Início Site Página 42

7 soluções para o setor cervejeiro superar seus desafios

7 soluções para o setor cervejeiro superar seus desafios

O setor cervejeiro, apesar de sua importância e crescimento, encara diversos obstáculos complexos, como evidenciam os resultados da pesquisa “Principais Desafios do Mercado Cervejeiro no Brasil”, realizada pelo Guia da Cerveja e acessível pelo link, o que indica a necessidade de soluções para lidar com eles, com abordagens profissionais e inovadoras.

Diante desse cenário, o Guia procurou ouvir especialistas, empresários e representantes de associações, buscando identificar as principais soluções e ações práticas que possam impulsionar o desenvolvimento sustentável do setor cervejeiro.

Esses profissionais destacaram soluções fundamentais para os desafios enfrentados pelas cervejarias, que vão desde inovações no modelo de negócios até propostas concretas relacionadas à tributação e gestão eficiente. Ao adotar essas estratégias, o setor cervejeiro não apenas pode superar os desafios atuais, mas também posicionar-se para um futuro de crescimento e prosperidade.

Confira 7 estratégias para o setor cervejeiro superar seus desafios:

1 – Criação de um CNAE específico para cervejarias artesanais
A criação de uma subclasse da CNAE, a Classificação Nacional de Atividades Econômicas, dedicada ao setor de cervejas artesanais abriria caminho para uma taxação mais alinhada com a realidade, necessidades e demandas do setor. “Hoje, existe um só CNAE para cerveja no Brasil. E ter um CNAE específico é uma demanda que temos”, diz o presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), Gilberto Tarantino.

2 – Cooperação setorial
É preciso trabalhar de modo coletivo e em prol da categoria, não pensando apenas no seu empreendimento. “Caso contrário, não haverá poder de persuasão que supere as barreiras presentes no âmbito político-tributário”, avalia a a sommelière, mestre-cervejeira e diretora da Doemens Akademie no Brasil, Cilene Saorin.

3 – Aplicação dos conceitos ESG
Aprimorar a sustentabilidade e responsabilidade corporativa por meio da aplicação dos conceitos ESG pode ser fundamental para impulsionar a excelência nos negócios cervejeiros. “Penso que compreender o tema sustentabilidade (ESG) de forma holística pode e deve servir como uma das principais forças disruptivas na transformação evolutiva dos negócios nos próximos anos. Um tema obviamente a ser aplicado de forma ética, consciente, inclusiva e inovadora”, afirma Cilene.

4 – Gestão de custos
Otimizar recursos é fundamental para a sustentabilidade financeira de uma cervejaria, como destaca o sócio da Morenabier, Osir Afonso Tessar. “A solução que vejo, principalmente para as cervejarias que não dependem muito de capital de terceiros, é gerenciar bem os custos operacionais, principalmente os fixos. Com esse modelo é possível ainda competir, se manter no mercado e crescer com os pés no chão”, afirma o executivo da cervejaria de Campo Grande.

5 – Inovação no processo produtivo
Elevar a qualidade e eficiência traz melhoras para o processo de fabricação e abre caminho para criações. “A adoção de tecnologias digitais ou arranjos locais para otimizar a logística e a expansão para novos mercados pode ser um diferencial competitivo importante para o setor”, comenta a analista de competitividade do Sebrae Nacional, Mayra Viana.

6 – Tributação por volume produtivo
A medida é vista por especialistas como fundamental para a promoção da equidade fiscal. “Não queremos que haja aumento de imposto para ninguém. Queremos uma redução para as pequenas, algo que já temos acordado com as grandes cervejarias. A redução seria baseada no volume de produção”, relata o presidente da Abracerva.

7 – Inovação no modelo de negócios
Adaptar-se às mudanças de mercado e inovar em busca da competividade são soluções vistas como fundamentais para os desafios do setor cervejeiro. “Estratégias como a diversificação de produtos, o foco em sustentabilidade e práticas de ESG, além do fortalecimento das cadeias de suprimentos locais, são fundamentais. Tudo isso acompanhado de práticas de gestão cada vez mais robustas e de um fortalecimento da cooperação entre os empresários e entre as instituições de toda a cadeia produtiva”, afirma a analista de competitividade do Sebrae Nacional.

Sobre a pesquisa
A pesquisa “Principais Desafios do Mercado Cervejeiro no Brasil” é um estudo quantitativo conduzido por meio de questionário online, com respostas coletadas em setembro de 2023. O estudo contou com a participação de 129 proprietários ou administradores de cervejarias em todas as cinco regiões do país.

Lucro da Ambev cai 10,9% e venda de cerveja no Brasil recua 1,1% no 4º trimestre

0

O lucro líquido da Ambev teve uma queda no quarto trimestre de 2023, como revelado no balanço financeiro divulgado nesta quinta-feira, assim como a venda de cerveja no Brasil. A empresa apresentou um resultado positivo de R$ 4,528 bilhões, representando uma diminuição de 10,9% em relação ao mesmo período de 2022. Ao longo dos 12 meses do ano, houve um aumento de 0,5%, totalizando R$ 14,96 bilhões.

A receita líquida da Ambev também apresentou redução no quarto trimestre de 2023, com um recuo de 11,9%, atingindo R$ 19,989 bilhões. No entanto, no acumulado do ano, o resultado ficou estável, alcançando R$ 79.736 bilhões. O Ebitda ajustado da companhia teve um crescimento de 0,6% no período de outubro a dezembro, totalizando R$ 7,151 bilhões, e um aumento de 7,9% no ano, atingindo R$ 25,454 bilhões.

Leia também – Brasil Brau renova marca para reforçar conexão entre pilares do setor cervejeiro

O resultado financeiro da Ambev também indicou uma queda nos volumes de bebida comercializada. Houve uma diminuição de 0,1% no quarto trimestre, totalizando 52,091 milhões de hectolitros, e uma redução de 1,1% no ano, chegando a 183,659 milhões de hectolitros.

No Brasil, a venda de cerveja pela Ambev apresentou queda de 1,1% no quarto trimestre, totalizando 26,32 milhões de hectolitros. A empresa atribuiu esse recuo a uma base de comparação desafiadora, uma vez que no mesmo período de 2022 ocorreu a Copa do Mundo. No acumulado do ano, houve redução de 1%, alcançando 93,111 milhões de hectolitros.

A Ambev destacou o crescimento das cervejas premium e super premium, que registraram aumento de cerca de 25% em 2023, lideradas por marcas como Corona, Spaten e Original. A empresa afirmou ter ganhado participação de mercado nesse segmento.

Além disso, a família Budweiser experimentou aumento de volume de aproximadamente 15%, com a distribuição da Budweiser Zero expandindo-se mais de seis vezes em relação a 2022. No entanto, o segmento core, com marcas como Brahma e Skol, teve uma queda de um dígito baixo no ano, resultando em uma estimativa de ligeira redução da participação de mercado.

A Ambev também ressaltou o crescimento do Zé Delivery, que encerrou o ano de 2023 com 5,7 milhões de usuários ativos mensais, representando um aumento anual de 19%. De acordo com a empresa, o valor médio por pedido cresceu 11% em comparação com 2022.

No release de resultados, a administração da Ambev afirmou que iniciou 2024 em uma posição mais sólida do que em 2023. “Esperamos enfrentar menos pressão de custos dados os ventos favoráveis das commodities e do câmbio, parcialmente compensados pelo mix e por ajuste de contas a pagar a valor justo (em razão de menor taxa de juros) no Brasil”, diz.

10 lançamentos realizados pelas cervejarias artesanais em fevereiro

0

O mês de fevereiro foi marcado por uma profusão de novidades no universo cervejeiro, com diversas cervejarias apresentando lançamentos que prometem conquistar paladares e surpreender apreciadores. Desde cervejas que exploram a riqueza dos lúpulos brasileiros até criações que incorporam ingredientes inusitados, o cenário cervejeiro ganhou destaque com variedade e inovação.

Neste compilado, destacamos alguns dos lançamentos da fevereiro, revelando sabores únicos, técnicas elaboradas das cervejarias e, em alguns casos, a fusão entre tradição e influências de outras bebidas. Acompanhe conosco as nuances de cada rótulo que chegou ao mercado, proporcionando uma viagem sensorial pelos sabores e aromas do mundo das cervejas artesanais.

Leia também – Turatti adquire 5Elementos e busca se firmar como referência no Nordeste

Confira 10 lançamentos realizados pelas cervejarias artesanais em fevereiro:

3Barcaças
A cervejaria 3Barcaças lançou mais um rótulo em sua série Brazilian Flavors, a Cara Dourada, uma Brazilian Lager com 4,6% de teor alcoólico. Elaborada com os lúpulos Magnum e Cascade da Brava Terra, a cerveja promete um toque autenticamente brasileiro, celebrando a riqueza dos lúpulos cultivados localmente.

Brass Brew
A Brass Brew apresentou a Uma Menina Má, uma Witbier que incorpora trigo, aveia, sementes de coentro, cascas de laranja e limão, proporcionando uma experiência cítrica e refrescante. O destaque é a presença da flor de hibisco, que adiciona não apenas um delicado aroma floral, mas também um toque de cor à bebida.

Brewine Leopoldina
A Brewine Leopoldina, integrante do Grupo Famiglia Valduga, lançou, em fevereiro, a Italian Grape Ale Moscato e a Italian Grape Ale Sauvignon Blanc, expandindo seu portfólio de cervejas inspiradas na fusão entre o mundo do vinho e da cerveja. Ambas as cervejas, elaboradas durante a vindima no Vale dos Vinhedos (RS) – Safra 2023, incorporam o mosto das uvas Moscato Branco e Sauvignon Blanc da vinícola Casa Valduga. A Moscato, já premiada por sua união com a base Witbier, destaca-se por sua coloração amarelo claro, notas cítricas e florais, e é indicada para harmonizações com saladas, carnes brancas e sobremesas de frutas. Já a Sauvignon Blanc, mais complexa, apresenta harmonia com o estilo Saison, destacando-se por notas de frutas frescas e alecrim, sendo recomendada para acompanhar massas com molhos leves, frutos do mar e carnes brancas. Ambas as cervejas foram elaboradas pelo método tradicional, com segunda fermentação em garrafa.

Brewteco
O Brewteco, rede de bares do Rio de Janeiro, apresentou, em fevereiro, duas novas cervejas de marca própria: a Belgian Tripel e a Weizenbock. A Belgian Tripel, com 8,5% de graduação alcoólica, é uma cerveja robusta, composta por malte de cevada, malte de trigo e aveia, oferecendo um corpo aveludado e aromas condimentados e de frutas secas. A Weizenbock, com 8% de álcool, de cor marrom avermelhada, tem aromas de uvas passas, banana e chocolate, além de uma picância.

Cozalinda e Kairós
A Cozalinda, em parceria com a Kairós, fez o lançamento de mais uma chicha contemporânea. Esta segunda versão, agora disponível em garrafa, destaca-se pela incorporação de framboesa e semente de amburana, proporcionando uma experiência refrescante e de fácil consumo, ideal para os dias quentes. Intitulada El Caminho de Maíz,  a cerveja é parte do projeto colaborativo que utiliza malte de milho colorado da Maltes Catarinense e milho cultivado na fazenda da família dos fundadores da Cozalinda. A conexão com a cultura sul-americana é evidente, utilizando insumos locais como a levedura LY53 da Levteck, lúpulos da Lúpulos 1090 e framboesas orgânicas da Terra a Terra Orgânicos.

Filosofia
A Cervejaria Filosofia lançou sua primeira Belgian Blonde Ale, intitulada Amor Líquido. Com amargor leve e 6% de graduação alcoólica, incorpora o conceito desenvolvido por Zygmunt Bauman sobre a instabilidade e descartabilidade das relações modernas. O rótulo também se destaca pela ilustração da lenda folclórica do boto cor de rosa, simbolizando a fluidez dos relacionamentos.

Tábuas
A Cervejaria Tábuas realizou o lançamento da Vira-Lata, uma American IPA que promete equilíbrio ao combinar notas frutadas e cítricas, amargor e um corpo aveludado. O diferencial desta cerveja é a sua causa social, já que uma parte das vendas será destinada para a ONG Abrigo Amigo, contribuindo para o auxílio aos animais necessitados

Way Beer
A paranaense Way Beer realizou, em fevereiro, o lançamento de uma bebida inspirada no carnaval. A criação combina a cerveja Half Pilsen com glitter comestível, proporcionando um brilho característico da festa. A Half Pilsen, conhecida por sua leveza, refrescância, baixo amargor e baixo teor alcoólico (4,5%) é a base do drinque festivo.

Entrevista: NewAge confia na alta do setor em 2024 e revela planos para Pabst

0

A expansão do ritmo de produção de bebidas alcoólicas no segundo semestre de 2023 traz esperanças para o setor cervejeiro neste ano. Sob essa perspectiva, a NewAge revela ter passado por movimento semelhante ao resultado apresentado pelo IBGE, que relatou seis meses consecutivos de expansão da atividade. E isso torna o cenário mais promissor para 2024.

Para aproveitar esse momento positivo da indústria cervejeira, a New Age traçou estratégias para suas marcas, como revelam seus executivos em entrevista ao Guia. Eles destacam que o consumo da bebida em casa continuará sendo um foco em 2024, considerando que esse movimento se consolidou.

Além disso, a NewAge tem planos para ampliar a presença da Pabst Blue Ribbon, marca dos Estados Unidos, no Brasil. Também almeja conquistar novos mercados na América do Sul, já estando presente no Paraguai e na Bolívia.

Leia também – Entrevista: “Queremos nos posicionar como referência em cerveja craft no Brasil”

Confira os principais trechos da entrevista do Guia com o gerente comercial da NewAge, Edison Nunes, e a key account da Pabst na NewAge, Barbara Tobar:

A produção industrial de bebidas alcoólicas no Brasil registrou uma recuperação no segundo semestre de 2023. A NewAge também sentiu esse impacto positivo? De maneira geral, como foi o ano passado para vocês?
Edison Nunes – Exato. Após avaliarmos nossos números, apuramos dois semestres completamente diferentes: o primeiro semestre abaixo da expectativa e o segundo semestre alinhado com nossas expectativas em relação ao planejado para 2023.

A Wienbier fez um interessante movimento nos últimos anos, apostando em chopes em growlers PET nas gôndolas de supermercado. Como foi a aceitação do consumidor e qual o resultado de venda para vocês? Para 2024, a tendência da NewAge é seguir apostando neles?
Edison Nunes – Após a pandemia verificamos o aumento exponencial do consumo doméstico. Do “fique em casa”, se gerou o slogan “beba em casa”. Identificamos um nicho de mercado até então inexplorado pela indústria de bebidas, de oferecer chope pronto para beber na medida da sua sede, sem necessidade de locação de chopeira, gás CO2 e barril. É a bebida preferida em bares e restaurantes, agora pronta para se degustar em casa.

A chegada da Pabst causou certo alvoroço no mercado brasileiro. Passados quase quatro anos, como vocês avaliam a presença da marca no Brasil? E quais os planos para fortalecê-la ainda mais nos próximos anos?
Barbara Tobar – Conseguimos nesses quatro anos entender melhor o apetite e gosto do brasileiro pela American Lager. A marca tem a vantagem de ser uma cerveja original americana, o que também vem agradando muito ao público em geral. Trata-se de uma marca muito tradicional, desde 1844, com excelente exposição de marca fora do Brasil. Então, começando esse ano, aumentaremos as oportunidades de tasting do produto e mix de embalagens, como chope no growler PET 1,5 litro da Pabst, já  disponíveis nos supermercados espalhados pelo Brasil. Além disso, estamos com uma agenda bastante ousada para destacar a marca em públicos e eventos diferentes e incrementamos a linha de barril de chope 50 litros  aos produtos Pabst.

No final do ano passado, a Wienbier lançou uma versão sem carboidrato. Como a NewAge encara essa tendência de cervejas “saudáveis”? Há novos planos para esse nicho em 2024? E como avaliam os primeiros meses da Wienbier Ultra Leve no mercado?
Edison Nunes – Estamos sempre conectados nas novas tendência de mercado. Zero Carbo e Zero Glúten são diferenciais presentes na linha Wienbier de cervejas especiais.

De maneira geral, quais os planos da NewAge para 2024 no mercado cervejeiro? Quais serão as apostas e o foco principal de vocês?
Edison Nunes – Temos quatro estratégias principais: continuar atentos para novas tendências e ofertar produtos de qualidade reconhecida distribuídos em nossos parceiros supermercadistas; intensificar nossa distribuição de chope em growlers nas regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste do Brasil; foco no chope na medida da sua sede; e intensificar ainda mais a nossa presença no mercado dos países vizinhos da América Latina, onde hoje já estamos presentes no Paraguai e Bolívia.

Brasil Brau renova marca para reforçar conexão entre pilares do setor cervejeiro

0

Em preparação para sua próxima edição, a Brasil Brau passou por um processo de rebranding com o objetivo de refletir melhor o compromisso com o avanço da indústria cervejeira, evidenciada na apresentação de tecnologias, debates e oportunidades de negócios durante a feira, marcada para ocorrer de 11 a 13 de junho na São Paulo Expo.

O rebranding da marca Brasil Brau foi concebido para integrar os quatro pilares essenciais da indústria, representados no “B” da feira. Assim, a fusão entre campo, indústria, tecnologia e comércio está agora refletida na atualização da identidade visual.

Leia também – Produção de lúpulo pelo Brasil salta 203% e atinge 88 toneladas; veja números

“O principal foco do rebranding foi se modernizar conectando os 4 pilares da cadeia produtiva do mercado cervejeiro. Construímos uma nova identidade baseada na crescente evolução do segmento, unificando todo o ciclo desde o campo, indústria, tecnologia e comércio, formando o B como símbolo da Brasil Brau”, destaca a coordenadora de marketing da Brasil Brau, Laura Harvey.


O evento atrai, aproximadamente, 120 empresas e 8 mil visitantes profissionais, tendo se firmado como referência na cadeia produtiva da cerveja. Agora, com a nova identidade, reforça o compromisso de unir os elementos fundamentais do ciclo cervejeiro.

“O mercado cervejeiro precisa estar cada vez mais unido para seguir colhendo bons frutos e continuar em ascensão. Quando conectamos os 4 principais elementos deste ciclo, estamos reafirmando o compromisso que a Brasil Brau tem de reunir todo setor em um mesmo ambiente, apresentando a modernização de tecnologias, produtos e serviços assim como abordando temas atuais e tendências para o futuro nas áreas de conteúdo do evento”, acrescenta a coordenadora de marketing.

O que esperar
Em junho, a 17ª edição da Feira Internacional de Tecnologia em Cerveja também contará com o Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira (CBTEC), que reunirá palestrantes nacionais e internacionais. Potencializar o congresso é um dos principais focos da organização da feira em 2024, com os responsáveis pela Brasil Brau já trabalhando na definição das grades com os palestrantes, além de terem renovado o acordo para a curadoria do Instituto da Cerveja Brasil (ICB).

Outro pilar do evento será o Brewer Lounge, um espaço dedicado à exposição de conteúdo gratuito para o público. Profissionais do mercado se reunirão para apresentar os benefícios da aplicação de produtos, serviços e tecnologias em seus negócios.

Pesquisa realizada durante a última edição, em 2022, mostrou que a atualização sobre novos produtos e serviços foi o principal objetivo dos visitantes do evento, com equipamentos e processos para produção de cervejas sendo o setor que mais interessou aos participantes.

Balcão da Fabiana: Não é fácil perder um amigo nem abrir uma era cervejeira

Balcão da Fabiana: Não é fácil perder um amigo. Nem será fácil abrir uma nova era cervejeira

O ano de 2024 começou com uma paulada em nossas cabeças. Marco Falcone, ao qual tantos chamavam de “xamã da cerveja”, foi-se embora sem ao menos se despedir. Alçou voo, simplesmente, o falcão que tanto amava e divulgava cerveja. Com ele aprendi tantas coisas… Aliás, se não fosse por ele eu nem estaria aqui escrevendo esta coluna, ou apresentando há 15 anos a coluna Pão e Cerveja no rádio. Assim como a mim, Marco trouxe para dentro muitos dos que hoje atuam neste mercado, do qual nunca desistiu, nem desanimou. Ele acreditava no poder de crescimento do setor. Acreditava na força da história da humanidade entrelaçada à cerveja e nos rumos ao quais essa mesma história podia levar adiante a tão aclamada (por ele) cultura cervejeira.

Ao partir, Marco deixa uma lacuna profunda, que dificilmente poderá ser ocupada por alguém. A de defensor inflamado, apaixonado, pelo segmento cervejeiro do Brasil. Paixão, acima de tudo, era o que o movia. Nunca ouvi do Marco nenhuma expressão de interesse financeiro puro e simples relacionado à cerveja. Para ele era uma questão pessoal, vital, elevar o status da cerveja, coloca-la em patamar igual ao de outras bebidas consideradas gastronômicas. Marco tinha orgulho, vaidade mesmo, das cervejas que criou. Mas nunca o vi abrindo mão de seus ideais para fazer com que suas produções vendessem mais. Acho até que ele pode ter perdido o bonde da história de nosso mercado, como tantos o acusavam, deixando que a marca Falke Bier, um dia tão icônica, fosse lentamente esquecida pela nova geração cervejeira. Uma geração que chegou e encontrou todas as picadas abertas, muitas delas abertas por ele.

Confesso que me sinto deslocada neste mercado, do qual faço parte por um convite dele. Não será fácil continuar pensando, agindo e atuando da mesma forma no segmento que ele me apresentou, para o qual me abriu tantas portas. Um segmento que ele ajudou a construir, firmar e expandir.

Sei que ciclos se fecham para que outros se abram. E não seria diferente com o nosso setor. O que não sei ainda é como estar inserida no novo ciclo que surge, quando uma das poucas certezas, que eu julgava permanente, se vai. É muito duro perder um amigo. É muito triste perder um mestre. É difícil encarar que o semeador não ficou por aqui para colher os frutos do que plantou.


Fabiana Arreguy é jornalista e beer sommelière formada em 2010, pela primeira turma da Doemens no Brasil, através do Senac SP. Produz e apresenta, desde 2009, a coluna de rádio Pão e Cerveja, sendo editora de site com o mesmo nome e autora de livros. É curadora de conteúdo, consultora de cervejas especiais, proprietária da loja De Birra Armazém Cervejeiro, além de professora do Science of Beer Institute e do Senac MG, assim como juíza dos principais concursos cervejeiros brasileiros e internacionais.

Menu Degustação: 26 cervejarias se unem para celebrar a atuação feminina

0

A Dádiva vai liderar a celebração do empreendedorismo feminino no setor cervejeiro com um evento na semana do Dia Internacional da Mulher. A iniciativa é parte do projeto “Criado por Elas, Liderados por Elas”, envolvendo 26 cervejarias lideradas por mulheres e ocorrerá em 9 de março no Greta Galpão, em São Paulo. Além disso, todas as participantes vão lançar uma cerveja especial no mês de março.

Para os mais ansiosos, o fim de semana reserva outras atrações cervejeiras, como o lançamento da Belgian Blonde Ale pela Cervejaria Filosofia em Santo André (SP) neste sábado. E se a saudade do carnaval já bateu, um evento apoiado pela Krug Bier em Belo Horizonte contará com a apresentação de vários blocos.

Leia também – 33 cursos cervejeiros para aprimorar o conhecimento no 1º semestre de 2024

Confira essas e outras novidades do setor cervejeiro no Menu Degustação do Guia:

União entre cervejarias lideradas por mulheres
A Dádiva, liderada por Luiza Lugli Tolosa, está promovendo o projeto “Criado por Elas, Liderado por Elas” em parceria com outras 26 cervejarias brasileiras fundadas ou comandadas por mulheres. O evento será realizado em 9 de março, no Greta Galpão, em São Paulo, apresentando cervejas especiais lançadas pelas participantes. A iniciativa destaca a força do empreendedorismo feminino e a diversidade de talentos no meio cervejeiro. Cada marca lançará uma cerveja especial em março. O evento contará com música, comida, vinhos selecionados e será um ambiente inclusivo para celebrar as diversas trajetórias das mulheres cervejeiras. Os ingressos podem ser adquiridos no link.

As 26 cervejarias participantes são: Araucária (Maringá/PR), Armazém 77 (São Paulo/SP), Birrificio Club (João Pessoa/PB), Brewstone (Fortaleza/CE), Colombina (Aparecida de Goiás/GO), Dádiva (Várzea Paulista/SP), Dalla (Cordilheira Alta/SC), DaLuz (Porto Alegre/RS), Dona (São Luís/MA), Duas Irmãs (São Paulo/SP), Hop Bros (Maceió/AL), Japas (São Paulo/SP), Maltês Craft Beer (Florianópolis/SC), Maltesa (Ribeirão Preto/SP), Masterpiece (Niterói/RJ), Moondri (Curitiba/PR), Nefasta (São José/SC), Noi (Niterói/RJ), Oripacha (Morro Reuter/RS), Proa (Salvador/BA), Ruera (Campinas/SP), Serafina (Belo Horizonte/MG), Tank (São Paulo/SP), Torneira (São Paulo/SP), Zalaz (Paraisópolis/MG) e Zapata (Viamão/RS).

Evento de lançamento
A Cervejaria Filosofia promove o lançamento de sua primeira Belgian Blonde Ale, intitulada “Amor Líquido”, neste sábado (24), a partir das 15h, na Cervejaria Buriti, em Santo André. Os participantes terão a oportunidade de adquirir qualquer chope da Filosofia, incluindo as receitas West Coast IPA, New England IPA e a recém-lançada Belgian Blonde Ale. Além disso, ganharão uma porção de joelho de porco para harmonizar com os sabores maltados e o frescor dos lúpulos especiais da escola belga. O evento contará ainda com o show da banda MojoBox, que apresentará grandes sucessos do rock.

Ressaca de carnaval
A animação do Carnaval de Belo Horizonte continua com a Ressaca de Carnaval, marcada para este sábado (24), na Serraria Souza Pinto, apresentada pela Krug Bier. A festa promete reunir blocos da cidade em um espaço coberto, com destaque para a presença de Baianas Ozadas, Funk You, Beiço do Wando e Bloco Besourinhos. Com DJs Kriok e Vini Brownn nos intervalos, a festa terá uma megaestrutura de bares, área de alimentação com food trucks e banheiros. Os ingressos estão disponíveis no site oficial, e a celebração vai das 16h à meia-noite.

Lote promocional
O Festival Brasileiro da Cerveja, que acontecerá na Vila Germânica, em Blumenau (SC), de 7 a 9 de março, oferece um lote promocional de ingressos até a próxima quinta-feira (29). Além de mais de 90 cervejarias, o evento deste ano destaca-se pela ênfase na gastronomia e pela realização paralela do SC Gourmet. A programação musical inclui atrações variadas, como Raimundos, Chimaruts e Velhas Virgens.

Tour da Bud
A Budweiser lançou a “Bud Tour”, uma iniciativa que oferece aos fãs brasileiros a chance de irem a grandes eventos de música ao redor do mundo. Os participantes concorrem a viagens com tudo pago para o Tomorrowland na Bélgica, Lollapalooza Chicago e MTV VMA, em Nova York. A ação, válida até 30 de maio, envolve sorteios sequenciais e prêmios instantâneos, como vouchers e assinaturas de Spotify Premium. Os contemplados desfrutarão de passagens, hospedagem exclusiva no Bud Hotel, estilista próprio e acessos VIP aos bastidores dos eventos. O lançamento faz parte da primeira campanha de 2024 da marca.

Música eletrônica com Heineken
A Heineken é a cerveja oficial do Afterlife São Paulo, uma das maiores festas eletrônicas do mundo, que ocorrerá no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, neste sábado (24). Patrocinando o evento, a Heineken busca promover festivais com abordagem sustentável e redução de impactos, alinhado à sua plataforma Green Your City. Com ações como o Meu Copo Eco Heineken para incentivar a reutilização de copos, a marca busca cumprir metas de circularidade e sustentabilidade, como 80% das embalagens de vidro retornáveis até 2030.

Black Princess no Rio Open
A Black Princess é a cerveja oficial da 10ª edição do Rio Open, o maior torneio de tênis da América do Sul, que ocorre até domingo (25), no Jockey Club Brasileiro. A marca está presente em três bares do evento, oferecendo aos espectadores a oportunidade de degustar a cerveja Black Princess Gold. Além disso, no espaço Corcovado Club, durante as finais, os convidados poderão apreciar a versão Chopp IPA Black Princess. A marca também promove ações nos aeroportos Santos Dumont e do Galeão, proporcionando degustações gratuitas da Black Princess Gold.

59 mil litros de água
Durante o carnaval, a Ambev distribuiu mais de 59 mil litros de água em iniciativas lideradas pelas marcas Água AMA, Zé Delivery, Beats e Brahma em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. A Brahma realizou treinamentos sobre consumo responsável, incentivando a venda de água e a importância de alternar o consumo alcoólico com a ingestão de água. A Beats, durante os Ensaios da Anitta e no carnaval de Salvador, ofereceu água fresca aos foliões, incentivando a responsabilidade na celebração. No carnaval carioca, em parceria com a 99, a Beats promoveu a moderação entre os blocos, distribuindo Água AMA. Em São Paulo, a Kombi AMA no Parque do Ibirapuera trocou água por latinhas vazias. A cidade também recebeu novos bebedouros, disponíveis durante o carnaval. A ação expandiu-se para diversos pontos estratégicos da cidade, incluindo praças, largos e terminais de ônibus, em parceria com a Prefeitura e Sabesp.

Itaipava no Piseiro
A Itaipava foi a patrocinadora oficial do Trio do Pizro, um projeto que destacou a sonoridade autêntica do piseiro no carnaval de São Paulo. O trio, composto pelos artistas nordestinos João Gomes, Tarcísio do Acordeon e Vitor Fernandes, participou de um esquenta com Itaipava e influenciadores da marca antes de se apresentar pela Avenida Faria Lima. O piseiro ganhou destaque no evento que reuniu cerca de 150 mil pessoas. O evento contou com brindes de Itaipava para animar o público, e a atriz Flávia Viana registrou os bastidores do trio nas redes sociais da marca.

Desfile da Amstel
No último sábado (17), a Amstel, patrocinadora oficial do carnaval de São Paulo, realizou uma ação especial no Sambódromo do Anhembi, abrindo o desfile das campeãs com a Ala Amstel. A ala, composta por mais de 200 pessoas de diversas escolas de samba do Grupo Especial, homenageou aqueles que se dedicam o ano inteiro para fazer o carnaval acontecer. A iniciativa foi uma continuação da pesquisa “I Am Carnaval”, em parceria com o Datafolha, que destaca o perfil das pessoas que contribuem para o carnaval paulista, desde produção até direção, foliões e artistas. O desfile contou com um samba-enredo intitulado “I Amstel – O Sabor Incomparável Somos Nós”, criado por Thiago Meiners e Claudio Mattos, vencedores de concursos de samba-enredo e compositores da Unidos da Viradouro, escola campeã de 2024 no Rio de Janeiro. A Bateria Inclusiva, formada por pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, e comandada pelo ex-mestre de bateria da Pérola Negra, Mestre Bola, também participou da ala especial.

Negócios Internacionais
A ApexBrasil oferece oportunidades para empresas de alimentos e bebidas realizarem negócios internacionais na Anuga Select Brazil, de 9 a 11 de abril, e na Apas Show, de 13 a 16 de maio, ambas em São Paulo. As inscrições para participar das rodadas de negócios estão abertas até a próxima sexta-feira (1º). A ApexBrasil visa impulsionar as vendas internacionais, conectando empresas brasileiras a compradores estrangeiros por meio de reuniões de negócios durante esses eventos. O regulamento completo pode ser acessado no site da ApexBrasil.

80% das cervejarias admitem dificuldade para atingir metas; veja soluções

0

80% das cervejarias admitem dificuldade para atingir metas; veja soluções

A tarefa de se destacar no mercado e atingir metas representa um desafio significativo para 8 em cada 10 cervejarias, segundo revelado pela pesquisa “Principais Desafios do Mercado Cervejeiro no Brasil“, conduzida pelo Guia da Cerveja e disponível neste link. Além disso, apenas 3% dos empreendimentos afirmam que essa não é uma dificuldade em seu segmento.

A complexidade em destacar-se no mercado é um desafio com impacto considerável para 41% das cervejarias e moderado para 39% dos participantes do levantamento. Outros 17% indicam que o problema possui um impacto baixo.

A região Sul, a segunda com maior número de cervejarias registradas no país, destaca-se como aquela com o índice mais elevado de estabelecimentos enfrentando dificuldades para se destacar e atingir metas. Nela, 59% das respondentes consideram isso como um impacto significativo.

Superando o desafio: estratégias adotadas pelas cervejarias

Quando questionadas sobre como lidam com esse desafio e buscam conquistar mais espaço no mercado, as cervejarias mencionam a busca por parcerias com bares, restaurantes e eventos como a saída mais comum, representando 44% das respostas. Esse número inclui 70% das cervejarias da região Centro-Oeste.

Explorar novos mercados e expandir a atuação geográfica é a estratégia preferida por 30% das cervejarias, sendo esse índice mais expressivo, de 58%, entre as pequenas cervejarias, que, teoricamente, estão mais bem estruturadas para atingir públicos mais distantes.

Além disso, no universo de todas as cervejarias, 15% das participantes apontam a realização de campanhas de marketing mais assertivas como a principal estratégia na busca por se destacar no mercado cervejeiro.

Sobre a pesquisa
A pesquisa “Principais Desafios do Mercado Cervejeiro no Brasil” é um estudo quantitativo conduzido por meio de questionário online, com respostas coletadas em setembro de 2023. O estudo contou com a participação de 129 proprietários ou administradores de cervejarias em todas as cinco regiões do país.

Entrevista: “Queremos nos posicionar como referência em cerveja craft no Brasil”

0

Ser referência em cerveja artesanal no mercado nacional. É com esse objetivo em mente que a Companhia Brasileira de Cerveja Artesanal (CBCA) atua e planeja o seu futuro, tendo a Schornstein como carro-chefe entre as suas marcas, produzidas em duas fábricas, nas cidades de Itupeva (SP) e Pomerode (SC).

Essa meta ambiciosa foi revelada Guia pelo CEO da CBCA, Gustavo Barreira, que relata inspiração em marcas de um mercado bem mais desenvolvido do que o brasileiro, o dos Estados Unidos, onde Sierra Nevada e Samuel Adams, entre outras, dividem espaço com grandes grupos cervejeiros sem perder a aura de cervejas artesanais.

É com essa expectativa que a CBCA busca se posicionar no mercado, tentando atrair uma parcela do consumidor de cervejas especiais dos grupos cervejeiros que pode trocá-las por marcas artesanais, como a Schornstein, também ajudando a ampliar o mercado desse tipo de produto, ainda reduzido no país.

Os planos e estratégias – assim como os desafios – para alcançar esse estágio no mercado foram alguns dos temas abordados pelo Guia em uma extensa entrevista com o CEO da CBCA. Nela, ele relata planos para 2024, como a oferta de títulos da empresa para investidores privados, assim como revisa passos do passado recente. Entre eles, a decisão de fechar a fábrica de Piracicaba (SP), assim como os primeiros resultados alcançados a partir da união com a Startup Brewing.

Leia também – Consumo de alcoólicas nas casas representa mais de 40% do mercado

Confira a entrevista do Guia com o CEO da CBCA, Gustavo Barreira:

Como foi o ano de 2023 para a CBCA? Foi um ano de crescimento? Em sua visão, o que impulsionou os resultados?
Foi o primeiro ano na CBCA sem nenhuma grande novidade, movimento, aquisição ou incidente. Foi o ano em que o barco que estávamos construindo entrou na água. Foi um ano em que devemos crescer o faturamento em 30%, nos aproximando dos R$ 70 milhões. Houve evolução na capacidade produtiva, teve o movimento de concentrar a produção em Itupeva e Pomerode, com o desligamento da fábrica em Piracicaba.  Foi um ano em que procuramos olhar mais para dentro e corrigir ineficiências que essa sequência de movimentos que fizemos trouxeram. Um ano de correção de processos, treinamento de pessoas e arrumação de casa.

Esse crescimento de 30% é relevante, mas também traz desafios para a CBCA. Quais vocês encararam nesse processo de expansão?
Foram vários desafios internos. Viemos de uma sequência de expansão: em 2021, crescemos 60%. Depois, 58% em 2022 e, agora, estamos crescendo 30%. Esse crescimento é bom, mas vem com desafios que acabam deixando cicatrizes no meio do caminho. Os desafios sempre envolvem o tripé pessoas, processos e sistemas. Precisamos ter pessoas boas na frente da CBCA e que já estejam no próximo nível que pretendemos alcançar. Tivemos de trazer gente boa e formar um time de primeira linha. Cada movimento trouxe um sistema diferente para dentro da CBCA. Então, tivemos um desafio em 2022, que se finalizou em 2023, que era a unificação dos sistemas, trabalhar todas as unidades num único sistema, que é o SAP.

E tem os processos, porque as fábricas têm de fabricar o mesmo produto. É o momento de padronização, de implementação de alguns pontos de controle, para dar uma sustentação ao crescimento, se não o crescimento vem de uma maneira desorganizada. E tivemos alguns problemas ao longo do caminho por imaturidades. Nós trouxemos a Deloitte, que fez um trabalho de mapeamento de processos, mostrando quais são os pontos mais críticos que temos de trabalhar. E isso já está em andamento.

Qual é o papel da Schornstein nesse crescimento da CBCA?
A Schornstein é o carro-chefe, representa 70% das vendas da CBCA, é a marca mais antiga, tem expressão nacional, uma curva de entendimento mais rápida e ganha mais visibilidade na Oktoberfest e na Festa Pomerana. É uma marca na qual apostamos em uma estratégia nacional, um crescimento em espiral, fortalecendo muito em Santa Catarina, que é o berço dela. A partir disso, começa a irradiar para os outros estados, como Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Expandir o mercado e até concorrer com marcas premium das grandes cervejas têm sido um foco da CBCA com a Schornstein?
Esse é um tema que temos de tratar com muito cuidado, por algumas razões. A precificação entra como uma estratégia de entrada, mas a nossa ideia é fazer uma adaptação pegando alguns rótulos de marcas de grande porte como referência de price index. Queremos estar numa faixa de preço muito parecida com a Eisenbahn, que consideramos ser a melhor referência por uma série de similaridades: é de Blumenau, a Schornstein, de Pomerode. São pioneiras no segmento de artesanais, a Eisenbahn é até mais antiga. Ela não é, mas se comunica como uma artesanal, e nós de fato somos uma craft. O nosso movimento caminha para que nos aproximemos do nível de precificação da Eisenbahn. Temos de lembrar que a Schornstein é uma cerveja craft, é artesanal, não somos premium. Nós estamos na ponta de cima da pirâmide. Então, nosso posicionamento tem que ser de artesanal.

Como a Schornstein busca transmitir essa mensagem de ser uma marca artesanal?
Acho fundamental, sou muito focado em não perder a aura craft. Miramos muito, como exemplo, no mercado americano. Eles têm quase 10 mil cervejarias, com algumas poucas que conseguiram furar a bolha do artesanal tradicional e que continuam sendo percebidas como artesanais, mas já com uma expressão nacional e às vezes até internacional, como Samuel Adams e Sierra Nevada, mas estão longe de serem parte dos grandes grupos ou de se tornarem uma grande cervejaria. No Brasil, não vemos nenhuma cervejaria artesanal que tenha esse tipo de posicionamento, que seja percebida no nível nacional, ainda que algumas tenham chegado perto disso, como a Backer e a Santa Catarina, com a Coruja e a Saint Bier. Elas cresceram, chegaram e, por razões diversas, voltaram. Queremos nos posicionar como um player de referência em cerveja craft no Brasil. E que isso sirva também de exemplo, trazendo outros, com mais gente provocando o público a mudar o padrão de consumo. E aí a cultura craft se fortalece com o crescimento de várias cervejarias.

Você citou várias cervejarias craft que são exemplos de sucesso nos Estados Unidos, assim como de marcas brasileiras que buscaram alcançar o status que a CBCA almeja. O que vocês tiram desses casos na busca pelos seus seus objetivos?
No Brasil, existe uma dificuldade de precificação. Conforme você vai crescendo, vai começando a acessar canais em que você não é mais só regional e há um outro tipo de relacionamento, como com os supermercados. Você tem de aprender a lidar e começar a trazer profissionais que sabem trabalhar questões de precificação, de estratégia de estímulo à venda, a concorrência com os grandes players, que acaba acontecendo na gôndola do supermercado. Saber como lidar com isso e entender que nós somos pequenos, que nossa ideia não é bater de frente com os grandes. E muita coisa, infelizmente, aprendemos na prática, como a precificação que chegamos a adotar em Santa Catarina e o que nos levou a decidir pelo fechamento da unidade de Piracicaba.

A CBCA não é só a Schornstein, tanto que as outras marcas representam 30% das suas vendas. Como vocês estão lidando com essas marcas?
A Seasons é o nosso produto high-end para compor o portfólio, tem 5% do nosso faturamento. Nunca vai passar muito disso, porque é o lugar onde a marca se posiciona, é o tamanho desse público. E atuamos como se ela tivesse uma fábrica dentro da CBCA. Nos seus fermentadores, a inovação está liberada.

A Leuven tem a história mais interessante, mas menos linear de todas as marcas. Nasceu em 2010, com quatro produtos. Em 2015, quando chegamos na sociedade, com a reinvenção da marca, passou por mudança de rótulo, veio a pegada dos personagens e da realidade aumentada. Teve a fábrica, depois fechou. Ela representa a luta que é o segmento de cerveja artesanal. É uma marca que fala muito bem na cidade de São Paulo e no interior de São Paulo, principalmente, com potencial de crescimento.

A Unicorn é uma gratíssima surpresa, veio junto com o pacote da Startup. Tem uma penetração e um nível de aceitação na cidade de São Paulo altíssimo, com um produto, a NEIPA, que é o seu carro-chefe, como uma relação custo-benefício sensacional. Representa 10% das vendas da CBCA. Enxergamos com potencial de ganhar uma escalabilidade de nível nacional, pois tem uma linguagem fácil, é uma marca também de fácil entendimento e com um portfólio de estilos que são os mais vendidos, tendo uma conexão legal com o público.

Há cerca de um ano e meio, a CBCA passou por uma união com a Startup Brewing, assumindo a fábrica de Itupeva e a própria Unicorn. Quais são os resultados desse processo? A união deu certo?
Foi uma decisão muito acertada, porque é uma infraestrutura muito boa, de fábrica, de capacidade produtiva e de expansão. Quando assumimos a fábrica, fizemos alguns ajustes. A fábrica era um misto entre um local de eventos e uma fábrica de cerveja, com capacidade de produção em torno de 100 mil litros por mês. E optamos por torná-la uma fábrica sem eventos. Mudamos o perfil da unidade, colocando mais pasteurização e fermentadores, e elevamos a capacidade para 250 mil litros. O plano é chegar a 400 mil litros. Ela está geograficamente muito bem posicionada, a meia hora de São Paulo, ao lado de Campinas e a 40 minutos de Piracicaba.

Em 2023, vocês decidiram fechar a fábrica de Piracicaba. Como foi esse processo e o que motivou a CBCA a fazê-lo?
Foi uma decisão muito difícil, bem complexa. Tínhamos de um lado o que a fábrica representa para a Leuven e Piracicaba. Mas, ao mesmo tempo, a chegada da Startup trouxe um olhar diferente para dentro da CBCA. Então, olhamos e comparamos números. E percebemos que a fábrica de Piracicaba já não era suficiente para produzir a Leuven. Além disso, ela foi uma adaptação em um imóvel. Então, não era de fácil operação, trazia questões de complexidade. E sendo uma fábrica de 80 mil a 90 mil litros, a tornava ineficiente, era quase 3 vezes mais caro produzir lá do que nas outras. Então, veio a conjunção disso com o fato de que as outras unidades conseguiriam absorver essa capacidade. E isso tornou a decisão dura, emocionalmente complexa, mas óbvia. Foram 8 a 9 meses de estudo, mas foi uma decisão racional.

Qual é a sua avaliação sobre o ano de 2023 no mercado brasileiro de cervejas artesanais?
Em um setor com poucas marcas nacionais, as variáveis locais acabam influenciando na avaliação. Em Santa Catarina, um mercado maduro, mas que depende de datas específicas, como a Oktoberfest, vimos um sofrimento expressivo com o excesso de chuvas, com cancelamentos de eventos. Então, as cervejarias foram duramente impactadas. Em São Paulo, vejo uma cena mais aquecida, com 2023 sendo um ano de retorno, de mais movimentação e eventos, com a volta das ciganas à cena. De maneira geral, vejo cervejarias se reposicionando, seja com parcerias, redesenhando o portfólio ou mesmo redefinindo seus tamanhos. Mas todas com uma dificuldade em comum: o acesso ao capital de giro, pois o dinheiro está caro e escasso.

As mudanças climáticas podem ser um novo fator a afetar as cervejarias?
Nós, seres humanos, estabelecemos e buscamos padrões a partir do que se observou ao longo de milhares de anos, para tentar prever o que vai ser no futuro. Só que não combinamos esse jogo com a natureza, que é extremamente volátil. Então, temos que calibrar um pouco as nossas expectativas. Não acho que isso seja uma complexidade para gerirmos, é parte do jogo, temos de lidar com isso. Precisamos ter uma estratégia de diversificação de canais. Não só depender de eventos, pois se o ano é chuvoso, você perde. Se você depende dos supermercados e pega um ano que não chove nada e está todo mundo na praia, você perde. Você tem que estar no digital, no offline, no evento.  Tem que estar em tudo.

Como você disse, 2023 não foi um ano de grandes movimentos para a CBCA. Isso muda para 2024? Quais são os planos da CBCA?
É um ano ainda de crescimento orgânico. O nosso plano é chegar a R$ 250 milhões de faturamento em 5 anos, multiplicando o que temos hoje em 3,5 vezes. Para isso, precisamos crescer 20% ao ano, em média, além de uma aquisição que traga o faturamento adicional de R$ 30 milhões a R$ 40 milhões, e que seja passível de expansão. Não vejo essa aquisição acontecendo em 2024, as prioridades são outras. Pretendemos lançar em março uma rodada de captação pública, algo que fizemos em 2017, 2018 e 2019 com a Leuven. Vamos fazer por meio de uma plataforma de equity crowdfunding. Esse é o grande movimento que devemos fazer em 2024, captando recursos para essa expansão orgânica que precisamos.

Em sua opinião, quais são as perspectivas para o mercado cervejeiro em 2024?
Acho que vai haver uma retomada, uma reaceleração do mercado, ainda muito focada no on-trade, em bares especializados. Não acho que será um ano em que as marcas vão ganhar visibilidade no off-trade, onde as marcas das grandes cervejarias vão dominar e abocanhar o crescimento que o mercado craft tem, assim como acontece hoje. Vejo um retorno já com um pouco mais de relevância do mercado das ciganas, assim como da procura pelo conhecimento cervejeiro, com as pessoas buscando saber mais sobre cerveja. Em termos de perfil de consumo, vejo uma migração, com um retorno às bases, com o pessoal voltando para Lagers e produtos de entrada. O high-end está presente, com os seus 3%, 4% de mercado de craft. Mas a grande base se volta para os produtos de entrada ou migrando das premium para as crafts de entrada. Vejo com otimismo, com um crescimento de 25% do mercado de artesanais.

Turatti adquire 5Elementos e busca se firmar como referência no Nordeste

0

O Grupo Turatti realizou nova aquisição no Ceará e agora mira novos mercados, buscando se consolidar como referência no Nordeste. A companhia comprou a Cervejaria 5Elementos em transação estimada em R$ 1,1 milhão. Pelo negócio, irá assumir a marca, assim como todas as receitas da microcervejaria de Fortaleza.

Esta é a segunda aquisição realizada em menos de um ano pelo Grupo Turatti, que, em julho de 2023, fechou um acordo com a Capitosa, alugando sua fábrica e adquirindo todos os equipamentos. De acordo com o proprietário do Grupo Turatti, Lissandro Turatti, o negócio com a 5Elementos reforça o seu status “como líder no ramo cervejeiro no Nordeste”.

Leia também – Malteria Blumenau encerra atividades e cita desafios de atuar em pequena escala

Ao Guia, Turatti revelou que a companhia pretende dar sequência ao seu projeto de expansão com mais uma aquisição, essa fora do seu estado. “Estamos conversando com uma cervejaria de fora do Ceará, para nos consolidarmos como a maior do Nordeste em volume e produtos”, diz.

Ao anunciar a aquisição, o Grupo Turatti assegurou que as cervejas da 5Elementos, como Davi & Golias, Abyssal, Hop Madness e a linha Reserve, continuarão sendo fabricadas. Além disso, o processo de produção será supervisionado pelo mestre-cervejeiro Wellington Alves, que atuará em conjunto com Marcos Guerra, que desempenha a mesma função no Grupo Turatti.

“Em julho do ano passado, adquirimos a estrutura da cervejaria artesanal Capitosa e agora, com a compra da 5Elementos, estamos nos consolidando ainda mais como líderes no ramo cervejeiro no Nordeste. Nos próximos 24 meses, planejamos desenvolver novas cervejas, aproveitando a criatividade e a expertise da equipe da 5 Elementos para expandir ainda mais nosso portfólio e atender às demandas de um mercado em constante evolução”, explica o proprietário do Grupo Turatti.

Fundada em 2016, a 5Elementos ganhou destaque ao longo dos anos, conquistando vários prêmios e produzindo cervejas com teor alcoólico mais elevado. E sua aquisição trará novos estilos para o portfólio do Grupo Turatti. “A 5Elementos compõe um nicho em que não atuávamos, de cervejas high-end, com produtos mais elaborados, que utilizam barris de carvalho em sua produção”, comenta.

Criado em 1999 em Florianópolis, o Grupo Turatti é uma marca tradicional que se transferiu para o Ceará em 2002, sendo a primeira cervejaria artesanal de Fortaleza. Agora, também está nos planos do seu proprietário alcançar mercados fora do Nordeste.

“Com a 5Elementos que é bastante conhecida no Sudeste e no Sul, a gente já entra no mercado mais forte. E nos próximos meses iremos fazer um collab com uma cervejaria de São Paulo e da Bélgica. O produto será vendido na Bélgica e aqui”, revela o proprietário da companhia.