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Biotecnologia, diversificação e profissionalização da gestão marcam o congresso da Agrária

A 17ª edição do Congresso Técnico Internacional Agrária Malte foi além da formulação de receitas e estudos de processos, se mostrando também como um termômetro para os novos rumos do mercado cervejeiro brasileiro. Com um público de mais de 700 profissionais representando cerca de 500 empresas, o evento focou em temas contemporâneos que afetam as empresas do setor, como o aumento no uso de biotecnologia, a diversificação de produtos e a profissionalização da gestão.

Realizado no início do mês, entre 7 e 9 de abril, no Centro de Eventos Agrária, no distrito de Entre Rios, em Guarapuava (PR), o evento contou com participantes do Brasil e do exterior, como Paraguai e Argentina, numa estrutura robusta preparada para três dias de palestras, networking e negócios. Também contou com área de exposição com cerca de 40 fornecedores de insumos, equipamentos, atividades e consultoria.

“O evento estava cheio e o recado é que ali existe uma cultura para produção da cerveja com um olhar muito especial também para os pequenos produtores, para o craft”, avalia Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva).

Nesse contexto, além dos conteúdos apresentados, o relacionamento com fornecedores e profissionais de outras empresas também se mostra como um ponto forte do evento. Para os participantes, como Danilo Favero (Cervejaria Guesser) e Leo Maciel (Eurochopp), o valor do evento residiu principalmente nessa troca. Algo que também foi reforçado do lado dos expositores, segundo Ana Carolina Machado, da HBS Distribuidora de Itajaí (SC), que participou pelo segundo ano consecutivo. “Esse contato proporcionado pelo Congresso é muito importante para pensarmos em soluções que atendam às necessidades do mercado”, diz. 

Gestão em foco

O tom dominante foi o da profissionalização. Se o mercado artesanal brasileiro já sabe fazer cerveja de qualidade, o desafio agora é a sustentabilidade financeira em um cenário maduro. Gilberto Tarantino destacou que o congresso focou na transição para a “vida adulta” das cervejarias. “Cerveja boa todo mundo faz, cerveja fresca todo mundo aprendeu a fazer. Agora a gestão, poucos sabem fazer. O foco foi em como crescer sem quebrar em um mercado que já está maduro”, diz o presidente da Abracerva repercutindo a palestra de Alexandre Willerding, da Sudlager.

O discurso foi reforçado por Jeferson Caus, Superintendente de Negócios da Agrária, como um dos objetivos do evento. “Queremos impulsionar o ecossistema cervejeiro nacional, para que ele seja cada vez mais forte e colaborativo, preparado para os desafios do mercado”, disse na abertura do evento. “É importante que os cervejeiros conheçam as receitas, mas que também entendam os números, para que possam trabalhar com eficiência.”

Essa preocupação com a eficiência foi reforçada também por Sylvie Van Zandycke, presidente da canadense Lallemand, que tratou a redução de custos de produção por meio da optimização de energia e tempo. Complementando o pilar de gestão, o evento trouxe discussões sobre controles obrigatórios do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) de Alinne Barcellos Bernd.

Biotecnologia: aromas de lúpulo via fermentação

No campo da inovação técnica, um dos spotlights foi a palestra da startup Evodia sobre a “próxima geração de aromas de lúpulo”. A tecnologia apresentada permite que o fermento produza os aromas desejados, reduzindo a dependência de grandes volumes de lúpulo físico e diminuindo perdas no processo.

Congresso Técnico da Agrária Malte revelou tendências e rumos do setor. Na imagem, Jeferson Caus , superintendente da Agrária Malte (esq.), Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva, e Adam Stemmer CEO da Agraria Malte (dir.). (Crédito: Gilberto Tarantino / Arquivo Pessoal)
Congresso Técnico da Agrária Malte revelou tendências e rumos do setor. Na imagem, Jeferson Caus , superintendente da Agrária Malte (esq.), Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva, e Adam Stemmer CEO da Agraria Malte (dir.). (Crédito: Gilberto Tarantino / Arquivo Pessoal)

Segundo Tarantino, trabalhos como esse, de biotecnologia, foram uma das trendências mais fortes observadas no evento. Ele também destaca a palestra de José Antunes, coordenador dos cursos de cerveja da Agrária. “Falou sobre fermentação de uma maneira muito didática, muito boa para entender, até para os não técnicos”.

Além disso, a Agrária Malte aproveitou o fórum para lançar o seu novo Malte Melanoidina, um insumo aromático desenvolvido para conferir notas de casca de pão, caramelo e amêndoas torradas, além de uma coloração avermelhada intensa.

Das bebidas não alcoólicas aos destilados

O congresso também mostrou que a planta fabril cervejeira está se tornando mais multifuncional. A diversificação de portfólio apareceu em duas frentes principais: bebidas não alcoólicas e destilação. Tarantino observou que o segmento sem álcool está “galopando”, tendo até as águas lupuladas como opção de produto além da própria cerveja sem álcool. E essa diversificação vem se tornando um caminho irreversível para o setor. Uma das palestras mais concorridas abordou justamente como as cervejarias podem utilizar seus insumos e subprodutos para produzir destilados, ministrada por Alexander Weckl, da própria Agrária Malte.

O caminho e os desafios para brasileiros estudarem ciência cervejeira na KU Leuven

Ser aprovado na pós-graduação na área de cervejaria em uma das mais prestigiadas universidades europeias não é tarefa fácil para a maioria dos brasileiros. A barreira do idioma e o custo financeiro costumam ser um sarrafo alto para quem quer se especializar, mas a experiência de um mestre cervejeiro artesanal que está trilhando este caminho mostra como é possível colocar o sonho em prática. Ao falar de uma das universidades mais prestigiadas da Europa, estamos nos referindo à Katholieke Universiteit Leuven (KU Leuven), considerada a instituição mais inovadora de ensino europeu. E ela fica nada mais nada menos que na Bélgica, o país em que a cultura cervejeira ostenta o título de Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco.

Para o mestre cervejeiro Marcelo Crosta, essa imersão na herança belga aliada à ciência de ponta já é uma realidade diária. Com mais de quinze anos de dedicação ao setor, a sua trajetória teve início de forma bem tradicional, como um entusiasta que produzia cerveja em casa e frequentava as mesas do icônico bar FrangÓ, em São Paulo, reconhecido pelas cervejas artesanais. A partir das panelas caseiras, Crosta se tornou aprendiz, fundou a Cervejaria Landel junto com dois sócios e, antes de se mudar para a Bélgica, exercia o cargo de gerente industrial e responsável técnico na cervejaria paulistana Tarantino.

Transição profissional aos bancos acadêmicos

A chegada à KU Leuven ocorreu em setembro de 2025 para ingressar em um programa de dois semestres, que se estende até junho. A transição da intensa rotina profissional nas fábricas de volta para os bancos acadêmicos representou uma mudança gigantesca, explica Crosta, em entrevista ao Guia da Cerveja. 

Ele conta que o ritmo é bastante intenso e demanda um elevado nível de disciplina para dar conta do volume de aulas, trabalhos e avaliações. A carga horária é grande, correspondendo a cerca de 1.350 horas de estudo, mas o maior desafio, para Crosta, está na quantidade de estudo autônomo exigido fora do ambiente da sala de aula. Segundo ele, não dá para tratar o curso como uma atividade secundária, já que ele exige dedicação em tempo integral.

Formação focada em pensamento científico

Mas, vale a pena todo esse esforço? Para Crosta, sim. O esforço se paga nas descobertas vivenciadas ao longo da formação. “O curso não foca em receitas prontas, mas no pensamento científico. Ele nos ensina a metodologia para desenvolver processos, novos insumos e tecnologias”, diz.

E, para quem gosta, isso é quase a descrição do paraíso. Crosta relata viver “momentos de epifania” quase todas as semanas, ao desvendar as vias bioquímicas que regulam os sabores, os princípios científicos por trás da maquinaria moderna e os detalhes dos testes sensoriais. 

O ambiente acadêmico também é enriquecido por uma turma que ele descreve como um “caldeirão multidisciplinar”, reunindo desde cervejeiros profissionais a engenheiros mecânicos, químicos e cientistas agrônomos, refletindo perfeitamente a complexidade de uma operação cervejeira de larga escala.

Visitas técnicas em cervejarias históricas

Marcelo Crosta, brasileiro que está fazendo pós-graduação na KU Leuven, durante visita prática na Bélgica. (Foto: Arquivo Pessoal)

O rigor científico ganha ainda mais peso quando aliado ao acesso a locais emblemáticos da indústria. Longe de serem passeios turísticos, as visitas técnicas permitem aos alunos imersões educacionais profundas em cervejarias históricas. “Entrar na Boon, na Brasserie Dupont, na Stella Artois ou na Boortmalt com um olhar técnico, sendo recebido por lendas como o Frank Boon, é indescritível”, afirma. “Você alterna entre o foco total na ciência e a empolgação de quem sabe que está pisando no ‘solo sagrado’ da história cervejeira”, fala.

Quer estudar na KU Leuven? Foque em planejamento

Para os que desejam seguir o mesmo caminho, o planejamento rigoroso é a palavra de ordem. O brasileiro conta que começou as conversas com a secretaria da universidade em novembro de 2024 e enviou a sua candidatura oficial em fevereiro de 2025, num processo de preparação que durou cerca de dez meses até o embarque. 

O primeiro obstáculo inegociável é o idioma, sendo fundamental a aprovação em testes de proficiência, já que a profundidade das discussões e a complexidade do vocabulário técnico exigem um inglês “muito confortável”.

Financeiramente, além do custo de vida mensal na cidade de Leuven, que varia entre 800 e 1.000 euros segundo Crosta, o governo belga exige a criação de uma “Conta Bloqueada” com o total de recursos necessários para a estadia na Bélgica. Este mecanismo obriga o estudante a depositar uma quantia significativa de dinheiro de forma antecipada para comprovar as suas condições de subsistência. O valor é devolvido em parcelas mensais, mas requer uma elevada liquidez financeira inicial por parte do candidato. 

Para o ano letivo de 2026/2027 foram fixadas taxas de 6.950 euros, que incluem o transporte entre as diferentes unidades da KU Leuven, todas as visitas externas e todos os materiais necessários para as aulas práticas e os momentos de produção de cerveja. Convertendo para o real (considerando uma cotação de R$ 6), o valor daria quase R$ 42 mil.

Já a burocracia para o processo de emissão do visto junto à embaixada também exige bastante antecedência, paciência com os trâmites demorados e organização com os custos administrativos envolvidos.

Brasileiro Marcelo Crosta (com a garrafa) em visita a cervejarias belgas como parte da pós-graduação da KU Leuven. (Foto: Arquivo Pessoal)

Apesar dos custos e da burocracia, a vida de estudante em Leuven oferece compensações atrativas para equilibrar o orçamento, como o uso de bicicletas alugadas por valores muito baixos, ônibus locais amplamente subsidiados e cervejas belgas de classe mundial a preços estudantis nos chamados Bares das Faculdades, conta Crosta.

Com o diploma se aproximando, Crosta já delineia os seus próximos passos e deixa portas abertas, ressaltando que as possibilidades profissionais que o curso oferece são gigantescas no exterior. 

Ainda assim, o seu grande objetivo é retornar ao Brasil para aplicar essa precisão científica no desenvolvimento de produtos, continuando o trabalho de sempre, mas munido de uma base técnica muito mais forte e capaz de solucionar os complexos desafios de produção do nosso mercado. “Aplicar isso na realidade brasileira é totalmente viável e empolgante, justamente porque agora tenho a base científica para resolver desafios complexos de produção.”

Abracerva vence recurso na Justiça e cervejarias se mantêm desobrigadas de registro no CREA-SP

A 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) manteve as cervejarias filiadas à Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) desobrigadas de registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo (Crea-SP). A decisão foi tomada no início deste mês após recurso apresentado pelo Conselho. O objetivo era derrubar um mandado de segurança coletivo concedido pela 7ª Vara Cível Federal de São Paulo em julho de 2025 em favor da entidade cervejeira.

Na prática, a Justiça manteve o entendimento de que sem atividade de engenharia como atividade-fim de uma empresa, não há obrigação de registro. A decisão também confirma a anulação de multas, autuações e débitos aplicados indevidamente. 

Fabricação de cerveja não é exclusiva da engenharia

O caso teve origem em um mandado de segurança ajuizado pela Abracerva após diversas cervejarias serem autuadas e multadas com base na alegação de que a atividade de fabricação de cerveja exigiria registro no CREA. Segundo o Conselho, essa atividade estaria vinculada à área da engenharia, o que foi contestado pela entidade representativa do setor.

“Ao analisar o recurso, o Tribunal reforçou que o critério legal para obrigatoriedade de registro em conselhos profissionais é a atividade básica da empresa, conforme previsto na Lei nº 6.839/1980. No entendimento dos desembargadores, a fabricação de cervejas e chopes, por si só, não configura atividade privativa de engenharia, não justificando a fiscalização ou a exigência de registro pelo CREA”, explica André Lopes, do escritório Lopes Verdi Advogados, diretor Jurídico da Abracerva.

Lopes também enfatiza que outro ponto relevante destacado na decisão é que normas infralegais, como resoluções do CONFEA, não podem ampliar obrigações que não estejam previstas em lei. Assim, eventuais tentativas de enquadrar o setor cervejeiro com base em regulamentações administrativas foram consideradas inválidas, explica o advogado.

“A decisão representa mais um importante precedente para o setor, consolidando o entendimento de que a atividade cervejeira não se submete automaticamente às exigências dos conselhos de engenharia, devendo ser analisada à luz de sua atividade principal”, diz.

CREA-SP defende rigor técnico na produção cervejeira

Em nota ao Guia da Cerveja, o CREA-SP diz que respeita as decisões do Judiciário, mas sinaliza que continuará buscando “soluções que conciliem o desenvolvimento econômico com a proteção da sociedade”. O órgão argumenta que a fabricação de cerveja não é apenas um processo cultural, mas uma operação industrial de alta complexidade que envolve riscos à integridade física da população.

O conselho sustenta que etapas como o cálculo estequiométrico de insumos, o dimensionamento de trocadores de calor e o controle de processos físico-químicos exigem, obrigatoriamente, a supervisão de um profissional habilitado por serem de natureza técnica, em especial do ramo da Engenharia Química. Para a autarquia, a presença de um responsável técnico não deve ser vista como uma “exigência formal”, mas como um instrumento essencial de segurança alimentar e operacional.

“Além disso, em razão da própria natureza dessas atividades, que pressupõem a atuação de profissional habilitado, entende-se que a pessoa jurídica que as desenvolve deve estar sujeita ao registro no Conselho profissional competente, justamente para assegurar a vinculação de responsável técnico regularmente habilitado, em conformidade com a legislação vigente”, diz a nota, citando que atividades técnicas como as citadas estão na Resolução nº 218/1973 do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea).

As cervejarias já estão sujeitas à obrigação de ter responsável técnico, porém, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que regula o setor de bebidas, esse profissional não precisa ser exclusivamente engenheiro ou químico. Há casos de biólogos, técnicos industriais e farmacêuticos cumprindo essa função.

Leia a íntegra da nota do CREA-SP:

Nota ao Guia da Cerveja

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP) vem a público reafirmar seu compromisso com a proteção da sociedade, a segurança dos processos produtivos e a valorização do exercício profissional na área tecnológica, sempre pautado pelo diálogo institucional e pelo respeito às decisões do Poder Judiciário.

A atuação do Crea-SP tem caráter essencialmente preventivo e orientativo, buscando assegurar que atividades técnicas com potencial de impacto à saúde, à segurança e à integridade física da população sejam conduzidas por profissionais legalmente habilitados, com formação adequada e responsabilidade técnica definida.

No caso da produção cervejeira, reconhece-se a relevância econômica e cultural do setor, ao mesmo tempo em que se destaca que o processo produtivo envolve etapas de natureza técnica complexa, que demandam conhecimento especializado. A fabricação de cerveja compreende operações que envolvem controle de processos físico-químicos, dimensionamento e operação de equipamentos industriais, controle de qualidade, automação e gestão de resíduos, elementos que dialogam diretamente com competências típicas da Engenharia, especialmente da Engenharia Química.

Atividades como o cálculo de insumos com base em princípios de estequiometria e balanços de massa, o dimensionamento de tanques de fermentação e trocadores de calor, bem como o controle rigoroso de variáveis operacionais, exigem domínio de áreas como Transferência de Calor e Massa, Operações Unitárias, Mecânica dos Fluidos e Controle de Processos. Tais atribuições encontram respaldo nas disposições da Resolução nº 218/1973 do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), que estabelece as competências profissionais relacionadas à supervisão, planejamento, projeto, operação e controle de processos industriais, inclusive na indústria de alimentos.

Nesse contexto, a presença de responsável técnico não se configura como exigência meramente formal, mas como instrumento de garantia à sociedade de que tais atividades serão conduzidas sob critérios técnicos adequados, mitigando riscos e assegurando a qualidade dos produtos e a segurança das operações.

Além disso, em razão da própria natureza dessas atividades, que pressupõem a atuação de profissional habilitado, entende-se que a pessoa jurídica que as desenvolve deve estar sujeita ao registro no Conselho profissional competente, justamente para assegurar a vinculação de responsável técnico regularmente habilitado, em conformidade com a legislação vigente.

O Crea-SP reitera seu respeito às decisões judiciais e permanece à disposição para o diálogo institucional, contribuindo tecnicamente para o aprimoramento das interpretações e para a construção de soluções que conciliem o desenvolvimento econômico com a necessária proteção da sociedade.

Latas de alumínio batem 34,1 bi de unidades em 2025; água, drinks e cachaça ganham espaço

O setor brasileiro de latas de alumínio para bebidas encerrou o ano de 2025 batendo a marca de 34,1 bilhões de unidades comercializadas, o segundo maior número já registrado, de acordo com os dados divulgados pela Associação Brasileira da Lata de Alumínio (Abralatas). O recorde ficou com o ano de 2024, com 34,8 bi de latas vendidas.

Segundo a Abralatas, ao analisar os dados do mercado, é possível observar uma mudança no perfil de consumo de bebidas em lata. As categorias tradicionais, como cerveja e refrigerantes — que continuam respondendo pela maior fatia do volume de latas — registraram uma leve retração no ano. Segundo o levantamento, esse recuo é reflexo de um consumo mais cauteloso por parte dos brasileiros ao longo de 2025.

Novos segmentos ganham espaço nas latas de alumínio

Por outro lado, o motor que manteve o setor aquecido migrou para novos segmentos que vêm ganhando cada vez mais espaço nas gôndolas e alterando os hábitos de consumo.

O grande destaque percentual foi a água em lata, que cresceu 24% em relação ao ano anterior e já se firma como a principal aposta da indústria para os próximos anos, mesmo ainda representando uma fatia pequena do total de vendas. As categorias de drinks prontos, cachaça em lata, energéticos e sucos também apresentaram avanço significativo.

“Passamos de um mercado concentrado em duas categorias para um setor que acompanha a fragmentação dos hábitos de consumo”, afirma Cátilo Cândido, presidente executivo da Abralatas. Ele ressalta que o fato de o setor conseguir operar acima do patamar de 34 bilhões de unidades, mesmo sem o tradicional impulso puxado pela cerveja e pelo refrigerante, comprova a robustez atual da indústria de embalagens.

Apostas para 2026

O otimismo gerado por essa diversificação está se traduzindo em investimentos em infraestrutura. A indústria trabalha hoje com a premissa de um crescimento contínuo na demanda e, por isso, tem movimentado o parque fabril nacional. A empresa Ball, por exemplo, reabriu fábricas no estado de Minas Gerais. A multinacional Ardagh investiu recentemente na ampliação da sua capacidade instalada. A Canpack está com planos de inaugurar uma nova unidade produtiva na cidade de Poços de Caldas (MG), e a Crown está em processo de expansão da sua fábrica localizada em Ponta Grossa (PR).

Com a maturação desses investimentos fabris, a Abralatas já projeta um novo ciclo de alta para o mercado em 2026. A expectativa de crescimento está fundamentada na consolidação dessas novas categorias de bebidas em lata. Além disso, há também um calendário de eventos que favorece o consumo, incluindo uma série de feriados prolongados e a Copa do Mundo.

“A diversificação deixou de ser tendência e virou estrutura”, completa Cândido. “É isso que nos dá confiança para projetar crescimento mesmo em um cenário macroeconômico incerto”, finaliza.

Vai Brasa! Harmonizações com cervejas medalhistas do World Beer Cup 2026

Em primeiro lugar: sim, é um péssimo slogan. Não vai pegar. É a nova caxirola (2014 feelings – bad feelings). Em segundo lugar, notícia fresquíssima, o Brasil levou 5 medalhas na quarta-feira (22) no World Beer Cup – a Copa do Mundo das Cervejas, anualmente conduzida pela Brewers Association (BA). Para ter uma noção do tamanho da competição, este ano foram pouco mais de 8 mil cervejas avaliadas, quase três vezes mais do que nas competições nacionais.

Foram elas: 

  • Cervejaria Unika – Catharina Sour Caju & Pitanga
  • Cervejaria Unika – The Famous Gose – Morango e Pitanga. 
  • 277 Craft Beer – Frutas Vermelhas 277 – Wood Aged
  • Cervejaria Stannis – Kapitan Lisa (Adambier)
  • Cervejaria Daroravida – Terminus 2026

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Ainda não tive oportunidade de degustar nenhuma delas e fiquei imaginando harmonizações com cervejas campeãs. Do mais fácil para o mais difícil – e daria um bom jantar de três a quatro tempos.

Harmonizações com cervejas campeãs

Ambas as cervejas da Unika são ácidas, com baixo teor alcoólico e com protagonismos das frutas. São de Santa Catarina. Com certeza eu iria de ostras! Aliás, eu levaria essas cervejas no Puro Oyster Bar no Jurerê. Vi o Pedro Soares “confeitar” ostras com vinagres, salicórnia e outras coisas superinteressantes quando o conheci na Feira Selvagem em 2023.

Imagino a Frutas Vermelhas 277 – Wood Aged, ácida, frutada e com presença de madeira com carnes vermelhas ou de caça, ou mesmo um magret malpassado (o único ponto correto do magret) com molho de redução da própria cerveja.

Aqui a coisa se complexifica. Eu, sinceramente, não me recordo de ter degustado sequer algum exemplar de Adambier. Tive que recorrer ao guideline: 

A Adambier é um estilo histórico de cerveja originário de Dortmund, na Alemanha. Trata-se de uma ale forte, escura e complexa, que se destaca pelo seu longo processo de maturação e perfil maltado robusto. Tradicionalmente, essas cervejas podem apresentar notas ácidas ou levemente defumadas devido ao envelhecimento extensivo em barris de madeira. O diferencial está no envelhecimento: o tempo em madeira pode adicionar um caráter de Brettanomyces ou acidez lática, mascarando parte do perfil original de malte e lúpulo. Embora versões modernas possam omitir o defumado, o estilo tradicional frequentemente inclui um toque de fumaça e pode, ocasionalmente, levar trigo na composição.

A Kapitan Lisa tem 9% de ABV e é uma cerveja robusta. Poderia acompanhar perfeitamente um toscano (charuto italiano defumado) após a refeição.

Já a Términus 2026, uma Barley Wine envelhecida em castanheira, merece um queijo azul brasileiro. Cuesta azul da Pardinho, com sua massa macia e untuosa, aromas e sabores pungentes do penicilinum, com sua casca levemente amarga. Tudo ali se encontra bem com uma cerveja potente, de alto teor alcoólico, frutada e com madeira.

Deu fome! Vai Brasa! Saúde!


Jayro Neto é somelelê, CFO, auxiliar administrativo e sócio da Cozalinda. É sommelier de cervejas desde 2015, campeão do Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas de 2019. Também atua como diretor financeiro da Abracerva desde 2022, é juiz BJCP Certified e coautor do livro Guia da Sommelieria Brasileira.


* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

Menu Degustação: Schornstein celebra 20 anos com festival em Pomerode

A Schornstein comemora duas décadas de operação com a realização de um festival em Pomerode (SC). O Schornstein Festival ocorrerá no sábado (6 de junho), das 10h à meia-noite, e no domingo (7 de junho), das 10h às 21h, com entrada gratuita. A estrutura será montada na Rua Hermann Weege, no Centro Histórico da cidade.

A programação terá três palcos simultâneos com apresentações de rock, pop, reggae e discotecagem em vinil. Uma das novidades é o Palco Sem Vergonha, destinado a karaokê com banda ao vivo. O espaço contará também com praça de alimentação, área para crianças e oferta de diversos estilos de cerveja artesanal, vinhos e drinques.

O festival marca a trajetória da empresa como pioneira no setor de cervejas independentes no país. Atualmente, a Schornstein integra a Companhia Brasileira de Cerveja Artesanal (CBCA) e distribui produtos para 2 mil pontos de venda. Detalhes sobre o evento estão disponíveis no site oficial da marca.

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Amstel realiza terceira edição do King’s Day em São Paulo

A Amstel promove no sábado (25) e no domingo (26) a terceira edição do King’s Day, em São Paulo (SP). O evento gratuito celebra a principal data nacional dos Países Baixos às margens do Rio Pinheiros, na ciclovia próxima à Ponte do Jaguaré. A programação terá shows de Marcelo D2, Rachel Reis e Diego Martins, além de um palco flutuante inédito sobre as águas e passeios de barco. Os ingressos devem ser retirados pela plataforma Sympla.

O festival ocorre das 15h às 22h30 e oferece gastronomia típica holandesa, com itens como bolinhos Bitterball e Stroopwafels a partir de R$ 28. O acesso ao local é realizado pelo Parque Cândido Portinari. Segundo a organização, a expectativa de público é de 3 mil pessoas por dia. A celebração também será levada pela primeira vez ao Recife (PE), com foco em atrações culturais locais.

Recentemente, o grupo promoveu outras experiências com ativações de marca no país. A UEFA Champions League Trophy Tour passou pelo Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Porto Alegre RS), expondo a taça original do torneio europeu em espaços como o Museu do Futebol. Já na capital fluminense, a Heineken 0.0 realizou no domingo (19) a corrida Finish Line Run, que reuniu mais de mil participantes em um trajeto de 5 quilômetros pelo Centro Histórico, encerrando com brunch e aulas de yoga na Praça Mauá.

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Serena Williams é a nova embaixadora da Heineken 0.0

A Heineken 0.0 anunciou a lenda do tênis Serena Williams como embaixadora global em uma parceria de longo prazo. A estratégia foca no crescimento do padel, esporte social praticado pela atleta nos últimos anos. Para marcar o lançamento, Williams surpreendeu jogadores em Miami (EUA) ao participar de partidas reservadas via plataforma Playtomic. A marca planeja novas ações com embaixadores ao longo de 2026 para incentivar conexões sociais sem álcool.

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Oktoberfest de Igrejinha elege soberanas da 37ª edição

Igrejinha (RS) escolheu a corte oficial da 37ª Oktoberfest no último sábado (18). Rafaela Robinson Werb foi eleita rainha, tendo Tainara de Conto Nunes e Jhenifer Fais como princesas. A seleção ocorreu após 55 dias de preparação em oficinas de oratória e cultura alemã. O evento comunitário, realizado por 3 mil voluntários, ocorrerá de 9 a 18 de outubro de 2026 no Parque Almiro Grings.

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Estrella Galicia assina harmonização no Dinner in the Sky

A Estrella Galicia é a cerveja oficial da temporada 2026 do Dinner in the Sky, em São Paulo (SP). Até o dia 16 de agosto, a marca espanhola oferece harmonizações no Parque Villa-Lobos, abrangendo desde o brunch até o jantar. O portfólio inclui versões sem álcool para períodos matutinos e rótulos premium, como a 1906 Black Coupage, para sessões noturnas. A expectativa é que 13 mil pessoas participem da experiência gastronômica nas alturas.

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Sorgo desponta como alternativa para cervejas sem glúten

Uma parceria técnica entre a Advanta Seeds e a cervejaria paulista X Craft Beer resultou no desenvolvimento de um lote experimental de cerveja à base de sorgo. O projeto visa atender à crescente demanda por bebidas artesanais sem glúten, substituindo cereais tradicionais como cevada e trigo pelo grão ancestral. A receita, do estilo Pale Ale, utiliza mais de 50% de sorgo não maltado e técnicas modernas de brassagem com condução enzimática para garantir a conversão do amido em açúcares fermentáveis. Embora ainda não esteja disponível comercialmente, a iniciativa demonstra a viabilidade do cereal como protagonista nutritivo e sustentável na indústria de bebidas nacional.

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Erdinger Alkoholfrei reforça presença no mercado brasileiro

A Interfood Importação amplia a distribuição da Erdinger Alkoholfrei no Brasil, versão sem álcool da tradicional cerveja de trigo da Baviera. O rótulo apresenta perfil nutricional com 25 calorias por 100 ml, propriedades isotônicas e vitaminas do complexo B, como B9 e B12, sendo direcionado a consumidores que buscam equilíbrio e um estilo de vida ativo. O produto está disponível em garrafas e latas de 500 ml, com preços a partir de R$ 18,90, e pode ser encontrado em lojas especializadas ou no e-commerce oficial da importadora.

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Rio de Janeiro recebe segunda edição do All Beers Sessions

O festival cervejeiro All Beers Sessions retorna ao Rio de Janeiro (RJ) no dia 2 de maio, no Brewteco Tijuca, reunindo 55 produtores artesanais. O evento, idealizado por Raphael Rodrigues, oferece degustação de rótulos clássicos e produções experimentais em formato de circulação livre. Os ingressos estão à venda pela plataforma Sympla, com valores a partir de R$ 270 no primeiro lote. A iniciativa consolida a capital fluminense no roteiro dos grandes encontros nacionais do setor, aproveitando a infraestrutura inspirada nos jardins de cerveja alemães.

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Bodebrown lança 6ª cerveja oficial do Iron Maiden em Curitiba

A cervejaria curitibana Bodebrown realiza neste sábado (25) o Trooper Day para o lançamento da Run For Your Lives, sexta cerveja desenvolvida em parceria com a banda Iron Maiden. O evento ocorre na fábrica, em Curitiba (PR), com entrada gratuita das 9h às 18h e apresentações de bandas cover de metal. A novidade é uma Lager ao estilo brasileiro que utiliza lúpulos catarinenses e alemães, apresentando teor alcoólico de 4,9%. A programação incluiu um pré-lançamento fechado na última quinta-feira (23) com a presença do guitarrista Adrian Smith.

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Lagunitas promove tarde de drinks e adoção de cães em São Paulo

A marca de cerveja Lagunitas realiza neste sábado (25) o evento Dogs & Drinks no Amargot Bar, em São Paulo (SP), em parceria com a ONG Desabandone. A partir das 14h, o público poderá participar de workshops que combinam coquetelaria para humanos e versões não alcoólicas para pets, com renda total revertida para a causa animal. A programação conta ainda com uma feira de adoção e preços promocionais para a cerveja Lagunitas DayTime. Os ingressos para as sessões de treinamento estão disponíveis via Sympla, reforçando a conexão histórica da cervejaria californiana com a comunidade de tutores de cães.

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Eisenbahn anuncia novos embaixadores em campanha nacional

A Eisenbahn, marca premium do Grupo Heineken, anunciou Henrique Fogaça, Ana Paula Padrão e Ricardo Amorim como os novos integrantes da campanha Locomotiva. A ação foi marcada por projeções urbanas em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Ribeirão Preto na última quinta-feira (23) e seguirá com veiculação digital e na televisão até o dia 31 de maio. A estratégia visa conectar a trajetória de superação dos embaixadores à história da cervejaria, fundada em Blumenau (SC) e detentora de mais de 150 prêmios internacionais. A marca busca consolidar-se como a terceira maior força do grupo no mercado brasileiro.

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Skol e Climatempo lançam campanha baseada em inteligência climática

A Skol e a Climatempo iniciaram uma parceria inédita que utiliza geolocalização e dados meteorológicos para impactar consumidores em 15 estados brasileiros. A campanha “Skol: Férias e Feriados” personaliza o portal de previsão do tempo com a identidade visual da marca em dias que precedem períodos de lazer, como o feriado de Tiradentes e o próximo Dia do Trabalho (1º de maio). O projeto aproveita o aumento médio de 35% nas buscas por informações climáticas nessas datas para oferecer mídia contextualizada. A estratégia busca aproximar a marca do público independentemente da previsão, focando em momentos de descanso e diversão.

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Festival em Campos do Jordão atrai 90 mil pessoas e movimenta R$ 2 milhões

A primeira edição do Bier & Food Festival, encerrada na última terça-feira (21) em Campos do Jordão (SP), superou as expectativas ao receber mais de 90 mil visitantes no Parque Capivari. O evento reuniu 15 operações gastronômicas e cervejarias artesanais da Serra da Mantiqueira, gerando um impacto econômico direto superior a R$ 2 milhões. Com workshops de harmonização e programação musical focada em jazz e rock, o festival ajudou a elevar a ocupação hoteleira da cidade a 80% durante o feriado de Tiradentes. A organização destaca que o sucesso da iniciativa reforça o potencial do destino turístico fora da tradicional temporada de inverno.

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Petra patrocina turnê de João Gomes em homenagem a Dominguinhos

A cerveja Petra, do Grupo Petrópolis, anunciou o patrocínio da turnê “Dominguinho”, projeto musical que reúne os artistas João Gomes, Jota.pê e Mestrinho. A abertura da série de 16 shows ocorrerá neste sábado (25), no Allianz Parque, em São Paulo (SP), celebrando um ano do álbum que originou a iniciativa. A marca promoverá ativações como espaços instagramáveis e distribuição de brindes, além de integrar os músicos Jota.pê e Mestrinho ao seu time de influenciadores. O roteiro de apresentações percorrerá capitais como Fortaleza, Rio de Janeiro e Salvador ao longo de 2026, visando reforçar a conexão da empresa com a cultura nordestina e a música brasileira contemporânea.

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Pub em Curitiba harmoniza carne de onça com cerveja de pinhão

O pub Masc Beer, em Curitiba (PR), promove até o dia 2 de maio uma ação que combina a tradicional carne de onça com cerveja artesanal de pinhão. A harmonização utiliza o rótulo Langer do Largo, da cervejaria Ignorus, uma American Light Lager que o pinhão em sua receita. O prato segue o preparo clássico com carne fresca, cebola e cebolinha, sendo oferecido em versões individual (R$ 29) e para compartilhamento (R$ 79). A iniciativa busca valorizar ingredientes e costumes da culinária regional paranaense durante o horário de funcionamento da casa, de terça-feira a sábado.

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Sindicerv destaca papel “incomparável” da cerveja na história, cultura e economia

A cerveja como criação singular na trajetória humana ganha novo destaque nas ações do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), que vem usando o mote “Cerveja: Incomparável” para reforçar o valor da bebida na história, na cultura e na economia. A proposta é lembrar que, mais do que um produto de consumo, a cerveja é um ativo cultural, social e econômico que acompanha a humanidade há milhares de anos e hoje movimenta uma das cadeias produtivas mais relevantes do país. 

O Sindicerv representa empresas responsáveis por cerca de 80% da produção nacional e tem entre seus associados Ambev e Heineken, duas das maiores cervejarias do Brasil.

A entidade representativa destaca que o país ocupa a segunda posição no ranking mundial de produção de cerveja, com aproximadamente 15 bilhões de litros por ano, o que traduz a força da bebida na mesa dos brasileiros e na geração de emprego e renda.

Da lavoura de cevada e lúpulo aos bares, restaurantes e supermercados, a cadeia cervejeira movimenta bilhões de reais e sustenta uma extensa rede de fornecedores, distribuidores e prestadores de serviço em todas as regiões do Brasil. 

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Estimativas do setor apontam que a cerveja responde por cerca de 2% do Produto Interno Bruto, o equivalente a algo em torno de R$ 254 bilhões considerando o PIB de 2025, gera aproximadamente 2,5 milhões de empregos diretos, indiretos e induzidos e contribui com mais de R$ 50 bilhões em tributos.

Sindicerv além dos números

Para o Sindicerv, no entanto, a relevância da cerveja vai além dos números. A bebida ocupa um lugar especial na sociabilidade e na cultura brasileira, presente em encontros entre amigos, celebrações familiares, eventos esportivos e manifestações culturais, conectando pessoas, territórios e tradições. 

Essa presença vem acompanhada de uma agenda consistente de responsabilidade, com iniciativas voltadas à promoção do consumo moderado, ao combate à combinação álcool e direção e ao apoio a programas de informação ao consumidor.

“Ao reforçar a mensagem de que a cerveja é ‘incomparável’, o Sindicerv reforça que esta é uma criação que nos tornou mais humanos: uma bebida que atravessa séculos, impulsiona a economia, valoriza a agricultura nacional e segue como um elemento central da experiência cultural e social do país. Ou seja, a cerveja ocupa um lugar especial na sociabilidade e na cultura brasileira, presente em encontros entre amigos, celebrações familiares, eventos esportivos e manifestações culturais”, diz a entidade no material de divulgação.

Confira abaixo o vídeo da “Cerveja Incomparável”.

Existe cura ou remédio para ressaca? O que a pesquisa médica diz sobre mitos e tratamentos

A relação do consumidor com a cerveja passa pela responsabilidade e pelo entendimento dos efeitos do álcool no organismo. No entanto, quando o consumo ultrapassa a capacidade de metabolização do corpo, o resultado fisiológico direto é a ressaca. Por isso, a moderação é tão importante e a melhor estratégia é a prevenção. Mas e quando ela já está instalada, como proceder? Em um mercado em que circulam inúmeras promessas de alívio rápido e produtos milagrosos, torna-se necessário recorrer ao rigor científico para compreender se há cura ou remédio para ressaca, o que realmente mitiga esse mal-estar e o que é desinformação.

Com base nas diretrizes do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), do Instituto Nacional de Abuso de Álcool e Alcoolismo dos Estados Unidos (NIAAA) e em revisões clínicas detalhadas do National Center for Biotechnology Information (NCBI), reunimos informações sobre os tratamentos para a ressaca, os mitos e as verdadeiras estratégias que auxiliam na recuperação do organismo.

O que é ressaca?

A ressaca é uma combinação severa de reações biológicas ao efeito do álcool no organismo. Conforme apontam os dados do CISA e do NIAAA, o primeiro grande impacto é a desidratação. O álcool inibe a produção de vasopressina, um hormônio antidiurético, forçando os rins a eliminarem muito mais líquido do que o normal.

Simultaneamente, ocorre um processo de toxicidade. Durante a metabolização da bebida, o fígado transforma o álcool em acetaldeído, um subproduto tóxico que provoca inflamação significativa no corpo antes de ser totalmente decomposto. O quadro físico é ainda agravado pela irritação direta da mucosa gástrica, que aumenta a acidez no estômago e atrasa a digestão, e por uma alteração profunda na arquitetura do cérebro durante o repouso. O sono induzido pelo álcool é fragmentado e de baixa qualidade, resultando em uma fadiga intensa no dia seguinte.

Não há remédio para ressaca

Diante desse forte estresse fisiológico, os consumidores frequentemente recorrem a estratégias populares que a ciência reprova. A prática de consumir mais bebida alcoólica no dia seguinte para tentar aliviar o mal-estar é fortemente contraindicada pelos especialistas do NIAAA. O novo consumo atua apenas como um sedativo temporário, mascarando a dor enquanto sobrecarrega o fígado com uma nova dose de toxinas, além de ser um comportamento que eleva os riscos de dependência a longo prazo.

Outro mito recorrente é o uso do café forte para curar a embriaguez ou a ressaca. Embora a cafeína seja um estimulante capaz de reduzir a sensação de letargia, ela não acelera em nada a eliminação do álcool da corrente sanguínea e pode até piorar a desidratação devido às suas propriedades diuréticas.

Em relação às soluções de farmácia, a ciência traz um alerta importante. Uma extensa revisão sistemática publicada no NCBI avaliou dezenas de intervenções, suplementos e extratos naturais amplamente comercializados como curas para a ressaca. A conclusão clínica dos pesquisadores foi de que não há evidências científicas sólidas de que qualquer remédio, pílula ou composto previna ou cure a ressaca de forma eficaz. Algumas substâncias apresentaram melhorias muito marginais em sintomas isolados, mas nenhuma demonstrou eficácia clínica comprovada para resolver o problema.

Contenção de danos: como aliviar sintomas

Na ausência de uma cura medicamentosa, o tratamento da ressaca consiste puramente no manejo dos sintomas enquanto o corpo faz o trabalho de eliminar as toxinas. A hidratação rigorosa é a medida mais urgente. O consumo abundante de água, associado a caldos claros e bebidas isotônicas, é recomendado. Ele reverte o déficit de líquidos e repor os eletrólitos minerais perdidos através da urina, o que ajuda a aliviar dores de cabeça e tonturas.

O uso de medicamentos comuns para mitigar a dor exige extrema precaução. O NIAAA adverte que analgésicos e anti-inflamatórios, como o ácido acetilsalicílico e o ibuprofeno, podem agravar a irritação gástrica. O que piora significativamente os quadros de náusea e dor de estômago. 

O alerta mais grave, no entanto, vai para o paracetamol. Especialistas alertam que se deve evitar esse medicamento durante a ressaca. Há elementos na sua composição que interagem com os resíduos de álcool ainda presentes no organismo, elevando drasticamente o risco de toxicidade e lesões hepáticas severas.

A alimentação desempenha um papel de suporte fundamental no processo de recuperação. O consumo de carboidratos de fácil digestão, como torradas e bolachas salgadas, auxilia na estabilização dos níveis de glicose no sangue. Essa reposição ajuda a mitigar os tremores, a sudorese e a fraqueza muscular, sintomas frequentemente associados à hipoglicemia induzida pela metabolização do álcool.

Prevenção é o melhor remédio

Apesar de todas as medidas de suporte, o consenso entre o CISA, o NIAAA e os estudos do NCBI é que o único fator realmente curativo é o tempo. O ciclo completo de recuperação do organismo leva, em média, de 8 a 24 horas após o fim do consumo. A pesquisa médica reforça que, para evitar o impacto nocivo ao corpo, a única abordagem garantida continua sendo a prevenção. A moderação no consumo, a hidratação intercalada e a ingestão de alimentos antes e durante a degustação da cerveja.

Unika, Stannis, 277 Craft Beer e Daoravida são premiadas no World Beer Cup 2026

A Brewers Association (BA), entidade que representa as cervejarias artesanais nos Estados Unidos, realizou na noite desta quarta-feira (22) a cerimônia de premiação do World Beer Cup (WBC) 2026. Entre os vencedores da competição estão quatro cervejarias brasileiras, que trouxeram ao todo cinco medalhas para o nosso país: Unika (a única a faturar duas premiações), Stannis, 277 Craft Beer e Daoravida Brewpub.

O anúncio ocorreu no último dia do Craft Brewers Conference (CBC), reunião anual dos associados da BA, que começou na segunda-feira (20) na Filadélfia, na Pensilvânia. Este ano a competição chega à 17ª edição, completou 30 anos de existência e premiou 353 cervejarias e fabricantes de sidras de todo o mundo em 118 categorias. Só de cervejas, foram 8.166 amostras de 1.644 cervejarias representando 50 nações. Elas foram avaliadas por um painel internacional de 255 jurados de 50 países.

O mundo e o Brasil

Comitiva de brasileiros que estavam presentes na premiação do World Beer Cup 2026, entre cervejeiros premiados e juízes do concurso. Ao centro, de boné, Giba Tarantino, presidente da Abracerva (Crédito: Arquivo Pessoal / Gilberto Tarantino)
Comitiva de brasileiros que estava presente na premiação do World Beer Cup 2026, entre cervejeiros premiados e juízes do concurso. Ao centro, de boné, Giba Tarantino, presidente da Abracerva, e ao seu lado a médica, sommelière e juíza Juliana Koerich (Crédito: Arquivo Pessoal / Gilberto Tarantino)

“Trinta anos depois, a World Beer Cup continua sendo um poderoso reflexo do quanto a indústria cervejeira global evoluiu — e para onde está caminhando”, disse Chris Williams, diretor da competição World Beer Cup. “Mesmo em um ano que desafiou os produtores de bebidas alcoólicas a evoluírem, os vencedores deste ano demonstraram que a inovação, a precisão e a paixão pela cerveja artesanal estão mais fortes do que nunca.”

Sobre a participação brasileira, Gilberto (Giba) Tarantino, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), se diz muito feliz com o aumento de prêmios nos últimos anos. Quatro das medalhas foram obtidas por meio de inscrições distribuídas para os 18 vencedores da etapa final da Copa Cerveja Brasil, competição nacional organizada pela entidade. “Estamos muito contentes e o pessoal da BA aqui também reconheceu a importância das cervejas brasileiras e a constância da parceria com a Abracerva, que é uma maneira importante de levar ao conhecimento do mundo a qualidade da cerveja brasileira”, completa.

O Brasil foi o quinto país com mais cervejas inscritas no World Beer Cup 2026. Foram 164 amostras de 37 cervejarias. Ao todo, a competição recebeu 8.166 cervejas que foram avaliadas pelos juízes em várias etapas — a última delas, durante a conferência, às vésperas da premiação.

Medalhas brasileiras no World Beer Cup 2026

A Cervejarai Unika, de Rancho Queimado (SC), na Serra Catarinense, foi a maior premiada, com duas medalhas. A primeira, de ouro, foi para a Catharina Sour Caju & Pitanga na categoria Experimental Beer. A segunda foi de prata na categoria Gose com a The Famous Gose – Morango e Pitanga. 

O estado de Santa Catarina também merece destaque, já que três dos prêmios foram para cervejarias catarinenses. Além das medalhas da Unika, a Cervejaria Stannis, de Jaraguá do Sul (SC) foi condecorada com medalha de ouro na categoria Historical Beer. A cerveja vencedora foi a Kapitan Lisa, uma Adambier. 

“O World Beer Cup é uma vitrine global da excelência cervejeira. Estar entre os vencedores já seria motivo de grande orgulho. Voltar com uma medalha de ouro, representando Jaraguá do Sul, Santa Catarina e o Brasil, é um reconhecimento muito importante do trabalho que construímos com consistência, identidade e atenção aos detalhes”, destaca a Stannis em material divulgado à imprensa.

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O Sul também se destacou por concentrar a maior parte dos premiados. A quarta medalha da região foi para Foz do Iguaçu (PR). A cervejaria 277 Craft Beer ganhou o bronze pela cerveja Frutas Vermelhas 277 – Wood Aged. Ela foi premiada na categoria Fruited Wood- and Barrel Aged Sour Beer, dedicada a cervejas ácidas com frutas maturadas em madeira. A 277 também conquistou duas medalhas de ouro em 2025.

A última medalha foi para Campinas (SP), para a Cervejaria Daroravida, que ganhou ouro pela Terminus 2026 na categoria Wood- and Barrel Aged Strong Beer. Trata-se da edição comemorativa de 11 anos da cervejaria, uma Barley Wine maturada em castanheira, uma madeira brasileira. A série Terminus da Daoravida já havia mais de 20 medalhas até março deste ano. “Vencer em uma das
Categorias mais disputadas do mundo usando a Castanheira reafirma a nossa identidade e mostra que o Brasil tem uma ‘assinatura’ sensorial potente e respeitada lá fora”, destaca Wagner Falci, fundador da Daoravida.

A BA publicou a lista completa de premiações no site oficial do World Beer Cup 2026.

Juízes brasileiros

O Brasil também está cada vez mais bem representado no corpo de jurados da competição, por homens e mulheres. Entre eles, estão especialistas com a médica mastologista e sommelière de Florianópolis (SC) Juliana Koerich e o sommelier e Certified Cicerone Francis Mainardi, de São Paulo (SP).

Francis conta que este ano participou da primeira das duas etapas de julgamento das cervejas, realizada em Louisville, no Colorado, em um armazém da BA. A segunda etapa acontece logo antes do CBC. Além da experiência e do intercâmbio com juízes do mundo todo, Francis destaca a premiação de outros países além dos Estados Unidos, como o Brasil, China e Japão. “O World Beer Cup acaba se destacando por isso: ele dá espaço para cervejarias de fora dos Estados Unidos também conquistarem medalhas. O Brasil vem crescendo ano a ano”, diz.

>>> Confira a lista de todas as cervejas brasileiras já premiadas na competição até 2025

A volta da Stone Brewing: Firestone Walker e Duvel vão comprar marca e ativos da Sapporo nos EUA

A Stone Brewing Co., uma das cervejarias artesanais mais famosas dos Estados Unidos, deve voltar a ser independente em breve. A Firestone Walker — que hoje conta com participação majoritária da Duvel USA, mas opera de maneira independente — fechou acordo com a divisão norte-americana da japonesa Sapporo para adquirir ativos selecionados e a marca californiana, segundo o site especializado Brewbond. O negócio deve ser selado ainda no segundo trimestre deste ano e os valores não foram revelados.

A notícia veio à tona justamente na semana do Craft Brewers Conference, o encontro anual da Brewers Association (BA), a associação das cervejarias artesanais dos EUA, que acontece até esta quarta-feira (22) na Filadélfia, na Pensilvânia. A Firestone Walker deve ficar responsável pela marca e por quatro bares da Stone na Califórnia, além da distribuição na Costa Oeste americana. Para a Duvel caberá a distribuição no restante do país.

As fábricas da Stone em Escondido, na Califórnia — o que inclui seu taproom — e Richmond, na Virgínia, não entraram no negócio. A Sapporo ainda avalia, de acordo com o Brewbound, o que fazer com a planta californiana. No entanto, vai ficar com a de Richmond para produzir sua linha própria de cervejas nos Estados Unidos.

Após a transação ser concluída, a produção da Stone será dividida na fábrica da Firestone Walker, em Paso Robles, e na Duvel USA, em Kansas City, no Missouri. Não deve haver interrupção nas operações e na produção.

Sapporo acaba encolhendo

A Sapporo foi uma das marcas de cerveja internacionais que investiram fortemente em adquirir artesanais independentes nos Estados Unidos. Em 2019, comprou a icônica Anchor Brewing, de São Francisco, considerada a cervejaria que fundou o moderno movimento da cerveja artesanal norte-americano. Em 2022 foi a vez da Stone Brewing. Ambas faziam parte da estratégia de expansão nos EUA.

Porém, já em 2023 a multinacional japonesa anunciou que encerraria a atividade da Achor, vendendo seus ativos em partes. A polêmica foi grande e o bilionário do setor de iogurtes Hamdi Ulukaya, fundador e CEO da Chobani Yogurt, comprou a empresa em 2024. Na época, ele deu declarações de que reabriria e preservaria a cervejaria – não há mais notícias depois disso.

Agora a Stone Brewing também acaba desmantelada e vendida em partes. Muitas são as críticas de especialistas à Sapporo, que apontam erros de gestão e estratégia como os motivos da derrocada. Somados, os investimentos chegaram a cerca de 250 milhões de dólares. 

Entre os fatos apontados, está a tentativa de operar marcas artesanais como se fossem de massa, em grandes escalas e por valores mais baixos. A venda dos ativos mostra agora que a japonesa deve se concentrar nas suas marcas próprias em território norte-americano.

Duvel sai por cima com Stone Brewing

Já a multinacional belga, a Duvel Moortgat, acaba crescendo, em vários sentidos. O primeiro ganho é o reconhecimento da crítica, que acaba atribuindo o sucesso nos investimentos feitos no país ao fato da empresa também ser da área de cervejas especiais, sabendo operar nesse negócio.

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Após aquisições de sucesso, como Ommegang (2003) e Boulervard (2013), e o investimento na Firestone Walker (2015), a empresa também assumiu a operação norte-americana da marca alemã Trumer Pils recentemente. Ela vinha sendo fabricada nos Estados Unidos desde 2004 pela The Gambrinus Company, de Berkeley, Califórnia. O negócio foi revelado no final de março deste ano, publicado pela The Brewer Magazine, até o final do verão do hemisfério norte.

Com os dois negócios recentes, a Duvel USA acaba incorporando cerca de 33 milhões de litros de cerveja por ano a mais, elevando sua produção para mais de 105 milhões de litros anuais. Isso deve ser o suficiente para que ela salte da quinta para a quarta posição no ranking das maiores cervejarias independentes dos Estados Unidos.