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7 especialistas avaliam como foi o ano do setor cervejeiro em 2018

A cerveja artesanal vem ganhando espaço não só no mercado brasileiro, mas em toda a América Latina. Ainda assim, alguns problemas conjunturais – a crise econômica, por exemplo – e outros inerentes ao setor, como o preço ainda alto, dificultaram o pleno fortalecimento da indústria cervejeira em 2018.

Essa é, em suma, a análise de 7 especialistas consultados com exclusividade pelo Guia da Cerveja, com o intuito de entender como se comportou o setor cervejeiro neste turbulento ano.

Carlo Lapolli, presidente da Abracerva, Luis Marcelo Nascimento, juiz do BJCP, e Patrícia Sanches, fundadora da Confraria Maria Bonita Beer, foram alguns nomes a darem sua importante avaliação.

Para entender um pouco mais a dinâmica de outros nichos e mercados, escutamos também Daniel Trivelli, presidente da Copa Cervezas de América, e Rodrigo Sena, sommelier e gestor da Escola da Cerveja BaresSP.

Confira, a seguir, a avaliação de 7 importantes especialistas sobre o desempenho do setor cervejeiro em 2018.

Carlo Giovanni Lapolli, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva)
Sem dúvida nenhuma, o ano de 2018 foi muito feliz, muito profícuo para as cervejarias artesanais independentes. Tivemos um grande crescimento no número de cervejarias, os consumidores ampliando o conhecimento sobre cerveja, consumindo mais artesanais. E nossas cervejarias gerando muito mais emprego. Durante o ano, as pequenas cervejarias, aquelas com 99 empregados, geraram cerca de 50% dos empregos do setor, um número bastante significativo quando a gente lembra que tem apenas 2% da fatia de mercado.

Daniel Trivelli, presidente da Copa Cervezas de América
2018 foi um ano que trouxe grandes diferenças entre os países latino-americanos, especialmente no caso da artesanal. Países como Brasil, Argentina e, em menor medida, Chile, vêm demonstrando um crescimento saudável, apoiado em bases fortes para o desenvolvimento da demanda, assim como uma oferta de cervejas que melhora constantemente sua qualidade e consistência. Por outro lado, países como Costa Rica, Equador, Peru e Colômbia, que vinham mostrando um forte crescimento, estancaram e atravessam uma crise refletida em uma estagnação ou até baixa nas vendas.

José Bento Valias Vargas, sócio da Lamas Brew Shop de BH, da Dunk Bier e um dos fundadores da Acerva Mineira
O ano de 2018 foi ruim para a economia brasileira de um modo geral. Não seria diferente para a cerveja. Com a recessão, incerteza politica, crise governamental e principalmente o elevado preço do dólar (o que encarece demais os insumos de produção) sendo desfavoráveis. E considerando que a cerveja, mesmo sendo a queridinha do brasileiro, é um item supérfluo no orçamento doméstico. A queda no comércio foi visível. Houve mais uma vez o crescimento de cervejarias, mas o aumento do consumo não acompanhou. Portanto, o mercado está inundado de cerveja artesanal encalhada. Claro que o consumidor não deixa de comprar, mas vai comprar das mais baratas, volta a cerveja de massa ou as cervejarias artesanais que pertencem às grandes e conseguem custos de produção e regalias governamentais desproporcionais.

Luis Marcelo Nascimento, consultor cervejeiro, juiz do BJCP e sócio do Volátil, do H. e do The Lab
Em produto, na gôndola, estamos muito melhores do que já fomos. As cervejas têm qualidade melhor, mas o preço chegou a um nível absurdo, quase impagável. Virou um produto de elite da elite. Um negócio que deveria ser acessível está se tornando inacessível. Não tem como meio litro de cerveja custar R$ 50. Tem algo errado nessa conta.

Patrícia Sanches, fundadora da Confraria Maria Bonita Beer, sócia da cervejaria Patt Lou e do Instituto Ceres de Educação Cervejeira
Apesar da crise, o que tem sido observado durante os últimos 4 anos é que os consumidores de cerveja vêm comprando um pouco menos, porém, novos apreciadores da cerveja estão surgindo, trazendo um balanço possível para os pontos de venda, apesar da queda. Em 2018, os festivais, as atividades de associação da cerveja com a gastronomia, as divulgações de marcas em grandes mídias de massa, o investimento de grandes cervejarias mainstream em produtos artesanais e a formação de diversos profissionais sommeliers vêm contribuindo para a popularização da bebida ao redor do país. Acreditamos que os consumidores ainda têm baixo conhecimento sobre questões relacionadas às potencialidades organolépticas da cerveja, poder de emparelhamento com diversos alimentos, detalhes sobre a influência da matéria-prima, métodos de produção, qualidade e prolongamento da vida útil da cerveja nas prateleiras.

Rodrigo Sena, sommelier e gestor da Escola da Cerveja BaresSP
2018 foi um ano de consolidação de um modelo de negócio para bares cervejeiros: a Tap House. Houve um boom em São Paulo de abertura desses bares que possuem diversas torneiras com cerveja artesanal, na grande maioria brasileiras, e que não possuem cozinha, abrindo espaço para um food-truck diferente a cada dia. Esse modelo teve ótima aceitação pelo público cervejeiro que consegue encontrar ótimas cervejas, frescas, e às vezes com preços interessantes. O legal é que a abertura de bares assim não ocorreu apenas nos chamados bairros nobres, muitos foram abertos em regiões mais distantes do centro da cidade. Acreditamos que 2 motivos levaram a isso: primeiro a forte demanda de um grande nicho por cervejas artesanais e depois a crescente oferta por parte de cervejarias, principalmente do interior de SP e do Sul do país, que tornou mais fácil a logística para esses bares. Além disso, em 2018, ainda houve um crescimento da quantidade de bares e restaurantes tradicionais que aderiram à venda de cervejas artesanais, ainda que um crescimento tímido.

Wellington Alves, fundador da 5Elementos
Acredito que o surgimento de novas cervejarias em ritmo exponencial representa um retrato do que o nosso mercado está se tornando. Os entraves burocráticos continuam sendo um obstáculo importante, acredito que o maior limitador do mercado como um todo, juntamente com os altos impostos.

Cerveja no ano novo? Brut IPA é solução ao champanhe

Chegou o ano novo e, mesmo quem não gosta muito, sempre acaba entrando na farra e brindando com um champanhe ou espumante. Nesse ano, no entanto, o cervejeiro ganhou um modo de continuar com sua bebida preferida sem fugir muito da tradição: as Brut IPA, variedade que compartilha muitas características com os espumantes, foram o grande destaque de 2018 e vieram para ficar.

Segundo Bia Amorim, sommelière e criadora da revista Farofa Magazine, a proximidade entre as Brut IPA e os espumantes é tanta que os próprios criadores da variante se empolgaram.

“Os cervejeiros que criaram e divulgaram a receita ainda pensaram em nomear de ‘Champagne IPA’, mas sabemos que usar essa denominação não seria permitido”, comenta ela. A restrição diz que só podem ser chamados champanhe os espumantes produzidos pelo método tradicional desenvolvido na região de mesmo nome, na França.

Para Samuel Cavalcanti, cervejeiro da Bodebrown, as Brut IPA têm uma efervescência marcante. “Mas não deixam de lado a natureza de uma IPA, por conta de seu amargor e corpo”, conta ele, que já desenvolveu quatro receitas. Nelas, como a Brut IPA Galaxy, fica evidente a refrescância.

“O lúpulo Galaxy é mais suave e cítrico do que lúpulos clássicos. No aroma, toques de lima, pomelo, mamão verde e frutas tropicais. Tem baixa formação de espumas, mas elas são bem persistentes. Muito fácil de beber e refrescante”, acrescenta Samuel.

Tendências
A novidade, para Bia Amorim, não chega a revolucionar o mercado, mas estabelece um novo rumo que pode ser tratado em paralelo ao caminho desenhado pelas New England IPA – fortes, amargas e turvas. “A chegada da Brut animou o mercado brasileiro, mas temos poucos lugares fazendo”, diz.

Para Bia, é preciso testar na panelinha antes de brassar uma receita em larga escala. “Há um nicho de apreciadores que gostam das novidades tanto quanto os cervejeiros de fato. Se funcionar com eles, o mercado entende que pode aumentar o volume”, explica.

Bia lembra a trajetória da Catharina Sour, que primeiro apareceu como moda em centros cervejeiros e hoje é feita e consumida em todo o país – tornou-se, inclusive, reconhecida pelo Beer Judge Certification Program (BJCP).

Balanço 2018: Tap house se consolida entre os bares brasileiros

No momento de beber sua cerveja fora de casa, o consumidor brasileiro se acostumou em 2018 com uma novidade que conquistou espaço entre os bares: a tap house. Foi fácil encontrar opções, não necessariamente requintadas, de estabelecimentos com diversas torneiras de artesanais à disposição do público.

As tap house vieram aliadas a um facilitador para o comerciário, que muitas vezes optou por não montar uma cozinha industrial, algo que costuma ser mais custoso em termos de investimentos. A opção era o food truck, que já faz parte do cenário brasileiro há alguns anos. E, ao público, ficou a possibilidade de contar com opções gastronômicas diferentes a cada ida ao bar.

“2018 foi um ano de consolidação de um modelo de negócio para bares cervejeiros: a Tap House. Houve um boom em São Paulo de abertura desses bares que possuem diversas torneiras com cerveja artesanal, na grande maioria brasileiras, e que não possuem cozinha, abrindo espaço para um food-truck diferente a cada dia”, avalia Rodrigo Sena, Sommelier e Gestor da Escola da Cerveja BaresSP.

Esse tipo de modelo de negócios foi bem aceito pelo consumidor, entre outras razões, segundo ele, pois ha preços mais acessíveis de sua cerveja artesanal preferida em uma tap house. ” Esse modelo teve ótima aceitação pelo público cervejeiro que consegue encontrar ótimas cervejas, frescas, e às vezes com preços interessantes.”

Rodrigo aponta também a expansão do modelo de tap house por diferentes regiões das cidades como fator importante para sua consolidação em 2018. “O legal é que a abertura de bares assim não ocorreu apenas nos chamados bairros nobres, muitos foram abertos em regiões mais distantes do centro da cidade.”

O surgimento de bares com diversas torneiras também teve uma importante função no mercado de artesanais: funcionar como um receptor da produção. Esses novos estabelecimentos, inclusive, trazem a segurança para as microcervejarias produzirem, sabendo que haverá uma demanda a ser atendida.

E esse é um fator visto como importante para o êxito da tap house, na visão do Gestor da c. “Acreditamos que dois motivos levaram a isso (o êxito da tap house): primeiro a forte demanda de um grande nicho por cervejas artesanais e, depois, a crescente oferta por parte de cervejarias, principalmente do interior de São Paulo e do Sul do país, que tornou mais fácil a logística para esses bares”, avalia.

Em um cenário mais amplo, Rodrigo Sena também aponta que as artesanais conquistaram uma participação maior entre as opções de cervejas oferecidas por bares mais tradicionais. “Em 2018 ainda houve um crescimento da quantidade de bares e restaurantes tradicionais que aderiram à venda de cervejas artesanais, ainda que um crescimento tímido”, afirma.

5 praias do Nordeste que receberão eventos da Corona no fim de ano

Depois de formalizar um patrocínio a Gabriel Medina, bicampeão mundial de surf, a Corona reforçou sua estratégia de “vida na natureza” ao anunciar mais uma interessante iniciativa: uma série de eventos especiais de fim de ano em cinco espetaculares praias do Nordeste.

Sob o conceito de #thisisliving, que convida as pessoas a curtirem a vida perto da natureza, a marca fará eventos em São Miguel dos Milagres, em Alagoas; Barra Grande e Trancoso, na Bahia; Fernando de Noronha, em Pernambuco; e São Miguel do Gostoso, no Rio Grande do Norte.

Cada uma dessas cidades receberá eventos específicos, além das tradicionais Corona Sunsets, festas da marca que prometem momentos de desconexão da rotina. “O ano novo é uma das melhoras épocas do ano para a galera ficar offline e curtir tudo que a estação tem para oferecer. Ficar em contato com a natureza é um momento especial em que as pessoas se conectam com elas mesmas”, afirma Fernanda Federico, gerente de marketing da Ambev.

“Queremos que nossos consumidores tenham uma experiência completa nesse verão e vivam o estilo de vida de Corona, por isso estamos investindo em ações que convidam as pessoas a viverem o #thisisliving. Além disso, queremos reforçar e conscientizar sobre a importância de preservarmos a natureza. Se gostamos tanto de aproveitar o lado de fora temos que cuidar dele também”, complementa Fernanda.

Confira as 5 cidades que receberão eventos da Corona neste fim de ano.

São Miguel dos Milagres (AL)
Aproveitando a beleza natural do vilarejo, a marca promoverá passeios às piscinas naturais, onde será possível curtir as praias em barcos. Já a Corona Sunsets de São Miguel dos Milagres será no domingo. Para mais informações, acesse: https://www.reveillondosmilagres.com.br/.

Barra Grande (BA)
Situada no litoral Sul do Estado, a Península de Maraú reúne uma grande variedade de belas paisagens. E, para reforçar o clima de festa, a Corona Sunsets Barra Grande ocorrerá no domingo. Para mais informações, acesse: https://meubilhete.com/reveillon-mil-sorrisos-2019.

Trancoso (BA)
O badalado distrito de Porto Seguro será palco da Casa Corona, na Praia dos Coqueiros, com restaurante com cardápio exclusivo da Casa Carbone, além de muita cerveja gelada. Terá, ainda, área de bem-estar e espaços para praticar esportes como slackline, futebol de mesa, futevôlei, vôlei de praia e stand up paddle. Estará disponível até o dia 6 de janeiro.

Fernando de Noronha (PE)
Assim como em São Miguel dos Milagres, a marca promoverá passeios às piscinas naturais na mais famosa das ilhas brasileiras. Já a Corona Sunsets de Fernando de Noronha será nesta sexta-feira. Para mais informações, acesse: https://www.reveillondenoronha.com/.

São Miguel do Gostoso (RN)
Próximo a Natal, o pacato e inigualável vilarejo de pescadores receberá oficinas de kitsurf, esporte que se tornou célebre na região devido aos fortes ventos. E, para embalar a integração com a natureza, a Corona Sunsets São Miguel do Gostoso ocorrerá no domingo. Para mais informações, acesse: https://reveillondogostoso.com.br/.

Balanço 2018: Em ano difícil para cervejas, artesanais ganham espaço

Sinais trocados podem ajudar a explicar e a compreender como foi 2018 para o mercado de cervejas. O ano foi de consolidação e confirmação da importância das artesanais, que vão conquistando seu espaço com o público e sendo importante polo gerador de empregos. Mas também de desafios, especialmente provocados pela crise econômica e política, algo que freou o aumento do consumo, mesmo em um setor em expansão.

De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o número de cervejarias artesanais independentes saltou de 679 para 835 entre dezembro de 2017 e setembro de 2018, um aumento de 23%. E estes estabelecimentos têm expressivos 169.681 produtos registrados.

Além disso, em um cenário de crise e falta de emprego, as artesanais deram sua contribuição em 2018 para não tornar o cenário ainda pior. Segundo dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), 1.757 vagas foram criadas pelo setor cervejeiro entre janeiro e outubro. Desse total, 951 vieram de empresas de pequeno porte, ou seja, com até 99 funcionários – número que equivale a 54,13% do total e supera os 806 empregos criados pela grande indústria.

“O ano de 2018 foi muito feliz, muito profícuo para as cervejarias artesanais independentes. Tivemos um grande crescimento no número de cervejarias, os consumidores ampliando o conhecimento sobre cerveja, consumindo mais artesanais. E nossas cervejarias gerando muito mais emprego”, afirma Carlo Giovanni Lapolli, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), ao Guia.

Mas, se houve crescimento no número de cervejarias artesanais e na quantidade de empregos surgidos a partir delas, o consumo praticamente estagnou. Tanto que uma recente pesquisa divulgada pela Kantar Worldpanel demonstrou crescimento, mas tímido, da compra de cerveja no Brasil.

No período de 12 meses encerrado em setembro, o aumento da presença da bebida nos domicílios foi de 0,7%, passando de 62,7% para 63,4%. E o volume médio levado para casa passou de 4,4 para 4,5 litros. Já o valor gasto chegou aos R$ 342 em 2018, ante aos R$ 286 de 2016.

“Os últimos dois anos foram ruins para o mercado cervejeiro, a crise foi real, impactou o setor, o consumo baixou, muito bar fechou. O mercado retraiu”, aponta Luis Marcelo Nascimento, consultor cervejeiro, juiz do BJCP e sócio do Volátil, do H. e do The Lab.

Por isso, José Bento Valias Vargas, sócio da Lamas Brew Shop de BH, da Dunk Bier e um dos fundadores da Acerva Mineira, vê um cenário em que há mais oferta do que demanda ao público, que pode estar se voltando para opções mais baratas.

“O mercado está inundado de cerveja artesanal encalhada. Claro que o consumidor não deixa de comprar, mas vai comprar das mais baratas, volta a cerveja de massa ou nas cervejarias artesanais que pertencem às grandes e conseguem custos de produção e regalias governamentais desproporcionais”, alerta.

5Elementos: Premiada e com aposta em cervejas pesadas em Fortaleza

A 5Elementos vem conquistando um importante espaço no mercado brasileiro desde o seu surgimento, em 2016. Foi assim neste ano ao obter prêmios relevantes no setor. E também ao apresentar rótulos de cervejas criativas e pesadas, com mais de 10% de teor alcoólico.

Criativa também é a história dessa microcervejaria que surgiu da união de um grupo de amigos. Como na Teoria dos Cinco Elementos, em que madeira, fogo, terra, metal e água são vistos como formadores do mundo material e que sua interação e controle recíproco determinam o estado de constante movimento e mudança, a junção deles permitiu uma ação que levou à criação da cervejaria na capital do Ceará, como relembra Wellington Alves, um dos fundadores da 5Elementos, em entrevista ao Guia.

Com uma capacidade inicial para produzir 1.200 litros de cerveja por mês, a 5Elementos aumentou significativamente esses números. Hoje, são 7 mil litros mensais e mais de 50 rótulos produzidos, o que inclui cervejas de linha, sazonais e colaborativas. E, com o crescimento, vieram os prêmios e as apostas mais ousadas, com cervejas de graduação alcoólica elevada.

Neste ano, em parceria com a Augustinus, de São Paulo, a 5Elementos lançou “a cerveja mais alcoólica do Brasil”, segundo descreve a marca: a Dead In The Abyss. É uma Russian Imperial Stout que leva baunilha, lactose e café. A bebida, que traz ainda um rótulo especial, reúne algumas das principais características das Imperial Stouts já produzidas por cada cervejaria – a Abyssal, da 5Elementos, e a Dead by Dawn, da Augustinus.

Seu diferencial foi a adição de café maturado em barril de Bourbon, desenvolvido pela Franck’s Ultra Coffee, marca de Curitiba reconhecida pelo seu trabalho com cervejas artesanais. Mas, claro, o destaque fica por sua graduação alcoólica: 20%, resultando em uma cerveja imponente e intimidadora, escura e viscosa, segundo as cervejarias.

Variedade e prêmios
O lançamento de uma cerveja pesada poderia ser um indício de que a 5Elementos estaria mais voltada ao público que se interessa por esse tipo de bebida. Mas o pensamento não é esse, mas em produzir cerveja “pensando em qualidade acima de tudo”. E a atender aos mais diferentes nichos.

“Temos uma legião de apreciadores que vão desde o consumidor iniciante, que procura as cervejas de entrada, até o beergeek, que procura as cervejas na linha high end. Acredito que o mercado suporte bem ambos os nichos, sempre trazendo um pouco de cada lado para um ambiente comum. É nesse ambiente mais ao centro que focamos o nosso trabalho, sem perder o hype”, explica Wellington Alves.

A própria 5Elementos, porém, vê as Imperial Stout como seu carro-chefe no mercado de artesanais. “Nossas cervejas mais procuradas são as Imperial Stouts. Nessa linha, a Abyssal e variantes (coffee e coconut edition) têm bastante saída, em virtude da intensidade da cerveja, combinada com 12% (de graduação alcoólica) muito bem equilibrados”, afirma.

E foi com essa linha que vieram prêmios de prestígio para a 5Elementos em 2018. No Slow Brew, realizado em São Paulo, conquistou algumas das principais medalhas. A Coconut & Pancake Brunch Stout, uma Russian Imperial Stout com 12% de teor alcoólico, ganhou os prêmios de melhor lançamento e rótulo mais curtido do festival. Além disso, a Coffee & Pancake Brunch Stout foi bronze na votação de rótulo mais curtido, e a Abyssal SBB2018 levou a prata na disputa entre os lançamentos.

Para atingir tais feitos, a 5Elementos conseguiu evoluir em alguns aspectos da produção de suas cervejas. “Acredito que aperfeiçoamos muito o uso de adjuntos em nossas produções, onde exploramos uso de maple, frutas, lactose”, comenta Wellington, em uma auto-avaliação sobre o que a cervejaria cearense evoluiu nos últimos meses.

Mercado aquecido
De iniciante em 2016 a cerveja premiada em 2018, a 5Elementos é arquétipo de um setor em expansão, com aumentos de 23% no número de artesanais apenas nos nove primeiros meses deste ano. “Acredito que o surgimento de novas cervejarias em ritmo exponencial representa um retrato do que o nosso mercado está se tornando”, afirma o sócio da marca, também torcendo por melhoras no setor para que o seu bom exemplo se expanda.

“Os entraves burocráticos continuam sendo obstáculo importante, acredito que o maior limitador do mercado como um todo, juntamente com os altos impostos. Esperamos que em 2019 o mercado comece a se consolidar, despertando o interesse inclusive de autoridades que possam contribuir com a redução das taxas abusivas, ajudando o mercado a crescer de forma menos nociva”, diz.

E, além dos pedidos para melhoria do mercado, a 5Elementos também já trabalha com a intenção de manter seu crescimento qualificado para o próximo ano.

“Para 2019 estamos com diversas cervejas que foram envelhecidas em barris de madeira, nossa linha barrel-aged”, revela Wellington Alves, mostrando que o apreciador das suas cervejas continuará sendo muito bem saciado.

Um presente de Natal do Guia para os leitores

Hoje é Natal e todos devem estar mais a fim de relaxar e celebrar com a família e amigos do que qualquer outra coisa. Mas o Guia não poderia deixar de trazer para o leitor que nos prestigiou um pequeno mimo, nosso presente de Natal. O site nasceu em julho e, ao longo desses quase seis meses de vida, nos esforçamos para trazer para a comunidade cervejeira informação relevante, profunda e confiável. Por isso, queremos celebrar esse Natal relembrando alguns dos melhores momentos do ano por aqui.

Algumas das reportagens que mais inspiraram a equipe do Guia a seguir em frente foram aquelas em que trouxemos perfis de cervejarias que começam literalmente do zero. Com muita dedicação, as pessoas envolvidas constroem marcas sensacionais, produtos de altíssima qualidade e ajudam a estruturar esse mercado cervejeiro brasileiro, ao mesmo tempo tão promissor e cruel pelas dificuldades que impõe.

Cervejeiros são empreendedores, sonhadores, loucos e apaixonados, e sua ousadia merece sempre nossa admiração e apoio. Um brinde!

Assim, esperamos que o leitor que não tenha lido aproveite nosso presente de Natal, e aqueles que já leram, possam apreciar mais uma vez a beleza dessas histórias tão humanas e renovadoras – em sintonia com o espírito natalino. Não repara, é simples, mas é de coração. Feliz Natal a todos os amantes da cerveja.

Doktor Bräu: a cerveja que cura

Matisse: quando a arte e a cerveja se encontram

Odin: espiritualidade expressa em cerveja

Passargada: as amigas do rei atacam

Associação Feminina Cervejeira do Brasil: força da mulher na cerveja

Otim’Bé: cerveja de raiz africana

4 lançamentos cervejeiros inspirados no Natal

O Natal chegou em grande estilo no universo cervejeiro. Quatro destacadas cervejarias apostaram em receitas especiais para brindar a data, como a multipremiada Wäls, que lançou uma Panetone Ale. O resultado é comemoração em dose dupla: a oportunidade de brindar a data que celebra a amizade, a comunhão, o amor, com bebidas de extrema qualidade. Aproveitem. E um excelente Natal a todos os leitores do Guia.

Panetone Ale da Wäls
Para celebrar o Natal, a Wäls criou uma nova receita: a Panetone Ale, cerveja exclusiva do MadLab (clube de bebidas da cervejaria) para o mês de dezembro. Trata-se de uma versão especial de uma Belgian Dubbel, com adição de extrato natural de panetone com noz moscada, uva passa, canela, laranja, limão e cravo. Tem 7,5% de teor alcoólico, vem em garrafas rolhadas de 375ml e “combina muito com comemorações, além de harmonizarem com diversos pratos”, segundo a cervejaria.

Christmas Ale da Dádiva
A tradicional cervejaria Dádiva finalizou um pequeno lote de uma Belgium Dark Strong com especiarias, a Vivant Noël, uma Christmas Ale que foi lançada em garrafas rolhadas de 750 ml. Destaque para as notas de noz moscada, pimenta do reino, gengibre e canela sobre uma bebida com base belga, escura, forte e aveludada. Tem 8,2% de teor alcoólico e chega com preço sugerido de R$ 70. Esse é o segundo rótulo da linha inspirada em cervejas belgas da Dádiva, em que a levedura é a protagonista – a primeira foi a Vivant Printemps.

IPA natalina da Molinarius
Totalmente focada no estilo IPA, a Molinarius lançou uma nova linha: a Jams, com adição de polpa de frutas. E o escolhido para iniciar a série foi o damasco, que chega para realçar as propriedades do lúpulo e o clima de Natal. “Com lote de 180 kg de polpa pura de damasco, sem adição de açúcar, a cerveja tem um presente aroma e sabor de damasco combinado com os lúpulos Citra e Azacca, com corpo baixo e com uma leve acidez da fruta, tornando uma excelente opção para as festas de final de ano”, pontua Sérgio Müller, cervejeiro da marca paulistana. A Jams Damasco tem 6,4% de teor alcoólico, 50 IBUs e está sendo comercializada tanto em lata (473 ml) como em chope.

Beertone da DeBron
Também no clima de Natal, a DeBron Bier apresentou um produto especial para a ceia: o Beertone. Feita em parceria com o Galo Padeiro, a novidade leva maltes de uma cerveja premiada, a Imperial Stout da marca. O Beertone de 500g é feito de modo artesanal, com farinhas importadas, manteiga, malte de cerveja, cacau 100% e chocolate belga. Por R$ 70, é possível comprar um kit composto por um panetone e uma Imperial Stout. Leia aqui outras possíveis combinações entre doces e cerveja.

Um doce Natal: Combinações e receitas que harmonizam cerveja e sobremesa

Mesa farta, celebração, cervejas e doces. Embora os dois últimos itens sejam, algumas vezes, vistos como integrantes de lados opostos em momentos de festa, a comemoração do Natal, seja na ceia ou no tradicional almoço, é uma grande oportunidade para mostrar que eles harmonizam e podem caminhar juntos. Especialmente nas sobremesas, um importante marco de desfecho da comemoração.

A combinação começa pelo panetone, surgido em Milão e recheado com frutas secas. Mas vai muito além. “Podemos fazer ótimas harmonizações com o próprio panetone ou chocotone. Doces natalinos que tenham oleaginosas como castanhas, nozes e amêndoas também caem muito bem com cerveja”, explica Ana Araújo, chef da Mimosa Doces.

“Outra combinação interessante para os doces natalinos são as cervejas de trigo, como Weizen e Witbier”, acrescenta Thomé Calmon, sócio da cervejaria pernambucana DeBron Bier. “Já que elas não passam pelo processo de filtração, a grande pedida são sobremesas mais leves, como doces a base de banana ou leite condensado. Nesse caso os bolos de frutas harmonizam bem e os que levam canela, como a rabanada.”

Até mesmo a IPA e seu forte amargor, segundo Thomé, podem cair bem com doces. “Outra cerveja é a IPA, que confere uma boa harmonização com sabores mais fortes. Por ser uma cerveja cheia de lúpulo, o sabor amargo da bebida é bem marcante. Dessa forma, sobremesas como torta de maçã caramelada e nozes configuram uma boa opção.”

Receitas com cerveja
Para além da harmonização entre diferentes estilos e doces, que têm espaço para consumo em inúmeras etapas da ceia, as cervejas também podem entrar na mesa como um importante ingrediente de diversas receitas.

Em bolos de fruta, como explica Ana Araújo, é possível substituir o líquido utilizado por cervejas. Nesse caso, será a partir da fruta que se determinará qual a melhor bebida. Por exemplo: uma mais frutada, amadeirada ou com tons cítricos. “As que mais combinam são as que tenham algum toque de caramelo ou avelã”, afirma a especialista, que trabalhou no renomado Esquina Mocotó, do chef Rodrigo Oliveira.

Além disso, há a possibilidade de utilizar a cerveja como recheio, como a chef faz no bolo de rolo, uma das suas especialidades. O detalhe, nesse caso, é o uso de cevada na massa. “Eu coloco uma colher de sopa da cevada em pó na massa porque aí fica equilibrado, com aquele leve sabor de cevada no fundo, mas sem prevalecer muito, pois pode ser que não agrade ao paladar de todo mundo”, indica.

Ela também usa a Malzbier – uma cerveja doce, mais escura e com baixo teor alcoólico – como opção de recheio, mas no brigadeiro. “Quando faço a redução da cerveja e faço o brigadeiro, ele lembra um pouco o doce de leite, por ser uma cerveja mais doce”, diz sobre uma receita que, com algumas adaptações, também pode servir para outros tipos de cerveja.

“Eu faço também uma redução da cerveja Pilsen. Pego uma latinha e a reduzo a 150ml. E aí uso essa redução no brigadeiro. Se eu usar o volume todo, dá aquele amargo que é comum da cerveja. E a ideia é que a cerveja ajude a quebrar o doce do leite condensado, mas que não deixe amargo”, explica.

Como se vê pelas diversas dicas da chef da Mimosa Doces, o que não faltam são doces e bolos natalinos que utilizam a cerveja como ingrediente, além de opções de alimentos mais açucarados e que combinam com a bebida, especialmente em momentos de forte calor. E, ainda que os espumantes tenham conquistado seu espaço na celebração e nos seus brindes, a cerveja não deixa de ser componente importante no Natal. 

Panetone de cerveja
Para quem prefere ir às compras ou não pode colocar a mão na massa para produzir doces natalinos, a DeBron Bier fez uma aposta na inventividade ao lançar recentemente o Beertone. Trata-se de um panetone de cerveja desenvolvido em parceria com o Galo Padeiro, uma empresa de panificação e doceria também de Pernambuco.

O Beertone conta na sua composição com maltes de uma cerveja premiada, a Imperial Stout da DeBron. Com 500g, o produto é feito de modo artesanal, com farinhas importadas, manteiga, malte de cerveja, cacau 100% e chocolate belga. Foi colocado à venda por R$ 70, em um kit que contempla um panetone e uma Imperial Stout.

“Pedimos que eles acrescentassem maltes da nossa premiada cerveja Imperial Stout para compor o panetone. Acreditamos no Galo Padeiro por serem parecidos com as nossas premissas, de sempre inovar e oferecer matéria-prima de primeira qualidade”, afirma Eduardo Farias, um dos sócios da DeBron, explicando como se deu a parceria com o Galo Padeiro.

A cervejaria destaca a harmonização entre a sua Imperial Stout e o panetone como algo que tornou natural a busca por uma parceria para que o tradicional doce natalino estivesse ao lado da cerveja em um produto único. E aponta ser essa mais uma opção para que a bebida não perca o seu protagonismo nesse período de festas.

“Companheiras do ano inteiro, as (cervejas) produzidas artesanalmente apresentam diversos sabores que harmonizam perfeitamente com tudo. No caso do panetone, por exemplo, destacamos os maltes da Imperial Stout. A base mais torrada da cerveja ajuda a controlar o sabor doce do panetone, além do chocolate amargo percebido na cerveja complementar as gotas de chocolate presentes no pão”, complementa Thomé Calmon, também sócio da DeBron.

Confira uma receita especial de Bolo Escuro de Cerveja da chef Ana Araújo, da Mimosa Doces

  • 3 colheres de manteiga
  • 1 xícara de açúcar
  • 3 ovos
  • 2 xícaras de farinha de trigo
  • 1 xícara de cerveja Malzbier
  • 1/2 xícara de damasco
  • 1/2 xícara de uva passa
  • 1/2 xícara de frutas cristalizadas
  • 1 colher de sopa de fermento em pó

Bata a manteiga e o açúcar até formar um creme claro. Depois acrescente os ovos um a um. Retire da batedeira, adicione os secos e mexa com o auxílio de um fouet. Coloque em seguida a cerveja e mexa mais um pouco. Adicione as frutas e leve para assar em forno a 180 graus por aproximadamente 40 minutos. Decore com as frutas secas.

4 especialistas definem o que é uma artesanal perfeita para o verão

Iniciado às 20h22 desta sexta-feira, o verão no Hemisfério Sul deverá ser mais quente do que os anteriores, segundo análises de centros de previsão do tempo. E, claro, isso deve aumentar o consumo de cervejas na estação que tradicionalmente mais combina com a bebida.

Para que essa experiência se torne ainda mais prazerosa, o Guia conversou com alguns mestre-cervejeiros para entender o que deve ser uma artesanal própria para a época. E eles foram praticamente unânimes ao definirem: a cerveja precisa ser leve e refrescante.

Com as temperaturas superando os 30ºC com frequência nos próximos três meses – o verão se encerrará em 20 de março de 2019 -, parece ser natural que as cervejas frutadas, leves e refrescantes roubem o espaço dos rótulos densos e lupulados, especialmente em dias de praia. Mas sem nunca deixar de lado a complexidade das artesanais, garantem eles.

Confira, na avaliação de 4 especialistas, como deve ser a cerveja ideal para o verão.

David Michelsohn, fundador e mestre-cervejeiro da Júpiter, que lançou recentemente a Duna Brut IPA
Cada pessoa tem um paladar diferente, então, felizmente, temos uma gama incrível de cervejas que podem ser consideradas ideais para o verão. Mas algumas opções são bem óbvias: Witbiers e Sour Ales, em especial. Elas são leves, aceitam muito bem frutas e são sempre muito refrescantes.

Patrick Bannwart, mestre-cervejeiro e sócio da BR Brew, que apostou na Amigo da Onça
Uma cerveja mais leve, mais refrescante, fácil de beber, porém, sem perder um toque de complexidade no aroma. Aposto muito em uma cerveja com IBU baixo, teor alcoólico mais baixo, corpo bem leve e seco, mas bem aromática, como um Session IPA ou uma Sour. Não só para o verão, mas para o ano todo, já que no Brasil o calor dura o ano todo, e elas caem muito bem em qualquer momento.

Fernando R. Lapolli, consultor da Cervejaria Santa Catarina, fabricante da Barco e sua Summer Sour
A cerveja ideal para o verão é leve e refrescante. Aquela cerveja perfeita para se tomar na areia da praia.

Elton Fedalto, gerente comercial da Schornstein, fabricante da Soul
Uma cerveja leve, refrescante, que se bebe sem se sentir pesado e, ao mesmo tempo, com 100% puro malte. Nossa Soul, uma Light Lager, é essa cerveja.