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Balcão do Aloisio: Cevada – Da Antiguidade aos dias atuais

Balcão do Aloisio: Cevada – Da Antiguidade aos dias atuais

A cevada é um dos alimentos mais antigos cultivados pelo homem. Evidências arqueológicas indicam que os primeiros sinais de cultivo de cevada datam do período neolítico, aproximadamente 7.000 a.C., e apontam a região do “crescente fértil” (atualmente Israel, Jordânia, Síria, Turquia, Iraque e Irã) como sendo a de origem da cevada cultivada. Nesse tempo, a cevada era o principal cereal utilizado na alimentação humana e permaneceu durante um longo período sendo o grão mais consumido.

Com o aperfeiçoamento das técnicas de produção de pães, a cevada foi perdendo popularidade até ser completamente substituída pelo trigo nesse processo. Por conter menos glúten, a cevada dá origem a um pão mais denso, de textura áspera e cor escura, enquanto o maior teor de glúten do trigo confere aos pães produzidos a partir deste uma textura firme e elástica e a capacidade de “crescer”, os tornando mais apreciados pela população. Após ser substituída pelo trigo, a cevada continuou sendo cultivada, porém, com uso primordial na alimentação animal e na produção de cerveja.

Atualmente, a cevada é o quarto cereal e o quinto grão mais produzido no mundo, perdendo apenas para arroz, milho, trigo e soja. A nível mundial, em torno de 70% da produção é utilizada na alimentação animal, seja como forragem verde, na forma de silagem ou com o uso dos grãos na composição de rações. Devido ao conteúdo de β-glucanos presentes nos grãos de cevada, esta vem novamente despertando a atenção para uso na alimentação humana, em função dos benefícios proporcionados à saúde proporcionados.

Os maiores produtores mundiais de cevada são Rússia, Espanha, Alemanha, Canadá, França, Austrália, Turquia, Reino Unido e Ucrânia que, juntos, foram responsáveis por 98,4 (64%) das 152,6 milhões de toneladas fabricadas em 2020.

A área destinada a seu cultivo no mundo vem caindo desde o final da década de 1970, quando chegou a ser cultivada em 80 milhões de hectares. Atualmente, são em torno de 50 milhões de ha. O volume produzido, entretanto, tem aumentado, a despeito da redução da área plantada, graças aos constantes aumentos de produtividade conferidos pelas melhorias nas técnicas de produção e pelo melhoramento genético da cultura.

No Brasil, em função de alternativas mais econômicas para uso na alimentação animal, o cultivo da cevada se desenvolveu, primordialmente, para a obtenção de grãos destinados à malteação, ingrediente básico para a fabricação da cerveja. Em torno de 90% da cevada cultivada no Brasil tem como finalidade a produção de malte, só sendo destinada a outros usos caso os grãos produzidos não apresentem a qualidade necessária para utilização com essa finalidade.

Com a alta no preço do milho e pelo fato de Rio Grande do Sul e Santa Catarina não serem autossuficientes na produção de milho, o cultivo da cevada, assim como de outros cereais de inverno, vem sendo estimulado para substituição de parte do milho utilizado na formulação de rações.

No País, embora a área destinada ao cultivo da cevada, desde a década de 1970, tenha oscilado ao redor dos 100 mil ha, a produção passou de 85 mil toneladas, em 1979, para 425 mil toneladas, em 2021, quase alcançando o recorde de 429 mil toneladas, obtido em 2019.

Esse volume ainda não atende à necessidade das indústrias de malte instaladas no País, da mesma forma que a produção de malte não atende à necessidade das indústrias de bebidas. No entanto, com os constantes aumentos na produtividade e qualidade da cevada nacional e com o aumento da capacidade instalada das maltarias e surgimento de novas, é provável que um dia sejamos autossuficientes nesse insumo essencial para a nossa tão apreciada cerveja.


Aloisio Alcantara Vilarinho é engenheiro agrônomo com doutorado em Genética e Melhoramento de Plantas. Pesquisador da Embrapa desde 2003, ele atua, desde novembro de 2019, como melhorista de cevada na Embrapa Trigo.

Artigo: Com cerimônia, Barcelona Beer Challenge resgata emoção e expõe união

*Por Andreia Gonçalves Ribeiro

A entrega dos prêmios do Barcelona Beer Challenge ocorreu no último dia da InnBrew, The Brewers Convention, a feira profissional do setor de cervejas artesanais da Espanha, como contei aqui no Guia, e se deu de modo especial. Em 2022, além do número recorde de participantes, houve a primeira entrega de prêmios, o que resgata o momento de maior emoção e importância do ano para o setor. As restrições dos dois últimos anos não permitiram que se vivesse a premiação com plateia e audiência aos nervos, contando pontos, na torcida. E, o que mais se vê aqui, união.

Não tem como. Falou em setor cervejeiro, falou em prêmios, concursos, medalhas, selos e certificados. É fato que a galera gosta e aqui não deixa de ser diferente. O Barcelona Beer Challenge é sobretudo um grande encontro e já está na história como um marco no setor, já reconhecido internacionalmente.

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Transmitido ao vivo (começa no ’51), rolou até um “bom dia, Brasil” em português, saudação feita por Milkel Rius da Beer Events, responsável pelos eventos, sendo que o concurso tem uma recente parceria com o Concurso Brasileiro de Cervejas.

Baseado nos estilos do Beer Judge Certification Program (BJCP), o Barcelona Beer Challenge concede medalhas de ouro, prata e bronze. O prêmio de Melhor do Ano foi conquistado pela Basqueland Brewing pela segunda vez consecutiva. O mesmo prêmio é estabelecido para as fábricas recém-criadas, com o prêmio Novel Brewer of the Year, que foi de novo para a Itália, mas trocou de mãos. A Birrificio Liquida ocupou o topo do pódio no lugar da Torre Mozza.

O terceiro “grande prêmio” do Barcelona Beer Challenge é o Molina for Brewers Innovation Award, que homenageia a criatividade no processo cervejeiro e foi conquistado pela Màger, uma cervejaria que, amigos ou não, lhes garanto que vale a pena buscar.

E o quarto e último prêmio, que envolve ainda mais emoção é o Steve Huxley, que esse ano foi para as mãos de Salvador Marimoon, um profissional que desde que cheguei aqui, juro, não o vi parar de trabalhar um minuto que seja. Quer maior representação dentro de um mercado que tem que ralar para acontecer do que ele? Aqui tem muita gente massa e eu gostaria de apresentar todo mundo para vocês, um dia.

Um grande parênteses inicial, porque contexto é importante
Quando me dispus a escrever sobre a premiação para o Guia, não consegui deixar de pensar que, do outro lado do monitor, pode ter gente que mal sabe da existência do movimento de cerveja artesanal espanhola. Estamos sempre muito apegados à cerveja que vem dos países das grandes escolas, como é o caso dos Estados Unidos, que chega aí com maior facilidade. Um jeito rude de ilustrar: sabemos que não se exporta muito para aí. Minha lua em Aquário não me permite não pensar no crescimento do outro, seja ele mercado, seja ele pessoa, a adquirir novas informações.

Acabei tecendo um mini-dossiê (que de mini tem nada) sobre o Barcelona Beer Challenge. Pode procurar aí e você não encontrará um texto que condense todas as informações em um só lugar. Fiz questão de buscar links para quem quiser conhecer mais as marcas, conhecer um pouco dos projetos e produtos e, quem sabe vir a visitar a gente aqui um dia. Obrigada, editor, pela consideração.

O concurso

São 64 categorias divididas em três blocos, de acordo com os critérios do BJCP: família das Lagers, depois, alta fermentação. Mikel Rius, atento à questão de ser “pedagógico”, explica que durante as análises, “competem cervejas relativamente diferentes e isso é um exercício que os juízes têm que fazer. O de entender que cada uma compete em sua categoria, ou seja, se analisa dentro dos parâmetros aos quais ela está inscrita. Logo, se avalia qual delas está mais adequada, sempre pensando que se julga dentro de sua subcategoria e, depois, opinam conjuntamente”.

Vamos ao exemplo prático, porque quem não está acostumado pode fazer confusão, coisa que eu sou especialista. Tanto que parto da explicação dada pelo próprio Rius e a incremento. Por exemplo, na categoria Standard American Beer concorreram cervejas dos estilos American Light Lager, American Lager, Cream Ale e American Wheat Beer. Nesse caso, estava aí a primeira categoria do bloco Lager que foi apresentada. Dela, saíram duas medalhas: uma de ouro para Cream Ale Guadalquibeer, de Sevilha, e uma bronze para a Artic Mosaic, que se apresenta como Session Wheat IPA da francesa Le Père L’amer. Nenhuma outra amostra garantiu pontuação necessária para ser prata, logo, a colocação ficou deserta.

Como meu objetivo é fazer conhecida a cerveja daqui, conto que a Guadalquibeer levou ainda outro ouro, na Córdoba Irish Red Ale. Já estou em compasso de bulerías, bailando (sem meus saudosos tacones flamencos que ficaram no Brasil) louca para ir lá conhecê-los. Em Sevilha, eles estão no centro da cidade, no Mercado de La Calle Feria. Guadalquivir é o nome do rio que corta Sevilha e a calorenta e calorosa cidade andaluza de Córdoba (onde está enterrado meu umbigo). “Sorria para a foto”, voltemos à Catalunha.

Para levar o canecão mais cobiçado, o de melhor cervejaria do ano, e o de melhor novata, para quem existe há menos de dois anos no mercado, ganha quem somar mais pontos. É assim: uma medalha de ouro vale cinco pontos, a prata vale três e a de bronze, resulta em dois pontinhos. “Dá quatro, vai um, menos dois são cinco”, eu confesso que se tivesse que somar ali ao vivo, lascou! “Com mais sete, vinte e um” e a Basqueland Brewing Co. venceu outra vez. Em segundo, eu não consegui fechar a conta direito e, em terceiro, a La Salve de Bilbao. Ponto para o País Basco, onde estão ambas.

Melhor Cervejaria

A bicampeã Basqueland juntou oito medalhas no Barcelona Beer Challenge. Levou dois ouros, cinco pratas e um bronze para a cidade de Hernani. Os rótulos medalhistas foram: Cat Skills, Santo Tomás, Matryoshka, S’Mores, Tiki Idol, Barrelworks Cognac, A Lager A Day e Live Forever. Foi fundada em 2015 por Kevin Patricio (de Maryland), Benjamin Rozzi (de Akron, Ohio), dois estadunidenses com passado na Port Brewing e Stone Brewing.  São cervejas bem fáceis de se encontrar e mais fáceis ainda de se encantar.

De acordo com um ranking setorial de empresas exportadoras, a Basqueland está como a 10ª em volume vendido para fora da Espanha e vende para toda Europa, especialmente para Bélgica e Alemanha e ainda, Japão e China. São receitas geniais, IPAs cada dia mais equilibradas, assinadas pelo maestro “donostiarra” Oscar Saéz e, junto aos co-fundadores, há o head escocês Cosmo Sutherland.

Iniciadas em 2018, até os últimos dados do informe de exportadores do CESCE, o faturamento em vendas externas deles tinha dobrado em 2020. Curiosa estou para saber como estão atualmente, depois dos prêmios. Será que tem Brasil na mira? Volto ao meu movimento revolucionário de uma pessoa só de “abram o coração para as cervejas espanholas”, minha gente. Eu garanto que é muito melhor que paella. Ops! Paella é de Valencia. Lá em Euskadi (nome do País Basco em euskera, idioma oficial da comunidade autônoma) soa bem dizer que seria melhor que um pintxo. Porém, o País Basco é tão alto nível em gastronomia que qualquer coisa que eu falar, serei julgada pelo meu próprio pensamento. Renuncio ao atrevimento e os convido a ousarem buscar mais sobre o que criam aqui.

Melhor Cervejaria Revelação: a “novinha” é gringa e fala italiano

Birrificio Liquida é o nome dela, de Ostellato, município da província de Ferrara, na Emilia-Romagna. Os três sócios estavam en persona para receber o prêmio. Luca Tassinati, Christian Bertoni e Luca Drudi, tutti già provenienti dal mondo della birra artigianale antes de abrir a “championíssime”. As medalhas foram em clássicos. Três. Ouro na American IPA, prata com American Pale Ale e bronze em German Pils. Tem juízo quem respeita clássicos e mais ainda quem leva “estrelas no peito”. Seja na cerveja, seja no futebol. Imagina a alegria de estar em Barcelona para receber esse prêmio. No vídeo dá para sentir a vibração. A viagem valeu a pena.

Foi bem o que li por aí em algum artigo desses dias, a de que “os italianos não vêm à Barcelona por turismo”. As cervejarias italianas, assim como em anos passados, arrebataram um punhado de medalhas. Com uma relação de amizade de muitos anos com os cervejeiros e organizadores de eventos daqui, a cada ano o número de prêmios que vão para a Itália aumenta. Se fosse a Copa do Mundo de futebol, a gente já teria entendido. A Itália é danada.

Prêmio Inovação Molina for Brewers

Este é o terceiro ano que a maltearia patrocina este prêmio. Ainda bem que eu não sou jornalista e não preciso parecer imparcial. Eu fiquei estalando de alegria com o resultado. É que nem futebol. Sou Galo e pronto. Na cerveja, ¡dame las ácidas! E a Màger levou o Molina for Brewers Innovation Award (não aguento esses nomes em inglês farialimer)! Concorriam ao certame de processo criativo na fabricação de cerveja cinco finalistas. Cervejaria Castrum, com a Quadruppel; a valenciana Cervesa Tyris, com Tyris Orangito; barcelonesa Animus Brewing, com Swept Aside; AndBeer de Andorra, com Hidrobeer; e a catalã Cervesa Màger, com Dolça Sour.

A Dolça Sour é um resgate à técnica vi bullit, em tradução livre, vinho fervido. Uma técnica da elaboração de vinhos que está quase esquecida. A Màger fica em La Llacuna (Barcelona), e o mestre-cervejeiro responsável é Àlex Puig. E o que fazem ali? Cervejas azedas, de fermentação selvagem e mista que derretem meu coração peludo de amor. Puig é da região vinícola com denominação de origem, Penedès. É daí e de sua experiência prévia trabalhando nas cavas e vinícolas da região que vem a expertise. Em entrevista ao La Vanguardia, ele disse que “funde técnicas muito semelhantes e traz essa parte selvagem às cervejas”.

Àlex quer mais é que outros cervejeiros repliquem o processo e que a Sweet Sour, nome que ele batizou o estilo, vire uma realidade. Conheci o Àlex e a Mireia em julho de 2019 na feira de cerveja de Jafre, a uns 30km daqui de Girona. Na ocasião, queria ter uma cadeira de praia para ficar sentada ali de frente à barraca deles, bebendo a Wild Beats. Era uma Berliner Weiss maturada com framboesas que ganhou como “la cervesa de l’any” do evento. Perfeita para aguentar aquele calor de 40ºC do inferno que é o verão europeu. Na verdade, eu queria trocar o filtro daqui de casa por barris da Màger. Foi paixão ao primeiro gole. Eu torço para eles que nem em partida do Galo mesmo. Merecidíssimo prêmio.

Prêmio Steve Huxley

O Steve Huxley Lifetime Achievement Award (misericórdia diabo de nome extenso que até clamei “mi’a Nossa Senhora da Abadia’Água Suja”, nome da santa que acode o povo da minha terra Patrocínio) também foi entregue nesta gala, dessa vez pelo vencedor anterior, Andrew Dougall. Nesta edição, optam pelo prestigioso prêmio Guillem Laporta, do Homo Sibaris; Susana Giner, da 2D2Dspuma; Boris de Mesones, da Boris de Mesones Engenharia Cervejeira; Guzmán Fernández, do Cluster Cerveja Artesanal; e Salvador Marimon, da Install Beer.

O “Salva” está envolvido em tudo que é evento cervejeiro, bar novo, projeto de restaurante e é até um dos sócios do Barcelona Beer Festival. O troféu de flor de lúpulo lhe caiu muito bem.

Categoria nova: Platinum

Este ano, como grande novidade, o evento criou a categoria Platinum, que distingue as cervejarias que obtiveram cinco medalhas no Barcelona Beer Challenge, mas em anos diferentes. “O objetivo desta nova categoria é valorizar o trabalho bem-feito e constante dessas cervejarias, que ao longo dos anos conquistaram medalhas, até cinco, nos sete anos de história do evento”, diz a organização.

Premiada na categoria Strong American Ale, essa Red IPA é complexa, vem mais alcoólica e maltosa que uma Red Ale normal (claro, Andreia, é imperial), por isso se enquadra no estilo que concorreu. Já são cinco anos recebendo medalha. A cervejaria Arriaca foi fundada em 2014, sendo a primeira a usar lata no setor artesanal espanhol.

Porter, com lúpulo três tipos de lúpulo, porém inovadora. A marca registrada da cervejaria de Sóller são as laranjeiras, produto de cultivo local. Na Fosca, agora também por cinco anos consecutivos ganhando medalhas, uma parte do malte é trigo. E se utilizam, claro, de flor de laranjeira e cacau.

Antes, um armazém de beneficiamento de grãos. Hoje uma senhora cervejaria que nos beneficia com cervejas em um senhor espaço de degustação em Cardedeu. O prédio assinado pelo arquiteto modernista Cal Peó fica no centro da cidade e dali saem produtos que fazem referência ao passado carvoeiro da região de Vallès, como essa Irish Extra Stout, com maltes defumados.

A eleição dos vencedores
A análise das amostras pelos jurados do concurso se realizou no início de março, no Clúster Craft Beer em Lliçà d’Amunt. Um total de 1.315 cervejas de 215 participantes bateram o recorde das edições anteriores, mesmo que a cada ano saiam críticas sobre a participação e conquista de medalhas por grandes marcas da indústria cervejeira do país.

De acordo com a organização, participaram 60 juízes profissionais de 15 nacionalidades diferentes, na função de pontuar a análise sensorial. São 64 categorias e alguns estilos seguem uma lógica diferente da que estamos acostumados no Brasil, que seria BJCP “puro”. A lista de medalhas tem 178 premiadas com a possibilidade de usar o selo da medalha até o próximo ano.

O local escolhido para a atuação do júri também pode receber visitas guiadas ao espaço, que é como uma incubadora de cervejarias, oferecendo cursos, e tem vários profissionais de ponta reunidos para dar gás na economia da cidade de Can Malè a partir do setor cervejeiro. As candidatas puderam se inscrever até 23 de janeiro, com as amostras sendo enviadas de 7 a 18 de fevereiro. O preço das inscrições variava de 145,20€ para uma única amostra, com descontos progressivos, até a bagatela de 764,72€ para 20.

Uma informação, reforçada pelo organizador do evento e mestre de cerimônias Mikel Rius na abertura da celebração, é que o Barcelona Beer Challenge foi reconhecido este ano pelo EBCU (European Beer Consumers’s Union) como um dos principais concursos cervejeiros europeus (são nove e você pode conferir quais aqui).

Prêmio para a grande indústria vale?
Grandes cervejarias voltaram a participar e até mesmo repetir prêmios, como é o caso da Mahou Cinco Estrellas que levou prata pelo terceiro ano consecutivo em International Pale Lager e repetiu o ouro de 2021 com a Maestra Dunkel, como Dark European Lager. Podem me julgar. Eu compro essa cerveja direto. Bom, até aí, nenhuma surpresa. Certamente é parte da política da empresa participar de concursos, porque a Mahou está como a cervejaria mais premiada da Espanha, com 87 prêmios internacionais desde 2018. O bom de ser grande é poder pagar para participar de tudo, né?

Outra conhecida que papou moedinhas foi a Founders com sua Oktoberfest. E a La Salve levou quatro medalhas. Repetiu o ouro na Lager e tem grandes chances de uma possível platinum aí pela frente.

E volto à minha pergunta inicial… Enquanto algumas cervejarias têm milhões para investir em qualidade e marketing, para as nanocervejarias – como é o caso da acachapante maioria que participa deste concurso – se pode considerar ser difícil até mesmo investir na inscrição de um concurso desses. Por isso, ficam perguntas: deveriam os concursos “proibirem” a participação das grandes? Ou criarem algum tipo de regra especial para as Lagers, categoria que mais gera essa polêmica?

Mas se pensamos que todas as amostras são analisadas às cegas, em um copo x, por vários juízes, então se pode tirar diferentes conclusões. Uma é que em qualidade, independentemente do orçamento, rola para os dois lados, ou seja, temos cerveja boa saindo de tanques enormes e de pequenas cozinhas. É o caso da cervejaria Cacho Beer, que se não me engano, levou medalha pelo terceiro ano consecutivo. O nome vem de alcachofra, utilizada na receita. São nano, mas também são prata em International Amber & Dark Lager. Não sei se isso é uma análise ou uma opinião, mas se quiser me responder, acho interessante a gente debater o tema.

Então a senhora quer dar opinião?
Olha, gente… Tá dureza bancar meus luxos e a vida de “sommeliêzice”. Definição dada à chatice de “só bebe artesanais” dada pelo meu grande amigo Elmer Dantas lá por 2015, quando a gente saía para encher a cara em São Paulo.

Voltando ao que interessa e baseada em experimentações anteriores e/ou opiniões de conhecidos dignos de nosso respeito, selecionei algumas das cervejas que ganharam medalha para que elas não sejam apenas um nome, mas que ganhem alguma vida, uma história:

Medalha de Ouro

  • Respect, Russian Imperial Stout, da Gro Brewers: a cervejaria “d’en Marc i en Pep”, meus companheiros de associação daqui de Girona. Os caras faziam cerveja, cada um na sua casa. Dois apaixonados por cervejas potentes – seja em tosta, seja em IBU, seja em sabor – resolveram se juntar e criaram a Gro que já tem uns 14 rótulos no mercado e “tá que tá” com as colabs. O “obrador” deles, nome dado à fábricas de cerveja em catalão, que produz receitas de até 1.800 litros cada lote, é fácil de chegar e está com as portas abertas para receber interessados em conhecer as criações deles.  
  • Bruna del Pirineu, Belgian Dark Strong Ale da Poch’s: Castellfollit de la Roca é o nome da cidade onde fica o obrador e taproom do Francesc. Ano passado, pegou prata, mas já são cinco medalhas, sendo três de ouro e a Bruna (morena, em catalão).

Medalhas de Prata

  • Blumenau CraftLab Grodziskie, Historical Beer da Cervejaria Blumenau: o rótulo levou prata na categoria do estilo que foi destaque no Guia, assim como a Mestres do Tempo Lambic #2, da marca catarinense, no estilo European Sour Ale. Em 2019, a Brotas já tinha ganhado duas medalhas de prata e uma de bronze. Investir em concursos internacionais depois da onda da pandemia, é um realmente um risco, por vários fatores. Mas se vem na mala junto a juízes convidados, essa probabilidade de pouco retorno sobre o investimento é diminuída. O carinho com o qual a amostra viaja é outro, não é mesmo?
  • Black Block Bourbon 2021, Imperial Stout Wood Aged da La Pirata Brewing: faz umas duas semanas que recebi a sorte de poder sair com vida de uma degustação guiada pelo Aran no B112 de Girona. A primeira servida foi a Imperial Stout base de 11%, sem barrica, “suavona”. Gente boa ela. Sabe aquelas pegadinhas que você se apaixona, mas em seguida vêm mais seis na cola? Pois é… Bourbon, vinho do Empordá, barrica de guardar peruca, barrica de Jerez, rolou uns brownie que ainda não sei se foi real ou sonho… Só sei que chipa, untappers! Eu bebi todas as Black Blocks do rolê. Sou agora uma pessoa que tem a força, sou invencível. Zerei a vida.

Medalhas de Bronze

  • Sour Power, na categoria European Sour Ales, da Juguetes Perdidos: nunca bebi, mas está como dos meus estilos prediletos e destaco porque pode ser que dê para encontrar por aí. A Juguetes Perdidos, da Argentina, chegou aqui no começo do ano. A hermana levou seis prêmios e eu só não dei destaque em ouro porque, né, argentinos, lamento. E Plata é muito “Rio da Plata”. De clichê digo que colocar a Juguetes como exemplo no bronze não fui eu, “fue la mano de Dios”. Bom, deles bebi a “Gose&Tonic”, com pepino e zimbro. Minha amiga peruana Dessirè, chef de cozinha, amou.

Dessa vez, não foi possível acompanhar a premiação pessoalmente porque concomitantemente ocorria uma feira de cervejas rústicas em Santa Pau, interior da Catalunha. Com o pouco do que conheço daqui, sei como é danado para cervejarias participarem e gostaria de transmitir meus parabéns a cada um dos vencedores de medalhas deste Barcelona Beer Challenge, e, claro, a cada um dos participantes e à organização. Especialmente à Anna Portavella, que corta um dobrado para tudo acontecer.

Também vou pedir desculpas públicas para a Mireia, da Máger. Sou tão atenta a detalhes, que às vezes o óbvio me passa despercebido. Antes de ir embora da Rustic&Wild – feira que me fez perder a premiação do Barcelona Beer Challenge – fui até o estande deles para pedir a gentileza de lavar minha taça para levar para casa. Lavado? Sim, mas saí dali com um chorinho (choríssimo, no superlativo, de presente, nesse caso) de uma garrafa comprida das que tinha lá.

Na pressa para não atrasar minha carona, nem vi o troféu que estava ali, todo lindão, reluzente na minha frente! Gente, que vergonha! Não os parabenizei e ainda tive a honra de beber a principal vencedora do concurso, assim, de presente e sem saber do ouro que era. Mentira, porque tudo deles eu bebo como se fossem gotas do perfume da Vênus, lágrimas da lua cheia, a fonte da juventude, eu sei lá como descrever… Ai, credo, que delícia!

Muitas das cervejas que ganharam são locais. Locais no sentido locais mesmo, só se encontra em um raio de poucos quilômetros de distância das fábricas. E muitas delas, edições especiais. É interessante analisar que quanto mais nova a fábrica, maior o atrevimento para criar receitas, enquanto as pioneiras se mantêm fiéis a estilos já bem aceitos pelo público.

Sabe aquilo de “beba menos, beba melhor”? Pois acredito que o leva “pese menos, desfrute melhor” poderia ser utilizado nesse caso. E “respeita as mina”, não importa onde for.

Quer conferir todas as premiadas no Barcelona Beer Challenge? Clica no link.


*Andreia Gonçalves Ribeiro é mestra em Turismo Cultural Gastronômico e em Patrimônio, pela Universitat de Girona. Sommelière de cervejas pelo ICB e sommelière bartender pela ABS-SP. Mineira e atleticana – caipira hooligan – pesquisa sobre a cerveja e seus fenômenos na Catalunha, onde também estuda Antropologia. Se deixar, “só toma azeda” e tem queda assumida pelas cervejas belgas.

Menu Degustação: Especial de Páscoa das cervejarias da Rota RJ, colheita de lúpulo…

A aproximação da Páscoa, que será celebrada no domingo, inspirou as cervejarias artesanais do país para dobradinhas que unam a bebida a produtos consumidos no período, como o chocolate e o pescado, além da organização de eventos. Assim, neste fim de semana, cervejarias que fazem parte da Rota RJ, na região serrana do Rio, vão realizar tours por suas unidades, além de ofertarem pratos especiais.

Essas ações das cervejarias na Páscoa estão entre os destaques do Menu Degustação desta semana. Ainda em função da data, o CyBEER Lab lançou um kit para celebrá-la. Além disso, a Nacional preparou uma cerveja de cacau para ser consumida no período do feriado.

Também por esses dias, a Ambev colheu a primeira safra de lúpulo do Projeto Fazenda Santa Catarina. E uma parceria da Dogma com o Beercrew busca aliar esporte e qualidade de vida ao consumo consciente de cervejas.

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Confira essas e outras novidades no Menu Degustação do Guia:

Cervejarias da Rota RJ se mobilizam na Páscoa
Cervejarias da Rota RJ abrirão suas portas para a realização de beer tours, além de oferecerem pratos alusivos ao período da Páscoa neste fim de semana. A Brewpoint, por exemplo, terá passeio guiado pela sua fábrica neste sábado.  Já a Bohemia contará com um menu especial para a data neste fim de semana (15 a 17), assim como a Odin. Quem for ao seu casarão poderá aproveitar pratos como peixe inteiro assado e defumado no Pitsmoker, com gremolato e vegetais defumados com páprica e milho assado. Enquanto isso, a Brassaria Matriz oferece, até domingo (17), o Menu Degustação Semana Santa, que conta com ceviche de truta defumada da Quinta das Nascentes com manga, tangerina e limão siciliano.

CyBEER Lab lança kit para celebrar a Páscoa
O CyBEER Lab desenvolveu, em parceria com a Art & Gula, um kit para celebrar a Páscoa: duas latas de Hijack Stout de 473 ml, que ganham embalagem especial, acompanhadas por uma barra de 350g de chocolate meio amargo, recheado com Nutella. A bebida é a uma Oatmeal Stout leve, produzida artesanalmente com grist variado, incluindo malte defumado, vienna e aveia. Também conta com a adição de nibs de cacau e notas de uísque, provenientes de chips de carvalho francês banhados em Jack Daniel’s. O kit custa R$ 155,00 e pode ser adquirido na loja física da brewhouse, que fica no bairro de Moema, em São Paulo, ou online.

Cerveja de cacau no feriado de Páscoa
Em função do feriado de Páscoa, a Cervejaria Nacional oferece até este sábado (16) a Mula Cacau, nas unidades dos bairros Pinheiros e Tatuapé, em São Paulo. O rótulo temático está disponível no salão e via delivery. A versão comemorativa é uma cerveja com amargor e presença de caramelo. A bebida tem 60 IBUs de amargor e 7,5% de teor alcoólico. No aroma, as notas predominantes são de cacau e chocolate.

Corrida e cerveja
Pensando em aliar o consumo consciente de cervejas ao esporte, a Dogma e o Beercrew criaram o Dogma Run Prjct, clube com o objetivo de estimular o consumo consciente, a qualidade de vida e a inserção da corrida na vida das pessoas. O projeto terá acompanhamento de profissionais por meio de planilhas de corrida, com início neste mês e duração até outubro. Ele será dividido em diversos treinos e todos os grupos de corrida serão acompanhados por um professor. Para participar, é necessário pagar uma taxa única, que varia de R$ 260,00 a R$ 300,00, e efetuar o cadastro através do Sympla.

Seminário internacional
Com o objetivo de discutir os principais desafios ligados ao desenvolvimento do lúpulo no Brasil, a primeira edição do Seminário Internacional do Lúpulo acontecerá nos dias 19 e 20 de maio, em Paulínia (SP). O evento contará com palestras de especialistas do setor, proporcionando o compartilhamento de experiências e oportunidades entre participantes de diversas localidades. As inscrições já estão abertas e podem ser efetuadas no site do evento, organizado pela Van de Bergen, com patrocínio de Grupo Petrópolis, Brava Terra e Agrofarmpol. Também recebe apoio da Aprolúpulo e de especialistas do setor.

Ambev colhe lúpulo…
Após dois anos do início do projeto de fomento e incentivo à produção de lúpulo no Brasil, a Ambev realizou o 1º Festival de Colheita de Lúpulo na Fazenda Santa Catarina, em Lages (SC). E a colheita da primeira safra será destinada para a receita de cervejas locais. O evento aconteceu nesta quarta-feira (13) e ainda inaugurou a fábrica de beneficiamento de lúpulo da Ambev, construída há dois anos.

… e busca startups com foco em impacto socioambiental
A Aceleradora 100+, programa de inovação da Ambev, chega à sua 4ª edição e convida startups e empreendedores de impacto socioambiental a apresentarem soluções que unam inovação e sustentabilidade. O objetivo do programa é implementar pilotos que ajudem a companhia e seus parceiros a avançarem em seus compromissos de sustentabilidade para 2025, especialmente os que envolvem mudanças climáticas, embalagem circular, agricultura sustentável, gestão de água, ecossistema empreendedor e Amazônia. Podem se inscrever, até 4 de maio, startups com soluções prontas para serem implementadas e testadas, em fase piloto ou de ida ao mercado. As inscrições podem ser feitas pelo site oficial da iniciativa.

Marca gaúcha conquista mercado na Austrália
A Fatbull, de Novo Hamburgo, a primeira microcervejaria gaúcha a ser produzida fora do Brasil, celebra a conquista de mercado. Desde 2020, as cervejas da marca estão sendo feitas em Perth, na Austrália. Em 2021, o volume produzido na capital da Austrália Ocidental cresceu 22% em comparação com o primeiro ano de operação. Para 2022, a meta é ampliar os pontos de venda e entrar na grande rede varejista Liquorland.

Venda de ingressos online para o Festival Brasileiro
O Festival Brasileiro da Cerveja abriu a venda online de ingressos para os quatro dias de programação, entre 4 e 7 de maio, na Vila Germânica, em Blumenau (SC). Para a 15ª edição, mais de 80 cervejarias estão confirmadas. O festival acontece em paralelo à Feira Brasileira da Cerveja, que também está com ingressos disponíveis.

Artesanais crescem 8% nos EUA em 2021 e representam 13,1% do mercado

O sempre aguardado relatório anual da Brewers Association sobre a produção da indústria trouxe bons resultados para o segmento de cervejas artesanais dos Estados Unidos em 2021. A associação representativa do setor no país apontou expansão de 8% no volume produzido no ano passado na comparação com 2020, atingindo 24,8 milhões de barris de cerveja.

Esse crescimento também se refletiu em aumento da participação das artesanais nos Estados Unidos em volume no mercado cervejeiro, chegando a 13,1%, ante os 12,2% do ano anterior. Isso se deu, também, porque o setor da cerveja em geral teve crescimento de apenas 1% em 2021.

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A Brewers Association relata que as cervejarias artesanais dos Estados Unidos forneceram mais de 172.643 empregos diretos em 2021, um aumento de 25% em relação a 2020.

Apesar do resultado considerado positivo, estimulado pela reabertura gradual de bares e restaurantes, a Brewers Association ainda prevê muitos desafios para o segmento ao longo de 2022. Mas também enxerga 2021 como uma recuperação após o primeiro ano desde que iniciou o seu levantamento, em 1980, em que havia ocorrido retração da atividade. “As vendas de cervejarias artesanais se recuperaram em 2021, impulsionadas pelo retorno do chope e das idas às cervejarias”, explica Bart Watson, economista-chefe da associação.

“No entanto, o desempenho misto entre modelos de negócios e questões geográficas, bem como os níveis de produção que ainda estão abaixo de 2019, sugerem que muitas cervejarias permanecem em modo de recuperação. Adicione a isso os desafios contínuos da cadeia de suprimentos e dos preços, e 2022 será um ano crítico para muitos cervejeiros”, acrescenta.

O número de cervejarias artesanais em operação nos Estados Unidos continuou a subir em 2021, atingindo um recorde histórico de 9.118. Ao longo do ano, houve 646 aberturas de cervejarias, com 178 fechamentos. A contagem total de cervejarias em operação foi de 9.247, acima das 9.025 de 2020.

As aberturas diminuíram pelo segundo ano consecutivo, com a Brewers Association enxergando esse declínio contínuo como o reflexo de um mercado mais maduro.  “Embora o boom das cervejarias de alguns anos atrás certamente tenha desacelerado, o crescimento contínuo das pequenas cervejarias mostra a base sólida da demanda por seus negócios e cervejas”, avalia Watson.

Além disso, a Brewers Association divulgou sua lista anual das 50 principais cervejarias artesanais produtoras e das cervejarias em geral nos EUA, com base no volume de vendas de cerveja. Das 50 principais empresas cervejeiras em 2021 no país, 40 eram artesanais.

Com números baseados no volume de vendas do ano passado, as principais cervejarias dos EUA permanecem inalteradas em relação a 2020. As cinco primeiras são, em ordem, Anheuser-Busch, o braço da AB InBev no país, Molson Coors, Constellation Brands, Heineken USA e Pabst Brewing.

As cinco principais cervejarias artesanais são DG Yuengling and Son, Boston Beer, Sierra Nevada Brewing, Duvel Moortgat USA, braço nos Estados Unidos da conhecida cervejaria belga, e Gambrinus. Esse Top 5 também não mudou na comparação com 2020.

Para ser considerada artesanal nos Estados Unidos, uma cervejaria deve ter produção anual de até 6 milhões de barris, com menos de 25% da cervejaria sendo de propriedade ou controlada por uma indústria de bebidas alcoólicas produtora de cerveja.

Confira as 50 maiores artesanais dos Estados Unidos em 2021:

Balcão Xirê Cervejeiro: Sejam bem-vindos ao afrobunker de Medida Provisória

Balcão Xirê Cervejeiro: Sejam bem-vindos ao afrobunker de Medida Provisória

Olá, leitores e leitoras do Guia,

Voltei e para fazer um super convite a todos e todas vocês. Vim convidá-lo/as para uma sessão de cinema e vou contar o porquê.

Em 28 de março, recebi um convite da Ambev-Ama (água engarrafada e vendida pela Ambev, que tem “100% dos lucros obtidos com suas vendas revertidos para projetos de acesso à água potável no semiárido brasileiro”) para assistir o filme “Medida Provisória”, trabalho que marca a estreia de Lázaro Ramos como diretor. Quem fez a intermediação para que o convite chegasse em minhas mãos foi a Laura Aguiar. Graças a ela, pude assistir a pré-estreia.

E porque você aí do outro lado deve assistir “Medida Provisória”? Bem, já adianto, sem medo de dizer, que o filme é um novo marco do cinema nacional, um divisor de águas e traz uma nova forma de narrativa para a filmografia brasileira e o audiovisual.

“Medida Provisória” é um filme distópico e com altas doses de realismo, que apresenta personagens como o advogado Antônio (Alfred Enoch), o jornalista André (Seu Jorge), a médica Capitu (Taís Araújo), Kabenguele (Flávio Bauraqui), Gaspar (HIlton Cobra), Elenita (Diva Guimarães) e Berto (Emicida). Vou centralizar nestes e nestas, embora todos e todas mereçam a minha e a sua atenção.

A narrativa se inicia quando o governo brasileiro resolve editar a Medida Provisória 1888, no dia 13 de maio, a qual tem como objetivo enviar todos “cidadãos e cidadãs” de melanina acentuada de volta para o continente africano sob o pretexto de uma suposta reparação histórica. O filme foi inspirado na tragicomédia Namíbia, Não!, de Aldri Anunciação, cujo espetáculo teatral foi dirigido por Lázaro em 2011. A peça, por sinal, foi premiadíssima.

No filme, a medida é imposta de forma compulsória e coloca de cabeça para baixo a vida de Antônio, André e Capitu.

– Antônio é um advogado idealista, um ativista social que luta bravamente contra a imposição arbitrária do governo. E ele encontra uma brecha na lei para resistir à imposição da famigerada medida provisória.

– André é um jornalista e ativista que utiliza das mídias sociais para denunciar ao mundo os abusos praticados pelo governo. Algumas frases ditas por ele se assemelham aos dias que temos vivido: “como é que a gente não viu isso? Como é que a gente deixou chegar a esse ponto? Como é que a gente riu disso?”

– Capitu, esposa de Antônio, é uma médica que acreditava na meritocracia e não discutia as relações raciais, até ser “pega” pela medida provisória.

O filme emociona do início ao fim. Uma das coisas que me tocou foi a política de citação tão bem solicitada por Conceição Evaristo: “Antônio e André” em que pese não tenha sido verbalizado pelo diretor, nos lembra os irmãos Antônio e André Rebouças, ambos, assim como eu e Lázaro, nascidos na Bahia. Se vocês nunca ouviram falar dos irmãos Rebouças, entendo, afinal, vivemos uma política de apagamento intencional dos corpos negros no tecido social. Ou, como costumamos dizer, epistemicídio.

Antônio e André são os primeiros engenheiros que revolucionaram o Brasil. Um dos grandes feitos foi a construção da Estrada da Graciosa, no Paraná. Eles colocaram o Brasil na senda da modernidade e dos avanços tecnológicos. Se temos uma Curitiba moderna, muito se dá pela engenhosidade dos irmãos Rebouças. Além do Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina são alguns dos estados que devem sua modernização aos irmãos e gênios da engenharia urbana e portuária.

Seguindo na “política de citação para combater a política de apagamento”, “Capitu” é uma das personagens de Machado de Assis, um dos maiores escritores brasileiros. Até pouco tempo, não se falava que ele era negro.

Kabenguele, personagem interpretado por Flávio Bauraqui, é um nome que nos remete ao grande antropólogo Kabengele Munanga. Encontrei seu filho, o ator Bukassa Kabengele, ao final da sessão de pré-estreia e troquei meia dúzias de palavras.

Berto, interpretado por Emicida, nos entrega uma das cenas mais belas do filme. Ele retira das mãos de um menino uma arma de fogo e coloca um livro. Vivemos num país que mata um jovem negro a cada 23 minutos, um país extremamente letal contra a juventude de “melanina acentuada”, com a política do atual governo voltada para armar a população. Um governo que milita contra a educação e promove políticas contra jovens periféricos para que não acessem o sistema educacional. Assim, a cena do livro é um chamamento à sociedade, a uma política de acesso e afeto possível aos corpos construídos socialmente para não existir.  

Elenita é interpretada por Dona Diva Guimarães. Guardem esse nome, prestem atenção na atuação dessa grande Griot. Em 2017, durante a Flip (Festa Literária de Paraty), cujo homenageado foi Lima Barreto, Dona Diva fez um dos relatos mais emocionantes, deixou todos os presentes sem chão e nos levou aos prantos. Eu e meu filho estávamos lá, quando ela, durante a mesa de apresentação de Lázaro Ramos, pediu a fala. Choramos todos e todas, incluindo Lázaro.

Desde aquele dia, ele e Diva não se desgrudaram mais. Dona Diva, é uma das maiores defensoras da educação, e sobretudo, dos jovens negros, negras e dos jovens pertencentes aos povos originários, algo que deixou visível na sua fala em Paraty (vejam o vídeo, está disponível no YouTube).

Já HIlton Cobra interpreta Gaspar. Ouvi sobre ele pela primeira vez em 2017, quando, em uma mesa da Flip, Lázaro fez um convite ao público para que assistisse a peça “Tragam-me a cabeça de Lima Barreto”. Peça na qual Cobra interpretava o autor de Triste Fim de Policarpo Quaresma e outras obras. Nela, Hilton demostrava como o racismo científico e os eugenistas tratavam Lima. 

Lázaro Ramos faz de “Medida Provisória” um chamamento para o resgate da humanidade aos brancos, que a perdem ao não reconhecerem a humanidade das pessoas negras. O filme olha para o passado do Brasil que a “história não conta”, descortina o presente e nos convoca para construir um futuro em que todos e todas possam estar inseridos de forma igualitária na sociedade brasileira.

Conseguimos observar esse mundo possível através dos personagens trazidos por ele, os personagens negros. Diferentes dos que já foram retratados no audiovisual brasileiro, têm nome e sobrenome, bem do jeito que Lélia Gonzáles nos ensinou. Têm família, têm profissões, são médicos, advogados, jornalistas, professores. Fogem dos estereótipos que estamos cansados de ver. Não estão limpando o chão, não estão fazendo segurança do espaço (nada contra essas profissões, mas por que corpos negros sempre estão nesse lugar?).

Lázaro constrói outra narrativa. Os personagens não são bandidos, todos têm fala e falam por si. É a verdadeira expressão da música tema cantada pela nossa Orí-Presença, Elza Soares, que grita que “meu país é meu lugar de fala”. Os corpos negros não sangram.

Uma das cenas mais poéticas envolve o casal Antônio e Capitu. A câmera foca nos olhos dos personagens. É pelo olhar que eles se reconhecem, se acarinham, se afagam, sonham, transbordam afeto e afetividade, jorram amor. É uma das cenas mais encantadoras e líricas que já vi no cinema. Os olhos dos personagens dançam no mesmo ritmo, na mesma harmonia. E a beleza reina.

Lázaro nos mostra que não é preciso tirar a roupa ou hiper sexualizar corpos negros para chamar a atenção do público. Ele humaniza corpos negros. Houve cuidado e delicadeza na condução da cena, a qual, se transformou na minha favorita da vida.   

A lição que “Medida Provisória” nos dá, entre tantas, é que a partir desse marco, qualquer pessoa que esteja à frente de projetos no audiovisual brasileiro, como já bem nos lembrou Maíra Azevedo (Tia Má), não pode dizer de que não existem atores e atrizes negros e negras para atuar em suas produções. Abro um parêntese e aproveito para deixar um recado para o mercado cervejeiro: contratem pessoas negras, somos mais de 56% da população e precisamos ter equidade em todos os espaços.

Abdias Nascimento com o TEN (Teatro Experimental do Negro), um trabalho iniciado no final da década de 1940, Zezé Mota, com seu álbum/catálogo com fotos com atores e atrizes negros e negras, um projeto que iniciou em 1984, e Beatriz Nascimento, em Orí, filme de 1989, já  haviam materializado o impecável trabalho que Lázaro continuou.

Outro ponto que o filme nos revela é que não precisamos ver negros e negras interpretando papeis de subalternidade.

Medida Provisória, era para ter estreado em 2019 no Brasil, mas, foi, mas palavras de Lázaro, censurado pelo governo federal. Porém, após longos anos de burocracia, chega aos cinemas de todo Brasil hoje (14).

É importe que assistamos nessa primeira semana, para que o filme alcance bons índices. Dito isso, vejam “Medida Provisória”. Vá com todos os cuidados que o momento ainda requer, usem máscara, álcool gel, mantenham o distanciamento e divulguem o filme sem moderação. Sejam bem-vindos e bem-vindas ao afrobunker, vocês irão se emocionar do início ao fim.


Sara Araujo é graduada em Ciências Jurídicas, pela Instituição Toledo de Ensino (Bauru-SP), atuando na área de execução penal. É graduanda em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Maringá (PR), pós-graduanda em História da África e da Diáspora Atlântica pelo Instituto Pretos Novos do Rio de Janeiro, sommelière de Cervejas pela ESCM/Doemens Akademie e criadora e gestora do @negracervejassommelier.

StartUp Brewing perde equipamento e pausa parte da operação após incêndio

A StartUp Brewing precisou interromper parte da operação da sua cervejaria em Itupeva (SP) após uma área da estrutura do local ser atingida por um incêndio iniciado em uma indústria química vizinha, na última quarta-feira (6). As atividades só devem ser totalmente normalizadas na próxima semana.

O incidente afetou uma parte pequena da fábrica, mas a plataforma de tecnologia teve consumida pelo fogo uma torre de resfriamento, que é um dos equipamentos utilizados no processo de brassagem das cervejas, de acordo com as informações repassadas ao Guia por André Franken, um dos fundadores e sócios-proprietários da StartUp Brewing.

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“Apesar de o incêndio ter começado no vizinho, o local fica bem encostado na fábrica. Ocorreu em uma área de trânsito de materiais e não tinha nada ali naquele momento, quando já era noite. Na parte do lado de fora que foi atingida, porém, a gente tem algumas tubulações, onde passam vapor de água de refrigeração e de água das cervejas. As tubulações são de inox e por isso não queimam, mas a gente agora precisa tirar essas tubulações atingidas pela fumaça para limpá-las”, relata Franken.

O sócio da StartUP Brewing explica que a destruição de uma torre de resfriamento durante o incêndio forçará adaptações na cervejaria até a sua substituição. E aponta que o maior inconveniente será o aumento do consumo de água pela unidade industrial.

“Embaixo desta parte das tubulações tem uma torre de resfriamento que serve para resfriar o mosto que vai para os tanques de fermentação. E vai demorar um pouco, cerca de um a dois meses, até que o seguro aprove a compra de um novo equipamento”, diz o sócio-proprietário, que é diretor de tecnologia da informação e cofundador da marca junto com André Kunrath, diretor de operações da empresa e mestre-cervejeiro.

“Enquanto isso, estamos fazendo uma manobra para usar água da Sabesp no processo de brassagem. Já temos essa água disponível, mas, com a torre de resfriamento, reaproveitávamos a água usada, que agora vai ser jogada no ralo. Em termos de impacto financeiro, vai ter um custo alto de água para a gente”, completa.

Franken destaca que essa torre de resfriamento destruída pelo incêndio custa em torno de R$ 150 mil. Ainda assim, o empresário prevê que a fábrica estará adaptada até o fim da próxima semana para retomar a sua capacidade de produção de maneira normal mesmo enquanto não puder contar com o equipamento a ser substituído.

“No momento, a fábrica está parada, mas conseguimos fazer cerveja e temos os nossos tanques de fermentação funcionando perfeitamente. O que parou foi a brassagem”, esclarece Franken.

Ele revela, porém, que a fabricação de parte da cerveja de um dos seus clientes foi perdida e a produção prevista de uma outra marca teve de ser adiada pelo incêndio.

“A gente tinha uma cerveja que estava sendo feita no momento no qual o incidente aconteceu. Então, ela foi jogada fora. E a gente teve impacto no que iríamos produzir. A Juan Caloto, por exemplo, também iria produzir agora, mas não pôde por causa deste incêndio”, revela o sócio-proprietário.

O incêndio
O incêndio da última quarta-feira começou quando um tanque da indústria química vizinha, que continha material inflamável e capacidade de cerca de 15 mil litros, entrou em combustão, depois atingindo a StartUP Brewing. Por meio de uma nota oficial, a cervejaria afirmou que dois funcionários da empresa vizinha foram atingidos, tendo “ferimentos leves”.

O Hospital Municipal de Itupeva confirmou que um dos feridos, de 19 anos, teve queimaduras de primeiro grau nas pernas e nos braços, chegando a ficar internado. A Polícia Civil da cidade está conduzindo as investigações deste caso.

Fábrica vinha usando menos da metade da capacidade
Inaugurada em 2018 em Itupeva, a fábrica da StartUp Brewing ganhou destaque no setor ao surgir como alternativa para cervejarias ciganas, que têm seu produto fabricado por meio do uso da sua estrutura.  

Com 6 mil metros quadrados distribuídos em dois galpões, nos quais há áreas para produção, envase e armazenagem, a empresa começou as suas atividades com expectativa de produzir 500 mil litros de cerveja por mês. Porém, com a crise financeira, provocada principalmente pela pandemia, fabrica, atualmente, menos da metade desta quantidade.

“A fábrica foi construída para uma capacidade de produção de meio milhão de litros por mês, mas, para atingir essa capacidade, a gente precisaria de mais turnos de trabalho e mais tanques na adega. Hoje temos 44 tanques, de 2 mil, 4 mil e 8 mil litros”, justifica Franken, que atende cerca de 20 clientes.

Ele reconhece os prejuízos sofridos durante a atual crise sanitária. “O impacto foi bem pesado. Como éramos novos no mercado, quase não vendíamos para supermercado nos primeiros meses da pandemia. E quando tivemos de fechar tudo, parar toda a operação da fábrica, o nosso faturamento foi a zero”, completa o empresário, agora tendo de lidar com os efeitos do incêndio em Itupeva.

Na celebração dos 20 anos, Eisenbahn lança Pilsen não filtrada em latas invertidas

A Eisenbahn lançou mais um rótulo no mercado. A marca anunciou a chegada da Eisenbahn Unfiltered, uma Pilsen não filtrada, o que a levaria a reter os sabores e aromas característicos de uma cerveja artesanal. A novidade será incorporada ao seu portfólio permanente, fazendo parte das celebrações de 20 anos da Eisenbahn.

Nascida em Blumenau (SC) em 2002, ela foi vista, em seu início, como um importante marco do segmento de cervejas artesanais no Brasil. Agora, a Eisenbahn diz que esta novidade poderá ser um dos grandes lançamentos desde a sua fundação, por causa das características do rótulo recém-criado.

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“São 20 anos construindo o mercado artesanal. E agora chegou a hora de novamente a Eisenbahn continuar seus esforços de democratizar o segmento. Com a chegada da Eisenbahn Pilsen Unfiltered, vamos literalmente virar a concepção do mercado cervejeiro de cabeça para baixo no quesito sabor único, frescor especial e qualidade artesanal”, afirma Karina Pugliesi, gerente de marketing da Eisenbahn.

Considerada pela Eisenbahn uma versão mais “artesanal” para o estilo Pilsen, o novo rótulo chega às gôndolas dos supermercados de todo o Brasil em maio, nos formatos lata de 350ml e long neck.

Latas invertidas
De acordo com a marca do Grupo Heineken, para ter a experiência de sabor, as partículas precisam ser misturadas com o líquido da cerveja antes de beber. “Podemos comparar a apreciação de uma Eisenbahn Pilsen Unfiltered com a de um suco de polpa, onde o líquido precisa ser misturado para que o gosto fique ainda melhor”, diz Karina.

O lançamento também traz a proposta de arte invertida nas latas. A profissional de marketing afirma que a inspiração para isso é a ideia de que ao girar a lata, os detalhes do sabor sejam ressaltados antes de o consumidor beber a cerveja.

“Para este lançamento, criamos as embalagens com as artes invertidas para ressaltarmos, de uma forma intuitiva e divertida, a importância do ritual de girar e misturar o líquido da cerveja para ter uma verdadeira experiência final de degustação”, completa Karina.

Preço da cerveja fica estagnado no Brasil em meio à inflação recorde em março

Em meio a uma inflação recorde de 1,62%, a maior registrada no Brasil para março desde 1994, o preço da cerveja praticamente ficou estagnado no país no terceiro mês de 2022, de acordo com os números divulgados pelo IBGE.

De acordo com o instituto de pesquisa, a cerveja no domicílio teve insignificante aumento de 0,01% em seu custo médio no período. E este mesmo panorama de variação mínima de preço se deu com o item fora do domicílio, vendido em estabelecimentos como bares e restaurantes, com subida de apenas 0,07%.

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Desta forma, a variação do preço da cerveja em março se distanciou de forma mais expressiva do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ao contrário do que havia acontecido em fevereiro, quando a inflação oficial no Brasil foi de 1,01%. O item no domicílio havia registrado alta de 0,93%, com elevação de 0,72% fora do domicílio.

Já o tópico Alimentos e Bebidas teve expressivo aumento de 2,42% em março, sendo o segundo com maior crescimento de preços entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE. Só ficou atrás do setor dos transportes, que contabilizou escalada de 3,02% e foi o principal destaque negativo no mês passado, em um reflexo da disparada de 6,70% nos valores dos combustíveis.

Os preços médios das outras bebidas alcoólicas no domicílio, por sua vez, tiveram expressiva alta de 3,66%, mais do que o dobro do aumento de 1,46% em fevereiro. Já este item consumido em bares e restaurantes subiu 1,33% em março após deflação de 0,31% no mês anterior.

Alimentos e bebidas sobem quase 5% no 1º trimestre
No primeiro trimestre de 2022, o grupo “Alimentos e Bebidas” contabiliza aumento de 4,89%. Isso representa pouco mais do que o triplo do IPCA de 1,62%, sendo uma evidência de como os gastos com esses produtos, especialmente em supermercados, estão pesando no bolso dos brasileiros em 2022.

Inserida no universo de consumo deste grupo, a cerveja no domicílio soma elevação de 1,36%, sendo de 1,54% fora dele. Já o preço médio de outras bebidas alcoólicas no domicílio registra o galopante índice de 10,66% no primeiro trimestre e de 1,52% em locais como bares e restaurantes.

Assim, o custo da cerveja no acumulado dos três meses iniciais do ano ficou bem abaixo do índice geral do IPCA deste período, que foi de 3,20%. Já no somatório dos últimos 12 meses, a inflação no Brasil é de 11,30%, muito próxima da elevação do grupo “Alimentos e Bebidas” no período, que é ainda maior do que a geral, com 11,62%. Neste mesmo intervalo de tempo, a cerveja e outras bebidas alcoólicas registram altas de 8,69% e 9,12% no domicílio, respectivamente, enquanto fora dele há elevação média de 4,28% dos rótulos cervejeiros e deflação de 0,49% dos outros itens consumíveis com álcool. Já o IPCA acumulado nos últimos 12 meses no país é de 11,30%.

O IBGE também ressaltou que os grupos Transportes e Alimentos e Bebidas, juntos, contribuíram com 72% do índice geral de inflação do mês.

“Foi uma alta disseminada nos preços. Vários alimentos sofreram uma pressão inflacionária. Isso aconteceu por questões específicas de cada alimento, principalmente fatores climáticos, mas também está relacionado ao custo do frete. O aumento nos preços dos combustíveis acaba refletindo em outros produtos da economia, entre eles, os alimentos”, afirma o gerente do IPCA, Pedro Kislanov.

Bevfy acelera negócios no setor com plataforma única e armazenagem

Em um setor diverso como o de cervejas artesanais, no qual é preciso otimizar e agilizar os processos para se manter relevante, a startup Bevfy surgiu e tem se consolidado como alternativa para facilitar os negócios entre empresas deste ramo.

Atuando para conectar de forma eficiente quem produz a quem revende, a plataforma busca descomplicar os processos de compra e venda de bebidas a partir da desburocratização das operações financeiras, permitindo aos donos de um estabelecimento a aquisição de rótulos direto dos fabricantes e distribuidores.

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Criada há pouco mais de um ano, a Bevfy conta com cerca de 30 fornecedores de bebidas alcoólicas e não alcoólicas. E, além dessa variedade de opções, traz ao dono de um negócio a opção de poder utilizar uma estrutura de distribuição e armazenagem que a startup possui na cidade de São Paulo.

A Bevfy tem como sócios os empresários Carlos Lima e Roberto Lazaro, proprietários de bares com larga experiência no mercado de bebidas artesanais, assim como Bruna Garcia, que cuida do marketing e da comunicação do marketplace. Juntos, eles utilizaram a expertise de quem já atuou no segmento para a criação de uma alternativa que acelera a compra e a venda, unificando as operações em uma plataforma.

“A Bevfy surgiu com o objetivo de melhorar o processo de compras de bebidas artesanais que, hoje, é dependente do WhatsApp, de forma pouco produtiva para quem compra e para quem vende. Então, os sócios viram a oportunidade de digitalizar o processo de compras. Para o dono do estabelecimento, há economia de tempo, facilidade para pagamento, acesso a produtos diferentes além da praticidade de fazer a gestão de seus fornecedores de maneira organizada”, explica Bruna.

Por meio da plataforma é possível realizar a compra de diferentes marcas de cervejas, vinhos e switchel (bebida composta por vinagre de maçã, gengibre, mel e água) com um único pedido e sistema de cobrança, em um processo feito digitalmente. É uma vantagem para o vendedor, que simplifica a comercialização de produtos distintos sem precisar dividir as encomendas em diversas operações financeiras.

“Para quem vende, traz capilaridade, disponibilidade dos produtos 24 horas por dia, agilidade, além de otimizar as atividades da força de vendas. Ou seja, a equipe de venda faz a venda enquanto o sistema realiza a parte burocrática”, ressalta Bruna.

Processo simplificado e concentrado em um canal
Se o comprador deseja encontrar praticidade e agilidade para adquirir o seu produto, o vendedor também sabe a importância de contar com os serviços de uma plataforma que apresente e disponibilize da melhor forma a sua mercadoria. E a Bevfy acredita que pode impulsionar negócios ao concentrar a operação comercial dos seus parceiros.

A principal atração (para as cervejarias) é a oportunidade de reunir todo o seu processo comercial em um canal, permitindo que mais pontos de vendas vejam o seu produto, deixando que o seu time comercial tenha mais tempo para trabalhar a marca, formar relações, enquanto o processo mecânico de vendas é feito por uma plataforma

Bruna Garcia, sócia da Bevfy

A sócia da Bevfy também ressalta as vantagens de oferecer aos parceiros uma estrutura física, na capital paulista, para a armazenagem e a distribuição de suas bebidas, o que representa uma facilidade logística para fornecedores, compradores e vendedores operarem seus negócios de maneira eficiente.

“Armazenamento e logística são questões à parte, principalmente no Brasil e com o aumento de cervejarias ciganas e cervejarias que querem ter produtos em São Paulo, que é um hub logístico e de consumo nacional”, aponta Bruna. “Não existe mais isso de fazer pedido de cerveja para aí a cervejaria fazer a cotação do frete e só depois ver se fecha ou não o pedido. Estamos em 2022 e precisamos oferecer uma solução simples e fácil: entrou na Bevfy, escolheu, pagou, recebeu.”

Por meio da plataforma da startup, os estabelecimentos se beneficiam de funcionalidades que evitam a burocracia de procurar fornecedores separadamente ao permitir a compra de bebidas de várias fontes de abastecimento diferentes por meio de uma única operação financeira.

“Nós já estamos acostumados a ir a um supermercado e comprar produtos diferentes de uma única vez. Na Bevfy, você paga um boleto ou passa o cartão uma vez, ainda podendo parcelar o valor. Em outros locais, o processo chega a ser bem custoso: fornecedores diferentes têm formas diferentes de enviar suas tabelas. É preciso abrir uma por uma, ampliar, ler, procurar o preço, ver se tem o produto, trocar caso ainda não tenha, negociar preço, perguntar quando chega… Tudo isso faz com que todos percam muito tempo. É um desperdício”, conclui Bruna, assegurando que a Bevfy ajuda a simplificar esse tipo de operação, tornando-a mais ágil.

Bevfy

Telefone: (11) 99509-1516
E-mail: contato@bevfy.com
Instagram: @bevfy.br


Beer Business amplia atuação online com novo site e consultorias para cervejarias

Com o intuito de ampliar o seu alcance e a atuação online, a Beer Business lançou um novo site, remodelado em relação à versão anterior. A empresa especializada em cursos e consultorias para negócios cervejeiros, com essa atualização, busca levar mais informações ao mercado de cervejas artesanais, seja através das publicações no seu recém-criado blog ou pelo reforço das opções de consultorias.

A nova fase do site da Beer Business veio, assim, acompanhada pela oferta de consultorias que atendam às novas demandas do segmento de cervejas artesanais brasileiro. “Quando lançamos nosso novo site, trouxemos novidades, disponibilizando uma série de novas consultorias: Abertura de Negócios Cervejeiros, Estratégia de Marca, Contratação de Pessoal, Gestão Comercial, Gestão Financeira, Precificação, e, também, a consultoria e o curso de Tributação para o Mercado Cervejeiro”, relata Filipe Bortolini, sócio da Beer Business.

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Além da ampliação das opções de consultorias e cursos, o site da Beer Business também promete oferecer informações atualizadas para quem atua no segmento. “Teremos publicações semanais de conteúdos relevantes ao empreendedor cervejeiro, refletindo tendências de negócio, análises de mercado, cases de clientes, modelos de negócios e aspectos técnicos, comerciais e tributários”, diz Bortolini.

“Além disso, continuamos com as consultorias e cursos que já oferecíamos, ou seja, são muitas oportunidades para quem quer saber mais ou para quem quer ter apoio especializado para abrir ou melhorar seu negócio. Para quem quiser saber mais sobre as consultorias e cursos, basta acessar o nosso site, no qual detalhamos passo a passo nossos serviços”, acrescenta.

O site atualizado e a oferta de novas consultorias pela Beer Business se inserem em um contexto desafiador para o setor cervejeiro, que ainda não se recuperou completamente dos impactos da pandemia e agora sofre com os reflexos da guerra entre Rússia e Ucrânia, que respondem, juntas, por 28% das exportações de cevada no mundo.

A alta dos combustíveis também pressiona o valor dos fretes e, consequentemente, o custo dos insumos para as cervejarias e o valor dos produtos para as pessoas após um ano em que a inflação ficou em 8,7% para a cerveja consumida em casa e 4,8% para a consumida fora de casa. Além disso, perduram as dificuldades com o fornecimento de garrafas e latas, com o valor dos equipamentos tendo sofrido aumentos significativos.

Bortolini, assim, crê que o modelo mais benéfico para quem atua no segmento é o brewpub, que, com a venda direta para o consumidor, reduz a carga tributária, aumenta a margem do negócio e diminui a complexidade de logística, o risco de inadimplência e o tempo de retorno do investimento. Porém, ele destaca que o desafio de definir o modelo de negócio é apenas um entre as variáveis que o empreendedor precisa encarar.

“Fazer uma boa análise do investimento necessário e do retorno possível é fundamental para que se possa iniciar o negócio com menos incertezas. Para quem já tem um negócio, é importante aprimorar a gestão, reduzindo os custos onde possível, mas, principalmente, trabalhando de forma consistente e organizada na área comercial, que costuma ser o gargalo para o crescimento dos negócios. E, claro, não se pode esquecer a parte tributária, para não haver erros que comprometam a saúde financeira do negócio”, afirma.

As consultorias
Dentro desse cenário, as novidades apresentadas pela Beer Business atendem profissionais em diferentes estágios de atuação no segmento. Para iniciantes no setor cervejeiro, a consultoria Abertura de Negócios Cervejeiros passa orientações para a escolha das melhores opções relativas ao modelo societário, regime tributário, alíquotas e códigos de operações a serem utilizados para compras, vendas e remessas.

Conheça o novo site da Beer Business

Já aos empreendedores que precisam definir a identidade da marca e o posicionamento de mercado através de uma linha de produtos e uma comunicação coerente, a empresa oferece a consultoria Estratégia de Marca. Outra opção é a consultoria Contratação de Pessoal. “Sabemos que, em qualquer mercado, um dos maiores desafios para o empreendedor é encontrar colaboradores com o conhecimento e o perfil adequado para compor uma equipe comprometida e alinhada aos ideais da cervejaria”, afirma o sócio da Beer Business.

A dificuldade na comercialização, que pode acontecer tanto na abertura de pontos de venda quanto na realização de novas vendas naqueles já em funcionamento, é vista como um dos gargalos do setor por Bortolini. Para ajudar a superá-lo, a Beer Business oferece a consultoria em Gestão Comercial. “Nela, apoiamos a estruturação das carteiras de clientes, abertura de canais de venda, estabelecimento de políticas comerciais e de crédito e a elaboração do planejamento de vendas”, comenta.

A consultoria Precificação para o Mercado Cervejeiro promete ajudar o cliente a construir um modelo de precificação com base na estrutura de custos da empresa e de fabricação, sem esquecer os valores praticados pelo mercado. E, para ajudar o empreendedor a organizar as receitas e despesas de seu negócio, também está disponível a consultoria em Gestão Financeira. “Nela, apoiamos a classificação das receitas e despesas, a organização das contas a pagar e a receber, o controle do fluxo de caixa, os limites de crédito e a montagem de demonstrativos de resultado”, informa o sócio.

Já para quem tem dificuldades nos cálculos de tributos para vendas, seja dentro ou fora do seu estado, foi desenvolvida a consultoria Tributação para o Mercado Cervejeiro.

O tema é o mesmo de curso ofertado em seu site pela Beer Business, tendo sido desenvolvido com base nas demandas dos membros da Associação Gaúcha de Microcervejarias (AGM). Após a realização de três turmas piloto com a AGM, a empresa realizou o lançamento nacional, com participantes de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo, Pará e Paraná.  

As novas consultorias foram aprimoradas pela Beer Business através de pilotos realizados junto ao Sebrae da Bahia. E tem despertado o interesse dos clientes, assim como o blog, que vem recebendo uma quantidade crescente de acessos. “Isso nos motiva a trabalhar cada vez mais para trazer conteúdos de qualidade e estar sempre atentos às necessidades que nos são trazidas por nossos clientes”, afirma Bortolini.

E olhando para diversos flancos de atuação, a Beer Business já está trabalhando com clientes em novos serviços de avaliação de ativos, para quem quer estabelecer quotas para um novo negócio ou vender a cervejaria e suas marcas, além de intermediação de vendas e treinamento de equipes de atendimento.