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Fabricação de bebidas alcoólicas cai 10,7% e recua pelo sexto mês consecutivo

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O freio na fabricação de bebidas alcoólicas atingiu um semestre completo. De acordo com os dados divulgados pelo IBGE em sua Pesquisa Industrial Mensal (PIM), a produção recuou 10,7% em novembro em comparação ao mesmo mês de 2020. Foi, assim, o sexto mês consecutivo de retração da atividade, em sequência iniciada em junho.  

Após um cenário de recuperação da fabricação de bebidas alcoólicas durante quase toda a primeira metade de 2021, os sucessivos recuos deixam a atividade praticamente estagnada no ano recém-encerrado, com um avanço de apenas 0,5% de janeiro a novembro. E a expansão fica em 0,6% no acumulado dos últimos 12 meses.

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Já a retração da fabricação de bebidas ficou em 2,2% no mês de novembro, levando em conta o ajuste sazonal. Assim, se insere em um contexto mais amplo, de recuo da indústria no Brasil, também o influenciando. A produção caiu 0,2% em novembro na comparação com outubro, considerando o ajuste sazonal, na sexta queda consecutiva do indicador.

E o tombo foi ainda maior, de 4,4%, em relação ao mesmo mês de 2020, o que também tem relação direta com o recuo de 12,3% na fabricação de bebidas com a utilização da mesma referência. Ainda assim, a indústria nacional acumula expansão de 4,7% em 2021 e de 5,0% nos últimos 12 meses.

“Quando olhamos para o ano anterior, os resultados ao longo de 2021 são quase sempre positivos, pois a base de comparação é baixa, já que no início da pandemia a indústria chegou a interromper suas atividades, com o ano de 2020 fechando com um recuo de 4,5%. Porém, analisando mês a mês, observamos que, das 11 informações de 2021, nove foram negativas. Ou seja, o setor industrial ainda sente muitas dificuldades, se encontrando atualmente 4,3% abaixo do patamar de produção em que estava em fevereiro de 2020”, explica o gerente da pesquisa do IBGE, André Macedo.

O expressivo recuo da produção de bebidas em novembro a deixa com expansão de 0,7% em 2021 e de 0,9% nos últimos 12 meses do levantamento do instituto. Já a fabricação de bebidas não alcoólicas retraiu 13,9% em novembro. Agora, então, acumula avanço de 1,0% de janeiro a novembro de 2021 e de 1,3% no acumulado de 12 meses.

Balcão do Advogado: Para sua cervejaria não sofrer pênalti em 2022

Balcão do Advogado: Para sua cervejaria não sofrer pênalti em 2022

Entramos em 2022! Após 2 anos difíceis, a expectativa é de crescimento sustentável do mercado cervejeiro, com reflexos positivos no faturamento. Para que sua cervejaria não comece o ano com possíveis revezes, elaboramos uma lista com importantes alertas:

– Adequação dos rótulos: todas as cervejas lançadas a partir de 11 de dezembro de 2021 devem estar com seus rótulos atualizados de acordo com a Instrução Normativa nº 65/2019, que estabeleceu o novo padrão de identidade e qualidade (PIQ) da cerveja. Se ainda tiver dúvidas a respeito, acesse aqui.

– Declaração de produção anual (exigência do MAPA): anualmente relembramos as cervejarias, mas ainda são poucas as que atendem a essa exigência. Todas as cervejarias devem apresentar, até o dia 31 de janeiro, a declaração de produção anual ao órgão técnico especializado da Superintendência Federal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do seu estado, na qual conste a quantidade de produto elaborado e os estoques existentes no final de 2021. O não cumprimento desta obrigatoriedade implica multa de até R$ 117.051,00 (artigos 86, 107, inc. XVI, e 108 do Decreto nº 6.871/2009). Para baixar o modelo de Declaração de Produção Anual, acesse aqui.

– Adesão ao Simples: as cervejarias que estão aptas, mas ainda não aderiram ao regime do Simples Nacional, devem fazê-lo também até o dia 31 de janeiro. Converse com o seu contador, verifique eventuais pendências, regularize-as e faça a opção pelo regime do Simples, caso seja mais vantajoso.

– Anuidades dos conselhos profissionais: os conselhos profissionais (principalmente o de Química – CRQ – e o de Engenharia – Crea) costumam cobrar das cervejarias anuidade de pessoa jurídica, além de obrigarem a empresa a contratar profissionais ligados aos seus conselhos. A cobrança na pessoa jurídica e a imposição de multas por parte dos conselhos são ilegais, haja vista que o MAPA é o único órgão com capacidade jurídico-fiscalizadora sobre as cervejarias. As cervejarias precisam ingressar com uma ação judicial para obter o cancelamento do registro de pessoa jurídica e a suspensão das cobranças por parte dos conselhos. Isso porque os pedidos administrativos são sempre indeferidos, tendo em vista que as únicas hipóteses aceitas pelos conselhos para cancelamento do registro na via administrativa são o fechamento da empresa ou a mudança da atividade principal. No Judiciário, ainda é possível pleitear a restituição das anuidades pagas nos últimos 5 anos.


André Lopes é sócio do escritório Lopes, Verdi & Távora Advogados e criador do site Advogado Cervejeiro

Com 2º semestre positivo, bares iniciam recuperação com atenção à gestão

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Atingido diretamente pelos efeitos da pandemia do coronavírus, especialmente em função das medidas restritivas adotadas durante os meses mais graves da crise sanitária, o setor de bares e restaurantes ganhou um alívio e uma esperança no segundo semestre, com o restabelecimento das atividades. Um cenário que, espera-se, represente o início da recuperação do segmento de alimentação fora do lar e que deverá ser marcada, de acordo com as entidades do setor, pela melhoria da gestão.

Assim, apesar das dores encaradas ao longo da primeira metade de 2021, a visão é de que o ano se encerrou com “alegrias” para bares e restaurantes, especialmente em função da perspectiva de um futuro melhor após meses de grave crise. O presidente-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, relata, por exemplo, como os resultados do segundo semestre foram melhores do que o do período pré-pandemia.

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“Vamos fechar os seis últimos meses de 2021, comparados com o mesmo período de 2019, crescendo, em termos reais, 3%, o que não é pouco, especialmente quando se olha o Brasil como um todo. O setor de serviço teve um ano positivo, cresceu até agora 11%, com a alimentação fora do lar dobrando esse número”, afirma.

Essa recuperação também é indicada por uma pesquisa recente realizada pela Associação Nacional dos Restaurantes (ANR), em parceria com a consultoria Galunion e o Instituto Foodservice Brasil. O trabalho, afinal, apontou que 53% das empresas afirmam que esperavam terminar 2021 com aumento do lucro em relação a 2020.

Diretor do BaresSP, Fábio de Francisco também destaca o momento de recuperação do setor ao longo do segundo semestre, mas alerta que essa reação ainda não é suficiente para compensar as perdas de 2020 e da primeira metade de 2021. “Se o bar tem 50 lugares, não tem como ele atender 100 pessoas, visto que ele perdeu as 50 pessoas no semestre passado. Os dias de final de semana apresentaram uma recuperação rápida, mas os dias de semana ainda ficaram bem fracos”, pontua.

Essa avaliação de que o momento é de recuperação para os bares e restaurantes vem acompanhada da perspectiva de que será necessário muito trabalho para compensar as perdas dos meses mais complicados da pandemia. As estimativas são de que uma de cada três empresas do segmento de alimentação fora do lar opera, hoje, com prejuízo.

Isso, inclusive, faz a Abrasel avaliar que serão necessários de 2 a 5 anos para que o segmento atinja níveis de endividamento considerados aceitáveis. Já a pesquisa da ANR indicou que 48% dos estabelecimentos preveem levar três anos para pagar as suas dívidas.

“O processo de recuperação será longo. E ainda vivemos momentos de muita apreensão com o aumento de casos de Covid-19 na Europa e a chegada da nova variante. Também nos preocupa muito a volta da inflação, que já tivemos que lidar este ano e certamente será um dos nossos desafios para 2022”, afirma Fernando Blower, diretor-executivo da ANR.

Desafios além da pandemia
A longa caminhada para o estabelecimento de uma normalidade se dá também porque os problemas de faturamento encarados especialmente na primeira metade do ano causaram um efeito negativo em cascata para os meses seguintes, o aumento das despesas, com a necessidade de pagamento de empréstimos obtidos nos piores momentos da pandemia do coronavírus.

“Os impactos foram grandes, principalmente o financeiro. Além de não ter faturamento durante alguns meses, em outros meses o faturamento acabou sendo bem baixo. Foi necessário pegar empréstimo em alguns casos e quando a parcela desse empréstimo retornou, foi um custo extra que não se tinha antes”, explica o diretor do BaresSP.

A inflação foi outro desafio encarado pelos bares e restaurantes ao longo do processo de recuperação em 2021, com os estabelecimentos sofrendo com a elevação dos preços, seja da energia, que ficou mais cara principalmente em função da adoção da tarifa de escassez hídrica, dos alimentos, dos aluguéis ou dos combustíveis.

“Outro grande impacto foi nos custos dos insumos. Isso atrapalha demais a operação do estabelecimento que precisa ajustar sua ficha técnica e seu CMV (custo por mercadoria vendida), muitas vezes aumentando o valor do seu cardápio”, explica Fábio.

Para ele, as “turbulências” provocadas pela pandemia reforçaram a importância da gestão, seja da organização dos estabelecimentos ou dos profissionais envolvidos no cotidiano do local de trabalho, conhecimentos que podem ser adquiridos em festivais gastronômicos e feiras de negócios, algo que, aos poucos, vai retornando à agenda de eventos.

“É muito importante ter a gestão do estabelecimento em dia e total controle do negócio para ter rapidez na tomada de decisão”, diz Fábio. “Os negócios de alimentação fora do lar dependem das pessoas para entregar o melhor serviço possível, por isso a importância de se ter uma equipe engajada e alinhada com as expectativas do negócio”, acrescenta.

Essa gestão mais eficiente acabou sendo, na visão do presidente da Abrasel, fundamental para que a inflação do segmento de alimentação fora do lar fosse menor, em 2021, do que a do índice geral. “Onde trabalhavam dez, hoje trabalham oito. Isso foi por conta de revisão de processos, de automação, de uma digitalização maior. E se refletiu na capacidade de não repassar para o consumidor final todos esses aumentos de preços”, diz Solmucci.

Previsão de 2022 melhor
Assim, há esperança de que o desejo da população pelos reencontros e interações sociais favoreçam os estabelecimentos em 2022, com a pesquisa da ANR apontando que atrair novos clientes e crescer vendas (68%) e a inflação (64%) serão os principais desafios para o segmento ao longo deste ano.

“Esperamos que em 2022 os clientes retomem 100% a confiança nos bares e restaurantes, pois ainda existem algumas pessoas que evitam sair em lugares assim, e que a economia fique mais forte, visando o aumento de gastos por parte de público final”, comenta o diretor do BaresSP. “A nossa expectativa é de que também seja um ano de crescimento, estamos imaginando crescer mais 3% em termos reais, tomando como base o segundo semestre”, acrescenta Solmucci.

O diretor do BaresSP também aposta que 2022 será um ano movimentado para os estabelecimentos, com a abertura de novas casas, especialmente em função de oportunidades de negócios surgidos durante a pandemia.

“A tendência é de que os bares e restaurantes sobreviventes estejam mais fortes e preparados para essa retomada, e ainda a abertura de muitos estabelecimentos, pois com o fechamento de muitos pontos, acabaram surgindo grandes oportunidades para abertura de novos estabelecimentos ou de os grandes grupos ocuparem espaços liberados pelos pequenos e médios negócios”, conclui.  

AB InBev fecha empresa de máquina que prometia fazer cerveja a partir de cápsulas

A união entre a Anheuser-Busch e a Keurig Dr Pepper para a produção de bebidas em máquinas a partir do uso de cápsulas terminou nos Estados Unidos sem que sequer uma cerveja fosse fabricada desse modo. Em um comunicado conjunto, as companhias anunciaram o encerramento da operação da Drinkworks.

No início de 2017, a AB InBev revelou que o braço da sua operação nos Estados Unidos, a Anheuser-Busch, havia se associado à Keurig Dr Pepper para desenvolver um sistema de produção caseira de bebidas alcoólicas, incluindo a cerveja, baseado no uso de cápsulas da companhia parceira.

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Desde então, a Drinkworks lançou várias bebidas em cápsula para produção caseira, especialmente coquetéis, como mojito, mai tai, sangria, daiquiri, moscow mule e margarita. No entanto, nunca chegou a oferecer a cerveja como uma opção para ser fabricada a partir da Drinkworks Home Bar.

O produto lembra as máquinas que produzem café a partir das cápsulas. Nesse caso, elas contam com os ingredientes das bebidas de forma concentrada, o que inclui a quantidade de álcool. E, para a fabricação, a máquina utiliza sistemas de resfriamento e carbonatação, fornecendo as bebidas prontas em menos de 60 segundos.

Agora, então, a Anheuser-Busch e a Keurig Dr Pepper anunciaram o fim das operações da empresa, o que pode ser visto como uma admissão de que o experimento falhou. As máquinas, assim, deixaram de ser vendidas, mas as cápsulas de bebidas alcoólicas continuam disponíveis para o público até o fim de março.

“Tomamos a difícil decisão de fechar a Drinkworks, com as vendas de máquinas Drinkmaker cessando imediatamente. As cápsulas de coquetel, CO2 e acessórios continuarão disponíveis para compra no Drinkworks.com e nos varejistas participantes até 31 de março de 2022 ou enquanto durarem os estoques”, anuncia Nathaniel Davis, presidente e CEO da Drinkworks.

Além disso, como a máquina vai sair de linha, a Drinkworks está oferecendo a seus clientes o reembolso do valor gasto com a aquisição do seu sistema, em uma oferta válida até 28 de fevereiro, independentemente de onde e quando a compra tiver sido realizada. “Quero agradecer a nossa comunidade apaixonada de consumidores, empregados e parceiros da Drinkworks pelo seu apoio ao longo dos últimos quatro anos”, conclui Davis.

Ação da Ambev tem pequena desvalorização no pior ano da Bolsa desde 2015

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A ação da Ambev desvalorizou pelo segundo ano consecutivo. Após um tombo de quase 16% em 2020, o papel sofreu baixa de 1,47% em 2021, após terminar o pregão da última quinta-feira da B3, a bolsa de valores do Brasil, com o preço de R$ 15,42. Foi, assim, um dos vários ativos a ficar mais barato em um ano marcado pela queda de 11,93% do índice Bovespa.

O saldo negativo da ação da Ambev em 2021 também tem relação com a sua desvalorização de 3,99% em dezembro, no segundo mês consecutivo de perdas do papel. Uma queda no preço que se deu em um mês movimentado para a companhia, que anunciou a meta de se tornar carbono zero até 2040, além de ter encerrado o ano com a revelação de que construirá uma fábrica de vidros no Paraná. Em dezembro, a Ambev também distribuiu dividendos e juros sobre capital (JCP) aos próprios acionistas em um valor total de cerca de R$ 9,5 bilhões.

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Ainda assim, a ação da Ambev foi na contramão do Ibovespa no final de 2021. Afinal, após cinco meses de queda, o principal índice da B3 fechou dezembro em alta, de 2,85%. Uma recuperação que acabou sendo tardia, tanto que houve recuo de 11,93% no ano.

Foi, com isso, a primeira perda do principal índice da bolsa brasileira desde 2015. É um cenário oposto ao das bolsas pelo mundo, que terminaram 2021 em alta. E que se deu especialmente pelo desempenho no segundo semestre, pois o Ibovespa chegou a atingir um recorde histórico de valorização, de 130.766 pontos, em 6 de junho, despencando nos meses seguintes.

Essa inversão de rumo da bolsa brasileira se deu diante da deterioração da economia nacional, com a inflação chegando aos dois dígitos – 10,74% – no acumulado de 12 meses (até novembro). E o descontrole dos preços levou o Banco Central a elevar a taxa básica de juros, a Selic, que fechou 2021 em 9,25% após começar o ano em 2%.

A piora do cenário refletiu um ano problemático da gestão pública. Em setembro, por exemplo, o presidente Jair Bolsonaro realizou ameaças golpistas. E 2021 terminou com o drible do teto de gastos, realizado para pagar o Auxílio Brasil, programa que substitui o bem-sucedido Bolsa Família, e abrir espaço no Orçamento de 2022.

As maiores altas no ano das ações que compõem o Ibovespa foram dos papéis da Embraer, da Braskem, da Marfrig, da JBS e da PetroRio, em um resultado que indica o êxito de companhias com uma forte pauta exportadora.

Já as principais quedas se concentraram em companhias de consumo doméstico, com os cinco piores desempenhos sendo, em ordem, de Magalu, Via, GPA, Americanas e EzTec. É um efeito óbvio da perda de poder de compra de parcela relevante da população, atingindo algumas empresas com forte presença no comércio eletrônico, que ainda sofrem com a alta concorrência, o que também é provocado pela presença, no Brasil, de companhias globais do setor.

E o futuro?
Diante da deterioração do cenário político e econômico do Brasil, 2022 promete ser um ano de, no mínimo, volatilidade. As previsões, afinal, são de crescimento pífio da economia. E a realização das eleições presidenciais, em outubro, pode trazer incertezas ao mercado financeiro, especialmente a depender da boa vontade – ou não – com os líderes das pesquisas. Além disso, o funcionalismo federal deve reivindicar aumento salarial após o presidente Jair Bolsonaro indicar a intenção de só concedê-lo aos policiais em 2022.   

E se no Brasil há preocupação com a inflação e a perda do poder de compra da população, no mundo também existe grande temor com as novas variantes do coronavírus, o que tem levado alguns países a adotarem, novamente, ações restritivas de circulação.

Fora do Brasil
No mercado externo, a ação da Ambev também terminou 2021 em baixa. Na Bolsa de Valores de Nova York, encerrou a sessão da última sexta-feira com preço de US$ 2,80, uma desvalorização de 8,49% em relação ao fim de 2020.

Foi um cenário parecido ao ocorrido com o papel da AB InBev na Europa, pois embora tenha apresentado recuperação em dezembro, fechou 2021 com o preço de 53,17 euros. E, assim, caiu 6,74% no ano. Já a ação da Heineken conseguiu inverter o cenário de perdas no último mês de 2021, terminando o ano com o preço de 98,86 euros e alta de 7,73% em relação ao fim de 2020.

Aplicativo auxilia análise sensorial por concursos e indústria cervejeira

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Avaliar a qualidade e padrão de uma cerveja é uma tarefa em comum da indústria e dos concursos do setor. E uma ferramenta criada pelo Science of Beer Institute pode ser usada por ambos os elos da cadeia. É o Beer Sensory, um aplicativo de análise sensorial que foi utilizado no Brasil Beer Cup, competição cervejeira realizada em Florianópolis, no fim de novembro.

As características sensoriais compõem a qualidade da cerveja e provocam estímulos no consumidor, sendo fundamentais para que uma indústria entregue um bom produto ao seu público. Ajudar a compreendê-las é o objetivo do software, idealizado pela CEO do Science of Beer, Amanda Reitenbach, e que foi construído a partir de metodologias internacionais de análise sensorial.

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Sua utilização, colocada em prática no Brasil Beer Cup, pode indicar um foco nos concursos, mas também foi adaptada, durante os meses mais severos da pandemia do coronavírus, para utilização nas aulas e treinamentos online aplicados pelo instituto.

“Esse software começou a ser utilizado durante as aulas dos cursos do Science porque ele permite que o professor, por exemplo, abra uma sala onde os alunos entram e avaliam uma cerveja específica, e ele [professor] consegue ter uma noção da avaliação de cada um. E, com isso, também gera dados estatísticos sobre essas avaliações” explica Amanda. “Ele pode ser utilizado em concursos, tendo sido desenvolvido com esse objetivo, e em aulas, treinamentos sensoriais…”, acrescenta.

A análise sensorial é utilizada para medir, analisar e interpretar reações obtidas a partir de sentidos como visão, tato, olfato, audição e paladar. Com isso, auxilia no estabelecimento de critérios de qualidade e no controle do que está sendo fabricado, também podendo servir como suporte para pesquisas ou funcionando como base para o desenvolvimento de novos produtos, além de prevenir e identificar erros.

Assim, para além do seu uso em concursos e aulas, o aplicativo foi criado a partir da percepção da necessidade de adaptação de ferramentas de análise sensorial para a indústria cervejeira, como relata a CEO do Science of Beer. “No meu doutorado, trabalhei muito com diversas ferramentas estatísticas para análise sensorial e inteligência artificial e pude notar que elas poderiam e deveriam ser aliadas às necessidades do setor cervejeiro”, afirma.

Como funciona o Beer Sensory?
O Beer Sensory funciona como um acompanhamento de desempenho dos alunos durante a avaliação e preenchimento de fichas técnicas relacionadas às cervejas degustadas em aula. No concurso Brasil Beer Cup, a ferramenta foi utilizada para acompanhar e monitorar a evolução do painel de juízes em tempo real. Conforme as fichas de avaliação foram sendo preenchidas por cada juiz, o sistema atualizava as métricas e estatísticas observadas pelas especialistas em análise sensorial.

A ideia é que a ferramenta corrija uma das principais queixas das cervejarias participantes de concursos cervejeiros: a discrepância entre fichas de avaliações preenchidas por diferentes juízes para uma mesma cerveja. Mas, além de parametrizar as respostas de cada mesa de julgamento, a tecnologia também é capaz de dinamizar o trabalho dos juízes, uma vez que a descrição das cervejas será feita diretamente no sistema, agilizando a etapa de preenchimento das fichas de avaliação.

Como a Ambev tem agido para alcançar a meta de ser carbono zero até 2040

Firmado no fim de 2015, o Acordo de Paris exige a adoção de uma série de medidas para que se a redução das emissões de carbono no mundo se torne efetiva, com a maior parte das empresas tendo se comprometido a zerá-las até 2050. Mas em uma meta que pode ser considerada ambiciosa, a Ambev, a maior cervejaria do mundo, anunciou, nas últimas semanas de 2021, a intenção de alcançar tal objetivo dez anos antes, em 2040.

Ao mesmo tempo em que confirmou o objetivo de se tornar “net zero” até 2040, a companhia destacou o estabelecimento de um plano de ação climática baseado em três frentes, alinhado ao Science-based Targets Initiative (Iniciativa de Metas com Base Científica, em uma tradução livre), definido para conter o aquecimento global em 1,5ºC com base em práticas de desenvolvimento sustentável.

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Uma das ações da Ambev envolve o engajamento do ecossistema de parceiros. Ele consiste na colaboração com fornecedores, realização de parcerias com startups com soluções inovadoras e envolvimento com a indústria em geral para a companhia avançar na descarbonização da cadeia de valor. “As frentes de economia circular e inovação em embalagens continuam sendo grandes aliadas nesse processo”, afirma, em comunicado à imprensa.

A companhia também assegura estar focada em soluções baseadas na natureza. Isso se relaciona ao envolvimento direto com agricultores ligados à cadeia de abastecimento da Ambev para a adoção de práticas regenerativas, que enriqueçam a saúde do solo e melhorem a capacidade de captura de carbono. “A companhia continua apostando em soluções baseadas na natureza para melhorar a saúde das bacias hidrográficas”, destaca.

Outra frente de atuação da Ambev envolve o impacto local, com a redução das emissões de carbono em suas operações e em toda sua cadeia de valor, inclusive por meio de investimentos para impulsionar a inovação.

A Ambev ressalta que as ações para se tornar “Net Zero” começaram a ser adotadas pela companhia em 2017, ano em que firmou compromissos focados em ação climática, gestão de água, agricultura e embalagem circular.

De acordo com a companhia, desde então as emissões totais de gases de efeito estufa de suas operações (escopos 1 e 2) no Brasil foram reduzidas em 35% até 2020. Além disso, 100% de suas 32 unidades no país já operam com energia renovável. Neste ano, a cervejaria da Ambev em Ponta Grossa (PR), a maltaria em Passo Fundo (RS) e o centro de distribuição em Joinville (SC) se tornaram carbono neutro.

“A sustentabilidade é fundamental nessa construção. O avanço na pauta de ação climática representa a solidez dos resultados das nossas ações e compromissos ambientais até aqui, e a certeza de que podemos e iremos fazer muito mais”, diz Rodrigo Figueiredo, vice-presidente de sustentabilidade e suprimentos da Ambev

Gerenciamento hídrico para bares
Além de ter revelado a meta de ser carbono zero até o fim de 2040, a companhia tem realizado várias ações práticas. Em uma iniciativa que envolve diretamente o engajamento de parceiros, a Ambev anunciou recentemente o desenvolvimento de uma solução para ajudar bares e restaurantes a reduzirem o consumo de água. O modelo foi criado pela startup TRC Sustentável, uma das nove startups selecionadas para a segunda etapa da 3ª edição do programa Aceleradora 100+, e usa tecnologia e predição para gerir o consumo de água.

De acordo com a TRC Sustentável, sua nova forma de gerenciamento hídrico e instalação de equipamentos evita desperdícios e reduz a quantidade de água gasta em até 60%.  É essa a alternativa que a Ambev deseja expandir para estimular bares e restaurantes do seu ecossistema a realizarem um consumo inteligente da água.

Com essa tecnologia, a Ambev espera ampliar a atuação da plataforma SaveH, o seu sistema gratuito de gestão hídrica, a partir do desenvolvimento de um aplicativo no qual os pontos de venda consigam monitorar o consumo de água de maneira simples e confiável. A alternativa está em fase de testes.

Embalagem sustentável
Já em uma ação para reduzir o impacto causado pelas suas marcas, a Ambev trouxe uma solução de embalagem sustentável produzida com reaproveitamentos agrícola, basicamente da palha de milho, de forma 100% mecânica e sem uso de químicos. A novidade, adotada pela Colorado, pode ser descartada de maneira completamente compostável ou reciclada junto à cadeia do papel.

Na criação da embalagem, foi utilizada um biomaterial com ciclo de vida sustentável e com uso de 80% menos de água na sua produção. Além disso, a solução reduz em 50% as emissões de gás carbônico e economiza 25% de energia elétrica em comparação com o papel cartão. “A embalagem é mais uma etapa de todo um processo em que estamos trabalhando para colaborarmos para a preservação do meio ambiente”, afirma o gerente de marketing da Colorado, Daniel Carneiro.

BrewDog cria código de ambiente de trabalho e diz que problemas passaram

A BrewDog aproveitou o fim de 2021 para assegurar que as acusações envolvendo o tratamento dos funcionários pela icônica marca de cervejas estão no passado. A companhia escocesa anunciou a conclusão de uma revisão independente das suas práticas, além de ter lançado um código a ser seguido no ambiente de trabalho.

No início do ano, ex-funcionários autodenominados “Punks With Purpose” escreveram e deram publicidade a uma carta aberta alegando que a BrewDog adotava posturas intimidatórias, com práticas de trabalho inadequadas e maus-tratos aos funcionários.

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Seus fundadores, James Watt e Martin Dickie, foram acusados de criarem um culto à personalidade, além de usarem mentiras e hipocrisia para promoção dos seus objetivos. Os profissionais apontaram que eles utilizariam a “cultura do medo” na operação da companhia.

As acusações repercutiram e levaram a BrewDog a prometer que modificaria suas práticas. E, no fim de 2021, a marca voltou a se pronunciar sobre as acusações e a respeito das mudanças, em uma carta direcionada aos atuais funcionários da cervejaria, assim como em um texto aberto publicado por Watt em seu perfil no Linkedin.

No material, ele aponta que a revisão independente, produzida pela consultoria Wiser, assegura que os funcionários da BrewDog gostam de trabalhar na companhia, mas também reconhece que erros foram cometidos no passado, especialmente entre 2016 e 2018, quando a empresa cervejeira estava em franca expansão.

“A análise destacou que a grande maioria de nosso pessoal realmente gosta de trabalhar na BrewDog, e avançamos muito em termos de como cuidamos de nosso pessoal em nossas fases de crescimento extremamente elevados. No entanto, também reconhecemos que nem sempre acertamos as coisas”, afirma Watt, apresentando detalhes de ações que a companhia pretende implementar no desenvolvimento da sua equipe após a análise independente.

“A revisão destaca a necessidade de fazermos mais para apoiar nosso pessoal, fornecer-lhes um plano de carreira adequado e dar-lhes as oportunidades certas de aprendizado e desenvolvimento. Precisamos treinar os líderes de amanhã, dando-lhes as habilidades de que precisam para gerenciar pessoas. E precisamos garantir que temos o nível certo de recursos disponíveis em toda a organização”, acrescenta o fundador da BrewDog.

Ao apresentar os resultados do relatório, Watt garantiu que os aceita integralmente e assegura ter “aprendido a lição mais importante” da sua vida, reconhecendo que nem sempre deu o tratamento mais adequado aos funcionários da companhia.

“Eu sempre disse que ainda estou aprendendo neste papel – quando montamos a Brewdog, nunca poderíamos imaginar o quão rápido cresceríamos, e antes da Brewdog eu estava trabalhando em um barco de pesca. Aceito que nem sempre cuidei das nossas pessoas tão bem como deveria. Foi a lição mais importante que aprendi na minha carreira até agora”, declara.

Além da criação do código para o ambiente de trabalho, a companhia também disse ter nomeado um novo chefe de aprendizagem e desenvolvimento, introduzido treinamentos de desenvolvimento de gestão, aumentando seu departamento de recursos humanos e definido embaixadores de saúde mental, assim como concedeu aumento salarial para toda a empresa.

Sobre o momento econômico da companhia, Watt garante que a BrewDog atingiu bons resultados em 2021. “Este foi um ano difícil, mas, apesar de todos esses desafios, tenho orgulho de dizer que conseguimos enfrentar a pandemia e fazer o negócio crescer consideravelmente. Alcançaremos um crescimento de receita de cerca de 25% ano a ano em 2021 e abrimos 16 novos e fantásticos locais de hospitalidade, com muitos mais planejados no próximo ano”, relata.

Fundada em 2007, a BrewDog possui uma das cervejas artesanais mais famosas do mundo, a Punk IPA, considerada a mais vendida do segmento no Reino Unido, estando presente em diversos países, incluindo o Brasil. A empresa tem as ações de marketing como um aspecto fundamental do seu negócio, atuando a favor de causas progressistas, como os direitos LGBTQIA+ e o combate à crise climática. A estimativa é de que a cervejaria escocesa possua cerca de 2 mil funcionários.

“A carta aberta foi difícil de ler, mas foi a catalisadora para um período de reflexão, individualmente e como empresa. As medidas que já tomamos e as medidas adicionais anunciadas não só farão uma diferença real na experiência de nossos trabalhadores, mas também farão da BrewDog uma empresa mais forte, mais bem preparada para capitalizar nas grandes oportunidades que vemos pela frente em 2022 e além”, conclui Watt.

Confira lançamentos realizados pelas cervejarias em dezembro

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As últimas semanas de 2021 e a chegada do verão estimularam a criatividade das cervejarias, que realizaram lançamentos de rótulos ao público em dezembro. Foi o caso da rede Mestre-Cervejeiro.com, que se inspirou no verão para apresentar duas APAs com perfis diferentes para a estação mais quente do ano.

Ainda em dezembro, a Goose Island, icônica marca cervejeira, apostou, nos seus lançamentos, em parcerias e em um rótulo alusivo ao Natal, tendo criado a Christmas IPA, disponível em lata. Enquanto isso, a Dádiva lançou mais uma cerveja da linha Ephemeral, que leva baunilha nas suas receitas.

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Confira esses e outros lançamentos de cervejas realizados em dezembro e selecionados pelo Guia:

Dádiva
A Dádiva lançou o quinto rótulo da linha Ephemeral, composta por cervejas que equilibram acidez intensa com o dulçor da baunilha, segundo a marca. Cada uma das receitas traz uma mistura de frutas variadas com a especiaria. Nesta nova cerveja, a combinação foi com jabuticaba e cajá. A Ephemeral Jabuticaba e Cajá é uma Imperial Sour com tom rosa claro. A lactose dá textura a esta cerveja com 10% de álcool. O rótulo foi apresentado ao público no Mondial de La Bière, que aconteceu no Rio de Janeiro.

Dogma
A Dogma lançou uma cerveja em homenagem a Satoshi Nakamoto, suposto criador da criptomoeda bitcoin. Ele teria sido o responsável pela criação em 2008, quando apresentou o conceito de moeda digital descentralizada. A bebida é a Satoshi, uma Hazy IPA com 6,5% de teor alcoólico, feita com os lúpulos Bravo, Citra e Strata, o que lhe confere aromas cítricos e frutados intensos que lembram manga, maracujá e laranja.

Goose Island
A Goose Island e a loja de calçados Guadalupe, que está comemorando seus dez anos, lançaram a Três Rios, uma IPA com Pitanga, que tem 7,3% de teor alcoólico e 46 IBUs de amargor. O nome da cerveja remete à rua onde fica localizada a Guadalupe, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo.  E não ficou nisso. Para marcar as celebrações de fim de ano, a Goose também lançou a Christmas IPA, com uma receita que leva seis lúpulos diferentes ao longo do processo de fabricação. A bebida possui notas cítricas e de pinho moderadas, equilibradas com malte caramelo, além do dry hopping com lúpulos Meridian, Chinook e Cashmere. Com tonalidade vermelha, esta cerveja apresenta aroma frutado, com 7,3% de teor alcoólico e 46 IBUs de amargor.

LayBack
Em uma união entre marcas de Santa Catarina, a LayBack estabeleceu a sua produção na fábrica da Lohn Bier, em Lauro Muller. E, para marcar o começo da parceria, já brindou o público com uma novidade, a Lime Kush, uma APA, que abre uma série de cervejas criativas da LayBack.

Mestre-Cervejeiro.com
Para celebrar a chegada do verão, a Mestre-Cervejeiro.com resolveu lançar duas novas receitas do estilo APA, porém com perfis diferentes. A Cloudy Pale Ale é uma New England turva, com aromas e sabores cítricos como laranja e limão, apresentando textura aveludada e amargor persistente, de acordo com o descritivo divulgado, além de 5,3% de graduação alcoólica. Já a Sunny Pale Ale é uma American IPA com perfil cítrico dos lúpulos americanos, refrescante, com amargor presente e 5,4% de álcool. Os lotes das latas de 473ml são limitados e já estão disponíveis em todas as lojas da rede.

CBCA planeja 2022 com investimento em capacidade produtiva, marcas e eventos

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Os desafios enfrentados em 2021 pela Companhia Brasileira de Cerveja Artesanal (CBCA) não impediram que o grupo terminasse o ano fortalecido. De acordo com os seus responsáveis, houve uma expansão de 70% no faturamento, o que os permite traçar uma meta de expansão consolidada, com o objetivo de conseguir um crescimento orgânico de 35% em 2022.

Para que tal objetivo se torne realidade, a CBCA concentrará sua atenção e investimentos em alguns pontos. A companhia adianta que pretende aumentar a capacidade produtiva das suas unidades de Piracicaba (SP) e Pomerode (SC), o que poderá levar suas cervejas para novas localidades, e ampliará o investimento nas marcas, além de apresentar foco especial nos eventos.

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“Pretendemos alcançar esse crescimento fazendo novos investimentos em capacidade produtiva nas unidades de Piracicaba e Pomerode, reforçando as vendas diretas através do aumento na nossa equipe comercial, com reforço das marcas com campanhas de trade marketing e eventos proprietários e, por fim, com investimento no canal digital”, adianta Gustavo Barreira, CEO da CBCA.

O executivo lembra como a pandemia do coronavírus ensinou a todos do setor cervejeiro sobre como é preciso que as marcas estejam presentes em diferentes modalidades de venda, além da necessidade de se ter cuidado com os canais de comunicação, para estreitar a relação com o cliente, seja online ou presencialmente. “Ficou claro durante esse período que ter uma estratégia omnichannel é fundamental e ajuda a mitigar riscos”, afirma.

Gerente nacional de vendas da CBCA, Juliano Dal Pont reforça a preocupação da companhia em compreender como a pandemia modificou hábitos do consumidor. E ressalta como esses novos componentes interferem na estratégia comercial para o próximo ano da empresa, que precisa se atentar às demandas vindas da retomada dos eventos, sem deixar em segundo plano aquele público que construiu o hábito de beber cerveja artesanal em casa.

“Estamos atentos às modificações nos hábitos dos consumidores, seja em relação a estilos de produto, embalagem ou canal de compra. De forma geral, estamos reorganizando nosso portfólio e estratégia comercial, considerando estes fatores. No sentido de mercado, observamos o reinício dos eventos, aumento da participação dos e-commerces e fortalecimento das marcas”, diz.

Os resultados de 2021 e as perspectivas para 2022 são positivos, mas devem ser calcados em mudanças e adaptações realizadas ao longo do ano, incluindo a estratégia comercial, de acordo com a avaliação de Juliano. “Um desafio foi crescer e nos estruturar adequadamente em um cenário ainda instável e incerto. Para isso, reorganizamos nossa estratégia comercial e investimos na formação de um time capaz buscar incessantemente o resultado almejado”, afirma.

Isso se deu porque foi como se o ano de 2021 tivesse sido dividido em dois. No primeiro deles, o aumento no número de casos de coronavírus trouxe, além do luto pelas perdas, a frustração com a retomada adiada e a necessidade de ajustes nas estratégias da companhia. “Seguramos toda a equipe, acreditando que teríamos uma retomada em ‘V’, como de fato observamos que foi”, relembra Barreira.

Depois, durante o segundo semestre, quando as restrições foram reduzidas e alguma normalidade pôde ser alcançada, a volta do consumo veio acompanhada pela inflação dos insumos, o que provocou o aumento dos custos de produção. “Nossas parcerias sólidas com fornecedores garantiram o abastecimento. No que diz respeito aos preços, tivemos que absorver uma parte da alta de custos e a outra parte, promovemos ajustes de preços para poder preservar nosso negócio”, acrescenta o CEO.

Para o profissional da CBCA, a continuidade dos momentos mais graves da pandemia do coronavírus por mais de um ano representaram um enorme desafio para as cervejarias, especialmente por envolver aspectos que dificultaram a manutenção do fluxo de caixa.

“Na retomada, o capital de giro é uma restrição. O ciclo de caixa de uma cervejaria, de maneira geral, é negativo. Primeiro se paga a matéria-prima, para depois de produzir e vender, receber. E é aí que o capital de giro machuca. Ter acesso a crédito neste momento é fundamental”, destaca.

Novidade “gringa” da CBCA para 2022
Diante dos desafios apresentados por 2021, a CBCA se movimentou e se adaptou. Entre outras ações de relevo, lançou a sua loja virtual e ainda celebrou os 15 anos da Schornstein, que foi uma das cervejarias oficiais da São Paulo Oktoberfest.

Também contando com a Leuven e a Seasons dentro do seu portfólio nacional, a CBCA pretende trazer para o mercado interno, ainda no primeiro semestre de 2022, a The Drummer, desenvolvida em parceria com Matt Sorum, ex-baterista do Guns N’ Roses e hoje vendida na Califórnia. “Nossa expectativa é lançar aqui no Brasil em abril, com a vinda do Matt para um evento especial”, diz Barreira.