As cervejarias de Santa Catarina foram os grandes destaques na etapa Sul da Copa Cerveja Brasil. A Big Jack, sediada em Orleans, foi eleita a melhor microcervejaria, conquistando seis medalhas de ouro e duas de prata. Enquanto isso, a Karsten, de Jaraguá do Sul, consagrou-se como a melhor cervejaria, acumulando quatro medalhas de ouro no evento promovido pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva). Já a Stannis, também de Jaraguá do Sul, teve a melhor cerveja da disputa.
A cerimônia de premiação aconteceu na noite desta sexta-feira, na cervejaria Joy Project, em Curitiba. A Copa Cerveja Brasil avalia as amostras por estilos, seguindo os padrões dos guias internacionais, e o somatório das medalhas determina as melhores cervejarias, levando em consideração a capacidade produtiva e o perfil de atuação.
Dessa forma, a Karsten emergiu como a melhor cervejaria, enquanto a Big Jack recebeu o prêmio de principal microcervejaria do Sul, destinado a marcas que produzem até 600 mil litros anuais. A Bonna Beer, de Curitiba, foi reconhecida como a melhor cervejaria cigana, conquistando dois ouros, e a 277 Craft Beer, de Foz do Iguaçu (PR), recebeu o prêmio de melhor brewpub. Outro ponto alto da premiação foi a gaúcha Stier, de Igrejinha, que conquistou três medalhas de ouro.
A Stannis brilhou ao levar para casa dois ouros na etapa Sul da Copa Cerveja, e sua cerveja Scarlett Flanders foi considerada a melhor do concurso. A medalha de prata Best of Show foi para a Que Fumaceira!, da Bota Amarela, de Erechim (RS), enquanto o bronze ficou com a Eisbock, da Cervejaria Salva, de Bom Retiro do Sul (RS). Essas três cervejas garantiram inscrições para a Copa Cervezas de America 2024.
A etapa Sul da Copa Cerveja Brasil contou com a participação de 394 rótulos, distribuindo 96 medalhas. Este evento marcou o encerramento das fases regionais da Copa Cerveja Brasil, que teve início em julho pelo Sudeste e avaliou e premiou cervejas do Nordeste, Norte e Centro-Oeste.
No total, a Copa Cerveja Brasil avaliou 1.125 amostras em suas etapas regionais, concedendo 312 medalhas. A fase final da competição ocorrerá em São Paulo. Em 8 de dezembro, haverá a premiação dos melhores rótulos da fase nacional, avaliados entre os medalhistas regionais por um júri de especialistas.
Os vencedores de medalhas de ouro na final receberão inscrições gratuitas para o World Beer Cup de 2024, um dos concursos mais prestigiados do mundo, realizado nos Estados Unidos pela Brewers Association, a associação de cervejas artesanais e independentes do país.
O fim de semana cervejeiro será de primeiras celebrações, seja de uniões ou de aniversários. Em Piracicaba (SP), por exemplo, o Pira Beer oferecerá 50 opções de cervejas artesanais, produzidas por 11 marcas da cidade, que compõem a associação Piracerva.
Em São Paulo, por sua vez, a Hocus Pocus vai dedicar o sábado à celebração do primeiro ano de funcionamento do seu bar, tendo uma cerveja surpresa da marca como uma das atrações.
Já a 5ª edição do evento “Portas Abertas” do Grupo Heineken, em parceria com Cufa, Carolinas e Favela Filmes, oferecerá mais de mil bolsas de estudo, além de discutir a empregabilidade e o futuro dos jovens das periferias brasileiras na próxima segunda-feira.
Confira essas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:
1º Pira Beer O 1º Pira Beer Festival, realizado pela Prefeitura de Piracicaba (SP), apresentará mais de 50 estilos de cervejas artesanais entre sexta-feira e domingo (24 a 26). O evento celebra a união das 11 marcas da cidade, formando a Piracerva, e conta com a participação de food trucks do Empreenda Pira, além de restaurantes locais. A programação musical, com bandas ao longo dos três dias do festival, completa a experiência.
Aniversário do Bar da Hocus Pocus em São Paulo A Hocus Pocus, marca carioca com espaço próprio em São Paulo desde 2022, celebra seu primeiro aniversário na capital paulista neste sábado (25), das 13h à 0h. O evento contará com uma cerveja surpresa da marca, atrações musicais e a presença do chef Gustavo Goussain, do bar Zona 011, que apresentará novidades gastronômicas desenvolvidas em parceria com Marcos Mello, sócio da casa.
Rock na Turatti A cervejaria Turatti promove em 2 de dezembro o Rock N’ Bier Festival, uma festa de seis horas com open bar de chope e um tributo aos clássicos do rock. O evento, que ocorre na fábrica da marca em Fortaleza, contará também com uma estação de parrilla, oferecendo churrasco, American BBQ e outras opções. Cinco estilos de chopes serão servidos, incluindo Lager, Munich Helles, IPA e Blonde Ale, com o lançamento de dois rótulos durante a festa.
Heineken e Projeto Carolinas Na próxima segunda-feira, o Grupo Heineken realizará a 5ª edição do “Portas Abertas”, evento anual em São Paulo para discutir potências negras, desenvolvimento profissional de jovens e inclusão no mercado de trabalho. Nesta edição, o grupo receberá representantes da Cufa e da Favela Filmes, disponibilizando mais de mil bolsas de estudo em parceria com o projeto Carolinas, focado no aprofundamento em boas práticas para mulheres negras acelerarem suas carreiras.
Mestre-ITA recebe Fernanda Souza A Itaipava lançou o segundo episódio do “Mestre-ITA”, uma série que explora os processos por trás da qualidade da cerveja. Neste capítulo, Fernanda Souza faz um tour pelos laboratórios de qualidade e pela fábrica do Grupo Petrópolis, em Boituva (SP), acompanhada pelo diretor industrial e mestre-cervejeiro Diego Gomes. O episódio destaca o processo de fabricação da cerveja, reforçando a mensagem “Beba com sabedoria e qualidade”.
Novo episódio do Beer Summit Cast O podcast Beer Summit Cast, do Brasil Beer Cup, traz em seu novo episódio uma discussão sobre uma nova lei de regulamentação do setor em Santa Catarina. O deputado estadual Marcos José de Abreu, criador da Lei nº 10.578/2019, que reconhece as atividades dos cervejeiros caseiros e das nanocervejarias, participou da discussão. O episódio está disponível no canal do YouTube do Science of Beer.
Prêmio Cumbucca de Gastronomia Na última terça-feira (21), foram anunciados os 50 vencedores do Prêmio Cumbucca de Gastronomia. Nesta edição inaugural, a iniciativa mapeou mais de 700 estabelecimentos em Minas Gerais, contando com expressiva votação popular e seleção de um júri técnico. O destaque foi para a presença feminina, com Fabiana Arreguy, colunista do Guia, conquistando o prêmio de Personalidade Cervejeira. Já a Juramento 202 foi eleita a melhor cervejaria e choperia.
Nova gerente de marketing sênior de Eisenbahn e Sol O Grupo Heineken anunciou a mudança na sua equipe no Brasil, com Anna Luisa Dafico, já entrevistada pelo Guia, assumindo oficialmente a posição de gerente de marketing sênior das marcas Eisenbahn e Sol. Com oito anos de experiência na empresa, Anna já liderou atividades de trade marketing da marca Heineken em diferentes regiões. A profissional, com formação pela Fundação Getúlio Vargas, agora conduzirá estratégias para Eisenbahn e Sol.
Laboratório de inovação O laboratório de inovação BHL, o Bev Hack Lab, da Ambev, apresentou os primeiros resultados da adaptação de tanques de cerveja para desenvolver fotobiorreatores dedicados ao estudo da produção de microalgas. O projeto busca explorar o desenvolvimento sustentável dessas microalgas, consideradas um “superalimento”. Além disso, o BHL visa a descarbonização, aproveitando os subprodutos das microalgas para a produção de biocombustíveis, contribuindo para um ciclo energético sustentável.
Negros estão subrepresentados nas cervejarias de todas as regiões do Brasil
Os profissionais negros estão subrepresentados nas cervejarias de todas as regiões e portes no Brasil. A informação é da pesquisa “Participação de pessoas negras na indústria da cerveja”, realizada pelo Guia e disponível no link.
O levantamento apontou que 30% dos funcionários das cervejarias são negros, contra um contingente de 56%, de acordo com o último Censo realizado pelo IBGE.
A participação é até maior em três regiões do país – Norte (59%), Nordeste (49%) e Centro-Oeste (46%) –, mas em nenhuma delas o índice está dentro da distribuição dos negros em suas respectivas populações, que são de mais de 60% em todas elas.
As disparidades se estendem às regiões com maior concentração de cervejarias no Brasil: Sudeste e Sul.
Nestas, a presença de negros é de 25% e 14%, respectivamente, em comparação com os índices de 48% e 26% do Censo mais recente.
Além disso, o estudo revela que o índice de 30% de profissionais negros nas cervejarias se mantém consistente em diferentes níveis de produção. Enquanto as nanocervejarias registram 29% de negros em suas equipes, as microcervejarias atingem 34%, e as pequenas cervejarias mantêm 30%. No entanto, o número cai para 18% entre as médias e grandes cervejarias participantes do levantamento.
O resultado chama atenção, pois enquanto nano e microcervejarias contam com estruturas e equipes enxutas, a realidade nas pequenas, médias e grandes cervejarias é diferente. Com times maiores e maior impacto no setor, elas têm, portanto, um caminho a percorrer em busca de equipes mais diversas.
Ausência total de negros A pesquisa do Guiatambém mostrou que 31% das cervejarias não contam com sequer um profissional negro em suas equipes. O índice chega a 47% nas nanocervejarias, que têm, em média 4,6 funcionários, em um sinal de que o empreendedorismo ainda é algo distante para uma grande parcela da população negra dentro da cerveja artesanal brasileira.
Ao analisar as regiões, a pesquisa revela que 64% das cervejarias do Sul não possuem negros em suas equipes, enquanto o índice é de 30% no Sudeste e 20% no Centro-Oeste.
A pesquisa “Participação de pessoas negras na indústria da cerveja” é uma pesquisa quantitativa, tendo sido realizada por meio de questionário online, com respostas coletadas em setembro de 2023, envolvendo a participação de 129 donos ou administradores de cervejarias das cinco regiões do Brasil.
A região serrana do Rio de Janeiro será palco de mais uma edição do “Cerveja das Montanhas”, neste fim de semana, entre sexta-feira e domingo (24 a 26). E desta vez, a Bohemia abrirá suas portas para o evento, que reunirá oito cervejarias da Rota Cervejeira RJ, além de produtores de lúpulos, proporcionando um encontro com ampla variedade de rótulos, com uma “viagem” por opções oferecidas pelas marcas das diferentes cidades da Serra Fluminense.
“O objetivo do evento é aproveitar um momento de bastante movimento em Petrópolis para apresentar as cervejarias de outros municípios e, com isso, proporcionar uma pequena viagem através das cervejarias convidadas”, explica a coordenadora da Rota RJ, Ana Cláudia Pampillón.
Este evento faz parte da programação da associação, que visa destacar a importância do turismo cervejeiro na região, fortalecendo a presença da cerveja. Recentemente, ela se uniu aos produtores de lúpulo, ampliando ainda mais as experiências relacionadas ao tema.
O Cerveja das Montanhas reforça a proposta associativista da atuação da Rota RJ, com uma grande cervejaria abrindo suas portas para permitir que as pequenas se apresentem em um local histórico na cidade de Petrópolis. “Terminamos o ano bem animados com a possibilidade de termos mais eventos assim para a divulgação do turismo cervejeiro em nossa região”, diz Ana.
Além da anfitriã Bohemia, as cervejarias participantes incluem Alpendorf, Barão Bier, Mad Brew, Nossa Fábrica, Rota Imperial, Colonus e Doutor Duranz. Os produtores de lúpulo Terra Lúpulo, Lúpulo Zamná, Lúpulo Riad e Éden Lúpulo também marcarão presença.
Durante três dias, o evento terá shows ao vivo e degustação das cervejas especiais. “Os amantes da boa cerveja terão a oportunidade de apreciar chopes exclusivos de todas as cervejarias participantes, garantindo uma jornada sensorial única, dos sabores robustos aos mais refrescantes”, completa a coordenadora da Rota RJ.
A entrada será gratuita na sexta e no sábado. Já no domingo, o evento encerrará com a apresentação da Roda de Samba Cervejeira e convidados, com ingressos à venda pela plataforma Sympla. Em 2023, o Cerveja das Montanhas tem Hotel York, Hotel Casablanca Imperial, Hotel Régia Catarina, Serra Brasilis e Petrópolis Convention Bureau como patrocinadores.
Confira a programação do festival Cerveja das Montanhas:
Sexta-feira, 24/11 – 18h às 23h – Entrada Franca
19h: Roda de Samba com Juninho Martins
Sábado, 25/11 – 12h às 23h – Entrada Franca
16h: Banda Chilli – Pop Rock
19h: Fred Pontes – Sertanejo
Domingo, 26/11 – 12h às 22h – Ingressos à venda na Sympla
16h: Roda de Samba Cervejeira e convidados – Samba
A Black Friday ganhou notoriedade na última década no Brasil, consolidando-se como um dos períodos mais agitados para compras, tanto em estabelecimentos físicos quanto online. Marcada oficialmente para a próxima sexta-feira (24), a edição deste ano projeta um faturamento recorde de R$ 7,1 bilhões apenas no comércio eletrônico, representando um aumento de 17% em relação ao ano anterior, segundo estimativas da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm). E certamente os amantes de cervejas devem contribuir para esses números da Black Friday em 2023.
A data, inclusive, já não se resume a um único dia. Assim, ao longo do mês de novembro, as lojas oferecem descontos expressivos em uma ampla gama de produtos, transformando a Black Friday brasileira em uma oportunidade única para os consumidores adquirirem itens desejados, desde produtos físicos até experiências, como viagens e cursos.
Para auxiliar nessa busca por ofertas, o Guia preparou uma lista destacando promoções de cervejas e outros produtos para a Black Friday de 2023. Confira:
Amazon Na Black Friday de 2023, uma das apostas da gigante de comércio eletrônico para vender cervejas é uma famosa marca alemã. O kit cerveja Erdinger, composto por 1 Erdinger Weissbier 500ml e 1 copo Erdinger de 500ml, está em oferta por R$39,90 com frete grátis. Já o kit Erdinger Weibbier Weissbrau, com 2 garrafas e 1 copo de 500ml, sai por R$58,90.
Bil Bil Beer Breshop Na Bil Bil Beer Breshop, especializada em equipamentos e insumos para cervejeiros, diversos itens do catálogo estão com descontos de até 50%. Destaca-se o escorredor para 80 garrafas vermelho com alça, por R$125,93, e o growler em garrafa PET de 740ml, por R$3,03.
Clube do Malte Na Black Friday de 2023, o Clube do Malte oferece uma promoção para o consumidor aderir a um dos seus clubes de assinantes. Ele assina e recebe 12 cervejas no primeiro mês, sendo 8 de estilos variados como brinde. A promoção é na assinatura da Caixa da Alegria Beer, com 4 cervejas e 1 copo, que está disponível por R$ 84,90 mensais.
Cerveja Box Na Cerveja Box, mais de 100 produtos estão com preços especiais. Destaque para o pacote de 12 cervejas Corujinha IPA por R$ 35,00 e o kit degustação com 5 cervejas da Brotas Beer e 1 taça por R$ 104,99.
Extra.com No site da varejista, o kit de cervejas Budweiser em lata de 269ml com 96 unidades está por R$ 287,04 na Black Friday em 2023. Para quem busca opções sem álcool, 12 unidades da cerveja Malzibier – Colônia, de 350ml, ficam por R$ 99,09.
Grupo Famiglia Valduga O Grupo Famiglia Valduga apresenta a Happy Friday, com promoções que chegam a 25% de desconto em rótulos selecionados e condições de compre e ganhe durante todo o mês da Black Friday. A marca de cervejas do grupo, a Brewine Leopoldina, oferece 15% de desconto em seus rótulos clássicos.
Science of Beer No Beer Friday do Science of Beer, diversos cursos entraram em promoção. O curso intensivo de aprofundamento em Estilos de Cerveja e Escolas Cervejeiras está por R$ 3.000, enquanto o curso intensivo em sommeliers de cervejas sai por R$ 4.300.
Todovino A Todovino, especialista em bebidas importadas, apresenta diversos rótulos em promoção. Destaque para o kit cerveja Paradiso Hoppy Lager de 473ml, com 12 unidades, por R$94,80, e o kit cerveja La Chouffe em garrafa de 330ml, com 12 unidades, por R$ 274,99.
Zé Delivery Durante toda a semana oficial da Black Friday em 2023, o aplicativo de entrega de bebidas Zé Delivery oferece 50% de cashback. O aplicativo ainda garante frete grátis em compras acima de R$ 150 e descontos progressivos de até 15% no pack de 24 produtos Ambev, incluindo Pepsi, Guaraná Antarctica, Tônica Antarctica, Brahma Duplo Malte, Brahma Chopp, Spaten, Budweiser e Corona.
“Eu estava lá para a travessia do rio onde escorria o ouro mais puro. Não duvidem! Aspalavras que eu sopro são cheias de segredos. Um para cada ouvido. Escutem comatenção. Foi entre a savana e a floresta que tudo aconteceu. Eu vi o exército de 100 milhomens. O negro e o amarelo do estandarte flamejavam como labaredas atiçadas pelosares que insistiam em trazer os odores da batalha. Eu estava ali, a serviço do GrandeMansa, anotando tudo em minha memória. Nada me escapava. Eu segui a flecha queperfurou a arrogância. Eu acompanhei cada pulsar dos músculos férreos do chefe de guerra que disputava o comando dos homens com a própria morte. Eu vi. Não duvidem!”.
O trecho acima representa o início de um relato oral por um dos griots, os responsáveis pela transmissão de saberes e vivências por meio da expressão oral, o que lhes confere enorme importância na conservação de tradições e da ancestralidade na África Ocidental.
E a valorização da função dos griots também recebeu reconhecimento em novembro, mês da Consciência Negra, com a continuidade da série que leva o nome deles, criada há três anos pela Dogma. Em 2023, a família ganhou uma nova cerveja, a Muntu, além de uma reedição da Hantu.
Essa novidade, portanto, volta a chamar a atenção para os griots, parte de uma tradição robusta, especialmente entre os povos mandingas, que, no século XIII, ocuparam uma extensa área da África Subsaariana, em regiões hoje conhecidas como Mali, Senegal, Gâmbia e Guiné.
Sua origem remonta aos impérios Mali e Songai, nos quais os griots eram conselheiros e depositários da história oral, transmitindo conhecimento por meio de linguagem poética e musical, como explica Monica Faria, historiadora, geógrafa e professora especialista em relações étnico-raciais.
“Os griots surgem como guardiões da linhagem oral. Como trovadores das eras, suas origens remontam aos ecos dos impérios Mali e Songhai, onde a história se entrelaça com a melodia do passado. Os griots são membros respeitados e essenciais para a coesão social”, diz.
Para preservar a memória histórica e cultural de suas comunidades, eles utilizam uma variedade de formas artísticas, como música, poesia e narração, com o intuito de transmitir conhecimento. “Os griots não são apenas contadores de histórias; são os poetas da alma coletiva. Seus tambores narrativos ressoam em celebrações e lamentações, entrelaçando-se nas complexidades das cortes reais e costurando uma trama viva que conecta as gerações”, afirma Monica.
A transmissão da história e do conhecimento pelos griots ocorre, em geral, dentro de contextos familiares, com os mais jovens absorvendo as nuances da música e as histórias relatadas pelos mais experientes, permitindo a perpetuação da tradição.
“Nas noites estreladas, a herança se torna uma canção de ninar. Os griots, como mensageiros do crepúsculo, sussurram sagas e proezas aos ouvidos sedentos das gerações futuras. Cada palavra, cada inflexão, é um legado tecido nas fibras da tradição oral”, diz a professora.
As narrativas dos griots frequentemente abrangem genealogias, feitos heroicos, tradições culturais e eventos históricos marcantes, sendo histórias que, além de entreter, incorporam lições morais e valores essenciais para a sociedade.
Suas histórias não são meros relatos; são sinfonias que entrelaçam mitos, enredos épicos e parábolas morais. Cada performance é uma jornada pelas paisagens da identidade, onde a verdade é um caleidoscópio de significados
Monica Faria, professora especialista em relações étnico-raciais
Adaptação aos novos tempos De acordo com a historiadora, mesmo em um cenário de desafios provocados pelas mudanças sociais e em um mundo moldado pela digitalização, os griots se reinventaram e continuam sendo importantes. “A tradição, agora, é uma melodia que transcende o tempo, abraçando o passado enquanto dança para o futuro. É importante salientar que os griots não são pessoas do passado; eles estão entre nós e hoje incorporaram instrumentos musicais modernos e, em alguns casos, gravam suas músicas para alcançar audiências mais amplas”, afirma.
Eles se assemelham, assim, ao que tem sido feito pelos historiadores ocidentais, embora com abordagens diferentes para a preservação da história, pois os griots baseiam-se na oralidade e na musicalidade para a transmissão de narrativas.
“Os griots pintam com pincéis de emoção. Suas narrativas, como tapeçarias coloridas, não se limitam a datas e eventos; elas exploram os corações e mentes, entrelaçando a história com a poesia da existência”, conclui Monica.
As cervejas da Dogma Lançada há três anos, a série Griot foi concebida pela Dogma com a curadoria dos sommeliers Glauco Ribeiro, Sara Araújo e Sulamita Theodoro, sendo compostas atualmente pelas cervejas Muntu, Hantu e Kintu.
Recentemente lançada, a Muntu é uma American IPA de corpo médio, amargor presente e aromas cítricos e herbais que a tornam uma cerveja refrescante e complexa, de acordo com o descritivo. Seu nome vem do bantu, um tronco linguístico que nasceu no século I e que deu origem a mais de 400 idiomas em todo o continente africano.
Já a Hantu, que ganhou seu segundo lote recentemente, tem acidez moderada, aroma e sabor de caju em primeiro plano, complementado pelo cajá. Notas de mel e mineral provenientes do melado de cana. Tem um aroma levemente amadeirado, lembrando um pouco de coco devido ao lúpulo utilizado, o HBC 472. O conjunto é complementado pelo condimentado, cítrico e frutado de uma das leveduras da Dogma, segundo o descritivo divulgado pela marca.
Realizar a pesquisa “Participação de pessoas negras na indústria da cerveja” foi um exercício de transformar uma realidade amplamente falada, mas pouco documentada até então, em números, tabelas e gráficos que evidenciam a exclusão de uma parcela significativa da população no setor. O estudo, assim, apenas quantifica o que muitos já sabem: a falta de inclusão racial é uma triste realidade para aqueles que enfrentam diariamente o preconceito e a falta de oportunidades.
Não à toa, profissionais negros do setor cervejeiro, ao serem abordados pela equipe do Guia para avaliarem a pesquisa, repetiram uma frase: “não é surpresa”. Afinal, são eles que experimentam, em seu cotidiano, uma exclusão e violência que permeiam diferentes esferas de suas vidas: econômica, social, educacional e política.
Essa realidade não é diferente na indústria cervejeira, marcada recentemente por eventos que enfatizaram a urgência do tema, como a mudança na gestão da principal associação do setor de artesanais e uma operação policial após um incidente de racismo em uma renomada festa cervejeira nacional.
Além disso, os resultados da pesquisa acentuam a exclusão das pessoas negras em diferentes aspectos. Seja pela baixa presença de lideranças negras (68% das cervejarias não possuem sequer um negro em cargo de liderança), pela ausência de canais de denúncia de casos de preconceito (52% dos estabelecimentos não possuem) ou pela falta de programas de recrutamento específicos para profissionais negros (apenas 17% implementaram ações nesse sentido).
A pesquisa revela, portanto, que muitas cervejarias não reconhecem a necessidade de promover políticas de inclusão entre seus colaboradores, tornando urgente a conscientização sobre a importância dessa prática.
Embora existam iniciativas na indústria cervejeira, é evidente que precisam ser aceleradas e disseminadas para aumentar o engajamento na ampliação da diversidade. E isso só ocorrerá se a questão racial for tratada como prioridade por cervejarias, associações, escolas cervejeiras e demais representantes do setor. Assim, é crucial proporcionar oportunidades a profissionais negros, incentivar a formação e dedicar tempo a essa temática.
Entender a realidade não deve se limitar à lamentação, mas sim a ações para modificar essa realidade. Isso deve ser uma missão, sob o risco de perpetuar o racismo em um mercado que almeja a diversidade, mas que mantém uma estrutura e lógica confortáveis para aqueles que propagam o racismo.
Para o Guia, os dados da pesquisa destacam a necessidade de uma comunicação mais inclusiva, dando visibilidade às necessidades dos negros no setor e às suas conquistas, incorporando essas questões às pautas cotidianas. Nossas escolhas devem ser guiadas pela representatividade e inclusão racial.
A Colorado foi o principal destaque do Brasil no Brussels Beer Challenge em 2023, uma renomada competição cervejeira realizada pela 12ª vez na Bélgica. Originária de Ribeirão Preto (SP) e pertencente à Ambev, a marca conquistou o título de melhor cerveja nacional com a Colorado Aipi Lager e garantiu quatro medalhas, incluindo uma de ouro. Além da Colorado, outras cervejarias brasileiras também se destacaram, como a Brotas Beer e a Leopoldina, que receberam duas medalhas cada.
A premiação da Colorado no Brussels Beer Challenge 2023 incluiu a medalha de ouro para a Aipi Lager, na categoria Hoppy Lager. Além disso, a marca ganhou duas medalhas de prata, uma para a Appia e outra para a Coconut Brown Ale, e uma de bronze para a Terezinha.
No total, as cervejarias brasileiras conquistaram 16 medalhas, sendo quatro de ouro no Brussels Beer Challenge 2023. Uma dessas medalhas de ouro foi para a Brotas Beer, cuja Dry Stout recebeu reconhecimento na categoria de mesmo nome. As demais medalhas de ouro foram atribuídas a duas marcas da Ambev: a Bohemia, com a Marzen, e a Original, na categoria das Light Lagers.
A 12ª edição do Brussels Beer Challenge avaliou 1.811 cervejas de 37 países entre os dias 29 e 31 de outubro, contando com a participação de um painel de 90 jurados. A Bélgica liderou a lista de inscritos com 400 rótulos, seguida por Itália (224), França (158), Estados Unidos (143), China (133), Brasil (128) e Alemanha (103).
A Itália foi o principal destaque internacional da premiação, ficando logo atrás da Bélgica em termos de medalhas (80 a 37) e apresentando a melhor cerveja da competição, a Millican Extra, a Mezzopasso.
Confira abaixo as cervejas brasileiras premiadas com medalhas de ouro, prata e bronze no Brussels Beer Challenge 2023:
Medalhas de prata: Brotas Beer Red Ale – Brotas Beer – Irish Red Ale Colorado Appia – Colorado – Honey Beer Colorado Coconut Brown Ale – Colorado – Field Beer Kremer Golden – Kremer – Ice La Birra Irish Red Ale – La Birra – Amber Ale Leopoldina Witbier – Leopoldina – Witbier Wäls Berliner – Other Sour Ale
Medalhas de bronze: Colorado Terezinha – Colorado – Oatmeal Stout Dama Hop Lager – Dama Bier – Hoppy Lager Everest – Hop Bros – Other Sour Ale Leopoldina Italian Grape Ale – Brut Beer Masterpiece Van Gogh – Masterpiece – Other Sour Ale
68% das cervejarias do Brasil não têm lideranças negras, revela pesquisa inédita
Quase 7 de cada 10 cervejarias do Brasil não contam com pessoas negras em cargos de liderança, em um sinal claro da ausência de representatividade em suas estruturas. O dado está presente em pesquisa inédita, realizada pelo Guia da Cerveja, denominada “Participação de Pessoas Negras na Indústria Cervejeira”, que buscou traçar um panorama sobre a diversidade entre as cervejarias de todo o país.
O trabalho apontou que 68% dos empreendimentos não têm sequer uma pessoa negra ocupando cargos de liderança em suas estruturas.
A pesquisa traça um perfil da participação negra na indústria da cerveja, apresentando recortes por região e porte dos empreendimentos. Além disso, busca avaliar quais são os principais desafios para que o segmento se torne mais diverso e representativo, pois hoje apenas 30% dos profissionais que atuam nas cervejarias são negros, contra uma presença de 56% desse contingente na população em geral do Brasil, segundo os dados mais recentes do IBGE.
O estudo também busca abordar os casos de preconceito dentro do setor. E a pesquisa apontou que 52% das cervejarias não contam com canais estabelecidos para denúncias de casos de assédio, discriminação ou qualquer outra forma de tratamento injusto.
O material conta, ainda, com análises complementares, que foram produzidas a partir da contribuição de especialistas que trabalham diariamente no segmento.
A pesquisa, quantitativa, foi realizada por meio de questionário online, com respostas coletadas em setembro de 2023, envolvendo a participação de 129 donos ou administradores de cervejarias das cinco regiões do Brasil.
“Esperamos que o material contribua não apenas para a compreensão de desafios, mas também para impulsionar decisões que tenham a busca pela equidade e a resolução de injustiças históricas como ponto norteador”, afirma Leandro Silveira, diretor de conteúdo do Guia.
Balcão da Fê Bressiani: Compreendendo o significado do sabor e as confusões na avaliação sensorial
Você já ouviu alguém descrever o “gosto de maçã” ou o “gosto de churrasco” ao se referir à experiência de saborear esses alimentos? Isso ocorre frequentemente, mas há uma diferença essencial entre “gosto” e “sabor” que todos, especialmente profissionais da área de gastronomia e seus especialistas em bebidas, precisam compreender.
Gosto: o que eu sinto na boca
Os gostos são cinco: doce, amargo, salgado, ácido e umami (embora alguns acadêmicos e estudiosos no assunto ainda não considerem o umami um gosto – tópico para outro artigo) e são percebidos por meio das papilas gustativas localizadas na língua, palato e garganta. São também chamados de gostos básicos.
As papilas gustativas são pequenas estruturas sensoriais que contêm receptores que se ligam a moléculas específicas contidas nos alimentos. A partir daí, sinais nervosos são enviados ao cérebro, que interpreta esses sinais como diferentes gostos.
O gosto, portanto, é uma resposta biológica e sensorial às substâncias químicas presentes nos alimentos.
Vale ressaltar que a saliva interfere na percepção do gosto, portanto essa percepção pode ser alterada durante a mastigação, o que é relevante ao considerar que normalmente um alimento é composto por mais de um gosto. Como, por exemplo, o chocolate, que apresenta simultaneamente dulçor e acidez, demonstrando a complexidade das sensações gustativas.
Sabor: uma experiência multissensorial
Academicamente falando, o sabor é uma experiência mais abrangente e complexa. Envolve não apenas o paladar, mas também o olfato e a sensação de boca do alimento ou bebida degustados.
O sabor é uma experiência multissensorial que combina o gosto com o aroma, a temperatura e a sensação tátil dos alimentos. Quando você saboreia algo, está experimentando o pacote completo de sensações associadas a esse alimento.
O sabor de uma pipoca, por exemplo, pode ser modificado caso a pipoca esteja murcha. O sabor de uma cerveja também se altera quando a cerveja está quente. O sabor de uma pizza fria é diferente do sabor de uma pizza quente etc.
A parte do conceito biológico e químico da percepção de sabor, ainda temos alguns outros elementos fundamentais na percepção de sabor pelo homem.
Karen Page e Andrew Dornenburg denominam esses elementos, que vão além de gosto, sensação de boca e aroma, como o “Fator X”. Ele engloba o visual do alimento ou bebida, o som percebido durante as fases da degustação e também a memória sensorial do indivíduo.
Eles associam ao “Fator X” as influências emocionais, mentais e psicológicas sobre os degustadores.
Nossa memória sensorial tem grande influência na percepção de sabor, até nos confundindo. Considere a baunilha, por exemplo; na memória da maioria, costuma ser associada ao sabor doce, embora, na realidade, tenha um sabor amargo. Essa percepção está intimamente ligada ao contexto em que experimentamos a baunilha, muitas vezes adicionada a sobremesas e evocando a lembrança de chocolate.
Por último, ainda vale citar que a iluminação do espaço, a música, a temperatura do ambiente são também elementos que interferem na nossa percepção de sabor, sendo muito explorados no que chamamos de neuromarketing, desde a concepção de embalagens e rótulos, até elaboração de projetos de arquitetura.
Por que as pessoas confundem?
É compreensível que as pessoas frequentemente confundam gosto e sabor, pois esses termos são usados de forma intercambiável no cotidiano. Além disso, o olfato desempenha um papel significativo na percepção do sabor. Um nariz congestionado ou a perda de olfato pode reduzir a percepção do sabor, mesmo que o gosto básico permaneça o mesmo. Isso foi evidente durante a pandemia de Covid-19.
Compreender a distinção entre gosto e sabor é essencial para apreciar plenamente a riqueza das experiências culinárias e é claro, da nossa querida cervejinha. Quando percebemos que o sabor é uma sinfonia de sentidos, abrimos as portas para uma apreciação mais profunda dos sabores. A prática da degustação consciente pode nos ajudar a descrever com precisão essas experiências complexas. Portanto, na próxima vez que você saborear algo delicioso, lembre-se de que está imerso em uma sinfonia multissensorial que torna cada refeição verdadeiramente inesquecível. Navegar com clareza nas diferenças entre gosto e sabor amplia as perspectivas e nos convida a explorar o universo da gastronomia de maneira mais profunda e significativa.
Fê Bressianié arquiteta, meio armênia meio italiana, sommelière e mestre em estilos de cerveja, coordenadora e professora na ESCM. Tem em seu currículo diversas formações dentro da área cervejeira. Seu foco de estudos são as áreas de avaliação sensorial e harmonização. Ministra palestras e workshops pela América Latina. Ela também responde como Dra. Paçoca, clown de hospital há mais de 10 anos. Apaixonada por aromas, sabores e saberes.