. As duas estão disponíveis em garrafas de 750 ml. Inspirada na gastronomia belga, a Fruta a Vapor surgiu como inspiração do “Sirop de Liège” (xarope em francês) e também usa maçã, pera e tâmaras. Com base em malte de cevada Pilsen, leva ainda trigo gelatinizado, malte de cevada tipo Munich e lúpulo tradicional da região de Hallertau (Alemanha), além da levedura belga tipo Abadia e do Sirop. E tem 6,5% de teor alcoólico. Já a Banchá Sour une referências da cultura japonesa e da nordestina. A base da nova cerveja da Bodebrown é uma Saison, fermentada com levedura belga. Com a acidez das sour, leva ainda especiarias e tem suave toque maltado, sendo fermentada com lactobacilos. O teor alcoólico é de 6,5%.

Black IPA da Schornstein
Uma Black IPA é o quinto rótulo desenvolvido pela Usina Schornstein, fruto da parceria com a Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM), sendo produzida pelos seus alunos na cervejaria de Pomerode (SC). É uma IPA com lúpulos norte-americanos, intensos aromas de frutas cítricas, amargor acentuado, mas equilibrado. Escura pela adição de maltes tostados e torrados, com características equilibradas de chocolate, cacau e café. O teor alcoólico é de 7,3% e o IBU é 66.

Colaborativa de SC
A Associação Vale da Cerveja, que reúne dez marcas catarinenses, lançará o seu primeiro rótulo em 10 de agosto. A Kollektiv Helles foi produzida na Schornstein e contou com a participação de Alles Blau, Balbúrdia, Berghain, Blauer Berg, Blumenau, Container, Das Bier, Hersing e Wunder Bier. Ela será comercializada em lata por todas as marcas e a renda será revertida para a associação. O lançamento ocorrerá no Biergarten Vale da Cerveja, em Blumenau.

Botão da Skol
Tendo como mote inspirador a mania de muito fãs de série de assistir vários episódios em sequência, a Skol se juntou ao Zé Delivery para apresentar o SOS Skol. Trata-se de uma iniciativa que permite a realização do pedido de cervejas para entrega no endereço cadastrado com apenas um toque no aplicativo para telefones celulares. Em um primeiro momento, apenas os consumidores que mais pedem Skol no aplicativo terão acesso ao botão, enquanto a tecnologia está em testes.

Saravá da Nacional
A Cervejaria Nacional lançou a campanha das sazonais de inverno com a 8ª edição da Saravá, cerveja do estilo Imperial Stout. Em 2019, ela levou adição de coco queimado, que aliado ao chocolate e à leve torra da base maltada lembra bombom de coco, e da madeira amburana, que traz um toque de baunilha. A cerveja tem 12,3% de graduação alcoólica e 55 IBUs. Foram produzidos 300 litros de chope e será vendida em taças de 250 ml (R$ 26).

Agenda I: Nocaute da Invicta
A Invicta realizará em 3 de agosto a 4ª edição do Invicta Nocaute Festival, em comemoração ao aniversário de oito anos da cervejaria. O festival vai reunir algumas dezenas de rótulos de cervejarias artesanais de várias partes do país, como Dogma, Satélite, Dum, Morada Cia Etílica, Tupiniquim, Gauden Bier, Pagan e Fucking Beer, além dos chopes da Invicta. A festa terá show do Detonautas Roque Clube, da Nice Trip e da Microbius Experience. O evento em Ribeirão Preto (SP) contará, ainda, com várias opções gastronômicas com a presença dos melhores foodtrucks da cidade.

Agenda II: Workshop de tributação
O Rio de Janeiro receberá em 10 de agosto o workshop Gestão e Tributação Cervejeira, oferecido pelo Instituto Marketing Cervejeiro. A oficina abordará administração de negócios cervejeiros, gestão financeira, sendo complementar ao curso Marketing de Cerveja. É voltada para empreendedores e gerentes do setor, sendo realizada pelo Marketing Cervejeiro.

Agenda III: Samba e dub na Tarantino
Cervejaria paulistana localizada no bairro Limão, a Tarantino agitará o próximo fim de semana com duas atrações. No sábado, ocorrerá o SP Dub Club, evento musical focado em música dub. Já o domingo ficará reservado para o Sambará Sambou, uma feijoada regada a muito samba e que ocorre todo último domingo do mês.

6 opções para enfrentar o frio com cervejas de inverno

Quando chega o inverno, é sempre a mesma coisa: a disposição para uma boa rodada de cerveja gelada é inibida pelo frio, muitos esperam a estação passar para voltar a seu hábito cervejeiro normal, recorrendo ao vinho. No entanto, um pouco de conhecimento pode mudar completamente o modo de escolher e encarar a cerveja nesse período. Há ótimas opções de inverno já amplamente relacionadas ao frio enquanto outras, menos óbvias, também podem se revelar boas opções.

O impasse é nítido para Yuri Vaicekauskis, sócio da taproom VKS Beerhouse, que fica na Vila Mariana, em São Paulo. Ele observa que o público pouco altera seu padrão de consumo. “Cerca de 80% dos nossos clientes continuam nos estilos mas refrescantes, ou naquilo que foi apresentado a eles como cerveja artesanal – na maioria das vezes IPAs”, afirma ele, mesmo que consiga enxergar um leve aumento da procura por cervejas com “cara” de inverno. “Mas isso vem do público que já tem um conhecimento de cervejas artesanais. Esse público cresce e cada vez mais aprende como e quando alguns estilos caem melhor.”

Mas essa necessidade de ajustar o estilo de cerveja consumido à estação do ano não é exclusividade dos brasileiros. As cervejas de inverno, segundo Luis Celso Junior, sommelier e professor do Instituto da Cerveja Brasil, são uma tradição iniciada na Europa na Idade Média. E têm uma razão muito clara para existir.

“Os europeus produzem há muitos séculos as ‘winter ales’. Eram cervejas que floresciam em uma época do ano em que há a necessidade de uma cerveja mais acolhedora”, conta Celso. “No Reino Unido e na Bélgica existem uma longa tradição de cervejas mais alcoólicas disputando o público do vinho. Esses estilos se desenvolvem em busca de suprir essa lacuna, quando se descobre que podem ser feitas cervejas mais alcoólicas que podem agradar a esse paladar.”

Segundo Celso, três aspectos devem ser observados na busca por uma boa cerveja de inverno. O primeiro deles é a graduação alcoólica, geralmente mais alta nessas cervejas. “O álcool da cerveja causa aquecimento no nosso corpo e traz uma sensação de conforto”, avalia. Um segundo aspecto é o corpo mais elevado, responsável também por proporcionar sensação de conforto, assim como uma carga sensorial mais potente e sabores mais intensos. Outro detalhe que muitas vezes não é observado é a temperatura de serviço: cervejas de inverno são servidas em temperaturas mais altas, a partir de 7o .

Tudo isso, segundo Celso, faz uma boa cerveja de inverno, independentemente muitas vezes do estilo. “Há alguns estilos que não entrariam como de inverno, mas que podem se encaixar nesses parâmetros”.

Confira as sugestões do Celso e da equipe da VKS para o inverno.


SUGESTÕES DO CELSO

  • TRIPEL: Cerveja clara, foge da ideia de que as mais alcoólicas são sempre escuras. Segundo Celso, tem uma carga sensorial proveniente da fermentação, com sabores frutados e condimentados da levedura belga e corpo mais elevado dentre as cervejas claras belgas. Celso sugere a Westmalle Trippel, uma Trapista belga, referência no estilo desde os anos de 1800. Já a Tripel Karmeliet é equilibrada, mais lupulada e fresca, mas ainda alcoólica e com sabores potentes.
  • OLD ALE: De origem inglesa, não necessariamente tão alcoólicas, mas de corpo elevado e com grande complexidade em seus sabores. Nasceram a partir da ideia de “cerveja velha”, guardada por muito tempo em barril. Segundo Celso, isso faz com que tenha sabores vindos da oxidação dos ésteres e do álcool. Têm maltes presentes, tostados, caramelados. Como sugestão, a Fullers Vintage Ale, uma cerveja de guarda, tem versões anuais desde 1997 e a Theakston Old Peculier é bastante sensível aos aromas conferidos pelas madeiras dos barris.
  • IMPERIAL IPA: Por que uma Imperial IPA não pode ser uma cerveja de inverno? Geralmente não se pensa em lúpulo na estação, mas a Imperial IPA tem amargor em primeiro plano, aromas frescos do lúpulo, mas possui o álcool potente (até 10%), é encorpada e tem muita informação sensorial. Para Celso, a já consagrada paranaense Bodebrown Perigosa é uma boa pedida, assim como a paulista Dogma Hop Lover e a Colorado Vixnu.

SUGESTÕES DA VKS

  • QUADRUPEL: A equipe do VKS começa suas sugestões com esse estilo de cerveja mais maltada, adocicada, puxada para banana-passa, ameixa seca e uva passa, além de teor alcoólico em média de 10 a 14%. Vai bem com queijo gouda, fondue de queijo e caldos. No Brasil, marcas como a Wäls oferecem opções do estilo
  • RUSSIAN IMPERIAL STOUT: Um dos estilos com o maior teor alcoólico a baixo drinkability. Na maioria das vezes tem notas de café, e algumas podem levar lactose, baunilha e lascas de carvalho, deixando com notas mais adocicadas. Vai bem com sobremesas à base de leite e chocolate. Maple’s Milk, da cervejaria pernambucana Quatro Graus, leva maple e lactose, além de 12,5% de teor alcoólico bem inseridos.
  • IMPERIAL RED ALE: Boa opção para quem não curte sabor de café, pois tem notas puxadas para o caramelo, um leve dulçor e no retrogosto é um pouco mais amarga. Também tem um teor alcoólico maior que as Red Ales. Vai bem com carnes e pratos bem temperados. Cervejarias nacionais como Tupiniquim e Dado Bier têm opções do estilo.

Crítica: Institucional e informativo, filme perde chance de ampliar debate sobre cerveja

Realizar um recorte para apresentar uma visão subjetiva sobre algum aspecto da realidade, se utilizando das câmeras e da linguagem cinematográfica, entrelaçando histórias e perspectivas de modo a entreter e informar o espectador. É, em linhas gerais, esse o conceito definidor do que se trata um documentário. Ao realizar Em Busca da Cerveja Perfeita, filme que estreou em circuito nacional nesta quinta-feira, Heitor Dhalia cumpre apenas parte dessa tarefa, deixando dúvidas se o seu bem acabado produto final deveria mesmo ter ido para as salas de cinema.

Renomado diretor do cinema brasileiro por produções como “À Deriva” e “Cheiro do Ralo”, Dhalia adentra na linguagem dos documentários e, mais especificamente, no universo cervejeiro com um filme que pouco utiliza, efetivamente, a linguagem cinematográfica, mais lembrando um vídeo institucional e, eventualmente, publicitário, embora tecnicamente bem feito. E com muitas informações sobre a cerveja, mas apresentadas de modo bem burocrático.

O filme parte da premissa de contar a história da cerveja, iniciando pela Idade Média, e, principalmente, sobre quais são seus ingredientes, o modo como é produzida, com ricos e interessantes detalhes, e também a respeito das principais escolas e estilos. A ideia, a partir daí, deveria ser de mostrar ao público que existem diversas cervejas “perfeitas”, a depender dos contextos envolvidos, em uma louvação óbvia ao produto.

Para apresentar esse cenário, Dhalia ouviu dezenas de especialistas do setor, como mestres-cervejeiros, peritos em malte e lúpulo, fundadores de cervejarias e sommeliers. E afirma, de acordo com informações divulgadas pela equipe envolvida no filme, ter percorrido mais de 10 mil quilômetros na sua produção, um dado que impressiona e se confirma na tela pela ida a outros países, como Estados Unidos e Bélgica, mas que também não esconde um recorte: praticamente todos os entrevistados possuem relação direta com a Ambev.

Não é à toa, afinal, a produção é bancada pela gigante multinacional cervejeira. Isso não seria um problema, ainda mais porque os depoimentos têm qualidade e relevância para explicar o setor. Há, também, paixão nos relatos, com a demonstração da importância da cerveja na vida desses personagens. Mas pouco avança além do didatismo, expondo a dificuldade de Dhalia de ir além do filme institucional e publicitário, até por não haver choque entre os depoimentos, mas apenas complementaridade, o que empobrece a produção.

Há um mérito inconteste no aspecto visual: Em Busca da Cerveja Perfeita possui imagens belíssimas, construídas a partir das peças do maquinário das indústrias, como os barris, ou mesmo das plantações de cevada.

Mas até nessa seara há uma problemática, pela repetição de clichês, especialmente o da cerveja sendo colocada em um copo ou uma taça de vidro, com a espuma praticamente transbordando. E também o da felicidade aleatória em torno da bebida. Há, ainda, uma quase constrangedora necessidade de exibição dos rótulos, aspectos óbvios de uma estética publicitária. Proposital ou não, não ajuda em nada a construção narrativa do documentário, apenas o deixando genérico, ainda que com informações relevantes.

Ao fim, Dhalia enfim tateia o questionamento que dá nome ao filme, explorando aspectos emocionais dos personagens e da sua relação com a cerveja, enfoque que diz mais sobre a cultura e um estilo de vida. Seria a chance (perdida) de debater a recente transformação do setor, com o crescimento, ao menos em um nicho relevante financeiramente, do consumo de artesanais, algo que tem provocado mudanças comportamentais e do modo como a bebida é vista em parcelas da sociedade.

Mas, talvez pelo aspecto institucional do filme, não há espaço para isso, ficando claro que o seu objetivo é apenas fazer uma ode à cerveja. Assim, ainda que rico em informações, Em Busca da Cerveja Perfeita é burocrático, institucional, mas pouco cinematográfico.

Leandro Silveira é colaborador do Guia da Cerveja e repórter da editoria de Esportes do Grupo Estado.

Dia do Amigo: Brahma presenteia consumidor com um ano de chope grátis

O Dia do Amigo será comemorado neste sábado (dia 20). E, para festejar a data, a Brahma está fazendo uma promoção, por assim dizer, bastante amistosa: presenteando o consumidor com um ano de chope grátis.

A ideia da marca é homenagear “aquele amigo que nunca aparece”, segundo descreve sua assessoria. Assim, para ajudar a convencê-lo a participar de sua próxima festa, você poderá presenteá-lo com esse ano de chope na faixa.

A ação ocorrerá no Facebook da marca, onde a Brahma fará uma postagem especial sobre a data. E a última pessoa a comentar com o nome do amigo “furão” vai presenteá-lo com o chope gratuito.

A postagem entrará no ar nesta sexta-feira, dia 19, às 20h, e valerá até 20h de sábado. O parceiro premiado receberá o chope gratuito diretamente em sua casa, com recargas mensais, para garantir a amizade por, ao menos, um ano a mais…

Entrevista: Coca-Cola deveria inspirar relação entre cervejarias e colecionadores

A relação entre produtores e colecionadores de itens de bebidas não é boa, com a indústria lidando com esse nicho com descaso e desperdiçando um “marketing gratuito” que poderia reforçar o valor de sua marca. Essa é a avaliação de Carlos Alberto Tavares Coutinho, colecionador de itens de bebidas desde 1994 e responsável pelo site Cervisiafilia.

Em entrevista ao Guia, Carlos Alberto aponta que o colecionismo pode ajudar na consolidação do mercado nacional de cervejas, pois faz com que as marcas se tornem mais conhecidas. Ele cita bons exemplos de outros países e nichos, como a Coca-Cola, para lidar com essa prática.

“A Coca-Cola adotou a estratégia do colecionismo de brindes como uma maneira de possuir e reter uma base de consumidores devotados, criando um ambiente de contato mais amplo entre produto e cliente, além daquele estabelecido pela gôndola do supermercado”, diz o colecionador.

Confira, a seguir, a entrevista completa com Carlos Alberto Tavares Coutinho, colecionador de itens de bebidas desde 1994 e responsável pelo site Cervisiafilia.

O que seria exatamente o colecionismo?
O ato de colecionar é um hobby que consiste em guardar e organizar objetos relacionados a um determinado assunto. O colecionador investe muito tempo e dinheiro na atividade de colecionar e de manter a coleção. As pessoas colecionam coisas por diversos motivos. Geralmente, no entanto, dois motivos se destacam de todos os outros: hobby (passatempo, diversão) e comercial, onde um dificilmente admite o outro. Se for hobby, haverá grandes despesas; se for comercial, gerará grandes lucros (embora fazer trocas e comercializar itens repetidos ou fora da coleção é um meio de controlar um pouco essas despesas). Poucos colecionam por motivos educacionais ou, ainda, para estudos históricos e/ou geográficos.

Como funciona este nicho de colecionismo cervejeiro no país?
No Brasil não há propriamente um “colecionismo cervejeiro”. Há, sim, um colecionismo de itens de bebidas, que engloba todo o material relacionado com a indústria de bebidas, isto é, todo material autêntico que tenha a marca ou o logotipo estampado, seja do produto ou da indústria, no próprio produto, na embalagem, em propagandas, etc. Mais especificamente, isso inclui bandejas, placas luminosas ou não, latas, anúncios, garrafas, rótulos, copos, porta-copos (bolachas), torneiras, abridores de garrafas, canecas, brindes, etc. Um conjunto quase infinito de objetos.

Quanta gente envolve o colecionismo de bebidas no país? Quem são, como atuam e onde estão concentrados os principais colecionadores?
Os colecionadores brasileiros existem em número bastante representativo, mas necessita-se de uma pesquisa para quantificá-los. Eles estão espalhados por todo o país, são na sua maioria do sexo masculino, mas a minoria feminina com suas coleções de copos, bolachas e tampinhas já está quase alcançando numericamente os homens. A grande concentração de colecionadores é nas regiões Sul e Sudeste, mais especificamente nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro, onde também estão concentradas as principais associações de colecionadores: Brasil Chapter, RioLatas e Tchêrveja.  Nos estados do Paraná, Santa Catarina e principalmente Minas Gerais, o colecionismo de itens de bebidas vem crescendo geometricamente.

Em geral, quais os principais itens cervejeiros procurados pelos colecionadores?
No Brasil, neste ramo de colecionismo, é difícil encontrar um colecionador que se dedique a um só tipo de item. E mais raro ainda é encontrar mais de dois que colecionem os mesmos itens. A maioria se dedica ao colecionismo de embalagens cheias ou vazias (latas, garrafas, barris, etc.) e, como é grande o espaço que a coleção ocupa, acaba fugindo de uma norma do colecionismo que é expor, passando a guardar em caixas ou migrando, aos poucos, para coleções mais brandas, tais como tampas ou rótulos, as preferidas do público feminino, que podem ser guardadas em pastas e classificadores que ocupam pouco espaço e permitem que se admire as peças. Quando o colecionador resolve parar com um tipo de coleção, isso às vezes acaba virando um problema pois, se vender a coleção inteira, jamais chegará ao que gastou; e, se vender por unidade, acabará ficando com uma coleção menor e com itens que ninguém quer.

Quanto chegam a custar esses itens e como os colecionadores fazem para obtê-los?
Os itens chegam a custar algumas centenas e até alguns milhares de reais, principalmente itens estrangeiros quando comprados através do E-Bay. Dentro do país as peças são adquiridas por trocas e compras de particulares ou negociando em lojas especializadas em colecionismo ou antiguidade, por lojas virtuais, por grupos em redes sociais, por sites de livre comércio, etc. E mesmo itens de baixo valor acabam tendo seu preço muito acrescido em função das tarifas dos Correios.

Como você avalia a relação entre cervejarias e colecionadores? A interação é boa? Por quê?
A relação entre os produtores e os colecionadores de itens de bebidas não é boa, com as indústrias espelhando um certo descaso, talvez até desprezo, pelo ato de colecionar ou pelo próprio colecionador. Apesar de haver raras exceções no tratamento, a maioria considera o colecionador um “pedinte” que não deverá ser atendido. Há exceções, sim, como as empresas que enviam sob pedido o set de tampinhas com desenhos internos ou enviam aos colecionadores cadastrados as novas latas comemorativas de algum evento. Ou, ainda, algumas micros que já descobriram ser este um veículo de propaganda de seus produtos.

É até compreensível essa forma de comportamento, considerando o tamanho das empresas de bebida no Brasil, onde as grandes empresas ignoram os colecionadores (são uma pequena parte de seus consumidores) e as pequenas, que não têm tempo a perder com quem pede itens, não possuem pessoal para esse atendimento, além de ser um material de que não podem dispor e de um gasto desperdiçado com os Correios.

Há ainda uma situação onde os colecionadores fazem pedidos de doação de itens e, em função das pequenas não atingirem suas localidades de moradia, a compra dos produtos torna-se impossível.

E o que fazer para essa relação se tornar mais sólida?
Para o caso das micros, que normalmente têm um ponto de degustação, poderiam fazer um atendimento da seguinte forma: a venda de itens colecionáveis “virgens”, isto é, antes de serem usados, e a doação de itens já usados, cobrando a tarifa dos Correios. Talvez seja uma solução para um melhor relacionamento entre os colecionadores e a indústrias.

De que maneira o colecionismo pode ajudar na consolidação do mercado nacional de cervejas?
Como o carro-chefe do colecionador de itens de bebidas é a embalagem e/ou suas partes, que é o principal recurso comunicativo entre o consumidor e a marca, ele se torna um dos pontos fortes de contato direto com o público-alvo. Tomando como base o Colnect, um site que permite gerenciar uma coleção pessoal, há o registro em tampinhas de garrafa de 1.292 colecionadores em 195 países. E, em rótulos, de 395 colecionadores em 65 países.

Os colecionadores fazem com que as marcas, de bebidas ou de fábricas, sejam mais visíveis no mercado. Eles aparecem frequentemente em programas de televisão e na mídia, de modo geral, mediante convenções e encontros de colecionadores, além de escreverem sobre o assunto. Tornam as marcas conhecidas no país e até as tornam conhecidas em outros países. Como as indústrias terão de pagar altas somas de propaganda para se tornarem visíveis no mercado, com a política de ignorar os colecionadores elas perdem uma parcela de propaganda grátis e, assim, uma parcela de dinheiro que poderia ser gasto em outras coisas.

Que países poderíamos tomar como exemplo para entender como o colecionismo pode potencializar o mercado? Por quê? O que existe de especial neles e o que poderiam nos ensinar?
Nos Estados Unidos, o colecionismo é tema discutido em várias escolas e universidades. Lá, cada Estado tem o seu clube de colecionadores. A maioria de países europeus, como Alemanha, Polônia, Áustria, Espanha e Itália, e países sul-americanos, como Argentina, Chile e Peru, têm o colecionismo como coisa séria. Seus clubes de colecionismo fazem eventos, promovem e até vendem produtos e propagam as marcas aos quatro cantos do mundo.

O colecionismo é um hábito saudável e apropriado que não prejudica o funcionamento global da pessoa e tem função de entretenimento e socialização com outros indivíduos com os mesmos interesses. As pessoas começam a colecionar, em geral, de forma acidental. Escolhem um objeto por acaso, sem a intenção de fazer uma coleção. Por exemplo, ganham um presente ou acham um objeto em suas coisas, o que funciona como uma semente: a partir de determinado momento a coleção começa a “germinar”, e a pessoa parte em busca de novos itens.

A Coca-Cola adotou a estratégia do colecionismo de brindes como uma maneira de possuir e reter uma base de consumidores devotados, criando um ambiente de contato mais amplo entre produto e cliente, além daquele estabelecido pela gôndola do supermercado. A marca cria um relacionamento que se situa além da lealdade, residindo na intimidade e na posse.