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Carnaval motiva ações cervejeiras e deve ter alta na receita dos bares

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O clima festivo do carnaval já se faz presente nas cidades brasileiras, e irá se intensificar a partir deste fim de semana, gerando oportunidades para a indústria da cerveja e estabelecimentos de alimentação fora do lar, como bares. A perspectiva é de aumento relevante no faturamento, impulsionado pelo maior consumo de bebidas alcoólicas, especialmente cerveja.

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) prevê um incremento de 15% no faturamento dos bares em Recife, Rio de Janeiro e Belo Horizonte em comparação com o carnaval de 2023. Nas regiões da Bahia e São Paulo, a projeção é de aumento de 10%. Essas expectativas otimistas da Abrasel estão ancoradas em uma conjuntura econômica favorável, marcada pelo crescimento do emprego, controle da inflação e redução da taxa de juros.

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“Com uma renda disponível mais robusta, as pessoas demonstram uma propensão maior para viajar e gastar durante o carnaval. Essa é uma tendência que se reflete em todo o turismo e que vem trazendo projeções otimistas para o ano”, afirma o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci.

Uma pesquisa realizada pela associação com 1.878 empreendedores revela que 81% dos estabelecimentos planejam abrir durante o carnaval, sendo que 75% esperam um aumento no faturamento em relação a 2023. A média de aumento esperado é de 15% em comparação ao ano anterior e 17% quando comparado a um fim de semana normal.

A pesquisa também destaca a importância atribuída ao carnaval pelos estabelecimentos, com 33% considerando a data extremamente ou muito importante para o faturamento. Além disso, 24% a veem como mais ou menos importante, enquanto 25% a classificam como pouco importante, e 18% afirmam que o impacto da data não é relevante.

A expectativa de aumento nas vendas dos bares também reflete o crescimento no consumo de cerveja. Segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), o carnaval de 2019 registrou a venda de 1,3 bilhão de litros da bebida, representando quase 10% do total comercializado naquele ano.

Por isso, a data também é vista como uma interessante oportunidade para cervejarias artesanais, que têm preparado festividades em seus espaços e realizado lançamentos temáticos, em ações voltadas para o carnaval, como destaca o presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), Gilberto Tarantino.

“Temos várias associadas que fazem seu próprio carnaval levando grupos de samba, pagodes e blocos realizando festas fechadas com mais segurança e conforto; inclusive com acesso a banheiros. Muitos brewpubs também fazem parcerias com os blocos que passam em frente dos estabelecimentos”, lembra. “É a maior festa popular do país e cervejarias tem oportunidade de realizar estratégias e promoções de vendas antecipadas, posicionar suas marcas e mostrar nossa brasilidade”, acrescenta.

Ele ressalta a mudança nos últimos anos, com as cervejarias artesanais mais alinhadas à celebração do carnaval, o que tem potencial para impulsionar seus negócios em diversas cidades. “Há cerca de dez ou oito anos atrás as cervejarias artesanais estavam mais conectadas ao rock’n roll. Agora existe mais diversidade e essa mudança gera faturamento para cervejarias em cidades como São Paulo, que tem quase 600 blocos, mas também em Belo Horizonte, Salvador, Rio de Janeiro, Florianópolis e outras”, avalia Tarantino.

Vale também para quem não for à folia
Porém, mudanças na dinâmica de consumo durante o carnaval precisam ser observadas pelos estabelecimentos de alimentação fora do lar, como bares e cervejarias. “Aqueles estabelecimentos próximos a escritórios e com mais clientes que trabalham nas redondezas precisam prever que o movimento vai diminuir pela dinâmica do feriado mais longo, mas, no geral, bares e restaurantes são beneficiados e também podem realizar eventos privados com tarde de samba, com rodízio de petiscos, por exemplo”, comenta a analista de competitividade do Sebrae Nacional, Mayra Viana.

Além disso, nem todo mundo vai aproveitar o período festivo nas ruas. E essa parcela da população que prefere realizar o consumo residencial de cerveja durante o período do carnaval é um nicho que pode ser aproveitado pelas marcas artesanais. “Microcervejarias artesanais, distribuidoras de bebidas, empresas que oferecem chopeiras em casa devem buscar se conectar com seus clientes porque tem muita gente que vai preferir reunir os amigos em casa ou em local privado. Ter processos de delivery e divulgar promoções nas redes sociais são essenciais”, conclui a analista de competitividade do Sebrae Nacional.

Com reação no 2º semestre, produção de alcoólicas cresce 0,2% em 2023

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A produção de bebidas alcoólicas no Brasil teve crescimento modesto, de apenas 0,2% em 2023, na comparação com 2022, refletindo a tendência da atividade industrial no país, que também expandiu-se em 0,2% no ano passado, segundo dados do IBGE.

Este resultado representa uma recuperação em relação à queda de 1,9% na produção de bebidas alcoólicas em 2022 e de 0,3% em 2021. Entretanto, o crescimento de 2023 assemelha-se mais ao aumento limitado de 0,3% observado em 2020 do que à expansão significativa de 4,8% registrada em 2019.

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Apesar do crescimento modesto ao longo de 2023, a atividade seguiu em expansão em dezembro, registrando um aumento de 0,8%. Este foi o sexto mês consecutivo de crescimento, sendo a segunda metade do ano crucial para evitar qualquer retração.

“A recuperação da produção de bebidas alcoólicas e não alcoólicas iniciada no 3º trimestre de 2023 não perdeu força no final do ano, e os dados de dezembro reforçaram nossa visão de um 4º trimestre sólido, apesar das duras comparações da Copa do Mundo, especialmente em um ambiente não óbvio em que as temperaturas estiveram acima da média, mas também houve um efeito negativo devido às chuvas frequentes”, afirma a XP Investimentos, em relatório.

Avaliando o impacto dos dados do IBGE especificamente para a Ambev, a XP projeta alta nos volumes no quarto trimestre da companhia, que divulgará seu balanço em 29 de fevereiro, e desempenho ainda melhor ao longo de 2024.

“Com os dados de dezembro, nosso modelo de regressão agora está estreitamente alinhado com nossa projeção para o 4º trimestre de 2023 da AmBev de 26,734 milhões de hl (+0,5% A/A). Além disso, a atualização do modelo com dados de dezembro sugere que a AmBev poderá aumentar além dos conservadores 0,8% que projetamos para o ano”, diz.

Produção de bebidas
No geral, ao longo de 2023, a produção de bebidas alcançou um crescimento acumulado de 0,9%. Em dezembro, o IBGE relatou expansão de 3,8% em comparação a dezembro de 2022, porém, com uma queda de 2,2% em relação a novembro.

O desempenho da produção de bebidas em 2023 foi mais influenciado pelo crescimento das não alcoólicas, que tiveram alta de 1,7% no ano, sendo que em dezembro essa expansão foi de 7,2% em comparação com igual mês de 2022.

Indústria nacional em 2023
Já a atividade industrial brasileira apresentou crescimento de 0,2% em 2023, após queda de 0,7% em 2022. No entanto, apenas 9 dos 25 ramos da indústria tiveram alta, com destaque para as indústrias extrativas, produtos derivados de petróleo e biocombustíveis, e produtos alimentícios.

Entre as atividades com indicadores negativos, destacam-se veículos automotores, produtos químicos, máquinas e equipamentos, máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos.

“Quando avaliamos o ano de 2023, observamos dois períodos distintos. O primeiro semestre foi marcado por um comportamento predominantemente negativo da indústria geral, com uma queda de 0,3% no período. Já no segundo semestre, há, claramente, uma melhora de ritmo na produção industrial, resultando num crescimento de 0,5%”, afirma o gerente da Pesquisa Industrial Mensal, André Macedo.

Em dezembro, a atividade industrial brasileira cresceu 1,0% em relação ao mesmo mês de 2022 e 1,1% comparado a novembro. Este foi o quinto mês consecutivo de taxas positivas.

“Entre as atividades um dos destaques foi indústrias extrativas, que avançou 2,2% no segundo mês seguido de crescimento na produção, apoiada especialmente na maior extração de minério. O segundo destaque é produtos alimentícios, que acumulou um crescimento de 9,1% e seis meses seguidos de avanço na produção”, comenta Macedo.

Pesquisa do Guia: Impostos e carga tributária desafiam 77% das cervejarias

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Pesquisa do Guia: Impostos e carga tributária desafiam 77% das cervejarias

Os impostos e a alta carga tributária sobre a cerveja no Brasil, a inflação que encarece o processo produtivo e as dificuldades de logística são os principais desafios enfrentados pelas cervejarias do país. A informação inédita aparece na pesquisa “Principais Desafios do Mercado Cervejeiro”, divulgada pelo Guia da Cerveja, nesta terça-feira (6), em parceria com o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv).

De acordo com o levantamento, 77% das cervejarias – de todos os portes e regiões – identificaram os impostos e a carga tributária elevada como o principal desafio enfrentado. Além disso, o impacto da inflação sobre os custos de produção e a ineficiência logística também foram elencados como dificuldades para 52% e 43% dos estabelecimentos, respectivamente. 

“Este estudo busca iluminar os obstáculos pós-pandemia e explorar caminhos para o crescimento do setor cervejeiro. Esperamos que a pesquisa não apenas informe, mas também inspire ações concretas, tanto no âmbito das cervejarias quanto na formulação de políticas públicas, promovendo um futuro saudável para a indústria cervejeira”, diz Leandro Silveira, diretor de conteúdo do Guia.

Acesse a pesquisa Principais Desafios do Mercado Cervejeiro

A pesquisa ouviu 129 donos ou administradores de cervejarias das cinco regiões do país e também contou com o apoio do Sebrae e da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva). “É preocupante que a alta carga tributária seja o principal desafio para as cervejarias. O consumidor brasileiro já paga o maior imposto sobre a cerveja de toda a América Latina e vemos que isso é um problema que se espalha também para a indústria. Esperamos que a regulamentação da reforma tributária, no que tange ao imposto seletivo, traga mais razoabilidade, previsibilidade e critérios que permitam que o setor se desenvolva cada vez mais”, afirmou Márcio Maciel, presidente executivo do Sindicerv.

Desafios por região e por porte
Além da alta carga tributária, a pesquisa identificou desafios adicionais enfrentados pelas cervejarias nas diferentes regiões do país e de acordo com o porte das indústrias.   

No Sul e no Sudeste, há uma dificuldade maior para se destacar no mercado e alcançar metas, segundo 59% e 37% das cervejarias localizadas nessas regiões, respectivamente. As duas localidades abrigam a maior número de cervejarias registradas no país, segundo o Anuário da Cerveja 2022: 1.484 de um total de 1.729 cervejarias registradas no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Para 77% das cervejarias localizadas no Nordeste, o segundo desafio mais enfrentado é a ineficiência logística e de distribuição. Já no Centro-Oeste, problemas financeiros e endividamento são o terceiro problema mais citado, juntamente com a questão logística (50% para cada). No Norte, impostos e impacto da inflação estão empatados com 33%.

Em relação ao tamanho da cervejaria, os impostos e a carga tributária elevada são unânimes e considerados o principal desafio para todos os estabelecimentos, independentemente do porte. No entanto, cervejarias menores sofrem mais com os impostos e com a concorrência.

Como a indústria lida com os desafios
De acordo com a pesquisa, a indústria adota diversas estratégias para lidar com os desafios. Entre elas, estão a diversificação de fornecedores e a redução de gastos operacionais. Parcerias com bares, restaurantes e eventos são buscadas por 44% das cervejarias que desejam conquistar mais mercados.

“A indústria cervejeira no país possui uma produção quase 100% nacional e faz parte de um setor que gera mais de 2 milhões de empregos em todos os cantos do país. Os resultados desta pesquisa, além de oferecem insights valiosos para as fabricantes, destacam a necessidade de políticas que apoiem o crescimento sustentável do setor cervejeiro no Brasil”, concluiu Maciel.

Produção de lúpulo pelo Brasil salta 203% e atinge 88 toneladas; veja números

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A produção de lúpulo no Brasil teve um notável avanço em 2023, segundo dados da mais recente pesquisa anual da Associação Brasileira de Produtores de Lúpulo (Aprolúpulo). Na temporada 2022/2023, foram colhidos 88.008 quilos, representando um aumento de 203% em comparação com o levantamento anterior.

A pesquisa da Aprolúpulo também destacou salto na área total dedicada ao cultivo de lúpulo, atingindo 111,18 hectares, um crescimento de 133%. Além disso, observou-se um aumento no número de produtores envolvidos na atividade, totalizando 114, um incremento anual de 40%.

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“Foi um ano muito positivo para o lúpulo brasileiro, em diferentes aspectos. Em relação à produção, mantivemos um crescimento muito significativo tanto em área quanto em volume. A mecanização da colheita vem avançando de forma consistente, assim como a melhora dos processos de beneficiamento do produto final”, destaca, ao Guia, o vice-presidente da Aprolúpulo, Daniel Leal.

Além do aumento na produção e na área plantada, o lúpulo do Brasil tem ganhado espaço nas cervejarias do país, especialmente as artesanais. A Aprolúpulo identificou 110 cervejarias que já utilizam ou continuam trabalhando com lúpulo brasileiro, integrando os produtores à cadeia cervejeira.

“Do ponto de vista institucional, o lúpulo se aproximou e fortaleceu laços com o restante da cadeia produtiva da cerveja. Por ser um mercado ainda jovem, há muito a ser feito em diferentes frentes, mas é notável que estamos evoluindo rapidamente para organizar a cadeia, superar barreiras e acelerar ainda mais o nosso crescimento”, diz.

Os resultados refletem as iniciativas implementadas no final da década passada para impulsionar a atividade no país. Para 2024, a Aprolúpulo continua trabalhando com a expectativa de crescimento na produção de lúpulo, impulsionada por novos projetos de cultivo e pela previsão de aumento da área plantada por agricultores já envolvidos na atividade.

A entidade também espera um aumento no uso do ingrediente pelas cervejarias brasileiras, destacando a importância de avançar nos contratos entre as fabricantes e os produtores e distribuidores de lúpulo nacional. Isso proporcionaria maior segurança aos produtores e permitiria investimentos mais robustos no crescimento dos seus cultivos.

“Já vemos algo nessa direção, mas precisamos avançar mais nesse modelo de comercialização para que os produtores tenham maior segurança em relação à saída de seus produtos e possam investir ainda mais no crescimento de suas produções. Esse é um passo fundamental para o desenvolvimento sustentável da cultura, que pode, já num futuro próximo, atender consistentemente as demandas de médias cervejarias”, conclui Leal.

Dados do Cultivo de Lúpulo no Brasil (segundo levantamento da Aprolúpulo):

Área e Plantas:

  • Área total cultivada: 111,8 hectares
  • Número de produtores: 114
  • Área média por produtor: 0,98 hectares
  • Plantas cultivadas: 231.817
  • Média de plantas por produtor: 2.033 plantas

Produção:

  • Volume total de produção em 2022/2023: 88.008kg
  • Produtividade média anual por planta em 2022/2023: 379g
  • Volume total de produção na safra de verão 2022/2023: 51.525kg
  • Produtividade média por planta na safra de verão 2022/2023: 222g
  • Volume total de produção na safra de inverno 2022: 36.484kg
  • Produtividade média por planta na safra de inverno 2022: 157g

Balcão do Jayro: “Um janeiro seco é muito bom, pra ficar pensando melhor”

Balcão do Jayro: “Um janeiro seco antes do almoço é muito bom, pra ficar pensando melhor”

Escrevo este texto já na última semana de janeiro, depois de ter, enfim, experimentado um janeiro seco. Faltam alguns dias, mas tudo leva a crer que não desistirei ou, como disse o meu amigo sommelier Rafael Cheruti, não serei derrotado.  Digo “enfim”, pois prefiro ter um olhar mais cético quanto aos modos e maneiras que importamos do “mundo desenvolvido”. Olhem para o nosso clima! Janeiro está quente (cada vez mais) para diabo! E cerveja tem um poder refrescante imenso! Faria muito mais sentido termos um “Dry July”, não?

O principal motivo para aderir ao movimento é idêntico ao de Emily Robinson (para saber mais, clique aqui): performance em corrida – corro de forma regular e competitiva há mais de 15 anos. Aliás, uso o excesso de exercícios como indulgência para excessos zito-grastronômicos. De forma semelhante, também senti os benefícios fisiológicos derivados da redução do consumo de álcool: sono melhor, disposição maior, perda de peso etc. Também fui à nutricionista, que, para meu espanto (contém ironia), me pediu para mudar só absolutamente tudo.

Para além disso, também notei um fator de grande importância: a indiferença compulsiva. Explico: em seu livro “O Gosto Como Experiência”, mais especificamente no “Terceiro Acesso” do gosto, Nicola Perullo debate sobre a indiferença do paladar – os dois primeiros acessos referem-se ao prazer e ao saber. A indiferença compulsiva pode se dar, por exemplo, pela fome ou, como me identifiquei, pela abundância:

[…] por um efeito anestésico devido à extrema abundância (quantas pessoas não saboreiam mais nada porque já tiveram tudo e saborearam demais?)

O Gosto Como Experiência – p.146

Ainda no terceiro acesso Perullo nos traz o mesmo de Proust das famosas madeleines – por mais contraditório que possa parecer – e não é:

Bebo um segundo gole, em que não consigo encontrar nada a mais do que encontrei no primeiro, depois um terceiro, que me dá ainda menos que o segundo. É hora de parar, parece que a virtude da bebida diminuiu.

O Gosto Como Experiência – p.142

Lhes trago isso, meus caros, pois me identifiquei com o “piloto automático” e com a anestesia. Ainda me recordo das sensações de descobertas de novos aromas e sabores ao experimentar novas cervejas. São minhas madeleines. Mas essa pausa a que me forcei também serviu para reflexão. Não nos enganemos: sou um apaixonado pelos aromas e sabores das cervejas TANTO quanto seu poder inebriante.

Sou fã inconteste de Anthony Bourdain – apesar do ódio mortal que ele nutria por beer geeks, categoria em que já me enquadrei (não mais) durante minha jornada cervejeira. Em seu livro “Em busca do prato perfeito”, Bourdain expressa:

Eu queria mágica. Quando é que comida é mágica? Quais os denominadores comuns? Se brota de uma visão pessoal, brilhante e obsessiva, a comida pode adquirir alguns aspectos místicos. No auge os chefs gostam de se comparar a alquimistas, e muitos deles, principalmente os franceses, têm uma longa e gloriosa tradição de transformar metal vulgar em ouro. Pois o que é um simples pedaço de tripa ou de carne com osso senão metal barato? E o que é ossobuco ou um daube de carne a provençal[1] – com cada sabor e textura extraídos com talento por mãos hábeis – senão puro ouro?


[1]Carne, geralmente de segunda, marinada com vinho tinto (Côtes du Rhône), azeitonas, ervas de Provence, cenoura. Puro Ouro!

Em Busca do Prato Perfeito – p.17

Já fui parar na ilha de Creta na Grécia, no porto velho de Chania para comer bougatsa por conta dele! Eu quero mágica. Eu quero a harmonização perfeita, por mais que ela não exista. Mas, ao mesmo tempo, há de se refletir: Se Bourdain tinha o emprego dos sonhos – viajar para comer e beber – e tirou sua própria vida, há algo de muito errado por aí.

Busquemos o caminho do meio.

Saúde.


Jayro Neto é sommelier de cervejas e Mestre em Estilos, tendo sido campeão do Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas de 2019. É organizador de concursos da Acerva Paulista e juiz certificado pelo BJCP (Beer Judge Certification Program) com experiência nacional e internacional em concursos de cerveja. Também atua como conselheiro fiscal da Abracerva.

Menu Degustação: Casa das Caldeiras terá carnaval com cerveja e gastronomia

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A celebração do carnaval poderá ser com cerveja artesanal e em um ambiente histórico. A BrassBrew anunciou as atrações do CarnaBrass 2024, festividade de carnaval que acontecerá na Casa das Caldeiras, com apresentações musicais e atrações gastronômicas de 9 a 13 de fevereiro, sempre começando às 12 horas.

Já para quem prefere o rock e começa a preparar a agenda de eventos para os próximos meses, uma opção é o João Rock, que neste ano acontecerá em junho, em Ribeirão Preto (SP), e terá uma grande novidade, a Eisenbahn como sua cerveja oficial.

Em outras frentes que vão além da cerveja, a Corona está com uma ativação com escritórios itinerantes, enquanto a Heineken plantou uma microfloresta em São Paulo.

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Confira essas e outras novidades do setor cervejeiro no Menu Degustação do Guia:

Carnaval na Casa das Caldeiras
O CarnaBrass 2024 promete agitar o carnaval, em uma celebração organizada pela Brass Brew na histórica Casa das Caldeiras. A festa oferecerá quase 10 horas diárias de diversão, combinando a rica história do local com a moderna cena cultural paulistana. Além das mais de 20 cervejas artesanais da Brass Brew, os foliões poderão desfrutar de uma diversidade gastronômica, incluindo opções veganas e vegetarianas. A programação musical variada incluirá blocos como Preta Batuque, Te Amo, Mas Só Como Amigo, Nu’Interessa, Quarteto São Jorge e Samba Pros Orixás, encerrando com a apresentação da Academia de Bateria de Rua liderada por Charlie Diéf. DJs como Gugu Reis e Paulo Capelo manterão a atmosfera contagiante, garantindo que a festa continue até as primeiras horas da manhã. Ingressos estão disponíveis no Sympla. O carnaval na Casa das Caldeiras será de 9 a 13 de fevereiro, com abertura da casa às 12 horas, DJs e bandas das 14h às 18h, entrada dos blocos às 18h e fechamento à meia-noite.

Escritório itinerante da Corona
A Corona, em parceria com a WeWork, está promovendo o “Anywhere Office”, um escritório itinerante em praias do litoral de São Paulo e Rio de Janeiro, durante o verão. Essa iniciativa visa incentivar a vida ao ar livre e facilitar o trabalho remoto, atendendo à demanda por flexibilidade no ambiente de trabalho. O projeto, que reflete a tendência do “anywhere office”, permite que profissionais desfrutem da natureza enquanto trabalham, com a primeira parada sendo em Maresias (SP). O truck, equipado com ar-condicionado, wi-fi e espaços de descompressão, está disponível das 9h às 18h e pode acomodar até seis pessoas simultaneamente. A ação oferece opções de reserva prévia e na hora.

Microfloresta da Heineken
A Heineken entregou sua segunda microfloresta como parte da iniciativa Green Your City. Desenvolvida em parceria com o botânico e paisagista Ricardo Cardim, a microfloresta está localizada na Marginal Tietê, promovendo a restauração da Mata Atlântica original da cidade. O plantio, realizado por cerca de 60 voluntários em 8 de dezembro, marcou um avanço simbólico em direção a uma cidade mais verde. A Heineken se compromete a implantar 19 microflorestas urbanas no Brasil até 2030, como parte de suas metas de sustentabilidade.

Edital do Rio Pinheiros
A Heineken e a Fundação SOS Mata Atlântica prorrogaram as inscrições para o edital que busca apoiar projetos que contribuam para a despoluição do rio Pinheiros, em São Paulo. Agora, os interessados têm até 20 de fevereiro para se cadastrar. O edital busca selecionar de cinco a dez iniciativas conectadas ao rio, alinhadas a soluções baseadas na natureza e ações de mobilização, engajamento, educação ambiental e artes. O comitê, composto por representantes da Heineken, SOS Mata Atlântica, Sabesp e Pacto Global, avaliará os projetos, priorizando aqueles relacionados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU, como água potável e saneamento (ODS 6) e vida na água (ODS 14). Os selecionados receberão apoio financeiro entre R$ 50 mil e R$ 100 mil.

Inscrições no Concurso Brasileiro
O Concurso Brasileiro de Cervejas (CBC) prorrogou o prazo de inscrições de amostras até 10 de fevereiro, oferecendo às cervejarias brasileiras a oportunidade de participar do evento que acontecerá de 2 a 4 de março em Blumenau. As inscrições podem ser realizadas no site do concurso, e o evento também inclui o Festival Brasileiro da Cerveja, o SC Gourmet (voltado a novidades gastronômicas), o Congresso Internacional da Cerveja e a entrega da Comenda da Cerveja Brasileira.

Eisenbahn no João Rock
A Eisenbahn será patrocinadora oficial do João Rock, um dos principais festivais de música do Brasil, programado para 8 de junho em Ribeirão Preto (SP). Segundo a marca, a parceria ressalta o compromisso da Eisenbahn em criar experiências memoráveis, alinhando-se à proposta do João Rock, que celebra a música brasileira em diversas vertentes. O festival também contará com o camarote da Lagunitas, outra marca do Grupo Heineken.

Samba da Saruê
A Cervejaria Saruê, de Belo Horizonte, inaugura uma casa de cultura com o projeto “O Carnaval do Sambista”. O evento, que acontecerá de 9 a 14 de fevereiro, apresentará mais de 24 performances de sambistas, totalizando mais de 60 horas de música. O projeto visa promover a cultura e a diversidade musical, contando com artistas como Cinara Gomes, Rafael Soares e Michelle Andreazzi. Dirigida por Gabriel Goulart, o Bidú, a banda de instrumentistas do Saruê acompanhará as apresentações. A nova unidade Saruê, localizada no bairro Funcionários, na capital mineira, oferecerá um espaço multidisciplinar com cervejaria, coquetelaria avançada, gastronomia e estúdio multimídia para gravações ao vivo. O festival terá entrada gratuita até 15h, mediante retirada de ingressos no Sympla, com valores variando de R$ 20,00 a R$ 50,00 nos lotes subsequentes.

Blumenau no vôlei
Pelo sexto ano consecutivo, a Cerveja Blumenau apoia o Apan/Roll-on Blumenau na Superliga Masculina de vôlei. Além de estampar a camisa do clube, a marca também se destaca nos jogos realizados no Ginásio Galegão com a presença animada do mascote Capivara nos intervalos e oferecendo o seu chope para a torcida. A parceria não se limita apenas ao esporte de alto rendimento, abrangendo projetos de formação de atletas e inclusão social, como o Voleibol para a Vida, desenvolvido em colaboração com a Secretaria Municipal de Educação e Fundação do Esporte.

Pacotes de automação
A ABB ampliou seus pacotes de automação para cervejarias, lançando em janeiro a versão da tecnologia ABB Ability BeerMaker para cervejas produzidas pelo método de bloco a frio. Desenvolvida em colaboração com mestres cervejeiros, a solução permite a automação de todas as fases da produção, incluindo fermentação, maturação, manejo de leveduras, filtragem em tanques de inox e processos de limpeza in loco.

Palmeiras x São Paulo: Um duelo de cervejas na Supercopa do Brasil

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O Choque-Rei deste domingo promete ser especial e único. A 600 quilômetros da cidade dos clubes, no Mineirão, o confronto entre Palmeiras e São Paulo decidirá o campeão da Supercopa do Brasil em um estádio dividido entre as duas torcidas, que terão a oportunidade de consumir cervejas com álcool nas arquibancadas, situações que não fazem parte desse confronto há anos.

O embate entre os atuais vencedores do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil também representará um tira-teima histórico. Com 344 jogos entre os rivais paulistanos, cada um já venceu 116 vezes, com 112 empates. O ganhador não apenas sairá do Mineirão com a taça, mas também se colocará em vantagem em uma das maiores rivalidades do país.

Ciente da importância deste clássico, o Guia contou com o auxílio do sommelier de cervejas Rodrigo Sena, responsável pelo perfil Beersenses no Instagram e no YouTube, para promover um exercício lúdico sobre como as características de Palmeiras e São Paulo, e de seus principais jogadores, se entrelaçam com o universo cervejeiro.

Leia também – Filme apresenta Blumenau e retoma sonho de mapear cultura cervejeira do Brasil

Confira os duelos de estilos de cervejas que refletem as características de Palmeiras e São Paulo, bem como de seus jogadores, antes da disputa da Supercopa do Brasil:

Palmeiras x São Paulo
“O Palmeiras é um time maduro, consistente, disciplinado e com força. Assemelha-se à Weizenbock, um estilo alemão com trigo, que combina a potência de uma Bock. É encorpada, clássica, consistente e forte.”

“O São Paulo é um time talentoso, rápido, incisivo, mas não tão consistente. Lembra a Juicy IPA. Possui variedade de sabores, frutados, dos lúpulos americanos, com caráter refrescante e marcante.”

Gustavo Gómez x Arboleda
“Gustavo Gómez é um zagueiro de força e versatilidade, alternando de posição durante o jogo e até chegando ao ataque para fazer gols. Se assemelha à Belgian Tripel, uma cerveja tradicional, versátil, com sabores diversos.”

“Arboleda tem um estilo mais clássico de zagueiro. Encorpado e dominante, seria a Weizenbier, a tradicional cerveja de trigo alemã. Não tem alto teor alcoólico, mas é encorpada, com sabores presentes e um estilo clássico.”

Raphahel Veiga x Lucas Moura
“Raphael Veiga é surpreendente, não cai na mesmice, tem repertório e faz funções diferentes em cada jogo. Assemelha-se ao estilo alemão Gose, surpreendente, com notas salgadas, sementes de coentro, herbal e refrescante. Uma cerveja ácida, uma Sour, versátil e com sabores variados a cada gole.”

“Lucas Moura tem leveza, é rápido e se movimenta por todos os lados do campo. É como a Saison, um estilo belga com muitas variedades: algumas mais claras, outras mais escuras, algumas mais cítricas, outras mais condimentadas. Cervejas com presença que trazem muitos sabores, assim como o Lucas.”

Endrick x Calleri
“Na decisão da Supercopa, o Palmeiras certamente sentirá falta de Endrick, um jovem craque, marcante e com presença. A cerveja marcante, jovial e refrescante é a West Coast IPA. Aromática, seca, amarga, com muitos sabores de lúpulos americanos. Assim como Endrick, você não fica indiferente à West Coast IPA.”

“Calleri é o centroavante clássico, que faz pivô, fica centralizado e briga com os zagueiros. Assemelha-se à Extra Special Bitter, um estilo inglês, encorpado, com bastante presença de malte e marcante. Uma cerveja clássica.”

Ação da Ambev reflete desempenho da Bolsa e recua 4,73% em janeiro

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A performance da ação da Ambev em janeiro espelhou o desempenho do Ibovespa. O ativo do conglomerado cervejeiro registrou desvalorização de 4,73% no primeiro mês de 2024, após encerrar a sessão da última quarta-feira (31) cotado a R$ 13,08. Já o principal índice da Bolsa brasileira sofreu queda de 4,79%, atingindo 127.752,28 pontos.

Esse desempenho negativo ocorreu apesar da apresentação de perspectivas otimistas para a empresa, como a continuidade da recomendação de compra da ação da Ambev pelo Bank of America, que estabeleceu um preço-alvo de R$ 16. Os analistas destacaram, principalmente, a expectativa de custos mais baixos, fator que contribuiria para margens de lucro mais elevadas.

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“Esperamos que a transformação comercial da empresa continue a apoiar significativamente as margens em 2024, reforçada pelos preços firmes da cerveja, custos mais baixos e sinergias em SG&A”, afirmaram.

Ainda assim, a ação da Ambev teve desempenho semelhante ao do Ibovespa, que foi influenciado principalmente por fatores externos, como o crescimento fraco da economia chinesa, de 5,2%, abaixo dos níveis pré-pandemia, e o adiamento do início da queda das taxas de juros nos Estados Unidos.

Incluindo a Ambev, 69 das 86 ações que compõem o Ibovespa caíram em janeiro, sendo as maiores quedas de Casas Bahia (-30,67%) e MRV (-29,83%). Por outro lado, a Petrobras liderou os ganhos, com altas de 8,62% em suas ações preferenciais e de 8,16% nas preferenciais.

Fora do Brasil
No cenário internacional, na Bolsa de Nova York, a ação da Ambev também teve queda em janeiro, fechando o mês a US$ 2,62, o que representou recuo mensal de 6,3%.

Na Europa, os dois principais grupos cervejeiros do mundo tiveram resultados opostos. As ações da AB InBev caíram 1,56%, atingindo 57,51 euros, enquanto os ativos do Grupo Heineken tiveram valorização de 1,48%, alcançando o preço de 93,30 euros.

20 lançamentos realizados pelas cervejarias artesanais em janeiro

Com o início do ano, as cervejarias artesanais brasileiras brindaram os consumidores com sabores e criatividade. Janeiro foi marcado por lançamentos inovadores e ousadia na criação de cervejas, muitas delas focadas na refrescância para combinar com as altas temperaturas dessa época.

Por isso, diversos lançamentos de cervejas realizados em janeiro contaram com a presença de frutas em suas formulações, tanto em Sours quanto em IPAs. Além disso, algumas marcas, já preparadas para o carnaval, aproveitaram o período para a apresentação de novidades voltadas à folia, que já começa a tomar conta das ruas no Brasil.

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Essas novidades se unem para criar um festival de aromas e sabores no universo das cervejas artesanais. Confira uma seleção do Guia dos lançamentos de cervejas realizados em janeiro:

3Barcaças
A marca da Bahia lançou a Pitaya Hash, uma Pitaya Juicy IPA com teor alcoólico de 5,4%. Essa cerveja é resultado de uma colaboração especial com a loja Cerveja Salvador. A Pitaya Hash é uma Hazy IPA enriquecida com a presença da pitaya, Hop Hash Citra e um dry hop dos lúpulos Galaxy e Azzaca.

Bodebrown
A Bodebrown apresentou a Popeye Progressive Lager, uma homenagem à força e tradição, disponível em latas de 473ml. Essa cerveja combina os estilos German Lager e German Pilsner, utilizando dois tipos de malte e uma infusão progressiva de dois lúpulos alemães. Destacando a tradição cervejeira com a levedura bávara de baixa fermentação, a Popeye Progressive Lager é uma celebração inspirada em Popeye, o marinheiro atemporal símbolo de força, com teor alcoólico de 4,9%.

Brewstone
A Samba Session, lançamento da Brewstone para o carnaval, é uma Session IPA que combina os lúpulos Loral, Vic Secret e Mandarin Bavaria. O Loral traz um toque de ervas nobres e florais, enquanto o Vic Secret, exótico e selvagem, adiciona notas de frutas tropicais. O Mandarin Bavaria, com seu sutil toque de tangerina, completa a experiência, proporcionando doçura e leveza.

Burgman
A Serenata Tropical é o mais recente lançamento da Burgman, sendo do estilo Catharina Sour. Em sua formulação, incorpora lúpulo e malte nacional, além de uma combinação de manga e abacaxi. Tem uma acidez leve e um toque mínimo de amargor.

Croma Beer
A Croma Beer aproveitou o mês de janeiro para apresentar várias novidades ao público cervejeiro. A marca lançou a Wave Pool Max, uma Juicy IPA com 7,1% de graduação alcoólica. Essa cerveja incorpora três formatos diferentes de lúpulos, incluindo Aromahop Mosaic, Mosaic Cryo, Mosaic T90 e Galaxy T90. Uma adição extra de Riwaka eleva ainda mais o perfil lupulado, resultando em um equilíbrio entre os extremos frutados, tropicais e cítricos. Dando sequência à série 4 Billion, a 4 Billion Planets é uma Double Juicy IPA com 8,2% de álcool, oferecendo uma experiência intensa e frutada. A mistura de lúpulos Citra, Mosaic e Ekuanot traz complexidade ao sabor. O Citra adiciona notas cítricas e de toranja, o Mosaic contribui com um sabor frutado e de manga, enquanto o Ekuanot entrega um toque picante e herbal. Já a Outfield é uma Double Juicy IPA com 7,7% de álcool. A combinação de lúpulos Nelson Sauvin e Eldorado confere um sabor complexo e equilibrado. O Nelson Sauvin traz notas frutadas e de uva, enquanto o Eldorado adiciona um toque cítrico e de melão.

Ewam
A marca da Mooca, em São Paulo, apresentou mais uma criação, a Brut Sour Framboesa e Amora. Essa receita Sour combina framboesa e amora, resultando em uma cerveja leve, ácida e com uma efervescente carbonatação. Com teor alcoólico de 4,2%, seu perfil leve e ácido é complementado pela intensidade das frutas vermelhas.

Filosofia
O Eterno Retorno é a mais recente criação da Filosofia. Esta é a segunda New England IPA da marca, com um teor alcoólico de 7,2%. Segundo o descritivo, seu corpo alto harmoniza sabores maltados leves com a notável presença dos lúpulos, proporcionando um perfil que evoca frutas maduras amarelas e cítricas.

Juan Caloto
A Panaceia Dourada dos Confins do Éden foi o lançamento realizado em janeiro pela Juan Caloto. Com graduação alcoólica de 7,6%, esta Celestial Tripel Ale promete levar os apreciadores de cerveja a uma jornada sensorial única. A cerveja apresenta casca de laranja, sementes de coentro, trigo e aveia, resultando em aromas e sabores frutados, cítricos e levemente condimentados.

Koala San Brew
A série Kosmos foi a principal aposta da Koala San Brew nos seus lançamentos de cervejas realizados em janeiro. A marca de Nova Lima (MG) apresentou a Apeiron, uma New England Triple IPA com a inclusão da lupulina isolada e a utilização da levedura exclusiva KSB-01. No sensorial, há uma “explosão” de frutas tropicais, com destaque para abacaxi, maracujá, manga, bluberry e notas de frutas cítricas, além de nuances de frutas de caroço. A finalização é marcada por um toque resinoso de pinho. A Koala também lançou a Pilars of Creation, uma Triple IPA. Tem variedades australianas na lupulagem, incluindo Enigma e Eclipe, juntos ao lúpulo neozelandês Riwaka da fazenda Hop Revolution. A levedura KSB-01 também é usada na fermentação. No paladar, segundo o descritivo, é cítrica, com um toque de mandarina e complemento de toranja rosa.

Landel
A cervejaria de Campinas (SP) lançou a Saison Pé na Areia. A novidade é uma interpretação do estilo Saison, originário da escola belga, e traz uma adição de caju e abacaxi. Leve, tem aromas condimentados e frutados, além de uma sutil acidez no retrogosto. Destacando-se por uma abordagem mais leve em comparação às Saisons tradicionais, a Pé na Areia ostenta 5,1% de álcool e 30 IBUs de amargor.

Proa
A Proa Cervejaria e o Graveteiro, grupo de agricultores familiares de Uauá, interior da Bahia, uniram forças para lançar uma Catharina Sour colaborativa intitulada Sertão ao Litoral. Essa cerveja destaca-se por ser uma Sour com maracujá-do-mato, goiaba e hibisco, incorporando elementos tropicais, acidez refrescante e um toque floral. A parceria entre a Proa e o Graveteiro visa valorizar a cultura e a produção local, destacando o empenho e paixão do grupo de agricultores.

Quatro Poderes
A marca de Brasília fez um lançamento em janeiro já com foco no carnaval: a Rosa dos Ventos. É uma cerveja de trigo com pitaya rosa, com 4,9% de graduação alcoólica e disponível em latas de 473ml. A marca a define como “a porta-bandeira inigualável para abrir o carnaval”.

Stormy Brewing
A Stormy Brewing começou o ano com um trio de lançamentos. O primeiro foi a Dance of Sands, uma New England IPA com 6,8% de graduação alcoólica. Essa cerveja combina lúpulos Superdelic, Citra e El Dorado. O Superdelic é o protagonista, trazendo aromas de frutas vermelhas, manga madura e notas cítricas intensas. A novidade tem corpo médio/alto, amargor baixo, coloração amarelo palha e turbidez alta. O segundo lançamento foi a Waves on the Rocks, uma Double New England IPA com 8,3% de graduação alcoólica. Essa cerveja combina os lúpulos Nelson Sauvin, Mosaic e Cascade, resultando em um corpo alto e muito sedoso, amargor baixo, coloração amarelo palha e turbidez alta. O frescor e o frutado intenso do Nelson Sauvin, com seus tons de uvas brancas e pitanga, são a marca registrada desta cerveja. O terceiro lançamento foi a Watermelon – Edição Hortelã, uma Imperial Sour com 7,6% de graduação alcoólica. A cervejaria adicionou um toque ainda mais refrescante com a presença de hortelã, proporcionando maior frescor para enfrentar as altas temperaturas. A melancia permanece como protagonista, enquanto frutas vermelhas e hortelã garantem uma base de sabor singular. Tem coloração vermelho claro e turva, acidez baixa/moderada, corpo alto e álcool quase imperceptível.

Turatti
A Cervejaria Turatti lançou sua primeira cerveja sem álcool com um toque especial: é produzida com cuscuz, uma homenagem à tradição gastronômica do Nordeste brasileiro. Com apenas 0,5% de teor alcoólico e baixíssimas calorias, a American Lager Sem Álcool Turatti oferece uma opção leve e diferenciada para os apreciadores de cerveja. O cuscuz adiciona complexidade ao sabor, criando uma fusão única entre tradição, inovação e criatividade.

Way Beer
A Way Beer apresentou seu mais recente lançamento em janeiro: a Sour Pitaya. A cerveja destaca a exótica e refrescante pitaya, fruta típica do verão que tem conquistado a gastronomia criativa brasileira. Originária do México e ainda relativamente recente no Brasil, a pitaya equilibra um sabor suave com uma intensa coloração. A Sour Pitaya da Way reflete o rosa vibrante e translúcido da fruta, com média formação de espuma. Com baixo amargor e um teor alcoólico de 4,5%, a cerveja é refrescante. Segundo seu descritivo, o aroma cítrico característico das sours realça as notas de frutas tropicais no paladar.

Entrevista: “O movimento cervejeiro na Colômbia está prestes a explodir”

Em 14º lugar no ranking mundial de consumo de cerveja, de acordo com a edição mais recente do Relatório Global de Consumo de Cerveja da Kirin Holdings, a Colômbia detém uma fatia modesta no mercado de cervejas artesanais, que representa apenas 1% do consumo local em um total anual de 24,66 milhões de hectolitros anuais.

Entretanto, segundo o fundador da Master Beer e idealizador da Copa Tayrona, Juan Carlos Torres, esse cenário está prestes a sofrer uma significativa transformação. Em entrevista ao Guia, Juanca, como é mais conhecido, destaca que o movimento de cervejas artesanais na Colômbia está “prestes a explodir”, contando atualmente com mais de 600 projetos. Durante a conversa, ele também ressalta que as produções têm se voltado para a utilização de frutas e especiarias locais na fabricação de cerveja na Colômbia.

Contudo, Juanca adverte sobre a urgente necessidade de os fabricantes compreenderem seus objetivos e público-alvo para otimizar os resultados da cerveja artesanal, não apenas na Colômbia, mas em toda a América Latina, destacando desafios semelhantes enfrentados pelos países vizinhos.

Na entrevista, Juanca também convida as cervejarias brasileiras a participarem da próxima edição da Copa Tayrona, que ocorrerá em Santa Marta, de 12 a 18 de fevereiro, e está em fase final de inscrições. Ele enfatiza que a competição busca fortalecer a rede de profissionais cervejeiros na América Latina, considerando esse aspecto como fundamental para o segmento de cervejas artesanais.

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Confira a entrevista do Guia com Juan Carlos Torres:

Como você avalia o atual cenário da indústria da cerveja na Colômbia?
O movimento cervejeiro na Colômbia está em uma fase muito interessante. Em minha avaliação, está prestes a explodir. Há 20 anos, vimos o surgimento de três cervejarias. Há dez anos, surgiram cerca de mais 30 cervejarias, que construíram o caminho. E hoje temos mais de 600 projetos de cervejarias do país. O consumo, em comparação com a cerveja industrial, ainda é de 1%, mas consideramos que em dois anos estaremos em 2% a 3%, levando em conta que nos últimos dois anos houve muito progresso na cultura cervejeira, com um crescimento percentual maior do que em toda a história.

Quais são as principais tendências e inovações que você observa no setor cervejeiro na Colômbia?
A Colômbia é um país com muita diversidade agrícola, e hoje as inovações estão muito focadas no uso de frutas e especiarias locais. Da mesma forma, tem se trabalhado na incorporação de cervejas artesanais em modelos de negócios diferentes dos tradicionais.

Em sua visão, em que estágio a cerveja artesanal se encontra na Colômbia? Até que ponto ela pode avançar?
Estamos testemunhando a fase em que as cervejarias se profissionalizam a cada dia, com seus funcionários e fábricas fazendo a cada dia cerveja melhores. E os projetos estão muito mais estáveis e melhor pensados.

Quais são os principais desafios e oportunidades para as cervejarias, tanto na Colômbia quanto na América Latina?
As cervejarias da América Latina devem trabalhar juntas para criar a cultura cervejeira. Mas, juntos, devemos pensar em modelos de negócios e decidir se são focados em volume ou nicho, se seus negócios se concentrarão em bares de cerveja ou na distribuição em latas ou garrafas em grandes lojas, ou se chegarão ao consumidor final através de redes sociais e sites. É preciso estabelecer uma combinação na qual o equipamento que você tem na sua cervejaria te beneficia. É um grande erro você querer estar em todos os lugares. No final, ou não tem capacidade instalada nas fábricas para estratégias de volume ou as equipes e seus profissionais não estão preparados para uma estratégia B2C e o negócio não está prosperando, ou não tem capacidade logística para fazer B2B.

Como a colaboração regional pode fortalecer o setor na América Latina? Já há iniciativas positivas nesse sentido?
Considero que a camaradagem regional é muito importante para nos consolidarmos na América Latina. Não me refiro apenas a beber cerveja. Eventos como a Copa Tayrona nos permitem criar alianças e compartilhar conhecimento entre cervejeiros de diferentes países, comparar mercados, ver qual estratégia adotar. Os questionamentos de um país valem para os outros. Do lado técnico, ter feedback de qualidade é muito importante para aprimorar produtos. Por isso, convidamos cervejeiros verdadeiramente experientes e bem-sucedidos para fornecer ao participante uma avaliação verdadeiramente profissional que permita ao cervejeiro fazer melhorias em seus processos e ter cervejas que se destacam no mercado.

Como você vê o papel da Copa Tayrona na promoção da internacionalização das cervejarias latino-americanas?
A Copa Tayrona chega à sua quarta edição e se tornou a competição que mais prestigia na América Latina quem ganha uma medalha, já que existem competições excelentes em cada país, mas a Tayrona tem buscado a internacionalização do reconhecimento. As cervejarias da América Latina não perdem este evento, querem ganhar, pois são avaliadas por juízes de alto nível. Cabe ressaltar que a competição cobre todas as despesas desses juízes, garantindo a participação dos melhores e não daqueles que podem pagar por uma passagem de avião. A Tayrona busca ter um ambiente diferente, promovendo atividades focadas no que a cerveja transmite. Como digo, cerveja é amizade e fraternidade, bons momentos, alegria e felicidade. Por isso, realizamos networking cervejeiro em iates no coração da natureza, no Parque Tayrona. Reconhecemos o esforço que os cervejeiros fazem no seu dia a dia e queremos que passem dias maravilhosos num ambiente cervejeiro paradisíaco. O esforço para conquistar uma medalha na Copa Tayrona está gerando mais vendas por parte das cervejarias, mas também ajuda suas marcas a se tornarem conhecidas em outros países, num comércio cada vez mais global e com mercados itinerantes, o que se torna uma grande oportunidade expandir o seu negócio, entrar nos mercados de outros países através de colaborações ou querer fazer cerveja cigana em outros países sem o custo de investir numa fábrica.

Qual é o papel da Copa Tayrona na construção de uma rede de profissionais cervejeiros na América Latina?
A Copa Tayrona tem como objetivo compartilhar conhecimento técnico por meio de feedback e conferências sobre cerveja. Mas, acima de tudo, queremos criar relacionamentos que permitam compartilhar o conhecimento empresarial. As economias foram duramente atingidas e a concorrência é acirrada. Conhecer experiências de outros cervejeiros te faz pensar sobre o que você pode inovar e mudar no seu negócio. É mais fácil resolver um aspecto técnico ou comercial quando sua rede de contatos é mais profissional.