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Cevada brasileira deve bater recorde de produção em 2025

A produção de cevada brasileira deve bater recorde esse ano com 516,5 mil toneladas, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Apesar disso, o Brasil ainda é muito deficitário quando se trata de cevada e malte para fazer cerveja. O país é o terceiro maior produtor da bebida do mundo e para sustentar tamanha produção, ainda dependemos fortemente da importação de insumos. Essa dependência sempre foi um dos grandes desafios do mercado cervejeiro nacional, mas os últimos anos mostram sinais de mudança.

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Dados apresentados por Jeferson Caus, superintendente de Negócios da Cooperativa Agrária Agroindustrial, durante o painel “A Indústria da cerveja no Brasil: investimentos, tecnologias e o futuro pelo campo”, no Congresso “Do Grão ao Gole”, dão a dimensão da necessidade. Para dar conta da produção anual de 157.276.363 hectolitros de cerveja, o Brasil precisaria de 1.933.950 toneladas de malte, e o que produzimos por aqui são 955 mil toneladas, ou seja, um deficit de 978,95 mil toneladas. De cevada, importamos no último ano 922,5 mil toneladas, correspondendo a 77,31% da nossa necessidade.

Embora o Brasil ainda esteja muito distante da autossuficiência, a produção de cevada e malte no país vem crescendo de forma consistente. Os dados do Conab dão conta de que em 2022 registramos um recorde histórico de produção de cevada: 498,1 mil toneladas. No ano seguinte, houve uma queda para 391 mil toneladas, mas em 2024 o volume voltou a subir, alcançando 438,4 mil toneladas. Para este ano, as projeções indicam um esse novo recorde de 516,5 mil toneladas.

Produção de cevada e malte no Sul

Esse avanço é puxado especialmente pelo Paraná, maior produtor de cevada do país e sede das principais maltarias brasileiras. Em junho de 2024, o estado ganhou um reforço de peso: a inauguração da Maltaria Campos Gerais, em Ponta Grossa. O empreendimento, fruto de um investimento de R$ 1,6 bilhão das cooperativas Agrária, Frísia, Castrolanda, Capal, Bom Jesus e Coopagrícola, tem capacidade para produzir 240 mil toneladas de malte por ano. A Agrária assumiu a operação da planta, enquanto as demais cooperativas atuam junto aos produtores rurais no cultivo da cevada que abastece a indústria.

A nova maltaria ampliou de forma significativa a capacidade de malteação no estado e hoje atende exclusivamente a Heineken e a Ambev. Na inauguração, o secretário da Fazenda do Paraná, Norberto Ortigara, destacou a importância do projeto. “Hoje gastamos muito dinheiro importando malte, porque o mercado cervejeiro do Brasil é gigante e está em crescimento. Por isso é importante esse investimento das cooperativas, que fizeram esse grande empreendimento para absorver parte importante desse mercado.”

Apesar de um projeto de expansão ter sido anunciado no lançamento, que poderia dobrar a capacidade da unidade, a Agrária esclareceu que este primeiro ano de funcionamento está sendo voltado à consolidação das operações. O foco atual é incentivar o cultivo da cevada por meio do trabalho técnico das cooperativas parceiras, orientadas pelas pesquisas da FAPA (Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária) e da Fundação ABC. O objetivo é identificar as cultivares mais adaptadas às condições locais e difundir boas práticas de manejo nas lavouras.

Desafios para seguir crescendo

Para que o Brasil avance ainda mais na produção de cevada, é preciso superar alguns obstáculos. Aloísio Vilarinho, agrônomo e pesquisador da Embrapa Trigo, lembra que questões climáticas e logísticas limitam atualmente uma maior expansão. “No Rio Grande do Sul, onde há terras disponíveis e agricultores interessados no cultivo, questões como o excesso de chuvas podem comprometer a qualidade do grão. Já no Cerrado, as condições climáticas são muito boas, mas as áreas já estão ocupadas por culturas mais rentáveis, como milho, cebola e cenoura”, explica.

“Aumentar a capacidade das maltarias gera riqueza e empregos aqui no país”

Aloísio Vilarinho, agrônomo e pesquisador da Embrapa Trigo

Além disso, a concentração das maltarias na região Sul dificulta a logística do cultivo em outras partes do país. “Uma produção pequena de cevada em outra região não viabilizaria a construção de uma maltaria próxima, e as que estão no Sul preferem importar de países vizinhos do que transportar de longe, com custos altos e menos controle sobre a produção”, observa o pesquisador. Esse fator ajuda a explicar por que grande parte da cevada importada pelo Brasil vem da Argentina.

Apesar do desafio de expandir a produção de cevada em solo nacional, o pesquisador destaca a importância do crescimento recente e, especialmente, a guinada na capacidade de produção nacional de malte. “A medida que os programas de melhoramento crescem, a tendência é de que as cultivares nacionais se tornem cada vez melhores e mais adaptadas, com mais qualidade para malteação. Além disso, aumentar a capacidade das maltarias gera riqueza e empregos aqui no país”, explica. 

Invalidação de vozes negras no campo da identidade brasileira no meio da cerveja artesanal

O sociólogo francês Pierre Bourdieu foi categórico em afirmar que o gosto é socialmente construído. Para o pensador social, a cultura, o meio, as experiências socioambientais, estilos de vida, e classe social moldam o gosto e formulam os códigos, que podem incluir ou excluir as pessoas dentro de determinada sociedade.

O antropólogo brasileiro Michel Alcoforado também se insere nessa discussão, acolhendo em partes o pensamento bourdiesiano. Alcoforado traz um elemento importantíssimo. No que tange à análise da sociedade brasileira, a raça é um fator preponderante nos marcadores da diferença.

Neste ponto, o antropólogo brasileiro não está só. Ele divide o mesmo pensamento com teóricos como Sueli Carneiro, Lélia Gonzales, Beatriz Nascimento, Nego Bispo e Kabengele Munanga, por exemplo.    

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Esse introito é para dar início à nossa conversa acerca da negação dos saberes e sabores brasileiros no campo da cerveja artesanal. E esse diálogo é motivado por um vídeo recentemente publicado na rede social da filial da cervejaria Brooklyn no Brasil. Nele, Garret Oliver, um dos maiores mestres cervejeiros do mundo, considerado o “papa” da harmonização, e afroamericano baseado em Nova York, diz amar a culinária brasileira. Sobretudo a “moqueca e o mocotó”, dois pratos ligados a diáspora negra. Eles foram introduzidos na culinária do país por descendentes de escravizados e tem origens que remontam ao período colonial. 

A moqueca, segundo o pesquisador Nei Lopes, é um guisado ou caldeirada de peixe, camarões ou carne, que faz parte da culinária afro-brasileira. A origem do vocábulo é de Angola, país que se localiza no Sul do continente africano.

Por sua vez, o mocotó é uma iguaria muito comum na culinária do nosso país, com sua origem marcada na África. Um prato também fruto da diáspora negra, que remonta à Angola e foi introduzido no Brasil com os negros escravizados. A palavra “mocotó” tem origem na língua Quimbundo, segundo o pesquisador Nei Lopes. 

O elogio de Garret à culinária brasileira, sobretudo aos pratos acima mencionados, me trouxe à lembrança memórias recentes, de quando comecei a praticar harmonização, pareamento entre cerveja e comida, em 2018. Eu era constantemente interpelada por pessoas do meio cervejeiro que denominavam como exóticos os pareamentos feitos por mim com comidas tipicamente brasileiras.  Para essas pessoas, o glamour da cozinha estava em ofertar experiências com a culinária internacional. E, no entendimento delas, a brasileira estava nesse grupo. 

Ou seja, os saberes e sabores nacionais não seriam aptos a acolher o paladar exigente de quem frequentava a alta gastronomia. E isso me incomodava muito. Para mim, a nossa culinária tem uma riqueza inimaginável e abraça lindamente os sabores que a cerveja artesanal entrega.

Antes mesmo dos generosos e fartos elogios de Garret aos nossos pratos, Randy Mosher, especialista cultuado no campo da cerveja artesanal, teceu fatos elogios à culinária brasileira em 2020, bem como ao vasto terroir vocalizado na nossa fauna e flora. Segundo ele, o Brasil e a América Latina seriam o futuro da cerveja artesanal pelo rico bioma que possuem.

Faço coro a Oliver e Mosher, até porque a gastronomia nacional brasileira é riquíssima e cheia de elementos afro-indígenas, além de muito versátil. Chefs e cozinheiras negras vem fazendo esses apontamentos há bastante tempo. Contudo, não eram ouvidas ou valorizadas. No livro “Um Pé na Cozinha — um olhar sócio-histórico para o trabalho de cozinheiras negras no Brasil” a pesquisadora e antropóloga Taís Machado já nos advertia sobre esse aspecto da negação dos saberes produzidos por corpos racializados.

Voltando ao campo da cerveja artesanal, nos dias atuas, mais precisamente depois dos episódios de 2020, muitas pessoas do mercado se aproximaram dos saberes ancestrais. Antes, as pessoas não falavam em ancestralidade quando eram feitas propostas de harmonizar com a culinária local. Liam como algo exótico. Hoje percebemos que elementos da cultura nacional estão sendo incorporados. Contudo, falam do indígena sem o indígena, falam do negro sem o negro, sendo que essas pessoas estão aqui e produzindo. Mas quem está ganhando dinheiro com a cultura dessas pessoas, que até pouco tempo atrás era descarta, ainda são as pessoas brancas. Ou seja, os saberes entram, os corpos não.

Com essa aproximação de Oliver com a nossa culinária, sobretudo, fazendo os acenos à culinária afrodiaspórica, tenho a esperança de que vozes negras e indígenas sejam protagonistas no meio cervejeiro nacional.

Sara Araujo é sommelière de cervejas e palestrante sobre relações raciais; consultora, formada em Direito (ITE de Bauru/2012) e em Ciências Sociais (UEM/2022), é também especialista em História da África e da Diáspora Atlântica (Instituto Pretos Novos/2025), além de mestranda em Ciências Sociais pela UEM.

Menu Degustação: Brasil entra na alta temporada da Oktoberfest

O primeiro fim de semana de outubro marca o início da alta temporada da Oktoberfest pelo Brasil. E tem muito evento em 2025. Em levantamento sem pretensões exaustivas, o Guia da Cerveja identificou 16 eventos espalhados pelo país. Somente neste sábado (4), várias festas vão acontecer no Nordeste — Bananeiras (PB), Recife (PE) e Aracaju (SE). Além disso, domingo (5), acontece o evento de Porto Alegre (RS).

O fim de semana também será o primeiro da Oktoberfest de Fortaleza (CE) e o último da festa de Gramado (RS). Também será a despedida da temporada 2025 da São Paulo Oktoberfest na capital paulista.

Já a maior Oktoberfest da América Latina, realizada em Blumenau (SC), tem início na próxima quarta-feira (8) e vai até dia 26 de outubro. Você pode conferir toda a programação em nossa matéria especial.

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Veja também nesse Menu Degustação as novidades de várias festas Oktoberfest pelo Brasil; lançamentos das cervejarias Dádiva, Krug e Leopoldina; Festival de Primavera da Bodebrown; Budweiser lança plataforma de shows; Petra leva experiência ao SP Gastronomia; Zé Delivery lança Modo Turbo; Outback relança promoção de canecas; Corona lança guia das cem praias mais icônicas do mundo; Amstel promove cultura e inclusão em eventos de futebol e Carnaval; e Lagunitas inaugura deck pet friendly em Campinas.

Oktoberfest Paulaner volta a temporada da Oktoberfest brasileira

A Oktoberfest Paulaner 2025 será realizada nos dias 17 e 18 de outubro no Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo (SP). A expectativa é de reunir cerca de 6 mil pessoas em dois dias de celebração da cultura bávara. O evento traz como destaque Oktoberfestbier em versão chope. Trata-se de uma cerveja sazonal feita em lote limitado, produzida em Munique especialmente para o período da festa. A programação inclui ambientação temática, música ao vivo com repertório alemão, DJs, estandes de gastronomia típica, venda de chapéus importados, brincadeiras tradicionais e a simbólica abertura do primeiro barril. Os ingressos já estão à venda no site ingresse.com com valores a partir de R$ 150 por dia.

Oktoberfest Beagá em BH

Oktoberfest Beagá terá duas dezenas de cervejarias e quase 50 chopes (Tulio Barros / Divulgação)
Oktoberfest Beagá terá duas dezenas de cervejarias e quase 50 chopes (Tulio Barros / Divulgação)

A Oktoberfest Beagá 2025 acontece neste sábado a partir do meio-dia no Parque das Mangabeiras (Av. José do Patrocínio Pontes, 580), em Belo Horizonte (MG). O evento vai reunir mais de 20 cervejarias e 40 rótulos de cerveja. A festa terá gastronomia típica alemã, com pratos como salsichas, pretzels, eisbein e strudels, além de atrações culturais como o desafio do chope e danças tradicionais, incluindo a Schuhplattler. A programação musical é vasta e a festa ainda oferece espaço kids. Os ingressos já estão disponíveis no Sympla a partir de R$ 15 (mais taxas da plataforma). Mais informações no perfil do Instagram. 

Chef Heiko Grabolle na Oktoberfest de Blumenau

O chef alemão radicado no Brasil, Heiko Grabolle, será o responsável pela Casa da Bratwurst na 40ª Oktoberfest de Blumenau (SC). A atração servirá mais de cinco toneladas de salsichas artesanais produzidas pela Fricar, em parceria com outros dez fornecedores locais. O cardápio inclui clássicos como a Bratwurst assada na brasa, que garante a crocância e o tradicional “knack”, além do Currywurst, preparado com mais de 500 quilos de mostarda e uma tonelada de ketchup fornecidos pela Hemmer.

Oktoberfest de Igrejinha amplia espaços e moderniza acessos

A 36ª Oktoberfest de Igrejinha está marcada para 17 a 26 de outubro no Parque de Eventos Almiro Grings. E trará novidades em infraestrutura e áreas de lazer. Entre os destaques estão o Multipalco, espaço de 450 m² com palco e bar junto ao Parque de Diversões, a ampliação do Biergarten em 400 m² e a revitalização do Essenplatz e do Bierecke. A festa também terá mudanças no acesso: visitantes cadastrados entrarão por reconhecimento facial, substituindo pulseiras, e o estacionamento passou por obras para agilizar a chegada. O chopp oficial será da Eisenbahn, e todo o resultado financeiro será revertido a entidades da região.

Oktoberfest de Campos do Jordão espera 60 mil visitantes

Oktoberfest de Campos do Jordão (SP) espera reunir 60 mil pessoas (Crédito: Divulgação)
Oktoberfest de Campos do Jordão (SP) espera reunir 60 mil pessoas (Crédito: Divulgação)

A 13ª Oktoberfest de Campos do Jordão será realizada de 24 a 27 de outubro no Parque Capivari. A entrada é gratuita e expectativa é de reunir cerca de 60 mil pessoas. Organizada pela Associação Comercial e Empresarial e pela Prefeitura, a festa terá nove cervejarias locais e regionais, que apresentarão rótulos consagrados e lançamentos. A programação inclui gastronomia típica alemã, concursos como o de melhor cerveja, disputas de chope em metro e provas tradicionais, além de shows de rock, sertanejo e música folclórica. O evento também terá desfiles e danças típicas.

Dádiva lança três chopes para a Oktoberfest

A cervejaria Dádiva celebra a temporada da Oktoberfest com três estilos clássicos já disponíveis em bares parceiros: Munich Dunkel, Dry Stout e Irish Red Ale. Os chopes podem ser encontrados em locais como La Fraternité e O Bretão, em Sorocaba (SP).

Krug Bier lança sazonal de outubro

A mineira Krug Bier lançou sua cerveja sazonal em homenagem à Oktoberfest, uma Festbier com 5,5% de teor alcoólico e 25 IBU, que equilibra o amargor de lúpulos nobres alemães com o dulçor de maltes caramelo. A novidade celebra também os 28 anos da cervejaria, fundada em 1997 como a primeira artesanal independente de Minas Gerais. 

Budweiser lança Bud Live

A Budweiser anuncia a chegada da Bud Live ao Brasil, uma plataforma que promete transformar o país em palco de shows icônicos e aproximar os fãs de seus artistas favoritos. Com estreia ainda neste ano, a iniciativa incluirá desde pocket shows até grandes eventos, oferecendo experiências exclusivas que conectam público e músicos. A plataforma de lançamento inclui filme produzido pela Africa Creative e manifesto disponível no site oficial da marca.

Brewine Leopoldina lança cervejas na ProWine

Leopoldina lançou Italian Grape Ale Riesling e nova versão da Old Strong Ale em evento em São Paulo (Divulgação)
Leopoldina lançou Italian Grape Ale Riesling e nova versão da Old Strong Ale em evento em São Paulo (Divulgação)

A Brewine Leopoldina ampliou seu portfólio de cervejas especiais com dois lançamentos apresentados na ProWine São Paulo: a Renano, uma Italian Grape Ale com uvas Riesling, e a edição limitada da Old Strong Ale em garrafas de 1,5 litro. A IGA recebeu medalha de ouro no European Beer Star 2025 e a Old Strong Ale celebra os 150 anos da imigração da famiglia Valduga no Brasil, com 150 garrafas numeradas. Os rótulos estarão disponíveis nas lojas próprias e no e-commerce da Famiglia Valduga.

Petra leva experiência ao SP Gastronomia

A Petra, cerveja puro malte do Grupo Petrópolis, participa do SP Gastronomia 2025 com uma programação que inclui aula exclusiva sobre produção e estilos de cerveja, conduzida por Alvaro Nogueira, mestre cervejeiro da companhia, no dia 11 de outubro às 13h30. O festival também terá a carreta da marca, espaço de degustação de chope Petra e distribuição de 300 latas de Petra Puro Malte nos dias 10 e 11, enquanto durarem os estoques. Nos bares do evento estarão disponíveis chope Petra, Petra Puro Malte em lata e rótulos da linha Black Princess, como APA-82, Back To The Red e Dark.

Zé Delivery lança Modo Turbo

O Zé Delivery, plataforma de entrega de bebidas da Ambev, anunciou o Modo Turbo, nova modalidade que promete entregar pedidos em até 15 minutos em todos os estados do Brasil. Segundo a empresa, o sistema prioriza o preparo dos pedidos em até cinco minutos e utiliza roteirização curta para garantir rapidez e segurança. Com mais de 20 milhões de usuários cadastrados, o Zé Delivery aposta na ultra conveniência para ampliar sua presença nacional. A novidade será divulgada em campanha nacional assinada pela agência GUT, com veiculação em TV, canais digitais e mídia externa.

Outback relança promoção de canecas

Canecas colecionáveis do Outback estão de volta (Crédito: Divulgação)
Canecas colecionáveis do Outback estão de volta (Crédito: Divulgação)

O Outback Steakhouse lançou na segunda-feira (29) a nova edição de sua promoção de canecas colecionáveis, em parceria com Chopp Brahma e Guaraná Antarctica. Neste ano, os clientes poderão escolher entre quatro versões da icônica caneca e ainda concorrer a uma edição limitada personalizada com histórias pessoais ilustradas em ouro. Para participar, é necessário pedir uma Super Wings acompanhada de dois chopps Brahma ou dois Guaraná Antarctica refil, o que garante a caneca e uma raspadinha com código de inscrição no site da campanha. A ação vai até 26 de outubro, ou enquanto durarem os estoques, e sorteará 50 consumidores que compartilharem suas memórias no restaurante. 

Corona lança guia das 100 praias mais icônicas do mundo

Para marcar seu centenário, a Corona, cerveja premium da Ambev, lançou o Corona Beach 100, um guia interativo das 100 praias mais icônicas do mundo, incluindo 11 no Brasil. Curado por oceanógrafos, surfistas e especialistas em natureza, o ranking classifica cada praia com base em cultura à beira-mar, conexão com a natureza e estética cênica. A ação inclui sorteio de viagens para duas pessoas, que poderão escolher qualquer praia da lista, mediante compra de Corona ou pedido pelo Zé Delivery até 30 de dezembro. 

Bodebrown realiza Festival de Primavera

Bodebrown realiza o Festival de Primavera com grupos folclóricos neste final de semana em Curitiba (PR) (Maycon Cavalcante / Bodebrown)
Bodebrown realiza o Festival de Primavera com grupos folclóricos neste final de semana em Curitiba (PR) (Maycon Cavalcante / Bodebrown)

A Bodebrown promove neste sábado e domingo (4 e 5/10) o Festival Cultural de Primavera em sua fábrica e na rua em frente, no Hauer, Curitiba, com entrada gratuita. O evento reúne música, folclore, gastronomia e mais de 40 rótulos de cervejas artesanais. A carta de cervejas inclui 17 rótulos em chopeiras, além de growlers, garrafas e latas, com novidades como Brut IPA Galaxy, Brut IPA Nelson Sauvin e a Barley Wine Bella, envelhecida em barricas de amburana.

Amstel, futebol e Carnaval

A Amstel reforça sua atuação cultural no Brasil com dois eventos de destaque em outubro. Na próxima terça-feira (7), estreia na HBO Max o documentário “De Virada — Bastidores e desafios do futebol”, produzido em parceria com FMM e ELO Studios, que traz histórias de mulheres que atuam em posições de liderança no futebol brasileiro, abordando desafios, conquistas e o impacto da equidade de gênero no esporte. Paralelamente, a marca apoiou a festa de lançamento do samba-enredo 2026 da Escola de Samba Águia de Ouro na quadra da escola. Foram apresentados os pilotos das fantasias e o samba-enredo inspirado em Amsterdã, com a presença de compositores, bateria e comunidade local.

Lagunitas inaugura deck pet friendly em Campinas

Neste sábado (4), a Lagunitas inaugura seu primeiro deck pet friendly no Posto Ipiranga Cristal, em Campinas (SP), em parceria com a AmPm, oferecendo um espaço de convivência para tutores e cães, com camas, bebedouros e Lagunitas gelada, além de ações solidárias em prol de ONGs de proteção animal. O projeto terá duração mínima de um ano e será palco de eventos da marca, como IPA Day, Halloween e Dia do Cachorro.

Paralisação do governo dos Estados Unidos vai afetar cervejarias, alerta BA

O dia 1º de outubro de 2025 deve entrar para a história norte-americana. A paralisação do governo dos Estados Unidos promete provocar impactos imediatos em diversos setores da economia dos EUA — inclusive o da cerveja artesanal. É o que alertou nesta quarta-feira a Brewers Association (BA), associação que representa as microcervejarias do país.

A não aprovação do orçamento americano interrompeu o financiamento de muitos órgãos e agências do governo e colocou milhares de servidores em licença não remunerada. Para as cervejarias, a principal preocupação prática vem da redução nas operações do Alcohol and Tobacco Tax and Trade Bureau (TTB), que vai passar a funcionar somente para serviços essenciais.

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Em nota em seu site, a Brewers Association lembra aos associados que o TTB vai paralizar serviços como emissão de Certificates of Label Approval (COLA), aprovações de fórmulas, emissão de registros de cervejaria e outras autorizações.

Isso significa que lançamentos de rótulos, novas receitas e pedidos de licença devem ficar engavetados até a retomada total do funcionamento da agência.

Recomendações

Além disso, pedidos novos ou pendentes de empréstimos junto à Small Business Administration (SBA) estão paralisados enquanto a agência permanece com operações mínimas. Por outro lado, cobranças de impostos federais e pagamentos de dívidas existentes seguem valendo. E os pagamentos devem seguir normalmente.

A BA também recomenda que cervejarias se preparem para atrasos prolongados, mantenham contato com seus representantes nas agências.

Os alertas também valem para o período de retomada pós-shutdown. As cervejarias devem se manter atualizadas com as movimentações do governo e organizadas para reagir rapidamente quando os serviços forem normalizados. A volta das atividades deve ser acompanhada por acúmulo de processos a serem analisados pelo TTB.

Paralisação do governo dos Estados Unidos

A imprensa internacional trabalha com a perspectiva que o shutdown não seja rápido. Corrobora para esse pessimismo o fato de que o último shutdown, que também aconteceu sob administração do presidente Donald Trump, entre dezembro de 2018 e janeiro de 2019, foi o mais longo da história. Durou 35 dias.

A crise deste ano começou após o Senado não aprovar medidas provisórias de financiamento, num impasse partidário que travou a aprovação dos 12 projetos de lei orçamentários necessários para o início do ano fiscal. O resultado foi o fim do financiamento de várias agências e a colocação de centenas de milhares de servidores em licença não remunerada.

As razões do impasse são políticas e amplas: disputas entre líderes republicanos e democratas sobre prioridades orçamentárias, cortes propostos e condições ligadas a programas de saúde e auxílios. Analistas alertam que a paralisação pode afetar indicadores econômicos e até a percepção de risco do país, segundo a agência Reuters.

Risco de adulteração de cerveja com metanol é baixo e alteração seria perceptível, diz especialista

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Os casos de adulteração com metanol em bebidas destiladas em São Paulo estão preocupando o país. E essa repercussão também está gerando muitas informações equivocadas espalhadas pela internet. Para desfazer algumas dessas confusões em relação à cerveja, o Guia da Cerveja procurou o consultor e professor do Instituto da Cerveja Marcus Dapper, mestre cervejeiro formado na Alemanha que tem mais de 25 anos de experiência com a bebida. Ele conta que casos de adulteração de cerveja com metanol seriam improváveis, por serem financeiramente menos rentáveis ou até inviáveis. Além de bastante perceptíveis pelos consumidores.

Diferença entre falsificação e adulteração

Uma das questões importantes para entender o que está acontecendo é distinguir entre falsificação e adulteração de bebidas. Ambos são problemas que acontecem depois que o produto original sai das fábricas.

“Falsificação é quando tudo, todos os materiais, os ingredientes, os componentes de qualquer produto não são os originais”, explica Marcus. São casos em que organizações criminosas compram uma marca de cerveja mais barata e alteram a embalagem, substituindo rótulo e tampinhas, por exemplo, para que se passem por outras marcas mais caras.

Nesse caso, o falsificador precisa fazer o processo na cerveja gelada e de maneira muito rápida, para desprender o rótulo e manter o gás carbônico ao substituir a tampinha. Tudo isso para não trazer alterações perceptíveis ao consumidor.

“Já a adulteração é quando é uma parte do produto original é subtraída ou é adicionado de alguma outra coisa. Então, existe uma parte original do produto ali e ele foi adulterado”. E é isso que vem ocorrendo nos casos paulistas com metanol nas bebidas destiladas.

Cerveja com metanol é improvável

A cerveja está muito mais suscetível à falsificação do que adulteração por metanol, explica o mestre cervejeiro, por ser financeiramente mais viável e menos perceptível para o consumidor.

O metanol é fiscalizado e difícil de conseguir, tendo custo mais alto. E isso tornaria sua utilização na cerveja pouco rentável financeiramente, ou até inviável — já que o valor agregado da cerveja é menor do que os destilados. Sendo assim, muito menos provável.

Além disso, Marcus explica que esse tipo de adulteração na cerveja seria muito mais fácil de detectar. Isso porque, para a adulteração ser justificável, uma quantidade substancial de metanol (entre 25% e 30%) precisaria ser adicionada. “Se botar metanol, a percepção de álcool seria elevada, e isso também pode ser facilmente perceptível”. Já em destilados, essa diferença passaria despercebida.

Diferenças na fabricação

Todos os casos suspeitos de intoxicação por metanol estão sendo investigados a partir da perspectiva de adulteração das bebidas. Apesar de não ser possível descartar completamente problemas de fabricação de destilados, a fermentação de bebidas à base de cerais, como a cerveja, tem baixíssima probabilidade de produzir metanol. “Se presente, é numa quantidade irrisória”, explica Dapper.

Reprodução do material publicado pela Secom do governo federal sobre o Sicobe (Crédito: Reprodução)
Reprodução do material publicado pela Secom do governo federal sobre o Sicobe (Crédito: Reprodução)

Isso porque a levedura não metaboliza o metanol e os cereais não contêm pectina, necessária para a produção desse tipo de álcool. Ela é mais comum em fermentados de frutas e na cana-de-açúcar, explica o mestre cervejeiro. Mesmo assim, a produção é pequena. Em geral, abaixo dos níveis considerados seguros. Mas quando essas bebidas são destiladas, o metanol é evaporado e concentrado.

Um processo de destilação bem conduzido, no entanto, envolve a remoção da parte inicial e final da evaporação, conhecidas como “cabeça” e “cauda” do destilado, eliminando assim o metanol do destilado.

Sicobe não fiscalizaria

Outra informação equivocada que está circulando na internet é que o fim do Sicobe (Sistema de Controle de Produção de Bebidas), antigo método de fiscalização da Receita Federal desativado em 2016, teria correlação com a adulteração e bebidas destiladas.

Em nota, a Receita Federal desmentiu esse fato e explicou que o sistema servia apenas para fins fiscais, de recolhimento de impostos, em refrigerantes e cervejas. Ele nunca fiscalizou bebidas destiladas, controladas por meio de selos. A Secom, do governo federal, também publicou o alerta.

Em entrevista coletiva na terça-feira, Marta Machado, Secretária Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos do Ministério da Justiça, reforçou que a relação é falsa. “[O Sicobe] faz um controle de vazão para fazer um controle do ponto de vista fiscal. Para entender se tudo que foi produzido está representado do ponto de vista fiscal, da arrecadação dos impostos. Ele nunca teve qualquer relação nem com destilados, nem com a qualidade”.

Seis pessoas já morreram em São Paulo por suspeita de intoxicação por metanol até esta quarta-feira (1º). O governo do estado, no entanto, confirmou apenas dez casos, com uma morte até o momento. Outros 27 casos, sendo cinco óbitos, continuam em investigação.

Infográfico: Brasil, o país de 15,23 bilhões de litros de Lagers

O Brasil produziu 15,34 bilhões de litros de cerveja em 2024 — a maioria, 15,23 bilhões, são de Lagers. Os dados são da Declaração Anual de Produção e Estoques, obrigatória para todas as cervejarias do país, e constam no Anuário da Cerveja 2025, elaborado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e divulgado em evento em parceria com o Sindicerv no início de agosto.

O volume total de cerveja fabricada corresponde a aproximadamente 8% de toda a cerveja do mundo. Para se ter uma ideia de dimensões, caso toda a produção nacional de cervejas fosse envasada em garrafas de 600 ml, seria necessário 1,28 bilhão de engradados para guardar toda a bebida e 1,5 bilhão de caminhões para transportá-las — o que, em fila, preencheria 19.180 km, ou meia volta na Terra.

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No entanto, cerca de 99,2% de toda a produção nacional se restringe a somente três categorias do levantamento: Lager leve clara, Pilsener e Outras Lagers. Essa concentração não contempla toda a variedade do universo da cerveja, que tem hoje mais de 200 estilos diferentes listados no Guia de Estilos de Cerveja da Brewers Association (Associação das Microcervejarias Americanas).

A Declaração Anual de Produção e Estoques também indicou uma ligeira queda na produção nacional, de 0,11%, se comparado ao ano anterior. De acordo com o Anuário, “os dados mostram que o setor ainda cresce, apesar da redução de sua velocidade”. Isso porque, apesar do recuo, o país teve mais de 100 novos registros de estabelecimentos concedidos em 2024.

Confira no infográfico abaixo esse e outros destaques da Declaração Anual de Produção e Estoques.

Aumento nas cervejas sem álcool

Embora a fatia de mercado ocupada pelas cervejas sem álcool ou desalcoolizadas corresponda a menos de 5% do total, a produção aumentou 536,9% em 2024, enquanto a produção nacional de cervejas com álcool registrou recuo de -4,4%. 

Já as de baixo teor alcoólico ou com teor alcoólico reduzido (menos de 2% ABV) tiveram aumento de 40,3%, indicando que há um mercado a se explorar.

“Embora o volume declarado de produção de cerveja tenha observado a ligeira queda de 0,11% no total, verifica-se que o nicho de cerveja sem álcool (desalcoolizada) e de baixo teor alcoólico (de teor alcoólico reduzido) demonstram, isoladamente, alta em seus volumes de produção, o que pode indicar uma mudança no perfil de consumo”, aponta o anuário.

Além das Lagers e Pilsener

A maioria das cervejas produzidas no país em 2024 (58,3%) é do tipo Lager leve clara, seguido por Pilseners (32,4%) e Outras Lagers (8,5%). Isso significa que apenas 0,8% do volume produzido concentra todas as outras dezenas de tipos de cerveja possíveis, como as Malzibier (0,3%) e estilos como as IPAs (0,2%). Isso representa aproximadamente 123 milhões de litros.

É pouco. No entanto, o Brasil é o terceiro maior produtor de cerveja do mundo. Percentuais pequenos escondem grandes volumes. Essa mesma quantidade é ligeiramente maior que toda a produção anual de um país de proporções menores como a Nicarágua — que registrou cerca de 120 milhões de litros em 2024, segundo o relatório Barth-Haas Report publicado em julho.

Recuo na puro malte

A produção de cervejas puro malte ou 100% malte corresponde a uma fatia de quase 25% do mercado. No entanto, elas tiveram um recuo na produção de 15,5% entre os anos de 2023 e 2024. Já as demais cervejas feitas com adjuntos cervejeiros correspondem a pouco mais de 75% do total da produção em 2024, tendo variação de 6,2%.

Entrevista: Hofbräuhaus BH revela bastidores do lançamento da Royal Export no Brasil

A tradição cervejeira da Alemanha encontra a inovação brasileira em um lançamento histórico: a Hofbräuhaus BH, o único brewpub da marca na América Latina, lançou no final de setembro a HB Royal Export em garrafas em Belo Horizonte (MG). A cerveja seguirá a receita original, que foi descontinuada na Alemanha em 1992, em uma edição limitada de 4 mil unidades. 

Esta será a primeira vez em 436 anos que uma cerveja da Hofbräu é produzida em garrafas fora de Munique, segundo Bruno Vinhas, proprietário da Hofbräuhaus BH. A conquista da autorização para engarrafar as cervejas da casa abre um novo capítulo para o brewpub, permitindo que a degustação cervejeira, antes restrita ao salão, seja levada para a casa dos consumidores.

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De acordo com Bruno, o lançamento celebra o sucesso e a fidelidade à marca, e demonstra a confiança da matriz alemã no trabalho realizado em Belo Horizonte. 

“Cada ingrediente, cada etapa de produção foi pensada para reproduzir fielmente a cerveja que marcou gerações. O desafio foi grande: equilibrar o rigor técnico, a importação de insumos e a adaptação ao nosso processo local sem perder uma grama de autenticidade”, afirma o proprietário da Hofbräuhaus BH.

O Guia da Cerveja conversou com Bruno Vinhas para saber mais detalhes sobre este feito histórico. Confira, abaixo, a entrevista:

A HB Royal Export é a primeira cerveja da Hofbräu a ser produzida e engarrafada fora da Alemanha em mais de quatro séculos. Qual o significado desse feito?

É um marco histórico. Em mais de quatro séculos, a Hofbräu nunca havia autorizado que uma cerveja fosse produzida e engarrafada fora de Munique. Para nós, em Belo Horizonte, é o reconhecimento de que conseguimos trazer a essência da marca com tanta fidelidade que merecemos essa confiança. Para o público, significa ter em mãos não apenas uma cerveja, mas um pedaço vivo da tradição bávara, em edição limitada e inédita.

A receita da Royal Export foi descontinuada em 1992. Como foi o processo para recriá-la e quais os desafios para garantir sua autenticidade?

Foi como trazer de volta uma joia esquecida. Tivemos acesso aos arquivos históricos da Hofbräu e trabalhamos em conjunto com os mestres cervejeiros de Munique. Cada ingrediente, cada etapa de produção foi pensada para reproduzir fielmente a cerveja que marcou gerações. O desafio foi grande: equilibrar o rigor técnico, a importação de insumos e a adaptação ao nosso processo local sem perder uma grama de autenticidade.

O que torna esta cerveja única?

A HB Royal Export é uma Helles Export, versão mais alcoólica da Munich Helles feita originalmente para exportação de fato (Crédito: HB Belo Horizonte / Divulgação)
A HB Royal Export é uma Helles Export, versão mais alcoólica da Munich Helles feita originalmente para exportação de fato (Crédito: HB Belo Horizonte / Divulgação)

Ela carrega duas exclusividades: ser uma receita histórica da Hofbräu, descontinuada há mais de 30 anos, e ser a primeira cerveja da marca a ganhar vida fora da Alemanha. É uma combinação rara de tradição e inovação.

Como foi o processo de negociação e autorização para engarrafar a Royal Export no Brasil?

Foram anos de diálogo, provas de consistência e confiança mútua. Munique é extremamente rigorosa com quem representa a marca. Precisamos mostrar que não apenas seguimos as regras de produção alemãs, mas que cultivamos a experiência da Hofbräu em cada detalhe. Essa conquista não é só nossa: é também do público de BH, que ajudou a construir uma história de 10 anos de fidelidade e respeito à tradição.

Quais são os principais desafios de logística e controle de qualidade para garantir que o produto seja idêntico ao de Munique? 

O principal é o rigor: água, malte, lúpulo e levedura precisam seguir padrões alemães. Importamos insumos, calibramos processos e fazemos testes em conjunto com a equipe de Munique. A cada garrafa, a missão é simples e, ao mesmo tempo, desafiadora: entregar ao cliente exatamente a mesma experiência que ele teria na Hofbräu original. 

A edição é limitada a quantas unidades e por quanto tempo estará à venda? 

Serão apenas 4 mil garrafas. Quando acabar, acabou. Estimamos que dure pouco — algumas semanas, dependendo da procura. Já foram adquiridas quase metade das garrafas produzidas.

O que muda para a Hofbräuhaus BH, tanto na produção quanto na logística de vendas, agora que vocês podem oferecer as cervejas para serem levadas para casa?

Muda tudo. Até então, a experiência só era possível dentro do nosso salão. Agora, o cliente pode levar para casa um pedaço dessa vivência. É um novo capítulo: da mesa compartilhada do brewpub para a mesa da sua casa, sempre com a mesma qualidade.

O engarrafamento será uma prática para outras cervejas da casa ou apenas para ocasiões especiais?

A Royal Export abre caminho para projetos especiais, mas não será rotina. Queremos preservar a exclusividade. Cada lançamento será um evento em si, algo esperado e celebrado.

A Hofbräuhaus BH é o único brewpub da marca na América Latina. Qual o papel da casa na disseminação da cultura de cerveja fresca no Brasil?

Fomos pioneiros em trazer o conceito alemão de cerveja fresca, feita dentro da própria casa, para o Brasil. Nosso papel é de embaixadores: mostrar que cerveja pode ser cultura, tradição e experiência coletiva. É muito mais do que beber: é viver momentos, compartilhar e criar memórias.

A arquitetura do brewpub e as cerimônias, como o Keg Tapping, criam uma experiência autêntica. Por que é importante manter essa fidelidade cultural em um mercado cervejeiro que tem se diversificado tanto?

Porque é justamente essa fidelidade que torna a Hofbräu única. O público encontra no nosso espaço a mesma atmosfera que encontraria em Munique: a arquitetura, as músicas, os trajes, a cerimônia de abertura dos barris. Em um mundo de novidades a cada semana, oferecer algo autêntico, testado pelo tempo, é um diferencial enorme. Quem vive essa experiência entende que é algo que vai além da cerveja — é mergulhar em 436 anos de história.

Conheça as 5 maiores festas do tipo Oktoberfest no mundo

Quais são as maiores Oktoberfests do mundo? A pergunta surgiu quando a equipe do Guia da Cerveja decidiu elaborar uma agenda dos eventos do gênero no Brasil este ano. O levantamento, produzido sem compromisso exaurir o assunto, chegou a 16 festas espalhadas pelo país. E como a curiosidade é a mãe da sabedoria, mergulhamos na internet e na imprensa internacional para obter a resposta.

Maiores Oktoberfests do mundo

Mas o que caracteriza uma Oktoberfest? Não é só a cerveja. Toda a festa do tipo é uma verdadeira celebração da cultura alemã. Portanto, elas são mais comuns em países, estados e cidades onde houve algum tipo de influência cultural.

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No Brasil, são mais típicas do Sul do país — mas no levantamento, deu para notar que estão se espalhando, principalmente para o Nordeste. No mundo, tem festa até na China. E não é pequena!

Como muitas festas deste ano continuam acontecendo e não há números oficiais de público, focamos nos balanços de 2024 publicados em veículos de notícias. Confira abaixo o ranking das cinco maiores Oktoberfests do mundo.

1º lugar: Oktoberfest de Munique (Alemanha)

Oktoberfest da Alemanha, realizada em Munique, espera receber entre 6 e 7 milhões de pessoas em 2025 (Crédito: © Turismo de Munique / Jan Saurer)
Oktoberfest da Alemanha, realizada em Munique, espera receber entre 6 e 7 milhões de pessoas em 2025 (Crédito: © Turismo de Munique / Jan Saurer)

A Oktoberfest de Munique não é apenas a festa original, mas também é a que mais atrai público no mundo. Em 2024, o festival reuniu 6,7 milhões de pessoas que consumiram 7 milhões de litros de cerveja.

Após ser cancelada em 2020 e 2021 devido à Pandemia de Covid-19, a festa retornou com público diminuído em 2022 (“somente” 5,7 milhões). E perdeu lugar mais alto do pódio para o Qingdao International Beer Festival, realizado na China. Mas se recuperou em 2023 e repetiu a dose no ano passado.

A edição de 2024 durou 16 dias, de 21 de setembro a 6 de outubro. Uma média impressionante de 419 mil pessoas por dia.

Este ano a festa começou em 20 de setembro com cerveja a R$ 100,00 aproximadamente. Confira essa e outras curiosidades.

2º lugar: Qingdao International Beer Festival (China)

Hoje segunda maior festa do gênero do mundo, o Qingdao International Beer Festival já ocupou a primeira posição em 2022 (Crédito: Divulgação / Prefeitura de Qingdao)
Hoje segunda maior festa do gênero do mundo, o Qingdao International Beer Festival já ocupou a primeira posição em 2022 (Crédito: Divulgação / Prefeitura de Qingdao)

O festival de Qingdao solidificou sua posição como um dos maiores do mundo em 2024. O evento, considerado a “Oktoberfest da Ásia”, recebe milhões de visitantes anualmente. Em 2024, a festa atraiu um público de 6,36 milhões de pessoas que consumiram aproximadamente 2,8 milhões de litros de cerveja, segundo o site China Daily.

Porém, seu recorde é ainda maior: em 2022, reuniu 7,37 milhões de visitantes, superando inclusive o evento original de Munique. A cidade foi colônia alemã de 1898 e 1914. E lá germânicos fundaram uma das maiores cervejarias do mundo hoje: a Tsingtao.

A edição de 2024 teve 23 dias de duração e aconteceu entre 19 de julho e 10 de agosto. Cerca de 277 mil visitantes por dia, em média.

Duas curiosidades: como ela é realizada mais cedo que as demais, já há números da edição 2025. O evento recebeu este ano 6,97 milhões que consumiram 2,9 milhões de litros de cerveja. Depois, diferente dos demais desta lida, o evento da China não parou durante a Pandemia, sendo realizado com restrições.

3º lugar: Oktoberfest Cincinnati (EUA)

Considerada a maior dos Estados Unidos, a Oktoberfest de Cincinatti, em Ohio, é famosa por sua “Corrida Anual dos Wieners”, onde cães da raça Dachshund competem (Crédito: Cincinnati Regional Chamber)
Considerada a maior dos Estados Unidos, a Oktoberfest de Cincinatti, em Ohio, é famosa por sua “Corrida Anual dos Wieners”, onde cães da raça Dachshund competem (Crédito: Cincinnati Regional Chamber)

Nas Américas, também há grandes festas do gênero. As três próximas posições acontecem por aqui. E o terceiro lugar entre as maiores do mundo pertence hoje à cidade de Cincinnati (Ohio), que foi fortemente influenciada pela cultura alemã. 

Estima-se que na virada do século 21, cerca de 50% da população tinha descendência alemã. Isso porque a região recebeu muitos imigrantes entre 1830 e 1850, que chegaram a ser 60% da população na década de 1840.

Cerca de 800 mil pessoas participaram da edição 2024 da Oktoberfest de Cincinnati, famosa por sua “Corrida Anual dos Wieners”, onde cães da raça Dachshund competem. E o que mais impressiona é que ela dura apenas três dias (20 a 22 de setembro, no ano passado). Ou seja, uma média de 267 mil visitantes por dia. O que a coloca em pé de igualdade com o evento chinês nesse quesito.

4º lugar: Oktoberfest de Kitchener e Waterloo (Canadá)

As cidades-irmãs de Kitchener e Waterloo abrigam a maior Oktoberfest do Canadá. A festa se destaca por seu grande desfile, que já reuniu mais de 150 mil pessoas. As cidades também têm raízes germânicas profundas. Anualmente, o evento atrai cerca de 700 mil pessoas. A edição de 2024 foi realizada de 27 de setembro a 19 de outubro, com duração de 23 dias. Média de 30,43 mil por dia.

5º lugar: Oktoberfest de Blumenau (Brasil)

Oktoberfest 2025: Blumenau é a maior festa do gênero do país e uma das maiores das américas (Crédito: Divulgação / Oktoberfest Blumenau)
Oktoberfest 2025: Blumenau é a maior festa do gênero do país e uma das maiores das américas (Crédito: Divulgação / Oktoberfest Blumenau)

Blumenau, em Santa Catarina, aqui no Brasil, abriga a maior Oktoberfest da América Latina. O festival foi criado em 1984 para ajudar a cidade a se recuperar de uma grande enchente, recuperando renda para a reconstrução, mas também elevando a moral dos habitantes.

A edição de 2024 atraiu 579.222 pessoas, um aumento significativo de 27,5% em relação ao ano anterior, que marcou 454.285 visitantes. O evento sofreu muito com as chuvas em 2023, chegando a ser interrompido por dias, o que prejudicou a adesão do público.

O evento de 2024 ocorreu de 9 a 27 de outubro, durando 19 dias. Ou seja, aproximadamente 30,49 mil pessoas por dia, superando o evento canadense nesse cálculo.

Congresso do Grão ao Gole fomenta a cultura e a cadeia cervejeira

Na última terça (23) e quarta-feira (24) o Centro Britânico Brasileiro, em São Paulo, recebeu o Congresso do Grão ao Gole. Promovido pela Academia da Cerveja, da Ambev, ele reuniu dezenas de profissionais, que participaram de palestras, painéis e muita troca de experiência. E com isso, fortaleceu a cadeia produtiva e a própria cultura cervejeira no Brasil. Ao final, tanto participantes quanto a organização se mostraram muito satisfeitos com o resultado.

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Marta Rocha, gerente de categoria Ambev e responsável pelo evento, contou que o evento atingiu seus objetivos. “Fiquei muito feliz com o resultado. Ver o auditório cheio, as pessoas engajadas, fazendo perguntas e querendo se conectar, mostrou que a proposta fazia sentido. A recepção foi muito positiva, tanto os temas quanto os convidados tiveram ótima repercussão. Os feedbacks que recebemos apontam que conseguimos entregar algo relevante para diferentes perfis de público. Foi exatamente o que a gente queria, um espaço plural, com temas diversos, mas com a cerveja como elo central”, explica.

Alexandre Esber, gerente da Academia da Cerveja, ressaltou a importância de promover discussões e oferecer novas visões sobre a cerveja (Crédito: Luís Celso Jr. / Guia da Cerveja)
Alexandre Esber, gerente da Academia da Cerveja, ressaltou a importância de promover discussões e oferecer novas visões sobre a cerveja (Crédito: Luís Celso Jr. / Guia da Cerveja)

Alexandre Esber, gerente da Academia da Cerveja, ressaltou o valor de promover discussões e oferecer novas visões sobre a cerveja. “Além da satisfação da entrega, existe a satisfação de ver que muitas pessoas se colocaram em pontos de vista diferentes do que usualmente elas estão acostumadas”, diz. “Acho que trazer essas discussões com diferentes perspectivas é muito interessante para todo mundo que participou”, finaliza.

Tanto Marta como a sommelière Bia Amorim, curadora do evento, enfatizaram o trabalho em equipe para entregar o melhor evento possível. Bia afirma que a própria curadoria foi um trabalho coletivo. Além disso, ela destaca a importância da união do mercado cervejeiro. “O que a gente teve no congresso é a representação da construção da categoria cerveja, a construção do bom relacionamento dentro do mercado e como isso é necessário, benéfico e importante”, diz.

Dado o sucesso, é natural que se pense em uma continuidade do Congresso do Grão ao Gole nos próximos anos. Esber diz que o planejamento dos próximos anos acontece paulatinamente. “Mas pela reação dos congressistas, pelo potencial que o evento mostrou, eu acho que tem tudo para a gente buscar fazer novas edições dele”, diz. Já Marta conta que existe uma ideia. “Pensamos em fazer a cada dois anos, justamente para trazer sempre temas novos e relevantes. Ainda não temos a próxima data definida”, conclui.

Congresso do Grão ao Gole

Painel “A Indústria da cerveja no Brasil: investimentos, tecnologias e o futuro pelo campo” teve a presença de (das esquerda para a direita) Jeferson Caus, superintendente de Negócios da Cooperativa Agrária Agroindustrial, Maciel Silva, diretor técnico adjunto da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Carlos Goulart, secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), e foi mediado pela jornalista Fernanda Pressinott (Crédito: Luís Celso Jr. / Guia da Cerveja)
Painel “A Indústria da cerveja no Brasil: investimentos, tecnologias e o futuro pelo campo” teve a presença de (das esquerda para a direita) Jeferson Caus, superintendente de Negócios da Cooperativa Agrária Agroindustrial, Maciel Silva, diretor técnico adjunto da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Carlos Goulart, secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), e foi mediado pela jornalista Fernanda Pressinott (Crédito: Luís Celso Jr. / Guia da Cerveja)

O evento foi dividido em dois dias, com o primeiro dedicado aos aspectos do campo e o segundo ao consumo. A abertura ficou por conta de uma mesa com Márcio Maciel, presidente-executivo do Sindicerv, Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva (Associação Brasileira de Cerveja Artesanal), e Carla Crippa, vice-presidente de Impacto e Relações Corporativas da Ambev.

Tarantino enfatizou a necessidade de união do mercado cervejeiro e disse que o evento é consequência de um trabalho de categoria que começou ainda em 2022. Já Maciel trouxe números e reforçou o papel que a cerveja tem na socialização do brasileiro. O ecossistema cervejeiro movimenta 2,5 milhões de empregos diretos, indiretos e induzidos, 2% do PIB brasileiro e impacta mais de 2,1 mil propriedades rurais. “Somos muito mais do que apenas um líquido com o qual o brasileiro celebra”, disse.

O dia ainda contou um painel com Carlos Goulart, secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Maciel Silva, diretor técnico adjunto da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), e Jeferson Caus, superintendente de Negócios da Cooperativa Agrária Agroindustrial. O tema foi “A Indústria da cerveja no Brasil: investimentos, tecnologias e o futuro pelo campo”, e focou em cevada e malte.

Para Maciel Silva, o evento representou um espaço estratégico para aproximar os elos da cadeia cervejeira e discutir soluções conjuntas. “A presença da CNA no evento foi muito importante para dialogar com a sociedade sobre os benefícios socioeconômicos do agro”, disse. “O encontro também representou uma oportunidade de aprendizado a partir das experiências já consolidadas em outras cadeias produtivas”.

O dia contou ainda com mais duas palestras: “A cevada brasileira, do grão ao insumo”, na qual Adriana Favaretto (Ambev) mostrou a pesquisa e dedicação por trás do desenvolvimento de um cultivar de cevada; e “O campo de pesquisa, leveduras e inovação”, apresentada por Gabriel Galembeck (Bioinfood).

Além disso, outros dois painéis fecharam a programação do primeiro dia: “O lúpulo no campo brasileiro”, com Daniel Leal (Aprolúpulo), Amanda Xavier (COPPE UFRJ) e Ana Pampillon (Rota Cervejeira do RJ), com mediação de Luís Celso Jr., diretor de conteúdo e editor do Guia da Cerveja; e “O campo no copo: ingredientes com qualidade e desenvolvimento sustentável”, com Diego Rzatki (Cevejaria Cozalinda), Leonardo Barbosa (UFABC) e Guillermo Favre (Ambev).

Uma das palestras mais esperadas foi com o cervejeiro norte-americano John Palmer autor do livro “How to Brew” (Crédito: Luís Celso Jr. / Guia da Cerveja)
Uma das palestras mais esperadas foi com o cervejeiro norte-americano John Palmer autor do livro “How to Brew” (Crédito: Luís Celso Jr. / Guia da Cerveja)

Foco no consumo

O segundo dia do Congresso do Grão ao Gole teve uma das palestras mais esperadas do evento: “American Lager: passado, presente e futuro”. Ela foi ministrada pelo cervejeiro norte-americano, John Palmer, autor de de “How to Brew”, publicado originalmente em 2006 nos Estados Unidos. A obra é considerada uma das mais importantes da arte de fazer cerveja em casa e que influenciou gerações de cervejeiros caseiros e profissionais.

Palmer trouxe um histórico completo do estilo de cerveja, que começou a ser desenvolvido em meados do século 19 nos EUA e ganhou o mundo como modelo de cerveja Mainstream. Hoje, responde por cerca de 85% da produção mundial, segundo o palestrante. O autor também deu dicas sobre como fazer cervejas desse estilo em casa e enfatizou tanto pontos de atenção quanto as técnicas necessárias.

Outro destaque foi a Palestra “Como a tecnologia reinventa cada gole de cerveja?”, do especialista em transformação digital, Mauricio Tkatchuk, que desvendou cases de uso de tecnologia por parte das grandes cervejarias e mostrou como mesmo pequenos negócios podem se beneficiar da tecnologia.

Outras três palestras trouxeram muitas informações de mercado e marketing para o público: “Brindando com equilíbrio: tendência de mercado e perfil consumidor”, sobre moderação com Andressa Azevedo (Ambev) e Lucas Lima (Ambev); “A cerveja em novos territórios”, de Higor Lambach (Futuro Co.); e “Construção de posicionamento de marca, cultura e relevância no mercado cervejeiro”, de Caroline Ferraz (Ambev).

O dia foi finalizado com o painel “Cerveja e gastronomia”, com Fernanda Lazzari (Morada Cia. Etílica), Patty Durães (Pesquisadora de Culturas Alimentares), Helena Guimarães (Restaurante TUJU) e a mediação de Luiza Fecarotta (CBN).

A cerveja como matéria-prima da escrita

Coluna bia amorim

“die Sprache ist das Haus des Seins”*
(A língua é a casa do Ser)

Martin Heidegger

Você também se pergunta o que a cerveja tem de tão especial? Às vezes eu simplesmente abro uma cerveja, coloco no copo e fico olhando para ela. Dou um gole, a carbonatação me diverte, a lupulagem me instiga, o malteado me coloca no céu, sinto o gole gelado descendo garganta abaixo e já começo a pensar. Mas não é sobre seus gostos deliciosos e tão variados que eu quero falar aqui. Especial mesmo, assim, para a gente, humanos. Encasquei com isso. Mas acabei fazendo uma lista longa, desses porquês especiais. Como queria escrever sobre isso, pensei que escrever poderia ser um bom começo. Escrita.

A cerveja esteve a todo momento junto aos homens em sua jornada pela sociedade, nas nossas constituições mais antigas e que ainda seguimos transformando. Muitas vezes olho para a cerveja como esse objeto de estudo tão rico, uma pedra rara, mas ao mesmo tempo tão democrática sensorialmente, tão complexa estruturalmente. E que ainda há tanta coisa a ser vista e transformada, descoberta, e muito mais imaginada. Escrita.

Estava lendo um texto sobre a história da língua e da escrita, e tudo o que eu pensava era: “Olha lá, a cerveja fazendo parte da palavra escrita, do registro, caraca! A cerveja é tão importante que ela já existe desde tanto tempo que a gente até esquece.”

Não à toa, como mostram aquelas tabuletas sumérias, a cevada e a cerveja figuram entre os primeiros signos da escrita! Pode parecer banal, mas fico toda feliz. A cerveja é especial e o que eu faço é interessante. Por isso eu amo trabalhar com cerveja. E, portanto, também escrever sobre ela.

No livro The Domestication of the Savage Mind, Jack Goody (1977; em português, A domesticação do pensamento selvagem), argumenta que a escrita não apenas registra ideias, mas transforma radicalmente a forma de pensar e organizar o mundo, permitindo listas, genealogias extensas, leis codificadas, registros de contabilidade.

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É justamente nesse ponto que a cerveja aparece, lá atrás: entre os primeiros registros cuneiformes da Mesopotâmia estão tábuas de argila listando medidas de cevada, jarros de cerveja e pagamentos em grão. Imagina o trabalhão que dava, antes dessa época, fazer tudo de forma oral: falado, rimado, decorado, cantado. A escrita foi também um salto na evolução humana. E a cerveja já estava lá. Hoje em dia o Excel já resolve um montão, né?

Alfabetos, poesia e a musicalidade do copo

Finalmente, quando os gregos inventam as vogais e registram a musicalidade da língua, o texto vira poesia, filosofia.  A cerveja também ganha o seu estatuto, vira tema literário, receita, ciência, pesquisa e cultura: do hino à deusa Ninkasi, na Mesopotâmia, até os poemas medievais de taberna, chegando a bebidas fermentadas de forma tão tecnológica e até sem o próprio álcool. A bebida não é apenas consumo, mas linguagem estética, suporte para metáforas, narrativas, símbolos. E acompanhou as boas histórias que foram narradas, escritas e eternizadas. 

Da Antiguidade até os dias de hoje, nosso pensamento crítico nos faz comunicar o que achamos daquela cerveja, daquela marca, daquele gosto, daquele sabor, daquela mistura, aquela técnica, aquilo outro. E escrevemos, compartilhamos, comunicamos e aprendemos. 

Aliás, em boa parte das boas histórias de quase ficção, a galera devia estar com uma cervejinha em mãos, tanto vivendo quanto contando sobre aquilo. Todo mundo tem boas memórias de quando a cerveja estava ali, desde os milênios até hoje.

A história da escrita pode ser lida nos seus suportes: argila, pergaminho, papel, tela. A da cerveja também: do jarro de barro às barricas de madeira, da garrafa ao copo de cristal, da lata à chopeira, da tábula ao Instagram. Cada suporte altera a circulação, o acesso, o prestígio. 

O status da garrafa grande, feita em um mosteiro, com rótulo em linhas douradas delicadas; a história ali contada timidamente em linhas corridas; e uma taça de cristal impecavelmente limpa aguardando essa cerveja. A garrafa long neck e o simples post, alegre, no Instagram. Tudo é parte: elementos tão decisivos para a cerveja quanto o códice e o PDF para a escrita.

Mundo digital e mundo líquido

No presente, a escrita se torna hipertextual. A cerveja, por sua vez, se torna global. Cada post de cerveja é também uma escrita digital, um fragmento da memória coletiva que continua atuando sobre as transformações, mas agora com o nome de consumo, publicação, #publi, experiência, etc. Se a língua digital é atravessada por algoritmos, a cerveja hoje é atravessada por métricas, rankings, aplicativos de check-in. Ambas vivem essa tensão entre liberdade criativa e captura pelos sistemas de poder.

Do mito oral ao post no Untappd, a cerveja está lá, paralela à história da linguagem. Se a linguagem é a casa do ser, talvez a cerveja seja a varanda desta casa: um momento nesse espaço de encontro, a contemplação e a partilha, o rito onde a humanidade, desde sempre, tem inventado maneiras de existir junto. Cá estou eu, usufruindo da cerveja e da escrita, para manter viva esta paixão: olhar para uma cerveja e saber, e sentir, que ela é especial. Uma sommelier que escreve para também criar mudanças.

Bia Amorim é sommelière, pesquisadora e palestrante. Atua na interseção entre gastronomia, cultura e bebidas brasileiras, com foco em comunicação, experiência, consumo consciente e hospitalidade.