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Premiado sommelier lança clube para geeks e iniciantes; Leitor do Guia tem desconto

Mesmo em meio à pandemia, uma ótima notícia chegou ao mercado: o premiado sommelier Luís Celso Jr., do Bar do Celso, está lançando seu próprio clube de assinatura de cervejas artesanais. Trata-se do Clube BarDoCelso, focado em produtos de alta qualidade e pensado para todos os tipos de cervejeiros, seja o consumidor iniciante nesse mundo, o entusiasta ou o “geek”.

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Para isso, o clube do Celso trabalhará com três categorias distintas: Beer Basics, Beer Hunter e Beer News, cada uma delas composta mensalmente por dois rótulos diferentes (totalizando de 660ml a 1,3 litro de cerveja, conforme as embalagens dos fabricantes) e acesso ilimitado a área de sócios do BarDoCelso.com, que trará conteúdos exclusivos em texto e vídeo. Nesse primeiro momento, a operação será feita apenas na cidade de São Paulo para testes dessa que é considerada a “versão beta” do clube.

“É construindo. E queremos fazer isso junto com nossos clientes, entendendo seus gostos e desejos. Fica aqui o convite para todos participarem”, aponta Celso sobre o clube. “Essa é uma das melhores formas de explorar novas experiências, recebendo novas cervejas todos os meses no conforto do lar. É algo que tanto iniciantes quanto entusiastas ou experts podem curtir, desde que uma boa curadoria seja feita.”

A categoria Beer Basics (R$ 49/mês) trará cervejas indispensáveis, clássicas ou fiéis representantes dos seus estilos – nesse primeiro mês serão a mundialmente famosa Fuller’s London Pride, uma Special Bitter inglesa, e a norte-americana Brooklyn Black Chocolate Stout, uma Russian Imperial Stout. Como brinde pela estreia do projeto, quem assinar em julho leva uma toalha de mão importada da Fuller’s London Pride.

Já a Beer Hunter (R$ 69/mês) apostará em cervejas difíceis de achar, locais ou de pequena distribuição. São “tesouros”, segundo Celso, frutos de caçadas que muitas vezes levam horas de pesquisa, degustações e até viagens. Em julho duas cervejas de Curitiba marcam presença: Ignorus Mutum Cavalo, a American IPA que conquistou o paladar dos paranaenses; e uma cerveja colaborativa e limitada da Joy Project Brewing em parceria com a Ignorus chamada Battle Juicy, uma Double NE IPA.

A Seleção Beer News (R$ 89/mês), por sua vez, é focada em novidades e lançamentos. Para a estreia, também como brinde, serão três cervejas na caixa. As escolhidas são da série Rebellion da Maniacs Brewing, também de Curitiba, todas de estilos belgas e maturadas em barris de madeira: Vielle Garde, uma Saison em barris de carvalho francês que anteriormente continham vinho; Noire, uma Dark Strong Ale em barris de carvalho norte-americano; e Twin Oaks, uma Dubbel maturada parte em barris de carvalho norte-americano e parte em barris de carvalho francês usado para vinho.

Os preços são promocionais, com desconto de R$ 10/mês para cada seleção até o fim do ano. E, para o leitor do Guia, haverá desconto de mais 10% nos três primeiros meses. Basta usar o cupom GUIADACERVEJA até 31/07.

E, para garantir a qualidade das cervejas, um estoque refrigerado foi montado para armazenar os produtos enquanto estiverem esperando o envio. Todas as remessas, aliás, serão enviadas juntas em um mesmo período: os primeiros sete dias do mês. “A ideia aqui é melhorar o frete, ninguém quer gastar dinheiro com isso. Queremos investir em cerveja. Dessa forma conseguimos um preço fixo e acessível para toda a capital de São Paulo. Mais barato que muito delivery”, conta Celso. O frete fixo é de R$ 15.

Serviço
Clube BarDoCelso.com: https://bardocelso.com/clube-bardocelso
Beer Basics: De R$ 59 por R$ 49/mês até dezembro
Beer Hunter: De R$ 79 por R$ 69/mês até dezembro
Beer News: De R$ 99 por R$ 89/mês até dezembro
Cupom de Desconto: GUIADACERVEJA, com 10% nos 3 primeiros meses
E-mail: atendimento@bardocelso.com
Telefone e WhatsApp Business: (11) 2539-1771

Entenda em 8 tópicos como a Covid-19 modificou o consumo cervejeiro

Há cerca de quatro meses, em 11 de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou que a Covid-19 havia se transformado em uma pandemia, por causa do aumento do número de casos e da disseminação global da doença. No Brasil, os efeitos são sentidos desde então, com mais de 74 mil mortes. O problema sanitário do coronavírus também alterou rotinas e modalidades de negócios, sendo absorvido no ato de consumo de cerveja.

Nas últimas semanas, o Guia preparou uma série de matérias para entender e avaliar o novo cenário advindo da crise. A pandemia do coronavírus levou instantaneamente o consumo para dentro das residências e reforçou a preocupação com os riscos da relação entre saúde mental e uso abusivo do álcool.

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A partir de um certo momento foi possível vislumbrar a volta das atividades, ainda que seja impossível prever quando o setor cervejeiro poderá funcionar sem restrições – e se é que isso acontecerá algum dia, ao menos no curto prazo.

De qualquer forma, tendências começaram a se desenhar. Entre elas, a necessidade de cuidados com a definição dos preços dos rótulos, em função da crise econômica. E, principalmente, a adoção de rigorosas medidas de higiene para minimizar os riscos de propagação da doença e permitir aos bares a reconquista da confiança dos clientes.

Confira, abaixo, em oito tópicos, como se modificou o consumo cervejeiro nesse período da pandemia do coronavírus.

1- Uso da tecnologia pelos clientes
Nunca houve antes uma demanda tão grande das pessoas por encontrar aquilo que precisam de maneira digital, com a explosão das vendas pelo sistema de delivery. Além disso, a tecnologia ajudou no consumo de bebidas – como a cerveja – estimulado pelos encontros online, o substituto possível e responsável para festas e bares.

2- Investimento em tecnologia
Essa demanda dos clientes criou novos desafios para bares, restaurantes e cervejarias. Os estabelecimentos precisaram rever os processos de atendimento, reforçando as iniciativas online, além de adotarem novas tecnologias para minimizar o contato físico quando foi/será possível reabrir as casas.

3- Consumo engajado
Para muitos consumidores, a preferência por comprar de empresas que possuem atuação social, com ações de solidariedade e sustentabilidade, não é algo novo. Mas o número de pessoas que aderiu a marcas com esse engajamento cresceu exponencialmente durante a pandemia.

4- A importância do consumo consciente
A adoção repentina das medidas de isolamento com a chegada do coronavírus reforçou a preocupação sobre como as bebidas alcoólicas podem gerar problemas de saúde e sociais para as pessoas quando consumidas em excesso, especialmente em um período em que o abalo psicológico foi crescente. Assim, ganhou força a ideia de consumo consciente do álcool como o “novo normal”.

5- Volta lenta do consumo
A avaliação de analistas é de que a recuperação do consumo será lenta. Especialistas ouvidos pelo Guia apontaram que a pandemia deixará reflexos no comportamento das pessoas por um período relevante, principalmente relacionados à confiança na economia.

6- Rótulos mais baratos
Para não encolher em um período de recessão e desemprego, as cervejarias, especialmente as artesanais, precisarão ser muito cuidadosas com a política de preços. Afinal, ao não ter certeza sobre a renda e o futuro do mercado de trabalho, o consumidor poupa recursos financeiros. E uma forma de manter o consumo é optar por cervejas mais baratas.

7- Foco na higiene
Ainda que com muitas restrições, bares e restaurantes começam a retomar o funcionamento. E isso se dá com adaptações no atendimento, além da adoção de rígidas normas de higiene, algo que já era recorrente em função da segurança alimentar para evitar a contaminação dos produtos – e agora se tornou preocupação ainda maior.

8- Consumidores receosos
Preocupados com os riscos de contaminação, os consumidores indicam que vão optar por lugares conhecidos, que deixem claro o respeito às medidas sanitárias, sem grandes aglomerações e com espaços abertos no período de volta aos bares.

Cilene Saorin debate equidade em “palestras” na live do Guia

A live desta semana no Guia será especial. Primeiro, porque a convidada é uma das pioneiras do movimento da cerveja artesanal no Brasil, com uma carga de conhecimento riquíssima para compartilhar. Além disso, porque será uma “palestra online”. Sommelier, mestre-cervejeira e diretora da Doemens Akademie no Brasil, Cilene Saorin vai ofertar ao público aulas a respeito de um dos assuntos mais urgentes para a sociedade e, consequentemente, para o mercado cervejeiro: a consciência dos valores humanos. E isso em dois dias: na quarta e quinta-feira desta semana.

É com base neles que Cilene Saorin enxerga, nessa fase conturbada que a sociedade e o sistema produtivo atravessam, as verdadeiras possibilidades de negócios justos e sustentáveis. “Somos uma grande fauna como humanidade. Se é muito difícil ser humano e respeitar a diversidade, talvez alguns dados estatísticos possam ajudar a convencer de que não há outro caminho.”, afirma. “A atitude inclusiva e o respeito à pluralidade nos farão aproveitar melhor as oportunidades de negócio, e o êxito pede verdade. Um discurso falso cai por terra e é devastador”.

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Com quase três décadas de experiência no mercado cervejeiro, Cilene Saorin tem graduação em engenharia de alimentos e especialização em marketing, é mestre cervejeira com graduação pela Universidad Politécnica de Madrid e sommelière de cervejas com graduação na Alemanha pela Doemens. Também atuou em pesquisa e desenvolvimento de produtos em diversas cervejarias do Brasil e do mundo.

Sob o título “Um convite à consciência dos valores humanos”, o conteúdo, resultado de anos de estudos a respeito da equidade na sociedade e suas conexões com o cenário e a cultura cervejeira brasileira, Cilene Saorin compartilhará o conteúdo em dois encontros. O primeiro será na quarta-feira, dia 15, e o segundo na quinta, dia 16, em transmissões ao vivo no perfil do Guia no Instagram, tendo mediação da também sommelière Candy Nunes.

Confira a programação da “palestra online”:

UM CONVITE À CONSCIÊNCIA DOS VALORES HUMANOS

PARTE 1: No primeiro encontro, Cilene vai propor um debate que visa trazer à consciência valores humanos e exercitá-los como objetivo de sermos pessoas melhores e uma sociedade melhor. Aprender a coexistir como seres sociáveis que somos, entendendo, respeitando e aceitando as diferenças.
Dia 15/07, às 19 horas

PARTE 2: Na segunda etapa, com a consciência desses valores, a proposta é fazer o exercício de enxergar melhor as inúmeras oportunidades de negócio – incluindo o mercado cervejeiro -, que podem surgir com o olhar humano, generoso à pluralidade e às diversidades.
Dia 16/07, às 19 horas

Marca pioneira na Alemanha desiste das artesanais: “Não precisamos de revolução”

O grupo cervejeiro Radeberger, um dos líderes do mercado alemão e que tem nas Pilsens seu carro-chefe, deu adeus à sua aventura no mundo das artesanais, que era baseada nas “craft beer” norte-americanas. Depois de dez anos, a empresa começa um processo de desligamento das operações de sua subsidiária Braufactum, dedicada a rótulos especiais.

A decisão demonstra a dificuldade de entrada das artesanais no mercado da Alemanha, país sempre associado ao alto consumo de cerveja, mas que parece não ter seu público interessado em trocar a tradição por novidades que possuem maior penetração em outros países, como os Estados Unidos.

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“Alguns cervejeiros artesanais querem reeducar os consumidores à força. Não funciona desse jeito. Aqui na Alemanha, com nossas grandes cervejas, não precisamos de uma revolução das artesanais, como nos EUA”, afirma o diretor da companhia Marc Rauschmann.

“Temos condições completamente diferentes e precisamos encontrar os consumidores onde eles estão, e caminhar todo o percurso com ele, passo-a-passo”, acrescenta Rauschmann.

Lançado em 2010, o projeto do grupo Radeberger foi pioneiro na produção de estilos norte-americanos na Alemanha, sendo seguido por diversas outras cervejarias tradicionais do país, com iniciativas baseadas no modelo da Braufactum.

Em seu histórico, porém, o grupo Radeberger tem uma ligação íntima com o estilo Pilsen. Fundada em 1872, a cervejaria se orgulha de produzir cerveja “sem paralelos” por mais de um século, de acordo com os princípios de seus fundadores – e que soam conflitantes com a cultura da cerveja artesanal ao defender “nunca seguir uma moda ou comprometer nossa tradição”.

A cultura da “craft beer” norte-americana nunca decolou na Alemanha e se limitou a pequenos nichos de consumidores, o que manteve a Braumfactum em um nível de produção relativamente pequeno, de 15 mil hectolitros por ano.

Agora, a empresa chegou à conclusão de que o segmento não vale mais a pena. E a maior parte da estrutura da subsidiária deve ser incorporada a outros setores da Radeberger, como o departamento internacional do grupo.

Preço da cerveja acompanha inflação e tem alta de 0,44% em junho

O preço da cerveja em domicílio teve alta em junho, no terceiro mês completo em que se pôde perceber os efeitos da crise do coronavírus. De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação do produto foi de 0,44%, após uma forte queda – de 1,56% – em maio.

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Trata-se de um ritmo semelhante, embora mais acelerado, em relação ao do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que registrou alta de 0,26% em junho.

Este aumento do preço da cerveja no domicílio se inseriu em uma elevação dos preços no setor de alimentação e bebidas, que teve inflação de 0,38% em junho e foi um dos responsáveis pela alta do IPCA no último mês.

“Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, sete apresentaram alta em junho. O maior impacto (0,08 ponto percentual) veio de Alimentação e bebidas (0,38%), que acelerou em relação ao resultado de maio (0,24%)”, afirmou o IBGE.

“As medidas de isolamento social, que fizeram as pessoas cozinharem mais em casa, por exemplo, ainda estão em vigor em boa parte do país. Isso gera um efeito de demanda e mantém os preços em patamar mais elevado”, acrescentou Pedro Kislanov, gerente do IPCA.

O aumento em junho dos valores da cerveja em domicílio não alterou o cenário de deflação do preço em 2020 do produto, agora em 0,42% no somatório deste último mês com janeiro, fevereiro, março, abril e maio.

Já a cerveja fora do domicílio – um segmento praticamente paralisado em função das medidas de isolamento social – teve deflação irrisória, de 0,07%, em junho. Ainda há aceleração no ano, sendo que agora ela está em 0,81%.

O item outras bebidas alcoólicas no domicílio, por sua vez, teve pequena queda, de 0,06% em junho. Mas continua tendo elevação dos preços em 2020, com alta acumulada de 3,52% nesse período.

Por fim, o preço de outras bebidas alcoólicas fora do domicílio apresentou deflação de 0,88% em maio. Com isso, passou a registrar queda de 1,84% nos preços em 2020.

10 mudanças no segmento de rótulos cervejeiros provocadas pela Covid-19

As medidas de isolamento social não interromperam o consumo de bebidas alcoólicas durante a pandemia do coronavírus, mas modificaram o modo e o local onde esse ato se realiza. Isso trouxe alterações profundas sobre a forma como os clientes passaram a enxergar embalagens – sejam latas, growlers ou garrafas – e rótulos, ao reestruturar a forma de relacionamento com elas.

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A valorização de novas características forçou as cervejarias a investir em diferenciações que chamem a atenção do consumidor, como os rótulos, com a busca pela sensação de exclusividade. Afinal, o serviço de delivery assumiu a primazia do consumo e levou a experiência para dentro das residências.

Sócio-diretor da Label Sonic, Bruno Lage lista ao Guia os ajustes realizados no setor de rótulos e na sua empresa para minimizar os efeitos da crise, em iniciativas que deverão perdurar no pós-crise. São medidas interessantes, que resumem com exatidão as mudanças enfrentadas pelo segmento.

O diretor da Label Sonic destaca, também, que o growler se tornou onipresente nas estratégias de distribuição e ressalta que as vendas diretas ao consumidor exigem embalagens melhores.

Confira, a seguir, 10 mudanças provocadas pela crise da Covid-19 no mercado de embalagens, segundo Bruno Lage, diretor da Label Sonic.

1- Preços sem aumentos
A crise financeira levou o segmento de rótulos a absorver o aumento de preços de insumos provocado pela desvalorização do real, segundo Bruno Lage. “No âmbito comercial, sentimos que não era a hora de reajustes, apesar de muitos insumos serem cotados em dólar.”

2- Urgência nos prazos
A falta de previsão sobre a extensão e a gravidade da crise levou as cervejarias a reverem planos, tomando decisões de compra em cima da hora. “Todos os pedidos passaram a ser urgentes. Todo mundo segurou a compra ao máximo e, quando decidiu, era para aproveitar uma oportunidade nova”, explica o diretor da Label Sonic.

3- Adaptação ao home office
As medidas de isolamento social forçaram mudanças rápidas para que os negócios continuassem funcionando. “Foi um período de aprendizado de como trabalhar remotamente para todos, tanto para nós como para os clientes, pois muitos não estavam prontos para trabalhar em home office, o que dificultou no início a comunicação e a rapidez nas negociações”, comenta.

4- Clientes com novas demandas
Em busca de soluções, as cervejarias conceberam novos produtos e precisaram de iniciativas inéditas. “Muitos clientes tiveram de engarrafar ou enlatar a produção rapidamente. E muitos não tinham nem a arte do rótulo pronta. Então foi um período difícil por causa de tantos projetos novos que demandaram provas impressas, ajustes e entrega rápida”, conta Bruno.

5- Aposta em projetos que estavam em segundo plano
Ideias que até então estavam guardadas foram acionadas com urgência em ações para mitigar o efeito da crise, o que forçou a aceleração da produção de rótulos. “Quem não vendia growler, passou a vender, quem não engarrafava, passou a vender garrafas, quem não tinha latas, passou a ter, etc”, relata ele. “E muita gente que tinha na cerveja um ‘plano B’ teve de acelerar este projeto depois que o seu negócio principal passou a ter dificuldades ou mesmo quando perdeu o emprego. Algumas empresas vão fechar nesta pandemia, infelizmente. Mas muitas outras estão surgindo.”

6- Aumento da concorrência
A busca por diversificar a carta de opções de produtos e serviços fornecidos pelas cervejarias aumentou a concorrência nos diferentes formatos e nichos. “Entendemos que aquelas cervejarias que estavam focadas em algumas formas de entrega do produto, com a produção em grande parte em barril e/ou eventos/festivais, tiveram de passar a vender garrafas, growlers e latas. Cervejarias que tinham parcerias com alguns bons distribuidores tiveram de abrir vendas em outros distribuidores ou mesmo apostar na venda direta. Brewpubs tiveram de engarrafar mais e abrir mais pontos de venda. Ou seja: quem estava seguro no seu nicho, não está mais”, avalia o diretor da Label Sonic.

7- Reforço da identidade nas embalagens
As ações das cervejarias para lançar suas cervejas em formatos inéditos antes da pandemia, especialmente em growlers, forçaram o desenvolvimento de novas embalagens e rótulos, mas mantendo a identidade visual da empresa. “Os clientes agora querem rótulos para garrafa, lata, growler, PET, e precisamos entregar em cada embalagem a mesma identidade e qualidade. Quem acha que no growler pode usar uma embalagem inferior está desvalorizando o seu próprio esforço e produto.”

8- Variação de rótulos por embalagem
Ao mesmo tempo em que há a preocupação com uma identidade visual unificada, as cervejarias passaram a demandar diferenciações nos rótulos de acordo com a embalagem em que a bebida é envasada. “As cervejarias, ao explorarem mais formas de entregar o produto (garrafa, latal, growler), precisam de uma comunicação que mostre a diferença entre as embalagens e que, ao mesmo tempo, crie uma unidade da marca perante o consumidor. Antes os rótulos variavam por estilo e agora variam por estilo e embalagem. A mesma qualidade gráfica precisa estar presente em todas as embalagens e em quantidades flexíveis”, analisa Bruno.

9- Personalização dos growlers
Com a grande demanda por consumo de cervejas via growlers, as empresas passaram a demandar rótulos personalizados para esses produtos. “No mercado cervejeiro, focamos em vendas de rótulos para growler e teste de recipientes (growlers) nas rotuladoras. Sinal de que o mercado atingiu um volume de vendas de growler que torna necessária a aplicação de rótulos em uma rotuladora”, explica.

10- Pedidos menores
As incertezas provocadas pela crise do coronavírus levaram as cervejarias a deixarem de lado o planejamento de longo prazo. O resultado foi que as rotuladoras passaram a receber pedidos menores, mas com maior frequência. “O mercado está mudando a forma de comprar e não está estocando rótulos”, concluiu o sócio da Label Sonic.

Menu degustação: Espetáculo da Beck’s, Lab da Landel, Cervecon em setembro…

A semana cervejeira trouxe um mix interessante de novidades. Enquanto a alemã Beck’s apostou em um espetáculo com o Vintage Culture na Ponte Estaiada, em São Paulo, a Landel lançou uma linha de receitas inovadoras. Já o importante congresso Cervecon foi remarcado para setembro e o Science of Beer apresentou o Beer Expert. Destaque, ainda, para novidades da Dádiva, da Mestre Cervejeiro e da Distrito. Confira.

Espetáculo da Beck’s
Marca recém-chegada ao Brasil e pertencente à Ambev, a alemã Beck’s desafiou o Vintage Culture – um dos maiores nomes da música eletrônica da atualidade – para uma experiência inédita: um set de duas horas no céu de São Paulo diretamente da Ponte Estaiada. O resultado foi um show gravado a 20 metros de altura na terça-feira com quase 500 mil pessoas acompanhando pelo Twitter e tornando a hashtag #vintagebecks o assunto mais comentado por usuários do país na rede social por três horas. “Surreal – é essa a palavra para descrever esse desafio de tocar nas alturas”, comentou o Vintage Culture. A iniciativa marcou o lançamento do novo ponto de vista que a Beck’s traz para a relação do público brasileiro com os espaços e a cultura urbana. “A Beck’s é a cerveja alemã mais vendida no mundo e desembarcou no Brasil há pouco tempo. Como marca, temos uma forte relação com a música e a cultura urbana e é isso que queremos propor também para os consumidores brasileiros”, explica Felipe Hatab, diretor de marketing de Beck’s no Brasil.

Experiências da Landel
A cervejaria de Campinas lançou a Landel Lab, que apresenta cervejas produzidas em pequenas escalas (até no máximo 500 litros) e aposta em receitas inovadoras. “A ideia é usar esta linha pra testar das mais loucas loucuras às mais clássicas cervejas que saem das nossas cabeças”, diz Samuel Faria, sócio da cervejaria. “Já tivemos uma NE Wheat Ale com Double Dry Hop de lúpulo El-Dorado e agora está engatada a Amarillo Summer Ale”, conta. A próxima da lista é a Amburana Belgian Ale, que é a Blonde Belgian Ale com passagem por 30 dias em uma barrica de amburana.

Cervecon em setembro
O Congresso Brasileiro de Ciência e Mercado da Cerveja (Cervecon), que estava agendando para acontecer em Belo Horizonte no mês de julho, será realizado entre os dias 21 e 25 de setembro. E, por conta da pandemia, uma feira totalmente virtual foi concebida. Através de uma plataforma digital moderna e interativa, o evento trará conteúdo com palestrantes nacionais e internacionais, discussão de melhorias setoriais nos âmbitos do empreendedorismo, mercado de trabalho, produção e estudos científicos, além de uma Feira de Exposição Virtual para aproximar empresários com fornecedores e promover networking junto ao público de cervejas artesanais. O Cervecon é organizado pela Win Eventos, em parceria com o Espaço Ampliar e SindiBebidas.

Curso do Science
Reunindo grandes nomes do mercado cervejeiro, o Beer Expert é o novo curso criado pelo Science of Beer. Tem duração de cinco semanas e conta com a presença de especialistas importantes, como Pete Slosberg, fundador da Pete’s Brewing Co., e Randy Mosher, autor de The Brewers Companion, Radical Brewing e Tasting Beer, além de vários profissionais do mercado brasileiro, como Bia Amorim (colunista do Guia), Carolina Oda, Amanda Reitenbach e Rudy Fávero. São 17 professores para ministrar 40 horas de conteúdos sobre os mais diversos aspectos da cerveja. Além das aulas online, o aluno também vai receber em casa um kit de estudos para acompanhar o curso, que inclui apostila, caderno para avaliação das cervejas, jogo com roda sensorial e algumas das cervejas que serão avaliadas durante os estudos. As matrículas para a segunda turma estão abertas e podem ser feitas aqui.

Degustação da Dádiva
Para celebrar o Dia Mundial do Chocolate, comemorado em 7 de julho, a cervejaria Dádiva e a Caus Chocolate propõem uma harmonização guiada conduzida por Fernanda Meybom, sommelière de cervejas e engenheira química. O evento virtual acontecerá em 21 de julho, às 20h, por meio de uma live no YouTube. Além de trazer detalhes e curiosidades sobre os universos do chocolate e da cerveja, ele propõe uma interação com o público, que poderá degustar o doce e a bebida enquanto acompanha o bate-papo e as orientações dos especialistas. Os interessados podem adquirir o kit com as cervejas da Dádiva e os chocolates da Caus Chocolate no site do Hoppi (http://www.hoppi.com.br/), por R$ 99.

Mestre em Vitória
Na última quinta-feira, a Mestre-Cervejeiro.com abriu uma loja em Vitória, no Espírito Santo. A nova unidade oferece mais de 100 rótulos de cervejas artesanais nacionais, importadas e rótulos próprios da marca, além de seis torneiras de chope artesanal. Há mais de um ano em busca de uma franquia para investir, Patrick Bueno Silva afirma que algumas oportunidades de investimento surgiram, porém nada que chamasse tanta a atenção como a da Mestre-Cervejeiro.com. “Estou ansioso e positivo para a abertura, a procura por cervejas artesanais vem crescendo e os kits de presentes também. Acredito que vamos poder atender e levar da melhor forma a cultura da cerveja para nossos clientes. Esperamos que, em breve, tudo isso que estamos vivendo se normalize e volte ao normal”, aponta ele. A unidade fica na avenida Francisco Generoso da Fonseca, 355 – loja 06, no bairro Jardim da Penha.

Distrito em lata
A cervejaria Distrito lançou suas primeiras latas de 473ml, apostando nos rótulos Summer Lager, Simcoe IPA, Amarillo IPA e Triple IPA. A venda é unitária, mas, na compra de 6 unidades, há desconto de 6% – e, na compra de 12, de 12%. As novas cervejas e todo o portfólio das artesanais podem ser adquiridos pelo site www.cervejasdistrito.com, outra novidade da Distrito. Além das bebidas, podem ser encontradas pizzas e hamburgers de blend vegano ou carne bovina. A loja virtual também tem a linha de growlers, copos, taças e acessórios cervejeiros, como camisetas e moletons.

Produção de cervejas da Budweiser nos EUA é alvo de fake news

A internet, ambiente que tem permitido a aproximação e a troca de boas experiências durante a pandemia, tem seu lado bizarro e até criminoso. Na semana passada, uma “fake news” viralizou entre os twitteiros norte-americanos dizendo que um funcionário da Budweiser teria urinado em tanques da cerveja por 12 anos.

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Por seu caráter popular e sua ligação com aspectos culturais e de lazer, a cerveja sempre teve associação com piadas e brincadeiras, sendo, infelizmente, algumas delas preconceituosas. E em tempos onde há confusão – algumas delas deliberadas – sobre a produção jornalística, ela passou a se tornar alvo de fake news, até pelo potencial de viralização da sua temática.

Foi assim com a falsa notícia sobre a Budweiser nos Estados Unidos, que se espalhou por portais e perfis de redes sociais instantaneamente. Ela dizia que um funcionário da marca, chamado Walter Powell, teria mantido a prática asquerosa de urinar nos tanques durante os 12 anos em que trabalhou na fábrica de Fort Collins, no estado do Colorado. Assim, o produto com origem nessa unidade seria adulterado, enquanto a produção de outras plantas da marca, não.

“É como uma roleta russa, às vezes estou com amigos e eles pedem uma Budweiser, eu me envergonho e digo a mim mesmo: ‘pobres amigos’…” dizia um trecho da fake news, com uma fala inventada de Powell.

Assim que a falsa história ganhou força, o Twitter foi inundado de memes e piadas sobre o tema, que entrou na lista de assuntos mais comentados. Logo depois, veio à tona a origem da fake news: um site de humor, chamado Foolish Humor, publicou o texto satírico do personagem Powell sob a manchete “Funcionário da Budweiser reconhece que mijou em tanques de cerveja por 12 anos”.

O site, que publica textos de humor em tom de paródia jornalística, mantém um aviso ao final das publicações alertando que se tratam de peças de ficção, que “não correspondem à realidade”.

No fim, na mesma velocidade em que surgiram memes e postagens reproduzindo com seriedade o assunto, textos de verificação e entidades de “fact checking” trataram de explicar a fake news.

Recentemente, o Senado brasileiro aprovou a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet, enviando o texto para a Câmara dos Deputados. Embora a necessidade e a urgência da regulação do tema pareçam óbvias, há alguma polêmica sobre o seu conteúdo, pois alguns especialistas avaliam que ele oferece riscos à liberdade de expressão e à privacidade dos usuários.

Balcão do CerveJoca: 3 dicas de planejamento para melhorar a comunicação

Balcão do CerveJoca: 3 dicas de planejamento para melhorar a comunicação

Todo e qualquer empreendedor ou profissional de vendas sabe que a publicidade é a alma do negócio, certo? Todo e qualquer produto precisa estar ao alcance do seu consumidor, verdade? Então vamos falar do planejamento para isso.

Entenda que só irá comprar seu produto quem atender a alguns requisitos básicos. O seu cliente está onde? Seu cliente quer realmente comprar seu produto e por quê? Quanto tempo levará para seu cliente decidir pela compra do seu produto?

Pela ordem, precisamos definir cobertura, frequência e continuidade, os três principais elementos de um eficiente plano de comunicação e mídia.

Entenda por cobertura o total de clientes potenciais para compra do seu produto. Cerveja, por exemplo. O mercado de consumidores pode ser infinito, portanto, precisamos filtrar este número buscando saber quais e onde estão os tomadores de cerveja de seu interesse. Fazendo o filtro, fica mais difícil errarmos na quantidade de tiros que faremos para atingi-los com publicidade. A cobertura será definida pelo percentual de consumidores definidos por você dentro dos objetivos determinados pela estratégia de comunicação.

Exemplo de cobertura: homens e mulheres com idade acima de 20 anos, classe social B e C, moradores da cidade de Mococa (SP). Importante: agora que já sabe quantos são os consumidores alvo para seu produto, defina quantos deseja atingir. Pronto, agora podemos considerar que você tem uma cobertura-alvo. Do total do mercado de Mococa, dentro do seu perfil, quero atingir 20%, 40%, 80%… Isso é cobertura.

O que levará a definir o porcentual ideal será a capacidade de gerar investimento para impactar a todos eles. Isso nos leva para o segundo elemento do nosso planejamento, a frequência, que vai considerar como resposta a pergunta: quantos impactos serão necessários para que nosso consumidor defina pela compra do meu produto? Fácil, né? Não.

Alguns consumidores trocarão marcas, produtos, serviços de primeira, outros não trocarão nem a pau, nem que a vaca tussa, nem por decreto, entendeu? Temos de provocar um número médio de impactos capaz de persuadir o seu consumidor a vir para nós.

Puxa, está ficando difícil. Perceba que chegará um momento que alguns terão visto seu anúncio uma única vez, outros duas e outros, ainda, mais de três vezes.

Bom, entendido os dois elementos acima? Cobertura: quantos. Frequência: quantas vezes. E, agora, continuidade: por quanto tempo?

Podemos definir à nossa vontade o período que a campanha irá ser veiculada. Respostas rápidas exigem menos tempo, respostas para consolidar marcas, mais tempo.

Estes são elementos e dicas que compartilho com desejo de ajudar o maior número de cervejeiros, principalmente, nestes tempos de pandemia. Lembre-se do ditado: “consumidor compra o que não precisa, para agradar a quem não conhece, com o dinheiro que não tem.” Ajudou? Cheers…


Joaquim Campos, o Joca do Cervejoca, é executivo de contas da ForBeer – Feira para a Indústria da Cerveja

Entrevista: Heineken diz encarar pandemia com mais ‘ação do que comunicação’

O início da pandemia do coronavírus em março frustrou o bom começo de ano do Grupo Heineken no Brasil e impôs uma agenda completamente diferente para a companhia. A partir desse ponto, os esforços se voltaram para a mitigação dos prejuízos, além da participação em iniciativas de apoio à sociedade.

Em entrevista ao Guia, o diretor de comunicação do Grupo Heineken, Mauro Homem, revisita o posicionamento e as ações da companhia perante a pandemia, que começaram olhando para dentro e tiveram um conjunto de iniciativas relevantes em favor dos pequenos varejistas, o elo mais frágil da cadeia de valor. “Colocamos como desafio entender como podemos, por meio da força que temos como companhia, alavancar esses negócios em um momento difícil”, detalha ele.

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O diretor da Heineken enxerga na pandemia um momento de exploração de novas possibilidades de conexão com o público – antes muito focada na experiência presencial -, mas sugere a necessidade de uma postura mais contida das marcas perante um consumidor mais exigente e crítico quanto ao comportamento das empresas. Por isso, defende o foco maior nas ações do que nas iniciativas de marketing em um momento tão delicado para a sociedade. “Não queremos soar oportunistas em hipótese alguma.”

Confira, a seguir, a entrevista completa com Mauro Homem, diretor de comunicação do Grupo Heineken, sobre os reflexos da pandemia.

Como se estruturou a reação do Grupo Heineken ao contexto da pandemia?
A Heineken vinha em um começo de ano muito promissor, entregando resultados bons em vários segmentos. O primeiro trimestre mostrava que estávamos em um caminho certo e fomos pegos de surpresa. Eu me lembro que quando conversávamos sobre a crise, ouvíamos do time de Ásia/Pacífico sobre a gravidade disso e pensávamos que era um outro cenário, longe do nosso. Quando chegou, chegou muito rápido e tivemos de tomar decisões rapidamente.

Em primeiro lugar, estruturamos um plano de trabalho focado na proteção das pessoas e na continuidade do negócio, mantendo-o viável diante dessa condição. Já tínhamos a experiência de fechamento de outros países para isso. Outro ponto seria a manutenção do caixa da Heineken, sabendo que a pandemia iria gerar uma crise de crédito.

E que ações de fato foram tomadas?
Quando falamos da preocupação com as pessoas, mais de 20 ações foram implementadas: fechamento de escritórios, suspensão de contato com clientes, distanciamento social nas operações de cervejaria, mudança nos nossos sistemas de transporte, de alimentação e um monitoramento de saúde corporativa muito forte. Temos uma população de 13 mil pessoas espalhadas pelo Brasil, isso era muito importante e foi acontecendo conforme a pandemia evoluía.

A pandemia nos impunha uma necessidade de olhar para a saúde mental do time. Ajustamos a linguagem aos nossos diferentes públicos e falamos também com as famílias do nosso time. Em março, já tomamos a decisão de prover estabilidade, anunciando que não faríamos nenhuma demissão estrutural durante todo o ano de 2020. 

Qual é o papel de uma companhia do porte e o alcance da Heineken quando o varejo está tão vulnerável?
Sabemos que nosso negócio depende muito do bar como canal de venda, que é formado por pequenos empreendedores e muitas famílias dependem desses negócios. Então nos colocamos como desafio entender como podemos, por meio da força que temos como companhia, alavancar esses negócios em um momento difícil, e daí surgiu o Brinde do Bem. O objetivo era muito simples: o de antecipar o consumo no período de fechamento para que os bares tivessem fôlego e caixa para esse momento mais crítico. A Heineken dobrava o investimento dos consumidores, e se tornou uma plataforma democrática, pois não estávamos preocupados se o bar é cliente nosso ou não. Tivemos mais de R$ 16 milhões revertidos para bares, e ficamos muito felizes de ver o modo como as pessoas se engajaram. A conexão com o bar vai além de ser um estabelecimento que vende cerveja. Há um vínculo emocional, o bar que a gente vai toda semana.

Apoiamos também uma startup, o GroomerGO, para oferecer uma ferramenta a esses empreendimentos, que não estavam adaptados à dinâmica de delivery. Entendemos que seria muito poderoso poder apresentar o cardápio de maneira digital, via WhatsApp, para que eles mantivessem a atividade econômica.

Em outra iniciativa, em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein, promovemos o aplicativo De Volta ao Bar, com informação em conteúdo gamificado sobre os protocolos de segurança e higiene para auxiliar no preparo para a retomada das atividades. Com ele, o pequeno empreendedor tem informação com a chancela de uma entidade muito crível, e pode passar mais segurança ao consumidor.

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Que tipo de benefício a companhia consegue tirar para si própria dessas ações?
São ações muito focadas no desenvolvimento da nossa cadeia de valor. Entendemos que somos um elo muito importante da cadeia de valor e que, se não fizéssemos algo nesse sentido, haveria impacto grande para a sociedade e para o nosso negócio. Mas tem outras iniciativas de parcerias para doações de água mineral, pães e kits de higiene para ONGs que entram muito mais no âmbito da Heineken como ente da sociedade tentando suportar um momento sem precedentes. Entendemos que temos um papel social a cumprir.

Qual é o papel das marcas do grupo nesse processo?
Discutimos bastante no começo e decidimos nos posicionar como grupo por enxergarmos que, assim, se refletem melhor nossos valores como companhia. Mas algumas marcas tiveram também ações. A Lagunitas tem uma ligação grande com ONGs de doação de animais e fez uma parceria de doação de produtos a elas; a Schin fez uma ação grande de doação de água mineral em comunidades carentes do Nordeste; a Devassa, que tem uma pegada mais cultural, fez um trabalho para arrecadar fundos para que profissionais que vivem de música pudessem passar por esses momento de uma maneira mais digna.

Cada marca tentou trabalhar dentro de seu território de conexão, mas não fomos mais ostensivos com as marcas por um só motivo: não queremos soar oportunistas em hipótese alguma. No momento que vivemos, é egoísmo e um pouco de estupidez uma marca achar que está no centro da conversa. Precisamos mostrar que o que estamos fazendo tem um propósito claro, endereçar uma pandemia que mata pessoas, e não queremos fazer disso um espaço para marcas surfarem.

Nós fomos muito reticentes, por exemplo, com as lives de entretenimento. Aos poucos, fizemos uma para arrecadar para a ONG Amigos do Bem, ou para fazer a conexão da Devassa com os profissionais da música, sempre com propósito muito claro. Mas há marcas nossas que trafegam por um território mais do humor, da diversão, e não faria sentido explorar isso.

Na sua opinião, o formato das lives é próspero? Ele tem perspectivas para após a pandemia?
Não acredito que ele vá “passar” depois da pandemia. Mas como marcas de cerveja, temos o compromisso de usá-lo de maneira equilibrada. Não é porque é um canal novo que podemos usar como bem entendemos. Não temos o controle exato da audiência, de quem está acessando, então precisamos garantir que a ligação da marca com a live aconteça de maneira equilibrada. É uma possibilidade para muitas marcas. O que fizemos com a festa do Gilberto Gil dá um orgulho tremendo, foi um espaço de entretenimento muito relevante, que fomenta a cultura brasileira. Houve muito aprendizado desde o começo, até chegarmos em um modo mais viável.

O que pode mudar depois desse momento na postura da companhia e das marcas? É momento para revisão de conceitos, de marcas e de espaços ocupados por elas?
Não há resposta pronta, estamos construindo isso. Acho que tem alguns caminhos: as marcas terão de ser cada vez mais relevantes no conteúdo que trazem. Uma pandemia como essa mostra que tem muita coisa que não tem muito valor. Para ser crível e relevante para o público tem de fazer coisas que de fato conversem com ele.

Também estamos atentos aos espaços diferentes. Usávamos muito os espaços físicos de experiência de marca, que não estão disponíveis. É claro que eles voltarão no futuro, mas vimos que há outras formas de atuar. Esse contexto híbrido de presença de marca vai despontar naturalmente. Além disso, a pandemia escancarou a questão da reputação. Vimos muitas marcas sofrendo por terem tido posicionamentos precipitados, por falas de seus executivos, e vimos como isso é impactante. A reputação ganha uma importância ainda maior para as marcas.

O que muda na atitude do consumidor em relação às marcas após a pandemia? Ele fica mais crítico, mais rigoroso?
O consumidor valoriza muito quando a marca faz uma ação em prol da sociedade, mas também critica muito quando a marca deixa de se manifestar sobre uma causa relevante, ou se manifesta de maneira incômoda para os grupos que atuam em determinada causa. Isso tem tomado maior dimensão mundo afora, as pessoas estão mais sensíveis.

No Brasil, essa tendência vem de algum tempo, no contexto político e social, e tem aterrissado no contexto das marcas. O consumidor vai cobrar quando achar que está errado ou quando está faltando algum posicionamento. Isso também vai mudar o nível de investimento das marcas em comunicação em determinadas ações: pode ser melhor investir mais em ação de fato do que em comunicação.