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Especial Vidro: Da cor ao peso, garrafas se adaptam para atrair público

As variadas opções para envase de cerveja em garrafas de vidro colocam os responsáveis pelas marcas diante de uma importante decisão a ser tomada: qual design dessa embalagem adotar para comercializar a sua produção. A resposta, que não é óbvia, tem passado por tendências que envolvem a oferta de garrafas de vidro com uma gama variada de cores, assim como pela busca por soluções cada vez mais leves, além da percepção de que cada formato pode enviar uma mensagem ao consumidor.

Na avaliação de Lucien Belmonte, superintendente da Associação Brasileira das Indústrias de Vidro (Abividro), o trabalho da indústria passar por entender quais são os desejos dos consumidores, aliando o atendimento do interesse desse público com tendências que levem a garrafa para cada vez mais ocasiões de consumo.

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“O consumidor quer unir economia, praticidade e funcionalidade em um produto que seja mais verde, com o menor impacto ambiental possível. Estamos nessa disputa, sabendo que existem ocasiões de consumo para cada tipo de embalagem. E, claro, queremos levar o vidro para cada vez mais momentos”, diz.  

Além de atender as demandas dos consumidores, observando tendências de mercado, cervejarias que trabalham com garrafas de vidro também buscam oferecer inovações para aproveitar o impacto e conquistar novos públicos a partir da percepção da qualidade da marca, provocada pela embalagem e seu design.

“Se uma cervejaria tem uma embalagem de um material nobre, único e atraente, isso pode ajudá-la a se posicionar em um mercado cada vez mais competitivo, além de ajudar a aumentar a percepção de qualidade da cerveja. Uma embalagem, como uma garrafa de vidro, por exemplo, elegante e bem projetada pode sugerir que a cerveja é de alta qualidade, mesmo que o consumidor nunca tenha experimentado a marca antes”, comenta Alexandre Oliveira, diretor comercial da Verallia.

O superintendente da Abividro aponta, ainda, que a busca contínua por melhorias nas garrafas de vidro passa por aspectos que também atendem e são tendências em outras indústrias, como a procura por materiais mais leves.

“O vidro vive se reinventando, mesmo sendo tão antigo. O aliviamento de peso é um desejo enorme, sendo preciso lidar com o desafio das propriedades físicas e químicas do produto envasado”, diz, lembrando que a indústria realiza trabalhos de busca pela leveza em outras áreas onde o vidro é empregado. “É assim, também, com a tela do telefone celular. São vanguardas que estão sendo buscadas para reafirmar a qualidade desse produto”, acrescenta.

Bastante presente entre as grandes cervejarias, a adoção da variedade das cores também já chegou ao segmento de artesanais. É o caso, por exemplo, da Louvada. A marca mato-grossense, fundada em 2015, possui mais de 20 rótulos em seu portfólio. E, recentemente, escolheu a long neck verde esmeralda para envasar a sua German Pilsner, em uma parceria com a Verallia.

“Escolhemos a garrafa verde da Verallia para enfatizar a origem da receita e o estilo de cerveja, pois é tradicionalmente associada a cervejas europeias, especialmente as alemãs. Além disso, seguimos uma lógica que tem a ver com a receita alemã centenária”, afirma Paulo Fortunato, sócio-fundador e gerente de produção da Louvada, explicando as razões que motivaram essa opção.

De acordo com a Verallia, essa novidade está em consonância com a demanda dos consumidores por soluções mais sustentáveis. “O recente lançamento da multinacional pertence a categoria Ecova, que alia redução de impactos ambientais e qualidade, visando atender especialmente o mercado microcervejeiro” explica Alexandre Oliveira, diretor comercial da empresa.

Mensagens dadas por formatos e estilos

A Louvada avalia que a cor e o design atraem a atenção dos consumidores, ajudando a diferenciar a sua German Pilsner de outras opções presentes no mercado, ao agregar valor e autenticidade à marca. Não à toa, de acordo com Fortunato, a novidade é um dos rótulos mais vendidos do portfólio da cervejaria.

“A Louvada German é o terceiro produto mais vendido da marca e acreditamos que o sucesso é devido à soma de fatores: embalagem verde, design, ingredientes de alta qualidade e o sabor único que só uma Louvada tem”, relata.

A variação de design tem como foco atrair a atenção do consumidor e se diferenciar no mercado. O tamanho, afinal, pode influenciar a percepção do consumidor em relação ao valor da cerveja, como avalia o diretor comercial da Verallia.

“Garrafas maiores podem ser associadas a um maior valor ou a uma experiência compartilhada, enquanto garrafas menores, como as long necks, podem ser vistas como mais exclusivas e práticas para serem tomadas individualmente”, diz Oliveira.

Além disso, outro cuidado das cervejarias deve envolver o formato das garrafas, pois, na avaliação do profissional da Verallia, isso possui impacto direto na percepção do consumidor sobre o estilo da bebida.

“Garrafas de formato mais tradicional podem ser associadas a cervejas mais clássicas e conservadoras, enquanto garrafas com formas mais inovadoras podem ser vistas como mais modernas e experimentais”, afirma.

Já o estilo da garrafa pode amplificar a percepção do consumidor em relação à personalidade da marca.

Garrafas com designs mais elaborados e ornamentados podem ser vistas como mais sofisticadas ou tradicionais, enquanto garrafas com designs mais minimalistas e cores diferentes, como verde ou transparente, podem ser vistas como mais modernas ou arrojadas

Alexandre Oliveira, diretor comercial da Verallia

Com tantas possibilidades sendo ofertadas e novas tendências surgindo o tempo todo, o superintendente da Abividro assegura que a indústria de vidro está atenta às novidades desejadas por consumidores e fabricantes de cerveja, modificando e adaptando procedimentos.

“Existe muito trabalho envolvendo peso e mudanças na forma de produção. Existe pesquisa para fazer fábricas menores, mais próximas do centro de consumo. Tem uma revolução industrial para acontecer no vidro”, conclui.

Heineken expande ação de reciclagem de vidro para 10 capitais e mira 5 mil ton

A Heineken deu mais um passo na sua agenda de circularidade e anunciou a expansão do Programa Volte Sempre, focado na reciclagem de vidro, para mais 10 capitais do Brasil. Com isso, espera-se que cerca de 5 mil toneladas de vidro sejam captadas e tenham destinação correta ao longo dos próximos três anos.

Além disso, a estimativa é de que o projeto impeça a emissão de 6,5 mil toneladas de CO2, que seriam lançadas na atmosfera, e reduza a extração de 10 mil toneladas de matéria-prima da natureza.

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O Volte Sempre foi iniciado em 2018, por Belo Horizonte. Agora, então, Salvador, Fortaleza, Recife, Goiânia, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis também receberão ações do programa. E essa adesão provoca a estimativa de que mais de 37 milhões de pessoas sejam impactadas nos próximos três anos, gerando uma economia de gastos públicos de mais de R$ 3 milhões.

“Implementar o Volte Sempre em escala nacional é um grande passo para a Heineken. Com o programa, vamos aproximar o consumidor da reciclagem de vidro, criando mais uma maneira de entender, enxergar e praticar a circularidade onde ele é um dos protagonistas. Tornar a nossa cadeia produtiva ainda mais sustentável faz parte da missão da marca de contribuir para cidades mais verdes”, afirma Eduardo Picarelli, diretor da unidade de negócios da marca Heineken no Brasil.

O Volte Sempre, iniciativa de reciclagem de vidro da plataforma Green Your City, do Grupo Heineken, em parceria com a Owens Illinois e o Grupo Seiva, conta com o uso de máquinas de coleta e trituração do material, o programa ajuda o vidro a retornar à cadeia produtiva. Nessa nova etapa, serão instaladas, ao todo, 125 máquinas 4R Glass, fabricadas pela startup Grupo Seiva, em redes de supermercados e condomínios residenciais dessas cidades.

Para o consumidor que deseja participar da ação, basta se dirigir aos equipamentos, se identificar por meio do número de telefone celular e inserir uma garrafa por vez. Além de colher e triturar o vidro, as máquinas também têm sistema de cashback. Quem tiver interesse, deve baixar o aplicativo Ponto Caco, sendo bonificado com uma unidade de Ponto Caco a cada embalagem de vidro depositada nas máquinas. Cada ponto equivale a R$ 0,10 na compra de produtos do Grupo Heineken adquiridos nos supermercados parceiros.

Na fase piloto do Volte Sempre, em Belo Horizonte, as máquinas instaladas em supermercados e condomínios residenciais da capital de Minas Gerais já arrecadaram mais de 460 mil garrafas, com a participação de 5.030 clientes, totalizando 250 toneladas de vidro retornadas à fase inicial de produção.

Outras ações de circularidade
Em março, a Heineken havia iniciado a segunda iniciativa de circularidade do programa com foco em bares e restaurantes. Com a instalação das máquinas JM Sand que são capazes de triturar as embalagens de vidro descartáveis, este volume será substituído por bombonas que armazenam em média 400 long necks trituradas.

Assim, será obtida, de acordo com a companhia, uma economia em sacos de lixo, produtos de limpeza e espaço físico para armazenamento, otimizando a gestão dos resíduos em bares e restaurantes. Todo o material será recolhido por equipes do Grupo Seiva e destinado às instalações industriais da Owens Illinois, responsável pelo beneficiamento e transformação do material em novas garrafas para o Grupo Heineken.

O plano de expansão prevê 143 máquinas em operação até junho deste ano e 763 máquinas até 2025 nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife, contribuindo com a ambição da companhia de ser 100% circular em bares e restaurantes até 2025.

Impactos positivos
Em um intervalo de 60 meses, a iniciativa do Grupo Heineken projeta diversos impactos positivos ao meio ambiente, como a coleta de 115 mil toneladas de vidro, redução de 61 mil toneladas de CO2 lançadas na atmosfera, redução da extração de cerca de 150 mil toneladas de matéria-prima da natureza e redução de mais de 115 mil toneladas de resíduos vítreos destinados aos aterros.

No mesmo período, de acordo com a Heineken, com o programa de reciclagem, haverá uma economia nos gastos públicos de mais de R$ 57 milhões e maximização dos volumes comercializados para a indústria, reduzindo o custo de produção de novas embalagens.

O Grupo Heineken estima que, no Brasil, cerca de 61% do seu portfólio seja composto por embalagens de vidro retornáveis. Dos outros 39% que são descartáveis, aproximadamente 70% são vidro.

Ambev prioriza rentabilidade e tem balanço bem recebido pelo mercado

O indicativo de que a Ambev iria buscar ampliar seu lucro em 2023 com mais foco na rentabilidade do que no aumento de volume começou a ser confirmado com a divulgação do resultado do primeiro trimestre. Afinal, se houve até recuo no volume comercializado no período, em 0,4%, os principais indicadores financeiros, como receita e lucro líquido, apresentaram avanço significativo.

Na Bolsa, na última quinta-feira, data de divulgação do documento, não houve grande impacto do balanço sobre o comportamento da ação da Ambev, que teve alta de R$ 0,05, subindo de R$ 14,58 para R$ 14,63. Mas as equipes de analistas de bancos de investimento avaliaram que a estratégia da companhia é o melhor caminho a ser seguido e pode dar certo.  

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“Nossa ambição e prioridade máxima é expandir a rentabilidade”, disse o CEO da Ambev, Jean Jereissati, durante teleconferência para apresentação dos resultados, dando o tom do foco da companhia, algo bem recebido pelas casas de análise. “Achamos que seria difícil para a Ambev sustentar o forte ritmo de crescimento de volume dos últimos anos”, afirmam analistas do BTG Pactual em relatório.

De acordo com o relatório financeiro, o lucro líquido da Ambev cresceu 8,2% (R$ 3,819 bilhões), o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado (R$ 6,444 bilhões) subiu 16,7% e a receita líquida expandiu 11,3% (R$ 20,531 bilhões).

“Esperamos que essas tendências ganhem mais significativa importância do que os volumes nos próximos trimestres, o que deve acelerar o ritmo de recuperação das margens, em nossa visão. No entanto, a resiliência à pressão de custos é algo a ser observado, mas esperamos um desempenho positivo por ações da Ambev”, afirma a equipe de analistas da XP Investimentos.

Principalmente concorrente da Ambev no Brasil, o Grupo Heineken não divulga números detalhados da sua operação no país em seus resultados financeiros. Porém, afirma que no período de janeiro a março teve incremento de 25% na sua receita no país, com seus volumes crescendo um dígito alto – em torno de 8% e 9% – no período.

A Ambev assegura, porém, que não houve perda de market share no primeiro trimestre, marcado, na indústria da cerveja do Brasil, pela recuperação judicial do Grupo Petrópolis. E conseguiu avançar na obtenção de receita com cerveja. Afinal, ainda que com crescimento de apenas 0,8% no volume de cerveja no Brasil, para 22,191 milhões de hectolitros, houve alta de 14,4% na receita obtida com a bebida no país.

Isso também foi possível pelo desempenho do mix de cervejas da Ambev, pois marcas do portfólio premium e super premium, como Original, Spaten, Corona, Stella Artois e Chopp Brahma, tiveram crescimento no volume de, aproximadamente, 35%.

“Após uma década de contração de margem no segmento de Cerveja Brasil, acreditamos que a empresa pode finalmente passar por um período de recuperação sequencial de lucratividade em 2023 e 2024”, diz o Itaú BBA em relatório divulgado após a apresentação do balanço.

A Ambev espera aprofundar os ganhos em rentabilidade com a perspectiva de menor pressão inflacionária sobre os custos em 2023. E já obteve um resultado inicial positivo, com o aumento de 26,9% na receita líquida por hectolitro consolidada no primeiro trimestre.

Iniciativas de gestão de receitas, mix de marcas favorável, melhor dinâmica on-trade, uma visão mais mix de embalagens lucrativo e a tão esperada retomada de eventos sociais importantes (ou seja, carnaval) são as principais razões para sustentar um crescimento médio de 26,9% na receita líquida por hectolitro

XP Investimentos

Além da busca por mais rentabilidade, a divisão de bebidas não alcoólicas aparece como outro destaque do balanço da Ambev, como ressalta a XP. “Para Brasil NAB, a Ambev manteve o forte momentum e os volumes aumentaram 7% em relação ao ano anterior (+2% ante o estimado pela XP), apesar da difícil base de comparação, com margem Ebitda ajustado aumentando 440 pontos-base ante um ano com marcas premium, de energéticos e de saúde e bem-estar superando a média do portfólio”, diz.

Ambev no mesmo tom da AB InBev
A AB InBev também divulgou seus resultados do primeiro trimestre de 2023 – e com resultados semelhantes ao da subsidiária. A maior cervejaria do mundo teve lucro atribuível aos acionistas de US$ 1,310 bilhão, crescendo 8,81% em relação ao mesmo período do ano passado.

O Ebitda normalizado da AB InBev expandiu 13,6%, para US$ 4,759 bilhões, com a receita indo a US$ 14,212 bilhões, uma alta de 13,2%. E isso se deu com o volume de bebidas expandindo 0,9% no período, para 140,548 milhões de hectolitros, após queda de 0,6% no quarto trimestre. E o crescimento do volume das cervejas do portfólio da companhia ficou em 0,4%, para 121,06 milhões de hectolitros.

“Continuamos a investir no longo prazo e esses resultados reforçam nossa confiança na resiliência da categoria de cerveja, na eficácia de nossa estratégia e na força de nossa plataforma para oferecer um crescimento lucrativo consistente”, diz o CEO da AB InBev, Michel Doukeris.

Ao comentar os resultados por mercado, a AB Inbev relata alta de 4% na receita nos Estados Unidos, mesmo com queda no volume de vendas vendas a varejistas e atacadistas. Na Europa, com foco em marcas premium, a receita cresceu pouco mais de 10%. Já na China, houve acréscimo de 7,4% no volume, acima do ritmo da indústria, de acordo com as estimativas da companhia.

Balcão da Nadhine: Efeitos da guerra na Ucrânia no setor cervejeiro húngaro

Balcão da Nadhine: Impactos da guerra na Ucrânia no mercado cervejeiro húngaro

Como introduzi no texto anterior, a história da Hungria com a cerveja é antiga e remonta à produção das primeiras Lagers. Mas, no contexto moderno, dois grandes marcos são importantes para entender o mercado craft: o fim do regime soviético e 2010.

Com a abertura do mercado, centenas de cervejarias abriram. Essa foi a época de maior número de produtores cervejeiros no país. Conta-se que chegaram a 400 o número de fábricas! O problema é que grande parte dessas empresas abriram sem planejamento, com equipamentos de baixa qualidade e, com pouco tempo, muitas delas fecharam.

Em 2010, como citei anteriormente algumas alterações foram feitas pelo governo, como incentivos financeiros para investimento em novas plantas, uma lei de redução do imposto para as pequenas cervejarias além de uma legislação específica para produção de cerveja caseira. Com isso, o mercado teve uma nova revolução na cerveja nacional húngara.

Mais recentemente, um projeto de lei, apresentado por Lajos Kósa em 2020, determina que pelo menos 20% da venda de cerveja dos restaurantes, pubs, lojas especializadas e prateleiras de supermercados dedicados à venda de cerveja, sejam destinados à cerveja dos pequenos produtores. Essa é outra grande ação do governo para incentivar o mercado de cervejarias artesanais.

Mais de um ano depois do início da guerra na Ucrânia, podemos analisar de maneira mais realista os impactos do conflito no mercado.

Para contextualizar as tensões entre Rússia e Ucrânia, devemos saber que ambos os países são originários de uma mesma raiz étnica e devido às diferenças entre as separações geopolíticas e a separação cultural, algumas regiões não se identificam com o país que possui a administração daquele território, assim como ocorre nas fronteiras da Hungria, Sérvia e Romênia. Apoiados nesse contexto conflituoso e na aproximação da Ucrânia com a Otan, no dia 24 de fevereiro de 2022 aconteceu a invasão das tropas russas ao leste da Ucrânia.

A conjuntura é muito mais complexa e não vou me aprofundar no assunto. Mas já sabemos que o conflito tem um impacto significativo na economia, infraestrutura e estabilidade política que perpassam a Ucrânia. O mundo todo sofre impactos do conflito, mas a guerra atinge muito mais fortemente os países ao redor, com uma crise energética que além do aumento dos preços da energia e a preocupação com a segurança energética, também teve implicações econômicas mais amplas, já que os preços mais altos da energia levaram à inflação e reduziram o crescimento econômico. Isto contribuiu para que os desafios econômicos enfrentados pela Hungria sejam ainda maiores, incluindo altos níveis de dívida e preocupações com a estabilidade financeira.

Eu conversei com o economista Márton Pelles, com Béla Bukovinszky, dono de uma das mais antigas cervejarias artesanais da Hungria, a Szent András Sörfózde, e Ádám Sipos, brand manager da cervejaria First novamente para construção da minha análise e perspectiva futuras. E as previsões não são tão otimistas. O preço do gás aumentou cerca de dez vezes em 2022. Com contratos de longo prazo, a energia ficou com preço fixo até o final deste ano de 2023. Mas estima-se um aumento de preço de 4 ou 5 vezes para 2024.

Além de gás e energia, o preço do malte aumentou 80% por causa da guerra e o preço das garrafas de vidro dobrou, porque as atividades militares danificaram severamente uma fábrica de vidro ucraniana, e as fábricas de vidro checas e alemãs sofrem com o aumento do preço do gás. Somado a isso, devido à alta inflação, houve a necessidade de aumentos salariais significativos. A boa notícia é que um novo malteiro húngaro começou a trabalhar, então cervejarias húngaras puderam usar parte do malte produzido localmente.

A inflação impacta nas mudanças no comportamento do consumidor, incluindo mudanças nos hábitos e prioridades de compra. Os consumidores podem estar mais conscientes do preço e procurar cervejas de menor preço, ou podem priorizar as cervejas produzidas localmente em relação às marcas importadas. O preço médio da cerveja na Hungria subiu aproximadamente 30%. Em situação de crise, os consumidores procuram, pelo menos temporariamente, os produtos mais baratos. Adaptar-se à situação de crise e às mudanças no mercado interno de cerveja artesanal pode significar diferentes estratégias. Eles destacam a necessidade de oferecer aos consumidores produtos de qualidade em diversas faixas de preço, além de manter alto padrão de qualidade e credibilidade de marca. Mas não é possível prever quanto tempo durará esse poder de compra.

O governo húngaro possui algumas ações de incentivo para o desenvolvimento de negócios de cerveja artesanal, como o auxílio financeiro para abertura e baixas taxas de impostos, mas as cervejarias precisam se adaptar e inovar para manter sua competitividade em um mercado que além dos desafios atuais, vive em constante mudança e já aponta sinais de saturação. A credibilidade e a reputação de longa data de uma cervejaria podem ser um fator importante para manter a fidelidade do consumidor em tempos difíceis. Workshops, eventos e constante inovação podem ser importantes atrativos.

O governo húngaro segue uma política econômica nacionalista e tenta ajudar as empresas húngaras de maneira geral. Essas medidas ajudam os produtores menores, mas o mercado decidirá se essas medidas são bem-sucedidas ou úteis. Desde 2010, todas as pequenas cervejarias receberam um desconto de 50% no imposto sobre o álcool, semelhante a outros países europeus como a Alemanha e a República Checa. Durante o período de pandemia de Covid-19, subsídios foram usados ​​para manter trabalhadores, para evitar as demissões em massa no período de crise. Agora, esses subsídios estão disponíveis em setores energia-intensivos, como as cervejarias, para compensar os altos preços de gás e da eletricidade. Mais recentemente, o governo indicou a pretensão de colocar as fábricas menores também no setor de Horeca (hotéis, restaurantes, cafés etc) para terem outros benefícios.

Vale notar que os impactos específicos na comercialização de cerveja dependerão de uma variedade de fatores, incluindo a gravidade e a duração da crise energética e econômica, bem como fatores geopolíticos mais amplos relacionados com o conflito Ucrânia-Rússia. Quanto mais tempo a crise durar, mais nos aproximamos da previsão de Márton do fechamento de pelo menos um terço das fábricas. Para Béla, o maior desafio é a crise energética, e a inflação deve ser contida porque os consumidores estão lentamente impossibilitados de comprar os produtos. Se isso for superado, espera-se que outros 30 anos de sucesso estejam por vir. E nós esperamos por esses anos de sucesso e pelo final desse conflito o mais breve possível, também!


Nadhine França foi a primeira mulher a ocupar a presidência executiva da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), também sendo responsável pela criação e coordenação do Núcleo de Diversidade. É analista de sistemas, cervejeira, beer sommelière, Cicerone Certified Beer Server, juíza internacional de cerveja, organizadora de eventos, concursos e congressos cervejeiros. Hoje mora em Budapeste.

Heineken investirá R$ 1,5 bi em fábricas do Nordeste; veja impacto nas marcas

O Grupo Heineken vai investir R$ 1,5 bilhão em duas das suas fábricas localizadas no Nordeste. A companhia anunciou que o aporte será realizado nas unidades produtivas de Igarassu (PE) e Alagoinhas (BA), tendo como principal foco a ampliação da produção do seu portfólio de cervejas premium e mainstream puro malte.

Em Igarassu, o investimento da Heineken será voltado a triplicar a capacidade produtiva da Amstel e da Devassa, além de aumentar em 45% a operação de linhas de embalagens retornáveis. Na cervejaria de Alagoinhas, o foco da companhia está na ampliação em 60% da produção da marca Heineken.

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Ao anunciar o investimento em plantas do Nordeste, o presidente do Grupo Heineken, Mauricio Giamellaro, destacou a importância estratégica dessa região para a companhia, assim como do aumento do consumo das cervejas do portfólio premium da companhia.

“O puro malte de Heineken ganhou o Brasil e chegou ao nosso portfólio mainstream puro malte que também segue crescendo no país. Temos uma jornada consistente de premiumnização em todo o mercado nacional, com destaque para a região Nordeste, que tem se tornado cada vez mais relevante na nossa estratégia de crescimento sustentável no país”, afirma Giamellaro.

A Heineken relatou que os aportes nas fábricas do Nordeste incluirão ações para a melhoria da eficiência hídrica da unidade de Igarassu. Com o foco de reduzir o consumo de água em 30% em três anos, serão implementadas tecnologias de alta performance. Para isso, a companhia ampliará parcerias com outras empresas instaladas na região para reutilização do efluente tratado.

A companhia também explicou que a planta de Igarassu funcionará com fontes de energia 100% renovável, a exemplo de biogás e biomassa, permitindo também uma redução de 25% no consumo de energia térmica.

Durante o período de obras na sua unidade em Pernambuco, a Heineken prevê a criação de 700 postos de trabalho, além das 130 vagas diretas para o momento da operação que, somadas ao número atual de colaboradores da cervejaria, totalizam mais de mil empregos no estado.

“O estado celebra o anúncio desse investimento bilionário do Grupo Heineken com a certeza de que a companhia não só ampliará suas atividades em Pernambuco, como também irá melhorar a eficiência da utilização dos recursos naturais. É um projeto que vai gerar mil empregos, conectado ao desenvolvimento sustentável”, afirma Raquel Lyra, governadora de Pernambuco.

Aporte de R$ 4,6 bilhões em 4 anos
Com o novo anúncio de investimento no país, o Grupo Heineken calcula ter aportado R$ 4,6 bilhões no Brasil nos últimos quatro anos. Em 2020, a companhia investiu R$ 865 milhões na ampliação da unidade de Ponta Grossa (PR). Em 2022, realizou aporte de R$ 1,8 bilhão para construir uma cervejaria em Passos (MG). Também no ano passado, as unidades de Jacareí e Araraquara, em São Paulo, receberam investimentos de R$ 320 milhões para expansão e ampliação de práticas ESG.

Menu Degustação: Tour da Heineken, novos rótulos da cerveja Eisenbahn, festival em BH…

As cervejarias e suas marcas aproveitaram os últimos dias para a apresentação de novidades. A cerveja Eisenbahn, por exemplo, adotou novos rótulos para a sua variada gama de cervejas oferecidas ao consumidor, que agora também poderá fazer um tour por uma das fábricas do Grupo Heineken, conhecendo a produção e sua história, além de aproveitar uma degustação com queijos e frios no interior de São Paulo.

Em Belo Horizonte, a programação cervejeira está agitada nos próximos dias, tendo como destaque o Festival da Loba. Também por lá e em cidades de todo o país, o maior concurso de butecos do país está encerrando sua edição de 2023.

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Confira estas e outras ações cervejeiras no Menu Degustação do Guia:

Novos rótulos da cerveja Eisenbahn

Para fortalecer a identidade visual de seu portfólio, a cerveja Eisenbahn apresenta rótulos com uma nova roupagem. Os rótulos, adotados em todos os estilos da marca, buscam demonstrar uma percepção de imagem ainda mais premium, trazendo um aspecto de modernidade, mas mantendo a essência e tradição de mais de vinte anos da cerveja Eisenbahn. A nova identidade visual traz elementos mais contemporâneos que somam para dar um ar ainda mais cool para o portfólio, segundo a marca. A mudança começou a ser implementada de forma gradual e já pode ser encontrada nas redes de varejo, sendo que os novos rótulos estão sendo adotados nos formato long neck (330ml) e lata (350ml) da Eisenbahn.

Tour do Grupo Heineken

cerveja eisenbahn lançamento

O Grupo Heineken realiza a experiência Inside the Star em Jacareí (SP), com um tour guiado pela sua fábrica, além de ações em parceria com as marcas Tirolez e Ceratti. Os visitantes poderão acompanhar a linha de produção de long necks, conhecer rotinas da cervejaria, principais ingredientes dos produtos e a história da marca holandesa por meio de sete salas de experiência interativa. O passeio termina no bar Inside the Star, local onde os visitantes farão uma degustação de cervejas harmonizando com os produtos das parceiras.

Posto de reciclagem

A reciclagem de vidro ganhou mais um aliado no Rio de Janeiro. Sete unidades do supermercado Prezunic receberam máquinas 4R Glass, de moagem de garrafas e embalagens de vidro, desenvolvidas pela Seiva para o Programa Volte Sempre, do Grupo Heineken. Ao ser depositado no equipamento, o material é triturado, removido e enviado para cooperativas recicladoras, de onde retornam para a indústria como novas. Ao depositar as garrafas, os clientes recebem cashback a ser utilizado na compra de produtos do portfólio da Heineken. Para participar do programa de reciclagem e receber o cashback, o consumidor precisa baixar o app Ponto Caco e realizar um cadastro.

Festival da Loba

Em Belo Horizonte, neste sábado (6), a Cervejaria Loba, de Santana dos Montes (MG), vai promover uma festa com rock e cervejas. Essa será a segunda edição do Loba Rock Festival, que aconteceu pela primeira vez em maio de 2019. O festival, com entrada gratuita, será no cruzamento das avenidas Bernardo Monteiro e Brasil, a partir das 10 horas com término às 20h. A Loba desenvolveu um tapping de 12 metros e mais de 10 torneiras para servir seus rótulos. Ainda haverá venda de vinhos e drinques a base de gin.

DJ com Läut

A Cervejaria Läut abraçou o projeto Circuito DJ Sessions e será o patrocinador da edição que também acontece neste sábado (6), no Madame Geneva, em Belo Horizonte, a partir das 19h. O comando da noite ficará por conta do DJ Leo Mille, que promete uma mistura de referências musicais e lounge music.

Festival de churrasco

Em 13 de maio, Belo Horizonte vai receber um festival de churrasco a céu aberto, o Na Brasa BBQ. O evento, no Parque da Gameleira, em uma super estrutura, de 20 mil m², conta com espaço kids, teatro para crianças, pet friendly, worshop cozinha show, desossa ao vivo, praça de alimentação, cervejas artesanais, assadores renomados e feira de artesanato. A entrada é franca.

Comida di Buteco chega à reta final

O maior concurso de butecos do país está encerrando sua edição de 2023. Até o próximo domingo (7), os consumidores e jurados podem visitar os estabelecimentos participantes do do Comida di Buteco para votar em atendimento, temperatura da bebida, higiene e petisco. O petisco leva 70% do peso da nota e as demais categorias, 10% cada. O voto do público vale 50% do peso total e dos jurados, 50%. A cada edição, 20% dos butecos são desclassificados para o ano seguinte, gerando renovação e acirrando a competitividade. A edição de 2023 tem como tema ervas e especiarias.

Gula Bar com novo rooftop

Aberto há 10 anos, o Gula Bar – um gastrobar localizado dentro de uma comunidade, na região de Heliópolis, zona sul de São Paulo – anunciou a inauguração de seu rooftop. Com  a novidade, a casa passa a ganhar mais um andar que além de contar com menu e carta de drinques próprios, possui um ambiente despojado, que faz com que as pessoas possam apreciar bons momentos no terraço de estrutura moderna, capaz de comportar até 200 pessoas. O rooftop funciona aos sábados, das 18h30 à 1h; e aos domingos, das 16h às 23h.

Van Been Tap House com Samba do Holandês

A Van Been Tap House, cervejaria localizada no bairro Vila Mariana, em São Paulo, anunciou a primeira edição do Samba do Holandês. O evento vai celebrar a música brasileira com enfoque em um dos gêneros musicais mais icônicos do país. Será neste domingo (7), das 13h às 20h. Na programação, a banda de samba composta pelos integrantes do Freak’s, espaço de carnes defumadas situado dentro da Van Been. A ideia é ter uma edição por mês, sempre no último domingo. 

Abralatas com novo presidente do Conselho Administrativo

A Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas) anunciou o novo presidente do conselho administrativo da entidade: Roberto Castro, hoje vice-presidente de engenharia da Ball América do Sul. O executivo traz na bagagem mais de 25 anos de experiência na indústria brasileira. Engenheiro mecânico de formação, pós-graduado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), e com formação como Conselheiro no Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). Seu mandato será de dois anos.

Chopp Brahma é lançado em lata e será vendido pelo Zé Delivery no Rio

A Ambev decidiu envasar um dos seus mais tradicionais produtos. A companhia lançou a versão em lata do Chopp Brahma, que inicialmente só estará disponível no Rio de Janeiro. A apresentação da novidade foi uma das ações realizadas pela indústria da cerveja nesta semana no Web Summit, um dos maiores encontros de inovação e tecnologia do mundo, que aconteceu na capital fluminense.

Em uma fase de testes, a novidade só estará disponível em alguns dias e lugares na cidade do Rio de Janeiro, para pedidos pelo aplicativo Zé Delivery. A Ambev, porém, garante trabalhar com a expectativa de levar a versão em lata de 350ml do Chopp Brahma para outras cidades.

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De acordo com a cervejaria, a intenção de lançar o Chopp Brahma veio do cenário de alta na venda do chope e da possibilidade de ampliar os momentos de consumo, agora ofertando a oportunidade de que isso ocorra dentro das residências.

Ao realizar o lançamento, a Ambev afirmou que a novidade não passou por nenhum processo de pasteurização, garantindo que o frescor do chope foi levado para a lata. Assim, foi necessário contar com o trabalho dos profissionais do Centro de Inovação Tecnológica (CIT) da Ambev, localizado no Rio.

Foi lá onde se desenvolveu o projeto para manter a qualidade, o frescor e a tão conhecida espuma do Chopp Brahma na lata. “Foram muitas pesquisas e testes até chegarmos em um processo de micro filtragem que garante a qualidade, frescor e uma espuma super cremosa”, diz Daniel Baumann, diretor do CIT.

A outra ponta de inovação envolveu o Zé Delivery, aplicativo hoje com 5 milhões de usuários ativos, de acordo com o balanço financeiro divulgado nesta quinta-feira pela Ambev. Como o chope precisa permanecer refrigerado para manter seus atributos, o aplicativo fica responsável pelo armazenamento e distribuição.

“O Chopp Brahma é sinônimo de tradição e categoria no Brasil. Há muitos anos ouvíamos do consumidor o sonho de poder beber o chopp de forma fácil em casa, com o mesmo sabor e qualidade. Essa inovação só foi possível por conta do avanço no modelo de plataforma que a Ambev vem desenvolvendo nos últimos anos, pois apesar de estar na lata, o chope da Brahma precisa ter toda cadeia logística refrigerada para garantir a qualidade e o frescor, desde a cervejaria até a casa do consumidor”, afirma Gustavo Castro, diretor de Inovação da Ambev.

Outra grande cervejaria brasileira já havia levado o chope para a latinha. Foi o Grupo Petrópolis, que em 2018 lançou a Go Draft, inicialmente em garrafa. Em janeiro, o rótulo foi renomeado como ITA-Draft Tardezinha, sendo apresentado em lata e patrocinando turnê do cantor Thiaguinho.

IA para consumo responsável
Além do Chopp Brahma em lata, a Ambev aproveitou o Web Summit no Rio para apresentar outra novidade tecnológica, essa para auxiliar o consumo responsável de bebidas alcoólicas. Se trata do Flow Voice, inteligência artificial que consegue identificar o consumo de álcool pela voz, podendo contribuir para o aumento da segurança nas estradas e em locais públicos.

A novidade teve seu pré-lançamento no Web Summit Rio, tendo sido desenvolvida pelo Smart Drinking Lab, da Ambev, em parceria com a Metatimbre AI. A expectativa é que a ferramenta auxilie as pessoas a tomarem melhores decisões para um consumo responsável, e que seja também utilizado por empresas e em políticas públicas para promover segurança nas estradas.

Para realizar o teste, o usuário do Flow Voice deverá gravar áudios seguindo as frases indicadas na plataforma. A IA analisa mais de 120 aspectos da voz humana para identificar se há presença de álcool no organismo. Caso isso seja constatado, ele dá dicas de ações para um consumo moderado, sugerindo a indicação de consumo de água ou se alimentar, por exemplo.

“A partir do lançamento, o Flow Voice vai passar por uma série de testes e hipóteses de uso para entender qual a melhor forma de explorar seu potencial, que vão desde sistemas de segurança veicular: permitindo o bloqueio da partida caso seja identificado sinal de álcool consumido na voz, contribuindo para a segurança viária, até em dispositivos vestíveis (smartwatches e pulseiras): para fornecer informações em tempo real sobre o nível de embriaguez do usuário, contribuindo para o consumo responsável”, afirma Rodrigo Moccia, diretor de relações institucionais na Ambev.

Ambev amplia lucro em 8% mesmo com vendas estáveis no primeiro trimestre

A Ambev conseguiu aumentar o seu lucro no primeiro trimestre de 2023, mesmo em um cenário de estabilidade das vendas. De acordo com o balanço financeiro divulgado nesta quinta-feira, a companhia teve lucro líquido de R$ 3,819 bilhões, uma alta de 8,2% na comparação com o mesmo período de 2022.

A receita líquida da Ambev expandiu 11,3% na comparação anualizada, chegando aos R$ 20,532 bilhões, com o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficando em R$ 6,444 bilhões, o que representa crescimento de 16,7% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.

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O crescimento dos principais indicadores financeiros do balanço da Ambev no primeiro trimestre se deu mesmo em um contexto de freio nas vendas. A companhia relata ter comercializado 45,082 milhões de hectolitros de janeiro a março de 2023, um recuo de 0,4% na comparação com o mesmo período de 2022.

“Um bom começo de ano, entregando mais um trimestre de crescimento consistente da receita líquida e do Ebitda ajustado, com expansão de margem”, afirma Jean Jereissati, CEO da Ambev, no release de resultados.

Destaque de outros balanços da Ambev, a venda de cerveja no Brasil desta vez esteve mais próxima de refletir o desempenho geral da companhia em outros mercados. No período, a expansão da comercialização da bebida foi de apenas 0,8%, chegando aos 22,191 milhões de hectolitros. A venda de bebidas não alcoólicas no Brasil foi um dos destaques positivos do balanço, com alta de 7,3%.

A Ambev avalia que não houve perda de participação no mercado no Brasil durante o primeiro trimestre de 2022. “O desempenho foi impulsionado por nossa execução comercial durante o primeiro carnaval completo pós-pandemia e por marcas mais saudáveis, à medida que superamos um forte 1T22 em que a obrigatoriedade do uso de máscaras foi suspensa no país. O volume cresceu 2,5% (+0,8% em cerveja e +7,3% em NAB) e a participação de mercado ficou estável em ambos os negócios, de acordo com nossas estimativas”, diz a empresa, nos comentários da administração.

A companhia também cita a alta da receita líquida por hectolitro como um destaque no país no primeiro trimestre. “No Brasil, a ROL/hl aumentou 12,3% (+13,5% em Cerveja e +10,6% em NAB), à frente do desempenho de volume, devido à combinação de carrego de aumentos de preços, estratégia de gestão de receita consistente e disciplinada e mix positivo de marcas premium, impulsionando o crescimento de 15,1% da receita líquida (+14,4% em Cerveja e +18,6% em NAB)”, afirma.

Em seus comentários sobre o balanço, a Ambev ainda relata que espera um “início de ano mais duro” em relação aos custos. “Embora o crescimento do CPV por hectolitro excluindo depreciação e amortização tenha começado a desacelerar em muitos de nossos mercados dado o momento dos hedges de commodities (principalmente alumínio e cevada), nossos custos permaneceram sob pressão neste trimestre, resultando em um aumento de 19,3% no CPV excluindo depreciação e amortização consolidado. O CPV por hectolitro excluindo depreciação e amortização (excluindo a venda de produtos de marketplace não-Ambev) de Cerveja Brasil aumentou 15,3%, enquanto em NAB Brasil cresceu 3,0%”, afirma.

Fora do país, o Canadá teve expansão de 5% nas vendas, enquanto a América Latina Sul (-7,8%) e a América Central e Caribe (-7,8%) apresentaram retração.

Destaques de vendas da Ambev

Ao comentar o desempenho por marcas, a Ambev afirma que as super premium e premium superaram o crescimento de volume total e dos demais segmentos mais uma vez, crescendo cerca de 35%, com destaque para Original, Spaten, Stella Artois e Corona

Além disso, relata que no segmento core plus, o volume de Budweiser cresceu e a Budweiser Zero continuou expandindo sua distribuição, atingindo recordes de cobertura de pontos de venda e de volume.

No Brasil, o volume de Spaten cresceu dois dígitos. O volume da Budweiser Zero cresceu mais de 90% sequencialmente, e sua cobertura mais do que dobrou em relação ao último trimestre

Ambev

No seu marketplace B2B, a Ambev diz ter atuado para ampliar a disponibilidade de produtos, atingindo mais de 77% dos clientes do BEES. “O Volume Bruto de Mercadorias (GMV) cresceu sequencialmente e 36% em relação ao 1T22, entregando um montante anualizado de R$ 1,6 bilhão”, explica.

Já o Zé Delivery atingiu 5,0 milhões de usuários ativos, crescendo 9% em relação ao primeiro trimestre de 2022, com o valor médio por pedido subindo 16% no período.

Doemens cria selo que premiará excelência sensorial das cervejas

A instituição de ensino Doemens Academy e a editora Meininger Verlag criaram um selo que irá atestar anualmente a qualidade das cervejas que se inscreverem para participar do processo. A Finest Beer Selection (Seleção das Melhores Cervejas, em uma tradução livre) irá premiar os rótulos inscritos de acordo com as notas obtidas como um teste de avaliação sensorial e não como em um campeonato cervejeiro. O objetivo, assim, é reconhecer a excelência das produções.

Com base na avaliação de diferentes critérios sensoriais, serão distribuídos 100 pontos no chamado “Finest Beer Score”. As cervejas participantes que conseguirem ao menos 90 pontos serão incluídas na seleção anual da Finest Beer Selection, compondo um grupo exclusivo de rótulos com excelência sensorial, na avaliação da Doemens.

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Além disso, o júri de especialistas, formado por profissionais experientes e de renome internacional, realizará a degustação às cegas, também criará um perfil de aroma individual para cada cerveja, chamado “Finest Beer Profile”.

De acordo com os responsáveis pelo novo selo, as cervejas serão avaliadas individualmente, sem comparação entre elas, em critérios como aparência e sabor, por um júri internacional de especialistas. E a Doemens garante que o padrão de avaliação é facilmente compreensível, sendo semelhante à pontuação adotada para vinhos.

Segundo a renomada instituição de ensino alemã, a avaliação “tem como objetivo fornecer um importante critério de qualidade e estabelecer-se na indústria cervejeira global como uma bússola única e confiável para a qualidade da cerveja”. “A médio prazo, pretende-se alcançar a sensibilização do público com enorme ressonância”, acrescenta a Doemens.

As cervejarias da América Latina e da Península Ibérica interessadas em participar podem entrar em contato através do e-mail: info@cilenesaorin.com. As inscrições dos rótulos podem ser feitas até 25 de agosto. As amostras devem ser enviadas entre 4 e 29 de setembro, com a degustação ocorrendo na Doemens entre 10 e 12 de outubro. A data da premiação ainda será anunciada pelos organizadores.

41% das cervejarias seguem com faturamento abaixo do nível pré-pandemia

41% das cervejarias seguem com faturamento abaixo do nível pré-pandemia

O impacto provocado pela pandemia do coronavírus nas finanças das cervejarias ainda é sentido, mesmo três anos após a sua eclosão. De acordo com o levantamento “O Ano de 2022 para as Cervejarias”, do Guia, 41% dos empreendimentos não conseguiram recuperar o nível de faturamento pré-Covid-19.

O resultado do estudo, que pode ser acessado pelo link, é ainda pior quando se observa que 20% das cervejarias participantes afirmam não ser possível aferir se houve queda, estabilidade ou crescimento no faturamento em 2022 e nos anteriores na comparação com 2019, o último ano pré-pandemia.

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Ou seja, descartando essas respostas, pouco mais da metade das cervejarias que responderam ao levantamento relataram uma recuperação lenta das finanças, sem conseguir alcançar a receita de 2019 nos anos seguintes.

Além disso, 27% das cervejarias respondentes dizem que o faturamento caiu como início da pandemia e se manteve abaixo do nível anterior desde então. Já outros 14% até conseguiram se recuperar durante a crise sanitária, mas não foram além de igualar os resultados financeiros de 2019.

O universo de cervejarias que, de fato, conseguiu superar o impacto da pandemia é, assim, restrito a 17% dos respondentes da pesquisa. É esse percentual que afirma ter sofrido queda no faturamento em função da crise sanitária, mas que diz já ter superado o nível pré-Covid-19.

Além disso, 22% das cervejarias afirmam terem passado praticamente ilesos à pandemia, seja registrando alta no faturamento desde 2020 (17%) ou operando em meio à estabilidade da receita (5%).

Quem lucrou em 2022?

O ritmo lento de recuperação das finanças pelas cervejarias se refletiu na dificuldade em obter lucro no ano passado, algo alcançado por apenas 54% das respondentes do levantamento. “O Ano de 2022 para as Cervejarias” aponta que 22% dos empreendimentos tiveram prejuízo, com 24% só empatando as contas.

Apresentar lucro relevante também foi algo raro entre as cervejarias no ano passado: só 5% tiveram lucro de mais de 20% do seu faturamento. Entre os demais empreendimentos que terminaram 2022 no verde, o lucro não foi além de 10% em 22% dos participantes da pesquisa, ficando entre 11% e 20% para 27% do universo de respondentes.

O Ano de 2022 para as Cervejarias” foi uma pesquisa, quantitativa, realizada por meio de questionário online pelo Guia, com respostas coletadas entre outubro e dezembro de 2022 de 100 donos ou administradores de cervejarias.