Em uma cena de alta porém recente efervescência, o Capitão Barley, fundado em 2013, já é consagrado como um dos “clássicos” dos bares de São Paulo. Ele foi concebido como loja de cervejas especiais, rapidamente transformado em bar e, agora, com 5 anos, adapta-se às tendências do mercado e reinventa-se como um brewpub.
Fruto da parceria de dois amigos entusiastas da cerveja caseira e artesanal, o bar que fica em Perdizes nasceu com a ideia de vender garrafas e latas para consumo em domicílio. No entanto, já no primeiro dia, os rumos mudaram. E os sócios perceberam que “dar certo” nem sempre é sinônimo de “sair como o planejado”.
“Inauguramos como loja de cervejas especiais e
artesanais, mas logo na inauguração alugamos chopeiras para servir aos
convidados e percebemos que o chopp era melhor negócio do que as cervejas em
latas e garrafas”, conta Amílcar Parada, idealizador e sócio do Capitão Barley.
Em seus cinco anos de história, o Capitão Barley assistiu à passagem de diversos “modismos”, a transformações no mercado cervejeiro e a um rigoroso processo de seleção natural.
“O mercado continua com um potencial de crescimento enorme, mas muita gente entra e sai logo por achar que trabalhar com cerveja é pura diversão. Esquecem de que é preciso estar preparado e ser profissional”, afirma Amílcar . “Acompanhamos muitas lojas, bares e até marcas de cerveja que surgiram depois do Capitão Barley e já não existem mais justamente por isso.”
Nova fase Agora, em um momento mais maduro e entendendo a demanda do público crescente, o Capitão Barley produz o seu próprio chope. A inauguração da fase brewpub se deu justamente no aniversário de cinco anos, em novembro de 2018. No primeiro momento, as opções feitas na casa são as West Coast IPA, Session IPL e Sour – além de diversas torneiras de outras marcas.
Na avaliação de Amílcar, o público ainda está se
acostumando com a ideia. “Alguns cervejeiros mais heavy users que antes não
visitavam o bar estão aparecendo para provar nossas criações. Creio que em
questão de tempo teremos um público mais especializado e que busca mais
inovação”.
E o caminho tem sido mesmo o da inovação. Os três chopes disponíveis hoje estão longe do status de “fixos” no menu do Capitão Barley. Muitos experimentos, garante o sócio, ainda virão. “A ideia é não repetir tanto as mesmas receitas”, antecipa Amílcar.
“Sei que o conceito de muitos lançamentos tem gerado discussões, mas enquanto não testarmos bastante não vamos definir quais serão as ‘de linha’”, acrescenta ele, que vê como vantagem poder reproduzir – ou pelo menos se inspirar – em um sem número de bons rótulos de outras cervejarias que já passaram por suas chopeiras.
Mas a opção por se tornar um brewpub não se deu apenas para proporcionar uma nova experiência que atenda à expectativa do consumidor. Depois de um estudo de viabilidade, os números mostraram que fazer o próprio chope seria um bom negócio para o Capitão Barley, segundo Amílcar.
“Os chopes de outras cervejarias, mesmo das recém-criadas, chegam com valores muito altos ao ponto de venda”, avalia. “Foi um caminho natural. Depois de anos no mercado sabemos quanto custa pra produzir, para distribuir, compreendemos quanto ganha cada participante da cadeia. Então, fizemos as contas e vimos que tínhamos muita chance de sucesso financeiro se produzíssemos aqui.”
Após registrar deflação em 2018, o preço da cerveja em domicílio iniciou 2019 em alta, seguindo o ritmo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Enquanto a inflação brasileira foi de 0,32% em janeiro, a elevação da cerveja ficou em 0,27%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Essa alta também foi vista no setor de alimentação e bebidas, de 0,90%, impactando diretamente a inflação de janeiro. “O grupo Alimentação e bebidas acelerou de dezembro para janeiro, ao passar de 0,44% para 0,90%, contribuindo para elevar o IPCA no mês. O grupamento da alimentação no domicílio subiu 0,97% em janeiro”, explica o IBGE.
A alta em janeiro da cerveja em domicílio praticamente estagnou a deflação do produto nos últimos 12 meses, que agora apresenta uma pequena redução (0,08%) no somatório de fevereiro de 2018 até janeiro de 2019.
Já a cerveja fora do domicílio, que teve inflação de 3,68% nos últimos 12 meses, também apresentou queda quase irrelevante em janeiro, de 0,06%, em cenário diferente ao da alimentação longe de casa, segundo o IBGE. “A alimentação fora também acelerou e subiu 0,79%, frente à alta de 0,33% em dezembro”, diz o instituto.
O preço de outras bebidas alcoólicas fora do domicílio não acompanhou essa lógica em janeiro, tanto que sua deflação foi de 0,86%, com uma inflação de 2,77% nos últimos 12 meses.
O item outras bebidas alcoólicas no domicílio, por sua vez, teve aumento de 0,3% em janeiro, com alta acumulada de 3,51% nos últimos 12 meses.
Interessantes e criativas novidades marcaram a semana cervejeira. Inspirada em Frankenstein, clássico de Mary Shelley, a Treze lançou a Frank, uma Farmhouse New England IPA. Já a champanharia Ovelha Negra fez sua incursão no mercado cervejeiro com uma American Blonde Ale, enquanto a Let’s Beer apresentou seu delivery que mescla kits de churrasco com artesanais. Confira, a seguir, as novidades da semana.
Frankenstein da Treze Inspirada na história de Frankenstein, clássico de Mary Shelley que narra a história de um monstro criado com diversas partes humanas, a Treze uniu dois estilos de origens diferentes para criar a Frank, uma Farmhouse New England IPA. “Algumas marcas norte-americanas têm feito cervejas com essa mesma proposta de ser uma Farmhouse NE IPA. Ainda não chega a ser um novo estilo e talvez nunca venha a ser, mas provei algumas e achei a ideia interessante de explorar por aqui. É extremamente saborosa, complexa e traz um jeito diferente de fazer uma Juicy IPA, que é o estilo da moda por aqui e em boa parte do mundo”, conta Bruno Couto, da Treze. “No fim das contas, a Frank é predominantemente uma NE IPA, mas com uma lembrança sutil dos aromas de uma Saison”, acrescenta Eduardo Marques, também da Treze. O lançamento oficial será na quarta, a partir das 19h, no Empório Alto de Pinheiros.
Juicy da Croma Durante o Brewing Friends Festival 2019, realizado neste sábado, a cervejaria Croma lançou um rótulo colaborativo com a anfitriã e aniversariante Three Monkeys. Trata-se de uma Juicy Pale Lager batizada de Sauna, produzida com os lúpulos Cashmere e Sorachi Ace, que conferem notas herbais e cítricas. Tem 4,4% de teor alcoólico, 30 IBUs e pode ser encontrada em lata de 473 ml e chope.
Delivery da Let’s Beer Tradicional bar especializado da Vila Mariana, a Let’s Beer traz uma boa novidade aos clientes: entregará a domicílio kits de churrasco montados com a supervisão do chef, parrillero e sommelier da casa, compostos por carnes e chopes artesanais gelados. Os combos variam semanalmente e mesclam a combinação de sabores. A picanha e o bife de chorizo, por exemplo, vão acompanhados por cervejas de potência mediana, como as English Pale Ales ou as Special Bitters. Enquanto as carnes chegam em casa resfriadas, prontas para irem à grelha, os chopes vão em embalagens exclusivas, em sacos com gelo. As peças variam entre 1,7 e 1,9 kg e os kits completos custam a partir de R$ 190. Os pedidos podem ser feitos pelo site da casa e no aplicativo do Delivery da Let’s Beer, disponível na GooglePlay e na Apple Store.
Cerveja da champanharia A American Blonde Ale foi o estilo escolhido pela champanharia Ovelha Negra para marcar sua incursão no mercado cervejeiro. O primeiro rótulo da casa carioca tem coloração avermelhada – devido ao hibisco – e sabor levemente amargo de lúpulos norte-americanos. Destaque ainda para as “bolinhas” com segunda fermentação natural na própria garrafa, característica do método champenoise, e ao dry hopping para trazer um buquet floral e frutado.
Bellavista no Gauchão A rodada deste final de semana do Campeonato Gaúcho ganhou um novo patrocinador: a Cervejaria Bellavista, produzida pela Fruki. A parceria foi selada na terça-feira e permite a divulgação da marca nos estádios dos 12 clubes participantes da competição. “Este patrocínio reforça o nosso respeito pelo esporte que a cada rodada movimenta milhares de pessoas em todo o Estado. A Bellavista é uma marca de muita personalidade, que tem este perfil de estar muito próxima de seus consumidores. E nada melhor do que o Gauchão para expressar esta nossa vontade de celebrar momentos reais”, comenta Júlio Eggers, diretor de marketing da Fruki. Lançada em agosto do ano passado, a marca conta atualmente com cinco rótulos: IPA, Blond Ale, Witbier, Weiss e Premium Lager.
O ano começou em ritmo de incertezas no cenário conjuntural brasileiro, o que não é diferente para o setor cervejeiro, pressionado pela estagnação da demanda e pelos altos custos produtivos e tributários. Para delinear o que pode ocorrer em 2019 e facilitar a antecipação de tendências, o Guia conversou com especialistas dos mais distintos ramos que compõem o segmento, como indústria, campo, varejo e o próprio mercado cervejeiro. Esperamos que, de alguma maneira, essas análises possam ajudar na construção de um ano promissor aos nossos leitores.
Mercado Cervejeiro
Carlo Giovanni Lapolli, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva): O grande desafio para 2019 é buscar, junto com a nova legislatura, com os novos governantes, um ambiente melhor de negócios para a cerveja artesanal. Nossa grande conquista será quando a cerveja artesanal independente for democrática, puder estar em todas as mesas. Esse é o grande desafio. Iremos trabalhar por uma reforma tributária, por melhores condições às pequenas empresas, às pequenas cervejarias e, assim, ajudar a baratear o custo da cerveja artesanal e torná-la mais popular.
Com certeza ganharemos mais mercado – nossa meta é chegar a 10% em um breve espaço de tempo. Tenho certeza que o consumidor é o grande agente transformador do nosso setor. O consumidor está sedento por tomar uma boa cerveja artesanal, e logo logo ele terá uma por um preço mais competitivo.
José Bento Valias Vargas, sócio da Lamas Brew Shop de BH, da Dunk Bier e um dos fundadores da Acerva Mineira: O amadurecimento do mercado de cerveja está sendo visto a passos largos, mas ainda é um setor muito novo e com problemas fundamentais, como a regulação incorreta, a alta carga de impostos, a disparidade cruel entre grandes e pequenas indústrias. Mas vai ser um ano de fortalecimento dos preparados e de início da morte dos paraquedistas. Espero que tenhamos mais sucessos, mais empresários preparados e com o pé no chão entrando no mercado. Isso vai ajudar a fortalecer a cultura e, principalmente, formar bons clientes. O mercado precisa focar menos em querer crescer o número de fábricas e mais em crescer o número de consumidores.
Formar cultura para ter cliente perene e não só ficar dando murro em ponta de faca, achando que vai conseguir concorrer com as grandes. O nosso mercado não é o deles. Vamos focar em criar nossos consumidores. Assim como [Steve] Jobs fez ao criar os smartfones e tablets de sua marca.
Luis Marcelo Nascimento, consultor cervejeiro, juiz do BJCP e sócio do Volátil, do H. e do The Lab: Espero que 2019 seja melhor em termos de produtos de qualidade com preços bons. Acho que vai ser um bom ano. Os últimos dois anos foram ruins para o mercado cervejeiro, a crise foi real, impactou o setor, o consumo baixou, muito bar fechou. O mercado retraiu. Então, vai ser um ano de recuperação. Mas existe um paradoxo aí: o mercado retrair e uma lata custar R$ 50. Então, para o próximo ano, algo precisa ser visto para retomar isso.
Patrícia Sanches, fundadora da Confraria Maria Bonita, sócia da cervejaria Patt Lou e do Instituto Ceres de Educação Cervejeira: Sendo bem otimistas, podemos pensar em um crescimento tímido, impulsionado principalmente pelas cervejas mais leves, refrescantes e que inovam na criatividade fazendo uso de produtos brasileiros (com frutas, especiarias e madeiras locais). Para 2019, podemos sugerir uma maior abertura para harmonizações clássicas que antes pertenciam ao vinho, como sobremesas e queijos.
As cervejas, com suas infinitas possibilidades sensoriais, têm o poder de harmonizar perfeitamente com diversos alimentos e ocupar posições elegantes em mesas de “toalha branca”.
Embalagens menores e criativas devem fazer a cabeça de pontos de venda e consumidores de cerveja artesanal. Seja em rótulos mais interativos ou até mesmo em garrafas de menores volumes, que ocupam espaços de praia a baladas noturnas.
Mercado Sul-Americano
Daniel Trivelli, presidente da Copa Cervezas de América: 2019 será um ano de dificuldades para as cervejarias no Brasil e na Argentina, especialmente para a cervejaria artesanal que utiliza uma grande quantidade de insumos importados, que tiveram um aumento de preço devido ao enfraquecimento de algumas moedas, principalmente o real e o peso argentino. Além disso, o mercado de lúpulo continua a produzir abaixo de uma demanda crescente, especialmente em variedades de sabor e aroma, que empurram o preço para cima. A participação de mercado [das artesanais] de Brasil e Argentina está em cerca de 1,5% (ainda que na Argentina existam estimativas mais otimistas), com um número crescente de competidores em um mercado que necessita do aumento de demanda. Nesse cenário, o principal desafio é aumentar a participação de mercado das cervejas especiais, por meio da educação e promoção da cultura da cerveja, ensinando ao consumidor as diferentes variedades e estilos, além de educar sobre a forma de consumo.
As cervejarias precisarão tomar medidas para aumentar a visibilidade de suas marcas e destacar a qualidade de suas cervejas em um mercado com cada vez mais participantes.
Bares e Restaurantes
Rodrigo Sena, sommelier e gestor da
Escola da Cerveja BaresSP: Para 2019 acreditamos que duas
tendências chegam fortes: o brewpub e o gastropub. O brewpub é o lugar que vende a cerveja feita
lá mesmo, e algumas mudanças de entendimento da fiscalização de Anvisa e
Ministério da Agricultura estão favorecendo esse tipo de negócio em São Paulo.
Já o gastropub foca em um público que ama cerveja artesanal e que também ama
gastronomia, e que hoje encontra pouquíssimas alternativas em São Paulo.
Bistrôs onde a cerveja é o tema central aliada à alta gastronomia devem
aparecer mais.
Indústria
Nelson Ferreira Júnior, vice-presidente da Câmara Setorial de Máquinas para a Indústria Alimentícia, Farmacêutica e Refrigeração Industrial da Abimaq: Para 2019, o setor de máquinas acredita que o mercado cervejeiro continuará crescendo em termos de inovações e ampliação de distribuição de produtos. Deverão ser mantidos investimentos em novas linhas de produção, inclusive de novas fábricas, uma vez que as indústrias de cerveja buscam, cada vez mais, linhas eficientes com grande confiabilidade, que resultam em maior qualidade do produto e em custos mais baixos de produção.
Há ainda uma expectativa de aumento de negócios para as microcervejarias, assim como já ocorreu em 2018.
Campo
Euclydes Minella, pesquisador da Embrapa Trigo: Com relação a 2019, ainda não temos a intenção da maltarias em termos de área a ser fomentada. Possivelmente haja redução da área semeada em razão do desânimo dos produtores frente ao mau resultado nesta safra. Em geral, as empresas externam suas metas a partir de março.
O fim de semana chega repleto de opções para o fã de cerveja. Tem desde o aniversário de cinco anos da Three Monkeys, em um evento que contará com o lançamento de 16 rótulos, passando por feira de artesanais e até mesmo a inauguração de uma cervejaria em Lençóis Paulista. Confira as nossas dicas.
Sudeste
Belo Horizonte – Nova tap house: O Mister Art Empório Cervejeiro abre as suas portas com 16 torneiras automatizadas – no estilo autosserviço – de alguns dos principais chopes do Brasil, além de uma de gim. Na inauguração, haverá apresentação musical da banda Lá Biere. Será neste sábado, a partir das 16 horas, na avenida Fleming, 800, lojas 13 e 14.
– Pré-carnaval: Uma das principais cervejarias da capital mineira, a Krug Bier realiza o Circuito Pré-Carnaval Krug nos quarteirões fechados da rua Senador Lima Guimarães, com as presenças do Bloco DuBandu, do DJ Peru, do DJ Siman e do Bloco Pacato Cidadão. A participação é gratuita, com retirada de ingressos no site da Sympla. Será a partir das 11 horas deste sábado.
– Projeto de verão: A Hofbräuhaus BH dá sequência ao projeto Sunset HB com a apresentação da dupla de irmãos Bruma. O público também poderá degustar opções de petiscos e cervejas do brewpub, que possui uma fábrica de artesanais ligada ao restaurante. Será neste sábado, com a abertura da casa às 12h, sendo que o show começa às 16h, na Hofbräuhaus, localizada na avenida do Contorno, 7613.
Campinas – Ano do Porco: O Growler Day da Landel celebra o ano do porco no horóscopo chinês, iniciado na última terça-feira. São dez torneiras com chopes artesanais da marca – alguns deles exclusivos da tap house -, além de opções de cervejarias convidadas. A celebração terá, ainda, duas apresentações musicais. Será no sábado, das 10h às 22h, na Tap House Landel, na rua Dr. Oswaldo Cruz, 607.
– Vinil e cerveja: A Daoravida realiza a primeira edição do “Vinil Artesanal”. Givly Simons e Caue Assumpção vão comandar as vitrolas durante o evento, em que estarão disponíveis dez torneiras de chope. Será no domingo, a partir das 19h, no Daoravida Taproom, localizado na avenida Nossa Senhora de Fátima, 765.
Lençóis Paulista – Inauguração da Hipnose: A cervejaria estreia seu taproom em Lençóis Paulista, no interior do estado. O público poderá provar 8 rótulos da marca e de cervejarias convidadas. O evento terá a banda Long Play, o músico Erick Breslau, live painting com Cristiano Paccola e comida por conta da hamburgueria Black Burg. A entrada é gratuita, mas um ingresso de R$ 10 dá direito a dois chopes de 300 ml, e a doação de 2 kg de alimentos não perecíveis (revertida para entidades assistenciais da cidade) dá direito a mais um. Os chopes extra custam R$ 6. Será no sábado, a partir das 12h, na Rua Fortunato Zillo, 231. A organização ajuda quem é de fora da cidade a encontrar hospedagem ou transporte por meio do contato@cervejariahipnose.com.br.
Rio – Aniversário com festival: A Three Monkeys Beer celebra os seus cinco anos com o Brewing Friends Festival, evento marcado pela presença de 33 cervejarias convidadas e 16 lançamentos exclusivos, entre eles, 11 rótulos colaborativos. O Bloco 442 e o DJ Minaz comandam o som da festa. E as opções gastronômicas serão oferecidas por Marchezinho, Frites, Toutsie e Tassinari Cafés. Será neste sábado, das 12h às 22h, na rua São Clemente. Os ingressos custam a partir de R$ 175, com meia entrada para quem doar 1 kg de alimento não perecível.
Petrópolis – Deguste:A Feira de Cervejas Artesanais de Petrópolis (Deguste) é realizada neste fim de semana, com a presença de várias marcas da região, como a Odin e a Dr. Duranz. Haverá, ainda, apresentações musicais. Será a partir das 18 horas na sexta-feira e das 11 horas do sábado, na Praça Visconde de Mauá.
Sul
Curitiba – Sports Bar: Inaugurado na última quarta-feira, o Sports Bar Budweiser conta com um painel de led gigante para transmitir as principais ligas esportivas do planeta. O empreendimento conta, também, com diversos jogos, como sinuca, pebolim e fliperama. Além disso, oferece as opções gastronômicas da Vila Yamon. Fica na rua Itupava, 1.402, sendo aberto às 16h aos finais de semana e às 17h30 de terça a quinta-feira.
– Cerveja do mago: O Growler Day da Bodebrown contará com uma mini vila gastronômica, com opções como pizzas, hambúrgueres e doces. A cerveja Mago de Houblon, uma American IPA, foi a selecionada para completar os growlers. Além disso, haverá mais de 20 chopes disponíveis para consumo na hora. Será nesta sexta-feira, das 17h às 20h, e no sábado, das 9h30 às 16h30, na rua Carlos de Laet, 1015.
O desenvolvimento do mercado brasileiro de artesanais ainda esbarra na questão dos preços. Embora o crescimento de novas marcas seja exponencial, chegando a 30% no último ano, a demanda segue estagnada em função, especialmente, dos altos custos que pressionam as microcervejarias. Pensando nesse cenário, seis sócios adotaram uma lógica inversa: apostaram em preços baixos para, quem sabe, “educar” novos consumidores e ganhar no volume.
Surgiu, assim, no final de dezembro, a Backbone, uma cervejaria carioca que se define pela simplicidade, pela boa drinkability, pelo visual fácil de identificar e, claro, pela boa relação custo-benefício, segundo informou a própria marca em seu lançamento.
Os dois primeiros lançamentos
Fundada por André Guedes, André de Paula, Carlos Jorge Ramers, Daniel Guedes, David Bonanno e Thompson Schemes, a Backbone chegou ao mercado com apenas dois rótulos: uma Belgian Witbier e uma American Lager, estilos fáceis de serem consumidos, especialmente no verão carioca. Trabalha, agora, no lançamento de uma West Coast IPA e de uma German Pilsner.
Se o lançamento foi em 2018, a “gestação” da marca vem desde 2010, quando dois dos sócios começaram a traçar o projeto. A junção com os outros quatro, então, permitiu que a experiência de alguns deles com indústria e negócios concretizasse o sonho cervejeiro.
O resultado dessa união foi uma marca que buscasse ser “o mais profissional possível, para que não houvesse falha na execução e distribuição dos produtos”. Daí, inclusive, surgiu o nome Backbone, que significa espinha dorsal.
Para entender como a cervejaria pretende unir questões aparentemente antagônicas como preço e qualidade, o Guia realizou em janeiro uma entrevista com o engenheiro André Guedes, CEO da Backbone, ex-sócio da AGTAL e administrador da rede de barbearias DON Barber Beer. Confira.
A Backbone chega ao mercado com uma proposta relativamente diferente, apostando na democratização, na simplicidade e em um melhor custo-benefício. De onde veio a ideia? Há outras iniciativas que serviram de exemplo? A ideia surgiu após uma minuciosa pesquisa de mercado e análise do cenário competitivo. Concluímos que existem várias restrições ao aumento de consumo e a entrada de novos consumidores, e desenvolvemos uma estratégia para tentar mitigar estas restrições e ajudar no desenvolvimento do setor. As grandes cervejarias fazem este movimento de forma restrita, quando compram uma cervejaria artesanal, pois carregam junto à cervejaria todos os seus atributos: a sua marca, o seu posicionamento junto ao público consumidor, os seus produtos, o design dos rótulos e a comunicação. Desta forma, se limitam a reduzir o preço, normalmente reduzindo o custo e a qualidade do produto.
Qual é exatamente o público-alvo da Backbone? Estão mais focados no consumidor ainda ligado ao mainstream, às Pilsens, ou ao que já tenha um primeiro contato com as artesanais? Queremos atingir o grande público, mas com respeito e admiração dos especialistas também. O objetivo é conquistar tanto os consumidores de cervejas artesanais quanto os consumidores mainstream que desejam experimentar produtos de boa qualidade. Para isto, acreditamos em produtos de alta drinkability, com muita qualidade, personalidade e convergência das características do estilo em questão.
Como foram as primeiras semanas após o lançamento? Alcançaram o resultado esperado? E quais foram os principais desafios? A aceitação tem sido muito boa. Estamos atentos ao feedback dos consumidores e especialistas em cerveja. Acabamos de completar um mês de trabalho e o resultado de vendas foi dentro do esperado em nosso business plan. Mas o principal desafio é abrir uma carteira de clientes completamente nova e agradecemos muito aos parceiros que estão acreditando em nosso trabalho e nos dando uma oportunidade.
Um dos maiores entraves à democratização das artesanais é o preço. Por que ela tem esse valor? Devido à carga tributária, aos elevados custos produtivos e à pequena escala de produção.
E qual a estratégia da Backbone para vender uma cerveja de qualidade a um custo menor? Apesar de estarmos começando pequenos, com o pé no chão, o projeto é pensado e planejado de forma grande. Com isso, estimamos todos os custos e diversas etapas do projeto e optamos por realizar um esforço inicial na precificação do produto para alcançarmos os volumes de vendas desejáveis em nosso planejamento. Além disso, conseguimos realizar negociações bastante favoráveis com fornecedores e prestadores de serviço, que só foram possíveis pela clareza e profissionalismo transmitidos em nossas negociações.
Quais os próximos passos da cervejaria? Já é possível dizer quais serão os próximos rótulos? Nossa prioridade agora é seguir conquistando clientes em todos os canais de distribuição para se tornar acessível ao consumidor final e gerar os volumes esperados. Posso adiantar os nossos dois próximos rótulos: o terceiro estilo, uma West Coast IPA, e, no início de março, lançaremos a German Pilsner.
Uma das marcas mais conhecidas de Nova Lima, cidade mineira que é referência cervejeira do país, a Küd deu um importante passo rumo à internacionalização, em uma iniciativa que pode abrir mercados à artesanal brasileira: atravessou o Oceano Atlântico e chegou a Angola, em um acordo que também envolve o fornecimento de know-how para a construção e a consolidação de uma marca no país africano.
A parceira no interessante projeto é a Cervejaria Puro Malte, que possui um restaurante e se prepara para ter o próprio rótulo. Em um acordo apontado como “fundamental” para que voltasse parte do seu foco à exportação, antes vista como um “serviço extra”, a marca da região metropolitana de Belo Horizonte tem ajudado a empresa de Luanda na divulgação da cultura das artesanais em Angola.
Nesse processo, segundo explicam os sócios ao Guia, a Küd contribui com seu conhecimento para a construção de uma cervejaria, além de fornecer os seus produtos ao mercado angolano.
“A nossa exportação aconteceu por que tivemos a grata oportunidade de concluí-la em função de uma necessidade e desejo de uma empresa em Luanda de levar a cultura da cerveja especial para aquele mercado”, conta Bruno Parreiras, diretor da Küd.
“Como estamos ajudando-os no desenvolvimento do projeto de uma cervejaria por lá, e enquanto isso eles precisam de produtos especiais para desenvolver o mercado, a gente conseguiu negociar essa exportação, o que foi excelente”, acrescenta Bruno.
Expansões A internacionalização da Küd foi possível devido à expansão da fábrica em Nova Lima, a partir da inauguração de uma nova unidade de brassagem, que dobrou o volume da produção de bebidas especiais para 30 mil litros mensais.
Rótulos da Küd servidos na Puro Malte
A cervejaria mineira tem exportado os rótulos Yellow Ledbetter (German Pilsner), Tangerine (Witbier), God Save the Queen (English Pale Ale), Kashmir (IPA) e Cretin Hop (Session IPA) para Angola.
Se precisou se expandir para exportar, a Küd aposta que a parceria pode trazer uma importante expansão de mercado. Bruno cita algumas conquistas da exportação, a começar pelo aspecto cultural da entrada em um mercado que possui relação histórica com o país, onde moram muitos brasileiros e se fala a mesma língua.
“É muito bom ser a primeira cerveja brasileira por lá, especialmente por ser um local onde tem muitos brasileiros morando ou trabalhando”, explica o diretor, apontando que esse pioneirismo também despertou maior atenção para a marca no cenário nacional.
Outra importante conquista pode vir com a própria Puro Malte. Para Bruno, essa primeira integração pode ser o passo inicial de uma longa parceria. “Nosso objetivo é continuar atendendo bem o mercado angolano e ajudar com ainda mais empenho no projeto da Cervejaria Puro Malte em criar a própria estrutura e, quem sabe, estabelecer com eles uma relação comercial diferente do que somente a de compra e venda.”
O projeto com a Puro Malte, por fim, segundo complementa Bruno, pode abrir as portas de outros mercados para a Küd. “A gente fez essa primeira exportação em um modelo que precisamos aprimorar e ainda estamos apurando os resultados, mas, com certeza, este foi só o primeiro. Teremos muito trabalho e estamos nos preparando para as próximas.”
Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, o Brasil não exportou cerveja ao continente africano em janeiro de 2018. E, mesmo que essa situação tenha se alterado no primeiro mês de 2019, o valor ainda é irrisório: US$ 9,4 mil, o que indica uma clara oportunidade de novos negócios.
“A gente acredita que o sucesso para todo o mercado cervejeiro só se dará verdadeiramente no momento que todas as cervejarias entenderem que o objetivo deve ser sempre conseguir buscar novos mercados e novos públicos interessados em consumir produtos de cervejarias artesanais”, garante Bruno, antes de complementar.
“Uma cervejaria recém-criada não pode ficar indo nos mesmos clientes de outras pequenas cervejarias, fatiando, assim, um mercado que no meu entendimento ainda é mínimo”, finaliza o diretor da Küd.
Balcão do José Bento: O mercado de cerveja está crescendo?
No ano passado o Guia perguntou sobre o mercado de 2018 e perspectivas a 2019 para vários especialistas do ramo. Lendo as respostas, comentários e notícias veiculados por várias publicações, uma informação é comum e chama atenção: “O mercado de cerveja artesanal está crescendo”. É fato que a cada dia mais pessoas se interessam por cerveja artesanal, e que mais e mais fábricas aparecem no Brasil. Mas é fato também que o crescimento da demanda não vem acompanhando o crescimento da oferta. Vejamos.
O Brasil fechou o ano de 2018 com 889 cervejarias registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), contra 679 no final de 2017. Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais encabeçam a lista das maiores concentrações de fábricas. Esse número é referente às cervejarias com plantas próprias registradas. Não contempla as ciganas. Aí, creio eu, a conta passa de 10 vezes esse número.
Pois bem. É certo que a oferta cresceu absurdamente, mas e o consumo?
Não encontrei números atualizados de consumo em nenhuma fonte confiável. Os dados mais recentes são do Instituto Nielsen e mostram queda nos anos de 2015, 2016 e 2017. Eu, como cervejeiro cigano e vendedor de cerveja, arrisco dizer que as vendas no ano passado não aumentaram. Se cresceram timidamente, com certeza não acompanharam o crescimento da oferta. O que mais ouço das cervejarias é que está difícil vender.
O custo é alto, o imposto é alto, o trabalho é grande e isso faz com que o consumidor encontre preços altos nas gôndolas de supermercados e lojas especializadas. Isso não ajuda a aumentar as vendas. Muito pelo contrário.
Mas vamos à parte boa: esperança. Acredita-se que em 2019 o consumidor apareça. Aí entra o ponto mais importante, que tem sido esquecido: como trazer esse pessoal? Muito se fala na redução da carga de impostos e, claro, precisamos disso. Existe o problema dos insumos vinculados ao dólar, que é difícil de se resolver. Mas pouco se fala do principal: forma-se consumidor somente com disseminação de conhecimento. Simples assim.
Precisamos de mais pessoas falando de cerveja artesanal de forma clara e simples. Sem gourmetização, sem esnobismo, sem aquela crença de que eu bebo IPA, então sou melhor que o coleguinha que prefere cerveja de trigo.
Precisamos trazer o pessoal que quer conhecer coisas diferentes, trazer o pessoal que gosta de culinária para harmonizar com cervejas. O pessoal que gosta de boteco, de beber Pilsen (Pilsner, German, Bohemian ou Standard Lager) artesanal, de cervejarias independentes. Trazer o consumidor para a qualidade da cerveja artesanal de verdade. É preciso cursos, bate-papo, oferecer aquela cerveja bacana para amigos e amigas, dentro de um estilo que vá agradar o paladar do outro – e não só o meu. Tudo isso é importante para realmente formarmos um mercado.
Vamos dizer que o mercado de cerveja vai crescer! E vamos
dizer que só depende de nós.
Prost e vida longa!
*José Bento Valias Vargas é um dos fundadores da Acerva-MG, sócio da Lamas Brewshop BH e da cervejaria Dunk Bier
Em uma manobra que pegou o mercado cervejeiro de surpresa, a companhia japonesa Asahi anunciou a compra da tradicional britânica Fuller’s por £250 milhões. Do acordo, fechado em janeiro e que deve se concretizar até o final do primeiro semestre, ambas tiram bom proveito, principalmente com as incertezas sobre a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit).
Fabricante da London Pride, uma das mais cultuadas marcas inglesas, a Fuller’s está no mercado há 174 anos. Mas, a partir de agora, a companhia deve se concentrar em seus negócios no ramo hoteleiro e de pubs. Essas atividades representam 87% do seu lucro, o que faz analistas acreditarem que a saída do mercado de cervejas já estava nos planos da Fuller’s.
“Fazer cerveja foi parte integral de nossa história e da identidade de nossa marca, no entanto, o caminho do nosso crescimento no futuro está no nossos negócios com hotéis e bares premium”, diz Simon Emeny, executivo da Fuller’s.
Pelo acordo, as marcas de cerveja, cidra e refrigerante continuam controladas pela britânica, e a japonesa terá o direito de explorá-las comercialmente. Faz parte do pacto, também, o controle da icônica fábrica de Griffin, nos subúrbio londrino de Chiswick.
A cervejaria existe desde o século 17, emprega hoje 400 pessoas e é considerada de extrema importância para a formação da identidade cervejeira britânica. Contudo, a região passa por um forte processo de valorização imobiliária, o que levantou o temor de que a companhia japonesa pudesse dar outro destino ao imóvel. Mas o porta-voz da Asahi garante que ela continuará fabricando a London’s Pride.
Para a Asahi, o acordo significa uma entrada expressa para o mercado britânico – que pode ficar mais restrito quando o Brexit entrar em vigor. Do ponto de vista estratégico, a proximidade com os hotéis e pubs da Fuller’s dá ao grupo japonês uma grande vantagem como fornecedor.
Além disso, representa mais um passo na consolidação da companhia no mercado de cervejas premium – em um momento de alta da demanda por cervejas especiais. Em seu portfólio, tem Asahi Super Dry, Peroni Nastro Azzurro e Meantime.
“A London Pride é uma marca fantástica com uma história ilustre vinda da década de 1950, e estamos entusiasmados com seu potencial internacional, que pode ser destravado pela escala global da Asahi”, afirma Akiyoshi Koji, CEO do grupo.
Depois de um primeiro semestre promissor, a produção industrial de bebidas alcoólicas sofreu redução em 2018. Caiu 1,4% na comparação com 2017, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ratifica a série de quedas registrada em quase todo o segundo semestre, incluindo o mês de dezembro, que apresentou diminuição de 1,9%.
O cenário é parecido com o visto na indústria de bebidas, que terminou 2018 com queda de 0,1% na sua produção, número que foi reforçado pela redução de 1,8% em dezembro, na comparação com o mesmo mês de 2017.
Já a fabricação de bebidas não-alcoólicas teve crescimento de 1,3% em 2018, mesmo com a queda de 1,7% no último mês do ano. Trata-se de um cenário similar ao da produção industrial brasileira: elevação de 1,1% em 2018 e redução de 3,6% em dezembro, levando em consideração o mesmo período de 2017.
“No índice acumulado do ano (1,1%), a indústria cresceu, mas com ritmo abaixo do verificado em 2017 (2,5%), quando interrompeu três anos seguidos de taxas negativas: 2014 (-3,0%), 2015 (-8,3%) e 2016 (-6,4%)”, compara o IBGE.
“[A indústria] cresceu 1,1%, com resultados positivos em três das quatro grandes categorias econômicas, 13 dos 26 ramos, 42 dos 79 grupos e 50,9% dos 805 produtos pesquisados”, acrescenta o instituto. “Entre as treze atividades em queda, produtos alimentícios (-5,1%) deu a contribuição negativa mais intensa. Destacam-se também os resultados negativos de confecção de artigos do vestuário e acessórios (-3,3%) e de couro, artigos para viagem e calçados (-2,3%).”
E o cenário difícil para a produção de bebidas alcoólicas se deu mesmo com o momento positivo do nicho cervejeiro da indústria de máquinas. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), houve crescimento de 20% do segmento, resultado que foi impulsionado pela inovação.
O lançamento de novos produtos, especialmente de cervejas “especiais”, contudo, acabou não sendo suficiente para permitir um ano melhor à indústria de bebidas alcoólicas, como confirmado pelos dados divulgados pelo IBGE.