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Vigilância sanitária fecha cervejaria em Manaus, mas Justiça anula interdição

A Justiça do Amazonas suspendeu a interdição da Mahy Cervejaria, ocorrida em Manaus no último fim de semana. A decisão foi tomada pelo juiz Gildo de Carvalho, de acordo com informações do G1 e da imprensa local.

O magistrado do Tribunal de Justiça do Amazonas considerou irregular a atuação da vigilância sanitária, que havia interditado a fábrica da Mahy Cervejaria por conta de irregularidades, como a presença de 1,8 tonelada de malte em embalagens perfuradas e com fezes de ratos.

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A autuação havia ocorrido após os fiscais Fábio Markendorf e Ana Hilda Costa, da Vigilância Sanitária da Prefeitura de Manaus (Visa Manaus), realizarem uma visita de rotina à Mahy Cervejaria, localizada no bairro Cachoeirinha, na zona sul da capital do Amazonas.

Lá, de acordo com informações divulgadas pela Prefeitura de Manaus, os fiscais encontraram furadas as 72 sacas que armazenavam o malte, com fezes de ratos e sem identificação de lote, data de fabricação, validade ou procedência.

“Não é permitido utilizar matérias-primas nestas condições, ainda mais para o preparo de bebidas destinadas ao consumo humano”, observa Markendorf, que diz também ter encontrado cascas do malte em diferentes pontos da sala, o que indicaria o seu consumo por roedores.

Os fiscais afirmam em seu relato que existiam diversos equipamentos de proteção individual (EPIs) espalhados pelo local, produtos de limpeza e sanitizantes fora do prazo de validade, insumos depositados diretamente no chão, cervejas envasadas sem identificação de lote e prazo de validade, falta de controle efetivo de pragas, uniformes secando em áreas comuns da fábrica e barris descartáveis na área de lavagem, em um indicativo de que seriam reutilizados.

Diante disso, em um ato administrativo, a Visa Manaus determinou a interdição da Mahy Cervejaria no último sábado. No mesmo dia, os representantes da empresa acionaram a Justiça pedindo a anulação do fechamento da fábrica. Na petição, a companhia assegurou seguir todas as normas sanitárias para o processo de produção da cerveja e apresentou comprovantes das ações de controle de pragas realizadas na fábrica.

Além disso, a cervejaria alegou que uma portaria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) determina que as inspeções desse tipo só podem ser feitas pelo Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov), que é um órgão federal, submetido ao Mapa.

O juiz Gildo de Carvalho, então, acatou o recurso da cervejaria e determinou a suspensão do ato administrativo de interdição. “Além dos agentes fiscalizadores não possuírem competência para impor esse tipo de penalidade, tal medida fere plenamente os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, pois como se sabe, a interdição total de um estabelecimento equipara-se a uma pena de prisão para uma pessoa, medida esta extrema, impossibilitando a mesma de realizar sua recuperação econômica diante da situação que o país se encontra”, diz o magistrado em seu despacho, em trecho publicado pela imprensa local.

Outro lado
A Mahy Cervejaria se manifestou através de nota oficial na noite desta segunda-feira, publicada em seu perfil no Instagram. A empresa destaca a decisão da Justiça, apontando, em sua visão, a ilegalidade de ter sido autuada por um órgão municipal, algo que foi usado como argumento por Gildo de Carvalho para anular a interdição.

“É no mínimo curioso que, durante esse conturbado período, um fiscal municipal a invada a fim de ‘fiscalizar’ situação estranha à sua competência, impondo condições inexistentes e em demonstração de absoluto desconhecimento da legislação vigente”, declara a cervejaria.

Além disso, ela afirmou que a área de fabricação está fechada há três meses em função da pandemia do coronavírus. Assim, as cervejas que estão sendo comercializadas nesse momento haviam sido previamente produzidas, antes da crise.

 “Cumpre informar que a fábrica da Cervejaria Mahy está fechada há quase três meses em obediência e respeito ao isolamento social imposto pela pandemia, só operando em sistema de delivery através da comercialização de cervejas já produzidas e armazenadas em fermentadores da empresa anteriormente à sua paralisação”, aponta a empresa.

A Mahy também rebateu a argumentação de que exista falta de controle efetivo das pragas na fábrica. “Ao contrário do que alega o ilegítimo auto de infração lavrado pela não menos ilegítima autoridade invasora, a cervejaria Mahy dispõe de empresa especializada oficialmente contratada para controle de pragas, cujo vencimento do contrato só se dá no mês de outubro”, acrescenta.  

Em nota, a Visa Manaus havia afirmado que só iria se pronunciar sobre a decisão após ser notificada.

Live do Guia conversa com Teresa Cristina sobre samba, cerveja e interações digitais

Uma roda de samba virtual e diária que atrai as atenções e, eventualmente, as vozes de Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gilberto Gil e Chico Buarque, entre outros nomes, em uma transmissão para ao menos 3 mil pessoas. É nesse clima de confraternização que Teresa Cristina tem passado parte do período de quarentena, em uma iniciativa que será abordada por ela na próxima live do Guia da Cerveja, nesta quarta-feira, a partir das 16h30.

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As lives diárias podem ter dado maior publicidade para a cantora, que estampa a capa da edição da Vogue brasileira neste mês e do caderno Ela, do jornal O Globo, do último fim de semana. Mas Teresa Cristina já é, e há algum tempo, um dos principais e mais importantes nomes da música e do samba brasileiro.

Tendo iniciado a sua carreira profissional em 1998, ela cantava no Bar Semente, localizado na Lapa, e possuiu participação direta no processo de revitalização cultural do tradicional bairro carioca. E, desde então, a banda que a acompanha leva o nome da casa onde deu seus primeiros passos musicais.

Também, de lá para cá, a portelense tem usado sua voz para divulgar e cantar nomes emblemáticos da música brasileira, como Candeia, Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Wilson Batista e Chico Buarque. Lançou, ainda, discos em que interpreta canções de nomes como Noel Rosa e Cartola, além das suas próprias composições. E fez diversos shows internacionais.

Em março, com o início da pandemia do coronavírus, ela passou a realizar uma live diária, que se tornou hábito na quarentena. Reúne fãs – tanto anônimos como famosos – para vê-la contar histórias sobre discos e compositores e interpretar canções, além de apresentar sua opinião sobre temas da sociedade e da política brasileira.

Mas, principalmente, dá espaço para vozes até então quase anônimas apresentarem seu talento e serem observadas e admiradas por um público que dificilmente teria acesso a elas, não fossem as suas lives.

Além disso, de sua casa no bairro da Vila da Penha, no Rio, faz lives semanais com a sua mãe e passou a ser apoiada pela cervejaria Original – no próximo sábado fará a segunda apresentação apoiada pela marca durante a quarentena.

Será, assim, sobre a sua trajetória, suas influências e formação musical, as ações que lhe renderam o justo apelido de “Rainha das lives”, a sua relação com a cerveja e a conquista do patrocínio de uma das principais marcas do setor que Teresa Cristina conversará com o jornalista Leandro Silveira.

A live do Guia com Teresa Cristina vai ser realizada nesta quarta-feira, dia 24 de junho, a partir das 16h30 no Instagram @guiadacervejabrasil.

Todas as semanas, em seu perfil no Instagram, o Guia leva ao ar lives com o objetivo de discutir temas relevantes e divulgar a cultura que cerca a cerveja, através de análises profundas sobre o que acontece nesse universo, sempre com convidados de diferentes áreas.

Na semana passada, a live discutiu os aspectos jurídicos do caso Backer e da retomada do setor, com a participação do advogado cervejeiro André Lopes.

Confira na íntegra a live da semana passada

Cerveja não-alcoólica fecha acordo inédito com equipe de triatlo dos EUA

Marcas de cerveja têm, tradicionalmente, um papel relevante no patrocínio a modalidades esportivas nos Estados Unidos. Mas, na semana passada, o fechamento de um acordo chamou a atenção do mercado e do mundo esportivo norte-americano pelo seu ineditismo. A seleção de triatlo do país anunciou que terá as primeiras equipes olímpica e paralímpica nacionais patrocinadas por uma fábrica de cerveja não-alcoólica artesanal.

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A bebida, de fato, tem ganhado novos adeptos e apresentado crescimentos elevados em volume de vendas. De acordo com dados da Nielsen, as aquisições de cerveja não-alcoólica em janeiro de 2020 foram 39% maiores do que um ano antes.

A nova parceira do triatlo norte-americano, até junho de 2023, é a Athletic Brewing Co. Sediada em Stratford, no estado de Connecticut, a companhia é considerada uma das pioneiras no segmento de cervejas não-alcoólicas.

Nascida em 2018, quando seus fundadores desenvolveram uma linha de produtos que levam apenas ingredientes naturais de alta qualidade, a Athletic tem em seu portfólio apenas cervejas com menos de 0,5% de graduação alcoólica, o limite para que a bebida possa ser considerada não-alcoólica pela lei norte-americana. Com êxito comercial em seus primeiros dois anos de vida, a companhia abriu uma segunda planta em San Diego, na Califórnia.

Os produtos da marca devem começar a aparecer em ações de importantes eventos da modalidade. “O time de triatlo dos EUA está orgulhoso dessa empreitada com uma nova categoria de patrocinadores ao lado da Athletic Brewing Co.,” afirma Chuck Menke, diretor de marketing da seleção norte-americana de triatlo.

“Cerveja sem álcool é uma opção ideal para o rendimento dos atletas, com sabor, satisfação e refrescância com menos de 70 calorias e sem efeitos negativos na dieta, no treinamento e no bem-estar geral dos atletas”, acrescenta Chuck.

Da parte da cervejaria, por sua vez, o entusiasmo se dá por uma ligação prévia com a modalidade. “A Athletic Brewing é parte da comunidade do triatlo norte-americano há anos, com alguns de nossos colegas de equipe, inclusive, praticando o esporte”, afirma Bill Shufelt, um dos fundadores da marca, que já patrocina individualmente atletas como Ben Hoffman, um habitual vencedor de provas de ironman.

“Estamos animados com a parceria com o grande time de triatlo dos EUA, e com a oportunidade de impactar positivamente a saúde e a vida de quem pratica o triatlo”, finaliza Bill.

Ação da Skol incentiva pagamento de ‘rodada’ por empresas em happy hour virtual

Para ao menos amenizar a falta de um happy hour efetivo com os colegas do trabalho durante o período da quarentena provocado pela pandemia do coronavírus, a Skol criou uma ação que permite às empresas “pagarem uma rodada” à distância para seus funcionários.

Junto com o aplicativo Zé Delivery, a marca passou a oferecer cupons de compras que as companhias podem adquirir e distribuir para seus colaboradores fazerem seus pedidos.

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No site da promoção, chamada Hapy Hour Virtual com Skol, as empresas poderão comprar vouchers nos valores de R$ 20, R$ 30, R$ 40 ou R$ 50. E, assim, os funcionários lembrados pelos chefes receberão desconto no momento de aquisição das suas bebidas. Afinal, quem ganhar o cupom vai ter a oportunidade de adquirir qualquer produto da Ambev através do aplicativo Zé Delivery, como cervejas, água e refrigerantes.

“Com a quarentena, tivemos que rever todos os nossos hábitos, mas alguns deles não precisam desaparecer, principalmente aqueles que têm como objetivo deixar os nossos dias mais leves”, afirma Natália Bueno, do marketing da Skol.

A divulgação da iniciativa de marketing pela Skol para o happy hour conta com várias ações nas redes sociais, com o intuito de incentivar os funcionários a contarem sobre a novidade para os seus chefes.

Além disso, no lançamento da promoção, a cervejaria vai entrar no “rateio”, bancando metade do valor da conta para as primeiras cinco mil compras feitas com o cupom HHVIRTUAL.

Junto a essa iniciativa, a Skol anunciou a criação de um perfil no Linkedin, o primeiro de uma marca da Ambev nessa rede social. A intenção da cervejaria é se comunicar com o mundo corporativo, além de influenciadores dessa plataforma, para divulgar a ação do “happy hour virtual”.

Balcão da Ana: A falta que faz a viagem cervejeira

Balcão da Ana: A falta que faz a viagem cervejeira

Escrevo essa coluna rodeada por alguns livros que estão em minha “cabeceira” nesse momento e que me trazem expectativas quanto aos novos tempos. Nada tão filosófico, motivacional, biográfico ou histórico, mas sim temas leves que me transportam para lugares e experiências incríveis em um tempo em que uma das coisas de que mais sinto falta é uma viagem.

Meu desejo de viajar cresce a cada dia, de modo que me pego fazendo planos, imaginando se, depois que tudo o que temos vivido passar, ainda terei tempo para o tanto que almejo.

Sou turismóloga por formação, sommelière por opção e tenho o privilégio de juntar essas duas paixões num trabalho em que viagens e cervejarias dão um match perfeito. Vale destacar SEMPRE que o consumo deve ser consciente. Se beber, não dirija, etcetera e tal.

Reflexões para chegar ao ponto de falar sobre turismo cervejeiro, que no “novo normal” vai ser todo diferente. Acredito que a primeira grande diferença estará na valorização do turismo de experiência, de proximidade, que será uma grande fonte de alívio para muitos moradores, visitantes, e uma boa fonte de renda para as cervejarias e afins que fazem parte dessa cadeia.

Uma vez por mês estarei por aqui, para falar de lugares encantadores, experiências fantásticas, juntando elementos que vão “explodir” na nossa cara, de tão ansiosos que nós estamos para retornar à vida fora de nossas casas.

Esperem para ver…

Ahhh… os livros de cabeceira que falei na introdução são dois da Martha Medeiros – Um lugar na janela (Relatos de viagem – 1 e 2) -, e o do querido amigo @viajantecervejeiro, Edson Carvalho – De carona até o próximo bar.

Valem a leitura!

Boa viagem, por ora!


Ana Pampillón é turismóloga, sommelier de cervejas, coordenadora da Rota Cervejeira RJ e atuante no mercado de lúpulo brasileiro

No Dia do Mestre-Cervejeiro, mulheres avaliam desafios e participação no setor

Divulgado em outubro de 2019, o 1º Censo das Cervejarias Independentes Brasileiras apontou que o ambiente do setor ainda é bastante masculinizado, com 89% dos profissionais sendo homens. Mas, ainda que os números confirmem que a presença feminina é diminuta e precisa aumentar muito, há bons exemplos a serem apontados nesta sexta-feira, 19 de junho, quando se celebra o Dia do Mestre-Cervejeiro.

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Afinal, a visão que associa a bebida ao universo masculino representa um erro histórico. Estudos apontam que a mulher foi a inventora da cerveja, assim como teriam sido elas as responsáveis pela inserção do lúpulo na receita.  

“O universo cervejeiro é, de forma geral, machista, por isso as cervejarias devem olhar o tema com atenção e investir em frentes de apoio à pluralidade de vozes, além de incentivar movimentos inclusivos, já que a mudança vem de dentro”, avalia Laura Aguiar, mestre-cervejeira da Ambev há dez anos.

A multinacional estima que, para cada homem na função de mestre-cervejeiro, exista uma mulher exercendo o mesmo cargo na sua estrutura. Bacharel em Química, Rozilene de Sá é uma delas. E acompanhou de dentro das fábricas o crescimento da presença feminina, pois trabalha na Ambev desde 2001. Além disso, participa de uma confraria cervejeira com outras mulheres.

Com toda essa experiência, ela condena um mito preconceituoso envolvendo a cerveja, o de que o público feminino prefere rótulos mais leves. “É inegável o crescimento do interesse de mulheres em se especializarem na área e isso é reflexo da representatividade de profissionais que cada vez mais quebram estereótipos de que mulher não faz nem toma cerveja. Inclusive, olhando para as consumidoras, precisamos parar de associar certos estilos de cerveja a mulheres, como se só gostássemos de degustar cervejas leves e suaves”, comenta Rozilene.

Outro exemplo de expansão da presença feminina no setor vem da Proa Cervejaria, uma marca artesanal produzida na Bahia. Lá, metade do quadro de oito funcionários é composta por mulheres. A sócia-proprietária Débora Lehnen, que é mestre e bacharel em química e mestre-cervejeira, reconhece, porém, que o caso da sua empresa é uma exceção. “Apesar de ser um quadro congênere, para um mercado em que as mulheres são minoria, isso é bastante representativo”, avalia.

Já Maria Eduarda Victorino, farmacêutica formada em tecnologia cervejeira e pesquisadora de processos fermentativos do Laboratório de Biotecnologia Microbiana (LABIM-UFRJ), avalia que o momento tem sido de resgate histórico da importância da presença feminina na produção cervejeira.

“Fico empolgada em observar esse resgate, vendo cada vez mais mulheres em eventos voltados para a cerveja. Como faço parte de um coletivo formado por mulheres, o @pretascervejeiras, tenho a oportunidade de estar sempre trocando conhecimento com aquelas que querem aprender mais sobre a bebida para que possam produzir para consumo próprio ou, até mesmo, para ingressar nesse mercado de trabalho”, diz Maria Eduarda.

Mulher e negra, ela aponta, no entanto, que há ainda muito a avançar para que a equidade de gênero se torne uma realidade dentro do setor. O Dia do Mestre-Cervejeiro é, portanto, uma oportunidade para apontar o caminho a ser percorrido.

“Questões relacionadas à raça e classe social também precisam ser consideradas. As cervejarias, assim como todas as empresas, precisam atuar para garantir as mesmas oportunidades a todos. A adoção de um ambiente mais plural, formado por pessoas de diferentes backgrounds é favorável tanto para a empresa, quanto para a sociedade como um todo”, conclui.

Dossiê: A cerveja brasileira é democrática ou reflete as desigualdades estruturais do país?

Em uma iniciativa para ampliar o acesso ao ensino e tornar o setor cervejeiro mais inclusivo no país, o Science of Beer adotou uma ação afirmativa em seus cursos. A escola segmentada tem ofertado bolsas de estudos parciais ou integrais – com até dez vagas por turma – para negros, indígenas, pessoas com deficiência e outros grupos em situação de vulnerabilidade econômica. Uma iniciativa que faz despertar a seguinte questão: embora essencialmente popular, a cerveja brasileira é, de fato, democrática?

Trata-se de uma pergunta que se torna ainda mais emblemática quando observado especificamente o segmento de artesanais, que tem a diversidade de sabores e a inventividade como alguns de seus pilares. Características, entretanto, que não necessariamente se refletem em participação, preços e oportunidades.

Não há, também, como descolar o setor cervejeiro da sociedade brasileira, com traços óbvios de preconceito e claras barreiras de acesso. Essa democracia mais propalada do que praticada – e o debate sobre os seus problemas – ficou mais exposta nos últimos meses e semanas com a pandemia do coronavírus. A doença, afinal, além dos problemas sanitários e econômicos provocados, ampliou e escancarou a desigualdade do país.

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A pandemia, por exemplo, tem se alastrado rapidamente entre os povos indígenas, que já vinham sofrendo com políticas públicas que ameaçavam sua sobrevivência. Como se dá no restante da sociedade, o seu maior impacto ocorre sobre pessoas mais velhas e atinge guardiões de importantes culturas. Além disso, as comunidades vivem unidas em grandes malocas, aumentando o cenário de vulnerabilidade.

No início de junho, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) apontou 178 mortes pelo coronavírus em comunidades indígenas, número que se ampliou nas últimas semanas, ainda mais pela presença de garimpeiros na floresta, o que tem dizimado a população. E provocou a criação de uma petição para expulsar essa ameaça (acesse este link).

“O coronavírus expõe as vulnerabilidades aos quais os povos indígenas estão submetidos, o territorial e os de realização dos direitos mais básicos: o direito à saúde e educação diferenciadas, a assistência para um povo que está fora do seu território. Esse somatório coloca os povos indígenas em uma vulnerabilidade que talvez seja a principal entre todos os grupos da sociedade brasileira”, alerta Tiago Moreira, antropólogo e pesquisador do Instituto Socioambiental (ISA).

Nos grandes centros urbanos e nas periferias brasileiras, o cenário também é desolador. Em São Paulo, os 20 bairros com mais mortes por coronavírus estão nas regiões periféricas – a Brasilândia, na zona norte, é a mais atingida. Isso com uma doença que teve seus primeiros casos entre os mais ricos, que inicialmente se infectaram em viagens ao exterior.

É o resultado de anos de esquecimento da periferia pelo poder público, o que se soma com a dificuldade de cumprimento do isolamento social e o discurso contraditório adotado por autoridades. Pode, portanto, ser enxergado como um genocídio, algo que se assemelha ao que tem se praticado com jovens negros e periféricos pelas mãos da polícia mesmo durante a pandemia.

Foi assim com João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, morto durante uma ação policial em São Gonçalo (RJ), quando estava dentro da sua residência, alvo de mais de 70 tiros. Ou com Guilherme Silva Guedes, de 15 anos, que desapareceu na zona sul de São Paulo e foi encontrado depois com dois disparos na cabeça e muitas marcas de agressão espalhadas pelo corpo.

A situação levou a Coalizão Negra por Direitos a lançar um manifesto em que condena o racismo, defende a democracia e denuncia o genocídio da população negra, podendo ser acessado no link https://comracismonaohademocracia.org.br/.

Democracia e cerveja
Essa desigualdade vista na sociedade e escancarada pelo coronavírus se reflete, por sua vez, no mercado? A cerveja brasileira, afinal, é democrática?

Taiga Cazarine, jornalista, sommelière de cervejas e diretora de comunicação da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), avalia que, seja pelo sabor ou pelo preço, até mesmo o setor de artesanais – que representa a diversidade – afasta uma parcela importante da sociedade.

“98% das pessoas que consomem cerveja compram o produto das grandes indústrias. Como você vai atingir esse público com sabores e aromas diferentes, alguns requintados, e preços competitivos como faz o vinho? Já existem movimentos consolidados para isso no mercado de artesanais, a nossa tarefa agora é buscar o como”, avalia Taiga.

E essa difícil realidade sempre esteve exposta ao mercado, conforme aponta Sara de Jesus Araujo, acadêmica de Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Maringá, beer sommelière pela Doemens & ESCM e criadora da página @negracervejassommeliere. Para ela, o problema social, o preconceito racial e o diferente acesso às oportunidades expostas pela crise do coronavírus nunca estiveram escondidos. E só não foram vistos por quem optou por não observá-los.  

“A sociedade brasileira sempre se esquivou da sua realidade, qual seja, que o racismo é estrutural e estruturante das relações raciais e sociais. Essas questões têm sido aventadas pelo movimento negro há muitos anos, porém, a camada hétero-branca-cis-normativa, a qual detém o poder do discurso, não se observa e nem discute esse fenômeno, pois implicaria olhar para si”, comenta.

Como resultado óbvio, Sara aponta ser raro a presença dos negros em espaços cervejeiros. “Até os vemos, no entanto, estão servindo as mesas, limpando os espaços ou fazendo a segurança do lugar”, afirma ela, relatando cenas de preconceito. “Eu, por exemplo, sempre que vou a espaços cervejeiros, faço o teste do pescoço e procuro pessoas iguais a mim, pessoas com a pele escura, e não as encontro. Na realidade, encontro olhares insistentes como quem pergunta: o que você está fazendo aqui?”.

A sommelière também observa que os negros são maioria na população brasileira, mas não aparecem em propagandas de cerveja ou nos principais cargos diretivos das marcas. “Pessoas negras não gostam de cervejas? É evidente que gostam, mas elas não são convidadas a estarem nesses espaços”, diz ela, para depois acrescentar.

“Olhem as propagandas relacionadas à cerveja e vejam as cores das pessoas que estão ali consumindo e curtindo. Na sua maioria, são pessoas brancas”, observa Sara, também fazendo um questionamento aos brancos. “Por que não tem pessoas negras nos cargos de decisão no meio cervejeiro, onde estão os mestres-cervejeiros, os donos de cervejarias, as pessoas negras nos cargos de decisão?”.

Democracia e profissionalização
Taiga Cazarine, por sua vez, aponta que a necessidade de profissionalização do mercado cervejeiro vai muito além da exigência de contar com pessoas que entendam do produto. Passa, especialmente, pela necessidade de adotar ações que estimulem a diversidade e a democratização de oportunidades.

“Quando a gente fala em profissionalizar o setor, tem a ver com entender gestão do negócio, levantar bandeiras e contratar a diversidade, preparar os trabalhadores, trabalhar a marca, a produção da cerveja, comunicar o consumo responsável, levantar a bandeira do consumo local”, detalha a diretora da Abracerva.

Já Nadhine França, colunista do Guia, sommelière, membro da Confraria Maria Bonita e coordenadora do Instituto da Cerveja no Pernambuco, aponta que o segmento só poderá ter um crescimento saudável caso haja inovação “inclusiva”, algo que demanda visões diferentes, advindas de realidades distintas.

“Há uma necessidade de o setor entender que não vai crescer se continuar fazendo produto de nicho. É preciso compor suas equipes de maneira mais diversa para estimular inovação. Para isso precisamos também profissionalizar essas pessoas. Esse é o melhor caminho para consolidar a cerveja artesanal de maneira democrática: com representatividade”, salienta Nadhine, que acaba de assumir o posto recém-criado de coordenadora do núcleo de diversidade da Abracerva, um movimento fundamental do mercado de artesanais em benefício da democratização.

Democracia e educação
Também nesse sentido, a iniciativa do Science of Beer pode fomentar a tão necessária diversidade. Fundadora e CEO da instituição, Amanda Reintebach explica que a inspiração para fornecer as bolsas veio da sua própria infância, marcada por dificuldades, mas transformada pela educação. Assim, ela espera contribuir para que sua história seja replicada em outras pessoas.

“Lembro de uma vez que fui descalça para escola e, como meu trajeto era longo e pelo sítio, embaixo da minha carteira ficava o barro. Isso foi motivo para muito bullying, porém me deu força para mudar minha realidade. Naquela época eu já dizia que queria ser uma cientista. Estava claro para mim que a forma de mudar a minha vida era através da educação”, relata.

Ao fornecer as bolsas, o Science of Beer espera contribuir para eliminar desigualdades historicamente acumuladas, garantir a igualdade de oportunidades e tratamento, compensar perdas provocadas pela discriminação e marginalização decorrentes de motivos raciais, étnicos, religiosos e de gênero.

Amanda reforça que a participação de “minorias” em eventos, cursos e altos cargos é rara, tornando o mercado cervejeiro elitizado. E a sua instituição busca, portanto, viabilizar uma pequena parcela da necessária reparação histórica. “Temos uma preocupação muito grande em tornar o mercado cervejeiro mais democrático e inclusivo. Afinal, se a cerveja é para todos, por que a profissão e o estudo da cerveja ainda segregam tanto?”, questiona.

O investimento em educação também é visto por Sara como a única possibilidade de viabilizar a diversidade no setor, seja entre frequentadores, expositores e premiados em festivais, seja entre os donos de cervejarias.

“Para que essa situação se altere, para que possamos ver pessoas de todos os jeitos e uma ampla diversidade nesse espaço, há que se investir em educação principalmente antirracista e contratar a diversidade”, diz a sommelière. “Pessoas negras, indígenas, LGBTQIA+ precisam estar incluídas nesse espaço, não tokenizadas, mas, sim, em paridade.”

Já Nadhine França comenta que o crescimento do setor de cervejas artesanais se deu por alguns fatores, como o aumento do poder de consumo da classe média e alterações na percepção sobre a gastronomia. Mas ele só irá se consolidar com o maior aceso à educação cervejeira.

“A ascensão da mulher no mercado de trabalho e o aumento da renda da chamada classe média, permitindo viagens internacionais e acesso a cervejas importadas, aliada à movimentos gastronômicos de gourmetização e valorização do produtor local, criaram um terreno para que a indústria da cerveja artesanal pudesse construir seu espaço, mas a educação cervejeira cria em cada pessoa uma ferramenta para que essa estrutura seja perene. Uma iniciativa como essa permite que qualquer pessoa possa ser essa ferramenta rodando essa engrenagem”, complementa Nadhine.

A ação afirmativa do Science of Beer é válida para os cursos de Sommelier de Cerveja; Tecnologia em Processos Cervejeiros; Beer Talk; Yeast Freaks; Gestão, Análise e Avaliação Sensorial de Cerveja; Malt Talk; Hops On Top; além de aulas online. 

Os candidatos podem ser contemplados com bolsas de 30%, 50% ou 100% do valor do curso, levando em consideração os dados de um questionário socioeconômico e a análise de uma comissão. Clique aqui para acessar o edital.

Em ações distintas, Ambev e Heineken distribuem pão a comunidades vulneráveis

Como forma de contribuição com o combate aos efeitos da crise do coronavírus na sociedade brasileira, as duas gigantes da cerveja nacional – Ambev e Heineken – colocaram em prática ações semelhantes de distribuição de pão para comunidades vulneráveis.

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Em parceria com a empresa de panificação Bimbo, a Ambev está produzindo 540 mil fatias de pão para doar em quatro cidades onde ambas têm fábricas, enquanto a Heineken se juntou à Wickbold para produzir e doar o alimento para 1 milhão de sanduíches no estado de São Paulo. Os projetos utilizam como matéria-prima maltes de cevada fornecidos pelas cervejarias.

A iniciativa da Ambev prevê beneficiar 680 entidades que auxiliam comunidades de maior vulnerabilidade, além da Central Única das Favelas (Cufa) em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Gravataí (RS). A doação será feita a partir de 22 de junho por meio do banco de alimentos Mesa Brasil Sesc.

“Nós acreditamos que faz parte nossa responsabilidade olhar para o nosso negócio e pensar como podemos ajudar a sociedade nesse momento crítico que estamos vivendo”, comenta Carla Crippa, vice-presidente de Relações com a Sociedade da Ambev.

Fornada do Bem
Já o programa Fornada do Bem, da Heineken e da Wickbold, distribuirá 40 toneladas de pão a partir de julho no estado de São Paulo, por meio da ONG Banco de Alimentos. Cerca de 3 toneladas de malte foram doadas pela cervejaria e vão passar por processos de moagem específicos para suprir as necessidades da produção do pão.

A Wickbold, por sua vez, se encarregou de readequar sua linha de produção para atender às demandas da iniciativa de uma receita inédita, já que pela primeira vez a marca utilizará o malte como ingrediente em pães de forma fatiados.

“Seguimos nosso compromisso de continuar articulando frentes para minimizar as consequências desta crise. O projeto Fornada do Bem é mais um exemplo de parceria inédita e inovadora para ajudar centenas de pessoas”, afirma Mauricio Giamellaro, CEO do Grupo Heineken no Brasil.

Pubs apelam ao risco de fechamento em ‘ultimato’ por reabertura no Reino Unido

Milhares de pubs do Reino Unido afirmam que podem se tornar vítimas definitivas da pandemia da Covid-19 se o governo não liberar a volta das atividades. Em carta aberta ao primeiro-ministro britânico Boris Johnson, mais de 50 empresas ligadas à British Beer and Pubs Association (BBPA) declararam que as incertezas prolongadas por meses as levaram a uma “situação de risco máximo”, que pode custar o fechamento de milhares de casas e de postos de trabalho. Assim, deram um “ultimato” para que uma decisão sobre a reabertura seja adotada até sexta-feira.

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Os signatários, que vão de gigantes multinacionais como Diageo (dona da irlandesa Guiness), Carlsberg e Molson Coors a pequenos negócios familiares, pressionam Boris Johnson a incluir os pubs na lista de estabelecimentos que poderão retomar as atividades a partir de 4 de julho.

A data foi sugerida em uma primeira versão do plano de reabertura de estabelecimentos considerados não essenciais por etapas, mas ainda não foi confirmada pelo primeiro-ministro.

Essa é a segunda data aventada pelo governo, que inicialmente falava em reabertura de pubs que tenham “beer gardens” a partir de 22 de junho, o que foi descartado e trouxe ainda mais insegurança para o setor. Dos aproximadamente 47 mil estabelecimentos do país, 27 mil têm espaços externos e, em tese, poderiam voltar a atender seguindo padrões de segurança.

O setor alega, também, que reabrir não é algo que acontece do dia para a noite e que precisa conhecer a data de reabertura com três semanas de antecedência para mobilizar funcionários, repor estoques (no caso dos pubs) e retomar a produção (caso das cervejarias). Além disso, o segmento demanda diretrizes de segurança a serem adotadas por empregadores e repassadas à força de trabalho.

“O sustento de milhares de donos de pubs e de centenas de milhares de trabalhadores de pubs e cervejarias de todas as esquinas do Reino Unido está por um fio. Queremos trabalhar com o governo para colocar cervejarias e pubs de volta em seu rumo, mas precisamos urgentemente de clareza da sua parte para poder fazer isso”, apelam as empresas a Johnson.

Caso Backer deve reforçar foco na segurança alimentar para evitar perda de credibilidade

A conclusão da investigação da Polícia Civil de Minas Gerais sobre a contaminação de rótulos da Backer representou um passo importante para a elucidação de um grave incidente que provocou impactos e trouxe importantes lições para o setor cervejeiro.

Na avaliação de especialistas consultados pelo Guia, o caso deixa como aprendizado a necessidade de foco na melhoria da qualidade da produção e do reforço da segurança alimentar. E isso se tornou fundamental para minimizar o efeito no consumo das artesanais, já afetado pela crise do coronavírus – ainda mais porque a empresa mineira era uma das líderes do segmento.

O inquérito da Polícia Civil de Minas Gerais apontou que uma falha técnica causou a contaminação das cervejas da Backer. Isso culminou na morte de sete pessoas e vitimou outras 22, deixando sequelas. E o caso tem levado os profissionais do setor a se concentrarem em entender detalhes dos acontecimentos para não repetir os erros cometidos.

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O fato de a Backer ter usado substâncias tóxicas na fábrica já havia chamado a atenção da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva). Logo nas primeiras semanas após o caso vir à tona, a entidade solicitou a proibição do uso dessas substâncias ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Foi, então, editada uma nova norma pelo Mapa impedindo a utilização desse tipo de material nas linhas de produção de cerveja.

Além disso, buscando elevar a qualidade dos processos fabris, a Abracerva, em conjunto com o Sindicato Nacional da Indústria de Cerveja (Sindicerv), tem promovido um programa de segurança alimentar nas empresas. “Já estamos na segunda turma que está estudando esse programa nas fábricas, o que vai ajudar a elevar bastante o patamar da qualidade das cervejarias”, ressalta Carlo Lapolli, presidente da Abracerva.

Para o mestre-cervejeiro Luiz Signoretti, que possui 25 anos de experiência em fabricação de cervejas, o caso da Backer deixa algumas lições, evidenciando que as empresas precisam ter uma preocupação maior com a gestão dos recursos e dos processos operacionais.

“O negócio cervejeiro é muito mais amplo do que produzir cervejas. Então, eu creio que o inquérito da Backer será ao menos uma centelha de luz para os proprietários de cervejarias e empreendedores enxergarem que erros em cascata podem fechar uma cervejaria”, aponta Signoretti.

Impactos no consumo
Minimizar erros é importante para evitar novos danos à credibilidade das marcas artesanais, o que poderia causar impactos no consumo como consequência do caso Backer. Afinal, a contaminação das cervejas teve repercussão nacional, com uma parcela relevante da população tomando conhecimento do incidente. E uma possível perda da confiança no segmento também provocaria a diminuição do número de compradores dos seus rótulos.

Para jornalista e sommelière de cervejas Fabiana Arreguy, que vive em Belo Horizonte, onde se concentraram os casos com os rótulos da Backer, o incidente deixou manchas na reputação da qualidade das artesanais brasileiras. Por isso, ela prevê um recuo do setor, com o público preocupado em consumir um produto seguro.

“É fato que muitos consumidores que se aproximavam do segmento das artesanais vão retroceder nessa aproximação, voltando às cervejas de massa que, pretensamente, são mais seguras. Voltamos alguns anos no trabalho de conquista do consumidor”, analisa Fabiana.

Já o presidente da Abracerva afirma que não houve perda de credibilidade do setor e nem impactos nas vendas por conta do episódio com a Backer. Lapolli acredita que haverá o entendimento de que se trata de um caso isolado dentro do segmento das artesanais. “O consumidor entendeu que foi um incidente muito infeliz e pontual.”

Relembre o caso
Após quase cinco meses de investigação, a polícia concluiu que uma falha em uma solda do chiller de um dos tanques de fermentação da cervejaria permitiu a contaminação da cerveja com mono e dietilenoglicol, ambos tóxicos.

Segundo a polícia, o fato de a cervejaria utilizar substâncias tóxicas em uma linha de produção alimentícia foi o motivo da contaminação e das mortes – e não a falha da solda em si. Por isso, 11 funcionários da Backer foram indiciados, sendo que sete deles eram responsáveis técnicos e operacionais da cervejaria.