Início Site Página 102

Menu Degustação: Curso Técnico em Cervejaria, Dia das Mães, clube da Dogma…

A variedade de novidades ofertadas nos últimos dias dentro do setor cervejeiro dá o tom da forte movimentação no segmento. E para quem deseja atuar diretamente na indústria, uma ótima oportunidade está sendo ofertada pelo Instituto Federal de São Paulo – campus Sertãozinho, que está na reta final das inscrições para o Curso Técnico em Cervejaria.

Para o Dia das Mães, celebrado neste domingo (14), haverá várias ações especiais, como no caso do Parque da Cerveja, que oferecerá um presente para as mães que visitarem o complexo, em Campos do Jordão (SP), junto de seus filhos.

Enquanto isso, a Bodebrown programou para o sábado o seu growler day e o lançamento de um rótulo especialmente para a data, em Curitiba, enquanto a Landel também receberá o público na sua casa no mesmo dia. Já a Dogma passou a contar com seu clube de assinaturas.

Leia também – Hora do Gole estreia nova temporada com mudanças e protagonismo negro

Confira estas e outras ações cervejeiras no Menu Degustação do Guia:

Curso Técnico em Cervejaria
O Instituto Federal de São Paulo – campus Sertãozinho – está com inscrições abertas para o curso Técnico em Cervejaria. O curso visa formar profissionais qualificados, com sólida base científica e tecnológica, habilitados para planejar, executar ou coordenar todas as etapas do processo de produção de cervejas, além de possibilitar uma visão apurada da gestão e do negócio cervejeiro, podendo, assim, atuarem em cervejarias, outras empresas da cadeia produtiva ou empreender no setor. As inscrições no curso Técnico em Cervejaria vão até o domingo (14) e devem ser feitas no site da instituição mediante o pagamento de uma taxa de R$ 20,00. O curso terá duração de 1 ano e meio (1.200 horas), no período noturno e será gratuito. O edital do curso Técnico em Cervejaria pode ser acessado pelo link.

Para trabalhar em bares
Também está em fase final o período de inscrições na formação gratuita para trabalhar no mercado de serviço de bares e restaurantes oferecido pela Academia da Cerveja, escola de conhecimento e cultura cervejeira da Ambev, com a Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) e o Instituto Ceres. Podem participar pessoas de qualquer região do país que tenham acima de 18 anos. O curso é online e on demand, e as inscrições ficarão abertas até a próxima quinta-feira (18).

Growler Day da Bodebrown
A Bodebrown programou para este sábado (13) o seu Growler Day que será embalado pelo som do Pearl Jam, interpretado pelo quinteto curitibano Rusty Cage. Conhecido pelos shows que assina como Pearl Jam Cover Curitiba, o grupo apresentará os clássicos da banda de Seattle, a partir das 14h. Para a data, a cervejaria produziu um rótulo especialmente voltado ao Dia das Mães, a cerveja Regina Sour Framboesa. Além dela, ganham destaque outras 9 opções nas chopeiras, para venda em copo, e mais quatro em growlers PET. A entrada é franca.

Growler Day da Landel
Também neste sábado, aLandel promoverá o Growler Day Mild May. O evento começa às 11h em Campinas e o happy hour será estendido até as 17h. A festa contará com um lançamento da marca, a Black Pug. A entrada é gratuita e o ambiente, pet friendly. Os clientes ainda têm descontos para encher o growler.

Dogma no Clube do Malte
Em parceria com o Clube do Malte, a Dogma, cervejaria de São Paulo, está lançando seu clube de assinaturas para os apaixonados por cerveja. Com o clube, os clientes receberão cervejas exclusivas da marca, com a opção de contratar dois planos de assinatura: o pack de duas latas por R$79,90 ou o de quatro latas por R$134,80. A assinatura não tem fidelidade. O Lovers Club tem como objetivo aproximar os clientes mais fiéis da Dogma, que gostam de conhecer os lançamentos da marca em primeira mão, com muitas experiências exclusivas, incluindo novos rótulos, promoções e benefícios.

Parque da Cerveja no Dia das Mães
No Dia das Mães, celebrado neste domingo (14), o Parque da Cerveja oferecerá um presente para as mães que visitarem o complexo junto de seus filhos: o ingresso delas será cortesia. O ingresso garante o acesso aos espaços gastronômicos, visita ao Museu da Cerveja, cachoeira e jardins. O local, ao ar livre, fica em uma área de 240 mil m², rodeada por grandes araucárias e montanhas. Dentro do parque, os visitantes podem conhecer uma fábrica de cervejas artesanais, o Museu da Cerveja, um mirante e até um jardim de lúpulos. O Parque da Cerveja fica em Campos do Jordão e não é necessário reserva para visitá-lo.

Stella quer marcar encontros
A Stella Artois decidiu dar um fim nos encontros nunca marcados, convidando o público a finalmente se reunir com aquela pessoa querida, acompanhado de boa comida e da cerveja gelada. A campanha “Vamos Marcar” busca provocar no consumidor a reflexão sobre as pessoas colocarem os compromissos e obrigações consideradas mais importantes à frente das relações, deixando o jantar com pessoas importantes no fim da lista de prioridades. A ação traz um filme publicitário e um “empurrãozinho” que faltava pois vai dividir a conta do jantar: o consumidor poderá comprar um voucher no valor de R$ 100 por apenas R$ 50 para ser utilizado nos restaurantes participantes da ação nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Campanha pelas retornáveis
Com o objetivo de ter 100% dos seus produtos em garrafas retornáveis ou que sejam feitas, em sua maioria, de conteúdo reciclado, até 2025, a Ambev estreou campanha com filme na TV e em canais digitais, em busca de reforçar os benefícios das garrafas retornáveis. O objetivo é mostrar que as garrafas retornáveis são a melhor opção para o meio ambiente, por serem recicláveis e reutilizáveis, ajudando a reduzir o desperdício e a poluição, além de serem vantajosos para o bolso do consumidor, que só paga pelo líquido, conseguindo economizar. O filme é assinado pela agência CP+B Brasil.

Leveza com Skol
A transformação do complicado para o descomplicado e da pressão para a descontração ganha destaque na nova campanha de Skol. A ação intitulada “Cara da Leveza Skol” vem, segundo a cerveja, marcar um novo momento da sua comunicação com os consumidores.

Eisenbahn leva dois ganhadores à Blumenau
A Eisenbahn lançou uma promoção em que irá concede a dois vencedores a possibilidade de conhecer sua história e a fábrica, localizada em Blumenau (SC), com direito a levar acompanhantes. Para concorrer basta fazer um cadastro no site Craft Garten, plataforma proprietária da Eisenbahn, anotar seu número da sorte e torcer no sorteio marcado para 30 de setembro. As inscrições podem ser feitas até as 18h do dia 26 de setembro.  A campanha é aberta apenas para pessoas maiores de 18 anos, residentes no Brasil.

50ª unidade do Porks
O Porks — Porco & Chope acaba de anunciar a inauguração da 50ª unidade da rede. Para o marco, a cidade escolhida foi Ribeirão Preto (SP). Na inauguração, que acontece neste sábado (13), a casa preparou uma ação especial: vai distribuir gratuitamente mil chopes Pilsen (300ml). Para participar da promoção, que acontece a partir das 15h, os 200 primeiros clientes que chegarem no local receberão um cartão fidelidade que dará direito a 5 chopes Pilsen (300ml), limitados a um copo por dia.

Rock n’ Pub em Campos do Jordão
O PlayPub, bar da Cerveja Campos do Jordão, está trazendo o melhor do rock para as noites de Campos do Jordão. A programação musical se dá em todos os finais de semana do mês, com shows sempre a partir das 20h. A banda Eleven, neste sábado (13); Roger Isla, no dia 20; e a Jack on the Rocks, no dia 27, são as próximas atrações. Não há necessidade de reserva. Para harmonizar, a casa vai disponibilizar chopes de edição limitada que estão disponíveis exclusivamente nas oito torneiras do PlayPub, produzidos na minifábrica que a cervejaria mantém no local.

Krug Bier no Bikefest 2023
O Bikefest completa, em 2023, 31 anos de história. O evento nasceu de um encontro de amigos motociclistas em Tiradentes (MG) e se tornou referência no país. Neste contexto, a mineira Krug Bier, será a cervejaria oficial do evento, tendo desenvolvido um rótulo especial para a edição. O Bikefest São Lourenço acontece dos dias 19 a 21 de maio, na Praça João Lage, em frente ao Parque das Águas, cartão postal de São Lourenço. Já o Bikefest Tiradentes será dos dias 21 a 25 de junho, no Santíssimo Resort e na Praça da Rodoviária de Tiradentes.

World Class Competition no BCB São Paulo
O World Class Competition está confirmado para acontecer no BCB São Paulo, nos dias 5 e 6 de junho, no Pavilhão da Bienal do Ibirapuera. Esta será a terceira vez que a fase final do campeonato, promovido pela Diageo, estará entre as atrações do evento, que reúne bartenders, mixologistas, distribuidores, varejistas, empresários do setor e comerciantes de bares e restaurantes para conferir os principais lançamentos, conteúdos e tendências que podem impulsionar negócios. O credenciamento para a edição de 2023 já está aberto.

Produção de alcoólicas mantém trajetória de crescimento e sobe 2,7%

Após registrar crescimento de dois dígitos em fevereiro (13,2%), resultado provocado sobretudo pelo carnaval, a produção de bebidas alcoólicas manteve sua tendência de alta em 2023. A atividade saltou 2,7% em março, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, e fechou o primeiro trimestre de 2023 com alta de 5,5%.

Os dados foram divulgados na Pesquisa Industrial Mensal, do IBGE, que também apontou variação positiva, de 1,4%, da produção de bebidas alcoólicas no período de 12 meses iniciado em abril de 2022.

Leia também – Heineken investirá R$ 1,5 bi em fábricas do Nordeste; veja impacto nas marcas

Avaliação divulgada pela XP Investimentos, publicada no seu Monitor da Indústria de Bebidas, destaca que o resultado traz boas perspectivas para 2023, com expectativa de crescimento da atividade na comparação com o ano passado.

“A produção de bebidas alcoólicas ficou 5% acima das estimativas do nosso modelo de regressão e, devido a um início de ano sólido, nosso modelo de regressão prevê um aumento de volumes em relação ao ano anterior”, afirma, também apontando que a sazonalidade deve provocar variações na busca pelas bebidas alcoólicas ao longo do ano, o que pode ser positivo para as cervejarias.

“Uma mudança interessante para 2023 deve ser a volta à sazonalidade histórica, o que é positivo para as estratégias comerciais das empresas, principalmente considerando que o primeiro evento social (carnaval) foi positivo considerando a produção do setor no 1T23, gerando otimismo para os próximos gatilhos de demanda no calendário do ano”, acrescenta.

Outras bebidas
Também seguindo a tendência de alta, a produção nacional de bebidas não alcoólicas cresceu 1,2% em março na comparação com o terceiro mês de 2022, uma expansão que ficou 15% acima da previsão da XP, “aumentando fortemente as estimativas para o ano”.

O desempenho no mês de março fez o segmento de não alcoólicas acumular alta de 4,2% no primeiro trimestre de 2023. Já no período de 12 meses, o indicador está positivo em 7%.

O IBGE também informou que a fabricação de bebidas registrou aumento de 2% ante o mesmo mês do ano passado. Com isso, o segmento totaliza alta de 4,8% nos três primeiros meses de 2023. E o crescimento da atividade é de 4,1% de abril de 2022 até março deste ano.

Produção industrial avança em março
O desempenho da fabricação de bebidas em março foi importante para a atividade industrial brasileira, que, de acordo com o IBGE, conseguiu inverter a tendência de queda dos meses anteriores e cresceu 1,1% frente a fevereiro na série com ajuste sazonal.

Na comparação com março de 2022, na série sem ajuste sazonal, houve crescimento de 0,9%. Apesar disso, a produção industrial segue negativa em 2023, agora em -0,4%. Já no período de 12 meses, fica estável (0,0%). Agora, então, o nível da produção industrial está 1,3% abaixo do momento pré-pandemia (fevereiro de 2020) e 17,9% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.

Das 25 atividades investigadas pela pesquisa, 16 avançaram em março. Entre elas, as principais influências sobre o índice geral vieram dos setores de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (1,7%), máquinas e equipamentos (5,1%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (6,7%).

“Os dois primeiros meses de 2023 foram marcados por queda, embora não tivessem disseminação do resultado negativo entre as atividades. Em março, a maior parte das atividades também ficou no campo positivo e a indústria marcou um crescimento que não era visto desde outubro do ano passado (1,3%). Então há uma melhora de comportamento da produção industrial, especialmente considerando esse crescimento de magnitude mais elevada, mas ainda está longe de recuperar as perdas do passado recente”, explica o gerente da pesquisa, André Macedo.

Brasil fica sem medalhas pela 2ª edição seguida da World Beer Cup

As cervejarias do Brasil não tiveram o que comemorar na World Beer Cup em 2023. Na noite de quarta-feira, nenhuma medalha foi distribuída para marcas do país, na segunda edição consecutiva sem premiações para representantes brasileiros na prestigiosa competição promovida pela Brewers Association, a associação das cervejarias artesanais e independentes dos Estados Unidos.

A edição deste ano foi a 14ª da história da World Beer Cup, que em 2023 mudou a sua periodicidade, deixando de ser bianual para acontecer em todos os anos. A competição anterior havia sido em 2022, encerrando um hiato de quatro anos sem a realização da disputa, que não aconteceu em 2020, por causa da pandemia do coronavírus. Assim, as cervejarias do Brasil não conquistam medalhas na disputa desde a World Beer Cup de 2018.

Leia também – Balcão da Nadhine: Impactos da guerra na Ucrânia no mercado cervejeiro húngaro

Em 2023, a competição aconteceu na cidade de Nashville, no Tennessee, concomitantemente a dois outros eventos: a Craft Brewers Conference e a Brew Expo America. Em número de participantes, a disputa não conseguiu superar a competição de 2022, quando houve 10.542 inscrições de 2.493 cervejarias, que representaram 57 países. Dessa vez, 10.213 rótulos foram inscritos por 2.376 marcas de 51 nações diferentes.  

Essas cervejas foram avaliadas por 272 juízes de 26 países em 18 sessões e 9 dias. Esse painel foi o responsável por definir as 307 medalhistas em 103 categorias diferentes. Duas delas não distribuíram ouros: Experimental IPA e English Ale.

A categoria mais concorrida da World Beer Cup foi, mais uma vez, a disputa entre as IPAs, com 412 participantes. E a ganhadora foi a Head Hunter, da Fat Brewery, da cidade de North Olmsted, em Ohio.

Entre as cinco categorias mais concorridas da premiação, a única que não teve triunfo de uma marca dos Estados Unidos foi a disputa entre as Light Lagers. Nesse caso, a medalha de ouro foi para a canadense Le Corsaire.

Os Estados Unidos, como é natural, foram o país com mais cervejas inscritas – 8.135. O Top 5 entre as participantes ainda teve Canadá (444), Japão (223), Alemanha (189) e Austrália (152).

Hora do Gole estreia nova temporada com mudanças e protagonismo negro

Uma pausa para inspirar e provocar as pessoas a olharem além da bebida. Essa é a proposta do podcast Hora do Gole, apresentado pelo escritor, sommelier e criador de conteúdo Eduardo Sena. A sexta temporada do podcast estreia nesta quarta-feira, com convidados inéditos e mudanças no formato.

Em mais um ano na ativa, o Hora do Gole promete continuar trazendo pessoas que estão inspirando, mudando e provocando mudanças na indústria, em seu mercado e nas comunidades. E a luta antirracista permanece no foco, com mais uma edição do Especial Temporadas Negras.

Leia também – Doemens cria selo que premiará excelência sensorial das cervejas

O especial, em novo formato, acontecerá ao longo do ano. Serão duas minisséries, trazendo as potências negras que estão fazendo a diferença. “O país vive um momento de retomada do protagonismo negro em lugares onde não éramos representados. É urgente inspirar, provocar e seguir contando jornadas de luta e conquista que causam impacto social imediato, mexem com a autoestima e transformam vidas pretas”, pontua Sena.

A estreia da nova temporada traz os jornalistas Itamar Cardin e Leandro Silveira, do Guia da Cerveja. No episódio, eles contam detalhes da pesquisa “O Ano de 2022 para as Cervejarias”. O estudo exclusivo e inédito traça o panorama do setor cervejeiro, com dados de 2022, perspectivas para este ano e perfil do segmento de artesanais, com gráficos e análises. Os demais convidados serão conhecidos próximo do lançamento dos episódios.

Ao longo de cinco temporadas, já passaram pelo podcast nomes como Adriana Barbosa, CEO da Feira Preta, Vanessa Brandão, diretora de marketing do Grupo Heineken, Rafa Lotto, sócia da Youpix, Ary Nogueira, sócio da Agência Gana, e Egnalda Côrtes, sócia da Côrtes Companhia.

Nova temporada do Hora do Gole

A nova temporada do Hora do Gole também terá diferença na duração, com os episódios se estendendo ao longo do ano. Além disso, o podcast passa a ser quinzenal, com sua publicação mudando de terça para quarta-feira.

Para viabilizar o projeto, uma nova campanha de financiamento coletivo online (apoia.se/horadogole) também foi criada. Entre as novidades, além de participar de gravações e de um grupo exclusivo, os apoiadores também têm acesso a sorteios, brindes e podem ter uma mentoria com o criador do podcast, que já ajuda profissionais sobre temas como criação de conteúdo, mudança de carreira, branding e marketing cervejeiro.

Para Sena, as mudanças possibilitam que o programa fique mais dinâmico e mais próximo da audiência. “Isso ajuda a manter o podcast no ar e a trazer temas e papos que as pessoas realmente querem ouvir”, celebra.

É possível acompanhar o Hora do Gole no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts, Amazon Music e nos principais agregadores de podcast.

Confira o primeiro episódio:

Adeus à revolucionária: Ousadia de Rita Lee rendeu cerveja criada por mulheres

Foi preciso muita ousadia para ser Rita Lee. Falecida nesta terça-feira, aos 75 anos, a cantora contou com seu talento e sua postura libertária para conquistar um espaço raro na música e, principalmente, no rock do Brasil para as mulheres, o que garantiu tanta identificação com o público que lhe rendeu uma homenagem, eternizando Rita Lee em uma cerveja.

Sem se prender a classificações, ela transitou na sua carreira do rock psicodélico ao pop grudento das rádios, passando de raspão pela MPB e sendo a mais importante mulher do rock brasileiro. Paulistana, foi, como dito por Caetano Veloso, “a mais completa tradução” de São Paulo, também tendo cantado que “nem toda brasileira é bunda”.

Leia também – 41% das cervejarias seguem com faturamento abaixo do nível pré-pandemia

Ocupando um lugar raro para mulheres, inspirou outras daquelas que buscam espaço no segmento cervejeiro, que se lembraram dela na criação de uma das suas bebidas. Surgida em meio à pandemia, como uma ideia de quatro mulheres, se sentiu “ousada em entrar num mercado dominado por homens”. E decidiu homenagear mulheres ousadas em seus rótulos.

A primeira cerveja, então, uma Red Ale, lançada em 2021, recebeu o nome de Rita, para reconhecer a importância de Rita Lee, conectando a cerveja com essa mulher ousada, de cabelo vermelho e que conquistou seu espaço no universo da música, marcadamente masculino, assim como é o ambiente da cerveja.

“Quando começamos a produzir, buscamos por muito tempo uma inspiração pra nossa primeira ousada, dentre vários nomes, escolhemos você! Um ser de luz, de cores, de vida e de muita ousadia. Buscamos inspiração na cor dos seus cabelos pra nossa Red Ale, buscamos a inspiração na força de uma mulher que nunca abaixou a cabeça e que seguiu plenamente ousando na sua trajetória. Gratidão por tanto, Rita Lee”, publicou a Ouse Beer em seu perfil no Instagram.

A cerveja, assim, homenageia a trajetória única de Rita Lee, iniciada ao lado dos irmãos Sérgio e Arnaldo Baptista. Com eles, não apenas formou uma das mais inventivas bandas da história da música, como protagonizou um papel raro: a de vocalista principal de uma banda de rock, um espaço, ainda hoje, praticamente inabitável para as mulheres.

Depois, sem a mesma psicodelia dos irmãos Baptista, ao lado de quem eternizou músicas como Ando Meio Desligado, seguiria à frente de uma banda, mas agora com seu nome já aparecendo: Rita Lee & Tutti Frutti – e uma boa dose de humor. Foi ali que surgiram clássicos como Jardins da Babilônia e Agora Só Falta Você.

O rock seria, depois, trocado pelo pop romântico, demonstrando como Rita Lee tinha multifacetas. E ao lado do eterno companheiro Roberto de Carvalho, veio, de vez, a explosão para as massas, com a cantora pop e de muitos temas de novela: Lança Perfume, Mania de Você, Banho de Espuma, Desculpe o Auê e muito, muito mais. Na carreira solo – ou em muitas parcerias –, muitos outros clássicos surgiram, como Esse Tal de Rock Enrow, Baila Comigo e Doce Vampiro.

Da criatividade do tropicalismo às canções populares, exibiu irreverência e deboche para encarar um Brasil careta e cinza. Assim, quebrou barreiras e conquistou espaços, como muitas mulheres ainda buscam fazer no meio cervejeiro do Brasil, em uma realidade que a Ouse Beer quis retratar ao lembrar de Rita Lee em uma das suas criações, mesmo sendo cuidadosa em não utilizar diretamente referências à artista, que expôs, de modo corajoso, ter sofrido problemas com o álcool.


Além de homenagear Rita Lee, a Ouse Beer também possui outros três rótulos: Lélia (Gonzalez, pioneira nos estudos sobre a cultura negra no Brasil), Tina (Valentina Tereshkova, primeira mulher a ir para o espaço) e Marta (melhor jogadora da história do futebol feminino).

Novas homenagens devem surgir, enquanto a Ouse Beer, marca cigana do Rio de Janeiro, espera ver as mulheres conquistando mais espaço no setor da cerveja artesanal, como Rita Lee sacudiu o universo musical do Brasil.

Especial Vidro: Da cor ao peso, garrafas se adaptam para atrair público

As variadas opções para envase de cerveja em garrafas de vidro colocam os responsáveis pelas marcas diante de uma importante decisão a ser tomada: qual design dessa embalagem adotar para comercializar a sua produção. A resposta, que não é óbvia, tem passado por tendências que envolvem a oferta de garrafas de vidro com uma gama variada de cores, assim como pela busca por soluções cada vez mais leves, além da percepção de que cada formato pode enviar uma mensagem ao consumidor.

Na avaliação de Lucien Belmonte, superintendente da Associação Brasileira das Indústrias de Vidro (Abividro), o trabalho da indústria passar por entender quais são os desejos dos consumidores, aliando o atendimento do interesse desse público com tendências que levem a garrafa para cada vez mais ocasiões de consumo.

Leia também – Por circularidade do vidro, programa quer criar 1,5 mil pontos de coleta

“O consumidor quer unir economia, praticidade e funcionalidade em um produto que seja mais verde, com o menor impacto ambiental possível. Estamos nessa disputa, sabendo que existem ocasiões de consumo para cada tipo de embalagem. E, claro, queremos levar o vidro para cada vez mais momentos”, diz.  

Além de atender as demandas dos consumidores, observando tendências de mercado, cervejarias que trabalham com garrafas de vidro também buscam oferecer inovações para aproveitar o impacto e conquistar novos públicos a partir da percepção da qualidade da marca, provocada pela embalagem e seu design.

“Se uma cervejaria tem uma embalagem de um material nobre, único e atraente, isso pode ajudá-la a se posicionar em um mercado cada vez mais competitivo, além de ajudar a aumentar a percepção de qualidade da cerveja. Uma embalagem, como uma garrafa de vidro, por exemplo, elegante e bem projetada pode sugerir que a cerveja é de alta qualidade, mesmo que o consumidor nunca tenha experimentado a marca antes”, comenta Alexandre Oliveira, diretor comercial da Verallia.

O superintendente da Abividro aponta, ainda, que a busca contínua por melhorias nas garrafas de vidro passa por aspectos que também atendem e são tendências em outras indústrias, como a procura por materiais mais leves.

“O vidro vive se reinventando, mesmo sendo tão antigo. O aliviamento de peso é um desejo enorme, sendo preciso lidar com o desafio das propriedades físicas e químicas do produto envasado”, diz, lembrando que a indústria realiza trabalhos de busca pela leveza em outras áreas onde o vidro é empregado. “É assim, também, com a tela do telefone celular. São vanguardas que estão sendo buscadas para reafirmar a qualidade desse produto”, acrescenta.

Bastante presente entre as grandes cervejarias, a adoção da variedade das cores também já chegou ao segmento de artesanais. É o caso, por exemplo, da Louvada. A marca mato-grossense, fundada em 2015, possui mais de 20 rótulos em seu portfólio. E, recentemente, escolheu a long neck verde esmeralda para envasar a sua German Pilsner, em uma parceria com a Verallia.

“Escolhemos a garrafa verde da Verallia para enfatizar a origem da receita e o estilo de cerveja, pois é tradicionalmente associada a cervejas europeias, especialmente as alemãs. Além disso, seguimos uma lógica que tem a ver com a receita alemã centenária”, afirma Paulo Fortunato, sócio-fundador e gerente de produção da Louvada, explicando as razões que motivaram essa opção.

De acordo com a Verallia, essa novidade está em consonância com a demanda dos consumidores por soluções mais sustentáveis. “O recente lançamento da multinacional pertence a categoria Ecova, que alia redução de impactos ambientais e qualidade, visando atender especialmente o mercado microcervejeiro” explica Alexandre Oliveira, diretor comercial da empresa.

Mensagens dadas por formatos e estilos

A Louvada avalia que a cor e o design atraem a atenção dos consumidores, ajudando a diferenciar a sua German Pilsner de outras opções presentes no mercado, ao agregar valor e autenticidade à marca. Não à toa, de acordo com Fortunato, a novidade é um dos rótulos mais vendidos do portfólio da cervejaria.

“A Louvada German é o terceiro produto mais vendido da marca e acreditamos que o sucesso é devido à soma de fatores: embalagem verde, design, ingredientes de alta qualidade e o sabor único que só uma Louvada tem”, relata.

A variação de design tem como foco atrair a atenção do consumidor e se diferenciar no mercado. O tamanho, afinal, pode influenciar a percepção do consumidor em relação ao valor da cerveja, como avalia o diretor comercial da Verallia.

“Garrafas maiores podem ser associadas a um maior valor ou a uma experiência compartilhada, enquanto garrafas menores, como as long necks, podem ser vistas como mais exclusivas e práticas para serem tomadas individualmente”, diz Oliveira.

Além disso, outro cuidado das cervejarias deve envolver o formato das garrafas, pois, na avaliação do profissional da Verallia, isso possui impacto direto na percepção do consumidor sobre o estilo da bebida.

“Garrafas de formato mais tradicional podem ser associadas a cervejas mais clássicas e conservadoras, enquanto garrafas com formas mais inovadoras podem ser vistas como mais modernas e experimentais”, afirma.

Já o estilo da garrafa pode amplificar a percepção do consumidor em relação à personalidade da marca.

Garrafas com designs mais elaborados e ornamentados podem ser vistas como mais sofisticadas ou tradicionais, enquanto garrafas com designs mais minimalistas e cores diferentes, como verde ou transparente, podem ser vistas como mais modernas ou arrojadas

Alexandre Oliveira, diretor comercial da Verallia

Com tantas possibilidades sendo ofertadas e novas tendências surgindo o tempo todo, o superintendente da Abividro assegura que a indústria de vidro está atenta às novidades desejadas por consumidores e fabricantes de cerveja, modificando e adaptando procedimentos.

“Existe muito trabalho envolvendo peso e mudanças na forma de produção. Existe pesquisa para fazer fábricas menores, mais próximas do centro de consumo. Tem uma revolução industrial para acontecer no vidro”, conclui.

Heineken expande ação de reciclagem de vidro para 10 capitais e mira 5 mil ton

A Heineken deu mais um passo na sua agenda de circularidade e anunciou a expansão do Programa Volte Sempre, focado na reciclagem de vidro, para mais 10 capitais do Brasil. Com isso, espera-se que cerca de 5 mil toneladas de vidro sejam captadas e tenham destinação correta ao longo dos próximos três anos.

Além disso, a estimativa é de que o projeto impeça a emissão de 6,5 mil toneladas de CO2, que seriam lançadas na atmosfera, e reduza a extração de 10 mil toneladas de matéria-prima da natureza.

Leia também – Heineken investirá R$ 1,5 bi em fábricas do Nordeste; veja impacto nas marcas

O Volte Sempre foi iniciado em 2018, por Belo Horizonte. Agora, então, Salvador, Fortaleza, Recife, Goiânia, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis também receberão ações do programa. E essa adesão provoca a estimativa de que mais de 37 milhões de pessoas sejam impactadas nos próximos três anos, gerando uma economia de gastos públicos de mais de R$ 3 milhões.

“Implementar o Volte Sempre em escala nacional é um grande passo para a Heineken. Com o programa, vamos aproximar o consumidor da reciclagem de vidro, criando mais uma maneira de entender, enxergar e praticar a circularidade onde ele é um dos protagonistas. Tornar a nossa cadeia produtiva ainda mais sustentável faz parte da missão da marca de contribuir para cidades mais verdes”, afirma Eduardo Picarelli, diretor da unidade de negócios da marca Heineken no Brasil.

O Volte Sempre, iniciativa de reciclagem de vidro da plataforma Green Your City, do Grupo Heineken, em parceria com a Owens Illinois e o Grupo Seiva, conta com o uso de máquinas de coleta e trituração do material, o programa ajuda o vidro a retornar à cadeia produtiva. Nessa nova etapa, serão instaladas, ao todo, 125 máquinas 4R Glass, fabricadas pela startup Grupo Seiva, em redes de supermercados e condomínios residenciais dessas cidades.

Para o consumidor que deseja participar da ação, basta se dirigir aos equipamentos, se identificar por meio do número de telefone celular e inserir uma garrafa por vez. Além de colher e triturar o vidro, as máquinas também têm sistema de cashback. Quem tiver interesse, deve baixar o aplicativo Ponto Caco, sendo bonificado com uma unidade de Ponto Caco a cada embalagem de vidro depositada nas máquinas. Cada ponto equivale a R$ 0,10 na compra de produtos do Grupo Heineken adquiridos nos supermercados parceiros.

Na fase piloto do Volte Sempre, em Belo Horizonte, as máquinas instaladas em supermercados e condomínios residenciais da capital de Minas Gerais já arrecadaram mais de 460 mil garrafas, com a participação de 5.030 clientes, totalizando 250 toneladas de vidro retornadas à fase inicial de produção.

Outras ações de circularidade
Em março, a Heineken havia iniciado a segunda iniciativa de circularidade do programa com foco em bares e restaurantes. Com a instalação das máquinas JM Sand que são capazes de triturar as embalagens de vidro descartáveis, este volume será substituído por bombonas que armazenam em média 400 long necks trituradas.

Assim, será obtida, de acordo com a companhia, uma economia em sacos de lixo, produtos de limpeza e espaço físico para armazenamento, otimizando a gestão dos resíduos em bares e restaurantes. Todo o material será recolhido por equipes do Grupo Seiva e destinado às instalações industriais da Owens Illinois, responsável pelo beneficiamento e transformação do material em novas garrafas para o Grupo Heineken.

O plano de expansão prevê 143 máquinas em operação até junho deste ano e 763 máquinas até 2025 nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife, contribuindo com a ambição da companhia de ser 100% circular em bares e restaurantes até 2025.

Impactos positivos
Em um intervalo de 60 meses, a iniciativa do Grupo Heineken projeta diversos impactos positivos ao meio ambiente, como a coleta de 115 mil toneladas de vidro, redução de 61 mil toneladas de CO2 lançadas na atmosfera, redução da extração de cerca de 150 mil toneladas de matéria-prima da natureza e redução de mais de 115 mil toneladas de resíduos vítreos destinados aos aterros.

No mesmo período, de acordo com a Heineken, com o programa de reciclagem, haverá uma economia nos gastos públicos de mais de R$ 57 milhões e maximização dos volumes comercializados para a indústria, reduzindo o custo de produção de novas embalagens.

O Grupo Heineken estima que, no Brasil, cerca de 61% do seu portfólio seja composto por embalagens de vidro retornáveis. Dos outros 39% que são descartáveis, aproximadamente 70% são vidro.

Ambev prioriza rentabilidade e tem balanço bem recebido pelo mercado

O indicativo de que a Ambev iria buscar ampliar seu lucro em 2023 com mais foco na rentabilidade do que no aumento de volume começou a ser confirmado com a divulgação do resultado do primeiro trimestre. Afinal, se houve até recuo no volume comercializado no período, em 0,4%, os principais indicadores financeiros, como receita e lucro líquido, apresentaram avanço significativo.

Na Bolsa, na última quinta-feira, data de divulgação do documento, não houve grande impacto do balanço sobre o comportamento da ação da Ambev, que teve alta de R$ 0,05, subindo de R$ 14,58 para R$ 14,63. Mas as equipes de analistas de bancos de investimento avaliaram que a estratégia da companhia é o melhor caminho a ser seguido e pode dar certo.  

Leia também – Chopp Brahma é lançado em lata e será vendido pelo Zé Delivery no Rio

“Nossa ambição e prioridade máxima é expandir a rentabilidade”, disse o CEO da Ambev, Jean Jereissati, durante teleconferência para apresentação dos resultados, dando o tom do foco da companhia, algo bem recebido pelas casas de análise. “Achamos que seria difícil para a Ambev sustentar o forte ritmo de crescimento de volume dos últimos anos”, afirmam analistas do BTG Pactual em relatório.

De acordo com o relatório financeiro, o lucro líquido da Ambev cresceu 8,2% (R$ 3,819 bilhões), o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado (R$ 6,444 bilhões) subiu 16,7% e a receita líquida expandiu 11,3% (R$ 20,531 bilhões).

“Esperamos que essas tendências ganhem mais significativa importância do que os volumes nos próximos trimestres, o que deve acelerar o ritmo de recuperação das margens, em nossa visão. No entanto, a resiliência à pressão de custos é algo a ser observado, mas esperamos um desempenho positivo por ações da Ambev”, afirma a equipe de analistas da XP Investimentos.

Principalmente concorrente da Ambev no Brasil, o Grupo Heineken não divulga números detalhados da sua operação no país em seus resultados financeiros. Porém, afirma que no período de janeiro a março teve incremento de 25% na sua receita no país, com seus volumes crescendo um dígito alto – em torno de 8% e 9% – no período.

A Ambev assegura, porém, que não houve perda de market share no primeiro trimestre, marcado, na indústria da cerveja do Brasil, pela recuperação judicial do Grupo Petrópolis. E conseguiu avançar na obtenção de receita com cerveja. Afinal, ainda que com crescimento de apenas 0,8% no volume de cerveja no Brasil, para 22,191 milhões de hectolitros, houve alta de 14,4% na receita obtida com a bebida no país.

Isso também foi possível pelo desempenho do mix de cervejas da Ambev, pois marcas do portfólio premium e super premium, como Original, Spaten, Corona, Stella Artois e Chopp Brahma, tiveram crescimento no volume de, aproximadamente, 35%.

“Após uma década de contração de margem no segmento de Cerveja Brasil, acreditamos que a empresa pode finalmente passar por um período de recuperação sequencial de lucratividade em 2023 e 2024”, diz o Itaú BBA em relatório divulgado após a apresentação do balanço.

A Ambev espera aprofundar os ganhos em rentabilidade com a perspectiva de menor pressão inflacionária sobre os custos em 2023. E já obteve um resultado inicial positivo, com o aumento de 26,9% na receita líquida por hectolitro consolidada no primeiro trimestre.

Iniciativas de gestão de receitas, mix de marcas favorável, melhor dinâmica on-trade, uma visão mais mix de embalagens lucrativo e a tão esperada retomada de eventos sociais importantes (ou seja, carnaval) são as principais razões para sustentar um crescimento médio de 26,9% na receita líquida por hectolitro

XP Investimentos

Além da busca por mais rentabilidade, a divisão de bebidas não alcoólicas aparece como outro destaque do balanço da Ambev, como ressalta a XP. “Para Brasil NAB, a Ambev manteve o forte momentum e os volumes aumentaram 7% em relação ao ano anterior (+2% ante o estimado pela XP), apesar da difícil base de comparação, com margem Ebitda ajustado aumentando 440 pontos-base ante um ano com marcas premium, de energéticos e de saúde e bem-estar superando a média do portfólio”, diz.

Ambev no mesmo tom da AB InBev
A AB InBev também divulgou seus resultados do primeiro trimestre de 2023 – e com resultados semelhantes ao da subsidiária. A maior cervejaria do mundo teve lucro atribuível aos acionistas de US$ 1,310 bilhão, crescendo 8,81% em relação ao mesmo período do ano passado.

O Ebitda normalizado da AB InBev expandiu 13,6%, para US$ 4,759 bilhões, com a receita indo a US$ 14,212 bilhões, uma alta de 13,2%. E isso se deu com o volume de bebidas expandindo 0,9% no período, para 140,548 milhões de hectolitros, após queda de 0,6% no quarto trimestre. E o crescimento do volume das cervejas do portfólio da companhia ficou em 0,4%, para 121,06 milhões de hectolitros.

“Continuamos a investir no longo prazo e esses resultados reforçam nossa confiança na resiliência da categoria de cerveja, na eficácia de nossa estratégia e na força de nossa plataforma para oferecer um crescimento lucrativo consistente”, diz o CEO da AB InBev, Michel Doukeris.

Ao comentar os resultados por mercado, a AB Inbev relata alta de 4% na receita nos Estados Unidos, mesmo com queda no volume de vendas vendas a varejistas e atacadistas. Na Europa, com foco em marcas premium, a receita cresceu pouco mais de 10%. Já na China, houve acréscimo de 7,4% no volume, acima do ritmo da indústria, de acordo com as estimativas da companhia.

Balcão da Nadhine: Efeitos da guerra na Ucrânia no setor cervejeiro húngaro

Balcão da Nadhine: Impactos da guerra na Ucrânia no mercado cervejeiro húngaro

Como introduzi no texto anterior, a história da Hungria com a cerveja é antiga e remonta à produção das primeiras Lagers. Mas, no contexto moderno, dois grandes marcos são importantes para entender o mercado craft: o fim do regime soviético e 2010.

Com a abertura do mercado, centenas de cervejarias abriram. Essa foi a época de maior número de produtores cervejeiros no país. Conta-se que chegaram a 400 o número de fábricas! O problema é que grande parte dessas empresas abriram sem planejamento, com equipamentos de baixa qualidade e, com pouco tempo, muitas delas fecharam.

Em 2010, como citei anteriormente algumas alterações foram feitas pelo governo, como incentivos financeiros para investimento em novas plantas, uma lei de redução do imposto para as pequenas cervejarias além de uma legislação específica para produção de cerveja caseira. Com isso, o mercado teve uma nova revolução na cerveja nacional húngara.

Mais recentemente, um projeto de lei, apresentado por Lajos Kósa em 2020, determina que pelo menos 20% da venda de cerveja dos restaurantes, pubs, lojas especializadas e prateleiras de supermercados dedicados à venda de cerveja, sejam destinados à cerveja dos pequenos produtores. Essa é outra grande ação do governo para incentivar o mercado de cervejarias artesanais.

Mais de um ano depois do início da guerra na Ucrânia, podemos analisar de maneira mais realista os impactos do conflito no mercado.

Para contextualizar as tensões entre Rússia e Ucrânia, devemos saber que ambos os países são originários de uma mesma raiz étnica e devido às diferenças entre as separações geopolíticas e a separação cultural, algumas regiões não se identificam com o país que possui a administração daquele território, assim como ocorre nas fronteiras da Hungria, Sérvia e Romênia. Apoiados nesse contexto conflituoso e na aproximação da Ucrânia com a Otan, no dia 24 de fevereiro de 2022 aconteceu a invasão das tropas russas ao leste da Ucrânia.

A conjuntura é muito mais complexa e não vou me aprofundar no assunto. Mas já sabemos que o conflito tem um impacto significativo na economia, infraestrutura e estabilidade política que perpassam a Ucrânia. O mundo todo sofre impactos do conflito, mas a guerra atinge muito mais fortemente os países ao redor, com uma crise energética que além do aumento dos preços da energia e a preocupação com a segurança energética, também teve implicações econômicas mais amplas, já que os preços mais altos da energia levaram à inflação e reduziram o crescimento econômico. Isto contribuiu para que os desafios econômicos enfrentados pela Hungria sejam ainda maiores, incluindo altos níveis de dívida e preocupações com a estabilidade financeira.

Eu conversei com o economista Márton Pelles, com Béla Bukovinszky, dono de uma das mais antigas cervejarias artesanais da Hungria, a Szent András Sörfózde, e Ádám Sipos, brand manager da cervejaria First novamente para construção da minha análise e perspectiva futuras. E as previsões não são tão otimistas. O preço do gás aumentou cerca de dez vezes em 2022. Com contratos de longo prazo, a energia ficou com preço fixo até o final deste ano de 2023. Mas estima-se um aumento de preço de 4 ou 5 vezes para 2024.

Além de gás e energia, o preço do malte aumentou 80% por causa da guerra e o preço das garrafas de vidro dobrou, porque as atividades militares danificaram severamente uma fábrica de vidro ucraniana, e as fábricas de vidro checas e alemãs sofrem com o aumento do preço do gás. Somado a isso, devido à alta inflação, houve a necessidade de aumentos salariais significativos. A boa notícia é que um novo malteiro húngaro começou a trabalhar, então cervejarias húngaras puderam usar parte do malte produzido localmente.

A inflação impacta nas mudanças no comportamento do consumidor, incluindo mudanças nos hábitos e prioridades de compra. Os consumidores podem estar mais conscientes do preço e procurar cervejas de menor preço, ou podem priorizar as cervejas produzidas localmente em relação às marcas importadas. O preço médio da cerveja na Hungria subiu aproximadamente 30%. Em situação de crise, os consumidores procuram, pelo menos temporariamente, os produtos mais baratos. Adaptar-se à situação de crise e às mudanças no mercado interno de cerveja artesanal pode significar diferentes estratégias. Eles destacam a necessidade de oferecer aos consumidores produtos de qualidade em diversas faixas de preço, além de manter alto padrão de qualidade e credibilidade de marca. Mas não é possível prever quanto tempo durará esse poder de compra.

O governo húngaro possui algumas ações de incentivo para o desenvolvimento de negócios de cerveja artesanal, como o auxílio financeiro para abertura e baixas taxas de impostos, mas as cervejarias precisam se adaptar e inovar para manter sua competitividade em um mercado que além dos desafios atuais, vive em constante mudança e já aponta sinais de saturação. A credibilidade e a reputação de longa data de uma cervejaria podem ser um fator importante para manter a fidelidade do consumidor em tempos difíceis. Workshops, eventos e constante inovação podem ser importantes atrativos.

O governo húngaro segue uma política econômica nacionalista e tenta ajudar as empresas húngaras de maneira geral. Essas medidas ajudam os produtores menores, mas o mercado decidirá se essas medidas são bem-sucedidas ou úteis. Desde 2010, todas as pequenas cervejarias receberam um desconto de 50% no imposto sobre o álcool, semelhante a outros países europeus como a Alemanha e a República Checa. Durante o período de pandemia de Covid-19, subsídios foram usados ​​para manter trabalhadores, para evitar as demissões em massa no período de crise. Agora, esses subsídios estão disponíveis em setores energia-intensivos, como as cervejarias, para compensar os altos preços de gás e da eletricidade. Mais recentemente, o governo indicou a pretensão de colocar as fábricas menores também no setor de Horeca (hotéis, restaurantes, cafés etc) para terem outros benefícios.

Vale notar que os impactos específicos na comercialização de cerveja dependerão de uma variedade de fatores, incluindo a gravidade e a duração da crise energética e econômica, bem como fatores geopolíticos mais amplos relacionados com o conflito Ucrânia-Rússia. Quanto mais tempo a crise durar, mais nos aproximamos da previsão de Márton do fechamento de pelo menos um terço das fábricas. Para Béla, o maior desafio é a crise energética, e a inflação deve ser contida porque os consumidores estão lentamente impossibilitados de comprar os produtos. Se isso for superado, espera-se que outros 30 anos de sucesso estejam por vir. E nós esperamos por esses anos de sucesso e pelo final desse conflito o mais breve possível, também!


Nadhine França foi a primeira mulher a ocupar a presidência executiva da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), também sendo responsável pela criação e coordenação do Núcleo de Diversidade. É analista de sistemas, cervejeira, beer sommelière, Cicerone Certified Beer Server, juíza internacional de cerveja, organizadora de eventos, concursos e congressos cervejeiros. Hoje mora em Budapeste.

Heineken investirá R$ 1,5 bi em fábricas do Nordeste; veja impacto nas marcas

O Grupo Heineken vai investir R$ 1,5 bilhão em duas das suas fábricas localizadas no Nordeste. A companhia anunciou que o aporte será realizado nas unidades produtivas de Igarassu (PE) e Alagoinhas (BA), tendo como principal foco a ampliação da produção do seu portfólio de cervejas premium e mainstream puro malte.

Em Igarassu, o investimento da Heineken será voltado a triplicar a capacidade produtiva da Amstel e da Devassa, além de aumentar em 45% a operação de linhas de embalagens retornáveis. Na cervejaria de Alagoinhas, o foco da companhia está na ampliação em 60% da produção da marca Heineken.

Leia também – Pode faltar garrafa de vidro para a indústria de bebidas após 2025, alerta estudo

Ao anunciar o investimento em plantas do Nordeste, o presidente do Grupo Heineken, Mauricio Giamellaro, destacou a importância estratégica dessa região para a companhia, assim como do aumento do consumo das cervejas do portfólio premium da companhia.

“O puro malte de Heineken ganhou o Brasil e chegou ao nosso portfólio mainstream puro malte que também segue crescendo no país. Temos uma jornada consistente de premiumnização em todo o mercado nacional, com destaque para a região Nordeste, que tem se tornado cada vez mais relevante na nossa estratégia de crescimento sustentável no país”, afirma Giamellaro.

A Heineken relatou que os aportes nas fábricas do Nordeste incluirão ações para a melhoria da eficiência hídrica da unidade de Igarassu. Com o foco de reduzir o consumo de água em 30% em três anos, serão implementadas tecnologias de alta performance. Para isso, a companhia ampliará parcerias com outras empresas instaladas na região para reutilização do efluente tratado.

A companhia também explicou que a planta de Igarassu funcionará com fontes de energia 100% renovável, a exemplo de biogás e biomassa, permitindo também uma redução de 25% no consumo de energia térmica.

Durante o período de obras na sua unidade em Pernambuco, a Heineken prevê a criação de 700 postos de trabalho, além das 130 vagas diretas para o momento da operação que, somadas ao número atual de colaboradores da cervejaria, totalizam mais de mil empregos no estado.

“O estado celebra o anúncio desse investimento bilionário do Grupo Heineken com a certeza de que a companhia não só ampliará suas atividades em Pernambuco, como também irá melhorar a eficiência da utilização dos recursos naturais. É um projeto que vai gerar mil empregos, conectado ao desenvolvimento sustentável”, afirma Raquel Lyra, governadora de Pernambuco.

Aporte de R$ 4,6 bilhões em 4 anos
Com o novo anúncio de investimento no país, o Grupo Heineken calcula ter aportado R$ 4,6 bilhões no Brasil nos últimos quatro anos. Em 2020, a companhia investiu R$ 865 milhões na ampliação da unidade de Ponta Grossa (PR). Em 2022, realizou aporte de R$ 1,8 bilhão para construir uma cervejaria em Passos (MG). Também no ano passado, as unidades de Jacareí e Araraquara, em São Paulo, receberam investimentos de R$ 320 milhões para expansão e ampliação de práticas ESG.