O mercado brasileiro de latas de alumínio atingiu um novo patamar histórico. Segundo a Associação Brasileira da Lata de Alumínio (Abralatas), o setor bateu recorde de vendas no último ciclo, comercializando 34,8 bilhões de unidades — crescimento de 7,6% em relação ao ano anterior. Ao todo, foram vendidas 429,2 mil toneladas de alumínio, de acordo com recém-lançado Relatório Setorial ESG da Abralatas de 2025.
Além do bom desempenho comercial, as latas de alumínio reforçaram seu papel de embalagem mais sustentável do país. O índice de reciclagem ficou em 97,3%, um patamar de excelência global. “Esse desempenho reafirma a preferência do consumidor pela lata, enquanto fortalece um ecossistema eficiente que há mais de 15 anos se mantém como referência mundial em circularidade”, afirma Cátilo Cândido, presidente executivo da Abralatas, em texto do relatório, que pode ser baixado no site da Abralatas.
Reciclagem
O relatório da Abralatas destaca o DNA sustentável da embalagem. A rede envolve 39 centros de coleta em 20 estados, 49 recicladoras em 8 estados, 25 fábricas em 13 estados e 42 cooperativas parceiras em 10 estados.
O ciclo de vida de reciclagem da lata, que começa com a aquisição dos produtos no comércio, não termina quando o consumidor descarta o produto e ele chega nos pontos de reciclagem. O processo inclui várias outras etapas, como compactação, detector de radiação, transformação em novas chapas finas, até a transformação novamente em latas e envio para as fábricas de envase.
Além disso, o processo de reciclagem da lata envolve mais de 800 mil catadores de materiais em todo o Brasil, segundo o relatório, o que gera renda e inclusão social para as famílias que integram o ciclo.
Todo esse ecossistema leva aos números de reciclagem de latas, cujo índice atingiu 97,3%. Este percentual poupou 5 mil Gigawatt/hora no Brasil, o que equivale ao consumo de 1% de toda a energia do país.
Aterro zero e descarbonização
Um dos principais marcos ambientais celebrados no documento é a gestão de resíduos nas fábricas. As empresas fundadoras da Abralatas — Ardagh Metal Packaging, Ball, Canpack e Crown Embalagens — atingiram a meta de aterro zero. Isso significa que, hoje, menos de 1% dos resíduos gerados nas unidades fabris é destinado a aterros sanitários. Ou seja, quase 100% das latas do país são reduzidas, reutilizadas, recicladas ou compostadas.
A Abralatas, em parceria com as associadas, oferece ferramentas de capacitação e integração para os trabalhadores. Além disso, também age junto ao poder público para assegurar a inserção prioritária dos catadores nas políticas públicas de reciclagem.
Olhando para o futuro, o setor também deu o pontapé inicial em seu projeto setorial de descarbonização. A iniciativa visa mensurar emissões e preparar a indústria para o futuro mercado regulado de carbono, posicionando a lata de alumínio como uma solução de baixo impacto e alta eficiência energética.
Latas de alumínio brasileiras no G20
Latas de água foram distribuídas nas reuniões do G20 que aconteceram no Brasil em 2024. (Foto: Isabela Castilho/G20 Brasil)
A sustentabilidade das latas de alumínio brasileiras ganhou os holofotes do mundo no G20 — grupo formado pelas maiores economias do mundo, mais a União Africana e a União Europeia. Em 2024, o Brasil assumiu a liderança do grupo, e a Abralatas firmou uma parceria inédita para distribuir 100 mil latas de água mineral em todas as reuniões do grupo realizadas no país. A ação substituiu garrafas plásticas e destacou a preocupação com a circularidade nacional para as lideranças globais.
De acordo com o relatório, cada uma das latas tinha um QR Code que direcionava para um conteúdo educativo sobre circularidade e reciclagem, integrando tecnologia, comunicação estratégica e educação ambiental.
Além da visibilidade, o setor garantiu um avanço técnico histórico: a criação da NBR 17194. Desenvolvida em parceria com a ABNT, esta é a primeira norma técnica de qualidade para latas de alumínio do mundo. O documento estabelece parâmetros rigorosos de segurança e desempenho, elevando a régua de qualidade para toda a cadeia produtiva.
Avanços na legislação e apoio social
O relatório também destaca a forte atuação institucional da Abralatas na modernização de políticas públicas. A entidade teve papel ativo na defesa da inclusão do Imposto Seletivo na Reforma Tributária. O mecanismo que permite tributar de forma diferenciada produtos com maior impacto ambiental, favorecendo embalagens sustentáveis como a lata.
Outro ponto forte foi a regulamentação da Lei de Incentivo à Reciclagem, que cria mecanismos para financiar projetos de reciclagem com foco na inclusão social. O relatório reforça que a valorização dos catadores continua sendo uma prioridade estratégica, com projetos voltados para capacitação e melhoria das condições de trabalho. Esses trabalhadores são um elo fundamental que garante os altos índices de reciclagem do país.
O setor de bebidas no Brasil vive um ciclo constante de modernização, seja por avanços tecnológicos, novas demandas do consumidor ou necessidade de atualizar o arcabouço legal que define cada tipo de bebida produzida e comercializada no país. Agora chegamos em um marco importante: a publicação do Decreto 12.709, que revogou o Decreto 6.871/2009, reorganizando e atualizando a regulamentação de bebidas — um universo que vai muito além da cerveja, mas que impacta diretamente quem trabalha com bebidas alcoólicas e não alcoólicas —, ampliando também para os demais produtos de origem vegetal.
Trago aqui alguns pontos importantes em relação ao propósito do novo decreto e suas atualizações:
Por que atualizar a regulamentação de bebidas?
O antigo decreto já não acompanhava a realidade da indústria, marcada pela expansão do mercado artesanal, pelo surgimento de categorias híbridas, pela pressão por maior transparência e, claro, pela necessidade de harmonizar definições e requisitos com práticas internacionais. Além disso, a rotulagem tornou-se ponto crítico por movimentos de transparência e pela necessidade de combater fraudes. O Decreto 12.709 chega com a proposta de clareza, modernização, padronização e maior segurança jurídica.
As principais mudanças trazidas pelo Decreto 12.709
1 – Revisão das definições e padronização de categorias
Um dos pilares do novo decreto é a atualização das definições de bebidas. O documento reorganiza categorias, revisa conceitos, corrige ambiguidades e cria maior coerência técnica entre diferentes produtos.
Para a cerveja, por exemplo, o decreto mantém sua definição clássica, mas deixa mais claro o enquadramento de bebidas derivadas ou associadas, abrindo espaço para produtos que antes ficavam em áreas cinzentas. Outros segmentos, como destilados, fermentados e bebidas mistas, também passam a ter critérios mais diretos de classificação.
Essa reorganização dá mais segurança ao produtor e reduz espaço para interpretações divergentes por órgãos fiscalizadores.
2 – Adequações para inovações tecnológicas e categorias emergentes
O decreto traz atualizações importantes para permitir que o setor continue inovando sem esbarrar em limitações ultrapassadas. Produtos como bebidas alcoólicas carbonatadas, fermentações com adjuntos alternativos e categorias híbridas agora encontram melhor amparo legal.
3 – Atualizações na rotulagem
A modernização do decreto não substitui as normas específicas de rotulagem, como as da Anvisa e do Inmetro, mas traz diretrizes importantes que impactam diretamente o dia a dia das fábricas.
4 – Autocontrole no Decreto 12.709
Um destaque relevante é a implementação e gestão do programa de autocontrole para assegurar a inocuidade, a identidade, a qualidade, a rastreabilidade e a segurança dos produtos de origem vegetal. Devendo observar, dentre outros itens, a avaliação de riscos, fornecimento de matérias-primas, monitoramento e verificação dos fornecedores, a gestão e controle de documentos.
Um passo importante
Para os produtores, o novo decreto de regulamentação de bebidas traz mais previsibilidade e reduz brechas que antes dificultavam enquadramentos. Produtos inovadores passam a ter parâmetros definidos ou, pelo menos, um caminho mais claro para enquadramento, o que facilita a formalização e reduz risco de autuações. Categorias ficam mais claras, menos sujeitas à interpretação, e os processos administrativos tendem a ser mais ágeis. Isso impacta desde o planejamento de lançamentos até a comunicação com órgãos fiscalizadores. Para os consumidores, a promessa é de mais transparência e menos confusão.
O Decreto 12.709 é um passo, mas não o fim do processo. Várias instruções normativas e portarias devem ser revistas, alinhadas ou substituídas. Muitas categorias ainda dependerão de normativas complementares. Produtores, profissionais e especialistas precisam acompanhar essa transição com atenção, garantindo que seus processos e produtos se alinhem ao novo texto.
As alterações representam um dos movimentos importantes. Ele organiza, moderniza e clarifica um cenário antes fragmentado, trazendo mais segurança para quem produz e mais transparência para quem consome. A transição exigirá estudo, adaptação e, claro, compreensão de que o setor de bebidas evolui muito rápido para a legislação permanecer estática.
Se o objetivo é fortalecer o mercado, incentivar inovação e proteger o consumidor, esse é um passo necessário. Agora começa a etapa mais importante: transformar o decreto em prática.
Chiara Barros é proprietária do Instituto Ceres de Educação e Consultoria Cervejeira. Engenheira Química, especialista em Biotecnologia e Bioprocessos, em Gestão da Qualidade e Produtividade e em Segurança de Alimentos, além de cervejeira e sommelière de cervejas.
* Este é um texto opinativo. As opiniões e informações contidas nele são de responsabilidade do colunista e não refletem necessariamente a opinião do Guia da Cerveja.
A Brahma, patrocinadora da Copa do Mundo 2026, lançou a campanha “Tá Liberado Acreditar” para o Mundial. O objetivo é reacender a esperança do torcedor pelo Hexa. E trouxe Carlo Ancelotti como embaixador do movimento.
O lema celebra a essência do futebol brasileiro: aquele que encanta e transforma lances improváveis em pura magia, reforçando o talento e a autoconfiança que o país tem em campo. O sorteio dos grupos que ocorreu na sexta-feira (5) marca o início oficial da corrida pelo título.
Para dar um gás no entusiasmo pré-Copa, a marca convocou o multicampeão Carlo Ancelotti, hoje técnico da Seleção, para a estreia. O italiano reforça a mística de que a surpresa e o talento brasileiro podem levar a uma grande conquista, mesmo quando as probabilidades não são favoráveis. Segundo Felipe Cerchiari, diretor de marketing de Brahma, ter Carlo Ancelotti, que entende o futebol brasileiro, como embaixador, mostra que até os maiores nomes do esporte se rendem à magia que sempre marcou as conquistas do Brasil.
A campanha, criada em parceria com a agência Africa Creative, também traz uma releitura de um símbolo icônico da marca: o gesto do Nº1, eternizado por Ronaldo Fenômeno, transforma-se nos “Dedos Cruzados”. Este movimento convida simbolicamente os brasileiros a acreditarem novamente na Seleção, resgatando o histórico do futebol nacional em superar estatísticas e contrariar probabilidades nos momentos decisivos.
Grupo Heineken lidera transformação tecnológica no varejo com ativações inovadoras
O Grupo Heineken, em parceria com a agência Outpromo, consolida-se como referência em inovação no varejo brasileiro, transformando o ponto de venda em um espaço de conexão inteligente com o consumidor. A companhia utiliza projetos proprietários como One Fits All (painéis LED) e Liqui-D (telas Amoled para gôndolas). Além de ativações imersivas como o Túnel Heineken UCL e o robô garçom Hei — Inteligência Amigável.
A diretora de Trade Marketing, Jussara Calife, afirma que o objetivo é fazer com que a Heineken seja referência em ativações tecnológicas e disruptivas. O que une eficiência, sustentabilidade e engajamento emocional.
Amstel exalta futebol brasileiro em campanha da Libertadores 2025
A Amstel, cerveja oficial da Conmebol Libertadores, lançou o filme O Grito Libertador para a final no sábado (29), celebrando um marco histórico. A campanha, exibida na TV e redes sociais, usa humor e samba para destacar o empate de 25 títulos entre clubes brasileiros e argentinos na competição. O diretor de marketing da Amstel no Brasil, João Victor Guedes, explica que a ação, desenvolvida pela agência Live, valoriza a rivalidade esportiva como uma oportunidade para promover a integração cultural na América Latina.
A Skol voltou para o Carnatal 2025 e, para comemorar, presenteou seis foliões de Natal (RN), Fortaleza (CE) e Rio de Janeiro (RJ) com uma experiência completa na micareta. Os ganhadores, que participaram de uma promoção criativa no Instagram da festa, vão curtir os três dias (5 a 7 de dezembro) com abadá e acesso a blocos, camarotes e áreas exclusivas, inclusive o Camarote Skol com open bar. A marca do portfólio Ambev, conhecida pelo incentivo ao consumo moderado, reforça o compromisso em valorizar a cultura da micareta.
Inside The Star celebra o Natal com harmonização exclusiva
O Inside The Star, espaço de imersão do Grupo Heineken em Jacareí (SP) e Ponta Grossa (PR), preparou uma agenda natalina especial de 2 a 27 de dezembro. Os visitantes podem participar de tours com harmonizações que remetem à ceia de Natal, disponíveis em sessões exclusivas nas sextas e sábados. Além da experiência, a loja de souvenires conta com itens das marcas e novidades exclusivas da Heineken, trazidas diretamente de Amsterdã.
Vice-presidente do Grupo Heineken vence Prêmio Caboré 2025
Cecília Bottai Mondino, vice-presidente de Marketing do Grupo Heineken, foi eleita a vencedora do Prêmio Caboré 2025 na categoria Profissional de Marketing. O prêmio reconhece a executiva por seu papel estratégico e liderança em iniciativas de sucesso no ano, como o Heineken NoLineup Festival e a campanha The Toast na Fórmula 1, focada em Ayrton Senna. Cecília também liderou projetos para Amstel e Eisenbahn, reforçando a importância da criatividade e consistência para construir marcas fortes, conectadas à cultura e relevantes.
Oda Cairu encerra temporada da Petra Zuca Audições
A artista baiana Oda Cairu marcou o encerramento da temporada 2025 do projeto Petra Zuca Audições. O evento é uma parceria da Casa da Música Brasileira com a cerveja Petra. A cantora e compositora, com repertório autoral que mescla pop e musicalidade afro-brasileira, foi uma das quatro selecionadas que tiveram estrutura profissional e liberdade estética para lançar suas obras.
A coordenadora de conteúdo social do Grupo Petrópolis, Priscila Fonseca, destacou que a iniciativa, cocriada por Marina Sena, reforça o compromisso da Petra em valorizar a música nacional e apoiar novos artistas.
Personalidades prestigiam estreia de turnê Corona Luau MTV em Brasília
A turnê Corona Luau MTV estreou em Brasília (DF) com um show emocionante em homenagem a Cássia Eller. Ele reuniu Nando Reis, Céu e Os Garotin no Pontão do Lago Sul. O evento, que celebrou a trajetória da cantora e os 100 anos da marca Corona, contou com a presença de familiares de Cássia e personalidades como Mariana Ximenes e Marina Person. A turnê seguiu para Santa Catarina na quinta-feira (5). Os próximos shows serão no Rio de Janeiro (RJ) em 14 de dezembro e São Paulo (SP) em 21 de dezembro.
O Tiny Desk Brasil, apresentado pela Heineken, lançou um episódio emocionante com Tim Bernardes e uma orquestra de dezessete músicos, regida pelo maestro Ruriá Duprat. O compositor assinou arranjos grandiosos para músicas de seu álbum Mil Coisas Invisíveis, como Nascer, Viver, Morrer e BB (Garupa de Moto Amarela), em uma performance íntima. O episódio, a edição mais numerosa do projeto até agora, estreiou na terça-feira (2) no canal exclusivo do YouTube.
Heineken promove união entre Ana Clara Watanabe e Rafaela Pinah
A Heineken patrocinou a colaboração inédita entre a designer Ana Clara Watanabe (WTNB) e a pesquisadora cultural Rafaela Pinah (Coolhunter Favela), valorizando a moda periférica e a ancestralidade. O projeto, que une o interior paulista e a periferia carioca, resultou em uma exposição gratuita com peças da WTNB e referências visuais à comunidade de Realengo (RJ). A mostra está aberta na Casa Tok, em Realengo, de terça a sábado, até 20 de dezembro, reafirmando o compromisso da marca em abrir caminhos para artistas e narrativas nacionais.
O Everhub Moema, a primeira franquia da Cervejaria Everbrew fora da cidade de Santos, comemora na terça-feira (9) o aniversário de dois anos. O evento vai contar com cervejas da Everbrew com descontos de 15%, música com o DJ Chade e opções gastronômicas. A festa tem início às 18 horas na Alameda dos Anapurus, 1469, em Moema, na Zona Sul de São Paulo (SP). Mais informações no perfil do Instagram.
Foz do Iguaçu recebe circuito da cerveja artesanal em rua histórica
O Festival da Cultura Cervejeira Artesanalacontece neste sábado (6), a partir das 11h, em Foz do Iguaçu (PR). O evento acontece na histórica Rua Pedro Basso, recentemente tombada como patrimônio municipal, é gratuito, une turismo, cultura e gastronomia, contará com seis cervejarias do Oeste paranaense. Isso inclui a foz-iguaçuense 277 Craft Beer, com sua cerveja Canoa Quebrada, medalha de ouro na World Beer Cup. O festival, que tem apoio do Governo do Estado, reforça Foz do Iguaçu como polo da cultura cervejeira de alta qualidade.
Festival cultural celebra influência japonesa em Curitiba neste sábado
A Bodebrown celebra os 130 anos de amizade entre Brasil e Japão com o Festival Cultural 130 Anos de Amizade Japão-Brasil neste sábado (6), das 9h às 18h, em Curitiba (PR). A Rua da Cerveja, onde fica a fábrica, receberá o evento gratuito. O público poderá apreciar gastronomia, shows e atrações como o grupo Wakaba Taiko e a Banda Seiza. Também será lançada uma cerveja especial, a Asia +, estilo Super Dry Lager. O evento também terá Café da Manhã Solidário (das 10h às 11h, com doação de 3kg de alimentos) e tours pela fábrica.
A união faz a força, já dizia o ditado. E é e busca dessa fortaleza que cervejarias da capital paulista e região acabaram de fundar o Polo Cervejeiro da Grande São Paulo. Trata-se de uma associação sem fins lucrativos focada em representar os interesses indústria cervejeira independentes dos 39 municípios que compõem a região metropolitana. A abertura oficial da entidade aconteceu em outubro e já conta com 44 empresas.
E o potencial é grande. Das 1.949 cervejarias do país, 427 estão no estado de São Paulo, sendo 66 somente da capital, segundo dados do Anuário da Cerveja 2025 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). E esses números não consideram cervejarias ciganas (que não tem fábrica própria) nem as cidades do entorno. Apesar disso, a região nunca teve uma entidade representativa formalizada — algo que já aconteceu há anos no caso de outras regiões do estado, como Campinas, Ribeirão Preto e Sorocaba.
O processo iniciou-se com reuniões em abril, inspiradas no grupo do Festival de Cervejarias de São Paulo, evento aberto ao público que acontecia anualmente na capital. Esse movimento foi estratégico porque aproveitou um grupo de cerca de 25 cervejarias que já possuíam uma conexão.
Apesar disso, o processo de estruturação não foi imediato, ocorrendo por meio de uma série de reuniões planejadas para criar uma base sólida antes da formalização. Houve até um benchmarking com o polo de Campinas, além de reunião para definição e aprovação do estatuto. E finalmente culminou na obtenção do CNPJ em outubro, após trâmites burocráticos.
União e sinergia do Polo Cervejeiro da Grande São Paulo
Embora tentativas tenham ocorrido nos últimos 15 anos, a formalização atual é considerada um sinal de amadurecimento do setor. Segundo Isaac Deutsch, presidente do polo e sócio da Cervejaria Tarantino, o objetivo é “juntar o segmento de cervejarias locais independentes da grande de São Paulo para ter uma voz”.
O polo nasce com força expressiva, reunindo 44 cervejarias fundadoras, um sinal de que o mercado estava pronto para a união. “Para mim o fato que a gente conseguiu 44 no início é um já um sinal muito positivo”, diz Isaac. “Eu acho que nosso segmento tem passado muitos desafios e chegou a hora da pessoal entender que se juntando a gente tem muito mais chance de endereçar as dificuldades”, explica.
Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva) e também sócio da Cervejaria Tarantino, também avalia a formalização do polo como sinal de maturidade. Ele ressalta que a vantagem de um polo não é apenas teórica, mas sentida na rotina das cervejarias e na influência política local. “É muito importante porque as cervejarias locais conseguem sentir no dia-a-dia através das atividades como reuniões, treinamentos, cursos e principalmente eventos, a força de trabalhar em conjunto”.
Pilares estratégicos inicias
Issac conta que o estatuto prevê 19 áreas de atuação, mas a diretoria definiu quatro prioridades para o primeiro ano de gestão.
Comunicação e Valorização: Criação de uma plataforma (site, Instagram) para dialogar com o público final, o setor e o poder público. O objetivo é desmistificar a cerveja artesanal, combatendo a ideia de que é apenas “forte, amarga e cara”, segundo Isaac. E mostrar o valor do produto local e independente. O perfil no Instagram é @polocervejeirosp.
Capacitação e Treinamento: Focar em “elevar a régua do mercado” por meio treinamentos viabilizados por meio de parceiros como Sebrae, fornecedores da cadeia cervejeira e escolas cervejeiras. As áreas incluem qualidade técnica, práticas tributárias, marketing e atendimento, entre outras.
Eventos Proprietários: Criação de um calendário oficial do Polo Cervejeiro da Grande São Paulo para complementar os eventos de terceiros. O plano inclui um grande festival no primeiro semestre de 2026, construído sobre a base do antigo Festival das Cervejarias Paulistas, além de eventos regionais menores (Zona Leste, Norte, etc.). “A gente quer trazer o melhor de São Paulo, mostrar o que São Paulo tem para oferecer de cerveja local”, explica Isaac.
Turismo Cervejeiro: Inserir a cerveja artesanal na rota turística oficial de São Paulo. A estratégia envolve reuniões com a Secretaria de Turismo e parcerias com a rede hoteleira para que a cerveja local seja um atrativo da experiência cosmopolita da cidade. “São Paulo virou uma cidade turística”, diz o presidente do Polo Cervejeiro da Grande São Paulo.
Sinergia com a Abracerva
O polo também já nasce com boa relação com outras associações. Além de contar com a colaboração de outros polos do estado para a constituição, há uma grande proximidade com a Abracerva. Não só porque Isaac e Gilberto são sócios na mesma cervejaria, mas porque a relação deve ser colaborativa e complementar.
Enquanto a Abracerva mantém uma visão e atuação nacional, o Polo foca na execução local. Além disso, também atua como canalizador de informações técnicas e regulatórias em relação à Abracerva e os associados. “Acho que a gente pode usar o alcance, entendimento, visibilidade da Abracerva, mas colocando nossa mão de obra, nosso braço para realizar coisas que talvez ela não consiga fazer sozinha em São Paulo”, diz Isaac.
“Espero que com a criação do Polo de São Paulo muito em breve a gente comece a entregar eventos que São Paulo merece”, diz Gilberto Tarantino.
Quem pode participar do Polo Cervejeiro da Grande São Paulo?
A diretoria eleita, com mandato de quatro anos, foi desenhada para ser diversa, representando desde cervejarias maiores até as ciganas e de diferentes zonas de São Paulo e outras cidades. São sete diferentes empresas representadas nelas, como a Lab Cervejaria, de Guarulhos, e X Craft Beer, da Zona Sul da capital.
Apesar de estar momentaneamente fechada para novas associações, para os trâmites iniciais de formalização, o Polo Cervejeiro da Grande São Paulo deve deixar essa possibilidade aberta em breve. “A porta não está fechada para ninguém”, diz Issac.
Para participar, a empresa deve:
Ser uma cervejaria com fábrica própria ou cervejaria cigana;
Estar localizada na região metropolitana de São Paulo;
Ter produção inferior a 5 milhões de litros/ano;
E ser independente de grandes grupos econômicos.
Confira a lista completa de cervejarias associadas:
Amado por alguns e odiado por outros, o aplicativo Untappd está longe de ser consenso. E agora traz mais uma polêmica. A plataforma de avaliação, mundialmente famosa por sua atuação no universo das cervejas, anunciou em novembro a maior expansão de seu escopo. Ele passará a incluir vinhos, destilados, coquetéis “ready to drink”, seltzers e outras bebidas, além de alternativas não alcoólicas, como cafés e refrigerantes.
O banco de dados está sendo aumentado de 450 para 900 categorias distintas. Agora, será possível avaliar bebidas embaladas e em barril de todos os tipos.
A reportagem do Guia da Cerveja testou o aplicativo no Android e já encontrou sinais da atualização em andamento, permitindo o check-in e avaliação de hard seltzers (como o Topo Chico, da Coca-Cola) e bebidas como Smirnoff Ice. No entanto, a ausência de vinhos em uma pesquisa inicial indica que a implementação completa das novas categorias ainda está em processamento.
Para usuários que preferem o foco exclusivo em cerveja, o aplicativo introduziu filtros nas configurações. Isso permite ocultar os novos tipos de bebidas em áreas como pesquisas, listas de mais bem avaliados e tendências. Segundo o material de divulgação, produtores e locais (bares e restaurantes) que focam em bebidas não alcoólicas ou outras variedades ganharão mais destaque e poderão listar mais produtos para avaliação.
Tendência de mercado e estratégia corporativa
Em entrevista ao site de bebidas The Drinks Business, Kyle Roderick, diretor de produtos do Untappd, afirmou que a atualização reflete as tendências atuais e que atende tanto a produtores quanto consumidores, dando-lhes uma maneira mais completa de se conectar.
“Estou extremamente empolgado com essa evolução, pois ela é uma resposta direta ao que temos ouvido da nossa comunidade de cervejarias, bares e restaurantes. A curiosidade do consumidor moderno não se limita a uma única categoria. Quem gosta de cerveja artesanal também está explorando destilados artesanais, vinhos naturais e opções sem álcool, à medida que mais produtos se tornam disponíveis”, explica.
A empresa controladora, Next Glass, busca escalar a plataforma além do nicho da cerveja para aumentar o engajamento e o mercado endereçável de dados e menus.
A expansão responde a uma mudança nos hábitos dos consumidores de cerveja artesanal, que estão diversificando seus paladares. Uma pesquisa da Harris Poll (2025) revelou que mais de 40% dos bebedores regulares de cerveja artesanal consomem vinho e destilados semanalmente nos Estados Unidos.
Cerca de 35% desse mesmo público consome hard seltzers ou bebidas maltadas saborizadas pelo menos uma vez por semana. Há um crescimento de popularidade entre consumidores mais jovens e ”curiosos sobre sobriedade“ (sober-curious) em relação a alternativas não alcoólicas.
Além disso, cervejarias tradicionais estão adotando estratégias como produtores de bebidas em geral, expandindo atuação com vinhos, destilados e híbridos, o que exigia que o Untappd se adaptasse para permitir que essas marcas listassem seus portfólios completos.
Reações à mudança do Untappd
Figuras importantes, como Sam Calagione, fundador da norte-americana Dogfish Head, apoiaram a mudança, afirmando que os amantes de cerveja também apreciam outras bebidas artesanais e que a ”beleza está nos olhos de quem segura a cerveja“.
A mudança é vista como inclusiva para quem bebe vinhos, seltzers ou não alcoólicos. No entanto, parte da base de usuários leais expressou preocupação e descontentamento em comentários no Reddit, temendo que a identidade da “comunidade cervejeira” seja diluída ou que o aplicativo perca seu foco original.
Roderick reforçou que a mudança reflete a realidade do bebedor moderno e que a fundação do aplicativo continuará sendo a comunidade cervejeira, mas sem limitar a descoberta a uma única categoria.
Desde sua fundação em 2010, o aplicativo Untappd recebeu mais de 1,5 bilhão de ”check-ins“ de cervejas. Foram milhões de consumidores em praticamente todos os países do mundo. A comunidade Untappd registrou ”check-ins“ em mais de um milhão de bares, restaurantes, cervejarias e outros estabelecimentos comerciais em todo o mundo.
Qual a sua opinião sobre a nova fase do Untappd? Deixe seu comentário abaixo.
A cerveja Flying Fish vai fazer sua estreia em São Paulo por meio das lojas Oxxo, numa parceria entre a Ambev e a rede de mercados de proximidade. O produto saborizado, que chegou ao Brasil e foi lançado primeiramente nos três estados do Sul, deve permanecer com distribuição limitada por alguns meses exclusivamente na rede de varejo.
Para apresentar o lançamento, a Oxxo vai implementar uma estratégia robusta. Ela inclui loja emblemática, com lançamento previsto ainda para dezembro; cinco lojas Oxxo de experiência, com ações para ativação no ponto de venda; além de 50 lojas com comunicação dedicada, adesivação de geladeira, displays e testeiras de monitor destacando a chegada da cerveja Flying Fish.
“A Ambev é uma parceira extremamente importante para o Oxxo. Estamos muito felizes em ter a exclusividade de Flying Fish, e estamos muito felizes por fazer parte desse lançamento. Poder trazer essa novidade com exclusividade para São Paulo reforça a importância do Oxxo como porta de entrada para inovações e fortalece ainda mais nossa parceria com a Ambev”, afirma o gerente comercial do Oxxo, Rafael Monezi.
A cerveja Flying Fish
Saborizada com limão, cerveja Fliyng Fish é nova aposta da Ambev (Crédito: Divulgação)
Lançada em 2014 na África do Sul, Flying Fish pertence ao portfólio da AB-Inbev e se tornou a principal cerveja saborizada do país e, posteriormente, de todo o continente africano. Presente hoje em 14 países, a marca avança em sua expansão global.
A chegada ao Brasil aconteceu em outubro com uma espécie de “soft launch” nas capitais Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC) e Curitiba (PR). O produto escolhido foi a versão com limão — no exterior, há outros sabores de Flying Fish, como laranja e maça verde. Segundo informações do rótulo africano, ela também traz extrato de toque de alecrim.
A primeira festa oficial de lançamento foi no dia 24 de outubro no +55 Bar, em Curitiba. Mas o produto já está presente em outros bares e supermercados da região, além do Zé Delivery.
O produto busca um “público incremental”, segundo Thais Soares, diretora de marketing de Flying Fish. Ou seja, consumidores que normalmente não optam por cervejas tradicionais – muitas vezes por conta do amargor.
Ambev Beyond Beer
A cerveja Flying Fish faz parte do portfólio da área de negócios Beyond Beer (“além da cerveja”). Outros produtos incluem bebidas mistas, energéticos, refrigerantes, chás, isotônicos e drinks prontos. O setor cuida de inovações e faz parte da estratégia de expansão da companhia. Guaraná Antarctica Zero com fibras e Fusion com proteínas, por exemplo, fazem parte do escopo.
“Estamos sendo usados como um País para testar inovações e colocar na rua para trazer conhecimento para a companhia como um todo”, diz Daniela Cachich, presidente da Beyond Beer, em entrevista ao Estadão. A Beats, por exemplo, chegou ao mercado estadunidense neste ano.
“Acreditamos que essas categorias serão uma avenida de crescimento para a empresa”, complementa a executiva. “Falando de alcoólicos, 80% do volume de Beyond é incremental para a Ambev.”
O Grupo Heineken também de olho na área de cervejas saborizadas. Ele lançou na segunda quinzena de novembro a Heineken Lager Spritz, uma edição limitada que combina o sabor da cerveja e refrescância do drink italiano Spritz (coquetel feito com espumante, água com gás e gelo). Ela tem 6% de teor alcoólico e infusão de botânicos, devendo ser servida em um copo com gelo e uma fatia de laranja.
O mundo das cervejas artesanais costuma atrair apaixonados pela degustação da bebida e pelos diferentes estilos. Mas o desconhecimento para lidar com a diversidade pode colocar uma barreira no público que está consumindo e produzindo bebidas – entre eles, o público Surdo.
A acessibilidade na Língua Brasileira de Sinais (Libras) ainda é uma barreira que vem sendo combatida por Marcos Roberto de Oliveira, idealizador do projeto Cerveja Artesanal em Libras, que conta com um canal de vídeos no YouTube e uma conta no Instagram para tornar a informação sobre os tipos de cervejas e os processos de fabricação mais acessíveis.
Oliveira é pioneiro na iniciativa, e assumiu a missão de traduzir o complexo universo de maltes, lúpulos e técnicas de produção para Libras – às vezes até pesquisando em outros idiomas o vocabulário necessário para traduzir conceitos.
Com mais de 20 anos de atuação profissional como tradutor e intérprete de Libras, há 13 Oliveira exerce essa função na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), o que permitiu uma imersão diária na comunidade Surda, e contato com Surdos de diversas regiões do país.
(Este texto, inclusive, vai adotar a redação da palavra Surdo em maiúscula e em detrimento da expressão “deficiente auditivo”. A escolha é baseada em estudos acadêmicos que reforçam a experiência visual do indivíduo, em vez de uma condição de ausência de algo.)
“É para esse ‘sujeito da experiência visual’ que produzimos conteúdos, e não para um ‘paciente’”, esclarece Oliveira em entrevista ao Guia da Cerveja. “O projeto Cerveja Artesanal em Libras é a materialização prática da tese ‘Surdos produzindo saberes complexos sobre cerveja’. No entanto, há um abismo perturbador entre a capacidade comprovada desses sujeitos e o reconhecimento público que recebem”, afirma.
“A exclusão no universo cervejeiro vai muito além do balcão do bar; é uma sonegação de oportunidades profissionais”, diz Oliveira, devido à falta de acessibilidade nos cursos profissionalizantes. “A cerveja é universal, mas o acesso a ela precisa deixar de ser um privilégio ouvintista”, avalia.
Em 2021, Oliveira concedeu entrevista ao Guia da Cerveja para falar sobre inclusão. Passados quatro anos, nesse Dia Internacional das Pessoas com Deficiência (3 de dezembro), voltamos a procurá-lo para saber se o setor tem avançado ou se ainda há muitos desafios pela frente.
Para quem está conhecendo seu trabalho agora, como surgiu a ideia inicial do “Cerveja Artesanal em Libras”? Houve algum momento específico que te fez perceber que precisava criar esse conteúdo?
A gênese do projeto ocorreu de forma despretensiosa, quando comecei a compartilhar nas redes sociais os processos das minhas brassagens, traduzindo técnicas para a Libras.
No entanto, o “momento de virada” foi por volta de 2020, quando um cervejeiro Surdo do Sul do país me procurou e contou uma trajetória que ilustra a cruel barreira invisível do nosso mercado.
Ele e dois sócios, também Surdos, já produziam em casa e queriam transformar o hobby em negócio. Ao buscarem um curso técnico dentro de uma cervejaria, depararam-se com a total ausência de acessibilidade: sem intérpretes ou material adaptado, a absorção do conteúdo foi inferior a 50%. O sonho do negócio morreu antes de nascer devido a essa barreira linguística. Ali compreendi que a exclusão no universo cervejeiro vai muito além do balcão do bar; é uma sonegação de oportunidades profissionais.
Não estamos falando do ato de beber uma cerveja, mas sobre o direito de produzi-la, de entendê-la cientificamente e de gerar renda a partir dela. A partir daquele momento, decidi mergulhar no setor, não apenas como um entusiasta, mas como profissional e com a missão clara de identificar e “tentar” desmantelar essas barreiras. Se o mercado não estava preparado para dialogar com a comunidade Surda, era preciso criar as ferramentas para forçar esse diálogo, provando que a cerveja é universal, mas o acesso a ela precisa deixar de ser um privilégio ouvintista.
Desde nossa última conversa em 2021, o que mudou na estrutura do Cerveja Artesanal em Libras? Você introduziu novos formatos e como tem sido a resposta da audiência?
O período de 2023 a 2025 marcou nossa transição definitiva: deixamos de ser um canal apenas de conteúdo para nos tornarmos uma força ativa dentro do setor, ocupando o chão de fábrica. A parceria com a Cervejaria Captain Brew foi fundamental, estampando nossa marca em 7 rótulos colaborativos. Ativamos um ciclo virtuoso: o rótulo desperta a curiosidade, leva o consumidor ao canal e o confronta com a realidade da exclusão. O resultado é uma corrente do bem, onde o público deixa de ser apenas consumidor para se tornar aliado da causa.
Mas o ápice foi agora, na Bélgica, durante o Brussels Beer Challenge 2025. Ao dividirmos a mesa com a elite cervejeira mundial, expusemos a lacuna do setor e apresentamos a solução. Grandes personalidades internacionais atestaram a excelência dos sommeliers Surdos. Ficou demonstrado que a barreira nunca foi técnica: os Surdos possuem plena capacidade para liderar qualquer processo, da produção ao julgamento.
Quem é o seu público no Canal? São pessoas Surdas que buscam saber mais da cerveja ou há ouvinteque usam o conteúdo para estudar Libras?
Observamos uma heterogeneidade enriquecedora no público do Cerveja Artesanal em Libras. Atendemos tanto à comunidade Surda, ávida por letramento cervejeiro em sua primeira língua, quanto a um público ouvinte acadêmico, profissionais e apreciadores que utilizam nossos conteúdos como material de estudo da Língua Brasileira de Sinais. Um exemplo real é que hoje, na Alemanha, há uma grande profissional e influente do setor cervejeiro aprendendo a Língua Brasileira de Sinais, e isso é incrível. Transformamos o vocabulário técnico da cerveja em uma ponte educacional.
No entanto, é crucial destacar que o sucesso do projeto não se mede por algoritmos. Sou guiado pelo pragmatismo e pela busca incessante por resultados tangíveis no mundo real. Quero sair do discurso da inclusão. O engajamento qualitativo e a profundidade das interações valem muito mais do que o alcance superficial. Sinceramente? Se eu encerrasse o projeto hoje, sentiria uma plenitude absoluta. O fato de ter transformado efetivamente a trajetória profissional e pessoal de dois Surdos — tirando-os da invisibilidade para o protagonismo — é um resultado que transcende qualquer estatística digital.
O universo da cerveja é cheio de termos técnicos complexos. Como tem sido o processo de criar ou adaptar esses sinais para a Libras no seu trabalho?
Lidamos com um vazio terminológico. A Libras não é universal e possui regras próprias. Em vez de inventarmos sinais do zero, recorremos ao empréstimo linguístico dos berços cervejeiros.
Por exemplo, para o termo Trapista, adotamos o sinal da Língua de Sinais Flamenga (VGT) da Bélgica. Para o estilo Pilsen, buscamos o sinal na Língua de Sinais Tcheca, o mesmo usado pelos Surdos da cidade de Plzeň. Termos de processos como fermentação e ingredientes são facilitados pela natureza visual da língua, mas exigem domínio técnico. Nosso grande objetivo atual é catalogar e validar tudo isso em um Glossário de Cerveja em Libras, projeto para o qual ainda buscamos patrocínio.
Passados alguns anos desde que criou o projeto, você sente que o setor de cerveja artesanal está realmente mais inclusivo ou as ações ainda são pontuais?
Sendo honesto: o mercado está mais atento, mas a inclusão plena ainda caminha a passos lentos. Ainda vemos muitas ações de marketing pontuais apenas para cumprir tabela em datas comemorativas, sem nenhuma mudança estrutural no dia a dia.
Porém, o Cerveja Artesanal em Libras provou que é possível fazer diferente. Na Captain Brew, fizemos o Primeiro Encontro de Surdos Cervejeiros recebendo mais de 250 Surdos de todas as regiões do Brasil, do Norte ao Sul. Isso só foi possível pelo trabalho do Fernando e do Gabriel, do Surdommeliers, com nosso apoio e da Captain.
Mas o segredo não foi apenas abrir as portas; foi preparar a casa com um treinamento intensivo — do pessoal da cozinha e recepção até o staff do pub. O resultado foi impactante. Os consumidores Surdos comentavam, emocionados, que parecia um sonho: pela primeira vez, podiam pedir sua comida e sua cerveja diretamente ao garçom, em sua própria língua, sem intermediários. Ali, mostramos que a verdadeira inclusão não é um evento isolado, mas a criação de um ambiente onde o Surdo se sente, finalmente, em casa.
A inclusão, contudo, não se limita ao balcão. Ela avançou para a esfera do conhecimento técnico de alto nível. Quando um sommelier Surdo manifestou interesse em participar do prestigiado congresso Do Grão ao Gole, organizado pela AMBEV – Academia da Cerveja em São Paulo, entramos em contato com a coordenação que prontamente atendeu à solicitação e assim, todo o congresso foi tornado acessível em Libras.
Esses dois exemplos — a inclusão no serviço (Captain Brew) e a inclusão no conhecimento (Academia da Cerveja) — demonstram que a barreira é atitudinal, não técnica. O compromisso ético transcende a mera obrigação legal.
Você tem notado um aumento no número de pessoas Surdas trabalhando dentro das cervejarias?
Temos notado um singelo movimento de aumento, mas em dois universos distintos. No setor industrial, grandes corporações como Heineken, Ambev e Grupo Petrópolis têm contratado colaboradores Surdos, muitas vezes impulsionadas pela Lei de Cotas. Embora seja um cumprimento legal, isso já tira esses profissionais do anonimato. No entanto, no setor artesanal, nas micro e nano cervejarias, a inclusão ainda é uma incógnita. Sem um mapeamento formal, deduzimos que a barreira de entrada nesse nicho permanece alta. É nessa área, onde o conhecimento técnico é mais valorizado, que precisamos intensificar a atuação.
Para um consumidor Surdo, o que ainda é o maior obstáculo ao chegar em uma taproom ou bar especializado hoje?
É uma conjunção perversa: atendimento despreparado, falta de cardápios visuais e preconceito. O pior obstáculo é o medo do atendente, que muitas vezes trava ou ignora o cliente Surdo.
A solução exige mudar a mentalidade de gasto para investimento. Um cardápio digital acessível via QR Code e um treinamento básico não são luxo, são ferramentas de fidelização. O cliente Surdo que se sente respeitado, volta.
Que recado prático você daria para um dono de cervejaria ou bar que quer começar a ser inclusivo hoje, mas não sabe por onde começar?
Não complique. A inclusão começa na atitude. Primeiro, tenha um cardápio visual com fotos das cervejas, ícones de sabor (fruta, café chocolate) e indicação clara de preços e teor alcoólico. Segundo, treine o básico: ensine sua equipe a dizer “Bom dia” e “Cerveja” em Libras, pois o acolhimento gera pertencimento. Terceiro, use a tecnologia: um QR Code na mesa levando para um vídeo simples explicando o menu resolve 90% da comunicação.
A inclusão é um convite para um brinde onde ninguém fica de copo vazio.
Foram inauguradas na segunda-feira (1º) duas novas linhas de produção em sua fábrica da Ambev em Uberlândia (MG). Com um investimento expressivo de R$ 1,3 bilhão, o objetivo da companhia é dobrar a capacidade de produção de rótulos dos segmentos premium e “core plus”, como Stella Artois, Corona, Spaten, Original e Budweiser.
Com a expansão, a unidade passa de três para cinco linhas de envase industrial (três para garrafas e duas para latas). Trata-se de um dos maiores investimentos da companhia em uma planta greenfield (construída do zero). Desde a inauguração em 2016, a fábrica já recebeu R$ 2 bilhões e, atualmente, abastece nove estados brasileiros.
“O aporte em Uberlândia representa o nosso compromisso de longo prazo com Minas Gerais e com o desenvolvimento do mercado cervejeiro. É mais capacidade produtiva, mais empregos, mais arrecadação em impostos e mais desenvolvimento econômico”, afirma Valdecir Duarte, vice-presidente de Supply da Ambev.
Fábrica da Ambev em Uberlândia
Inaugurada em fevereiro de 2016, a unidade de Uberlândia é uma das maiores do país. Ela opera ininterruptamente, 24 horas por dia, 7 dias por semana, e emprega 520 funcionários próprios e 335 parceiros.
De acordo com o IBGE, a indústria de bebidas possui alto efeito multiplicador: para cada R$ 1 investido em uma cervejaria, R$ 2,50 são gerados na economia. Ao todo, são mais de 66 mil empregos diretos, indiretos e induzidos criados em toda a cadeia produtiva da região.
Ela é uma das quatro plantas da Ambev em Minas Gerais entre cervejaria, refrigeranteira e fábrica de latas. As demais ficam em Contagem, Juatuba e Sete Lagoas. A companhia também possui 13 centros de distribuição e 30 revendedores no estado. Em todo o país, a empresa opera 35 instalações produtivas, sendo 24 cervejarias.
O investimento vem em meio a intensificação da competição pelo mercado de cervejas premium. Em outubro, o Grupo Heineken lançou uma nova fábrica em Passos (MG). Com investimento de R$ 2,5 bilhões, a nova planta também é greenfield e tem capacidade de produção de 500 milhões de litros por ano, o que aumenta em 10% da capacidade instalada da empresa no país.
O governador Romeu Zema (ao centro, com a tesoura) esteve na fábrica da Ambev em Uberlândia para o anúncio do investimento (Dirceu Aurélio / Imprensa MG)
A Cooperativa Agrária Agroindustrial, de Guarapuava (PR), vai investir R$ 1,1 bilhão para construir plantas industriais dedicadas à produção de maltes especiais, como os caramelizados e torrados, insumos vitais para a cadeia cervejeira, hoje quase totalmente importados. O investimento servirá para ampliar o complexo industrial localizado Entre Rios, distrito da cidade da região central do Paraná.
O projeto é realizado em parceria com a empresa alemã Ireks, referência mundial no setor de ingredientes para panificação e cervejaria, e conta com o apoio do governo estadual por meio do programa de incentivos fiscais Paraná Competitivo.
As obras começam ainda neste ano, com previsão de conclusão para 2028. Estima-se a geração de mais de mil postos de trabalho durante a fase de execução do projeto.
Indústria 4.0 e modernização da Cooperativa Agrária
O pacote de investimentos abrange a construção de duas novas plantas e a modernização da maltaria já existente no distrito de Entre Rios. A primeira linha de produção, ativa desde a década de 1980, passará por uma revitalização completa. E vai adotar tecnologias da Indústria 4.0, o que elevará os níveis de automação e sustentabilidade da produção.
“A aplicação de tecnologia em processos de inovação, com foco em sustentabilidade, é fundamental para o desenvolvimento da agroindústria”, afirmou o diretor-presidente da Cooperativa Agrária, Adam Stemmer na ocasião da assinatura do protocolo de intenções com o governo do Paraná no dia 11 de novembro. “Acreditamos que esse é o melhor caminho para garantirmos a perenidade dos nossos negócios, com capacidade para superar os desafios e identificar oportunidades no mercado”.
Ele explicou que a tecnologia que será implementada na indústria vem da sede mundial da Ireks, na Alemanha, que já produz maltes especiais. “Fazer maltes torrados e caramelizados era um sonho antigo, já que todo volume consumido no Brasil é importado. Vamos ter o suporte da Ireks da Alemanha, com transferência de tecnologia para a Agrária, e com isso vamos partir com um alto nível de produção”, ressaltou.
A Ireks do Brasil, parceria da Agrária, atua no setor de desenvolvimento, produção e comercialização de produtos para panificação e confeitaria, incluindo malte. A empresa também está instalada em Guarapuava.
Infraestrutura e Qualidade
O projeto também contempla avanços significativos em logística e controle de qualidade:
Centro Logístico Integrado: Focado não apenas na agilidade do transporte, mas também no impacto sobre a comunidade local. A construção de novas portarias e balanças visa descongestionar e agilizar o trânsito no perímetro urbano do distrito de Entre Rios.
Novo Centro de Análises: A Agrária também vai ampliar seu laboratório, que já é referência nacional. A unidade atual já possui a certificação ISO/IEC 17025 e é a única da América Latina com ISO/IEC 17043 (ensaios de proficiência), garantindo atestados de qualidade e segurança alimentar de nível internacional.
Foco nos maltes especiais
O investimento marca um movimento estratégico da indústria nacional. Diferente do malte Pilsen, que a cooperativa já produz em grande volume e serve como fonte primária de açúcares, os maltes especiais passam por processos específicos de umidificação e temperatura (torra ou caramelização).
Esses insumos são cruciais para definir a identidade sensorial de estilos como Red Ales, Bocks, Stouts e IPAs. Eles proporcionam cor, corpo e aromas distintos à bebida.
Embora maltes especiais já sejam produzidos nacionalmente em pequenas quantidades por maltarias artesanais, a nova estrutura tornará a Cooperativa Agrária pioneira na produção em escala industrial no país, promovendo maior independência do mercado nacional em relação aos insumos trazidos da Europa e América do Norte.
A empresa irlandesa Evergreen Agricultural Enterprises (EAE) está construindo uma usina de biometano terá como “combustível” resíduos da indústria cervejeira e uísque. Ela está sendo construída em Monasterevin (localidade de Palmertown), no Condado de Kildare, na Irlanda, e o início das operações está previsto para 2026. O grupo Eiffel Investment Group, da França, anunciou o investimento de 50 milhões de euros no projeto.
De acordo com o portal Gasworld, a usina terá quatro digestores e um digestor secundário com volume de 4,9 mil metros cúbicos cada. Eles vão fermentar principalmente bagaço de malte e leveduras para produzir o gás.
O que é biometano?
O biometano é um gás renovável e sustentável, quimicamente idêntico ao gás natural fóssil, sendo composto predominantemente por metano. Essa similaridade o torna uma fonte de energia “drop-in”. Ou seja, pode ser injetado diretamente nas redes de gás existentes. Assim, a população poderá utilizar em eletrodomésticos ou veículos sem a necessidade de adaptações caras.
Ele é gerado a partir da decomposição de resíduos orgânicos, como restos de comida, dejetos animais e, neste caso específico, resíduos agroindustriais.
O processo principal de produção é a digestão anaeróbica, que ocorre em grandes tanques hermeticamente fechados chamados biodigestores. A primeira etapa do processo é a digestão. Nela, com ausência de oxigênio, microrganismos decompõem a matéria orgânica, resultando na liberação de biogás.
Em seu formato bruto, esse gás é uma mistura que geralmente contém entre 50% e 70% de metano. O restante é principalmente dióxido de carbono (CO2) e pequenas quantidades de outras impurezas. Por isso, ele passa o biogás é submetido a um processo de purificação (conhecido como upgrading) para remover o CO2 e outras impurezas. O objetivo é elevar a concentração de metano para mais de 90%, atingindo a mesma qualidade do gás natural comercial.
O uso do biometano contribui significativamente para a economia circular, transformando resíduos em uma fonte de energia limpa e reduzindo a dependência de combustíveis fósseis.
A estratégia, a indústria cervejeira e do destilado
O foco estratégico do negócio tem como base o uso dos resíduos da indústria cervejeira e de destilados para evitar a competição com a pecuária local. Isso ocorre porque, embora a usina possa usar materiais orgânicos como estrume ou silagem (alimentos para o gado), a EAE optou por resíduos industriais para evitar a competição direta com a pecuária local.
A decisão pelo uso dos resíduos da indústria de bebida cria uma “economia circular” no processamento de cerca de 100 mil a 165 mil toneladas anuais de resíduos agroindustriais. A produção de gás será o equivalente ao abastecimento de 10 mil casas ao ano.
O diretor de investimentos do Eiffel Investment Group, Alexis Sarton, afirmou ao The Irish Times que o projeto “combina excelência técnica, respeito ao meio ambiente, soberania e valor econômico, além de um forte envolvimento com as partes interessadas locais, um modelo de infraestrutura que promovemos em toda a Europa”. A expectativa é de criar 75 empregos locais, diretos e indiretos.
A Irlanda importa a maior parte de sua energia. O The Irish Times ressalta que, enquanto a Irlanda não completar a transição para fontes de energia renovável interna, o país permanecerá vulnerável a altos custos e dependente do fornecimento externo.