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Balcão do Jayro: “Não nos esqueçamos da acidez…”

Balcão do Jayro: “Não nos esqueçamos da acidez…”

…Da falta de tom. Da não polidez sincera. Não nos esqueçamos da diversidade dentro da superestimada normalidade… De onde existem as amarras invisíveis daquilo que é o esperado. Não nos esqueçamos dos sabores das diferenças.

A citação acima encontra-se impressa no rótulo da Pink Lemonade, uma Berliner Weisse com framboesa, amora e limão da cervejaria Dádiva – até procurei se a citação tinha outra autoria, mas não encontrei.

Confesso, sou um apaixonado por cervejas ácidas – sim, toda cerveja é ácida, mas estou me referindo a acidez sensorial pronunciada – mas não foi paixão à primeira vista, não. O primeiro contato com cervejas ácidas que me recordo foi em 2004, durante uma visita ao Museu da Cerveja em Bruxelas, na Grand-Place. Pouco me recordo do museu e da cerveja (que provavelmente era uma Gueuze), mas me lembro que era um tanto estranha. Não tive uma epifania com o beerhunter Michael Jackson em 1969 – quem gosta de cervejas belgas e não conhece esse episódio, recomendo o documentário[1]A conversation with Michael Jackson”. A afirmação de que Michael Jackson salvou as cervejas belgas da extinção não é um exagero.

Essa “paixão” ficou dormente por mais de 10 anos, quando fui ter novamente contato com uma Berliner Weisse (Berliner Kindl) no curso de sommelier, seguido pelas ácidas espontâneas belgas, e por aí fui me enveredando nesse caminho “da diversidade dentro da superestimada normalidade” e jamais retornei…

Do ponto de vista evolutivo, acidez é um indicador de possível toxidade de um alimento, portanto é marcador importante para a sobrevivência humana. Ao longo do desenvolvimento humano aprendemos que alguns ácidos, ao contrário da toxidade indicada, podem na realidade nos ajudar a preservar melhor alguns alimentos e eliminar ou inibir patógenos. Embutidos, queijos, cervejas, vinhos, conservas das mais variadas se utilizam desse meio ácido. Ao contrário do amargor, já temos contatos com substâncias ácidas desde que nascemos – o leite materno é ligeiramente ácido, com pH entre 6,6 – 6,8. Vale lembrar que a escala de pH, que vai de 0 a 14 é logarítmica, o que significa dizer que uma substância com diferença de 0,1 de pH para outra é 10 vezes mais ácida. Do ponto de vista fisiológico, a acidez é mais sináptica (junto com o salgado) já que despolarizam diretamente as células do corpúsculo da língua. Ou seja, os gostos ácidos e salgados são percebidos antes dos demais – esqueça o mapa da língua, estamos falando aqui de velocidade, não de localização.

A acidez sensorial pronunciada facilita muito o trabalho de um sommelier quando se trata de possiblidades de harmonização. Temos possibilidades de trabalhar com diferentes tipos de acidez, sendo a lática, a acética e a cítrica as mais comuns. Segundo, por ser mais sináptica, quando propomos a interação de uma cerveja ácida com um prato salgado, cria-se aí um “jogo” de sensações, sendo que estamos falando somente de gosto, sem entrar no mérito dos demais elementos. Quando oferecemos uma cerveja ácida para acompanhar um prato ácido – um ceviche por exemplo – criamos a sensação de cancelamento, a acidez do prato e da cerveja parecem se amortizar e têm uma intensidade menor do que se fossem degustadas de forma apartada. E, por último, e não menos importante, quando acompanhada de uma sobremesa, a acidez faz contraponto a doçura como matéria e anti-matéria, provocando um aniquilamento incrível se as forças estiverem equilibradas. São raras as vezes em que não escolho a acidez como elemento estruturante de uma harmonização com sobremesas.

E por falar nisso, que tal harmonizar a Pink Lemonade com um flan de confeiteiro? Ou quem sabe com um pastelzinho de nata…

Saúde!


[1] https://www.youtube.com/watch?v=ZYSnoZqmNMc


Jayro Neto é sommelier de cervejas e Mestre em Estilos, tendo sido campeão do Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas de 2019. É organizador de concursos da Acerva Paulista e juiz certificado pelo BJCP (Beer Judge Certification Program) com experiência nacional e internacional em concursos de cerveja. Também atua como conselheiro fiscal da Abracerva.

Bioinsumo pode aumentar produção de lúpulo no Brasil, avalia estudo

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Um estudo conduzido pela Embrapa na região serrana do Rio de Janeiro busca insumos que possam ajudar a aumentar a produtividade do lúpulo. O trabalho analisa o uso de bactérias e fungos que contribuam para o desenvolvimento da planta, ingrediente fundamental para a produção de cerveja, e já obteve resultados positivos.

Os experimentos com mudas inoculadas com a bactéria Azospirillum possibilitaram aumento de 52% de biomassa na parte aérea da planta, em um claro indicativo de que, assim como outros cultivos, o lúpulo também pode se beneficiar da ação desse microrganismo para aumentar a sua produtividade.

Leia também – Livro sobre produção de lúpulo no Brasil traz dados, avaliação técnica e custos

“Nossa perspectiva é obter um bioinsumo que estimule a produção de mudas mais vigorosas, com menor tempo de viveiro e que reflitam em benefícios em relação à produtividade e, quem sabe, até na qualidade sensorial do lúpulo”, explica o pesquisador Gustavo Xavier, da Embrapa Agrobiologia.

O estudo experimental foi realizado no Viveiro Ninkasi, localizado em Teresópolis (RJ) e que foi o primeiro a ter o reconhecimento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para produção de mudas de lúpulo no Brasil.

Os pesquisadores, então, utilizaram as práticas de manejo usuais já realizadas no viveiro para testar bactérias e fungos armazenados na coleção do Centro de Recursos Biológicos Johanna Döbereiner, em Seropédica (RJ), com o foco naqueles microrganismos que, reconhecidamente, têm a função de promover o crescimento de plantas. E o resultado foi positivo com a bactéria Azospirillum.

Esse estudo é uma das frentes da Rede Lúpulo, projeto multidisciplinar voltado a criar condições para o estabelecimento da cultura do ingrediente cervejeiro no Brasil. Nessa mesma frente, também há a avaliação de substratos que são eficientes em outras culturas.

Um bom resultado para o lúpulo foi alcançado com o gongocomposto (substrato produzido por gongolos). Nesses testes de campo, os pesquisadores observaram um incremento de 50% em relação ao substrato comercial.

“Como cada um de nós analisa o experimento dentro da nossa área de conhecimento, o experimento fica robusto, com várias avaliações. O que é um grande benefício para a cultura”, pontua o pesquisador Orivaldo Saggin, especialista em fungos micorrízicos.

As micorrizas são associações entre alguns fungos do solo e raízes de plantas, que ocorrem nos mais diversos ecossistemas. As hifas das micorrizas, as estruturas que compõem as células de um fungo, associam-se às raízes das plantas e auxiliam na absorção de água e sais minerais do solo, principalmente fósforo e nitrogênio.

Como o lúpulo é uma planta que depende da raiz para se desenvolver, os pesquisadores estudam a possibilidade de desenvolver e aplicar um produto biológico para estimular a planta na absorção de nutrientes.

A pesquisadora Norma Rumjanek explica que os conhecimentos do microbioma associado com plantas vêm ganhando destaque e podem revelar novas oportunidades tecnológicas. A intenção é avaliar diferentes dosagens do inoculante bacteriano e de substratos nas cultivares mais utilizadas pelos produtores da região serrana do Rio. “O objetivo é otimizar os benefícios dos processos microbiológicos que envolvem a planta, os microrganismos e o ambiente”, relata.

Além de fazer novos testes de campo com diferentes bactérias da coleção biológica da Embrapa Agrobiologia, os pesquisadores querem conhecer também como se dá a interação do lúpulo com outros microrganismos, como fungos e bacilos. “Ainda que os resultados sejam preliminares, eles apontam as potencialidades de expansão desses bioinsumos para a cultura do lúpulo”, completa Xavier.

12 ações cervejeiras preparadas para a folia do carnaval

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A pandemia da Covid-19 impossibilitou que a maior festa do mundo – o carnaval – fosse celebrada em sua plenitude nos últimos dois anos. Mas agora a realização das grandes festas nas ruas, sambódromos e bares voltou com tudo. E para essa retomada da folia, foram preparadas diversas ações cervejeiras e lançamentos pelo país, tanto pelas grandes marcas como pelas artesanais, buscando aproveitar o alcance do carnaval.

A Brahma, por exemplo, aposta na presença da ex-modelo Gisele Bündchen como sua convidada especial para o carnaval, estando presente em diversas folias pelo Brasil com diferentes ações cervejeiras. A Itaipava também aparece como a patrocinadora oficial de diversas festas e criou algumas novidades para esse período.

Entre as artesanais, a Krug Bier lança a sua Krug Cristal para o carnaval. Já a Landel trouxe a Atrás do Bloco. E ainda há a aposta em bolsas térmicas para manter as cervejas geladas durante a celebração.

Fazendo literalmente a festa, a Artéza organiza o CarnaRock, enquanto a Madalena promove cinco dias de muita folia.

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Confira a seguir algumas ações cervejeiras preparadas especialmente para a folia do carnaval:

Ambev apoia moderação,…
Pensando no consumo responsável, a Ambev aposta na mixologista Néli Pereira, que vai dar dicas de moderação e drinques sem álcool nas suas redes sociais. Já Brahma (Minuto da Moderação) e Beats (Paradinha Beats) terão ativações lembrando o folião de beber água e se alimentar. A Beats também vai distribuir 60 mil barrinhas On My Beats, que saciam e substituem uma refeição, nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Florianópolis.

…catadores e luta contra o assédio
Outra das várias ações cervejeiras da Ambev no carnaval envolve todo o ecossistema da latinha. Recriando a tendência das roupas e acessórios feitos com lacres de latinhas, a moda voltou como uma representação do material que sustenta o trabalho de catadores e ambulantes durante o carnaval. Neste ano, são mais de 30 mil parceiros cadastrados para trabalhar com a companhia durante os blocos. Além de apoiar os ambulantes e fornecer os kits com materiais de vendas, a companhia fez um treinamento obrigatório sobre consumo responsável de bebidas alcoólicas e enfrentamento ao assédio, junto com a Think Olga, consultoria de inovação social que ajuda a criar soluções para as desigualdades de gênero.

Brahma em várias cidades…
A Brahma lançou uma edição limitada com a imagem de Zeca Pagodinho, em mais uma ação da longeva parceria com o sambista, que já esteve presente em várias campanhas publicitárias, e reforçou a sua presença no carnaval, com a marca da Ambev sendo a oficial do carnaval de rua de São Paulo e Rio de Janeiro. Além disso, terá o seu camarote no carnaval de Salvador, assim como é a patrocinadora oficial do Galo da Madrugada, no Recife.

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…e com Gisele
A marca também convidou a ex-modelo Gisele Bündchen para aproveitar o carnaval este ano. Em suas redes sociais, ela revelou que ela só precisa escolher o local, embora ainda não tenha confirmado se vai aceitar o convite, mas deixou no ar a possibilidade ao abrir uma enquete perguntando qual deveria ser o destino.

Novidades da Itaipava…
A Itaipava é a patrocinadora oficial de algumas das principais festas de Carnaval no país e celebrará a data com uma edição comemorativa de Itaipava 100% Malte em uma lata que homenageia personagens do carnaval e muda de cor quando gelada. A marca também apresentará sua colaborativa com edição exclusiva de óculos com a Chilli Beans e entrará na folia com seu time de influenciadores munidos do ITA, um spray com espuma de cerveja.

… e presença na Bahia, claro!
Em Salvador, por sua vez, a Itaipava terá presença de peso em toda a cidade, patrocinando o Camarote Villa. Já no Carnavalito, a marca irá promover a mistura entre a energia dos circuitos e a euforia de estar no meio da avenida, para dentro da casa da marca, a Itaipava Arena Fonte Nova, até segunda-feira (20).

Krug Cristal para o carnaval
A Krug Bier, famosa cervejaria artesanal de Minas Gerais, lançou a Krug Cristal em versão lata. O lançamento acontece para o carnaval de Belo Horizonte e já está disponível para compra na loja da fábrica, e-commerce e supermercado da região metropolitana. A Krug Cristal é uma cerveja puro malte, dourada e cristalina. Traz no aroma e sabor notas dos grãos em equilíbrio com o perfil floral dos lúpulos. Possui corpo leve, baixo amargor, alta carbonatação e um final ligeiramente seco. A ideia desse lançamento é oferecer o sabor e frescor – característicos do chope – na versão lata, com 473 ml, teor alcoólico de 4,7% e baixo amargor.

Landel lança Atrás do Bloco
A cervejaria Landel se inspirou no carnaval para lançar a Atrás do Bloco, uma New England IPA, que leva malte de cevada, flocos de aveia, flocos de trigo e lúpulo na composição. Com 7,5% de teor alcoólico e 30 IBUs, o novo rótulo é aromático por conta das altas cargas de lúpulos americanos usadas em sua produção. A Atrás do Bloco está disponível em chope ou em lata de 473ml e em growler para levar para casa.

Bolsa térmica da Hocus Pocus
Todo mundo quer cerveja gelada no carnaval. E para acompanhar nos blocos de todo o Brasil, a Hocus Pocus lançou a bolsa térmica Psychedelic Craft Beer, que homenageia um videogame que fez parte de muitas infâncias. É para manter a cerveja gelada por mais tempo e carregar de forma prática para onde for. Tem entrega em todo o país, com frete sob consulta no site. Ela tem a capacidade de comportar 7,4 litros.

CarnaRock da Artéza
O Carnarock da Artéza traz muita cerveja e música ao espaço da cervejaria em Belo Horizonte. A programação começou na sexta-feira. Neste domingo, tem o cantor Shel comandando o som da casa. Na segunda, será a vez de Jean Kabal. Já na terça, Rafa Bomtempo é a atração do projeto especial de carnaval da casa. E ainda tem mais: as cervejas especiais da marca estarão disponíveis.

Carnaval pet da Soma
A cervejaria Soma estará com programação especial no domingo e terça-feira do carnaval com seleção musical em ritmo carnavalesco, novidades no tap e concurso de fantasias para cães que passarem pelo brewpub no bairro Moema, em São Paulo, fantasiados. Para que a folia seja garantida, só será permitido a entrada de pets em guias conduzidos pelos seus tutores. No final de semana a cervejaria contará com programação musical ao vivo.

Madalena em cinco dias de muita folia
Já o CarnaRock da Madalena terá 5 dias de muita folia, até terça-feira, em Santo André (SP). No cardápio, vários estilos de chope Madalena nas mais de 25 torneiras disponíveis na casa, além de drinques especiais do Rei da Caipirinha, pizzas artesanais da The Napoli, lanches preparados na churrasqueira de pedra vulcânica e porções da Busger e torresmo de rolo da Let’s Pork. Tudo isso em um ambiente coberto, pet friendly, com espaço kids, pinball, simulador de carro, arcade e grua de pelúcia. Para animar a festa, música ao vivo todos os dias com rock´n roll.

Receita do Grupo Heineken cresce 30% no Brasil com alta das marcas premium

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O Grupo Heineken divulgou o seu balanço financeiro de 2022 com alta de 30%, aproximadamente, na receita obtida no Brasil em comparação ao ano anterior. De acordo com a companhia, o resultado foi obtido pela premiumização do mercado, a precificação e a alta do volume de cerveja comercializada no país.

De acordo com o Grupo Heineken, a venda de cerveja no Brasil teve crescimento de um dígito alto – algo entre 8% e 10% -, uma expansão acima do nível do mercado. E isso foi provocado, principalmente pelo desempenho dos portfólios premium e mainstream, liderados por Heineken e Amstel.

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Além disso, o Grupo Heineken destacou que atingiu nível de participação recorde nessas categorias, com expansão em torno de 20% em 2022, confirmando o êxito na estratégia de premiumização do seu portfólio.

Na outra ponta, o Grupo Heineken vai cada vez mais perdendo espaço na disputa pelo mercado de cervejas econômicas no Brasil. A companhia afirma que teve queda de 15% no volume das marcas desse portfólio, como Nova Schin e Kaiser, em 2022.

O crescimento da receita do Grupo Heineken no ano passado foi de 30,4% no mundo, em consonância com o resultado anunciado para o Brasil, ficando em 34,676 bilhões de euros.

Já o volume de cerveja vendida pelo Grupo Heineken expandiu 6,9% no mundo. O crescimento foi de 11,4% para as cervejas premium e de 12,5% para a marca Heineken. Todos esses resultados globais foram inferiores aos obtidos no Brasil pela companhia.

Foram 256,9 milhões de hectolitros de cerveja vendidos em todo o mundo em 2022. As Américas, maior mercado da companhia muito em função dos seus resultados no Brasil, foram responsáveis por 88,5 milhões de hectolitros, uma expansão de 3,7%. O principal destaque acabou sendo a Ásia-Pacífico, com crescimento de 29,3%, para 48 milhões de hectolitros.

“O crescimento foi liderado pela forte recuperação da Ásia-Pacífico na segunda metade do ano, a reabertura do on-trade na Europa na primeira metade após as restrições relacionadas à Covid do ano passado e o crescimento contínuo nas Américas e na África, Regiões do Oriente Médio e Europa Oriental”, afirmou.

O Grupo Heineken destacou, ainda, em seu balanço, que deixou para trás o resultado do período pré-pandemia, com alta de 2,7% no volume orgânico de cerveja vendida na comparação com 2019. Já o volume de cerveja premium expandiu 15,6% em relação ao mesmo período, com a Heineken crescendo 31,5%.

O balanço do Grupo Heineken para 2022 também apresenta queda no lucro operacional de 4,5% em relação ao ano anterior, para 4,283 bilhões de euros, e de 19,3% no lucro líquido, para 2,682 bilhões de euros.

Quarto trimestre e 2023
No quarto trimestre de 2022, o Grupo Heineken vendeu 63,3 milhões de hectolitros de cerveja, crescimento de 3,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior. As Américas registraram leve recuo no período, de 0,5%, para 23,8 milhões de hectolitros.

Já para 2023, o Grupo Heineken espera que o lucro operacional cresça organicamente entre um dígito médio a alto. A companhia também foi modesta em sua previsão para o crescimento no volume de cerveja. “Também esperamos um volume de crescimento estável a modesto, aumentando nos mercados em desenvolvimento e diminuindo na Europa”, afirma.

A companhia ainda cita a alta dos insumos com um desafio que deverá permanecer em 2023, assim como aqueles envolvendo os custos da energia. “Prevemos um aumento em nossos custos de insumos na casa dos 15% por hectolitro e custos de energia significativamente mais altos, principalmente na Europa”, afirma, sobre 2023.

O que se fez com o discurso de diversidade no setor? Especialistas debatem

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Os temas da inclusão e da diversidade, urgentes na sociedade e em todos os seus braços, parecem ter ficado em segundo plano no setor de cervejas artesanais. A avaliação foi apresentada por especialistas ouvidos pela reportagem do Guia, que apontaram pouca movimentação nesse sentido dentro do segmento, citando apenas alguns eventos como exceção à regra, mas, ainda assim, questionando o impacto que isso venha provocando.

O cenário é visto quase como um ocultamento, em que ao não se falar de uma temática, se acredita que ela não exista. É, assim, um refluxo sobre o que se deu em anos recentes, quando ao se tornarem públicos casos de racismo, machismo e outros preconceitos, a reação do segmento foi colocar o assunto em pauta.

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No entanto, passada a indignação inicial, o tema deixou de ser visto como prioridade, com ações pontuais e isoladas sendo exceções. “Não vi muitos exemplos de inclusão e aceitação da diversidade no mercado cervejeiro. Aliás, essa questão que foi muito premente durante a pandemia, tendo suscitado grandes discussões, caiu em um limbo, em minha opinião. É como se ao se fazer silêncio sobre essa pauta, ela passasse a não existir mais”, afirma a sommelière de cervejas e jornalista Fabiana Arreguy.

Para Leandro Sequelle, idealizador da Graja Beer, muitas marcas misturaram uma causa tão importante quanto a inclusão e a diversidade, com iniciativas de marketing, que em sua essência pouco ajudaram quem é marginalizado da sociedade e mesmo dentro do segmento das artesanais.

“Pouco se aprendeu socialmente com o passado, e no mercado isso não é diferente. Muitas das pautas foram usadas para ganhar ‘like’. Mas quem sofria racismo, machismo, homofobia, para os que vivem nas margens sociais (como nós), que precisam pensar duas vezes antes de comprar uma cerveja ou pagar um boleto, as mudanças foram muito tímidas”, diz.

Essa suposta paralisia atual, no entanto, é vista sob a perspectiva das etapas de uma luta entre antagonismos da sociedade, que se reflete dentro do setor de cervejas artesanais, como argumenta Cilene Saorin, diretora da Doemens Akademie no Brasil.

“Sempre há avanços quando há luta. A sociedade brasileira é marcadamente diversa e plural em suas etnias, miscigenação, pensamentos e filosofias de vida. Na mesma medida, a sociedade brasileira é marcadamente machista, misógina, racista, homofóbica, etarista, entre outros cabrestos. A comunidade cervejeira é apenas um recorte desta mesma sociedade”, argumenta.

Eventos mais inclusivos
Os avanços necessários podem vir, também, da renovação do setor cervejeiro. Olhando para a retomada dos eventos no setor, algo que ganhou força especialmente a partir do segundo semestre, a sommelière Bia Amorim tem enxergado boas novidades nas caras novas que atuam no segmento e vêm aparecendo nesses encontros, em sua visão, mais diversos.

“Em todos os eventos cervejeiros que eu fui, vi e conheci diferentes pessoas. Sinto que tem gente nova chegando. Mas não vi grandes projetos, como em 2021. Fico entre achar que as coisas estão melhorando, porque vão se normalizando, mas, no fundo mesmo, podia ter acontecido muito mais”, diz.

Sequelle também pondera que eventos voltados às cervejarias artesanais vêm abrindo portas para a diversidade em suas edições mais recentes. Mas aponta que comentários preconceituosos voltaram a ser feitos por algumas pessoas, novamente à vontade para os expelirem, pela ausência de uma onda antirracista.

Há mais inclusão nos eventos. Há mais pessoas chegando, mas as oportunidades ainda não refletem mudanças. Inclusive, devagarinho aquele cheiro de fumaça que vem quando as piadas racistas voltam a mesa de bar está exalando

Leandro Sequelle, idealizador da Graja Beer

Bar leva Zeca Pagodinho e samba a estádio para festejar com corintianos

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A bola rolando e os pés sambando fazem parte do imaginário quando o assunto é Brasil, afinal, a música e o futebol estão historicamente ligados ao país, representando características do povo. Somado a eles, também se pode acrescentar a cerveja gelada, com a forte associação que envolve esse trio. Agora, todos estão literalmente juntos na Neo Química Arena, em São Paulo. Afinal, o Bar do Zeca, estabelecimento de samba que homenageia o cantor Zeca Pagodinho, foi inaugurado recentemente no local, que recebe nesta quinta-feira (16) o clássico entre Corinthians e Palmeiras, pelo Campeonato Paulista.

Essa foi a primeira vez que o Bar do Zeca Pagodinho saiu do Rio de Janeiro. E a chegada ao estádio do Corinthians representa uma expansão da rede, como conta Vitor Faria, responsável pelo marketing do BFW Group.

“A experiência do Bar do Zeca Pagodinho permanece sendo música ao vivo, comida de primeira, coquetelaria autoral e cerveja sempre gelada, além da atmosfera criada pelo arquiteto, João Uchoa, que faz você se sentir na Xerém de Zeca e viajar pela vida e carreira do artista”, diz.

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Agora, com a unidade no estádio do Corinthians, a proposta do Bar do Zeca Pagodinho é fazer “festa junto com toda torcida”, como ressalta o responsável pelo marketing do BFW Group. “A casa abre de terça a domingo a partir de 12h e em dias de jogos oferecemos a experiência de open bar e open food para quem vem assistir as partidas no setor inferior oeste”, afirma.

Será desse modo nesta quinta-feira, quando o bar oferece as possibilidades de open food e open bar – embora a cerveja só possa ser consumida até 19h30, 2 horas antes do início do clássico –, além de ter a possibilidade de acompanhar um show do sambista Joel Trindade.

É, assim, um reforço na ligação entre samba, futebol e diversão, que em breve ganhará um novo estádio, a Arena da Baixada, casa do Athletico-PR, onde uma nova unidade do estabelecimento vai ser inaugurada.

Também significa uma expansão além do Rio de Janeiro, pois, até 2022, só havia unidades do Bar do Zeca Pagodinho na capital fluminense, na Barra da Tijuca, no Shopping Park Jacarepaguá e no antigo Hotel Novo Mundo. “O perfil do Bar do Zeca Pagodinho não muda, o que muda é o local onde o Bar do Zeca Pagodinho chega”, destaca Uchoa.

Ir além do futebol também casa com o intuito da gestão do Corinthians envolvendo o estádio. José Colagrossi, superintendente de marketing, comunicação e inovação do clube, destaca o trabalho para que a arena em Itaquera tenha vida intensa, com atrações para todos os públicos, muito além do esporte.

“Nossa arena funciona diariamente com seus restaurantes, choperias, lojas, academia e até mesmo uma universidade. Atrações de qualidade para diversos tipos de público”, diz, destacando que o Bar do Zeca entra nesse contexto, “sendo mais uma opção de qualidade para os paulistanos”.

Quem for ao bar na arena do Corinthians pode esperar muita festa. Todos os dias são realizados shows no palco. Já aos sábados, a casa oferece feijoada, além dos petiscos e panelinhas, como a de costela desfiada, preparados pelo chef Toninho Momo.

“Um pedaço do Rio de Janeiro na zona leste de São Paulo, o Bar do Zeca é um espaço que, diariamente, oferece boa comida, boa bebida e um serviço de qualidade. Tudo embalado pela ótima música ao vivo. Nos dias de jogos, os frequentadores podem unir a experiência única que o Bar do Zeca oferece com a torcida pelo Corinthians”, conclui Colagrossi.

Venda de cerveja cresce 8% em 2022 e chega aos 15,4 bilhões de litros no Brasil

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A venda de cerveja no Brasil apresentou crescimento de 8% em 2022, chegando aos 15,4 bilhões de litros. Os dados são da Euromonitor Internacional, em estudo encomendado pelo Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv). A avaliação é de que o resultado foi impactado pela retomada dos eventos no ano passado, assim como pela realização da Copa do Mundo.

O crescimento de 8% se deu em ritmo superior ao de 2021, quando a venda de cerveja no Brasil havia registrado expansão de 7,7%. Assim, a indústria cervejeira conseguiu apresentar resiliência em 2022 perante desafios inflacionários, aproveitando o abrandamento da pandemia para se manter em alta.

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“Mesmo em um período tão desafiador para a economia e a indústria, marcado pelo cenário de alta inflacionária, somado a restrições impostas pela pandemia de Covid-19 e o impacto do conflito entre Rússia e Ucrânia, o resultado consolida a relevância e o compromisso do setor cervejeiro no desenvolvimento econômico e social do Brasil”, afirma Márcio Maciel, presidente executivo do Sindicerv.

O resultado também representa uma continuidade na alta do consumo de cerveja no Brasil. Afinal, após algum período de queda, notadamente na parte final dos anos 2010, apresentou o quarto ano consecutivo de crescimento, mesmo em meio à pandemia.

A expansão de 8% da venda de cerveja em 2022 representa, aproximadamente, mais 1,1 bilhões de litros de cerveja em relação a 2021. E a alta do faturamento da indústria foi percentualmente ainda maior, de 19,8%, saltando de R$ 231,6 bilhões para R$ 277,4 bilhões.

A maior receita obtida pode ser entendida pela inflação da cerveja em 2022 – foi de 9,37% no varejo e de 6,42% nos bares, segundo o IBGE –, mas também pela maior procura por produtos premium, de maior valor agregado.

A Euromonitor também aponta a rápida expansão das cervejas sem álcool no mercado brasileiro. O material projeta que foram vendidos, aproximadamente, 390 milhões de litros de cerveja sem álcool no país em 2022, uma alta de 37,6% e de quase 100 milhões de litros em relação aos 284,6 milhões de litros do ano anterior.

O levantamento também aponta que Skol e Brahma continuam sendo as cervejas mais comercializadas no Brasil, seguida por Antarctica, Itaipava, Nova Schin e Kaiser. Além disso, há enorme proeminência das Lagers no mercado cervejeiro do Brasil, representando 97% das vendas.

Dados da pesquisa feita pela Euromonitor International no Brasil no início de 2023

Projeto aproxima garçom de cervejarias para ampliar vendas em bares

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Classificado como melhor amigo do consumidor em várias músicas, por sua parceria e atendimento eficiente, o garçom também pode conquistar o mesmo status com as cervejarias. É para estreitar essa relação que surgiu o projeto Garçom Amigo, que conecta esses elos da cadeia através da distribuição de pontos em um programa de fidelidade.

A iniciativa parte da premissa de que o garçom é o profissional que está mais próximo ao consumidor no momento de definição de qual cerveja irá comprar e beber em um bar. E como isso lhe assegura um enorme potencial de influência, deve ser estimulado a ter um bom relacionamento com as marcas que oferece ao público.

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Buscar uma forma de estreitar a relação entre o atendente e as cervejaria era um desafio enxergado pelo idealizador do Garçom Amigo, Eder Presa Mota, até por ele contar com a sua própria marca. Afinal, esse profissional já possui uma relação trabalhista firmada com os estabelecimentos. E, muitas vezes, a oferta de brindes, como forma de recompensa e estímulo, não atendia às necessidades e desejos dos garçons.

Foi, então, que surgiu a ideia de criar o Garçom Amigo, com a sua associação a um dos principais programas de fidelidade existentes no Brasil, o Dotz. A cervejaria, assim, pontua o profissional, que, de acordo com o escore alcançado, tem a possibilidade de trocá-la por algum produto, o que lhe assegura o poder de escolha.

“Sendo também proprietário de uma cervejaria, tive a ideia de dar algum tipo de recompensa para o atendente, que é um colaborador indireto. Seria uma maneira de presenteá-lo. O normal, em geral, é dar um brinde, como um boné. Mas nem sempre funciona bem, pois ele quer um outro produto. Foi disso, então, que surgiu a ideia da associação com um programa de fidelidade, o Dotz”, afirma Eder Presa Mota, sócio-diretor do Garçom Amigo.

O projeto se vê como uma ligação entre o garçom e o fabricante da cerveja, que é o responsável pela distribuição dos pontos. Sendo ligado ao Dotz, o Garçom Amigo tem alcance nacional, aceitando a inscrição de cervejarias de todo o Brasil, que podem se associar através do telefone (13) 98135-9581.

O Garçom Amigo faz a ponte entre o fabricante dos produtos e os garçons, sendo o vínculo entre eles. As empresas passam a lista de garçons dos estabelecimentos, fazemos o cadastro no Dotz, caso esses profissionais ainda não tenham, e a empresa mensalmente manda pontos para o garçom, que também pode acumulá-los de outras formas

Eder Presa Mota, sócio-diretor do Garçom Amigo

A associação ao projeto também não configura um vínculo empregatício, com um pagamento de gratificação, sendo vista como um brinde dentro de uma relação em que podem se beneficiar a cervejaria, o próprio bar e o garçom.

“É como um brinde, pois a cervejaria distribui pontos aos garçons. O dono do estabelecimento tem o ganho de ver o garçom tentando vender mais produtos. Já o garçom só precisa fazer o de sempre, oferecendo os produtos, incluindo, claro, os patrocinados pelo Garçom Amigo. Isso torna um diferencial de vendas para os estabelecimentos”, conclui Mota.

Spaten melhor puro malte: Jurados detalham como foi avaliação de cervejas

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Bastante comuns no universo da cerveja, as competições envolvem grandes desafios. Afinal, diversos pontos precisam ser levados em consideração na hora de avaliar uma bebida. E seus resultados são vistos como balizadores de qualidade, mesmo que nem sempre correspondam ao senso comum, além de gerarem grande repercussão. Foi assim com a recente disputa promovida pela editoria Paladar, do jornal O Estado de S. Paulo, que avaliou 13 cervejas vendidas em supermercados, elegendo a Spaten como a “melhor puro malte”.

A Spaten, assim, superou marcas conhecidas e populares, como Heineken, Brahma e Bohemia, para levar o título de “melhor puro malte do Brasil”, com a Amstel ficando em segundo lugar e a Império sendo a terceira colocada. Em função da curiosidade despertada pelo resultado, o Guia conversou com dois dos cinco jurados da competição para saber o que eles acharam da experiência de avaliar cervejas mais populares, algo menos costumeiro em competições do segmento.

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“Não fiquei surpreso com o resultado. Participei de muito teste oculto quando publicitário, trabalhando para cervejarias, e acho que a marca tem uma grande influência na experiência de consumir a cerveja”, conta Junior Bottura, técnico cervejeiro e fundador da cervejaria Avós.

Bottura pondera, no entanto, que o resultado a que ele e os demais jurados chegaram não tem validade científica. “É somente a opinião de cinco pessoas do mercado. O resultado deveria ser tratado como um parâmetro interessante de comparação com a opinião pessoal do consumidor”, diz.

Em campeonatos, as marcas participantes são as responsáveis pela inscrição das amostras e seu envio aos organizadores, algo diferente do ocorrido na disputa promovida pelo Estadão, em que as cervejas foram adquiridas em supermercados.

Os especialistas destacam que as competições oficiais adotam tal expediente para que a avaliação das amostras seja equânime, pois aspectos como data de fabricação, validade, armazenamento, transporte e o manuseio do líquido podem influenciar no sabor final da bebida.

“Em campeonatos oficiais, como os que já participei, geralmente quem manda as amostras são as cervejarias. Isso é para você garantir que a cervejaria mandou o melhor que ela tinha e o mais fresco para o campeonato”, explica Guto Procópio, sommelier de cervejas e sócio do Let’s Beer, bar que sediou a disputa.

Assim, os jurados reconhecem que as condições das amostras podem ter influenciado na avaliação das cervejas. “Após a revelação de cada uma das marcas, vimos as datas de validades nas latas e o local de produção, e ficou claro que o tempo de envase e o transporte influenciam muito no resultado”, diz Bottura. “Você pode ter uma excelente cerveja deteriorada pelo armazenamento e pelo transporte, então não define a qualidade exata da cerveja”, acrescenta Procópio.

No teste, os jurados avaliaram uma marca de cada vez. As cervejas chegaram geladas às mesas, depois sendo reservadas para uma avaliação à temperatura ambiente, condição que ajuda a evidenciar defeitos das bebidas – caso eles existam.

As marcas avaliadas foram: Amstel, Bohemia, Brahma, Cerpa Prime, Eisenbahn, Heineken, Império, Itaipava, Original, Petra, Stella Artois, Spaten e Skol. Os profissionais deram notas em características como cor, estabilidade de espuma, brilho, aroma e sabor, de 0 a 10. De acordo com o Estadão, a Spaten, eleita a melhor puro malte do Brasil, teve 8,96 como média.

Procópio pondera que nem todas as cervejas participantes eram Premium Lager, o que pode ter provocado discrepâncias na avaliação às cegas do júri. “O que me surpreendeu mais foi a presença de cervejas que não são Premium Lagers no meio. As cervejas que não são puro malte não podem ser avaliadas pelo prisma de uma cerveja premium”, diz.

“Dificilmente você poderia falar muito bem de uma cerveja que você espera um pouco mais de intensidade, sendo que ela foi feita para ser menos intensa.  Então, às vezes, não é uma questão de qualidade. É a questão de não se encaixar no estilo que os juízes estavam esperando”, acrescenta o sócio do Let’s Beer.

A disputa promovida pelo Estadão também colocou em disputa cervejas que raramente se inscrevem para concursos sob a avaliação de conhecidos especialistas. Para o fundador da Avós, realizar a avaliação de American Lagers é até mais difícil do que outros estilos, por suas características.

As diferenças são muito sutis e os defeitos aparecem com mais facilidade. Gostaria de repetir a experiência fazendo o mesmo teste com cervejas que acabaram de sair do envase, pós-pasteurização, todas transportadas e armazenadas da mesma forma. Fica uma dica de teste e minha disponibilidade para participar

Junior Bottura, fundador da Avós

Além de Bottura e Procópio, o concurso também teve Edu Passarelli, professor do Instituto da Cerveja Brasil e dono do Escarcéu Bar, a sommelier de cervejas Bia Amorim e Julia Leme, consultora de hospitalidade e gestão de restaurantes e bares, como jurados.

“As avaliações gerais foram compiladas em uma só”, explica Bottura. “Muito do que está ali não foi a opinião de cada um, mas um resumo da maioria da opinião dos cinco. Vale destacar que houve algumas divergências”, acrescenta o fundador da Avós, marca artesanal conhecida pela produção de Lagers.

A experiência de degustação às cegas, organizada pelo Estadão, aconteceu no Let’s Beer, bar localizado no bairro Vila Mariana, em São Paulo, e definido pelo seu sócio, como uma “escola”, pela possibilidade de aprendizado sobre cerveja e seus estilos.

“Recentemente, passamos por um grande período fazendo confrarias nas quais trazíamos cervejas, principalmente nos Estados Unidos, e fazíamos um grande compartilhamento de garrafas. É o lugar ideal para quem gosta de experimentar cerveja e aprender sobre o estilo”, relata Procópio.

Carlsberg prevê 2023 desafiador por inflação e ainda busca saída da Rússia

O Grupo Carlsberg divulgou o seu resultado financeiro de 2022 com razões a comemorar, como o crescimento orgânico de 5,7%. Mas a empresa de origem dinamarquesa tem questões a resolver. Afinal, cerca de um ano após o início da guerra na Ucrânia, ainda não conseguiu deixar a Rússia. Além disso, a Carlsberg prevê um 2023 desafiador em função da inflação.

A terceira maior cervejaria do mundo admite preocupação com a queda no consumo no continente europeu em função da perspectiva de alta dos preços ao longo de 2023.

“Embora a cerveja tenha sido historicamente uma categoria de consumo resiliente, os preços mais altos em combinação com a inflação em geral alta podem ter um impacto negativo no consumo de cerveja em alguns de nossos mercados, particularmente na Europa”, afirma o CEO do Grupo Carlsberg, Cees ‘t Hart, em um comunicado.

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A preocupação com uma eventual queda nas vendas fez a Carlsberg estimar que o seu lucro operacional em 2023 vai variar entre uma queda de 5% a até uma alta de 5%. Mesmo a perspectiva mais otimista, assim, fica bem abaixo do resultado alcançado em 2022, quando o lucro operacional cresceu 12,2%.

A previsão do Grupo Carlsberg é de que seja necessário aumentar os preços da cerveja em “um dígito alto” em 2023, o que pode ser interpretado como uma elevação entre 7% e 10%. E isso se dará porque a alta dos custos da produção, registrados em 2022, ainda não foram completamente repassados aos consumidores.

“Devido ao hedge contínuo nosso e de nossos fornecedores, os aumentos de preços de commodities e energia do ano passado terão um impacto significativo em nosso custo de vendas e custos logísticos em 2023. Pretendemos compensar os custos mais altos em termos absolutos por meio de preços, mix e foco contínuo nos custos”, afirma o CEO.

A Carlsberg também assegura que o anúncio de que deixaria a Rússia não foi uma mera promessa – a decisão foi revelada em março, apenas alguns dias após o começo do conflito de Moscou com a Ucrânia. Entre os principais grupos cervejeiros do mundo, a Carlsberg era aquela com maior presença no mercado russo.

Hart espera fechar a venda do seu negócio no país até junho, mas não descarta um retorno no futuro. Além disso, ele cita dificuldades envolvendo a negociação, ressaltando que cuidados estão sendo adotados para evitar uma nacionalização da operação no país pelo governo russo.  

“Vamos levar o tempo necessário para realizar a separação e desinvestimento para buscar a melhor solução possível para todas as partes interessadas, em particular nossos mais de 8 mil funcionários e nossos acionistas. Espera-se que um processo de oferta comece no primeiro trimestre de 2023 e pretendemos assinar um acordo de desinvestimento até meados de 2023”, afirma.

A companhia destaca, porém, que deseja incluir uma cláusula de recompra em seu acordo de venda, pois aventa a possibilidade de retornar a esse mercado no futuro. “Não consigo nos imaginar voltando nos primeiros dez anos, e muitas coisas precisarão mudar antes de considerarmos voltar para a Rússia”, diz. “Obviamente, seria bom para meu sucessor ter essa opção no futuro, uma vez que a situação política mude drasticamente”, acrescenta o CEO.

Outra movimentação internacional prevista pela Carlsberg ao longo de 2023 é fechar a compra do seu parceiro comercial na Índia e no Nepal, o Khetan Group, por US$ 744 milhões. A Khetan, após uma derrota judicial, decidiu vender sua participação na joint venture, que detém participação de 17% no mercado cervejeiro da Índia.

O balanço
O resultado financeiro da Carlsberg aponta crescimento de 9% na receita por hectolitro em 2022, na comparação com 2021, com a Ásia tendo sido o principal destaque comercial da companhia no ano passado, com um crescimento orgânico de volume de 10,3% no continente, ante os 5,7% no mundo.

Além disso, a empresa conseguiu superar os níveis pré-pandemia quando exclui a Rússia dos seus resultados: teve alta de 9% no volume, de 20% na receita e de 22% no lucro operacional em relação a 2019. No mundo, no total, foram vendidos 102,4 milhões de hectolitros de cerveja no ano passado. É uma alta em relação aos 98,8 milhões de hectolitros de 2021, mas ainda menos do que os 113 milhões de hectolitros de 2019.

Na Ucrânia, a Carlsberg paralisou sua produção em fevereiro, em função do início da guerra, a retomando durante o segundo trimestre nas suas três fábricas. Por lá, houve queda de 20% no volume de cerveja, contra um recuo de 25% do segmento.

“Nossos colegas ucranianos mostraram força e resiliência incríveis, entregando um resultado excelente enquanto navegavam tanto pela crise humanitária quanto pelos enormes desafios de negócios desde o início da guerra”, afirma o CEO da Carlsberg.