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Cerveja com Ciência: Um caminho para transformar digitalmente as cervejarias

Cerveja com Ciência: Um caminho para transformar digitalmente as cervejarias

A transformação digital está cada vez mais presente nas empresas – principalmente fabricantes de alimentos e bebidas — no que diz respeito a atender a demanda do consumidor por transparência sobre como, onde e quando seus bens são adquiridos e produzidos.

A transformação digital pode ajudar a fornecer garantias sobre qualidade, práticas comerciais éticas e ações para reduzir as pegadas de carbono. Usando a tecnologia disponível, por exemplo, por meio de blockchain, as empresas podem coletar informações relevantes sobre um produto final à medida que percorre sua cadeia de suprimentos – do campo à garrafa – de forma confiável, rastreável e automatizada, sem o apoio ou intervenção de uma autoridade centralizada.

Essas informações são armazenadas em um token não fungível (NFT), que é um certificado digital criptografado, com carimbo de data/hora e à prova de adulteração que é registrado no blockchain. Na prática, um NFT é criado para cada lote de cerveja produzido para venda. Esse NFT representa a jornada da cevada, desde o plantio da semente até o agricultor colocá-la no caminhão, sua germinação até chegar ao malte e depois se transformarem em cerveja, para enfim serem armazenadas em embalagens.

Então, quando a lata, garrafa ou barril chega às mãos do comprador ou consumidor, seu rótulo inclui um código QR que, ao ser escaneado, revela como foi criado, com vídeos, imagens e dados armazenados no NFT sobre aquele lote específico.

As cervejarias que buscam amadurecer nesta prática de transformação digital por meio de blockchain, visam atualizar sua reputação de marca para os consumidores, além de fortalecer seus laços com seus parceiros da cadeia de suprimentos. À medida que a iniciativa avança, maior é o rastreamento para alcançar a sustentabilidade da cadeia de suprimentos e otimizar os processos a partir de informações detalhadas obtidas por meio da transparência.

Afinal, sem uma abordagem sustentável e segura para produzir cevada, as cervejarias dificilmente poderão fabricar uma cerveja de qualidade. E sem a capacidade de rastrear e medir a sustentabilidade da cadeia de suprimentos, as cervejarias não atingirão suas metas de desenvolvimento sustentável.

A rastreabilidade é um dos primeiros passos em direção à sustentabilidade. Assim, somos convidados a revisitar Peter Drucker (pai da Administração Moderna) para acrescentar que: se você não acompanhar, não poderá medir e, se não medir, não poderá implementar práticas sustentáveis. Se não conseguirmos implementar práticas sustentáveis, não poderemos ser “neutros” em carbono até 2050, como temos nos acostumado notar em declarações de metas da maioria das grandes cervejarias.

Essa coluna coletou dados com alguns especialistas do setor durante o mês de maio/22 com objetivo de discutir os fatores críticos de sucesso na adoção de tecnologias digitais e identificar a relação entre os fatores críticos de sucesso na adoção de tecnologias digitais na cadeia produtiva da cerveja brasileira com as práticas de sustentabilidade e gerenciamento de riscos e resiliência na cadeia de suprimentos.

Os dados foram coletados por meio de entrevistas com especialistas brasileiros, informações de literatura acadêmica, estudos de casos em cervejarias internacionais, e benchmarking com o estudo intitulado “Adoção de tecnologias digitais nas cadeias de suprimentos agroalimentares em meio ao coronavírus: uma abordagem para as preocupações com a segurança alimentar nos países em desenvolvimento (tradução livre)”.

Este benchmarking teve como objetivo entender como alguns fatores críticos de sucesso podem influenciar a adoção de transformação digital voltada para sustentabilidade e gerenciamento de riscos/resiliência frente à Covid-19. Os fatores críticos explorados e como podem ser descritos estão representados na tabela a seguir.

Fatores críticos de sucessoOs parceiros da cadeia de cervejarias estão gerenciando suas operações de forma a promover:
Desempenho de sustentabilidade socialSegurança alimentar, boas condições de trabalho, qualidade de vida, respeito à cultura e à diversidade
Desempenho de sustentabilidade econômicaCrescimento econômico de longo prazo sem impactar negativamente os aspectos sociais, ambientais e culturais da comunidade
Desempenho de sustentabilidade ambientalConservação a longo prazo dos recursos naturais, como ar, água e florestas
TransparênciaRegistro, publicação de informações completas e transparentes em todas as etapas da cadeia de suprimentos
RastreabilidadeRastreabilidade dos ingredientes das cervejas no intuito de validar e autenticar sua origem
Treinamento técnico e atualização de habilidades para as partes interessadasMelhoria contínua das habilidades entre as partes interessadas (funcionários, fornecedores, clientes e governo) por meio do aprendizado e do aumento do conhecimento
Governança eletrônicaGestão estratégica, eficiente e sustentável por meio da colaboração com outras funções internas e externas da empresa
Logística digital e infraestrutura tecnológicaGestão da rede logística e serem mais responsivos com seu planejamento logístico em tempo real
Decisões sobre segurança alimentar sustentávelPrevenção e redução da perda de matéria-prima e ingredientes, que de outra forma seriam usados como alimentos.
Confiança e colaboraçãoReforço e promoção da empatia, confiança e cooperação entre as várias partes interessadas (funcionários, clientes, fornecedores, associações, governo etc)
Eficácia operacional e escalabilidadeEstratégia eficiente e sustentável por meio de tentativas de melhoria contínua para aumentar a resiliência frente às crises e rupturas geradas por fatores externos
Padronização de práticas sustentáveisPromover tentativas de melhoria contínua para desenvolver, promover e possivelmente exigir práticas sustentáveis na cadeia de cervejas
SegurançaPromover o gerenciamento contínuo de riscos digitais
Agricultura inteligenteComunicação e práticas tecnológicas na agricultura para aumentar a eficiência do trabalho e no uso de combustível

Em termos de dados coletados com este estudo, há indicativos de que a cadeia de cervejarias brasileiras deve melhorar suas ofertas de produtos com práticas sustentáveis e resilientes aos consumidores. Foi reconhecido que a demanda por resiliência na cadeia de cervejarias, em geral, aumentou rapidamente.

Como resultado, recentemente, houve um foco da alta administração na capacidade da cadeia de cervejarias em atender às mudanças nas necessidades e expectativas dos consumidores e do mercado. A falta de flexibilidade no rastreamento e aumento da demanda​​ resultou em uma dificuldade de se adaptar, considerando as duas cadeias de cervejarias (Índia e Brasil).

Embora as operações gerais nesses dois países em desenvolvimento tenham experimentado um crescimento significativo com a adoção de práticas de transformação digital há quase uma década, a utilização de sistemas sincronizados e blockchain foi observado apenas recentemente neste segmento (e restrito em sua maioria às grandes cervejarias). Nesse contexto, reunir os parceiros da cadeia de cervejarias em uma única abordagem eficiente pode ser um ponto benéfico para todos.

Além disso, a adoção de transformação digital pode desempenhar um papel essencial no desenvolvimento de redes modernas de cadeia de suprimentos orientadas por dados nesses mercados, alavancando o crescimento e a sustentabilidade de longo prazo.

Com o aumento da volatilidade na cadeia de suprimentos global, a resiliência da cadeia de cervejarias ganhou importância significativa. As incertezas nas operações de logística e cadeia de suprimentos e a rápida evolução da inovação tecnológica podem reduzir significativamente as despesas, o tempo e os riscos associados ao nível de escalabilidade das cervejarias.

Como resultado, a resiliência da cadeia de suprimentos deve se preocupar com as funções fundamentais ou centrais, aqui apresentadas como fatores críticos de sucesso (vide tabela). Como resultado, a resiliência obtida com a transformação digital pode ajudar a cadeia de cervejarias a reduzir os potenciais impactos negativos de riscos internos ou se recuperar rapidamente de eventos de risco externos, incluindo eventos de força maior.

A adoção inadequada ou a inexistência de transformação digital pode impedir significativamente o crescimento e a sustentabilidade de longo prazo devido à falta de compreensão clara dos requisitos mais abrangentes da cadeia de cervejas e dos requisitos específicos da organização.

Portanto, recomendamos a necessidade de supervisão da alta gerência na integração da tecnologia digital com as operações da cadeia de suprimentos das cervejarias por meio dos fatores críticos de sucesso explorados nesta coluna.

Saúde em sua jornada!

*Agradecimento ao colega Manish B. R. Veeramani pelos insights, discussões e entusiasmo em compartilhar seu conhecimento sobre a cadeia de cervejarias na Índia. 


Marcelo Sá é professor de gestão em operações, pesquisador na área de riscos e resiliência em cadeias de alimentos e bebidas, esposo e pai apaixonado por sua família. Em sua folga, pode ser facilmente encontrado com uma IPA ao seu lado.

Em seu maior teste, Carlsberg lança garrafa de fibras totalmente reciclável

A Carlsberg deu um importante passo na busca por embalagens mais sustentáveis para envasar as suas cervejas ao anunciar o lançamento da Fiber Bottle, uma garrafa feita com fibras de madeira e polímeros naturais. A companhia vai vender cerveja em garrafas totalmente recicláveis, no maior teste comercial de todos os tempos dessa iniciativa.

A novidade foi apresentada quase três anos após a Carlsberg revelar protótipos de uma garrafa de papelão que poderia substituir as garrafas descartáveis ​​feitas de PET ou de vidro, sendo a sua evolução. E com foco na evolução da tecnologia e em práticas sustentáveis, a embalagem também contém cerveja fabricada com cevada orgânica e regenerativa.

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O piloto, que é vital para acelerar a ambição da Carlsberg de tornar esse tipo de embalagem uma realidade comercial, envolverá 8 mil garrafas de fibra, que serão colocadas à venda na Dinamarca, Suécia, Noruega, Finlândia, Polônia, Alemanha e França, além do Reino Unido. As garrafas serão disponibilizadas aos consumidores em eventos, festivais e em amostras de produtos direcionados.

Esses testes darão à Carlsberg a oportunidade de coletar avaliações sobre as experiências das pessoas com o produto, o que ajudará na definição da próxima geração de design deste tipo de embalagem.

“Estamos muito satisfeitos em levar nossa nova garrafa de fibra para as mãos dos consumidores, permitindo que eles as experimentem. Este piloto servirá a um propósito maior de testar a produção, desempenho e reciclagem deste produto em escala”, afirma Stéphane Munch, vice-presidente de desenvolvimento do grupo cervejeiro.

De acordo com a Carlsberg, um marco significativo para a garrafa de fibra é o seu revestimento de polímero PEF à base de plantas, que foi desenvolvido pela Avantium, parceiro da cervejaria. O PEF é feito inteiramente de matérias-primas naturais, sendo compatível com os sistemas de reciclagem de plástico, podendo se degradar na natureza.

Além de seus benefícios de embalagem sustentável, o PEF funciona como uma barreira altamente eficaz entre a cerveja e a casca externa de fibra, protegendo o sabor da cerveja melhor do que o plástico PET convencional, feito à base de combustível fóssil.

A casca externa da garrafa consiste em fibra de madeira de origem sustentável e de base biológica. Ela também possui propriedades isolantes que podem ajudar a manter a cerveja mais gelada por mais tempo, em comparação com latas ou garrafas de vidro.

“Identificar e produzir o PEF, como uma barreira funcional para a cerveja, tem sido um dos nossos maiores desafios – por isso, obter bons resultados nos testes, colaborar com os fornecedores e ver as garrafas sendo enchidas na linha é uma grande conquista!”, acrescenta o vice-presidente de desenvolvimento do grupo cervejeiro.

A garrafa será produzida pela Paboco  (“Paper Bottle Company”), uma joint venture entre a fabricante sueca de papel e celulose BillerudKorsnäs e a ALPLA-Werke Alwin Lehner, uma fabricante austríaca de plásticos e especialista na fabricação de garrafas. Ela é 100% de base biológica, assim como a tampa, sendo totalmente recicláveis.

Com a atual geração da garrafa de fibra, a Carlsberg estima alcançar até 80% menos emissões do que as atuais garrafas de vidro de uso único. Mas a pretensão é de que ela alcance a mesma pegada de carbono da garrafa de vidro retornável. E quando for comercializada em escala, complementará, em vez de substituir, as embalagens existentes, como garrafas de vidro e latas.

Os avanços não se limitaram à garrafa em si, pois a Carlsberg também afirma ter engarrafado uma bebida mais sustentável para os testes com consumidores. Em colaboração com o fornecedor de malte de cevada Soufflet, a companhia preparou uma cerveja com cevada que foi cultivada usando práticas agrícolas totalmente orgânicas e regenerativas.

De acordo com a companhia, as técnicas utilizadas ​​para cultivar a cevada buscam melhorar a biodiversidade das terras agrícolas e a saúde do solo, além de aumentar o sequestro natural de carbono pelo solo em comparação aos métodos agrícolas convencionais.

Presencial, congresso da Agrária une teoria e aplicação do conhecimento

Os profissionais da indústria cervejeira voltam a ter um encontro marcado no Paraná. Depois de duas edições restritas ao modelo online, em função da gravidade da pandemia do coronavírus, o Congresso Técnico Internacional Agrária Malte vai acontecer presencialmente, no período de 18 a 22 de julho, no distrito de Entre Rios, em Guarapuava.

As inscrições para o congresso promovido pela Agrária podem ser realizadas até a próxima segunda-feira (11), no site oficial do evento. E a expectativa dos organizadores é de que entre 500 e 600 profissionais da indústria cervejeiras estejam presentes ao encontro, que vai debater os desafios de quem atua no cotidiano do setor.

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“É um congresso destinado às cervejarias em geral, seus donos e técnicos. Os convites para os participantes são feitos pela Agrária para garantir o foco técnico do evento. E toda programação é pensada em palestras predominantemente técnicas e, obviamente, em algumas coisas que são as dores ou tendências do segmento. Este ano, por exemplo, estamos trazendo uma mesa redonda sobre desafios do mercado cervejeiro, para provocar uma discussão sobre os problemas”, explica Alexandre Sierote, especialista de marketing da Agrária Malte.

Dividida em 5 dias, a programação reserva para o primeiro – dia 18 – e o último – dia 22 –, a possibilidade de visitas à Agrária Malte, com passagens por Museu Histórico de Entre Rios, Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária, maltaria e cervejaria experimental da companhia. Para Sierote, é essa união entre o conhecimento teórico, oferecido nos 3 dias de debates e palestras, com a possibilidade de conhecer a estrutura e o trabalho da Agrária na prática, que torna o evento mais completo.

“Durante o congresso, oferecemos a oportunidade de visitas à Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária, onde se pode ver toda a ciência por trás dos experimentos. Além disso, também se visita a nossa maltaria, que é a maior da América Latina. E ainda tem a parte histórica com a ida ao nosso museu. Também passamos pela cervejaria experimental, onde se degusta e se conhece o trabalho feito por lá. Misturamos a parte do conteúdo técnico com o lado da experiência”, diz.

Já o cronograma de palestras inclui a participação de profissionais nacionais e internacionais que são referências no setor, como Meagen Jean Anderson (Nzhops), que abrirá a programação com uma palestra sobre cerveja sem álcool, assim como de Alírio Caldera (Weyermann) e Tom Shelhammer (Lallemand), entre outros.

“O congresso é conhecido por trazer palestrantes de diversos lugares do mundo. Um dos destaques é a presença da Megan Anderson, que vai fazer uma palestra sobre cerveja sem álcool. Também teremos mesas redondas durante os três dias de palestras para fazer um debate mais amplo sobre alguns tópicos que a gente avaliou ser interessante compartilhar”, conclui o especialista de marketing da Agrária Malte.

Confira a programação completa de palestras do Congresso Técnico Internacional:

19 de julho
8h15 às 9h45 – Cervejas sem álcool e como desenvolvê-las com frações – Meagen Jean Anderson (NZHops)
10h10 às11h40 – Haze: Amor e ódio – Fábio Teleginski (Agrária Malte)
13h30 às 15h – Beer Staling: O desafio de manter o frescor da cerveja – Alexander Weckl (Agrária Malte)
15h25 às 17h – Filtrando cerveja sem perder a qualidade – Ligia Marcondes
17h às18h30 – Mesa Redonda – Histórias Cervejeiras – Boinas Verdes

20 de julho
8h15 às 9h45 – Estudo técnico da nova metodologia de cálculo de cor de mosto e cerveja – Alírio Caldera (Weyerman)
10h10 às 11h40 – A Produção de Malt Whisky – Robert Fotheringham (Lallemand)
13h30 às 15h – Técnicas exóticas de mostura – Alexander Schwarz (Agraria)
15h25 às 17h – Beer Spoilers – O biofilme de terror para as cervejarias – Marcelo Barga e José Antunes (Bio4)
17h às 18h30 – Mesa Redonda – Desafios do Mercado Cervejeiro: Legislação, economia e mercado

21 de julho
8h15 às 9h45 – Biotransformação – Tom Shellhammer (Weyerman)
10h10 às 11h40 – Fermentação e formação de compostos sulfurosos – Ben Souffriau (Abbiotek)
13h30 às 15h – As promissoras variedades e produtos de lúpulo da Alemanha para a produção de Lagers a Ales para o segmento craft – Johann Bertazzoni e Carlos Ruiz (HVG)
15h25 às 17h – Contexto de mercado global: Cevada, Malte e Cerveja – Alexandre Karkle (Agrária Malte)
17h às 18h30 – Mesa Redonda – Lúpulos Nacionais x Importados

Menu Degustação: Circuito Cervejeiro de Corrida, prêmio para o Science of Beer…

A agenda de encontros cervejeiros continua agitada no começo da segunda metade do ano. No Rio de Janeiro, por exemplo, a cidade de Nova Friburgo vai receber mais uma edição do Circuito Cervejeiro de Corrida, com apoio da Ranz, que lançará uma cerveja feita especialmente para a prova.

Já o Festival Gastronômico de Pomerode volta depois de dois anos com pratos inspirados nas famílias que moram na Rota do Enxaimel e mais de 80 opções no menu, enquanto em São Paulo a Tarantino promove, nesta sexta-feira (8), um evento que une lançamento de um rótulo ao teatro.

Em outras frentes, a Ambev anunciou que dobrará o valor que for arrecadado pelo crowdfunding do IPA Day. E o Science of Beer celebra a conquista de um prêmio de inovação em função do seu kit para educação sensorial que se destacou na recuperação de olfato e paladar para pacientes pós-Covid.

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Confira essa e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Stella Artois quer aumentar o protagonismo feminino
A Stella Artois quer aumentar o protagonismo feminino na gastronomia e, para isso, vai patrocinar um curso para ajudar empreendedoras de todo o Brasil a impulsionarem seus negócios na área de alimentação. A cerveja da Ambev vai custear 100% das aulas, criando 1.200 vagas dedicadas a profissionais mulheres. Desenvolvida pelo Sebrae-MG, a programação reúne disciplinas pensadas para ajudar quem já trabalha no setor a dar mais visibilidade aos seus negócios. As inscrições vão do próximo sábado (9) até 31 de julho.

Goose instala cano para manobras de skate
A Goose Island vai instalar o maior cano para manobras de skate que se tem registro, no Largo da Batata, em São Paulo, neste sábado, em evento aberto ao público. Os skatistas inscritos, com idade acima de 18 anos, vão poder entrar na brincadeira e ainda ganhar brindes especiais da marca, de acordo com a performance. Instalado em um dos pontos mais tradicionais de skate da capital paulista, o obstáculo terá 24 metros de extensão. Ele será dividido em quatro partes diferentes. A novidade faz parte do projeto Slide to Unlock ou como a própria tradução diz: deslize para desbloquear.

Apoio da Ambev ao IPA Day
Após dois anos, o IPA Day volta a ser promovido no Brasil e, para apoiar a retomada do evento, a área de Conhecimento e Cultura Cervejeira da Ambev, em parceria com as marcas Colorado e Goose Island, também vai ajudar nessa missão, com a doação do dobro do valor total arrecadado no financiamento coletivo que está sendo realizado para custear as próximas edições. O IPA Day São Paulo será realizado em 6 de agosto, na cervejaria Tarantino. Já a edição nacional, o IPA Day Brasil, acontecerá em 12 de novembro, em Ribeirão Preto (SP), no Espaço de Eventos Quinta Linda.

Teatro e lançamento na Tarantino
Nesta sexta-feira (8), entre 19h e 22h, a Cervejaria Tarantino, o Consulado Geral da República Checa de São Paulo e o Coletivo Cardume de Teatro realizarão um evento especial, com o lançamento de uma Bohemian Lager e a leitura dramática da peça Audiência, do escritor, dramaturgo e ex-presidente do país Václav Havel. A história se passa na então Checoslováquia da década de 1970 e conta um pouco da trajetória do dramaturgo Ferdinand Vaněk, que é convocado ao escritório de um mestre-cervejeiro.  O evento, na Tarantino, será gratuito, mas terá limite de público.

Growler Day da Landel
A latinidade estará em alta na tap house da Landel neste sábado (9), a partir das 11 horas. Será dia de Growler Day Latino e de lançamento de mais um rótulo da marca, a Too Lazy. Além dela, as torneiras estarão abastecidas com outros nove chopes frescos. No happy hour estendido – até as 17h – chamado de a “Hora Vira-Lata”, a cada dois chopes, o cliente ganha um do mesmo tamanho. Para harmonizar, em parceria com o Bentos Burger, será servido chivito, um lanche típico uruguaio.

Evento da Madalena
A Cervejaria Madalena realiza, neste fim de semana, o Steak Pork Festival, com início às 17h na sexta-feira e começo às 12h no sábado e no domingo, no Paço Municipal de São Bernardo do Campo. O evento oferece diversão, música, gastronomia variada e vários estilos de chope em um espaço pet friendly, além de área kids com brinquedos, como infláveis e cama-elástica. Uma das principais atrações que a Madalena oferecerá no evento é a degustação de cerveja em voo cativo de balão a 20 metros de altura. 

2ª edição do Panelaço Burgman
A Cervejaria Burgman abrirá as suas portas em 23 de julho para a realização da segunda edição do Panelaço, evento que reúne homebrewers e equipe da fábrica para um campeonato de cervejas caseiras, contando com um corpo de jurados e convidados. No encontro, além da produção das cervejas, haverá o intercâmbio de conhecimentos e bate papo com o mestre-cervejeiro da marca, equipe e convidados. Para essa edição, além do campeonato, haverá mais uma novidade: a Burgman e seus parceiros oferecerão os insumos para a fabricação das cervejas a serem produzidas por cada equipe. Assim, todos contarão com a mesma qualidade e frescor nos insumos. O valor da inscrição é de R$ 110,00 por pessoa, com pagamento antecipado.

Festival Gastronômico de Pomerode
O Festival Gastronômico de Pomerode (SC) se iniciou na quinta-feira (7) e irá até 24 de julho, voltando a ocupar a agenda depois de dois anos. Em sua 16ª edição, o evento apresenta o tema Sabores de uma Rota Premiada. Cada um dos 12 restaurantes participantes criou um prato a partir das referências das famílias que vivem na Rota do Enxaimel. Além dos pratos, o espaço conta com cartas de vinhos, cervejas artesanais e drinques, além do Glühwein, vinho quente aromatizado com especiarias. O ingresso custa R$ 10,00, com moradores de Pomerode não pagando de segunda a quarta-feira.

Premiação ao Science of Beer
O Instituto Science of Beer ganhou o prêmio Inovação Catarinense, promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado. A premiação foi na categoria Inovação em Produto: design industrial, sendo dado pela criação do Aroma Sensory Training, um kit para educação sensorial que se destacou na recuperação de olfato e paladar para pacientes pós-Covid. A tecnologia foi desenvolvida por um time de cientistas e designers comandados por Amanda Reitenbach, CEO do Science of Beer.

Jurados da Copa Cervezas de América
A organização da Copa Cervezas de América revelou os nomes dos jurados responsáveis por avaliar e definir as melhores cervejas da etapa nacional brasileira, que será disputada em Porto Alegre, nos dias 5, 6 e 7 de agosto. Os medalhistas se habilitarão para a grande final da competição cervejeira, que, em 2022, será realizada no Chile. Além disso, para garantir a isonomia e o padrão nos processos de avaliação e julgamento, a organização promoverá um tour com oito jurados, entre eles os juízes diretores de cada etapa: Daiane Colla, Estevão Chittó, Jennifer Talley, Leo Ferrari, Leo Caiafa (juiz diretor da etapa chilena), Nacho Curto (juiz diretor da etapa argentina), Peter Bouckaert e Richard Toro. Esse grupo de trabalho estará em Porto Alegre; na sequência, seguirão para Mar del Plata, nos dias 8 e 9, e finalizarão o julgamento das etapas nacionais em Valdivia, de 12 a 14 de agosto

Circuito Cervejeiro de Corrida em Nova Friburgo
Os atletas cervejeiros poderão participar de mais uma etapa do Circuito Cervejeiro de Corrida em 30 de julho. Será a sétima vez que a corrida acontece em Nova Friburgo, mas a primeira no Nova Friburgo Country Clube. Na prova, os participantes correm alguns quilômetros fazendo paradas estratégicas para degustação de cervejas. Para o Circuito Cervejeiro de Corrida, a Ranz, integrante da Rota Cervejeira RJ, está preparando uma cerveja nova, exclusiva e com terroir friburguense. A inscrição deve ser feita pelo site do Circuito Cervejeiro de Corrida.

Black Princess e barbeiros
A cerveja Black Princess será a patrocinadora oficial da Barber Week, evento que será realizado em São Paulo no domingo (10) e na segunda-feira (11). O encontro reunirá barbeiros profissionais, nacionais e internacionais. Serão 70 marcas expositoras e 100 workshops sobre avanço de técnicas, novidades e lançamentos de produtos, equipamentos e móveis. São esperados mais de 20 mil visitantes.

“Sonho de consumo”, Barley Wine conquista mercado como cerveja comemorativa

O período de reaquecimento do setor cervejeiro vem levando algumas marcas a ampliarem o portfólio de rótulos oferecidos ao consumidor. Essa busca pela multiplicidade de opções tem coincidido com a produção de estilos até então menos usuais, como o Barley Wine, algo realizado, em algumas situações, para marcar datas comemorativas, mas também pelo desejo de se trabalhar com cervejas envelhecidas.

Especialistas ouvidos pela reportagem do Guia confirmam essa maior aceitação da Barley Wine pelos consumidores e pelas marcas, ainda que esse estilo tenha um custo de produção mais elevado.

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“Pode ser uma conjunção de fatores: é um estilo que tem muita identificação com o inverno; é um estilo elegante, que pode ser feito como um rótulo comemorativo; é uma ótima base para cervejas envelhecidas em madeira e cada vez mais as cervejarias se voltam a essa categoria de cervejas que passam por barricas”, afirma a jornalista e sommelière de cervejas Fabiana Arreguy. 

Para Sady Homrich, engenheiro químico, cervejeiro e baterista da banda Nenhum de Nós, a sofisticação proporcionada pela receita deste tipo de rótulo atende aos desejos de um mercado consumidor cada dia mais exigente. “O equilíbrio e complexidade desse estilo têm ganhado adeptos que, de certa forma, já passaram pelos superlativos trazidos pela escola americana e querem outro tipo de experiência”, opina.

A complexidade e a sofisticação da Barley Wine também são citadas como atrativos das cervejas desse estilo, como aponta Samuel Cavalcanti, CEO da Bodebrown, marca que produz rótulos dessa variedade há oito anos.

“A primeira cerveja da série envelhecida em madeira da Bodebrown foi a Double Perigosa Wood Age Series Cabernet Sauvignon 2014, que vendeu toda a sua produção de 3 mil garrafas em poucas semanas. Criamos estas cervejas pensando num consumo ‘sem pressa’. São bebidas que podem ser apreciadas daqui a cinco, dez ou 15 anos, bastando serem armazenadas em adega, a 12ºC. São cervejas complexas e estruturadas, que vão ganhando sabor com o tempo”, ressalta.

Nos últimos meses, algumas cervejarias se voltaram para o estilo Barley Wine no momento de apresentarem novidades ao mercado, como a Cia de Brassagem Brasil, que comemorou os seus cinco anos de existência com um novo rótulo deste estilo, e a Leopoldina, que faz parte do Grupo Famiglia Valduga e reforçou os seus laços com o mundo do vinho ao apresentar uma bebida deste mesmo tipo. Além delas, a Bodebrown e a Nacional também trouxeram ao mercado lançamentos de cervejas desta categoria.

Para Samuel, o sucesso das cervejas Barley Wine pode estar relacionado com a oferta de uma experiência de consumo desconhecida ainda por muitos amantes desta bebida. “A principal vantagem é abrir uma nova jornada sensorial, ampliando ainda mais as fronteiras do incrível universo das cervejas artesanais”, ressalta.

Na avaliação de Fabiana, embora tenha custo de produção elevado, a Barley Wine é uma ótima opção para marcar ocasiões especiais, como tem sido feito por várias cervejarias, principalmente por ser vista como um “objeto de desejo”.

“Seu custo de produção é alto e ela chega ao mercado com preços não muito acessíveis. Como vantagem eu enxergo que pode ser uma cerveja-conceito, safrada, numerada – o que acaba se tornando um sonho de consumo. Barley Wine não é uma cerveja com grande apelo de público para se tornar tendência. Acho que é um estilo que as cervejarias continuarão produzindo sazonalmente, em datas e épocas específicas”, afirma.

Já Sady avalia ser difícil ver cervejas desse estilo permanecendo fixas no portfólio de muitas marcas, especialmente por causa das suas características de fabricação.

“O custo de produção é alto, não só pelos insumos, mas também pelo tempo de maturação, ocupação de tanque e rendimento. Uma vantagem é o extenso prazo de validade e capacidade de guarda. Se a cervejaria quer agregar valor ao portfólio, OK, mas acho que funciona melhor como rótulo sazonal”, pondera.

Porém, por se tratar de um estilo de cerveja de fabricação mais refinada, a Barley Wine também é vista com um estilo cuja adoção pode ser considerada estratégica para as marcas por conferir aos seus produtores uma credibilidade em um mercado com um público cada vez mais ávido por diversificar as suas experiências de consumo. Ao mesmo tempo, coincide com o aumento do nível técnico das cervejarias. “No nosso caso, a motivação é criativa e artística, buscando ampliar as experiências sensoriais da cerveja. Isto é o que nos move”, diz o CEO da Bodebrown.

Samuel, porém, acredita que a Barley Wine pode conquistar mais espaço no mercado brasileiro diante do potencial de aproximação entre a gastronomia e a cerveja a partir das harmonizações.

Estamos há mais de 10 anos no mercado e já vemos alguns restaurantes que abriram as portas para as cervejas artesanais, com destaque para produtos especiais, como as garrafas de 750ml e os rótulos envelhecidos em madeira. Mas sentimos que ainda existe muito espaço para ser conquistado pela combinação entre pratos e cerveja – principalmente na chamada alta gastronomia. As Barley Wine têm potencial para ampliar este processo de quebra de paradigmas das cervejas artesanais

Samuel Cavalcanti, CEO da Bodebrown

O estilo
De acordo com o BJCP, considerado o principal guia de estilos do mundo, a English Barley Wine, que faz parte da família das Ales, é uma “vitrine de riqueza maltada e sabores complexos e intensos. Com corpo elevado e beirando ser mastigável, com calor alcoólico e um agradável e interessante frutado ou lupulado. Quando envelhecida, pode assumir sabores semelhantes ao do vinho do Porto”.

A sua cor pode variar de rico dourado a âmbar muito escuro ou até marrom escuro. Tem sabores de malte fortes, intensos, complexos e multifacetados, variando de notas de pão, caramelo e biscoito em versões mais claras a nozes, tostados profundos, caramelo escuro e/ou melaço em versões mais escuras. Sua graduação alcoólica varia de 8% a 12%, com o índice de amargor indo de 35 a 70 IBUs.

Abracerva firma acordo com Sindicerv e foca na educação em busca de novo caminho

A Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva) deu um passo duplo para se aproximar de entidades representativas do setor e oferecer educação e conhecimento ao ecossistema ao firmar um termo de compromisso com o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) e promover um congresso nos últimos dias em São Paulo.

Na semana passada, ao mesmo tempo em que realizou o Cerveja é Gastronomia, na Universidade Anhembi Morumbi, em parceria com o Sindicerv, a associação assinou um termo de cooperação com a entidade que representa a Ambev e o Grupo Heineken no Brasil.

O acordo sinaliza mais um passo em um novo caminho traçado pela Abracerva, que passou por várias mudanças na presidência desde a metade de 2020, sendo comandada, hoje, por Gilberto Tarantino, o Giba, proprietário da cervejaria que leva o seu sobrenome, em São Paulo.

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Esse novo enfoque, aliás, já havia sido antecipado no começo deste ano ao Guia, quando Giba assumiu o comando da associação que estava, naquela época, sob a liderança de Ugo Todde. Logo que chegou à presidência da entidade, o proprietário da Tarantino destacou que buscaria levar informação e educação aos associados e ao mercado cervejeiro.

Entidades unem forças
O acordo entre a Abracerva e o Sindicerv prevê a parceria e cooperação entre as entidades em prol dos principais temas de interesse da indústria da cerveja, como o aprimoramento da qualidade na fabricação, a educação e cultura cervejeira, a livre concorrência, a sustentabilidade e o consumo responsável.

O presidente do Sindicerv, Mauro Homem, avalia que a aproximação com Abracerva é um primeiro passo para a construção de uma agenda coletiva, em busca do atendimento das demandas do setor. “Podemos trabalhar juntos em muitas questões, da realização de eventos como esse até pautas voltadas à legislação e tributos”, diz.

Giba destaca que o primeiro fruto dessa parceria já foi colhido: a realização do Cerveja é Gastronomia. “Como primeira realização conjunta das entidades, o evento já atendeu aos principais pilares de cooperação, mostrando o quanto essa aproximação pode ser positiva para o setor”, enfatiza.

Com um calendário cheio de atividades, tendo o Cerveja é Gastronomia com seu ápice, a associação tem apresentado uma pauta focada na informação e na educação do setor. Em janeiro, por exemplo, o presidente e diretor executivo da Brewers Association, Bob Pease, realizou uma palestra aberta aos associados da Abracerva e demais profissionais do mercado cervejeiro. No encontro, contou sobre a sua experiência à frente da associação das cervejarias artesanais e independentes dos Estados Unidos.

Já na semana passada, o Cerveja é Gastronomia reuniu importantes nomes dos setores cervejeiro, gastronômico e turístico, dentre outros, promovendo ricas discussões com o intuito de desenvolver e posicionar a cerveja no universo da gastronomia brasileira.

Trilha do tempo
Desde outubro de 2020, quando a Abracerva passou por um processo de eleição iniciado fora do planejamento após a renúncia de Carlo Lapolli, a entidade teve seguidas mudanças de liderança em um ano e meio.

Tudo começou com Lapolli deixando a presidência em setembro de 2020, como consequência da divulgação de mensagens de teor preconceituoso escritas por ele em um grupo de WhatsApp. Além dele, renunciaram todos os demais membros da sua diretoria.

Um mês depois, após a nova eleição, a sommelière Nadhine França assumiu a presidência executiva e começou a articular as primeiras iniciativas dos seus dois anos de mandato. Na época, as prioridades da associação eram concluir o processo de implementação do código de ética da entidade e ampliar o diálogo e as conversas com os associados.

Mas, em julho de 2021, a entidade comunicou que Nadhine França iria “viver um novo momento profissional e pessoal em outro país” e seria sucedida por Ugo Todde, que já vinha atuando como conselheiro. A liderança de Todde só durou até o fim daquele ano e, no começo de 2022, Giba assumiu o comando da Abracerva.

Com elo histórico com a gastronomia, cerveja busca ganhar espaço nos menus

A diversidade de estilos de cerveja é responsável por uma enorme quantidade de gostos, aromas e cores. Além disso, pode gerar grandes histórias, que envolvem não apenas os copos, mas também os pratos. Afinal, a cerveja também deve ser vista como um elemento importante na gastronomia, ainda que siga travando batalhas para ganhar mais espaços nos menus mundo afora.

Com a afirmação Cerveja É Gastronomia, a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) e o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) organizaram um congresso sobre o tema na última semana, na Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo.

O evento buscou reforçar a relação intrínseca entre cerveja e gastronomia, relembrando a trajetória histórica dessa união, o modo como restaurantes atuam nesse processo no Brasil, além de abordar exemplos e desafios da atualidade para indicar rumos que contribuam para ampliar esses laços.

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Durante a sua apresentação, Cilene Saorin, mestre-cervejeira e professora da Doemens Academy, apontou como a história do homem e a gastronomia estão entrelaçadas, em uma trajetória que liga os alimentos “civilizatórios” e a existência de bebidas fermentadas. Ela ainda destacou como a migração humana e as povoações de novas regiões também trouxeram consigo a cultura e o conhecimento.

“Com isso, também [vieram] alguns grãos considerados ‘civilizatórios’, como o arroz, a cevada e o trigo. Assim, a cevada e o trigo passaram a ser prioritários para algumas produções, principalmente na Europa”, explica Cilene.

A partir disso, hábitos foram se construindo, com a produção de bebidas e a presença de cerveja e vinho na história se relacionando com o terroir de cada região. “O sul da Europa é marcado pelo vinho, enquanto o norte é marcado pela cultura da cerveja, como na Alemanha”, explica. “É uma definição do que a natureza oferece. Nasce da terra e chega à mesa no beber e no comer.”

Essa união de diferentes fatores que passa pelo desenvolvimento de culturas também se mistura com os conceitos de harmonização e a importância de entender a conexão entre a gastronomia, a taça e o prato a partir de duas palavras-chave: “equilíbrio e diálogo”.

É importante pensar em oportunidades de harmonização com o bom senso e a preferência pessoal. Harmonização é a multiplicação de sabores e não apenas uma conta de 1 + 1= 2

Cilene Saorin, mestre-cervejeira e professora da Doemens Academy

A inserção das cervejas nos menus
Essa união histórica também foi trazida para a atualidade no congresso, com a apresentação de vários exemplos. E um deles foi do Jiquitaia, inaugurado há cerca de 10 anos em São Paulo, que sempre carregou o nome de “restaurante bar”, por unir as duas atividades.

Por lá, a parceria entre torresmo e cerveja é um dos carros-chefes. E a bebida sempre esteve presente no menu. “Não faço nenhum tipo de hierarquização das bebidas dentro do restaurante. Gosto quando tem uma mesa com uma pessoa bebendo vinho, outra tomando um coquetel, uma cachaça e uma cerveja. Felizmente, hoje no Jequitaia isso é muito comum”, afirma o sócio-proprietário Marcelo Corrêa Bastos.

Também com uma trajetória longeva em bares e restaurantes – já são 26 anos atuando no setor –, Ricardo Garrido, hoje sócio-proprietário da Cia Tradicional de Comércio, que agrega alguns dos principais restaurantes paulistanos, começou a trabalhar no segmento por causa da cerveja.

Em sua visão, embora produzido com qualidade pela indústria, o chope era “maltratado” pelos bares, sendo visto como um produto de menor valor agregado ou para momentos corriqueiros. Para ele, os estabelecimentos têm a responsabilidade de educação gastronômica e de ofertar bons produtos ao consumidor.

Nosso papel no meio dessa conexão é continuar batalhando e mostrar como a harmonização entre uma cerveja e um prato mais elaborado pode ser tão ou mais prazerosa do que a harmonização com outra bebida

Ricardo Garrido, sócio-proprietário da Cia Tradicional de Comércio

Brasilidades no gosto no século XXI
Pela sua presença ao longo da história, a gastronomia também acaba sendo alvo de pesquisas de diversos estudiosos, sobretudo porque ela ajuda a refletir sobre a cultura de uma nação. Conhecê-la, portanto, é fundamental para bares e restaurantes compreenderem os gostos que vão marcar o século XXI e relacioná-los com as melhores opções de harmonização, conforme avaliaram os especialistas presentes no Cerveja É Gastronomia.

“Quando a gente fala em cozinha brasileira, a gente não está falando apenas de coisas próprias do nosso país, mas também do modo de se comportar à mesa e de se comportar na cozinha”, defende Luiza Fecarotta, jornalista gastronômica e editora do portal Food Connection, durante o painel Brasilidades do Gosto no século XXI.

Para ela e outras especialistas presentes ao evento, a gastronomia brasileira nesse século passará pela reconexão com a terra e o resgate dos seus sabores. “As brasilidades dos gostos são nada mais do que o acerto do Brasil atual, o contemporâneo, com o Brasil ancestral, o passado, o tradicional”, afirma Elaine de Azevedo, criadora do podcast Panela de Impressão.

Já segundo a chef Larissa Januário, do restaurante Sabor & Arte, a mistura, a alimentação em casa e o reconhecimento nos alimentos explicam o que é o paladar brasileiro e onde ele se reconhece. “Você quer entender o Brasil? Vá ao (restaurante por) quilo. A gente vai misturar feijoada, sushi e lasanha e vai achar bom. O brasileiro gosta de comida gostosa acima de tudo. A gente gosta de partilhar. Gosta de cozinhar. Para mim, casa só é casa quando a gente ativa a cozinha”, completa.

Resta, agora, a missão de incrementar essa miscelânea com a cerveja no Brasil e suas incontáveis opções de harmonização.  

Após duas altas, fabricação de alcoólicas cai 1,7% e deixa de seguir ritmo da indústria

Depois de ter registrado dois meses consecutivos de alta, a fabricação de bebidas alcoólicas no Brasil amargou baixa de 1,7% em maio no comparativo com o mesmo mês do ano passado. O índice foi confirmado pelo IBGE na divulgação de sua última Pesquisa Industrial Mensal (PIM), que também apontou expansão da indústria nacional pelo quarto mês consecutivo, com elevação de 0,3% em relação a abril.

Desta forma, a produção de bebidas com álcool no País não acompanhou essa curva de crescimento e amarga queda de 3,7% no acumulado do ano em relação ao mesmo período de 2021. Além disso, contabiliza redução de 7,5% nos 12 meses imediatamente anteriores a maio.

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Anteriormente, a fabricação de bebidas alcóolicas havia conquistado altas expressivas de 5% em março e de 11,7% em abril. Agora, essa redução também tem grande relevância quando se leva em conta a produção de bebidas não alcoólicas, que manteve a tendência de crescimento, subindo 16,7% em relação a maio de 2021 e acumulando alta de 12,2% no acumulado de 2022 no comparativo com a produção dos cinco primeiros meses iniciais de 2021. Já nos últimos 12 meses, a expansão é de 0,9%.

Essa queda da fabricação de alcoólicas colaborou para que a produção de bebidas em geral registrasse diminuição de 1,2% em sua variação mensal em relação a abril. Entretanto, na confrontação com maio do ano passado, houve aumento de 6,3%. No acumulado do ano, a elevação é de 3,4% na comparação com o mesmo período de 2021. Já na variação dos 12 meses imediatamente anteriores, o índice fica negativo em 3,6%

Desta forma, a fabricação de bebidas foi uma das atividades econômicas a exercer influência positiva para a indústria crescer 0,3% em maio e contabilizar o quarto mês consecutivo de expansão. Porém, essa evolução ainda não é suficiente para eliminar o recuo de 1,9% registrado em janeiro deste ano.

O IBGE confirma que houve índices positivos em três das quatro grandes categorias econômicas e em 19 das 26 atividades industriais pesquisadas. Mesmo assim, o setor produtivo brasileiro soma hoje índice negativo de 1,1% em relação ao patamar que possuía em fevereiro de 2020, um mês antes do início da pandemia, e está 17,6% abaixo do nível recorde que conseguiu atingir em maio de 2011.

“O setor industrial ainda tem um espaço grande a ser recuperado frente a patamares mais elevados da série histórica. Ainda permanecem a restrição de acesso das empresas a insumos e componentes para a produção do bem final e o encarecimento dos custos de produção. Várias plantas industriais prosseguem realizando paralisações, reduções de jornadas de trabalho e concedendo férias coletivas, com a indústria automobilística exemplificando bem essa situação nos últimos meses”, explica André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE.

Indústria cresce 0,5% no comparativo com maio de 2021
Se na variação mensal em relação a abril, a indústria registrou crescimento de 0,3%, no comparativo com maio do ano passado essa elevação foi maior, de 0,5%. O instituto destaca que esse índice foi alcançado como reflexo de resultados positivos em duas das quatro grandes categorias econômicas, em 12 dos 26 ramos, 34 dos 79 grupos e 47,2% dos 805 produtos pesquisados.

No acumulado do ano, entretanto, a indústria registra queda de 2,6% em relação ao mesmo período de 2021 e ainda uma retração de 1,9% nos últimos 12 meses. “De uma maneira geral, há uma melhora no desempenho da indústria nos últimos quatro meses que pode estar relacionada às medidas de incremento da renda implementadas pelo governo (liberação de recursos do FGTS e antecipação do 13º para aposentados e pensionistas). Isso pode estar trazendo algum impacto positivo para o setor industrial, além da evolução no mercado de trabalho com a redução da taxa de desocupação”, analisa Macedo.

Marca de Cingapura usa água tratada de esgoto em cerveja e alerta sobre escassez

A cervejaria artesanal Brewerkz Singapore lançou um rótulo que chama a atenção por um dos seus ingredientes. A NEWBrew, uma cerveja do estilo Tropical Blond Ale, leva água potável tratada do esgoto de Cingapura na sua receita, em uma iniciativa que tem a intenção de chamar a atenção para a importância do uso sustentável desse recurso natural.

A NEWBrew foi apresentada inicialmente em 2018, em uma conferência sobre a água. Agora, então, a Brewerkz realizou o seu lançamento comercial, em parceria com a agência nacional de água de Cingapura.

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Em sua composição, então, a cerveja conta com a NEWater, a marca de água potável tratada do esgoto local. Ela fluiu pela primeira vez de estações de tratamento em 2003, em iniciativa para melhorar a segurança hídrica na ilha. E essa água tratada se soma a uma receita que leva maltes de cevada alemães e os lúpulos aromáticos Citra e Calypso, além de levedura de fazenda da Noruega.

“O resultado é uma cerveja altamente agradável, adequada para o clima tropical de Cingapura, com um sabor suave e tostado de mel”, afirma a Brewerkz Singapore em seu site oficial.

Transformar o esgoto em água potável é uma alternativa para lidar com a escassez do recurso natural, com o uso de tecnologia para tornar isso viável já tendo sido adotado por Israel e Cingapura, que também utiliza outras saídas para lidar com o problema, o que inclui coleta de água da chuva e a dessalinização da água do mar.

Em Cingapura, a NEWater é produzida desinfetando o esgoto com luz ultravioleta para remover partículas contaminantes, além do uso de técnicas como microfiltração e osmose reversa. E o seu resultado final atende às diretrizes da Organização Mundial da Saúde.

A NEWater é usada principalmente para resfriamento em processos industriais, bem como para abastecer reservatórios. E a expectativa é de que atenda a 55% das necessidades de água de Cingapura até 2060.

Com o lançamento, a Brewerkz e as autoridades locais esperam auxiliar na expansão da tecnologia que atua no tratamento do esgoto, persuadindo o público ao demonstrar que, uma vez processada, a água do esgoto é apenas água. A iniciativa também pretende chamar a atenção para a emergência climática, com as secas ameaçando o abastecimento de água doce pelo mundo.

Iniciativas semelhantes já foram adotadas pelo mundo por outras cervejarias. Isso ocorreu na Suécia, onde a Nya Carnegie Brewery fez parceria com a Carlsberg e o IVL Swedish Environmental Research Institute para um lançamento, assim como aconteceu com a Village Brewery, no Canadá, que se uniu a pesquisadores da Universidade de Calgary e à empresa de tecnologia de água dos Estados Unidos Xylem.

Com queda pelo 3º mês, ação da Ambev desvaloriza 13,1% no 1º semestre

A ação da Ambev terminou o primeiro semestre de 2022 em baixa. O papel desvalorizou 13,1% na metade inicial do ano ao terminar o mês de junho valendo R$ 13,40, uma perda de R$ 2,02 em relação ao último pregão de 2021. E essa queda foi reforçada pelo pior mês da B3, a bolsa de valores brasileira, desde o início da pandemia do coronavírus, em março de 2020.

O Ibovespa, o principal índice da B3, terminou o pregão da última quinta-feira (30) aos 98.542 pontos, o que representou desvalorização de 11,50% em junho, a maior desde o tombo de 30% no primeiro mês da crise sanitária.

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De acordo com analistas, a forte queda foi provocada pela aversão ao risco no mercado brasileiro, provocada por um cenário externo adverso, que inclui a continuidade da alta da inflação no cenário global, a desaceleração da economia chinesa, impactada pela pandemia, e a alta dos juros nos Estados Unidos, acompanhada pela possibilidade de recessão no País, o que provoca efeito considerável em ativos de empresas de consumo, caso da Ambev.

Dentro desse contexto, e ainda que em um ritmo mais lento de queda do que o do Ibovespa, a ação da Ambev também desvalorizou, com retração de 5,57% no último mês do primeiro semestre. Foi, aliás, o terceiro mês consecutivo em que o ativo reduziu o seu preço no mercado financeiro do Brasil.

Com isso, a Ambev se inseriu em um enorme contingente de empresas que perderam valor no mercado financeiro brasileiro em junho. Afinal, das 91 ações listadas no Ibovespa, apenas 4 apresentaram alta, com destaque para os papéis preferenciais (12,18%) e ordinários (9,63%) da Eletrobrás.

Já entre as demais 87 ações, a maior queda foi da Méliuz, que despencou 43,16% no período, seguida por Via (38,85%), Azul (38,44%), Gol (37,49%) e Magazine Luiza (37,10%). A Magazine Luiza, aliás, lidera as perdas no semestre, em 67,59%. Já a maior alta na primeira metade do ano foi da Cielo, de 65,57%.

Fora do Brasil
No cenário externo, a ação da Ambev também caiu em junho. O papel da cervejaria terminou a sessão da última quinta-feira (30) na Bolsa de Nova York valendo US$ 2,51. Assim, em um mês desvalorizou 15,2%. Essa perda, inclusive, reverteu o cenário de 2022, que vinha sendo positivo. Agora, então, o papel fechou o primeiro semestre com perda de 10,36%.

Situações parecidas aconteceram com as ações das maiores cervejarias do mundo na Europa. O ativo da AB InBev terminou o mês de junho com valor de 51,36 euros, caindo 3,4% no semestre. Já o papel da Heineken ficou em 87,00 euros, tendo perdido 12% do seu preço no período de janeiro a junho de 2022.