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Entrevista: “O que fará as pessoas irem a uma feira de negócios é o conteúdo”

Um dos eventos mais conhecidos dentro do segmento cervejeiro, a Brasil Brau – Feira Internacional de Tecnologia em Cerveja – precisou esperar três anos para voltar a acontecer. O hiato entre a edição de 2019 e a de 2022, que se encerrará na próxima semana, foi provocado pela pandemia do coronavírus e serviu para moldar mudanças que poderão ser percebidas por quem for à São Paulo Expo entre segunda (30) e quarta-feira (1).

Olhando para o futuro dos eventos e as tendências advindas da crise sanitárias, os organizadores da edição de 2022 da Brasil Brau entenderam que a disseminação do conhecimento se tornou fundamental para que esse tipo de encontro se tornasse relevante, como argumentou, no Guia Talks, Gabriel Pulcino, gerente sênior de eventos e parcerias da GL Events, responsável pela organização da feira e do Mondial de la Bière.

Acompanhe, em vídeo, a entrevista

A ação, porém, também representa uma volta ao passado, pois a Brasil Brau surgiu a partir do Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira. E sem esquecer da apresentação das novidades, agora os organizadores ampliaram o foco no congresso, que hoje integra a Brasil Brau, a ponto de contar com o apoio do Instituto da Cerveja Brasil em sua realização, como curador da programação.

A importância dessa parceria, as dificuldades de preparar a feira em meio à pandemia e aos desafios socioeconômicos brasileiros foram alguns dos assuntos comentados por Pulcino durante a sua entrevista ao Guia. Além disso, ele revelou que o Mondial de la Bière chegará a uma nova cidade em 2022.

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Confira o Guia Talks com o responsável pela organização da Brasil Brau:

Em função da pandemia, a Brasil Brau não é realizada desde 2019. O que de diferente os participantes vão encontrar na edição de 2022 do evento?
Com a pandemia, a gente entendeu muito a nova dinâmica dos eventos. Muitos eventos aconteceram durante a pandemia de maneira virtual e as próprias empresas, tanto cervejarias como aquelas do segmento industrial e de tecnologia, se renovaram e encontraram outras formas de apresentar os produtos e as inovações. Então, a Brasil Brau mantém essa característica de apresentar os novos produtos, mas hoje a gente também olha com mais atenção para o conteúdo, que foi como a Brasil Brau começou. A gente está com uma parceria com o ICB, que é o novo curador do Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira. Estamos contando com a expertise dos profissionais que compõem a diretoria do ICB para nos auxiliar na construção da grade de conteúdo. Estamos trazendo grandes nomes do mercado internacional para falar sobre malte, lúpulo, fermentação, equipamentos e processos em geral. A gente está muito focado nesse resgate do conteúdo, olhando muito para os eventos que a gente tem como referência fora do Brasil, como a BrauBeviale, a DrinkTec e a Crafters Brewers Conference, que são exemplos muito interessantes para as discussões em torno da cerveja.

Em 2022, o congresso promovido pela Brasil Brau tem curadoria do ICB. Qual é o impacto dessa parceria?
É um namoro antigo, a gente já se conhece há bastante tempo e queria renovar o evento. Sempre tivemos a curadoria da Cilene Saorin, uma profissional ímpar, que agradeço muito pelo que aprendi com ela. A gente queria trazer a tradição que existe, mas com novas caras, mostrando que o mercado se renova. A ideia foi trazer novas temáticas para dentro do congresso e, com isso, trazer outros resultados, mudando um pouco a dinâmica, não só do congresso, mas também do conteúdo e dos congressistas. E estamos com uma grade bem interessante. Estamos falando sobre insumos, sobre tecnologia, mas também falando sobre diversidade e inclusão no mercado cervejeiro, algo que precisa estar em pauta.

O objetivo principal dessa parceria com o ICB é dar mais atenção ao conteúdo. Quando a gente olha para a história da Brasil Brau, a gente vê que ela nasceu a partir de um congresso. E a troca de informações é o que faz com que o mercado seja mais forte. Se a gente pegar exemplos como o mercado americano, a quantidade de estudos e de compartilhamento de conhecimento que são promovidos em inúmeros eventos, é impressionante.  Eu acredito muito na Brasil Brau como feira para troca de informações e apresentação de tecnologias. E que o crescimento dela na América Latina se dará a partir do conteúdo.

A gente tem projetos para estender esse conteúdo para outras plataformas, para outros momentos, já que a Brasil Brau acontece de dois em dois anos. Estou fazendo algumas análises para entender como a gente pode continuar com esse conteúdo, não necessariamente dentro da Brasil Brau, mas em outros fóruns e em outras plataformas.

A Brasil Brau não terá, em 2022, o Prêmio de Gestão de Negócios em Cerveja. Por qual razão?
São inúmeros prêmios que existem no setor para o líquido. Mas, dentro desse segmento, a gente não vê uma valorização das iniciativas profissionais. Se olha muito para o produto final, mas existe todo um processo pra chegar a ele, em uma cadeia extensa. A gente está falando desde o agricultor, passando por toda a fase industrial, depois a gente tem a fase de comercialização e especialização, até chegar ao bar. E o prêmio de gestão da Brasil Brau foi criado justamente focado nisso. A gente está fazendo uma Brasil Brau diferente em 2022, também por algumas dificuldades impostas por esse período de pandemia. Sendo bem franco, eu acho que essa iniciativa é tão valiosa e tão importante que ela precisa de tempo para as próprias empresas inscreverem suas iniciativas e os seus cases. Então, a gente optou por não realizar esse ano. E essa é uma das atividades que comentei que a gente entende que podem ser desgarradas da feira, podendo acontecer anualmente.

Quais impactos da pandemia poderão ser sentidos na Brasil Brau?
O primeiro impacto que a gente sentiu negativamente na feira foi uma baixa na participação de empresas internacionais. É algo que eu tenho avaliado e analisado nos eventos em geral como normal. A China, por exemplo, é grande fornecedora, mas a gente não vai ter nenhum expositor chinês pela primeira vez, pois as empresas estão proibidas de sair de lá. E isso é um impacto grande dentro da área de exposição. Porém, não é só o cenário mundial, mas o nosso cenário socioeconômico e político. Na parte de visitação, acho que os altos custos que a gente tem no Brasil também vão dificultar um pouco.

Mas eu acho que a gente se reinventa, assim como as próprias empresas, como elas fizeram com as tecnologias e a maneira de apresentação do conteúdo. E os eventos não vão deixar de existir. Você tem novas maneiras de trabalhar o seu produto e o seu marketing, mas os eventos continuam sendo essenciais. No caso da Brasil Brau, tem tecnologias que você precisa ver ao vivo. Além disso, cerveja é sensorial, então você precisa conversar sobre lúpulo e malte, por exemplo. E a cerveja é um produto de conexão.  

A pandemia mudou a sociedade e, como você mesmo já disse, a percepção das pessoas sobre os eventos. Estando à frente da Brasil Brau e do Mondial de la Bière no país, como essas tendências afetam o trabalho de organização desses encontros?
Os eventos precisam gerar uma experiência marcante. Você precisa voltar para casa e pensar naquele evento. A pessoa precisa ter extraído alguma experiência marcante. No caso da Brasil Brau, eu acho que está muito ligado ao conteúdo, que é a importância que estamos dando ao congresso. O que vai fazer com que a pessoa vá a uma feira de negócios e o evento a marque, é o que você vai absorver, quais discussões vão ser construtivas para você, com aplicação no seu dia a dia. No Mondial, qual é o diferencial que você encontra? É uma experiência de entretenimento. O Mondial, nessa nova fase, tem o objetivo de criar experiências mais marcantes. Ele jamais pode deixar de ter sua importância dentro do mercado e a sua atenção nos produtos, mas a gente precisa gerar mais entretenimento, mais experiências marcantes.

Como está o processo de preparação do Mondial para 2022?
Eu vou jogar uma água no chope. Infelizmente, a gente não vai realizar a edição de São Paulo nesse ano. Seria muito curto e a gente quer fazer um trabalho de excelência, como a gente faz no Rio. Mas tem uma outra novidade, que é uma nova praça, a gente vai realizar um terceiro Mondial no Brasil, em uma nova cidade. Sobre o Rio de Janeiro, a gente vai melhorar muito a experiência. Sabemos que houve dificuldades no ano passado. E o nosso primeiro passo é entregar o evento com excelência, como todo mundo conhece. Para isso, a gente vai continuar investindo nessa característica de festival, trazendo novas ativações de música e de gastronomia, melhorando ainda mais o serviço de cerveja ao redor do evento.

Dona da Estrella Galicia fatura 610 mi de euros em 2021 e mira mercado externo

A Hijos de Rivera, empresa detentora da marca Estrella Galicia, apresentou o seu balanço financeiro de 2021 e relatou ter faturado 610,4 milhões de euros (aproximadamente R$ 3,12 bilhão, na cotação atual). A companhia espanhola, que também possui uma importante divisão de águas, sonha em alcançar a receita de 1 bilhão de euros (R$ 5,11 bilhões) em 2024, o que buscará a partir da internacionalização das suas marcas, incluindo uma presença mais ativa no mercado brasileiro.

Foi a primeira vez que o faturamento da Hijos de Rivera superou os 600 milhões de euros, com a empresa, assim, conseguindo superar os níveis pré-pandemia. A companhia detentora da Estrella Galicia também apresentou lucro de 94,9 milhões de euros em 2021, um incremento de 79% em relação ao ano anterior, sendo 30% superior a 2019.

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De acordo com o balanço, a divisão cervejeira da Hijos de Rivera, que possui a Estrella Galicia como seu carro-chefe, vendeu 436 milhões de litros no ano passado. Foram, assim, 90 milhões de litros a mais do que em 2019, o último ano pré-pandemia, um avanço de 27,8%. Além disso, foram comercializados 189 milhões de litros de água, um aumento de 16,4%, em relação a 2020, mas abaixo dos 198 milhões de litros de 2019.  

Para manter a expansão, a Hijos de Rivera tem um plano de realizar investimentos de 600 milhões de euros até 2024, sendo que metade desse montante será obtido através de empréstimos para a companhia familiar.

O valor será investido, principalmente, na ampliação da capacidade produtiva da empresa, que hoje possui uma fábrica em operação no Parque Industrial A Grela, em A Coruña, na Espanha. A empresa, porém, saltará para 3 unidades industriais até 2024, com uma delas sendo em Arteixo, também na Galícia, e a outra em Araraquara, no interior de São Paulo.

A internacionalização, vista com uma das alavancas para atingir o faturamento de 1 bilhão de euros, tem, assim, o mercado brasileiro como fundamental para a Estrella Galicia, que já possui um acordo de distribuição no país com a Coca-Cola. E se hoje as vendas externas não atingem os 10% do faturamento da empresa espanhola, a expectativa é de que elas representem 20% em 2024.

Com filiais nos Estados Unidos e no México, a América é um foco óbvio para a companhia nesse processo de internacionalização, mas não o único. “Vamos montar uma filial no mercado britânico. Já temos em Portugal e com certeza na Europa abriremos mais”, afirma Ignacio Rivera, presidente-executivo do grupo.

Embora tenha relatado expansão no lucro e no faturamento em 2021, a Hijos de Rivera ainda não recuperou completamente o ritmo de vendas em bares e restaurantes. A companhia afirma que a comercialização nesse tipo de estabelecimento representa, hoje, 60% do seu mix, abaixo, portanto, dos 70% registrados no período pré-pandemia.

“Há uma certa ressaca dos efeitos da pandemia. Embora os bares estejam abertos, há uma tendência de continuar consumindo em casa e, portanto, de consumir embalagens não retornáveis”, acrescenta o executivo da Hijos de Rivera.

Inflação dificulta operação das cervejarias da Rota RJ; Confira estratégias adotadas

A subida dos preços segue assombrando os brasileiros em 2022 e impacta diretamente a todos os setores. Com altas históricas sendo registradas nos últimos meses em praticamente todas as categorias, o segmento de cervejas artesanais também não passa ileso. Neste cenário, as cervejarias da Rota Cervejeira RJ precisam lidar com a situação adversa provocada pela inflação, junto aos efeitos de outros desafios recentes.

Ao Guia, a coordenadora da Rota Cervejeira RJ, Ana Claudia Pampillon, conta que vários fatores vêm dificultando uma retomada mais consistente das marcas da região serrana. “Nós tivemos um período longo de pandemia, em seguida um período de tragédia aqui em Petrópolis onde várias cervejarias foram impactadas e, agora, esse momento, com a inflação repercutindo em todos”, destaca.

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A elevada inflação tem provocado um efeito cascata na sociedade e afetado a operação das cervejarias. As empresas, afinal, sofrem com a alta nos custos de produção e ainda observam a perda do poder de compra dos consumidores, que sofrem com alta dos preços de produtos básicos.

De acordo com relatos das cervejarias que compõem a Rota RJ, o impacto nos preços se dá em diversas esferas: a compra dos insumos, no transporte, no custo fixo fabril e mesmo na logística de entrega. “O impacto se vê em toda a cadeia. Não é incomum encontrar materiais que dobraram de preço nos últimos 2 ou 3 meses”, relata William Pacheco, sócio-proprietário da Mad Brew.

O cenário coloca as cervejarias diante de uma decisão complicada, pois aumentar os preços pode representar a perda de vendas, enquanto mantê-los vai afetar a atividade da cervejaria, como afirma José Renato Romão, um dos sócios da Brewpoint. Ele relata o adiamento de investimentos para ampliar a capacidade produtiva das cervejarias. “A margem apertada implica em redução da capacidade de investimentos”, pontua.

Os profissionais lamentam que a adversidade para as cervejarias da Rota RJ em virtude da inflação se dá logo em um período que deveria ser de boas notícias, no reencontro com o consumidor, após meses de restrições para a operação em função da pandemia do coronavírus.

 “Após dois anos tão difíceis por conta da pandemia e em um cenário de inflação descontrolada, as pessoas têm seu poder de compra reduzido e precisam priorizar outros gastos – o que impacta fortemente o nosso mercado”, acrescenta o sócio-proprietário da Mad Brew.

Repasse nos preços
As cervejarias da Rota RJ reconhecem, assim, que há pouco a se fazer para driblar a inflação, especialmente porque as medidas para a redução dos custos dos rótulos demandam investimentos ou a troca de insumos utilizados, o que poderia ter efeito na qualidade do produto oferecido. “As principais ferramentas para contornar os efeitos inflacionários seriam o aumento de preços ou a redução de custos que, quase invariavelmente, necessitam de recursos para investimento”, informa o sócio da Brewpoint.

A coordenadora da Rota RJ avalia ser grande o desafio para cervejarias de pequeno porte colocarem um produto de qualidade no mercado a um preço competitivo em um contexto de pressão sobre os custos. Assim, reconhece que o preço da cerveja está ficando mais elevado na região serrana do Rio. “É um caminho natural. A gente torce muito para que isso não impacte negativamente no mercado de cervejas artesanais”, afirma Ana.

Assim, a estratégia da Mad Brew tem sido repassar, de forma mais transparente possível, parte destes custos aos clientes, que, segundo o sócio da cervejaria, até vêm sendo compreensivos. Além disso, a empresa tem investido em sua marca e na comunicação, com o intuito de aumentar o seu alcance. “Não consideramos reduzir ou substituir nossos insumos, por exemplo, para diminuirmos o custo. A qualidade sempre foi a prioridade”, acrescenta Pacheco.

Maior inflação desde 1996
A inflação tem provocado dores em todos os bolsos. O IPCA, o índice oficial divulgado pelo IBGE, ficou em 1,06% em abril, sendo a maior variação para este mês desde 1996. E o item Alimentação e Bebidas se destacou de forma negativa ao liderar a alta entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, subindo 2,06%, 1% acima do IPCA.

Na última semana, o Ministério da Economia anunciou que elevou sua projeção de inflação para 2022 de 6,55% para 7,9%. Se a expectativa for concretizada, a inflação ficará acima do dobro da meta estipulada para este ano, que havia sido de 3,5%.

Fundador da Cervejaria Santa Catarina morre aos 55 anos em acidente de moto

Sócio-fundador da Cervejaria Santa Catarina, Abrahão Paes Filho, de 55 anos, morreu na noite do último domingo (22) ao sofrer um grave acidente enquanto conduzia uma motocicleta de luxo na rodovia Governador Jorge Lacerda, em Criciúma (SC).

O empresário foi atendido pelos socorristas do Corpo de Bombeiros por volta das 21h45, mas já não apresentava sinais vitais, segundo informou, ao Guia, o sargento Reinaldo Bittencourt, do posto da Polícia Militar Rodoviária (PMRv) de Cocal do Sul (SC), onde a ocorrência foi registrada.

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De acordo com boletim descrito pela autoridade policial, Abrahão perdeu o controle da sua moto quando chegou a uma rotatória que estava em obras na estrada e acabou se chocando com uma placa de trânsito. Após a batida e a queda do motorista no asfalto, o veículo ainda percorreu, sem o condutor, 45 metros, desgovernado, antes de cair no acostamento da pista.

O boletim de ocorrência não cita a hipótese de que o empresário poderia estar trafegando em uma velocidade acima da permitida naquele trecho da rodovia no momento do acidente. Ele guiava um modelo da marca Harley-Davidson, com placas do município catarinense de Araranguá.

Por meio de uma postagem em seu perfil no Instagram, a companhia que teve o empresário como o seu criador lamentou a tragédia. “Com imenso pesar, comunicamos o falecimento do sócio-fundador da Cervejaria Santa Catarina: Abrahão Paes Filho”, afirma a publicação, que é ilustrada com uma foto dele e traz as datas de seu nascimento (20/11/1966) e morte (22/05/2022).

Empresário foi homenageado por escola de samba em 2018
A Cervejaria Santa Catarina foi fundada em 2007, no município de Forquilhinha, que fica no sul catarinense, onde Abrahão também se tornou figura querida e conhecida em sua comunidade. Em 2018, foi homenageado pela escola de samba Unidos do Arroio, da cidade de Balneário Arroio do Silva (SC), desfilando no carnaval daquele ano pela agremiação, que também utilizou as redes sociais para lamentar o falecimento.

“É com grande pesar que a Escola Unidos do Arroio vem notificar a passagem do nosso amigo, parceiro, apoiador e querido por todos, como dizia o nosso enredo de 2018 ‘….e o Menino Sonhador’, Abrahão Paes Filho sonhou e realizou muitos de seus sonhos e planos. Toda a diretoria da Unidos do Arroio deixa aqui sua eterna gratidão a ele e sinceras condolências aos filhos Isael Coelho Paes e Isaac Paes, noras e netinhos, e a esposa Deine Silva. Que Deus conforte o coração de todos”, escreveu a escola em seu perfil no Facebook.

O grupo Cervejaria Santa Catarina agrega em seu portfólio as marcas Saint Bier, também fundada por Abrahão Paes Filho, Coruja, Barco e Catarina. Somadas, produzem 390 mil litros de cerveja por mês, de acordo com o Anuário das Cervejarias Artesanais de Santa Catarina.

Essa foi a segunda tragédia a abalar o setor cervejeiro brasileiro em menos de duas semanas. No último dia 13, também em Santa Catarina, um funcionário da Lohn Bier morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória em um tanque da cervejaria sediada em Lauro Müller. Michel Vieira Soares, de 32 anos, teve o problema ao descer no fundo do recipiente, que estava vazio e tinha cerca de quatro metros de profundidade, para apanhar um saco de lúpulo caído em seu interior.

Começam audiências do caso Backer em BH; Entenda como será a 1ª fase da ação penal

Mais de dois anos após a eclosão dos casos de contaminação que resultaram na morte de dez pessoas e deixaram ao menos outras 16 com lesões ou sequelas graves, três sócios-proprietários e funcionários da Cervejaria Três Lobos, responsável pela marca Backer, começam a ser julgados nesta segunda-feira (23), em processo penal na 2ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG). Serão quatro dias de audiências, até quinta-feira, no Fórum Lafayette, em Belo Horizonte, onde inicialmente vítimas afetadas por consumirem cervejas da Backer com substâncias tóxicas e testemunhas de acusação serão ouvidas.

A denúncia apresentada pelo Ministério Público pediu o indiciamento de 11 pessoas por crimes cometidos entre o início de 2018 e o dia 9 de janeiro de 2020, ano em que a solicitação foi aceita, em 8 de outubro, pelo juiz Haroldo André Toscano de Oliveira. O magistrado acatou o pedido feito pelos promotores após a materialidade dos delitos criminais ser comprovada por laudo pericial da Polícia Civil de Minas Gerais e do Instituto de Criminalística em lotes de cervejas da Backer e em tanques da planta fabril da empresa.

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O documento aponta que houve adulteração das bebidas alcoólicas por monoetilenoglicol e dietilenoglicol, substâncias consideradas tóxicas e não adequadas para serem utilizadas em alimentos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O uso delas também ficou evidenciado em laudos toxicológicos e de necropsia das vítimas que ingeriram as cervejas.

O Guia apresenta, abaixo, um panorama do início do julgamento do Caso Backer, a maior tragédia da história da cerveja artesanal brasileira, detalhando o estágio atual do processo, com a realização das primeiras audiências. Confira:   

Como serão as primeiras audiências do Caso Backer
As primeiras audiências do Caso Backer representarão o início do julgamento dos réus e da instrução processual, com vítimas e testemunhas de acusação sendo interrogadas. Em uma segunda fase da ação penal, em data ainda a ser definida pelo juiz responsável pelo caso, vão ser ouvidas as testemunhas de defesa e os réus do processo.

“Trata-se do início da dilação probatória após o recebimento formal da denúncia e, salvo melhor juízo, nas datas em questão serão ouvidas as testemunhas de acusação arroladas pelo MP”, diz Fernando Fabiani Capano, advogado criminalista e Doutor em Direito pela USP. “O processo está na fase de produção de provas. As audiências fazem parte dessa etapa”, reforça André Lopes, criador do site Advogado Cervejeiro e colunista do Guia.

Embora o processo não tramite em segredo de justiça, o TJ-MG confirmou que o acesso à sala de audiências do Fórum Lafayette será restrito. Despacho do juiz desta ação penal citou o elevado número de testemunhas arroladas e a pandemia entre os motivos para fracionar as datas das audiências do Caso Backer, marcadas para começar sempre às 13h30.

Quem são os 10 réus e de quais crimes eles são acusados
Entre os réus deste processo estão Ana Paula Silva Lebbos, Hayan Franco Khalil Lebbos e Munir Franco Khalil Lebbos, sócios-proprietários da Backer, denunciados pelo crime do artigo 272 do Código Penal, parágrafo 1º-A, que fala em “fabricar, vender, expor à venda, importar, ter em depósito para vender ou, de qualquer forma, distribuir ou entregar a consumo a substância alimentícia ou o produto falsificado, corrompido ou adulterado”.

Outros indiciados são Ramon Ramos de Almeida Silva, Sandro Luiz Pinto Duarte, Christian Freire Brandt, Adenilson Rezende de Freitas e Álvaro Soares Roberti, responsáveis técnicos da cervejaria, e Gilberto Lucas de Oliveira, chefe de manutenção. Todos foram acusados de homicídio culposo e lesão corporal culposa, além de responderem pelo artigo 272 do Código Penal.

Charles Guilherme da Silva, funcionário de uma fornecedora de insumos à Backer, será julgado pelo crime de falso testemunho após se apresentar às autoridades e alegar que uma sabotagem causou a intoxicação das cervejas da marca, suspeita que não se confirmou. Segundo a denúncia, ele visava prejudicar a empresa da qual fazia parte após conflitos trabalhistas. Já o responsável técnico Paulo Luiz Lopes, que seria o 11º réu, morreu após sofrer um acidente vascular cerebral um mês depois de ser indiciado.

Culpa de réus por falha em tanque precisa ser comprovada
Durante a investigação, o delegado responsável Flávio Grossi indicou que houve negligência e imperícia da Backer ao usar substâncias tóxicas no processo de produção das bebidas. Mas a marca alega que não pode ser punida por uma falha na solda de um tanque de sua cervejaria, o que permitiu que houvesse contaminação. Agora, será preciso provar a responsabilidade dos réus acusados de homicídio culposo e lesão corporal.

“A cervejaria, em si, não pode ser punida diretamente na esfera criminal. No que concerne às pessoas que estão denunciadas (agentes da empresa no momento dos fatos), será necessário, para além da simples presunção, provar que cada uma delas tinha, de maneira individualizada, ciência expressa do defeito havido na solda e, por ato comissivo ou omissivo, deixou de efetuar, dentro de seu campo de responsabilidade, os reparos necessários para que os consumidores não fossem expostos à substância tóxica”, destaca Capano. “Não basta mero indício. É necessário que se prove a prática das condutas (quer seja culposa, quer seja dolosa) por todas as pessoas que estão denunciadas, de maneira individualizada”, reforça.

Pouco depois de ser autorizada pela Justiça a voltar a produzir cerveja em sua planta industrial em Belo Horizonte, a Backer foi multada em R$ 5,1 milhões pelo Ministério da Agricultura por infrações administrativas relacionadas ao caso. Os especialistas ouvidos pelo Guia não acreditam que a decisão influenciará no julgamento, embora reconheçam que a punição possa provocar “juízos de valor” sobre a empresa.

“Por se tratar de esferas diferentes (a multa se deu no âmbito administrativo do Mapa), não deveria ter impacto. Contudo, as infrações que ocasionaram a multa são situações constatadas pelo órgão que com certeza devem fazer parte do arcabouço probatório do processo”, afirma André Lopes.

O advogado Clairton Kubaszwski Gama, sócio do escritório Kubaszwski Gama Advogados Associados e colunista do Guia, pondera que “a multa aplicada foi em razão da contaminação, mas também por outros motivos como a falta de comunicação ao órgão de modificações na estrutura da cervejaria”. “De toda forma, a penalidade administrativa aplicada pelo Mapa acaba não tendo interferência na esfera judicial criminal. São instâncias independentes uma da outra”, diz.

O caso provocou grande rejeição à Backer, mas André Lopes não vê como isso possa ter peso para o teor das sentenças aos réus.  “É importante esclarecer que os homicídios culposos (e os outros crimes imputados aos réus nesse caso) são julgados por um juiz, e não pelo Tribunal do Júri, que tem a competência para julgar os crimes dolosos, ou intencionais, contra a vida. Dito isso, o histórico não deve influenciar no julgamento, já que o juiz formará o seu convencimento com base no que está nos autos do processo”, analisa.

Com Red Ale, Patagonia lança sua primeira cerveja colaborativa no Brasil

A Patagonia acaba de lançar a sua primeira cerveja colaborativa no Brasil. A marca de origem argentina, que faz parte do portfólio da Ambev, se uniu à Campos do Jordão para lançar uma Red Ale, juntando cervejarias que estão ligadas a regiões montanhosas pelas suas origens.

A parceria para a criação desse rótulo incluiu a seleção dos ingredientes. O lúpulo utilizado nessa nova cerveja foi trazido da Fazenda Fernández Oro, na região da Patagônia, propriedade da cervejaria argentina onde são plantados e colhidos seus próprios lúpulos, enquanto a água e a framboesa são da Serra da Mantiqueira.

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“Trouxemos nosso lúpulo diretamente da Colheita da nossa fazenda na Patagônia para essa a parceria, criando um sabor único. Tanto a Cerveza Patagonia, quanto a Cervejaria Campos do Jordão, possuem essa característica de valorizar ingredientes regionais, especialmente de regiões montanhosas”, afirma Thiago Leitão, chefe de marketing da Cerveza Patagonia no Brasil.

Sylvio Rios, diretor da Cervejaria Campos do Jordão, destacou como a união com a Patagonia buscou valorizar ingredientes típicos de suas regiões, com a marca paulista inserindo, na receita, a framboesa, fruta protagonista na gastronomia da Serra da Mantiqueira.

“Essa parceria nasceu da vontade de reunir a essência montanhosa de duas regiões que se assemelham, tanto pelo clima e belezas naturais, quanto pela produção de cervejas especiais. Abraçamos a Patagonia em nossa cidade e trouxemos, para nossa fábrica, seus lúpulos patagônicos prestigiados para se unirem às framboesas da Mantiqueira, pioneiras no Brasil”, comenta.

A Red Ale possui 19 IBUs de amargor, com 4,8% de graduação alcoólica. De acordo com o descritivo divulgado pela Patagonia, essa cerveja tem coloração avermelhada, com aroma levemente cítrico e frutado, proveniente da framboesa, com amargor bem equilibrado dos lúpulos patagônicos.

“O sutil sabor caramelizado dos maltes completa a receita com o lúpulo Cascade, trazido da Argentina”, afirma a marca, que indica harmonização com pratos de sabor marcante e forte, como um assado de tira ao molho de chimichurri, enchiladas, ou mesmo uma pizza de calabresa.

No Brasil, até agora, a Patagonia havia disponibilizado quatro estilos de cerveja: Amber Lager, IPA, Weisse e Bohemian Pilsener. A sua colaborativa foi lançada em duas versões limitadas: long neck, que será disponibilizada no Empório da Cerveja e pontos de venda como bares e restaurantes na Serra da Mantiqueira; e chope, comercializado exclusivamente nos Refúgios Patagonia, bares oficiais da marca no Brasil, e na Cervejaria Campos do Jordão.

Balcão do Profano Graal: A Revolta da Cerveja de Munique

Balcão do Profano Graal: A Revolta da Cerveja de Munique

Em novembro de 1843, um cartaz de protesto apareceu pregado numa ponte sobre o rio Isar, que corta a cidade de Munique. Sua mensagem era simples e direta: “A cerveja está muito cara.”

Na época, o governo da Baviera controlava rigorosamente a indústria cervejeira, incluindo um preço oficial que definia duas vezes por ano, chamado de Biersatz. Definido por Kim Newark Carpenter como: “um ato de equilíbrio politizado entre a necessidade de receita do governo, a flutuação dos preços dos grãos, o protecionismo para as cervejarias e os impostos especiais de consumo para projetos especiais como prédios públicos”.

Nesse período, o Ducado da Baviera era governado por Ludwig I Wittelsbach. Se você não está ligando o nome à pessoa, é aquele monarca cuja festa de casamento deu origem à Oktoberfest, em 1810.

Mas, desde 1810, a população de Munique havia dobrado para mais de 90 mil pessoas, sem contar os trabalhadores sazonais que migravam do campo. A maioria era de operários que atuavam na construção. Quando trabalhavam. Porque apesar do boom de projetos de construção públicos e privados, não havia trabalho suficiente para todos.

O serviço militar era obrigatório para os jovens, mas os soldados recebiam tão pouco que muitas vezes precisavam de empregos secundários para sobreviver. A maioria alugava um quarto coletivo com uma cama e, se desse sorte, uma janela. Os salários oscilavam em torno de 30 a 45 kreuzer por dia.

Um único Maß de cerveja (aproximadamente um litro) custava o dobro do aluguel diário, mas era vital. A cerveja era o alimento básico mais importante de uma dieta da classe baixa. Hidratava, preenchia lacunas na nutrição e ingestão calórica e ajudava a diminuir ainda mais o apetite. Os homens da classe trabalhadora bebiam, em média, dois a três Maß por dia.

Muitas vezes, pelo menos uma refeição consistia apenas em cerveja. Além disso, cervejarias e tavernas, ofereciam refúgios essenciais das precárias condições de trabalho e da sufocante vida doméstica, além de acesso a redes sociais de apoio. Como explica Brian Alberts, os trabalhadores acreditavam que tinham o direito a uma cerveja boa e saudável: “Era um elemento central do contrato social da Baviera e era obrigatório”.

Diante dessa situação, não demorou muito para cartazes como aquele da ponte começarem a aparecer em parques, praças públicas e, até mesmo, do lado de fora da residência real. Um dos quais dizia dramaticamente: “Dois kreuzer são suficientes para uma cerveja!”. Outro perguntava: “O que se espera de um regente que deixa seus soldados sofrerem com a falta de comida?”. Outros reclamavam que o rei Ludwig I “não tinha amor pelos pobres”. Um cartaz afixado perto da residência real pregava mais diretamente: “Se você quer cerveja e pão a preços acessíveis, mate o rei.”

Em 1º de maio de 1844 aconteceria o casamento da filha do Duque, Hildegarde, com uma celebração de três dias culminando em um desfile pelas ruas decoradas de Munique. Naquele ano, o aumento dos custos dos grãos pressionou o preço da cerveja para cima. Os números diziam que a cerveja deveria passar a custar seis kreuser e meio.

Quando o governo anunciou a mudança em meados de abril, começaram a circular rumores de que “algo aconteceria em 1º de maio”. Para piorar a situação, em 30 de abril, o governo sem dinheiro irritou ainda mais os soldados ao revogar o zulage, um pequeno subsídio diário dado a cada soldado para compensar a compra de cerveja. Como diz Alberts: “Em 1º de maio, Munique era uma cidade cheia de cerveja cara, milhares de trabalhadores enfurecidos e apenas 115 policiais de plantão.”

Os trabalhadores esperaram até depois do casamento de Hildegarde naquela tarde para agir. Prova de que o movimento havia sido deliberado e coordenado. No final da cerimônia, 15 soldados entraram na cervejaria Maderbräu (atual Schneider Bräuhaus). Três avisaram que pagariam apenas seis kreuzer pela cerveja. Quando o garçom exigiu a diferença, começaram a bater com os copos na mesa. Trabalhadores próximos se juntaram a eles, acusando o cervejeiro de vender cerveja fraca e ameaçando destruir o local. As batidas foram ficando mais fortes, até que mesas foram viradas e começou a confusão. Do lado de fora, já havia uma multidão reunida, que arrastou as mesas da Maderbräu para a rua e começou a jogar pedras nas janelas. Foi só o começo.

Multidões itinerantes de centenas de pessoas, foram de cervejaria em cervejaria, quebrando todos os Maß que encontravam, jogando móveis pelas janelas e despejando barris de cerveja na rua. Os policiais pediram a ajuda dos militares, mas quando os soldados se aproximaram da multidão, os manifestantes entregaram uma cerveja a cada um e brindaram. Afinal, os soldados também faziam parte da classe trabalhadora. Os soldados ofereceram apenas assistência casual durante os tumultos.

A agitação prosseguiu noite adentro, quando uma multidão de 2 mil pessoas marchou para a residência e o teatro reais, onde Ludwig, funcionários do governo e aristocratas estavam participando das festividades do casamento. Alguns revoltosos fizeram discursos enquanto outros jogavam pedras e diziam insultos. Gritavam que Ludwig os havia esquecido, desperdiçado dinheiro em prédios públicos e amantes e que, ainda por cima, não fizera nada para incluí-los na festa de casamento de Hildegarde. “Onde estavam os fogos de artifício e outros espetáculos públicos?”, perguntavam.

Os tumultos prosseguiram pelos dois dias seguintes, com menor intensidade, apesar dos cervejeiros de Munique concordarem unanimemente em baixar o preço da cerveja para seis kreuser. Mas já então os trabalhadores exigiam o Maß por 5 kreuzer. O governo havia enviado todos os soldados de folga para seus quartéis, e com uma resposta mais preparada e coordenada, conseguiu restaurar a ordem mais facilmente. Duas semanas depois, o governo recompensaria cada soldado que ajudou a reprimir os distúrbios com um bônus de sete kreuzer. Como disse Alberts: “basicamente, Ludwig comprou uma cerveja para cada um”.

Como explica Carpenter, os governantes de Munique se apressaram a atribuir o motim a algo simples, como meio kreuser. Porém, o movimento refletiu queixas específicas e deliberadas. Os revoltosos deixaram as casas particulares em paz e, apesar de todos os danos infligidos às cervejarias, nunca destruíram o equipamento de fabricação de cerveja. Seus alvos (copos, móveis, barris e janelas) ofereciam sinais simbólicos de que o pacto bávaro entre cervejeiro e bebedor havia sido violado.

O simbolismo desses três dias foi muito mais profundo do que apenas o preço da cerveja e reverberou por Munique e pela Baviera pelos anos seguintes. Antes do final de junho, pelo menos 25 distúrbios análogos da classe trabalhadora ocorreram em toda a Baviera. E naquele ano a Oktoberfest quase foi cancelada por razões de segurança.

Depois, por anos, o governo anunciou cada novo Biersatz com a respiração suspensa. Pouco depois, o zulage também foi restaurado. Os acontecimentos mereceram até um comentário de Friedrich Engels no jornal em 25 de maio daquele ano, quando ele escreveu: “Se o povo agora sabe que eles podem amedrontar o governo nos assuntos fiscais, eles logo aprenderão que será fácil amedrontá-los em assuntos mais sérios”. Quatro anos depois, Ludwig I seria deposto por uma revolução.


Referências bibliográfricas:

ALBERTS, Brian. “Streets as Stages” – The Munich Beer Riots of 1844. Good Beer Hunting. 15 de julho de 2020. Acessível em: “Streets as Stages” — The Munich Beer Riots of 1844 — Good Beer Hunting

Beer riots in Bavaria. Wikipedia. Acessível em: Beer riots in Bavaria – Wikipedia

CARPENTER, Kim Newark. “Sechs Kreuzer sind genug fuer ein Bier!”: The Munich beer riot of 1844: Social protest and public disorder in mid-19th century Bavaria. Tese de Doutorado. Georgetown University School of Arts and Sciences. Washington D.C., 1998. (“Sechs Kreuzer sind genug fuer ein Bier!”: The Munich beer riot of 1844: Social protest and public disorder in mid-19th century Bavaria – ProQuest)

ENGELS, F. Revolta da cerveja na Bavária. The Northern Star. nº 341, 25/05/1844. Disponível em: Revolta da Cerveja na Bavária (marxists.org)


Sérgio Barra é carioca, historiador, sommelier e administra o perfil Profano Graal no Instagram e no Facebook, onde debate a cerveja e a História.

STF mantém punição a recusa ao bafômetro e aplicação da Lei Seca; Entenda decisões

A punição ao motorista que se recusar a fazer o teste do bafômetro é constitucional e, portanto, seguirá valendo. A decisão é do Superior Tribunal Federal (STF), que também manteve a proibição de venda de bebidas alcoólicas em rodovias federais e a tolerância zero ao consumo de álcool imposta pela Lei Seca.

As decisões acompanharam o parecer do relator, o ministro Luiz Fux, sendo por unanimidade nos casos envolvendo o bafômetro e a Lei Seca, e de 10 a 1 na avaliação do veto à comercialização das bebidas alcoólicas em rodovias federais – o voto contrário à maioria foi de Nunes Marques.

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Para casos em que o motorista se recusa a utilizar o bafômetro, a determinação do Código de Trânsito é de que ele seja multado, além da suspensão do direito de dirigir por 12 meses, recolhimento da habilitação e retenção do veículo. Essa decisão do Supremo foi provocada por um recurso do Detran do Rio Grande do Sul, que buscava reverter a anulação proferida pela Fazenda Pública gaúcha de uma multa a um motociclista que recusou “assoprar” o bafômetro na cidade de Cachoeirinha.

O julgamento do Supremo que manteve a proibição da venda de bebidas alcoólicas em rodovias federais se deu diante de contestação da Associação Brasileira das Entidades e Empresas de Gastronomia, Hospedagem e Turismo e da Confederação Nacional do Comércio.

Já a manutenção da tolerância zero para os motoristas representou a rejeição a uma ação interposta pela Abrasel, que questionava esse e outros trechos da Lei Seca. E essa e as outras decisões do STF têm repercussão nacional, ou seja, devem ser seguidas pelos demais tribunais do país.

Como ficam as punições
As decisões do STF mantiveram as punições às infrações presentes no Código de Trânsito Brasileiro. Os casos de recusa do bafômetro estão inseridos no Artigo 165-A dessa legislação, sendo considerada uma infração gravíssima. A penalidade é de multa de R$ 2.934,70, ou dez vezes mais cara do que uma infração gravíssima comum, devendo ser dobrada em caso de reincidência no período de até 12 meses. E as medidas administrativas adotadas são recolhimento do documento de habilitação e retenção do veículo.

Já a tolerância zero com o consumo de álcool para quem dirige foi inserida no Código de Trânsito Brasileiro em 2008, através da Lei nº 11.705, que alterou a redação dos artigos 165 e 276 da legislação de 1997. Até 2008, era permitida a presença de 6 decigramas de álcool por litro de sangue.

A multa é a mesma para quem for flagrado alcoolizado ou se recusar a utilizar o bafômetro. Porém, a pessoa alcoolizada também pode ser acusada de crime de trânsito, previsto no artigo 306 do Código de Trânsito, que fala em “conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência”.

Nesse caso, as condutas são constatadas por concentração igual ou superior a 6 decigramas de álcool por litro de sangue ou igual ou superior a 0,3 miligrama de álcool por litro de ar alveolar; ou por sinais que indiquem, na forma disciplinada pelo Contran, alteração da capacidade psicomotora. E as penas são detenção, de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

O veto à venda de bebidas alcoólicas em rodovias federais também está prevista na Lei 11.705 de 2008. Ela afirma que “são vedados, na faixa de domínio de rodovia federal ou em terrenos contíguos à faixa de domínio com acesso direto à rodovia, a venda varejista ou o oferecimento de bebidas alcoólicas para consumo no local”.

A multa para esse tipo de inflação é de R$ 1.500. “Em caso de reincidência, dentro do prazo de 12 (doze) meses, a multa será aplicada em dobro, e suspensa a autorização de acesso à rodovia, pelo prazo de até 1 (um) ano”, acrescenta a legislação, agora referendada pelo STF.

Projeto une 27 cervejarias em lançamentos por inclusão e oportunidades aos Surdos

Dizer “não” ao capacitismo, lutar pela inclusão, pelo respeito linguístico e, principalmente, possibilitar oportunidades iguais aos Surdos no mercado de trabalho cervejeiro são os pilares que moldaram a criação do projeto “Experiência dos Sentidos”. Uma ação que juntou 27 cervejarias para a criação de diferentes receitas, todas levando um rótulo unificado acessível em Libras, a Língua Brasileira de Sinais. Assim, espera, além de colocar em pauta a temática do Surdos, contribuir para a qualificação dessa comunidade com o acesso à educação sobre cervejas.

“O projeto, além de disseminar a Libras nesse contexto, irá arrecadar fundos que serão revertidos em bolsas de estudos para serem usadas em escolas cervejeiras profissionalizantes”, explica Marcos Roberto de Oliveira, idealizador do projeto do canal Cerveja Artesanal em Libras, consultor, tradutor, intérprete de Libras na Universidade Federal de Uberlândia e professor na empresa Interlibras.

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As bolsas irão beneficiar diretamente alunos Surdos que queiram ingressar no mercado de trabalho na área das cervejas. “Queremos que os Surdos e Surdas interessados nessa área, tenham oportunidades iguais para ocuparem cargos ou assumirem responsabilidades que, hoje, na grande maioria das cervejarias, são privilégios da comunidade majoritariamente ouvinte”, destaca.

Nascido dentro da comunidade Surda, o projeto surgiu por uma demanda legítima: permitir o acesso ao conhecimento científico cervejeiro em libras. A ação, assim, também se propõe a desmistificar a ideia de que o Surdo não é capaz, lutando contra o capacitismo no setor cervejeiro.

E a iniciativa conta com membros dessa comunidade, caso daquele que será o primeiro sommelier de cervejas Surdo do Brasil, Fernando Pacheco, hoje aluno do Science of Beer. A instituição de ensino cervejeira de Santa Catarina e a Escola Mineira de Sommelieria, de Belo Horizonte, também são parceiras no projeto, assim como o designer Leonardo Carvalho, que foi o responsável no desenvolvimento do rótulo, utilizado por todas as cervejarias.

“Todas as cervejarias com os seus representantes participaram de forma incansável para que o projeto fosse tirado do papel. Devo dizer que fui cercado de muitas pessoas de peso da área cervejeira, que amam o que fazem e que são extremamente comprometidas com ações sociais. Com esse time eu não tenho dúvidas de que iremos atingir nossos objetivos”, ressalta Marcos Roberto.

A luta pela inclusão no setor
Marcos Roberto destaca ser preciso refletir sobre o que é necessário para sair do discurso da “igualdade” e da “inclusão” para colocar essas palavras em prática. “Em nossa cultura, crenças como estas são poderosíssimas e amplamente compartilhadas: ‘todos devem ser incluídos e ter oportunidades iguais’, mas em que medida esse discurso vai se estabelecer na prática, por exemplo, no setor cervejeiro no Brasil que ainda é pouco inclusivo?” questiona.

Marcos Roberto lembra que no decorrer da história humana, pessoas com algum tipo de deficiência não tinham seus direitos contemplados, não gozavam de oportunidades e eram deixadas à margem da sociedade. Assim, sequelas dessa época ainda existem, infelizmente.

Hoje, por exemplo, para garantir oportunidades no mercado de trabalho, é necessário recorrer a dispositivos legais, como as cotas, que asseguram uma oportunidade de ingresso em instituições de ensino ou em empregos. “É claro que isso é necessário e de extrema importância, não podemos negar, mas queremos, também, que os Surdos, por exemplo, tenham oportunidades não por meios legais, mas por competência própria”, conta.

Para ele, dar a oportunidade de formação profissional cervejeira sólida e acessível pode tornar o segmento cervejeiro mais inclusivo na medida em que esses alunos comecem a atuar profissionalmente no setor. “Temos, atualmente, Surdos trabalhando em grandes cervejarias e isso já é uma grande vitória, mesmo sendo enquadrados na lei de cotas. O protagonismo Surdo no setor ainda é bem tímido. Esperamos, sinceramente, que este projeto fomente a contratação nesse mercado”, pontua Marcos Roberto.

As cervejarias participantes
O projeto “Experiência dos Sentidos” é o resultado da união de diversas marcas de cervejas brasileiras comprometidas em não só aprimorar as relações sociais com a comunidade de consumidores Surdos, mas também preocupadas com a educação dela.

As 27 cervejarias participantes do projeto são: 3 Orelhas, Alienada Cervejaria, Avós, Bezy, Cachorro Cego, Captain Brew, Cervejaria 77, Cervejaria Mestra, Cervejaria Küd, Cervejaria Quatro Poderes, Croma Beer, Dogma, Dude, Hop Mundi , Krug Bier, Mafiosa Cervejaria, Omas Haus Brewpub, Prússia, Salvador, Spartacus, Suricato, Templária, Trema, Uaimii, Vintage e ZalaZ.

As cervejas têm diferentes receitas e estilos, mas a arte do rótulo, pensada especialmente para o público Surdo, possui, como destaque, o uso da Libras para apresentar os quatro elementos principais para a produção da bebida: água, malte, lúpulo e levedura. “Ficou lindo. Experiência dos Sentidos é muito mais do que cervejas. São mãos que gritam por igualdade de oportunidades em um idioma que se vê!”, conclui Marcos Roberto.

Menu Degustação: Campanha do agasalho, Champions Beer em Campinas…

As cervejarias continuam a todo vapor nas participações em festivais e em concursos, aproveitando o período de reencontro sem restrições com o público. Os próximos dois finais de semana, afinal, vão ser dedicados para a Champions Beer, em Campinas, enquanto o Rio de Janeiro recebe o Downtown Beer Festival até o dia 29.

Em outras frentes de atuação, a Madalena, diante do frio intenso que se alastrou pelo Brasil durante a semana, antecipou a realização da sua campanha do agasalho. E a MinduBier inaugurou um bar na sua fábrica na região metropolitana de Salvador.

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Confira esses e outros destaques do setor no Menu Degustação do Guia:

Retornáveis da Ambev
A Ambev quer acelerar a cultura do uso das embalagens retornáveis, tanto que grande parte desses vasilhames já voltaram a circular no mercado. E a expectativa é que, até 2025, 100% dos produtos da companhia estejam em embalagens retornáveis ou que sejam feitas majoritariamente de material reciclado. Para que isso se concretize, está oferecendo o produto a um preço mais atrativo no formato, além de disponibilizar estoque de vasilhames e a possibilidade de troca por meio do aplicativo Zé Delivery.

Brahma e Barões da Pisadinha
Em parceria com a Brahma, os Barões da Pisadinha lançaram o single “Esquece Essa Disgrama”. A música já está disponível nas rádios e nas plataformas de streaming, assim como o videoclipe no YouTube. O videoclipe conta com a participação especial de Arthur Picoli, que coloca Rodrigo e Felipe Barão para malhar.

Champions Beer
Entre a sexta-feira e o domingo desta semana (20 a 22) e da próxima (27 a 29), o público que for ao estacionamento do Galleria Shopping, em Campinas (SP), terá a oportunidade de provar e eleger o melhor entre todos os produtos de 14 microcervejarias na 5ª edição do Champions Beer. Com áreas especiais, alimentação a cargo de 10 food trucks, espaço kids completo e proposta pet friendly, entre outros equipamentos, o Champions Beer também aposta nos shows, como o do CPM 22, nesta sexta-feira.

Downtown Beer Festival
O Downtown Beer Festival, iniciado na quinta-feira (19), prossegue até o dia 29 na Barra da Tijuca, no Rio. O encontro reúne diversas cervejarias do Estado, incluindo marcas da Rota Cervejeira RJ, como Doutor Duranz, Odin e Sampler, todas de Petrópolis.

Hamburgada no Capitão Barley
O brewpub Capitão Barley, no bairro Pompéia, em São Paulo, será a casa da Hamburgada Solidária em 28 de maio. Na data, metade do valor arrecadado com a venda de 3 receitas de hambúrguer exclusivas para o dia será doado à instituição Colméia. As receitas serão criadas pelo chef Gus Ferreira, responsável pela cozinha da casa.

MinduBier inaugura bar da fábrica
A cervejaria baiana MinduBier inaugurou o bar da fábrica na cidade de Lauro de Freitas, localizada na região metropolitana de Salvador. Chamado de MinduBar, o espaço é equipado com 10 torneiras de chopes retirados diretamente dos tanques. A decoração foi projetada pela arquiteta Júlia Leal, contemplando mesas e bancadas de madeira e sofás, alinhados a um visual radical e moderno, ambientado para que o cliente se sinta realmente dentro de uma fábrica de cerveja artesanal.

Clube do Carro na Artéza
O Clube do Carro Antigo de Contagem (MG) vai realizar encontro na recém-inaugurada unidade na cidade da Cervejaria Artéza no próximo sábado (21), de 13h às 18h. Esta edição será no estacionamento do estabelecimento. No local, haverá uma exposição de carros antigos e o show com a banda 1ª Edição Rock Duo, além de estandes com chopeiras e churrasquinho. Os ingressos serão vendidos no local no valor simbólico de R$ 5 ou 1 litro de leite.

ØL Beer foca em ciganas
A paraense ØL Beer adquiriu dois tanques para produção cervejeira, mirando parcerias com marcas ciganas. A ideia é estabelecer cooperação com pequenos e médios cervejeiros que necessitem de boa estrutura para fabricar seus rótulos. Segundo a diretoria da ØL Beer, os novos tanques possuem capacidade para mil litros cada. Atualmente, a marca tem capacidade para produzir aproximadamente 30 mil litros por mês.

Bitcoin Pizza Day
Em 18 de maio de 2010, o programador de software Laszlo Hanyecz, morador da Califórnia (EUA), postou no Bitcointalk.org, um fórum sobre moedas digitais, um fato até então inédito: a troca de suas 10 mil bitcoins por duas pizzas grandes. Quatro dias depois, o estudante Jeremy Sturdivant entrou em contato com ele via IRC, pegou seu endereço, enviou as duas pizzas para a residência do programador e recebeu os 10 mil bitcoins – essa foi a primeira vez que o bitcoin foi usado em uma transação comercial. Como uma maneira de prestigiar o evento que ficou conhecido como Bitcoin Pizza Day, a Dogma dará 10% de desconto para pagamento em bitcoin em todas as unidades em 22 de maio. Nesse mesmo dia, no tasting room da marca, no bairro Vila Buarque, em São Paulo, a CoinEx e o PizzaDao promoverão encontro regado à cerveja e, como manda a data, e muita pizza.

Nova parceria da Lagoon
A marca mineira Lagoon fechou parceria com a Casa Olec, especializada em cervejas artesanais, válida tanto na parte das chopeiras da casa como nos deliveries da bebida. É uma aliança importante, pois a Casa Olec agora é uma distribuidora, o que facilita os processos e os torna mais ágeis, ainda mais que a fábrica da Lagoon é no interior, em Capim Branco.

Campanha do agasalho em Santo André
Devido a onda de frio intenso que afeta diversos estados brasileiros com recorde de temperaturas mínimas, a Cervejaria Madalena, instalada em Santo André, antecipou sua campanha do agasalho e iniciou a arrecadação de cobertores e roupas de frio para doação a pessoas carentes. A campanha vai até o fim de junho. A fábrica-bar recebe doações de terça a quinta que valem um copo de chope Madalena de 300ml ou entrada grátis nos eventos de fim de semana.

João Rock com Colorado
A 19ª edição do João Rock, um dos maiores festivais de música do país, que acontecerá em Ribeirão Preto (SP), no dia 11 de junho, tem apresentação da Colorado. Com ingressos esgotados, a marca realiza a promoção “João Rock com o Urso”, que vai premiar dez sortudos com um par de entradas para o festival. Para concorrer, é necessário acessar o link e preencher o cadastro até 29 de maio. O sorteio será realizado no dia 30. Só podem participar pessoas que moram em solo paulistano.