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Parcerias e ações digitais: Conheça as estratégias dos fornecedores durante a crise

Passados dois meses da eclosão da crise do coronavírus, com o brutal impacto no setor provocado pela necessária quarentena, a indústria de fornecedores do mercado cervejeiro vem buscando alternativas para minimizar a queda de seus negócios. Consultados pelo Guia, gestores apontam a parceria e a aproximação dos clientes como principais estratégias para compensar as perdas durante o período de isolamento.

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Em um momento de redução expressiva das atividades e do faturamento, o plano tem sido dar suporte aos clientes para que, minimamente, o setor siga operando de modo saudável e as indústrias continuem fornecendo suas embalagens, máquinas e insumos. “Em tempos de isolamento social, quanto mais perto e conveniente estiver seu produto do seu consumidor, melhor”, resume Mauricio Margaritelli, sócio da Brewtainer.

A ideia, assim, é conseguir passar unido aos clientes por esse momento inédito de dificuldade, como reforça Rodrigo Pizzatto Lass, coordenador de marketing da Agrária. “Podemos adiantar que não estamos repassando aumento de preço nos produtos em função da disparada do dólar e vamos lançar uma campanha de bonificação, além de termos diversos produtos com descontos”, detalha Rodrigo.

Com o contato mais próximo com as empresas, segundo acrescenta Felipe Panelli, diretor comercial da 304 Importação, é possível compreender as necessidades dos parceiros e apresentar soluções, até para que os negócios permaneçam ativos. Ele também revela a ampliação de iniciativas no mundo digital.

“Nossa posição, neste momento atípico, é de aumentar ainda mais o apoio aos nossos clientes. Entendemos a gravidade da situação e, de maneira customizada, identificamos as necessidades e adequamos nossos produtos e soluções”, diz Felipe. “Também lançamos novas soluções ao mercado com foco no alivio do fluxo de caixa, iniciamos uma estratégia cooperativa de divulgação dos produtos dos nossos clientes em nossos canais digitais, sem custo, e mudamos a maneira de como trabalhamos internamente.”

Estar mais presente junto ao cliente também foi uma das estratégias adotada pela Zero Grau. A empresa tem sugerido novos modelos de negócios, como explica Leandro Spaniol, coordenador de marketing da companhia.

“Colocamos todo nosso time comercial, de marketing e engenharia em um canal aberto para conversar com nossos clientes, a fim de prestar apoio e poder ajudar com pesquisa e inovação. Nos próximos meses não deve ser diferente: a pandemia instituiu novos hábitos de consumo, novos padrões que podem até durar mais tempo, mesmo depois que o distanciamento social acabar”, avalia Leandro.

Ações online
Assim como em outros setores da economia, o trabalho remoto e as iniciativas online deixaram de ser uma mera alternativa, tornando-se a principal aposta para a continuidade das atividades. Um exemplo claro está na Beer Business, que passou a concentrar seus cursos no modelo de educação à distância (EAD).

“Foi necessário tomar ações para atravessar essa fase. Essas ações envolveram, primeiramente, a redução de custos fixos, com maior utilização do home-office e ferramentas de comunicação digital, e também a adoção de softwares e ferramentas gratuitas. Em relação aos serviços, passamos a utilizar uma ferramenta de EAD e estamos realizando turmas online dos nossos cursos de gestão e planejamento de negócios”, detalha Felipe Bortolini, sócio da empresa especializada em cursos e consultorias técnicas e de negócios para o mercado cervejeiro.

A ampliação de ações digitais também está entre as estratégias da Cooperbreja, embora esse não seja o único meio em que a cooperativa concentre as iniciativas. O seu plano principal é se tornar um polo aglutinador, com a ampliação dos associados, em um momento de dificuldade para todas as empresas.

“Nosso principal objetivo nos próximos meses é buscar nos tornar o centro de compra e de distribuição de insumos para as cervejarias que estão com dificuldades de conseguir aporte de capital e renegociação com seus principais fornecedores”, relata André de Polverel, presidente da cooperativa.

“Esperamos que estas cervejarias, sobretudo as pequenas, se tornem sócias da cooperativa, e através da cooperação mútua possamos com poder efetivo de compra vencer os desafios que esta pandemia nos impõe com criatividade e competitividade baseadas em informações técnicas e precisas”, acrescenta o presidente da Cooperbreja.

Novidades com foco em 2021
Além de iniciativas online e do reforço das ações de parcerias, a pandemia de coronavírus está levando algumas indústrias a olharem para o futuro. Usar novas embalagens para chegar ao público confinado, por exemplo, tem sido uma das estratégias da cervejaria da Theodosio Randon, que também aproveitou o período de poucas atividades e demanda para realizar testes visando o futuro, além de obras de manutenção.

“A primeira forma que encontramos de dar uma saída à nossa cerveja foi trabalhar com growler de PET. Hoje a saída de growler está grande, ajudando a pelo menos pagar as contas da cervejaria. Estamos aproveitando também para colocar algumas receitas-teste em prática e também fazer e adiantar manutenções da fábrica”, comenta Leandro Schimanski, do setor comercial da empresa.

Empresas também têm trabalhado na renegociação de acordos, sob a expectativa de melhora do cenário econômico no próximo ano. “Para minimizar os impactos, estamos negociando os pagamentos com nossos clientes. Acreditamos que o mercado começará a normalizar no segundo semestre de 2020. Espero que o verão de 2021 seja muito bom e que todo mercado de bebidas e alimentos possa se recuperar”, aposta Marcelo Cozac, diretor da McPack.

Com perda de 80% dos pedidos em abril, por sua vez, a Palenox precisou fazer vários ajustes, como adequação da estrutura funcional, redução da jornada de trabalho e redefinição das compras, além de renegociações de prazos junto a clientes. Ao mesmo tempo, já começa a pensar na volta, sem restrições das atividades, definindo estratégias.

“Ressignificamos produção, compras, consumo, comunicação e esperamos sair dessa em um mercado mais maduro, pois toda crise vem para nos abrirmos para novas possibilidades”, conclui Candida Palagi, diretora de marketing da Palenox.

Menu degustação: Receita da Landel, Oxford da cerveja, colaborativa de 36 marcas…

O período da pandemia do coronavírus parece ter aumentado as iniciativas de união, colaboração e disseminação do conhecimento cervejeiro. Nos últimos dias, a Landel disponibilizou a receita de um dos seus rótulos, a Soul Hops iniciou a pré-venda de uma colaborativa que envolve 36 cervejarias e a Beer Business disponibilizou dois cursos com 50% de desconto.

Também há outras novidades interessantes, como os lançamentos de cervejas envelhecidas pela Dádiva e de um rótulo da Bodebrown. Já Krug e Wonderland Brewery reforçaram suas vendas por delivery. Confira essas e outras novidades.

Receita da Landel
A Cervejaria Landel, em parceria com o Lamas Brew Shop, compartilhou a receita da sua Catharina Sour com caju, assinada pelo mestre-cervejeiro e sócio da marca Bruno Cardoso, com o intuito de permitir a produção caseira durante o período da quarentena. E ainda se colocou à disposição dos cervejeiros para tirar dúvidas a partir do seu perfil no Instagram.

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Dádiva envelhecida
A série de rótulos Brewers’s Cut, da Dádiva, ganhou mais duas opções: a Brewer’s Cut #5 e a Brewer’s Cut #6. Elas estão sendo comercializadas em garrafas de 375ml por bares que trabalham com delivery ou oferecem serviço de retirada, assim como através do comércio digital. A Brewer’s Cut #5 é uma Sour de fermentação mista que, segundo a cervejaria, traz acidez lática intensa e delicado toque acético. Tem apenas 3,8% de teor alcoólico e passou 13 meses envelhecendo nas barricas por onde passaram as cervejas Relic 2 e a Quatre Rouge. Com graduação alcoólica de 6%, por sua vez, a Brewer’s Cut #6 também é uma Sour de fermentação mista. A sua acidez intensa é equilibrada entre acético, lático e dulçor. E passou um ano maturando em barricas de primeiro uso na fábrica.

Colaborativa de 36 cervejarias
O Soul Hops, bar de cervejas artesanais localizado na capital paulista e no litoral de São Paulo, iniciou a pré-venda da “Never too old for hoppiness”. A cerveja, uma New England IPA aromática, foi produzida em colaboração com outras 36 cervejarias, todas participantes do projeto #bebalocalMESMO. O período de comercialização vai durar duas semanas, com limite de um 6-pack por pessoa. “Após esse período, vamos fazer a brassagem da collab e todos os compradores irão receber sua cerveja em casa no prazo de 30 dias”, explica Flávia Moraes, sócia-proprietária da Soul Hops. No rótulo, a nova cerveja homenageia os idosos, celebrando a vida ativa após os 60 anos.

Cursos da Beer Business
A Beer Business, especializada em consultorias técnicas e gestão de negócios para o mercado cervejeiro, disponibilizou dois de seus cursos em formato online, voltados para a abertura de ciganas e brewpubs. O desconto é de 50%, com o valor podendo ser parcelado em dez vezes. O Plano de Negócios para Cervejaria Cigana ocorrerá entre a próxima terça-feira e a quinta, das 19h às 22h, e busca capacitar o aluno a tomar decisões relativas aos aspectos operacionais, comerciais e financeiros da terceirização da produção de cervejas artesanais e avaliar a viabilidade do negócio. O instrutor será Filipe Bortolini, sócio da Arnesto Brewery Cave Microcervejaria Cigana e Brewpub, mestre em Engenharia de Produção e Sistemas pela Unisinos e professor de Mercado Cervejeiro da graduação em Produção Cervejeira EAD da Unicesumar. Já o curso Brewpub: Planejamento e Operação será de 2 a 4 de junho das 19h às 22h, e abordará aspectos legais, operacionais e de gestão relacionados à abertura de um brewpub. A instrutora será Taline Mendes, Especialista em Gestão e Gastronomia pela Unisinos, professora da pós-graduação em Negócios de Alimentos e Bebidas e do MBA de Gestão no Varejo da ESPM.

Oxford da cerveja
O Guia Oxford da Cerveja, editado por Garrett Oliver e publicado pela editora Blucher, chegou ao mercado brasileiro. No livro, o mestre-cervejeiro agrupou o conhecimento e as pesquisas de mais de 160 especialistas em cerveja oriundos de mais de 20 países, resultando em mais de mil verbetes. Esse guia busca cobrir os principais temas de interesse para cervejeiros, profissionais do ramo de alimentos e bebidas ou entusiastas, apresentando detalhes sobre o processo de produção da cerveja e sobre a sua história, entre outros temas. A edição brasileira é a primeira fora da língua inglesa e conta com a edição de Iron Mendes, fundador e CEO da Maniacs Brewing Co. “O Guia Oxford da Cerveja oferece um relato completo não apenas da história da cerveja, mas também de sua ciência e de sua arte, em um momento em que, mais do que nunca, as pessoas estão dispostas a levar a cerveja a sério”, diz o chef norte-americano Tom Colicchio, que assina a apresentação do livro.

Lançamento da Bodebrown
A Augustus Grapes Stout é a mais nova cerveja da Bodebrown. A ideia da sua concepção surgiu a partir de uma viagem pela Patagônia, com inspiração dos vinhos de Mendoza e de um estilo cervejeiro criado na Irlanda. Trata-se de uma complexa mistura de receita de Dry Stout com mosto de três cepas de uvas viníferas. E está sendo vendida em growlers PET de um litro. Com esse rótulo, a marca curitibana aproxima o universo das cervejas artesanais ao dos vinhos, pois a receita leva mosto das uvas Tannat, Cabernet Franc e Petit Verdot, fermentadas com a levedura cervejeira Kveik. O nome da cerveja é uma homenagem a um colaborador do departamento de marketing da Bodebrown, Augusto, e também ao primeiro imperador romano. “Dos vinhos, temos aromas frutados, em especial das frutas vermelhas, e taninos elegantes, enquanto daquele incrível estilo cervejeiro, o Dry Stout, buscamos notas de torrados e tostados, no olfato, e suaves amargor e acidez no paladar”, diz o cervejeiro e CEO da Bodebrown, Samuel Cavalcanti, sobre o rótulo de 6,1% de graduação alcoólica.

Heusch e Verallia
Criada no final de 2017, a Cervejaria Artesanal Heusch tem contado com a parceria da Verallia no fornecimento das garrafas. O modelo utilizado é o LW 600 COR3 de 300ml, sendo até 30% mais leve do que as tradicionais. Também são eco-projetados, ou seja, otimizam o uso de recursos naturais.  “Quando iniciamos nossas atividades e desenvolvemos nossas primeiras cervejas, a opção para os testes pela qualidade e melhor custo-benefício foi a Verallia. Os resultados foram extremamente satisfatórios e hoje contamos com embalagens nos tamanhos 600 ml e 300 ml, garantindo, assim, apresentação, proteção e qualidade de nossos produtos”, comentam os sócios da Heusch.

Inovação na Krug
A Krug lançou no Vila da Serra, em Nova Lima (MG), o Pit Stop Krug Bier, uma estrutura drive-thru para atender os clientes, que não precisam sair dos carros, seguindo os protocolos exigidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O local é onde funcionava o Na Lata e estará em operação de terça-feira a domingo. Além disso, a marca ampliou a sua loja virtual: todos os rótulos em estoque estão no site, além de suvenires como bonés, taças, baldes, growlers e copos. O sistema de entrega em casa opera sem taxas em Belo Horizonte, Contagem e Nova Lima nas compras acima de R$ 100.

Expansão da Läut
A mineira Läut expandiu seu pontos de venda no mercado de auto-serviço ao chegar às redes de supermercados Super Nosso, Verdemar, Roma Plus e Decisão Atacadista, com preços competitivos de suas Läut Pilsen, Dark Lager, Pale Ale, Weiss, Session IPA, American IPA, Double IPA. Em breve, vai lançar sua loja virtual própria. Enquanto isso, os pedidos podem ser feitos no WhatsApp (31) 99565-7292 ou (31) 99572-0448.

Blondine solidária
Para ajudar as famílias que enfrentam dificuldades durante a pandemia, a cervejaria Blondine aderiu à Campanha Solidária do Grupo Carrefour para doação de cestas básicas para ONGs beneficentes em diversos estados do país. Quem quiser colaborar pode comprar, por meio da crazy4beer.com.br, o voucher de doação no valor de R$ 30 e ganhar uma caixa contendo uma garrafa Circus IPA 500ml e uma Bad Moose Lager 500ml com frete gratuito para São Paulo. A Blondine repassará o valor integralmente para o programa Campanha Solidária e toda doação feita será dobrada pelo supermercado.

Ação da Lagunitas
Após converter vendas de cerveja em doações de ração no último mês, a Lagunitas volta a unir cerveja e cachorros na ação Donate the Logo, que incentiva a adoção de cães abandonados. O rótulo de sua IPA teve o cão da logomarca substituído por fotografias de cachorros das ONGs Natureza em Forma e Amigos de São Francisco, que estão disponíveis para adoção. “Essa responsabilidade social que Lagunitas tem com os cães abandonados é bastante forte na Califórnia desde a nossa fundação em 1995, e queremos que aqui no Brasil seja igual. Por isso, selamos parcerias duradouras com ONGs para essa e outras iniciativas, que visam ajudar os cachorrinhos que estão buscando um novo lar, mas também apoiar essas entidades com recursos, divulgação e conscientização da causa animal”, diz Natalia Menezes, gerente de marketing de Lagunitas no Brasil.

Mudanças na Blumenau
Prestes a completar cinco anos de marca e quatro de fábrica própria, a Cerveja Blumenau passa a contar na sua equipe com Rubens Deeke, sommelier de cervejas e gerente de projetos. Ele se une a Marcos Guerra, na produção, e Derli Maggioni, na área comercial, compondo o time de gestão da companhia. “O consumidor sente uma grande admiração pela marca e, com o olhar de mercado, compartilhava desse sentimento. Agora, com mais conhecimento dos bastidores, percebo que o que faz esse sucesso é o engajamento do time, o compartilhamento de decisões e um olhar muito firme para o futuro. Chego com a missão de somar a esse momento”, comenta Rubens.

Wonderland em SP
Wonderland Brewery passa a ter delivery de suas cervejas em São Paulo. Os cinco rótulos estão disponíveis com frete grátis e entrega em até três dias. Além disso, a cervejaria elaborou um programa de fidelidade, que pontua desde a primeira compra e ao convidar amigos para conhecer as cervejas. O e-commerce já recebe pedidos em  https://wonderlandsp.company.site/. O pedido mínimo é de seis garrafas, que podem ser variadas entre Gone Mad, Timeless Porter, Tweedles, Mango Grin e Curiouser and Curiouser. “São Paulo está com as últimas garrafas da Timeless Porter, nossa Porter com lactose e caramelo inspirada no Coelho Branco que foi eleita a melhor cerveja do último Mondial de la Bière RJ”, informa Chad Lewis, sócio da Wonderland Brewery.

Treinamentos da Ambev
A Ambev está oferecendo cursos online e gratuitos com foco em gestão. Qualquer organização, de qualquer segmento, pode ter acesso ao material através da plataforma do VOA, programa da cervejaria de compartilhamento de conhecimento em gestão com organizações sociais. São nove aulas sobre gestão, com vídeos e apostilas. A iniciativa tem como objetivo compartilhar os métodos e processos utilizados pela Ambev para ajudar as organizações a melhorarem seus processos, orçamentos e alcance de seu impacto na sociedade, especialmente, nesse período de crise. Para acessar as aulas, basta acessar este link e realizar um cadastro informando o CNPJ ou CPF.

Entrevista: Startup Brewing aposta em lançamentos online de olho no pós-pandemia

Parecia inconcebível realizar lançamentos de cerveja sem bar, sem confraternização, sem o olho no olho do consumidor até meses atrás. No entanto, em função do coronavírus, essa é a alternativa que a Startup Brewing colocou em prática, com eventos online de apresentação das suas novidades.

A ideia da empresa, que abarca em seu nome várias marcas e se posiciona como uma plataforma de inovação cervejeira, surgiu como solução para manter o propósito de realizar um lançamento por mês ao longo do ano. E tem exigido de sua equipe uma grande capacidade de adaptação ao novo cenário.

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Até agora, duas novas cervejas – uma West Coast IPA e uma Juicy Double IPA, ambas da UX Brew, uma das marcas da casa – foram lançadas nesse formato de evento, com a aposta na tecnologia, uma associação que sempre foi marcante na Startup Brewing.

“Fomos surpreendidos com uma recepção muito positiva, tanto do público quanto dos bares, que mesmo em um momento tão difícil, estão nos apoiando nestes novos formatos”, conta Aline Smaniotto Tiene, responsável pela gestão de eventos da companhia, em entrevista exclusiva ao Guia. 

Ela relata, ainda, como tem sido o processo de reestruturação do modelo de negócios da companhia para atravessar o complicado período da pandemia.

Confira, a seguir, a entrevista completa com Aline Smaniotto Tiene, responsável pela gestão de eventos na Startup Brewing.

Como surgiu a ideia dos lançamentos online e como ela se interliga com a história da Startup Brewing?
A Startup Brewing nasceu em 2017 com o objetivo de ser uma plataforma de inovação e desenvolvimento em tecnologia cervejeira. Somos apaixonados por cerveja e soluções, da produção à distribuição, buscando contribuir com o mercado. Para 2020, colocamos uma meta de lançarmos pelo menos um rótulo das nossas marcas por mês. No entanto, com a crise da Covid-19, nos vimos com cervejas em tanque e lançamentos cancelados. Como então ressignificar este momento, tão importante para nós, de estar nos PDVs, conversando diretamente com o público nos dias destes eventos? A live talvez seja um dos recursos mais utilizados neste momento para encurtar distâncias, então pensamos: por que não trazer este momento da mesa do bar, entre a cervejaria e o público, para o digital? Foi o que experimentamos.

Quais são as as principais dificuldades enfrentadas nesses lançamentos? 
Mesmo sendo eventos “on live”, criamos um roteiro de conversa para eles, assim colocamos em pauta alguns temas relacionados com o rótulo que estamos lançando. Um momento novo é sempre um desafio. Acostumar com a câmera do celular foi só o começo. A dinâmica e o alcance maior que a internet permite são pontos de muito cuidado, assim como a forma de se comunicar em meio a uma crise. São pontos que rediscutimos a cada live.

Quais lançamentos já foram feitos e quais outros estão previstos?
Até agora lançamos dois rótulos pela UX Brew: West Trends #2 (West Coast IPA com dry hop de Citra, Idaho7 e Centennial) e a Double Quarantine IPA (Juicy Double IPA com duplo dry hop de Amarillo, Citra e Mosaic) e fizemos uma receita de cheese cake com a Catharina Sour da Unicorn, com a Fernanda Meybom e uma aula da família de Lagers com as sommelières da casa. Temos convidado profissionais do mercado, gerando conversas sobre lúpulos, com a Júlia Reis da Sinnatrah (por conta das escolhas de lúpulo nos lançamentos), e com a Rosária Penz, da Hildegard (por conta do uso de lúpulos brasileiros na receita).

De maneira geral, como tem sido a reação do público?
Fomos surpreendidos com uma recepção muito positiva, tanto do público quanto dos bares, que mesmo em um momento tão difícil, estão nos apoiando nestes novos formatos. Tivemos um número de visualizações interessante, com comentários e perguntas que geraram venda e interesse pelos rótulos. Estamos em parceria com outras marcas e parceiros do mercado e produzindo conteúdo que seja relevante para nossos clientes e consumidores.

De que maneira esses lançamentos e as dificuldades trazidas pelo coronavírus podem refletir futuramente no setor?
O mercado artesanal é outsider por vocação, o que requer muita resistência e resiliência. As cervejarias estão em um momento muito delicado, já que nas primeiras semanas de distanciamento social a redução nos volumes de vendas, em alguns casos, chegou a 95%. E estamos lidando com um momento de total instabilidade, que nos deixa com poucas opções de planejamento de curto prazo, mas no médio estamos desenhando diversas ações. O uso de tecnologia é nosso ponto forte e estamos pesquisando novos formatos. A criatividade precisa ser incorporada às novas realidades nas equipes de trabalho e isso tem sido uma saída, como o apoio aos bares e um olhar para situações de vulnerabilidade maiores do que as nossas.

Como a crise do coronavírus impactou a Startup Brewing? Além dos lançamentos online, o que mais a cervejaria tem feito para minimizar esses impactos?
Esta crise nos impacta em todas as nossas frentes de trabalho, seja com as marcas próprias ou com a produção voltada para as cervejarias ciganas. Nas marcas próprias, nossos maiores clientes são os bares. Alguns fecharam e outros abriram como delivery e estão com faturamento muito baixo. Boa parte dos PDVs não abriu. Prorrogamos boletos, e estamos dando atendimento normal com a equipe em home office.

Temos, ainda, nossas atividades voltadas aos ciganos e co-paker (termo que define parceiros comerciais que “empacotam” produtos com seu próprio rótulo), como o varejista Carrefour. Os ciganos praticamente paralisaram as produções, portanto liberamos uma quantidade de lotes e prorrogamos faturas. Participamos de eventos locais onde cada uma dessas empresas se organizou para dar atenção à comunidade e estamos com o foco na empatia e nas soluções.

Outra ação importante foi reforçar as plataformas de vendas online, sejam próprias ou de revendedores e de bares, além de trabalhar a comunicação de maneira mais ativa, desenvolvendo estratégias para viabilizar os custos e o estoque ativo.

O que a Startup Brewing vislumbra como tendência depois que a quarentena acabar e o mercado minimamente se normalizar?
Algumas situações que teremos que repensar, não apenas como cerveja artesanal, são questões ligadas ao consumo e aos eventos. Há alguns pontos que acreditamos serem fundamentais, que vêm como tendência nos últimos anos e ficaram mais latentes neste momento. Dentre eles, o consumo consciente, os produtos zero álcool, outras bebidas não alcoólicas, aquelas que de maneira geral são mais saudáveis, como bebidas funcionais, as low carb e a “função mindfulness” da bebida.

Agora, é preciso entender quais serão os comportamentos e posicionamentos dos consumidores pós-crise. Estamos atentos a essas transformações e ressignificações diárias da cerveja como mercado, como indústria e como pessoas, e continuamos queimando os neurônios, pensando em como lidar com tudo isso e pensando em nossos parceiros e novos produtos desenvolvidos para o agora.

81% dos pedidos de crédito de bares e restaurantes foram negados, revela Abrasel

As inúmeras promessas do governo federal de oferecer crédito para o setor de bares e restaurantes não estão surtindo qualquer efeito. Isso foi confirmado pelos estarrecedores resultados de pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) divulgada nesta quinta-feira.

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Quatro em cada cinco donos de bares e restaurantes tentaram obter empréstimos para sustentar seus negócios durante a pandemia. Mas, destes, segundo revela o estudo, 81% tiveram o crédito negado por instituições financeiras.

Destas, os bancos privados são os que mais negam acesso de crédito aos bares: 57,55% dos entrevistados tiveram seus pedidos rejeitados, contra 42,45% dos que foram barrados em bancos públicos.

Sem acesso aos empréstimos, quase 20% dos entrevistados disseram que precisarão demitir todo o quadro de pessoal se a situação se mantiver nos próximos 30 dias. “Enxergamos muitas tentativas do governo federal de oferecer crédito barato e que chegasse na ponta, mas que, até agora, foram infrutíferas”, lamenta Paulo Solmucci, presidente da Abrasel.

O executivo, contudo, relata otimismo com uma mudança de cenário. Segundo ele, o Ministério do Turismo liberou uma linha de crédito de R$ 5 bilhões via Fundo Geral de Turismo (Fungetur), que começará a ser utilizada pelos empresários.

“Essa semana foi sancionado o Pronampe, que pode trazer alívio a uma parcela das empresas. E há informações de que o BNDES está reformulando a primeira linha anunciada, com muito alarde, mas que efetivamente não estava acessível aos empresários”, relata Solmucci.

“Então, embora tenha havido uma frustração inicial, justificável, a expectativa é que o que deu errado está virando aprendizado para que o Governo disponibilize crédito de forma mais efetiva”, complementa o presidente da Abrasel.

Cenário cruel
A pesquisa revela, ainda, que o delivery foi a única saída para 55% dos estabelecimentos continuarem operando, o que não impediu uma queda na receita de mais de 75% para 64% das empresas do setor.

Como resultado, houve um corte generalizado de custos: quase 80% das empresas já fizeram uma renegociação de aluguel e pelo menos 50% dos fornecedores já concordaram em postergar o pagamento de dívidas ou parcelar pagamentos.

Já a possibilidade aberta pela Medida Provisória 936 (conhecida como MP dos Salários) permitiu, em média, às empresas suspenderem os contratos de trabalho de metade dos funcionários.

Com produção de cerveja proibida, México tem 120 mortes por bebida adulterada

Com severas restrições ao comércio e produção de alcoólicos na quarentena, o México enfrenta onda de mortes por consumo de bebida adulterada nos últimos meses. Mais de 120 pessoas faleceram ao longo do último mês após consumirem algum produto modificado.

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As vendas de alcoólicos foram proibidas por estados e municípios no México em esforço para evitar aglomerações que favorecessem a transmissão do coronavírus entre a população. O último balanço aponta 6.586 mortes pela doença no país.

Em paralelo, as cervejarias foram classificadas como atividades não essenciais pelo governo federal, o que as obrigou a paralisar a produção. Como consequência, se deu uma corrida ao varejo para comprar bebidas alcoólicas. E os estoques acabaram rapidamente.

Desde então, “alternativas” como o tráfico de alcoólicos de outros países, principalmente dos Estados Unidos, e a produção caseira ganharam espaço. No entanto, cresceu também o comércio de bebida falsificada ou adulterada.

Comum entre a população mais pobre do país, o “refino”, espécie de cachaça feita de maneira caseira a partir da cana de açúcar, viu sua demanda disparar, o que pode ter incentivado produtores ilegais a inserirem etanol na “receita”.

Na cidade de Chiconcuautla, no estado de Puebla, ao menos 20 pessoas morreram após ter consumido refino adulterado em um funeral. O crescimento de bebidas contaminadas fez o governo local declarar estado de emergência sanitária, passando a recomendar que a população não consuma qualquer tipo de alcoólico.

No estado de Jalisco, 28 pessoas morreram no último mês por terem ingerido outro popular destilado, conhecido como el chorito.

Apesar de não haver uma posição oficial de governos locais ou mesmo do federal, é clara a ligação entre as mortes e a situação causada pelas medidas restritivas, com a população buscando alternativas que têm se mostrado perigosas.

“Presumimos que, por conta da falta de bebida no mercado, haja pessoas vendendo metanol”, afirma Denis Santiago Hernandez, diretor do departamento sanitário do estado de Jalisco.

Live do Guia debaterá como produzir cerveja mais barata em casa

Além de ser um hobby muito interessante, fazer a própria cerveja dentro de casa pode gerar uma importante economia, especialmente em um período de crise econômica provocada pela pandemia de coronavírus. E este será o assunto da live que será realizada no Instagram do Guia nesta sexta-feira.

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Para debater o assunto, a apresentadora e sommelière de cervejas Candy Nunes, que será a anfitriã do Guia, receberá como convidado o empresário Marcos Chimini. Ele é fundador da Chima´s Bier, que fabrica e comercializa uma panela automatizada para a produção caseira de cerveja.

O equipamento feito pela Chima´s Bier é totalmente nacional e ajuda o cervejeiro caseiro a realizar o processo de produção de maneira mais simples, inteligente e controlada. “Produzimos equipamentos que agilizam e controlam os processos”, conta Marcos, que também é sommelier de cervejas e juiz certificado no Beer Judge Certification Program (BJCP).

“Iremos falar sobre alguns detalhes de brasagem, insumos, água. E sobre a possibilidade dos cervejeiros caseiros prepararem sua própria cerveja com um custo baixo por litro”, destaca Candy Nunes.

A live sobre a produção de cerveja em casa vai começar às 18h nesta sexta-feira, no perfiil do Instagram @guiadacervejabrasil.

As lives do Guia são realizadas semanalmente. Assim como acontece com o conteúdo do site, o objetivo é que seja mais um espaço de discussão e divulgação da cultura que cerca a cerveja, oferecendo informação relevante e atualizada, além de análises profundas sobre o que acontece dentro desse universo.

Na primeira live do Guia, na semana passada, Candy e o jornalista e sommelier Rodrigo Sena discutiram o cenário pós-pandemia, o impacto da Covid-19, os desafios do mercado e o consumo durante o isolamento social.

Confira na íntegra a primeira live do Guia da Cerveja

11 fornecedores avaliam o impacto da Covid-19 na indústria da cerveja

A paralisação dos serviços considerados não essenciais tem causado enorme impacto na economia nacional, o que se reflete na indústria de fornecedores da cerveja. Para compreender o tamanho da crise do coronavírus, o Guia ouviu gestores de diversos segmentos, como insumos, máquinas e embalagens, entre outros. E eles revelaram os efeitos sobre as suas empresas durante a quarentena.

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A comercialização de cerveja não está proibida, mas, como as atividades do varejo foram afetadas, houve enorme redução da demanda e, consequentemente, da produção. Com isso, a busca pelos serviços dos fornecedores também foi afetada, em função da procura reduzida por parte dos seus clientes.

É praticamente unânime entre fornecedores a avaliação de redução brutal da produção na indústria da cerveja. Foi o que apontaram as 11 empresas listadas abaixo, em depoimentos que retratam a difícil realidade do setor.

Confira, a seguir, 11 depoimentos de fornecedores da indústria da cerveja sobre o impacto da crise da Covid-19.

304 Importação
Felipe Panelli – Diretor Comercial
Em tempos de redução do consumo, circulação de pessoas e encerramento das atividades não essenciais, os clientes da 304 foram amplamente impactados. (…) O impacto, obviamente, chegou também à 304, reduzindo as receitas, e logo exigiu negociações com fornecedores e parceiros, além do corte de custos. São tempos difíceis, mas mantivemos os investimentos e o foco, porém com muita cautela.

Agrária
Rodrigo Pizzatto Lass – Coordenador de Marketing
A Agrária possui outros negócios além do fornecimento de insumos ao mercado cervejeiro e estes negócios foram pouco afetados pela pandemia da Covid-19. Porém, o mercado cervejeiro está sofrendo bastante e isto está nos impactando bastante, pois sentimos uma drástica diminuição do consumo por parte de nossos clientes.

Beer Business
Filipe Bortolini – Sócio
A crise do coronavírus nos impactou fortemente na realização dos cursos e consultorias presenciais. Com praticamente todos os nossos clientes parados ou operando de maneira reduzida, a maior parte das consultorias está em pausa até que se tenha um retorno das atividades. E, com o isolamento social, também não podemos realizar turmas presenciais de nossos cursos. Estimamos que, com a crise do coronavírus, tivemos uma queda de cerca de 80% do nosso faturamento.

Brewtrainer
Mauricio Margaritelli – Sócio
Temos três segmentos de atuação no mercado cervejeiro. (…) No negócio da TG Franchising, paralisamos as negociações de novos franqueadores e suspendemos por ora os desenvolvimentos. (…)  No negócio do Brewtainer, estamos com as atividades reduzidas em 50%. Não chegou a paralisar, pois o mercado percebe que ter unidades de bares menores e com menos custo fixo e de operação é uma tendência também, e um negócio leve e flexível em tempos de crise é sempre bem-vindo. (…) Temos o negocio também da TG/Beer Station, que são unidades móveis de venda de chope que podem ser colocadas em diversos estabelecimentos de terceiros, como barbearias, mercados, condomínios. (…) Este negócio vai bem.

Cooperbreja
André de Polverel – Presidente
O impacto foi enorme, sobretudo porque a economia como um todo não vinha tão bem e havia uma expectativa de melhora com as reformas que estavam sendo discutidas no Congresso brasileiro. Nosso volume de vendas caiu em cerca de 60%.

Label Sonic
Bruno Lage – Sócio-diretor
Falar em queda das vendas é “chover no molhado”. (…) Estamos esperançosos que as empresas estejam conseguindo achar soluções para reativar a sua produção. No entanto, nossos insumos são cotados em dólar. E nossos custos dispararam com o dólar aumentando dia-a-dia! Estamos segurando preços e mantendo os empregos, pois nesta hora é o que toda empresa precisa fazer.

Mcpack
Marcelo Cozac – Diretor
O coronavírus gerou um impacto de redução de produtividade entre 20% e 30% na Mcpack. Todos os funcionários seguem trabalhando, sendo a maioria deles em home office, seguindo todos os protocolos de segurança recomendados pelas autoridades. O maior impacto é na limitação em realização de visitas a clientes. Alguns trabalhos que já estavam planejados para serem executados foram postergados e visitas comerciais reduzidas em praticamente 100%. (…) Em números, temos apenas alguns problemas com atrasos de pagamentos, principalmente do setor de cervejarias artesanais, as quais foram muito prejudicadas, pois seus maiores volumes são os consumos em seus próprios bares, que estão fechados.

M&P
Michel Gervasoni e Patrícia Lopes – Sócios
O impacto é considerável, pois nosso portfólio de facility services direcionados a eventos foi afetado diretamente, uma vez que aglomerações estão proibidas e sem data de retorno previsto. (…) Temos aproximadamente R$ 600 mil colocados em caráter suspensivo, até que a retomada das atividades aconteça, efetivamente. É uma receita significativa e necessária.

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Palenox
Candida Palagi – Diretora de Marketing
O momento exige dos gestores do mercado cervejeiro adaptação para ajudar a manter saudável toda a cadeia, prejudicada desde o início da pandemia. O isolamento, tanto físico quanto social, se tornou uma espécie de “novo normal” ao redor do planeta.  E essa nova realidade mudou a forma como vivenciamos a experiência com a cerveja artesanal. Nós, da Palenox, buscamos maneiras de manter a produtividade e de garantir que a dinâmica da equipe siga positiva. Com perda de 70% dos pedidos de março, em abril 80% e até agora no mês de maio com previsão de mais redução, tomamos as seguintes medidas: adequação da estrutura funcional; redução da jornada de trabalho; redução nas necessidades de compras; renegociações de prazos junto a clientes devido à entrega de fornecedores.

Theodosio Randon
Leandro Schimanski – Comercial
Com a chegada do coronavírus ao Brasil, nossa produção mensal baixou consideravelmente, pois nossa maior fonte de saída de cerveja, que é o bar, está fechada há dois meses, então acabamos ficando com mais de 6 mil litros de cerveja em estoque e, com isso, tivemos de segurar todas as produções agendadas.

Zero Grau
Leandro Spaniol – Coordenador de marketing
Estamos sentindo os impactos provocados pelo coronavírus, como todas as empresas do Brasil. De uma forma geral, o mercado está cauteloso na realização de investimentos em novos bens e equipamentos. Percebemos diferenças entre os mercados de bebidas e de alimentos, pois algumas empresas de fabricação de congelados tiveram até aumento de demanda com as pessoas em casa. Estamos vendendo para indústrias e comércios que atendem as necessidades básicas das pessoas. Com as pessoas em casa, elas estão buscando mais conforto e comodidade. (…) Abril foi um mês bem mais fraco do que o normal, onde todos pararam e o mercado ficou apreensivo, esperando um movimento. O estado de São Paulo fechar, mexe com a economia de todo país. Maio já reagiu melhor, percebemos que alguns empresários não estão mais esperando e, sim, buscando alternativas para adaptar seus negócios e fornecer produtos e serviços de forma diferenciada, por delivery ou autoatendimento – como é o caso das minicâmaras com sistema de automação de chopp.

Balcão do Advogado: Guia prático para enfrentar o mercado após a pandemia

Balcão do Advogado: Guia prático para enfrentar o mercado após a pandemia

Muito tem se falado sobre medidas de aplicação imediata durante a crise, mas e depois disso? As empresas estão se adaptando na tentativa de sobreviver à pandemia, que infelizmente fechará muitos negócios.

A virtualização parece inevitável, o que implica em adaptações no modelo de negócios. Diversas cervejarias já promoveram essas alterações, buscando alternativas nas vendas através de canais virtuais (e-commerce, delivery e take away).

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O “novo normal” já é realidade e demanda mudanças para sobreviver de forma sustentável. Muitas das medidas adotadas durante a crise serão perpetuadas, já que as pessoas têm respondido positivamente ao consumo por meio de plataformas virtuais.

Este e-book serve justamente para isto: é um guia com o intuito de preparar as cervejarias para o novo normal, através de sugestões e dicas nas áreas de comunicação e marketing, além de abordar aspectos jurídicos da virtualização.

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André Lopes, sócio do escritório Lopes, Verdi & Távora Advogados, é criador do site Advogado Cervejeiro e integra a equipe de colunistas do Guia, um espaço pensado para promover o debate e gerar o máximo possível de informação ao mercado e ao setor. Fique atento em nossas páginas e conheça todos os colunistas do Guia da Cerveja.

O novo mercado: 4 tendências sobre o consumo de cerveja em casa

A nova rotina imposta à população causou impacto no hábito das pessoas e, como consequência, no consumo de produtos e serviços. Após dois meses de crise do coronavírus e de isolamento social, algumas tendências no comportamento dos consumidores já afetam todos os setores da economia, inclusive o cervejeiro.

Para entender as tendências desse novo momento, o Guia conversou com especialistas e consumidores de cerveja artesanal. São comportamentos e hábitos que foram modificados nas últimas semanas e que provocaram novas demandas para as empresas.

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Tais mudanças estão relacionadas com os efeitos econômicos da crise, incluindo a redução do consumo, provocada pelas restrições financeiras. Mas também passam pelo aumento do engajamento entre público e marcas, pela consolidação da tecnologia como aliada nas vendas e pela busca por alternativas para não interromper a rotina de beber.

1- Queda no consumo, sem paralisá-lo
Em pesquisa feita pelo aplicativo Annie com usuários do sistema Android, 71% das pessoas responderam que sua renda foi ou será impactada pela crise do coronavírus. A diminuição dos recursos entre os consumidores é um óbvio motivador para a queda de consumo.

“Apesar de alguns setores terem crescido, de forma geral, o consumo diminuiu. As pessoas estão com medo de gastar, além de não estarem precisando gastar tanto nesse momento”, explica Francisco Freire, diretor-executivo da Vox We Study People, uma agência de pesquisas e de estudos sobre comportamento, sociedade e consumo.

Para a jornalista, sommelière e consultora Fabiana Arreguy, o preço das cervejas se torna ainda mais relevante para a definição do consumo em um momento de crise, como o atual. “Não há como ignorar o fato de que as pessoas estão sem receber, ou recebendo muito menos do que antes da pandemia. É claro que o preço tem peso relevante na escolha do consumidor”, analisa. “Acho que o consumo tende a ser mais consciente em casa, pesando mais a qualidade do que a quantidade do que se consome”, completa Fabiana.

“Desde que começou a quarentena o meu consumo de cerveja reduziu absurdamente”, conta o gerente de contas Renato Gouvêa, que antes da quarentena consumia em torno de 2 litros de cerveja artesanal por semana. O fato de não poder sair para beber com os amigos fez com que seu hábito cervejeiro fosse reduzido. “Sempre associei muito a cerveja com confraternização, com estar com a galera, dar risadas, me divertir.”

O empresário Sérgio Belleza, que sempre consumia cerveja artesanal antes da pandemia, mudou seu hábito e se voltou para os rótulos de marcas tradicionais, que possuem preços mais competitivos. “Meu consumo não caiu, mas troquei as artesanais pelas cervejas mainstream, mais baratas. Até tenho vontade de pedir cervejas artesanais no delivery, mas não dá, estou cortando gastos”, explica. “Estou sentindo falta de sair com os amigos, tomar em um pub, ir a um boteco, sair para bater-papo, jogar conversa fora e beber cerveja.”

2- Consumo mais engajado
Para muitos consumidores, a preferência por comprar de empresas que possuem atuação social, com ações de solidariedade e sustentabilidade, não é algo novo. Mas o número de pessoas que aderiram a marcas com esse engajamento cresceu exponencialmente durante a pandemia.

Francisco Freire explica que essa associação, chamada de consumo regenerativo, está em alta. “A exigência do consumidor por empresas que se posicionem socialmente, que sejam transparentes, que devolvam alguma coisa para a sociedade, tudo isso tem a ver com o conceito de consumo regenerativo, que é uma coisa antiga, mas que está tomando forma cada vez mais. Ideias como solidariedade e empatia estão ganhando força e irão engajar cada vez mais, não só os colaboradores, como também os consumidores”, aponta o especialista da Vox.

Além disso, segundo ele, aumentou a preocupação das pessoas com o meio-ambiente e a faixa de menor renda da sociedade, o que faz com que outro conceito, denominado Smart Buy, associado ao consumo consciente, ganhe força.

“É reduzir a margem de erro na compra do produto, comprar menos e melhor, para impactar menos o ambiente, consumir local, consumir produtos de segunda mão. Essa não é só uma crise de um vírus, mas também uma crise de um pensamento que visou o lucro acima de tudo durante muito tempo”, avalia Francisco.

3- Uso da tecnologia para compras e consumo
Tecnologia para comprar produtos e serviços online não é novidade. Mas nunca houve antes uma demanda tão grande do consumidor por encontrar aquilo que precisa de maneira digital.

“As pessoas passaram a confiar mais, a aprender mais os códigos para fazer uma compra online, para fazer pesquisa online. Isso a gente vê que irá ganhar novas dimensões”, avalia Francisco, dizendo que alguns setores que não tinham grande atuação no e-commerce irão evoluir. “Produtos como roupa, que eram mais difíceis de comprar sem ver, estão ganhando novas tecnologias para serem comprados à distância.”  

O diretor da Vox também destaca que a tecnologia pode ajudar no consumo de bebidas, como a cerveja, estimulado pelos encontros online. “A tecnologia proporcionou os happy hours virtuais, que acabaram sendo um nicho importante para as pessoas matarem a saudade dos amigos, de sair para o bar e beber.”

4- Mudança na definição de itens essenciais
Unindo as três tendências anteriores, surge uma quarta. O fato do consumidor ter menos dinheiro disponível, sofrer o impacto dos problemas sociais e precisar da tecnologia para pesquisar e comprar faz, assim, com que ele escolha muito bem quais produtos e serviços devem ser consumidos. Os itens essenciais se tornam o foco, muitas vezes, único.

Claro, alimentos, itens de higiene e medicamentos são produtos considerados básicos na vida de qualquer pessoa. Mas, dependendo da realidade e da visão de cada um, outras opções entram nessa lista.

A dúvida é quantos e quais consumidores consideram a cerveja como algo essencial. Para encontrar informações que embasem uma reflexão sobre o tema, o Guia utilizou a maior base de dados do mundo sobre buscas por produtos e serviços: o Google. Através da ferramenta Google Trends, foi possível pesquisar e comparar as pesquisas por entregas de cerveja com as de comida e farmácia, por exemplo.

O gráfico abaixo mostra uma comparação, dos últimos 90 dias, entre as buscas realizadas no Google para os termos “delivery cerveja”, “delivery farmacia” e “delivery comida”. A linha azul, da cerveja, está abaixo das outras duas ao longo do tempo.

Quantidade de buscas no Google por delivery de cerveja em comparação ao delivery de farmácia e comida nos últimos 90 dias. Fonte: Google Trends.

A média diária da procura por farmácia é bem superior às demais. Já a diferença entre comida e cerveja não é tão grande assim, sendo que em alguns dias a pesquisa por cerveja iguala ou ultrapassa a busca por comida.

“Acho que muda a visão sobre itens essenciais e supérfluos. O consumo em casa pode propiciar mais consciência sobre desperdício e sobre qualidade do que se consome. Sob essa visão, a cerveja pode ser considerada item supérfluo. Ao mesmo tempo, há pesquisas que mostram aumento no consumo de bebidas alcoólicas em geral durante a quarentena, ou seja, cerveja pode estar na lista de bens básicos”, completa Fabiana.

Entrevista: Sebrae avalia “novo normal” e indica caminhos para lidar com a crise

Tendo tradicionalmente os bares e restaurantes como principal foco de seus produtos, as microcervejarias precisaram inovar ao redefinir seu modelo de negócio com as restrições advindas da crise do coronavírus e o surgimento de um “novo normal”. Foi necessário apostar no sistema de delivery, até então pouco utilizado por várias empresas, como forma de sobrevivência.

Essa alteração é, também, um retrato do que precisa ser o comportamento dos empreendedores nesse momento. Se o cenário mudou, vai conseguir se adaptar a ele quem se reinventar ao “novo normal” e apostar na inovação para conquistar seu espaço no mercado. Uma característica que costuma estar intrinsecamente relacionada às cervejas artesanais e aos novos negócios.

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Essa é a avaliação dos três analistas do Sebrae que concederam uma entrevista conjunta ao Guia: Aloisio Salomon, de Santa Catarina, Bianca Tutini, de São Paulo, e Mayra Viana, da unidade nacional. Eles destacam que o foco agora é o consumidor final, o que pode incluir iniciativas como vendas de vouchers e criação de assinaturas.

Os especialistas também apontam a necessidade de reforçar a preocupação com as finanças, o que pode incluir o corte de iniciativas que vinham sendo planejadas. E lembram que, quando a crise chegar ao fim, será necessário estar preparado para retomar a parceria com bares, em uma aproximação parecida com a que vai se dando com o consumidor nesse período de isolamento social.

Confira, a seguir, a entrevista completa com Aloisio Salomon, Bianca Tutini e Mayra Viana, especialistas do Sebrae.

Como a crise impacta nas pequenas cervejarias?
As relações de negócio e as prioridades do consumidor mudaram, o que indica que nada voltará a ser como era até fevereiro. Já estamos vivendo um novo cenário, e o “novo normal” impacta o ramo de cervejarias. Com o advento do distanciamento social, o fechamento de bares, restaurantes e o cancelamento de eventos impactaram diretamente no faturamento das microcervejarias.

Há especificidades em relação a outros pequenos empreendedores?
A especificidade da cerveja, neste momento, é que ela está muito associada à confraternização e à aglomeração de pessoas, o que acaba indo na contramão do contexto atual. Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS), por exemplo, recomendou que as pessoas deixassem de consumir bebida alcoólica durante o período da pandemia afim de fortalecer o sistema imunológico. Nesse cenário, a cerveja não se configura como um item de prioridade na cesta de compras dos consumidores, podendo ser considerada como um produto supérfluo em épocas de crise. Com isso, a principal saída encontrada pelas microcervejarias foi focar no consumo B2C com delivery, ou seja, as cervejarias tiveram de se reinventar e implantar um novo modelo de negócio.

Quais são as principais dicas do Sebrae para o empreendedor cervejeiro, especialmente envolvendo ações práticas nesse cenário de crise? E também o que ele não deve fazer?
Em termos de gestão, recomenda-se cuidado extremo com o caixa, suspender investimentos e estudar novos canais de venda. No Brasil inteiro, o Sebrae tem realizado conteúdos, lives e ações para trazer conhecimento e apoiar os pequenos negócios nesta fase.Não existe uma fórmula pronta, mas cada empresário deve avaliar o seu diferencial e o seu mercado e, a partir dos seus pontos fortes, estabelecer um plano de recuperação ou de reinvenção.

No atual cenário de confinamento, a principal solução encontrada pelas microcervejarias foi a venda direta para pessoas físicas (consumidor final). Isso foi bastante desafiador, pois a grande maioria não atuava diretamente com esse público e não tinha o cadastro (organizado) destes clientes. As cervejarias precisaram investir em presença digital de venda direta. Ao mesmo tempo, é preciso começar a desenhar a estratégia de venda na retomada, e ter um olhar especial com os pontos de venda (PDV), em especial os bares. Isso porque esses pontos estão fechados, mas demandarão uma parceria e prontidão das cervejarias quando o momento de atender presencialmente o cliente chegar.

Levantamento feito pelo Guia indicou que quase metade das cervejarias teme fechar em três meses se o cenário de crise permanecer. Como lidar com uma expectativa tão adversa para o setor?

O momento exige criatividade, comunicação e parceria. É fundamental procurar entender as necessidades dos consumidores neste novo contexto e avaliar todas as possibilidades de manter algum faturamento. Entre elas, tem-se: usar o delivery, vender voucher, fazer parcerias com restaurantes e blogueiros, implantar sistema de assinatura, iniciar ou aumentar o processo de envase (no caso de cervejarias que atuam mais com chope).

O dado é preocupante, e impacta as cervejarias que ainda são jovens. Investir em uma cervejaria é caro e, por isso, muitas apresentam financiamentos em aberto. Há cerca de 500 cervejarias criadas nos últimos três anos, e elas tendem a apresentar rating baixo (classificação dos bancos) para obtenção de crédito. A saída é se reinventar e inovar!

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Até o ano passado, o setor vinha em crescimento relevante de novos empreendimentos, de cerca de 35%. O que esse cervejeiro “novato” deve fazer em um momento tão precoce da crise?
Por ser novo no mercado, este empreendedor provavelmente estará mais aberto para inovar e rever seu modelo de negócios. É o momento de fazer um novo planejamento estratégico, reforçar e investir em parcerias. Inovar em modelos de negócio que comuniquem direto com o consumidor final (tem uma vantagem na tributação), trabalhando no fortalecimento da marca e reforçar uma imagem positiva da empresa. O consumidor está mais sensível e atento à solidariedade – é hora de mostrar para o consumidor o impacto que os pequenos negócios causam na economia, o grande número de novos empregos que as pequenas cervejarias geram e, ao mesmo tempo, demonstrar o que a empresa está fazendo para contribuir com a sociedade.

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O setor cervejeiro tem reforçado o sistema de delivery no período de quarentena e isolamento social. Quais são as ações necessárias para que esse tipo de iniciativa dê certo e até se torne uma alternativa interessante mesmo quando os bares estiverem novamente abertos?
Há diversos aplicativos integradores e serviços de entrega independentes que o empresário pode estudar antes de tomar uma decisão. É importante procurar um sistema eficiente em seu território, e com bom custo-benefício. Algumas dicas:

  • Empresas menores fazem delivery direto, via WhatsApp. Empresas com alto engajamento nas redes sociais podem vender bem por meio de aplicativos gratuitos, como o Delivery do Bem.
  • O uso de embalagens PET tem facilitado a implantação do delivery.
  • Através das redes sociais e WhatsApp, divulgar quais são os tipos de cerveja daquela semana, com sugestões de harmonização com pratos.
  • Criar um sistema de assinatura, onde o cliente paga um valor mensal e recebe semanalmente sua cerveja. Ajuda a criar o hábito do consumo.
  • Melhorar a presença digital, criando parcerias com outras empresas do setor de alimentação e investir nas harmonizações, receitas online, kit para fazer a comida e harmonizar com a cerveja.

Alguns passos para atuação em delivery:
– Organizar cadastro;
– Fazer parceria com um sistema de delivery (ex.: iFood, Rappi ou ter um sistema próprio e entregar os pedidos de forma agendada);
– Elaboração de cardápio digital (uma ferramenta para cardápio online é o Goomer.com, que permite a elaboração de cardápio de bebidas alcoólicas);
– Venda pelos canais digitais (site, WhatsApp Business, redes sociais);
– Atuar na presença digital com elaboração de conteúdo;
– Parcerias com outros produtos do setor de alimentação;
– Informar o cliente do consumo de cerveja via growler, explicar o que é este novo tipo de embalagem;
– Fazer cadastro dos clientes e solicitar autorização para envio de e-mail marketing e promoções via lista de transmissão no WhatsApp.
*Obs.: a função de catálogo no WhatsApp Business não pode ser utilizada para a venda de bebidas alcoólicas ou de insumos para a produção de bebida.

Um caso interessante é a empresa My Growler, do RS, que trabalha com importação e customização de growlers de vidro e cerâmica. Com esse produto, é possível trabalhar com reposição o garrafão (como se fosse um botijão de gás): o cliente passa no local, abastece e leva o growler para casa. Então esse growler fica uma semana na casa do cliente, expondo sua marca e “criando” uma necessidade de devolução ou reposição do produto. Esse novo tipo de venda da cerveja com growler retornável, além de ter o apelo da sustentabilidade, reforça a marca e gera mais vendas. A cervejaria deve garantir a higienização completa e reforçar o cuidado no contato com o cliente, para transmitir a segurança que o momento exige.

Recentemente, o movimento Compre do Pequeno, do Sebrae, apoiou a Semana Beba Independente, promovida pela Abracerva para ajudar as cervejarias artesanais. Como promover e qual é a importância de iniciativas para apoiar o consumo de negócios locais?
O movimento fortalece a ação conjunta entre cervejarias, enaltecendo o produto artesanal / independente. Campanhas como esta aproximam também os consumidores, as iniciativas podem ter como foco sensibilizar sobre o prazer de degustar um novo sabor. Há espaço para iniciativas que aproximem restaurantes também, com a venda do prato com a cerveja harmonizada. Ainda, é relevante incentivar que consumidores apreciem sua cerveja em casa, acompanhando lives ou através de encontros virtuais com os amigos.

Essa aproximação com o consumidor é relevante neste atual cenário, em que a venda direta para pessoa física tem se mostrado uma saída importante. Trata-se, ainda, de um modelo viável de ser mantido no novo normal, dadas as características de tributação e logística das principais regiões produtoras. Assim, essas ações são importantes para que o consumidor saiba que pode consumir o produto diretamente da cervejaria local e descobrir que existe uma cervejaria perto de casa que entrega um produto fresco, de qualidade. Ele passa a conhecer também a opção de novas formas de consumo, como os growlers, que têm se mostrado também positivos para a sustentabilidade.


Como o empreendedor cervejeiro deve se preparar para os passos seguintes da crise, com a abertura gradual dos estabelecimentos, até a volta à normalidade?

Primeiramente, é importante ter em mente que iremos viver um novo normal. Ou seja, é preciso que o empreendedor esteja aberto para mudanças. Em seguida, ele deve buscar se adequar aos novos parâmetros e protocolos que estão surgindo com a pandemia. Os cuidados higiênico-sanitários deverão ser reforçados, para garantir a segurança, e comunicados, para que o consumidor se sinta tranquilo para voltar a consumir presencialmente em um bar, por exemplo. Isso porque, mesmo com a liberação do governo, o consumidor estará retraído e cauteloso.

Assim, as cervejarias devem refazer seu planejamento estratégico e repensar a estratégia de comercialização, presença digital, parcerias e atuação em novos nichos de mercado. Algumas cervejarias já avaliam que vender direto para o consumidor final é um bom negócio. Em São Paulo, por exemplo, algumas já conseguem garantir de 20% a 30% do seu faturamento vendendo desta forma.

Após a retomada, os estabelecimentos deverão reavaliar qual será a melhor modalidade de venda. Alguns empresários apostam que os bares estarão desabastecidos e estão atentos a esses importantes parceiros. Já outros avaliam que a revenda para bares por meio de barris é uma modalidade custosa, pois, além do preço dos barris, envolve representantes comerciais e logística especializados.

Como dito, não existe fórmula pronta, e a preparação para a retomada deverá ser cuidadosa e com replanejamento constante, a partir da análise dos cenários, que tendem a ficar mais claros com o passar do tempo. É preciso resiliência, e a boa notícia é que os donos de cervejarias tendem a ser muito estudiosos, colaborativos, atentos às oportunidades e abertos à mudança.