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Balcão da Chiara: Análise sensorial como parte da qualidade assegurada

Balcão da Chiara: Análise sensorial como parte da qualidade assegurada

Ter um programa de gestão sensorial implantado na cervejaria sem dúvidas significa poder contar com uma ferramenta que auxilia na garantia da qualidade. E ainda traz impacto na redução de custos, melhoria significativa na qualidade sensorial, consistência e estabilidade da cerveja.

As avaliações sensoriais podem ser decisivas em relação à rastreabilidade do processo para solução de problemas, identificação de tendências, mas não nos traz apenas dados sobre o perfil sensorial e defeitos no produto acabado. Também precisam ser aplicadas ao recebimento de insumos, monitoramento do processo, desenvolvimento de novos produtos, teste de aceitação com os consumidores, na substituição de matéria-prima, teste de prateleira, avaliação de concorrentes, avaliação do produto no mercado.  

Um sistema de gestão sensorial precisa de dedicação e estudo para que seja desenvolvido e aplicado com foco em resultados. Você pode se perguntar qual o custo de uma implantação e eu te respondo que o custo é muito menor do que o descarte de cervejas, retrabalho, consumo energético e a perda de credibilidade no mercado. E se você acha que sua cerveja é muito “boa”, te desafio a transformá-la em um produto excepcional e com consistência.

A estrutura física e de pessoas será de acordo com a disponibilidade e necessidade de cada empresa. Então não tem desculpa, é só adaptar para sua realidade!

Como começar?
O ponto de partida é a definição de quem será a pessoa responsável pela gestão do sensorial. A responsabilidade na garantia do recrutamento e treinamento das pessoas que irão compor o painel sensorial, pela coleta adequada de amostras, definição e cumprimento das rotinas de avaliação, condução da análise dos dados e do tratamento das anomalias, da rastreabilidade, construção dos procedimentos. Isso não significa necessariamente que essa pessoa irá executar todas essas atividades, e, sim, conduzir os processos.

Os procedimentos e fluxos precisam ser definidos!
Os procedimentos e metodologias de análises precisam ser definidos dependendo do objetivo de cada avaliação. É importante que nesse momento todo o processo seja mapeado para definir todos os pontos de coletas, insumos e processos a serem avaliados, metodologia e frequência de análise. Você precisa ter atenção ao fluxo de recebimento e avaliação das matérias-primas, avaliação do produto em elaboração, produto acabado e estabilidade.

Defina a estrutura!
Defina um local adequado para as avaliações sensoriais, sem ruído ou outras interferências. Não precisa necessariamente ter uma cabine para avaliação. Os avaliadores precisam estar em um ambiente tranquilo, com iluminação adequada e temperatura que seja confortável.

Lembre que você irá precisar de taças, geladeira/freezer para armazenamento das amostras. Não esqueça também de um espaço para armazenar as cervejas para avaliar a estabilidade do produto, que serão dispostas em temperatura ambiente durante o armazenamento.

Monte um painel sensorial!
Esta etapa é primordial para o sucesso do seu produto. Tenha um painel diverso. Não é preciso que todo(a) avaliador(a) seja cervejeiro(a). Abra o processo de recrutamento e seleção. Não esqueça de avaliar a saúde dos futuros avaliadores. O fator psicológico também precisa ser levado em consideração, não dispense esta etapa. Pessoas que sofrem transtornos pelo uso do álcool, dependentes ou que estejam em alguma situação de vulnerabilidade psicológica não devem participar do painel. Cuide da saúde física e mental dos painelistas. Não queremos que ninguém adoeça nas nossas cervejarias. Além dos exames iniciais, monitore a saúde ao menos anualmente. Faça uma avaliação psicológica e tenha um termo de compromisso assinado.

Monte um treinamento baseado nos procedimentos definidos previamente e faça uma avaliação. Afinal não basta querer ser um painelista, precisa ter conhecimento e habilidade, que podem ser desenvolvidos com muito treino.

Agora é hora de cumprir a rotina com disciplina e realizar análise dos dados coletados. Correção de rotas, análise do processo com base nas avaliações, análises estatísticas, avaliação de tendências, resolução das anomalias irão garantir a continuidade do trabalho e consistência sensorial. Não adianta realizar a avaliação sensorial e não fazer um tratamento dos dados!

O trabalho do avaliador de bebidas requer comprometimento, seriedade e ética. Cervejaria não é espaço aberto e sem regras. Os limites devem ser definidos e cumpridos com responsabilidade!


Chiara Barros é proprietária do Instituto Ceres de Educação e Consultoria Cervejeira. Engenheira Química, especialista em Biotecnologia e Bioprocessos, em Gestão da Qualidade e Produtividade e em Segurança de Alimentos, além de cervejeira e sommelière de cervejas.

Confira 16 lançamentos de cervejas artesanais realizados em maio

A variedade das cervejas artesanais foi reforçada no mês de maio por uma série de lançamentos das marcas. Seja para dar continuidade a séries, para celebrar aniversários ou datas especiais, como o Dia das Mães, as cervejarias trabalharam para oferecer mais opções aos consumidores.

A Dogma, por exemplo, presenteou o público com três lançamentos em maio, assim como a Pinneal. Já a Hop Flyers Brewing e a Três Morretes, motivadas pelos seus aniversários, criaram uma Double Black IPA e uma Strong Golden Ale, respectivamente.

Leia também – Venda de cerveja no Brasil deve crescer 4,5% em 2023, estima pesquisa

Permita-se explorar os sabores e descobrir novas preferências através dos lançamentos de cervejas realizados em maio e selecionados pela reportagem do Guia. Confira:

Bodebrown
A marca de Curitiba apresentou dois lançamentos de cervejas ao consumidor em maio. Motivada pela celebração do Dia das Mães, a Bodebrown lançou a Regina Sour Framboesa, uma sazonal ofertada em lata, de 473ml, ou em chope. É uma Berliner Weisse, sendo que graças à adição de framboesa, tem refrescância e acidez marcantes. A primeira fermentação traz notas com média acidez e 6,1% de grau alcoólico. O nome é uma homenagem a uma funcionária da Bodebrown, chamada Regina. Além disso, a marca fez o segundo lançamento do projeto Bodebrown Safra 2023 – Gastronomía Além do Infinito: Gigantes de Olinda e os Bonecos de Wallonie 6. A edição número 6 da Gigantes de Olinda traz uma fruta tipicamente brasileira, a jabuticaba, em uma receita com 7,5% de teor alcoólico. “Ela é uma referência no Brasil dentro do segmento de Belgo-Brasilian Ales, sendo uma cerveja única e exclusiva. Tem caráter complexo, com notas de malte, café e chocolate, pães de tosta média, frutas desidratadas – em especial a jabuticaba – e ainda ameixas e cereja”, explica Samuel Cavalcanti, CEO da Bodebrown.

Dádiva
No mês de maio, a Dádiva lançou a Unbox Life, uma Hoppy Wheat leve e fresca com aromas de frutas cítricas. Segundo a marca, os lúpulos ganham destaque, trazendo aromas de frutas cítricas e um sutil toque terroso no sabor. Ela traz, ainda, notas maltadas e textura aveludada provenientes do malte de trigo. Lançada em latas de 350ml, a novidade tem 4,6% de teor alcoólico, tendo sido produzida com exclusividade para o site da CervejaBox.

Dádiva + Oca
Dando sequência a uma linha de colaborativas, a Dádiva e a Oca realizaram em maio os lançamentos da 3ª e da 4ª cervejas da linha Dádiva + OCA Wild Ale A Dádiva+Oca Wild Ale Maracujá e a Dádiva+Oca Wild Ale Pêssego possuem 5,5% de teor alcoólico e estão sendo comercializadas em garrafas de 375ml. Assim como os primeiros rótulos da linha, elas foram fermentadas por mais de 24 meses com leveduras Brettanomyces nativas do Brasil e Saccharomyces cerevisiae. Ambas têm aromas e sabores fenólicos e minerais com acidez bem presente.

Dogma
A Dogma presenteou o público com três lançamentos em maio: a Nextra III, a Olímpico e a La Muerte. A Nextra III é uma IPA mais clara, neutra e leve, com teor alcoólico de 6,4%. Segundo a marca, a cerveja busca realçar ao máximo os sabores dos lúpulos utilizados, o que é feito a partir da criação de uma base composta apenas por malte Pilsen e flocos de arroz. A lupulagem foi feita com Strata, Strata hop Hash, Cascade e Motueka, criando um perfil sensorial que mistura frutas tropicais e cítricas além de um leve resinoso. É uma Cold IPA, fermentada em temperaturas mais baixas. A Olímpico foi criada em parceria com o rapper SP VIC e o Grupo Síntese, divulgando o disco lançado com o mesmo nome. É uma Session Ale feita com Mosaic, El Dorado e Amarillo e fermentada com um blend de fermentos do banco da Dogma, tendo 4,8% de teor alcoólico. Já a La Muerte é uma cerveja inspirada no tepache, bebida tradicional mexicana que é feita através da fermentação da casca e da polpa do abacaxi e especiarias. Essa Imperial Sour com 8% de álcool teve adição de abacaxi, além de usar o cumaru da Na´kau.

Hop Flyers Brewing
Para comemorar os 7 anos da Hop Flyers Brewing, a Cevada Pura, detentora da marca, lançou uma Double Black IPA, com fava de cumaru amazônico e maturada com amburana de tosta média. Levemente cítrica, a cerveja apresenta notas de madeira, tabaco, baunilha e coco. Batizada de Volcano, é uma cerveja com 8,1% de graduação alcoólica alta e 90 IBUs de amargor. Em sua brasagem foram utilizados os lúpulos Cashemere, Centennial e EXP 472.

Landel
A Landel aderiu à celebração inglesa de resgate ao consumo das Mild Ales e lançou em maio a Black Pug, Trata-se de uma Dark Mild Ale, escura, com 3,5% de teor alcoólico e 10 IBUs de amargor. Possui suaves notas de tostado, caramelo e um leve toffee. A novidade está disponível em chope e latas de 473ml.

Pineal
O mês de maio foi de três lançamentos para essa marca de Sorocaba (SP). A Mind Blow Figo, Cumaru e Maple, com 8,8% de graduação, envasada em lata de 473ml, tem notas de compota de figo, calda de caramelo, damasco e frutas brancas cristalizadas, segundo o seu descritivo. A Return to Innocence Barrel Aged Brett Saison, com 7% de álcool e também em lata de 473ml, apresenta no aroma um buquê frutado, lembrando abacaxi doce e laranja, com notas levemente rústicas trazidas pela bretta, além de leve herbal e condimentado, somado a um delicado amadeirado, fruto do seu longo repouso em carvalho americano. Já a Daily Gose com Tamarindo, somente disponível em chope, traz tamarindo em evidência, com acidez assertiva e amigável, segundo a marca.

Três Morretes
A cervejaria Três Morretes, completou 3 anos em maio e lançou uma cerveja comemorativa: a Penajóia, em alusão a uma grande mina que fez parte do Ciclo do Ouro de Morretes. Se trata de uma Strong Golden Ale com adição de mel e gengibre de Morretes, casca de laranja e semente de coentro.

Van Been
A Cervejaria Van Been anunciou o lançamento da Pieter in Amsterdam, uma cerveja de estilo Juicy IPA que traz como diferencial o terpeno Green Crack em sua composição. A nova cerveja tem 7% de teor alcoólico, 40 IBUs de amargor e, segundo a marca, traz uma explosão de notas cítricas e herbais, além de um leve aroma de cannabis, por conta do terpeno.  O nome da cerveja é uma homenagem ao avô materno de Dante Casarotti, fundador da Van Been, um marinheiro holandês que se tornou referência na família e foi inspiração na escolha do nome da cervejaria.

Way Beer
A Way Beer uniu a caipirinha e a cerveja para apresentar a Caipirinha Sour. É uma cerveja do estilo Sour, caracterizada pela acidez e refrescância. Para mesclar o sabor do lúpulo com o palato da caipirinha, a receita leva raspas de casca de limão-taiti e açúcar mascavo, que faz referência ao sabor das melhores cachaças brancas e traz um toque que remete à cana-de-açúcar. A novidade possui 3,5% de graduação alcóolica e 5 IBUs de amargor.

Menu Degustação: Festival de churrasco, 12 anos da Nacional…

A celebração do aniversário de um dos ícones do setor de artesanais é um dos destaques dessa semana no segmento cervejeiro. Nesta sexta-feira (26), a Cervejaria Nacional comemora os seus 12 anos com atrações para quem for ao seu bar, em São Paulo, no bairro Pinheiros, ou para quem preferir festejar em casa.

Já para quem gosta de harmonizações – e carne –, as opções são variadas. Em Campinas (SP), haverá um festival de churrasco, que ocorrerá em dois finais de semana seguidos. Já para comemorar o Dia Mundial do Hambúrguer, a Eisenbahn e a ExTouro promovem uma promoção com harmonização durante uma semana, começando no domingo.

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Confira essas e outras atrações do setor cervejeiro no Menu Degustação do Guia:

12 anos da Nacional
Para comemorar seu aniversário de 12 anos, a Cervejaria Nacional terá uma sexta-feira especial em sua casa, no bairro Pinheiros. A celebração contará com double drink a noite toda e a DoBalacoBaco plugada nas torneiras, cerveja que foi sua primeira Barley Wine, envelhecida em barris de carvalho desde 2016, preparada por quatro mestres-cervejeiros da casa. A celebração dos 12 anos da Nacional também brindará os clientes que fizerem pedidos pelo delivery com R$ 12,00 de desconto – basta utilizar o cupom “NACIONAL12”.

Festival de Churrasco
O Shopping Iguatemi de Campinas recebe a partir desta sexta-feira (26) a 1ª edição do Mestres do BBQ. O encontro reúne o melhor do churrasco com cortes selecionados de carnes em conjunto com diversas marcas de cerveja, como Campinas, Barossa, Blacaman e Landel, todas de Campinas; Bierinbox e Sonora, de Paulínia; Marés, de Americana; Berggren, de Nova Odessa; Bragantina, de Bragança Paulista; Madalena, de Santo André; e Brewto’s, de Vargem Grande Paulista. O evento, que também terá apresentações musicais, será realizado durante dois finais de semana: de 26 a 28 de maio e de 2 a 4 de junho, no bolsão do estacionamento do shopping.

Harmonização com hambúrguer
A celebração do Dia Mundial do Hambúrguer, neste domingo (28), motivou a união entre a hamburgueria ExTouro e a Eisenbahn. Do domingo até 4 de junho, a ação vai contemplar a harmonização de 3 receitas criadas pelo chef Yasser Regis, da ExTouro, com 3 estilos da marca de cerveja. Para harmonizar com a Eisenbahn Unfiltered, vem o Hot Ribs (hambúrguer bovino, costela desfiada, bacon, picles de jalapeno, cebola roxa e mostarda). O Gorgon Bacon Crispy (hambúrguer com gorgonzola, bacon empanado e barbecue) harmoniza com a Eisenbahn IPA. Já para a Eisenbahn Pilsen, foi criado o Chicken Boss (com frango empanado, cebola chapeada, bacon, cheddar e molho big boss). As compras podem ser realizadas em dois formatos. Pelo iFood, na compra de um sanduíche da promoção, mais uma cerveja da Eisenbahn, o cliente ganha um segundo rótulo. Pelo site da marca, a mecânica será de combo composto por um sanduíche com duas Eisenbahns com 20% de desconto.

Capacitação do Bees
Para ajudar a impulsionar o negócio de pequenos e médios empreendedores donos e donas de bares e restaurantes, o Bess, plataforma digital da Ambev para o B2B, oferece o programa Aprender para Empreender, com foco em treinamentos e especializações para os pontos de venda, em parceria com a Abrasel e o Sebrae. A iniciativa, que deve atingir mais de 800 mil profissionais do ecossistema Ambev, oferecerá acesso a conteúdos especiais e exclusivos sobre planejamento, gerenciamento, vendas e outros temas relevantes para tocar o negócio.

Promoção da Brasil Beer Cup
A organização da Brasil Beer Cup prorrogou até esta sexta-feira (26) a oferta de preço promocional de inscrição, de R$ 310 por cerveja, o que representa desconto de R$ 70. A competição vai ocorrer de 21 a 26 de agosto, em Florianópolis, e abrangerá cervejarias do mundo todo nas categorias comercial e experimental, dependendo se a cerveja já é comercializada ou não. A competição seguirá baseada nos critérios do Guia de Estilos de Cerveja da Brewers Association – Edição 2022.

Estilos brasileiros na Copa
A Abracerva incluiu estilos tipicamente nacionais no regulamento da 3ª Copa Cerveja Brasil. Além daqueles normalmente considerados em competições cervejeiras, a entidade adicionou os estilos Brazilian Wood and Barrel Aged, que utiliza madeiras brasileiras para maturar cervejas, e Brazilian Wood and Barrel Aged Sour Beer, que se difere da anterior por apresentar também acidez derivada da exposição a microrganismos. Outras duas categorias brasileiras presentes na copa são a Brazilian Pale Ale – que propõe o uso das matérias-primas produzidas e beneficiadas a partir de técnicas e tecnologias brasileiras -, e a Brazilian Hop Beer, na qual é fundamental a utilização de lúpulo nacional. A competição, com etapas regionais, faz parte do Conexão Cerveja Brasil e já está com inscrições abertas.

Auxílio à higienização
A Wier, uma greentech de Florianópolis, está oferecendo ao mercado um equipamento tecnológico que promove a descontaminação e higienização através de um sistema de ozonização, que pode ser acoplado ao sistema de lavagem dos envases. De acordo com a empresa, a tecnologia torna a sanitização mais rápida, confiável, econômica, moderna e em harmonia com o meio ambiente.

Após impasse de 2 anos, Heineken inicia obra de 1ª fábrica em Minas

A obra de construção da primeira fábrica do Grupo Heineken em Minas Gerais está oficialmente iniciada. Em evento que contou com a presença do governador Romeu Zema e de autoridades locais, além de executivos da companhia, foi lançada a pedra fundamental da unidade de Passos.

A previsão do Grupo Heineken é de que a 15ª planta da empresa no Brasil comece as suas operações em meados de 2025. Inicialmente, a unidade no Sul de Minas será dedicada a fabricar as marcas Heineken e Amstel, para aumentar o volume dos rótulos premium e mainstream puro malte à disposição do consumidor.

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A construção da unidade de Passos pelo Grupo Heineken demandará investimentos de R$ 1,8 bilhão. A expectativa é de que a obra gere 2 mil oportunidades de trabalho para os moradores da região. Já com a fábrica em funcionamento, a companhia estima 350 empregos diretos e 11 mil postos de trabalho indiretos.

“Esse é um projeto muito esperado por nós, pelos nossos clientes e, principalmente, pelo estado de Minas Gerais. A cervejaria de Passos foi idealizada para atender aos nossos objetivos de negócio, mas também para contribuir com a prosperidade da região por meio de desenvolvimento econômico e social e aceleração da agenda ambiental”, afirma Maurício Giamellaro, presidente do Grupo Heineken.

O Grupo Heineken afirma que a unidade de Passos vai ser abastecida com fontes de energias 100% renováveis, além de contar com um sistema de abastecimento hídrico eficiente que permitirá a ampliação da infraestrutura de captação de água existente na cidade.

No último mês, com foco na sustentabilidade na região, o Grupo Heineken aderiu ao Programa Produtor de Águas da Agência Nacional de Águas, tornando-se apoiadora do Projeto Bocaina de Pagamento por Serviços Ambientais.  Passos também já faz parte do programa de geração distribuída de energia verde da Heineken, que permite aos moradores do município acesso à energia renovável por meio de usinas sustentáveis a partir de um cadastro simples e 100% digital na plataforma da marca.

Fim de longo processo
O início das obras em Passos encerra um longo processo sobre a definição do local onde seria instalada a primeira fábrica do Grupo Heineken em Minas Gerais, inicialmente anunciada para Pedro Leopoldo, na região metropolitana de Belo Horizonte, em dezembro de 2020.

No segundo semestre de 2021, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, do Ministério do Meio Ambiente, embargou a obra pelo risco de soterramento do complexo de cavernas e grutas onde foi encontrado o crânio de Luzia, o mais antigo esqueleto das Américas. Além disso, em função da captação de água para a fábrica, apontou ameaças aos lençóis freáticos. Posteriormente, o Ministério Público de Minas Gerais recomendou a suspensão das licenças prévias concedidas para as obras. 

O Grupo Heineken, que já havia paralisado as obras, anunciou, em dezembro de 2021, a desistência de construir a fábrica em Pedro Leopoldo. Além disso, iniciou o processo de busca de uma nova cidade para se instalar.

Passos, então, foi escolhida em abril de 2022 para sediar a nova unidade produtiva do Grupo Heineken em função de algumas vantagens, como disponibilidade hídrica, proporcionada pela Bacia Hidrográfica do Rio Grande, desenvolvimento socioeconômico e facilidade logística para o abastecimento de Minas Gerais e aos demais estados da região Sudeste.


Em janeiro deste ano, o Grupo Heineken recebeu, do Comitê de Política Ambiental de Minas Gerais, a licença para implantação em Passos da sua fábrica. O hiato de tempo para o início das obras, provocado em parte pela necessidade de obtenção das licenças ambientais, foi criticado pelo governador mineiro durante a cerimônia de lançamento da pedra fundamental.

“Essa obra já poderia ter sido iniciada há muito tempo, levou um ano de licenciamento ambiental. Não é isso o que eu quero para Minas. E estamos melhorando a regulamentação, que é extremamente subjetiva. Espero que um processo desse tipo leve até quatro meses no futuro”, afirma Zema.

Venda de cerveja no Brasil deve crescer 4,5% em 2023, estima pesquisa

O Brasil deve vender 700 milhões de litros de cerveja a mais em 2023 na comparação com o ano passado. O dado é uma estimativa apresentada pela empresa de pesquisas de mercado Euromonitor Internacional, em levantamento realizado a pedido do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv).

Caso essa previsão se confirme, o Brasil terminará 2023 com 16,1 bilhões de litros de cerveja comercializados, um salto de 4,5% em relação aos 15,4 bilhões de litros do ano passado.

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O resultado representaria, também, o quinto ano consecutivo de alta das vendas de cerveja no Brasil. Porém, o crescimento anual de 4,5% representa o menor ritmo desde 2019, exatamente quando o país retomou a expansão na comercialização da bebida. No ano passado, por exemplo, o salto de 14,3 bilhões de litros de 2021 para 15,4 bilhões de litros representou um crescimento de quase 8%.

“O Brasil ocupa posição relevante na produção de cerveja, de terceiro maior produtor do mundo, atrás da China e Estados Unidos. Somos um parceiro estratégico para a retomada do crescimento do país. No entanto, ainda temos o obstáculo do peso dos impostos, relatado pelos produtores do setor como o principal desafio”, afirma o presidente executivo do Sindicerv, Márcio Maciel.

Outros dados
A previsão de crescimento das vendas de cerveja no Brasil em 2023 está acima da principal estimativa de alta do PIB para o ano, do Boletim Focus, que em sua edição mais recente, publicada na última segunda-feira (22), prevê expansão de 1,2%.

Dados divulgados recentemente pelo IBGE apontaram que a produção de bebidas alcoólicas pelo Brasil apresentou alta de 5,5% no primeiro trimestre, na comparação com o mesmo período de 2022.

Inseridas nesse contexto, Ambev e Grupo Heineken, duas principais cervejarias do país e ambas representadas pelo Sindicerv, aumentaram seus volumes de cerveja em ritmos diferentes no primeiro trimestre. A Ambev relatou expansão de 0,8% no período, chegando aos 22,191 milhões de hectolitros, enquanto a Heineken, sem detalhar números, informou que o volume de cerveja vendida no Brasil cresceu um dígito alto (entre 8% e 10%) de janeiro a março.

Contra usura, trapista belga Westvleteren exportará cervejas para a Holanda

A renomada cerveja trapista belga Westvleteren decidiu lutar contra a usura. Sabendo que as suas desejadas produções têm sido alvo de revenda a preços exorbitantes, os seus responsáveis, da Abadia de São Sisto, decidiram pela realização de um teste de exportação dos seus rótulos para a Holanda.

Os monges da abadia descobriram que algumas cervejas vinham sendo compradas por intermediários, que as revendiam por valores que superavam os 10 euros por unidade. O preço está bem acima do praticado para quem vai até a abadia, onde engradados de 24 unidades têm preços que variam entre 38,10 euros e 48,80 euros.

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“Esses preços exorbitantes são diametralmente opostos aos valores da comunidade dos monges. Os irmãos querem que o maior número de pessoas possa desfrutar de suas cervejas por um preço justo”, afirma um porta-voz da abadia à imprensa belga.

Contra a agiotagem e para tornar o mercado mais transparente, a Abadia de São Sisto fechou um acordo com a importadora e distribuidora holandesa Wauters Hulst BV, que já comercializa outras cervejas trapistas, como Westmalle, Rochefor, Orval, Zundert e Achel, para que faça o mesmo com os seus rótulos no país vizinho à Bélgica.

As cervejas da trapista Westvleteren deverão estar disponíveis na Holanda a partir de junho em lojas de bebidas. Elas só poderão ser vendidas para consumidores e sem a cobrança de margens exorbitantes, com a sugestão de preço sendo de menos de 5 euros por garrafa. Além disso, não serão comercializadas em pacotes de seis unidades ou em engradados de madeira, sendo embaladas em caixas de papelão.

Com uma produção anual de 7,5 mil hectolitros de cerveja, a Westvleteren destinará 790 hectolitros (aproximadamente 240 mil garrafas) para o mercado da Holanda nesse projeto-piloto.

A trapista Westvleteren

Fundada em 1839, a Westvleteren produz 3 rótulos: a 8, de tampa azul, a 12, de tampa amarela, e a Blond, de tampa verde e conhecida pelo número 6. Elas ganharam reputação internacional, com a Westvleteren 12 sendo considerada a melhor cerveja do mundo por alguns especialistas. Em 2022, o trio deixou de ser a única marca de cerveja da Bélgica sem rótulos em suas garrafas, passando a exibi-los.

Na Bélgica, as cervejas da Westvleteren são vendidas apenas em pequenas quantidades, na porta do monastério e para compradores que realizaram reservas. Em 2019, porém, adotou a venda online. Mas ela é só uma etapa do processo de venda. Após pagar e reservar sua cerveja pelo site, o interessado ainda assim deve se apresentar pessoalmente no monastério para retirar a mercadoria. E apenas clientes individuais serão elegíveis à compra.

Metade das cervejarias produz menos de 5 mil litros por mês

Metade das cervejarias produz menos de 5 mil litros por mês

Terceiro maior produtor de cerveja do mundo, o Brasil conta com um expressivo contingente de pequenos fabricantes. A produção não vai além de 5 mil litros por mês para metade das cervejarias participantes da pesquisa “O Ano de 2022 para as Cervejarias”, realizada pelo Guia da Cerveja e que pode ser acessada pelo link.

O levantamento mostrou que grandes produções são uma exceção dentro do segmento cervejeiro brasileiro. Afinal, se resume a 9% o número de cervejarias participantes que conseguem fabricar mais de 50 mil litros de cerveja por mês.

A pesquisa do Guia também revelou que o Nordeste é a região com maior predominância dos empreendimentos cervejeiros com produção de menos de 5 mil litros mensais, correspondendo a 64,3% dos respondentes da pesquisa. E, de acordo com o levantamento, o Sudeste é a única das demais regiões brasileiras com mais de 50% (53,3%) de cervejarias com tal porte.

A região Sul é a que possui maior equilíbrio entre os portes das cervejarias, em um indicativo de um maior mix de opções e de tipos de atividade. Por lá, 35,7% dos respondentes produzem entre 5 mil e 10 mil litros de cerveja por mês, 28,6% fazem menos de 5 mil, 21,4% fabricam entre 10 mil e 50 mil e 14,3% conseguem produzir mais de 50 mil litros de cerveja.

Modelo x porte
O Ano de 2022 para as Cervejarias” também demonstrou que os participantes com produção acima dos 10 mil litros mensais contam com sua própria unidade para fabricação da bebida. Mas esse cenário é diferente entre as faixas com produção mensal abaixo desse porte.

Embora contar com fábrica própria seja um modelo predominante entre as cervejarias de todos os patamares, esse índice é de apenas 46% entre as que produzem até 5 mil litros mensais. E 3 de cada 10 respondentes com esse porte optam pelo modelo cigano, quando a produção é terceirizada, sendo realizada na fábrica de um parceiro.

O modelo de brewpub, estabelecimento onde a cerveja é produzida, comercializada e consumida no mesmo local, também possui maior relevância entre cervejarias com produção menor. Ele significa 22,2% das cervejarias com volume mensal entre 5 mil e 10 mil litros e 18% entre quem fabrica menos de 5 mil litros no período.

O Ano de 2022 para as Cervejarias” foi uma pesquisa, quantitativa, realizada por meio de questionário online pelo Guia, com respostas coletadas entre outubro e dezembro de 2022 de 100 donos ou administradores de cervejarias.

Como ação em cenário de The Last Kingdom marca nova posição da Spaten

Lançada no mercado brasileiro em agosto de 2021, a Spaten atualizou o seu posicionamento de marca com o lançamento de uma propaganda com ares de superprodução, gravada na Hungria, em um cenário utilizado pela famosa série “The Last Kingdom”, com a participação, atrás das telas, de nomes importantes do audiovisual nacional. Tudo para apresentar “O Estilo Spaten de Ser Forte”, novo posicionamento da marca.

A união entre cinema e propaganda não é rara, mas costuma acontecer em ocasiões especiais, como por exemplo, nos Estados Unidos, para as campanhas que são exibidas no intervalo do Super Bowl, muitas delas com a participação de grandes marcas de cerveja.

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Seguindo esses passos, a Spaten apresentou o resultado da sua superprodução, uma campanha de aproximadamente 2min30, em uma sala de cinema em São Paulo, depois a lançando, em versão reduzida, no intervalo da novela Terra e Paixão, no horário nobre da Globo. E com a direção de Felipe Velasco, o Vellas, conhecido pela participação nas séries “Arcanjo Renegado” e “Dom”.

Tudo isso foi pensado para reforçar um novo posicionamento da marca. Apresentada em sua chegada ao mercado brasileiro pela sua longeva trajetória, de quase 700 anos, ligada à criação do estilo Munich Helles e pela sua forte ligação com a Oktoberfest, a marca, sem deixar toda essa trajetória para trás, agora aposta na “força” dentro do mercado brasileiro. E, para isso, usa personagens icônicos históricos da cultura pop marcados por essa característica.

“Queremos nos conectar com o nosso consumidor de um jeito genuíno e inovador e, para essa campanha, pensamos em mostrar a força da nossa marca com criatividade, unindo a publicidade tradicional a um olhar mais grandioso do entretenimento”, afirma Joice Carvalho, chefe de marketing de Spaten.

A fotografia e a linguagem do cinema foram, assim, usadas no novo passo planejado pela Ambev para ampliar a participação de mercado da Spaten, que teve crescimento de dois dígitos nas suas vendas no primeiro trimestre de 2023 no Brasil, na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com informações do seu mais recente resultado financeiro.

Dirigido por Vellas, a propaganda, gravada na Hungria, traz um cavaleiro chegando a uma taverna, onde se misturam personagens de épocas diferentes, todos conhecidos pela força, como o pirata, o gângster, o caubói e a viking. E ele pacifica o ambiente ao tocar “Sweet Child’ O Mine”, do Guns N’ Roses, no piano, enquanto consome a sua Spaten.

“Spaten é uma cerveja forte, que literalmente atravessou a história. Só Spaten poderia estar nesse multiverso da força, que reúne ícones de força desses 700 anos. Criar esse bar impossível não só é refletir uma verdade da marca, como uma proposta de colocar a marca em um lugar de entretenimento, se relacionando com um dos assuntos mais quentes do momento”, afirma Tiago Abreu, diretor de criação da GUT São Paulo, agência responsável pela criação da campanha.


Multiverso com cerveja
Esse ambiente com personagens de diferentes tempos busca remeter à força da Spaten para seguir com a sua trajetória de quase 700 anos. Mas também se associa ao multiverso, consagrado na última edição do Oscar, com “Tudo ao Todo Lugar ao Mesmo Tempo”. E essa ligação foi expandida, na nova campanha de outra das marcas em crescimento da Ambev no Brasil, a Bud Zero.

Ainda que sem os mesmos ares de superprodução internacional da Spaten, a marca faz um mergulho na cultura pop em um filmete para apresentar o conceito “Qualquer dia é dia”, que passa por vários multiversos, como um sitcom, uma animação, o mundo apocalíptico e o espaço, em paródias de produções hollywoodianas, como “Friends” e “2001: Uma Odisseia no Espaço”, tendo “Should I Stay or Should I Go”, do Clash, como trilha sonora.

“Desde o lançamento, temos criado uma série de ações e experiências, mostrando todas as possibilidades que podemos vivenciar quando estamos com Bud Zero. Não é porque você não pode tomar uma bebida alcoólica que não consegue aproveitar. E se ainda duvida disso, a gente te mostra que com Bud Zero, qualquer dia é dia”, afirma Carolina Caracas Gargione, diretora de marketing de Budweiser.

Especial Vidro: Quais cuidados podem otimizar o uso de garrafas

Realizado após etapas fundamentais do processo produtivo, como brassagem e fermentação, o envase é um passo decisivo para que a cerveja possa chegar às mãos do consumidor. E quando as fabricantes optam por realizá-lo em garrafas de vidro, é preciso adotar alguns cuidados para otimizar a sua utilização. Essas ações ajudam a melhorar o seu aproveitamento, especialmente quando somadas a outras, seja no transporte, armazenamento ou mesmo no processo de retorno às fábricas.

O processo de lavagem do vidro pode ser realizado com água aquecida, desde que seja respeitada a diferença de temperatura, de 42ºC, de acordo com a norma NBR-14910, da ABNT. Além disso, a recomendação é de que o aquecimento da embalagem seja gradativo, para que a embalagem não se fragilize e sofra choque térmico. Já os cervejeiros que optarem por colocar as garrafas em máquinas lavadoras, devem ter atenção para que os bicos de inox do equipamento não entrem em contato com o vidro.

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São cuidados simples dentro de um processo de higienização, mas que podem ser fundamentais para que algumas cervejarias consigam ampliar o reaproveitamento das embalagens de vidro, em um cenário que deve ser de aumento da procura por essa solução, como cita a presidente da Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe), Cristiane Foja.

“O processo de limpeza traz uma grande oportunidade para a indústria, até pela demanda do consumidor, que é o reuso, uma solução prática, aproveitando um espaço de expansão, pois acreditamos no crescimento de 25% no uso dessa embalagem até 2025”, afirma.

Os fabricantes também devem estar atentos no momento de inserção do líquido na garrafa de vidro, como ensina Rodrigo Toledo, coordenador de sistemas de qualidade da Verallia. “No processo de enchimento da embalagem, é necessário ficar atento ao alinhamento do bico de enchimento para que este não toque as laterais do pescoço da garrafa, o que poderia riscar ou até mesmo lascar a parte interna da embalagem”, explica.

Além disso, é preciso respeitar o chamado “headspace”, espaço para que exista ar dentro da embalagem, necessário para que o CO2 se expanda e não gere pressão excessiva na embalagem, o que provocaria o risco de acidentes. Os fabricantes de garrafa de vidro reforçam que a sua medida é definida no desenho do produto e deve ser respeitada, garantindo que o volume adequado seja acondicionado na embalagem e a câmara de expansão esteja correta.

A inserção do rótulo também precisa ser feita na área determinada na garrafa, o deixando bem posicionado, o que evita contatos com as demais embalagens durante o processo produtivo na fábrica e até mesmo em seu manuseio no ponto de venda. O profissional da Verallia alerta para riscos relacionados aos contatos entre garrafas na linha de produção, que podem chegar a até afetar a estrutura da embalagem, além de criar pontos de fragilização.

Todo o impacto gerado no manuseio da embalagem de alguma forma prejudica sua resistência, o que torna necessário um bom ajuste nas linhas de produção. O barulho excessivo de vidros batendo na linha é um forte sinal de que a resistência da embalagem de vidro está sendo prejudicada

Rodrigo Toledo, coordenador de sistemas de qualidade da Verallia

Cuidados para além do envase
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Vidro (Abividro), Lucien Belmonte, destaca que, por suas características de resistência e durabilidade, a garrafa, quando bem manipulada nas diferentes etapas, da fabricação ao seu retorno para a indústria, pode ser utilizada centenas de vezes.

“Tudo é viável, de acordo com o que se demanda para aquela embalagem. A questão é se a garrafa foi feita para aquela função – ser retornável, por exemplo. A partir disso, ela terá as propriedades de segurança para o seu uso”, comenta.  

Essa manipulação correta da embalagem ganha relevância para os casos em que se pretenda reutilizar aquela garrafa. Nesse caso, o cumprimento dos cuidados deve vir acompanhado por movimentos da cadeia que reforcem as características de circularidade do vidro.

“O reuso funciona quando se está perto da fábrica que vai limpar a embalagem e quando há demanda por consumo dos retornáveis, mas tem fatores desafiadores, que são os tributos, os fretes e a distância. Então, a movimentação precisa ser motivada e a conta precisa valer a pena para multiplicarmos o reaproveitamento”, comenta a presidente da Abrabe.

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Além disso, a resistência e as propriedades de reciclabilidade tornam o vidro um grande aliado da economia circular, podendo contribuir fortemente para seu avanço. A recente movimentação para abertura de novas fábricas e fornos de vidro reforça a expectativa de aumento do reaproveitamento desse material.

“Novas fábricas de produção de vidro estão em desenvolvimento, aumentando o mercado de consumo e, consequentemente, de reciclagem também. As novas fábricas vêm acompanhadas de novas tecnologias e mais eficiência nos processos”, relata Gabriela Ditt, analista de relações institucionais e sustentabilidade da Abividro.

Brasil venderá 480 mi de litros de cerveja sem álcool em 2023, diz Euromonitor

A venda de cerveja sem álcool ou de baixo teor alcoólico deve chegar próxima a meio bilhão de litros em 2023 no Brasil. De acordo com projeções da empresa de pesquisa de mercado Euromonitor International, o índice deve ultrapassar os 480 milhões de litros neste ano, um incremento de cerca de 90 milhões de litros em relação a 2022.

A projeção foi realizada a pedido do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) e, caso se confirme, representará alta de 24% na comparação com os 390 milhões de litros comercializados em 2022. A aceleração da venda de cerveja sem álcool é uma tendência global, tanto que superou os 6,5 bilhões de litros no ano passado no mundo. A projeção de crescimento para 2023 é de 5,7%, em um ritmo mais lento, portanto, do que do Brasil.

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“No mundo, o segmento movimenta US$ 10 bilhões, com expectativa de crescer mais um terço nos próximos anos, segundo dados da Worldwide Beer Alliance (WBA). Esse desempenho está relacionado à crescente busca do consumidor por um estilo de vida mais leve, saboroso e equilibrado e os investimentos do setor em inovação e oferta de novos produtos”, afirma Marcio Maciel, presidente executivo do Sindicerv.

Recentemente, Ambev e Grupo Heineken, que são representados pelo Sindicerv, citaram, em seus resultados financeiros do primeiro trimestre de 2023, bons resultados envolvendo suas marcas de cerveja sem álcool no país.

De acordo com a Ambev, o volume da Budweiser Zero cresceu mais de 90% sequencialmente, e sua cobertura mais do que dobrou em relação ao último trimestre de 2022. Já a Heineken Zero, segundo a multinacional de origem holandesa, manteve o crescimento das vendas no país, em detrimento do recuo na comparação com o primeiro trimestre do ano passado globalmente.

Apesar disso, a estimativa do Euromonitor de expansão de 24% no ritmo de venda de cerveja sem álcool no país em 2023 apresenta um freio no ritmo de crescimento na comparação com 2022, quando houve alta de 37% ante 2021. Ainda assim, cerca de 200 milhões de litros de cerveja sem álcool deverão ser adicionados às vendas do mercado brasileiro de bebidas em relação aos 284 milhões de litros de 2021.