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Consumidores de BH mantêm confiança no setor, mas veem Backer com cautela

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Boêmia e reconhecida pelas boas cervejas artesanais, Belo Horizonte tenta manter o posto de "Bélgica brasileira" (Foto: Alexandre Guzanshe/Belotur)

“Bélgica brasileira”. Foi assim que Belo Horizonte e sua região metropolitana passaram a ser chamados por muitos apreciadores de cerveja pelo boom recente de artesanais. O apelido é uma exaltação a um cenário que engloba marcas consolidadas em BH, como Wäls, Backer e Krug, surgimento de novas fábricas, opções interessantes e em volume relevante de rótulos e público com desejo, curiosidade e sede para conhecer novos estilos.

Nas últimas semanas, porém, o setor de cervejas artesanais da capital mineira se viu envolto no noticiário por um motivo grave e que colocou em segundo plano o seu potencial: os 28 casos suspeitos de contaminação por dietilenoglicol, segundo informações da Secretaria de Saúde de Minas Gerais, incluindo quatro mortes provocadas pelo consumo da substância encontrada em 41 lotes da Backer, sobretudo do rótulo Belorizontina.

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O caso, além da óbvia gravidade, provoca questionamentos sobre o impacto que provocará no segmento e sobre qual é a percepção do público consumidor sobre suas consequências.

Ouvidos pelo Guia, cervejeiros de Belo Horizonte de diferentes perfis apontam que a confiabilidade da produção artesanal não está, até agora, colocada em risco. Mas exibem perplexidade e preocupação com a gravidade dos acontecimentos. E também apontam um cenário de difícil recuperação para a Backer.

A Belorizontina
Principal alvo da investigação, a Belorizontina ganhou espaço nos últimos anos por algumas características específicas, sendo a principal delas o fato de apresentar um sabor mais palatável ao do público acostumado a beber cervejas de marcas mainstream, muitas delas do estilo Pilsen – o mesmo desse rótulo de 4,6% de graduação alcoólica e 8 IBUs, lançado inicialmente em 2017 para celebrar os 120 anos da capital mineira.

Além disso, passou a concorrer no mercado local com rótulos dessas grandes cervejarias por ter um preço mais acessível do que o que costumeiramente cobrado pelas artesanais. “A Belorizontina é uma boa cerveja. Leve, gostosa e com um preço acessível. Consumia ela, especialmente em casa, com certa regularidade”, avalia o ator Gustavo Falabella.

“Foi a cerveja especial que eu mais consumi no ano passado, junto com uma lata de 473 ml da Wäls. A Belorizontina nos supermercados estava sempre com preço acessível. Inclusive, em alguns bares, ela custava o mesmo de uma Heineken”, acrescenta o jornalista Rodrigo Freitas.

Setor protegido
Se a Belorizontina se tornou um dos rótulos mais conhecidos entre as cervejas artesanais, especialmente para o público mineiro, o grave incidente com uma das referência do setor não vai afetar como esse mercado é visto pelo público, na visão dos consumidores consultados pelo Guia.

Freitas garante que o incidente com a Backer não atinge o modo como enxerga o setor de cervejas artesanais. Para ele, inclusive, há mais comprometimento nas etapas de produção por parte dos pequenos fabricantes do que pela grande indústria.

“Não vai afetar a maneira como consumo, pois, em geral, confio mais em pequenos produtores, em que o erro pode levar à falência, do que em grandes produtores, em que os escândalos são remetidos apenas ao escritório de advocacia contratado”, comenta o jornalista.

A contaminação dos rótulos da Backer, assim, segundo ele, trata-se de um caso específico e que não remete a qualquer outra cervejaria. “Não vai me afastar, pois não creio que seja um problema da cadeia de produção da cerveja artesanal, mas de apenas uma cervejaria”, complementa Freitas.

A avaliação de que se trata de um incidente bem específico dentro da cadeia cervejeira é replicada pelo engenheiro Renato Lobo. “Encaro como um erro pontual, da própria Backer ou de outrem”, analisa ele.

O servidor público federal Daniel Cândido tem avaliação parecida, destacando que não alterou sua rotina de consumo de cervejas artesanais após a eclosão do caso Backer nos primeiros dias de 2020. “Acredito em caso isolado. Nesta semana, inclusive, comprei várias artesanais. A Backer não está nem vendendo mais, mas as outras marcas eu tomo sem problemas. É uma bebida de baixíssimo risco”, avalia.

Freitas pondera, contudo, que os problemas envolvendo a Backer devem servir de alerta para o setor de artesanais reforçar as práticas de segurança. “Creio que o acontecido irá redobrar os cuidados tomados pelos pequenos produtores, pois um erro pode levar a falência ou coisa pior”, afirma o jornalista.

Já Fred de Castro, que se define como “profissional indireto do setor”, descarta se distanciar das cervejas artesanais em função do incidente, mas reconhece que será mais atencioso na escolha do que irá consumir. “Não vai me afastar, mas vai definir critérios mais rígidos de consumo”, explica.

A visão sobre a Backer
Mas se a credibilidade da cerveja artesanal parece não ser afetada pela contaminação dos rótulos da Backer, o que deve minimizar os impactos no setor, a situação para o consumidor parece ser diferente quando se trata especificamente da cervejaria de Belo Horizonte.

Há alguma preocupação com a qualidade do produto e espera para uma apuração cuidadosa do que causou a contaminação por etilenoglicol e dietilenoglicol  em diversos lotes – 41 até o momento, de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

“Por enquanto, não vou consumir as cervejas da empresa”, comenta Fred de Castro, indicando a espera pelas respostas da investigação, algo que parece ser um padrão entre os cervejeiros consultados pelo Guia.

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A rejeição ao produto é reforçada por Cândido. Antes um consumidor costumeiro da Backer e, especificamente, da Belorizontina, ele descarta beber cervejas da marca, embora lembre que isso nem seria possível com a retirada dos rótulos do mercado – a fábrica está fechada, não podendo produzir ou comercializar seus produtos. “Vou ter que esperar tudo se resolver, mas, por ora, não tomo rótulos deles”, diz o servidor.

Freitas, por sua vez, questiona a postura da Backer durante o processo de descoberta da contaminação e dos problemas de saúde provocados por isso. Defende uma punição para a fabricante, mas garante que não teria problemas em voltar a consumir seus rótulos a partir do esclarecimento do caso.

“A cervejaria foi, no mínimo, negligente, além de conduzir o caso de péssimo modo, não sendo mais transparente quando o problema aconteceu. Acho que a cervejaria não vai fechar. Também não penso em deixar de beber cervejas da marca. Houve um erro, pessoas morreram, então é preciso haver justiça, mas não acho que a empresa deva ser fechada a priori”, comenta o jornalista.

Já Falabella vê a contaminação como um caso isolado dentro da linha de produção da Backer. Por isso, acredita tratar-se de uma empresa confiável e assegura que pode voltar a consumir os seus rótulos, apontando que a cervejaria pode superar esse momento de incerteza e crise.

“Pelo que sei, a cervejaria Backer tem altos padrões de segurança e controle de qualidade de sua produção. Portanto, não vejo porque a cervejaria não possa retomar sua trajetória de sucesso”, finaliza o ator.

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