Início Site Página 103

Menu Degustação: Tour da Heineken, novos rótulos da cerveja Eisenbahn, festival em BH…

As cervejarias e suas marcas aproveitaram os últimos dias para a apresentação de novidades. A cerveja Eisenbahn, por exemplo, adotou novos rótulos para a sua variada gama de cervejas oferecidas ao consumidor, que agora também poderá fazer um tour por uma das fábricas do Grupo Heineken, conhecendo a produção e sua história, além de aproveitar uma degustação com queijos e frios no interior de São Paulo.

Em Belo Horizonte, a programação cervejeira está agitada nos próximos dias, tendo como destaque o Festival da Loba. Também por lá e em cidades de todo o país, o maior concurso de butecos do país está encerrando sua edição de 2023.

Leia também – “Nossa ambição é ser a terceira maior marca do Grupo Heineken”, diz gerente de marketing da Eisenbahn

Confira estas e outras ações cervejeiras no Menu Degustação do Guia:

Novos rótulos da cerveja Eisenbahn

Para fortalecer a identidade visual de seu portfólio, a cerveja Eisenbahn apresenta rótulos com uma nova roupagem. Os rótulos, adotados em todos os estilos da marca, buscam demonstrar uma percepção de imagem ainda mais premium, trazendo um aspecto de modernidade, mas mantendo a essência e tradição de mais de vinte anos da cerveja Eisenbahn. A nova identidade visual traz elementos mais contemporâneos que somam para dar um ar ainda mais cool para o portfólio, segundo a marca. A mudança começou a ser implementada de forma gradual e já pode ser encontrada nas redes de varejo, sendo que os novos rótulos estão sendo adotados nos formato long neck (330ml) e lata (350ml) da Eisenbahn.

Tour do Grupo Heineken

cerveja eisenbahn lançamento

O Grupo Heineken realiza a experiência Inside the Star em Jacareí (SP), com um tour guiado pela sua fábrica, além de ações em parceria com as marcas Tirolez e Ceratti. Os visitantes poderão acompanhar a linha de produção de long necks, conhecer rotinas da cervejaria, principais ingredientes dos produtos e a história da marca holandesa por meio de sete salas de experiência interativa. O passeio termina no bar Inside the Star, local onde os visitantes farão uma degustação de cervejas harmonizando com os produtos das parceiras.

Posto de reciclagem

A reciclagem de vidro ganhou mais um aliado no Rio de Janeiro. Sete unidades do supermercado Prezunic receberam máquinas 4R Glass, de moagem de garrafas e embalagens de vidro, desenvolvidas pela Seiva para o Programa Volte Sempre, do Grupo Heineken. Ao ser depositado no equipamento, o material é triturado, removido e enviado para cooperativas recicladoras, de onde retornam para a indústria como novas. Ao depositar as garrafas, os clientes recebem cashback a ser utilizado na compra de produtos do portfólio da Heineken. Para participar do programa de reciclagem e receber o cashback, o consumidor precisa baixar o app Ponto Caco e realizar um cadastro.

Festival da Loba

Em Belo Horizonte, neste sábado (6), a Cervejaria Loba, de Santana dos Montes (MG), vai promover uma festa com rock e cervejas. Essa será a segunda edição do Loba Rock Festival, que aconteceu pela primeira vez em maio de 2019. O festival, com entrada gratuita, será no cruzamento das avenidas Bernardo Monteiro e Brasil, a partir das 10 horas com término às 20h. A Loba desenvolveu um tapping de 12 metros e mais de 10 torneiras para servir seus rótulos. Ainda haverá venda de vinhos e drinques a base de gin.

DJ com Läut

A Cervejaria Läut abraçou o projeto Circuito DJ Sessions e será o patrocinador da edição que também acontece neste sábado (6), no Madame Geneva, em Belo Horizonte, a partir das 19h. O comando da noite ficará por conta do DJ Leo Mille, que promete uma mistura de referências musicais e lounge music.

Festival de churrasco

Em 13 de maio, Belo Horizonte vai receber um festival de churrasco a céu aberto, o Na Brasa BBQ. O evento, no Parque da Gameleira, em uma super estrutura, de 20 mil m², conta com espaço kids, teatro para crianças, pet friendly, worshop cozinha show, desossa ao vivo, praça de alimentação, cervejas artesanais, assadores renomados e feira de artesanato. A entrada é franca.

Comida di Buteco chega à reta final

O maior concurso de butecos do país está encerrando sua edição de 2023. Até o próximo domingo (7), os consumidores e jurados podem visitar os estabelecimentos participantes do do Comida di Buteco para votar em atendimento, temperatura da bebida, higiene e petisco. O petisco leva 70% do peso da nota e as demais categorias, 10% cada. O voto do público vale 50% do peso total e dos jurados, 50%. A cada edição, 20% dos butecos são desclassificados para o ano seguinte, gerando renovação e acirrando a competitividade. A edição de 2023 tem como tema ervas e especiarias.

Gula Bar com novo rooftop

Aberto há 10 anos, o Gula Bar – um gastrobar localizado dentro de uma comunidade, na região de Heliópolis, zona sul de São Paulo – anunciou a inauguração de seu rooftop. Com  a novidade, a casa passa a ganhar mais um andar que além de contar com menu e carta de drinques próprios, possui um ambiente despojado, que faz com que as pessoas possam apreciar bons momentos no terraço de estrutura moderna, capaz de comportar até 200 pessoas. O rooftop funciona aos sábados, das 18h30 à 1h; e aos domingos, das 16h às 23h.

Van Been Tap House com Samba do Holandês

A Van Been Tap House, cervejaria localizada no bairro Vila Mariana, em São Paulo, anunciou a primeira edição do Samba do Holandês. O evento vai celebrar a música brasileira com enfoque em um dos gêneros musicais mais icônicos do país. Será neste domingo (7), das 13h às 20h. Na programação, a banda de samba composta pelos integrantes do Freak’s, espaço de carnes defumadas situado dentro da Van Been. A ideia é ter uma edição por mês, sempre no último domingo. 

Abralatas com novo presidente do Conselho Administrativo

A Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas) anunciou o novo presidente do conselho administrativo da entidade: Roberto Castro, hoje vice-presidente de engenharia da Ball América do Sul. O executivo traz na bagagem mais de 25 anos de experiência na indústria brasileira. Engenheiro mecânico de formação, pós-graduado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), e com formação como Conselheiro no Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). Seu mandato será de dois anos.

Chopp Brahma é lançado em lata e será vendido pelo Zé Delivery no Rio

A Ambev decidiu envasar um dos seus mais tradicionais produtos. A companhia lançou a versão em lata do Chopp Brahma, que inicialmente só estará disponível no Rio de Janeiro. A apresentação da novidade foi uma das ações realizadas pela indústria da cerveja nesta semana no Web Summit, um dos maiores encontros de inovação e tecnologia do mundo, que aconteceu na capital fluminense.

Em uma fase de testes, a novidade só estará disponível em alguns dias e lugares na cidade do Rio de Janeiro, para pedidos pelo aplicativo Zé Delivery. A Ambev, porém, garante trabalhar com a expectativa de levar a versão em lata de 350ml do Chopp Brahma para outras cidades.

Leia também – Qual é o futuro do Grupo Petrópolis e do mercado após recuperação judicial?

De acordo com a cervejaria, a intenção de lançar o Chopp Brahma veio do cenário de alta na venda do chope e da possibilidade de ampliar os momentos de consumo, agora ofertando a oportunidade de que isso ocorra dentro das residências.

Ao realizar o lançamento, a Ambev afirmou que a novidade não passou por nenhum processo de pasteurização, garantindo que o frescor do chope foi levado para a lata. Assim, foi necessário contar com o trabalho dos profissionais do Centro de Inovação Tecnológica (CIT) da Ambev, localizado no Rio.

Foi lá onde se desenvolveu o projeto para manter a qualidade, o frescor e a tão conhecida espuma do Chopp Brahma na lata. “Foram muitas pesquisas e testes até chegarmos em um processo de micro filtragem que garante a qualidade, frescor e uma espuma super cremosa”, diz Daniel Baumann, diretor do CIT.

A outra ponta de inovação envolveu o Zé Delivery, aplicativo hoje com 5 milhões de usuários ativos, de acordo com o balanço financeiro divulgado nesta quinta-feira pela Ambev. Como o chope precisa permanecer refrigerado para manter seus atributos, o aplicativo fica responsável pelo armazenamento e distribuição.

“O Chopp Brahma é sinônimo de tradição e categoria no Brasil. Há muitos anos ouvíamos do consumidor o sonho de poder beber o chopp de forma fácil em casa, com o mesmo sabor e qualidade. Essa inovação só foi possível por conta do avanço no modelo de plataforma que a Ambev vem desenvolvendo nos últimos anos, pois apesar de estar na lata, o chope da Brahma precisa ter toda cadeia logística refrigerada para garantir a qualidade e o frescor, desde a cervejaria até a casa do consumidor”, afirma Gustavo Castro, diretor de Inovação da Ambev.

Outra grande cervejaria brasileira já havia levado o chope para a latinha. Foi o Grupo Petrópolis, que em 2018 lançou a Go Draft, inicialmente em garrafa. Em janeiro, o rótulo foi renomeado como ITA-Draft Tardezinha, sendo apresentado em lata e patrocinando turnê do cantor Thiaguinho.

IA para consumo responsável
Além do Chopp Brahma em lata, a Ambev aproveitou o Web Summit no Rio para apresentar outra novidade tecnológica, essa para auxiliar o consumo responsável de bebidas alcoólicas. Se trata do Flow Voice, inteligência artificial que consegue identificar o consumo de álcool pela voz, podendo contribuir para o aumento da segurança nas estradas e em locais públicos.

A novidade teve seu pré-lançamento no Web Summit Rio, tendo sido desenvolvida pelo Smart Drinking Lab, da Ambev, em parceria com a Metatimbre AI. A expectativa é que a ferramenta auxilie as pessoas a tomarem melhores decisões para um consumo responsável, e que seja também utilizado por empresas e em políticas públicas para promover segurança nas estradas.

Para realizar o teste, o usuário do Flow Voice deverá gravar áudios seguindo as frases indicadas na plataforma. A IA analisa mais de 120 aspectos da voz humana para identificar se há presença de álcool no organismo. Caso isso seja constatado, ele dá dicas de ações para um consumo moderado, sugerindo a indicação de consumo de água ou se alimentar, por exemplo.

“A partir do lançamento, o Flow Voice vai passar por uma série de testes e hipóteses de uso para entender qual a melhor forma de explorar seu potencial, que vão desde sistemas de segurança veicular: permitindo o bloqueio da partida caso seja identificado sinal de álcool consumido na voz, contribuindo para a segurança viária, até em dispositivos vestíveis (smartwatches e pulseiras): para fornecer informações em tempo real sobre o nível de embriaguez do usuário, contribuindo para o consumo responsável”, afirma Rodrigo Moccia, diretor de relações institucionais na Ambev.

Ambev amplia lucro em 8% mesmo com vendas estáveis no primeiro trimestre

A Ambev conseguiu aumentar o seu lucro no primeiro trimestre de 2023, mesmo em um cenário de estabilidade das vendas. De acordo com o balanço financeiro divulgado nesta quinta-feira, a companhia teve lucro líquido de R$ 3,819 bilhões, uma alta de 8,2% na comparação com o mesmo período de 2022.

A receita líquida da Ambev expandiu 11,3% na comparação anualizada, chegando aos R$ 20,532 bilhões, com o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficando em R$ 6,444 bilhões, o que representa crescimento de 16,7% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.

Leia também – 41% das cervejarias seguem com faturamento abaixo do nível pré-pandemia

O crescimento dos principais indicadores financeiros do balanço da Ambev no primeiro trimestre se deu mesmo em um contexto de freio nas vendas. A companhia relata ter comercializado 45,082 milhões de hectolitros de janeiro a março de 2023, um recuo de 0,4% na comparação com o mesmo período de 2022.

“Um bom começo de ano, entregando mais um trimestre de crescimento consistente da receita líquida e do Ebitda ajustado, com expansão de margem”, afirma Jean Jereissati, CEO da Ambev, no release de resultados.

Destaque de outros balanços da Ambev, a venda de cerveja no Brasil desta vez esteve mais próxima de refletir o desempenho geral da companhia em outros mercados. No período, a expansão da comercialização da bebida foi de apenas 0,8%, chegando aos 22,191 milhões de hectolitros. A venda de bebidas não alcoólicas no Brasil foi um dos destaques positivos do balanço, com alta de 7,3%.

A Ambev avalia que não houve perda de participação no mercado no Brasil durante o primeiro trimestre de 2022. “O desempenho foi impulsionado por nossa execução comercial durante o primeiro carnaval completo pós-pandemia e por marcas mais saudáveis, à medida que superamos um forte 1T22 em que a obrigatoriedade do uso de máscaras foi suspensa no país. O volume cresceu 2,5% (+0,8% em cerveja e +7,3% em NAB) e a participação de mercado ficou estável em ambos os negócios, de acordo com nossas estimativas”, diz a empresa, nos comentários da administração.

A companhia também cita a alta da receita líquida por hectolitro como um destaque no país no primeiro trimestre. “No Brasil, a ROL/hl aumentou 12,3% (+13,5% em Cerveja e +10,6% em NAB), à frente do desempenho de volume, devido à combinação de carrego de aumentos de preços, estratégia de gestão de receita consistente e disciplinada e mix positivo de marcas premium, impulsionando o crescimento de 15,1% da receita líquida (+14,4% em Cerveja e +18,6% em NAB)”, afirma.

Em seus comentários sobre o balanço, a Ambev ainda relata que espera um “início de ano mais duro” em relação aos custos. “Embora o crescimento do CPV por hectolitro excluindo depreciação e amortização tenha começado a desacelerar em muitos de nossos mercados dado o momento dos hedges de commodities (principalmente alumínio e cevada), nossos custos permaneceram sob pressão neste trimestre, resultando em um aumento de 19,3% no CPV excluindo depreciação e amortização consolidado. O CPV por hectolitro excluindo depreciação e amortização (excluindo a venda de produtos de marketplace não-Ambev) de Cerveja Brasil aumentou 15,3%, enquanto em NAB Brasil cresceu 3,0%”, afirma.

Fora do país, o Canadá teve expansão de 5% nas vendas, enquanto a América Latina Sul (-7,8%) e a América Central e Caribe (-7,8%) apresentaram retração.

Destaques de vendas da Ambev

Ao comentar o desempenho por marcas, a Ambev afirma que as super premium e premium superaram o crescimento de volume total e dos demais segmentos mais uma vez, crescendo cerca de 35%, com destaque para Original, Spaten, Stella Artois e Corona

Além disso, relata que no segmento core plus, o volume de Budweiser cresceu e a Budweiser Zero continuou expandindo sua distribuição, atingindo recordes de cobertura de pontos de venda e de volume.

No Brasil, o volume de Spaten cresceu dois dígitos. O volume da Budweiser Zero cresceu mais de 90% sequencialmente, e sua cobertura mais do que dobrou em relação ao último trimestre

Ambev

No seu marketplace B2B, a Ambev diz ter atuado para ampliar a disponibilidade de produtos, atingindo mais de 77% dos clientes do BEES. “O Volume Bruto de Mercadorias (GMV) cresceu sequencialmente e 36% em relação ao 1T22, entregando um montante anualizado de R$ 1,6 bilhão”, explica.

Já o Zé Delivery atingiu 5,0 milhões de usuários ativos, crescendo 9% em relação ao primeiro trimestre de 2022, com o valor médio por pedido subindo 16% no período.

Doemens cria selo que premiará excelência sensorial das cervejas

A instituição de ensino Doemens Academy e a editora Meininger Verlag criaram um selo que irá atestar anualmente a qualidade das cervejas que se inscreverem para participar do processo. A Finest Beer Selection (Seleção das Melhores Cervejas, em uma tradução livre) irá premiar os rótulos inscritos de acordo com as notas obtidas como um teste de avaliação sensorial e não como em um campeonato cervejeiro. O objetivo, assim, é reconhecer a excelência das produções.

Com base na avaliação de diferentes critérios sensoriais, serão distribuídos 100 pontos no chamado “Finest Beer Score”. As cervejas participantes que conseguirem ao menos 90 pontos serão incluídas na seleção anual da Finest Beer Selection, compondo um grupo exclusivo de rótulos com excelência sensorial, na avaliação da Doemens.

Leia também – Levedura inédita ganha uso comercial e reforça busca por perfil brasileiro

Além disso, o júri de especialistas, formado por profissionais experientes e de renome internacional, realizará a degustação às cegas, também criará um perfil de aroma individual para cada cerveja, chamado “Finest Beer Profile”.

De acordo com os responsáveis pelo novo selo, as cervejas serão avaliadas individualmente, sem comparação entre elas, em critérios como aparência e sabor, por um júri internacional de especialistas. E a Doemens garante que o padrão de avaliação é facilmente compreensível, sendo semelhante à pontuação adotada para vinhos.

Segundo a renomada instituição de ensino alemã, a avaliação “tem como objetivo fornecer um importante critério de qualidade e estabelecer-se na indústria cervejeira global como uma bússola única e confiável para a qualidade da cerveja”. “A médio prazo, pretende-se alcançar a sensibilização do público com enorme ressonância”, acrescenta a Doemens.

As cervejarias da América Latina e da Península Ibérica interessadas em participar podem entrar em contato através do e-mail: info@cilenesaorin.com. As inscrições dos rótulos podem ser feitas até 25 de agosto. As amostras devem ser enviadas entre 4 e 29 de setembro, com a degustação ocorrendo na Doemens entre 10 e 12 de outubro. A data da premiação ainda será anunciada pelos organizadores.

41% das cervejarias seguem com faturamento abaixo do nível pré-pandemia

41% das cervejarias seguem com faturamento abaixo do nível pré-pandemia

O impacto provocado pela pandemia do coronavírus nas finanças das cervejarias ainda é sentido, mesmo três anos após a sua eclosão. De acordo com o levantamento “O Ano de 2022 para as Cervejarias”, do Guia, 41% dos empreendimentos não conseguiram recuperar o nível de faturamento pré-Covid-19.

O resultado do estudo, que pode ser acessado pelo link, é ainda pior quando se observa que 20% das cervejarias participantes afirmam não ser possível aferir se houve queda, estabilidade ou crescimento no faturamento em 2022 e nos anteriores na comparação com 2019, o último ano pré-pandemia.

Leia também – “Pesquisa do Guia é mais uma justificativa para valorização dos pequenos negócios”

Ou seja, descartando essas respostas, pouco mais da metade das cervejarias que responderam ao levantamento relataram uma recuperação lenta das finanças, sem conseguir alcançar a receita de 2019 nos anos seguintes.

Além disso, 27% das cervejarias respondentes dizem que o faturamento caiu como início da pandemia e se manteve abaixo do nível anterior desde então. Já outros 14% até conseguiram se recuperar durante a crise sanitária, mas não foram além de igualar os resultados financeiros de 2019.

O universo de cervejarias que, de fato, conseguiu superar o impacto da pandemia é, assim, restrito a 17% dos respondentes da pesquisa. É esse percentual que afirma ter sofrido queda no faturamento em função da crise sanitária, mas que diz já ter superado o nível pré-Covid-19.

Além disso, 22% das cervejarias afirmam terem passado praticamente ilesos à pandemia, seja registrando alta no faturamento desde 2020 (17%) ou operando em meio à estabilidade da receita (5%).

Quem lucrou em 2022?

O ritmo lento de recuperação das finanças pelas cervejarias se refletiu na dificuldade em obter lucro no ano passado, algo alcançado por apenas 54% das respondentes do levantamento. “O Ano de 2022 para as Cervejarias” aponta que 22% dos empreendimentos tiveram prejuízo, com 24% só empatando as contas.

Apresentar lucro relevante também foi algo raro entre as cervejarias no ano passado: só 5% tiveram lucro de mais de 20% do seu faturamento. Entre os demais empreendimentos que terminaram 2022 no verde, o lucro não foi além de 10% em 22% dos participantes da pesquisa, ficando entre 11% e 20% para 27% do universo de respondentes.

“O Ano de 2022 para as Cervejarias” foi uma pesquisa, quantitativa, realizada por meio de questionário online pelo Guia, com respostas coletadas entre outubro e dezembro de 2022 de 100 donos ou administradores de cervejarias.

Ação da Ambev cai em abril, mas está acima do Ibovespa no ano; veja perspectivas

A Ambev não conseguiu alcançar o segundo mês consecutivo de alta na Bolsa de Valores brasileira. Em abril, a ação da Ambev sofreu leve queda, de 1,18%, tendo fechado a sessão da última sexta-feira (28) valendo R$ 14,13. Assim, caiu em um mês marcado por uma modesta valorização do Ibovespa e por expectativas envolvendo a possibilidade de adoção de novas regras fiscais pelo governo federal e pelas prévias do balanço do primeiro trimestre de 2023 da companhia.

Com o resultado, a ação da Ambev apresenta desvalorização de 2,48% no ano, após terminar 2022 cotada a R$ 14,52. Em comparação, o Ibovespa fechou o quarto mês de 2023 com 104.431,63 pontos, apresentando alta de 2,5% em abril. Porém, tem queda de 4,83% no ano.

Leia também – Pode faltar garrafa de vidro para a indústria após 2025, alerta estudo

Longe de estar entre os destaques positivos ou negativos da Bolsa em abril, a Ambev se posicionou entre 28 das 88 ações do Ibovespa que se desvalorizaram, em uma lista liderada pelo Assaí (-20,59%). A outra ponta, a das altas, teve a construtora Eztec (19,29%) à frente.

O desempenho da Ambev acima do Ibovespa nos quatro primeiros meses de 2022 foi visto como um indicativo de fortaleza da companhia pelos analistas Leandro Fontanesi e Victor Romano, do Bradesco BBI. Para eles, isso se dá “provavelmente por ser vista como uma ação defensiva no contexto de incertezas macroeconômicas no Brasil”.

Razões para oscilação

A divulgação do relatório com essa avaliação, aliás, esteve relacionada com a maior alta diária da ação da Ambev em abril, de 2,21%, no dia 11. No documento, a equipe do Bradesco BBI manteve a indicação de compra do papel da cervejaria, com preço-alvo de R$ 21,00, o que representa um potencial de valorização de 48,3% do ativo.

Em abril, houve, também, dois dias em que a ação da Ambev apresentou desvalorização acima de 1% no dia. Isso se deu em 24 de abril, com queda de 1,78%, na sequência de declarações do ministro da Economia, Fernando Haddad, sobre a possibilidade de alterações em benefícios tributários, citando a distribuição de Juros sobre Capital Próprio (JCP) e os incentivos concedidos a produtores da Zona Franca de Manaus.

Analistas do Goldman Sachs viram as declarações com preocupação para a Ambev. “Os incentivos fiscais no Brasil representaram 43% do lucro líquido da Ambev em 2022, e qualquer mudança significativa na política tributária pode representar um risco negativo para a empresa”, dizem.

A XP Investimentos, por sua vez, adotou mais cautela em relação a possíveis impactos de uma eventual mudança no pagamento de JCP. “Apesar do potencial de causar um impacto nos resultados das empresas, nem todas seriam afetadas de forma igual. A princípio, o efeito dessa mudança no JCP no balanço de cada companhia ainda não é claro, dada uma série de outras alterações que estão sendo discutidas também como: mudanças no arrecadamento de impostos, alterações na carga tributária das empresas, entre outras pautas”, afirma Jennie Li, estrategista de ações da XP.

O outro recuo relevante da ação da Ambev em abril se deu no dia 13, com queda de 1,15%. Na data, analistas do BTG Pactual divulgaram análise em que definiram 2023 como “ano da verdade” para a companhia, pelo cenário de normalidade encarado, diante do esfriamento da crise sanitária.

Para eles, diante da perspectiva de que a alta dos volumes não mantenha o ritmo de outrora, a Ambev precisará aumentar a sua rentabilidade através dos preços, algo que a equipe do BTG não acredita que irá acontecer.

“Após se beneficiar de um mix favorável de produtos em 2022, a receita por hectolitro deve ser o principal motor de crescimento da receita. Mas nós não estamos confiantes de que isso virá tão cedo”, escrevem os analistas Thiago Duarte e Henrique Brustolin.

Balanço da Ambev vem aí…

Parte do desempenho da Ambev nesse “ano normal” poderá começar a ser constatado nesta quinta-feira, quando a companhia divulgará os seus resultados do primeiro trimestre, antes da abertura da Bolsa brasileira.

“Esperamos um trimestre sem mudanças significativas nas tendências atuais: o desempenho da receita deve permanecer sólido, impulsionado por um aumento positivo da receita líquida por hectolitro devido à premiumização, melhor mix e iniciativas de gerenciamento de receita”, diz Leonardo Alencar e Pedro Fonseca, analistas da XP Investimentos.

Em relação à receita, a expectativa média das instituições é de que a empresa supere a barreira dos R$ 20 bilhões no primeiro trimestre deste ano, o que representaria aumento de pouco mais de 10% ante o mesmo intervalo de 2022. Seria, assim, um saldo positivo entre a conquista de mercado do Grupo Petrópolis, que entrou em recuperação judicial, e um carnaval cheio contra os desafios encarados em função do início de ano chuvoso.

“Espera-se que a Ambev reporte um desempenho tranquilo para o primeiro trimestre de 2023, uma vez que os ganhos sobre a Petrópolis devem compensar a dinâmica climática desfavorável, ambas amplamente esperadas pelo mercado”, afirma Gustavo Troyano, analista do Itaú BBA.

Outros desafios para a companhia envolvem, na visão da XP, a inflação na Argentina e a Selic, a taxa básica de juros do Brasil, em nível elevado. Isso fez a sua equipe de analistas prever queda anualizada de 29% no lucro líquido, para R$ 2,5 bilhões.

Olhando para frente

Ajustando o foco para o futuro, a XP prevê um segundo semestre melhor para a Ambev.

Uma taxa de câmbio mais baixa e preços de commodities devem permitir uma recuperação de margem no 2º semestre de 2023, em nossa visão, também beneficiada pela continuação de um sólido desempenho da receita líquida por hectolitro

XP Investimentos

Esse cenário positivo também é enxergado pelo Bank of America, que ajustou o seu preço-alvo da ação da Ambev de R$ 16,00 para R$ 16,50 em função de perspectivas mais positivas para 2023 e 2024 em função da queda dos custos.

“Esperamos que a Ambev registre forte crescimento do Ebitda em 2023 e 2024 com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 16%, impulsionado principalmente por margens mais altas em Cerveja Brasil e uma recuperação nas margens de custo de aquisição por cliente”, preveem os analistas Isabella Simonato e Guilherme Palhares, em relatório.

Cervejarias fora do Brasil

Assim como aconteceu na Bolsa brasileira, a ação da Ambev sofreu leve desvalorização no último mês em Nova York. Por lá, a queda foi ainda mais modesta, de 0,71%, para US$ 2,80. Já o ativo da AB InBev caiu 3,64% na Europa, para 59,10 euros, ao fim de abril.

O Grupo Heineken, por sua vez, viu sua ação valorizar 5,04% em abril, atingindo o preço de 104,05 euros. Essa alta foi impulsionada pelo seu resultado financeiro do primeiro trimestre de 2023. Afinal, valia 99,90 euros na véspera da divulgação do balanço, subindo para 103,85 euros no dia da apresentação do resultado.

Pode faltar garrafa de vidro para a indústria de bebidas após 2025, alerta estudo

O acesso à garrafa de vidro pode se tornar mais desafiador para a indústria de bebidas alcoólicas após 2025. O alerta foi realizado pela Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) e a KPMG, que produziram um estudo setorial sobre os desafios da cadeia de abastecimento do setor de bebidas alcoólicas.

Essa preocupação com a dificuldade de encontrar as garrafas de vidro se dá por uma recente queda na oferta desse tipo de embalagem. Afinal, enquanto houve crescimento de 12% no volume de bebidas alcoólicas em 2020 e 2021, a produção de vasilhames recuou de 7,708 bilhões em 2019 para 7,311 bilhões de garrafas em 2020.

Leia também – Com carnaval, produção de alcoólicas descola da indústria e cresce 13%

Investimentos recentes em fábricas de vidro e em ampliações de fornos trazem perspectivas de resolução temporária do desafio, pois a expectativa é de que a produção desse tipo de embalagem no Brasil chegue a quase 9,5 bilhões em 2025, com crescimento de 22,5% na comparação com 2019.

Depois disso, porém, Abrabe e KPMG alertam para a possibilidade de falta de vasilhames. “A superação de desafios na cadeia de suprimentos requer uma abordagem estratégica e proativa, com a adoção de medidas preventivas e o uso de tecnologias para melhorar a eficiência e a resiliência da cadeia de abastecimento. Por isso, em conjunto com todas as nossas 36 associadas, trabalhamos para melhorar a reutilização de insumos e minimizar os riscos de um desabastecimento”, diz Cristiane Foja, presidente-executiva da Abrabe.

Os últimos anos têm sido desafiantes para a indústria de bebidas alcoólicas. Afinal, foi necessário lidar com os efeitos que surgiram de modo abrupto com a eclosão da pandemia do coronavírus, a partir de março de 2020. Depois, o segmento também precisou encarar as implicações da Guerra na Ucrânia, que começou em fevereiro de 2022. E foi com a preocupação sobre como a indústria de bebidas alcoólicas vem lidando com o cenário atual que o levantamento foi realizado.

O trabalho conjunto entre Abrabe e KPMG, intitulado Desafios da Cadeia de Abastecimentos da Indústria de Bebidas Alcoólicas, apontou que a escassez da garrafa de vidro é um dos principais desafios a serem superados pelas empresas do setor. Outras preocupações da indústria de bebidas alcoólicas envolvem o aumento de custos de insumos agrícolas e o prazo de entrega de equipamentos.

Não à toa, pois, de acordo Abrabe e KPMG, o estudo “destaca a grande dependência do setor de insumos e maquinário importado e trouxe para os holofotes a complexidade logística internacional combinada com a burocracia nos processos aduaneiros”.

O levantamento foi realizado a partir da compilação e análise de dados disponibilizados pelas principais empresas do mercado, associadas à Abrabe, que representam 29% do volume de bebidas comercializadas no país, com receita bruta de R$ 37,7 bilhões.

“Por um lado, o mercado de bebidas alcoólicas cresce mundialmente e está em plena transformação nos hábitos de consumo, e por outro, a indústria encontra desafios complexos como a falta de insumos e vasilhames, inflação alta, crises climáticas e aumentos expressivos de estoques e custos logísticos. O planejamento em longo prazo e o pensamento inovador e tecnológico são requisitos essenciais para o setor continuar crescendo de maneira sustentável”, diz Thais Balbi, sócia de estratégia da KPMG.

Balcão da Fabiana: Tretas cervejeiras – Onde nascem, do que se alimentam?

Balcão da Fabiana: Tretas cervejeiras – Onde nascem, do que se alimentam, para que servem afinal?

Já deu pra perceber que não costumo fugir de polêmicas. Já levantei algumas por aqui, inclusive, que renderam discussões acaloradas nas dezenas de grupos cervejeiros e redes sociais que rodeiam nosso Brasil. Mas, confesso que de uns tempos pra cá tenho sentido necessidade de me distanciar um pouco de temas que se transformam em polarizações inúteis e pouco saudáveis para o mercado.

Tretas cervejeiras, por exemplo. Houve um tempo em que elas se resumiam a um sommelier X que criticava o Y, a uma pessoa que se arvorava a ser especialista e saía falando besteiras publicamente com lições erradas sobre qualquer coisa, a cervejarias que criticavam influencers acusando-os de só querer beber de graça. Eram pequenas bobagens que até nos divertiam em acompanhar.

Só que desde a pandemia, quando diálogos racistas e homofóbicos dentro de um grupo cervejeiro que contava com mais de 200 membros vieram à tona, a modalidade “ treta cervejeira” descambou para questões muito mais sérias, beirando crimes previstos em nossa legislação. Aí, não dá mais para chamar simplesmente de treta, não é?

Não dá para comentarmos fatos graves expostos nas redes sociais usando o indefectível meme de Michael Jackson (o músico) comendo pipoca no cinema. Isso é uma simplificação nociva.

A última batalha, da qual escolhi não fazer parte em nome da minha sanidade mental, foi a do processo judicial movido por uma escola contra uma associação para definir quem tem o direito de usar o nome de um concurso cervejeiro. Primeiro porque, embora eu tenha acompanhado desde o início o desenrolar do referido processo impetrado como resposta a outro movido pela associação contra a escola (o famoso chumbo trocado), não me senti apta a opinar sobre a questão. Não entendo de marcas, não entendo de princípios de colidência, não sei nada sobre o que nossa legislação determina.

E, para ser muito sincera, pouco me interessa o nome de um ou de outro concurso cervejeiro! 

Em segundo lugar, decidi não entrar numa discussão que corre na Justiça. Ou seja: do que vale a minha opinião, ou a sua, ou a de qualquer ser vivente? Opinião é um direito, gente, não é um dever. Não somos obrigados a opinar sobre tudo a todo o tempo em qualquer lugar.

E por último, escolho hoje entrar apenas nas batalhas que valem a pena, as que possam mudar o rumo da minha vida para melhor. Como player de um mercado, luto para que as condições de trabalho, de suas relações interpessoais sejam melhores. Faço isso através do meu trabalho sério, correto, honesto e ético, esperando que esse meu comportamento influencie o de outros, tipo corrente do bem, sabe?

No mais, é briga de egos. E desta, eu, definitivamente, escolho ficar de fora.


Fabiana Arreguy é jornalista e beer sommelière formada em 2010, pela primeira turma Doemens no Brasil, através do Senac SP. Produz e apresenta, desde 2009, a coluna de rádio Pão e Cerveja, sendo editora de site com o mesmo nome e autora de livros. É curadora de conteúdo, consultora de cervejas especiais, proprietária da loja De Birra Armazém Cervejeiro, além de professora do Science of Beer Institute e do Senac MG, assim como juíza dos principais concursos cervejeiros brasileiros e internacionais.

13 lançamentos realizados pelas cervejarias artesanais em abril 

Os cervejeiros contaram com muitas novidades para o paladar nas últimas semanas. Afinal, celebrações de datas diversas, como as envolvendo a Páscoa, o jazz e o os povos indígenas, serviram de inspiração para diversos lançamentos em abril, muitos deles, mais uma vez, de cervejas colaborativas.

Foi assim, por exemplo, com a Maniacs Brewing e a Dado Bier, que se uniram a empresas fabricantes de chocolate para lançamentos de cervejas temáticas da Páscoa, celebrada em abril. Já a Nacional lançou um rótulo em homenagem e apoio aos povos originários do Brasil em parceria com a Cruls e a Cerrops.

Além das datas comemorativas, as artesanais também investiram, em abril, nos lançamentos de cervejas dos estilos Catharina Sour, como foi o caso da Königs e da Soma.

Leia também – Levedura inédita ganha uso comercial e reforça busca por perfil brasileiro

Confira, a seguir, lançamentos realizados pelas cervejarias em abril, selecionados pela reportagem do Guia:

Cruls e Nacional
A comemoração, em abril, do Dia dos Povos Indígenas serviu de inspiração para uma parceria entre a Cruls, a Nacional e a Cerrops. O rótulo, batizado como A Lenda Tainá-Kan, é uma Session IPA. A iniciativa buscou, também, arrecadar doações para a Associação da Aldeia Karajá de Aruanã. A novidade tem coloração dourada intensa e límpida. Possui uma presença aromática forte, destacando as características do lúpulo Comet do cerrado brasileiro. Sua composição leva apenas insumos nacionais, incluindo mandioca, em referência à alimentação tradicional dos karajás. Ela tem graduação alcoólica de 5% e 25 IBUs de amargor.

Dado Bier e Magian Cacao
Dado Bier e Magian Cacao se uniram para a criação da primeira cerveja com nibs de cacau produzida artesanalmente pelas marcas. Elas juntaram a cerveja e o chocolate nesta colaborativa, motivada pela Páscoa. A novidade é uma Porter, que possui tonalidade escura e notas maltadas que remetem ao chocolate e ao cacau.

Dilema
A cervejaria Dilema trouxe ao mercado a Splendid Blaze, uma Hazy Double IPA feita com altas quantidades do lúpulo Experimental HBC 1019 e um toque de Sabro. O aroma traz notas de frutas caramelizadas e um toque de laranja Valência e coco. No paladar, segundo o descritivo, as frutas doces, tropicais e cítricas predominam. A bebida tem graduação alcoólica de 8,1% e 40 IBUs de amargor.

Goose Island
A Goose Island se inspirou no som dos clubes de jazz para o lançamento da Bourbon Street.  Para criar a cerveja, foi usado o bourbon, destilado norte-americano que perfuma e inspira um dos rótulos mais emblemáticos da marca, a Bourbon County, maturada em barris previamente usados na maturação do destilado. A novidade, sazonal, tem coloração que remete à do uísque, próxima ao âmbar escuro. No aroma, destaca-se o perfil amadeirado, com notas de carvalho americano, tabaco, cereais e leve dulçor de baunilha. No paladar, o sabor maltado envolve e potencializa a percepção de uísque.

Hocus Pocus
Em abril, a Hocus Pocus lançou uma cerveja com terpenos, a Última tentação de Arjuna Mai. A bebida é fruto de parceria com a Cool Terps, empresa especializada em blends de terpenos no Brasil, que usa um óleo essencial exclusivo para reproduzir o aroma da cannabis. Juntas, elas escolheram o blend Amnesia Haze para protagonizar a bebida, adicionando aromas cítricos e terrosos. Para reforçar ainda mais o aroma dessa Hazy IPA, foi selecionado um único lúpulo, o Strata, com maracujá no sensorial.

Königs
A Königs lançou um rótulo especial do Projeto Identidades, que retrata a cultura, hábitos, lugares e pessoas que têm uma relação com Jaraguá do Sul (SC). Batizada de Rúbia, a novidade é feita especialmente para homenagear as mulheres em uma edição limitada e exclusiva. Rúbia é uma mulher, mãe, avó, empresária, mestre-cervejeira, que empreendeu em um ramo dominado por homens. Já a cerveja Rúbia é uma Catharina Sour com groselha do ceilão e que remete a berry de frutas vermelhas.

Maniacs e Cuore di Cacao
As curitibanas Maniacs Brewing Co. e Cuore di Cacao se uniram em um projeto de cerveja para a Páscoa. A Maniacs Cioccolato, como foi batizada, é uma Dark Ale com adição de chocolate e nibs de cacau da chocolateria. A bebida conta com os maltes Pilsen, Viking Caramel Pale, Viking Caramel 30 e malte de trigo claro Weyermann, tendo 6% de graduação alcoólica e 22 IBUs de amargor.

Prussia e Laboratório da Cerveja
A cervejaria mineira Prussia lançou em abril um rótulo colaborativo com o Laboratório da Cerveja. O projeto deu origem a uma Saison, a Uaild Ale, cuja novidade da receita é o pioneirismo no uso de uma nova espécie de levedura cervejeira, diferente das tradicionais Saccharomyces ou Brettanomyces. É a primeira vez que a espécie Starmerella meliponinorum foi utilizada na indústria e fora dos laboratórios. A Uaild Ale é uma cerveja com malte de centeio, flor de laranjeira e casca de laranja. Tem sabor frutado de frutas maduras, leve adocicado, leve sensação de picância e com aroma pouco fenólico. Possui 5% de graduação alcoólica e 20 IBUs de amargor.

Seasons
Valorizando o aroma de cervejas com produtos locais, a Companhia Brasileira de Cerveja Artesanal (CBCA) lançou um novo rótulo da marca Seasons, em sua linha Moo Engjand IPA: a Cowlifornication Manga. Com 6,2% de teor alcóolico e a adição de polpa da fruta, o produto do estilo Juicy IPA é composto pelos lúpulos Hallertau, Idaho Gem e El Dorado, unindo amargor com drinkability.  Segundo a marca, a escolha da fruta se deu pela intensidade de sabor e aroma da manga.

Soma
A Soma Cervejaria realizou dois lançamentos de cerveja no mês de abril. A primeira é uma Catharina Sour, que leva uma carga de manga e tangerina para a produção de uma bebida leve e refrescante, ideal para dias quentes. A Catharina Sour da Soma traz no aroma um buquê de frutas tropicais, segundo seu descritivo. Ela tem graduação alcoólica de 3,5% e 6 IBUs de amargor.  Em contraste ao estilo Sour, a cervejaria também apresentou uma clássica American IPA, com dry-hop dos lúpulos Ekuanot e Cascade. A bebida tem graduação alcoólica de 6% e 45 IBUs de amargor.

Tarantino e Manioca
A Manioca, indústria de impacto socioambiental da Amazônia, e a Tarantino lançaram a Biére de Garde Puxuri, um rótulo de edição limitada que traz um dos sabores mais icônicos da Amazônia: a noz-moscada da Amazônia ou puxuri, uma semente aromática que é utilizada em muitas receitas, também adicionando notas de cravo e anis estrelado. A harmonização do ingrediente com a cerveja deu origem ao rótulo do estilo típico do norte da França presente em seu nome, com os maltes e aromas se destacando.

Van Been
A Cervejaria Van Been lançou a Red Light District, uma cerveja de estilo Red Ale que traz um ingrediente extra e especial em sua composição: o rum jamaicano. A cerveja apresenta 5,3% de graduação alcoólica, coloração cobre avermelhado, com bastante realce para o malte, e traz como novidade em sua receita a bebida destilada no Caribe. O rum apresenta aromas frutados envoltos em um leve toque de melaço e especiarias, com um final intensamente longo. Já o nome da cerveja faz referência ao famoso bairro da luz vermelha de Amsterdã, capital holandesa.

Levedura inédita ganha uso comercial e reforça busca por perfil brasileiro

Uma levedura descrita pela primeira vez em 2003, por pesquisadores da UFMG, começa, 20 anos depois, a dar frutos dentro da indústria cervejeira do Brasil. A Starmerella meliponinorum ou, agora, Star Brasilis, uma não-Saccharomyces, passou a ser utilizada comercialmente e já compõe uma primeira cerveja, a Uaild Ale, fabricada pela Prussia Bier de modo colaborativo com o Laboratório da Cerveja.

O uso dessa levedura selvagem, isolada da flor da espatódea e associada à abelha sem ferrão, é inédita na produção de cerveja e traz novos sabores para a bebida, além de expectativas para o segmento, por se somar a outras várias iniciativas que buscam trazer características nacionais para a produção, na busca por um perfil tipicamente brasileiro.

Leia também – Artesanais ampliam uso de ingredientes locais e valorização da cultura

Afinal, para a indústria, a novidade pode oferecer novas características sensoriais, diferentes das obtidas através leveduras já utilizadas no mercado, como explica Luciana Brandão, co-fundadora e CEO do Laboratório da Cerveja, empresa de biotecnologia e soluções em processos cervejeiros que recebeu transferência de tecnologia da UFMG para desenvolvê-la e explorá-la comercialmente.

“A Star Brasilis é uma levedura única e inédita na produção de cerveja, além de ser originalmente brasileira! Diferente das espécies de levedura tradicionais (Saccharomyces) e também das leveduras selvagens utilizadas, como a Brettanomyces, ela produz características sensoriais únicas de frutas brancas, dentre elas abacaxi maduro, damasco, melão, uva, sendo tudo muito sútil e elegante”, diz.

Agora tendo sido usada na produção de uma cerveja, a, hoje, Star Brasilis passou por uma longa trajetória. A primeira descrição da Starmerella meliponinorum data de 2003, quando pesquisadores da UFMG estudavam a biodiversidade de leveduras associadas a abelhas sem ferrão.

Foi também na universidade mineira, já em 2014, que outros pesquisadores trabalhando com leveduras isoladas de nectários de flores tropicais coletaram mais uma vez novos isolados desta espécie, incluindo de flores de espatódea, na mata do campus.

Cinco anos depois, no mesmo laboratório das pesquisas anteriores, a Starmerella meliponinorum foi selecionada dentre outros 150 isolados de leveduras não-Saccharomyces e testada em escala laboratorial e piloto para a produção de cervejas. Foram realizados diversos testes no laboratório como a fermentação de maltose, tolerância alcoólica e a produção de compostos como o enxofre. Em escala piloto, após a seleção da linhagem, foram fabricadas quantidades de 30 litros de uma cerveja para a avaliação da utilização da levedura.

“Naquele momento, várias outras espécies também foram testadas, mas a Starmerella meliponinorum se destacou por algumas características, sendo a principal delas os aromas completamente diferentes de qualquer outra levedura conhecida. Nos testes cegos, a cerveja produzida com a levedura alcançou bons resultados”, relata Luciana.

Esse êxito levou o Laboratório da Cerveja a compreender que havia a oportunidade de o conhecimento sobre a levedura gerado na universidade ser aplicado no mercado cervejeiro, provocando a busca da transferência de tecnologia junto à universidade.

“No final de 2022 nós assinamos com a UFMG o primeiro contrato de transferência de tecnologia dessa natureza para obter os direitos de uso da levedura além do desenvolvimento, produção e exploração comercial. No contrato, também estão contidos mais uma espécie diferente das leveduras tradicionais e mais quatro linhagens de Saccharomyces cerevisiae brasileiras que estão prontas para serem usadas na indústria”, explica a CEO do Laboratório da Cerveja.

Uso na prática
O passo seguinte, então, foi encontrar um parceiro para a produção em escala industrial de uma cerveja com a Star Brasilis. Um acordo foi fechado com a Prussia, que utilizou essa levedura, de modo inédito, na fabricação de 2 mil litros de uma cerveja, que recebeu o nome de Uaild Ale.

“As pesquisadoras nos procuraram enquanto o processo de transferência de tecnologia estava em andamento e nós adoramos a ideia. Fazemos uma curadoria de inovação, de novos projetos relacionados a cerveja e esse se encaixou completamente”, relata Fernando Cota Carvalho, diretor-executivo da Prussia Bier.

Ele explica que a fabricação da cerveja com a nova levedura seguiu os procedimentos padrão adotados na unidade industrial da Prussia Bier, com leves ajustes no processo de fermentação, além do cuidado de reforçar o processo de higienização dos equipamentos.

“Algo que foi ajustado já nos testes finais e na produção industrial foi a temperatura de fermentação um pouco mais alta, mas nada fora do normal. Outro ponto importante é o fato de trabalhar na cervejaria com um microrganismo completamente selvagem e diferente. Então, reforçamos as ações de CIP após a produção”, diz Carvalho.

De acordo com o descritivo divulgado pela Prussia Bier, a Uaild Ale é uma Saison com malte de centeio, flor de laranjeira e casca de laranja. Tem sabor frutado de frutas maduras, leve adocicado, leve sensação de picância e com aroma pouco fenólico. Além da levedura descrita em Minas Gerais, os lúpulos são da Fazenda Cervejeira, também de Belo Horizonte. Possui 5% de graduação alcoólica e 20 IBUs de amargor.


E o uso da Star Brasilis não vai se resumir à Prússia. De acordo com a CEO do Laboratório da Cerveja, a procura pela levedura é grande, o que deve garantir a sua presença em diversos rótulos em breve.

“Já estamos produzindo a levedura para outras cervejarias de Minas Gerais e para fora de Minas. Em breve, vocês terão notícias das cervejas produzidas com a Star Brasilis. Também tem sido bastante procurada por cervejeiros caseiros de todo o Brasil e inclusive para produções fora do país”, revela Luciana.

A expectativa é de que a levedura possa ser utilizada em diversas combinações, com frutos, bem como há a possibilidade de fermentação em barris de madeiras, por meio de técnicas diferenciadas. Assim, podem se tornar um diferencial para quem busca dar uma identidade brasileira para suas cervejas, além de elevar a qualidade sensorial da bebida.

A propagação do uso da Star Brasilis, aliás, se insere em contextos de ampliação dos trabalhos com leveduras encontradas na biodiversidade e do aumento do uso de ingredientes e insumos locais que podem, no futuro, dar origem, a partir dessa mistura, a uma escola brasileira de cerveja, como comenta a CEO do Laboratório da Cerveja.

Hoje já temos vários estudos sobre a utilização de leveduras isoladas no Brasil para a produção de cerveja e eu espero que isso seja apenas o começo. Além das leveduras, a escola brasileira pode vir também das nossas frutas, do uso das nossas madeiras do processo de produção. Ou seja, virá por meio dos nossos insumos, da nossa cultura, nossas tradições e do nosso jeito de fazer cerveja, tudo isso junto e cada um da sua forma

Luciana Brandão, CEO do Laboratório da Cerveja