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Abracerva firma acordo com Sindicerv e foca na educação em busca de novo caminho

A Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva) deu um passo duplo para se aproximar de entidades representativas do setor e oferecer educação e conhecimento ao ecossistema ao firmar um termo de compromisso com o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) e promover um congresso nos últimos dias em São Paulo.

Na semana passada, ao mesmo tempo em que realizou o Cerveja é Gastronomia, na Universidade Anhembi Morumbi, em parceria com o Sindicerv, a associação assinou um termo de cooperação com a entidade que representa a Ambev e o Grupo Heineken no Brasil.

O acordo sinaliza mais um passo em um novo caminho traçado pela Abracerva, que passou por várias mudanças na presidência desde a metade de 2020, sendo comandada, hoje, por Gilberto Tarantino, o Giba, proprietário da cervejaria que leva o seu sobrenome, em São Paulo.

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Esse novo enfoque, aliás, já havia sido antecipado no começo deste ano ao Guia, quando Giba assumiu o comando da associação que estava, naquela época, sob a liderança de Ugo Todde. Logo que chegou à presidência da entidade, o proprietário da Tarantino destacou que buscaria levar informação e educação aos associados e ao mercado cervejeiro.

Entidades unem forças
O acordo entre a Abracerva e o Sindicerv prevê a parceria e cooperação entre as entidades em prol dos principais temas de interesse da indústria da cerveja, como o aprimoramento da qualidade na fabricação, a educação e cultura cervejeira, a livre concorrência, a sustentabilidade e o consumo responsável.

O presidente do Sindicerv, Mauro Homem, avalia que a aproximação com Abracerva é um primeiro passo para a construção de uma agenda coletiva, em busca do atendimento das demandas do setor. “Podemos trabalhar juntos em muitas questões, da realização de eventos como esse até pautas voltadas à legislação e tributos”, diz.

Giba destaca que o primeiro fruto dessa parceria já foi colhido: a realização do Cerveja é Gastronomia. “Como primeira realização conjunta das entidades, o evento já atendeu aos principais pilares de cooperação, mostrando o quanto essa aproximação pode ser positiva para o setor”, enfatiza.

Com um calendário cheio de atividades, tendo o Cerveja é Gastronomia com seu ápice, a associação tem apresentado uma pauta focada na informação e na educação do setor. Em janeiro, por exemplo, o presidente e diretor executivo da Brewers Association, Bob Pease, realizou uma palestra aberta aos associados da Abracerva e demais profissionais do mercado cervejeiro. No encontro, contou sobre a sua experiência à frente da associação das cervejarias artesanais e independentes dos Estados Unidos.

Já na semana passada, o Cerveja é Gastronomia reuniu importantes nomes dos setores cervejeiro, gastronômico e turístico, dentre outros, promovendo ricas discussões com o intuito de desenvolver e posicionar a cerveja no universo da gastronomia brasileira.

Trilha do tempo
Desde outubro de 2020, quando a Abracerva passou por um processo de eleição iniciado fora do planejamento após a renúncia de Carlo Lapolli, a entidade teve seguidas mudanças de liderança em um ano e meio.

Tudo começou com Lapolli deixando a presidência em setembro de 2020, como consequência da divulgação de mensagens de teor preconceituoso escritas por ele em um grupo de WhatsApp. Além dele, renunciaram todos os demais membros da sua diretoria.

Um mês depois, após a nova eleição, a sommelière Nadhine França assumiu a presidência executiva e começou a articular as primeiras iniciativas dos seus dois anos de mandato. Na época, as prioridades da associação eram concluir o processo de implementação do código de ética da entidade e ampliar o diálogo e as conversas com os associados.

Mas, em julho de 2021, a entidade comunicou que Nadhine França iria “viver um novo momento profissional e pessoal em outro país” e seria sucedida por Ugo Todde, que já vinha atuando como conselheiro. A liderança de Todde só durou até o fim daquele ano e, no começo de 2022, Giba assumiu o comando da Abracerva.

Com elo histórico com a gastronomia, cerveja busca ganhar espaço nos menus

A diversidade de estilos de cerveja é responsável por uma enorme quantidade de gostos, aromas e cores. Além disso, pode gerar grandes histórias, que envolvem não apenas os copos, mas também os pratos. Afinal, a cerveja também deve ser vista como um elemento importante na gastronomia, ainda que siga travando batalhas para ganhar mais espaços nos menus mundo afora.

Com a afirmação Cerveja É Gastronomia, a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) e o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) organizaram um congresso sobre o tema na última semana, na Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo.

O evento buscou reforçar a relação intrínseca entre cerveja e gastronomia, relembrando a trajetória histórica dessa união, o modo como restaurantes atuam nesse processo no Brasil, além de abordar exemplos e desafios da atualidade para indicar rumos que contribuam para ampliar esses laços.

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Durante a sua apresentação, Cilene Saorin, mestre-cervejeira e professora da Doemens Academy, apontou como a história do homem e a gastronomia estão entrelaçadas, em uma trajetória que liga os alimentos “civilizatórios” e a existência de bebidas fermentadas. Ela ainda destacou como a migração humana e as povoações de novas regiões também trouxeram consigo a cultura e o conhecimento.

“Com isso, também [vieram] alguns grãos considerados ‘civilizatórios’, como o arroz, a cevada e o trigo. Assim, a cevada e o trigo passaram a ser prioritários para algumas produções, principalmente na Europa”, explica Cilene.

A partir disso, hábitos foram se construindo, com a produção de bebidas e a presença de cerveja e vinho na história se relacionando com o terroir de cada região. “O sul da Europa é marcado pelo vinho, enquanto o norte é marcado pela cultura da cerveja, como na Alemanha”, explica. “É uma definição do que a natureza oferece. Nasce da terra e chega à mesa no beber e no comer.”

Essa união de diferentes fatores que passa pelo desenvolvimento de culturas também se mistura com os conceitos de harmonização e a importância de entender a conexão entre a gastronomia, a taça e o prato a partir de duas palavras-chave: “equilíbrio e diálogo”.

É importante pensar em oportunidades de harmonização com o bom senso e a preferência pessoal. Harmonização é a multiplicação de sabores e não apenas uma conta de 1 + 1= 2

Cilene Saorin, mestre-cervejeira e professora da Doemens Academy

A inserção das cervejas nos menus
Essa união histórica também foi trazida para a atualidade no congresso, com a apresentação de vários exemplos. E um deles foi do Jiquitaia, inaugurado há cerca de 10 anos em São Paulo, que sempre carregou o nome de “restaurante bar”, por unir as duas atividades.

Por lá, a parceria entre torresmo e cerveja é um dos carros-chefes. E a bebida sempre esteve presente no menu. “Não faço nenhum tipo de hierarquização das bebidas dentro do restaurante. Gosto quando tem uma mesa com uma pessoa bebendo vinho, outra tomando um coquetel, uma cachaça e uma cerveja. Felizmente, hoje no Jequitaia isso é muito comum”, afirma o sócio-proprietário Marcelo Corrêa Bastos.

Também com uma trajetória longeva em bares e restaurantes – já são 26 anos atuando no setor –, Ricardo Garrido, hoje sócio-proprietário da Cia Tradicional de Comércio, que agrega alguns dos principais restaurantes paulistanos, começou a trabalhar no segmento por causa da cerveja.

Em sua visão, embora produzido com qualidade pela indústria, o chope era “maltratado” pelos bares, sendo visto como um produto de menor valor agregado ou para momentos corriqueiros. Para ele, os estabelecimentos têm a responsabilidade de educação gastronômica e de ofertar bons produtos ao consumidor.

Nosso papel no meio dessa conexão é continuar batalhando e mostrar como a harmonização entre uma cerveja e um prato mais elaborado pode ser tão ou mais prazerosa do que a harmonização com outra bebida

Ricardo Garrido, sócio-proprietário da Cia Tradicional de Comércio

Brasilidades no gosto no século XXI
Pela sua presença ao longo da história, a gastronomia também acaba sendo alvo de pesquisas de diversos estudiosos, sobretudo porque ela ajuda a refletir sobre a cultura de uma nação. Conhecê-la, portanto, é fundamental para bares e restaurantes compreenderem os gostos que vão marcar o século XXI e relacioná-los com as melhores opções de harmonização, conforme avaliaram os especialistas presentes no Cerveja É Gastronomia.

“Quando a gente fala em cozinha brasileira, a gente não está falando apenas de coisas próprias do nosso país, mas também do modo de se comportar à mesa e de se comportar na cozinha”, defende Luiza Fecarotta, jornalista gastronômica e editora do portal Food Connection, durante o painel Brasilidades do Gosto no século XXI.

Para ela e outras especialistas presentes ao evento, a gastronomia brasileira nesse século passará pela reconexão com a terra e o resgate dos seus sabores. “As brasilidades dos gostos são nada mais do que o acerto do Brasil atual, o contemporâneo, com o Brasil ancestral, o passado, o tradicional”, afirma Elaine de Azevedo, criadora do podcast Panela de Impressão.

Já segundo a chef Larissa Januário, do restaurante Sabor & Arte, a mistura, a alimentação em casa e o reconhecimento nos alimentos explicam o que é o paladar brasileiro e onde ele se reconhece. “Você quer entender o Brasil? Vá ao (restaurante por) quilo. A gente vai misturar feijoada, sushi e lasanha e vai achar bom. O brasileiro gosta de comida gostosa acima de tudo. A gente gosta de partilhar. Gosta de cozinhar. Para mim, casa só é casa quando a gente ativa a cozinha”, completa.

Resta, agora, a missão de incrementar essa miscelânea com a cerveja no Brasil e suas incontáveis opções de harmonização.  

Após duas altas, fabricação de alcoólicas cai 1,7% e deixa de seguir ritmo da indústria

Depois de ter registrado dois meses consecutivos de alta, a fabricação de bebidas alcoólicas no Brasil amargou baixa de 1,7% em maio no comparativo com o mesmo mês do ano passado. O índice foi confirmado pelo IBGE na divulgação de sua última Pesquisa Industrial Mensal (PIM), que também apontou expansão da indústria nacional pelo quarto mês consecutivo, com elevação de 0,3% em relação a abril.

Desta forma, a produção de bebidas com álcool no País não acompanhou essa curva de crescimento e amarga queda de 3,7% no acumulado do ano em relação ao mesmo período de 2021. Além disso, contabiliza redução de 7,5% nos 12 meses imediatamente anteriores a maio.

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Anteriormente, a fabricação de bebidas alcóolicas havia conquistado altas expressivas de 5% em março e de 11,7% em abril. Agora, essa redução também tem grande relevância quando se leva em conta a produção de bebidas não alcoólicas, que manteve a tendência de crescimento, subindo 16,7% em relação a maio de 2021 e acumulando alta de 12,2% no acumulado de 2022 no comparativo com a produção dos cinco primeiros meses iniciais de 2021. Já nos últimos 12 meses, a expansão é de 0,9%.

Essa queda da fabricação de alcoólicas colaborou para que a produção de bebidas em geral registrasse diminuição de 1,2% em sua variação mensal em relação a abril. Entretanto, na confrontação com maio do ano passado, houve aumento de 6,3%. No acumulado do ano, a elevação é de 3,4% na comparação com o mesmo período de 2021. Já na variação dos 12 meses imediatamente anteriores, o índice fica negativo em 3,6%

Desta forma, a fabricação de bebidas foi uma das atividades econômicas a exercer influência positiva para a indústria crescer 0,3% em maio e contabilizar o quarto mês consecutivo de expansão. Porém, essa evolução ainda não é suficiente para eliminar o recuo de 1,9% registrado em janeiro deste ano.

O IBGE confirma que houve índices positivos em três das quatro grandes categorias econômicas e em 19 das 26 atividades industriais pesquisadas. Mesmo assim, o setor produtivo brasileiro soma hoje índice negativo de 1,1% em relação ao patamar que possuía em fevereiro de 2020, um mês antes do início da pandemia, e está 17,6% abaixo do nível recorde que conseguiu atingir em maio de 2011.

“O setor industrial ainda tem um espaço grande a ser recuperado frente a patamares mais elevados da série histórica. Ainda permanecem a restrição de acesso das empresas a insumos e componentes para a produção do bem final e o encarecimento dos custos de produção. Várias plantas industriais prosseguem realizando paralisações, reduções de jornadas de trabalho e concedendo férias coletivas, com a indústria automobilística exemplificando bem essa situação nos últimos meses”, explica André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE.

Indústria cresce 0,5% no comparativo com maio de 2021
Se na variação mensal em relação a abril, a indústria registrou crescimento de 0,3%, no comparativo com maio do ano passado essa elevação foi maior, de 0,5%. O instituto destaca que esse índice foi alcançado como reflexo de resultados positivos em duas das quatro grandes categorias econômicas, em 12 dos 26 ramos, 34 dos 79 grupos e 47,2% dos 805 produtos pesquisados.

No acumulado do ano, entretanto, a indústria registra queda de 2,6% em relação ao mesmo período de 2021 e ainda uma retração de 1,9% nos últimos 12 meses. “De uma maneira geral, há uma melhora no desempenho da indústria nos últimos quatro meses que pode estar relacionada às medidas de incremento da renda implementadas pelo governo (liberação de recursos do FGTS e antecipação do 13º para aposentados e pensionistas). Isso pode estar trazendo algum impacto positivo para o setor industrial, além da evolução no mercado de trabalho com a redução da taxa de desocupação”, analisa Macedo.

Marca de Cingapura usa água tratada de esgoto em cerveja e alerta sobre escassez

A cervejaria artesanal Brewerkz Singapore lançou um rótulo que chama a atenção por um dos seus ingredientes. A NEWBrew, uma cerveja do estilo Tropical Blond Ale, leva água potável tratada do esgoto de Cingapura na sua receita, em uma iniciativa que tem a intenção de chamar a atenção para a importância do uso sustentável desse recurso natural.

A NEWBrew foi apresentada inicialmente em 2018, em uma conferência sobre a água. Agora, então, a Brewerkz realizou o seu lançamento comercial, em parceria com a agência nacional de água de Cingapura.

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Em sua composição, então, a cerveja conta com a NEWater, a marca de água potável tratada do esgoto local. Ela fluiu pela primeira vez de estações de tratamento em 2003, em iniciativa para melhorar a segurança hídrica na ilha. E essa água tratada se soma a uma receita que leva maltes de cevada alemães e os lúpulos aromáticos Citra e Calypso, além de levedura de fazenda da Noruega.

“O resultado é uma cerveja altamente agradável, adequada para o clima tropical de Cingapura, com um sabor suave e tostado de mel”, afirma a Brewerkz Singapore em seu site oficial.

Transformar o esgoto em água potável é uma alternativa para lidar com a escassez do recurso natural, com o uso de tecnologia para tornar isso viável já tendo sido adotado por Israel e Cingapura, que também utiliza outras saídas para lidar com o problema, o que inclui coleta de água da chuva e a dessalinização da água do mar.

Em Cingapura, a NEWater é produzida desinfetando o esgoto com luz ultravioleta para remover partículas contaminantes, além do uso de técnicas como microfiltração e osmose reversa. E o seu resultado final atende às diretrizes da Organização Mundial da Saúde.

A NEWater é usada principalmente para resfriamento em processos industriais, bem como para abastecer reservatórios. E a expectativa é de que atenda a 55% das necessidades de água de Cingapura até 2060.

Com o lançamento, a Brewerkz e as autoridades locais esperam auxiliar na expansão da tecnologia que atua no tratamento do esgoto, persuadindo o público ao demonstrar que, uma vez processada, a água do esgoto é apenas água. A iniciativa também pretende chamar a atenção para a emergência climática, com as secas ameaçando o abastecimento de água doce pelo mundo.

Iniciativas semelhantes já foram adotadas pelo mundo por outras cervejarias. Isso ocorreu na Suécia, onde a Nya Carnegie Brewery fez parceria com a Carlsberg e o IVL Swedish Environmental Research Institute para um lançamento, assim como aconteceu com a Village Brewery, no Canadá, que se uniu a pesquisadores da Universidade de Calgary e à empresa de tecnologia de água dos Estados Unidos Xylem.

Com queda pelo 3º mês, ação da Ambev desvaloriza 13,1% no 1º semestre

A ação da Ambev terminou o primeiro semestre de 2022 em baixa. O papel desvalorizou 13,1% na metade inicial do ano ao terminar o mês de junho valendo R$ 13,40, uma perda de R$ 2,02 em relação ao último pregão de 2021. E essa queda foi reforçada pelo pior mês da B3, a bolsa de valores brasileira, desde o início da pandemia do coronavírus, em março de 2020.

O Ibovespa, o principal índice da B3, terminou o pregão da última quinta-feira (30) aos 98.542 pontos, o que representou desvalorização de 11,50% em junho, a maior desde o tombo de 30% no primeiro mês da crise sanitária.

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De acordo com analistas, a forte queda foi provocada pela aversão ao risco no mercado brasileiro, provocada por um cenário externo adverso, que inclui a continuidade da alta da inflação no cenário global, a desaceleração da economia chinesa, impactada pela pandemia, e a alta dos juros nos Estados Unidos, acompanhada pela possibilidade de recessão no País, o que provoca efeito considerável em ativos de empresas de consumo, caso da Ambev.

Dentro desse contexto, e ainda que em um ritmo mais lento de queda do que o do Ibovespa, a ação da Ambev também desvalorizou, com retração de 5,57% no último mês do primeiro semestre. Foi, aliás, o terceiro mês consecutivo em que o ativo reduziu o seu preço no mercado financeiro do Brasil.

Com isso, a Ambev se inseriu em um enorme contingente de empresas que perderam valor no mercado financeiro brasileiro em junho. Afinal, das 91 ações listadas no Ibovespa, apenas 4 apresentaram alta, com destaque para os papéis preferenciais (12,18%) e ordinários (9,63%) da Eletrobrás.

Já entre as demais 87 ações, a maior queda foi da Méliuz, que despencou 43,16% no período, seguida por Via (38,85%), Azul (38,44%), Gol (37,49%) e Magazine Luiza (37,10%). A Magazine Luiza, aliás, lidera as perdas no semestre, em 67,59%. Já a maior alta na primeira metade do ano foi da Cielo, de 65,57%.

Fora do Brasil
No cenário externo, a ação da Ambev também caiu em junho. O papel da cervejaria terminou a sessão da última quinta-feira (30) na Bolsa de Nova York valendo US$ 2,51. Assim, em um mês desvalorizou 15,2%. Essa perda, inclusive, reverteu o cenário de 2022, que vinha sendo positivo. Agora, então, o papel fechou o primeiro semestre com perda de 10,36%.

Situações parecidas aconteceram com as ações das maiores cervejarias do mundo na Europa. O ativo da AB InBev terminou o mês de junho com valor de 51,36 euros, caindo 3,4% no semestre. Já o papel da Heineken ficou em 87,00 euros, tendo perdido 12% do seu preço no período de janeiro a junho de 2022.

Balcão do Advogado: Media for Equity no mercado cervejeiro

Balcão do Advogado: Media for Equity no mercado cervejeiro

Já pensou em ter um artista ou esportista famoso promovendo a sua cervejaria? Isso parece estar totalmente fora da realidade das microcervejarias, mas movimentos ocorridos em outros mercados tornaram realidade algo que antes parecia ser impossível.

A estratégia que vem sendo utilizada por muitas empresas é conhecida como “Media for Equity”, que consiste em conceder uma participação no seu negócio a um influenciador famoso que tem o potencial de fazer a marca alçar voos mais altos. Em outras palavras, a empresa utiliza-se de uma pessoa influente, que auxiliará no marketing e na publicidade, em troca de participação societária.

Cases de sucesso
São vários os casos nos quais essa estratégia está sendo desenvolvida: Anitta e Nubank, Rappi e o cantor colombiano Maluma, a atriz Paolla Oliveira com a Lilly e o piloto Sergio Pérez com a Kavak.

O grande atrativo desse modelo é que a empresa não precisa fazer grandes investimentos, sendo a contrapartida a oferta de quotas da sociedade. Os ganhos principais para a empresa são com a exposição e o conhecimento de marketing trazido pelo influenciador/investidor, que podem auxiliar na ampliação da base de clientes e no aumento do valor da marca.

No mercado das bebidas também já existem cases de sucesso: o ator Ryan Reynolds (Deadpool) com o Aviator Gin e o rapper Sean “Diddy” Combs com a Cîroc. Segundo a Diageo, detentora da marca de vodca, após a entrada de “Diddy” na sociedade, as vendas da bebida passaram de 50 mil para 2 milhões de caixas anuais.

Dentro da realidade brasileira, a microdestilaria capixaba “Dry Cat”, que produz gin, convidou o cantor e empresário Thiaguinho para ser head de comunicação e marketing. A ideia é projetar ainda mais a marca, que já conta com prêmios internacionais.

Como as cervejarias podem se valer da estratégia
No caso das microcervejarias, em que o orçamento de marketing/publicidade é limitado, essa pode ser uma boa alternativa de investimento. Com esse tipo de estratégia, a cervejaria, por meio de um recurso não financeiro, pode diminuir custos de publicidade e marketing, aumentar seu mercado, bem como agregar credibilidade e valorizar a marca.

Em contrapartida, a valorização da empresa proporcionará ganhos financeiros ao influenciador/investidor, tornando o modelo atrativo para ambas as partes.

Do ponto de vista legal, a forma mais comum de formalização desse tipo “investimento” é por meio de um contrato de opção de compra de quotas (stock options), no qual é fornecido ao investidor a opção de adquirir quotas do negócio a um valor pré-determinado passado um certo período de tempo. No entanto, ele não é obrigado a, de fato, exercer esse direito, não precisando pagar qualquer valor caso não o faça.

Um formato mais conservador de formalização do Media for Equity seria o ingresso do investidor no quadro societário da empresa. Em ambos os formatos, é extremamente aconselhável que a relação seja muito bem delimitada, restando especificadas todas as atribuições que o investidor terá como (futuro) sócio.

Atribuições, remuneração, gerenciamento, assim como estabelecimento de metas e outros pontos estratégicos, podem ser pactuados em um acordo de sócios, documento sobre o qual já tratamos aqui.

Assim, desde que formalizado corretamente, e havendo sinergia entre o influenciador/investidor e a cervejaria investida, o modelo de Media for Equity pode se tornar uma alternativa viável para as microcervejarias ganharem exposição sem realizar grandes investimentos. Trata-se de uma solução inovadora para o mercado que pode ajudar tanto a alavancar marcas como também a reduzir chances de insucesso.


André Lopes é sócio do escritório Lopes, Verdi & Távora Advogados e criador do site Advogado Cervejeiro.

Menu Degustação: Atrações da Oktoberfest, recolocação de mulheres no mercado…

Após um junho agitado no cenário cervejeiro, repleto de eventos e iniciativas que ajudaram a manter o mercado aquecido, julho promete também ser de muitas atividades no setor. E antes mesmo de começar a curtir o mês, o público já pode reservar datas em suas agendas para as grandes atrações que ocorrerão pouco depois, já que a programação de edições da Oktoberfest em diversas cidades começaram a ser confirmadas.

Além da tradicional festividade em Blumenau, a Oktoberfest terá versões em São Paulo, que ocorrerá no Ginásio do Ibirapuera, e em Cuiabá, no Mato Grosso, onde a banda Barão Vermelho foi confirmada como principal atração musical da programação. Em outras frentes, destaque também para a realização pela Ambev de uma ação para ajudar as mulheres na busca por espaço no mercado de trabalho.

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Confira estas e outras novidades da semana no Menu Degustação do Guia:

Camarote da Oktoberfest Blumenau e…
A organização da Oktoberfest de Blumenau, marcada para ocorrer entre os dias 5 e 23 de outubro, já confirmou a programação do seu camarote, que contará com shows de artistas nacionais. Pedro Sampaio, Pocah, Thiago Martins, Buchecha, Thiaguinho, 3030 e Jeito Moleque estão entre as principais atrações deste setor da festa. Com dois andares, terraço, área de shows restrita e ambiente climatizado, essa área garante acesso exclusivo às atrações e disponibilizará open bar de chope da Spaten e das cervejarias convidadas Patagônia, Goose Island e Colorado. O menu do camarote também oferece open food especial, com opções veganas e sem lactose, batata chips, sanduíche de salsichão e outras delícias.

…cenografia da festa
Além dos atrativos cervejeiros e musicais da programação, a organização da Oktoberfest em Blumenau confirmou que o evento terá um novo projeto cenográfico. Assinado pela Guru, agência de comunicação de Florianópolis, o projeto foi apresentado à Secretaria de Turismo de Blumenau com um conceito que se inspira na história para traçar uma visão de futuro e traduz essa intenção com temáticas para os três espaços centrais da Vila Germânica: os Pavilhões 1 e 3 dedicados a Munique e Blumenau, respectivamente, sendo unidos pelo Pavilhão 2, cuja decoração representa a Spaten, cerveja oficial do evento, e a Patagônia, outra marca que faz parte do portfólio da Ambev.

Programação da Oktoberfest em São Paulo…
Já consolidado como um dos maiores eventos culturais do calendário da capital paulista, a São Paulo Oktoberfest anunciou atrações musicais da programação da festividade, marcada para o Ginásio do Ibirapuera. São elas: Silva, Monobloco, Paula Lima, Zélia Duncan, Gustavo Mioto, Maneva, Turma do Pagode, Chemical Surf, Ferrugem, Os Barões da Pisadinha, Banda Harkay, Whata Focka Moment, Banda Rocky Breakout, Molina’s Creedence, Rock Br, Tio Noize e The Dogs. O evento será entre os dias 7 e 23 de outubro, com programação às sextas-feiras, sábados e domingos.

.. e em Cuiabá
Depois de dois anos sem ocorrer, a Oktoberfest Louvada, realizada em Cuiabá, no Mato Grosso, teve a sua realização confirmada. E o primeiro lote de ingressos será colocado à venda na próxima quinta-feira (7). O evento acontecerá em um único dia, em 17 de setembro, na Arena Pantanal, e terá como principal atrativo musical a banda Barão Vermelho. A festa também terá o som das bandas locais Heróis de Brinquedo e MP Rock, estandes com delícias da gastronomia alemã, brincadeiras típicas, espaço kids e mais de dez estilos de chope.

Ambev ajuda mulheres no mercado
A Ambev está promovendo em conjunto com a ONG Cruzando Histórias uma ação para ajudar mulheres a voltar ao mercado de trabalho. A iniciativa terá 100% do lucro com a venda da cerveja colaborativa Desrotuladas, produzida pela companhia em função do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, revertido para a instituição. Trata-se de uma edição especial do programa “Impulsione a Sua Carreira”, que visa incentivar o cuidado às mulheres em situação de vulnerabilidade social, as preparando para ter um emprego. Na ação, as participantes frequentarão oficinas, painéis, mentoria coletiva e bate-papo com a área de recursos humanos. As interessadas em participar da seleção devem entrar em contato com a ONG por meio do site do projeto.

Nova campanha da Eisenbahn
A Eisenbahn Pilsen Unfiltered estreou uma nova campanha, cuja trilha sonora é uma versão adaptada do clássico “One Way Or Another”, da banda Blondie. Com a mensagem “girar a lata deixa os detalhes do sabor ainda melhores”, a propaganda enfatiza de uma forma divertida que, para ter uma verdadeira experiência artesanal final de degustação, as partículas precisam ser misturadas com o líquido da cerveja não filtrada antes de beber. Gravada em um galpão de São Paulo, a produção contou com uma equipe de quase 200 pessoas entre a preparação, a filmagem e o trabalho de pós-produção.

Inscrições no Concurso Brasileiro
A organização do Concurso Brasileiro de Cervejas resolveu antecipar as inscrições para o evento de 2023 e informou que até 18 de agosto os interessados em participar pagarão preços promocionais. No próximo ano, a competição cervejeira ocorrerá entre 4 e 6 de março.

Festival Turá
Para celebrar a primeira edição do Turá, festival de brasilidade criado para fomentar, exaltar e divulgar a pluralidade da cultura brasileira, a Colorado, cerveja oficial do evento, oferece os rótulos Ribeirão Lager e Appia, produzidos com laranja e mel. O Turá será realizado neste sábado e domingo, no gramado do auditório do Parque do Ibirapuera. Mais de 24 artistas estarão presentes como atrações musicais, entre eles Alceu Valença, Baco Exu do Blues (convidando Marina Sena e Illy), BaianaSystem, Baby, Duda Beat, Emicida, Lagum, Luísa e os Alquimistas, Mahmundi, Mart’nália, Nando Reis (convidando Jão), Roberta Sá, Xamã e Zeca Pagodinho. Mais informações sobre o evento podem ser conferidas no site do festival.

Lançamento em festival da Schornstein
A Schornstein vai comemorar os seus 16 anos de existência em grande estilo, com a volta do festival promovido pela marca, neste final de semana, em Pomerode (SC). E a festa terá o lançamento de uma cerveja, a Schornstein Baltic Porter, que conta com uma receita diferente e em edição especial limitada. A celebração contará com bandas de rock para animar os participantes e ocorre após um hiato de dois anos sem festa por causa da pandemia.

Festa julina da Animal Beer
Em parceria com o restaurante La Biondo, a Animal Beer, de Santo André (SP), realizará uma festa julina especial para comemorar o retorno do seu mestre-cervejeiro ao Brasil após a viagem pelo Polo Norte, em busca de inspiração para a criação da próxima cerveja da marca. Fotos registradas neste passeio servirão como base para a confecção do rótulo da Eisbock. E uma cerveja do estilo Doppelbock já foi produzida como fruto desta aventura.

Tour pela Colonus
A Colonus anunciou que está com um beer tour em sua fábrica em Petrópolis (RJ), onde o visitante poderá acompanhar como funciona o desenvolvimento de uma nova receita da marca e todos os passos da fabricação de cervejas artesanais. Além disso, o local conta com um sistema de autoatendimento de chope e uma vila na qual os frequentadores poderão degustar o que é feito na fábrica com petiscos, pratos e sanduíches. Mais informações podem ser obtidas por meio das redes sociais da cervejaria.

Carta de coquetéis do Esconderijo
O bar de temática spaghetti western Esconderijo apresentou novidades para a chegada do inverno. Com receitas exclusivas desenvolvidas pelo bartender Felipe Damazio, o bar de propriedade da cervejaria Juan Caloto lançou a sua nova carta de drinques, inspirada na estação. Os coquetéis refletem a identidade do local, unindo sabores marcantes com nomes pitorescos como o Oro Del Bando, Fin de Los Dias, Cabana de Caça e Black Window Martini. O Perdición Del Xerife, que é uma infusão de banana e redução de cerveja Stout, e o Morricone Sour, com vodca infusionada no manjericão e pó de tomate, estão também entre os atrativos desta carta de drinques.

Nova edição de rótulos em apoio à comunidade LGBTQIA+
Cerca de 30 cervejarias se uniram para produzir rótulos exclusivos em apoio à comunidade LGBTQIA+, na segunda edição do projeto Brewing Love, iniciativa idealizada pela Octopus para promover mais conscientização no mercado. Entre as cervejarias está a Ambev, que destinará 100% do lucro com a venda das cervejas para instituições de acolhimento, proteção e inclusão da população trans e travestis. No site da Octopus e nas redes sociais das marcas participantes podem ser encontrados mais detalhes da iniciativa ou sobre as ONGs e movimentos beneficiados.

Associação Gaúcha promove moda autoral
A Associação Gaúcha de Microcervejarias promove, em evento neste sábado, uma moda autoral gaúcha em parceria com o movimento Somos MAG. No evento, será lançado o selo Moda Líquida, que celebra o encontro destas duas entidades. O propósito do movimento é alimentar a cadeia virtuosa da economia local dentro do espírito da economia criativa. Desta forma, a moda autoral e as cervejarias artesanais se unem para fazerem juntos um novo movimento, que visa incentivar a colaboração e valorizar a localidade.

Centro gráfico da Ardagh
A Ardagh Metal Packaging inaugurou o Can Studio, o seu primeiro centro gráfico no Brasil, localizado na fábrica da empresa em Jacareí (SP). O espaço foi criado para receber clientes e realizar testes de conceitos, efeitos e acabamentos nos produtos. O local apresenta estrutura para o processo de desenvolvimento do rótulo de latas, desde a consultoria ao cliente até a arte final.

Projeto que busca terroir na mandioca tem adesão de 27 cervejarias e une setor

Termo de origem francesa que originalmente significa uma extensão de terra qualificada por meio de suas aptidões agrícolas, o terroir não é uma palavra que está entre os verbetes estrangeiros acrescentados aos dicionários da língua portuguesa. Porém, o terroir pode ganhar identificação com o setor cervejeiro brasileiro por meio do Projeto Manipueira. Ainda em sua fase inicial, a iniciativa já conta com a adesão de 27 fábricas e tem como objetivo principal criar cervejas selvagens com diversos terroirs encontrados em solo nacional.

A manipueira é o líquido resultante da prensagem da mandioca na produção de farinha e foi escolhida para ser a fonte local de microrganismos para fermentação da bebida. E o projeto batizado com o nome do subproduto deste alimento foi abraçado pela Associação Brasileira de Cervejas Artesanais (Abracerva) após ter nascido de uma parceria entre as cervejarias Cozalinda, de Florianópolis (SC), e Zalaz, de Paraisópolis (MG), ambas especialistas na produção com fermentação selvagem usando barris de madeira.

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“A ideia do projeto de terroir brasileiro de cerveja é explorar as características de um mesmo ‘eixo comum’: a fermentação a partir de microrganismos presentes na manipueira (líquido que também serve de base para se produzir tucupi) em diferentes localidades geográficas, com seus respectivos climas. A partir dessas cervejas prontas também existe a ideia de se fazer um blend entre elas”, explica o sommelier Jayro Neto, conselheiro da Abracerva.

Jayro, aliás, foi um dos idealizadores deste ambicioso plano, conforme destaca Fabrício Almeida, sócio-fundador da cervejaria Zalaz, apontando que um projeto na Bélgica serviu como um estímulo para esta busca agora pelo terroir brasileiro da bebida.

“Nossa inspiração foi o projeto da Horal belga, que é um blend de várias Lambics. A partir disso a gente pensou: ‘Por que não extrapolar esse projeto para o Brasil inteiro, pegando o terroir de cada região?’ Foi assim que surgiu o (Projeto) Manipueira”, conta Fabrício.

A iniciativa tem caráter pioneiro em solo nacional, lembra Rzatki, com a mandioca tendo sido escolhida por ser uma fonte comum de microrganismos, encontrada em todo o Brasil. “Esta será a primeira e a maior exploração sobre cervejas com terroir no Brasil até agora. Cada cervejaria cultivará sua própria microflora, que resultará em cervejas únicas e absolutamente locais”, explica o especialista da Cozalinda.

Para a obtenção do almejado terroir brasileiro, as cervejarias envolvidas neste projeto obedecerão a parâmetros uniformes de fabricação, usando os mesmos tipos de insumos. O plano prevê que as bebidas sejam produzidas no início da primavera, e depois submetidas a um lento processo de fermentação, em barris de madeira. O objetivo é colocar essas cervejas no mercado apenas 12 meses após o início do processo produtivo.

“A estruturação do projeto foi muito feliz ao adotar a bandeira de trazer identidade para esse nosso produto e poder comparar o resultado em diferentes regiões do Brasil, de acordo com a microflora. Isso vai ser de grande valia para que a gente possa ir criando uma identidade da cerveja enquanto produto brasileiro”, afirma o mestre-cervejeiro Rafael Leal, fundador da Caatinga Rocks, fábrica alagoana que também aderiu a esta iniciativa.

A sommelière de cervejas Bia Amorim destaca a boa recepção ao projeto de uso da microflora presente na mandioca para criar bebidas de características únicas como um passo significativo dentro do setor cervejeiro brasileiro, em função dessa busca por uma identidade local.

É interessante ver que muitas cervejarias de prontidão já toparam participar. Um projeto como este, ainda tão novo, é sempre um desafio. Onde encontrar a manipueira, como lidar com a questão dos microrganismos, como usar os barris de madeira? Tudo novo, uma aventura”, enfatiza. “É animador ver tanta gente disposta a fazer uma cerveja como esta, coletiva, que resgata as ancestralidades culturais, que tem sabores desconhecidos… É um projeto a longo prazo e queremos que se torne uma receita, com repetibilidade”, completa.

Essa aceitação ao Projeto Manipueira para a criação de um terroir brasileiro de cerveja traz força para se encarar os desafios impostos pelo próprio processo complexo de produção deste tipo de bebida de fermentação lenta.

“Ainda tem uma questão de entendimento legal sobre produção de cerveja em barril. Já tivemos questionamento da Receita Federal e do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) sobre isso e é uma situação certamente nova também para outros estados”, lembra Fabrício, também citando a luta para a conquista do consumidor como outro desafio para a iniciativa.

“Estamos dentro da bolha da cerveja artesanal e dentro dela tem as cervejas de fermentação espontânea e que passam por barril de madeira. Não é uma aceitação unânime. Temos o desafio de ensinar ao público sobre essas cervejas para que eles possam apreciar este tipo de bebida que foge muito do conceito tradicional de cerveja”, avalia.

São, claro, desafios a serem superados por um projeto envolto no propósito de unir a cerveja com a cultura, gastronomia, a história e regionalidades, em busca de uma identidade brasileira, como destaca Bia Amorim.

Para as cervejarias é a oportunidade de gerar negócios e apresentar um produto que tem história, que é super gastronômico e tem toda essa questão do terroir nacional, que vem forte nas tendências de consumo. A ocasião ainda pode trazer frutos com a aproximação dos produtores locais. Um ecossistema regional funciona muito melhor quando se trabalha junto

Bia Amorim, sommelière de cervejas

Veja a lista de cervejarias que já fazem parte do Projeto Manipueira:
Alem Bier (Flores da Cunha-RS)
Amazon Beer (Manaus-AM)
Caatinga Rocks (Maceió- AL)
Blumenau/Mestres do Tempo (Blumenau-SC)
Cabôca (Belém-PA)
Cozalinda (Florianópolis-SC)
Cruls (Brasília-DF)
Devaneio do Velhaco (Porto Alegre-RS)
Donner (Caxias do Sul-RS)
Fermentaria Local (Jarinu-SP)
Graia Beer (São Paulo-SP)
Hop Mundi (Natal-RN)
Infected Brewing Co (Santos-SP)
Japas (São Paulo-SP)
Kairós (Florianópolis-SC)
Marek (Charqueada-RS)
Narcose (Capão da Canoa-RS)
Pestana (São Paulo-SP)
Pineal (Sorocaba-SP)
Prisma (Campo Limpo Paulista-SP)
Proa (Salvador-BA)
Quinta do Belasca (Pinhalzinho-SC)
Suricato (Porto Alegre-RS)
Tarantino (São Paulo-SP)
Trilha Cervejaria (São Paulo-SP)
Way Beer (São José dos Pinhais-PR)
Zalaz (Paraisópolis-MG)

Heineken se torna 1ª multinacional a adquirir cervejaria em Taiwan

A Heineken vai se tornar a primeira multinacional a adquirir uma cervejaria em Taiwan. A companhia de origem holandesa anunciou ter chegado a um acordo com o Grupo Sanyo Whisbih para comprar a Long Chuan Zuan Co. em Neipu, um município rural no sudoeste da ilha, próximo à cidade de Kaohsiung.

O acordo da Heineken com o grupo local já recebeu a aprovação da Comissão de Investimentos de Taiwan, que responde ao Ministério de Assuntos Econômicos. Porém, os termos do acordo de aquisição ainda não foram concluídos. Além disso, os detalhes financeiros da compra não foram divulgados.

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Em Taiwan, a indústria da cerveja sofreu rígida regulamentação até 2002, quando o país ingressou na Organização Mundial do Comércio (OMC). Por lá, a principal marca de cerveja nacional é a Taiwan Beer, produzida pela estatal Taiwan Tobacco and Liquor Corporation, fabricante e distribuidora de bebidas alcoólicas e cigarros, tendo surgido na sequência do fim do monopólio estatal.

Em processo de aquisição pela Heineken, a Long Chuan é uma das marcas da Taiwan Tsing Beer Corporation, que faz parte do Sanyo Whisbih Group, sendo uma das principais concorrentes da Taiwan Beer no mercado local. E a aquisição pela multinacional holandesa deve acirrar a disputa pelo consumidor local.

A Heineken está presente no mercado cervejeiro de Taiwan desde 1987, tendo aberto o seu primeiro escritório por lá em 2002, ano do fim do monopólio no setor. Hoje, a companhia possui seis escritórios no país e um faturamento de 6 bilhões de novos dólares taiwaneses (aproximadamente R$ 1,05 bilhão).

De acordo com a Heineken, Taiwan é o seu segundo maior mercado de exportação, atrás apenas dos Estados Unidos. Por lá, as principais marcas do grupo são, além da própria Heineken, Tiger, Strongbow e Edelweiss.

8 lições aprendidas pelo mercado cervejeiro durante a pandemia do coronavírus

O setor cervejeiro vive momento de reaquecimento após atravessar períodos de crise, motivados principalmente pela pandemia do coronavírus. E o grave problema sanitário obrigou as empresas a se reorganizarem e a reavaliarem os processos para sobreviverem e voltarem a crescer quando a conjuntura melhorasse, como agora.

Esses aprendizados foram enaltecidas por representantes de diversas companhias, de diferentes áreas de atuação, ouvidos pela reportagem do Guia e que celebraram a recuperação do segmento, apontando soluções adotadas durante a crise dentro do setor cervejeiro.

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Com base nestas entrevistas, listamos em oito tópicos fatores e lições importantes aprendidas durante a pandemia:

Planejamento financeiro é fundamental
“A pandemia mostrou como o planejamento é fundamental na hora de começar um negócio e para se ter uma boa estrutura, um bom planejamento financeiro e um bom controle do que é o fluxo de caixa e de como a empresa é gerida. Por exemplo, no meu bar (o Arnesto Brewery Cave), a gente sempre teve uma reserva financeira, para momentos de crise, que a gente usou durante a pandemia. E por causa dessa reserva, a gente não fechou”, revela Filipe Bortolini, sócio da Beer Business, empresa especializada em gestão de negócios e projetos no setor cervejeiro, destacando que os estabelecimentos precisam ter um plano que reduza os impactos dos problemas financeiros ligados à diminuição do poder de compra do consumidor.

Em uma linha parecida, o diretor-executivo da BeerSales, Alam Corrêa, também exaltou o peso que o bom planejamento financeiro preventivo teve para a sua empresa. “A gente aprendeu durante a pandemia a importância das ferramentas de longo prazo, mas também com os olhos mais nos cenários de curto prazo para que, caso aconteça alguma coisa, você tenha um fundo de caixa”, opina.

Reorganização estrutural e reavaliação para poder voltar a crescer
Carol Troppmair, gerente administrativa da MyTapp, empresa de autosserviço de chope, lembra das consequências difíceis da pandemia, mas ressalta a importância da reorganização promovida internamente para que a sua firma pudesse pavimentar um novo caminho em busca do almejado sucesso.

“A gente teve de diminuir a equipe, passou por alguns maus períodos, mas aprendeu bastante sobre como se adaptar. A gente aproveitou o período para dar um passo para trás, para poder depois estar pronto para dar dois passos para frente. Com o crescimento exponencial e rápido, às vezes os processos vão se atropelando e as coisas já estavam se perdendo dentro da empresa, em relação aos processos. E a gente aproveitou para aprimorar os produtos, principalmente os serviços”, enfatiza Carol, fazendo analogias ao analisar o atual cenário da MyTapp no setor cervejeiro após superar a crise.

“A gente brinca que ‘afiou o machado’ e agora está pronto para ‘destruir uma floresta’. É assim: a gente estava com o avião voando em linha reta e pousou, melhorou o piloto e o maquinário para poder voar mais longe”, completa.

Eficiência do trabalho híbrido hoje é essencial para a empresa
Alam Corrêa, diretor-executivo da BeerSales, destaca a eficiência do trabalho híbrido durante a pandemia em sua empresa, algo importante para qualquer companhia, pois ainda está presente a necessidade de isolamento de funcionários em função da Covid-19.

“O que aprendemos muito nessa pandemia foi com o home office. Agora voltamos para a sede, mas estamos pensando na possibilidade de fazer de novo o home office, pela qualidade de vida que proporcionou aos funcionários. E isso permite que, caso venha uma outra onda do vírus, a empresa já esteja preparada para operar com todo mundo de casa, o que a gente conseguiu fazer usando ferramentas”, diz.

Ewerton Miglioranza, sócio da Bier Held, também enaltece a adaptação da sua empresa a um novo modelo de funcionamento durante a pandemia.

Aprendemos um novo jeito de trabalhar, de forma remota. E como o nosso sistema é todo online, conseguimos lidar bem com isso e buscamos novos caminhos para atingir novos clientes

Ewerton Miglioranza, sócio da Bier Held

Pandemia também motiva investimentos e novos negócios
A pandemia não foi motivo apenas para as empresas reduzirem seus gastos ou demitirem funcionários. Em vários casos, a crise estimulou investimentos por empresas do setor cervejeiro que visaram frutos a serem colhidos em áreas nas quais novas perspectivas de expansão foram vislumbradas, com o panorama adverso proporcionando outras oportunidades de negócios.

“Neste período de pandemia, aproveitamos para modificar processos internos. E, ao contrário do que muitas outras empresas fizeram, nós investimos. Fizemos um investimento de cerca de US$ 500 mil em um novo equipamento de fracionamento e embalagem de lúpulos. E estamos trazendo toda a nossa linha de lúpulos numa nova embalagem, em um processo totalmente automatizado, que traz mais qualidade e segurança para o usuário do produto”, destaca Dario Occelli, CEO da Eureka Insumos Cervejeiros. “Aproveitamos o momento em que o mercado estava, digamos, em recesso, para fechar grandes parcerias e procuramos novos parceiros, tanto na área de lúpulo quanto na área de malte”, acrescenta.

Capacidade de negociação para reter clientes e garantir receitas
A capacidade de resiliência em meio a uma crise econômica passa, também, pela preocupação de saber reter clientes, que durante a pandemia lidaram com consequências financeiras drásticas. O fato foi lembrado por Ederson Cavalin, diretor comercial das Chopeiras Memo, que precisou ser flexível e compreensiva para receber pelos serviços prestados.

“Quando veio a pandemia, nossos clientes pararam de vender, ficaram estagnados e caiu 90% o faturamento deles. Nós estendemos os pagamentos de todos, sem exceção. E todo mundo ligava para renegociar e pagar depois de seis meses, de dez meses. Foi um aprendizado e uma união”, diz o executivo da Chopeiras Memo.

Empresa precisa saber se reinventar e promover inovações
Thiago Chiumento, coordenador comercial da Agrária Malte, pondera que o segmento cervejeiro vive uma fase na qual precisa “se reinventar” para fidelizar os consumidores. “Têm cervejarias que reduziram muito o nível de fabricação e aí tivemos de entender um pouco mais o que o cliente desejava. Então veio essa busca por um produto com preço competitivo e que tivesse apelo também para o cliente. Paralelamente a isso, a gente promoveu algumas inovações, trouxe alguns produtos ao mercado, com o nosso grande lançamento sendo o malte de trigo”, enfatiza o especialista.

Busca por maior número de fornecedores
A pandemia e, mais recentemente, a guerra na Ucrânia afetaram a cadeia de insumos cervejeiros, em sua maioria importados, desafiando a capacidade de abastecimento das empresas do setor e impondo a necessidade de diversificação do leque de fornecedores, como destacado por Jeferson Stamborowski, gerente de produtos da Sartorius, que oferece sistemas de filtração para maximizar o processo de produção da cerveja.

A pandemia nos ensinou que ‘quem tem só um fornecedor, não tem nenhum’. Aprendemos, também junto com os nossos clientes e potenciais clientes, sobre a importância de ter capacidade de estoque e de produção de alguns itens que, devido à pandemia e à guerra, ficaram escassos. Então, é preciso buscar novos fornecedores, desenvolver mais o mercado nacional e fazer mais parcerias com empresas brasileiras

Jeferson Stamborowski, gerente de produtos da Sartorius

Demanda pelo aumento de oferta de serviços e produtos
Leandro Spaniol, gerente de marketing da Zero Grau, empresa especializada em fabricar e comercializar máquinas e equipamentos para refrigeração, destacou a “diversificação” ao comentar a necessidade crescente por disponibilizar mais serviços aos clientes de dentro e fora do setor cervejeiro durante a crise.

“Atendíamos muito o mercado de eventos. Com a pandemia, percebemos que podíamos entrar em outros mercados, como, por exemplo, de alimentação e delivery. A turma do mercado da cerveja também sofreu com logística, com delivery, com outras coisas que tiveram de arrumar para que pudessem diversificar a distribuição e a forma de atendimento”, afirma.

Eduardo Veloso, gerente de serviços da JT Instrumentação e Processos, empresa especializada em soluções industriais para o segmento de bebidas e alimentos, também apontou que novas possibilidades se abriram. “Sempre estivemos muito focados em cerveja, mas começamos a abranger outros mercados, de laticínio, de alimentação, e conseguimos aumentar também muito o portfólio dos nossos produtos para que, quando o cliente precisar, tenhamos uma solução inteira para poder ajudá-lo”, ressalta.

Sócio-fundador da Bevfy, Carlos Lima também ressalta a importância de hoje poder oferecer uma plataforma digital que tem funcionalidades que facilitam a vida de quem compra e de quem vende cervejas artesanais. “Para a gente, tem sido natural dar soluções alternativas para ações que foram impactadas durante a pandemia, como o processo de compra e venda, a limitação de oferta ou a dificuldade de acesso a alguns produtos”, enfatiza.