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Alta do preço da cerveja nos bares e no varejo supera inflação em novembro

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A cerveja, tanto a comercializada no varejo como a vendida nos bares e restaurantes, teve inflação acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em novembro, de acordo com os dados divulgados pelo IBGE.

A cerveja no domicílio, geralmente adquirida no varejo, fechou o mês passado com uma alta de 0,49% nos preços, enquanto a bebida fora do domicílio, vendida nos bares e restaurantes, teve um aumento de 0,54% no mesmo período. Já o IPCA, a inflação oficial do Brasil, foi de 0,28% em novembro.

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A maior contribuição para a alta do preço da cerveja no varejo veio de Salvador, com inflação de 2,88%, tendo a deflação de 1,82% em Porto Alegre como contraponto. Já Belo Horizonte liderou a inflação da cerveja nos bares, com alta de 1,21%.

De janeiro até novembro deste ano, a cerveja no varejo registra inflação de 5,15%, com o índice ficando em 6,58% nos últimos 12 meses. Por sua vez, a cerveja vendida nos bares e restaurantes soma um aumento de 5,14% no ano, com a inflação acumulada dos últimos 12 meses sendo de 5,72%.

O mês de novembro também ficou caracterizado pela forte deflação de outras bebidas alcoólicas no domicílio, com queda de 3,11% nos preços. O produto, porém, ainda acumula expressiva alta, tanto em 2023, ficando em 11,48%, como nos últimos 12 meses, sendo de 12,10%.

Fora do domicílio, as outras bebidas alcoólicas tiveram um aumento médio de 0,43% em novembro. No ano, o salto é de 6,14%. Já nos últimos 12 meses fica em 5,40%.

Alimentos e bebidas aceleram inflação
A inflação oficial brasileira não só ficou abaixo da alta dos preços da cerveja em novembro, como também tem variação menor nos dois cenários observados: a alta é de 4,04% em 2023 e de 4,68% nos últimos 12 meses.

Além disso, o grupo no qual a cerveja está incluída, o de alimentos e bebidas, liderou a inflação em novembro. Ficou, assim, entre 6 dos 9 grupos de produtos e serviços pesquisados que tiveram alta em novembro, tendo a maior variação entre todos eles, de 0,63%, e o maior impacto sobre o IPCA, de 0,13%.

“As temperaturas mais altas e o maior volume de chuvas em diversas regiões do país são fatores que influenciam a colheita de alimentos, principalmente os mais sensíveis ao clima, como é o caso dos tubérculos, dos legumes e das hortaliças” explica o gerente da pesquisa, André Almeida. 

Mundo das artesanais está distante do universo das comuns, indica pesquisa

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Ainda com pequena participação no mercado brasileiro de cervejas, o segmento das artesanais pode estar encontrando obstáculos para conquistar novos públicos pelas discrepâncias que separam seu universo de consumo com o das cervejas “comuns”. Esse é um dos insights que podem ser obtidos a partir dos dados da quarta edição da pesquisa Retrato dos Consumidores de Cervejas 2023, conduzida pelo hub de conteúdo Surra de Lúpulo.

O levantamento, que pode ser acessado pelo link, contou com a participação de 8.734 respondentes, de todos estados brasileiros e do Distrito Federal, sendo que 6.716 consomem cervejas comuns e artesanais e 2.018 só bebem as comuns.

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A pesquisa traz diferenças marcantes entre esses públicos. Um desses contrastes diz respeito ao nível de escolaridade, com predominância do Ensino Médio (40,58%) entre os consumidores de cervejas convencionais, enquanto o maior contingente de respondentes dos que bebem as artesanais tem Superior completo ou mesmo MBA e pós-graduação, somando expressivos 56,92%.

A preferência por marcas também varia significativamente entre os dois grupos. Enquanto a Brahma lidera entre os consumidores de cervejas convencionais, com 27,5%, seguida de perto por Amstel (23,39%), Heineken (20,91%), e Skol (17,69%), os apreciadores de ambas as categorias mostram um domínio incontestável da Heineken, alcançando 46,13%.

Outro ponto de divergência é o gasto mensal com cerveja. Para os consumidores de cervejas convencionais, o gasto predominante é de até R$ 100 (36,27%), enquanto os que consomem cervejas convencionais e artesanais têm uma faixa de gasto mais alta, concentrando-se entre R$ 201 e R$ 400 (33,38%).

A pesquisa também revela uma distribuição geográfica desigual do consumo de cervejas artesanais, mais difundido nas regiões Sul e Sudeste, em contraste com o predomínio das cervejas convencionais nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

A pesquisa também indica que os preços das cervejas artesanais são uma barreira para muitos consumidores: 36,78% disseram achá-las caras quando questionados sobre o que os impede de começar a experimentar outros estilos.

Predomínio das IPAs
Também envolvendo estilos, a pesquisa mostra a IPA consolidada na preferência do público respondente, sendo o mais consumido por 62,45% dos participantes. Porém, a Pilsen é a preferida entre jovens de 18 a 25 anos, mulheres e no Norte do Brasil. Além disso, a IPA se destaca como o principal estilo de entrada, citada por 26,34% dos participantes, seguida da Weissbier, com 18,12%.

Do mundo virtual ao real, mas ainda não no Brasil: conheça a Heineken Silver

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Hoje a marca de cerveja mais valiosa do mundo, de acordo com relatório da Brand Finance, a Heineken conseguiu alcançar tal status apoiada pela expansão da sua família. Assim, se em 2019 introduziu a sua versão sem álcool, em 2022 surpreendeu com uma versão considerada “mais leve” em comparação com sua receita original, a Heineken Silver. Mas o que é a Heineken Silver?

Segundo sua apresentação, a Heineken Silver é uma “Lager extra refrescante, com um sabor menos amargo e um final mais fresco, tornando-a mais fácil de beber”. Seu frescor foi enfatizado durante o lançamento, destacando os 4% de teor alcoólico, em comparação com os 5% da versão original, e os 10 IBUs de amargor, contra os 18 IBUs da Heineken.

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Ainda que compartilhando os mesmos ingredientes da Heineken original, a Heineken Silver se diferencia no processo de fabricação, realizado com água resfriada a -1ºC. Apresentando apenas 35 calorias a cada 100ml, 7 calorias a menos do que a Heineken, essa novidade não contém gordura ou açúcar. Já na embalagem, o rótulo verde deu lugar às cores prata e turquesa, proporcionando um brilho metálico.

Por trás dessas características, há uma estratégia bem elaborada para aproximar a Heineken Silver do público jovem. A novidade foi inicialmente lançada em jogos virtuais no mundo virtual, resultando na inauguração da primeira cervejaria no metaverso, só depois chegando ao mundo real.

A novidade também tem sido destaque em diversas ações de marketing, marcando presença em eventos esportivos de renome, como a Liga dos Campeões da Europa e a Fórmula 1, inclusive assumindo o naming right da primeira edição do GP de Las Vegas, realizado neste ano, nos Estados Unidos.

Apesar de o Brasil ser o mercado mais significativo para a Heineken no mundo, ainda não há previsão para o lançamento da Heineken Silver no país, conforme informado pela assessoria de imprensa da companhia à reportagem do Guia.

Enquanto isso, a Heineken Silver já está disponível em dezenas de países ao redor do mundo, especialmente na Europa, abrangendo Albânia, Bulgária, Dinamarca, Finlândia, França, Gibraltar, Grécia, Hungria, Itália, Luxemburgo, Malta, Holanda, Polônia, Portugal, Romênia, Espanha, Suíça e Reino Unido.

Posteriormente, a novidade foi introduzida em países da Ásia, com o lançamento nos Estados Unidos acontecendo neste ano. E os resultados têm sido positivos, com um crescimento próximo a 40% no terceiro trimestre de 2023, na comparação com o mesmo período de 2022, impulsionado por uma forte expansão na China e no Vietnã.

Isso sinaliza que a proposta de uma cerveja mais leve, voltada para um público mais jovem, não apenas está alinhada a uma tendência global, mas também pode fortalecer a posição do Grupo Heineken no mercado cervejeiro, mesmo sem, até o momento, disponibilizar a Heineken Silver para os consumidores brasileiros.

Embalagem mais sustentável
A Heineken também trabalhou para que a embalagem da Silver seja mais sustentável. Para isso, contou com o apoio da CCL Global, especialista em rótulos, que forneceu a tecnologia washoff para aplicação nas garrafas retornáveis, já utilizada por outras marcas. Com ela, os rótulos são sensíveis à pressão e as garrafas podem ser reutilizadas imediatamente após o processo de lavagem, pois os rótulos se desprendem sem deixar vestígios ou contaminar a água durante essa etapa de limpeza. Assim, também há redução no consumo de água.

Balcão do Jayro: 1,7 planetas

Balcão do Jayro: 1,7 planetas

Estive recentemente no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Segundo o próprio site do museu (clique aqui):

“A Exposição Principal do Museu do Amanhã, concebida com base em uma proposta curatorial do doutor em cosmologia Luiz Alberto Oliveira, em parceria com uma equipe de consultores especializados, ocupa o segundo andar do Museu, onde o público é levado a percorrer uma narrativa estruturada em cinco grandes áreas: Cosmos, Terra, Antropoceno, Amanhãs e Nós, que somam mais de 40 experiências disponíveis em português, espanhol e inglês. […] Antropoceno, ponto central da experiência da Exposição Principal, aborda o entendimento que a atividade humana se tornou uma força geológica: estamos transformando a composição da atmosfera, modificando o clima, alterando a biodiversidade, mudando o curso dos rios. Toda a vida na Terra terá de se adaptar a estes novos tempos plenos de incertezas – e oportunidades.”

E o que isso tem a ver com harmonização, tema caro a este que vos escreve? Bem, tudo. Na seção do Antropoceno, fiz um quiz. Sete perguntas rápidas que mensuram seu padrão de consumo (principalmente combustíveis fósseis) e que me revelaram que meu padrão de consumo é de 1,5 planetas. Ou seja, se todos os habitantes da Terra tivessem o mesmo padrão que o meu, precisaríamos de 50% a mais dos recursos que existem hoje. Fiquei um pouco perturbado com isso, talvez seja o calor insuportável do colapso climático iminente, talvez seja a paternidade, talvez seja o fato de que eu tenho uma vida muito digna e desejo isso para todos – mas não é planetariamente viável. Ah, e ainda fiquei ligeiramente abaixo da média do quiz – 1,7 planetas. Claro, quem frequenta o Museu do Amanhã constitui um recorte social muito específico, não é o recorte da grande maioria da população (brasileira ou mundial). Mas algo tem que mudar. Precisa mudar.

Em algum de seus posts no Instagram a jornalista Ailin Aleixo, que faz um trabalho sensacional no campo da gastronomia e nos hábitos de consumo, usou a seguinte frase que me identifiquei de imediato, a qual vou parafrasear: “Falar de harmonização em um mundo que está colapsando é como discutir decoração de uma casa que está pegando fogo”. Elaine Azevedo, nutricionista e Ph.D. em sociologia política, outro dia fez menção a “comida do fim do mundo”, falando sobre alimentos liofilizados que podem durar até 30 anos. Ela está falando de sobrevivência, não do prazer hedônico da gastronomia. Alimentos liofilizados harmonizam com o que? Com aquela cerveja em sachê, talvez…

Enfim, esta coluna desabafo não é um texto de despedida da coluna, mas, quem sabe, uma provocação. Continuarei a escreve sobre o tema, é o que eu realmente gosto de falar/escrever sobre. Continuarei a tocar violino enquanto o navio afunda. Afinal, serão ações coletivas e não individuais que podem nos salvar. Mas algo tem que mudar. Precisa mudar.

Saúde. Espero.


Jayro Neto é sommelier de cervejas e Mestre em Estilos, tendo sido campeão do Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas de 2019. É organizador de concursos da Acerva Paulista e juiz certificado pelo BJCP (Beer Judge Certification Program) com experiência nacional e internacional em concursos de cerveja. Também atua como conselheiro fiscal da Abracerva.

Colombina conquista principal prêmio da final da Copa Cerveja Brasil

A Colombina conquistou o título de melhor cerveja da edição de 2023 da Copa Cerveja Brasil, evento organizado pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva). A premiação, realizada em São Paulo nesta sexta-feira, consagrou a Colombina Cold Brew Lager como a Best of Show da etapa final da terceira edição da competição.

A disputa final da Copa Cerveja Brasil reuniu 300 rótulos premiados nas etapas regionais. E a busca pelo status de melhor cerveja envolveu as 18 que conquistaram ouro em São Paulo. Entre elas, a ganhadora foi a Colombina Cold Brew Lager, que já havia triunfado como melhor speciality, cofffee, field, chocolate, herb and other ingredients. Ela é produzida em Aparecida de Goiânia (GO), sendo uma Pilsen com infusão a frio de café.

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A Colombina já havia se destacado na etapa do Centro-Oeste da competição, conquistando sete medalhas, incluindo duas de ouro, o que assegurou a presença de todas essas cervejas na final. E além da vitória com a Cold Brew Lager, a Colombina levou uma medalha de prata em São Paulo com a Gynhattan, uma American Wheat com cagaita, na categoria de Fruit Beers.

A medalha de prata na categoria Best of Show da etapa final foi para a cerveja Efeito Pigmaleão #2, da Pineal, de Sorocaba (SP), que tem como base o estilo Saison com fermentação mista, envelhecido por 16 meses em barris de carvalho francês.

A medalha de bronze na disputa pela Best of Show foi para uma cerveja não alcoólica: a Wave, da Falke Bier, de Ribeirão das Neves (MG), uma Catharina Sour produzida com adição de goiaba.

A etapa final da Copa Cerveja Brasil foi marcada pela diversidade de premiados, com nenhuma cervejaria conquistando mais de uma medalha de ouro nesta sexta, no Instituto da Cerveja Brasil. E todos os vencedores receberão inscrições gratuitas para o World Beer Cup de 2024, um dos concursos mais prestigiados do mundo, realizado nos Estados Unidos pela Brewers Association, a associação de cervejas artesanais e independentes do país.

A disputa da final em São Paulo marcou o encerramento da terceira edição da Copa Cerveja Brasil, a primeira a ocorrer com etapas regionais, tendo começado em julho, avaliando cervejas do Sudeste, depois passando por Nordeste, Norte, Centro-Oeste e Sul. Ao todo, a competição avaliou 1.125 amostras de 158 cervejarias de 19 estados em suas etapas regionais.

“Ao longo de todo o segundo semestre rodamos o Brasil realizando as etapas regionais, defendendo a apoiando as cenas cervejeiras locais, valorizando os produtos e as pessoas de cada região e trabalhando para unir o segmento”, destaca o presidente da Abracerva, Gilberto Tarantino.

A Copa Cerveja Brasil faz parte do road show Conexão Cerveja Brasil, que, além do concurso, inclui a realização de congressos e encontros nas cinco regiões do país. Em São Paulo, também ocorreu o evento Observando Cerveja, realizado paralelamente à reunião do Observatório da Gastronomia de São Paulo, na Universidade Anhembi Morumbi.

Uma parceria da Abracerva com o grupo educacional Anima, o Observando Cerveja proporcionou conhecimento e experiência sobre a bebida para profissionais da área da gastronomia, incluindo degustações com café, cerveja e chocolate.

Lata da West Coast IPA da Complô é eleita a mais bonita do Brasil

A lata de cerveja mais bonita do Brasil pertence à Complô, uma marca da cidade paulista de Jambeiro. Ela foi a grande vencedora da edição de 2023 do prêmio Lata Mais Bonita do Brasil, com a embalagem da sua West Coast IPA recebendo o reconhecimento da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas).

“São Paulo sempre teve presença marcante no prêmio. É o estado com o maior número de cervejarias do Brasil e que cumpre papel essencial em inovação na cerveja. O reflexo disso são latinhas cada vez mais criativas e competitivas, com lindos rótulos que atraem a atenção do consumidor. Estamos muito felizes em premiar a West Coast IPA Complô, que inovou com um lindo design”, afirma Cátilo Cândido, presidente executivo da Abralatas.

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O processo de disputa envolveu uma pré-seleção das dez finalistas por um júri técnico. Posteriormente, ocorreu uma votação popular no site do prêmio, seguida por uma votação final dos jurados, com base na análise das amostras físicas, para eleger a West Coast IPA da Complô como a lata mais bonita do Brasil.

A cerimônia de premiação ocorreu nesta sexta-feira, em São Paulo, também tendo agraciado a segunda e a terceira colocadas da disputa. A segunda posição ficou com a Furst Pilsen Lite, da Furst, de Formiga (MG), com o terceiro lugar indo para a Hockney´s Dreamscape, da cervejaria Hocus Pocus, do Rio de Janeiro.

“Minas Gerais e Rio de Janeiro também vieram com uma força muito grande nesta edição do concurso. São estados muito importantes para o mercado cervejeiro, que crescem a cada ano. A Furst Pilsen Lite e a Hockney´s Dreamscape mereceram o pódio com latas de grande apelo visual e criatividade”, completa o executivo da Abralatas.

Embora o pódio do Lata Mais Bonita do Brasil só tenha sido composto por marcas do Sudeste em 2023, houve grande diversidade na lista de participantes. A competição contou com a inscrição de 237 rótulos de 85 cervejarias representantes de 13 estados, sendo São Paulo o principal destaque, com 80 participantes.

O objetivo da competição, promovida pela Abralatas, é reconhecer o talento e a criatividade expressos nas latas de cerveja. Os vencedores recebem o direito a utilizar o selo “Lata Mais Bonita do Brasil” e uma visita guiada a uma fábrica de latas de alumínio.

Esta foi a terceira edição da premiação, tendo uma novidade significativa: cervejarias de todos os portes, desde as microcervejarias até as maiores do país, competiram na mesma categoria.

Em 2022, ainda com as cervejarias divididas por volume de produção, as vencedoras foram a Masterpiece (na categoria de microcervejarias, com “Às Mulheres”), a Wienbier (na categoria de médias cervejarias, com a “59 Session IPA”) e a Colorado (na categoria de grandes cervejarias, com a “Indica”).

Já no primeiro ano do Lata Mais Bonita do Brasil, em 2021, as latinhas vencedoras foram da Rambeer (na categoria de micro e pequenas cervejarias), da Salva Craft Beer (na categoria de médias cervejarias) e da Colorado (na categoria de grandes cervejarias).

Artesanais ainda têm lenta reação pós-pandemia, avaliam cervejarias

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O impacto provocado pela eclosão da pandemia do coronavírus sobre as cervejarias artesanais passou, mas o segmento ainda enfrenta desafios significativos para alcançar uma plena recuperação, estando, atualmente, em um ritmo lento de crescimento, o que dificulta a expansão do mercado consumidor.

Diferentes cervejarias procuradas pela reportagem do Guia compartilharam essa visão, o que provoca um cenário desafiador para o setor. “O mercado continua em crescimento, porém com uma margem negativa com a taxa de crescimento escolhendo”, afirma Gabriel Thuler Costa, CEO da Alpendorf, de Nova Friburgo (RJ) e presidente da Rota Cervejeira RJ.

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William Pacheco, um dos sócios da Mad Brew, marca de Teresópolis (RJ), observa que, mesmo passados quase três anos do início da pandemia, o setor de cervejas artesanais não conseguiu recuperar o ritmo de vendas que vinha registrando até março de 2020.

“Consideramos que ainda é um momento de retomada. Muitas empresas foram fechadas, empregos perdidos. Ainda existe algum sentimento de insegurança que permeia nossas vidas, portanto ainda lutamos para alcançar os níveis de consumo pré-pandemia”, comenta.

Para quem empreende no setor, também há uma sensação de que a disputa por espaço no mercado está acirrada, algo, em parte, provocado pela abertura de novas cervejarias, mesmo em um cenário em que o conjunto das artesanais tem crescimento modesto das vendas.

“Há inúmeros players (cervejarias) novos entrando no mercado, que já é altamente competitivo. Parece haver mais oferta do que demanda no mercado nichado das cervejas artesanais atualmente”, comenta Eduardo Vosgerau, sócio e mestre-cervejeiro da ØL Beer, de São José dos Pinhais (PR).

Nessa disputa por espaço, Vosgerau enxerga barreiras provocadas pela escassez de informação e conhecimento sobre as cervejas artesanais. “A variedade de estilos de cervejas é enorme, o que acreditamos ser um obstáculo para crescimento maior do mercado e um desafio para nós, cervejarias, que precisamos encontrar saídas para mitigar isso”, argumenta.

Fatores macroeconômicos também desafiam o setor
Para as cervejarias, fatores macroeconômicos alheios à atividade também têm desafiado a operação, motivando mudanças de comportamento do consumidor. Uma delas é a percepção de que cervejas com preços mais competitivos vêm se destacando em relação a cervejas de maior valor agregado no momento de compra.

Além disso, a elevada carga tributária sobre a cerveja também é citada como um obstáculo que mantém as marcas artesanais mais distantes do consumidor devido aos preços mais altos. “O atual cenário tributário, com altíssima carga tributária, também é algo que atrapalha o crescimento real e substancial do mercado, que acaba tendo valores dos produtos na ponta muito mais caros,  limitando o volume de vendas”, comenta o sócio da ØL Beer.

Ainda assim, as cervejarias acreditam que os maiores desafios ficaram para trás, o que pode permitir o início de uma nova fase de crescimento contínuo. “Aos poucos a confiança vem sendo retomada, o que gera maior demanda e possibilita maiores investimentos na área”, conclui o sócio da Mad Brew.

Menu Degustação: Visita à fábrica da Heineken, Pulsa Brooklin, Juntas Festival…

O final de ano tem agitado a agenda de eventos no setor, oferecendo opções para interação entre o público e as cervejarias. Uma delas é o Inside The Star, experiência cervejeira realizada pelo Grupo Heineken, com visita à fábrica localizada em Jacareí (SP), que inclui uma harmonização com pratos típicos do Natal nas visitas entre os dias 20 e 29 de dezembro.

Em São Paulo, o Soul Botequim recebe a quinta edição do Pulsa Brooklin neste domingo. A fim de promover a união do comércio de rua do bairro, o evento reúne show, DJ, exposições, flash tattoo, gastronomia, vendas de produtos e cervejas. No mesmo dia, a Black Princess será a cerveja oficial do Juntas Festival. Com line-up 100% feminino, a segunda edição do evento acontece no Parque Villa-Lobos, também na capital paulista.

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Confira essas e outras ações das cervejarias no Menu Degustação do Guia:

Pulsa Brooklin
Ação cultural voltada ao estímulo e celebração dos negócios locais, o Pulsa Brooklin chega à sua quinta edição, contando com a participação de diversos pequenos comerciantes da região do bairro paulistano. O evento está marcado para ocorrer no domingo (10), das 12h às 22h, no Soul Botequim. A programação inclui música ao vivo, exposições e venda de produtos. Dentre as opções etílico-gastronômicas, destaca-se uma seleção de cervejas artesanais nacionais, o carro-chefe do Soul Botequim, além de um cardápio repleto de petiscos, cortes na parrilla e sanduíches. A entrada é gratuita.

Bora Zé
A Ambev anunciou que o Bora Zé, programa de inclusão produtiva em parceria com o Zé Delivery, está agora presente em todo o Brasil, oferecendo duas mil bolsas de estudo para supletivo do ensino fundamental e médio, cursos de curta duração, conexão para geração de renda e formação para processos seletivos em varejo e logística destinados a pessoas entregadoras e suas famílias. Com a expansão da iniciativa, a Ambev visa impactar a vida de 120 mil pessoas por mês. Os interessados têm até o dia 19 de dezembro para se inscreverem por meio do site.

Aceleração focada na comunidade negra
Após cinco meses de imersão em um ambiente de aprendizado focado na comunidade negra, a segunda edição do programa Dàgbá – Líderes do Futuro, da Ambev, chegou ao fim. A iniciativa, que contou com a participação de 90 pessoas, um aumento de 25% em relação à primeira turma, adotou uma abordagem interdisciplinar com três áreas de atuação: antropologia, design e desenvolvimento comportamental de habilidades interpessoais, proporcionando maior senso de pertencimento aos participantes.

Reconhecimento à Bud
A SoluCX, líder em pesquisa de satisfação e NPS no Brasil, reconheceu as empresas que proporcionam a melhor experiência aos seus clientes em sete setores do mercado. Por meio de um painel com milhares de consumidores, as marcas foram avaliadas, com 350 sendo certificadas. A Budweiser foi a vencedora do melhor NPS do Brasil na categoria cerveja, e as marcas certificadas com o selo Experience Certified também incluem: Amstel, Bohemia, Brahma, Cabaré, Corona, Eisenbahn, Heineken, Original, Petra, Skol, Spaten e Stella Artois.

IA para melhorar a experiência
O Bev Hack Lab, laboratório de inovação da Ambev, em parceria com a Omni Labs, desenvolveu a BELA, a Beverages Enhanced Learning Algorithm, uma plataforma avançada de inteligência artificial que promete redefinir a experiência do consumidor em cervejas, coquetéis prontos, bebidas não alcoólicas e vinhos. A plataforma vai além da função de um sommelier digital, buscando não apenas aprimorar, mas revolucionar a experiência com bebidas, educando, engajando e personalizando a jornada do consumidor, oferecendo recomendações de harmonizações com alimentos, orientando escolhas com base em calorias, ocasiões e preferências individuais.

Livro “Dois Por Um”
A Livraria da Vila iniciou as vendas da edição 2024 do guia “Dois Por Um – São Paulo a dois”. Voltado para amantes da cultura e gastronomia, o minilivro possui um design criativo, incluindo um mapa da cidade e ilustrações. Criado por Rita e Christoph Grimm, sócios da editora Swissmade, o livro oferece 111 opções de restaurantes selecionados e experiências para casais aproveitarem em São Paulo, com descontos no formato “leve dois e pague um”. A venda está disponível no site da livraria ou em suas lojas físicas.

Visita à fábrica da Heineken
Com a proximidade das festas de final de ano, o Inside The Star, experiência cervejeira do Grupo Heineken que oferece uma visita à fábrica localizada em Jacareí, próximo à capital paulista, terá uma harmonização guiada de cerveja e comidinhas natalinas, como aperitivos e o tradicional panettone entre os dias 20 e 29 de dezembro. A degustação é a última parada do tour interativo com duração aproximada de 2 horas, que proporciona uma experiência multissensorial cheia de curiosidades sobre o universo cervejeiro e inclui uma caminhada pelo processo produtivo da Heineken. O tour, aberto ao público maior de 18 anos, ocorre de terça-feira a sábado. A entrada para a visita à fábrica da Heineken custa R$ 35,00 (inteira) e R$ 17,50 (meia entrada – disponível para estudantes e pessoas acima de 60 anos).

Resultados do Volte Sempre
Neste ano, o Programa Volte Sempre, lançado pelo Grupo Heineken em 2018 para ampliar a circularidade das embalagens de vidro, expandiu-se para bares e restaurantes, registrando a coleta de mais de 785 mil embalagens, aproximadamente 377 toneladas do material, e contando com mais de 9 mil clientes ativos no projeto, resultando em uma economia de 269 m³ em aterros sanitários. Atualmente, o programa está presente em Campinas (SP), Juiz de Fora (MG), Belo Horizonte, São Paulo, Recife, Maringá (PR), Florianópolis, Rio de Janeiro, Brasília, Goiânia, Salvador e Aracaju.

Black Princess no Juntas
Para celebrar o empoderamento e a representatividade feminina, a Black Princess, cerveja do Grupo Petrópolis, será a patrocinadora oficial da segunda edição do Juntas Festival, que ocorrerá no próximo domingo, (10), no Parque Villa-Lobos. Este ano, a marca dará um toque ainda mais especial ao festival, que contará com grandes nomes da música brasileira e terá como principal pilar a discussão sobre o papel da mulher na sociedade, com a participação confirmada de Vanessa da Mata e Liniker.

Novo empreendimento da Doutor Duranz
O The Pub, terceiro empreendimento da Cervejaria Doutor Duranz, tornou-se um dos locais mais visitados em Petrópolis (RJ). O espaço oferece uma experiência inglesa com um toque brasileiro. Localizado no circuito da Vila Cervejeira de Petrópolis (Avenida 7 de Abril, 366, centro), próximo ao Palácio de Cristal, o The Pub faz parte de um espaço que concentra várias opções gastronômicas cervejeiras.

Amstel renova com o Coala Festival
A Amstel renovou sua parceria com o Coala Festival por mais três anos, consolidando-se como cerveja oficial e assumindo o papel de apresentadora do evento. A próxima edição do festival está agendada para ocorrer nos dias 6, 7 e 8 de setembro de 2024, no Memorial da América Latina, em São Paulo. “A consistência e relevância desta parceria reflete no incrível crescimento do Coala Festival nos últimos anos”, afirma Thiago Custódio, sócio-fundador do festival.

Premiação do Lata Mais Bonita
Nesta sexta-feira, o concurso “Lata Mais Bonita do Brasil” anunciará os grandes vencedores da edição 2023. A celebração deste ano será realizada no Instituto da Cerveja, em São Paulo, juntamente com a premiação da Copa da Cerveja Brasil. Na ocasião, serão apresentadas as latas mais votadas da avaliação, que contou com júri popular e júri técnico. Serão conhecidos os três mais votados do concurso realizado pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas).

Entrevista: Veja potenciais e desafios para exportação da cerveja brasileira

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As cervejas brasileiras têm potencial para despertar olhares além das fronteiras, explorando novos horizontes para se consolidar no mercado internacional por meio da exportação. Essa foi a visão apresentada por Ulisses Medeiros Junior, analista de negócios internacionais da Apex-Brasil, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, vinculada ao governo federal e responsável por internacionalizar empresas nacionais.

Em entrevista ao Guia, ele abordou temáticas que permeiam a exportação de cervejas brasileiras, apontando vantagens competitivas, como o potencial das inovadoras combinações de sabores regionais, assim como os obstáculos enfrentados pela indústria, como os desafios de logística.

Na caminhada das cervejas brasileiras para o sucesso no cenário global, Medeiros destaca como detalhes envolvendo volume de produção a ser exportado até a identificação de compradores são importantes decisões estratégicas para a atuação das marcas fora do país.

Medeiros também abordou como a Apex-Brasil trabalha junto às empresas, com preparação e orientação para que elas possam levar suas criações além das fronteiras, oferecendo soluções específicas para cervejarias de todos os portes.

Neste ano, de janeiro a novembro, o Brasil já obteve US$ 135,975 milhões com a exportação de cerveja, tendo os sul-americanos Paraguai (US$ 82,1 milhões), Bolívia (US$ 21,6 milhões) e Chile (US$ 14,6 milhões) como os principais destinos. O valor, inclusive, já supera os US$ 120 milhões dos 12 meses de 2022.

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Confira a entrevista do Guia com Ulisses Medeiros Junior, analista de negócios internacionais da Apex-Brasil sobre o potencial para exportação das cervejas brasileiras:

Quais diferenciais as cervejas brasileiras podem explorar para conquistar mais espaço no mercado internacional, ampliando sua exportação?
O Brasil pode se destacar no mercado internacional devido à nossa rica biodiversidade e às características únicas que podemos incorporar às cervejas, algo que diferencia nossos produtos. Durante recente rodada de negócios no Rio, notamos que os compradores internacionais apreciaram a diversidade da cerveja brasileira e o potencial para criar variedades únicas. A cerveja com sabores de frutas exclusivas da região despertou o interesse dos compradores, que ficaram encantados com essas opções. Lembro, por exemplo, de tomar café da manhã com um comprador internacional que não conhecia o caju. E nós produzimos cervejas com caju.

O feedback que recebemos foi sobre a capacidade de produzir cervejas diferentes, explorando a diversidade de sabores e introduzindo novas versões e estilos. Eles expressaram admiração pela qualidade das cervejas brasileiras, incluindo as tradicionais, como IPAs, Pilsen, APAs, entre outras. Os quatro compradores internacionais que participaram da ação no Rio ficaram impressionados com o alto padrão das cervejas das empresas envolvidas. Estamos seguindo por esse caminho, explorando as oportunidades que surgem e consolidando a reputação das cervejas brasileiras no cenário internacional.

Em sua visão, quais são as vantagens competitivas para uma cervejaria que decide exportar?
Um dos motivos pelos quais uma empresa, independentemente do setor em que atua, pode decidir exportar é a concorrência. Se perceber que a concorrência local está intensa demais, a empresa pode optar por explorar novos mercados. Esse pode ser um fator determinante na decisão de exportar. No setor de cervejarias, observamos que algumas empresas enfrentam uma concorrência acirrada no mercado local, especialmente em termos de preço, com muitas empresas competindo nesse aspecto. Diante desse cenário, algumas empresas consideram a exportação como uma alternativa estratégica. E exportar pode proporcionar benefícios, como ganhos em moeda estrangeira, a possibilidade de reduzir alguns impostos e a oportunidade de explorar outros mercados.

Muitos empresários estão analisando a exportação como uma resposta à competição intensa no mercado doméstico, direcionando seus esforços para mercados externos. É nesse contexto que a Apex atua, preparando as empresas para o processo de exportação e promovendo oportunidades de negócios, como ocorreu no caso do Exporta Mais Brasil no Rio de Janeiro.

Para a Apex, qual é o principal desafio para quem deseja exportar cerveja?
A logística é um desafio generalizado, não apenas no segmento de cervejas. Por exemplo, ao embalar caixas de cerveja engarrafada, isso pode resultar em um contêiner excessivamente pesado, elevando o custo de transporte devido ao peso adicional do vidro. Portanto, a logística é uma preocupação constante. A embalagem, associada à logística e ao frete, também se torna um desafio. Observamos muitas cervejarias optando por embalagens de lata. Isso não apenas reduz o peso, mas também prolonga a vida útil do produto, proporcionando uma validade mais longa. Mas colocar cervejas em lata ainda é um desafio para o setor, com algumas cervejarias mostrando resistência a essa mudança, citando preocupações com a qualidade, entre outros aspectos.

Quais outros desafios vocês enxergam para quem deseja exportar cerveja e como lidar com eles?
A questão da rotulagem em geral é um aspecto em que nosso trabalho pode ser útil, pois conseguimos auxiliar nas pesquisas sobre como aprimorar a rotulagem de uma empresa. A identificação de compradores é um gargalo não apenas para o setor de cervejas, mas também para diversos segmentos. Sabemos que países da América do Sul, como Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e até a Venezuela, têm comprado produtos do Brasil. A Colômbia também tem adquirido algumas cervejas brasileiras. Embora as grandes cervejarias, como a Ambev, e os grandes distribuidores ainda se destaquem nas vendas internacionais, onde há fumaça, há fogo. Estamos percebendo um aumento nas compras da América do Sul provenientes, o que pode indicar uma oportunidade para cervejarias menores.

Para cervejarias menores, há desafios relacionados ao volume de produção. O volume é uma faca de dois gumes, já que na exportação, frequentemente, fala-se em grandes volumes. Algumas cervejarias enfrentam dificuldades em atender a essas demandas volumosas. Além disso, os compradores variam em suas preferências: alguns buscam grandes volumes, enquanto outros procuram uma variedade de rótulos. Por exemplo, um supermercado pode querer diversificar a gôndola com diferentes rótulos de cerveja, em vez de adquirir grandes quantidades de um único rótulo.

A questão do volume menor também se torna um desafio, pois pode haver falta de demanda para grandes volumes ou volumes ideais de um mesmo rótulo de uma única cervejaria. Um desafio adicional é a possibilidade de empresas se unirem para realizar vendas e exportações em conjunto, compartilhando espaço em contêineres, por exemplo. Embora essa prática seja observada, ela envolve custos e as empresas, que, de certa forma, são concorrentes, precisam negociar juntas, o que pode ser um desafio.

Ainda existem muitas cervejarias que veem a exportação como algo distante de suas realidades?
Há muitas empresas que têm receio do mercado externo. Algumas ainda acreditam que exportar é impossível, muito difícil e assim por diante. No entanto, nós discordamos dessa visão. Este é o nosso papel no poder de sensibilização, pois trabalhamos com exportação em diversos setores brasileiros, e na cerveja, não é diferente. Nosso objetivo é mostrar às empresas que exportar é viável, possível e vantajoso, desde que seja feito de maneira correta, adequada e planejada. Seguimos nesse caminho de orientar as empresas e mostrar os caminhos para a exportação de produtos.

Em situações comuns, quando um empresário pensa em exportar, é comum que olhe para pessoas conhecidas que residem em outros países, como amigos, primos ou irmãos. O primeiro caminho natural que eles consideram é entrar em contato com essas pessoas no exterior. Posteriormente, consideram países mais próximos, com requisitos menos rigorosos, uma realidade mais próxima da nossa. Alguns estados, especialmente os do Sul, aproveitam essa proximidade e vendem para países como Argentina, Uruguai e Paraguai, por meio de vias terrestres na fronteira.

Entendemos que nem todos os empresários visualizam o potencial da exportação das cervejas brasileiras. Muitos têm receio porque isso implica em adaptações em diferentes áreas da empresa, como contabilidade, registros legais na Receita Federal, rótulos, produtos, entre outros, e nem todos estão dispostos a fazer essas mudanças. No entanto, há empresas que se destacam e já exploram o mercado externo, especialmente aquelas que não veem mais oportunidades significativas em seus estados ou regiões de atuação e buscam novos horizontes no exterior.

Como a Apex ajuda as cervejarias brasileiras interessadas em exportar?
Nós possuímos um programa de qualificação para exportação, sendo nossa principal iniciativa para preparar empresas visando o mercado externo. Quando abordamos uma cervejaria interessada em exportar, estamos nos referindo a alguém que já possui atuação no estado, talvez já esteja vendendo para outros estados e que vem considerando a possibilidade de exportação para outros países, mas nem sempre tem ideia de como realizar esse processo.

O processo de qualificação começa desde o básico, ensinando a empresa a classificar seu produto, orientando sobre os registros necessários na Receita Federal para possibilitar a exportação. Abordamos desde pontos iniciais até questões mais complexas e rigorosas relacionadas à exportação. Discutimos temas como formação de preço, tratamento tributário, logística, frete, seguro, financiamento. Tratamos também de questões como isenção tributária, embalagem, rótulo, requisitos sanitários no país de destino, legislação, entre outros.

Esse é um trabalho abrangente que visa preparar uma empresa que não possui conhecimento sobre exportação. O processo dura aproximadamente quatro meses e é conduzido de maneira individualizada. Cada empresa recebe um roteiro, uma velocidade e um aprofundamento específico, levando em consideração o perfil da empresa. Ao final do processo, a empresa desenvolve um plano de exportação para o seu produto, no caso da cerveja, destinado a um mercado específico.

Se uma cervejaria deseja exportar, o estudo e a estratégia serão diferentes, seja para uma cerveja do tipo Pilsen para o Paraguai, ou para um formato cigano direcionado aos Estados Unidos. Para cada empresa, trabalhamos junto com o empresário para definir a estratégia, compreender a visão e auxiliar no desenvolvimento de um plano e uma rota para a exportação. Vale destacar que conseguimos oferecer esse serviço gratuitamente em qualquer local do Brasil em que a empresa esteja situada.

5 avaliações sobre a pesquisa Participação de Pessoas Negras na Indústria

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5 avaliações sobre a pesquisa Participação de Pessoas Negras na Indústria Cervejeira

A pesquisa “Participação de Pessoas Negras na Indústria Cervejeira“, acessível pelo link, revela um panorama preocupante, mas não surpreendente. Essa foi a avaliação predominante entre os profissionais do setor consultados pela reportagem do Guia, indicando que o levantamento destaca um cenário caracterizado pela falta de diversidade.

Especialistas apontam que os resultados refletem a realidade da sociedade brasileira e alertam para o desconhecimento sobre os impactos positivos das políticas de inclusão, equidade e representatividade na comunidade cervejeira.

Para esses profissionais, a ampliação do espectro étnico na indústria cervejeira é uma necessidade urgente. E ignorar esse compromisso pode resultar não apenas em repercussões negativas, mas também afetar a própria existência dos negócios cervejeiros, independentemente de seu porte.

A falta de consciência histórico-social é identificada como um dos principais desafios para que isso se torne realidade, com os dados da pesquisa alertando para a urgente necessidade de reparação para a população negra, além da conscientização, especialmente em um cenário de pequena presença de lideranças negras nas cervejarias e de uma parcela considerável que não reconhece a relevância da inclusão.

Confira as avaliações sobre os resultados da pesquisa Participação de Pessoas Negras na Indústria Cervejeira:

Cilene Saorin (sommelière, mestre-cervejeira e diretora da Doemens Akademie no Brasil)
Em geral, os resultados da pesquisa infelizmente não surpreendem, pois são simples reflexo do que normalmente se pode constatar nos mais variados ambientes cervejeiros. Das cervejarias aos congressos, dos bares aos festivais: um estreitíssimo espectro étnico (com cores, em escala EBC, tendendo a zero).

É um cenário triste de racismo estrutural e elevadíssimo desconhecimento sobre os impactos positivos que políticas de inclusão, equidade e representatividade trazem à sociedade e aos negócios.

A agenda ESG – modelo de gestão corporativa voltada à sustentabilidade ambiental, social e financeira – é marcadamente uma tendência global. A ampliação do espectro étnico da comunidade cervejeira é parte intrínseca desta agenda. E os negócios cervejeiros – de mega a nano porte – não podem meramente ignorar este compromisso. Isso possivelmente ditará a existência.

Eduardo Marcusso (consultor do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento)
É um retrato fiel da sociedade brasileira, com discrepância na presença de pessoas negras em cargos de liderança e como funcionários. Essa dificuldade em perceber a necessidade de mudar esse cenário, como reparação histórica, é um dos principais desafios. A pesquisa mostra essa falta de consciência histórico-social que o Brasil vive. Os dados são importantes para avançarmos nas discussões e cada vez mais as pessoas perceberem que é urgente e necessário existir uma reparação histórica para a população negra.

Este é um debate que está ocorrendo em todo o mundo. A pesquisa coloca a discussão no trilho de fazer a reparação. Quantas histórias brilhantes não estão escondidas na discriminação e na falta de oportunidades para a população negra?

Eduardo Marcusso, consultor do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Fabiana Arreguy (jornalista e sommelière de cervejas)
Os resultados não surpreendem. Refletem a nossa sociedade como um todo. Escancaram o racismo do qual uma enorme parcela da população é vítima. O segmento cervejeiro não se difere de outros setores produtivos que dão preferência a profissionais brancos em detrimento de pretos, independentemente da maior capacitação que esses possam apresentar. Existe um longo caminho a percorrer até haver uma real mudança de mentalidade em nosso setor, que, mais uma vez, se revela preconceituoso. Eu, sinceramente, não sou muito otimista em acreditar que essa mudança de mentalidade esteja próxima.

Paulão Silva (membro da Afrocerva e criador do projeto Black Fucking Beer)
Como em vários meios da sociedade, o setor cervejeiro acaba sendo um microcosmo da população brasileira, então reflete muito o que é a nossa sociedade mesmo. Acaba tendo pouca representatividade, como a gente tem em outros setores da nossa sociedade.

Talvez o racismo fique mais evidente no setor cervejeiro do que em outros por ser um meio mais branco do que outros, por questões socioeconômicas e de acesso, pois é preciso um investimento grande para entrar e ter uma cervejaria. No Brasil, esses meios econômicos não estão nas mãos de negros e historicamente o setor de indústrias está nas mãos dos brancos.

Pretas Cervejeiras
Os resultados revelados pela pesquisa trazem à tona uma realidade preocupante, há muito tempo denunciada por diversos membros da comunidade negra cervejeira, indicando uma série de desafios significativos relacionados à diversidade e inclusão no setor cervejeiro.

A sub-representação de profissionais negros nas cervejarias em um país como o Brasil sugere a existência de barreiras na contratação, retenção ou promoção de talentos negros no setor. Isso não apenas limita as oportunidades para indivíduos, mas também contribui para a escassez de diversidade de experiências e perspectivas em todo o ecossistema cervejeiro.

A ausência de lideranças negras destaca uma disparidade significativa nos escalões mais altos das organizações cervejeiras. A conjunção desses dois dados evidencia um comprometimento insuficiente das empresas do setor com a promoção de mudanças sociais significativas.

Chama atenção, igualmente, o fato de que uma parcela considerável (23%) declare “não acreditar que a inclusão de mais pessoas negras seja relevante para o setor”. Além de ignorar o papel social inerente a toda empresa, a falta de reconhecimento da importância da inclusão aponta para a necessidade de conscientização e educação sobre os benefícios da diversidade, como a ampliação de perspectivas e a capacidade de atender a mercados mais amplos e diversos.

Para nós, uma reflexão é fundamental: Agora que dispomos desses dados, faremos algo a respeito para mudar ou o setor seguirá ignorando o fato que 56% da população brasileira é composta por pessoas negras?

Pretas Cervejeiras