A convenção InnBrew, The Brewers Convention, destinada a profissionais da cerveja artesanal, é realizada desta quinta-feira até sábado em um já reconhecido território cervejeiro em Barcelona, La Farga em L’Hospitalet.
Abandonando o selo de BBFPro – como anteriormente era nomeada a área business do Barcelona Beer Festival -, o evento retorna com os mesmos moldes da primeira edição ocorrida em julho de 2021, destinado ao público B2B. No ano passado, o InnBrew foi o primeiro encontro pós-restrições mais rígidas da pandemia em Barcelona. O Guia apresentou uma cobertura do evento, com exclusividade, na ocasião.
InTalks, InMeet e InnShow são as três vias do congresso. Neles, os profissionais do setor se reúnem para encontros de debate, palestras sobre temas atuais, workshops técnicos de formação e feira com expositores do mercado.
A aposta dos organizadores para esta segunda edição é a entrega dos prêmios do VII Barcelona Beer Challenge, que ocorre no sábado. Junto à premiação, é distribuído o prêmio Steve Huxley, que elege uma personalidade que se destaca pela trajetória no universo da cerveja do país. O selo com uma medalha da competição é um dos mais almejados do sul da Europa.
Vale lembrar que o BBChallenge se associou ao Concurso Brasileiro de Cervejas, em uma aposta para maior internacionalização de ambos os campeonatos. A notícia foi dada pouco depois da visita do diretor da Beer Events, Mikel Rius, ao Brasil. O organizador do BBF e do InnBrew, esteve presente em Florianópolis durante o Beer Summit no fim de 2021, também tendo participado como juiz do Brasil Beer Cup.
Entre os principais temas das conferências e mesas de discussão do InnBrew, estão sustentabilidade, eficiência energética e reciclagem, matérias que já não são um diferencial, senão as únicas vias a serem adotadas na produção, logística, venda e compromissos das cervejarias. Outras discussões miram o papel dos festivais de cerveja e a função das cooperativas de cerveja na era pós-Covid.
Como já é tradição em todo evento na Catalunha, lideradas pelas profissionais do Pink Boots, as mulheres cervejeiras marcaram dois encontros no evento. São momentos descontraídos para troca de experiências, boas-vindas de novas companheiras, celebração e visibilidade. Apesar do setor estar com apenas 30% delas, a grande maioria está em cargos de alta gestão ou são as próprias cervejeiras. Em reportagem do The Guardian, publicado em março, é possível conhecer algumas delas.
Segundo a organização, “é uma grande conquista realizar uma feira como esta, em um setor relativamente novo e emergente como o da cerveja artesanal – com pouco mais de 15 anos de experiência em nosso país. Logo, a realização da segunda edição de uma convenção como o InnBrew já dá sinais de maturidade do setor”. Cabe agora acompanhar e analisar se as expectativas estarão alinhadas com os resultados da conferência.
*Andreia Gonçalves Ribeiro é mestra em Turismo Cultural Gastronômico e em Patrimônio, pela Universitat de Girona, além de sommelière de cervejas pelo ICB e sommelière bartender pela ABS-SP. Hoje, pesquisa sobre a cerveja e seus fenômenos na Catalunha.
As cervejas do estilo Bitter parecem estar caindo no gosto do cervejeiro brasileiro. Apostando nesse tipo de cerveja, a Wienbier, uma das marcas do portfólio da NewAge, lançou a Wienbier 52 Bitter Ale, o que representou um investimento fora dos estilos mais produzidos no país.
Essa ação ganha relevância porque a Wienbier é uma das principais marcas fabricantes de cervejas especiais no Brasil. E além de apresentá-la ao público, a companhia também conseguiu reconhecimento da crítica.
É mais um passo de diversificação do mercado, com o estilo Bitter, aos poucos, avançando no Brasil. Tanto que, em setembro do ano passado, o movimento Toda Cerveja reuniu 60 marcas para celebrar o Bitter Day. O evento foi realizado para o lançamento de rótulos do estilo, na tentativa de ajudar a popularizá-lo no país.
O gerente comercial da NewAge, Edison Nunes, avalia que as características da Bitter podem ajudá-la a cair no gosto do consumidor brasileiro, levando mais marcas a lançarem cervejas desse estilo.
“Eventos como o Bitter Day promocionando o estilo chamam a atenção do consumidor-alvo para mais possibilidades de satisfazer seu paladar. E, por ser um estilo relativamente novo no mercado brasileiro, cai facilmente no gosto dos adeptos de uma cerveja mais refrescante e leve, com uma carga extra de malte e um amargor presente, mas bem equilibrado”, afirma.
De alta drinkability e refrescância, conforme o Beer Judge Certification Program (BJCP), as Bitters trazem alta fermentação, cor levemente acobreada, lúpulos ingleses e podem ser divididas em três estilos: Ordinary Bitter, Best Bitter e Strong Special Bitter.
Nunes relata, ainda, que a NewAge enxerga um movimento de mercado de busca por estilos mais sofisticados. E quer atendê-lo. “Apostamos que o consumidor está se acostumando a beber melhor, escolhendo sua cerveja pela ocasião, em uma gourmetização”, diz.
Wienbier 52 Bitter Ale A Wienbier 52 Bitter Ale foi inspirada em uma Ale inglesa e combina lúpulos de Hallertau e aromas de especiarias para gerar amargor. Com 5,0%, de graduação alcoólica, esse rótulo tem maltes caramelo em sua composição, que proporcionam um corpo médio, cor âmbar límpida e aromas e sabores maltados com notas de biscoito, nozes e pão, de acordo com o relato da marca.
O rótulo levou a medalha de ouro na categoria Extra Special Bitter no Concurso Brasileiro de Cervejas deste ano, o que, de acordo com Edison, fará a Wienbier reforçar a aposta nessa opção ao longo de 2022.
“Ela foi lançada no segundo semestre de 2021 e até antes do prêmio era considerada um complemento de mix, porém agora temos que admitir, ela é o nosso novo super trunfo para 2022”, afirma Edison, comemorando o desempenho alcançado na competição cervejeira em Blumenau.
“Estamos exultantes e orgulhosos com este prêmio conquistado no CBC, um dos mais renomados no mundo. Foi a nossa 1ª participação e já fomos coroados com medalha de ouro. Valeu nossa insistência por primar pela qualidade dos ingredientes e processo de produção de nossa linha Wienbier”, completa.
O sommelier de cerveja agora é uma das 2.269 ocupações reconhecidas pelo Ministério do Trabalho e Previdência. Há cerca de duas semanas, a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) trouxe atualizações na sua lista, incluindo o trabalho do sommelier, tema de mais uma edição do Guia Talks, agora com Bia Amorim.
A sommelière de cervejas, escritora e fundadora da Farofa Magazine é a organizadora do Guia de Sommelieria de Cervejas, livro publicado pela editora Krater, com textos produzidos por 28 profissionais do setor, do Brasil e de outros países. A obra é um manual prático visando complementar a formação dos profissionais, além de buscar ajudar a reduzir a carência desse tipo de publicação no país.
No Guia Talks, Bia Amorim comentou sobre o processo de concepção do livro e o que ela considera ser a função primordial de um sommelier: atuar como um relações públicas da cerveja. Além disso, a especialista também apontou a entrada da profissão no CBO como um passo inicial para atender demandas de quem realiza essa função.
E, com a experiência de quem atua no mercado há anos, ela aposta que o setor vai produzir cervejas melhores neste ano, em todos os aspectos, diante da propagação do conhecimento entre os profissionais que atuam diretamente com as artesanais.
Confira os principais trechos da conversa do Guia com Bia Amorim:
Como foi a concepção do Guia de Sommelieria de Cervejas? A Editora Krater, em dezembro de 2019, me ligou, falando do projeto do Guia. Eles já tinham um projeto muito amarrado, algumas sugestões de nomes. E a gente começou a fazer os convites, comigo funcionando como uma ponte. Na produção, buscamos refletir sobre qual é o papel do sommelier. A gente deixou muito aberto para as pessoas escreverem da sua maneira. E ainda tivemos o desafio de escrevê-lo em meio à pandemia. Eu diria que este livro é um resultado muito importante para o mercado cervejeiro do Brasil.
Existe um público-alvo para o livro? Qual seria? É um livro que é fácil de ser lido. Eu não sei se a gente pode rotular como sendo para o geek cervejeiro, o nerd cervejeiro. É para o cervejeiro, a pessoa que gosta de ler para buscar aprofundamento. Foi feito, também, para todos os sommeliers que já se formaram e vão poder fazer uma reciclagem. E para as pessoas terem uma fonte para consultas.
Como você enxergou a entrada do sommelier de cervejas no CBO? O que muda para os profissionais? Eu acho que o CBO é uma ótima provocação. Não muda muita coisa no mundo, mas muda que você sai de um lugar quase inexistente para um lugar existente. O CBO foi importante porque você acaba tendo ali quais são as funções do sommelier, quais são as outras profissões que estão conectadas ao seu ambiente. E, às vezes, a burocracia é uma forma de registro. Ainda tem novos passos a dar, coisas para acontecer, inclusive até sobre quanto se ganha e sobre um plano de carreira. Acho que são questões para as escolas, os cursos de formação, a mídia e os profissionais também discutirem.
O setor de artesanais ainda tem uma participação diminuta no mercado. Qual é o papel do sommelier de cervejas para ajudá-lo a crescer? O sommelier é como um relações públicas da cerveja. É quem ajuda o consumidor a fazer essa travessia entre uma forma de consumo antiga, um pouco restrita em questões de escolha de sabores e experiências pessoais, para um lugar onde, provavelmente por uma questão econômica, a pessoa vai ter que fazer melhores escolhas, mas também para uma forma diferente de consumo, porque em geral ela deveria beber menos. Como eu escolho, por quais parâmetros? O sommelier tem o papel de ajudar o consumidor a entender o que gosta, o que é bom. É a pessoa que dá a mão dos dois lados, para a cervejaria e para o consumidor. É muito legal você vivenciar isso e entender o que o consumidor quer. E, às vezes, é preciso ajustar a narrativa.
E o que o sommelier precisa fazer para alcançar isso? A gente precisa chegar muito mais perto da gastronomia como mercado. A gente precisa de menos sommelier de cerveja e de mais garçons e garçonetes que entendam do produto. A gente não precisa rotular tanto. Parece que às vezes o sommelier virou um status. Eu acho que ele é algo muito maleável. Você está sommelier, não é um conhecimento que conseguiu atingir.
Quais são as tendências do mercado nesse momento? Fazer cerveja boa. Isso pode parecer o primeiro passo, mas eu digo isso porque tenho visto muita gente se especializando, fazendo cursos, muitos cursos abrindo. Estourou a bolha das escolas particulares, muito nichadas. Tem muita gente entendendo mais e melhor a cerveja. É um mercado que tem mais autocrítica para que se possa fazer cervejas melhores. E a cerveja melhor não é somente a cerveja boa. É uma cerveja eficiente, que não tem desperdício, com mais sustentabilidade. É a cerveja onde a cervejaria trabalha melhor, entendendo quem é o seu público. A tendência é olhar mais para os dados que o mundo digital nos trouxe. É preciso cada vez mais encontrar quem é o público da minha cervejaria. Assim, você vai fazer um trabalho melhor. Saber qual é a pessoa que está atendendo, ainda mais que agora as pessoas vão beber mais localmente.
O projeto Advogado Cervejeiro comemorou cinco anos de atividade em 2022 mirando novos saltos e mercados. Diante de um desempenho considerado “altamente positivo e muito além do esperado” para o período, de acordo com o seu idealizador, o advogado André Lopes, o foco para os próximos cinco anos se voltará para a ampliação dos serviços jurídicos ao mercado de bebidas especiais.
Com o serviço de assessoria jurídica para o setor cervejeiro, o projeto possibilitou, no período, um acréscimo de 40% ao faturamento do escritório de advocacia Lopes, Verdi & Távora, de Porto Alegre.
“Apesar do começo difícil e de uma certa resistência do mercado, o saldo nesses 5 anos superou qualquer expectativa. Foi um longo caminho até a consolidação do trabalho e reconhecimento por parte da cena cervejeira, que, com o passar do tempo, passou a ter o Advogado Cervejeiro como referência jurídica”, destaca André.
Na sua avaliação, o reconhecimento do setor veio muito em virtude dos trabalhos realizados para os clientes, além de iniciativas em prol das microcervejarias, como a elaboração do Código de Ética da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) e do livro Direito para o Mercado da Cerveja. “O livro foi um grande divisor de águas. A partir do seu lançamento e do sucesso das vendas, a demanda pelos serviços aumentou consideravelmente”, lembra.
Desde que surgiu, em março de 2017, o escritório soma mais de 300 clientes no setor cervejeiro, baseados em quase todos os estados brasileiros. “Há cinco anos era muito comum encontrar cervejarias menores trabalhando sob risco legal. O Advogado Cervejeiro surgiu para evitar que o empreendedor da cerveja artesanal, com uma oportunidade de negócio muito boa nas mãos, quebre por falta de assessoria jurídica especializada”, detalha André.
Segundo André, apesar de o foco inicial ter sido apenas o mercado cervejeiro, outras empresas produtoras de bebidas procuram os serviços do escritório em virtude da escassez de profissionais especializados e da autoridade da assessoria na abordagem de questões jurídicas sobre cerveja e outras bebidas.
Com isso, ele espera nos próximos 5 anos também atender produtores de kombucha, hard seltzer, destilados, vinhos naturais, cafés e outras bebidas. “Já atendemos marcas de praticamente todas outras bebidas artesanais, por isso a expansão para abranger mais bebidas foi orgânica, aconteceu naturalmente. A ideia é cada vez mais atender não só microcervejarias e negócios cervejeiros, mas também toda cadeia de bebidas artesanais, que acabam tendo dores muito semelhantes às dos cervejeiros”, completa.
Um dos bairros mais famosos de São Paulo pelas atrações boêmias conta, agora, com um símbolo de diversidade e inclusão. Com um pouco mais de 5 meses de funcionamento na Vila Madalena, o Torneira Bar está ganhando espaço no mercado e conquistando o público cervejeiro por colocar a inclusão em prática com a proposta de um “bar de todes para todes”.
A casa chama a atenção por ter uma equipe formada 100% por pessoas trans e não-binárias, além de sua programação ser voltada para o público LGBTQIA+, mulheres e negros.
A sociedade do Torneira Bar é formada pelos sommeliers de cerveja Christian Montezuma e Dani Lira. E a ideia de empreender nasceu justamente pela paixão de ambos por cervejas, com a inclusão de outros grupos de pessoas a um ambiente majoritariamente masculino, brancos e hétero, sendo um fato determinante para a criação do bar.
“O Christian é advogado trabalhista e eu sou ex-bancária. E a gente queria empreender no mercado cervejeiro. Quando pensamos em ter um bar, levantei a mão e falei: se a gente for fazer um ambiente cervejeiro, ele tem que ser diferente, porque eu, como mulher preta nesse meio, já passei por algumas situações”, comenta Dani.
Embora o Torneira Bar tenha sido aberto em São Paulo, a ideia inicial era de que o espaço fosse no Rio de Janeiro, cidade dos sócios, sendo uma opção pós-praia. Entretanto, a mudança da dupla para a capital paulista em meio à pandemia da Covid-19 veio junto com a alteração no local onde o bar acabou sendo criado. A crise sanitária, inclusive, os permitiu consolidar os planos e estratégias. “A gente começou a desenhar o bar e nesse período de pandemia começamos a estudar sobre inclusão e diversidade porque ambas as palavras são ligadas, né?”, reflete Dani.
E foi justamente definindo o projeto que outra importante questão foi levantada pelos sócios do bar: o público LGBTQIA +. “É quase zero dentro dos espaços cervejeiros. Você não vê a galera LGBTQIA+ nos eventos, é muito difícil encontrá-la em bares”, explica.
Um bar de todes A ideia de criar um “bar de todes que respeitasse todes” dentro da sigla LGBTQIA+ fez os sócios começaram a aprofundar-se ainda mais na comunidade. Foi quando encontraram o público transgênero. As travestis, geralmente, enfrentam ainda mais dificuldades de se colocarem no mercado de trabalho, em muitos casos por preconceito.
“É uma responsabilidade. Como a gente vai pautar diversidade se não tiver representatividade dentro do nosso bar?”, indaga Dani. “É o que falo para muitas pessoas: não é só a gente colocar uma bandeira no dia da semana da Parada Gay. É agir de fato, colocá-las [as pessoas trans] para dentro da nossa casa. É um posicionamento”, pontua.
Com a ajuda de um portal de empregabilidade para pessoas transgêneras, os sócios do Torneira Bar conseguiram direcionar as vagas para elas. E encontraram toda a mão de obra de que precisavam. “Com muito orgulho a gente fala isso, hoje. Realmente é uma equipe 100% trans. Temos padrões aqui dentro do bar e nada muda por ser uma equipe trans”, destaca Dani.
‘É muito gostoso fazer parte disso porque a gente percebe que o Torneira Bar é ainda tão jovem e já vem mostrando alguns pontos para esse universo cervejeiro. A gente percebe, inclusive, dentro dos nossos parceiros, que vêm conversando, sondando e querendo entender melhor essa relação de diversidade. Esse não é o é a. Ou não, não é a é o. E é muito legal essa preocupação”, comenta Dani.
Atualmente, o Torneira Bar conta com oito colaboradores fixos na casa, todos membros da comunidade trans, além dos freelancers que costumam ser contratados para os finais de semana e períodos mais agitados.
Dani explica que a casa ainda não tem um trabalho de marketing direcionado, mas o boca-a-boca vem dando fama ao bar, que está conseguindo chegar ao seu público-alvo. “A gente percebe que o clima do bar e dos clientes é de respeito. Tem um público misto. E são muitos eventos direcionados. Por exemplo, no dia que fazemos um evento de forró, percebemos que temos um público com maioria lésbica. Quando a gente faz evento como o Transarau, voltado para comunidade trans, temos muitos participantes trans”, comenta.
E a cerveja artesanal? Por serem sommeliers de cervejas, os sócios têm uma relação direta com a cerveja artesanal. E, neste novo empreendimento, também exercem o papel de apresentação das bebida para o público, como relata Dani.
“É importante que provem e conheçam. A gente enfrenta muito no bar o comparativo, falando que a cerveja é cara. A nossa relação é mostrar que a cerveja artesanal é possível. É uma questão de cultura, de mudar a visão da cerveja e trazer isso para todos os públicos.”
Apesar dessa relação mais íntima com as artesanais, o Torneira ainda não possui sua própria cerveja, mas já participou de vários rótulos colaborativos e pretende integrar outros, principalmente aqueles ligados à diversidade e à inclusão.
Palavra de ordem: coragem Para quem, assim como os sócios do Torneira Bar, está com a ideia de desenvolver um projeto de diversidade e de fortalecer o setor de cerveja artesanais, a palavra de ordem é coragem. “A gente inclusive saiu em um veículo jornalístico recentemente e tivemos reação dos ‘haters’”, diz Dani. “Mas é o que sempre digo: abrace. Não ache que é só porque você não é que você não pode abraçar uma causa”, afirma.
Dani revela, inclusive, que o maior apoio aos sócios do Torneira Bar, diante dos ataques, veio da equipe de funcionários. “Eles nos abraçaram, porque talvez já tenham passado tanto por isso e sabem enfrentar melhor do que a gente. Algo que não deveria acontecer, mas estamos enfrentando juntes e misturades”.
Além de resistir, abraçar e agir por uma causa, a sócia do Torneira Bar ressalta a importância de o seu espaço inspirar outras iniciativas do tipo.
Quando se fala, hoje, em diversidade, em São Paulo, está muito concentrada na região central [da cidade], na Augusta. Foi um desafio trazer isso para a Vila Madalena, mas é importante, porque daqui a pouco vem outro. Daqui a pouco, a rua está diversa, os bares e as cervejas serão diversos
Dani Lira, sócia do Torneira Bar
A sócia do Torneira pede, ainda, para o mercado cervejeiro escutar, observar e dar oportunidades. “Tem pessoas maravilhosas dentro desse mercado profissional que muitas vezes não são nem convidadas para o processo seletivo, porque o nome é diferente, o currículo está confuso, entende? E é só uma oportunidade. É só sentar, olhar, receber a pessoa como ela vem, com o estilo e jeito dela. E vocês vão se surpreender” finaliza Dani.
Uma das principais bandas da história do rock, o Rush acaba de lançar, em parceria com a canadense Henderson Brewing Co., uma cerveja, a Moving Pitchers. Com o nome inspirado no clássico disco Moving Pictures, que completou 40 anos de seu lançamento em 2021, o rótulo está sendo produzido em uma quantidade limitada, possui teor alcoólico de 11,9% e serve para ampliar a tradição de bandas clássicas que já lançaram cervejas especiais.
Com um toque de vinho Pinot Noir e notas de uvas bordô, maçã e lichia em sua composição, a nova cerveja do Rush é uma Blond Ale que segue a tradicional receita belga, tendo sido lançada em 24 de março, em Ontário, no Canadá. O país da América do Norte é o de origem do célebre “power trio” que era formado por Geddy Lee (vocalista e baixista), Alex Lifeson (guitarrista) e Neil Peart, lendário baterista morto em janeiro de 2020.
Essa é a segunda cerveja lançada pelo grupo em sete meses, depois de a banda ter apresentado, no fim de agosto passado, a Rush Canadian Golden Ale, também fruto de um acordo colaborativo com a Henderson Brewing. O novo rótulo, a Moving Pitchers, reproduz a imagem de um arremessador de beisebol ao fundo. Em primeiro plano, há uma caneca cheia de cerveja sobre um skate que está de frente para o esportista. A arte estampada na garrafa foi produzida por Hugh Syme.
Já a Rush Canadian Golden Ale, outra cerveja em edição limitada, trouxe em seu rótulo o famoso emblema “Starman”, retratado pela primeira vez na contracapa do álbum 2112, de 1976, que foi o quarto de estúdio da banda canadense.
A cerveja Moving Pitchers chega ao mercado pouco antes de o Rush lançar, no próximo dia 15, uma reedição especial de 40 anos do álbum Moving Pictures. Ao comentar o fato, o grupo brincou que a nova cerveja estará disponível aos fãs “em todo o Canadá a tempo de tomarem uma gelada” enquanto ouvem a versão comemorativa do disco de 1981, que contém as clássicas “Tom Sawyer” e “Limelight” entre as suas sete músicas. Tom Sawyer, aliás, ganhou ainda mais notoriedade ao ser escolhida como trilha do seriado Profissão Perigo, estrelado pelo personagem MacGyver, naquela década.
“Quando começamos este projeto, estávamos realmente empolgados em criar a cerveja perfeita para depois do show. Mas depois de passar um tempo trabalhando com a Henderson (Brewery), descobrimos muitos estilos e sabores para produtos adicionais mais complexos”, ressalta o guitarrista Alex Lifeson, que também é cientista de cerveja. “Levamos o teste de sabor muito a sério”, completa Geddy Lee, vocalista que é outro amante desta bebida.
Cerveja do Iron Maiden inspirou lançamentos do Rush O Rush começou a lançar cervejas anos após um fato ocorrido durante a R40 Tour, turnê da banda realizada entre maio e agosto de 2015. Na ocasião, depois de um show do trio canadense, Geddy Lee experimentou uma garrafa da The Trooper Ale, rótulo criado pelo Iron Maiden, e perguntou, em tom de brincadeira, quando o seu grupo teria uma cerveja própria. E ali foi plantada uma semente que depois resultou nas criações da Rush Canadian Golden Ale, em 2021, e agora da Moving Pitchers.
A Trooper foi lançada pelo grupo britânico de heavy metal melódico após uma parceria com a cervejaria Robinsons, do Reino Unido. E a banda possui dez rótulos de diferentes estilos, entre os quais uma cerveja chamada Brasil IPA, que tem baixo amargor, com notas sutis de cacau, chocolate branco e manga, tendo sido produzida no país em parceria com a curitibana Bodebrown. Antes disso, a formação liderada pelo vocalista Bruce Dickinson fabricou, em colaboração com a cervejaria escocesa Haviestoun, uma English Strong Ale batizada com o nome da canção The Number of the Beast, que continha 6,66% de teor alcoólico.
Confira outras bandas clássicas que lançaram cervejas especiais: Queen – O lendário grupo britânico lançou a Bohemian Lager em 2015, então produzida em comemoração aos 40 anos da música Bohemian Rhapsody. Produzida na República Checa, ela é uma Pilsen com 4,7% de álcool e tem estampado no rótulo o símbolo original do grupo, que foi criado por Freddy Mercury quando o vocalista, morto em 1991, cursava design gráfico na Ealing Art College, de Londres.
AC/DC – Se o Iron Maiden ostenta dez rótulos com o nome da banda, o clássico grupo australiano também já lançou várias cervejas especiais. Uma delas foi a Back in Black, uma Black India Pale Ale que carrega o mesmo nome da clássica música da banda e do álbum que é o disco de rock mais vendido da história. Os australianos também já trouxeram ao mercado a AC/DC German Beer Australian Hardrock, em 2012, quando completaram 40 anos de carreira, e depois rótulos premium inspirados nos álbuns Rock or Bust (2014), Power Up (2020) e High Voltage (1976), estes dois últimos frutos de parcerias com as cervejarias KnuckleBonz e Calicraft Brewing Company.
Kiss – A mítica banda norte-americana lançou, em 2011, uma German Pilsner com teor alcoólico de 4,7% e batizada como Destroyer, mesmo nome do disco clássico do grupo, de 1976. A cerveja foi produzida pela sueca Rewine, também responsável por um vinho que carrega o nome do Kiss.
Metallica – Outra clássica banda de rock que se aventurou no mundo cervejeiro é o Metallica, que em 2019 lançou a Enter Night, rótulo produzido em colaboração com a norte-americana Stone Brewing e cm seu nome inspirado no clássico Enter Sandman, do Black Album, de 1991. Com 5,7% de teor alcoólico, ela é uma Pilsen lupulada que se tornou a segunda cerveja lançada pelo grupo. A outra, batizada com o próprio nome Metallica, foi apresentada em 2015 sendo feita na fábrica da Labatt, subsidiária canadense da AB InBev, em uma edição limitada que ocorreu após parceria com a Budweiser.
Pearl Jam – Outra grande banda do cenário do rock que já lançou sua própria cerveja é o Pearl Jam. Em 2011, em comemoração ao aniversário de 20 anos do clássico disco Ten, o grupo apresentou a Twenty Faithfull Ale, que também faz referência à música Faithfull, do álbum Yield, de 1998. O rótulo foi fruto de uma parceria com a cervejaria norte-americana Dogfish Head, cujos representantes qualificaram a encorpada Golden Ale, de 7% de teor alcoólico e groselha entre os ingredientes de sua receita, como uma cerveja “forte como o som da banda” liderada por Eddie Vedder.
Angra – Uma das maiores bandas brasileiras na cena do heavy metal melódico mundial, o Angra acumula um histórico de lançamentos de cervejas durante a sua trajetória. Primeiro em 2013, para comemorar os 20 anos do disco Angels Cry, o grupo apresentou dois rótulos: um de mesmo nome do álbum e outro chamado Holy Land, ambos fabricados pela cervejaria Bushido. Oito anos mais tarde, em 2021, para festejar as 3 décadas de existência, a banda trouxe ao mercado mais dois rótulos, estes produzidos em uma colaboração com a Cerveja Coruja, de Forquilhinha (SC). São uma Lager e uma IPA, que nos adesivos que as identificam em garrafas long neck contam com elementos dos álbuns que marcaram a história do Angra.
Sepultura – Esse é outro grupo brasileiro que conquistou grande sucesso no exterior e acumula experiências no mercado cervejeiro. Em 2009, a banda lançou o seu primeiro rótulo, chamado de Sepulweiss, que traz banana e cravo em sua receita e tem 4,5% de teor alcoólico. Depois disso, em 2014, quando completou 30 anos, comemorou a data com o lançamento da Sepultura Ale, com sabor frutado e 4,8% de álcool. Ambas as cervejas são fabricadas pela Bamberg, de Votorantim (SP).
Motörhead – Essa é mais uma banda de rock pesado que tem na sua biografia o lançamento de uma cerveja. Trata-se da Bastards Lager, apresentada em 2012, depois de o grupo já ter entrado no mercado de bebidas com o vinho Motörhead Shiraz e com a Motörhead Vodka. O rótulo cervejeiro foi lançado pela empresa sueca Krönleins e conta com 4,7% de teor alcoólico dentro de uma receita de malte leve em uma Lager fresca e frutada.
Homenagens para bandas e artistas famosos Além das cervejas lançadas pelas próprias bandas, há vários casos de bebidas que surgiram para homenagear famosos grupos ou artistas do rock. O Deep Purple, por exemplo, foi reverenciado com o rótulo Smoke on the Water, cujo nome é o mesmo de um dos maiores clássicos compostos pelos lendários roqueiros ingleses. É uma Smoked Porter Ale, produzida pela cervejaria Küd com malte defumado. Ela tem 8% de teor alcóolico e traz no rótulo uma partitura com as notas do conhecido riff inicial da canção, que faz parte do disco Machine Head, de 1972.
Outra grande banda que já foi homenageada com uma cerveja artesanal é o Ramones. O rótulo Blitzkrieg Hop, cujo nome foi dado em alusão à música Blitzkrieg Bop, que abre o álbum lançado pelo grupo em 1976, é uma American India Pale Ale. Esse rótulo da RockBird Craft Brewery possui 8,1% de teor alcoólico, possui coloração cobre avermelhada e tem receita inspirada nas cervejas extremas norte-americanas.
Uma outra canção clássica do rock que se tornou nome de cerveja é Purple Haze, de Jimi Hendrix, lendário guitarrista que morreu com apenas 27 anos e foi homenageado com este rótulo da Abita Brewing Company. Trata-se de uma bebida de trigo, com 4,2% de álcool, do estilo American Wheat Beer, que contém na receita purê de framboesa, ingrediente adicionado após o processo de filtração da cerveja.
Assim, ao lançar um novo rótulo, o Rush não só está agradando aos seus fãs que são apreciadores desta bebida. O lendário grupo também amplia uma tradição que conecta o rock com o mundo cervejeiro, que tem milhões de amantes do estilo musical que não dispensam o hábito de tomar uma bebida enquanto curtem o som de suas bandas preferidas.
Cristiano Ronaldo, Messi e Mbappé. Frank Sinatra, Aretha Franklin e Miles Davis. Rihanna, Beyoncé e Lady Gaga. Steven Spielberg, Scorsese e Tarantino. Bom, seja qual for o seu universo, é fácil apontar um trio que seja de grandes estrelas de grandes temas, mesmo que esse não seja, necessariamente, nosso mundinho. Futebol, música e cinema flutuam sobre nossas cabeças, não importa onde estamos. E por que não a gastronomia? Esta que também está no noticiário, nas redes sociais, nos memes, na mesa do bar… Certamente, a porção que acompanha a sua cerveja foi inspirada em alguma criação anterior. Ou, no caso do Brasil, no nosso patrimônio alimentar e nas tradições culinárias desde os tempos da avó.
Porém, quando o assunto é a cena da culinária mundial as referências que passeiam em nossas cabeças são caçarolas francesas, fornos italianos, temperos orientais… Não é necessário sair das terras mediterrâneas para chegar aonde esse texto quer te levar. Ali, na fronteira do nordeste da Espanha com a França, está a Catalunha. Terra que produz cavas, mar que inspira arte, o berço da gastronomia molecular inovadora de Ferran Adrià. Daquela cozinha que se agarra às saias da mãe para sorver tudo o que a tradição pode oferecer.
Agora, estamos em Girona, considerada por muitos a Capital da Gastronomia. E, mesmo que o título tenha validade de três dias (para os mais recalcados ou para qualquer um em seu direito de contestar), não há lugar que reúna mais gente prodigiosa em um só momento como o Fòrum Gastronòmic. Os craques, os caras, as mina, os p* da galáxia, todos juntos.
É com essas informações em mente que apresento um resumo do que ocorreu na semana retrasada. Intensa, cheia de sensações, cores, sabores… E, por que não dizer, coisa de cinema? Ou “música para os meus ouvidos”? Enfim, Girona batendo um bolão na área da gastronomia.
O evento O Fòrum Gastronòmic é um evento criado com o intuito de analisar o que se passa na atualidade da arte culinária e apresentar as tendências da gastronomia, porém, a partir de diferentes pontos de vista. Nos três dias em que se celebrou no Palau de Fires e no Auditori de Girona, o congresso trouxe não só os grandes nomes dos restaurantes estrelados, mas reuniu ainda profissionais, fornecedores de matéria-prima, restauradores, estudantes e clientes, aficionados e, perdoados, gente que só foi para comer e tirar foto.
Debates, palestras, show cookings, concursos, demonstrações culinárias, apresentações de teses e uma feira com mais de 120 expositores, divididos em 7.000 m2. Uma retomada depois de tempos duros para o mercado, com possibilidade de novos negócios, de contatos, de um brinde.
A tônica do evento é ouvir diferentes vozes para saber o papel de cada um nesse cenário em um mercado que foi tão afetado com a pandemia. O último Fòrum Gastronòmic havia sido em 2019, com sua primeira edição tendo ocorrido no final dos anos 1990. E, atualmente, outras capitais, como Barcelona, o recebe. Adiado outras duas vezes, pôde ser realizado, sem tantos riscos.
“Celebridades” e atividades Nesta edição, segunda e terça (14 e 15) tiveram jornadas dedicadas ao mundo profissional, com convidados que representavam a gastronomia que participaram de diálogos e debates sobre os mais variados temas. A organização dividiu cinco temas, Bacus (vinhos e bebidas no geral), Culinária, Doce, Empresa e Sala. No entanto, como participante, a visão é um pouco diferente.
Abertas as portas no domingo (13), o Fòrum Gastronòmic trouxe a estrela do programa MasterChef da Espanha Jordi Cruz, que apresentou o conceito de “cozinha estrambótica”, ao lado do artista Quim Hereu, seguido por Ada Perallada, com uma apresentação mais do que importante sobre o reaproveitamento de alimentos.
O auditório sediou sessões sobre os horários e a jornada intensa do setor e um debate sobre a mudança geracional à frente de restaurantes e empresas do segmento gastronômico. Neste, a participação da única mulher com sete estrelas no currículo, Carme Ruscalleda. O consumo halal, também veio como tema de grande fator de crescimento econômico e inclusão.
A palestra magna, que era o grande momento do evento na segunda-feira (14), reuniu Massimo Bottura, chef da Osteria Francescana de Módena, Mauro Colagreco, do Mirazur de Menton, e Joan Roca, do El Celler de Can Roca. Eles debateram sobre a cozinha como ferramenta para consciência social e transformação ambiental.
Há um ano, após momentos difíceis que apertaram ainda mais os laços de amizade desses grandes mestres, eles se reuniram para celebrar a vida. Os três realizaram um grande jantar para arrecadar fundos para a Unidade de Neurocríticos do Hospital Josep Trueta de Girona.
Terça-feira foi dia de apresentar as inovações do trio à frente do restaurante #5 do mundo, Mateu Casañas, Oriol Castro e Eduard Xatruch, do Disfrutar, de Barcelona. Eles também são sócios do Compartir, de Cadaqués, cidade litorânea toda branquinha, que rendeu inspiração para muitos artistas que tinham ali suas casas de verão e onde está o Museu Casa de Salvador Dalí.
No último dia, com alta ocupação no auditório, os diálogos foram em torno da criatividade e negócio, sobre a valorização da figura dos profissionais de sala, sobre o mundo do vermute, se encerrando com Paco Pérez, do dois estrelas Miramar.
Debates Uma lista de profissionais de primeira enfrentaram debates conduzidos por jornalistas. Desde as necessidades estruturais do setor até “o glamour na gastronomia” foram temas colocados na roda. Nesse, participou Raül Ballam, filho da chef Ruscalleda, que já soma duas estrelas e levou a sua cozinha para o Japão. Entre os mais interessantes, o papel dos críticos gastronômicos e criadores de conteúdo que amplia a possibilidade de opiniões, favoráveis ou não, chegarem ao público.
“Benvingut a Pagès” é um projeto que coloca a agricultura em contato direto com o consumidor, em jornadas de visitas aos sítios e granjas locais durante uma semana. Mais um coletivo que recebeu destaque. Os agricultores puderam debater a importância do primeiro setor e falaram da experiência dos produtores ao longo do ano. E, já se ancorando a uma das receitas-estrela do congresso, rolou uma degustação de cheesecakes acompanhados de destilados.
Pela primeira vez A novidade da edição 2022 foram os “monográficos”, encontros de especialistas durante todo um dia para adentrar em um produto e esmiuçar um conceito. Os três eleitos foram o steak tartar, o cheesecake e o chocolate. Apresentações que “desconstruíam para construir”. O saber do manejo do rebanho, o cuidado na maturação da carne, o corte, a condimentação, a maneira de preparar o prato já na mesa do cliente. Uma viagem.
O Bean to bar, ou seja, o chocolate desde o ponto zero, foi no último dia, com a presença de Jordi Roca e equipe da Casa Cacao. Para saber mais sobre ele, tem episódio especial na quarta temporada de Chef’s Table, na Netflix. Para os interessados em cada tema, pela programação é possível pegar os nomes e partir em viagem para conhecer mais sobre essa delícia.
Eu quero café! Um cantinho chamado “Cafés de Autor” era onde se podia experimentar e fazer degustação guiada, uma sala que ficava anexo da sala Girona Excel·lent, que concentrou públicos maiores. Diálogos sobre criatividade, tosta, sabores, origem.
Concursos Ainda rolou o Concurso Melhor Sommelier da Catalunha, prêmio conferido a Joan Anton Colet, do restaurante El Cigró d’Or de Vilafranca del Penedès, e de melhor steak tartar, dado ao restaurante Divinum. Outro concurso foi o de Melhor Xuixo do Mundo, uma massa folhada recheada com creme catalão. Frita, passa no açúcar e bota para gelar. Mas daí vai a criatividade. Há recheios de maçã, de bebidas locais, de chocolate… Daquelas coisas que se há de provar quando se viaja para o lugar. Ganhou uma confeitaria de L’Escala, a Juhé, e no fim de semana seguinte já enfrentou filas, tendo que aumentar a produção do doce em 10 vezes.
Outra disputa foi a de melhor startup das que apresentaram suas ideias no S[Pitch] Corner e na sala de Debates. A vencedora foi a venezuelana Yummy, um aplicativo de entrega compartilhada que já recebeu algumas boas dezenas de milhões de investimentos. Gente jovem, disposta, conectada com a sustentabilidade e com as demandas que criam tendências.
E a cerveja? Como nossa filósofa contemporânea Anitta que sempre planta sua pergunta para reflexão, “pensaram que eu não ia rebolar…?”, teve cerveja. E foi justamente do banco de startups que saiu a Brebel, um projeto “beeractivista” que destina 10% a projetos sociais. Xavier Ramón e Héctor Puig, o cervejeiro e o cara do design, compõem a dupla que investe seus conhecimentos, causas e valores nos projetos. Da consciência contra o desperdício e baseando-se na reutilização de pão como parte do malte, sai uma Bohemian Pilsen sem glúten muito límpida e fresca. Buscando sempre fazer cervejas leves, entre as escuras sai uma Stout colaborativa com o chocolatier Ivàn Pascual, do Origen Bean to Bar, de Lleida, que também participou e se apresentou no Fòrum Gastronòmic. E, para quem teve sorte de encontrar o momento certo, uma IPA sem álcool era uma das receitas interessantes para se provar.
Na outra ponta, Saison e Belgian Blonde Ale. Jordi, da Cervesera Minera, é um anfitrião em feiras. A Minera tem esse nome porque está em terras onde antigamente havia uma mina e, até 2018/2019 ainda era possível fazer uma caminhada bucólica, conhecer o patrimônio de Sant Joan de les Abadesses e degustar as variadas cervejas. Brindes harmonizados com produtos e pratos da região. O projeto segue firme. E se tem feira, tem Jordi e tem Minera. Entre outras, a Wee Heavy Wood Aged com ratafia é um sucesso. Sabor local, produto local e com apoio do Girona Excel.lent, impulsor e promotor dos produtos das comarcas gironinas.
Por falar em impulso, o patrocinador master do evento era a Estrella Damm. Em seu espaço, foram servidas tapas com cervejas na pegada certeira para os “consumidores de entrada” (como frequentemente se escuta sobre quem está descobrindo sobre as artesanais). A exemplo da Complot IPA – lançada no FGG de 2018 -, da Inedit e da Malquerida, as últimas elaboradas em parceria com os irmãos Albert e Ferràn Adriá, a rainha da festa foi a Duet Damm.
A marca industrial de cervejas é a mais presente nos restaurantes estrelados e tenta estar, cada vez mais, ligada à gastronomia. O Fòrum Gastronòmic foi a oportunidade de lançar a receita criada junto aos irmãos do Celler de Can Roca. Nesse caso, mais especificamente com o sommelier Josep e sua fiel equipe escudeira, como Bernat Guixet, um feiticeiro no quesito concepção de bebidas.
A Duet é uma Sour com garnatxa branca, cepa de uva originária da Catalunha. O dulçor no aroma remete àquela caixa de uva de madeira que se comprava na época de Natal… E ainda convidaram um coletivo de chefs Michelin para servir o espaço vip, chamado Cuina d’Empodarnet. Marisco, canelone de vitela com bechamel, um espetinho “mar e montanha” (nada mais local aqui que isso) com polvo e barriga de porco e molho de chilli… Daqueles momentos que o mundo para, você fecha os olhos, nem escuta, só sente.
Para fechar o ciclo cerveja no Fòrum Gastronòmic 2022, quatro ex-alunas da Universitat de Girona, apresentaram suas teses. Convidadas pela Càtedra de Gastronomia Sant Antoni i Calonge que tem como presidente o doutor honoris causa e chef Joan Roca, a cadeira oferece bolsas de estudos para alguns estudantes do mestrado em Turismo Cultural Gastronomia. Uma oportunidade única para mulheres na ciência. E houve um “rompimento” com a tradição vinícola que se respira na atmosfera da gastronomia.
A pesquisa dessa autora que vos escreve, Andreia Gonçalves Ribeiro, apresentou respostas sobre a possibilidade de se fazer do turismo cervejeiro um produto turístico factível na Catalunha, sob o ponto de vista dos próprios cervejeiros. O tema gerou bastante discussão e foi gratificante ver o interesse das pessoas sobre algo que provoca muitos questionamentos, ainda é desconhecido e suscita a possibilidade de desdobrar investigações.
Sendo a única brasileira entre os 129 palestrantes do evento, aproveito esse espaço para agradecer à Càtedra de Gastronomía da UdG pela seleção do trabalho entre tantos outros, pela oportunidade e pelo convite. E ao Fòrum, por receber tão bem e dar a chance de viver a honra de “compartilhar o palco” com tantas estrelas. A mineira que vos escreve ficou muito feliz.
Reflexão Enfim, o Fòrum Gastronòmic é uma jornada dedicada aos profissionais da cozinha. Cozinheiros, garçons, sommeliers, confeiteiros, padeiros, queijeiros, charcuteiros, maitres… E como diz o texto final da feira, é “um cartaz de luxo com profissionais de todas as áreas que mostrou que o setor gastronômico encara o futuro com energia e força renovadas”.
A intenção de mostrar um pouco do que se passou no Fòrum Gastronòmic é para fermentar ideias. A reflexão que se traz a partir deste texto é a de que é possível não só sobrepor, mas fazer com que as diferentes cadeias da gastronomia se sintam aptas a realizar eventos assim em terras brasilis. A visão de que as camadas estão intrínsecas para se chegar ao resultado é mais do que necessária. Propriedades, altos cargos, egos, prêmios, marcas, estrelas, formação, nada disso vale se não se desce do pedestal para entender como chegar ao topo da pirâmide. E não é possível fazer acontecer sozinho. De baixo para cima? Não, é cíclico. E é isto que esse fórum traz em conta. Gastronomia, para uns é glamour e sucesso. Mas em momento algum deixa de ser cozinha, trabalho e, claro, muita dedicação, tempo e afeto.
*Andreia Gonçalves Ribeiro é mestra em Turismo Cultural Gastronômico e em Patrimônio, pela Universitat de Girona. Sommelière de cervejas pelo ICB e sommelière bartender pela ABS-SP. Mineira e atleticana – caipira hooligan – pesquisa sobre a cerveja e seus fenômenos na Catalunha, onde também estuda Antropologia. Se deixar, “só toma azeda” e tem queda assumida pelas cervejas belgas.
O êxodo de empresas ocidentais do território russo após a invasão da Ucrânia pelo país aumentou nesta segunda-feira. O Grupo Heineken e a Carlsberg anunciaram a decisão de deixarem o país menos de três semanas depois de paralisarem as atividades na Rússia.
Em tom de reprovação pela iniciativa dos russos em seguir com a invasão do território da Ucrânia, a multinacional holandesa disse estar “chocada e profundamente decepcionada” ao ver o conflito “continuar a se desenrolar e a se intensificar”
O Grupo Heineken também revelou que o fim de suas operações na nação governada por Vladimir Putin também lhe representará um prejuízo de 400 milhões de euros (aproximadamente R$ 2,098 bilhões), valor relativo aos custos para poder encerrar de vez os vínculos comerciais que mantinha no país.
“Não lucraremos com qualquer transferência de propriedade e esperamos uma perda por depreciação e outros encargos excepcionais não monetários de aproximadamente 0,4 bilhão de euros no total”, ressaltou o Grupo Heineken.
A companhia lembrou que, anteriormente, havia optado por interromper novos investimentos e exportações para a Rússia, encerrando a produção, venda e publicidade da marca Heineken e anunciando que não aceitaria nenhum benefício financeiro líquido ou lucro dos seus negócios no país.
Agora, porém, diante do cenário proporcionado pelo governo russo, considerou inviável a possibilidade de continuar com as atividades no país. “Concluímos que a propriedade do negócio da Heineken na Rússia não é mais sustentável nem viável no ambiente atual. Como resultado, decidimos deixar a Rússia”, ressalta a cervejaria.
O Grupo Heineken iniciará, assim, um processo de transição para encerrar suas operações na Rússia. “Nosso objetivo é uma transferência ordenada de nossos negócios para um novo proprietário em total conformidade com as leis internacionais e locais. Para garantir a segurança e o bem-estar contínuos dos nossos colaboradores e minimizar o risco de nacionalização, concluímos que é essencial continuarmos com as operações recentemente reduzidas durante este período de transição”, afirma.
A companhia também fez uma promessa aos funcionários que trabalham para a empresa na Rússia e agora se veem próximos de ficar sem as suas ocupações na multinacional. “Garantimos que os salários de nossos 1.800 funcionários serão pagos até o final de 2022 e faremos o possível para proteger seu emprego futuro”, diz.
A empresa operava no país desde fevereiro de 2002, sendo que atualmente possui oito fábricas no país, onde também vinha figurando com a presença de 30 marcas do seu portfólio. O Grupo Heineken era, até agora, o terceiro maior grupo cervejeiro da Rússia, atrás da Carlsberg e da AB InBev em participação.
Saída da maior da Rússia Por sua vez, a Carlsberg ainda não contabilizou o impacto financeiro da sua saída da Rússia, mas ele tende a ser ainda maior do que o do Grupo Heineken. E também citou o conflito no Leste Europeu como razão para a sua saída. “Tomamos a difícil e imediata decisão de buscar a alienação total de nossos negócios na Rússia, o que acreditamos ser a coisa certa a fazer no ambiente atual. Após a conclusão, não teremos presença na Rússia”, anunciou.
Ao anunciar a sua saída, a Carslberg não ofereceu maiores detalhes de como se dará esse processo. “Como resultado dessa decisão, nossos negócios na Rússia não serão mais incluídos na receita e no lucro operacional do grupo. Do ponto de vista contábil, o negócio será tratado como um ativo mantido para venda até a conclusão da alienação”, acrescenta.
A Carslberg é líder no mercado russo com uma participação de 27%, por ser proprietária da maior cervejaria do país, a Baltika. No ano passado, 10% da sua receita (6,5 bilhões de coroas dinamarquesas) e 6% do seu lucro operacional (682 milhões de coroas dinamarquesas) no mundo vieram da Rússia, onde possui oito fábricas e 8.400 funcionários.
Outras ações Iniciado em 24 de fevereiro, o conflito na Ucrânia vem provocando uma série de decisões que estão sendo prejudiciais aos russos dentro do mercado cervejeiro e em outros setores de sua economia. Uma delas foi tomada pela AB InBev, que solicitou à sua parceira no mercado local que deixe de vender e fabricar a Budweiser. A empresa é a vice-líder do mercado russo com uma joint-venture com a turca Anadolu Efes.
Outra cervejaria relevante no cenário mundial, a Molson Coors suspendeu os seus negócios por lá, em decisões que acompanharam outra série de saídas de empresas multinacionais do setor de alimentos e bebidas, como Coca-Cola, Starbucks, McDonald’s, Burger King e KFC, mas também de outros segmentos, casos de Apple, Samsung e Goldman Sachs.
Em março, as cervejarias artesanais apostaram na união de esforços e conhecimentos para realizar alguns lançamentos. O que se viu, afinal, foi a apresentação de novidades colaborativas ao público, como se deu com a rede Mestre-Cervejeiro, que se juntou à Everbrew para criar uma Juicy IPA.
Essa união entre cervejarias também foi motivada pela celebração do Dia Internacional da Mulher em março, mas também aconteceu em outras frentes, como no caso da Falke, que aproveitou o início de uma parceria em Belo Horizonte com o Armazém De Birra para lançar mais um rótulo da série Brasilidades.
Confira alguns lançamentos realizados pelas cervejarias artesanais em março e selecionados pelo Guia:
Ball, Mafia e Masterpiece A união entre a fabricante de latas Ball e as cervejarias Masterpiece e Mafia rendeu a Às Mulheres, rótulo especial em comemoração ao Mês das Mulheres. Foi o resultado de uma produção 100% feminina, desde a levedura até o envase na lata, passando pela campanha de comunicação e receita do estilo Saison, desenvolvida pela cervejeira Ingrid Matos.
Everbrew e Mestre-Cervejeiro Já está nas franquias da Mestre-Cervejeiro.com em todo Brasil o terceiro rótulo de cervejas colaborativas, projeto exclusivo da rede com lotes limitados e de produção única. O rótulo da vez, dessa união com as cervejarias artesanais, é a Skull Master, tendo sido produzida com a Everbrew e lançada em março. Se trata de uma Juicy IPA de coloração amarelo intenso, turva, com formação de espuma e média retenção, de acordo com o descritivo. No aroma, a complexidade dos lúpulos Comet CA e Mosaic são o destaque, remetendo a frutas cítricas, pinho, maracujá, mamão e pêssego. No paladar, possui textura cremosa, amargor e dulçor extremamente equilibrados, final seco e sabores persistentes. A cerveja tem 7% de teor alcoólico e 65 IBUs de amargor.
Falke Para marcar o início da parceria com o Armazém De Birra, em Belo Horizonte, a Falke Bier promoveu o lançamento da Maracatu, novo rótulo do Projeto Brasilidades. Essa é a quinta cerveja das 12 no total da série. Trata-se de uma Table Juicy IPA com pêssego e cumaru, com baixo teor alcoólico – apenas 3% – e a promessa de ser refrescante e frutada.
Goose Island No Dia Internacional da Mulher, a brewhouse da Goose Island em São Paulo promoveu o lançamento da Hop Bloom, elaborada com o lúpulo Ella, protagonista do rótulo. Do estilo Hoppy Lager, tem 5,3% de teor alcóolico e 44 IBUs de amargor. Criada pela mestre-cervejeira Marina Pascholati, a cerveja possui aroma cítrico e de frutas tropicais, coloração dourada clara e corpo leve.
Juan Caloto A Juan Caloto lançou em março a La Cilada Del Cofre Sin Código, uma Juicy IPA com visual turvo, de amarelo palha, e com espuma de boa formação e retenção. A marca assegura que, ao abrir a lata, surgem aromas de pitanga, tangerina, laranja, pomelo e leve dank. Na boca, amargor suave, corpo extremamente aveludado. Ela tem 25 IBUs de amargor e 7% de teor alcoólico.
Landel No Mês das Mulheres, a Landel aproveitou um evento de poesia com as Manas Escritas para apresentar a sua nova cerveja: a Tropicália. A novidade tem receita inspirada em uma New England clássica, mas com a adição de frutas amarelas ao invés dos lúpulos de aroma. Com perfume de manga e maracujá, ela é refrescante e tem corpo aveludado e leve com teor alcoólico de 7,5% e 18 IBUs de amargor.
Lohn Bier Ao criar um uma embalagem de 3 litros de cerveja, denominada Bier Box, a Lohn Bier aproveitou para realizar mais um lançamento: uma cerveja do estilo belga Faro, a Chateau Faro Margo. A bebida é à base de uma Blond Ale, sendo refermentada com Brettanomyces por 15 meses. Assim, de acordo com a marca, ficou levemente ácida, com notas de frutas amarelas em primeiro plano, leve especiarias, leve funk característico da presença dessas leveduras selvagens. A adição do Mel do Bioma Cerradinho foi uma contribuição do mestre-cervejeiro e professor Rene Aduan Jr., parceiro da Lohn.
Nacional e ZEV Todo ano a Cervejaria Nacional faz questão de usar a data do Dia das Mulheres para exaltar e destacar a mulher cervejeira com o Musas de Verão. O projeto de 2022 teve a parceria colaborativa da ZEV. As musas Marina Pascholati, mestre cervejeira, Carola Carvalho, cientista, e Candy Nunes, sommelière, foram convidadas para criar um rótulo sazonal, a Queen Beea Imperial IPA. A bebida é do estilo Double IPA, tendo 8% de teor alcoólico e 80 IBUs de amargor. Apresenta coloração dourada, espuma branca, densa e cremosa, sendo levemente turva. Seu aroma traz profusão de sensações, pois essa cerveja foi fermentada primariamente por uma levedura exclusiva, isolada da abelha rainha da espécie Jataí, além de adição de mel, segundo a Nacional.
Balcão do Tributarista: A força das mulheres na tributaçãono mercado cervejeiro
Embora já tenha passado a data em que celebramos o Dia Internacional da Mulher, não poderíamos nos furtar de, nesta primeira coluna do ano, fazer referência a este importante marco. Não é novidade que as mulheres vêm ocupando crescente espaço no mercado cervejeiro, em diversas áreas e com inúmeras iniciativas, como bem apresentou o Guia em recente matéria.
A novidade que queremos pontuar nesta coluna diz respeito à tributação. É que através do Projeto de Lei nº 324/2022 pretende-se instituir uma redução de carga tributária para empresas que contratarem mulheres por um período de 18 meses a contar da contratação. A medida prevê que a Contribuição à Seguridade Social, hoje com alíquota de 20%, seja reduzida para 10%.
A proposta será analisada em caráter conclusivo pelas comissões de Defesa dos Direitos da Mulher; de Trabalho, de Administração e Serviço Público; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Sendo aprovada e sancionada pelo presidente da República, passará a gerar seus efeitos.
Trata-se de questão que está diretamente relacionada à atual discussão em torno da tributação de gênero. Nosso sistema tributário é marcado por distorções que oneram de forma mais pesada produtos destinados ao público feminino quando comparados com similares voltados aos consumidores masculinos.
No mercado de trabalho também são bastante conhecidos os problemas causados por esta indevida e injustificável diferenciação de gêneros. São inúmeros os estudos que apontam para a existência de obstáculos enfrentados por mulheres para colocação ou tratamento igualitário no mercado de trabalho.
Outro caso recente envolvendo a temática da tributação de gênero foi o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito da incidência de Contribuição Previdenciária Patronal sobre o valor pago à empregada à título de salário-maternidade. A decisão, proferida em regime da repercussão geral, entendeu pela inconstitucionalidade dessa tributação em razão de promover discriminação, na medida em que torna a contratação de mulheres mais cara do que a de homens.
Ainda neste julgamento, o STF sinalizou para a importância de que outras medidas contra a discriminação sejam tomadas, bem como para a necessidade de promoção de medidas de caráter positivo. Entre estas, apontou-se para a necessidade de desoneração da mão-de-obra feminina como forma de efetiva aplicação do princípio da isonomia entre homens e mulheres.
E é justamente nesta linha que o mencionado Projeto de Lei nº 324/2022 se insere. Ao criar um benefício tributário que prestigia a contratação de mulheres por empresas, reduzindo a carga tributária por um determinado período, este projeto busca trazer mais igualdade para a disputa no mercado de trabalho.