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Réveillon impulsionará faturamento de bares do litoral em até 40%

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A celebração do réveillon tem o potencial de impulsionar significativamente o faturamento de bares e restaurantes, especialmente nas cidades litorâneas do Brasil, que se tornam destinos preferenciais durante esse período festivo. Um levantamento realizado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) revela que o aumento nas vendas pode atingir até 40%.

No Rio de Janeiro, conhecido pela sua tradicional festa de réveillon que lota a praia de Copacabana, a expectativa é que o faturamento dos bares cresça entre 30% e 40%, em comparação com uma quinzena comum.

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Essa tendência de alta nas vendas também se reflete em outras capitais litorâneas do Brasil. Em Salvador, espera-se um crescimento entre 10% a 15% em relação ao réveillon anterior, com um aumento de 30% nas receitas dos bares em comparação com uma semana típica.

Para Recife, a previsão é de uma expansão de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior, com um crescimento de 15% comparado a uma semana comum. Já em Fortaleza, os bares devem manter um faturamento semelhante ao réveillon de 2022 para 2023, mas com um aumento de 20% em relação aos meses que antecedem o período festivo.

“O réveillon é uma data importante para o setor de bares e restaurantes, pois traz consigo uma expectativa de aumento significativo no faturamento, tanto na reta final do ano quanto após a virada. O período coincide com o verão e a época de férias, que tradicionalmente já traz maior movimento aos estabelecimentos em todo país, principalmente nas cidades litorâneas”, diz Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel.

Crescimento no fim do ano
A perspectiva de aumento no faturamento dos bares nas capitais litorâneas durante o réveillon alinha-se com as previsões de expansão do setor no final de 2023. A Abrasel estima um crescimento de 7% no faturamento do setor em comparação com o mesmo período de 2022.

Uma pesquisa conduzida pela associação também revelou que 56% dos bares esperam um faturamento maior em dezembro em comparação com outubro. Além disso, devido ao aumento da demanda, 35% dos estabelecimentos planejavam realizar contratações para esse período do ano.

11 lançamentos de cervejas realizados pelas artesanais em dezembro

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O final de ano, associado ao calor intenso que assola a maior parte do país, impulsionou ainda mais os lançamentos de cervejas artesanais em dezembro, muitos deles focados em apresentar novidades mais refrescantes ao consumidor.

A Ignorus, por exemplo, lançou uma Triplo Sour Ale para ajudar a amenizar as altas temperaturas. A Japas optou por uma criação refrescante destinado a quem não pode consumir glúten. A Way Beer, por sua vez, criou uma Saison que leva pêssego em sua composição.

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Confira esses e outros lançamentos de cervejas artesanais realizados em dezembro e selecionados pelo Guia:

3 Barcaças
O mais recente lançamento da marca baiana é uma cerveja terpenada. A novidade recebeu o nome de Lemon Skunk e apresenta a adição do blend de terpenos reconstruídos da cepa Lemon Skunk. Segundo a 3 Barcaças, isso proporciona notas cítricas de limão, pitanga e um sutil toque amadeirado. Esta Skunk Hazy IPA possui graduação alcoólica de 5,6%.

Croma Beer
A Croma aproveitou o período natalino para lançar cervejas no Ho Ho Ho Pack. O conjunto contém quatro Imperial Stouts com 12% de graduação alcoólica, sendo que três delas foram envelhecidas entre 12 e 24 meses em barris de Bourbon. São elas: a Flashing Lights Bba, com toques de amendoim e coco, a St. Nicholas Bba, com dulçor controlado e notas de toffee, baunilha e chocolate, e a Snow Balls Bba, para os amantes de sabores mais doces devido à adição generosa de coco e cacau. Por fim, a Nut Stars apresenta castanha de caju e cacau.

Ignorus
A Ignorus acaba de lançar a Tropical Thunder, uma cerveja que combina a refrescância de um Triplo Sour com a explosão de sabores de pitaya, framboesa e morango. Essa Triplo Sour Ale possui 9% de graduação alcoólica, proporcionando, segundo a marca, uma experiência sensorial com aromas intensos e notas frutadas.

Japas
A Japas concretizou o desejo de criar uma cerveja não apenas adequada para quem não pode consumir glúten, mas também uma opção suave, saborosa e refrescante para quem busca uma alternativa mais leve. A Onigiri, uma Pilsen de 4,2% de graduação alcoólica, atinge essa leveza especialmente pelo uso de arroz, que também inspirou o nome da cerveja.

Juan Caloto
A Juan Caloto apresentou, em dezembro, a La Célebre Disputa de Snake Falls, uma Double American IPA que destaca o aroma intenso de lúpulo com notas tropicais, cítricas e resinosas. Com coloração dourada, esta cerveja possui uma graduação alcoólica de 8,8%, oferecendo aromas e sabores marcantes de frutas cítricas e tropicais. Essa cerveja rendeu à Juan Caloto o prêmio de melhor IPA feita com lúpulos dos Estados Unidos, em premiação organizada pela USA Hops.

Laut Beer
A Laut Beer trouxe ao mercado, em dezembro, a nova De Leve!. É uma Light Lager, zero açúcar, zero carboidratos e baixa caloria. Esta cerveja leve e refrescante possui 4,4% de graduação alcoólica e 10 IBUs de amargor.

Salva
Para homenagear a trajetória de sucesso de 127 anos da Anchor, a mais antiga cervejaria artesanal dos Estados Unidos, que anunciou recentemente seu fechamento, a Salva lançou a Salva Common Beer. Essa cerveja é uma California Common clássica, apresentando aromas herbais, amadeirados e de caramelo. Com corpo médio e cor âmbar, possui um final seco e refrescante, com 5% de graduação alcoólica e 39 IBUs.

Way Beer
A Way Beer lançou, em dezembro, a Saison Pêssego, que utiliza pêssegos em calda para realçar o toque adocicado. Com baixo amargor e graduação alcoólica de 7,2%, esta cerveja é uma opção refrescante, produzida com ingredientes locais e apresenta intensas notas olfativas. A novidade foi apresentada no The Twelve Beers, conhecido evento cervejeiro realizado em Curitiba.

Marcel Telles doa participação de US$ 6,1 bilhões na AB Inbev ao filho

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Quarta pessoa brasileira mais rica, segundo levantamento da Forbes, Marcel Telles doou parte significativa do seu patrimônio a um dos seus filhos, repassando sua participação na AB InBev, o maior conglomerado cervejeiro do mundo, para Max Hermann Telles.

A participação de Marcel Telles na AB InBev correspondia a US$ 6,1 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaires Index. Max, assim, vai assumir essa fatia do pai na companhia cervejeira, também o substituindo na entidade que controla esse investimento, segundo a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos. A doação foi realizada em 15 de dezembro. A AB InBev está avaliada, hoje, em US$ 112,1 bilhões.

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A participação de Marcel Telles, assim como de Jorge Paulo Lemann e Carlos Alberto Sicupira, na AB InBev se dá por meio da BRC, uma entidade com participação de 50% na Stichting AK Holanda. Esta, por sua vez, detém 33,47% do grupo cervejeiro.

Marcel Telles é um dos principais empresários brasileiros, especialmente por sua atuação na companhia de private equity 3G Capital junto a Lemann e Sicupira. Por meio dela, eles detêm participação em grandes empresas globais, como a própria AB InBev e a Kraft Heinz.

Antes mesmo da criação da 3G Capital, eles já deixavam sua marca no mercado cervejeiro, quando estavam no banco Garantia, liderando a aquisição da Brahma, em 1989, com Marcel Telles ficando à frente da sua operação. Foi o início de uma série de movimentações, sempre ganhando escala na indústria da cerveja.

A união da Brahma com a Antarctica em 1999 resultou na formação da Ambev. Posteriormente, em 2004, a InBev foi criada por meio da fusão com a Interbrew. A aquisição da Anheuser-Busch, em 2008, deu origem ao maior grupo cervejeiro do mundo, a AB InBev.

Segundo levantamento da Forbes, a fortuna de Marcel Telles está estimada em US$ 11,7 bilhões, situando-o como a 178ª pessoa mais rica do mundo. Anteriormente, Marcel já havia transferido sua participação em outra empresa, na imobiliária São Carlos Empreendimentos, para Max e a seu outro filho, Christian. Agora, porém, a doação se dá com a sua maior posição empresarial, acelerando o seu processo de planejamento sucessório.

Não é incomum que a prática ocorra em vida, pois assegura a definição antecipada da destinação dos bens por seus proprietários, além de permitir uma tributação menor em comparação com o que ocorreria em caso de herança.

Recentemente, o nome de Marcel Telles foi associado à crise da rede varejista Americanas, devido à descoberta de um escândalo contábil de R$ 25 bilhões. Ele é um dos principais acionistas da empresa, ao lado de Sicupira e Lemann. Como parte do acordo de recuperação judicial da empresa, eles comprometeram-se a realizar um aporte conjunto de R$ 12 bilhões.

Quem é Max Telles
Segundo seu perfil no LinkedIn, Max é bacharel em artes e minor em economia. Sua última experiência profissional foi como analista financeiro na BTG Pactual Asset Management, função que exerceu de setembro de 2019 a abril de 2022, incluindo passagens pelos escritórios de Londres e Nova York. Max também participou do programa de trainee da AB InBev e realizou estágios no Credit Suisse e na Falconi Consultants.

Artigo: Helles liberada!

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*Por André Lopes

Em 28 de novembro, foi publicada a decisão judicial, proferida em segunda instância, que deu provimento ao recurso da Cervejaria Abadessa no “Caso Helles”, liberando o uso desse estilo pela cervejaria.

O desembargador relator do caso, Niwton Carpes da Silva, da 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, entendeu que ““Helles” se trata de expressão que não possui a originalidade necessária a ponto de se obrigar as demais empresas do ramo cervejeiro de abstenção do uso comercial, sendo cabível a mitigação da exclusividade do registro, o que também afasta de imediato afasta a pretensão indenizatória”.

A decisão foi unânime, e embora ainda caiba recurso, uma nova reviravolta é improvável.

A decisão judicial constitui um precedente importantíssimo para o mercado cervejeiro, já que possibilita o uso do estilo Helles sem qualquer temor de retaliação pela Cervejaria Fassbier, detentora da marca no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Bem assim, a decisão também tem um importante efeito indireto dissuasório, no sentido de desencorajar que outras cervejarias tentem registrar estilos de cerveja como marca com o intuito de impedir concorrentes de usá-los.

ENTENDA O CASO
A cervejaria Fassbier, de Caxias do Sul, depositou o estilo de cerveja alemão “Helles” como marca nominativa no INPI em 2004. O registro da marca foi concedido à cervejaria em 2007 e renovado por mais 10 anos em 2017.

Em abril de 2019, a Fassbier enviou notificações extrajudiciais a algumas cervejarias do Rio Grande do Sul que produzem o estilo Helles, solicitando que cessassem o uso da “marca Helles” e indenizassem a cervejaria “proprietária” da marca pelo seu “uso indevido”.

No dia 10 de junho de 2019, a Fassbier ajuizou “ação para proibição de ato ilícito cumulada com reparação de danos” contra a cervejaria Abadessa, na qual a cervejaria de Caxias postulou a proibição da comercialização da cerveja com a “marca Helles”, além de indenização por danos materiais e morais.

Em primeira instância, a sentença julgou parcialmente procedente a ação de indenização, determinando que a Cervejaria Abadessa se abstivesse de produzir e comercializar produtos contendo a “marca Helles”, sob pena de multa de R$ 10 mil, bem como para condenar a Abadessa a indenizar materialmente a Fassbier.

Agora, em segunda instância, como dito acima, acabou sendo acolhido o recurso de apelação da Cervejaria Abadessa para julgar improcedente o pleito da Cervejaria Fassbier, em decisão muito bem fundamentada. Ainda cabe recurso às instâncias superiores (STJ e STF).

O processo é identificado pelo número 5000464-83.2019.8.21.0010.

André Lopes é sócio do escritório Lopes, Verdi & Távora Advogados, criador do Advogado Cervejeiro e colunista do Guia.

Tudo voltou a acontecer no turismo cervejeiro em 2023, celebra Rota RJ

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O ano de 2023 foi de retomada do turismo cervejeiro, após as turbulências causadas pela pandemia. Essa é a avaliação da Rota Cervejeira RJ, associação que busca fomentar a atividade na região da Serra Fluminense e realizou uma série de eventos presenciais, além de ter se unido aos produtores de lúpulo, que passaram a compor o grupo, ampliando o seu alcance. E viu um salto na qualidade da atividade, que foi tratada com mais profissionalismo pelas cervejarias.

“Foi o ano que tudo voltou a acontecer. Participamos de grandes e pequenos eventos de turismo e também cervejeiros. Aumentamos o número de associados e tivemos os primeiros produtores de lúpulo da região, fazendo parte também do nosso quadro de associados e com experiências turísticas”, celebra a coordenadora da Rota RJ, Ana Cláudia Pampillón.

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Acabou sendo, assim, um ano movimentado para a Rota RJ, com várias atividades, como a celebração do St. Patrick’s Day, que contou com uma corrida de rua e a participação de 15 cervejarias, assim como a continuidade de tradicionais iniciativas, caso da produção de uma cerveja colaborativa para o Mondial de La Bière Rio, que reuniu cerca de 20 associados.

Além disso, em 2023, a Rota RJ passou a ter também produtores de lúpulo brasileiro entre os seus associados, ampliando as alternativas para o turismo cervejeiro. “O turismo cervejeiro ficou mais maduro e profissional. As cervejarias investiram nos produtos turísticos a serem ofertados com mais profissionalismo”, diz a coordenadora da associação.

Esse cenário positivo também traz boas perspectivas para as cervejarias da Rota RJ, caso da Lumiarina, de Nova Friburgo, que revela ter investimentos programados para serem realizados ao longo de 2024, como detalha o seu sócio-proprietário, Luiz Enne.

“Com as otimizações implementadas em 2023, temos fôlego para novos investimentos em 2024. Estamos readequando a nossa área de degustação para ser um restaurante, teremos uma programação mais agressiva para maximizar a captação de público, esperamos participar de mais eventos e, por fim, testaremos o modelo híbrido com o crescimento de produção sendo feito como cigano”, diz.

Assim, para 2024, as expectativas são de continuidade da aceleração do ritmo de atividades e do impacto do turismo cervejeiro. “Tanto para o setor do turismo como para a associação, temos as melhores expectativas para o ano de 2024. Em janeiro, vamos nos reunir para traçarmos nosso planejamento estratégico para o ano de 2024, e acreditamos que voltaremos ao patamar pré-pandemia definitivamente”, conclui Ana Cláudia.

Consumo de alcoólicas nas casas representa mais de 40% do mercado

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O consumo de bebidas alcoólicas em casa, uma tendência que se fortaleceu durante os momentos mais críticos da pandemia, continua em alta. Essa informação é proveniente do estudo “Indicadores Setoriais Anuais”, conduzido em parceria pela Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) e pela KPMG, o qual aponta que o consumo por canais off-trade, como supermercados, permanece acima de 40%.

De acordo com o estudo, o consumo por esses canais aumentou de 39% para 43% em 2021 e 2022, devendo atingir 44% ao final de 2023. A pesquisa também projeta um índice de 45% para o consumo de bebidas alcoólicas em casa para 2026.

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Na análise da presidente da Abrabe, Cristiane Foja, o estudo evidencia que o consumo residencial consolidou-se como um canal importante para as indústrias de bebidas alcoólicas, mesmo com o funcionamento normal de bares e restaurantes.

“Ninguém deixou de frequentar bares e restaurantes, isto foi praticamente retomado, mas o crescimento do comércio online e do hábito de celebrar em casa aparecem como elementos novos que explicam o aumento nas vendas em outros canais. O que mudou foi o valor que se dá às celebrações, aos momentos sociais de comemoração, afinal, bebida é complemento, acompanhando momentos de encontro e confraternização”, afirma.

O estudo da KPMG e da Abrabe também destacou o crescimento do mercado de bebidas alcoólicas, que vendeu 16,4 bilhões de litros em 2022, representando um aumento de 5,1% em comparação ao ano anterior. Além disso, o faturamento do setor de bebidas alcoólicas atingiu R$ 380 bilhões, um crescimento de 4,8% em relação a 2021.

Para 2023, a estimativa do estudo “Indicadores Setoriais Anuais” é que sejam vendidos 17,1 bilhões de litros de bebidas alcoólicas no Brasil.

Universo Abrabe
A Abrabe possui 36 associadas, incluindo marcas renomadas de bebidas alcoólicas, como Bacardi Campari, Diageo, Salton e Pernod Ricard, além de cervejarias como Ashby, Maniacs, Grupo Heineken e Estrella Galicia. O estudo revelou que, em conjunto, essas associadas registraram uma receita bruta de R$ 42,9 bilhões em 2022, com um volume de vendas de 4,7 bilhões de litros. Essas associadas representam 29% do mercado de bebidas alcoólicas no Brasil.

Balcão Xirê Cervejeiro: Uma conversa com Leandro Teixeira, da Brooklyn

Balcão Xirê Cervejeiro: Uma conversa com Leandro Teixeira, da Brooklyn, sobre diversidade

Olá, seguidores/as e leitores/as do Guia da Cerveja! Estou de volta ao Balcão Xirê Cervejeiro.

Sim, estou em débito com a coluna de novembro, e desde já, peço desculpas. Contudo, novembro é um mês muito caro para mim. As pautas raciais me atravessam e não tive forças para escrever sobre o tema.

Mas chegou dezembro, o mês das festas, do encerramento de ciclos e da abertura de novos. E é nessa toada que trago para vocês e para o mercado uma brilhante entrevista com Leandro Teixeira, que presenteia o mercado cervejeiro brasileiro. E não só isso. Deixo, ao final, uma sugestão de harmonização entre cerveja e uma deliciosa torta para brindar em suas festas.

Sobre a entrevista:

O mercado de cerveja brasileiro é exímio em “copiar” as tendências que vêm de fora, sobretudo quando se trata da escola estadunidense de cerveja. Isto posto, seguem algumas ações prospectadas e materializadas nos Estados Unidos da América do Norte e que podem ser replicadas, guardadas algumas especificidades das do mercado cervejeiro nacional.

Eis o que diz Leandro Teixeira, que trabalha na icônica cervejaria Brooklyn Brewery há alguns anos, sendo hoje gerente geral da degustação.

Quem é o Leandro e como se deu o seu percurso no universo da cerveja?
O Leandro, ou Leco para alguns amigos cervejeiros do Brasil, ou Leo, nos EUA, é uma pessoa apaixonada por aquilo que vive e acredita, e adora passar horas descompromissadas com a família e os amigos. A minha entrada no universo cervejeiro começa pela busca por cervejas mais robustas, com mais sabor, saindo do tradicional chopinho carioca, que amo muito, mas já era o normal. Seguindo o manual da maioria dos cervejeiros de primeira viagem, passei a consumir cervejas importadas belgas e alemãs. Porém, depois de uma viagem em 2010 para os EUA, o meu conceito sobre cerveja mudou totalmente. Não conseguia acreditar como poderiam existir tantas marcas de artesanais e importadas na bodega da esquina de um bairro popular de uma cidade americana. Provei muita coisa boa, as bombas de lúpulo das IPAs abriram um portal da minha vida. Voltando ao Brasil, decidi procurar mais por essas cervejas artesanais, além de me informar mais sobre o processo de produção. Um pouco antes de me mudar para Nova York, fiz um pequeno curso de produção caseira com o pessoal da Confraria do Marques no Rio de Janeiro, mas nunca consegui (por enquanto) fazer minha própria cerveja.

O que a cerveja artesanal significa para você?
Essa é uma boa pergunta, é até difícil de responder em 2023, mas a cerveja artesanal significa uma arte para mim, por tudo que ali está inserido. Desde o processo de criação e escolha do estilo, passando pelo surgimento do conceito por de trás da marca e dos rótulos, chegando até a comunicação com o público, seja cervejeiro ou não. Sem querer romantizar nada, mas não deixa de ser uma expressão humana, já que ali existem emoções, história e cultura, sem falar das pontes que são feitas com a sociedade.

Como você chegou à Brooklyn e como é o seu trabalho?

A minha história com a Brooklyn Brewery começa depois da minha primeira garrafa de Brooklyn Lager. Foi amor à primeira vista! Sempre foi minha cerveja favorita ainda quando morava no Brasil, e me tornei ainda mais fã depois de conhecer a história da sua criação. Quando me mudei para Nova York, visitava o bar constantemente, mas não imaginava que poderia trabalhar lá. Até que depois de anos trabalhando em diferentes empregos em Nova York, e querendo construir uma nova carreira, um amigo britânico, que representava marcas de cervejas inglesas, me disse: “Leo, você entende mais de cerveja do que eu, é apaixonado pelo assunto, e ainda está se perguntando por onde começar? Vai para indústria cervejeira!”.

Depois desse papo, e de passar uma noite em claro, decidi procurar empregos na área no dia seguinte. Depois de muitas tentativas e de não receber respostas, fui procurar empregos em que precisasse falar português, e a primeira vaga que apareceu para trabalhar foi na loja da Brooklyn Brewery. Eu não acreditei muito nas chances, mas era a oportunidade de entrar para a cervejaria que tanto admirava. Depois de um tempo na loja, virei bartender, tour guide, até chegar a gerente do bar. Hoje, sou general manager do tasting room, coordenando nosso time, supervisionando a loja da empresa, e recebendo convidados do mundo todo. A melhor parte é a interação com o público, sem dúvida.

Garrett Oliver é considerado um dos maiores cervejeiros do mundo. Como é trabalhar em uma cervejaria em que ele faz parte da história?
Eu digo que depois de quase 6 anos na empresa, ainda dá um frio na barriga toda vez que tenho a oportunidade de trabalhar junto com Garrett, simplesmente por ser uma sumidade. É um privilégio compartilhar do mesmo espaço em que ele desenvolve a sua criatividade e o quanto ele é representativo nessa indústria. Quando você imagina os próximos passos da indústria cervejeira e seus impactos na sociedade, ele já está agindo e planejando os próximos 5 anos. As suas histórias e referências são tão elevadas que muitas vezes tive que dar uma pesquisada depois encontrar com ele (risos).

Como você vê a luta contra o racismo no Brasil e nos Estados Unidos no mercado cervejeiro?
É muito difícil como homem branco, que não sofre o impacto direto do racismo, analisar todo o contexto. Porém, os últimos três ou quatro anos foram muito intensos nos dois países politicamente. O movimento Black Lives Matter trouxe uma voz importante dentro da indústria cervejeira nos EUA, inclusive com a criação da cerveja colaborativa “Black is Beautiful” que ajuda arrecadando fundos para a National Black Brewers Association, que dá suporte às cervejarias lideradas por negros. Ainda é um trabalho árduo, já que menos de 1% das cervejarias pertencem à afro-americanos. Eu vejo que por aqui o movimento negro consegue ser um pouco mais engajado por ter mais acesso a recursos e ferramentas, além de muitas cervejarias norte-americanas desenvolverem trabalhos com consciência social. No Brasil, ainda com todas as dificuldades financeiras e culturais, nós temos expoentes importantes que já estão fazendo a diferença no mercado cervejeiro. Admiro muito o trabalho da Cervejaria Implicantes.

Qual a sua mensagem ao mercado cervejeiro brasileiro sobre racialidade e diversidade?
Pensem além das IPAs, APAs, Sours etc. Enxerguem o potencial da sua marca e como contribuir para a sociedade. Eu gostaria muito de ver as cervejarias brasileiras abrindo mais espaço para minorias que, aliás, não são minorias, são parte importante da sociedade brasileira. Não sintam pena, deem oportunidade! O mais importante é integrar/incluir cada vez mais o público, é romper barreiras.

Para finalizar, poderia deixar uma dica de harmonização entre comida e cerveja?
Eu posso citar duas harmonizações. A primeira, claro, é uma boa Brooklyn Lager gelada com uma bela pizza margherita no estilo napolitano. A segunda, é uma bela St. Bernardus Abt 12 com uma seleção de queijos e embutidos. Porém a minha melhor experiência foi saboreando um sanduíche de rosbife com molho madeira com queijo derretido numa baguette.

Que essa incrível fala do Leandro possa chegar na alma, corações e ações do mercado cervejeiro brasileiro.


Agora, vamos à minha dica de harmonização para o seu Natal ou ano-novo…

Torta Velvet

Massa:
300 gramas de bolacha maisena
100 gramas de margarina derretida
6 gotas de corante vermelho comestível

Modo de fazer a massa:
Triture a bolacha no processador ou no liquidificador, coloque a manteiga e o corante. Incorpore. Leve ao forno por 6 minutos. Reserve.

Recheios:
1. Misture 200g de cream cheese, 200g de creme de leite e 200g de chocolate branco derretido. Coloque sobre a massa e leve à geladeira.
2. Faça uma geleia de morangos com limão siciliano.

Use uma caixa de morangos, suco de meio limão, 100 gramas de açúcar e 400ml de água. Deixe ferver até reduzir. Coloque sobre a torta.

Finalização:
Enfeite com frutas vermelhas

Aqui, como sugestão de harmonização, uma Red Flandres com muita cereja. Comprei com a Aline Smaniotto na The Beer Market, quando a visitei em Jundiaí (SP).

Beba com moderação!


Sara Araujo é graduada em Ciências Jurídicas pela Instituição Toledo de Ensino, em Bauru (SP). Atua na área de execução penal, sendo graduanda em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Maringá (PR), pós-graduanda em História da África e da Diáspora Atlântica pelo Instituto Pretos Novos do Rio de Janeiro, sommelière de cervejas pela ESCM/Doemens Akademie e criadora e gestora do @negracervejassommelier

Menu Degustação: Budweiser inova e lança o seu saquê no Brasil

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Antes do encerramento do ano, a Budweiser surpreendeu o mercado brasileiro ao lançar sua mais recente inovação: um saquê. Fruto da colaboração entre a Budweiser e o laboratório de inovação Beverage Hack Lab (BHL), esse saquê já está disponível para compra em algumas regiões de São Paulo.

A ação mostra que há ainda o que fazer em 2023. E será assim para a Cacildis, que vem realizando uma série de ativações em rodas de samba do Rio de Janeiro. Já de olho em 2024, a Schornstein está com tudo preparado para ser a cerveja oficial da Festa Pomerana, em Pomerode (SC).

Leia também – Entrevista: Conheça os planos da Academia da Cerveja com a abertura da sua sede física

Confira essas e outras ações cervejeiras no Menu Degustação do Guia:

Schornstein na Festa Pomerana
A Schornstein, cervejaria oficial da 39ª Festa Pomerana, será responsável pelos chopes que harmonizarão com as receitas germânicas clássicas e contemporâneas do evento, que ocorrerá de 10 a 21 de janeiro, em Pomerode (SC), considerada a cidade mais alemã do Brasil. Serão seis bares da marca distribuídos pelos pavilhões da festividade. Além de celebrar a tradição dos imigrantes que colonizaram o município, o evento tornou-se destaque no calendário de verão catarinense, atraindo visitantes de todo o país. A Schornstein oferecerá oito estilos de chope: IPA Tangerina, Pilsen, Weiss, Witbier, IPA, Bock, Imperial IPA e Chope de vinho. O público terá também a oportunidade de experimentar as cervejas das marcas AllesGut, Borck e Wunderbier.

Saquê da Budweiser
Desenvolvido no Brasil em parceria entre a Budweiser e o laboratório de inovação BHL, ligado ao Centro de Inovação Tecnológica da Ambev, o Sake Budweiser chega com um design sofisticado em sua embalagem e está disponível para compra pelo aplicativo Zé Delivery em algumas regiões de São Paulo. Inicialmente lançado em concursos internacionais, a bebida brasileira conquistou a medalha de platina no Milano Sake Challenge 2023, realizado na Itália. Classificado como do tipo Honjozo, o saquê apresenta características de refrescância, aroma discreto e 10% de adição de álcool destilado em sua composição. A nova bebida da Budweiser, do estilo premium, foi desenvolvida por meio de um processo inédito: os grãos passaram por um polimento de 30%, resultando em alta qualidade e servindo como insumo principal para a fermentação da bebida por meio do método ortodoxo japonês.

Dicas de harmonização no Zé Delivery
Como fruto de uma parceria com a Academia da Cerveja, os usuários do Zé Delivery terão acesso a um ebook exclusivo de harmonização, proporcionando informações sobre como combinar cervejas com diferentes pratos durante o processo de compra. Disponível para resgate por assinantes do programa Zé Compensa, o ebook pode ser adquirido por 10 pontos, um benefício automático para todos os cadastrados.

Cacildis nas rodas de samba
A Cerveja Cacildis, pertencente ao Grupo Petrópolis, estará presente nas principais rodas de samba do Rio de Janeiro neste mês de dezembro. A marca leva a iniciativa “Se tem samba no Rio, terá Cacildis” para o Casarão do Firmino, neste sábado e domingo, e o Cardosão, também neste sábado, considerados locais emblemáticos do samba carioca. A ação inclui ativações, promoções e brindes exclusivos, disponibilizando 10 mil latas de Cacildis por evento. A programação inclui outros eventos, como o Encontro de Rodas e Samba da Volta, ambos no próximo sábado. A campanha reforça a identidade da marca, marcada pelo bom-humor e pela conexão com a cultura brasileira.

Festival da Corona
O Corona Sunsets World Tour Experience na praia do Preá, em Cruz, (CE) acontecerá de de quarta a sexta-feira (27 a 29), visando inspirar momentos de descompressão e desconexão da rotina, incentivando o público a viver mais ao ar livre, em contato com a natureza. Para isso, a Corona preparou uma série de atividades voltadas ao relaxamento, com a presença de especialistas da Mengalam Wellness, referência na indústria de bem-estar, oferecendo experiências sensoriais premium, como meditação musical e breathwork – práticas que envolvem técnicas de respiração intencional e controlada para o relaxamento mental, emocional e físico. Renata Mozzini, fundadora da Escola Internacional Yoganaya, liderará práticas de yoga, mindfulness talks e compartilhará sua filosofia de vida.

Estudo da Corona
Em 2023, os brasileiros dedicaram significativo tempo ao trabalho e ao cuidado, permanecendo predominantemente em escritórios ou em casa. As prioridades incluíram o trabalho (41%), o cuidado com a família (29%) e o entretenimento televisivo, com filmes e séries, conforme revela uma pesquisa inédita realizada pela Ipsos a pedido da marca de cerveja. Para o próximo ano, espera-se que esse cenário se repita, uma vez que 43% das pessoas mencionaram metas financeiras como prioridade. Em resposta a isso, a Corona inicia uma campanha convidando as pessoas a reconsiderarem suas metas para 2024, incentivando a inclusão de experiências ao ar livre nas resoluções. A marca está preparando uma série de ações online e presenciais, tanto em suas redes sociais quanto com formadores de opinião.

Black Princess na saideira do Titãs
A Black Princess é a cerveja oficial do encerramento da turnê “Titãs Encontro”, que chega ao fim nesta sexta-feira (23), no Allianz Parque, em São Paulo, reunindo a formação clássica da banda. A bateria dos Titãs será personalizada com a marca Black Princess, e ao redor do estádio, a marca realizará ativações para animar o público. Neste sábado, um DJ tocará os principais hits da banda na Rede AM/PM, das 17h às 20h, e quem comprar 6 Black Princess Gold 350ml ganhará 1 voucher para consumir uma cerveja dentro do evento. Além da Rede AM/PM, cinco conveniências ao redor do estádio também terão promoções de Black Princess, oferecendo 4 cervejas por R$ 19,99.

Entrevista: O que planeja a Academia da Cerveja com sua nova sede física

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O bairro Pinheiros, conhecido por ser um dos redutos cervejeiros de São Paulo, acaba de ganhar mais um espaço para a propagação da cultura cervejeira. Dessa vez, porém, a bebida vem acompanhada de salas de aula. É, afinal, lá onde está instalada a Academia da Cerveja, a escola de conhecimento cervejeiro da Ambev, que passa a contar com a sua sede física na capital paulista.

Foi um longo processo até que o espaço fosse inaugurado. Criada no fim de 2020, a Academia da Cerveja teve, desde o seu início, o desejo de contar com uma sede própria, plano que precisou ser adiado em função da continuidade da pandemia do coronavírus, a forçando a concentrar as suas atividades no modelo online.

Agora, porém, será diferente, com as práticas podendo acontecer em sua sede física, que conta com salas de aula, cozinha cervejeira e um pequeno laboratório, embora a escola da Ambev não vá abandonar as atividades online, até pela possibilidade de propagar conhecimento para outras regiões do Brasil.

A importância da divulgação da cultura e do conhecimento cervejeiro, aliás, foi o tema central da entrevista do Guia com Alexandre Esber, gerente de conhecimento cervejeiro da Ambev. Na conversa, ele destaca os planos para a sede física da Academia da Cerveja, esperando que a inauguração do espaço ajude a consolidar a escola da Ambev como referência na formação cervejeira.

“A promoção da igualdade de oportunidades é uma prioridade, e estamos empenhados em diversificar nossa comunidade estudantil”, afirma Esber, apontando qual será um dos caminhos que a Academia da Cerveja pretende trilhar em 2024.

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Confira a entrevista do Guia com o gerente de conhecimento cervejeiro da Ambev, Alexandre Esber:

O que a abertura da sede física agrega para as atividades da Academia da Cerveja? Que benefícios isso traz e quais atividades específicas serão oferecidas para enriquecer a jornada educacional?
A abertura da sede física da Academia da Cerveja representa um marco significativo para nossas atividades, proporcionando um ambiente dedicado à excelência educacional cervejeira. Isso amplia nossa capacidade de oferecer experiências práticas e promover a interação entre alunos e instrutores. Os benefícios incluem instalações modernas para degustações, laboratórios de qualidade e salas de aula equipadas.

Desde a criação da Academia da Cerveja, contar com uma sede física foi um desejo da escola, que agora se concretiza. Como foi o processo para colocar esse desejo em prática e o que a experiência acumulada como escola cervejeira desde o seu início ajudou na preparação para atuação no seu próprio espaço físico?
O desejo de ter uma sede física foi conquistado através de muito planejamento. A experiência acumulada desde a criação da Academia da Cerveja nos proporcionou insights valiosos sobre as necessidades e preferência dos alunos – em termos de assuntos, formatos, tempos de ensino – e os requisitos do setor cervejeiro que nos incentivou a criar um espaço para aprendizados práticos. Foi um período de amadurecimento importante.

Pensando em 2024 já com o funcionamento da escola, quais são os objetivos e metas da Academia da Cerveja para o próximo ano?
Em 2024, a Academia da Cerveja busca consolidar sua posição como referência na formação cervejeira. Os objetivos incluem ampliar a oferta de cursos especializados, fortalecer parcerias com cervejarias e intensificar iniciativas de responsabilidade social, cumprindo seu papel de democratizar conhecimento e cultura cervejeira.

Como você enxerga o papel da Academia da Cerveja e das demais escolas cervejeiras no desenvolvimento e crescimento do setor cervejeiro no Brasil?
A Academia da Cerveja, assim como outras escolas cervejeiras, desempenha um papel vital no crescimento do setor cervejeiro no Brasil. Ao oferecer educação especializada, contribuímos para a formação de profissionais qualificados, impulsionando a inovação e a qualidade. Promovemos a disseminação de conhecimento, capacitando empreendedores e estimulando este mercado. A colaboração entre as escolas cervejeiras é essencial para o fortalecimento coletivo do setor.

Em pesquisa recente realizada pelo Guia da Cerveja, 39% dos participantes apontaram que as barreiras socioeconômicas no acesso à educação e treinamento são o principal desafio para a inclusão e ascensão de negros na indústria da cerveja. Você concorda com essa avaliação? Como se pode resolver esse gargalo?

Concordamos que as barreiras socioeconômicas são um desafio real para a inclusão na indústria cervejeira. Para superar esse problema, a Academia da Cerveja está trabalhando ativamente para criar programas de bolsas de estudo, parcerias com organizações sociais e empresas do setor. Temos projetos atuais como o Forma que trabalham com esse intuito. A promoção da igualdade de oportunidades é uma prioridade, e estamos empenhados em diversificar nossa comunidade estudantil.

A Academia da Cerveja está implementando ou planejando iniciativas específicas para promover a diversidade e inclusão em seus programas educacionais? Como a instituição enxerga seu papel na superação das barreiras socioeconômicas para garantir a inclusão na indústria cervejeira?

A Academia da Cerveja está comprometida com a promoção da diversidade e inclusão em todos os seus programas educacionais. Implementamos, por exemplo, iniciativas como o projeto de bolsas com as Pretas Cervejeiras, proporcionando aulas para quase 500 alunas. Realizamos três edições de bolsas em parceria com a ESCM, voltadas para pessoas pretas e pardas, em um curso de formação de cervejeiro profissional de um ano. Nos cursos pagos, reservamos espaços para bolsistas, garantindo oportunidades igualitárias.

Além disso, desenvolvemos o curso T-forma, destinado a pessoas trans, e estabelecemos parceria com o programa Bora, focado na inclusão produtiva, treinando e conectando indivíduos a oportunidades de emprego. Sabemos que o mercado como um todo tem muita a avançar em termos de inclusão e diversidade e acreditamos que só com esforço conjunto do ecossistema conseguiremos superar cada vez mais as barreiras que ainda estão presentes.

Quais desafios a Academia da Cerveja identifica no cenário educacional cervejeiro e como superá-los?

Identificamos desafios como a necessidade de atualização constante dos programas para refletir as tendências do mercado, a diferença entre online e presencial, a adaptação rápida às inovações tecnológicas e a personalização dos cursos e escuta ativa para atender às demandas específicas dos alunos. Estamos superando esses desafios por meio de parcerias estratégicas, pesquisa contínua e flexibilidade curricular.

Considerando a evolução do mercado cervejeiro, quais mudanças ou tendências a Academia da Cerveja espera ver nos próximos anos?
A Academia da Cerveja espera ver uma maior ênfase em práticas sustentáveis, o surgimento de cervejas inovadoras e a consolidação da cultura cervejeira local. Antecipamos uma crescente demanda por produtos específicos e nichados e saudabilidade. A cerveja traduzindo mais para a mesa do bar suas propriedades únicas enquanto bebida: baixo teor alcoólico, feita com ingredientes naturais, adequada à confraternização e uma vida equilibrada. Estamos nos preparando para essas mudanças, ajustando nossos programas para refletir as tendências emergentes e garantir que nossos alunos estejam na vanguarda do setor.

7 mudanças que vieram para ficar no setor cervejeiro

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O setor cervejeiro e a relação das marcas com o consumidor passaram por significativas mudanças nos últimos anos. Sacudido pela pandemia do coronavírus, por desafios macroeconômicos e dinâmicas sociais, o segmento chega ao final de 2023 substancialmente diferente do início desta década.

As cervejarias, por um lado, adaptaram-se aos desejos das novas gerações, ampliando a diversidade de rótulos e estilos em seus portfólios. Este movimento, influenciado pelas preferências dos consumidores, resultou em uma reconfiguração do mercado.

No entanto, outras mudanças também ocorreram devido a fatores externos, como desafios macroeconômicos, levando os componentes do setor cervejeiro a buscarem mais parcerias para garantir sua sustentabilidade e até sobrevivência.

Para compreender as tendências consolidadas no setor cervejeiro, o Guia conversou com diversos especialistas, incluindo profissionais de grandes grupos, administradores de marcas artesanais e dirigentes de associações.

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Confira 7 mudanças que vieram para ficar no setor cervejeiro:

1) Público em busca de novas experiências
As cervejarias responderam à crescente demanda por novas experiências cervejeiras, ajustando seus portfólios. “O consumidor brasileiro está cada vez mais em busca de novas experiências cervejeiras e, por isso, os rótulos artesanais e premium, que oferecem variedade de aromas e sabores, têm conquistado cada vez mais fatia do mercado”, diz a diretora de insights, inovações e design do Grupo Heineken, Daniela Pereira.

2) Crescimento da cerveja zero álcool e do consumo consciente
A conscientização sobre a saúde e o bem-estar impulsionou uma demanda crescente por cervejas sem álcool. De acordo com pesquisa realizada pela Euromonitor para o Sindicato Nacional das Indústrias de Cerveja (Sindicerv), as vendas de cervejas zero álcool devem ultrapassar o volume de 480 milhões de litros no Brasil em 2023, representando um crescimento de 24% em relação ao ano passado.

“Há pesquisas que indicam que o consumo de cerveja zero entre jovens triplicou nos últimos quatro anos”, afirma o diretor de marcas globais da Ambev, Felipe Cerchiari. “O que percebemos como tendência é um consumo mais consciente. Beber menos procurando rótulos diferenciados”, acrescenta a coordenadora de marketing da Companhia Brasileira de Cerveja Artesanal (CBCA), Luciane Rosa.

3) Procura por cervejas sem glúten e low carb
A busca por estilos de vida mais saudáveis e adaptados às restrições alimentares impulsionou a popularidade das cervejas sem glúten e low carb. As cervejarias, percebendo essa tendência, investiram em inovações que atendem a uma clientela preocupada em unir diversão e saúde.

“Há uma procura também por cervejas sem glúten ou de baixa caloria, e aí entramos com soluções e muita tecnologia envolvida, como é o caso da Stella Pure Gold. Sendo assim, buscamos sempre inovar com edições especiais das cervejas, novas edições e projetos verdadeiros, que correspondam àquilo que o nosso consumidor espera”, comenta Cerchiari.

4) Foco no custo-benefício entre as artesanais
Até por restrições financeiras, consumidores buscam uma relação mais equilibrada entre qualidade e preço, desafiando as cervejarias a oferecerem produtos premium sem comprometer a acessibilidade, o que tem levado algumas marcas a apostarem em estilos com processos produtivos menos onerosos.

“O preço tem feito mais diferença do que nunca. Percebemos que tem saída melhor as cervejas com um custo-benefício maior e custo final mais baixo do que produtos de alto valor agregado. Mas, apesar de mais difíceis de vender, esses produtos de maior valor agregado são extremamente necessários para o público fiel das artesanais e acabamos não tendo outra saída senão fazer um mix desses produtos no portfólio”, diz o sócio e mestre-cervejeiro da ØL Beer, Eduardo Vosgerau.

5) Fusões e parcerias no setor
Diante das pressões macroeconômicas, as cervejarias têm buscado fortalecer sua posição no mercado por meio de acordos com outras marcas. “Quando falamos em ajustes vemos empresas se restabelecendo por meio de fusões e parcerias impulsionadas pelo horizonte mais positivo”, comenta o presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), Gilberto Tarantino.

“A principal mudança foi um certo encolhimento no número de empresas. Muitas não resistiram à pandemia, fazendo com que de certo modo a dinâmica do mercado mudasse um pouco. As empresas que resistiram se fortaleceram, mas tem um espaço de mercado que ficou órfão, com clientes ainda sem saber a que serviços recorrer”, acrescenta o CEO da Alpendorf, Gabriel Thuler Costa.

6) Aproximação dos consumidores
A dificuldade de acesso ao público durante as fases mais críticas da pandemia modificou a lógica de muitas cervejarias, antes mais focadas em acordos com outros estabelecimentos, mas que passaram a ter um olhar atento para o consumidor. “Novos canais de venda, novos produtos e uma nova comunicação foram fundamentais na nossa estratégia e ditaram os últimos meses do mercado”, comenta William Pacheco, um dos sócios da Mad Brew.

7) Consolidação do consumo residencial
A crise sanitária levou a cerveja para dentro das residências e ela não mais saiu de lá, com o consumo residencial se mantendo elevado mesmo com o fim das restrições, o que obriga as marcas a redefinirem estratégias, acompanhando essa tendência.

“A pandemia levou a um aumento significativo no consumo de cerveja em casa, impulsionado pelo fechamento de bares e restaurantes e esse aumento se manteve mesmo após a flexibilização das restrições, indicando que o consumo de cerveja em casa se tornou uma tendência consolidada”, afirma a diretora de insights, inovações e design do Grupo Heineken.