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Heineken tem queda de 5,6% nas vendas de cerveja no 1º semestre no mundo

O Grupo Heineken divulgou os resultados financeiros do primeiro semestre de 2023, juntamente com os dados do segundo trimestre, destacando uma queda no volume de vendas de cerveja. No período de abril a junho, houve um recuo de 7,6%, enquanto nos seis primeiros meses do ano a retração foi de 5,6%.

Nos comentários sobre os resultados financeiros, o Grupo Heineken aponta a alta dos preços, estratégia adotada durante o primeiro semestre para compensar o aumento dos custos, além do recuo nas vendas nos países da região Ásia-Pacífico como fatores fundamentais para explicar a queda nas vendas.

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Embora o crescimento de 11,8% no mix de preços tenha permitido um aumento na receita, que alcançou 17,436 bilhões de euros (aproximadamente R$ 90,98 bilhões) no primeiro semestre, representando um aumento de 6,3%, o lucro líquido registrou uma retração de 8,6%, chegando a 1,156 bilhão de euros (R$ 6,03 bilhões).

“Priorizamos e implementamos a precificação antecipada, necessária para compensar a inflação sem precedentes de insumos e custos de energia”, afirma Dolf van den Brink, CEO do Grupo Heineken, nos comentários sobre o resultado financeiro do primeiro semestre. “Este ano, antecipamos aumentos significativos nos preços, muitas vezes liderando o mercado, para compensar os níveis sem precedentes de inflação de commodities e energia, que impactaram as decisões de compra dos consumidores”, acrescenta a companhia.

O Grupo Heineken encerrou o primeiro semestre com 120,1 milhões de hectolitros de cerveja vendidos em todo o mundo (6,8 milhões de hectolitros a menos do que no mesmo período de 2022), sendo 65,3 milhões de hectolitros no segundo trimestre (em comparação com 70,4 milhões de hectolitros de abril a junho de 2022).

A maior queda nas vendas ocorreu na região Ásia-Pacífico (APAC), com uma retração de 13,2% no primeiro semestre e de 15,5% no segundo trimestre. “A demanda na APAC foi consideravelmente mais fraca do que o previsto, devido a uma desaceleração econômica e ao nosso próprio baixo desempenho no Vietnã”, diz Van den Brink.

“Um desempenho decepcionante no Vietnã e a volatilidade socioeconômica na Nigéria, afetando as decisões de compra dos consumidores, foram responsáveis por mais da metade do declínio nos primeiros seis meses”, acrescenta o Grupo Heineken, também citando os desafios encarados em um dos seus mais importantes mercados na África.

Já as Américas, após apresentarem aumento de 3,4% no volume de cerveja no primeiro trimestre, não conseguiram manter o ritmo no período de abril a junho, registrando uma queda de 5,7%. Portanto, o saldo do primeiro semestre de 2023 ficou negativo em 1,5%.

No resultado financeiro, o Grupo Heineken também revela uma queda de 6,5% no volume de cerveja premium na primeira metade do ano. Mas a marca Heineken apresentou um leve crescimento de 1,7%, chegando a 26,3 milhões de hectolitros no período. E a expansão ficou em 1,2% no segundo trimestre, com 14,2 milhões de hectolitros.

As Américas foram responsáveis pela maior parte desse volume da marca Heineken: 11 milhões de hectolitros no semestre (alta de 6,4%) e 5,6 milhões de hectolitros no trimestre (crescimento de 2,8%).

Heineken no Brasil
Em um balanço de resultados modestos para o primeiro semestre, a companhia destaca o Brasil, juntamente com China, México, Etiópia, Panamá, Portugal, Croácia e Argélia, como mercados com crescimento nas vendas da marca Heineken ao longo do primeiro semestre. Além disso, cita que a Heineken 0.0 teve uma expansão de dois dígitos nas vendas no país durante o período.

Saída da Rússia?
Mais de um ano após o anúncio do desejo de sair da Rússia, em função da eclosão da guerra com a Ucrânia, o Grupo Heineken, que não contabiliza os resultados obtidos no país em seu balanço, aproveitou a oportunidade para comentar o estágio atual da situação, afirmando não ter uma previsão sobre quando isso irá acontecer.

Embora sem citar nominalmente, a companhia faz referência ao recente caso da Carlsberg, que teve seus ativos assumidos pelo governo da Rússia após a divulgação de que havia chegado a um acordo para vender sua participação no país. A Danone também passou por uma situação semelhante.

“Acontecimentos recentes na Rússia demonstram que é ainda mais desafiador para as empresas garantir a aprovação para sair do país”, diz o grupo. “Continuamos totalmente comprometidos em deixar a Rússia, no entanto, o momento de nossa saída não está sob nosso controle”, acrescenta.

O que esperar do segundo semestre
No balanço, o Grupo Heineken atualizou suas perspectivas para 2023, apontando trabalhar com a previsão de crescimento de aproximadamente 5% no lucro. “Para o ano inteiro, esperamos um crescimento orgânico do lucro operacional estável a um dígito médio”, diz Van den Brink.

A companhia também acredita que terá uma redução nos custos de insumos, transporte, energia e água, o que reduzirá a pressão dos preços no segundo semestre e deve atenuar o recuo nas vendas de cerveja, levando a um declínio baixo de um dígito.

12 lançamentos das cervejarias artesanais em julho

O mês de julho foi marcado por diversos lançamentos das cervejarias artesanais. A Bodebrown, por exemplo, apresentou duas cervejas que fazem parte da série Safra 2023 – Gastronomia Além do Infinito, sendo que uma delas homenageia a trajetória de Samuel Cavalcanti, seu CEO. Já a Van Been trouxe quatro novos rótulos ao mercado, todos com o intuito de aquecer o inverno.

A Dádiva e Nossa Arena, por sua vez, lançaram uma cerveja em homenagem à seleção brasileira de futebol feminino e à Copa do Mundo. E a Leopoldina voltou a unir os mundos da cerveja e do vinho para apresentar duas novidades especiais.

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Confira a seguir lançamentos das cervejarias artesanais realizados em julho e selecionados pela reportagem do Guia:

3 Barcaças
A 3 Barcaças apresentou uma cerveja com 100% de lúpulos produzidos no Brasil, o Comet e o Sorachi Ace, da Brava Terra Lúpulo. A novidade foi batizada de Hops Brasilis, tendo uma base de IPA leve, turva e que traz uma imersão no terroir brasileiro com notas cítricas e frutas amarelas.

Barba Ruiva
A Barba Ruiva apresentou neste mês a Mary’s Hazy Double NEIPA. Feita com os lúpulos Stratta, Mosaic, Citra e Idaho 7, a bebida tem graduação alcoólica de 8,2%, corpo denso e aveludado, trazendo aromas tropicais de frutas amarelas e maduras. Na boca, oferece um dulçor intenso e um leve toque resinoso, segundo o seu descritivo. O rótulo foi elaborado em parceria com Matheus Oyo, do Hop Capital Beer.

Bodebrown  
Em julho, a Bodebrown lança duas cervejas que fazem parte da série Safra 2023 – Gastronomia Além do Infinito. A primeira é a Tripel Montfort edição Millésime 2023, com coloração ouro, frutados e especiarias típicas de uma cerveja belga, com notas suaves e cítricas. A bebida é uma homenagem ao cervejeiro Jacques Bourdouxhe e possui graduação alcoólica de 10% e 17 IBUs de amargor. Já a segunda é a Samuel 50 e foi elaborada para celebrar a trajetória de Samuel Cavalcanti. A cerveja é uma Strong White Ale e levou em sua receita ingredientes especiais como o malte de trigo Espelta e os lúpulos East Kent Golding EKG (inglês) e Callista (alemão). O resultado é uma bebida com 8,5% de graduação alcoólica..

Dádiva e Nossa Arena
A busca da seleção brasileira feminina de futebol pelo primeiro título da Copa do Mundo inspirou a Dádiva e a Nossa Arena na criação da Session IPA Primeira Estrela, uma cerveja feita com lúpulos americanos cítricos e frutados, com amargor levemente pronunciado. Ela possui 4,4% de graduação alcoólica e está sendo vendida em latas de 310ml. O lançamento aconteceu na Nossa Arena, a arena esportiva exclusiva para meninas e mulheres no Brasil.

Devaneio do Velhaco
A Devaneio do Velhaco lançou, em julho, a DDV Clube do Velhaco Imerso em Confusão. O rótulo é uma Double Juicy IPA com os lúpulos Strata, Vista, Idaho 7 e Chinook. A cerveja, exclusiva para quem é sócio do clube da cervejaria, tem aromas de manga, banana, cupuaçu e abacaxi, construídos em torno de uma coloração amarelo dourado e com uma intensidade alta.

Leopoldina 
A Brewine Leopoldina, marca pertencente ao Grupo Famiglia Valduga e que tem como premissa a união dos mundos da cerveja e do vinho, apresentou em julho duas novidades: a primeira é a Italian Grape Ale Pinot Noir, rótulo rosé especial que foi criado a partir do método tradicional acrescido de uma segunda fermentação, como ocorre na elaboração de espumantes. Ela é uma Brut Beer que possui graduação alcoólica de 9%. Já a outra cerveja é a Barley Wine Turfada em edição limitada. O rótulo teve quatro anos de maturação na busca pela extração máxima de sabor e aroma da turfa para apenas 600 garrafas numeradas.

Van Been 
A Van Been, cervejaria que tem sua tap house localizada no bairro Vila Mariana, em São Paulo, trouxe para este inverno quatro cervejas exclusivas. A primeira é a Wooden, uma Porter com amburana que possui 5,3% de graduação alcoólica e com aroma que remete ao cacau. A segunda é a Dutch Cake, uma Russian Imperial Stout que possui 11% de graduação alcoólica e contém em sua composição nibs de cacau e terpenos. Já a Royal Canadian Mounted é outra Russian Imperial Stout, também com 11% de graduação alcoólica, que traz em sua receita uma adição de maple syrup e uma pitada de uísque canadense. E, para finalizar, a Nassau, uma Pale Ale que traz em sua receita 100% de lúpulos brasileiros. A cerveja apresenta 5,1% de graduação alcoólica, 45 IBUs e traz os lúpulos Comet e Cascade em sua composição.

Artigo: Começamos a reforma tributária, e agora?

*Por Marcos Moraes

O intuito deste texto é apresentar uma visão um pouco mais pragmática e direta sobre os prováveis impactos da reforma tributária na vida dos brasileiros, especialmente dos empresários, com o intuito de auxiliá-los na visão estratégica para seus negócios.

A Proposta de Emenda Constitucional nº 45/2019 (PEC 45/19), que foi aprovada em 7 de julho na Câmara dos Deputados, trata-se, entendo, de um tema que dispensa comentários no tocante a sua importância e relevância para todos nós brasileiros, com destaque ao propósito de reduzir a burocracia, simplificar as obrigações acessórias para o recolhimento dos tributos e ainda a possibilidade (mesmo que remota) de reduzir a carga tributária.

Isso porque uma das maiores alterações que está se propondo (ao menos em tese até o momento) é a redução da carga tributária incidente nos produtos, e em contrapartida fala-se em uma reforma para a cobrança de tributos sobre a renda e sobre o patrimônio, que em tese reequilibrará a balança da justiça social e tributária.

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Ocorre que, fala-se “em tese”, pois até o presente momento a aprovação se deu apenas na Câmara dos Deputados da reforma sobre produto, ao qual a mudança estrutural está redefinindo alguns pilares e implantando novos sustentáculos do ordenamento jurídico tributários brasileiro, restando ainda a discussão e possíveis aperfeiçoamentos no Senado para posterior sanção presidencial para ter sua eficácia e exigibilidade, pré-datada para 2026.

Em relação aos pilares ou princípios norteadores da reforma tributária aprovada, destaca-se:

  • A não cumulatividade plena (débito e crédito irrestrito), muito diferente do sistema atual;
  • Ampla base de incidência tributária para incluir a maior quantidade de contribuintes possíveis e a implementação do “cashback” de impostos para a população de baixa renda;
  • Cálculo por fora, para não pagarmos mais tributos sobre o próprio tributo;
  • Recolhimento do tributo para o estado/município onde o bem ou serviço será “consumido”;
  • Menor quantidade de tributos e alíquotas, simplificando a burocracia e o custo Brasil;
  • Fim dos incentivos fiscais, exceto para a Zona Franca de Manaus;
  • Criação do Imposto Seletivo (IS), que incidirá sobre os bens ou serviços prejudiciais à saúde e ao meio ambiente (novidade que discorreremos mais abaixo);

A maioria desses pilares propostos na PEC 45/19 são frutos das judicializações e discussões sobre a inconstitucionalidade das leis que os instituíram, conhecido como custo Brasil pela maioria dos empresários.

Vale destacar, ainda, quatro alterações contidas na PEC 45/19 aprovada na Câmara dos Deputados e que poderão, de alguma forma, ser de interesse do setor cervejeiro:

1º) Alíquota zero do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) para produtos da cesta básica e para as pessoas físicas que desempenhem atividades agropecuárias, pesqueiras, florestais e extrativistas vegetais in natura.

Neste item 1, vislumbramos a hipótese de malte, lúpulo e demais insumos agrícolas, provavelmente, alcançarem alguma redução de custo devido à alíquota zero proposta.

2º) Redução em 60% das alíquotas do IBS e da CBS para os seguintes setores: transporte coletivo, dispositivos médicos e para pessoas com deficiência, medicamentos, serviços de saúde e educação, insumos e produtos agropecuários, atividades artísticas, jornalísticas e desportivas e bens e serviços relacionados à segurança e soberania nacional e ainda alimentos destinados ao consumo humano e produtos de higiene pessoal. Essa redução será regulamentada por lei complementar, prevendo quais produtos ou serviços terão esse benefício.

Aqui vislumbramos a hipótese de enquadramento da cerveja sem álcool como passível dessa redução, caso o governo venha a considerá-la como um alimento para consumo humano (semelhante a alguns tipos de sucos), lembrando ainda que, se não tem álcool, não deverá ter a incidência do Imposto Seletivo (IS), que pontuaremos a seguir.

3º) O Imposto Seletivo (IS) incidentes sobre os bens ou serviços prejudiciais à saúde e ao meio ambiente também será regulamentado por lei complementar, após discussões no Congresso Nacional sobre quais produtos deverão ser por ele tributados.

Neste quesito, ainda muito especulativo, fala-se que deverão ser tributados pelo IS: cigarros, bebidas alcoólicas, alimentos e bebidas ricas em açúcar, agrotóxicos, defensivos agrícolas, jogos de azar e outros produtos que possam ter alguma externalidade negativa tanto para a saúde quanto para o meio ambiente.

Neste item 3, entendo necessário a união do setor cervejeiro em defesa de uma tributação escalonada por graduação alcoólica.

4º) Regimes tributários específicos e diferenciados para os serviços de hotelaria, parques de diversão e temáticos, restaurantes e aviação regional, ou seja, a gastronomia e o turismo deverão ter algum benefício dentro dessa reforma tributária, sendo setores que interagem e estimulam reciprocamente o setor cervejeiro, podendo de alguma forma auxiliar e/ou beneficiar a cerveja.

E para que tudo isso seja colocado em prática, a PEC 45/19 prevê que a CBS e o IBS serão implementados conjuntamente, em uma transição que perdurará de 2026 a 2032, sendo que em 2026 a CBS começará a ser cobrada a uma alíquota de 0,9%, e o IBS a um percentual de 0,1%.

A partir de 2027, a CBS passará a ter alíquota cheia, quando serão extintos o PIS e a Cofins e reduzidas a zero as alíquotas do IPI, exceto para produtos que tenham industrialização na Zona Franca de Manaus.

Em 2028, ICMS, ISS e IBS vão coexistir, sem nenhuma modificação nas alíquotas dos dois tributos antigos. Entre 2029 e 2032, as alíquotas do ICMS e do ISS serão gradualmente reduzidas, à razão de 1/10 por ano, até a extinção desses impostos.

Desta forma, a migração total da tributação acontecerá somente em 2033, encerrando, assim, a tão falada reforma tributária, almejada há mais de 30 anos.


*Marcos Moraes é advogado e contador pós-graduado em Direito Tributário. Possui mais de 20 anos de experiência em consultoria e planejamento tributário em setores altamente tributados e regulamentados, como bebidas alcoólicas e tabaco.

Copa Cerveja: Pontal tem Best of Show da 1ª etapa; veja principais medalhistas

A etapa do Sudeste da Copa Cerveja Brasil confirmou a diversidade das produções da região ao definir as suas medalhistas. Na premiação, realizada na noite de sexta-feira, em Vitória, houve espaço para o brilho das cervejarias da casa, como as capixabas Três Torres e Três Santas, que conquistaram mais ouros – 3 para cada -, assim como para marcas de outros estados, como a fluminense Pontal, que levou o prêmio de melhor cerveja da disputa. E as paulistas Juan Caloto e Campinas também obtiveram resultados relevantes.

A competição é organizada pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), com a realização de etapas regionais destinadas às marcas dessas localidades. A disputa da Copa Cerveja Brasil ocorre por estilos, seguindo os padrões de guias internacionais, e o somatório dos resultados das medalhistas determina as melhores cervejarias por capacidade produtiva e perfil de atuação.

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A Campinas foi a melhor cervejaria da etapa Sudeste da competição ao faturar uma medalha de ouro, duas de prata e uma de bronze. O prêmio de melhor microcervejaria, destinada a marcas que produzem até 600 mil litros anuais, ficou com a Três Torres, de João Neiva, que neste ano já havia se destacado no Concurso Brasileiro da Cerveja, sendo a quarta melhor cervejaria entre as participantes e a melhor do Sudeste. Em Vitória, faturou três medalhas de ouro e três de prata.

O melhor brewpub foi a Três Santas, marca de Santa Teresa, que conquistou três ouros, duas pratas e dois bronzes. E a Juan Caloto foi considerada a melhor cervejaria cigana da competição, graças aos dois ouros conquistados.

A Pontal, de Nova Friburgo, teve a melhor cerveja da competição, eleita a Best of Show, a Friburgator Doppelbock. A medalha de prata foi para a Divina Rio Doce, uma South German Kristal Weizen, da Divina Beer, marca de Colatina (ES), com o bronze indo para a Kalango Premium Lager, uma Bohemian Pilsener, da Kalango, de Americana (SP). A Schwarzbier da Brotas Beer, de Brotas (SP) e a Damma, uma Barrel Aged Beer Aurora, de Venda Nova do Imigrante (ES), receberam menções honrosas.

Embora tenha sido o estilo com mais amostras inscritas – 28 -, a IPA não teve medalhistas de ouro, com o melhor desempenho sendo da Três Torres, com a prata para a Johnny IPA. Já entre os estilos brasileiros, os destaques foram as disputas entre as Catharina Sours e as Brazilian Hop Beers, cada uma com nove inscritas. E ambas distribuíram ouros, para a Soma Catharina Sour, da campineira Soma, e a La Peregrinación Para Comet Valley, da Juan Caloto.

A disputa reuniu 102 cervejarias, com 457 amostras inscritas, sendo 183 vindas de São Paulo, o estado com mais participações, segundo pelas 170 do Espírito Santo. Foram distribuídas 111 medalhas, sendo 45 de ouro, 28 de prata e 38 de bronze. A lista completa de vencedoras pode ser acessada pelo link.

A realização da etapa do Sudeste marca a retomada da Copa Cerveja Brasil, que teve duas edições, em 2018 e 2019. Todas as cervejas que conquistaram medalhas em Vitória, assim como nas demais etapas regionais, se classificam automaticamente para a final da Copa Cerveja Brasil, marcada para São Paulo. Lá, as cervejas que faturarem ouro terão direito à inscrição gratuita na World Beer Cup de 2024.

A Copa Cerveja Brasil faz parte da programação do Conexão Cerveja Brasil, evento organizado pela Abracerva que percorrerá as cinco regiões do país neste ano, até a realização da etapa final, em dezembro, na cidade de São Paulo. Além da competição cervejeira, o encontro também conta com um congresso técnico e uma festa de confraternização.

A próxima etapa do Conexão Cerveja Brasil acontecerá nos dias 17 e 18 de agosto em Salvador, palco da etapa do Nordeste. As seguintes ocorrerão nos meses de setembro, outubro e novembro em Brasília, Belém e Curitiba, respectivamente.

Festival de coletivo celebra luta da mulher negra e apresenta nova cerveja

A luta pela inclusão, a valorização das mulheres negras como profissionais do meio cervejeiro e a união entre elas inspiram a realização, pelo segundo ano consecutivo, do Festival Tereza de Benguela Cervejeiras. Marcado para este sábado, às 16 horas, no Torneira Bar, em São Paulo, o encontro terá uma programação feita por mulheres, além da venda exclusiva do chope colaborativo entre o coletivo que leva o nome do festival e a Goose Island.

O projeto Tereza de Benguela Cervejeiras conta a história de mulheres negras do mercado, com suas conquistas, tendo sido desenvolvido por Danielle Lira, sócia e fundadora do Torneira Bar, Daniele Souza, da Omi Odara, as cervejeiras Adriana Santos e Cinara Gomes e a sommelière Sara Araújo, sommelière.

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Para este ano, a programação terá a apresentação de samba de Cinara Gomes, da Cervejaria Serafina. Ela possui uma trajetória que passa por várias vertentes das artes, além da gestão de projetos culturais e cervejeiros. Além disso, o cardápio contará com a venda de acarajé da chef Solange Borges e, é claro, o chope Tereza de Benguela.

“Teremos muita cultura, cerveja e identidade para celebrar uma data tão especial em referência à líder quilombola que deu visibilidade ao papel da mulher negra na história brasileira”, destaca Danielle Lira.

Segundo ela, a reunião de mulheres negras no mercado cervejeiro era um sonho antigo. Para tirar isso do papel, o projeto buscou se associar ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e ao Dia Tereza de Benguela, ambos celebrados em 25 de julho. “A representatividade desse coletivo fortalece outras mulheres a elevarem seus negócios no setor. É como o ditado: uma puxa a outra”, afirma.

Tereza de Benguela, também chamada de “Rainha Tereza”, foi uma líder que comandou o quilombo de Quariterê, no século XVIII, e se tornou símbolo da luta da mulher negra por igualdade de gênero e raça no Brasil. E essa atuação impulsiona o trabalho do coletivo por espaço, respeito e reconhecimento dentro do setor para as mulheres negras.

“É fato que a jornada empreendedora é desafiadora, e cabe dizer que ainda enfrentamos desrespeito e desvalorização dentro do mercado cervejeiro. É comum e recorrente questionarem se sou a ‘dona do bar’. Por isso, na maioria das vezes, vemos mulheres se unindo para enfrentar essas situações, através de confrarias, palestras e projetos empoderadores. Assim, juntas, nós podemos confrontar esses cenários”, comenta a fundadora do Torneira Bar.

Red Ale colaborativa
Entre as principais atrações do evento deste ano está o rótulo feito em colaboração entre o coletivo Tereza de Benguela e a Goose Island. A cerveja é uma Red Ale com ameixa seca e baunilha Kalunga.

A escolha do estilo – o Red Ale – foi motivada pelo período que foi lançado, o inverno, assim como por permitir harmonizações. Mas há uma outra razão, que se conecta com a luta do coletivo. “É muito comum ouvirmos no mercado que mulheres não fazem cervejas complexas. Desejamos mostrar que o mercado está equivocado”, destaca o Tereza de Benguela Cervejeiras.

A novidade possui uma base maltada, sendo uma cerveja equilibrada, com um perfil que apresenta notas de pão, biscoito, camadas de caramelo e toffee. Adjuntos como baunilha e ameixa complementam a base da Red Ale.

Já a vontade de trabalhar com frutas e especiarias levou à escolha da ameixa. Por sua vez, a baunilha Kalunga é uma especiaria cultivada há décadas pelo Quilombo Kalunga do Vão Moleque Cavalcante, em Goiás.

“O nome do nosso projeto é uma homenagem a uma heroína quilombola e, por isso, pensamos que seria uma justa homenagem produzir uma cerveja cuja representação da história dosquilombos estivesse presente nos ingredientes”, completa o coletivo.

Menu Degustação: 3 anos da Soma e 10 da Landel, Bud em promoção na Copa…

Ficando em casa ou saindo, o público cervejeiro terá várias opções para se divertir nos próximos dias. O fim de semana, por exemplo, será de celebração do aniversário de duas cervejarias importantes do setor, a Soma, em São Paulo, e a Landel, em Campinas.

No caso da Soma, quem for ao brewpub da marca no sábado e no domingo, além de festejar o aniversário de três anos de atividade do espaço, poderá pagar apenas R$ 3 por chope. Já para quem prefere uma promoção dentro de casa, pode aproveitar a Copa do Mundo feminina para pagar mais barato na Budweiser pelo aplicativo do Zé Delivery.

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Confira essas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Aniversário da Soma…
A Soma Cervejaria comemora seu aniversário de 3 anos com festividades nesse fim de semana. Seu brewpub, no bairro de Moema, em São Paulo, sediará uma programação especial neste sábado e domingo (29 e 30), oferecendo música ao vivo, degustação de cervejas artesanais, gastronomia e diversão para a família, incluindo os pets. Além disso, os visitantes poderão saborear chopes a partir de R$ 3,00 durante todo o evento. A celebração do aniversário da Soma contará ainda com visitas guiadas à fábrica, onde os entusiastas da cerveja poderão apreciar diferentes estilos por meio de uma régua de degustação.

…e da Landel
A Cervejaria Landel, de Campinas, comemora seus 10 anos de vida com a festa “Odisséia Vira-Lata” no Espaço 301. O evento acontece no próximo sábado (29), das 14h às 22h, e contará com 22 estilos cervejeiros nas torneiras, além de opções gastronômicas. A festa terá também a presença de bandas, DJ, lounge para relaxar, jogos de fliperama e flash tattoo. Os participantes poderão escolher entre quatro tipos de passaportes, cada um com diferentes quantidades de doses de cervejas para apreciar.

Samba do Holandês
A Van Been Tap House, localizada no bairro Vila Mariana, em São Paulo, receberá mais uma edição do “Samba do Holandês”, evento que celebra a música brasileira com foco no icônico gênero musical. A festa acontecerá no domingo (30), a partir das 15h, e contará com uma roda de samba composta por membros do Smoke Fever, casa de carnes parceira localizada na área externa da Van Been. O espaço oferece uma variedade de cervejas artesanais produzidas internamente, incluindo a recém-lançada Pale Ale Nassau.

Dia do Amigo pet
O Cabana Burger e a Lagunitas se uniram para comemorar o Dia do Amigo de forma inusitada, homenageando os cachorros, o “melhor amigo do homem”. O Cabana Pet Festival, realizado em parceria com a ONG Amigos de São Francisco, acontecerá no MIS em São Paulo, no sábado (29), das 10h às 17h. O evento gratuito reunirá comida, cerveja, música e animais de estimação, contando também com uma feirinha de adoção para os cães e gatos resgatados pela instituição. O objetivo é celebrar a amizade entre humanos e seus pets e proporcionar oportunidades de adoção para os animais abrigados pela ONG.

Rock com cerveja
O projeto Divino Rock vai unir cerveja artesanal e rock and roll em um evento musical em Belo Horizonte. A primeira edição ocorrerá neste domingo (30), no Ô Divino, com a banda Putz Grilla apresentando sucessos do rock nacional dos anos 1980 e 1990. O evento contará também com o projeto Duo Rock, de Saulo Wolf e Marcelo Cunha, além da banda The Boys e do DJ Roger Tausz nos intervalos. Os 100 primeiros a chegarem ganharão um chope Pilsen de 500ml da Cervejaria Loba, que patrocina o evento.

AmbevTech na PerifaCon
A PerifaCon, a primeira convenção nerd das favelas, terá a terceira edição em São Paulo, e a Ambev Tech, hub de tecnologia da Ambev, é uma das patrocinadoras do evento. Além de apoiar a convenção, a Ambev Tech oferecerá um workshop gratuito com dicas de apresentação pessoal e de negócios para os participantes. O objetivo da iniciativa é mostrar formas estratégicas de alcançar novos públicos, impulsionar a carreira ou negócio. O evento, que busca democratizar o acesso à cultura e inovação, ocorre no Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo, neste domingo (30), e espera receber mais de 15 mil visitantes. O workshop será ministrado por Marcos Medeiros, gerente de comunidade da Ambev Tech, e contará com a apresentação de Lucas Manoel, engenheiro de dados da companhia, que compartilhará sua trajetória profissional.

Porta dos Fundos e as retornáveis
A Ambev e o Porta dos Fundos se uniram em uma parceria para incentivar o consumo de garrafas retornáveis como uma opção mais sustentável. Em uma esquete intitulada “Ativismo”, o canal mostra os benefícios ambientais trazidos pelo hábito de escolher garrafas retornáveis. A Ambev possui o objetivo de ter 100% de seus produtos em garrafas retornáveis ou feitas com conteúdo reciclado até 2025, e a parceria com o Porta dos Fundos visa aumentar a conscientização sobre a importância desse tipo de consumo mais sustentável.

Bud e Zé Delivery na Copa
A Budweiser e o Zé Delivery se uniram para incentivar a torcida brasileira a acompanhar os jogos da Copa do Mundo Feminina. A parceria oferece descontos no aplicativo de bebidas, permitindo que os torcedores garantam uma Budweiser gelada para celebrar a seleção brasileira. Basta escanear os logos da Budweiser que aparecerem durante as transmissões dos jogos ou em outras ocasiões para receber um cupom de desconto no Zé Delivery. A ação acontece até o final da competição.

Campanha dos 150 anos da Heineken
A Heineken celebra seus 150 anos com uma campanha que destaca as diferentes formas de pronunciar e escrever o nome da marca, conectando-se aos consumidores. O filme da campanha, desenvolvido pela agência Le Pub Milan, estreou na TV Globo, apresentando momentos descontraídos em que a marca é apreciada em diversas ocasiões do cotidiano. Além disso, a Heineken realiza outras ações, como mudar temporariamente o nome para “Haignen” e enviar garrafas personalizadas para consumidores com nomes semelhantes à marca. A celebração dos 150 anos continuará com outras iniciativas ao longo de 2023, incluindo o patrocínio do festival de música The Town em setembro.

Consumo responsável em Campos do Jordão
Durante o Festival de Inverno de Campos do Jordão, o programa Saber Beber, do Grupo Petrópolis, busca conscientizar o público sobre o consumo responsável de bebidas alcoólicas. Através de uma blitz nas proximidades do Parque Capivari, mais de 70 mil garrafas de água serão distribuídas aos visitantes, enfatizando a importância de beber com sabedoria e respeitar os limites individuais. A iniciativa também destaca a necessidade de se manter hidratado e não dirigir após consumir bebidas alcoólicas. A blitz se estenderá a supermercados, bares e hotéis da cidade, visando promover uma cultura de consumo responsável e consciente na comunidade.

Setor prepara proposta de CNAE específico para cervejas artesanais

O setor de cervejarias artesanais começa a estruturar uma proposta para a criação de uma subclasse da CNAE, a Classificação Nacional de Atividades Econômicas, dedicada a esse segmento. A expectativa é de que essa nova classificação abra caminho para a adoção de uma taxação diferenciada, mais alinhada com a realidade, necessidades e demandas do setor.

A proposta foi apresentada durante a etapa Sudeste do Congresso Cerveja Brasil, realizado em Vitória na última quarta-feira (26), promovido pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), sendo um evento que percorrerá o país até o final do ano.

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O plano de criar um CNAE específico para cervejarias artesanais é liderado pela própria Abracerva e foi apresentado pelo advogado tributarista Marcos Moraes. “A ideia com um CNAE específico é aproximar a lupa. Classificar como fabricação de cerveja deixa todos no mesmo balaio. É preciso separar o joio do trigo”, defende.

Durante sua apresentação, Moraes citou o exemplo dos fabricantes de produtos de panificação, que têm subclasses distintas para a panificação industrial e para padarias e confeitarias com produção própria.

“As grandes cervejarias e as cervejarias artesanais praticam atividades econômicas semelhantes, o que é uma razão para estarem no mesmo CNAE, mas há discrepâncias envolvendo tecnologias e a sua aplicação, assim como nos seus processos”, diz.

A criação de um CNAE específico para cervejarias artesanais pode possibilitar o aprimoramento de políticas públicas voltadas a esse segmento, fortalecendo a demanda por uma tributação diferenciada em comparação com as grandes indústrias. Isso se tornaria viável através de uma avaliação mais embasada das características únicas desse setor.

Embora a proposta tenha sido apresentada, ainda não foram definidas especificações sobre como essa nova classificação será implementada, o que deverá ser debatido nas próximas semanas, podendo envolver critérios como volume de produção ou faturamento.

Além dessa proposta, Moraes também abordou durante o congresso da Abracerva a possibilidade de alteração do regime de Substituição Tributária de ICMS para o segmento de cervejas artesanais, bem como falou sobre dados de mercado e a sua visão sobre a proposta de reforma tributária.

Artesanais no varejo e outros temas
Em outro momento do congresso, a eChope, uma rede de varejo de bebidas, mostrou interesse em incluir cervejas artesanais em seu portfólio de bebidas oferecidas. Atualmente, a eChope possui acordos com o Grupo Heineken e a Coca-Cola, e pretende abrir espaço para microcervejarias nas cidades onde atua.

Uma das patrocinadoras do Conexão Cerveja Brasil, a eChope contabiliza, hoje, 71 operações em 12 estados, atuando com lojas físicas e online. “Queremos abrir a possibilidade de ter esses produtos nas lojas da eChope”, afirma Vitor Grecco Wagner, CEO da rede de varejo.

“A ideia é optar por qualidade, com as premiações da Copa Cerveja, e abrangência, ajudando a dar mais força na presença e distribuição em suas cidades”, acrescenta. “No estado de São Paulo temos 30 lojas. Imagine ter as melhores cervejas da cidade de São Paulo nas 12 lojas da echope da capital?”, exemplifica.

O evento também abordou temas como mercado, posicionamento e marketing para cervejarias, inovação no desenvolvimento de produtos e a importância dos eventos cervejeiros como estratégia de vendas.

O congresso marcou o início das atividades do Conexão Cerveja Brasil, um circuito itinerante promovido pela Abracerva que percorrerá as cinco regiões do Brasil até dezembro, quando acontecerá a etapa final na cidade de São Paulo. Durante o encontro, também será realizada a premiação da Copa Cerveja Brasil em suas etapas regionais, com a cerimônia de premiação em Vitória marcada para a próxima sexta-feira (28).

Entrevista: “Vemos procura em alta por embalagens visualmente atraentes”

A variedade na oferta de estilos ao consumidor, uma das marcas do segmento de cervejas artesanais, também começou a ser buscada com mais intensidade no momento de envase das produções em embalagens, se tornando uma das tendências do setor. A avaliação foi apresentada em entrevista ao Guia por Riccardo Mosconi, gerente de contas do segmento de cervejas na Verallia, uma das principais fabricantes de garrafas de vidro do mundo.

Com a experiência de quem lida diariamente com as cervejarias, Mosconi avalia que o setor de artesanais tem buscado diversificar o uso das garrafas muito além da tradicional opção âmbar. E destaca que a Verallia, com investimentos recentes, com a inauguração de um novo forno na sua fábrica em Jacutinga (MG), tem conseguido acompanhar as novas tendências em embalagens.

Citando a produção flexível, o atendimento ágil e os lançamentos de novos produtos, Mosconi avalia que esses pilares têm sido fundamentais para o crescimento da participação da Verallia no segmento, dobrando, de acordo com suas estimativas, a participação nesse mercado de 2022 para 2023.

Essa expansão também tem acompanhado a retomada de lançamentos do segmento de artesanais, que ficaram estagnados nos principais momentos da pandemia, e vem apresentando crescimento, de acordo com os dados oficiais, desde o ano passado, indicando a reação de uma parcela do segmento, algo que também tem sido percebido pelo executivo, citando a maior procura das cervejarias pelas soluções ofertadas pela Verallia.

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Confira a entrevista do Guia com Riccardo Mosconi, gerente de contas do segmento de cervejas na Verallia:

Nas últimas 3 edições do Anuário da Cerveja, o crescimento do número de registros de cervejarias ficou entre 11% e 14%. Atuando no atendimento a esse setor, como você avalia esse resultado?
Na verdade, existem duas interpretações para esse resultado. Em primeiro lugar, acredito que seja um crescimento orgânico. Acreditamos que ainda há muito espaço para crescer além do que já foi alcançado. No entanto, as adversidades próprias do país reduzem essa perspectiva de crescimento. Dificuldades com questões tributárias, juros altos e o endividamento das famílias acabam deixando empreendedores um pouco hesitantes, apesar do enorme potencial do mercado. Eles reconhecem que as dificuldades de empreender no Brasil são consideráveis. Na minha opinião, os números estão conectados e convergem devido ao potencial versus a realidade do Brasil. Considero que há um enorme potencial de mercado, especialmente o segmento premium, que é voltado para experiências sensoriais.

Após um tombo histórico em 2021, quando cresceu apenas 5,2%, o número de registro de novos produtos cresceu 19,8% em 2022. A Verallia conseguiu perceber essa demanda por novos produtos? O que representa esse número?
Isso é algo que sentimos na prática. Quando as cervejarias querem desenvolver novos produtos, a primeira coisa que fazem é nos procurar perguntando: “Que garrafa você indica para esse projeto?” O interessante é que muitos desses novos produtos acabam utilizando as nossas garrafas. Em 2020, tivemos uma percepção de que a maioria dos produtos usou outras embalagens, mas estamos focados agora em aumentar o desenvolvimento de novos produtos usando nossas garrafas, pois percebi que houve uma migração para outras embalagens no ano passado. Tivemos menos desenvolvimento de novos produtos, muito provavelmente devido aos problemas que mencionei anteriormente. Mas este ano, senti essa retomada de forma mais expressiva. Estamos envolvidos em fornecer novas embalagens para os clientes, algumas delas ainda não posso revelar, mas é muito legal ver nosso portfólio se expandindo. Isso se deve ao aumento do número de pessoas nas cervejarias que estão trabalhando no desenvolvimento de novos produtos e buscando embalagens exclusivas e atrativas. Atualmente, temos mais confiança em nossa capacidade de atender a essas demandas, o que mudou a percepção do mercado em relação ao nosso atendimento e suprimento. Antes, as cervejarias tinham receio de lançar novos produtos, pois poderiam enfrentar problemas de falta de embalagens, mas hoje conseguimos oferecer mais segurança e confiabilidade no abastecimento. Nossos clientes têm mais tranquilidade ao lançar novos produtos e podemos fornecer o suporte necessário, mostrando as opções de embalagens disponíveis e oferecendo todo o atendimento necessário.

Quais tendências a Verallia têm enxergado para o setor?
Temos observado uma forte migração para as cores verde e branca no vidro. Anteriormente, quase 100% das embalagens eram de vidro âmbar, até pela garantia de uma excelente qualidade ao produto. No entanto, nos últimos tempos, temos notado uma grande mudança em direção ao uso de vidro verde e branco, especialmente com o intuito de transmitir uma imagem mais atrativa. Atualmente, as cervejarias buscam embalagens que não apenas preservem a qualidade do produto, mas também sejam esteticamente agradáveis, permitindo que os consumidores compartilhem suas experiências nas redes sociais, como o Instagram. Essas tendências mostram que, apesar da preocupação com o sabor e a qualidade, há uma crescente demanda por embalagens mais visualmente atraentes, como o vidro verde esmeralda e o branco.

E como a Verallia tem buscado se adaptar a essas tendências?
Nossa empresa se tornou extremamente flexível no que diz respeito às tendências do mercado, tanto que antes nossas embalagens eram predominantemente na cor âmbar para microcervejarias. No entanto, agora trabalhamos com três opções: âmbar, branco e verde esmeralda. Essa mudança nos permitiu ter uma maior variedade de produtos para atender as demandas dos clientes. Claro, isso requer um planejamento de produção mais cuidadoso e ajustes precisos em nossa linha de produção, mas estamos comprometidos em atender nossos clientes de forma eficiente. Hoje, na fábrica de cerveja, somos capazes de produzir embalagens em três cores distintas, o que torna tudo muito mais fácil e vantajoso para o mercado em constante mudança.

Como a inauguração do novo forno de Jacutinga ajuda a Verallia a lidar com as novas tendências?
Em primeiro lugar, essa expansão traz melhorias na capacidade de atendimento, garantindo que os clientes não enfrentem problemas de desabastecimento. Além disso, o novo forno proporciona maior flexibilidade à Verallia. Agora, a empresa tem a capacidade de fabricar tanto embalagens verdes quanto brancas, o que permite responder prontamente às preferências dos clientes e às mudanças nas tendências de mercado.

Como a Verallia avalia o primeiro semestre no setor cervejeiro?
Está sendo um ano muito volátil, incerto e complexo. Os três primeiros meses foram bons, aproveitando a onda do final de 2022, com demanda enorme e oferta menor. Mas os grandes eventos impactaram bastante no mercado de cerveja. Primeiro houve as chuvas. No carnaval, choveu demais no Brasil, inclusive com catástrofes, só havendo bom consumo no Nordeste. E as cervejarias acabaram fazendo muito estoque para esse período, então o segundo trimestre acabou sendo mais fraco. Aliado a isso, vemos uma possibilidade de recessão, com endividamento alto das famílias e migração para embalagens mais baratas, o que afeta o vidro. Acredito que isso seja passageiro e irá melhorar ao longo do segundo semestre, ainda mais que a sazonalidade da cerveja é muito forte.

Agora falando mais especificamente do mercado de artesanais e do atendimento da Verallia a esse segmento, que avaliação você faz da primeira metade de 2023?
Crescemos muito, mais do que dobrando nosso atendimento de 2022 para 2023 nas microcervejarias. Hoje, o segmento representa 10% do nosso mercado total de cervejas. Estamos muito focados nesse mercado, fazendo várias ações com parceiros e buscando participar de todos os eventos, mostrando que somos parceiros. E isso vem dando muito fruto. Estamos conquistando clientes que não eram da Verallia e aumentando os pedidos daqueles que já tínhamos nesse mercado. Acreditamos que o segundo semestre possa ser muito melhor.

Como a Verallia está se preparando para o restante do ano?
A Verallia possui uma produção altamente flexível e está preparada para atender a qualquer demanda de última hora. Buscamos atender mesmo sem um pedido prévio, caso seja necessário. Além disso, com as turbulências e mudanças no atendimento das grandes cervejarias, redirecionamos nossos esforços para um atendimento ainda melhor às microcervejarias. Estamos lançando novidades em nosso portfólio para atender sempre às necessidades do mercado. Buscamos ser competitivos e oferecer garrafas que se alinhem com as tendências atuais. Esses três pilares – produção flexível, atendimento ágil e lançamentos de novos produtos – compõem a estratégia que adotamos para nos preparar para o restante do ano. Nosso objetivo é estar bem preparados para enfrentar os desafios e oferecer produtos de qualidade e que satisfaçam as necessidades de nossos clientes.

Comunidade e funcionários buscam salvar Anchor, mais antiga artesanal dos EUA

Após o anúncio do encerramento das atividades da icônica marca californiana Anchor Brewing, considerada a mais antiga artesanal dos Estados Unidos, a comunidade local e seus próprios funcionários têm se unido em uma série de iniciativas para garantir a sua continuidade, buscando salvar a renomada cervejaria.

Uma das ações para tentar salvar a Anchor Brewing, que pertence à multinacional japonesa Sapporo, foi o lançamento do site “Raising the Anchor”, no qual apaixonados pela marca podem se envolver. A iniciativa é liderada por Mike Walsh, um investidor financeiro com participação em mais de 200 empresas.

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Morador de São Francisco, ele afirma que procurou investidores em potencial e diz ter encontrado quase 30 interessados em se juntar a ele para a realização de uma oferta pela Anchor, de acordo com declarações reproduzidas pelo San Francisco Chronicle.

“Eu definitivamente tenho interesse suficiente e acesso a capital para fazer uma oferta competitiva para que possamos comprá-la. Tem sido muito emocionante. Na verdade, muito emocional também. Eu não esperava ter essa explosão de interesse”, diz.

“Vivendo em Potrero Hill por 30 anos, passei muitos dias na Anchor Taps com amigos e familiares assistindo aos Warriors, Giants e 49ers, e bebendo Steam Beer. Minha decepção foi rapidamente substituída por entusiasmo, pois adoraria estar envolvido com a marca como proprietário. Fiquei chateado ao saber que a Sapporo comprou a empresa em 2017, porque adoraria reunir um grupo de investidores para comprar a empresa”, acrescenta.

Em outra ação, o presidente da Narragansett Brewing, Mark Hellendrung, lançou uma petição online que busca salvar a Anchor. No texto de apresentação da iniciativa, ele lembra que a sua cervejaria, fundada em 1890, passou por desafios semelhantes, pois enfrentou graves problemas financeiros, mas conseguiu sobreviver, sendo adquirida por um grupo de investidores de Rhode Island. Hoje é a 27ª maior cervejaria artesanal do país.

“Há 18 anos, nossa comunidade se uniu e forneceu apoio inabalável para ressuscitar nossa amada empresa. Hoje, estamos convocando todos os entusiastas e apoiadores da cerveja artesanal a fazerem o mesmo por uma colega pioneira no setor, a Anchor Brewing Company”, diz. “Ser um bom vizinho não é apenas existir lado a lado; trata-se de ficar ombro a ombro em tempos de adversidade. Agora temos a oportunidade de mostrar nosso apoio e ajudar a salvar esta cervejaria icônica”, acrescenta.

O executivo da Narragansett Brewing também está em contato com Walsh, buscando alternativas conjuntas. Hellendrung afirma que criou sua iniciativa com a intenção de unir a comunidade cervejeira em torno do objetivo de salvar a Anchor e apontou a possibilidade de criação de um financiamento coletivo para comprá-la.

A Anchor foi adquirida em 2017 pela multinacional japonesa Sapporo por US$ 85 milhões (aproximadamente R$ 402 milhões, na cotação atual). Ao anunciar a decisão de encerrar suas atividades, explicou que seus funcionários cumpririam um período de aviso prévio de 60 dias. Além disso, relatou que venderia seu estoque restante, o que inclui a edição de 2023 da Christmas Ale, a sua cerveja de Natal, que havia começado a ser produzida antes da decisão de fechar as portas.

Esforços dos funcionários da Anchor
Avisados do iminente encerramento das atividades da Anchor, seus funcionários também decidiram agir. De acordo com informações do VinePair, site especializado em bebidas alcoólicas, o sindicato que representa os trabalhadores da cervejaria informou à Sapporo USA que eles gostariam de adquiri-la, a administrando como uma cooperativa.

“Tudo o que queremos é uma chance justa de poder continuar fazendo nosso trabalho, fazer a cerveja que amamos e manter esta instituição histórica aberta”, afirma Pedro de Sá, membro do sindicato que representa 40 trabalhadores da Anchor.

Os funcionários citam a grande identificação com a marca como fator que os motiva a buscar uma saída para a continuidade da cervejaria. “A maioria de nós que trabalha aqui nasceu e cresceu aqui. Trabalhamos aqui porque amamos e crescemos com a Steam Beer”, acrescenta o delegado sindical da Anchor Brewing Union, Patrick Machel.

Anteriormente, os responsáveis pela Anchor relataram, também, que falharam na busca por um comprador antes da decisão de fechamento da cervejaria. Agora, porém, caso alguma dessas tentativas dê certo, a Anchor reviverá uma história parecida com a de 1965, quando Fritz Maytag adquiriu o controle acionário da companhia em ruínas, liderando-a para se tornar a principal representante da revolução das cervejas artesanais nos Estados Unidos.

Backer faz acordo com MP para indenizar vítimas de contaminação; veja valores

O Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) e a Cervejaria Três Lobos, responsável pela marca Backer, firmaram um acordo de indenização às vítimas dos casos de contaminação que ocorreram há mais de três anos e meio. Dez pessoas morreram e várias outras ficaram com sequelas em função do consumo de cervejas com dietilenoglicol.

De acordo com o acordo firmado entre as partes, a Backer pagará indenização de R$ 500 mil por vítima da contaminação. Além disso, será realizado o pagamento de mais R$ 150 mil para cada familiar de primeiro grau dos contaminados.

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A Backer também deverá fazer outros pagamentos como forma de indenização. Ao admitir ter causado danos patrimoniais individuais, a empresa pagará um valor correspondente ao último salário recebido pela vítima antes da contaminação, nos casos em que ela não puder voltar a trabalhar. Além disso, cobrirá todas as necessidades médicas e afins, desde o primeiro dia de internação até a conclusão de todo o tratamento.

No acordo, a Backer reconheceu a procedência do pedido de condenação por danos morais e sociais coletivos. Dessa forma, também pagará R$ 1,5 milhão ao Fundo Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor.

Para Fernando Abreu, promotor de Justiça de Defesa do Consumidor, o acordo firmado foi positivo para as vítimas, uma vez que o valor de R$ 500 mil era o solicitado pelo MP-MG, com a Backer reconhecendo integralmente a procedência do pedido.

“O prosseguimento do processo poderia levar, no máximo, ao resultado obtido no acordo em relação aos danos pessoais e patrimoniais, motivo pelo qual sua importância se torna evidente, garantindo o direito daqueles que assim desejarem”, diz. “O acordo assegura, na íntegra, o direito ao pagamento das indenizações, único meio existente para reparar o dano”, acrescenta.

O acordo entre a Backer e o MP-MG encerra a ação civil pública, que vinha sendo movida pela promotoria em busca de indenização por dano material às vítimas do caso. No pedido de homologação, protocolado na 23ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte, a empresa reconheceu todos os pedidos formulados na ação.

A lista de vítimas a receberem indenização da Backer ainda está em fase de definição. Segundo a promotoria, nove pessoas foram confirmadas como vítimas da contaminação pelo MP-MG e podem aderir ao acordo – essa opção é facultativa, e as supostas vítimas podem optar por ingressar com ações individuais.

“No âmbito da ação civil pública, temos 15 pessoas, sendo nove de fato reconhecidas e aptas a aderir ao acordo. Uma foi afastada pelas perícias judiciais e do MP-MG. Para outras cinco, há dúvidas para afirmar ou negar”, explica o promotor.

Para garantir o pagamento das indenizações, a empresa Empreendimentos Khalil Ltda, de propriedade da família dos mesmos donos da Três Lobos e também arrolada no processo, realizará a venda de 244 lotes localizados no município de Perdigão (MG).

“A existência de uma garantia de terceiro, não vinculado à relação de consumo que deu origem ao evento, nos traz uma maior segurança diante da situação de recuperação judicial da empresa originalmente ré”, afirma Abreu. “Se em um ano, prorrogável por mais 180 dias, não houver solução, a empresa assume a obrigação de transferir esses 244 lotes para a associação das vítimas”, acrescenta.

Relembre o Caso Backer
Os casos de contaminação das cervejas da Backer começaram a ser descobertos nos primeiros dias de 2020, quando várias pessoas foram internadas com intoxicação, tendo em comum o consumo de rótulos da marca, principalmente da Belorizontina.

Posteriormente, a investigação da Polícia Civil apontou que a contaminação das cervejas por monoetilenoglicol e dietilenoglicol ocorreu devido a um vazamento no tanque da fábrica.

O caso provocou a abertura de dois processos contra a Backer, um na esfera cível, cobrando o pagamento de indenizações às vítimas e seus familiares, que agora será extinto em função do acordo firmado com o MP-MG, e outro na esfera criminal.

Em outubro de 2020, o MP-MG apresentou denúncia contra 11 pessoas pelos casos de contaminação, sendo que uma delas já faleceu. As testemunhas de acusação e defesa já foram ouvidas, mas o agendamento dos depoimentos dos acusados ainda não aconteceu.

Fora do âmbito da Justiça, as cervejas da Backer voltaram a ser produzidas e vendidas. No entanto, a Três Lobos, responsável pela marca, entrou com um pedido, que foi aceito recentemente, de recuperação judicial, devido às suas dívidas, no valor de R$ 55,4 milhões.