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Setor prepara proposta de CNAE específico para cervejas artesanais

O setor de cervejarias artesanais começa a estruturar uma proposta para a criação de uma subclasse da CNAE, a Classificação Nacional de Atividades Econômicas, dedicada a esse segmento. A expectativa é de que essa nova classificação abra caminho para a adoção de uma taxação diferenciada, mais alinhada com a realidade, necessidades e demandas do setor.

A proposta foi apresentada durante a etapa Sudeste do Congresso Cerveja Brasil, realizado em Vitória na última quarta-feira (26), promovido pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), sendo um evento que percorrerá o país até o final do ano.

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O plano de criar um CNAE específico para cervejarias artesanais é liderado pela própria Abracerva e foi apresentado pelo advogado tributarista Marcos Moraes. “A ideia com um CNAE específico é aproximar a lupa. Classificar como fabricação de cerveja deixa todos no mesmo balaio. É preciso separar o joio do trigo”, defende.

Durante sua apresentação, Moraes citou o exemplo dos fabricantes de produtos de panificação, que têm subclasses distintas para a panificação industrial e para padarias e confeitarias com produção própria.

“As grandes cervejarias e as cervejarias artesanais praticam atividades econômicas semelhantes, o que é uma razão para estarem no mesmo CNAE, mas há discrepâncias envolvendo tecnologias e a sua aplicação, assim como nos seus processos”, diz.

A criação de um CNAE específico para cervejarias artesanais pode possibilitar o aprimoramento de políticas públicas voltadas a esse segmento, fortalecendo a demanda por uma tributação diferenciada em comparação com as grandes indústrias. Isso se tornaria viável através de uma avaliação mais embasada das características únicas desse setor.

Embora a proposta tenha sido apresentada, ainda não foram definidas especificações sobre como essa nova classificação será implementada, o que deverá ser debatido nas próximas semanas, podendo envolver critérios como volume de produção ou faturamento.

Além dessa proposta, Moraes também abordou durante o congresso da Abracerva a possibilidade de alteração do regime de Substituição Tributária de ICMS para o segmento de cervejas artesanais, bem como falou sobre dados de mercado e a sua visão sobre a proposta de reforma tributária.

Artesanais no varejo e outros temas
Em outro momento do congresso, a eChope, uma rede de varejo de bebidas, mostrou interesse em incluir cervejas artesanais em seu portfólio de bebidas oferecidas. Atualmente, a eChope possui acordos com o Grupo Heineken e a Coca-Cola, e pretende abrir espaço para microcervejarias nas cidades onde atua.

Uma das patrocinadoras do Conexão Cerveja Brasil, a eChope contabiliza, hoje, 71 operações em 12 estados, atuando com lojas físicas e online. “Queremos abrir a possibilidade de ter esses produtos nas lojas da eChope”, afirma Vitor Grecco Wagner, CEO da rede de varejo.

“A ideia é optar por qualidade, com as premiações da Copa Cerveja, e abrangência, ajudando a dar mais força na presença e distribuição em suas cidades”, acrescenta. “No estado de São Paulo temos 30 lojas. Imagine ter as melhores cervejas da cidade de São Paulo nas 12 lojas da echope da capital?”, exemplifica.

O evento também abordou temas como mercado, posicionamento e marketing para cervejarias, inovação no desenvolvimento de produtos e a importância dos eventos cervejeiros como estratégia de vendas.

O congresso marcou o início das atividades do Conexão Cerveja Brasil, um circuito itinerante promovido pela Abracerva que percorrerá as cinco regiões do Brasil até dezembro, quando acontecerá a etapa final na cidade de São Paulo. Durante o encontro, também será realizada a premiação da Copa Cerveja Brasil em suas etapas regionais, com a cerimônia de premiação em Vitória marcada para a próxima sexta-feira (28).

Entrevista: “Vemos procura em alta por embalagens visualmente atraentes”

A variedade na oferta de estilos ao consumidor, uma das marcas do segmento de cervejas artesanais, também começou a ser buscada com mais intensidade no momento de envase das produções em embalagens, se tornando uma das tendências do setor. A avaliação foi apresentada em entrevista ao Guia por Riccardo Mosconi, gerente de contas do segmento de cervejas na Verallia, uma das principais fabricantes de garrafas de vidro do mundo.

Com a experiência de quem lida diariamente com as cervejarias, Mosconi avalia que o setor de artesanais tem buscado diversificar o uso das garrafas muito além da tradicional opção âmbar. E destaca que a Verallia, com investimentos recentes, com a inauguração de um novo forno na sua fábrica em Jacutinga (MG), tem conseguido acompanhar as novas tendências em embalagens.

Citando a produção flexível, o atendimento ágil e os lançamentos de novos produtos, Mosconi avalia que esses pilares têm sido fundamentais para o crescimento da participação da Verallia no segmento, dobrando, de acordo com suas estimativas, a participação nesse mercado de 2022 para 2023.

Essa expansão também tem acompanhado a retomada de lançamentos do segmento de artesanais, que ficaram estagnados nos principais momentos da pandemia, e vem apresentando crescimento, de acordo com os dados oficiais, desde o ano passado, indicando a reação de uma parcela do segmento, algo que também tem sido percebido pelo executivo, citando a maior procura das cervejarias pelas soluções ofertadas pela Verallia.

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Confira a entrevista do Guia com Riccardo Mosconi, gerente de contas do segmento de cervejas na Verallia:

Nas últimas 3 edições do Anuário da Cerveja, o crescimento do número de registros de cervejarias ficou entre 11% e 14%. Atuando no atendimento a esse setor, como você avalia esse resultado?
Na verdade, existem duas interpretações para esse resultado. Em primeiro lugar, acredito que seja um crescimento orgânico. Acreditamos que ainda há muito espaço para crescer além do que já foi alcançado. No entanto, as adversidades próprias do país reduzem essa perspectiva de crescimento. Dificuldades com questões tributárias, juros altos e o endividamento das famílias acabam deixando empreendedores um pouco hesitantes, apesar do enorme potencial do mercado. Eles reconhecem que as dificuldades de empreender no Brasil são consideráveis. Na minha opinião, os números estão conectados e convergem devido ao potencial versus a realidade do Brasil. Considero que há um enorme potencial de mercado, especialmente o segmento premium, que é voltado para experiências sensoriais.

Após um tombo histórico em 2021, quando cresceu apenas 5,2%, o número de registro de novos produtos cresceu 19,8% em 2022. A Verallia conseguiu perceber essa demanda por novos produtos? O que representa esse número?
Isso é algo que sentimos na prática. Quando as cervejarias querem desenvolver novos produtos, a primeira coisa que fazem é nos procurar perguntando: “Que garrafa você indica para esse projeto?” O interessante é que muitos desses novos produtos acabam utilizando as nossas garrafas. Em 2020, tivemos uma percepção de que a maioria dos produtos usou outras embalagens, mas estamos focados agora em aumentar o desenvolvimento de novos produtos usando nossas garrafas, pois percebi que houve uma migração para outras embalagens no ano passado. Tivemos menos desenvolvimento de novos produtos, muito provavelmente devido aos problemas que mencionei anteriormente. Mas este ano, senti essa retomada de forma mais expressiva. Estamos envolvidos em fornecer novas embalagens para os clientes, algumas delas ainda não posso revelar, mas é muito legal ver nosso portfólio se expandindo. Isso se deve ao aumento do número de pessoas nas cervejarias que estão trabalhando no desenvolvimento de novos produtos e buscando embalagens exclusivas e atrativas. Atualmente, temos mais confiança em nossa capacidade de atender a essas demandas, o que mudou a percepção do mercado em relação ao nosso atendimento e suprimento. Antes, as cervejarias tinham receio de lançar novos produtos, pois poderiam enfrentar problemas de falta de embalagens, mas hoje conseguimos oferecer mais segurança e confiabilidade no abastecimento. Nossos clientes têm mais tranquilidade ao lançar novos produtos e podemos fornecer o suporte necessário, mostrando as opções de embalagens disponíveis e oferecendo todo o atendimento necessário.

Quais tendências a Verallia têm enxergado para o setor?
Temos observado uma forte migração para as cores verde e branca no vidro. Anteriormente, quase 100% das embalagens eram de vidro âmbar, até pela garantia de uma excelente qualidade ao produto. No entanto, nos últimos tempos, temos notado uma grande mudança em direção ao uso de vidro verde e branco, especialmente com o intuito de transmitir uma imagem mais atrativa. Atualmente, as cervejarias buscam embalagens que não apenas preservem a qualidade do produto, mas também sejam esteticamente agradáveis, permitindo que os consumidores compartilhem suas experiências nas redes sociais, como o Instagram. Essas tendências mostram que, apesar da preocupação com o sabor e a qualidade, há uma crescente demanda por embalagens mais visualmente atraentes, como o vidro verde esmeralda e o branco.

E como a Verallia tem buscado se adaptar a essas tendências?
Nossa empresa se tornou extremamente flexível no que diz respeito às tendências do mercado, tanto que antes nossas embalagens eram predominantemente na cor âmbar para microcervejarias. No entanto, agora trabalhamos com três opções: âmbar, branco e verde esmeralda. Essa mudança nos permitiu ter uma maior variedade de produtos para atender as demandas dos clientes. Claro, isso requer um planejamento de produção mais cuidadoso e ajustes precisos em nossa linha de produção, mas estamos comprometidos em atender nossos clientes de forma eficiente. Hoje, na fábrica de cerveja, somos capazes de produzir embalagens em três cores distintas, o que torna tudo muito mais fácil e vantajoso para o mercado em constante mudança.

Como a inauguração do novo forno de Jacutinga ajuda a Verallia a lidar com as novas tendências?
Em primeiro lugar, essa expansão traz melhorias na capacidade de atendimento, garantindo que os clientes não enfrentem problemas de desabastecimento. Além disso, o novo forno proporciona maior flexibilidade à Verallia. Agora, a empresa tem a capacidade de fabricar tanto embalagens verdes quanto brancas, o que permite responder prontamente às preferências dos clientes e às mudanças nas tendências de mercado.

Como a Verallia avalia o primeiro semestre no setor cervejeiro?
Está sendo um ano muito volátil, incerto e complexo. Os três primeiros meses foram bons, aproveitando a onda do final de 2022, com demanda enorme e oferta menor. Mas os grandes eventos impactaram bastante no mercado de cerveja. Primeiro houve as chuvas. No carnaval, choveu demais no Brasil, inclusive com catástrofes, só havendo bom consumo no Nordeste. E as cervejarias acabaram fazendo muito estoque para esse período, então o segundo trimestre acabou sendo mais fraco. Aliado a isso, vemos uma possibilidade de recessão, com endividamento alto das famílias e migração para embalagens mais baratas, o que afeta o vidro. Acredito que isso seja passageiro e irá melhorar ao longo do segundo semestre, ainda mais que a sazonalidade da cerveja é muito forte.

Agora falando mais especificamente do mercado de artesanais e do atendimento da Verallia a esse segmento, que avaliação você faz da primeira metade de 2023?
Crescemos muito, mais do que dobrando nosso atendimento de 2022 para 2023 nas microcervejarias. Hoje, o segmento representa 10% do nosso mercado total de cervejas. Estamos muito focados nesse mercado, fazendo várias ações com parceiros e buscando participar de todos os eventos, mostrando que somos parceiros. E isso vem dando muito fruto. Estamos conquistando clientes que não eram da Verallia e aumentando os pedidos daqueles que já tínhamos nesse mercado. Acreditamos que o segundo semestre possa ser muito melhor.

Como a Verallia está se preparando para o restante do ano?
A Verallia possui uma produção altamente flexível e está preparada para atender a qualquer demanda de última hora. Buscamos atender mesmo sem um pedido prévio, caso seja necessário. Além disso, com as turbulências e mudanças no atendimento das grandes cervejarias, redirecionamos nossos esforços para um atendimento ainda melhor às microcervejarias. Estamos lançando novidades em nosso portfólio para atender sempre às necessidades do mercado. Buscamos ser competitivos e oferecer garrafas que se alinhem com as tendências atuais. Esses três pilares – produção flexível, atendimento ágil e lançamentos de novos produtos – compõem a estratégia que adotamos para nos preparar para o restante do ano. Nosso objetivo é estar bem preparados para enfrentar os desafios e oferecer produtos de qualidade e que satisfaçam as necessidades de nossos clientes.

Comunidade e funcionários buscam salvar Anchor, mais antiga artesanal dos EUA

Após o anúncio do encerramento das atividades da icônica marca californiana Anchor Brewing, considerada a mais antiga artesanal dos Estados Unidos, a comunidade local e seus próprios funcionários têm se unido em uma série de iniciativas para garantir a sua continuidade, buscando salvar a renomada cervejaria.

Uma das ações para tentar salvar a Anchor Brewing, que pertence à multinacional japonesa Sapporo, foi o lançamento do site “Raising the Anchor”, no qual apaixonados pela marca podem se envolver. A iniciativa é liderada por Mike Walsh, um investidor financeiro com participação em mais de 200 empresas.

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Morador de São Francisco, ele afirma que procurou investidores em potencial e diz ter encontrado quase 30 interessados em se juntar a ele para a realização de uma oferta pela Anchor, de acordo com declarações reproduzidas pelo San Francisco Chronicle.

“Eu definitivamente tenho interesse suficiente e acesso a capital para fazer uma oferta competitiva para que possamos comprá-la. Tem sido muito emocionante. Na verdade, muito emocional também. Eu não esperava ter essa explosão de interesse”, diz.

“Vivendo em Potrero Hill por 30 anos, passei muitos dias na Anchor Taps com amigos e familiares assistindo aos Warriors, Giants e 49ers, e bebendo Steam Beer. Minha decepção foi rapidamente substituída por entusiasmo, pois adoraria estar envolvido com a marca como proprietário. Fiquei chateado ao saber que a Sapporo comprou a empresa em 2017, porque adoraria reunir um grupo de investidores para comprar a empresa”, acrescenta.

Em outra ação, o presidente da Narragansett Brewing, Mark Hellendrung, lançou uma petição online que busca salvar a Anchor. No texto de apresentação da iniciativa, ele lembra que a sua cervejaria, fundada em 1890, passou por desafios semelhantes, pois enfrentou graves problemas financeiros, mas conseguiu sobreviver, sendo adquirida por um grupo de investidores de Rhode Island. Hoje é a 27ª maior cervejaria artesanal do país.

“Há 18 anos, nossa comunidade se uniu e forneceu apoio inabalável para ressuscitar nossa amada empresa. Hoje, estamos convocando todos os entusiastas e apoiadores da cerveja artesanal a fazerem o mesmo por uma colega pioneira no setor, a Anchor Brewing Company”, diz. “Ser um bom vizinho não é apenas existir lado a lado; trata-se de ficar ombro a ombro em tempos de adversidade. Agora temos a oportunidade de mostrar nosso apoio e ajudar a salvar esta cervejaria icônica”, acrescenta.

O executivo da Narragansett Brewing também está em contato com Walsh, buscando alternativas conjuntas. Hellendrung afirma que criou sua iniciativa com a intenção de unir a comunidade cervejeira em torno do objetivo de salvar a Anchor e apontou a possibilidade de criação de um financiamento coletivo para comprá-la.

A Anchor foi adquirida em 2017 pela multinacional japonesa Sapporo por US$ 85 milhões (aproximadamente R$ 402 milhões, na cotação atual). Ao anunciar a decisão de encerrar suas atividades, explicou que seus funcionários cumpririam um período de aviso prévio de 60 dias. Além disso, relatou que venderia seu estoque restante, o que inclui a edição de 2023 da Christmas Ale, a sua cerveja de Natal, que havia começado a ser produzida antes da decisão de fechar as portas.

Esforços dos funcionários da Anchor
Avisados do iminente encerramento das atividades da Anchor, seus funcionários também decidiram agir. De acordo com informações do VinePair, site especializado em bebidas alcoólicas, o sindicato que representa os trabalhadores da cervejaria informou à Sapporo USA que eles gostariam de adquiri-la, a administrando como uma cooperativa.

“Tudo o que queremos é uma chance justa de poder continuar fazendo nosso trabalho, fazer a cerveja que amamos e manter esta instituição histórica aberta”, afirma Pedro de Sá, membro do sindicato que representa 40 trabalhadores da Anchor.

Os funcionários citam a grande identificação com a marca como fator que os motiva a buscar uma saída para a continuidade da cervejaria. “A maioria de nós que trabalha aqui nasceu e cresceu aqui. Trabalhamos aqui porque amamos e crescemos com a Steam Beer”, acrescenta o delegado sindical da Anchor Brewing Union, Patrick Machel.

Anteriormente, os responsáveis pela Anchor relataram, também, que falharam na busca por um comprador antes da decisão de fechamento da cervejaria. Agora, porém, caso alguma dessas tentativas dê certo, a Anchor reviverá uma história parecida com a de 1965, quando Fritz Maytag adquiriu o controle acionário da companhia em ruínas, liderando-a para se tornar a principal representante da revolução das cervejas artesanais nos Estados Unidos.

Backer faz acordo com MP para indenizar vítimas de contaminação; veja valores

O Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) e a Cervejaria Três Lobos, responsável pela marca Backer, firmaram um acordo de indenização às vítimas dos casos de contaminação que ocorreram há mais de três anos e meio. Dez pessoas morreram e várias outras ficaram com sequelas em função do consumo de cervejas com dietilenoglicol.

De acordo com o acordo firmado entre as partes, a Backer pagará indenização de R$ 500 mil por vítima da contaminação. Além disso, será realizado o pagamento de mais R$ 150 mil para cada familiar de primeiro grau dos contaminados.

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A Backer também deverá fazer outros pagamentos como forma de indenização. Ao admitir ter causado danos patrimoniais individuais, a empresa pagará um valor correspondente ao último salário recebido pela vítima antes da contaminação, nos casos em que ela não puder voltar a trabalhar. Além disso, cobrirá todas as necessidades médicas e afins, desde o primeiro dia de internação até a conclusão de todo o tratamento.

No acordo, a Backer reconheceu a procedência do pedido de condenação por danos morais e sociais coletivos. Dessa forma, também pagará R$ 1,5 milhão ao Fundo Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor.

Para Fernando Abreu, promotor de Justiça de Defesa do Consumidor, o acordo firmado foi positivo para as vítimas, uma vez que o valor de R$ 500 mil era o solicitado pelo MP-MG, com a Backer reconhecendo integralmente a procedência do pedido.

“O prosseguimento do processo poderia levar, no máximo, ao resultado obtido no acordo em relação aos danos pessoais e patrimoniais, motivo pelo qual sua importância se torna evidente, garantindo o direito daqueles que assim desejarem”, diz. “O acordo assegura, na íntegra, o direito ao pagamento das indenizações, único meio existente para reparar o dano”, acrescenta.

O acordo entre a Backer e o MP-MG encerra a ação civil pública, que vinha sendo movida pela promotoria em busca de indenização por dano material às vítimas do caso. No pedido de homologação, protocolado na 23ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte, a empresa reconheceu todos os pedidos formulados na ação.

A lista de vítimas a receberem indenização da Backer ainda está em fase de definição. Segundo a promotoria, nove pessoas foram confirmadas como vítimas da contaminação pelo MP-MG e podem aderir ao acordo – essa opção é facultativa, e as supostas vítimas podem optar por ingressar com ações individuais.

“No âmbito da ação civil pública, temos 15 pessoas, sendo nove de fato reconhecidas e aptas a aderir ao acordo. Uma foi afastada pelas perícias judiciais e do MP-MG. Para outras cinco, há dúvidas para afirmar ou negar”, explica o promotor.

Para garantir o pagamento das indenizações, a empresa Empreendimentos Khalil Ltda, de propriedade da família dos mesmos donos da Três Lobos e também arrolada no processo, realizará a venda de 244 lotes localizados no município de Perdigão (MG).

“A existência de uma garantia de terceiro, não vinculado à relação de consumo que deu origem ao evento, nos traz uma maior segurança diante da situação de recuperação judicial da empresa originalmente ré”, afirma Abreu. “Se em um ano, prorrogável por mais 180 dias, não houver solução, a empresa assume a obrigação de transferir esses 244 lotes para a associação das vítimas”, acrescenta.

Relembre o Caso Backer
Os casos de contaminação das cervejas da Backer começaram a ser descobertos nos primeiros dias de 2020, quando várias pessoas foram internadas com intoxicação, tendo em comum o consumo de rótulos da marca, principalmente da Belorizontina.

Posteriormente, a investigação da Polícia Civil apontou que a contaminação das cervejas por monoetilenoglicol e dietilenoglicol ocorreu devido a um vazamento no tanque da fábrica.

O caso provocou a abertura de dois processos contra a Backer, um na esfera cível, cobrando o pagamento de indenizações às vítimas e seus familiares, que agora será extinto em função do acordo firmado com o MP-MG, e outro na esfera criminal.

Em outubro de 2020, o MP-MG apresentou denúncia contra 11 pessoas pelos casos de contaminação, sendo que uma delas já faleceu. As testemunhas de acusação e defesa já foram ouvidas, mas o agendamento dos depoimentos dos acusados ainda não aconteceu.

Fora do âmbito da Justiça, as cervejas da Backer voltaram a ser produzidas e vendidas. No entanto, a Três Lobos, responsável pela marca, entrou com um pedido, que foi aceito recentemente, de recuperação judicial, devido às suas dívidas, no valor de R$ 55,4 milhões.

Belo Horizonte é a capital nacional dos bares, confirma levantamento

Belo Horizonte é a capital nacional dos bares. Esse título, celebrado informalmente por seus moradores há anos, foi confirmado recentemente pelo cruzamento de dados do Censo de 2022, divulgado pelo IBGE, com o número de estabelecimentos ativos na Receita Federal. De acordo com o levantamento realizado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Belo Horizonte possui incríveis 178 bares para cada 100 mil habitantes.

Com uma população de 2.315.560 habitantes, de acordo com a última edição do Censo, a cidade conta com um total de 4.136 bares. Essa cifra inclui estabelecimentos registrados nos códigos de bares com entretenimento e bares sem entretenimento na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) da Receita Federal.

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“Não é surpresa, há muito sabemos informalmente que Belo Horizonte é a capital dos bares e botequins. Qualquer pessoa que já tenha visitado a cidade por alguns dias pode atestar isso. Mas agora não há espaço nem mesmo para contestação”, diz o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci.

No entanto, apesar de ser a capital com maior densidade de bares por habitante, Belo Horizonte não é a cidade com o maior número absoluto desses estabelecimentos no Brasil. Esse título fica com São Paulo, que possui 9.043 bares, que está à frente do Rio de Janeiro, com 6.175.

Contudo, ambas as cidades estão bem atrás de Belo Horizonte quando se trata da proporção de bares por habitante. A capital fluminense ocupa a oitava posição com 99 bares para cada 100 mil pessoas, enquanto São Paulo fica em 14º lugar, com 78 bares para cada 100 mil habitantes.

Para Solmucci, porém, Belo Horizonte pode ter ainda mais bares do que o número oficial, pois muitos deles estariam registrados no CNAE destinado a restaurantes. “Como o estudo leva em conta a atividade principal, creio que o número de estabelecimentos é ainda maior. Porque muitos que têm CNAE de restaurante na cidade servem refeições no almoço e, à noite, funcionam como bar da happy hour em diante”, afirma.

Outro dado interessante revelado pelo levantamento é que Belo Horizonte lidera a lista de estabelecimentos por área, com 12,5 bares por km². São Paulo ocupa a segunda posição, com 5,9 bares por km², e o Rio de Janeiro a terceira, com 5,1 bares por km².

Quanto a outras capitais brasileiras, Florianópolis é a que mais se aproxima de Belo Horizonte em termos de bares por habitante, com 150 bares para cada 100 mil habitantes, destacando-se como líder na região Sul do Brasil. E Vitória é a terceira colocada no ranking nacional, com 149 bares por 100 mil pessoas.

Nas demais regiões do Brasil, as capitais com maior densidade de bares são Palmas (130 bares por 100 mil habitantes), no Norte, Salvador (104 bares por 100 mil habitantes), no Nordeste, e Goiânia (101 bares por 100 mil habitantes), no Centro-Oeste.

Confira a tabela da Abrasel com as principais capitais em termos de densidade de bares:

Cerveja com ciência: Existe algo de novo no reino da Dinamarca?

Cerveja com ciência: Existe algo de novo no reino da Dinamarca?

Fatores como clima, preferências do consumidor, festividades culturais, concorrência, promoções, flutuações econômicas e mudanças regulatórias fazem a previsão da demanda por cervejas um desafio complexo pela alta incerteza e dificuldades de coordenar as informações ao longo da cadeia produtiva. Isso se torna ainda mais difícil em situações de grandes rupturas, como a pandemia de Covid-19, que levou ao fechamento de bares e restaurantes, restrições de mobilidade, mudanças no comportamento do consumidor, impacto econômico e a necessidade de mover as vendas para o mercado online, entre outros desafios. Diante disso, quais cervejarias conseguiram sobreviver a essa turbulência e como elas fizeram isso?

Embora a indústria cervejeira seja globalizada, uma das maneiras é buscar a imersão regional para enfrentamento, especialmente em relação aos concorrentes1. Boa parte dos consumidores prefere cervejas de grandes fabricantes nacionais e internacionais, contudo há uma fatia de mercado significativa que apoia cada vez mais as marcas locais. Por exemplo, a European Beer Consumer Union (EBCU) pesquisou 1.667 pessoas e descobriu que 975 delas apoiaram mais as cervejarias locais durante a pandemia e 1.176 delas consideravam fazer o mesmo no futuro2.

Outros levantamentos apontam que as microcervejarias têm muitos efeitos positivos nas economias locais3, 4, 5, o que é motivo para examinarmos mais de perto como a indústria mudou ao longo do tempo e que papel a imersão regional tem desempenhado nesse sentido.

Um exemplo é uma pesquisa recente realizada na indústria dinamarquesa de microcervejarias6, que serviu como fonte principal para explorarmos neste artigo. Os autores revelam sinais de que a tendência de imersão regional tem se fortalecido e afirmam que o amor dos proprietários pela indústria (e seus produtos) vai além do sentido econômico por trás de suas decisões. Isso indica que há algo de novo no reino da Dinamarca que valha para o mundo afora?

Como se trata de um mercado global, existem certamente diferenças entre países. Por exemplo, as cervejarias mais resilientes nos Estados Unidos no período de 1998 a 2002 foram aquelas com mais experiência7. Outro fator crítico de sucesso das cervejarias é o tamanho da área de atuação, sendo que microcervejarias geralmente têm se complicado ao abraçar um mercado muito grande8. Em vez disso, os microcervejeiros que se concentram em uma área específica se saem melhor, haja visto os resultados semelhantes no mercado japonês9.

Outro ponto que as microcervejarias locais podem tirar vantagem ao competir com grandes empresas nacionais ou internacionais está em utilizar nomes, rótulos ou ingredientes com apelo regional. Desta forma, aspectos geográficos e localização são fundamentais para marca do produto10,11  e para como as microcervejarias constroem um mercado local e regional12,13,14. Cabe destaque que, durante a fase de start-up de uma microcervejaria, seu acesso a recursos locais, redes e canais de distribuição pode ajudá-la a contar histórias, aprender mais, economizar dinheiro e se proteger da concorrência nacional e internacional. Assim, conseguem atingir uma posição de mercado estável por meio do envolvimento local, integração e diferenciação de produtos, que podem incluir produtos complementares, como atividades turísticas11, 3, 15.

A importância dos mercados locais como fator de resiliência também é afetada pelo quanto os proprietários das microcervejarias se preocupam com a sua atuação6. A lealdade e a personalidade dos clientes também são importantes para um negócio regional de sucesso a longo prazo16. As iniciativas de políticas públicas voltadas para a comunicação de marca sobre lugares e cidades aumentam a lealdade regional, sendo que as empresas podem mostrar o valor da autenticidade e identidade regional, associando-se a um aspecto cultural ou de suas proximidades, que seja conhecido pelos fiéis cervejeiros12, 17, 18.

Retomando a pergunta sobre como as cervejarias (especialmente as micro, pequenas e médias) buscam sobreviver em um ambiente de alta incerteza na demanda e forte concorrência, escolher sua abrangência de atuação é parte fundamental de sua identidade e de sua capacidade de competir. Essa é uma tendência que tem sido observada mundialmente à medida que a concorrência se torna mais acirrada e as cervejarias tentam administrar o mercado local concentrando-se em como seus consumidores se sentem e interagem com suas marcas.

A localização da cervejaria e as ações de branding ajudam a construir um sentimento de pertencimento local. Por exemplo, as cervejarias artesanais conseguem atender à demanda por novidades e melhorar seus produtos existentes, oferecendo o que sabem e conversando com os consumidores em sua área. Os consumidores, por sua vez, ajudam a construir reputações por meio de compartilhamento de histórias, comentários em redes sociais ou websites especializados, ou até mesmo criarem experiências locais conjuntas, como eventos turísticos, peças teatrais e celebrações culturais.

Para isso, há a necessidade de um compromisso de longo prazo com a comunidade cervejeira, que passa pelo fortalecimento do sentimento de pertencimento e orgulho pelo que faz, onde faz, para quem faz. Essa resiliência é atribuída ao desenvolvimento da comunidade regional e local, por meio da geração de empregos e da percepção do negócio cervejeiro como mais que um passatempo ou hobby, uma herança compartilhada com toda comunidade. Saúde!


Referências bibliográficas:

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14 Garavaglia, C., & Borgoni, R. (2022). The local dimension of legitimation: An empirical analysis of firms’ entry in the Italian craft beer market. Regional Studies.

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17 Schnell, S. M., & Reese, J. F. (2014). Microbreweries, place, and identity in the United States. In M. Patterson, & N. Hoalst- Pullen (Eds.), The geography of beer: Regions, environment, and societies (pp. 167–187). Springer.

18 Skoglund, W., & Sjölander-Lindqvist, A. (2021). Caring for com- munity through crafted beer. Perspectives from northern Sweden. In M. G. Pezzi, A. Faggian, & N. Reid (Eds.), Agritourism, wine tourism, and craft beer tourism local responses to peripherality through tourism niches (ch. 11). Routledge.


Marcelo Sá é professor de gestão em operações, pesquisador na área de riscos e resiliência em cadeias de alimentos e bebidas, esposo e pai apaixonado por sua família. Em sua folga, pode ser facilmente encontrado com uma IPA ao seu lado.

Homenageada por cerveja, Marta soma feitos e luta por igualdade no futebol

Considerada a melhor jogadora de futebol de todos os tempos, Marta também é uma das mais importantes atletas do planeta. Seu status é resultado dos feitos conquistados dentro de campo, mas também por ser uma protagonista na batalha pelo reconhecimento e equidade do futebol feminino. E com sua relevância na sociedade, Marta já foi homenageada com uma cerveja que leva seu nome.

Eleita seis vezes a melhor jogadora de futebol do mundo pela Fifa, Marta possui entre suas principais conquistas as medalhas de prata nos Jogos Olímpicos de 2004 e 2008, além de ser a maior artilheira da história das Copas do Mundo. Atualmente, aos 37 anos, a camisa 10 continua sendo uma referência da seleção brasileira, que busca na Oceania o tão sonhado título da Copa do Mundo feminina.

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Tamanho talento e representatividade fazem com que a “Rainha” colecione recordes, títulos, admiradores e homenagens. E foi justamente a inspiração proporcionada por ela que levou a Ouse Beer a unir o esporte mais popular do mundo com duas das bebidas mais apreciadas, resultando na cerveja Marta, uma Lager com café.

Nayla Mohamad, sommelière e CEO da Ouse Beer, conta que a ideia de homenagear a jogadora com uma cerveja surgiu a partir de especulações – não concretizadas – de que Marta iria se aposentar durante a Copa do Mundo de 2019. “Marta é, de forma geral, uma inspiração para todas nós!”, enfatiza. “Decidimos unir o estilo mais popular, a Lager, com café! E assim nasceu a nossa Marta”, celebra.

Naquela Copa disputada na França e vencida pelos Estados Unidos, o Brasil se despediu nas oitavas de final, caindo para a seleção anfitriã. Mas mesmo sem o título, Marta brilhou. E não só pelo que fez em campo.

Um ano depois de ser nomeada embaixadora da ONU Mulheres para mulheres e meninas no esporte, “sendo reconhecida por seu compromisso ao longo da vida em desafiar estereótipos, superar barreiras e inspirar outras mulheres e meninas a fazer o mesmo”, ela viveu o que muitos chamaram de “despertar feminista”.

Após marcar o seu primeiro gol no torneio e alcançar o recorde de ser a primeira jogadora a marcar em cinco Copas diferentes, além de ter se igualado ao jogador alemão Klose na artilharia histórica da competição entre homens e mulheres, as chuteiras sem patrocínio da jogadora chamaram a atenção pelo símbolo de igualdade nas cores azul e rosa.

A ação conectou-se com a iniciativa denominada “Go Equal“, que se repetiu nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2021 e agora na Copa do Mundo na Nova Zelândia e Austrália, com o objetivo de promover a igualdade de gênero no esporte e deixar um legado importante para todas as jogadoras.

A luta, encampada por Marta, demonstra como a diferença entre homens e mulheres no futebol ainda é gritante e injusta. Segundo informações do diário esportivo espanhol Marca, Marta recebe um salário anual de US$ 400 mil (R$ 1,91 milhão, na cotação atual) no Orlando Pride, dos Estados Unidos, valor que não chega a 1% do recebido por outro camisa 10 da seleção, Neymar, que joga no Paris Saint-Germain e receberia US$ 4,5 milhões (R$ 21,5 milhões) mensais.

Nayla destaca que, mesmo sendo exaltada como o maior nome da história do futebol feminino, Marta não é tratada de forma igual aos homens. “Nem financeiramente, tampouco em relação ao reconhecimento dado aos homens no futebol, que nem sequer possuem um título de melhor do mundo”, diz.

Nascida em uma família humilde no município de Dois Riachos (AL), Marta foi criada apenas por sua mãe, Tereza da Silva, junto com mais três irmãos. E as adversidades enfrentadas por Marta e pelas jogadoras de futebol também se reproduzem no ambiente da cerveja, com grande predominância masculina.

“Acredito que a maior importância [da cerveja Marta] e é o que tentamos mostrar, é a força da mulher cervejeira, uma vez que é um mercado extremamente masculino, assim como é o futebol”, comenta a CEO da Ouse Beer.

A Ouse Beer, uma marca cigana do Rio de Janeiro, é liderada por mulheres que também lutam por igualdade no setor das cervejas artesanais. Além da craque Marta, a cervejaria também já homenageou a cantora Rita Lee, Lélia González, pioneira nos estudos sobre a cultura negra no Brasil, e Tina Valentina Tereshkova, a primeira mulher a ir para o espaço.

“O público rapidamente se identificou com o sabor e a ideia da Marta! Ela é realmente deliciosa e desce muito bem, principalmente em uma mesa de bar assistindo nossa Martinha dando um show de bola!”, afirma Nayla.

Em campo ou fora dele, Marta é garantia de “show de bola”. E será assim, também, na Nova Zelândia e na Austrália, palco daquela que deve ser a sua última Copa do Mundo. O Brasil está no Grupo F, com estreia marcada para segunda-feira, às 8 horas (de Brasília), diante do Panamá. França e Jamaica serão os outros adversários na primeira fase.

Menu Degustação: Hocus Pocus no Sindicerv, festivais em BH e Piracicaba…

Os últimos dias contaram com várias novidades tanto para quem atua diretamente no setor cervejeiro como para quem só deseja se divertir com as atrações do segmento. Para o primeiro grupo, a Hocus Pocus se associou ao Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), que espera ampliar a sua representatividade dentro do segmento.

Também para quem atua no setor, a próxima quarta-feira contará com a realização do Congresso Cerveja Brasil, edição Sudeste, em Vitória, promovido pela Abracerva, sendo uma das atrações da primeira etapa do Conexão Cerveja Brasil, que reúne várias outras iniciativas e passará por todas as regiões do país.

Já neste fim de semana, o público cervejeiro poderá aproveitar festivais em diferentes cidades. Em Piracicaba (SP), será no sábado e no domingo, com shows de Toni Garrido e Ira!. Em Belo Horizonte, no sábado, acontece o Festival Mineiro de Cerveja.

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Confira essas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Hocus Pocus no Sindicerv
A Hocus Pocus tornou-se a mais nova associada do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv). Fundada no Rio de Janeiro em 2014, a marca concluiu a construção de sua própria fábrica em Três Rios (RJ) cinco anos depois, com capacidade de produção de aproximadamente 50 mil litros por mês. Desde 2021, a Hocus Pocus integra o programa de inovação e aceleração da Ambev, por meio de sua divisão de inovação, a ZX Ventures. Com a entrada da Hocus Pocus, o Sindicerv, que já contava com a Ambev e o Grupo Heineken, espera reforçar sua atuação como entidade representativa de toda a cadeia produtiva da cerveja.

Congresso da Abracerva em Vitória
A Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) realizará o Congresso Cerveja Brasil, edição Sudeste, em Vitória, na próxima quarta-feira (26), com inscrições gratuitas e transmissão pelo canal da associação no YouTube. O evento abordará temas técnicos e institucionais do setor cervejeiro, como questões tributárias, tendências de mercado, inovação e sustentabilidade. O congresso faz parte do Conexão Cerveja Brasil, que percorrerá todas as regiões do país até dezembro, incluindo a 3ª edição da Copa Cerveja Brasil e uma festa de premiação. A festividade em Vitória acontecerá no sábado (29), na Cervejaria Fratelli Reggiani.

Festival em Piracicaba
O 2º Festival de Cervejas Artesanais de Piracicaba, que teve sua data remarcada para este sábado e domingo (22 e 23), no Parque Engenho Central, na Vila Rezende, contará com a participação de 12 cervejarias, cada uma apresentando até três rótulos diferentes. O evento também confirmou a presença de um novo artista na programação: Toni Garrido, que se apresentará no sábado, enquanto a banda Ira! continua agendada para o domingo. Além disso, o festival contará com diversas bandas de rock locais. O evento é organizado pelas cervejarias Cevada Pura e Hop Flyers. Os ingressos estão disponíveis na plataforma Byma. Mais informações estão disponíveis no perfil do evento no Instagram.

Festival Mineiro de Cerveja
O Festival Mineiro de Cerveja realizará sua segunda edição neste sábado (22), após uma primeira edição em abril, com a participação das cervejarias Albanos, Kud, Lagoon, Artesamalt, Krug, Läut, Uaimii e Slod. O evento também contará com banheiros climatizados, praça de alimentação e será pet friendly. A festa acontecerá no estacionamento da Churrascaria Porcão, no bairro São Bento, em Belo Horizonte. Os convites estão disponíveis no Sympla, e há diferentes tipos de combos, que incluem copos, para escolher. Mais informações podem ser encontradas no Instagram do evento.

Atrações do camarote da Oktober Blumenau
Os responsáveis pelo Camarote Spaten na Oktoberfest de Blumenau anunciaram as atrações que vão se apresentar nas sextas-feiras e sábados de 6 a 21 de outubro, além da quarta-feira, 11, e quinta-feira, 12. Será um line-up diversificado, incluindo artistas como Menos é Mais, João Gomes, Dennis DJ, Turma do Pagode, KVSH, Jeito Moleque, Vitor Kley e Arca de Noé DJ Set, além de DJs convidados. Os ingressos estão disponíveis no site do camarote a partir de R$ 600, incluindo acesso à Vila Germânica.

Baden Baden para casais
A Baden Baden oferece a “Baden Baden Experience Table for Two”, em parceria com o Restaurante Dona Chica na Horta, em Campos do Jordão (SP), até 13 de agosto. A experiência consiste em um tour pela fábrica da Baden Baden, com degustação de 5 tipos de cerveja, seguido de um menu gastronômico harmonizado pelo chef Anderson Oliveira, servido em 5 tempos, cada um acompanhado de uma cerveja do portfólio da marca, incluindo uma opção vegana. O evento ocorre às quintas, sextas, sábados e domingos, em horários específicos, e as regras incluem a proibição de pets (exceto cão-guia), havendo a recomendação de chegar com antecedência de 20 minutos para o tour. Para adquirir ingressos e mais informações, acesse o site da marca.  

Parceria da Corona
O Selina, ecossistema de hospedagem e lifestyle, anunciou uma parceria global com a cerveja Corona, com o objetivo de criar experiências de viagem únicas e inspirar os hóspedes a se desconectarem e reconectarem com a natureza. A colaboração incluirá ativações envolvendo educação, música, arte e eventos, promovendo a sustentabilidade em todas as propriedades do Selina ao redor do mundo, assim como acesso a experiências exclusivas e descontos em produtos da Corona. Os fãs da cerveja poderão explorar as acomodações e espaços comunitários exclusivos da rede de hospedagem.

Krug na Casacor Minas
A Krug Bier é a parceira oficial de cerveja na 28ª edição da Casacor Minas, realizada em Belo Horizonte até 3 de setembro. O evento conta com 50 ambientes assinados por 53 profissionais do setor de arquitetura, design de interiores e paisagismo, abordando o tema “Corpo e Morada”. A Krug Bier oferece suas cervejas em três pontos de venda dentro da mostra, incluindo opções como German Pils, Áustria, IPA Rancor e Crystal.

Em relatório, Petrópolis indica avanço na gestão de resíduos com foco em 2030

Em meio a um cenário de redução na participação de mercado e aos desafios decorrentes dessa adversidade, o Grupo Petrópolis também investiu em iniciativas de sustentabilidade no ano passado, com o objetivo de alinhar-se aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, traduzidos em 11 compromissos a serem cumpridos até 2030, como indica no seu mais recente relatório de sustentabilidade.

A companhia conseguiu avançar em várias questões, principalmente naquelas relacionadas à gestão de resíduos, relatando uma redução de 278 milhões de toneladas no ano passado, bem como no trabalho com as embalagens. Contudo, ainda enfrenta dificuldades em algumas áreas, como em questões de diversidade. Essas conclusões foram observadas a partir do terceiro relatório de sustentabilidade do Grupo Petrópolis, referente a 2022 e divulgado na última quarta-feira (19).

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Em termos ambientais, a empresa destaca o trabalho realizado para promover a circularidade dos resíduos. “Buscamos destinos melhores para os resíduos gerados, de modo que uma parte cada vez maior deles se torne insumo para outras cadeias produtivas. Como resultado, menos de 0,5% dos resíduos gerados em nossas oito unidades fabris vão para aterros. Houve uma redução de 19% na geração de resíduos, enquanto a receita aumentou 4%”, afirma a companhia, no relatório.

Além disso, o Grupo Petrópolis cumpriu a meta de logística reversa referente a 2021, enviando mais de 17 mil toneladas de resíduos para reciclagem, beneficiando 55 cooperativas e operadores privados. No entanto, a reciclagem do vidro ainda representa um desafio para a empresa, levando ao estabelecimento de uma parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o lançamento da Missão Estratégica de Circularidade do Vidro.

Visando aumentar o conteúdo reciclado em suas embalagens, o Grupo Petrópolis revela em seu relatório de sustentabilidade que passou a utilizar filme stretch 100% reciclado e estabeleceu parcerias com fornecedores de garrafas de vidro para aumentar a coleta desse material e, consequentemente, o percentual de conteúdo reciclado.

A empresa estabeleceu a meta de atingir 70% de embalagens com conteúdo reciclado até 2030. E o relatório informa que as embalagens de vidro já alcançaram 60% de conteúdo reciclado, as de papel atingiram 40% e as de plástico, 15%. Em 2022, a linha de Petra e Lokal adotou o shrink reciclado, alcançando 5% de conteúdo reciclado.

Água, energia e lúpulo
No âmbito da gestão da água e das águas residuais, o Grupo Petrópolis enfrenta desafios significativos. Em 2022, houve uma queda no uso de água por hectolitro de bebida produzida apenas nas fábricas de Uberaba (MG), Teresópolis (RJ) e Itapissuma (PE), com alta nas demais unidades produtivas.

Ainda assim, o relatório destaca diversas ações de otimização do uso da água em todas as unidades fabris, mas ressalta que o desafio de aumentar a eficiência nesse aspecto foi maior devido à retração na demanda – ocorreu queda acentuada no volume produzido.

Em relação à energia, houve um aumento no consumo de energia elétrica por litro fabricando, mas com queda na energia térmica utilizada. O ano também foi marcado pela conclusão da instalação de uma usina solar em Minas Gerais, com implementações adicionais no Mato Grosso e no Rio de Janeiro. E com as usinas já instaladas, o Grupo Petrópolis conseguiu gerar 207.898 kWh de energia elétrica de fonte solar, atendendo a dez centros de distribuição.

A empresa também se dedicou à produção de lúpulo na Fazenda São Francisco, em Teresópolis (RJ). Em 2022, iniciou a produção de mudas em um viveiro próprio na fazenda, gerando 2.860 mudas e 108 toneladas de bokashi, um fertilizante orgânico feito do bagaço de cevada gerado no processo cervejeiro, combinado com farelo de mamona. Além disso, foram plantados mais de 0,58 hectare. Como resultado, a produtividade aumentou para 580 kg/hectare, de acordo com o Grupo Petrópolis.

Desafios sociais e de governança
Desafios sociais e de governança também fazem parte do cenário da empresa. A companhia promoveu diversas ações sociais em 2022, incluindo o Programa de Educação Socioambiental, que envolveu 2.952 alunos e impactou cerca de 12 mil pessoas, considerando suas famílias. No entanto, ainda não possui um programa social de abrangência nacional.

No que diz respeito à diversidade, o Grupo Petrópolis criou seu comitê de diversidade no ano passado, mas ainda pode ter avanços significativos. A participação de mulheres entre seus 24 mil colaboradores é de apenas 13%, e houve uma redução no número de pretos, pardos e indígenas entre 2021 e 2022.

A governança e a gestão também são áreas que demandam melhorias na empresa. O relatório destaca ajustes na estrutura de ética e compliance e a chegada de três novos vice-presidentes em 2022 como ações em busca de melhorias. Neste momento, a companhia enfrenta um cenário incerto e desafiador, uma vez que está em processo de recuperação judicial.

Metade dos bares do Rio tem dívidas, mas 1 de cada 3 contratará no 2º semestre

Metade dos bares do Rio de Janeiro possui dívidas em atraso, de acordo com uma pesquisa realizada no mês passado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Rio de Janeiro (Abrasel RJ). Os impostos federais são a principal causa dos débitos vencidos.

O levantamento da Abrasel RJ mostra que 82% dos bares do Rio com dívidas devem impostos federais, tais como Imposto de Renda, PIS/Cofins e parcelas do Simples Nacional. Além disso, 62% desses estabelecimentos possuem débitos em atraso com impostos estaduais.

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Segundo a pesquisa, 29% dos bares e restaurantes com dívidas têm encargos trabalhistas em atraso, 33% devem taxas municipais, 24% acumulam dívidas com serviços de água, luz, gás e telefonia, 22% possuem débitos com fornecedores de insumos e outros 22% estão com o aluguel atrasado.

Apesar do cenário desafiador, a pesquisa também aponta sinais de melhoria e otimismo entre os bares e restaurantes do Rio de Janeiro. Em maio, houve uma redução no número de estabelecimentos operando no prejuízo, de 23% para 21% em relação ao levantamento anterior, e um aumento nas empresas com lucro, de 36% para 39% em abril, além de um aumento na estabilidade, de 36% para 39%. “Ainda há um longo caminho pela frente, e precisamos de um ambiente de negócios mais saudável e previsível”, diz Pedro Hermeto, presidente da Abrasel RJ.

O estudo também revela que uma parcela significativa dos bares do Rio de Janeiro pretende reforçar suas equipes ao longo do segundo semestre: 33% planejam realizar contratações, 52% pretendem manter seus quadros e apenas 7% relatam a intenção de realizar demissões.

“A maioria das empresas está optando por se ajustar às circunstâncias e planejar para um futuro mais forte”, diz Hermeto. “Isso inclui investimentos em seus funcionários, com 37% realizando reajustes acima da convenção coletiva e 93% oferecendo oportunidades de primeiro emprego e treinamento interno”, acrescenta o presidente da Abrasel RJ.