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29 opções de cursos cervejeiros para se aprimorar até o fim de 2023

Sempre é tempo de adquirir novos conhecimentos ou aprimorar os já adquiridos. Afinal, o saber é uma ferramenta constantemente utilizada no nosso dia a dia, seja no âmbito profissional ou pessoal, com os cursos cervejeiros sendo uma interessante opção para quem deseja terminar de 2023 tendo mais conhecimento.

Há uma variedade de cursos cervejeiros oferecidos para quem tem interesse em se aprofundar nesse universo, com ótimas opções que podem ser realizados ao longo do segundo semestre de 2023. Para facilitar o planejamento e a escolha do que estudar, a equipe do Guia selecionou algumas opções de cursos cervejeiros oferecidos pelas principais escolas e instituições de ensino desse segmento na metade final de 2023.

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Confira 29 opções de cursos cervejeiros para serem feitos ainda em 2023 e bons estudos:

Academia da Cerveja

Cervejas Sem Álcool
Descrição: Nesta aula, o aluno aprenderá sobre os métodos de fabricação de cerveja sem álcool, os desafios enfrentados, os estilos que podem ter versões sem álcool e a possibilidade de produzi-la em casa.
Data, carga horária e formato: Fixo na grade, 1h, EaD (gravação on-demand).

Lúpulo Antes da Cerveja
Descrição: Muitos falam sobre o lúpulo na cerveja – seu aroma e amargor – mas já pensou de onde ele vem? Como é cultivado? Onde cresce? Neste bate-papo, Mariana Mendes, especialista no cultivo de lúpulo, compartilha conhecimentos sobre a produção brasileira, seus desafios e terroir.
Data, carga horária e formato: Fixo na grade, 1h, EaD (gravação on-demand).

Cervejas Envelhecidas
Descrição: Para compreender melhor e falar com propriedade sobre cervejas envelhecidas, a Academia da Cerveja apresenta uma aula com Gabriel Ramalho, especialista no tema, que desvendará os segredos por trás desse tipo de cerveja.
Data, carga horária e formato: Disponível na grade, 0h20m, EaD (gravação on-demand).

Curso Introdutório ao Universo Cervejeiro
Descrição: Este curso é ideal para iniciantes na jornada cervejeira que desejam aprender conceitos essenciais para dar continuidade a essa descoberta.
Data, carga horária e formato: 29 de agosto, 2h, EaD somente para residentes na região Nordeste.

Curso Introdutório ao Universo Cervejeiro em Libras
Descrição: Esta edição do curso de Introdução ao Mundo da Cerveja é direcionada a entusiastas Surdos que desejam levar a conversa cervejeira além do bar. Cervejeiros da Academia da Cerveja e convidados do mercado se unem para explicar matérias-primas, processo de produção, mitos e verdades sobre a cerveja, além dos cuidados necessários. O curso é ministrado em libras com legendas em português.
Data, carga horária e formato: Disponível na grade, 2h, EaD (gravação on-demand).


Beer Business

Plano de Negócios para Cervejaria Cigana 
Descrição: Este curso é focado no modelo de cervejaria cigana. Nele, é possível esclarecer os pontos básicos a serem considerados na implantação de uma cervejaria cigana. Isso capacita tanto o cervejeiro cigano quanto a cervejaria a tomar decisões relativas aos aspectos operacionais, comerciais e financeiros da terceirização da produção de cervejas artesanais, além de avaliar a viabilidade do negócio
Data, carga horária e formato: Fixo na grade, 10h, EaD.

Brewpub – Planejamento e Operação 
Descrição: Este curso busca esclarecer os pontos fundamentais de uma estrutura que combina gastronomia e produção de cervejas, aproveitando os benefícios fiscais e operacionais desse modelo de negócio. Também aborda outros modelos, como taproom (bar de cerveja artesanal sem fabricação própria), tap house (bar com cerveja terceirizada), cozinhas terceirizadas, food trucks, entre outros.
Data, carga horária e formato: Fixo na grade, 20h, EaD.

Tributação para o Mercado Cervejeiro
Descrição: Este curso esclarece aspectos tributários relevantes para o mercado cervejeiro. A abordagem começa explicando os regimes de tributação e as regras da substituição tributária na prática. Além disso, abrange questões técnicas como o preenchimento de notas fiscais, fornecendo clareza sobre os modelos de operação aplicáveis, incluindo a remessa para a industrialização. Também aborda os custos das operações interestaduais, com benefícios específicos de estados brasileiros.
Data, carga horária e formato: Fixo na grade, 9h, EaD.


Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM)

Sommelier de Cervejas
Descrição: Este curso híbrido tem como objetivo transformar o aluno em um conhecedor da história da cerveja e sua relação com a história da humanidade. Além disso, promete aprimorar o conhecimento sobre matérias-primas e processos de produção de cerveja, permitindo uma apreciação mais profunda dos sabores e aromas únicos de cada variedade.
Data, carga horária e formato: Início em 28 de agosto, 48h, híbrido.

Tecnologia Cervejeira
Descrição: Este curso permite ao aluno explorar o mercado cervejeiro, sua história, estilos e características das cervejas. Além disso, oferece conhecimento sobre os procedimentos qualitativos e quantitativos para seleção das matérias-primas na fabricação e fermentação do mosto cervejeiro.
Data, carga horária e formato: Início em 10 de agosto, 75h, EaD.

Cervejeiro Caseiro
Descrição: Este curso oferece ao aluno a possibilidade de produzir sua própria cerveja artesanal, compreendendo o passo a passo da fabricação, dominando a brassagem, identificando as etapas de elaboração de receitas e aprimorando as técnicas para alcançar padrões de qualidade nas cervejas artesanais.
Data, carga horária e formato: Início em 21 de agosto, 42h, EaD.

Microbiologia da Cerveja
Descrição: Este curso livre capacita o aluno a dominar os controles microbiológicos nas diferentes etapas da produção cervejeira, compreendendo o comportamento e manipulação das leveduras cervejeiras, visando produtividade, qualidade e custo.
Data, carga horária e formato: Início em 28 de agosto, 30h, EaD.

Aprofundamento em Lúpulo 
Descrição: Este curso livre auxilia o aluno a dominar as técnicas de utilização do lúpulo na produção de cerveja, incluindo o plantio, as variedades e o processamento do lúpulo. Além disso, abrange a determinação da composição química do lúpulo e seu impacto nas propriedades da cerveja.
Data, carga horária e formato: Início em 29 de agosto, 30h, EaD.

Mestre Destilador 
Descrição: Neste curso intensivo, o aluno aprenderá sobre a história e características das principais bebidas destiladas, como cachaça, uísque, gin, vodca, conhaque e grapa. Também abrange o passo a passo para a produção de destilados, os equipamentos e controles usados nos processos de filtração e blendagem.
Data, carga horária e formato: Início em 28 de agosto, 63h, EaD.

Gestão Financeira
Descrição: Este curso permite ao aluno compreender os conceitos básicos de finanças, conhecer os tributos sobre a atividade cervejeira, controlar e analisar os custos de operação de cervejarias, além de gerir o fluxo de caixa do negócio.
Data, carga horária e formato: Início em 29 de agosto, 30h, EaD.

Produção de Bebidas Não Alcoólicas
Descrição: Este curso abrange os processos de produção de bebidas não alcoólicas, como refrigerantes, sucos, refrescos, água de coco, isotônicos, energéticos, chás e kombuchas. Além disso, explora as matérias-primas e fundamentos químicos e microbiológicos desses produtos.
Data, carga horária e formato: Início em 29 de agosto, 30h, EaD.


Instituto da Cerveja Brasil

Introdução ao Universo das Cervejas Especiais
Descrição: Este curso tem o objetivo de fornecer informações gerais e curiosidades sobre o vasto universo das cervejas especiais de maneira leve e descontraída, com ênfase em degustações. O intuito é capacitar o aluno a selecionar de forma adequada e consciente a sua cerveja.
Data, carga horária e formato: De 14 a 28 de agosto, 12h, presencial em São Paulo.

Avançado de Tecnologia Cervejeira
Descrição: Este curso conta com a coparticipação e certificação internacional da Universidade de Weihenstephan, sendo o único brasileiro chancelado por essa universidade da Munique. Aborda temas variados relacionados ao universo cervejeiro, tanto na teoria quanto na prática, visando capacitar o participante para iniciar uma carreira como cervejeiro profissional.
Data, carga horária e formato: A partir de 19 de agosto, 110h, híbrido em Belo Horizonte.
A partir de 2 de setembro, 110h, híbrido em Porto Alegre.

Preparatório para o “Cicerone® Certified Beer Server
Descrição: O programa Cicerone® Certified Beer Server prepara profissionais do ramo de alimentos e bebidas para lidar com aspectos-chave do serviço de cerveja com confiança. O curso preparatório oferece conteúdos como os ingredientes e o processo de produção de cervejas, fundamentos do serviço de cervejas e sistemas de extração de chope.
Data, carga horária e formato: De 21 a 30 de agosto, 8h, EaD.

Gestão para bares e brewpubs – da administração à hospitalidade 
Descrição: Este curso foca na competitividade, capacitando os alunos a atuar em aspectos fundamentais do atendimento ao público e da gestão financeira. O processo inclui compreender a formatação, implantação e gestão de programas de treinamento de equipe, bem como o papel da equipe na dinâmica e rentabilidade da operação.
Data, carga horária e formato:
De 11 a 27 de setembro, 20h, EaD.
De 2 a 11 outubro, 20h, EaD.


Science of Beer Institute

Sommelier de Cervejas
Descrição: Desenvolvido para aqueles que desejam se aprofundar no universo das cervejas, este curso capacita os alunos a sugerir, orientar, executar o serviço, harmonizar, avaliar, identificar defeitos e descrever sensorialmente cervejas de diversas origens e estilos. Além disso, orienta a correlação da cerveja com outras bebidas, como cafés, vinhos, destilados e coquetéis.
Data, carga horária e formato: De 23 setembro a 10 de dezembro, 80h, presencial no Rio de Janeiro. 
De 11 a 18 de fevereiro, 80h, presencial em Cuiabá.

Beer Sensory 
Descrição: Este curso online foca na avaliação sensorial de cervejas com base em critérios científicos. Ele treina as habilidades técnicas e sensoriais de profissionais da cerveja, proporcionando uma experiência enriquecedora. Idealizado pelo Science of Beer, o programa tem o objetivo de formar e certificar profissionais da área em nível de proficiência em habilidades de avaliação e gestão sensorial.
Data, carga horária e formato: Início em 16 de outubro, 32h, EaD.

Sommelier Online 
Descrição: Este curso 100% digital é direcionado para amantes da cerveja, cervejeiros, garçons, profissionais do vinho, gastrônomos, formadores de opinião, degustadores, comerciantes e entusiastas que desejam aprimorar o conhecimento técnico sobre cerveja. O curso inclui avaliações sensoriais, degustações orientadas e mais. Conta com degustação e avaliação orientada de 40 rótulos de cerveja.
Data, carga horária e formato: Início em 7 de novembro, 96h, EaD.

Science of Beer Styles
Descrição: Este curso intensivo aprofunda o conhecimento sobre estilos de cerveja, escolas cervejeiras e história das principais cervejarias. Além disso, inclui degustações guiadas de rótulos referência de cada escola, degustações verticais e horizontais e simulação de julgamento de concursos de cerveja pelos guias de estilos do BJCP e da Brewers Association.
Data, carga horária e formato: De 22 a 28 de novembro, 56h, presencial em Teresópolis (RJ).


Sinnatrah Cervejaria-Escola

Produção de Cerveja Artesanal 
Descrição: Este curso combina teoria e prática para a fabricação da cerveja em um dia de aula. O módulo básico aborda tudo que o aluno precisa saber para produzir sua própria cerveja em casa: história e estilos de cerveja, ingredientes (malte, lúpulo, levedura, água), equipamentos cervejeiros e o processo completo de preparo de uma leva de 20 litros.
Data, carga horária e formato: 28 de agosto, 7h, presencial em São Paulo.
23 de setembro, 7h, presencial em São Paulo.
21 de outubro, 7h, presencial em São Paulo.
4 de novembro, 7h, presencial em São Paulo.

Avançado de Produção de Cervejas Artesanais
Descrição: Neste curso avançado, o aluno aprende a criar suas próprias receitas de cerveja, acompanhar a brassagem e a fermentação com detalhes e técnicas de um profissional. Ministrado em dois dias, inclui aulas teóricas e práticas cervejeiras, além da produção de duas cervejas pela turma.
Data, carga horária e formato: 16 e 17 de setembro, 16h, presencial em São Paulo.
28 e 29 de outubro, 16h, presencial em São Paulo.
16 e 17 de dezembro, 16h, presencial em São Paulo.

Água Cervejeira: Modificação e Tratamento
Descrição: Este curso da Sinnatrah ensina a observar as características da água cervejeira, recomendações e cálculos para sua modificação de acordo com objetivos específicos, adição de sais e ajuste de pH em diversas etapas da fabricação do mosto cervejeiro.
Data, carga horária e formato: 14 de setembro, 3h, EaD.

Mentoria Cervejaria-Escola
Descrição: O pacote padrão da mentoria inclui 8 horas em videochamadas fracionadas em até 8 sessões de 1 hora cada (em formato de aula, bate-papo, plantão de dúvidas, acompanhamento de brassagem ou atividade prática supervisionada); suporte por e-mail e WhatsApp durante o programa; análise sensorial de cervejas com sugestões de melhorias de processo e formulação.
Data, carga horária e formato: Fixo na grade, 8h, EaD.

Degustação e Harmonização de Cervejas
Descrição: Este curso é uma introdução ao mundo das cervejas artesanais para quem deseja entender e identificar melhor seus sabores. Aborda a história da cerveja, tipos, parâmetros de estilos, ingredientes e o processo de fabricação.
Data, carga horária e formato: 7 de outubro, 3h, presencial em São Paulo.

Cerveja tem deflação nos bares em julho, mas alta acima do IPCA no varejo

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Em julho, o local de compra da cerveja desempenhou um papel crucial para determinar se os consumidores pagariam mais ou menos em relação aos meses anteriores. De acordo com dados divulgados pelo IBGE, ocorreu deflação no preço da cerveja fora do domicílio, geralmente adquirida em bares e restaurantes, mas houve aumento acima do IPCA para o mesmo item quando comprado para consumo em casa, principalmente no varejo.

Enquanto a cerveja para consumo doméstico aumentou 0,74% em julho, o preço do produto nos bares teve queda de 0,45% no último mês. Entre esses dois extremos, encontra-se o IPCA, o índice oficial de inflação do Brasil, com leve aumento de 0,12%.

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Esse cenário de inflação no domicílio e deflação fora do domicílio também se repetiu em outras bebidas alcoólicas em julho, com ainda mais intensidade. No varejo, houve aumento de 2,29% nos preços, enquanto nos bares ocorreu queda de 1,41%. Além disso, o grupo de alimentação e bebidas registrou deflação de 0,46% em julho.

No entanto, a inflação da cerveja e de outras bebidas alcoólicas permanece acima do IPCA e do grupo de alimentação e bebidas quando são analisados os dados acumulados para 2023 e o período dos últimos 12 meses.

A inflação da cerveja no varejo atingiu 3,43% em 2023 e 9,74% nos últimos 12 meses, enquanto nos bares está em 3,72% e 7,13%, respectivamente. No caso das outras bebidas alcoólicas no varejo, houve aumento de 9,17% no ano e de 10,89% no período entre agosto de 2022 e julho de 2023, enquanto fora do domicílio esses índices ficam em 4,07% e 5,81%, respectivamente.

O IPCA acumulou aumento de 2,99% neste ano e de 3,99% nos últimos 12 meses. Já o grupo de alimentação e bebidas registrou inflação de 0,55% e 2,2%, respectivamente, nos mesmos cenários.

No mês de julho, aliás, o grupo de alimentação e bebidas teve a segunda maior deflação, ficando atrás apenas do recuo de 1,01% no grupo habitação. Por outro lado, o maior aumento, de 1,50%, foi observado no grupo de transportes, impulsionado pela inflação de 4,75% no preço da gasolina.

Inflação por cidades
Entre as capitais pesquisadas pelo IBGE, Campo Grande registrou a maior inflação nos preços da cerveja no varejo em julho (4,59%), com Rio Branco liderando o aumento nos bares (4,66%). Por outro lado, as maiores deflações ocorreram em Fortaleza, com queda de 1,03% no varejo, e em Vitória, com redução de 1,87% nos bares.

Balcão Xirê Cervejeiro: Celebrando a resistência e a diversidade no mercado

Balcão Xirê Cervejeiro: Celebrando a resistência e a diversidade no mercado

Olá, seguidores/as e leitores/as do Guia da Cerveja! Estou de volta ao balcão Xirê Cervejeiro e, desta vez, nossa conversa será sobre a cerveja “Tereza de Benguela Cervejeiras”, uma Red Ale com adição de ameixa e baunilha Kalunga.

Antes de apresentar a cerveja, começo nosso diálogo com a seguinte frase: “A única coisa que separa as mulheres negras de qualquer outra pessoa é oportunidade”. Essa fala emblemática foi dita pela grande atriz Viola Davis em um emocionante e pungente discurso durante o Emmy de 2015, e ela não estava errada.

Aproprio-me dessa fala de Viola para dizer o mesmo no que tange as mulheres negras no mercado cervejeiro. E não deveria ser assim, tendo em vista que foram as mulheres as responsáveis pela existência da cerveja.

Elas foram as primeiras a dominar a arte da fabricação de cerveja, sendo responsáveis por disseminá-la. Há relatos na literatura que a cerveja surgiu na região norte da África, e se as mulheres eram as responsáveis pelo manejo da agricultura e pela produção de alimentos, logo, também, foram as executoras dessa bebida tão milenar, numa África notadamente negra.

Foram inspiradas nessa ancestralidade que cinco mulheres negras engajadas no ecossistema cervejeiro se juntaram para criar uma cerveja e homenagear uma heroína brasileira, que foi/é símbolo de resistência, alteridade e insubmissão.

A escolha do nome que estampa o rótulo não foi à toa e nem aleatória.

Mulheres negras são fruto da diáspora africana, ou como nos ensinou Beatriz Nascimento, “atlânticas”, trazidas à força pelo Atlântico com um único e exclusivo objetivo, serem escravizadas para gerar riqueza à “elite” do atraso brasileiro.

É nesse contexto que Tereza de Benguela chega ao Brasil, uma mulher nascida livre e sequestrada, que não negociou sua liberdade. Em meados do século XVII, Tereza fugiu para o Quilombo do Piolho ou Quariterê, na região de Mato Grosso, na fronteira com a Bolívia. Após a morte de seu marido, Zé do Piolho, ela assumiu a liderança do quilombo, tornando-se rainha. O reinado de Tereza termina em 1770, quando forças coloniais invadiram e destruíram o quilombo.

No Quilombo do Quariterê vigorava um parlamento, com deputados e conselheiros, e a liberdade era exercida ali.

Na contemporaneidade, muitas mulheres negras ainda vivem em busca de liberdade e equidade, principalmente econômica. E foi pautando esse lugar social que em 25 de julho de 1992, aconteceu em Santo Domingo, na República Dominicana, um encontro de mulheres negras latino-americanas e caribenhas, com o objetivo de discutir políticas públicas para essas mulheres negras, filhas da diáspora africana e tão invisibilizadas.

Neste mesmo ano, a ONU reconheceu essa data como um marco de luta pela vida dessas mulheres racializadas.

No Brasil, foi sancionada a Lei Federal 12.987/2014, uma justa homenagem a Tereza, uma mulher que nunca se rendeu e lutou até o fim pela emancipação de pessoas negras.

Inspiradas nessa grande líder, cinco mulheres negras do mercado cervejeiro se reuniram em 2022 para criar o primeiro Festival Tereza de Benguela Cervejeiras, cuja finalidade é dar visibilidade às mulheres negras no mercado cervejeiro e inspirar outras mulheres negras a fazerem parte desse ecossistema que nos rejeita o tempo todo.

Em 2023, o coletivo, junto com a Goose Island, criou uma cerveja para comemorar o dia 25 de julho, uma Red Ale com adição de ameixa e baunilha.

A escolha do estilo e dos adjuntos foram feitos pelas cincos cervejeiras, por essa subscritora e por Cinarah Gomes, Adriana Santos, Dani Lira e Dani Souza.

Vejam o que elas falam sobre o projeto:

O Tereza de Benguela Cervejeiras é um projeto de agradecimento e celebração aos ancestrais africanos. Um encontro lindo com quem respeita e valoriza as origens. Mas talvez o feito mais especial é o de poder expandir as relações e perpetuar os ensinamentos surgidos desde o Egito antigo. Não é somente sobre cerveja, mas tudo o que permeia, como gastronomia, cultura, arte e educação. O Tereza é muito mais que um evento. É uma vivência regada de aprendizado e principalmente alegria, marca registrada do povo africano

Adriana Santos, sommelière de cervejas e cervejeira caseira

O Tereza de Benguela foi criado a partir da perspectiva de sermos vistas e percebidas no mercado cervejeiro, que, até então, sempre foi machista e com ambiente altamente branco. A junção de 5 mulheres negras potentes, empoderadas, fortes, cada uma com seu potencial, com foco e com a mesma força e perspectiva de coexistir nesse ramo, nos fez. E desde o ano passado, passamos a trocar, idealizar e a trazer esse sonho, esse conhecimento, essa força para a sociedade. Através do projeto, nos fortalecemos e crescemos como mulheres negras ocupando espaço e identidade cervejeira. Criamos o Tereza de Benguela para fortalecer todas mulheres que, assim como nós, querem ser reconhecidas por seus verdadeiros valores e potências!

Dani Souza, sommelière de cervejas e chef de cozinha

A reunião dessas mulheres negras tão potentes no mercado cervejeiro já era um sonho antigo de todas, então poder associar o coletivo à data do dia 25 de julho foi o melhor momento para esse projeto acontecer.
Percebo que de alguma forma, nossos corpos ainda não são valorizados como profissionais, e no setor em que atuo, por exemplo, sinto ainda o preconceito e racismo, camuflado de surpresa, quando me conhecem e descobrem que eu sou a dona do Torneira Bar, o que me traz um certo incômodo.
Entendo que o setor vem mudando, temos muitas mulheres negras profissionais no mercado cervejeiro, contudo, ainda muitos negócios desconhecidos ou sem a devida visibilidade.
Observo muitas marcas propondo vínculos “profissionais” no sentido de uma autopromoção quando se fala de inclusão e diversidade, contudo, não visando uma remuneração justa para tais atividades.
Desta forma, a representatividade fortalece outras a elevarem seus negócios no setor. É aquele ditado: uma puxa a outra.
O Tereza de Benguela é sobre celebração, união, apoio e valorização dos nossos corpos como profissionais do meio cervejeiro

Dani Lira, sommelière de cervejas e sócia fundadora do Torneira Bar

O Festival Tereza de Benguela, conecta-me com meus pares, oxigenando e fortalecendo nossos negócios, amplia nossa visibilidade e constrói pontes, atalhos e possibilidades reais de desenvolvimento individual, porém atuando de forma coletiva.
Mulheres negras conscientes de seus valores e desvalores em nossa sociedade, sabem que é no compartilhamento de saberes que a gente se fortalece!

Cinarah Gomes, sócia da cervejaria Serafina e cervejeira cigana

Como parte desse projeto, não poderia deixar de dar aqui o registro do que me motivou a fazer parte dele.
O que me motivou a estar no ambiente cervejeiro foi a falta. A ausência me trouxe até aqui. Não encontrar pessoas negras em lugar de destaque no mercado das artesanais e ser tratada com muito desdém e chacota me gerou um incômodo.
Não deveria, mas o espaço cervejeiro é muito hostil e intimidador, então buscar espaços de segurança e acolhimento tem sido uma constante. Reuni-me com essas cervejeiras foi algo desafiador e ao mesmo tempo bonito e acolhedor.
Como sempre pontuo, cerveja é conexão, é ralação entre pessoas, é ponte de afeto, é o elo social entre várias comunidades. Ela não está restrita aos espaços cheios de pessoas iguais, como se fossem um bloco monolítico. cerveja é diversidade em todos os sentidos. Cerveja não é elitista, ela deve abraçar todas as pessoas de forma natural e sem esnobismos. E se o mercado realmente estiver disposto a conectar a cerveja às pessoas, precisa se colocar na posição de escuta, ouvir o que elas têm a dizer. Temos potencial para sermos imensos, basta não querer segregar. Estamos diante de uma geração que diz em alto e bom som, “se não me vejo, não compro”. Então, que possamos cada vez mais, para além das máquinas, aprender a dialogar com as pessoas. Cerveja, diversidade e paridade também são tecnologias, tecnologias que aproximam o/a consumidor/a à cerveja. E cerveja, é antes de tudo, vínculo.
É nesse lugar que o Tereza de Benguela Cervejeiras surge, para acolher, visibilizar e honrar quem veio antes, que está aqui e quem estar por vir.

Sara Araujo, sommelière de cervejas, consultora e produtora de conteúdo digital

O projeto só foi possível por contar com a sensibilidade de aliades e trago duas dessas vozes para ilustrar o que significa/significou esse projeto.

O projeto de Tereza de Benguela Cervejeiras me fez refletir não somente sobre a potência e representatividade de luta e resistência que Tereza de Benguela foi e é, mas me fez refletir também sobre as minhas origens e raízes.
Me fez refletir sobre a forma na qual fui criado. Eu, um homem negro que cresceu sem pai, periférico, percebi que a maior representatividade e personificação de Tereza que eu tenho, é a minha própria mãe.
Uma mulher negra, periférica, da qual carregou o mundo nas costas. Percebi que fui moldado nos princípios da luta e da resistência por sobrevivência, respeito, e todos os direitos dos quais sempre buscamos. O direito de ser e pertencer.
Me senti feliz não só pela realização do projeto. Mas também, por ter a percepção de que fui criado a partir desses princípios, por uma mulher negra. E isso me fez ser quem eu sou hoje. Me senti grato por isso, e também por até hoje ter presente de uma forma muito forte na minha vida, mulheres e potências negras que me motivam cada vez mais.

Leonardo Augusto da Silva, coordenador de marketing da Goose Island

Ser mulher é um desafio.
Ser mulher e negra é um desafio maior.
Mas o que dizer de mulheres negras e cervejeiras!
Eu tive a oportunidade de conhecer essas mulheres, seus trabalhos, algumas de suas batalhas e de também um pouco mais sobre essa outra mulher, a Tereza de Benguela.
A Sara me convidou para escrever o que ela significa para mim e eu poderia escrever aqui tudo o que eu ouvi e li sobre ela, mas quem mais me ensinou foi a Sara com uma simples palavra.
Como desenvolvemos uma cerveja em conjunto para celebrar o dia da Tereza, em um momento foi colocado no grupo de WhatsApp um texto para que todas aprovassem. Na descrição estava escrito que a Tereza tinha sido uma escrava e a Sara gentilmente corrigiu falando que o correto era se referir como ESCRAVIZADA.
Foi uma palavra que me sensibilizou bastante, não sei muito como explicar… Imaginei Tereza livre, sendo tirada e obrigada ao trabalho forçado, escravo. Arrancada da sua vida, vendo os seus serem hostilizados e mortos. Mas essa mulher lutou e liderou por 20 anos um quilombo até ser subjugada novamente. E ali naquele grupo estavam 5 mulheres celebrando seu nome e sua luta. E vi em cada uma delas um pouquinho da Tereza e na Sara, em especial, a luz dela.
Tereza representa para mim um pouquinho de cada uma de vocês, Sara, Dani, Cinara, Adriana e Dani Lira.
Agradeço pela oportunidade de conhecê-las e pelos ensinamentos

Luiza de Oliveira Cardoso, administradora

Desejo a você, que leu estes relatos, que fortaleça mulheres no mercado cervejeiro, que elas possam ter incentivos para desenvolver suas habilidades.


Sara Araujo é graduada em Ciências Jurídicas pela Instituição Toledo de Ensino, em Bauru (SP). Atua na área de execução penal, sendo graduanda em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Maringá (PR), pós-graduanda em História da África e da Diáspora Atlântica pelo Instituto Pretos Novos do Rio de Janeiro, sommelière de cervejas pela ESCM/Doemens Akademie e criadora e gestora do @negracervejassommelier

Filme Barbie reaquece fenômeno cultural e inspira ações no setor cervejeiro

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O mundo encantado e cor-de-rosa da boneca Barbie foi transportado para as telas e transformou-se no filme mais comentado do ano, causando um enorme impacto cultural. Desde a sua estreia global em 20 de julho, o longa-metragem tem atraído multidões às salas de cinemas, se transformando em um fenômeno cultural que inspira até o mercado da cerveja, com o lançamentos de chopes e rótulos em homenagem à Barbie.

No Brasil, o filme arrecadou R$ 22,7 milhões nas bilheterias no seu dia de estreia, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas Exibidoras Cinematográficas Operadoras de Multiplex. Com um público de cerca de 1,2 milhão de pessoas, ele conquistou a maior bilheteria de estreia desde 2019, marcando também a maior abertura da Warner no país.

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Esse sucesso estrondoso é resultado de uma intensa estratégia de marketing que envolveu um investimento de aproximadamente US$ 100 milhões em mídia e propaganda, transformando o mundo em um universo cor-de-rosa. Nas redes sociais, o filme ganhou popularidade muito antes do seu lançamento, com uma enxurrada de hashtags como “Hi, Barbie”, “Barbie” e “Barbiecore”, além de memes e criações inspiradas na produção.

O impacto do filme Barbie vai além de atrair multidões para as salas de cinema; ele também está influenciando a sociedade e, consequentemente, movimentando diversos setores, incluindo o da cerveja artesanal.

A equipe de reportagem do Guia constatou que várias cervejarias estão se aproveitando da onda cor-de-rosa para lançar produtos criativos. Além disso, a movimentação não se limita às grandes cidades, com novidades surgindo em localidades como Tianguá (CE), Jacarezinho (PR), Camanducaia (MG), Criciúma (SC) e Araçás (BA), demonstrando que a união entre cerveja e Barbie se espalhou pelo país.

Um desses casos envolve a Cervejaria Barbarril, de Jacarezinho, que afirma trabalhar para introduzir e consolidar a cerveja artesanal na região há seis anos e aproveitou o apelo da Barbie para se diferenciar das marcas tradicionais no mercado.

“Como a concorrência com cervejas comerciais já consolidadas era uma realidade, sempre tentamos inovar com promoções e opções diferentes das cervejas tradicionais. O Chope Barbierril faz parte desse processo, assim oferecer uma opção descontraída de tomar um chope e se sentir parte desse empoderamento e debate trazido pelo filme”, destaca Rafael Bonito Pereira, proprietário da cervejaria.

Outro estabelecimento que aproveitou o sucesso do filme foi o bar Arsenal da Cerveja, localizado em Monte Verde, distrito mineiro de Camanducaia. Especializado em cervejas artesanais nacionais e importadas, o estabelecimento criou a “Barbie Pilsen Rosa” para capitalizar o êxito do filme.

“Embora a nossa cerveja em homenagem à Barbie não esteja diretamente ligada ao filme, há elementos interessantes na sua criação. A inspiração para essa bebida surgiu a partir da repercussão global do filme e da percepção de uma oportunidade de mercado no setor cervejeiro”, destaca., explica Rafael Lima, sommelier de cerveja e fundador do estabelecimento, que faz parte da Move, a Agência de Desenvolvimento de Monte Verde e Região.

Um toque especial na receita é o uso de um corante rosa alimentício, conferindo à cerveja um visual atraente que remete à estética da Barbie. “Essa escolha trouxe uma nova dimensão ao chope, conquistando não apenas os amantes da bebida, mas também aqueles que se deixaram envolver pelo entusiasmo gerado pelo hype em torno da Barbie”.

O fenômeno Barbie: Muito além de uma boneca de plástico
A icônica boneca de plástico Barbie foi criada em 1945 por Ruth Handler, uma das fundadoras da Mattel. Inicialmente concebida como um brinquedo infantil, a Barbie revolucionou o mercado de brinquedos ao longo das décadas, tornando-se um objeto de desejo para milhões de crianças em todo o mundo.

O filme estrelado e produzido por Margot Robbie e dirigido por Greta Gerwig mergulha no cotidiano de uma boneca em Barbieland, até que Barbie, acompanhada de Ken, é transportada para o mundo real, onde enfrenta diversos desafios.

A própria boneca Barbie, desde a sua criação, representa um objeto de reflexão sobre questões sociais. Seu padrão de beleza, frequentemente considerado inatingível, é criticado por retratar uma imagem de mulher magra, loira e de olhos azuis.

Outro ponto é o protagonismo feminino na narrativa da Barbie, contrastando com a relativa irrelevância do personagem masculino, Ken, frequentemente vendido como o “companheiro da Barbie” e, portanto, apenas um acessório nos brinquedos da vida real.

A construção de um enredo totalmente focado na perspectiva feminina também destaca a importância do empoderamento das mulheres e suscita reflexões sobre os papéis de gênero. Já Ken também enfrenta polêmicas relacionadas à sua sexualidade, sendo frequentemente associado a traços de “fragilidade masculina”.

Brasil Brau terá mais ênfase em conteúdos e foco amplo na cadeia cervejeira

A Brasil Brau, evento que reúne a Feira Internacional de Tecnologia em Cerveja e o Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira, confirmou sua próxima edição para o período de 11 a 13 de junho de 2024, no São Paulo Expo, e indicou que terá ênfase ampliada na divulgação de conteúdo, bem como uma abordagem mais abrangente de toda a cadeia cervejeira, indo além do processo produtivo.

“A pandemia nos ensinou a valorizar o conteúdo de maneira significativa. Desejamos oferecer aos profissionais mais oportunidades de aprofundamento, e acredito que a Brasil Brau se encaixa nesse perfil”, explica Gabriel Pucino, gestor da Brasil Brau e gerente sênior de eventos da GL events.

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Na sua 18ª edição, o Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira, agora identificado prioritariamente pela sigla CBCTC, buscará abordar temas e conteúdos contemporâneos com a presença de profissionais internacionais, contando com a colaboração do Instituto da Cerveja Brasil (ICB).

“Nosso objetivo é fortalecer a posição da Brasil Brau como o principal evento da América Latina, não se limitando apenas ao Brasil. Também planejamos expandir o conteúdo, trazendo novos congressistas nacionais e internacionais”, acrescenta Pucino.

Durante a apresentação de detalhes da Brasil Brau 2024, Pucino lembrou que o evento começou como um congresso cervejeiro, desempenhando um papel crucial para a formação de muitos profissionais do setor.

“A Brasil Brau teve início em 1989 com o Congresso da Associação Brasileira dos Profissionais em Cerveja e Malte (Cobracen), sempre mantendo uma base sólida em conteúdo. Muitos profissionais foram formados, trocaram experiências e adquiriram conhecimento por meio deste evento”, destaca.

Feira maior e mais abrangente
A feira de exposição de produtos e serviços da Brasil Brau espera crescer em área e número, ultrapassando os 112 expositores de 2022. Para isso, o evento, que reúne fornecedores do mercado cervejeiro, desde embalagens e equipamentos até insumos e refrigeração, deve ter algumas novidades, ampliando o olhar sobre toda a cadeia.

“Embora a produção de cerveja permaneça como foco central, estamos observando um crescente interesse em outros segmentos. Nosso objetivo é continuar priorizando a produção de cerveja, mas também incluir setores complementares que abrangem todo o processo, desde o cultivo até o consumo”, diz Pucino.

Em 2024, a Brasil Brau também terá o Brewer Lounge, uma área dedicada à exposição de conteúdo gratuito e experimentação de produtos. Adicionalmente, o evento apresentará uma nova identidade visual, com uma alteração no logotipo que agora incorpora os quatro pilares da indústria na formação do “B” da Brasil Brau: campo, indústria, tecnologia e comércio.

Como foi em 2022
No ano anterior, segundo dados divulgados pela organização da Brasil Brau, o evento atraiu cerca de 7 mil pessoas ao pavilhão do São Paulo Expo ao longo de três dias. Além disso, houve um aumento de 40% no número de credenciados em relação à edição anterior, ocorrida em 2019.

A forte presença de profissionais do setor também resultou em acordos comerciais: 21% dos expositores relataram expectativas de negócios gerados em valores superiores a R$ 1 milhão após o evento, conforme relatado pelos responsáveis pela feira.

Heineken investe R$ 80 mi para ampliar produção da cerveja sem álcool no Brasil

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O Grupo Heineken vai realizar um novo investimento para expandir a fabricação de sua cerveja sem álcool no Brasil. A empresa anunciou um aporte de R$ 80 milhões em sua unidade produtiva em Araraquara (SP), com o objetivo de aumentar a produção da Heineken 0.0.

A escolha da fábrica localizada na cidade do interior paulista está estrategicamente relacionada à sua posição geográfica, permitindo abastecer de maneira eficiente a região Sudeste, como destaca a companhia em comunicado oficial.

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“A ampliação reflete o sucesso da categoria de cerveja sem álcool no Brasil e reforça o compromisso da companhia de crescer de maneira sustentável, promovendo o consumo responsável de álcool, novas ocasiões de consumo e mais equilíbrio no dia a dia”, afirma.

Desde 2021, o Brasil é o maior mercado consumidor da Heineken 0.0, de acordo com o grupo. Em seu mais recente relatório financeiro, a empresa revelou que sua cerveja sem álcool teve um crescimento de dois dígitos (superior a 10%) nas vendas durante o primeiro semestre deste ano no Brasil, em comparação com o mesmo período de 2022.

Impulsionada pelo crescimento de sua versão sem álcool, a Heineken está trabalhando com o objetivo de disponibilizar essa opção em todos os seus pontos de venda no Brasil até 2025, como relata Rodrigo Bressan, vice-presidente de produção.

“Até 2025, nossa expectativa é que 100% dos nossos pontos de venda ofereçam Heineken 0.0, permitindo aos consumidores desfrutarem de uma cerveja sem álcool de alta qualidade e sabor, promovendo o consumo responsável”, explica.

Segundo o Grupo Heineken, esse investimento se soma a outros, totalizando mais de R$ 2 bilhões injetados em suas unidades em São Paulo nos últimos quatro anos, nas cidades de Itu, Jacareí e Campos do Jordão.

“Desejamos fortalecer nosso compromisso não apenas com o estado de São Paulo, mas com todo o Brasil, um mercado fundamental nos resultados globais da empresa e um ator importante na geração de emprego e renda no país. Acreditamos que uma agenda sustentável sólida é a chave para possibilitar o crescimento, desenvolvimento e prosperidade conjunta do planeta e da sociedade”, afirma Saulo Miguel, diretor regional da cervejaria.

Humor “retornável”: O que motivou a parceria entre Porta dos Fundos e Ambev

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Amplamente explorado por marcas de cerveja em suas campanhas de marketing, o humor ganhou uma nova nuance por meio de uma colaboração entre dois importantes representantes desses setores. Em um contexto voltado para a sustentabilidade, a Ambev convocou a equipe do Porta dos Fundos para criar um esquete que promovesse o uso de embalagens retornáveis.

A fim de compreender a razão por trás dessa união e a maneira como foi preparada a comunicação da mensagem da cervejaria ao público pelo Porta dos Fundos, o Guia entrevistou dois de seus membros: André Vinicius, vice-presidente de negócios, e Gabriela Niskier, roteirista do grupo.

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Na entrevista, eles abordam como o humor pode ser uma ferramenta eficaz na promoção de novos comportamentos, como é o desejo da Ambev, para impulsionar o aumento do uso de garrafas retornáveis pelos consumidores. Além disso, destacam como uma campanha criativa pode chamar a atenção do público habituado aos quadros humorísticos produzidos pelo Porta dos Fundos.

A iniciativa não é sem propósito, já que a Ambev tem como meta tornar 100% de seus produtos disponíveis em garrafas retornáveis ou feitas principalmente a partir de materiais reciclados até 2025. E no vídeo intitulado “Ativismo“, Rafael Portugal e Evelyn Castro exploram como a utilização de embalagens retornáveis pode ser tanto uma escolha consciente quanto uma forma de ativismo ambiental.

Segundo o último relatório de sustentabilidade da companhia, a Ambev encerrou o ano de 2022 com 50,15% de suas embalagens recicladas e 43% em formato retornável. No que se refere ao conjunto das embalagens, a taxa de conteúdo reciclado foi de 55,9% no ano anterior, sendo que para o vidro o índice foi de 49,8%. Além disso, a empresa reportou que 43,4% do volume de cerveja vendido em 2022 estava acondicionado em embalagens retornáveis.

Confira, na entrevista, como a colaboração com o Porta dos Fundos tem o potencial de impulsionar esses números da Ambev, por meio de insights compartilhados por André Vinícius, vice-presidente de negócios, e Gabriela Niskier, roteirista do grupo:

Como surgiu a parceria entre o Porta dos Fundos e a Ambev para criar a esquete sobre garrafas retornáveis? 
André Vinicius: Somos parceiros da Ambev há anos, dado o histórico de sucesso dessa relação, o time de retornáveis enxergou que o Porta seria o melhor parceiro para trazer de forma leve e humorada a mensagem de que o ato de beber cerveja também pode ser ativismo graças às garrafas retornáveis.

Vocês acreditam que a abordagem humorística pode gerar engajamento e promover mudanças reais nos hábitos de consumo da audiência?
AV: Sempre acreditamos no humor como saída. E isso também é considerado na hora que queremos transmitir mensagens mais desafiadoras ou promover novos hábitos. O Porta nasce propondo exatamente esse movimento, desde que nos lançamos como uma comunidade, revolucionamos a maneira como as pessoas consomem humor e abordam temas de forma muito proprietária. 

A cultura cervejeira muitas vezes está associada a momentos de descontração, celebração e convívio social. De que forma o Porta dos Fundos busca incorporar elementos dessa cultura em suas produções humorísticas?
AV: O Porta é a principal referência de humor no Brasil por conseguir trazer conteúdos de relevância cultural. Quem assiste a um vídeo do Porta se identifica com a situação, pois optamos por retratar o dia a dia de forma irreverente, mas sempre muito verdadeira e sem perder a graça. O comportamento da sociedade não apenas é incorporado nas produções, como é nossa inspiração criativa.   

O vídeo “Ativismo” aborda de forma divertida os benefícios ambientais do uso de garrafas retornáveis. Na visão do Porta dos Fundos, qual é o papel do humor e da sátira ao abordar questões sérias como sustentabilidade e meio ambiente?
Gabriela Niskier: O humor tem a vantagem de tratar com leveza assuntos que, de qualquer outra forma, teriam mais resistência em serem compreendidos ou aceitos por todos. A sustentabilidade e o meio ambiente se enquadram nesses assuntos essenciais. 

Como é o processo criativo ao desenvolver esquetes ou campanhas com foco em questões socioambientais?
GN: Buscamos levantar situações cotidianas que atravessem com bom humor a mensagem que desejamos tratar com a campanha, tentando mirar sempre na identificação do público.

Pesquisa busca traçar perfil do consumidor em busca de insights ao setor cervejeiro

Em busca de insights valiosos para auxiliar profissionais do setor cervejeiro na definição de estratégias, a pesquisa “Retrato dos Consumidores” está agora em sua quarta edição. Conduzida pelo hub de conteúdo cervejeiro Surra de Lúpulo, esta iniciativa vai coletar respostas até 31 de agosto, com os resultados sobre o perfil do consumidor programados para serem divulgados em dezembro.

Nas três edições anteriores, a pesquisa acumulou 7.417 respostas provenientes de todos os estados brasileiros. A continuidade desse trabalho e a significativa participação de respondentes têm levado os responsáveis pela pesquisa a acreditarem que, agora, em 2023, será possível apresentar resultados mais abrangentes ao público.

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“Estamos trabalhando na reorganização dos dados dos últimos três anos para podermos apresentar um relatório ainda mais completo e profundo do nosso consumidor. Essa nova organização vai possibilitar uma análise comparativa de dados ano a ano, e para isso incluímos em nossa equipe uma analista de dados”, diz Leandro Bulkool, designer e apreciador de cervejas artesanais.

O questionário também passou por ajustes em relação às edições anteriores da pesquisa, incluindo um aprofundamento nas temáticas em alta entre os consumidores, como a cerveja sem álcool, conforme compartilha Ludmyla Almeida, criadora de conteúdo no perfil IPAcondriaca e sommelière de cervejas.

“Reformulamos o questionário, de uma forma mais completa e aprofundada em relação aos anos anteriores e assim teremos ainda mais informações sobre os hábitos dos brasileiros em relação à esta bebida, incluindo mais detalhamento sobre o consumo de cerveja sem álcool”, afirma.

Aqueles interessados em participar da pesquisa sobre o perfil do consumidor podem fazê-lo por meio deste link. Em 2022, “Retrato dos Consumidores” registrou a participação de 4.388 respondentes, um número que os organizadores têm a expectativa de superar em 2023.

“Consideramos que, neste quarto ano, chegamos num ponto de maturidade do projeto. Para dar este contorno, decidimos fazer investimentos muito importantes, principalmente no formulário e na organização dos dados”, concluem Bulkool e Ludmyla.

Empresa de cannabis compra 6 marcas de cerveja da Anheuser-Busch

A Tilray Brands, uma empresa canadense de cannabis e bens de consumo, realizou a aquisição de oito marcas de bebidas da Anheuser-Busch nos Estados Unidos, incluindo seis de cerveja. Essa estratégia impulsionará a companhia para a quinta posição entre as cervejarias artesanais do país.

A transação, de acordo com informações da imprensa dos Estados Unidos, está avaliada em US$ 85 milhões. As marcas de cerveja que foram adquiridas são: Shock Top, Breckenridge Brewery, Blue Point Brewing Company, 10 Barrel Brewing Company, Redhook Brewery e Widmer Brothers Brewing. Além disso, a aquisição engloba a cidra Square Mile Cider Company e a fabricante de energéticos HiBall Energy.

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Com esta movimentação, a Tilray Brands incorporou instantaneamente seis marcas de cerveja, localizadas em três estados, incluindo oito brewpubs. Todas essas adições passarão a fazer parte da estrutura da empresa, que também adquirirá fábricas e manterá as equipes de funcionários das marcas.

“A aquisição dessas marcas de cerveja e bebidas não apenas se baseia na lealdade sólida dos consumidores, mas também enriquece ainda mais o segmento em crescimento das bebidas alcoólicas da Tilray nos Estados Unidos”, declarou a empresa de cannabis em um comunicado sobre o negócio envolvendo marcas de cerveja e outras bebidas.

A Tilray Brands, que inicialmente focava em pesquisa, cultivo e distribuição de cannabis, vem ampliando sua presença no mercado de bebidas, sendo proprietária da Breckenridge Distillery e da Happy Flower CBD, produtora de coquetéis não-alcoólicos.

Atuando também no setor da cerveja, a empresa de cannabis já possuía as marcas Sweetwater Brewing, Montauk Brewing, Green Flash e Montauk Brewing. Prevê-se que essa aquisição catapulte a Tilray Brands da nona para a quinta posição no mercado de cervejas artesanais dos Estados Unidos, com uma fatia de 5% no volume total de vendas.

“Com esta transação, nosso segmento de cerveja deverá triplicar de tamanho, passando de 4 milhões para 12 milhões de caixas anualmente. Olhando para o futuro, planejamos maximizar ainda mais o potencial dessas marcas por meio de inovação de produtos, parcerias com varejistas e expansão de distribuição em mercados-chave, como o Noroeste do Pacífico e a Califórnia”, diz Ty Gilmore, presidente da Tilray Brands para cerveja nos Estados Unidos.

A companhia também pretende aproveitar as redes de distribuição da Anheuser-Busch para reforçar sua presença em todo o território americano. “Essa ação consolida nossa posição de liderança nacional e nosso papel no mercado de cervejas artesanais nos Estados Unidos. Além disso, representa um passo significativo em nossa estratégia de diversificação. Estamos entusiasmados por colaborar com as equipes por trás dessas marcas icônicas, que desfrutam de grande fidelidade por parte dos consumidores e têm um histórico de lançamento de produtos premiados e de rápido crescimento”, comenta Irwin Simon, presidente e CEO da Tilray Brands.

As negociações para essas aquisições tiveram início no começo deste ano, destacando o redirecionamento de foco da empresa, que já não se limita apenas ao mercado de cannabis. Isso se deve à concorrência acirrada no país e ao lento progresso da legalização nos Estados Unidos.

“As mentes talentosas por trás dessas marcas e cervejarias, aliadas aos nossos investimentos significativos ao longo dos anos, as posicionaram para um futuro promissor com a Tilray Brands”, afirma Andy Thomas, presidente das marcas high-end da Anheuser Busch, ramo norte-americano da AB InBev.

Essa negociação, que envolve a aquisição simultânea de seis marcas de cerveja, amplia a tendência de grandes grupos deixando o mercado de cervejas artesanais nos Estados Unidos ou ao menos reduzindo suas participações.

Recentemente, a Constellation Brands vendeu a Funky Buddha, da Califórnia, de volta para seus antigos proprietários. Da mesma forma, a Four Corners Brewing, de Dallas, foi readquirida por seus fundadores. Seguindo esse rumo, a Anheuser-Busch revendeu a Appalachian Mountain Brewery and Cidery para seus criadores. Além disso, a Sapporo anunciou o fechamento das operações da Anchor Brewing, em um movimento de grande impacto.

Conheça as seis marcas que estão sendo adquiridas pela Tilray Brands:

  • Shock Top: É uma premiada cerveja de trigo belga tradicional que foi inicialmente introduzida em 2006 como uma edição sazonal. Após conquistar a medalha de ouro no North American Beer Awards na categoria Belgian White, ela tornou-se uma cerveja fixa.
  • Breckenridge Brewery: Fundada em 1990 na cidade homônima do Colorado, essa cervejaria cresceu para se tornar uma das mais reconhecidas nos Estados Unidos. Atualmente, possui seu brewpub original em Breckenridge e um renomado restaurante chamado Farm House em Littleton, próximo a Denver.
  • Blue Point Brewing Company: Fundada em 1998 por dois amigos com o objetivo de trazer cervejas artesanais para Long Island. Com o passar dos anos, cresceu para se tornar uma das maiores cervejarias do estado de Nova York.
  • 10 Barrel Brewing Company: Fundada em 2006 em Bend, Oregon, por uma equipe com a mentalidade de produzir, consumir e se divertir com cerveja. Hoje, possui uma equipe premiada de cervejeiros e opera quatro brewpubs, dois em Bend e um em Portland, ambos no Oregon, e outro em Boise, no Idaho. Em 2023, conquistou três medalhas de ouro e uma de prata no World Beer Cup.
  • Redhook Brewery: Estabelecida em Seattle, Washington, em 1981, produz cervejas há décadas. O Redhook Brewlab, inaugurado em 2017 em Capitol Hill, Seattle, apresenta um sistema de produção de 8 barris, permitindo aos consumidores experimentarem as últimas criações.
  • Widmer Brothers Brewing: Fundada em Portland, Oregon, em 1984, é uma das maiores cervejarias artesanais do Noroeste do Pacífico. No Best of Craft Beer Awards de 2023, a Hefe conquistou o ouro na categoria American Wheat e a Widmer Brothers foi premiada como “Grande Cervejaria do Ano”.

Produção global de cerveja tem crescimento modesto em 2022; veja top 40

A produção mundial de cerveja teve um crescimento modesto em 2022, de acordo com o levantamento anual realizado pelo BarthHaas Group, uma das principais empresas de lúpulo do planeta. Houve aumento de 25 milhões de hectolitros, o que representa alta de 1,3% em relação a 2021, totalizando 1,89 bilhão de hectolitros. O relatório destacou que a maior parte dessa expansão se concentrou nas principais cervejarias.

Segundo o relatório, o ano de 2022 foi caracterizado pelo aumento da produção nas grandes cervejarias, enquanto as regionais tiveram mais dificuldade em compensar as perdas de volume sofridas durante a pandemia. O levantamento apontou que a participação das 40 maiores cervejarias do mundo no volume global subiu de 85,7% em 2021 para 88,1% em 2022.

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No segmento de cervejas artesanais, o ano de 2022 também foi marcado por algumas aquisições, como as compras, nos Estados Unidos, da Stone Brewing pela japonesa Sapporo Breweries e do Canarchy Group pela fabricante de bebidas Monster.

Também houve movimentação das multinacionais cervejeiras. O Grupo Heineken passou a deter participação majoritária no United Breweries Group, na Índia, bem como do Grupa Zywiec, na Polônia, e da Namibia Breweries. A Diageo vendeu a cervejaria etíope Meta Abo para o Groupe Castel. Já a empresa dinamarquesa Royal Unibrew adquiriu uma participação majoritária na norueguesa Hansa Borg.

A lista das 40 maiores cervejarias continua liderada pela AB Inbev, seguida pelo Grupo Heineken. No entanto, a chinesa Snow Breweries subiu para a terceira colocação, ultrapassando a Carlsberg. E o Grupo Petrópolis permaneceu na 12ª posição, mesma posição ocupada em 2021.

O Top 40 teve duas novas inclusões em relação a 2021, com a venezuelana Polar em 37º lugar e a belga Martens na 40ª colocação, substituindo a United Breweries Group e a alemã Veltins.

Crescimento por continente e país
Em relação ao crescimento por continente e país, os cinco principais países produtores de cerveja – China, Estados Unidos, Brasil, México e Alemanha – tiveram uma queda na participação na produção mundial, que caiu para 49%.

A Ásia teve um crescimento de 8,3 milhões de hectolitros, com destaques para Índia, Tailândia e Coreia do Sul. A África registrou o maior aumento proporcional de todos os continentes, com um acréscimo de 6,6 milhões de hectolitros, impulsionado por África do Sul e Etiópia.

As Américas tiveram um aumento de 6,1 milhões de hectolitros na produção, com destaque para México e Brasil. No entanto, os Estados Unidos apresentaram recuo de 10,1 milhões de hectolitros.

Apesar de uma queda relevante na produção na Ucrânia, a Europa registrou um aumento na fabricação de cerveja em 2022, de 3 milhões de hectolitros, com destaques para Espanha e Alemanha.

Desafios da pesquisa
O relatório destaca os desafios enfrentados na obtenção de dados precisos de produção de cerveja em alguns países, citando a dificuldade em obter números exatos e a existência de discrepâncias entre diferentes fontes.

“Os volumes de produção aqui, que em alguns casos são estimativas, estão baseados em um exame minucioso de todos os dados disponíveis e em nosso próprio julgamento”, diz.

Esse fato levou a uma revisão dos números de produção de cerveja em 2021, resultando em um volume total corrigido de 1,87 bilhão de hectolitros, 6 milhões a mais do que o originalmente relatado.

Confira abaixo as 40 maiores cervejarias do mundo em 2022, de acordo com o relatório do BarthHaas Group: