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Ação da Ambev reflete desempenho da Bolsa e recua 4,73% em janeiro

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A performance da ação da Ambev em janeiro espelhou o desempenho do Ibovespa. O ativo do conglomerado cervejeiro registrou desvalorização de 4,73% no primeiro mês de 2024, após encerrar a sessão da última quarta-feira (31) cotado a R$ 13,08. Já o principal índice da Bolsa brasileira sofreu queda de 4,79%, atingindo 127.752,28 pontos.

Esse desempenho negativo ocorreu apesar da apresentação de perspectivas otimistas para a empresa, como a continuidade da recomendação de compra da ação da Ambev pelo Bank of America, que estabeleceu um preço-alvo de R$ 16. Os analistas destacaram, principalmente, a expectativa de custos mais baixos, fator que contribuiria para margens de lucro mais elevadas.

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“Esperamos que a transformação comercial da empresa continue a apoiar significativamente as margens em 2024, reforçada pelos preços firmes da cerveja, custos mais baixos e sinergias em SG&A”, afirmaram.

Ainda assim, a ação da Ambev teve desempenho semelhante ao do Ibovespa, que foi influenciado principalmente por fatores externos, como o crescimento fraco da economia chinesa, de 5,2%, abaixo dos níveis pré-pandemia, e o adiamento do início da queda das taxas de juros nos Estados Unidos.

Incluindo a Ambev, 69 das 86 ações que compõem o Ibovespa caíram em janeiro, sendo as maiores quedas de Casas Bahia (-30,67%) e MRV (-29,83%). Por outro lado, a Petrobras liderou os ganhos, com altas de 8,62% em suas ações preferenciais e de 8,16% nas preferenciais.

Fora do Brasil
No cenário internacional, na Bolsa de Nova York, a ação da Ambev também teve queda em janeiro, fechando o mês a US$ 2,62, o que representou recuo mensal de 6,3%.

Na Europa, os dois principais grupos cervejeiros do mundo tiveram resultados opostos. As ações da AB InBev caíram 1,56%, atingindo 57,51 euros, enquanto os ativos do Grupo Heineken tiveram valorização de 1,48%, alcançando o preço de 93,30 euros.

20 lançamentos realizados pelas cervejarias artesanais em janeiro

Com o início do ano, as cervejarias artesanais brasileiras brindaram os consumidores com sabores e criatividade. Janeiro foi marcado por lançamentos inovadores e ousadia na criação de cervejas, muitas delas focadas na refrescância para combinar com as altas temperaturas dessa época.

Por isso, diversos lançamentos de cervejas realizados em janeiro contaram com a presença de frutas em suas formulações, tanto em Sours quanto em IPAs. Além disso, algumas marcas, já preparadas para o carnaval, aproveitaram o período para a apresentação de novidades voltadas à folia, que já começa a tomar conta das ruas no Brasil.

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Essas novidades se unem para criar um festival de aromas e sabores no universo das cervejas artesanais. Confira uma seleção do Guia dos lançamentos de cervejas realizados em janeiro:

3Barcaças
A marca da Bahia lançou a Pitaya Hash, uma Pitaya Juicy IPA com teor alcoólico de 5,4%. Essa cerveja é resultado de uma colaboração especial com a loja Cerveja Salvador. A Pitaya Hash é uma Hazy IPA enriquecida com a presença da pitaya, Hop Hash Citra e um dry hop dos lúpulos Galaxy e Azzaca.

Bodebrown
A Bodebrown apresentou a Popeye Progressive Lager, uma homenagem à força e tradição, disponível em latas de 473ml. Essa cerveja combina os estilos German Lager e German Pilsner, utilizando dois tipos de malte e uma infusão progressiva de dois lúpulos alemães. Destacando a tradição cervejeira com a levedura bávara de baixa fermentação, a Popeye Progressive Lager é uma celebração inspirada em Popeye, o marinheiro atemporal símbolo de força, com teor alcoólico de 4,9%.

Brewstone
A Samba Session, lançamento da Brewstone para o carnaval, é uma Session IPA que combina os lúpulos Loral, Vic Secret e Mandarin Bavaria. O Loral traz um toque de ervas nobres e florais, enquanto o Vic Secret, exótico e selvagem, adiciona notas de frutas tropicais. O Mandarin Bavaria, com seu sutil toque de tangerina, completa a experiência, proporcionando doçura e leveza.

Burgman
A Serenata Tropical é o mais recente lançamento da Burgman, sendo do estilo Catharina Sour. Em sua formulação, incorpora lúpulo e malte nacional, além de uma combinação de manga e abacaxi. Tem uma acidez leve e um toque mínimo de amargor.

Croma Beer
A Croma Beer aproveitou o mês de janeiro para apresentar várias novidades ao público cervejeiro. A marca lançou a Wave Pool Max, uma Juicy IPA com 7,1% de graduação alcoólica. Essa cerveja incorpora três formatos diferentes de lúpulos, incluindo Aromahop Mosaic, Mosaic Cryo, Mosaic T90 e Galaxy T90. Uma adição extra de Riwaka eleva ainda mais o perfil lupulado, resultando em um equilíbrio entre os extremos frutados, tropicais e cítricos. Dando sequência à série 4 Billion, a 4 Billion Planets é uma Double Juicy IPA com 8,2% de álcool, oferecendo uma experiência intensa e frutada. A mistura de lúpulos Citra, Mosaic e Ekuanot traz complexidade ao sabor. O Citra adiciona notas cítricas e de toranja, o Mosaic contribui com um sabor frutado e de manga, enquanto o Ekuanot entrega um toque picante e herbal. Já a Outfield é uma Double Juicy IPA com 7,7% de álcool. A combinação de lúpulos Nelson Sauvin e Eldorado confere um sabor complexo e equilibrado. O Nelson Sauvin traz notas frutadas e de uva, enquanto o Eldorado adiciona um toque cítrico e de melão.

Ewam
A marca da Mooca, em São Paulo, apresentou mais uma criação, a Brut Sour Framboesa e Amora. Essa receita Sour combina framboesa e amora, resultando em uma cerveja leve, ácida e com uma efervescente carbonatação. Com teor alcoólico de 4,2%, seu perfil leve e ácido é complementado pela intensidade das frutas vermelhas.

Filosofia
O Eterno Retorno é a mais recente criação da Filosofia. Esta é a segunda New England IPA da marca, com um teor alcoólico de 7,2%. Segundo o descritivo, seu corpo alto harmoniza sabores maltados leves com a notável presença dos lúpulos, proporcionando um perfil que evoca frutas maduras amarelas e cítricas.

Juan Caloto
A Panaceia Dourada dos Confins do Éden foi o lançamento realizado em janeiro pela Juan Caloto. Com graduação alcoólica de 7,6%, esta Celestial Tripel Ale promete levar os apreciadores de cerveja a uma jornada sensorial única. A cerveja apresenta casca de laranja, sementes de coentro, trigo e aveia, resultando em aromas e sabores frutados, cítricos e levemente condimentados.

Koala San Brew
A série Kosmos foi a principal aposta da Koala San Brew nos seus lançamentos de cervejas realizados em janeiro. A marca de Nova Lima (MG) apresentou a Apeiron, uma New England Triple IPA com a inclusão da lupulina isolada e a utilização da levedura exclusiva KSB-01. No sensorial, há uma “explosão” de frutas tropicais, com destaque para abacaxi, maracujá, manga, bluberry e notas de frutas cítricas, além de nuances de frutas de caroço. A finalização é marcada por um toque resinoso de pinho. A Koala também lançou a Pilars of Creation, uma Triple IPA. Tem variedades australianas na lupulagem, incluindo Enigma e Eclipe, juntos ao lúpulo neozelandês Riwaka da fazenda Hop Revolution. A levedura KSB-01 também é usada na fermentação. No paladar, segundo o descritivo, é cítrica, com um toque de mandarina e complemento de toranja rosa.

Landel
A cervejaria de Campinas (SP) lançou a Saison Pé na Areia. A novidade é uma interpretação do estilo Saison, originário da escola belga, e traz uma adição de caju e abacaxi. Leve, tem aromas condimentados e frutados, além de uma sutil acidez no retrogosto. Destacando-se por uma abordagem mais leve em comparação às Saisons tradicionais, a Pé na Areia ostenta 5,1% de álcool e 30 IBUs de amargor.

Proa
A Proa Cervejaria e o Graveteiro, grupo de agricultores familiares de Uauá, interior da Bahia, uniram forças para lançar uma Catharina Sour colaborativa intitulada Sertão ao Litoral. Essa cerveja destaca-se por ser uma Sour com maracujá-do-mato, goiaba e hibisco, incorporando elementos tropicais, acidez refrescante e um toque floral. A parceria entre a Proa e o Graveteiro visa valorizar a cultura e a produção local, destacando o empenho e paixão do grupo de agricultores.

Quatro Poderes
A marca de Brasília fez um lançamento em janeiro já com foco no carnaval: a Rosa dos Ventos. É uma cerveja de trigo com pitaya rosa, com 4,9% de graduação alcoólica e disponível em latas de 473ml. A marca a define como “a porta-bandeira inigualável para abrir o carnaval”.

Stormy Brewing
A Stormy Brewing começou o ano com um trio de lançamentos. O primeiro foi a Dance of Sands, uma New England IPA com 6,8% de graduação alcoólica. Essa cerveja combina lúpulos Superdelic, Citra e El Dorado. O Superdelic é o protagonista, trazendo aromas de frutas vermelhas, manga madura e notas cítricas intensas. A novidade tem corpo médio/alto, amargor baixo, coloração amarelo palha e turbidez alta. O segundo lançamento foi a Waves on the Rocks, uma Double New England IPA com 8,3% de graduação alcoólica. Essa cerveja combina os lúpulos Nelson Sauvin, Mosaic e Cascade, resultando em um corpo alto e muito sedoso, amargor baixo, coloração amarelo palha e turbidez alta. O frescor e o frutado intenso do Nelson Sauvin, com seus tons de uvas brancas e pitanga, são a marca registrada desta cerveja. O terceiro lançamento foi a Watermelon – Edição Hortelã, uma Imperial Sour com 7,6% de graduação alcoólica. A cervejaria adicionou um toque ainda mais refrescante com a presença de hortelã, proporcionando maior frescor para enfrentar as altas temperaturas. A melancia permanece como protagonista, enquanto frutas vermelhas e hortelã garantem uma base de sabor singular. Tem coloração vermelho claro e turva, acidez baixa/moderada, corpo alto e álcool quase imperceptível.

Turatti
A Cervejaria Turatti lançou sua primeira cerveja sem álcool com um toque especial: é produzida com cuscuz, uma homenagem à tradição gastronômica do Nordeste brasileiro. Com apenas 0,5% de teor alcoólico e baixíssimas calorias, a American Lager Sem Álcool Turatti oferece uma opção leve e diferenciada para os apreciadores de cerveja. O cuscuz adiciona complexidade ao sabor, criando uma fusão única entre tradição, inovação e criatividade.

Way Beer
A Way Beer apresentou seu mais recente lançamento em janeiro: a Sour Pitaya. A cerveja destaca a exótica e refrescante pitaya, fruta típica do verão que tem conquistado a gastronomia criativa brasileira. Originária do México e ainda relativamente recente no Brasil, a pitaya equilibra um sabor suave com uma intensa coloração. A Sour Pitaya da Way reflete o rosa vibrante e translúcido da fruta, com média formação de espuma. Com baixo amargor e um teor alcoólico de 4,5%, a cerveja é refrescante. Segundo seu descritivo, o aroma cítrico característico das sours realça as notas de frutas tropicais no paladar.

Entrevista: “O movimento cervejeiro na Colômbia está prestes a explodir”

Em 14º lugar no ranking mundial de consumo de cerveja, de acordo com a edição mais recente do Relatório Global de Consumo de Cerveja da Kirin Holdings, a Colômbia detém uma fatia modesta no mercado de cervejas artesanais, que representa apenas 1% do consumo local em um total anual de 24,66 milhões de hectolitros anuais.

Entretanto, segundo o fundador da Master Beer e idealizador da Copa Tayrona, Juan Carlos Torres, esse cenário está prestes a sofrer uma significativa transformação. Em entrevista ao Guia, Juanca, como é mais conhecido, destaca que o movimento de cervejas artesanais na Colômbia está “prestes a explodir”, contando atualmente com mais de 600 projetos. Durante a conversa, ele também ressalta que as produções têm se voltado para a utilização de frutas e especiarias locais na fabricação de cerveja na Colômbia.

Contudo, Juanca adverte sobre a urgente necessidade de os fabricantes compreenderem seus objetivos e público-alvo para otimizar os resultados da cerveja artesanal, não apenas na Colômbia, mas em toda a América Latina, destacando desafios semelhantes enfrentados pelos países vizinhos.

Na entrevista, Juanca também convida as cervejarias brasileiras a participarem da próxima edição da Copa Tayrona, que ocorrerá em Santa Marta, de 12 a 18 de fevereiro, e está em fase final de inscrições. Ele enfatiza que a competição busca fortalecer a rede de profissionais cervejeiros na América Latina, considerando esse aspecto como fundamental para o segmento de cervejas artesanais.

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Confira a entrevista do Guia com Juan Carlos Torres:

Como você avalia o atual cenário da indústria da cerveja na Colômbia?
O movimento cervejeiro na Colômbia está em uma fase muito interessante. Em minha avaliação, está prestes a explodir. Há 20 anos, vimos o surgimento de três cervejarias. Há dez anos, surgiram cerca de mais 30 cervejarias, que construíram o caminho. E hoje temos mais de 600 projetos de cervejarias do país. O consumo, em comparação com a cerveja industrial, ainda é de 1%, mas consideramos que em dois anos estaremos em 2% a 3%, levando em conta que nos últimos dois anos houve muito progresso na cultura cervejeira, com um crescimento percentual maior do que em toda a história.

Quais são as principais tendências e inovações que você observa no setor cervejeiro na Colômbia?
A Colômbia é um país com muita diversidade agrícola, e hoje as inovações estão muito focadas no uso de frutas e especiarias locais. Da mesma forma, tem se trabalhado na incorporação de cervejas artesanais em modelos de negócios diferentes dos tradicionais.

Em sua visão, em que estágio a cerveja artesanal se encontra na Colômbia? Até que ponto ela pode avançar?
Estamos testemunhando a fase em que as cervejarias se profissionalizam a cada dia, com seus funcionários e fábricas fazendo a cada dia cerveja melhores. E os projetos estão muito mais estáveis e melhor pensados.

Quais são os principais desafios e oportunidades para as cervejarias, tanto na Colômbia quanto na América Latina?
As cervejarias da América Latina devem trabalhar juntas para criar a cultura cervejeira. Mas, juntos, devemos pensar em modelos de negócios e decidir se são focados em volume ou nicho, se seus negócios se concentrarão em bares de cerveja ou na distribuição em latas ou garrafas em grandes lojas, ou se chegarão ao consumidor final através de redes sociais e sites. É preciso estabelecer uma combinação na qual o equipamento que você tem na sua cervejaria te beneficia. É um grande erro você querer estar em todos os lugares. No final, ou não tem capacidade instalada nas fábricas para estratégias de volume ou as equipes e seus profissionais não estão preparados para uma estratégia B2C e o negócio não está prosperando, ou não tem capacidade logística para fazer B2B.

Como a colaboração regional pode fortalecer o setor na América Latina? Já há iniciativas positivas nesse sentido?
Considero que a camaradagem regional é muito importante para nos consolidarmos na América Latina. Não me refiro apenas a beber cerveja. Eventos como a Copa Tayrona nos permitem criar alianças e compartilhar conhecimento entre cervejeiros de diferentes países, comparar mercados, ver qual estratégia adotar. Os questionamentos de um país valem para os outros. Do lado técnico, ter feedback de qualidade é muito importante para aprimorar produtos. Por isso, convidamos cervejeiros verdadeiramente experientes e bem-sucedidos para fornecer ao participante uma avaliação verdadeiramente profissional que permita ao cervejeiro fazer melhorias em seus processos e ter cervejas que se destacam no mercado.

Como você vê o papel da Copa Tayrona na promoção da internacionalização das cervejarias latino-americanas?
A Copa Tayrona chega à sua quarta edição e se tornou a competição que mais prestigia na América Latina quem ganha uma medalha, já que existem competições excelentes em cada país, mas a Tayrona tem buscado a internacionalização do reconhecimento. As cervejarias da América Latina não perdem este evento, querem ganhar, pois são avaliadas por juízes de alto nível. Cabe ressaltar que a competição cobre todas as despesas desses juízes, garantindo a participação dos melhores e não daqueles que podem pagar por uma passagem de avião. A Tayrona busca ter um ambiente diferente, promovendo atividades focadas no que a cerveja transmite. Como digo, cerveja é amizade e fraternidade, bons momentos, alegria e felicidade. Por isso, realizamos networking cervejeiro em iates no coração da natureza, no Parque Tayrona. Reconhecemos o esforço que os cervejeiros fazem no seu dia a dia e queremos que passem dias maravilhosos num ambiente cervejeiro paradisíaco. O esforço para conquistar uma medalha na Copa Tayrona está gerando mais vendas por parte das cervejarias, mas também ajuda suas marcas a se tornarem conhecidas em outros países, num comércio cada vez mais global e com mercados itinerantes, o que se torna uma grande oportunidade expandir o seu negócio, entrar nos mercados de outros países através de colaborações ou querer fazer cerveja cigana em outros países sem o custo de investir numa fábrica.

Qual é o papel da Copa Tayrona na construção de uma rede de profissionais cervejeiros na América Latina?
A Copa Tayrona tem como objetivo compartilhar conhecimento técnico por meio de feedback e conferências sobre cerveja. Mas, acima de tudo, queremos criar relacionamentos que permitam compartilhar o conhecimento empresarial. As economias foram duramente atingidas e a concorrência é acirrada. Conhecer experiências de outros cervejeiros te faz pensar sobre o que você pode inovar e mudar no seu negócio. É mais fácil resolver um aspecto técnico ou comercial quando sua rede de contatos é mais profissional.

AB InBev fecha fábrica da 1ª artesanal de Miami e cervejaria na Califórnia

A AB InBev tomou a decisão de encerrar as operações de duas de suas cervejarias de origem artesanal nos Estados Unidos: a Wynwood Brewing, localizada em Miami, na Flórida, e a Golden Road Brewing em Sacramento, na Califórnia. No entanto, as cervejas da marca da Flórida, autodenominada a primeira cervejaria artesanal de Miami, ainda serão produzidas.

A fusão entre a Wynwood Brewing e a Veza Sur, também sediada em Miami e parte do portfólio da AB InBev, permitirá a continuidade da produção de cervejas, incluindo a La Rubia, um dos rótulos mais conhecidos da marca, juntamente com Laces IPA, Father Francisco e a Pop’s Porter.

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A Wynwood Brewing expressou sua gratidão aos consumidores em uma postagem no seu perfil no Instagram. “Seremos eternamente gratos a todos vocês que fizeram de nossas cervejas parte de suas celebrações e momentos em família. Esperamos continuar fazendo parte da vibrante comunidade de cervejas artesanais de Miami”.

Apesar do fechamento, há expectativas de que a La Rubia, principal cerveja da Wynwood Brewing, conquiste novos mercados com a produção e distribuição pela Veza Sur, conforme destaca Megan Ruiz-Necuze, diretora comercial da divisão La Rubia da cervejaria. “Estamos extremamente entusiasmados em ver La Rubia continuar a crescer. Com este novo foco, temos ambições de que La Rubia cresça além do sul da Flórida, ao mesmo tempo que honramos suas raízes em Miami”.

As operações da Wynwood serão encerradas no próximo domingo (4). A cervejaria artesanal foi fundada em 2013 em Miami e, em 2016, a Craft Brew Alliance (CBA) adquiriu 24,5% de participação, sendo a CBA posteriormente totalmente adquirida pela AB InBev em 2019.

Já a Golden Road Brewing, criada em 2011, foi adquirida pela AB InBev em 2015, por meio da Anheuser-Busch, seu braço norte-americano. A marca, que oferecia cervejas de trigo, IPAs e Blonde Ales, assim como opções sem álcool e RTDs.

A marca divulgou um comunicado em que o seu gerente-geral, Craig Weiner, afirma que a mudança “reflete as atuais realidades operacionais enfrentadas por toda a indústria de restaurantes e hospitalidade”. Apesar do encerramento da cervejaria, Weiner assegura que os rótulos ainda estarão disponíveis em “bares, restaurantes e lojas de garrafas”.

Balcão do Aloisio: A multiplicidade de usos da cevada

Balcão do Aloisio: A multiplicidade de usos da cevada

Como já dito em outros artigos, a cevada é um dos grãos mais antigos cultivados pelo ser humano, com evidências de seu cultivo que remontam a mais de 10.000 anos atrás. Desde sua domesticação até os dias atuais, vários foram os usos encontrados para essa planta e seus grãos. Embora amplamente cultivada em todo o mundo, a cevada é conhecida por sua resistência a climas frios e é frequentemente cultivada em regiões de clima temperado. Isso a torna uma cultura importante em várias partes do planeta.

A nível mundial, a alimentação animal é o principal uso da cevada. Estima-se que 70% da cevada produzida no mundo seja com esse fim, sendo utilizada na forma de forragem verde, feno, silagem ou com os grãos utilizados na formulação de rações. Em seguida, vem a produção de malte. No Brasil, onde existem alternativas mais econômicas para a alimentação animal, como o milho e a soja, a cevada teve seu cultivo desenvolvido quase que exclusivamente para esse fim, fomentado pela indústria que, posteriormente, utiliza o malte na produção de bebidas, principalmente a cerveja. Mas o malte de cevada também pode ser utilizado para produção de uísque e de outras bebidas alcóolicas, como algumas variedades de vodca e outros destilados.

Além do uso para alimentação animal e da produção de malte, a cevada tem uma série de outros usos que não são muito conhecidos. Em tempos de valorização da alimentação saudável, a cevada desperta interesse crescente para uso na alimentação humana, em função da quantidade de fibras solúveis, principalmente as beta-glucanas, presentes na sua composição. Quando consumidas, essas fibras formam uma substância viscosa que pode se ligar ao colesterol no trato digestivo, ajudando a reduzir a absorção de colesterol LDL (colesterol ruim). Esse efeito pode contribuir para a redução do risco de doenças cardiovasculares. Além disso, as beta-glucanas têm um impacto positivo no controle do açúcar no sangue, pois ajudam a regular a velocidade com que os carboidratos são absorvidos, evitando picos rápidos nos níveis de glicose após as refeições.

Na alimentação humana, a cevada pode ser consumida como grão inteiro ou cevada pérola, em sopas, ensopados, saladas e cereais matinais; e como farinha pode ser usada na fabricação de pães, bolos, biscoitos e outros produtos de panificação. A farinha de cevada tem um sabor distinto e pode adicionar um toque de noz aos alimentos. Extratos de cevada são utilizados na fabricação de suplementos alimentares devido à presença de nutrientes benéficos, como vitaminas, minerais e antioxidantes. A cevada pode, ainda, ser germinada para produzir brotos, que são consumidos como parte de dietas saudáveis. A cevada torrada é usada como sucedâneo do café em certas bebidas, oferecendo uma opção sem cafeína com sabor semelhante ao café. Em algumas culturas, o malte da cevada é usado na produção de bebidas tradicionais não alcoólicas, como as malteadas, uma bebida espessa e cremosa feita com malte de cevada, leite e outros ingredientes. No Oriente Médio e na Ásia, bebidas feitas a partir de cevada não maltada são populares.

Extratos de cevada podem ser usados na indústria de cosméticos devido às suas propriedades hidratantes e antioxidantes. Fibras de cevada são exploradas na indústria têxtil para a produção de tecidos. Resíduos de cevada e fibras de cevada podem ser utilizados na produção de papel. Pesquisas têm sido desenvolvidas para explorar a cevada na produção de materiais biodegradáveis, como bioplásticos e embalagens sustentáveis e também para explorar a cevada na produção de biocombustíveis. A cevada é utilizada como uma cultura de cobertura na agricultura para melhorar a qualidade do solo, reduzir a erosão e controlar ervas daninhas.

Esses são apenas alguns exemplos dos muitos usos da cevada na atualidade, destacando sua versatilidade em diversas indústrias e aplicações.


Aloisio Alcantara Vilarinho é engenheiro agrônomo com doutorado em Genética e Melhoramento de Plantas. Pesquisador da Embrapa desde 2003, ele atua, desde novembro de 2019, como melhorista de cevada na Embrapa Trigo.

Menu Degustação: Brahma lança latas comemorativas das escolas de samba do Rio

O período carnavalesco já começou para foliões e cervejarias, com diversas marcas aproveitando a proximidade das datas oficiais para lançar suas iniciativas. Um exemplo é a Brahma, que apresentou uma coleção de latinhas temáticas em homenagem às escolas de samba que desfilarão no Grupo Especial do Rio de Janeiro.

A Amstel também marcará presença em vários carnavais, sendo patrocinadora oficial dos desfiles no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, e do Carvalheira na Ladeira, em Olinda (PE). Já a Itaipava anunciou uma parceria com Ivete Sangalo, a apresentando como embaixadora do carnaval em sua mais recente campanha.

Além do carnaval, as cervejarias estão voltando suas atenções para os concursos. A Copa Tayrona, na Colômbia, está na fase final de inscrições, proporcionando aos participantes brasileiros pontos de recepção de amostras em diversas cidades.

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Confira essas e outras novidades no Menu Degustação do Guia:

Latinhas das escolas de samba do Rio
A Brahma celebra o carnaval carioca com o lançamento de latinhas comemorativas em homenagem às 12 escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro. As latas, em edição limitada, incorporam as cores vibrantes que caracterizam os desfiles na Sapucaí. Disponíveis para compra nas quadras das respectivas agremiações, a iniciativa visa fortalecer e valorizar o carnaval, incentivando os amantes da festa a visitarem diferentes espaços para completarem suas coleções.

Amstel nos desfiles de São Paulo
A Amstel será patrocinadora oficial aos desfiles no Sambódromo do Anhembi durante o carnaval de São Paulo. A parceria inclui o patrocínio do Camarote Amstel Essepê, que estará presente nos dias 9, 10, 11 e 17 de fevereiro, abrangendo os desfiles do Grupo Especial, Grupo de Acesso e das campeãs. A colaboração entre Amstel, Agência InHaus e Ginga Mais Entretenimento oferecerá atividades exclusivas, participação de celebridades e a oferta de um ambiente acolhedor para os foliões. O Camarote Amstel Essepê terá serviço all inclusive, shows, customização de abadás e vista privilegiada ao Sambódromo, esperando receber 3 mil foliões por dia. Os ingressos estão à venda na Ticket360, com preços a partir de R$ 495.

Amstel em Olinda
A Amstel também será a cerveja oficial e patrocinadora do Carvalheira na Ladeira 2024, um dos eventos do carnaval de Olinda, realizado no Memorial Arcoverde. A marca planeja uma ativação especial que incluirá uma roda-gigante, proporcionando vistas incríveis dos shows de artistas como J Balvin, Ludmilla, Jorge & Mateus, Vintage Culture, e outros. A expectativa é que o festival receba aproximadamente 40 mil pessoas ao longo dos quatro dias de programação.

Itaipava com Ivete
A cerveja Itaipava revelou Ivete Sangalo como embaixadora do carnaval em sua mais recente campanha, introduzindo o alter ego da cantora, “Vevita Sangalo”. A marca lançou o hit “A favorita da Vevita” e apresentou uma campanha festiva com a participação da cantora. Ivete Sangalo é destacada como a personificação da alegria e autenticidade que a Itaipava representa, consolidando uma parceria que visa celebrar o Carnaval brasileiro com irreverência e qualidade. A campanha também inclui a participação do humorista João Pimenta, juntamente com uma música composta para a ocasião. A estratégia abrange veiculação nacional em diversos canais, incluindo TV aberta, mídia digital, social e outdoors em localidades estratégicas.

Inscrições na Copa Tayrona
A Copa Tayrona está com as inscrições abertas até 31 de janeiro, proporcionando aos participantes brasileiros pontos de recepção de amostras em várias cidades, incluindo Campinas, Curitiba, Porto Alegre, Sertãozinho e Sorocaba. As amostras podem ser enviadas aos pontos de São Paulo até 2 de fevereiro, e até 9 de fevereiro para Porto Alegre. O custo padrão é de US$ 85 para as duas primeiras amostras. No entanto, as cervejarias brasileiras têm a opção de pagamento diferenciado, com taxa de US$ 70 para as duas primeiras amostras e US$ 65 a partir da terceira, utilizando o código “brasil” durante a inscrição.

Premiação internacional
O Concurso Brasileiro de Cervejas (CBC) de 2024 traz uma novidade, a partir da sua parceria com o Brussels Beer Challenge e o European Beer Star. Cervejarias brasileiras premiadas em 2023 nessas competições serão homenageadas durante o CBC, com a entrega dos prêmios conquistados na Bélgica e na Alemanha. Além disso, as cinco melhores cervejarias do CBC deste ano receberão descontos nas inscrições de amostras nas futuras edições do Brussels Beer Challenge e European Beer Star.

Corona no Globoplay
A Corona, em parceria com o Globoplay, lançou uma programação especial e gratuita para inspirar as pessoas a passarem mais tempo ao ar livre. A programação especial, intitulada “Cerveja Corona: A vida é aqui fora”, oferece conteúdos do Canal Off gratuitamente no Globoplay, incluindo estilo de vida, expedições, viagens e documentários com grandes esportistas. A proposta é que as pessoas busquem inspiração na natureza, podendo aproveitar a programação enquanto desfrutam de momentos ao ar livre com uma Corona gelada.

Heineken no Brunch Electronik
A Heineken está patrocinando mais uma edição do Brunch Electronik, desta vez no Rio de Janeiro. O festival, conhecido por combinar música eletrônica e experiência gastronômica ao ar livre, chega à cidade fluminense neste sábado (27), no Sítio das Pedras. O evento contará com uma atmosfera sustentável e exclusiva para os convidados, incluindo operação especial de chope com a ação “Meu Copo Eco Heineken”, Beer Station e áreas de descanso.

Filme apresenta Blumenau e retoma sonho de mapear cultura cervejeira do Brasil

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Unir o universo audiovisual ao mundo da cerveja artesanal é um objetivo que o diretor de filmes Léo Crivellare almeja, mas também enfrenta como um desafio. No seu cotidiano, ele percebeu as dificuldades que surgiram ao tentar transformar o lema “uma câmera na mão e uma cerveja na outra” em realidade. No entanto, conseguiu superá-las ao lançar o primeiro telefilme do Cerva Soul, focado na cultura cervejeira de Blumenau (SC).

Este episódio representa passo inicial em uma nova tentativa de Crivellare de ressuscitar um projeto que visava mapear o universo da cerveja artesanal brasileira. Anteriormente, ele produziu 20 episódios sobre o setor, mas a iniciativa foi abandonada devido à falta de patrocínios. A oportunidade de retomar esse projeto surgiu por meio da parceria com outro elo importante da cadeia: a educação cervejeira.

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O desejo de Crivellare de fazer um curso de sommelier na Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) transformou-se na ideia de produzir um filme sobre a instituição. “Eu queria fazer o curso de beer sommelier, então propus à ESCM uma permuta, com a produção de um vídeo sobre a escola, com um tom mais documental. E eles concordaram”, conta. “Carlo (Enrico Bressiani, diretor da ESCM) me disse no primeiro dia do curso: você vai fazer o filme, mas, antes de tudo, vai aprender, estudar e sair daqui um sommelier”, acrescenta.

Saindo de Olinda (PE), Crivellare concluiu o curso, conheceu o universo de Blumenau, uma das capitais brasileiras da cerveja, e produziu o telefilme, ampliando sua produção audiovisual, que já incluía filmes como “Pindorama: A Verdadeira História dos Sete Anões” e documentários como “Pesado – Que Som é Esse que Vem de Pernambuco?”.

“Quando terminei o curso, percebi que tinha material para um média-metragem, porque Blumenau é incrível, com uma cultura cervejeira muito forte”, afirma. “Uma coisa que me surpreendeu muito foi a variedade de estilos que as pessoas estão acostumadas a tomar. Todos os bares têm muitos estilos, e as pessoas estão dispostas a experimentar novos sabores”, comenta.

O documentário foca na cultura cervejeira de Blumenau, abrindo espaço para outras vertentes, como o trabalho da ESCM, além de abordar debates cruciais para o setor, como a necessidade de fortalecer a comunicação para que a cerveja artesanal alcance novos públicos.

O lançamento do documentário e sua boa recepção – com cerca de 2 mil visualizações no YouTube – reacendeu em Crivellare o desejo de produzir mais episódios sobre o universo da cerveja. A ideia é explorar a cultura cervejeira das diferentes regiões e estados do Brasil. “Com o lançamento do volume 1 do Cerva Soul, espero ter a visibilidade necessária para conseguir patrocínio para os próximos episódios”, conclui.

Confira o telefilme Cerva Soul:

Barreiras socioeconômicas são maior desafio à inclusão de negros nas cervejarias

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Barreiras socioeconômicas são maior entrave à inclusão de negros na indústria cervejeira


A indústria cervejeira enfrenta desafios significativos quando se trata de inclusão e ascensão de profissionais negros. E a pesquisa “Participação de Pessoas Negras na Indústria,” conduzida pelo Guia da Cerveja e acessível por meio deste link, identificou a disparidade socioeconômica como o principal fator que limita o acesso de profissionais negros a oportunidades no setor.

No estudo, 39% dos respondentes apontaram as barreiras socioeconômicas no acesso à educação e treinamento como o principal obstáculo para os negros adentrarem o segmento. A dificuldade em obter oportunidades educacionais e treinamentos especializados cria um ciclo que impede a inclusão de pessoas negras na indústria cervejeira.

Assim, quase 4 em cada 10 participantes da pesquisa perceberam a necessidade de medidas para democratizar o acesso ao conhecimento cervejeiro. Esse índice é ainda maior, atingindo 50%, entre as pequenas cervejarias que responderam ao questionamento.

Outro desafio significativo apontado é a escassez de oportunidades de desenvolvimento profissional, mencionada por 20% dos entrevistados, com uma concentração de 31% no Nordeste do país.

Vieses inconscientes no momento da contratação também emergiram como um desafio para a participação de pessoas negras na indústria cervejeira para 8% dos participantes, com índices de 15% no Nordeste e 14% no Sul.

Essa foi também a resposta de 17% das nanocervejarias e 11% das pequenas cervejarias. Esses números indicam a urgência de conscientização e treinamento para combater preconceitos e estereótipos enraizados que afetam a equidade nas contratações.

A ausência de políticas de diversidade e inclusão foi mencionada por 8% dos entrevistados, alcançando índice de 10% nas nanocervejarias. A falta de iniciativas específicas para promover ambientes inclusivos e diversificados é um aspecto crítico que a indústria cervejeira como um todo precisa abordar.

Além disso, 15% dos participantes afirmaram não considerar a inclusão e ascensão de negros na indústria cervejeira como um desafio. Essa resposta destaca a necessidade de conscientização e diálogo contínuo sobre as questões de inclusão.

Sobre a pesquisa
A pesquisa “Participação de Pessoas Negras na Indústria da Cerveja” é um estudo quantitativo conduzido por meio de questionário online, com respostas coletadas em setembro de 2023, envolvendo a participação de 129 proprietários ou administradores de cervejarias nas cinco regiões do Brasil.

Sommelier da Ambev é 1º preto da América Latina a obter Certificação Cicerone

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Charleston Agrícola, sommelier de cervejas da Ambev, tornou-se o primeiro homem negro da América Latina a obter a Certificação Cicerone, considerada parte de um dos principais programas do setor, que reconhece profissionais com conhecimentos avançados sobre cervejas e práticas de serviço.

Para conquistar a Certificação Cicerone, é necessário ser aprovado em uma prova final de quatro horas, sendo as três primeiras dedicadas a uma etapa escrita com mais de 150 questões que abordam temas como ingredientes, produção, estilos, armazenamento, manutenção, conhecimento histórico e harmonização. Além disso, é realizada uma prova prática que envolve a identificação de estilos e defeitos sensoriais.

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“Estou muito grato e espero que minha jornada inspire outras pessoas”, afirma Charleston. “A certificação Cicerone não é apenas reconhecimento do entusiasmo e energia que coloco no meu trabalho, dia após dia, mas uma celebração da qualificação que podemos trazer para o universo cervejeiro nacional. Não quero parar por aqui, ainda quero alcançar os próximos níveis da certificação”, acrescenta.

Além de Charleston, a Ambev teve outro profissional a obter a Certificação Cicerone em sua última prova, a argentina Camila Casavilla. Ambos são professores na Academia da Cerveja, a escola de educação cervejeira da companhia.

“O desafio começou desde o momento que confirmei que eu queria fazer a prova. Sem visto americano e sem ter feito o Beer Server, tive que resolver essas duas questões. E resolvi mais rápido do que imaginava.  Hoje estou mega feliz em dizer que sou a 11° pessoa Certified Cicerone no Brasil”, comemorou Charleston, à época, em seu perfil no Instagram.

Na última prova, além de Charleston, Priscilla Colares foi outra profissional do Brasil a obter a Certificação Cicerone. Ambos se juntaram a outros nove representantes do país que carregam tal status.

“Foi difícil e desafiador, mas estou muito feliz com essa conquista que reafirma minha seriedade e profissionalismo dentro do setor cervejeiro”, celebrou Priscilla, a segunda brasileira a conquistar a certificação.

Os outros brasileiros com a Certificação Cicerone são: Alexandre Levy Figliolino, Harriot Junior, Guilherme Laux, Francis Mainardi, Guilherme Mixtro, Frederico Oliveira de Paula, Eduardo Pelizzon, Beatriz Ruiz e Danilo Ruza.

O que é o programa?
O Programa de Certificação Cicerone  teve início em 2008 nos Estados Unidos para ajudar a aprimorar o conhecimento profissional e as habilidades de atendimento. A iniciativa certifica e forma profissionais da cerveja com o objetivo de elevar a experiência para os consumidores.

Ele é dividido em quatro níveis: Certified Beer Server, o mais básico, com 239 brasileiros sendo detentores desse certificado. Além da Certificação Cicerone, os outros níveis são o Advanced Cicerone e o Master Cicerone. Ninguém do Brasil possui tais certificações, já obtidas por 177 e 28 profissionais no mundo, respectivamente.

Vestígios de chicha de 2,5 mil anos são encontrados na Amazônia equatoriana

Arqueólogos recentemente descobriram jarras contendo vestígios de chicha, uma espécie de cerveja feita de milho, ao encontrarem uma rede de cidades de 2,5 mil anos atrás, até então desconhecida na porção do Equador da Amazônia, situada no leste do país.

A revelação é resultado de uma pesquisa cujos resultados foram publicados na revista Science em artigo sob o título “Two thousand years of garden urbanism in the Upper Amazon“. O estudo identificou um complexo sistema de centros urbanos pré-hispânicos no Vale Upano, no Equador amazônico, próximo a um vulcão.

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Para os pesquisadores, a presença do vulcão pode ter desempenhado um papel fundamental na formação da comunidade, oferecendo um solo propício para a agricultura, mas também representando uma potencial ameaça de destruição. Acredita-se que essa rede de cidades tenha sido construída há aproximadamente 2,5 mil anos, com uma ocupação que perdurou por cerca de mil anos.

O artigo destaca que as escavações arqueológicas datam a ocupação desde aproximadamente 500 a.C. até entre 300 e 600 d.C. O arqueólogo Stéphen Rostain, diretor de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França, é o principal autor do trabalho.

Os pesquisadores relatam a presença de praças e ruas que seguem um padrão específico, entrelaçadas com extensas drenagens agrícolas e amplas estradas que conectam comunidades em uma intrincada rede.

Dentre as descobertas mais notáveis na Amazônia equatoriana estão as jarras com os vestígios de chicha, provavelmente utilizadas para o consumo da cerveja ancestral fabricada a partir do milho. Na etapa final de produção, o malte extraído e aquecido é colocado para fermentar em grandes recipientes por vários dias antes do consumo.

A relevância histórica da descoberta é grande, pois desafia a visão anterior de que os povos da Amazônia eram predominantemente nômades. As evidências apontam para a existência de sistemas urbanos semelhantes aos dos maias no México. Além disso, esses assentamentos revelam-se pelo menos mil anos mais antigos do que qualquer outra sociedade amazônica previamente identificada.

“Um desenvolvimento inicial tão extenso no Alto Amazonas é comparável a sistemas urbanos maias semelhantes recentemente destacados no México e na Guatemala”, diz um trecho do artigo.