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Ambev tem alta de 29% no lucro e produz mais cerveja, mas mercado derruba ação

Alta expressiva nos dados apresentados nas primeiras horas do dia e queda relevante na bolsa de valores. Foi assim a quinta-feira (4) da Ambev no mercado financeiro, com a divulgação do balanço do primeiro trimestre de 2022 apresentando crescimento no lucro e no volume de cerveja produzido, em contraponto ao tombo da sua ação, na sequência do dia, na B3, um efeito mais da alta dos juros e da aversão ao risco do que do seu resultado financeiro, considerado positivo pela maioria dos analistas.

Divulgado antes da abertura do mercado, o balanço da Ambev apresentou números que confirmaram um começo de ano melhor do que o de 2021. Afinal, a empresa teve lucro líquido ajustado de R$ 3,551 bilhões no primeiro trimestre de 2022, uma alta de 28,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

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Além disso, o lucro líquido foi de R$ 3,528 bilhões, 29,1% acima dos meses equivalentes de 2021. A receita líquida consolidada da Ambev atingiu os R$ 18,44 bilhões no primeiro trimestre de 2022, o que representou crescimento orgânico de 18,5% e reportado de 10,8%.  E a receita líquida por hectolitro da companhia foi de R$ 409. Com isso, a alta ficou em 14,5% no resultado orgânico, sendo de 7% no reportado.  Já o crescimento do Ebitda ajustado foi mais modesto, de 3,7%, para R$ 5,522 bilhões.

“Apresentamos um sólido desempenho comercial no primeiro trimestre, impulsionado pela execução consistente de nossa estratégia baseada em premiumização, inovação e plataformas tecnológicas. Apesar de um janeiro bastante desafiador, impactado por uma nova onda de variante de Covid-19 em alguns de  nossos mercados e pelo cancelamento das festividades de carnaval no Brasil, nosso volume cresceu 3,6%”, afirma a Ambev.

O resultado positivo no 1º trimestre de 2022 teve suas razões. De acordo com a empresa, o volume de bebidas não alcoólicas no Brasil cresceu 16,9% no período.  Já o volume de cerveja chegou aos 45,082 milhões de hectolitros, uma alta de 3,6%. No Brasil, a expansão foi de 2,1% no período, para 22,011 milhões de hectolitros. Mas a receita líquida ampliou 13,7%, para R$ 8,1 bilhões.

A alta de 2,1% na produção de cervejas da Ambev ganha maior expressão quando se observa que a fabricação de bebidas alcoólicas recuou 8,8% no primeiro trimestre de 2022 no Brasil, de acordo com o IBGE. “A Ambev surpreendeu positivamente ao entregar um crescimento de volume na cerveja brasileira apesar da forte base comparável e de tendências mais fracas da indústria “, dizem analistas do Credit Suisse.

A companhia também citou o bom desempenho de rótulos premium, o uso de embalagens retornáveis e o consumo fora de casa como alguns dos fatores responsáveis pelo resultado positivo em seu balanço do primeiro trimestre.

“Nosso portfólio premium cresceu high-teens e o portfólio core cresceu um dígito único médio. No segmento core plus, Spaten continua expandindo sua distribuição e volume, e a Brahma Duplo Malte lançou novas embalagens retornáveis e one-way, que devem ajudar a atender mais ocasiões de consumo. Nossa estratégia de garrafas de vidro retornáveis continuou a ganhar tração com o fortalecimento do canal on-trade, liderado pela 600ml no portfólio premium e pela 300ml no portfólio core”, afirma.

O lucro operacional ajustado da Ambev foi de R$ 4,192 bilhões no primeiro trimestre de 2022, tendo crescido 3,2% no período.  Mas o caixa líquido da Ambev fechou março em R$ 11,155 bilhões, uma diminuição de 27,6% na comparação ao mesmo mês do ano passado. Esse recuo tem relação direta com a alta das despesas, de 8,5% no primeiro trimestre de 2022, para R$ 5,219 bilhões.

“As pressões de custo permaneceram, levando a um aumento de CPV/hl excluindo depreciação e amortização de 23,4% no trimestre, devido aos aumentos do preço das commodities já previstos. SG&A cresceu 14,8%, impulsionado pela inflação do diesel e compensado por uma redução das provisões de remuneração variável”, comenta a Ambev.

Apesar da alta no lucro, registrada no balanço do primeiro trimestre, a ação da Ambev despencou durante a sessão de quinta-feira da B3. O papel fechou o dia cotado a R$ 13,73, o que representou um recuo de 4,25%.

A queda, relevante, da ação da Ambev, ainda mais em um dia de divulgação de balanço com lucro relevante, se inseriu em um contexto de tombo do Ibovespa, que teve baixa de 2,8% no dia. O recuo foi estimulado pela alta da taxa básica de juros no Brasil, para 12,75%, e pela preocupação global, tanto que a desvalorização das bolsas nos Estados Unidos foi ainda maior – 4,99% na Nasdaq e 3,5% na S&P.  

Os analistas de bancos de investimentos, porém, guardaram elogios para o balanço da Ambev. “Continuamos otimistas e impressionados com a rapidez com que uma empresa de mais de 100 anos conseguiu mudar durante a pior crise de todos os tempos. Esperamos que a Ambev continue ampliando suas vantagens competitivas, principalmente na frente comercial e, portanto, continue superando seus concorrentes”, afirmam os analistas da XP Investimentos.

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