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Menu Degustação: Crowdfunding do IPA Day, reciclagem da Corona…

O mês de junho começou no setor cervejeiro com uma iniciativa para viabilizar um conhecido evento, o IPA Day, que voltará a acontecer em 2022, em duas edições, mas que precisa arrecadar fundos para ter continuidade e abriu um crowdfunding com essa intenção. Já em busca de um mundo mais sustentável, a Corona prometeu reciclar uma garrafa de plástico para cada long neck vendida.

Os eventos cervejeiros, por sua vez, continuam em alta. A Landel, por exemplo, realizará um growler day de temática junina neste fim de semana, enquanto Beck’s e Hoegaarden têm festivais passando por diversas cidades brasileiras. E o concurso Eisenbahn Mestre Cervejeiro definiu os finalistas.

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Confira estes e outras ações dentro do setor no Menu Degustação do Guia:

Crowdfunding do IPA Day
Criado em 2012, o festival IPA Day Brasil ajudou a consolidar a India Pale Ale como uma das cervejas preferidas entre os amantes das artesanais. A pandemia, entretanto, interrompeu o ciclo de expansão. Para se recompor, o IPA Day lançou um crowdfunding para reequilibrar as contas e garantir eventos futuros. Mas as edições de 2022 estão confirmadas. Em 6 de agosto, a festa acontecerá na cervejaria Tarantino, em São Paulo. Já em 12 de novembro a edição nacional, o IPA Day Brasil, será realizada em Ribeirão Preto.

Growler Day junino da Landel
Neste sábado, a partir das 11 horas, a tap house da Landel, no bairro do Taquaral, em Campinas (SP), vai se transformar em “arraiá”, com comes típicos e uma cerveja preparada especialmente para a data: a Anarriê, uma Herb and Spice Beer, com 5% de teor alcóolico. Além dela, as torneiras estarão abastecidas com outros nove chopes frescos. No happy hour estendido – até 17h –, a cada dois chopes, o cliente ganha um do mesmo tamanho.

Avós ocupa locais históricos de São Paulo
A Avós se tornou a cerveja artesanal oficial do Pavilhão Pacaembu, em São Paulo. Para brindar sua recente chegada ao local, apresentou a Avó que Dibra, uma Bohemian Pilsner com 4.8% de teor alcoólico. A receita faz reverência às mulheres que promoveram o Jogo das Vedetes no estádio, em 1959, driblando a lei que proibia partidas de futebol feminino até então.

Reciclagem da Corona
A Corona anunciou que para cada long neck vendida no Brasil, a marca vai reciclar o equivalente a uma garrafa de plástico, em ação para fortalecer a luta contra a poluição plástica e a favor da preservação dos oceanos. Serão destinados ainda recursos para que mais de 5 mil toneladas de plástico – o que representaria mais de 287 milhões de garrafas descartáveis de 500ml – sejam recicladas. Para anunciar essa iniciativa, a marca criou uma intervenção artística na praia de São Conrado, no Rio, escrevendo em letras gigantes a mensagem “imagine um mundo sem plástico”. Foram usados cerca de 400 quilos de plástico recolhidos durante limpezas de praia na cidade. A intervenção foi assinada pelo artista e designer de upcycling Davi Rezende.

Finalistas de concurso
O concurso Eisenbahn Mestre Cervejeiro definiu os finalistas da sua 12ª edição: Gabriel Portela Paulo, de Jacareí (SP), e Fabiano Ferreira da Cruz, de Xaxim (SC). Eles foram determinados após análise das brassagens de German Pils, estilo tema deste ano, pela equipe de mestres cervejeiros do Instituto da Cerveja Brasil (ICB) juntamente com Juliano Mendes (fundador da Eisenbahn), seguido por uma segunda fase com aulas no ICB. A grande final acontecerá em julho, em Blumenau (SC).

Festival da Hoegaarden
O circuito Brunch Gaarden, apresentado pela Hoegaarden, terá 17 dias de evento, de 24 de junho a 10 de julho, reunindo mais de 35 restaurantes de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, englobando casas que irão disponibilizar pratos exclusivos, em opção à la carte, oferecendo três sugestões de seus menus e que poderão ser desfrutadas durante todo o dia.  Ao pedir um dos itens do cardápio, os clientes ganham uma Hoegaarden ou um coquetel feito com a Witbier como welcome drink.

Festival de música da Beck´s
A Beck´s iniciou a realização do Festival Urbeck’s com oito festas espalhadas por seis cidades do Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre). Neste fim de semana, desta sexta-feira até o domingo (10 a 12), a festa será no Rio, no Planetário da Gávea. O line-up conta com atrações como Fernanda Abreu e Millos Kaiser, Carlos do Complexo, Festa Selvagem, Carola, Larissa Jennings, Só Track Boa e exposições de artistas, como Elian Almeida, Jota Explícito, Raphael Cruz, Rafa Moreira e Marcela Cantuário.

Expansão de programa
A Ambev resolveu se juntar com sua operação na Argentina – a Quilmes – para expandir o Além, seu programa de cocriação de novos negócios. Neste ano, startups de toda América do Sul podem participar da terceira edição do programa, que as conecta com as áreas de negócios da companhia para que elas criem, em conjunto, soluções para além da Ambev. São elegíveis a participar do programa startups de todas as verticais que estão em fase de tração e escala e possuem solução pronta, já validada no mercado. As interessadas poderão se candidatar até 28 de junho.

Banco de jurados
O Science of Beer, organizador da Brasil Beer Cup, abre oportunidade a profissionais atuantes no segmento para serem juízes em um concurso internacional. Os candidatos a jurados devem comprovar sua experiência através da submissão de currículo e de três cartas de apresentação assinadas por profissionais reconhecidos no segmento cervejeiro de seu país. A cada edição do concurso, a organização recebe pedidos de interessados em fazer parte do corpo de juízes. Assim, o Science of Beer decidiu criar um banco reserva de profissionais que podem ser convidados a compor o júri do concurso em próximas edições. O formulário pode ser acessado no link.

Ação que apoia retificação de nomes causa impactos além do ecossistema cervejeiro

João, Maria, Luiz Eduardo, Ana Carolina… Simples ou composto, comum ou diferente, o fato é que, apesar de os nomes próprios serem tantos, cada um carrega a sua singularidade por ser a identificação de uma pessoa perante a sociedade.

O impacto dos nomes no convívio social de um indivíduo está estabelecido pelo Código Civil, apontando que toda pessoa precisa ter um, estando nele compreendidos o prenome e o sobrenome, que geralmente são definidos no registro da certidão de nascimento.

Entretanto, imagine uma pessoa transgênero que começou sua hormonização e tem barba, mas nos documentos ainda carrega um nome atrelado ao gênero feminino. Se ela precisar apresentar seu documento para entrar em um estabelecimento, essa situação poderá causar questionamentos, transfobia e desconforto.

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Foi pensando nisso que a Ambev criou o projeto “Me chame pelo meu nome (e pronome também)”, que apoia pessoas trans e travestis da companhia no processo de retificação de seus nomes. “Nosso objetivo é ajudar nosso time de colaboradores trans e travestis a se sentir cada vez mais incluídos dentro e fora da Ambev”, pontua a companhia.

Entendendo as questões burocráticas que englobam a alteração de nomes, a Ambev chamou um advogado especializado no tema para ajudar os colaboradores nesse processo. “Basta o funcionário enviar um e-mail para seu respectivo gestor que a equipe responsável de D&I (diversidade e inclusão) entrará em contato com o advogado, iniciará o processo e arcará com todos os custos envolvidos”, destaca a empresa.

A ação se soma a outros programas internos da Ambev para ajudar a combater homofobia, transfobia, machismo, racismo e a objetificação da mulher dentro do seu ecossistema. “Acreditamos que um ambiente diverso faz com que as pessoas se sintam mais confiantes para propor novas ideias e estimular a inovação e criatividade, resultando na qualidade das decisões tomadas”.

Em 2016, para reforçar seu compromisso com a causa LGBTQIAP+, a companhia aderiu ao Fórum de Empresas e Direitos LGBTQ+. Também criou o LAGER, grupo de afinidade para todos os membros da comunidade LGBTQIAP+ poderem discutir as melhores práticas de inclusão para que se sintam cada vez mais à vontade para se expressar da maneira que quiserem.

O projeto “Me chame pelo meu nome (e pronome também!)” é mais uma iniciativa dentro desse guarda-chuva de diversidade e inclusão criado para apoiar os mais de 120 colaboradores trans que estão distribuídos em diferentes níveis dentro da companhia.

Me chame de Issabela
Issabela Alves Reis, trans, de 25 anos, é formada em gestão de recursos humanos pelo Instituto Federal de São Paulo (IFSP), e atualmente atua na Ambev como analista de gente e gestão. Ela conta que o nome antigo a afetava negativamente. “Eu não era lida conforme meu gênero. As pessoas associam nome ao gênero e isso não é correto”, afirma.

A retificação do nome de Issabela está acontecendo a partir da ação “Me chame pelo meu nome”. Antes, ela já havia pesquisado formas de mudar de nome, processo que planejava dar início neste ano. “Poder escolher como quero ser chamada me trouxe mais autonomia para ser quem eu quiser ser. O processo está em andamento. Estou aguardando atualização do advogado responsável pela ação”, destaca a analista.

“Como empresa, é um movimento muito humano e empático com nossa existência sendo pessoas trans [a realização da ação], e no Brasil é um movimento para provocar a mudança de comportamento, pois as pessoas que estão na Ambev vão compartilhar essas notícias de forma a conscientizar outras”, completa.

Muito além da companhia
Para que pessoas em situação de vulnerabilidade também possam realizar a mudança de nomes, a Ambev fará ainda uma doação proporcional ao valor investido em seus colaboradores à Casa Neon Cunha, ONG de acolhimento às pessoas da comunidade LGBTQIA+.

A Casa Neon Cunha promove a autonomia da comunidade LGBTQIA+, apoiando sobretudo a população trans com atividades de formação, qualificação, acolhimento e distribuição de cestas básicas.

Além disso, a companhia destaca a consciência de o quão importante é para as pessoas trans e travestis serem chamadas pelo nome e pronome que escolheram. “Afinal, isso é um direito básico atribuído a todas as pessoas, algo importantíssimo para a construção da identidade e dignidade do ser humano, e que, junto com a aparência, nos identifica e diferencia das outras pessoas, nos tornando únicos”.

Junto com o programa, a Ambev lançou um guia com conteúdo especialmente pensado para apoiar a jornada da população trans e travesti dentro de seu ecossistema. “A conclusão que fica é que precisamos, cada vez mais, olhar com atenção para as pessoas, entender suas individualidades e pensar em ações de inclusão que tragam essas pessoas para perto do jeito que elas são, pois só assim conseguiremos construirmos um futuro com mais razões para todos nós brindarmos”, completa.

O que diz a lei?
Em 2018, o Supremo Tribunal Federal reconheceu que pessoas trans podem alterar o nome e o sexo no registro civil sem a necessidade de realização de cirurgia de transgenitalização ou decisão judicial. De acordo com a lei, quem deseja fazer a retificação de nome poderá se dirigir diretamente a um cartório para solicitar a mudança. Ainda é preciso ter 18 anos ou mais para poder trocar de gênero nos documentos. Menores de idade, mesmo com autorização dos pais, precisam entrar com um processo judicial.

Outra alternativa para pessoas trans com menos de 18 anos que desejam trocar de nome é utilizar o nome social, que pode ser inserido no RG e deve ser respeitado em escolas, hospitais e outras instituições. Para isso, um caminho pode ser contar com o auxílio do Poupatrans, um coletivo de São Paulo, iniciativa de três mulheres trans comprometidas com o direito de pessoas trans ao reconhecimento de seu nome e identidade através do processo de retificação.

Com um portal dedicado ao tema, o Poupatrans esclarece ainda a diferença entre nome social e retificação de nome e formas de obtê-los. O primeiro não muda o nome escrito na certidão de nascimento e é uma política que permite às pessoas trans utilizarem os nomes pelos quais se identificam em diferentes instituições, como escolas e serviços de saúde.

Já o segundo permite a retificação de prenome e/ou gênero através de um procedimento administrativo nos documentos pessoais, substituindo o nome registrado na certidão de nascimento por aquele que a pessoa se identifica.

Para quem busca mais compreensão e caminhos para a tão sonhada retificação de nome, o coletivo elaborou uma cartilha que favorece o direito de retificação do nome e/ou do gênero em documentos oficiais de identificação e que está disponível gratuitamente em seu portal.

Preço da cerveja tem alta de 0,44% e repete ritmo do IPCA em maio

O preço da cerveja registrou aumento médio de 0,44% em maio, mantendo a tendência de alta no ano, além de ter um ritmo parecido ao da inflação oficial, o IPCA. Afinal, o índice geral terminou o mês passado com alta de de 0,47%, de acordo com os dados divulgados pelo IBGE.

A variação mensal de 0,44% foi constatada para a cerveja no domicílio, vendida em supermercados ou redes varejistas, enquanto o custo desta bebida fora do domicílio, comercializada em locais como bares e restaurantes, teve elevação média de 0,36% no mês passado.

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Em abril, o preço da cerveja havia contabilizado uma subida de 0,36% e descolado da alta histórica do IPCA, que foi de 1,06%, a maior para este mês do ano desde 1996. Agora, porém, repete o comportamento da inflação brasileira.

Neste panorama, no acumulado do ano, o valor da cerveja comprada em estabelecimentos como supermercados aumentou 2,17% e subiu 2,20% em estabelecimentos como bares e restaurantes. Já no amontoado dos últimos 12 meses, a bebida soma expressivas altas de 9,38% e 5,22% nas mesmas ocasiões de aquisição, respectivamente.

Já o preço médio de outras bebidas alcoólicas registrou elevações importantes em maio, sendo de 1,66% no domicílio e de 1,04% fora dele. E desde janeiro deste ano, a subida já é de 14,10% e 4,80% nestas respectivas condições de compra. Estes dois índices superam, inclusive, os encarecimentos de 8,60% nos lares e de 3,27% fora deles constatados para este item de consumo no período dos últimos 12 meses.

Um dos principais destaques negativos da inflação de abril divulgada pelo IBGE, o tópico Alimentação e Bebidas sofreu variação mensal de 0,48% em maio, uma queda significativa em relação ao índice do mês anterior, quando havia contabilizado uma alta de 2,06%. No acumulado do ano, porém, este item já soma 7,56% de aumento, sendo que a elevação no período dos últimos 12 meses é de 13,51%.

Pedro Kislanov, gerente desta pesquisa do IPCA, explica que a boa redução constada no custo de alimentos e bebidas em maio se deveu principalmente à diminuição dos preços de alguns produtos que estavam muito caros, como o tomate (-23,72%), a cenoura (-24,07%) e a batata-inglesa (-3,94%).

“Agora começamos o período de outono-inverno, que é mais seco e permite aumentar a oferta de alimentos e reduzir os preços. Outro fator é que os preços de alguns alimentos, como a cenoura (116,37% em 12 meses), subiram muito, o que faz com que a base de comparação seja muito alta. Já o preço do leite continua subindo, devido ao período de entressafra, com pastagens mais secas, e à inflação de custos com a elevação dos preços de commodities como milho e soja, usadas na ração animal”, esclarece.

Oito dos nove grupos de produtos e serviços investigados pelo instituto de pesquisa registraram alta nos preços em maio. A maior variação foi constatada no custo com vestuário, que subiu 2,11%. O item Transportes, que ficou 1,34% mais caro, se posicionou como outro vilão da inflação. E o único grupo que teve queda nos seus valores foi o de habitação, com redução de 1,70%.

O IBGE também enfatiza que o aumento dos preços das passagens áreas foi o principal fator que influenciou para o índice geral da inflação ser de 0,47% em maio, após a variação ter sido de 0,83% no mesmo mês de 2021. No ano, a alta acumulada do IPCA é de 4,78% e, no amontado dos últimos 12 meses, de 11,73%, sendo superior aos 9,38% da cerveja no domicílio.

“Vale fazer uma ressalva de que a coleta das passagens aéreas é feita dois meses antes. Neste caso, os preços das passagens aéreas foram coletados em março para viagens que seriam realizadas em maio. A alta deve-se a dois fatores: elevação dos custos devido ao aumento nos preços dos combustíveis; e pressão de demanda, com o aumento do consumo, após um período de demanda reprimida por serviços, especialmente aqueles prestados às famílias. Isso impacta, também, alimentação fora do domicílio e itens de cuidados pessoais”, explica o gerente Pedro Kislanov.

Entrevista: “Há uma demanda reprimida por livros técnicos sobre cerveja no Brasil”

Terceiro país que mais consome cerveja no mundo, o Brasil ainda sofre com a escassez de livros técnicos que abordem essa temática e sejam produzidos por autores locais. A constatação vem de um autor de uma obra sobre o assunto, o professor Alfredo Muxel, que trabalha na unidade de Blumenau da Universidade Federal de Santa Catarina.

Atuante por lá e participante de grupos de pesquisas, ele aproveitou o recolhimento provocado pela pandemia do coronavírus para escrever “Química da Cerveja – Uma abordagem química e bioquímica das matérias-primas, processo de produção e da composição dos compostos de sabores da cerveja”.

Confira o Guia Talks com Alfredo Muxel

A obra é tema de mais uma edição do Guia Talks, com Muxel revelando que a percepção da falta de livros técnicos sobre cerveja esteve entre as razões que motivaram a sua produção. E ele usa a grande demanda surgida desde o lançamento da sua obra como referencial para diagnosticar a escassez desse tipo de publicação.

Na entrevista, Muxel também revela os avanços em trabalhos de pesquisa envolvendo leveduras e lúpulo no Brasil, apostando que, em breve, novidades chegarão ao mercado e poderão ser percebidas, inclusive, pelo consumidor.

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Confira os principais trechos do Guia Talks com Alfredo Muxel:

O que motivou a escrever o livro “Química da Cerveja”?
Primeiramente, uma motivação pessoal. Sempre fui muito estudioso sobre a cerveja, buscava informações e artigos. Então, eu tenho esse interesse por conhecimento. E isso me trouxe um incômodo porque a gente não tinha um livro técnico nacional, com conhecimentos sobre ingredientes e produção. Eu leciono na universidade uma disciplina que se chama Fundamentos de Produção de Cerveja e não conseguia oferecer aos alunos um livro-texto que pudesse servir de base para os estudos.  E isso também foi uma motivação. Eu também ofereço cursos na universidade e recebo muita gente, desde o principiante até o pessoal que trabalha no nas cervejarias da região. E quando eles vêm participar do curso, muitas das dúvidas são recorrentes e repetitivas. Eu os respondo, mas não tinha um material em português para embasar. E o fator preponderante foi a pandemia. Acabei ficando em casa e tive que procurar uma ocupação para poder passar esse período. E aí comecei a escrever. Foi assim que surgiu o livro.

Quais são os temas abordados no livro?
O livro tem 350 páginas, sendo dividido em cinco partes, com 11 capítulos, além de dois apêndices. Todo o conteúdo passou por um comitê científico, por ser um livro técnico. A primeira parte é sobre os ingredientes utilizados na produção, como adjuntos, lúpulo e água, com a discussão dos conceitos químicos. A segunda parte tem foco na levedura e, principalmente, nos processos bioquímicos associados ao seu metabolismo. A terceira parte é dedicada a descrever o processo de produção e a influência na composição do mosto cervejeiro. A quarta parte é focada na fermentação e maturação da cerveja. E a quinta parte aborda a composição química da cerveja e como isso acaba influenciando nos sabores que a cerveja tem. E, para finalizar, temos os processos químicos que estão envolvidos no envelhecimento da cerveja. Além disso, Cada parágrafo traz a referência de onde foi retirado esse conteúdo. Então, a pessoa pode pegar a referência para se aprofundar ainda mais sobre o tema.

Qual é o público-alvo do seu livro?
Essa é uma preocupação que eu sempre tive: quem seria o meu público. A pessoa que tem conhecimento básico sobre ciências e pegar esse livro, vai compreender certas partes. Quem tem conhecimento um pouco maior sobre ciências como química e biologia, vai ter uma compreensão melhor do livro. E quem tem um conhecimento aprofundado em química e biologia, produz a sua cerveja, possui uma indústria ou trabalha com sommelieria, consegue se aprofundar ainda mais nos conteúdos. Então, quanto melhor for a base, mais vai tirar proveito. Mas ele foi escrito para desde o cervejeiro iniciante ou aquele curioso que quer ter uma compreensão, até uma pessoa que é estudiosa, que deseja se aprofundar mais em algum tema.

Você comentou sobre a escassez de livros técnicos sobre cerveja no Brasil. Qual é a importância para o mercado de se ter mais obras desse tipo?

Os nossos cervejeiros estão muito carentes por material desse tipo. Prova disso é que quando o meu livro foi publicado, a editora não deu conta de produzir, houve até atraso na entrega. Toda essa demanda reprimida estava esperando por um material desse tipo e foi atrás. Surpreendeu a editora. Isso foi legal, porque mostra que tem público que consome esse tipo de material e serve de incentivo. Quando a gente tem um livro escrito na nossa língua, que usa os nossos termos, faz a diferença. Nos apegamos e isso facilita o aprendizado. O mercado precisa de mais material técnico.

Além de professor e, agora, autor de livros técnicos com a temática da cerveja, o senhor está envolvido em alguns grupos de pesquisa. Quais as temáticas têm sido mais abordadas nesses trabalhos sobre ciência cervejeira?
Eu estou vendo muitos projetos relacionados ao tema com projetos de financiamento público a fundo perdido como o Programa Centelha, que dá toda uma estrutura para o projeto, contribuindo para que depois se tornem empresas. E tem muito projeto bacana, bem estruturado. Tem duas vertentes. A primeira delas é relacionada com a regionalização da levedura cervejeira, que está inserida em uma região. A outra vertente que estou vendo envolve a produção de lúpulo nacional, com várias tecnologias surgindo.

E o que poderemos ter de novidade envolvendo as leveduras?
Pelo que vejo, a nossa próxima evolução tecnológica sobre cerveja no Brasil vai sair de um desses programas. Já pensou a gente poder tomar uma cerveja que foi produzida com levedura de uma planta do cerrado? Qual será o sabor? Eu acho que vai ter muita cerveja produzida com leveduras regionais, a gente vai poder verificar qual característica que aquele microrganismo vai produzir.

Quais são os assuntos mais abordados nesses trabalhos envolvendo o lúpulo?
Quando eu escrevi o livro, citei algumas pesquisas relacionadas ao lúpulo no Brasil. E quando eu fiz a busca bibliográfica, haviam poucos artigos científicos relacionados ao tema. Nesse sentido, os projetos que eu estou vendo surgir estão muito relacionados à tecnologia, que pode ser associada à plantação, suprindo essa dificuldade de desenvolvimento na nossa região. Mas tendo a tecnologia, é possível desenvolver. Existem propostas para suprir a dificuldade da iluminação. E, é claro, o desenvolvimento de novas variedades. A gente está no caminho, tem espaço para crescer.

9 dicas para ficar atento no processo de carbonatação da cerveja

A produção de uma cerveja passa por diversas etapas, algumas mais simples e outras mais complexas, mas todas fundamentais para a obtenção de um bom produto. A carbonatação é uma dessas, pois o gás carbônico oriundo dela ajuda a conservar a qualidade da bebida, além de ser fundamental para o seu perfil sensorial.

O CO2, afinal, é responsável por proporcionar a percepção de aspectos como odor, textura e sabor aos sentidos humanos. “Esses aspectos são fundamentais para a percepção da qualidade da cerveja”, afirma Nelson Karsokas Filho, engenheiro e proprietário da Porofil Filtros Industriais.

Importante passo da produção cervejeira, portanto, a carbonatação acontece de forma natural, mas também pode ser induzida pelos profissionais responsáveis pela sua fabricação.  Isso acontece quando a presença do CO2 oriunda do processo natural não é suficiente. Assim, considerando o estilo de cerveja a ser fabricado, é preciso que se gere um volume adicional de gás carbônico antes do envase da bebida.

Dessa forma, evitar erros no processo de carbonatação é fundamental para que a cerveja alcance o perfil sensorial desejado. E, para isso, realizar investimentos em melhorias e adotar cuidados nesses processos são passos essenciais.  

“A Porofil tem contribuído para a melhoria desse processo através do fornecimento de elementos porosos sinterizados em aço inoxidável específicos para promover as melhores condições de dispersão de CO2 em processos de correção e ajuste e/ou carbonatação forçada de ação direta tanto em linha como em tanques”, conta Nelson.

Para que o processo de carbonatação seja eficiente, algumas variáveis precisam ser consideradas. A reportagem do Guia, com o apoio do profissional da Porofil, as separou em dois grupos: algumas ligadas ao meio e outras relacionadas ao elemento poroso, responsável pela difusão do gás, em uma lista com 9 dicas para o cervejeiro ficar atento na etapa de carbonatação.

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Confira a seguir:

Variáveis ligadas ao meio

  • Altura do tanque: Tanques altos exercem pressão contrária à geração e subida de bolhas.
  • Viscosidade do meio/tensão superficial: O teor de álcool presente afeta a tensão superficial do meio, favorecendo ou dificultando a nucleação e movimentação das bolhas.
  • Temperatura: A solubilidade do CO2 é maior em temperaturas baixas, ou seja, quanto menor a temperatura, maior a capacidade de absorção de CO2.
  • Presença de outros gases: Eventualmente podem existir outros gases dissolvidos no meio e, então, o CO2 terá menos espaço para ocupar. Um gás precisa sair para que o outro seja incorporado.
  • Capacidade de absorção do gás: Ter ciência, através da tabela de carbonatação forçada, sobre qual é a quantidade máxima de CO2 que pode ser absorvido nas condições de processo existentes. Isso permitirá ter referência de como o processo está e o que precisa ser feito para alcançar o valor desejado.

Variáveis ligadas ao elemento poroso atuando como difusor de CO2

  • Grau de porosidade: Existem diversas porosidades disponíveis e é importante considerar a utilização do menor grau de porosidade na aplicação. Utilizar uma peça que possa favorecer a geração do menor tamanho possível direciona a reação para uma boa condição de processo.
  •  Disposição dos elementos: Dispor os elementos porosos de maneira adequada, permite que a dispersão de bolhas possa favorecer uma reação mais rápida.
  • Área de fluxo: A quantidade de bolhas disponíveis para a reação de carbonatação depende da área de fluxo, ou seja, quanto maior o tamanho do elemento, maior a quantidade de bolhas geradas e mais rápido será a reação. 
  • Pressão de gás: O ideal é trabalhar com pressão mais baixas, pois altas pressões criam turbulência. E essa turbulência promove a união de bolhas pequenas, formando bolhas maiores que tendem a subir mais rapidamente até a superfície, o que não é bom. A menor pressão interna que bolhas pequenas possuem, permite que fiquem em suspensão no meio mais tempo antes que se juntem com outras e subam até a superfície. Esse movimento de possuir bolhas menores, mais tempo em contato com o meio, também favorece uma reação mais rápida e completa, contribuindo não só para a rápida reação como para uma boa economia de gás.

O preço da cerveja está acessível para o brasileiro? Especialistas debatem

Em um momento de reaquecimento do mercado cervejeiro, com a volta dos eventos sem restrições e a alta na produção de bebidas alcoólicas por dois meses consecutivos, de acordo com o IBGE, o público que tem retomado a vida boêmia se depara com a discussão sobre o preço da cerveja e o seu peso no bolso do consumidor no Brasil.

Quando comparado aos valores que são cobrados no restante do mundo, a cerveja brasileira deve ser considerada cara ou barata pelo consumidor? O Guia ouviu especialistas para entender o impacto dos preços praticados no Brasil sobre a população, com os profissionais alertando que a mera conversão do valor cobrado para uma moeda em comum não é suficiente para se encontrar uma resposta. Afinal, é preciso avaliar fatores, como a renda per capita.

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“Não classifico como baixo o preço aqui no Brasil porque só o preço da cerveja não diz sobre a capacidade de compra do consumidor. O Brasil é um país subdesenvolvido, com problemas de oferta”, aponta Luís Celso Jr., sommelier e fundador do Bar do Celso, lembrando que o custo mais alto da cerveja em vários países pode ter um impacto menor no bolso dos estrangeiros do que o sentido pelos brasileiros.

“A gente sabe que a cerveja pesa muito mais no bolso de um brasileiro do que pesa no bolso de um holandês, que paga mais pela sua cerveja se você converter para o dólar. Mas ele tem muito mais poder aquisitivo, menos inflação, uma renda efetivamente muito maior e aplicação de impostos de uma maneira mais coerente”, completa.

Já Roberto Kanter, professor de cursos de MBA da Fundação Getúlio Vargas (FGV), especialista em varejo, comportamento do consumidor, tendências de mercado e marketing, avalia que o preço da cerveja no Brasil, se comparado com o da média que se paga no exterior nas cervejas mais populares, não pode ser avaliado como alto. “Se considerarmos o câmbio atual e o portfólio de cervejas mainstream, que ainda responde por grande parte do consumo no Brasil, temos um preço abaixo da média mundial”, analisa Kanter.

O professor da FGV lembra, porém, que o consumo recorrente de cervejas embute um peso no orçamento do brasileiro. E o poder de compra tem caído, não só pela inflação, mas também por causa dos salários mais baixos. Na última semana, o IBGE relatou que o rendimento real habitual recebido pelos trabalhadores brasileiros fechou o trimestre encerrado em abril em R$ 2.569, um recuo de 7,9% em relação ao mesmo período de 2021.

Levantamento do Our World in Data aponta, por exemplo, que a renda per capita do Brasil foi de US$ 14.064 em 2020. O valor está abaixo da média mundial, que é de US$ 16.194, sendo muito inferior em relação a países como os Estados Unidos, em US$ 60.236. A desvalorização da moeda também pesa contra o brasileiro com 1 dólar valendo R$ 4,87, sendo que 1 euro está cotado no país a R$ 5,22.

“A cerveja pode custar unitariamente um valor pequeno, mas raras são as pessoas que bebem apenas uma garrafa ou tomam um copo de chope. Por ter um teor alcóolico menor, o consumo como um todo é maior. Assim, ela é um item que pesa no bolso. Pode se dizer que é um item essencial na sacola do brasileiro, que vai variar de acordo com sua renda e o tipo de produto que ele consome. Se possui uma renda maior, pode consumir um produto mais premium e/ou artesanal. Caso tenha uma renda menor, vai consumir um produto mais mainstream. Ou produtos melhores em um volume menor. Mas todos continuam bebendo cerveja”, enfatiza Kanter.

Artesanais menos acessíveis
O presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), Gilberto Tarantino, reconhece que o preço dos rótulos especiais é ainda mais caro no país. Além disso, aponta que a comparação se torna ainda mais desfavorável quando realizada com o mercado internacional.

“Um sixpack de uma cerveja artesanal nos Estados Unidos custa menos que uma garrafa dessa mesma cerveja aqui no Brasil. Sendo assim, no caso das artesanais, não é possível dizer que o preço aqui é mais baixo. Se você levar em conta o poder aquisitivo da população, essa comparação é ainda mais desfavorável ao consumidor brasileiro”, lamenta o profissional, que também é proprietário da Cervejaria Tarantino.

Heineken anuncia fechamento de cervejaria escocesa de 153 anos

A Heineken UK, o braço do grupo no Reino Unido, anunciou o fechamento da fábrica da Caledonian Brewery, uma cervejaria escocesa localizada em Edimburgo. O encerramento das atividades representa o fim de uma tradição de mais de 150 anos, além de colocar 30 empregos em risco.

“Não tomamos esta decisão de ânimo leve. Estamos cientes do que a cervejaria representa em Edimburgo e seu papel na história da fabricação de cerveja na Escócia – isso é algo de que estamos incrivelmente orgulhosos. Nosso foco principal são os 30 colegas baseados lá e agora entraremos em um período de consulta”, diz Matt Callan, diretor da cadeia de suprimentos da Heineken UK.

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Para justificar a decisão de fechar a Caledonian Brewery na Escócia, a Heineken explicou que houve redução relevante na produção de cerveja na localidade ao longo dos últimos dez anos. Assim, a fábrica vinha operando abaixo da sua capacidade.

“O fato triste é que sua infraestrutura vitoriana significa ineficiência e custos significativos, principalmente porque está operando abaixo da capacidade. Modernizar a cervejaria e cumprir nossos próprios compromissos de sustentabilidade exigiria um investimento contínuo considerável, o que tornaria a operação da cervejaria economicamente inviável”, justificou Callan.

A decisão, porém, não representa a saída imediata dos rótulos da Caledonian Brewey do mercado, pois a Heineken fechou um acordo para que a Greene King continue fabricando algumas das marcas da cervejaria escocesa. E isso vai ocorrer na unidade de Dunbar da Belhaven Brewery.

“Sabemos que as cervejas produzidas na Caledonian Brewery são apreciadas por muitas pessoas em Edimburgo, na Escócia e além. É por isso que estamos trabalhando duro para garantir que as marcas da Caledonian continuem a ser produzidas na Escócia se o fechamento proposto for adiante. Temos um acordo em princípio para licenciar as marcas para a Greene King, que produzirá Deuchars, Coast to Coast e Maltsmiths IPA e Lager na Belhaven Brewery em Dunbar”, acrescenta o diretor da cadeia de suprimentos da Heineken UK

A Caledonian foi fundada em 1869, sendo adquirida em 2004 pela Scottish & Newcastle, que em 2008 teve os seus ativos britânicos adquiridos pela Heineken. Agora, o anúncio da multinacional holandesa provocou reações contra a decisão pelo fechamento. A CAMRA (Campaign for Real Ale), uma organização voluntária independente de consumidores que promove o que eles chamam de cerveja “real”, fez um apelo para que a companhia reveja a sua decisão.

“Este anúncio é uma notícia sombria para a herança cervejeira de Edimburgo e da Escócia e faz parte de um padrão de cervejarias, cervejas e marcas históricas sendo corroídas por fechamentos, fusões e falta de promoção nos últimos anos”, afirma o presidente da CAMRA, Nik Antona.

“Estamos pedindo à Heineken que pense novamente sobre esse fechamento devastador, entre em discussões com todas as partes interessadas e encontre um caminho viável para salvar esta cervejaria histórica”, acrescenta o diretor da CAMRA na Escócia, Stuart McMahon.

Fabricação de bebidas puxa indústria, mas alcoólicas têm saldo negativo em 2022

Depois de amargar quedas expressivas em janeiro e fevereiro, o Brasil acumulou em abril o segundo mês consecutivo de alta significativa na fabricação de bebidas alcoólicas, registrando crescimento de 11,7% em relação ao mesmo mês do ano passado. O índice foi confirmado pelo IBGE em sua Pesquisa Industrial Mensal, que apontou a produção de bebidas como um dos destaques da atividade industrial no país.

Em março, a evolução da fabricação de alcoólicas já havia sido de 5% e, ao mais do que dobrar o porcentual positivo no mês seguinte, este setor da economia reduziu o saldo negativo no ano para 4,1%. Já a diminuição na produção nos últimos 12 meses agora é de 6,3%.

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O segundo mês seguido de alta significativa é um indicativo da recuperação no mercado cervejeiro brasileiro, que encarou dificuldades em janeiro e fevereiro após o alastramento da variante ômicron do coronavírus, o que inclusive provocou o cancelamento do carnaval de rua.

Já a fabricação de bebidas não alcoólicas cresceu 15% em abril no comparativo com o mesmo mês do ano passado. Em março, a alta já havia sido de 20%, fato que colaborou para que a expansão no primeiro quadrimestre do ano fosse de 11,1%, ficando em 1,6% nos últimos 12 meses.

A produção de bebidas em geral, somando alcoólicas e não alcoólicas, registrou em abril elevação de 13,2% na confrontação com o mesmo mês de 2021. No acumulado do ano, a subida é de 2,7%, enquanto nos 12 meses imediatamente anteriores o saldo fica negativo em 2,6%.

A fabricação de bebidas voltou a ser uma das influências mais positivas da indústria entre todas as atividades econômicas pesquisadas pelo IBGE, com crescimento de 5,2% na comparação com a produção de março, quando a alta em relação a fevereiro já havia sido de 6,4%. O item “produtos farmoquímicos e farmacêuticos” e o tópico “coque, produtos derivados de petróleo e biocombustíveis” foram outros dois destaques de abril, com evoluções de 4,8% e 4,6%, respectivamente.

Indústria cresce apenas 0,1% em abril
Se a fabricação de bebidas manteve a sua tendência de alta, a produção industrial brasileira apresentou estagnação em relação a março, com crescimento de apenas 0,1%. Porém, abril foi o terceiro mês consecutivo de avanço, acumulando neste período uma subida de 1,4%. Esse incremento, entretanto, não foi suficiente para tirar do vermelho o índice registrado no primeiro quadrimestre, tendo caído 3,4% em comparação com o desempenho dos quatro meses iniciais de 2021. Já no acumulado dos últimos 12 meses, a retração é de 0,3%.

“O ganho acumulado de 1,4% neste período de fevereiro a abril não elimina nem a queda de 1,9% registrada em janeiro. Mesmo que nos últimos seis meses a indústria tenha mostrado cinco taxas no campo positivo, ainda assim está 1,5% abaixo de fevereiro de 2020 e 18% abaixo do ponto mais alto da série, em maio de 2011”, explica André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE.

O instituto também ressalta que o setor industrial brasileiro contabilizou alta em 16 das 26 atividades econômicas investigadas. Ao mesmo tempo, o desempenho geral de abril foi 0,5% pior do que o obtido no mesmo mês de 2021, com resultados negativos em duas das quatro grandes categorias econômicas, 18 dos 26 ramos, 56 dos 79 grupos e em 59,4% dos 805 produtos pesquisados.

Brasil Brau: 7 mil visitantes e R$ 1 mi em negócios para 21% dos expositores

Realizada na última semana em São Paulo, a Brasil Brau, a Feira Internacional de Tecnologia em Cerveja, encerrou um período de três anos sem acontecer, uma inédita paralisação, provocada pela pandemia do coronavírus. E, em sua 16ª edição, a Brasil Brau terminou com um balanço positivo por parte dos seus organizadores e participantes.

Presente aos três dias do evento na São Paulo Expo, a reportagem do Guia verificou que a feira contou com a presença de profissionais motivados e interessados nos produtos e serviços oferecidos, com foco especial no autosserviço e na sustentabilidade, em um sinal de retomada do ritmo de negócios. E trará, ao longo das próximas semanas, material analítico e de perspectivas sobre o segmento e os participantes da feira.

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Dados divulgados pela organização da Brasil Brau, em um balanço enviado à imprensa, apontam que cerca de 7 mil pessoas passaram pelo pavilhão da São Paulo Expo, um número superior aos 6.500 participantes estimados pelos próprios responsáveis pela feira antes da sua realização. Além disso, houve alta de 40% no número de credenciados em relação à edição anterior, ocorrida em 2019.

Essa grande presença de profissionais do setor também se transformou em acordos: 21% dos expositores revelaram expectativas de negócios gerados em mais de R$ 1 milhão após o evento, de acordo com os organizadores da feira.

“A Brasil Brau 2022 atingiu as expectativas, mantendo-se como um evento-chave, consolidado e tradicional, atendendo as expectativas do mercado de apresentação de bons produtos, empresas importantes e reunindo profissionais qualificados. Também conseguimos atingir todos os nossos objetivos qualitativos e quantitativos para o congresso, o que norteia muito o futuro do evento como um importante disseminador de conteúdo”, afirma Gabriel Pulcino, gestor da Brasil Brau e gerente sênior de eventos da GL events, fazendo um balanço positivo sobre esta edição da feira.

A Brasil Brau voltará a ser realizada em 2024 com a presença da maioria dos expositores que estiverem presentes à feira neste ano, pois, segundo a organização, 80% das marcas já renovaram a participação para a próxima edição.

Premiação e congresso
A Prozyn, empresa especializada na aplicação de enzimas em busca de biosoluções para a produção de energia limpa e alimentos mais saudáveis, ganhou os prêmios de estande mais bonito e principal lançamento da feira. Esse foi para a Protezyn EX, uma proteína enzimática que atua na quebra do glúten. A solução promete reduzir a alergenicidade para intolerantes ao glúten, sendo livre de alergênicos e tendo melhor digestibilidade.

A Brasil Brau também contou, em sua programação, com o 17º Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira, que pela primeira vez teve a curadoria do Instituto da Cerveja Brasil. E os organizadores destacaram que houve 40% a mais de inscritos do que na edição de 2019.

Confira o Guia Talks com o organizador da Brasil Brau

O congresso teve a participação de palestrantes internacionais, como representantes da Viking Malt, em palestras de temática técnica, havendo também espaço para harmonizações, como a que envolveu a sommelière de cervejas Kathia Zanatta e a chef Mari Sciotti, do restaurante Quincho, realizada com a culinária vegetariana, e discussões sobre diversidade e inclusão, envolvendo Eduardo Sena (Hora do Gole), Leandro Sequelle (Graja Beer), Luiza Tolosa (Cervejaria Dádiva), Yumi Shimada (Japas Cervejaria) e Beatriz Ruiz (Heineken).

“Para o Instituto da Cerveja, fazer parte da curadoria do Congresso é uma grande oportunidade. Acompanho o evento há muitos anos, era uma responsabilidade muito grande fazer parte disso e é um orgulho ter participado. É também um desafio conseguir atender um mercado muito diferente do que era há 15 anos, ou seja, concentrado nas grandes cervejarias que queriam informação técnica. Hoje, é um mercado majoritariamente artesanal de um público muito diverso”, pontua Alfredo Ferreira, sócio-diretor do ICB.

Já o Brewer Lounge foi um espaço de exposição de conteúdo gratuito com a presença de profissionais do mercado como Victor Marinho (Dádiva), Gilberto Tarantino (Cervejaria Tarantino), Bia Amorim (sommelière de cerveja), Eduardo Passarelli (especialista em cerveja), Raphael Rodrigues (jornalista), Roberto Fonseca (jornalista), Ricardo Gerlak (CHR Hansen), Fábio Bax Jr. (IFF), Jean Moro (RememBeer) e Rodrigo Elizalde (Biomérieux).

Ação da Ambev inicia 6º mês de 2022 em baixa; Entenda os motivos

Nem a recuperação do índice Bovespa, o principal da B3, a bolsa de valores brasileira, foi suficiente para a ação da Ambev iniciar o mês de junho em alta. O papel da principal cervejaria do mundo terminou maio cotado a R$ 14,19 e começa a primeira semana cheia do sexto mês de 2022 com preço ainda mais baixo, valendo R$ 14,08.

Com isso, a ação já perdeu 8,69% do seu valor desde o início de 2022 e desvalorizou 2,27% em maio, um mês marcado pela divulgação do balanço do primeiro trimestre do ano da Ambev. O resultado financeiro apontou que a empresa teve lucro líquido ajustado de R$ 3,551 bilhões no período de janeiro a março, uma alta de 28,6% em relação aos mesmos meses do ano passado.

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O balanço, aliás, teve peso direto na desvalorização da ação da Ambev em maio, não sendo bem recebido pelo mercado financeiro. Afinal, se na véspera da divulgação do resultado estava valendo R$ 14,34, despencou para R$ 13,73 no dia seguinte, caindo, na sequência, para R$ 13,53. Depois, então, até recuperou parte do seu valor, mas em ritmo insuficiente para evitar o segundo mês consecutivo de perdas da ação da Ambev.

O comportamento e as perspectivas para o ativo foram alvo de um relatório produzido pela equipe de analistas do BTG Pactual. Eles apresentam uma recomendação neutra para ação, visão que a instituição mantém há alguns anos, e definiram um preço-alvo de R$ 16.

Para justificar essa cautela envolvendo a Ambev, os analistas citam duas razões: o impacto da alta dos juros sobre os papéis de empresas de bens de consumo e o que chamam de “a qualidade dos lucros”, em mais um indicativo de que a alta do lucro líquido no primeiro trimestre de 2022 não impressionou o mercado.

 “No caso da Ambev, notamos que a participação no lucro decorrente de incentivos fiscais (subvenções fiscais e economias relacionadas ao JCP) aumentou de 12% em 2012 para uma estimativa de 45% em 2022. Além disso, a participação no EBITDA da América do Sul, onde a Argentina acredita-se que tenha a maior contribuição, cresceu de 17% em 2020 para uma estimativa de 26% este ano”, afirma.

O material do BTG Pactual também aponta que a preocupação global com a inflação, o que se transforma em alta dos juros básicos pelas autoridades financeiras, traz impacto negativo para ações de empresas como a Ambev.

“À medida que o combate à inflação volta a ser uma prioridade global, acreditamos que taxas mais altas podem se traduzir em múltiplos mais baixos, afetando também a Ambev. Acreditamos que esse processo já começou, com as cervejarias globais agora negociando 8% abaixo da média de 5 anos”, diz o relatório assinado por Thiago Duarte, Henrique Brustolin e Bruno Lima.

Além disso, há a previsão de que as margens de lucro estarão pressionadas nos próximos meses.

As margens da Ambev ficariam sob pressão, uma vez que a mudança dos canais de consumo de cerveja e das embalagens no Brasil prejudicaria a capacidade da Ambev de sustentar o valor da marca, traduzindo-se em alguma redução do poder de precificação

Equipe de analistas do BTG Pactual

E o Ibovespa?
Ao contrário da Ambev, o Ibovespa apresentou valorização em maio, fechando o pregão do dia 31 valendo 111.350,51 pontos, depois de uma queda relevante em abril, de 10,1%, no seu pior mês desde o início da pandemia do coronavírus. Dessa vez, porém, valorizou 3,22%, passando a ter alta de 6,23% no ano.

O mês ficou marcado pela alta dos juros nos Estados Unidos e dos preços do petróleo, além do relaxamento do lockdown na China, o que aqueceu o mercado de commodities. Por outro lado, a continuidade da inflação elevada e do conflito na Ucrânia provocam preocupações. E, no cenário interno, houve movimentação para acelerar a privatização da Eletrobras, além de nova mudança no comando da Petrobras.

Nesse contexto, as ações que melhor se comportaram em maio na B3 foram as da Cielo (alta de 16,93%), da BRF (15,24%), a preferencial do Bradesco (14,14%), da Eneva (13,56%) e a ordinária do Bradesco (13,37%). Já os piores desempenhos foram de Magazine Luiza (-23,77%), Hapvida (-23,38%), Petz (-20,35%), CVC (-17,65%) e Banco Inter (-17,01%).

Fora do Brasil
Já na Bolsa de Nova York, a ação da Ambev iniciou junho em alta. Com valor de US$ 2,96, valorizou 1,72% em maio, apresentando ganhos de 5,71% ao longo dos cinco primeiros meses de 2022.

O papel da AB InBev, por sua vez, caiu 5,83% em maio, valendo 52,17 euros na Europa. E a ação da Heineken subiu 0,45%, começando o sexto mês do ano com o preço de 93,82 euros.