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Guia na Copa: Entenda polêmica sobre show de Ludmilla em evento da Bud

A Copa do Mundo já entrou nas suas fases decisivas no Catar, aumentando o interesse pelos jogos, mas a competição tem movimentado o globo bem antes de a bola rolar, mostrando que o seu impacto é muito maior do que o esportivo. Tanto é que a cantora Ludmilla, uma mulher preta, bissexual e casada com outra mulher, mostrou que pode causar tão ou mais alvoroço na sociedade quanto o espetáculo dos craques em campo.

Se artistas como Shakira e Dua Lipa anunciaram a recusa em participar da cerimônia de abertura da competição, supostamente em função do histórico de desrespeito aos direitos humanos pelo Catar, Ludmilla aceitou ir até o país para uma apresentação, atendendo ao convite da Budweiser, marca patrocinadora da Copa, e exibiu satisfação pela oportunidade. “Só vai dar o Brasil. A nossa seleção brasileira em campo e a Rainha da Favela com Budweiser no palco. Tô muito feliz com o convite!”, escreveu, em seu perfil nas redes sociais.

A apresentação provocou críticas a Ludmilla, pela presença em um país onde a homossexualidade é tratada como crime e onde vigora um sistema de tutela da mulher pelo homem, mas também a colocou em uma posição de destaque em um esporte majoritariamente masculino.

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Com essas contradições, a participação da cantora em um evento deste porte também é vista como uma “vitória”, sobretudo porque a além de sua cor e de sua origem, Ludmilla ganhou projeção no segmento artístico com ritmos musicais que não são universais, como o pagode e o funk.

“Nesse sentido, é uma vitória, embora saibamos que o Catar é um país que discrimina pessoas que têm a orientação sexual da Ludmilla. Mas, infelizmente, pessoas negras têm pouca possibilidade de negar convites como esses. Porque se elas negam, vão ser punidas por isso durante muito tempo”, avalia Marivânia Conceição Araújo, doutora em Ciências Sociais pela Unesp, professora associada da Universidade Estadual de Maringá e coordenadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares Afro-Brasileiros.

É uma vitória que Ludmilla tenha sido convidada e eu compreendo perfeitamente, porque infelizmente o racismo impede que pessoas negras tenham a possibilidade de escolher suas áreas de atuação e de mostrar o seu trabalho

Marivânia Conceição Araújo, doutora em Ciências Sociais pela Unesp

Para a especialista, as restrições às mulheres, à liberdade de expressão e às liberdades individuais no Catar impedem que a presença de Ludmilla cause qualquer impacto relevante dentro do país. “Acho que a presença da Ludmilla vai ser mais importante provavelmente fora do Catar. Repercussão da apresentação dela, da excelência do trabalho, isso vai ser mais importante para ela como um artista no Brasil e também em outros países do mundo”, diz.

Por outro, a especialista avalia que a Copa do Mundo irá deixar algumas marcas positivas na população do Catar, embora não acredite que servirá como catalisadora de mudanças profundas na sociedade.

“Trata-se de uma sociedade tradicional-religiosa e com uma visão do mundo bastante conservadora e fundamentalista. Sendo assim, é difícil que todo esse conjunto de características se modifique por conta de um evento que acontece, embora seja um evento mundial, e muito grande, durante um mês”, explica. “Depois desse mês [de duração do evento], a realidade, a vivência vai permanecer de modo tradicional, como sempre foram. Essas mudanças podem acontecer de modo muito lento e provavelmente uma mudança interna, dentro da própria população, dentro da própria sociedade que vivencia todas essas limitações dos direitos humanos no Catar”, finaliza.

No palco e no centro do debate
A convite da Budweiser, Ludmilla se apresentou na última quinta-feira (1º), no “The Bud World Club”, um espaço dedicado a receber torcedores em Doha. Antes de viajar, por meio de suas redes sociais, ela declarou que sua ida ao país possibilitaria ações para a causa LGBTQIAP+.

“Desde que recebi o convite, fiquei pensando em como poderia contribuir com as causas LGBTQIA+ além da minha existência, resistência e tudo que represento. Para mim, não faria sentido não devolver algo para minha comunidade, já que aqui, o Brasil, é o país que mais mata pessoas LGBTQIA+ no mundo”, diz.

Ludmilla relatou, ainda, que terá o apoio da Budweiser nessas iniciativas. “Tive a ideia e chamei a Budweiser, (vamos) começar um movimento de apoio a instituições que apoiam pessoas da comunidade, seja com iniciativas criativas, de acolhimento ou recursos básicos. Iremos escolher 5 instituições para apoiar durante todo o ano de 2023”, completa a cantora.

1ª Copa no Oriente Médio
Neste ano, o Catar se tornou o primeiro país do Oriente Médio a sediar a competição global. Mas não sem polêmicas e críticas. No mês passado, a Human Rights Watch, organização internacional de direitos humanos, publicou relatório denunciando que a Copa seria disputada após de graves abusos trabalhistas de pessoas imigrantes e dos direitos humanos no país.

“A Federação Internacional de Futebol (Fifa) concedeu os jogos ao Catar em 2010, sem realizar a devida diligência de direitos humanos e sem estabelecer condições sobre proteções para trabalhadores imigrantes que seriam necessários para construir a infraestrutura massiva. A Fifa também não avaliou as preocupações com os direitos humanos de jornalistas, ou a discriminação sistêmica que mulheres, pessoas LGBT e outros enfrentam no Catar’”, destaca a publicação.

De acordo com a Human Rights Watch, apesar das repetidas advertências sobre as condições de trabalho nos estádios, “a Fifa fracassou em impor rígidas condições para proteger os trabalhadores e tornou-se uma facilitadora complacente dos abusos generalizados sofridos pelos trabalhadores, incluindo a cobrança de taxas ilegais de recrutamento, não pagamento de salários, ferimentos e mortes”, diz.

Em maio, a Human Rights Watch e outras organizações de direitos humanos, sindicatos e grupos de torcedores pressionaram as autoridades da Fifa e do Catar em uma Carta Aberta Conjunta e uma campanha para fornecer uma reparação para os abusos sofridos pelos trabalhadores, incluindo compensação financeira por não pagamento de salário ou lesões, e às famílias dos falecidos.

Direitos das mulheres, LGBTQIA+ e de expressão
A Human Rights Watch também publicou um relatório com as leis, regulamentos e práticas que impõem regras discriminatórias de tutela masculina no país anfitrião da Copa. São adotadas práticas que negam às mulheres o direito de tomar decisões importantes sobre suas vidas.

“As mulheres no Catar devem obter permissão de seus guardiões do sexo masculino (membros da família do sexo masculino) para se casar, estudar no exterior com bolsas do governo, trabalhar em muitos empregos do governo, viajar para o exterior até certas idades e receber certos cuidados de saúde reprodutiva”, conta.

Além disso, os direitos dos LGBTQIA+ também não são respeitados naquele país, como pontua a organização, lembrando que o código penal do Catar pune relações sexuais consensuais entre homens maiores de 16 anos. A liberdade de expressão e de imprensa também não são respeitadas no Catar, como ressalta a Human Rights Watch. “O código penal do Catar criminaliza criticar o [monarca e chefe de Estado] emir, insultar a bandeira do Catar, difamar a religião, incluindo blasfêmia, e incitar a ‘derrubada do regime’”, diz.

Dentro de campo
Todas as polêmicas envolvendo a Copa do Mundo no Catar também se refletiram dentro de campo, com protestos e manifestações de seleções. Às vésperas do início dos jogos, a Fifa anunciou a proibição da utilização das braçadeiras “One Love” que seriam usadas como protesto por seleções europeias. O símbolo One Love traz uma mistura de cores que representam as diferentes raças, origens, identidades de gênero e orientações sexuais. Segundo a Fifa, a utilização do item provocaria aplicação de punições esportivas aos atletas.

Diante disso, os alemães, no jogo de estreia, contra o Japão, fizeram um protesto contra o silenciamento e taparam suas bocas com as mãos. Contra o racismo, os jogadores de Inglaterra e País de Gales, por sua vez, se ajoelharam juntos em protesto no meio de campo e antes do apito inicial. Os atletas ingleses já haviam se ajoelhado em protesto também antes dos jogos contra Irã e Estados Unidos.

Masterpiece, Wienbier e Colorado vencem prêmio Lata Mais Bonita do Brasil

Cervejas da Masterpiece, da Wienbier e da Colorado foram as grandes vencedoras da segunda edição do prêmio Lata Mais Bonita do Brasil, promovido pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas) e que teve a sua premiação realizada na noite de terça-feira (6), no Rio de Janeiro.

A competição é organizada pela Abralatas para reconhecer o trabalho de design da indústria cervejeira nas latas. E a disputa é dividida em categorias, de acordo com a capacidade produtiva das cervejarias envolvidas na premiação.

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Criada em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, a cerveja “Às Mulheres”, da carioca Masterpiece foi a campeã na categoria microcervejaria (produção anual de até 2,5 milhões de cervejas em lata). A latinha vencedora tem o desenho de duas mulheres, feito pela artista Pri Barbosa para representar a força feminina. O pódio da disputa entre as microcervejarias também contou com a “Viking Imperial IPA”, da também carioca Odin, no segundo lugar, e a “Helles de Curitiba”, da paranaense Bodebrown, na terceira posição.

“Ficamos muito honrados e felizes com o resultado porque é a materialização de um projeto que foi pensado para ser todo executado por uma equipe de mulheres do início ao fim, desde a produção da lata física até o envase final, tudo foi feito por profissionais femininas. Foi um projeto especial e estamos muito felizes”, diz o CEO da Masterpiece, André Valle.

Na disputa do Lata Mais Bonita do Brasil entre as médias cervejarias (entre 2,5 milhões e 60 milhões de unidades/ano), o principal destaque foi a Wienbier, marca da paulista NewAge. Ela foi a campeã, com a “Wienbier 59 Session IPA”, e a segunda colocada, com a “Wienbier 60 APA”. Já a “Bierbaum Lager”, da catarinense Bierbaum, completou o pódio.

“Para nós esse prêmio é muito importante, pois traz um reconhecimento em nível nacional e que vai valorizar ainda mais a marca Wienbier no mercado, além de nos dar mais visibilidade fora do eixo sul-sudeste”, afirma o designer da NewAge, Rodrigo Beck.

E a competição entre as grandes cervejarias (mais de 60 milhões de unidades/ano) teve o domínio total da Ambev, que inscreveu suas latinhas através do ZX Ventures, o seu grupo de inovação. A campeã foi a “Colorado Indica”, com a “Goose Island Midway Session IPA” em segundo lugar e a “Patagonia IPA”, em terceiro.

“A Indica foi a primeira IPA produzida no Brasil e já nasceu com esse rótulo e hoje está sendo reproduzida em lata trazendo essa tradição e representando o lúpulo dessa IPA inglesa e tradicional. Representa demais para nós ainda hoje receber prêmios de design porque percebemos que nossa criatividade continua fluindo muito bem e representando o legado dos nossos criadores”, avalia o representante da Colorado/Ambev, Rudson Ferdinando.

Método de votação e histórico
A escolha das campeãs do Lata Mais Bonita do Brasil passou pela avaliação de jurados e pela votação do público, que escolheu as três latas mais bonitas nas três categorias da competição.

“As latinhas vem conquistando a preferência dos consumidores brasileiros dia após dia. Premiar a mais bonita do Brasil é uma tarefa difícil com tantas cores, rótulos, desenhos e tamanhos. Recorremos a uma equipe de designers e profissionais especializados e contamos com milhares de votos do público consumidor”, relata o presidente da Abralatas, Cátilo Cândido.

Com duas edições realizadas, a Colorado é a única bicampeã da premiação, pois em 2021 havia triunfado com a Appia entre as grandes cervejarias. Já as vencedoras, no ano passado, nas demais categorias foram Rambeer Cervejarias, entre as micro e pequenas cervejarias, e Salva Craft Beer, entre as médias cervejarias.

Mondial começa no Rio; veja lançamentos, novidades e atrações

Considerado um dos principais festivais cervejeiros do mundo, o Mondial de la Bière Rio volta a ser realizado em 2022 com a aposta na versatilidade, pois, ao mesmo tempo em que continuará sendo o palco de importantes lançamentos das principais marcas de artesanais, também ampliou o foco gastronômico.

Será isso que o público poderá perceber na Marina da Glória, palco do festival pelo segundo ano consecutivo, desta quarta-feira (7) até o próximo domingo (11). Assim, o Mondial, em 2022, terá, entre outras atrações, cinco restaurantes comandados por renomados chefs, um deles de Paulo Yoller, vencedor do Cook Island, programa do canal de tevê GNT, em uma biergarten montada na estrutura do evento.

Não faltará, claro, espaço para as cervejarias. Elas vão ocupar o galpão da Marina da Glória, com mais de 1.500 rótulos de artesanais plugados nas torneiras. E assim como sempre ocorre, o Mondial também investiu nas apresentações musicais, que estarão divididas em dois palcos.

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Essa área de shows, aliás, contará com uma das inovações do Mondial em 2022. O bar do espaço Biergarten, com 48 torneiras, será turbinado pelo myTapp Fast, com o intuito de agilizar o atendimento e reduzir filas. Estarão instaladas máquinas de serviço de chope automatizadas, com o consumidor só precisando escolher a torneira com o rótulo de cerveja que deseja, aproximar o cartão de consumo, posicionar o copo e aguardar o seu preenchimento.

 “Nós já validamos o produto com um projeto piloto na Oktoberfest Blumenau, um dos maiores eventos cervejeiros das Américas, com oito torneiras myTapp Fast ao longo dos 19 dias de festa. Depois de alguns ajustes para melhorar ainda mais a usabilidade, estamos prontos para oferecer uma experiência incrível para o Mondial de La Bière, que tem um público exigente, que entende de cerveja e espera um serviço de alta qualidade”, comenta Nilana Rodrigues de Souza, sommelière de cervejas e gerente comercial da myTapp.

Lançamentos
Com cervejarias confirmadas em 81 estandes, o Mondial será, novamente, uma ótima oportunidade para apresentação de novidades ao público. Tanto é que várias marcas adiantaram quais serão as novidades que apresentarão ao público a partir desta quarta-feira.

Como acontece em todas as edições do Mondial, a Rota Cervejeira RJ produziu um rótulo colaborativo com a participação das suas integrantes. É a Red Moutain, uma Red Ale com morangos frescos da cidade de Nova Friburgo, produzida no Centro Cervejeiro da Serra. A receita ainda conta com lúpulos da variedade Zeus, colhidos em Teresópolis. A novidade tem 4,5% de graduação alcoólica, com 28 IBUs de amargor, e estará plugada nos estandes de Alpendorf, Doutor Duranz e Madbrew,

A cervejaria niteroiense Noi apresentará sua Extra Special Bitter, cerveja da escola inglesa, com 5% de graduação alcoólica e 34 IBUs de amargor. Além disso, terá outras 12 opções em suas torneiras, como a Diavolo, medalhista de ouro no World Beer Awards, e a experimental “Aqui é Dablius!”, uma Sour com tangerina, acerola e maracujá, exclusiva para o Mondial de 2022. Outra novidade é a Negro Gato, da W*Kattz, marca incorporada pela Noi. Se trata de uma Black IPA com 6% de graduação alcoólica e amargor potente, de 45 IBUs.

 “Costumo dizer que se você gosta de artesanais e não vai estar no Mondial, está errado! Brincadeiras à parte, nós sempre levamos o que temos de melhor e mais fresco, porque sabemos que o povo vem com sede de cerveja boa”, diz Bárbara Buzin, diretora da Noi.

Por sua vez, a microcervejaria paulistana Cybeer Lab vai aproveitar a sua presença no Mondial de 2022 para lançar uma Barley Wine maturada em barricas de vinho do Porto. Além dela, também será apresentada ao público durante a Hacking Goose, New Zealand Hop Lager dourada clara feita com os lúpulos Hiwaka e Nelson Sauvin, da Nova Zelândia.

A Carioca Brewing vai lançar a Witgal, uma Witbier em homenagem ao Vidigal. Já a Cervejaria Maraú, em sua estreia no evento, apresentará a Algodões Weiss, produzida a partir do malte de trigo, leve, com 4,7% de teor alcoólico e coloração clara.

Também novata no evento no Rio, a Armadillo Brewery estará com novidades que remetem à fauna do Cerrado, casos da Gonden Ale Suça (suçuarana), da Blond Ale Canastra Sweet Mule (lobo), a APA Mammalia (veado), a American Stout Athene (coruja), a Session IPA Folivora (bicho-preguiça), a IPA Juice Peba Mango (tamanduá), a New England IPA Galango Haze (calango), a American Red IPA Atta (formiga) e a Double IPA Saruê (saruê).

Copa do Mundo inspira novidades
Com o Mondial sendo realizado em meio ao período da Copa no Catar, seria óbvio imaginar que o torneio renderia várias homenagens em cerveja em 2022. E é exatamente isso o que vai acontecer. A Cervejaria Búzios oferecerá ao público a Búzios Brasil, uma APA, com teor alcoólico de 5,1%, além de lúpulos, maltes e levedura nacionais. Outra novidade da marca será a Búzios Caravelas: uma Hazy IPA com 6,1% de álcool.

A Enseada vai lançar a IPA do Hexa, um chope produzido exclusivamente para o festival e com seis lúpulos diferentes no dry hopping. São eles: Galaxy, Mosaic, Simcoe, Ekuanot, Azacca, Idaho7. A novidade tem 5,5% de teor alcoólico. Outra novidade da marca será a Sour Caju.

Atrações das grandes cervejarias
As grandes cervejarias também estarão presentes ao Mondial em 2022. A Academia da Cerveja, escola de conhecimento e cultura cervejeira da Ambev, terá um estande com degustações e desafios sobre conhecimento cervejeiro, assim como venda de souvenires exclusivos, como camisetas, acessórios cervejeiros e produtos educativos relacionados ao universo da cerveja.

Além da Academia da Cerveja, outras marcas da Ambev marcarão presença no festival, como Cerveza Patagonia, Wäls, Colorado, Bohemia, Goose Island e Hoegaarden.  E elas vão oferecer mais de 40 rótulos.

“Falamos muito em democratizar o acesso ao conhecimento e à cultura cervejeira no Brasil. A Academia da Cerveja nasceu com essa missão de não só ensinar, como também aprender e estimular as trocas em ambientes diversos. O Mondial de la Biere é o maior festival cervejeiro do país e o ambiente ideal para gerar essas conexões. Estamos muito animados e felizes em estar de volta nesta nova edição”, afirma Laura Aguiar, head de conhecimento e cultura cervejeira da Ambev.

Já o Grupo Petrópolis estará presente com três marcas de cervejas especiais – Black Princess, Brassaria Ampolis e Weltenburguer -, e 21 rótulos, entre fixos e sazonais. A estimativa é de levar 9 mil litros de chope, produzidos no Centro Cervejeiro da Serra. Além disso, o Saber Beber, projeto de consumo responsável da companhia, será o responsável pela distribuição das águas. E a Black Princess ficará como a marca responsável pelo palco principal do evento.

Para quem estiver em busca de novidades, duas receitas poderão ser provadas em primeira mão no festival: a Asam Bock, da marca Weltenburger Kloster, rótulo comercializado na Alemanha e produzido pela primeira vez no Brasil, e a Cream Stout, da Brassaria Ampolis, de um estilo derivado das Porters, com aroma que remete a café, pão tostado e chocolate.

Ingressos
Os ingressos, com preços a partir de R$ 65,00, já estão esgotados para sexta-feira e sábado. “Por mais de um ano, estudamos o espaço da Marina da Glória para criar um novo modelo de evento. Vamos entregar um festival com a nossa essência e uma estrutura maior e melhor”, promete Gabriel Pulcino, gerente da GL Exhibitions, a organizadora do Mondial.

Especial: Como o setor promove soluções para melhorar a malteação

Com quebras de safra em 2021, colheitas de cevada com resultados piores do que o esperado neste ano e um cenário macroeconômico global mais desafiador, por causa da continuidade da guerra na Ucrânia, o acesso aos maltes para a fabricação de cerveja ficou mais complicado. Esse cenário desafia a indústria, mas também estimula a busca por soluções para melhorar o processo de malteação para as cervejarias poderem aplicá-los.

Em meio a essa escassez, a utilização mais inteligente da cevada disponível e a evolução da qualidade do insumo são fundamentais para superar dificuldades na cadeia da malteação, em busca de uma maior produtividade, assim como a automação dos processos e o planejamento do uso do ingrediente pelos fabricantes da bebida.

“Uma automação robusta e inteligente do processo ajuda cada vez mais, não só para garantir um malte homogêneo, mas uma maior eficiência energética. Cevadas com alto potencial de malteação são outro fator para uma significativa melhora e otimização do processo. Mais ainda, planejar e distribuir a cevada certa para cada (grande) cervejaria e cerveja é muito importante, pois isso acaba adequando o desempenho da própria receita da cervejaria”, afirma Patrick Gumpl, mestre-cervejeiro e malteiro na Cooperativa Agrária.

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As pesquisas de melhoramento genético da cevada, que estão avançando no Brasil, também exercem papel relevante para a melhoria da malteação, pois ajudam a nortear os métodos de plantio e colheita, podendo proporcionar um insumo de melhor qualidade.

Isso impacta na eficiência da malteação cervejeira, com as decisões do malteador sendo baseadas nas transformações da morfologia externa do grão que ocorrem durante essa etapa do processo produtivo, tais como crescimento radicular, umidade e temperatura ambiente.

“As técnicas que se buscam atualmente são para que, seja na maceração, germinação ou secagem, se possa detectar as transformações internas do grão. Dessa maneira, será possível não mais corrigir o processo, mas predizer e atuar de maneira preventiva conduzindo a malteação de maneira mais eficiente”, analisa João Ayres, malteador na Ambev e mestre-cervejeiro formado em Engenharia Química.

Tudo isso permite um trabalho mais eficiente dentro das cervejarias sem que isso afete a qualidade do que está sendo produzido. “Na prática, a indústria vem se beneficiando disso sob diferentes modos, tais como um menor e melhor uso de recurso de energia e fluídos que abrange os aspectos de ESG, maior produtividade que ajuda nos aspectos econômicos e tudo isso sem perder o mindset em qualidade. O malteador pode atuar mais detalhadamente nas dissoluções enzimáticas, compondo um produto final malte que atenda às expectativas do cervejeiro”, acrescenta Ayres.


Esses trabalhos, afinal, ajudam o cereal a se tornar mais resistente no campo, produtivo e em equilíbrio com as características desejadas para ser capaz de entregar as melhores características em aroma, sabor e paladar aos cervejeiros.

“Maltes mais modificados em geral permitem uma mostura e filtração mais ágeis às cervejarias, já iniciando o processo com temperaturas mais elevadas”, completa Gumpl, se referindo a uma condição térmica que é propícia para a produção de maltes especiais ao conferir maior dulçor e pouca ação enzimática.

Trabalhos conectados
Outro fator importante para a eficiência deste processo é o trabalho realizado pelos malteadores. Ayres, que ocupa a função na Ambev, destaca que esse profissional pode capitalizar as formas mais adequadas de uso da matéria-prima, como, por exemplo, ao apontar qual é a melhor relação amido-proteína para um potencial enzimático mais robusto da cevada.

“Pode tornar esse processo ainda mais acolhedor e personalizado ao aplicar os insumos no momento e na medida certa. Dessa combinação temos um malte com mais extrato, mais aminoácidos que são o alimento da levedura, melhor equilíbrio, aroma e sabor que, por sua vez, propiciaram ao cervejeiro conduzir o seu processo também com as melhores perspectivas de sucesso”, afirma Ayres, que também atua como especialista de projetos para processo e qualidade na AB InBev.

O trabalho do malteiro também é fundamental, como destaca Gumpl, pois receitas diferentes têm de ser usadas em lotes de cevada distintos para chegar ao padrão de qualidade exigido para um determinado tipo de malte.

Por mais que as maltarias modernas sejam automatizadas, o acompanhamento diário do processo por um malteiro qualificado, desde o início do molhamento até o final da secagem, é imprescindível. Este acompanhamento dedicado de perto é o diferencial, no qual são feitos os ajustes finos para garantir uma qualidade melhor

Patrick Gumpl, mestre cervejeiro e malteiro na Cooperativa Agrária.

A importância do malteador é, assim, apenas um exemplo da necessidade de sinergia entre os elos da cadeia produtiva para assegurar a qualidade da cevada e da malteação, como destaca o mestre-cervejeiro e malteiro da Agrária.

“Tudo está interconectado. Começando lá no campo, precisamos ter uma cevada com alta produtividade, além de uma planta robusta e resistente a doenças. Isso para viabilizar o plantio da cultura da cevada aos produtores. A maltaria precisa ser bastante exigente quanto à qualidade dos grãos de cevada colhidos: entre outros fatores, os grãos têm que estar sadios com um bom poder germinativo, ter um tamanho de grãos alto, além de um teor de proteína adequado”, conclui Gumpl.

Queda na produção de alcoólicas afeta indústria e reduz projeções do 4º tri

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A queda na produção de bebidas alcoólicas em outubro pressionou a atividade industrial no Brasil. De acordo com dados divulgados pelo IBGE, a fabricação apresentou redução de 8,4% no décimo mês de 2022, na comparação com o mesmo período do ano passado. Isso, inclusive, reduziu as projeções de expansão para o quarto trimestre, realizadas por especialistas, mesmo com a sazonalidade e a disputa da Copa do Mundo.

Com o forte recuo em outubro, a produção de bebidas alcoólicas registra recuo de 2,7% no acumulado de 2022. E ainda está em queda, de 4%, no período de um ano, iniciado em novembro de 2021.

Além disso, análise da XP Investimentos aponta que o resultado da produção de bebidas alcoólicas em outubro foi inesperado e vai provocar impactos nos resultados do quarto trimestre.

(Créditos: XP Investimentos)

“A produção de bebidas alcoólicas ficou abaixo das nossas estimativas (7,9%) e, aplicando a sazonalidade, as estimativas para o 4T também caem 8%”, diz, apontando que isso deverá causar efeitos na Ambev, embora aponte que a previsão continue sendo positiva para o último trimestre de 2022.

“Aplicando a sazonalidade, nossa regressão sugere volumes de Cerveja Brasil da AmBev abaixo do que estimamos para o 4T, mas continuamos confiantes principalmente devido à recuperação do canal on-trade e consumo de fora de casa impulsionados pela Copa do Mundo”, acrescenta a XP.

E essa queda atingiu diretamente a atividade industrial nacional. Ainda que após dois meses de recuo tenha apresentado leve crescimento, de 0,3% em relação a setembro e com ajuste sazonal, o número poderia ter sido maior, não fosse a redução da produção de bebidas.

Mesmo assim, houve alta de 1,7% em relação a outubro de 2021. Ainda é, porém, pouco para evitar quedas na produção industrial brasileira nos dez primeiros meses de 2022, de 0,8%, e no período de um ano, de 1,4%.

Além disso, apenas sete dos 26 ramos industriais pesquisados tiveram crescimento. Com esse resultado, o setor encontra-se 2,1% abaixo do patamar pré-pandemia, em fevereiro de 2020, e 18,4% atrás do nível recorde alcançado em maio de 2011.

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“Embora a produção industrial tenha mostrado alguma melhora no início do ano, uma vez que marcou resultados positivos por quatro meses em sequência, nos últimos meses o setor apresenta um comportamento de predominância negativa. Nos últimos cinco meses, em três oportunidades, observa-se queda na produção e com a característica de um número maior de atividades industriais no campo negativo, permanecendo longe de recuperar as perdas de um passado recente”, analisa o gerente da pesquisa do IBGE, André Macedo.

Impacto da produção de bebidas
Ainda que de modo menos brusco, a queda na produção de bebidas alcoólicas também foi acompanhada pelas não alcoólicas em outubro. O recuo, no período, foi de 3,1%. Apesar disso, ainda há alta, de 10,1% no acumulado do ano e de 6,6% no período de 12 meses.

Já a produção de bebidas caiu 9,3% em outubro na comparação com setembro e 5,9% em relação ao mesmo mês de 2021. Mas registra crescimento de 3,2% em 2022, assim como de 1% nos 12 meses iniciados em novembro do ano passado.  

A produção de bebidas, que já tinha recuado 5,7% em setembro, foi a terceira atividade a causar mais impacto negativo na atividade industrial em outubro, atrás apenas de veículos automotores, reboques e carrocerias, e de máquinas e equipamentos.

Guia na Copa: Chimaek, frango frito com cerveja, une torcida da Coreia do Sul

O horário é, sem dúvida, inusitado. Mas o torcedor da Coreia do Sul que vai esperar até 4 horas da manhã desta terça-feira, no horário de Seul, para acompanhar a partida entre a sua seleção e a do Brasil, pelas oitavas de final da Copa do Mundo, deverá fazê-lo embalado por chimaek, um prato típico que une frango frito com cerveja e é sucesso no país.

Chimaek é um acrônimo entre “chikin”, frango frito, em coreano, e maekju, cerveja, na língua local, em mais um exemplo de uma combinação muito comum entre alimento e uma bebida alcoólica no país. E condiz com o grande consumo de carne de frango pela população da Coreia do Sul.  

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Ao combinar cerveja com frango frito, o chimaek passou a fazer parte da cultura gastronômica local. E como item único nos menus de restaurantes, embora sua origem e data de criação seja desconhecida, sua presença nos cardápios e nas mesas foi impulsionada por um grande evento esportivo, a Copa do Mundo de 2002.

Nela, a Coreia do Sul, um dos anfitriões, ao lado do Japão, fez a sua melhor participação na história do torneio, sendo semifinalista. Repetir aquele desempenho, agora em 2022, pode parecer difícil, mas a seleção já venceu Portugal, na fase de grupos, resultado que também ocorreu há 20 anos e agora provocou a eliminação precoce do Uruguai.

Naquela campanha, com os jogos sendo exibidos nos parques públicos, sul-coreanos, trajados de vermelho, a cor do uniforme da seleção, torciam enquanto consumiam frango frito e cerveja. E a alta da procura por esse prato provocou, na sequência daquela Copa, uma relevante expansão do número de restaurantes típicos de frango na Coreia do Sul.

Outros traços da cultura também incorporaram o chimaek e impulsionaram a sua procura. A Coreia do Sul conta, por exemplo, com um festival temático de Chimaek, na cidade de Daegu. Anual, o evento ocorreu entre junho e outubro em 2022.

Além disso, uma série de muito sucesso na Coreia do Sul, My Love From the Star, que estreou por lá em meados da década passada, tinha o chimaek como lanche preferido da protagonista feminina. Isso estimulou uma enorme procura pelo frango frito com cerveja pelos fãs da série. Depois, ao ser exibida na China, provocou a mesma alta no consumo no país.

Agora, a disputa da Copa do Mundo no Catar tem sido um impulsionador para as empresas produtoras de frango na Coreia do Sul. Com a expectativa pela alta no consumo de chimaek pela população local, as ações da Kyochon F&B apresentaram valorização de 27% no mês que antecedeu o início do torneio. Não foi à toa. Afinal, em 2018, na semana dos dois primeiros jogos da Coreia do Sul na Copa do Mundo, as vendas de frango tiveram alta de 60%.  

Se chimaek é um acrônimo entre frango frito e cerveja, outros surgiram na cultura coreana para falar dessa combinação, demonstrando a paixão sul-coreana por essa união. Algumas delas são: “chideokhu”, para os fanáticos pelo prato, chimmeliers, para os sommeliers, aqueles que conseguem diferenciar os tipos de chimaek, e “chillelujah”, um misto de chimaek e aleluia. Os sul-coreanos certamente irão proferi-lo se a seleção liderada por Son Heung-Min eliminar o Brasil da Copa do Mundo do Catar.

Balcão do Tributarista: Judiciário afasta incidência do PIS sobre bonificações

Balcão do Tributarista: Judiciário afasta incidência de PIS e Cofins sobre descontos e bonificações

A concessão de descontos ou a entrega de itens em bonificação são práticas comuns nas relações entre fornecedores e indústrias, bem como entre atacadistas e varejistas. E a este respeito há uma grande discussão tributária que já perdura por alguns anos e que recentemente ganhou um novo capítulo. Trata-se da exigência das contribuições ao PIS e Cofins sobre os valores correspondentes aos descontos ou bonificações.

Muitas vezes, estes descontos podem ser concedidos mediante, por exemplo, o pagamento antecipado de boletos, sem que constem expressamente na nota fiscal respectiva. Nestes casos, a Receita Federal entende que tratou-se de descontos condicionais, em oposição aos classificados como descontos incondicionais, que seriam os que constam na nota fiscal e não dependem de evento posterior à emissão desse documento.

Conforme o entendimento da Receita Federal, expresso na Solução de Consulta COSIT nº 531/2017, somente os descontos incondicionais podem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da Cofins. Já os descontos condicionais configurariam receita e, logo, estariam sujeitos à incidência dos referidos tributos.

Entendimento semelhante é o constante da Solução de Consulta COSIT nº 202/2021 em relação às bonificações. Nesta, a Receita Federal expressa que as bonificações, ou seja, as mercadorias entregues gratuitamente, acabam por configurar descontos condicionais. Desta forma, também sobre os valores correspondentes às bonificações haveria incidência de PIS e Cofins, pois seriam consideradas receitas de doação para a pessoa jurídica recebedora dos produtos.

Ocorre que, tanto mediante a concessão de descontos (sejam condicionais ou incondicionais), quanto pela entrega de mercadorias em bonificação, o que se tem é uma redução do custo de aquisição para a empresa adquirente (indústria ou varejista). No primeiro caso pela redução efetivamente dita do preço a ser pago pelo produto e, no segundo, não pela redução do preço, mas pelo aumento da quantidade de produtos.

E esta redução do preço de aquisição não pode ser vista como receita auferida pela empresa adquirente. A empresa não auferiu receita, mas apenas teve um custo de aquisição menor. Logo, não pode haver incidência de PIS e Cofins sobre os descontos ou bonificações recebidas quando da aquisição de mercadorias.

Este entendimento foi recentemente corroborado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que proferiu decisão manifestando que “ao comprar com desconto, o contribuinte reduz o seu custo de aquisição e isso não tem a natureza jurídica de receita para efeitos de incidência das contribuições ao PIS/Cofins. O fato de a redução do custo de aquisição aumentar o patrimônio líquido não tem relevância porque não se está diante de tributos que incidem sobre variação patrimonial positiva, mas sobre receitas”.

Desta forma, decidiu o TRF/4 que “os descontos e as bonificações em mercadorias obtidas pelo comprador não constituem receitas passíveis de incidência das contribuições ao PIS/Cofins” (processo nº 5052835-04.2019.4.04.7100, julgado pela 2ª Turma do TRF/4 com relatoria do Desembargador Alexandre Rossato da Silva Ávila).

Trata-se de um novo e importante capítulo desta conturbada questão referente à incidência de PIS e Cofins sobre os descontos e bonificações, a qual as indústrias e varejistas precisam estar atentos a fim de evitar tributação indevida sobre a sua receita.


Atualização: Na última terça-feira (29), a 1ª Turma do STJ começou a julgar a incidência de PIS e Cofins sobre bonificações e descontos obtidos na aquisição de mercadorias. Por ora, o placar é favorável às varejistas por 2 a 0. Mas a sessão foi suspensa por pedido de vista.


Clairton Gama é advogado, sócio do escritório Kubaszwski Gama Advogados Associados, mestre em Direito pela UFRGS, especialista em Direito Tributário pelo IBET. Também é cervejeiro caseiro.

Embalagem de 269ml já representa 30% das vendas de cerveja em lata no varejo

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As vendas de cerveja em lata de 269ml vêm apresentando crescimento exponencial no varejo brasileiro. De acordo com dados da consultoria Euromonitor, para estudo encomendado pelo Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), esse tipo de formato representa, hoje, aproximadamente 30% das vendas de cerveja em lata pelo varejo no país.

Além disso, segundo o estudo, a venda de cerveja em lata de 269ml apresentou crescimento de 90% entre 2016 e 2021. Ainda assim, o formato mais procurado pelo consumidor brasileiro é o de 350ml. Segundo as projeções da Euromonitor, essa categoria deverá representar 52,45% das vendas em 2022.

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De qualquer forma, o aumento da busca pela lata de 269ml, com capacidade ainda menor do que as recomendadas internacionalmente pelo National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism (NIAA), que define como quantidade padrão igual ou inferior a 1 dose de bebida alcoólica, que são 350ml de cerveja, demonstra o interesse do consumidor por diferentes formatos.

“O Brasil é o terceiro maior produtor de cerveja no mundo atrás da China e Estados Unidos e com peculiaridades positivas em seu consumo quando comparamos com o restante do mundo. O fato de os brasileiros terem uma opção de consumo moderado nas prateleiras como regra é grande avanço para nossa indústria”, destaca o superintendente do Sindicerv, Luiz Nicolaewsky.

Neste fim de ano, o volume de cerveja vendida em lata de 269ml deve, inclusive, aumentar. De acordo com a Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas), as vendas do produto envasados em latas apresentou crescimento anualizado de 20% durante a Copa do Mundo de 2018, realizada em um período mais frio do ano, os meses de junho e julho.

Agora, então, com o grande evento ocorrendo no fim do ano, com temperaturas elevadas, a expectativa é de impulsionamento do consumo de cerveja em lata. “O mercado da venda de latas está muito ligado a boas temperaturas climáticas e festividades, o que teremos nas próximas semanas com os jogos da Copa e festas de fim de ano”, afirma Cátilo Cândido, presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas).

A variedade de opções de formatos oferecidos ao consumidor também é vista como um diferencial do mercado de latas no Brasil. Em 2021, o consumo foi de 33,4 bilhões de latas no país, uma alta de 5,2% em relação ao ano anterior.

“O consumidor brasileiro cada dia mais está se aproximando das latinhas. Seja por ser a mais reciclada, seja pela variedade dos novos produtos e tamanhos, ou simplesmente pela praticidade que exige os novos tempos”, conclui Cândido.

Entrevista: “A Copa envolve muito mais do que acontece no país-sede”

A Copa do Mundo de 2022 tem sido marcada por alguns ineditismos. Pela primeira vez realizado no fim do ano, o torneio também é um dos primeiros grandes eventos a acontecer após o auge da pandemia do coronavírus. Se dá, ainda, em meio a uma inédita proibição da venda de cerveja nos estádios, imposta pelo Catar, o que impede os torcedores de verem os jogos da Copa nas arquibancadas com uma Budweiser na mão.

A marca não é citada inadvertidamente, pois tem uma ligação estreita com o principal torneio de seleções do mundo. Afinal, desde 1986, quando a Copa foi realizada no México, a Budweiser é a sua cerveja oficial. E tem se aproveitado dessa longeva relação para, mesmo com o impedimento de vender cerveja nos estádios do Catar, seguir com suas ativações, demonstrando que o impacto da competição vai muito além do seu país-sede.

“A Copa do Mundo é um dos maiores eventos do planeta, seja dentro do universo do esporte ou não. Ela transcende o campo esportivo e envolve outros setores, como a cultura e a música, indo ao encontro de tudo o que Budweiser tem falado”, afirma Daniel Wakswaser, vice-presidente de marketing da Ambev, em entrevista ao Guia.

Assim, se agiu rapidamente para atrair o engajamento do público e curar a frustração de não vender as cervejas que estavam já no Catar para serem comercializadas, prometendo destiná-las aos torcedores do país campeão mundial, a Budweiser tem atuado para fortalecer a sua associação com a Copa, em busca de um relacionamento mais próximo com os consumidores.

No Brasil, inclusive, as ativações da Budweiser alusivas à Copa do Mundo são várias: do lançamento da música “Atura o Baile”, que atraiu grandes nomes do rap brasileiro, como Mano Brown. L7NNON e Papatinho, passando pela colocação no mercado de cervejas em embalagens de 330ml colecionáveis homenageando as seleções, até os BudX, eventos espalhados por diferentes capitais brasileiras com a exibição dos jogos e apresentações musicais.

Além disso, tem aproveitado para usar as redes sociais e o e-commerce, mais notadamente o Zé Delivery, para ampliar a sua presença. “Essa é a primeira Copa do Mundo com a junção de redes sociais com e-commerce. Então, é a oportunidade perfeita para criarmos ações unindo essas duas frentes”, diz Wakswaser.

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Confira quais são as principais ações da Budweiser na Copa do Mundo e como a marca entende o patrocínio ao torneio como algo estratégico para a sua atuação na entrevista do Guia com o vice-presidente de marketing da Ambev, Daniel Wakswaser:

O patrocínio da Budweiser à Copa do Mundo é um dos mais longevos existentes. Historicamente, qual é a importância desse acordo para a marca?
A Copa do Mundo é um dos maiores eventos do planeta, seja dentro do universo do esporte ou não. Ela transcende o campo esportivo e envolve outros setores, como a cultura e a música, indo ao encontro de tudo o que Budweiser tem falado. A marca patrocina o torneio desde 1986, então, neste ano, estamos na décima edição dessa parceria, o que mostra um laço muito forte.

Para nós, esse torneio envolve muito mais do que acontece apenas no país-sede ou dentro do gramado. Ele extrapola o campo e as fronteiras. E por toda essa grandiosidade, não poderíamos ficar fora. Assim como a Copa do Mundo, Budweiser é uma marca global, reconhecida pelas pessoas em todos os cantos do mundo, seja por suas atitudes, iniciativas ou parcerias únicas. E a Copa nos ajuda a ampliarmos nossas histórias e de nossos assets.

O que um patrocínio à Copa do Mundo traz de efeitos positivos e agrega para uma marca como a Budweiser?
Essa parceria de longa data tem nos possibilitado conversar com as pessoas, sejam fãs do futebol ou não, de uma maneira ainda mais próxima dentro de um dos principais eventos esportivos do mundo. A Copa do Mundo nos ajuda, como marca, a inspirar as pessoas a acreditarem nelas mesmas e a darem o próximo passo para alcançar grandes objetivos. Isso também sem deixar de lado as grandes celebrações.

Temos falado muito neste ano sobre o conceito de Sobe Junto e como Budweiser tem dado luz e valorizando as conquistas das pessoas e todas as trajetórias delas para chegar ao ápice de suas carreiras, seja dentro do futebol, na música, na cultura… A Copa do Mundo é um desses momentos. Todo jogador sonha em disputar uma Copa, assim como grandes artistas almejam participar de um evento relacionado ao evento. E o Mundial é esse grande palco global, seja para os atletas ou outros artistas. Então, ao patrocinarmos a Copa do Mundo, conseguimos abrir esses palcos para essas pessoas. Sempre valorizando essas conquistas.

Isso, neste ano, também se materializou no movimento “Atura o Baile”, esse manifesto criado por Bud para enaltecer as conquistas e vitórias dos brasileiros ao longo de suas carreiras e ainda mandar um recado para quem ainda tenta desmerecer toda a história daqueles que já conquistaram o seu espaço e servem de inspiração para outras pessoas. Se a iniciativa nasce por conta do universo do futebol com a música oficial da Copa, ela também tem seu reflexo na música e na dança. E tudo isso com uma verdadeira seleção do rap em um feat inédito formado por Mano Brown, L7NNON, Papatinho e Lil Baby.

A Budweiser já lançou latas especiais do torneio e garrafas colecionáveis para o público. Teremos mais novidades durante a disputa da Copa do Mundo?
Como esse grande palco global, a Copa do Mundo nos dá a chance de trazermos cada vez mais inovações, pensando em atender as demandas das pessoas e trazer experiências inesquecíveis para elas, tudo isso para que os consumidores tenham diferentes opções para celebrar.

Para a Copa deste ano, preparamos cinco inovações para a torcida celebrar as grandes conquistas, com destaque para a Seleções da Bud, garrafas de alumínio de 330ml, que estão de volta em edição limitada, com as bandeiras das seleções campeãs do mundo Brasil, Argentina, Alemanha, França, Inglaterra e Espanha. Como temos falado, somos movidos pela criatividade e inovação. Então, sempre existe a possibilidade para novas histórias.

Que experiências alusivas à Copa do Mundo a Budweiser busca promover para o torcedor nas cidades brasileiras?
Como a cerveja oficial da Copa do Mundo, queremos trazer todo o clima que envolve a Copa do Mundo diretamente para os brasileiros. Então, temos uma série de festas espalhadas por algumas cidades do país, que são os BudX. Todo o conceito dessas festas é pensado no consumidor e como ele pode compartilhar essa experiência com os amigos, sejam aqueles que estão dentro ou fora do evento, nesse caso de olho nas redes sociais. Isso sem contar a possibilidade de assistir aos jogos do Brasil e ainda curtir shows e apresentações de grandes artistas da cena musical do rap, trap, hip hop e funk.

Esta edição da Copa do Mundo se dá em um período diferente do usual, no fim do ano, no verão brasileiro, próximo das festas de fim de ano. Qual é o efeito imaginado pela Budweiser e as oportunidades?
Ter a primeira Copa do Mundo acontecendo no fim do ano, nos meses mais quentes e no verão, nos dá oportunidades únicas. Depois de um período de polarização política, devido às eleições, a Copa tem trazido o alívio para reunir o país como um todo. Além disso, é um dos primeiros grandes eventos com as pessoas reunidas depois de muito tempo, então, estamos observando mais ocasiões e mais oportunidades para nos aproximarmos das pessoas. Além disso, temos visto que essa é a primeira Copa do Mundo com a junção de redes sociais com e-commerce. Então, é a oportunidade perfeita para criarmos ações unindo essas duas frentes.

Nesta semana, por exemplo, após o segundo jogo do Brasil, tivemos uma ação super divertida de Budweiser com o Zé Delivery, quando as duas marcas se uniram com a ação “Libera Chefinho”. De maneira ágil, criativa e divertida, criamos essa promoção que dava cupons para as pessoas presentearem seus chefes e pedirem uma folga para o restante do dia. E essa oportunidade nasceu com a observação do sentimento e das conversas das pessoas. É entender o que os consumidores estão falando e fazer parte do tema de forma leve e sem interromper.

Ou quando usamos a questão da bebida alcoólica no Catar e logo tivemos a sacada de presentear o país campeão com uma entrega especial de Budweiser ao final da Copa. Então, nesse ponto, o marketing é sobre o que as pessoas falam, é sobre entreter, tudo isso sendo fiel à marca.

A Copa do Catar também é o primeiro grande torneio esportivo realizado após o abrandamento da pandemia. Nesse novo cenário, qual é o impacto que a Budweiser enxerga?
Todo grande evento é uma oportunidade de se aproximar do público. Já tivemos uma grande experiência neste ano com o Lollapalooza Brasil, o primeiro grande festival no país após a pandemia. Agora, a Copa do Mundo tem trazido novas oportunidades de criar experiências únicas e se aproximar ainda mais do público. Seja com quem está no Catar ou quem ficou no Brasil, em suas casas ou nas celebrações que preparamos para as pessoas com os BudX.

A Copa do Mundo é realizada no mesmo ano em que a Budweiser trouxe ao Brasil a sua versão sem álcool. Esse rótulo é uma grande aposta da marca para o torneio? Poderão ocorrer ativações especiais?
A Bud Zero é uma das apostas, junto com todas as outras iniciativas dentro das nossas inovações. A Bud Zero nasceu do entendimento de uma demanda do consumidor que não queria deixar a cerveja de lado, abrindo as portas em novas ocasiões de consumo. Então, cada vez mais, temos trazido opções variadas para as pessoas. Não existe uma forma única de se saborear uma boa cerveja, temos variadas opções de escolha para quem adora os momentos de curtição.

E os resultados já estão sendo maravilhosos. Meses depois de seu lançamento, a Bud Zero foi eleita a melhor Zero do mercado no Brasil por um júri especializado do Paladar, do O Estado de S. Paulo. Tudo isso, com uma cerveja saborosa, leve e ainda com menos calorias que a Budweiser normal.

Falando de um modo mais amplo, já é possível fazer um balanço sobre o ano de 2022 para a marca? E quais são os planos para 2023?
O ano de 2022 tem sido muito importante para Budweiser. Iniciamos nossa trajetória com o reality Sobe Junto e nosso compromisso de valorizar novos artistas ou aqueles que já estavam em busca dos grandes palcos, dando luz para suas conquistas e suas trajetórias. Logo na sequência, tivemos o Lollapalooza Brasil que, como comentamos, foi o primeiro grande festival de música após um longo tempo. Foi a oportunidade perfeita para voltarmos a nos reconectar presencialmente com as pessoas, levando experiências únicas para quem estava no festival ou fora dele. E, na sequência, começamos a pavimentar nossa história junto com a Copa do Mundo, nos associando a grandes astros do futebol mundial e trazendo ações especiais para os consumidores, conquistando novos fãs por suas cabeças, bocas e coração. Podemos dizer que 2022 vem para confirmar e carimbar tudo o que Budweiser tem construído ao longo dos anos. E as perspectivas para 2023 são melhores ainda.

Artesanais precisam incluir mulheres e jovens no mercado, indica pesquisa

A importância de tornar o setor de cervejas artesanais mais diverso voltou a ter sua necessidade comprovada, agora por uma pesquisa, que indicou ser preciso renovar o público para ampliar a participação de mercado. O levantamento “Retrato dos Consumidores de Cerveja 2022” apontou uma pequena participação das mulheres e dos jovens no segmento em comparação aos homens e às pessoas mais velhas.

A pesquisa indica uma presença menor das mulheres nos universo das pessoas que bebem cervejas artesanais e comuns – 25,88% – do que entre aquelas que só consomem as comuns – 42,35%. “Podemos afirmar que a mulher é uma consumidora interessada em cerveja tanto quanto os homens, mas que precisa de formas de divulgação e atração para as artesanais de forma distinta que os homens”, avaliam os responsáveis pelo levantamento.

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De acordo com o próprio trabalho, respostas a outras perguntas da pesquisa indicam caminhos para que mais mulheres passem a fazer parte do universo das cervejas artesanais. E elas envolvem recomendações de consumo e harmonizações.

Afinal, de acordo com as respostas das mulheres, a sua segunda maior fonte de informações são indicações de amigos. “Isso demonstra que o boca a boca é muito importante para esse público. Talvez um bom caminho a seguir aqui seriam as cervejarias e distribuidores apostarem no estímulo às confrarias, para facilitar o boca a boca por meio de recomendações”, sugerem os pesquisadores.

Os responsáveis pelo levantamento também apontam que a frequência de consumo incute uma oportunidade para trazer mais mulheres ao mundo das artesanais. Afinal, homens dizem que bebem de 2 a 3 vezes por semana, enquanto mulheres afirmam que consomem cerveja até 1 vez por semana. A ideia, assim, é tornar essa ocasião mais especial.

“Um possível enfoque seria em valorizar mais a oportunidade semanal de beber do que os homens, por exemplo com cervejas mais complexas e de maior valor, que poderiam vir com sugestão de harmonização, explorando o maior interesse feminino nesse tipo de atividade”, avaliam.

Outras inclusões
O levantamento também buscou entender os motivos que levam as pessoas a não consumirem cervejas artesanais. E os mais citados foram achá-las caras (35,94%) e não saber escolher para experimentá-las (32,11%). “Aqui ficam escancarados dois problemas que o mercado de cervejas artesanais precisa resolver para abraçar esse público, que ama cerveja: melhorar a aproximação e informação do produto para o público e trabalhar melhor o preço. Sobre aproximação e informação, é preciso ter uma brigada atenta, treinada e preparada para receber o novo consumidor”, afirmam os pesquisadores.

O trabalho, que teve 4.388 respondentes de todos os estados brasileiros, também apontou que o público que consome cervejas comuns é mais jovem – 42,66% têm entre 18 e 35 anos – do que o que também bebe artesanais – 33,49% na mesma faixa etária. “Fica claro que o mercado precisa estar atento à sua renovação e buscar identificações com a faixa etária mais jovem”, dizem os responsáveis pela pesquisa.

A inclusão racial também é um desafio para o segmento. No grupo que consome cervejas artesanais e as comuns, a participação dos brancos – 77,98% – é maior do que entre os que só compram as comuns – 63,46%.

Já o nível de escolaridade entre os consumidores também aponta para a elitização do segmento das artesanais. Enquanto 41% dos respondentes que só bebem cervejas comuns não possuem formação superior, o índice cai para 20% para os que consomem artesanais e comuns.

A falta de diversidade no segmento adentra, inclusive, o mercado musical. Afinal, enquanto o segmento é bastante associado ao rock, a preferência do consumidor parece ser outra: a MPB. O estilo foi o mais citado pelos consumidores, com 22,56% da preferência de som para embalar a cerveja, à frente do blues (22,5%) e do rock (18,43%).

O levantamento
Realizada pelo terceiro ano seguido, a pesquisa teve a participação de consumidores de todos os estados brasileiros, com 4.388 respondentes, uma alta de 116,9% em relação a 2021. O trabalho foi feito utilizando coleta de dados pela internet, sem um plano amostral aleatório.

Retrato dos Consumidores de Cerveja 2022 teve criação e distribuição de Leandro Bulkool e Ludmyla Almeida, com tabulação dos dados por Guilherme Castro Oliveira e trabalho do estatístico Lucas Fernandes. A análise e insights foram de Leandro Bulkool, Lucas Fernandes, Ludmyla Almeida e Roberto Fonseca.

“Mesmo com essa restrição metodológica, esta pesquisa representa uma fonte valiosa de informações para quem trabalha no setor, principalmente pelo número de respondentes obtidos, o alcance e a falta de pesquisas semelhantes no Brasil”, afirmam.