Início Site Página 250

Ambev acompanha índice Bovespa em maio e tem leve recuperação após meses de queda

A ação da Ambev acompanhou a alta do índice Bovespa em maio e recuperou parte do seu valor de mercado, ainda que sem apagar as perdas acumuladas dos meses anteriores de 2020. O papel ABEV3 teve valorização de 10,05%, bem semelhante ao do Ibovepa, que subiu 8,57% no mesmo período.

A ação ordinária da multinacional cervejeira fechou o pregão da última sexta-feira com o preço de R$ 12,48, sendo que havia começado maio cotada a R$ 11,34. Apesar disso, a queda em 2020 continua sendo brutal – o papel da Ambev havia terminado 2019 a R$ 18,67. Ou seja, a desvalorização neste ano está em 33,15%.

No início de maio, foi divulgado o balanço do primeiro trimestre da Ambev. Pressionada pela crise do coronavírus, a companhia teve lucro líquido de R$ 1,091 bilhão no período, um recuo de 59% em relação aos três meses iniciais de 2019. E analistas apontaram que o pior ainda está por vir para a empresa, que já revelou queda de 27% no volume de cervejas vendidas em abril.

Leia também – Ambev tem redução de quase 60% no lucro líquido do primeiro trimestre

Mas, na Bolsa de Valores de São Paulo, a Ambev acompanhou a recuperação do principal mercado nacional em maio, com o índice Bovespa atingindo o segundo mês de resultado positivo em 2020. O pregão de sexta, por exemplo, foi fechado em 87.402,59 pontos, sendo que havia terminado abril com 80.505,89.

Continua, porém, sendo insuficiente para recuperar as expressivas perdas dos três primeiros meses do ano, especialmente de março, pois o Ibovespa tinha encerrado 2019 com 115.645,34 pontos. Ou seja, mesmo com a recuperação de abril e maio, a queda acumulada em 2020 está em 24,42%.

Esta foi apenas a segunda vez em 11 anos que o Ibovespa teve alta em maio. E a avaliação de especialistas é que isso se deu em função da reabertura da economia de alguns países que já passaram pelo pico do surto do coronavírus.

Leia também – O pior ainda está por vir à Ambev, dizem analistas após 1º trimestre fraco

O cenário interno, porém, não é nada bom, como apontou a retração do PIB em 1,5% no primeiro trimestre de 2020. A crise sanitária também continua grave e o cenário político é incerto, especialmente pelo choque entre poderes, com o presidente Jair Bolsonaro tendo confrontado algumas vezes o STF e o Congresso Nacional.

Fora do Brasil
Entre as principais cervejarias do mundo, o destaque foi para a alta da Heineken na Europa. O papel começou o mês custando 77,62 euros e encerrou maio com o valor de 82,48 euros. A valorização, portanto, foi de 6,26% em um mês.

Já a ação da Anheuser-Busch InBev – multinacional fruto da fusão da belga Interbrew com a Ambev – fechou o quinto mês de 2020 cotado a 41,91 euros. Como havia terminado abril valendo 41,88 euros, a alta foi de 0,07% no período. 

Consumo de álcool na quarentena: Uma reflexão a partir da visão de um apreciador

*Por Luiz Guerreiro

O consumo de álcool na quarentena provocada pela Covid-19 é motivo de intenso debate. Algumas regiões adotaram a lei seca, especiamente no cenário internacional, proibindo a circulação desse tipo de mercadoria em sua região. Afinal, será que essa atitude realmente surte algum efeito positivo?

Leia também – Consumo consciente de álcool pode se tornar o “novo normal” após o isolamento, dizem acadêmicos

Em primeiro momento, consiste entender que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou evitar o consumo de álcool durante a atual pandemia devido aos riscos gerados pela ingestão em excesso, tanto fisicamente para quem consome quanto a terceiros, por conta da mudança de comportamento sob a influência de álcool.

Acontece que existem dois tipos de consumidor: o primeiro grupo, composto por indivíduos que possuem controle quando estão consumindo bebida alcoólica; e o segundo conjunto, formado por aqueles em que essa substância acarreta em problemas, uma vez que perdem o controle e fazem o uso exageradamente. Estes são considerados doentes e, portanto, devem evitar o uso em qualquer circunstância.

O fato do consumo de bebida ser geralmente realizado em grupos também acarreta em problemas, pois o distanciamento social é a única alternativa a fim de conter o avanço da doença. Consequentemente, os bares e similares são ambientes que devem ser evitados nesse momento.

É sabido também que a ingestão dessa substância associada à direção de veículos automotivos consiste na motivação do número gigantesco de acidentes de trânsito no Brasil. É algo do cotidiano que precisa de combate, assim não é um problema relacionado ao atual cenário.

Por outro lado, inúmeras pessoas fazem o uso de álcool com moderação, servindo como ferramenta de degustação e alegria. São indivíduos saudáveis e com controle durante o consumo, os quais sob o efeito do líquido não violam as regras. Logo, estes não podem ser impedidos de ter acesso ao produto.

Toda tentativa de proibição de algum item gera um mercado clandestino, pois há pessoas que não vão respeitar a norma imposta. Justamente aquele grupo considerado doente tende a cometer irregularidades a fim de conseguir o objeto de desejo.

O consumo de bebida traz inúmeros debates, contudo é necessário entender todo o conjunto de atores envolvidos no seu uso. Portanto, as medidas devem ser direcionadas de acordo com cada situação específica.

Em suma a proibição do álcool na quarentena não é o caminho, pois não vai resolver o problema, pelo contrário: acarretará em mais impasses. A melhor opção é a informação e a busca por sensibilizar o cidadão dos riscos do consumo em excesso. Paralelamente a isso, a compra e o consumo consciente podem e devem seguir no atual momento sem problemas.

*Luiz Guerreiro é apreciador de longa data, produtor de cerveja caseira e um leitor inquieto do Guia

Para promover o debate entre os mais distintos segmentos do setor cervejeiro, o Guia deixa o espaço totalmente aberto para seus leitores. Se quiser mandar uma sugestão de artigo, é só escrever para nosso editor: itamar@guiadacervejabr.com

Com lives, ICB olha para o futuro da difusão da cultura da cerveja

Na impossibilidade de continuar interagindo com o público em eventos e cursos presenciais, que têm na proximidade e na troca de experiências suas grandes vantagens, escolas como o Instituto da Cerveja Brasil (ICB) se viram impelidas a acelerar sua transição para o ambiente digital. Com isso, as lives cervejeiras ganharam espaço e estão sendo aperfeiçoadas para sedimentar seu lugar na cultura cervejeira. 

Até o início da pandemia e do isolamento social, a relevância das lives como ferramenta de comunicação era pequena na estratégia do ICB. Desde então, o instituto viu no formato uma possibilidade poderosa e correu para estruturar uma série de encontros virtuais com professores, parceiros e convidados. “Esse início foi importante para entendermos como agir, apresentar e quais temas abordar”, afirma o sócio do ICB, Estácio Rodrigues, ao Guia.

Leia também – ESCM oferece bolsas de estudo para cada uma das 1,2 mil cervejarias do Brasil

Depois de algumas semanas de familiarização com as possibilidades do formato, a escola estabeleceu uma parceria com a Eisenbahn – impossibilitada pela crise do coronavírus de gravar a temporada 2020 do reality Mestre Cervejeiro, um de seus principais canais de divulgação de cultura cervejeira – para entregar conteúdo a seu público.

As marcas, então, desenvolveram um calendário de 14 lives chamadas “Conteúdo de Mestre”, que foram divididas em três eixos temáticos: história, processos e serviços. “Pensamos em diversos conteúdos que pudessem ser leves e ao mesmo tempo com bastante conhecimento, além de enriquecer a experiência de uma boa degustação”, afirma o sócio do ICB.

Os cursos passam por temas como técnicas de higiene, refrigeração, estilos e harmonização. Na prática, o conteúdo tem origem nos cursos regulares do ICB, adaptados para o formato mais conciso, de 30 minutos, segundo detalha Estácio.

“Tivemos apenas que enxugar os assuntos e adaptar a linguagem mais coloquial do dia a dia das pessoas. Os professores sempre tomam o cuidado de ‘traduzir’ algum termo cervejeiro para que o público acompanhe de forma mais fácil”, detalha Estácio sobre os esforços dos apresentadores Juliano Mendes, fundador da Eisenbahn, e Pri Colares, sommelière, responsáveis pelas aulas.

O sócio do ICB, aliás, vê no clima informal e na experiência “confortável” que as lives proporcionam um grande potencial para a popularização da cultura cervejeira. “Quando bem feitas e com conteúdos corretos para o público, as lives são muito enriquecedoras, pois levam informação adicional sobre aquele produto ou serviço que está sendo discutido. Quem não quer tomar uma cerveja no aconchego de sua casa e entender mais sobre ela?”.

Os encontros ocorrem às 17h das quartas-feiras e às 11h dos domingos, no perfil da Eisenbahn no Instagram. O programa tem, ainda, três encontros: neste domingo, Juliano Mendes recebe Edu Passarelli para conversar sobre harmonização de cervejas com pratos brasileiros; na terça-feira (3 de junho), ele debate com Luís Celso Jr a história do estilo Pilsen; e, no próximo domingo (7 de junho), Pri Colares discute com Beatriz Ruiz o papel da mulher na história da cerveja.

O conteúdo da série de lives do ICB e da Eisenbahn vai ficar disponível no portal do reality show Mestre Cervejeiro.

Hilda
Mesmo com a realização cancelada em 2020, o Eisenbahn Mestre Cervejeiro celebrou nesta semana mais um de seus “frutos”: a Hilda, Session IPA vencedora da décima edição do programa, criada pelo mineiro Claudio Botelho. A novidade chegou às prateleiras digitais do e-commerce do Grupo Pão de Açúcar.

“A Hilda é uma homenagem à minha avó, mãe da minha mãe, que antes de partir, plantou cada árvore do pomar onde hoje está minha cervejaria”, conta Botelho, lembrando os aromas de lima, laranja, limão capeta e mexerica que o inspiraram.

A princípio, a cerveja com teor alcoólico de 4,6% será vendida online somente no Estado de São Paulo.

ESCM oferece bolsas de estudo para cada uma das 1,2 mil cervejarias do Brasil

Um novo programa de educação da Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) vai dar bolsas de estudo com acesso a cursos inéditos da instituição para cervejarias de todo o Brasil. O projeto ESCM Juntos terá 1,2 mil bolsas, uma para cada empresa do setor registrada no país, com o objetivo de capacitar e abastecer o mercado com conhecimento, algo que se tornou ainda mais importante em um momento de incertezas como o atual.  

Leia também – Entrevista: Indústria de bebidas perde 50% de faturamento na crise, aponta Abrabe

Por meio do programa, as cervejarias terão acesso a mais de 15 cursos inéditos, abordando temas como ingredientes (água cervejeira, malte, lúpulo, leveduras), processos (controle de qualidade, gestão e análise sensorial, envase) e gestão (custos, marketing, PCP, equipes). As aulas serão ministradas por professores voluntários que apoiam o projeto.

Os cursos vão ser online e com carga horária de nove horas. O formato, com aulas divididas em três dias, foi pensado para permitir que os participantes conciliem estudo e trabalho, de acordo com o diretor da ESCM, Carlo Bressiani.

“Nós dividimos os temas de forma a trazer um conteúdo prático e focado aos profissionais cervejeiros. Também pensamos nisso ao oferecer uma carga horária de três horas ao dia, já que sabemos que muitos desses profissionais seguem na rotina de fábrica”, comenta. 

O diretor da ESCM destaca a necessidade de o setor cervejeiro se manter unido e valorizando o conhecimento em um cenário de crise. Assim, o momento de instabilidade foi fator motivador para a concessão das bolsas de estudo.

“Como o próprio nome diz, estamos juntos. Todos os integrantes da cadeia produtiva da cerveja têm a missão de apoiarem-se. O conhecimento é o bem mais valioso que nós temos e estamos colocando esse conteúdo a disposição do mercado”, completa Bressiani.

As inscrições podem ser feitas até a data de início dos cursos – alguns deles começam na próxima segunda-feira. São. 50 vagas por turma. Assim, quanto antes a cervejaria decidir pela participação, maior é a probabilidade de ela poder escolher o curso mais interessante para seu momento.

Todas as informações sobre as aulas e o regulamento completo estão no site do projeto.

Balcão da Bia: Minha cervejaria dos sonhos

Coluna bia amorim

Balcão da Bia: Minha cervejaria dos sonhos

Sou sommelière de cervejas e, por conta do meu trabalho, estou sempre provando novidades, cervejas diversas. Mas também faz parte dele olhar as prateleiras, o amontoado de rótulos, as diversas embalagens, de novas e tradicionais cervejarias. É preciso entender alguns paradigmas, ver as coincidências, perceber as tendências e como o mercado – esse organismo vivo – funciona.

Eu sinto falta de um monte de coisas. Mas essa percepção, muitas vezes, pode ser apenas o meu ego, o meu gosto pessoal, e não o que é preciso realmente. Então me coloco a sonhar. Abro uma cerveja, me sento confortavelmente ao pôr do sol e fico imaginando como seria se eu pudesse ter a minha cervejaria. Uma fábrica ao meu bel-prazer.

Primeiro, vagueio pela localização. O duro de sonhar é isso: posso edificar até um mosteiro e morar na Bélgica. Isso, sim, é sonho. Eu me perco rápido, logo o sonho se transformou em um Sin City cervejeiro. Volto meus pés um pouco mais perto do chão. Poderia ser na Serra, perto de Minas Gerais. Ali, divisa com o Rio de Janeiro. “Muitos amigos naquela região, fácil acesso para tudo”, pensei.

Dou uma suspirada na vida e uma respirada no copo. Frutado, vida real. Tropical, prazer sensorial. Nessa vibe, torno a pensar na cervejaria. Já tenho o lugar, preciso pensar na arquitetura, pois ela vai dizer tudo sobre a minha marca. Define um estilo de vida, sabe? Gosto de tijolinho “à vista”, meio vermelho queimado. Curto também um estilo meio norte-americano. Consigo ser brega até no sonho, misturando os designs. Vai ser sustentável em tudo. Invento máquinas de uma tecnologia que não existe. O sonho é meu, chamo até o Steve Jobs se eu quiser.

Ao que parece, grana não é problema, já que estou longeeeeeee nos pensamentos. Dou uma suspirada na vida e uma respirada no copo. Na vida real, grãos, uma boa mistura, nada que pareça caramelo, um biscoito pronunciado, mas uma textura aveludada. Como seriam as embalagens? Acho que latas: são mais fáceis e práticas de lidar na cadeia toda. Os rótulos? Nossa, nem brinca. Com tanta liberdade, iria escolher meus artistas favoritos e convidar um para cada estilo. E já que liberdade pouca é bobagem, vou colocar nomes que fazem apologia à cultura, à arte e aos valores humanos. Não é só sobre o líquido.

Mas tudo isso começou, esse sonho desenfreado, porque eu queria encontrar nas prateleiras os sabores que eu mais gosto. Um paladar mimado, eu diria. Cervejas com mais malte, com mais malte caramelo, com mais tons âmbar, com mais álcool, com mais café, cacau, defumado, doce de leite, panquecas e calda de chocolate. Ops, sonho errado? O sol já baixou e as cores do céu mudaram. Mas no meu copo a IPA continua me dando informações. Bem atenuada, ótimo drinkabiltypara sonhar despercebido. Sour de todos os estilos, vamos azedar tudo. Coisas na madeira. Lagers crispye delicadas. Michael Jackson deve me fazer uma visita. Brindo com ele e quase faço uma Goose IPA no copo que paira sobre meu colo na vida real.

Mas com a movimentação da casa, me desperto. E, ainda pensando sobre as probabilidades reais do sonho, vejo que temos uma linha muito tênue entre tudo isso e quem faz cerveja em casa. Pois em pequenas doses e com um pouco mais de humildade, em casa e com nossa criatividade, também podemos manipular as matérias e escolher os sabores. Com técnica e dedicação também aprendemos sobre qualidade.

Mas eu sou sommelière. Meu trabalho é entender o sonho, olhar para a realidade e ver que está tudo lá. As prateleiras com boa curadoria nos pontos de venda, as lojas virtuais, o nicho como um todo, têm tudo isso que eu disse. Tem lindas construções, tem lúpulo nacional saindo do papel e do sonho, tem profissionais competentes, tem rótulos incríveis, tem mensagens sendo passadas. Tem cerveja bem-feita, tem dedicação e esmero. No fundo, eu só sonhava com mais Browns Ales e Schwarzbier – e também com a Bélgica. Uma mistura de saudades e anseios por sair de casa e voltar a respirar o ar do boteco e do bar.

Eu estava ali sonhando, enquanto bebia o sonho que alguém concretizou. Um crossover cervejeiro sensorial. Esse é meu ideal de cervejaria. Como seria sua cervejaria? Já sonhou com isso? Nem tudo precisa sair do papel, mas sonhar, isso sim é preciso. Saúde.


Bia Amorim é sommelière de cervejas, filosofa de boteco on live, escritora de botequim virtual, a tia louca da louça. No instagram, @biasommelier no trabalho, @startupbrewing e vertentes.

Live do Guia vai discutir os desafios para a retomada dos bares

Alguns estados já planejam a forma de retomada de atividades, como as comerciais, incluindo os bares, a partir do início do relaxamento das medidas de isolamento social. Em São Paulo, por exemplo, o governador João Doria anunciou uma liberação por etapas, começando em 1.º de junho, que levará em conta os números de casos da Covid-19 e a disponibilidade de leitos de UTI em cada município. Em Minas Gerais, já há um funcionamento parcial de muitos estabelecimentos em algumas cidades.

A próxima live do Guia no Instagram, nesta sexta-feira, às 18 horas, vai debater os desafios dessa volta. Para isso, o jornalista e sommelier Rodrigo Sena, do canal Beersenses, receberá como convidado o co-fundador e diretor do BaresSP, Fabio de Francisco. O BaresSP atua há 20 anos como um hub de negócios e escola de formação de profissionais para bares e restaurantes em São Paulo.

“A reabertura dos bares, com essa retomada, é fundamental para o mercado cervejeiro, principalmente para a cerveja artesanal brasileira, pois os bares são o grande ponto de consumo da bebida”, diz Rodrigo.

O segmento de bares e restaurantes vive uma crise sem precedentes. Mais de 1 milhão de profissionais foram demitidos por causa da pandemia, segundo pesquisa da Associação Nacional de Restaurantes (ANR).

Além disso, a grande maioria dos estabelecimentos ainda não conseguiu crédito nos bancos, como indicou pesquisa Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). “Estamos vivendo de perto os problemas atuais do setor e sabemos que a retomada não será fácil”, conta Fabio.

Leia também – 81% dos pedidos de crédito de bares e restaurantes foram negados, revela Abrasel

As lives do Guia são realizadas semanalmente. Assim como acontece com o conteúdo do site, o objetivo é que seja mais um espaço de discussão e divulgação da cultura que cerca a cerveja, oferecendo informação relevante e atualizada, além de análises profundas sobre o que acontece dentro desse universo.

Na semana passada, na segunda edição da live, a sommelier Candy Nunes conversou com o empresário Marcos Chimini, da Chima´s Bier, sobre a produção de cerveja caseira.

Confira na íntegra a live da semana passada.

Entrevista: Indústria de bebidas perde 50% de faturamento na crise, aponta Abrabe

Iniciada em março, quando medidas de isolamento social foram adotadas para tentar evitar a propagação da doença, a crise do coronavírus teve efeito devastador sobre a indústria de bebidas alcoólicas. A estimativa é de perda de 50% de faturamento durante esse período de paralisação das atividades, segundo revela Cristiane Foja, presidente-executiva da Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe), em entrevista ao Guia.

A queda se dá mesmo que o setor tenha intensificado novas modalidades para atender a clientela, com serviços de delivery e comércio digital. E deve durar bastante tempo, como reconhece a executiva da Abrabe, seja pela indefinição sobre quando as atividades serão retomadas sem restrições, seja porque a alta do dólar e o aumento do desemprego refletem diretamente sobre o consumo.

É um cenário bem diferente ao que se previa no fim de 2019, quando o setor cervejeiro vinha em expansão, com a produção de bebidas alcoólicas tendo crescido 4,8% no ano passado, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). E apenas em março, no início da crise, o recuo foi de 20,9%.

Leia também – Com pandemia, produção de bebidas alcoólicas recua 20,9% em março

Na entrevista, Cristiane também destaca a postura das empresas do setor, que vêm reforçando a necessidade de o consumo de bebidas alcoólicas ser consciente e moderado durante o período de quarentena. E elogia iniciativas de apoio no combate ao coronavírus e aos efeitos da crise social.

Confira, a seguir, a entrevista completa com Cristiane Foja, presidente-executiva Abrabe.

Qual é a situação do setor de bebidas nesse momento? É possível estimar em números o impacto da crise do coronavírus sobre o setor?
Os impactos estão sendo amplamente sentidos. Desde o início da pandemia, houve um desenvolvimento de vendas via canais on-line, como deliveries e e-commerces, mas nem de perto supre a demanda das vendas em bares, restaurantes e eventos, que seguem fechados devido ao isolamento social. A queda de faturamento médio do setor gira em torno de 50%, com base em dados extraídos das empresas associadas à Abrabe.

Como a Abrabe tem orientado as empresas do setor nesse momento para lidar com a crise?
Desde o início, a Abrabe incentiva suas associadas a realizarem ações que possam mitigar os impactos da crise junto à sociedade. A Abrabe ainda fomenta junto às empresas associadas e à comunidade a cultura de moderação do consumo de bebidas alcoólicas, atuando como aliada social neste momento de pandemia ao influenciar boas práticas de consumo responsável.

O que o momento exige especificamente para o setor de cervejas?
O momento exige dedicação de todo o setor de bebidas alcoólicas para que sociedade, parceiros e indústria possam superar a crise física, emocional e financeiramente. Vale olhar para as ações já realizadas por empresas de bebidas alcoólicas de forma positiva, pois desde o início o segmento tem se mobilizado e agido de forma bastante atuante para evitar a proliferação da Covid-19 no Brasil, como a doação de álcool 70%, água e cestas básicas para comunidades carentes e ações de apoio a bares e restaurantes.

Leia também – 11 fornecedores avaliam o impacto da Covid-19 na indústria da cerveja

A Abrabe acredita que será preciso estímulos do governo federal para o setor lidar com a crise?
A Abrabe se manifestou fortemente junto ao governo desde o início da crise para propor sugestões que colaborem para minimizar o impacto econômico que medidas relacionadas ao isolamento social causam para o segmento de bebidas alcoólicas no Brasil. Dentre as principais solicitações da entidade, estavam a liberação de créditos e a revisão de tributos para o setor.

Qual é a perspectiva para o setor de bebidas nas próximas semanas?
A perspectiva é que a queda média de faturamento se mantenha em 50% até o final do isolamento social.

Como a Abrabe acredita que será o futuro do setor de bebidas e, mais especificamente, o de cerveja no pós-crise?
Imaginamos que o impacto da pandemia ainda será sentido por um bom tempo no setor de bebidas alcoólicas, sobretudo pelo fato de não sabermos a duração do isolamento social necessário, tampouco qual será o comportamento das pessoas após a Covid-19. O que podemos afirmar é que a crise econômica em decorrência da pandemia certamente refletirá nos hábitos de consumo de bebidas alcoólicas, pois um estudo que realizamos com a KPMG comprova que oscilações econômicas, como alta do dólar ou aumento da taxa de desemprego, refletem diretamente em um downgrade de categoria.

M&P amplia foco de atuação e reforça medidas sanitárias durante a crise

A pandemia do coronavírus modificou comportamentos na sociedade e provocou alterações no foco de atividades de empresas. Não tem sido diferente com a M&P Facility Services, que ampliou os seus cuidados sanitários durante a crise e busca alternativas para compensar os efeitos de um cenário inédito.

Os dois meses de paralisação dos serviços considerados não essenciais provocaram enorme impacto na economia nacional, com redução brutal da atividade industrial, como registrado no setor cervejeiro. Junto a isso, é preciso reforçar os cuidados para evitar a propagação da doença.

Leia também – 11 fornecedores avaliam o impacto da Covid-19 na indústria da cerveja

E, focada em oferecer serviços de “facilidades” para as feiras do setor, como higiene e segurança, a M&P já age para evitar os riscos de contaminação pelo coronavírus em seus futuros eventos. Assim, tem reforçado a busca por produtos de higiene no mercado, além dos necessários equipamentos de segurança.

“Continuamos investindo fortemente em EPIs (equipamentos de proteção individual) e produtos de limpeza eficientes, certificados pelos órgãos competentes. Intensificamos o treinamento da equipe sobre higiene e prevenção aos contágios de contato ou respiratório”, detalham Michel Gervasoni e Patrícia Lopes, sócios da M&P Facility Services.

“Também compramos equipamentos de higienização, e eles estarão disponíveis e acessíveis a funcionários, clientes e visitantes de eventos e feiras por nós atendidos”, acrescentam Michel e Patrícia.

Expandir suas ações para terrenos até então pouco explorados também se transformou em objetivo da empresa. Além disso, trabalhar com serviços de extrema necessidade – seja qual for o cenário – permite que o negócio siga ativo, mesmo em um momento de estagnação das atividades.

“Temos olhado com mais atenção aos escopos que antes não eram atendidos como carro-chefe da empresa. De toda forma, por atendermos setores de necessidade primordial (limpeza, segurança, bombeiro civil), estaremos sempre trabalhando e atendendo nossos clientes”, afirmam os sócios.

Minimizando impactos
A M&P, evidentemente, sofreu impacto considerável da crise do coronavírus, pois a maior parte do seu portfólio de serviços é direcionada para eventos. Porém, no momento de uma crise, Patrícia e Michel destacam as vantagens de uma empresa que atua em vários segmentos, pois essa característica permite a diversificação das operações mesmo em um cenário de proibição de atividades que provoquem a aglomeração de pessoas.

Leia também – M&P aposta em facilitação para fortalecer “memória olfativa” da cerveja

“Graças ao caráter polivalente da M&P Facility Services, nosso crescimento na vertical de gestão imobiliária, consultoria e gestão empresarial (implantação de serviços de terceirização), limpeza, conservação e zeladoria corporativa está nos ajudando a aliviar o peso da paralisação em virtude da Covid-19”, comentam.

E, mesmo com a fase de quarentena, a busca por parcerias envolvendo feiras de diferentes segmentos não foi paralisada. A M&P tem enviado propostas de soluções e apresentado seus serviços e produtos em busca de novos negócios.

“A M&P Facility Services gerou aproximadamente 3.500 prospects novos, criando leads e enviando propostas para diversos setores, tais como feiras náutica, segurança de dados financeiros, montadoras, eventos médicos, entre outros”, dizem Michel e Patrícia, também detalhando a receita que está congelada em função da crise.

“Temos aproximadamente R$ 600 mil colocados em caráter suspensivo, até que a retomada das atividades aconteça, efetivamente. É uma receita significativa e necessária”, concluem os sócios da M&P.

Alceu Valença e mitos e verdades sobre cerveja inspiram lives da Ambev

A aposta da Ambev na onda das lives ganhou duas ótimas iniciativas: a primeira será um show nesta quarta-feira de Alceu Valença, um dos gênios da música brasileira; e a segunda será um debate na quinta sobre mitos e verdades envolvendo o universo cervejeiro.

Celebrando sua parceria com a Colorado, Alceu Valença fará a live exclusiva #alceunatoca a partir das 21h desta quarta-feira. A marca da Ambev lançou no ano passado a Tropicana, uma Fruit Beer com umbu e cajá feita para homenagear um dos clássicos do músico pernambucano.

Leia também – Alceu Valença e fruit beer da Colorado: Brasilidade da concepção aos ingredientes

A live promovida pela Ambev ocorrerá no canal de Alceu Valença no YouTube e trará alguns de seus maiores sucessos, como Morena Tropicana e La Belle de Jour, entre outras. “A Colorado é uma marca brasileira, de Ribeirão Preto, que por meio das suas cervejas busca sempre valorizar os ingredientes brasileiros e tudo aquilo que o país tem de melhor”, explica Vanessa Nastari, do marketing da Colorado.

“E o Alceu Valença é um dos principais músicos do Brasil, então nada melhor do que trazer para o público uma live combinando toda a brasilidade dele com a da Colorado. E a música é a forma perfeita para isso”, acrescenta Vanessa.

Até quarta-feira, o público também terá 20% de desconto no Empório da Cerveja para comprar sua Colorado preferida. E, no dia da live, 5% na cervejeira exclusiva da marca. Todos os consumidores que fizerem posts ou stories no Instagram durante a live usando a hashtag #alceunatoca serão, ainda, repostados pelo perfil oficial da marca.

Mito ou verdade?
Apostando em lives sobre o conhecimento cervejeiro, a Ambev recebe a mestre-cervejeira da companhia, Paula Guedes, e o convidado Salo Maldonado, da Motim, nesta quinta-feira, às 18h, em seu Instagram oficial. Eles irão explicar os principais mitos e verdades sobre o universo das cervejas.

“Interessados poderão entender o que é real ou não em relação a armazenamento, ingredientes, estilos e tirar dúvidas sobre a bebida que é uma das mais consumidas pelos brasileiros”, detalha a companhia.

Essa é a segunda live de conhecimento cervejeiro promovida pela Ambev. A iniciativa faz parte da Plataforma de Conhecimento Cervejeiro da companhia que, desde 2019, oferece cursos e tours gratuitos por todo o país.