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Há um ano na CBCA, Unicorn busca se firmar em SP e mira outros mercados

Há um ano fazendo parte do portfólio da Companhia Brasileira de Cervejas Artesanais (CBCA), a Unicorn tem passado por ajustes envolvendo estratégia e portfólio. O objetivo é ganhar espaço no mercado de São Paulo e, posteriormente, buscar expandir sua presença, especialmente em Santa Catarina, onde pretende se tornar mais relevante.

O portfólio da CBCA, que já contava com as marcas Schornstein, Leuven, Seasons e The Drummer, foi reforçado com a incorporação da Unicorn em junho de 2022, por meio da fusão com a Startup Brewing, incluindo também a fábrica. E após um ano, a Unicorn já representa uma parcela significativa das vendas totais da CBCA.

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Durante esse período, o foco principal tem sido posicionar os estilos da Unicorn em conjunto com o portfólio da CBCA, evitando sobreposições entre os produtos das diferentes marcas, o que é fundamental antes de buscar um aumento de escala. “Estamos satisfeitos com os resultados, e a Unicorn já representa 10% das vendas totais da CBCA”, afirma Gustavo Barreira, CEO da companhia.

A CBCA enxerga a Unicorn como uma marca jovem, irreverente e descontraída, que agrega valor ao seu portfólio, sendo que já possuía uma presença significativa no mercado paulistano de artesanais antes de se juntar ao grupo.

“Sempre vimos a Unicorn como uma marca muito bem trabalhada e com grande potencial, especialmente na região da cidade de São Paulo, onde éramos concorrentes antes da aquisição”, comenta Barreira.

Assim, a CBCA pretende aproveitar sua participação na capital paulista para expandir ainda mais e levar a Unicorn também para o interior de São Paulo. Para isso, estão investindo tanto na venda direta ao consumidor, com chope, acreditando que isso fortalece a marca, quanto buscando espaço nas redes de varejo. “A participação em eventos também é uma forma de fortalecer a marca e aumentar sua presença junto ao consumidor final”, acrescenta o CEO.

Com o intuito de ampliar sua presença em alguns mercados, a CBCA está conduzindo estudos para adotar a precificação correta para as cervejas da Unicorn. Além disso, seus responsáveis estão intensificando a produção dos rótulos de sucesso da marca, tanto para aumentar sua participação no mercado paulista quanto para conquistar novos consumidores, como em Santa Catarina.

“Nossos planos são finalizar o ajuste de estilos, levando em consideração questões relacionadas à precificação correta, e intensificar a presença de alguns produtos de sucesso, como é o caso da NEIPA. Queremos que a marca se torne relevante no estado de São Paulo e, em breve, expandir sua presença para Santa Catarina, especialmente em Florianópolis e no Vale Europeu”, diz Barreira.

O estudo sobre o portfólio envolve a manutenção das características históricas da Unicorn, oferecendo estilos de cervejas de “entrada” com preços médios, mas também explorando a criação de cervejas mais elaboradas. O que não muda é a identidade da marca, com rótulos estampados pela figura do excêntrico Mr. Unicorn, o personagem central da série de cervejas da marca, retratado como um empresário de sucesso que atua como consultor pessoal no cenário das cervejas artesanais.

“Estamos estudando variações de NEIPA e IPAs com diferentes lupulagens, sem perder o drinkability que é a principal característica das cervejas da Unicorn”, conclui o CEO, que viu, já sob a gestão da CBCA, a Unicorn conquistar cinco medalhas, sendo duas em concursos nacionais e três em disputas sul-americanas.

Ninkasi se torna primeiro viveiro certificador de mudas de lúpulo no Brasil

O Viveiro Ninkasi, localizado em Teresópolis (RJ), alcançou um reconhecimento inédito ao se tornar o primeiro certificador de mudas de lúpulo no Brasil. A certificação é distribuída pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), inserindo o viveiro no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem).

As mudas certificadas atendem aos padrões de qualidade estabelecidos pelas leis de sementes e mudas. Elas são produzidas sob o controle de uma entidade certificadora credenciada pelo Mapa, caso, agora, do Viveiro Ninkasi.

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A certificação de sementes e mudas é um processo voluntário que garante a qualidade em todas as etapas de produção, incluindo o controle da origem genética e das gerações, para assegurar a rastreabilidade do lote, sendo que o ministério ou uma pessoa credenciada por ele é responsável por verificar a aplicação das regras de certificação. E as mudas certificadas podem ser reconhecidas pelo certificado que acompanha a nota fiscal de venda.

Como certificador de produção própria, o Viveiro Ninkasi passa a ter autorização para certificar suas próprias mudas. E isso significa que o viveiro possui um sistema confiável de controle de qualidade em todas as etapas de produção. A presença desse certificado nas mudas, afinal, indica que elas foram produzidas seguindo as regras e normas estabelecidas, garantindo sua qualidade e confiabilidade para os agricultores.

Tornar-se um certificador de produção própria traz benefícios como credibilidade, diferenciação no mercado, acesso a novos mercados, valorização do produto e contribuição para o setor, pois é um compromisso com a qualidade, segurança e conformidade com as regulamentações.

O Brasil não é um país com tradição no cultivo do lúpulo, mas sua produção vem crescendo, com o trabalho de qualidade envolvendo as mudas e sua certificação sendo fundamental para o crescimento da cultura no país de modo ordenado e idôneo.

Proprietária do Viveiro Ninkasi, Teresa Yoshiko realiza estudos sobre o cultivo do lúpulo desde 2017. No início deste ano, o viveiro montou um manual de qualidade, que foi enviado ao Ministério da Agricultura.

“A montagem deste manual de qualidade exigiu muita pesquisa e dedicação. Além disso, realizamos frentes de pesquisas com várias instituições na área química desde 2021 para estudar os fins fitoterápicos, várias pesquisas com produtores de norte a sul do país e com entidades de pesquisa, como a Embrapa, Pesagro, Emater Rio e Universidades, onde acolhemos estagiários, tanto no Viveiro, como nos produtores de lúpulos onde prestamos consultorias”, comenta Teresa.

O Viveiro Ninkasi

Também em 2023, o viveiro em Teresópolis ampliou em dez vezes a sua capacidade de produção de mudas de lúpulo por ano, saltando das 120 mil em 2022 para 1,2 milhão, o que foi possível graças à montagem de um laboratório in vitro, o que garante a qualidade e saúde das plantas. E isso permitirá, inclusive, a exportação das mudas.

Hoje, o Viveiro Ninkasi oferece 26 variedades de lúpulo. “O produtor não deve aceitar menos. Ao comprar as mudas de lúpulo, é importante que ele faça isso de viveiros com mudas certificadas. Não vale correr o risco de ser enganado. As mudas de lúpulo são perenes e têm a durabilidade média de 15 anos. O produtor só vai descobrir que comprou gato por lebre quando estiver colhendo”, alerta Teresa.

Anteriormente, o Viveiro Ninkasi havia obtido outra conquista importante, em 2021, quando recebeu a autorização do Mapa para importar mudas comerciais de lúpulo dos Estados Unidos.

Menu Degustação: Sabores da Montanha em SP e MG, churrasco em Itapevi…

Os dias frios em várias regiões do país não têm intimidado os cervejeiros. E eles poderão contar com diversos eventos e muitas cervejas para esquentar o clima. Entre as atrações do fim de semana, o Burning Fest – Batalha de Assadores vai celebrar o churrasco e levar muita cerveja para Itapevi (SP). Enquanto isso, o Festival Sabores da Montanha proporcionará experiências gastronômicas e muita cerveja para turistas na temporada de inverno em 27 municípios dos estados de São Paulo e Minas Gerais. 

Já as grandes cervejarias do país seguem atuando em diversas frentes, como o Grupo Heineken, que lançou um programa que auxiliará parceiros a neutralizarem a emissão de carbono e realizará algumas ações neste fim de semana no centro de São Paulo, palco do Mita Festival.

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Veja estas e outras ações cervejeiras no Menu Degustação do Guia:

Sabores da Montanha
O 1º Festival Gastronômico Sabores da Montanha começa nesta sexta-feira (2) e vai até 30 de julho em 27 municípios dos estados de São Paulo e Minas Gerais. A ideia é oferecer uma imersão no mundo gastronômico. Mas, claro, o evento também terá muitas cervejas artesanais para o público. Os estabelecimentos estão situados em municípios da Serra da Mantiqueira paulista, Serra da Bocaina, Vale Histórico e Sul de Minas Gerais. O estado de São Paulo tem 10 cidades participando com 23 restaurantes, enquanto Minas Gerais possui 17 cidades e 43 estabelecimentos inscritos.

Churrasco e cerveja em Itapevi
Itapevi realiza neste fim de semana (2 a 4), das 12h às 22h, a primeira edição do Burning Fest – Batalha de Assadores, no estacionamento do Parque da Cidade. O evento contará com cerca de 30 expositores, além de atrações culturais e muita cerveja. O objetivo do Burning Fest é celebrar o churrasco e levar entretenimento aliado à gastronomia, cervejas artesanais e boa música. A iniciativa diz preservar a cultura “Craft Beer Renaissance” (Cerveja Artesanal Renascentista, em uma tradução livre), o que permite aos amantes da cerveja uma degustação especial focada na qualidade do produto, criatividade e originalidade. A entrada será gratuita

Ingressos para festival
O Brejada está organizando mais um evento, desta vez um festival que vai combinar música e cerveja artesanal. O festival, marcado para 1º de julho, na Tarantino, em São Paulo, já está com as vendas de ingressos abertas e contará com bandas autorais e covers renomados para garantir uma trilha sonora ao vivo de qualidade regada a muita cerveja.  Para este ano, a organização já garantiu as presenças das cervejarias Alvorada, Avós, Bendita Breja, Bloco 7, BR Brew, Brass Brew, Brewto’s, Burgman, Calmaria, Colorado, Cybeerlab, Demokrata, Dinastia, Ducabra, Euphoria, Geezer, Goose Island, Grifo Beer, Kaya, Leopoldina, Mad Lizard, Menze, Minessota, Moret, Olaf, Paulaner, Red Stripe, Rivas, Santo Chico, São Bernardo, Satélite, Sevá, Seven Hands, Velha Rabugenta, Verace e Zuraffa.

Heineken no Mita Festival
O Mita Festival acontece neste sábado e domingo (3 e 4), em São Paulo, tendo a Heineken como patrocinadora oficial. Com o discurso de ressignificar e ocupar o centro, a marca realizará ativações no Vale do Anhangabaú, local do evento, com comunicações envolvendo as pautas da energia verde e da circularidade.

Neutralização de carbono pelos parceiros
Para alcançar a ambição de neutralizar as emissões em toda cadeia de valor até 2040, o Grupo Heineken lançou o programa Brewing the Future. O projeto é voltado aos fornecedores de embalagens e matéria-prima, consistindo no rastreio da performance ESG de cada participante e na estruturação de um plano de descarbonização em parceria com o grupo. Hoje, cerca de 95,5% das emissões de carbono da companhia estão na cadeia de valor (escopo 3), sendo que fornecedores de embalagens representam 70% das emissões e 30% das emissões totais. Já os fornecedores de matéria prima representam 44% das emissões do cultivo e 10% das emissões totais. Serão impactados pelo programa 40% total dos emissores na cadeia de valor nesta primeira fase.

No clima da Liga dos Campeões
No “esquenta” para a final da Liga dos Campeões, a loja AmPm Carioca da Gema, no bairro Vila Olímpia, em São Paulo, vai receber uma ativação especial. Em parceria com a Heineken, neste sábado e domingo, os consumidores vão realizar um tour virtual no Estádio Olímpico Atatürk, em Istambul, através de óculos de realidade virtual. No dia da final (10 de junho) entre Inter de Milão e Manchester City, haverá exibição do jogo em um telão com sistema de som e ofertas especiais da Heineken, além de uma decoração exclusiva para o local.

Patrocínio em Campos do Jordão
O FireUP Lounge Bar, de Campos do Jordão, anunciou o patrocínio da Heineken, com início da sua programação na próxima quinta-feira (8), feriado de Corpus Christi. Na programação, nomes como os DJs Chemical Surf, Dre Guazzelli, Edu Zottini, Karen Machado, Viktor Mora, Gabo Venutti, André Morete e outros artistas da cena da música eletrônica.

Edital para soluções sustentáveis
A Ambev recebe inscrições para a 5ª edição de seu programa de inovação aberta, o 100+ Labs Brasil, voltado ao desenvolvimento de soluções sustentáveis e inovadoras. As organizações interessadas podem se inscrever em um dos nove eixos do programa: Agricultura Sustentável, Embalagem Circular, Mudanças Climáticas, Gestão de Água, Ecossistema Empreendedor, Amazônia, Diversidade e Inclusão, Consumo Consciente e Responsabilidade Ambiental na Cadeia de Suprimentos, sendo os três últimos novidades desta edição.  O programa busca negócios com soluções aptas para implementação e teste, seja em fase piloto ou prontas para serem utilizadas pelo mercado. As inscrições podem ser realizadas até a próxima sexta-feira (9) por meio do link.

Nacional na Semana do Hambúrguer
A Cervejaria Nacional preparou a Semana do Hambúrguer, que vai até sábado (3). Nela, os clientes poderão desfrutar de combos de hambúrguer, fritas e cerveja. A cada dia, um combo diferente fica disponível para os visitantes, pelo preço de R$ 62.

Visitação na Krug Bier  
A Experiência Krug Bier volta a acontecer neste sábado (3). Quem quiser conhecer de perto como a cerveja é produzida em um passeio guiado e interativo, pode adquirir seu passaporte através do link. Nesta edição, a Krug vai sortear brindes para os visitantes. O Tour na Fábrica é ministrado por Fabiana Bontempo, cervejeira, mestre em estilos e embaixadora da Krug Bier. Ela é a responsável por receber os visitantes e apresentar de perto as matérias primas usadas na produção das cervejas, as instalações da nova fábrica e o processo produtivo na fábrica em Nova Lima (MG).

Marcos Guerra na Turatti
A cervejaria cearense Turatti reforçou seu time com a chegada de Marcos Guerra, um dos mais conceituados mestres cervejeiros do Brasil. Guerra, que participou do desenvolvimento de cervejas que ganharam mais de 160 medalhas nacionais e internacionais, já atuava como consultor da Turatti. Agora, passa a compor sua equipe fixa. E criará uma linha de rótulos premium.  Ele é mestre cervejeiro, beer sommelier, mestre de estilos e consultor, com mais de 20 anos de atuação. Em seu portfólio, além das dezenas medalhas, soma mais de 112 receitas de cervejas criadas, cerca de 80 receitas corrigidas e ultrapassa 32.640 horas de brassagens.

Medalhas no European Beer Challenge
As cervejarias brasileiras conquistaram dez medalhas no European Beer Challenge, um concurso anual realizado em Londres. Foram seis medalhas para a Masterpiece, sendo dois ouros, para a Mona Lisa, uma Catharina Sour, e para a Van Gogh, uma Dark Sour. As outras quatro medalhas foram para a Ashby, sendo que a Session IPA e a Strong Ale levaram ouro.

Logística para o European Beer Star
A Father Estratégias Internacionais atuará como hub logístico para o envio de amostras para a European Beer Star. O prazo para o cadastro das cervejarias e envio das amostras para participação no concurso na Alemanha é 12 de julho, mas para que tudo seja realizado em tempo hábil, as entregas para a Father devem ser feitas até o dia 10 do próximo mês.

Ação da Ambev se valoriza em maio, mas sem reverter queda no ano

Acompanhando o ritmo do mercado financeiro nacional, a ação da Ambev fechou o mês de maio valorizada em relação a abril, mas ainda sem registrar alta em 2023. Ao terminar a sessão da última quarta-feira na B3, a bolsa de valores brasileira, com preço de R$ 14,41, apresentou valorização de 1,76% no mês.

O resultado representou uma recuperação em relação a abril, mas ainda é insuficiente para superar o valor de R$ 14,52 em que a ação fechou o ano de 2022. Assim, apresenta queda no período de janeiro a maio, ainda que modesta, de 0,76%.

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O desempenho se deu em um mês que começou com a divulgação do balanço do primeiro trimestre da Ambev, no dia 4, com alta anualizada de 8,2% no lucro líquido, para R$ 3,819 bilhões. Mas a movimentação no mercado se deu mesmo na véspera da apresentação do resultado financeiro, quando a ação da companhia valorizou 2,03%, e por um ajuste no dia seguinte (5), quando houve perda de 1,43%.

A alta do papel da Ambev também poderia ter sido maior em maio, não fosse um recuo de 1,9% em seu preço na última terça-feira (30). Na véspera, analistas do Itaú BBA divulgaram um relatório no qual baixaram o preço-alvo da ação da companhia de R$ 18 para R$ 17.

No material, eles citaram algumas preocupações envolvendo a Ambev, como a hiperinflação na Argentina, passivos fora do balanço que podem se tornar provisões e a possível exclusão de incentivos fiscais, principalmente relacionados a juros sobre capital próprio.

Assim, a Ambev terminou maio com valorização modesta na Bolsa e ainda acumula saldo negativo no ano. É um cenário bem parecido, inclusive, com o do Ibovespa, o principal índice da B3. Afinal, ao fechar maio em 108.335,07 pontos, teve ganhos de 3,74% no mês. Mas ainda registra queda de 1,27% em 2023.

Foi um mês em que a economia brasileira demonstrou alguma resiliência, com a taxa de desemprego ficando em 8,5% ao fim de abril, a menor para o período desde 2015, e o IPCA desacelerando para 0,61%, o que aumentou a expectativa de redução da taxa de juros. Além disso, o arcabouço fiscal foi aprovado na Câmara dos Deputados.

No entanto, o cenário global trouxe pouco otimismo, seja pela divulgação do modesto PIB da China, que cresceu 3% em 2022, no segundo pior resultado desde 1976, ou pela incerteza nos Estados Unidos, com a crise do teto da dívida e as complicações nas conversas para permissão de obtenção de novos empréstimos pelo governo.

Dentro desse contexto, a Ambev se inseriu entre as 64 – de um total de 86 – ações que valorizaram em maio, com o maior destaque sendo a alta de 73,28% da Yduqs. Na outra ponta, o maior recuo foi da Cielo, de 13,25%.

Fora do Brasil
Em Nova York, o mês foi quase de estabilidade para a Ambev. Por lá, a ação desvalorizou US$ 0,01 no período, fechando maio com preço de US$ 2,79. Já em 2023, o papel acumula alta de 2,57%.

Na Europa, houve queda relevante nos preços das ações das duas principais cervejarias do mundo. O ativo da AB InBev terminou maio com preço de 49,91 euros, desvalorizando 15,55% no mês, e passou a somar perdas de 11,3% em 2023. Já a ação do Grupo Heineken recuou 9,2% em maio, caindo para 94,48 euros. Ainda assim, tem alta acumulada de 7,53% neste ano.

Femsa faz venda bilionária e deixa de ter participação acionária na Heineken

A Femsa, conhecida mundialmente por ser a principal engarrafadora da Coca Cola, se desfez da sua participação no Grupo Heineken. A empresa mexicana anunciou ter lançado uma oferta de cerca de 3,3 bilhões de euros em ações da Heineken NV e da Heineken Holding NV, e uma oferta adicional simultânea de até 250 milhões de euros em títulos permutáveis ​​por ações da cervejaria holandesa com vencimento em 2026.

De acordo com comunicado divulgado pela Femsa, as ações negociadas representam 5,9% da participação conjunta do Grupo Heineken. E a própria companhia de origem holandesa comprou uma parcela de 10% ações que foram colocadas à venda pela empresa mexicana.

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Em comunicado, o grupo explicou ter adquirido 2,5 milhões de ações ao preço de 92,75 euros, ao total de 235 milhões de euros, e cerca de 1,3 milhão de ações da Heineken Holding NV por 77,25 euros por ação, somando 98 milhões de euros. E isso provocou um investimento agregado de 333 milhões de euros.

“A Heineken observa que, após a conclusão da compra, a Femsa não mais deterá nenhuma ação da Heineken e da Heineken Holding NV, exceto pelas ações da Heineken Holding NV subjacentes a seus títulos permutáveis”, afirma o Grupo Heineken.

Uma iniciativa parecida havia sido realizada pela Femsa em fevereiro, quando fez outra negociação de títulos e ações, então de 3,5 bilhões de euros. Em conjunto, naquele momento, anunciou que a negociação fazia parte da estratégia da companhia mexicana de vender todas as suas ações na cervejaria, que correspondiam, à época, a uma participação de 14%, com o intuito de pagar dívidas e realizar investimentos em outras áreas, além de deixar seus assentos no conselho da companhia.

Naquela oportunidade, a própria Heineken fez uma recompra de ações, investindo um valor agregado de aproximadamente 1 bilhão de euros. Além disso, o magnata norte-americano Bill Gates aproveitou a oferta de títulos para adquirir uma participação de 3,76% na cervejaria de origem holandesa.

Quem é a Femsa?

Multinacional com um grande portfólio, a Femsa foi fundada em 1890, na Cidade do México. Com várias divisões de negócios, a mais conhecida é a Coca-Cola Femsa, a maior engarrafadora de produtos da gigante das bebidas no mundo, tendo grande presença na América Latina, incluindo a distribuição dos produtos.

A Femsa Comercio opera uma das maiores cadeias de lojas de conveniência da América Latina, a Oxxo, que, inclusive, tem aumentado exponencialmente a sua participação no mercado brasileiro. A companhia também conta com uma fintech e uma rede de postos de gasolina. Em 2010, havia adquirido 20% das ações do Grupo Heineken.

8 avaliações sobre o futuro do setor cervejeiro a partir da pesquisa do Guia

8 avaliações sobre o futuro do setor cervejeiro a partir da pesquisa do Guia

Os desafios enfrentados pelo setor recentemente e os gargalos que ainda impedem uma recuperação mais consolidada da pandemia foram constatados no levantamento “O Ano de 2022 para as Cervejarias“. No entanto, esses obstáculos não ofuscam as perspectivas de um futuro promissor, na visão de especialistas e representantes do setor cervejeiro ouvidos pela reportagem do Guia.

Após um ano de ajustes, a indústria ainda se depara com desafios e precisa aproveitar oportunidades que impulsionarão seu crescimento. Segundo esses profissionais, essa expansão passa pela necessidade de uma reforma tributária adequada, redução da burocracia e dos custos operacionais.

Os especialistas ponderam que, para tornar o crescimento sustentável, é necessário também fazer o dever de casa, com investimento na qualificação da gestão das cervejarias e dos profissionais que atuam diretamente no mercado.

Além disso, há perspectivas de mudanças nos tributos para impulsionar o setor cervejeiro, permitindo melhorias na operação das empresas. Nesse sentido, a reforma tributária é vista como uma medida essencial para o desenvolvimento do segmento.

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Confira a seguir as perspectivas de oito profissionais do setor cervejeiro com base nos resultados do levantamento “O Ano de 2022 para as Cervejarias”:

Abracerva (Gilberto Tarantino, presidente)
Cerveja artesanal é uma paixão e continua sendo um segmento muito promissor e atrativo. Por isso, acreditamos que o setor continuará crescendo em share, em volume e em quantidade de empresas e empregos gerados. O desafio é que isso aconteça com sustentabilidade econômica, social e ambiental. Por isso, nossa luta por justiça tributária, melhores oportunidades dentro da cadeia de distribuição e PDVs e os esforços de qualificação da gestão das cervejarias e dos profissionais do mercado.

Abralatas (Guilherme Canielo, relações corporativas)
O futuro é, sem dúvidas, promissor. Em 2022 tivemos um ano de ajustes, que foi o pós-pandemia, mas entendemos que esse momento passou. Estamos em meio a importantes ajustes econômicos no Brasil, principalmente tributários, que tendem a melhorar o cenário de consumo geral e dar fôlego às empresas. O acesso a insumos e a embalagens mais adequadas para os variados gostos, adequados para os consumidores modernos e que se preocupam com o meio ambiente e a sustentabilidade, certamente estarão mais favoráveis e permitirão seguir com a expansão histórica e identificada na pesquisa.

Abrasel (Paulo Solmucci, presidente-executivo)
O futuro tende a ser melhor, mas nós precisamos equacionar a questão do custo, promovendo pequenos ajustes de preço, de maneira que o setor possa encontrar uma sustentabilidade. Por fim, o setor de alimentação fora do lar precisa de ajuda, com o refinanciamento de dívidas para micro e pequenas empresas, inclusive de cervejarias. Estamos negociando para que a nova rodada do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) venha com prazos maiores para pagamento das dívidas. Isso pode ser o caminho para ajudar os empreendedores que estão inadimplentes a voltarem a operar em lucro.


ANR (Fernando Blower, diretor-executivo)
Nossa visão é que 2023 ainda será um ano complicado por trazer reflexos dos anos anteriores, porém é um momento que tende a levar para uma recuperação. Assim como em todos os setores, a tendência é de uma volta à normalidade, onde as pessoas saem de casa e vão voltar com seus hábitos de consumo.

Euromonitor (Rodrigo Mattos, analista de bebidas)
Acredito que o setor ainda deva se desenvolver mais. Temos um mercado muito concentrado em poucas empresas de grande porte, o que parece mostrar que existe espaço a ser roubado por empresas de médio porte que ofereçam um produto interessante e apelativo ao consumidor. Além disso, mesmo visualizando crescimento de volume, o share da categoria se mantém estável frente a cervejarias “normais” o que mostra que ainda falta uma capacidade de ganhar espaço frente as grandes. Por fim, acredito que exista um potencial legal a se explorar em explorar novas identidades para se ganhar “share of mind” entre os consumidores. Digo isso com alguns exemplos em mente, como a Japas Cervejaria, a Implicantes e outros exemplos. Assim, a proposta não é crescer nem ser um player do mercado, mas oferecer um produto a um nicho fiel que assim vai dar giro para a marca que vive principalmente de propósito.

Além disso, fora do escopo, eu ficaria de olho em questão de taxação, como não está claro ainda como vai ser o novo arcabouço fiscal e as novas políticas fiscais do governo, a possibilidade de um “sin tax” ainda ronda, mesmo que se simplificada, a taxação pode aumentar. Recomendo que isso seja discutido até em grupos de trabalho e se pense em como o setor vai responder: talvez seja positivo, porque as microcervejarias bem geridas ganhariam fôlego com um produto premium que manterá as margens, enquanto as grandes marcas de mainstream e low price podem ficar mais prejudicadas… Porém, ainda teremos mais impostos e o que devemos fazer para gerir bem a indústria?

Febracerva (Marco Falcone, presidente)
O setor ainda é uma incógnita nesse ano. Não sabemos o que vem pela frente de política econômica. Vem aí uma reforma tributária e estamos trabalhando para evitar que aconteça o pior, que seria a inclusão no imposto do pecado. A cerveja caminha junto com a evolução da sociedade humana, tem uma importância cultural, estando presente em eventos, além de contribuir para as relações sociais.

Existe perspectiva de crescimento em 2023, como constatado pela pesquisa, mas também estamos com um pé atrás por tudo o que vivemos na pandemia. Precisamos de uma carga tributária melhor para que ocorra o crescimento.

Ministério da Agricultura (Eduardo Marcusso, servidor público e consultor técnico da Câmara Setorial da Cerveja)
Todos os debates cervejeiros que participo acabam caindo na questão tributária, vejo que o crescimento e a força que o setor apresentou na última década necessitam de diferenciação tributária para manter esse patamar. A maioria dos países com tradição cervejeira e/ou grande mercado possuem política tributária diferenciada para micro e pequenas empresas ou específico para as cervejarias artesanais.

No Brasil, a reforma tributária é essencial para o setor, mas como ela foca na simplificação e não vai mexer no Simples Nacional, é fundamental que exista mobilização para aprovação dos projetos de lei que vão nessa direção, tanto na Câmara dos Deputados (PLP 108/2021), quanto no Senado (PLP 127/2021). Hoje o teto do Simples Nacional se tornou uma barreira para o crescimento das microcervejarias, o seu aumento iria impulsionar centenas de empreendimentos cervejeiros pelo país

Eduardo Marcusso, servidor público do Ministério da Agricultura

Sindicerv (Márcio Maciel, presidente executivo)
O setor cervejeiro segue otimista. É o primeiro ano cheio após a pandemia, marcado pela retomada do carnaval nas ruas, as festividades regionais (como São João e a Oktoberfest) e os principais eventos esportivos e musicais em todo o País. O Brasil ocupa posição relevante na produção de cerveja e somos um parceiro estratégico para a retomada do crescimento do país. No entanto, ainda temos o obstáculo do peso dos impostos, relatado pelos produtores como o principal desafio.

Para avançarmos mais no crescimento do setor, precisamos de uma reforma tributária que reduza a burocracia, o contencioso jurídico, a quantidade de impostos, a complexidade e o custo da sua operação. E que traga segurança jurídica para a indústria, sem aumento da carga tributária, uma das mais altas do mundo para a atividade produtiva. O impacto atual dos tributos no preço final da cerveja chega a 56%.

Brasil atinge recorde e recicla 100% das latas comercializadas em 2022

O Brasil reciclou 100% das latas de alumínio comercializadas em 2022, um feito inédito. De acordo com os dados obtidos pela Recicla Latas, com o apoio da Associação Brasileira do Alumínio (Abal) e da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas), os recicladores processaram 390,2 mil toneladas de sucata de latinhas, montante equivalente às 31,85 bilhões de unidades comercializadas pelos fabricantes de latas ao longo do último ano.

O índice de reciclagem do ano passado é o maior da série histórica, superando o recorde de 2021, quando havia sido de 98,7%. E compõe um cenário de elevadíssimos números de reciclagem das latas de alumínio nos últimos 15 anos, período em que a média fica acima de 95% no Brasil.

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“Esse resultado comprova mais uma vez que o sistema de logística reversa brasileiro das latas de alumínio é robusto e maduro. Nossos associados continuam aperfeiçoando esse modelo e mantendo nossos índices em patamares elevados, inclusive em cumprimento aos compromissos que assumimos com o Ministério de Meio Ambiente”, destaca Renato Paquet, secretário executivo da Recicla Latas.

O índice recorde foi alcançado mesmo com os desafios encarados pelo setor em 2022, com recuo de 4,7% nas vendas de latas de alumínio na comparação com 2021, encerrando uma sequência de cinco anos de alta da produção.

“O ano de 2022 foi atípico, mas estamos felizes por alcançarmos um recorde. Houve um ajuste de estoques na cadeia produtiva, com reflexos até mesmo no nosso índice de reciclagem. No final das contas, houve um fluxo maior de latas para a reciclagem”, comenta Cátilo Cândido, presidente executivo da Abralatas e atual presidente do conselho da Recicla Latas.

As estimativas são de que a reciclagem injete aproximadamente R$ 6 bilhões anualmente na economia brasileira, garantindo trabalho e renda para mais de 800 mil catadores. A reciclagem das latas também tem grande importância ambiental, pois evitou a emissão de mais de 15 milhões de toneladas de gases ao longo dos últimos dez anos.

 “Nossas ações pela reciclagem são amplas e estruturadas, refletindo em resultados extremamente positivos como esse. Além de recuperarmos todo o montante colocado no mercado, ainda realizamos campanhas de educação ambiental e projetos de capacitação de gestores públicos e cooperativas de catadores. Aliás, os catadores são peça fundamental nesse sistema e é nossa prioridade melhorar suas condições de trabalho”, comenta o secretário executivo da Recicla Latas.

Para tornar o Brasil uma referência global em reciclagem de lata, o país conta, hoje, com 36 centros de coleta em 19 estados, centros de laminação e reciclagem e 25 fábricas da embalagem em todas as regiões do país.

“Este resultado consolida o alumínio como solução estratégica para a economia circular. O protagonismo da indústria brasileira na reciclagem de latas para bebidas se deve aos investimentos do setor do alumínio na ampliação e modernização das fábricas de reciclagem e em rede própria de coleta, e reafirma a capacidade da cadeia de atender à toda demanda nacional”, explica Janaina Donas, presidente executiva da Abal.

Especial Vidro: Estética e circularidade impulsionam uso por cervejarias

A decisão sobre como envasar uma bebida é estratégica e passa por uma série de aspectos que vão muito além de meras preferências. Com os diferentes tipos de embalagem tendo suas virtudes e desafios, o vidro busca se destacar e conquistar as cervejarias por seus atributos estéticos, potencial de circularidade e características quando em contato com a bebida, de acordo com a visão de especialistas ouvidos pelo Guia.

Para quem deseja conquistar o consumidor em prateleiras concorridas e com elevada diversidade de opções, a garrafa de vidro pode ser um importante chamariz, como avalia Lucien Belmonte, superintendente da Associação Brasileira das Indústrias de Vidro (Abividro).

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“Na gôndola, você tem apenas alguns segundos para chamar a atenção do consumidor, atribuindo um valor intrínseco e fechando a intenção de compra. E a embalagem é o veículo principal. Ela é uma parte super importante para a atribuição de valor pelo público”, afirma.

Na visão de Maria Victória Martins, especialista em inteligência de mercado da Verallia, o vidro tem esse potencial de se conectar com o consumidor pela variedade de formatos e possibilidade de uso pelas cervejarias, o que garante uma diversidade de opções.

“Isso acontece porque o vidro permite diversificação em termos de design, tamanho e peso das garrafas, que podem também ser fabricadas em cores diferentes, rotuladas em papel ou autoadesivo e decoradas conforme a proposta de cada cervejaria”, diz.

Além disso, o consumidor já tem em mente que cada tipo de embalagem de vidro pode servir para uma experiência diferente, na visão de Belmonte. “A long neck é vista como uma opção mais premium, enquanto o casco está associado com o produto econômico”, argumenta o superintendente da Abividro.

Os especialistas destacam, porém, que não são apenas aspectos estéticos que fazem com que o vidro seja uma opção interessante para o envase de cervejas. Características como resistência, durabilidade e impermeabilidade tornam esse tipo de embalagem uma solução interessante para quem atua no segmento.

A maior resistência do vidro garante uma carbonatação mais adequada, que também é preservada pela impermeabilidade desse material, evitando reações químicas.

“O vidro é a melhor barreira e garante a maior pureza no contato com a bebida e o alimento. É uma barreira mais eficiente de oxigenação e para as propriedades organolépticas, preservando o sabor. Ele não interage com a bebida. Por isso, também tem um shelf life diferente”, afirma Belmonte.

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Para os profissionais da indústria do vidro, a embalagem desse material também está em consonância com a sustentabilidade, sendo um importante aliado da economia circular, como destaca Gabriela Ditt, analista de relações institucionais e sustentabilidade da Abividro.

“O vidro é o material mais em linha com a economia circular. Ele é reciclado nas próprias fábricas de produção de novos vidros, substituindo a areia. É 100% reciclável e pode ser reciclado infinitas vezes, sem nenhuma perda no processo e nem diminuição de qualidade”, diz.

Além do seu aproveitamento para reciclagem, muitas embalagens de vidro, principalmente as garrafas de bebidas, são desenhadas para serem retornáveis, ou seja, podem ter diversos ciclos de reenvase antes de serem descartadas.

“Estima-se que uma garrafa de cerveja retornável pode ter até, aproximadamente, 35 ciclos de envase e consumo, sem a necessidade de serem descartadas e substituídas por garrafas novas”, afirma a analista de relações institucionais e sustentabilidade da Abividro.

A presidente da Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe), Cristiane Foja, ressalta que o vidro, assim, pode aproximar a cervejaria do consumidor, que vem ampliando o seu engajamento e a busca por produtos que estejam associados à sustentabilidade.

É uma tendência de consumo crescente: o público só adquire o produto se tiver propósito sustentável. Isso é, muitas vezes, um fator determinante na escolha. E o vidro traz essa proposta, por ser um material infinitamente reciclável, em que nada se perde

Cristiane Foja, presidente da Abrabe

Petrópolis propõe desconto de até 70% nas dívidas e venda de ativos energéticos

O Grupo Petrópolis protocolou a sua primeira proposta de recuperação judicial, com o intuito de pagar suas dívidas com credores. Para reestruturar os seus débitos, a companhia pede descontos de até 70% sobre algumas das suas dívidas, além de indicar a intenção de vender ativos da sua operação no setor energético para gerar caixa.

O documento foi protocolado pelo Grupo Petrópolis na 5ª Vara Empresarial da Justiça do Rio de Janeiro, que aceitou o pedido de recuperação judicial e precisa ser aprovado pela assembleia de credores. Porém, até a realização dessa votação, a proposta pode passar por ajustes.

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No plano de recuperação judicial, o Grupo Petrópolis não incluiu a Maltería Oriental, responsável pela produção e comercialização de malte de cevada, que apresentou um documento em separado para reestruturação das suas dívidas com os credores.

A proposta
O Grupo Petrópolis propõe deságio de 70% das dívidas com credores quirográficos e para as microempresas e empresas de pequeno porte, com pagamento se iniciando apenas em 2035. A outra opção para quem pertence a esses grupos é o recebimento de R$ 10 mil ou R$ 3,5 mil, respectivamente, 30 dias após a homologação do acordo.

Por outro lado, a proposta de reestruturação das dívidas do Grupo Petrópolis não prevê deságio dos valores a serem pagos a credores trabalhistas, que deverão começar a ser pagos até 30 dias após a data de homologação do acordo.

O mesmo procedimento será adotado com os debenturistas, com a diferença de que a carência para o início do pagamento será de seis meses. Além disso, o Grupo Petrópolis destaca, em sua proposta, que pretende reservar o valor da venda de ativos no segmento energético para o pagamento dessas dívidas.

Desde 2010, o Grupo Petrópolis atua no setor de energia, incluindo uma participação de 100% na empresa Electra Power. Deve, assim, vir desse portfólio as vendas para garantir recursos visando o pagamento de parte dos seus débitos.

O Grupo Petrópolis também garante, em sua proposta, condições melhores para credores colaboradores, incluindo nesse grupo aqueles que continuem ou passem a fornecer bens, insumos, materiais ou serviços não financeiros em condições de mercado; mantenham as fianças bancárias já emitidas e se obriguem a renová-las. Embora haja diferenças na carência para o pagamento, que varia entre 24 e 36 meses, não haverá deságio para qualquer tipo de colaborador.

O pedido de recuperação judicial
O Grupo Petrópolis entrou com pedido de recuperação judicial nos últimos dias de março, quando estava para vencer uma parcela de R$ 107 milhões de sua dívida com o Banco Santander.

No total, o Grupo Petrópolis afirma que a sua dívida é de R$ 4,2 bilhões, sendo R$ 2,2 bilhões com fornecedores e outros R$ 2 bilhões derivados de operações financeiras e de mercados de capitais.

O seu maior credor é o Siena Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, no valor de R$ 661,635 milhões. Sem levar em consideração a incidência de correções, caso aceite a proposta aos credores quirográficos que não optem pela colaboração, o Siena renunciaria a mais de R$ 460 milhões.

Em seu processo de recuperação judicial, o Grupo Petrópolis é assessorado pelos escritórios Galdino, Coelho, Pimenta, Takemi, Ayoub Advogados e Salomão, Kaiuca, Abrahão, Raposo e Cotta Advogados. Já a administração judicial do caso cabe à Preserva-Ação Administração Judicial e ao escritório de advocacia Zveiter.

Dívida e perda de mercado
Para justificar o elevado endividamento, o Grupo Petrópolis relatou queda na venda de bebidas, que caiu de 31,2 milhões de hectolitros no fim de 2020 para 24,1 milhões de hectolitros no término de 2022. Isso foi provocado pela perda de participação no mercado de cerveja: de 15,3% em 2020 para 10,6% em agosto de 2022.

Assim, a companhia ficou com capacidade produtiva ociosa em suas fábricas, além de ter sofrido com a alta de insumos e da inflação, com esses custos não sendo repassados em sua totalidade aos preços. Além disso, citou, no pedido de recuperação judicial, ter sofrido forte impacto da alta da Selic, a taxa básica de juros, que provocaria um impacto anual de R$ 395 milhões no fluxo de caixa da companhia.

Controlado por Walter Faria, o 13º brasileiro na lista de bilionários da Forbes, com R$ 3,3 bilhões, o Grupo Petrópolis é o terceiro maior grupo cervejeiro do Brasil. A companhia possui capacidade total de fabricação de 52,4 milhões de hectolitros de bebidas, embora afirme estar produzindo apenas 21 milhões de hectolitros.

Atualmente, o Grupo Petrópolis fabrica as marcas de cerveja Itaipava, Crystal, Lokal, Black Princess, Petra, Cabaré, Weltenburger e Brassaria Ampolis (com os rótulos Cacildis, Biritis, Ditriguis e Forévis); as vodcas Blue Spirit Ice e Nordka; a Cabaré Ice; os energéticos TNT Energy Drink e Magneto; o refrigerante It!; o isotônico TNT Sports Drink; a água Petra e água tônica Petra. Com oito fábricas em operação, o grupo estima ser responsável pela geração de aproximadamente 24 mil empregos diretos.

Agrária amplia interação e grade de palestras no seu congresso técnico em 2023

A Agrária Malte promoverá mais uma edição do Congresso Técnico Internacional com novidades no seu formato em 2023. Agendado para junho, o evento, em Entre Rios, distrito de Guarapuava (PR), passou por mudanças com o intuito de aumentar as possibilidades de interação entre os participantes e ampliar as opções de palestras, permitindo que o público defina uma jornada que esteja mais de acordo com as demandas da sua cervejaria.  

Em 2023, o Congresso Técnico Internacional vai ocorrer entre os dias 19 e 21 de junho, com toda a programação concentrada no Centro de Eventos da Agrária, que possui 11 mil m². O dia seguinte contará com visitas técnicas à estrutura da companhia, assim como vai marcar o início de uma das novidades deste ano, um curso de destilação com especialistas da Agrária e da Lallemand, que irá até 24 de junho.

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Aproveitando a estrutura do seu centro de eventos, a Agrária optou por alterar o formato do Congresso Técnico Internacional, passando a realizar palestras simultâneas. Com duas palestras magnas por dia, uma mesa redonda e dois períodos para palestras simultâneas, os participantes poderão acompanhar 15 conteúdos durante os três dias de realização do evento.

A principal diferença em relação a edições anteriores do Congresso Técnico Internacional está na possibilidade de o cervejeiro definir, entre as três opções de palestras simultâneas, qual assunto prefere acompanhar.

A programação, inclusive, foi definida de acordo com a percepção das principais demandas das cervejarias, envolvendo assuntos importantes para quem atua no dia a dia do setor, como o mercado de cevada e malte, abordagens sobre leveduras e temas técnicos, como estabilidade da espuma cervejeira e diacetil.

“A programação é definida a partir da percepção e análise sobre quais são as principais dores do mercado, obtidas nas conversas com as cervejarias e os parceiros. A partir disso, se elabora os assuntos que vão ser abordados.  Em um momento de pressão inflacionária sobre o setor, temas como eficiência e shelf life precisam entrar na pauta. O propósito é contribuir para o desenvolvimento das empresas com a abordagem de conteúdos densos”, explica a Agrária.

A realização do encontro no Centro de Eventos da Agrária também está em consonância com o desejo dos organizadores de ajudarem no aumento da interação entre os participantes, como as cervejarias e os fornecedores, destaca a companhia.

Percebemos que a interação entre as pessoas é fundamental. E decidimos revolucionar isso, fazendo tudo em nosso centro de eventos, com uma área que permite tanto a realização das palestras quanto as interações, com a feira cervejeira que acontece junto ao congresso

Agrária Malte

Assim, além da maior liberdade para a definição dos conteúdos que desejam acompanhar, os participantes contarão com mais espaço para a realização de conversas com parceiros. E o centro de eventos ainda terá uma feira de fornecedores, que tem 17 empresas confirmadas. “O participante escolhe qual trilha quer seguir. Ele entende as necessidades da sua cervejaria e direciona o seu desenvolvimento. O participante ficou gestor da sua programação”, destaca a Agrária.  

Os participantes do Congresso Técnico Internacional são convidados por representantes da Agrária. Em 2023, a companhia trabalha com a perspectiva de receber 600 participantes ao encontro, que terá o valor de R$ 150 por pessoa, dando direito ao acompanhamento das palestras, almoço, jantar e show musicais diários, além de traslado de ida e volta entre hotéis em Guarapuava e o Centro de Eventos da Agrária.

Para além da cerveja
Em 2023, além do Congresso Técnico Internacional e da visita às instalações da Agrária, com passagens por Museu Histórico de Entre Rios, Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária, maltaria, destilaria e cervejaria experimental da companhia, haverá um curso de destilação de três dias. Promovido em parceria com a Lallemand, o curso pretende reunir cerca de 40 participantes, com uma imersão no assunto.

A sua criação partiu da percepção da Agrária do crescimento do número de cervejarias que se interessam pela produção de outras bebidas alcoólicas. “A destilação é algo que as cervejarias têm investido mais. Então, pensamos que estava na hora de promovermos algo voltado a esse mercado. E nos unimos aos nossos parceiros para fazer o curso voltado às cervejarias com processo mais avançado de trabalho com destilação”, explica.

Confira a programação de palestras da edição de 2023 do Congresso Técnico Internacional da Agrária:

19 de junho (Segunda-feira)
9h20 – Palestra magna – Alexandre Karkle – Mercado de cevada e malte

11h15 – Palestras simultâneas:         
Fábio Teleginski – Formas de aumentar eficiência e rendimento no processo produtivo reduzindo custos e mantendo a qualidade
André Trombe – Como melhorar o shelf life de sua cerveja através de técnicas de filtração
Fernanda Bressiani – A influência sensorial no consumo de alimentos e bebidas

14h – Palestras simultâneas  
Alexander R. Schwarz – Clean label: A lei de 1516 mais atual do que nunca
Kátia Jorge – Sensorial como ferramenta de qualidade
Rodrigo Toledo – Propriedades técnicas das garrafas, envase adequado, cuidados com a garrafa de vidro

15h – Palestra Magna – Alírio Caldera – Estabilidade de espuma da cerveja, uma revisão técnica

17h – Mesa redonda – Novas perspectivas tecnológicas de malte – Como maltarias tornaram mais fácil o trabalho do cervejeiro

20 de junho(terça-feira)
9h – Palestras simultâneas    
Paulo Matias – Tecnologia para recuperação de CO2
Ivan Hartmann – Muito além do malte Pilsen: explorando o potencial dos outros maltes base
Ben Souffriau – Como otimizar ésteres frutados e álcoois superiores afinando os parâmetros fermentativos

10h – Palestra magna – Sylvie Van Zandycke – Leveduras do futuro: Soluções práticas para os cervejeiros

14h – Palestras simultâneas
Alexander Weckl – Humm DMS! É realmente um problema?
Lígia Marcondes – Boas práticas de fabricação e sanitização
Pérsio Volpini – Sabor da cerveja sem culpa: Produção de cervejas low carb, light e sem álcool

15h – Palestra magna – José Antunes – Tudo o que você quis saber sobre diacetil e teve medo de perguntar

17h – Mesa redonda – O que as cervejarias esperam dos profissionais que estão entrando no segmento

21 de junho (quarta-feira)
9h – Palestras simultâneas    
Jean Palm – Flakes: Adjunto ou solução?
Teresa Yoshiko – Panorama do lúpulo brasileiro
Alirio Caldera – Maltes especiais com tradição

10h – Palestra magna – Darren Gamache & Stephanie Conn – Amarillo®: Um espectro de sabores

14h – Palestras simultâneas
Marcelo Barga – Kveik like Lager – A era da produção de Lager em temperatura alta
Jéssia Carneiro de Mello – Controle e monitoramento de pragas
José Ivan Vieira de Lima – Por que as cervejarias devem se digitalizar? Quais os benefícios da transformação digital e predição de dados no processo cervejeiro

15h – Palestra magna – Johann Bertazzoni – A arte do amargor elegante: da teoria à aplicação prática

17h – Mesa redonda – Convidado especial – Palestra especial