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Fundador da Seasons, Léo Sewald deixa cargo na CBCA

A Companhia Brasileira de Cerveja Artesanal (CBCA) passou por uma importante mudança de gestão. Fundador da Seasons, uma das marcas componentes do grupo, Léo Sewald deixou o cargo de mestre-cervejeiro, sendo sucedido por Patrick Zanello, que também ficará responsável pelas áreas de qualidade e inovação.

O anúncio da CBCA representa um retorno para Zanello, que teve outras duas passagens pela Schornstein, outra marca que faz parte da companhia, como mestre-cervejeiro. Com formação de biólogo, ele adquiriu experiência nos últimos anos no exterior, onde estudou no Instituto de Tecnologia de Siebel, em Chicago, e na Doemens Akademie, nas proximidades de Munique.

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“É um orgulho receber Patrick de volta, ele teve uma importância muito grande no momento que a Schornstein estava se afirmando como uma das grandes cervejarias do Brasil e retorna em um momento de muitos projetos”, comenta Gustavo Barreira, CEO da CBCA.  “Estou feliz em ver como a empresa avançou e por todas as oportunidades que podemos ter a partir daqui. Sou fã do Léo e será uma honra fazer parte dessa história e expandir o legado da Seasons”, acrescenta Zanello.

De acordo com a CBCA, Léo Sewald vai se mudar para os Estados Unidos, onde atuará em projetos pessoais. Mas garantiu, em uma carta aberta destinada aos fãs das Seasons, que continuará ligado à companhia, podendo desenvolver projetos nos Estados Unidos. “Acredito muito no modelo de negócios da CBCA e continuarei ligado à empresa e ao mercado cervejeiro. Farei o possível para ajudar a desenvolver pontes para a CBCA por lá”, declara, em trecho do material.

Essa possibilidade de abrir conexões nos Estados Unidos através do fundador da Seasons foi destacada como um ponto positivo para a CBCA pelo seu CEO, Gustavo Barreira. “Tal movimento é positivo, pois Sewald se torna um braço de novos negócios, colaborativas e contribui com possíveis aproximações com o mercado fornecedor de lúpulo americano”, afirma.

Carta aberta
Com a sua saída do dia a dia da CBCA e da Seasons, Léo Sewald, que fundou a marca gaúcha em 2010, divulgou uma carta aberta aos fãs. Nela, o profissional elenca pontos que considera marcantes da trajetória da cervejaria, como a criação de “produtos diferentes da curva normal”.

“Criamos produtos que convidavam os consumidores a embarcar em uma jornada de conhecimento cervejeiro conosco, tais como a Green Cow que, lá em 2010, se apresentou como uma das primeiras American IPAs brasileiras; ou ainda a Basilicow, com ingredientes não convencionais para dentro do universo cervejeiro; a Loverboy, que foi a primeira Gruit Ale brasileira; ou até a linha de hidroméis, dentre uma porção de outras criações que trouxe novas experiências sensoriais e mais cultura para as mesas dos consumidores”, escreve.

Sewald também cita os processos produtivos adotados na Seasons. “Introduzimos no Brasil os conceitos por trás da escola americana, pregando criatividade com qualidade e tratando a cerveja não apenas como um produto ligado à indústria de alimentos, mas sim como um produto multifacetado e conectado com a indústria do entretenimento”, afirma.

Outro ponto destacado por Sewald como diferencial da Seasons é a “conexão com a comunidade”. “Sempre fez questão de estar conectada com a comunidade de homebrewers, seja compartilhando conhecimento por meio de cursos, brassagens coletivas e outros eventos; em colaborações com os parceiros de negócio da cadeia produtiva, seja no âmbito de novos produtos com cervejas colaborativas nacionais e internacionais, com engajamento junto aos órgãos setoriais e de fomento a novos negócios, como também com representatividade de marcas parceiras”, diz.

Sewald ainda avalia que a entrada, em 2019, na CBCA representou uma melhoria na gestão, ampliando o nível de maturidade e alcance da Seasons. Mas afirma ter chegado o momento de dar outros passos na sua carreira.

Tenho um tremendo orgulho de ver o que a marca conquistou ao longo dos anos. Mas… Chegou a hora de passar o bastão e me dedicar a novos projetos

Léo Sewald, fundador da Seasons

Confira lançamentos realizados pelas cervejarias em fevereiro

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Os lançamentos de rótulos no mês de fevereiro ficaram marcados pelas opções das cervejarias em realizarem diversas homenagens, além da aposta em novidades que conquistaram premiações recentemente. Foram os casos, por exemplo, da Alrirght Brewing, com a produção de uma cerveja medalhista de ouro no Brasil Beer Cup, e da Blumenau, com uma ganhadora de uma prata no Concurso Brasileiro do ano passado.  

Já na linha das homenagens entre os lançamentos das cervejarias em fevereiro, a Landel lançou uma English Pale Ale para marcar o aniversário de 70 anos de reinado da rainha Elizabeth II. Enquanto isso, a Nacional criou um rótulo especial e brilhante para saudar o carnaval.

E aproveitando uma efeméride, a Colorado se inspirou nos traços de Tarsila do Amaral para criar uma cerveja em comemoração ao centenário da Semana de Arte Moderna.

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Confira a seguir alguns lançamentos das cervejarias artesanais em fevereiro selecionados pelo Guia:

Alright Brewing
No mês de fevereiro, a Alright Brewing lançou a premiada Gose’n Berries, que conquistou uma medalha de ouro no Brasil Beer Cup de 2021, em Florianópolis. A cerveja é levemente ácida, com adição de sal, sementes de coentro e amora. Tem, de acordo com a sua descrição, notas de frutas amarelas frescas, como pêssego, carambola e nêspera em segundo plano, provenientes da fermentação. Ela tem 5,0% de graduação alcoólica e 10 IBUs de amargor.

Blumenau
O primeiro lançamento do ano da Cerveja Blumenau foi a Fruit Lambic Blend #10, rótulo premiado no Concurso Brasileiro de Cervejas em 2021 e no Brasil Beer Cup, sendo parte da coleção Mestres do Tempo, criada para levar ao mercado cervejas maturadas na adega de barris, blends exclusivos e itens de guarda. Sensorialmente, tem aroma de framboesa, notas florais, funcky, frutas secas e uvas rubi. No paladar, traz destaque para frutas vermelhas, com acidez assertiva e final seco. O teor alcoólico é de 7,5% e a graduação de amargor é de 6 IBUs.

Colorado
A Colorado se inspirou nos traços (e frutas) de Tarsila do Amaral para criar uma cerveja em comemoração ao centenário da Semana de Arte Moderna. A Tarsila é uma homenagem ao quadro “Vendedor de Frutas”, trazendo os ingredientes brasileiros representados em uma Catharina Sour com abacaxi e coco. Feita a base de trigo, com acidez láctica, limpa e equilibrada pela adição das frutas frescas, o rótulo tem teor alcóolico de 4% e 6 IBUs de amargor.

Cruls e Zanadu
A Cruls e a Zanadu se juntaram pela primeira vez e lançaram a cerveja Caminho do Viajante, uma Imperial Stout de 9,8% de teor alcoólico, feita com adição de nibs de cacau da Bahia e de cold brew (café extraído a frio). Os principais elementos da bebida são o cacau, oriundo de Uruçuca, na Bahia, torrado especialmente pela Rubato Chocolate, e o cold brew, uma extração a frio feita a partir de um café da região das Matas de Minas (MG).

Implicantes
A Implicantes apresentou, em fevereiro, a primeira cerveja da linha  Ref*, a Ubuntu, que significa “eu sou porque nós somos”. De acordo com a marca, Ubuntu é uma filosofia de vida que se baseia nos princípios da lealdade, humildade, empatia e respeito. O rótulo é uma New England IPA e foi produzido com o lúpulo australiano Galaxy, tendo adição dos lúpulos americanos Warrior, Citra e Mosaic, o que resulta, segundo o seu descritivo, em uma cerveja com notas de uvas verdes, frutas amarelas combinada com um amargor suave.

Landel
Em comemoração aos 70 anos de reinado da Rainha Elizabeth II, um jubileu de platina celebrado em fevereiro, a Cervejaria Landel homenageou a monarca no “Growler Day da Rainha”, em Campinas (SP). No evento foi lançada a Vira-Lata, uma cerveja da escola inglesa. Essa English Pale Ale tem 5% de graduação alcoólica e 35 IBUs de amargor. Apresenta aroma moderado de perfis herbais e terrosos vindos dos lúpulos ingleses e predominância dos aromas dos maltes caramelados, com sabor de toffee, biscoito e caramelo.

Nacional
A Nacional criou um rótulo especial e brilhante para o Carnaval, a Glitter Ale. A bebida se destaca pelo seu visual dourado e com muito glitter comestível, trazendo como base a Summer Ale, sendo uma cerveja de baixo corpo, 4,6% de teor alcoólico e 20 IBUs. O lúpulo confere sutis notas de maracujá e grapefruit.

Balcão do Profano Graal: História da cerveja no Brasil – A cerveja como forma de lazer

Balcão do Profano Graal: História da cerveja no Brasil – A cerveja como forma de lazer

Uma questão que frequentemente ocupa a cabeça de quem estuda história da cerveja é: como ela veio a se tornar a bebida preferida dos brasileiros, superando o vinho (importado de Portugal em grandes quantidades desde o período colonial), a cachaça (um produto tipicamente nacional) e outras bebidas fermentadas à base de frutas, açúcar, milho ou farinha de mandioca muito populares até o século XIX, como o aluá, o jacubá, o xibê e a jinjibirra (esta última, uma bebida originária do Caribe, produzida com gengibre e muito semelhante à cerveja)?

Essa preocupação está, inclusive, expressa no título de um artigo de Edgar Köb, leitura obrigatória para qualquer um que queira estudar história da cerveja no Brasil. Em Como a cerveja se tornou bebida brasileira: a indústria da cerveja no Brasil desde o início até 1930 (2000), ele cita como fatores para a popularização do consumo de cerveja no Brasil, ainda no século XIX: o hábito das classes mais abastadas de imitar o estilo de vida europeu; a abolição da escravidão e a formação de uma classe de trabalhadores com poder de consumo; o desenvolvimento econômico no princípio do período republicano; o crescimento de grandes cidades como mercados consumidores e uma campanha de temperança que aconselhava o consumo de cerveja como uma bebida mais saudável que a cachaça e mais adaptada às condições tropicais do país.

Mas outro fator parece ser mais importante do que esses: a relação da cerveja com o lazer. Como mostram Thaina Schwan Karls e Victor Andrade Melo, ainda em meados do século XIX, as fábricas de cerveja no Rio de Janeiro, além de venderem a bebida, ofereciam outras formas de entretenimento. Dois anúncios publicados no Almanak Laemmert, nos anos de 1856 e 1857, de duas cervejarias diferentes que tinham o mesmo nome e ficavam na mesma rua, exemplificam essa relação entre cerveja e lazer. Primeiro, o anúncio da Imperial Fábrica de Cerveja Nacional, de Alexandre Maria Villasboas e Cia., fundada em 1855 e que ficava na Rua de Matacavallos, 27:

“Esta fábrica, já tão conhecida e frequentada pelos amadores desta corte, é por sem dúvida a mais bem montada que neste gênero existe no Império do Brasil e com todas as proporções para vir a ser o mais útil e agradável recreio dos fluminenses, já pela extensa e pitoresca chácara em que está situada, pois naturalmente convida ao passeio o constante panorama que ao correr dos olhos se desliza, já pela multiplicidade de jogos, como sejam os de bola, bagatela, etc. etc., que oferece um exercício tão útil à saúde do corpo e do espírito, para o que nada tem poupado os seus proprietários”. (Almanak Laemmert, 1856, p. 627)

A então rua de Matacavallos é a atual rua do Riachuelo, em pleno centro barulhento e engarrafado do Rio de Janeiro. Mas, em meados do século XIX ela se encontrava em uma região fronteiriça do centro, no limite entre o rural e o urbano, a caminho da Tijuca, espremida entre as encostas do Morro de Santa Teresa e do Senado (que ficava onde hoje é a Praça da Cruz Vermelha, demolido entre 1895 e 1906), em um ambiente cercado de muita vegetação nativa.

A edição de 8 de abril do mesmo ano do jornal Correio da Tarde traz um relato de um anônimo, que visitou a fábrica a convite do seu proprietário. Como relatam Karls e Melo, chamou a atenção do convidado a gentileza dos funcionários, “a conversa animada que se dava não só ao ar livre, à luz do luar, como também no salão, iluminado a gás (…). Jovens fazendo ginástica em aparelhos oferecidos pela fábrica, bem como apresentações musicais e danças” (KARLS e MELO, p. 150). O segundo anúncio é da Imperial Fábrica de Cerveja Nacional de Henrique Leiden, fundada em 1848, que funcionava na rua de Matacavallos, 78:

Achando-se o seu estabelecimento em um dos sítios mais amenos desta corte, a sua visita se recomenda a todos os amadores de recreios honestos e sociais, os quais, além de ótima cerveja de vários gostos, encontrarão arranjos cômodos, caramanchões, diversos jogos e boas companhias

Almanak Laemmert, 1857, p. 95

Afirmam Karls e Melo que o seu funcionamento era similar ao da fábrica de Villasboas e Cia., com frequentes apresentações musicais e de exercícios ginásticos, com performances de amadores que usavam os aparelhos de ginástica oferecidos pela fábrica. Em determinado momento, Leiden fundou também um teatro no espaço da fábrica. Que, em 1861, se chamava Teatro da Imperial e Antiga Fábrica de Cerveja.

Eduardo Marcusso, por sua vez, nos informa que foi fundamental para a popularização do consumo de cerveja no Brasil a sua relação com as grandes festividades de expressão nacional, como o carnaval, reforçando essa relação entre cerveja e lazer. Em 1913, o rancho carnavalesco Recreio das Flores, da região portuária do Rio de Janeiro (que viria a dar origem à escola de samba Império Serrano) já havia sido patrocinado por uma cervejaria. Essa relação se estreitou depois que o desfile das principais escolas de samba passou a ser realizado na avenida Marquês de Sapucaí, endereço da primeira fábrica da Cervejaria Brahma (fundada em abril de 1888). No carnaval de 1934, para promover as vendas da sua cerveja engarrafada, a Brahma lançou a marchinha “chope em garrafa”, considerado o primeiro jingle da publicidade brasileira, composta por Ary Barroso (compositor de “Aquarela do Brasil”) e Bastos Tigre (jornalista e publicitário, criador do slogan “Se é Bayer, é bom”) e cantada por Orlando Silva, também conhecido como “o cantor das multidões”, que fez muito sucesso na era do rádio.

Dessa forma, a associação do consumo de cerveja à uma vida saudável, a momentos de lazer e de grandes festividades foi uma forma encontrada pelas cervejarias brasileiras para impulsionar as suas vendas. E foram tão bem-sucedidas nessa estratégia que a cultura cervejeira do brasileiro está hoje indissociavelmente ligada ao consumo de cerveja em momentos de lazer, festa e descontração.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

ALMANAK Administrativo Mercantil e Industrial da Corte e Província do Rio de janeiro para o ano de 1856. Tipografia Eduardo e Henrique Laemmert: Rio de Janeiro, 1856.

ALMANAK Administrativo Mercantil e Industrial da Corte e Província do Rio de janeiro para o ano de 1857. Tipografia Eduardo e Henrique Laemmert: Rio de Janeiro, 1857.

KÖB, Edgar. Como a cerveja se tornou bebida brasileira: a história da indústria de cerveja no Brasil desde o início até 1930. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Rio de Janeiro, 161 (409), 2000, p. 29-58.

MARCUSSO, Eduardo Fernandes. Da cerveja como cultural aos territórios da cerveja: uma análise multidimensional. Tese de doutorado. Programa de Pós-graduação em Geografia da UnB. 2021.

MARQUES, Teresa Cristina de Novaes. Cerveja e Aguardente sob o foco da temperança no Brasil, no início do século XX. Revista Eletrônica de História do Brasil. v.9, n.1, jan-jul 2007, p. 48-70.

MELO, Victor Andrade; KARLS, Thaina Schwan. Novas dinâmicas de lazer: as fábricas de cerveja no Rio de Janeiro do século XIX (1856-1884). Movimento: Revista de Educação Física. Porto Alegre, vol. 24, n.1, p. 147-160, jan./mar. 2018. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/Movimento/article/download/69803/47800


Sérgio Barra é carioca, historiador, sommelier e administra o perfil Profano Graal no Instagram e no Facebook, onde debate a cerveja e a História.

Festas, apoio a catadores e ajustes: Como o setor lida com ausência do carnaval

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Iniciado oficialmente neste sábado, o período de carnaval não repetirá, novamente, a folia de outrora em 2022. Afinal, não haverá celebrações nas ruas pelo segundo ano consecutivo, assim como os desfiles de escolas de samba foram adiados para abril em São Paulo e no Rio de Janeiro. As restrições, adotadas em função do aumento de casos da variante Ômicron do coronavírus, forçaram a adoção de adaptações pela indústria cervejeira, pelas marcas e pelo público.

Raramente, é verdade, o consumo de cervejas artesanais se dá em meio a blocos no carnaval de rua, que normalmente tem grandes marcas como patrocinadores oficiais, o que, em alguns casos, inclusive, restringe a venda de outros rótulos, a não ser aqueles dos apoiadores. Porém, representantes de algumas microcervejarias reconhecem a existência de impactos pela menor movimentação da população nas cidades com a falta de celebrações abertas e populares.

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“Nossas projeções já foram ajustadas para o cancelamento do carnaval. Apesar do impacto em volume, acreditamos que a decisão foi acertada e esperamos que, em breve, possamos comemorar juntos o fim da ômicron”, afirma Alida Walvis, CFO da Hocus Pocus, uma das marcas icônicas do segmento de artesanais no Rio de Janeiro.

É um cenário semelhante ao percebido pela Louvada, cervejaria de Cuiabá. Seu sócio e diretor-geral, Gregório Balarotti, avalia que o cancelamento de qualquer festividade do calendário, mesmo aquelas que não causam tanto impacto na atividade das artesanais, traz efeitos negativos para quem atua no segmento, com a redução dos volumes vendidos.

“O carnaval nunca foi um evento de muita venda no nosso caso. Mas sim, qualquer evento, confraternização, reunião que seja cancelado ou adiado, atrapalha nossa performance. Somos uma empresa que busca gerar reuniões, alegrias e experiências para nossos clientes”, diz.

Carnaval com rock?
Como a realização de eventos privados estão permitidos nesse período do carnaval, algumas marcas atuantes no setor cervejeiro aproveitaram para incrementar a programação dos seus estabelecimentos no período de recesso. De Santo André (SP), a Madalena preparou um evento na sua fábrica-bar, que se iniciou na sexta-feira e irá até a próxima terça.

O CarnaRock conta com apresentações musicais diárias, a partir das 13 horas. A casa tem 20 torneiras de chope e a entrada custará R$ 20 no sábado e R$ 10 no domingo, sendo gratuita na segunda e terça-feira.

“Mesmo sem o carnaval de rua, muitas pessoas gostam de aproveitar os dias de folga para passear com os amigos, com a família e se desconectarem um pouco das preocupações do dia a dia. A cervejaria tem amplo espaço, com bebida de primeira, gastronomia e música boa para soltar a voz e celebrar a vida”, afirma Renan Leonessa, diretor de marketing da marca.

Em Belo Horizonte, o Porks realiza, também, o seu “carnarock”. São 30 shows nas suas duas unidades, em eventos que começaram na segunda-feira e vão até 6 de março.

Por lá, até domingo, acontece o Carnaval Neon, com monitores pintando os participantes com tintas fluorescentes, além de também haver máscaras típicas do carnaval de New Orleans. Já o período entre os dias 2 e 6 será dedicado à “ressaca do carnaval”.

Apoio a catadores
Mais, porém, do que cervejarias e foliões, a ausência do carnaval nas ruas afeta, principalmente, a vida daquelas pessoas que dependem da renda obtida com as latinhas e outras embalagens coletadas para posterior reciclagem – estima-se que são 800 mil. Por conta disso, a Ball Corporation se juntou à Associação Nacional de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis para prestar algum auxílio.

Junto ao ator e humorista Rafael Portugal e aos blocos Galo da Madrugada, Mulheres de Chico e Timbalada, a Ball convida o público para sugerir músicas que vão compor playlists no Spotify, incentivando o público a aproveitar o feriado longe das multidões. Cada música sugerida nos comentários dos posts oficiais da campanha nas redes da Ball e do humorista equivale a R$20 em cestas básicas que serão doadas para os catadores das principais praças do carnaval no país

Já os blocos Galo da Madrugada, Mulheres de Chico e Timbalada atuarão como influenciadores, incentivando as doações por meio de suas próprias redes sociais. A doação total da campanha pode chegar a R$ 150 mil, sendo destinada à compra de cestas básicas para cooperados das capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Salvador.

Marca ucraniana que insulta Putin em cerveja premiada se mobiliza contra invasão

A tensão política que marca a relação entre Rússia e Ucrânia de modo contínuo ao menos desde 2014 atingiu seu ápice na última quinta-feira, com a invasão realizada pelas forças de Moscou. Tanto tempo de discordâncias e embates provocou ranhuras eternas na relação entre os países, levando personagens a se transformarem em ícones, adotados com o viés que mais se aproxima de cada visão sobre esse conflito, como se dá com uma marca de cerveja de Lviv, que “homenageou” Vladimir Putin, presidente russo, de forma muito jocosa em um dos seus rótulos.

Criada em 2014, a Pravda lançou, em 2017, uma linha de cervejas com temas políticos, por acreditar, de acordo com Yuriy Zastavny, seu cofundador, que o público consumidor das artesanais não fica apenas atento ao sabor, mas também ao design das garrafas e dos rótulos. E essa coleção trazia estampada, em quatro embalagens de cerveja de estilos diferentes, as imagens da ex-chanceler alemã Angela Merkel, dos ex-presidentes dos Estados Unidos Barack Obama e Donald Trump, além de Putin. À época, Zastavny declarou que os personagens da série tinham em comum o fato de terem decepcionado os ucranianos.

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A cerveja política que cita Putin é uma Golden Ale com 8% de graduação alcoólica e 27 IBUs de amargor. E se chama Putin Huilo, que significa “Putin é um idiota” em russo. É uma alusão a um cântico criado por torcedores do Kharkiv Metallist, que foi entoado pela primeira vez em um estádio em março de 2014, após a anexação da península da Crimeia pela Rússia. Depois, a expressão tornou-se muito difundida em toda a Ucrânia entre os defensores da soberania e integridade territorial do país.

Desde a sua criação em 2014, a Pravda teve vários dos seus rótulos premiados com medalhas em concursos internacionais. E a Putin Huilo também ganhou uma, de bronze, no World Beer Idol de 2018, na República Checa. “Os rótulos das nossas garrafas de cerveja levam mensagens sobre nós para todos os cantos do mundo”, afirma a Pravda em texto de apresentação no seu site oficial.

Rótulo da cerveja Putin Huilo

Quando a cerveja de Putin foi lançada, a produção desse e de outros rótulos era estimada em até 2 mil litros diários. A artesanal também exporta sua cerveja para outros países, como República Checa, Polônia, Alemanha, Áustria, Reino Unido, Belarus, Canadá, Suíça, Itália, Suécia, França, Espanha e Bélgica.

O seu mais famoso estabelecimento, o Pravda Beer Theatre, está localizado em Lviv, considerada um dos lares do nacionalismo ucraniano, e um local onde muitos turistas aproveitavam para apreciar a arquitetura renascentista da cidade enquanto experimentavam as cervejas artesanais da marca.

A Pravda também assegura usar produtos típicos da Ucrânia como ingredientes, casos de ameixas, peras e flores de sabugueiro, para combinar com estilos internacionais. Além disso, afirma adotar uma dupla fermentação, permitindo que a cerveja fique armazenada na garrafa por mais tempo do que outras, permanecendo não filtrada e não pasteurizada.

Agora, então, a Pravda decidiu se mobilizar diante do conflito na Ucrânia. Em publicações no seu perfil no Instagram, avisou estar arrecadando recursos para destiná-los ao Exército do seu país. Além disso, abriu seus espaços para receber cidadãos ucranianos, mas adiantou que não servirá russos.

“A guerra começou na Ucrânia. Sim, está acontecendo há mais de um ano, mas esta manhã (manhã de quinta-feira) o apetite do inimigo tornou-se maior e mais agressivo. Não devemos encarar a situação de ânimo leve, mas devemos manter a cabeça fria e permanecer juntos. Por favor, leia apenas fontes verificadas e não se deixe enganar. Cuide de sua vida, cuide de você e de seus entes queridos”, conclama a Pravda.

Com recuo de 45,6% no 4º trimestre, Ambev tem lucro de R$ 13,122 bilhões em 2021

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A Ambev fechou o ano de 2021 com resultado financeiro melhor do que o do ano anterior, mas com desempenho no quarto trimestre pior do que o do mesmo período de 2020. É o que indica o balanço financeiro divulgado nesta quinta-feira pela companhia, apontando um lucro líquido de R$ 3,747 bilhões nos últimos três meses do ano passado, um recuo de 45,6% em relação ao último trimestre de 2020.

De acordo com a Ambev, nos comentários do balanço, esse resultado se deu “principalmente em virtude de créditos fiscais não recorrentes em 2020”. De fato, no 4º trimestre de 2020, a companhia relatou ter recebido “R$ 4,3 bilhões de créditos tributários extemporâneos decorrentes da decisão do Supremo Tribunal Federal de 2017 pela inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins”.

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O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da Ambev também caiu no 4º trimestre do ano passado. Ele foi de R$ 6,784 bilhões no período, o que representou recuo de 24,1%.  Isso se deu “devido ao impacto de câmbio, preços de commodities e maiores despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A), que foram afetadas principalmente por maiores provisões para remuneração variáveis”, de acordo com a companhia.

A receita líquida da Ambev no 4º trimestre de 2021 ficou em R$ 22,01 bilhões, uma expansão de 18,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.  Segundo a empresa, isso foi impulsionado “pelo crescimento da receita líquida por hectolitro (“ROL/hl”) de 15,2% no 4T21.”

Mas o panorama apresentado pelo balanço da Ambev é melhor quando se compara o resultado obtido em 2021 com o de 2020. Nesse caso, a companhia cervejeira teve lucro líquido de R$ 13,122 bilhões, um incremento de 11,6% em comparação a 2020. A receita líquida da empresa alcançou R$ 72,854 bilhões, expansão de 24,8% ante o ano anterior. E o Ebitda ajustado atingiu R$ 22,869 bilhões, um aumento de 5,9%.

O caixa líquido da Ambev também cresceu de 2020 para 2021, passando de R$ 13,998 bilhões para R$ 15,411 bilhões ao término do ano passado.  

Cerveja, brasil e perspectivas
O balanço financeiro também indicou que a produção de cerveja da Ambev cresceu 0,8% no último trimestre do ano passado, para 51,3 milhões de hectolitros. Uma expansão que chegou aos 8,8% ao longo de 2020, com um total de 180,3 milhões de hectolitros. No Brasil, porém, o resultado foi pior. O volume de cerveja produzida pela Ambev no quarto trimestre de 2021 caiu 3,1%, para 25,6 milhões de hectolitros. E o crescimento em todo o ano foi de 7,1% ante 2020, para 90,8 milhões de hectolitros.

A Ambev, nos comentários do balanço, reconheceu que a indústria teve um desempenho fraco no quatro trimestre, mas declarou estimar que foi um resultado melhor do que a de toda a cadeia produtiva. Também destacou o aumento da receita orgânica líquida em contraponto à queda do Ebitda.

“Nosso momentum de receita líquida também foi evidenciado pelo crescimento da ROL/hl de 9,3%, devido ao aumento de preços, iniciativas de gerenciamento de receita e mix favorável, além de uma base de comparação difícil. O EBITDA ajustado caiu 19,6%, pois o crescimento da receita foi compensado pelos impactos esperados na taxa de câmbio transacional e commodities, provisões para remuneração variável e investimentos em vendas e marketing”, afirma a administração.

A Ambev também aponta a expansão de 13% do volume do segmento premium, com Original e Chopp Brahma crescendo duplo dígito como alguns dos seus destaques comerciais de 2020, juntamente com Beck’s, Corona e Stella Artois, que ampliaram o volume no mesmo patamar. E revela que o Zé Delivery atendeu mais de 17 milhões de pedidos apenas no quarto trimestre de 2021.

Desafios de 2022
A Ambev, ao projetar as expectativas para 2022, relata que o aumento dos casos de coronavírus, especialmente da variante Ômicron, traz “desafios e volatilidade no curto prazo”, pois já causou impactos no fim de 2021 e no começo deste ano. E ainda afirma que as pressões nos custos dos insumos ainda não foram completamente superadas, embora já minimizadas. Além disso, relata a expectativa de elevação relevante dos custos de produção.

Nossa taxa média de hedge para o real versus o dólar para 2022 é de 5,39 (+2,1%), e estamos enfrentando uma inflação de commodities sem precedentes. Como resultado, esperamos que nosso CPV por hectolitro excluindo depreciação e amortização em Cerveja Brasil aumente entre 16-19% (excluindo produtos de mercado não-Ambev em nosso marketplace e considerando os preços atuais de commodities)

Ambev, em comentários do balanço do 4º trimestre

Ab InBev
Maior grupo cervejeiro do mundo, a AB InBev também divulgou o seu balanço financeiro nesta quinta-feira. E o seu lucro em 2021 cresceu 50% ante 2020, ficando em US$ 5,7 bilhões. O Ebitda da companhia ficou em US$ 19,2 bilhões, uma expansão anual de 10,9%, enquanto a receita cresceu 15,8%, para US$ 54,3 bilhões.

No quatro trimestre, o lucro da AB InBev ficou em US$ 1,8 bilhão, recuo de 16,6% em relação ao mesmo período de 2020. O Ebitda caiu 3,6%, para US$ 4,9 bilhões, mas a receita da companhia expandiu 11,2%, para US$ 14,2 bilhões.

Entrevista: Por relevância, cervejas envelhecidas precisam de investimento

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O mercado brasileiro de cervejas envelhecidas tem apresentado avanço ao longo dos anos, mas só irá se destacar perante os demais se existir investimento contínuo e preocupação com a qualidade da madeira. O alerta foi feito, em entrevista ao Guia, por Rafael Aragão Gonzales, fundador da Tanoaria Espanha, uma empresa especializada em barris de carvalho.

Para ele, outros países, inclusive vizinhos da América do Sul, entenderam a importância de se investir para ter cervejas envelhecidas de alta qualidade. Assim, o Brasil corre o risco de perder, gradativamente, mercado para uma concorrência que já enxerga o potencial da utilização dos barris para envelhecimento de cerveja. Por isso, para quem deseja evitar esse cenário no futuro, será preciso investir, pois a qualidade é um fator indispensável para o êxito nesse nicho.

Leia também – Brasil amplia exportação da cerveja para US$ 131,5 milhões em um ano

Além disso, o fundador da Tanoria Espanha defende que uma marca entra em outro patamar quando começa a trabalhar com barris de madeira e consegue se destacar diante da concorrência. E Gonzalez também aponta que a cerveja de guarda gera lucro maior do que os rótulos mais convencionais.

A maturação em madeira aumenta muito o valor na imagem da cervejaria perante os clientes em comparação às cervejarias normais, que somente pensam em fazer o básico no inox.

Rafael Aragão Gonzales, fundador da Tanoaria Espanha

Leia a seguir a entrevista do fundador da Tanoaria Espanha ao Guia sobre o mercado brasileiro de cervejas envelhecidas:

Qual é o cenário do mercado brasileiro de cervejas envelhecidas?
Atualmente, estamos avançando em um patamar muito significativo no mercado no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais. Estes estados estão evoluindo na aquisição de barris de carvalho para maturação de cerveja de guarda e têm percebido que as barricas proporcionam sabores e aromas únicos, tornando as cervejas verdadeiramente especiais. Uma cervejaria entra em outro patamar quando começa a trabalhar com guarda em barris. A maturação em madeira aumenta muito o valor na imagem da cervejaria perante os clientes em comparação às cervejarias normais, que somente pensam em fazer o básico no inox.

E como está a demanda por cervejas envelhecidas?
O consumidor de cervejas especiais é sofisticado e quer provar iguarias com aromas e sabores únicos. Além da imagem, outro motivo para trabalhar com cerveja de guarda é o lucro. A demanda é enorme, exemplo disto é que não achamos estes rótulos nas prateleiras de supermercados e tão pouco em lojas especializadas em cervejas artesanais. Achamos estas cervejas exclusivamente em cervejarias que adquirem barris. Seus clientes ficam sabendo de cervejas maturando ali e já compram, independentemente do valor.

O que ainda precisa evoluir no mercado de cervejas envelhecidas?
O mercado ainda precisa evoluir muito quando comparado com países onde a explosão da produção de cerveja artesanal foi na mesma época do brasileiro, como os da América do Sul, que estão há anos já maturando cerveja em barris. Sem entrarmos nos méritos dos países europeus e da América do Norte onde quase em sua totalidade as cervejarias possuem parques de barris.

E quais seriam os caminhos para essa evolução?
O caminho é simples: precisamos que os empresários e investidores do setor cervejeiro invistam em madeira para elaborar cervejas especiais de guarda, ou vão perder mercado gradativamente pela concorrência nacional ou internacional que já enxergaram o grande nicho de mercado. Outra questão no empresariado brasileiro é querer comprar barris baratos sem procedência e maturar cerveja pensando que os barris são todos iguais. Se não quiser investir no preço justo praticado no mercado de barricas de qualidade, melhor nem entrar neste segmento. O empresariado visa pagar barato nos cascos, esperando obter cervejas com alta qualidade e altos lucros, mas isto não existe.

Quais são as tendências em envelhecimento de cervejas? O que podemos esperar para este ano?
A tendência em envelhecimento de cerveja é o que vem sendo aperfeiçoada por séculos em vários mosteiros na Europa. E o que vemos no mercado atualmente é a aquisição por cervejarias de diversos tipos de barris de carvalho europeus e americanos, utilizados anteriormente por destilados e vinhos para a elaboração de blends de cervejas únicas.

O que a Tanoaria Espanha vai oferecer de novo em 2022?
A Tanoaria Espanha continuará a oferecer barris de carvalho americanos e europeus (franceses) de 1º uso, como: barris utilizados anteriormente por vinho licoroso fortificado (Porto), barris utilizados por malte de uísque e malte de uísque Turfado, barricas utilizadas anteriormente por vinho branco Chardonnay, barris utilizados anteriormente por aguardente de melado, barris de primeiro uso cristalizados por Maple Syrup e barricas utilizadas por vinho tinto para cerveja Sour.

Inflação causa mais troca de cerveja do que reduz consumo, aponta Kantar

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Em um cenário de inflação elevada, a cerveja esteve entre os itens de consumo do brasileiro que encareceram de maneira relevante ao longo de 2021. Mas mais do que diminuir o consumo do produto, essa alta nos preços levou as pessoas a realizarem uma substituição: trocaram o produto premium, que vinha em alta no período pré-pandemia, pelos rótulos de cerveja mainstream, de acordo com avaliação apresentada ao Guia pelo gerente sênior de consumo fora do lar da Kantar, Hudson Romano.

O cenário se tornou mais perceptível após a divulgação de uma recente pesquisa da consultoria, a Consumers Insights 2021, que aponta o impacto do afrouxamento ou mesmo do fim das medidas restritivas impostas durante a pandemia do coronavírus, algo que se tornou mais notório ao longo do terceiro trimestre do ano passado.

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“A inflação de cerveja impacta o volume, mas não da forma que as pessoas acreditam. Não é que o volume acabe caindo devido à alta do preço. A gente tem uma questão da diminuição da frequência, as pessoas deixam de consumir na mesma frequência por um motivo de alta de preço, mas o principal impacto da inflação foi a troca do produto”, ressalta o gerente da Kantar.

Assim, muitos consumidores começaram a comprar rótulos mais baratos no lugar de outros que eles adquiriam e passaram a pesar nos bolsos. “Antes da pandemia, as pessoas estavam migrando para um mercado mais premium, de cervejas como Heineken, Estrella Galicia, Beck’s e outras premium. Porém, com o aumento da inflação, o mercado das cervejas mainstream volta a ganhar relevância. Então, quando a gente olha o preço médio que os consumidores falam que gastam, a gente não vê uma inflação, mas uma deflação. É a troca do produto: eles deixam de consumir um produto mais caro para consumirem um mais barato. Por conta disso, a gente nota que a inflação influenciou, sim, o hábito do consumidor”, acrescenta.

Por isso, o profissional da Kantar não aponta a inflação como principal vilão da queda do consumo de cerveja no Brasil. Embora a pesquisa destaque que o consumo fora de casa voltou a crescer a partir do 3º trimestre de 2021, a frequência de ida das pessoas às ruas para praticar este hábito está em queda. E isso principalmente por precaução, para evitar a contaminação pelo coronavírus.

“Esse é o principal vilão do mercado de cervejas hoje no Brasil, porque quando a gente olha a penetração total de cervejas e quantos consumidores estão consumindo cerveja hoje, no Q3 (terceiro trimestre) de 2021, a gente chegou em um patamar histórico”, afirma o gerente da Kantar.

Assim, essa redução da frequência da ida a bares e restaurantes teve maior impacto sobre o volume de cervejas vendidas do que o aumento no número de consumidores de cerveja, uma informação detectada na pesquisa da consultoria.

“Nós tivemos, do Q3 (terceiro trimestre) de 2020 para o Q3 de 2021, um acréscimo de 6 milhões de consumidores consumindo cerveja. Porém, houve uma queda de quase metade, de quase 50%, em sua frequência. Então, mesmo que a gente tenha um recorde de consumidores totais, a gente nota que cada vez mais as pessoas deixam de consumir”, explica Romano.

Esta pesquisa da Kantar apontou que as mulheres das classes A e B, de 40 a 49 anos, foram as maiores responsáveis pelo crescimento de 27% do número consumidores de cerveja no terceiro trimestre de 2021 em relação ao mesmo período de 2019, quando ainda não havia começado a pandemia da Covid-19. Ao mesmo tempo, homens desta mesma faixa etária e classe social estão reduzindo os seus índices de participação de consumo deste produto.

“Essa diminuição de frequência vem desde um problema da preocupação com o coronavírus até, também, um aumento de preço. Então, quando a gente fala do ‘share of pocket’, que é quanto o consumidor pode gastar no seu dia a dia com produtos, a gente nota que cada vez mais a cerveja vem sendo um produto que está sendo substituído por alimentos”, afirma o especialista.

Queda do delivery
A Kantar constatou que as vendas por delivery da cerveja começaram a cair a partir de meados de abril, em um reflexo claro da reabertura de bares, restaurantes e da flexibilização gradual das normas de combate à pandemia do coronavírus.

O gerente sênior de consumo fora do lar da Kantar apontou que nos primeiros três meses do ano passado este mercado de consumo de cerveja por meio das entregas em domicílio se manteve forte como em 2020, quando desfrutou do seu auge. Depois, porém, este produto deixou de se tornar um dos principais alvos dos brasileiros via delivery.

“As pessoas começam a voltar a consumir com mais indulgência, mas a cerveja realmente perde esse consumo, não se mantém. Essa é a nossa visão, a nossa base (de comparação de dados para a pesquisa) é relativamente nova, de janeiro de 2021, mas a gente vê que a cerveja não se sustentou no delivery”, analisa Romano.

O especialista também enfatizou ao Guia que o consumidor de cerveja está se tornando cada vez mais “eco actives”, que são pessoas com algum grau de preocupação com as questões ecológicas. Algo que, em sua visão, deve influenciar nas estratégias das marcas. “No caso específico da cerveja, um dos pontos a serem discutidos pela indústria é continuar investindo em produtos com embalagens retornáveis”, indica.

Especial rotulagem: Como evitar erros e otimizar o processo com boas práticas

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Elemento comunicador entre o produto e o seu comprador, o rótulo de uma cerveja é uma identificação que deve ser finalizada somente depois de obedecer a exigências e padrões que contam para o sucesso e regularização de uma marca. Para isso, além da própria qualidade do que está oferecendo ao público, o fabricante que espera alcançar êxito precisa saber quais são as boas práticas no processo de rotulagem e como otimizá-lo.

Na terceira matéria da série especial sobre rotulagem produzida pelo Guia, especialistas deram dicas sobre como cumprir essa missão. A atenção máxima aos detalhes é fundamental, pois por eles trafegam a linha tênue entre a confiabilidade do consumidor exigente e a desconfiança que muitas vezes significará a devolução de um recipiente na prateleira após ter sido apanhado.

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Regina Sugayama, mestre em Biologia e Genética e doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP), com mais de 30 anos de experiência em pesquisa e consultoria em agricultura e alimentos, elegeu cinco pontos que considera capitais ao destacar para o cumprimento de boas práticas ao rotular uma cerveja.

“Não questione, obedeça; instrua o seu designer sobre a importância das normas; na dúvida, não faça; não copie informações de rótulos de terceiros; escreva somente aquilo que você é capaz de comprovar”, enumera, destacando como as boas práticas em rotulagem se tornam uma exigência diante da leis a cumprir.

“Desenvolver um rótulo para uma cerveja é um exercício de criatividade e planejamento, delimitado por uma série de normas. O problema é que são cerca de 20 órgãos, entre federais e estaduais: governo federal, Anvisa, MAPA, Inmetro, Conar, INPI…. Acaba virando uma sopa de letrinhas que pode ser bem difícil de engolir”, alerta a especialista. 

Regina ressalta o quão minuciosas e cuidadosas devem ser as boas práticas no processo de rotulagem ao lembrar de uma experiência na qual verificou mais de duas centenas de identificações a pedido de um profissional que é dono de uma empresa especializada em produzir variados tipos de identificações para latas, garrafas e growlers.

“Fiz em 2020 uma lista de verificação para rótulos de cervejas que tinha 263 itens. Em uma checagem de 19 rótulos de cervejas, a conformidade média foi de 56%, variando de 40 a 73%. Os erros mais comuns foram a ausência do dizer sobre o tempo em que o produto permanece adequado para consumo após abertura da garrafa ou lata, o local onde os dizeres sobre presença de alérgenos e glúten estavam dispostos, a ausência de número de registro no MAPA e a falta dos dizeres de advertência”, conta Regina, também citando um exemplo comum de advertência aos consumidores visto nos rótulos de marcas de cervejas para fazer um lembrete aos produtores deste tipo de bebida. 

“A dica de ouro é: não questione, obedeça. Em Minas Gerais, por exemplo, existe uma lei que obriga que as indústrias de bebidas alcoólicas incluam o dizer ‘evite o consumo excessivo de álcool’. Não vale sob hipótese alguma escrever ‘beba com moderação’. Quer dizer exatamente a mesma coisa, mas é ilegal. Da mesma forma, a lei exige a inclusão do dizer ‘proibida a venda a menores de 18 anos’. Então, escrever ‘venda exclusiva a maiores de idade’ está também ilegal”, esclarece. 

Não copie, siga normas
A especialista ressalta que o produtor não deve se iludir com exemplos de grandes fabricantes de cerveja, que também podem cometer erros, mesmo que façam parte do grupo dos gigantes do setor ou já estejam consagrados.

“Não é porque o concorrente ou a marca referência de mercado fez que está certo. Elaborar seu rótulo com base em rótulos de terceiros pode ser uma grande furada. Se a legislação exige que se detalhe qual a espécie vegetal usada para obtenção do açúcar usado na cerveja, inclua essa informação escrevendo ‘açúcar de cana’ em vez de apenas ‘açúcar’”, receita, lembrando que o cuidado com as boas práticas em rotulagem deve ser reforçadas diante das regras que variam entre um país e outro.

“Importante: o que vale num país pode não valer no outro. Nos Estados Unidos, por exemplo, parece não haver preocupação quanto ao uso de imagens do universo infanto-juvenil em rotulagem de cerveja. Ou seja, não propague o erro alheio. Afinal, apesar do ditado popular dizer que uma mentira contada mil vezes vira verdade, um erro cometido mil vezes não se converte em acerto. Pelo menos, não em rotulagem”, completa Regina.

“Escreva somente o que você tem como comprovar”
Nos rótulos de cervejas é comum e necessário a exibição de informações importantes que podem ser úteis, por exemplo, a uma pessoa que é alérgica a um determinado ingrediente da bebida. Até por isso, o fabricante de um produto precisa ter certeza de que o mesmo contém o que foi descrito na sua composição, ainda mais que um consumidor afetado pela ineficiência deste processo poderá desafiá-lo a provar a veracidade das informações ou até processá-lo se avaliar ter sido prejudicado após ingeri-lo.

“No caso de uma notificação pelo órgão fiscalizador, você poderá ser solicitado a comprovar a veracidade do que está declarado no rótulo. E então você se lembra que em momento algum realizou um teste de laboratório para confirmar a graduação alcoólica ou a ausência de um alérgeno, como glúten, por exemplo”, alerta. “Fica aqui uma dica: somente escreva aquilo que você tem como provar”, ressalta Regina, também lembrando que as legislações passam por atualizações constantes.

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“E, para dificultar ainda mais, outra dica: esses instrumentos legais e normativos passam por revisões e alterações. Ou seja, o que está em conformidade hoje pode deixar de estar no ano que vem. Fique de olho no Diário Oficial e nas revistas/canais”, acrescenta a especialista.

“As leis estão acima da arte”
No processo de rotulagem de uma cerveja, o trabalho do designer, responsável por tornar mais atraente e sedutor o visual de uma marca, é muito importante. Entretanto, Regina pondera que este profissional deve ser orientado pelo fabricante a executar o seu trabalho seguindo normas que precisam ser obedecidas, independentemente da sua criatividade e seus dotes artísticos.

Ao contratar o designer que vai criar o layout do rótulo, vale explicar que existem leis e que elas estão acima da arte. Não pode, por exemplo, usar imagens de crianças e adolescentes, recursos gráficos pertencentes ao universo infanto-juvenil, nem ter apelo à sensualidade ou sugerir que a ingestão do produto vai tornar a pessoa mais corajosa, bem-sucedida ou sedutora. É claro que esses conceitos têm um grande componente de subjetividade, mas se eu puder dar outra dica, é: na dúvida, não faça.

Regina Sugayama, profissional com mais de 30 anos de atuação em pesquisa e consultoria em agricultura e alimentos

Prova da impressão
Sócio-fundador da empresa de rotulagem Label Sonic, Bruno Lage dá conselhos de como otimizar o processo, lembrando que isso poderá garantir ao produtor uma redução de gastos. Para isso, destaca que, antes de autorizar a impressão dos rótulos, é preciso analisar um primeiro teste para depois não se arrepender do resultado.

“Em termos de boas práticas, é fundamental a gente fazer uma prova impressa no mesmo material, acabamento e corte do material que ele pretende colocar no mercado. Com uma prova real, você consegue fazer um protótipo e apresentar para clientes, influenciadores etc. Você consegue acertar melhor o rótulo antes de colocá-lo no mercado”, ressalta Lage.

O profissional da Label Sonic também lembra que há várias estratégias para diferenciar um produto em relação aos demais. “Você pode usar efeitos metalizados, corte especial, pode fazer medidas diferentes. Qual é a prática do rótulo da lata? Cobrir o máximo da área da lata. Mas você pode usar de forma menor. Formatos menores podem ser um diferencial na comunicação e representam uma grande economia”, completa.

Lage também recorda que hoje é possível imprimir rótulos de diferentes maneiras, assim como o fabricante pode desfrutar de recursos tecnológicos que anteriormente não existiam e agora lhe proporcionam economia.

Leia também – Especial rotulagem: Entenda a importância da aplicação em embalagens de cerveja

“Outra forma de boas práticas em rotulagem é ver como você faz a aplicação, podendo ser manualmente e com rotuladora. E você não precisa fazer grandes tiragens com a tecnologia disponível. Você faz uma quantidade menor e depois pode fazer uma grande quantidade de rótulos. Antes isso não era possível para se fazer um rótulo de qualidade”, lembra o profissional.

O desafio da linguagem
Gabriel Lopes, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Design (Abedesign), também falou ao Guia sobre as boas práticas para a rotulagem e como otimizar esse processo. E o profissional, que é formado em Design, com especialização em embalagens, inteligência artificial e ciência de dados pela Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, ressaltou a importância de uma marca conseguir se conectar de maneira eficiente com quem é um potencial comprador de uma cerveja.

“Do ponto de vista do design, existe sempre um grande desafio, que é uma busca pela linguagem atualizada para comunicação com seu público pautado nos desejos do seu consumidor”, ressalta Lopes, que resgatou um conceito famoso no universo do design para ilustrar a sua opinião.

“O desafio não está exatamente no desenho ou na expressão, mas sim no processo de decodificação e compreensão do Zeitgeist (palavra em alemão que significa espírito de época) do consumidor”, reforça o profissional, se referindo às características dos compradores de um produto ao longo do tempo.

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Ou seja, não basta ser bom. O produto também precisa se tornar uma lembrança marcante no imaginário do consumidor. Até porque, em muitas ocasiões, o histórico pesa muito na hora das escolhas de um comprador.

Êxito local e autenticidade, as chaves do sucesso para o cofundador da Stone Brewing

Considerado um dos maiores ícones do mercado de artesanais, o norte-americano Greg Koch, executivo e cofundador da Stone Brewing, apontou a necessidade de as artesanais valorizarem o mercado local como um ponto-chave para o êxito das marcas no segmento, assim como a autenticidade.

A avaliação foi apresentada durante evento online promovido pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) para os seus associados. Nela, Koch, que fundou a Stone Brewing em 1996, passou por pontos de sucesso da trajetória da sua marca, considerada uma das mais prestigiosas do setor.

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Para ele, as cervejarias não devem seguir modismos para a produção de rótulos, optando por estilos que mais se adequem ao seu perfil, independentemente daqueles que estejam em voga no segmento. E alertou ser preciso valorizar primeiro o mercado local, antes de se alçar voos mais altos.

O conselho vale, também, para o mercado nacional na esteira do reconhecimento da Catharina Sour pelo BJCP em seu guia de estilos. Em sua visão, as cervejarias do país precisam atingir um nível de excelência com esse tipo de estilo internamente antes de ele se tornar um “produto de exportação”.

O próprio Koch, apesar do êxito obtido com a Stone Brewing, hoje considerada a nona maior cervejaria artesanal dos Estados Unidos em meio a um universo de mais de 9 mil concorrentes do setor no país, fracassou na década passada ao lançar uma unidade de sua fábrica em Berlim, na Alemanha. A operação da empresa, iniciada em 2016, acabou sendo vendida já em abril de 2019 para a BrewDog.

“Você sabe que, além de estarem muito conectadas com o seu mercado local, algumas cervejarias tentam ir longe demais. Temos alguns exemplos e eu mesmo tentei ir longe demais e não deu certo. E você sabe que os cervejeiros estão sempre tentando encontrar o limite e onde podemos estar. Mas certifique-se primeiro de que você tenha um negócio sólido”, alerta Koch, que triunfou nos Estados Unidos após inicialmente começar a apostar no lançamento de cervejas extremas, aromáticas, consideradas “mais agressivas”, como ele mesmo definiu durante o evento.

Sob direção de Giba Tarantino, que assumiu a presidência da Abracerva em dezembro, a associação organizou o segundo evento com a participação de um personagem de peso dos Estados Unidos no setor das cervejas artesanais – o primeiro havia sido com Bob Pease, presidente e diretor executivo da Brewers Association, órgão representativo mais importante da classe no território norte-americano.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista coletiva com o ícone da cerveja artesanal e grande fã de rock and roll, estilo musical citado por ele ao compará-lo com tendências do seu setor. Não à toa, em 2019, a Stone Brewing produziu uma marca de cervejas lançada pelo Metallica.

Mercado brasileiro de cervejas artesanais
“Já se passaram nove anos desde a última vez que eu tive a oportunidade de visitar o Brasil. Então, você sabe, não estou totalmente atualizado sobre o assunto, mas fiquei muito feliz de saber, pelo Giba, que hoje existem 1.200 cervejarias no Brasil. E eu acho que esse é um movimento que vai continuar crescendo, com base na qualidade das cervejas que eu tomei na minha visita, que eu achei maravilhosas”.

Novas IPAs
“Acho que as IPAs hoje são tão sólidas quanto o rock and roll. E assim como no rock and roll, há muitos sub-estilos e às vezes eles crescem em popularidade, mas alguns declinam, assim como tendências vêm e vão. A Milkshake IPA é uma tendência e se fala muito sobre isso, mas eles existem ainda em volumes muito pequenos. A West Coast IPA ainda é o estilo dominante e continuará sendo mais consistente no futuro, mas isso nem sempre é o que as pessoas vão falar porque essa não é a coisa mais nova, e as pessoas adoram falar sobre a coisa mais nova”.

Como o Brasil pode se tornar relevante no setor

Os cervejeiros artesanais são mais fortes quando seguem as suas próprias inspirações e trazem os estilos de cerveja que mais desejam, em vez de serem liderados pelo mercado, pelos consumidores dizendo o que querem, porque nem sempre eles olham para você para saber o que beber e para mostrar no que estão mais interessados

Greg Koch, executivo e cofundador da Stone Brewing

“Você sabe que, além de estarem muito conectadas com o seu mercado local, algumas cervejarias tentam ir longe demais. Temos alguns exemplos disso. Eu mesmo tentei ir longe demais e não deu certo. Os cervejeiros estão sempre tentando encontrar o limite e até onde podem estar, mas certifique-se primeiro de que você precisa ter um negócio sólido”.

A trilha para o sucesso
“Em 1987, eu tive a minha primeira experiência real com cerveja artesanal, quando aprendi que cerveja pode ser algo além do que é a cerveja industrial. Fiquei muito chocado e empolgado, e isso iniciou a minha jornada de quase dez anos até começarmos com a Stone Brewing. Foi um processo de aprendizado longo porque a cerveja artesanal não era algo que as pessoas conhecessem. E comecei a aprender mais e mais sobre cerveja artesanal com o meu sócio Steve Wagner (atual presidente da Stone Brewing) em 1996. Naquela época havia cerca de 15 cervejarias já em San Diego, sendo que a maioria delas eram brewpubs, e começamos sem pubs e com estilos de cervejas mais agressivas, mais aromáticas e definitivamente mais lupuladas do que as cervejas que haviam na época. E assim nós ajudamos a criar o estilo West Coast IPA”.

Reconhecimento da Catharina Sour pelo BJCP
“Acho que isso pode ser muito importante, mas primeiro esse estilo precisa ser valorizado pelas pessoas no Brasil. A cachaça é muito importante no Brasil, é claro, mas não é uma bebida muito conhecida nos Estados Unidos. Porém, você sabe o que é um pisco. E ter algo se tornando internacionalmente famoso e associado ao seu país é uma coisa realmente muito importante, que pessoas ao redor do mundo poderão reconhecer. Mas primeiro foque em algo que você conhece, tornando-a importante no Brasil, e depois você deve esperar que possa espalhar a sua reputação. Eu sei que a Itália está tentando isso com a Grape IPA, para citar apenas um exemplo, e isso é muito parecido com o que fizemos com a West Coast IPA nos Estados Unidos”.

Redução das emissões de gás carbônico
“Fazemos muitas coisas. Estamos trabalhando muito duro com as embalagens, trabalhamos com energia solar em nossos prédios, obtivemos a certificação de carbono zero para algumas de nossas cervejarias, trabalhamos com orgânicos em um restaurante… Então trabalhamos duro para fazer o nosso melhor. Como estamos no sul da Califórnia, em San Diego, que é um lugar muito seco, trabalhamos duro na redução do uso de água”.