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Balcão da Chiara: Qual o real problema das cervejarias?

Balcão da Chiara: Qual o real problema das cervejarias?

Alta carga tributária, falta de pessoas qualificadas, falta de infraestrutura. Muitas são as justificativas para o baixo desempenho das cervejarias. Mas onde está a gestão industrial (ou a falta dela) nestas respostas? Boa parte das cervejarias, ao menos das que tenho contato há longos anos no mercado cervejeiro, falha na gestão!

Em diversas consultorias em que eu fui contratada para resolver “problema pontuais”, na verdade eles eram a ponta do iceberg, o efeito. A causa da maioria deles (para uma solução definitiva) era muito mais profunda e gerava outros tantos problemas que nem sempre eram enxergados, como, por exemplo, elevado custo de produção.

A gestão quase sempre é chave para a resposta. Fábricas sem organograma definidos, sem rotina, sem funções com definição clara dos papéis e responsabilidades. Desvio de função! Esse é assunto longo, gera fadiga no trabalhador, problemas trabalhistas, baixa produtividade, erros, descartes, custo! Ah, gera hora extra também… custo!

E para continuar esta lista de falhas na gestão: a padronização. Aqui cito a de verdade, não aquele arquivo esquecido no seu notebook pessoal ou aquele papel jogado no fundo da gaveta. Isto não traz resultado.

De acordo com pesquisa do Guia da Cerveja sobre os desafios para cervejarias, 26% dos respondentes afirmaram que apostam na otimização de processos para a redução dos custos. Mas como se otimiza o processo, se ele não está padronizado? As cervejarias não conhecem suas perdas! Se você não mede, você não gerencia. Não fazem controle efetivo de estoque e capital empregado. A programação de produção nem sempre considera as condições energéticas e disponibilidade de insumos para otimização dos recursos e redução de custos.

E quando este assunto é abordado, deveria servir para reflexão e tomada de ação, mas escuto muitas justificativas ao invés disso. “Eu não tenho pessoal capacitado”. Então eu devolvo: “e o que você faz para desenvolver estas pessoas?”

Se você deseja ter um profissional capacitado, você precisa pagar por ele. Desenvolva as pessoas. Claro que leva tempo, mas você terá uma equipe trabalhando com a cultura da sua empresa e do jeitinho “certo”, da maneira adequada à sua realidade. Normalmente, quem responde este tipo de coisa, não sabe o nome dos funcionários, não tem um plano de cargos e salários (sem essa de justificar que a empresa é pequena, viu?), não sabe o que está acontecendo no chão de fábrica. Faça uma pesquisa de engajamento, converse com as pessoas honestamente, ESCUTE e provavelmente você terá muitas surpresas e excelentes sugestões, além de ter o mais importante que é a participação da sua equipe. Ainda complemento dizendo que se ela é diversa, você vai ganhar muito com a experiência dessas pessoas. Existem profissionais que investem muito em educação e não são absorvidos pelo mercado. Quando são, normalmente não são remuneradas de maneira adequada. Ninguém sai de um “curso” sabendo de tudo. É preciso alinhar o conhecimento teórico à prática. As habilidades serão desenvolvidas na prática e as empresas precisam estar envolvidas neste processo. Programa de estágio? Menor aprendiz? Poderia ser um caminho, mas pouco se vê.

Você não precisa ter 10 mestres cervejeiros (as) na sua empresa. Não subutilize uma mão de obra especializada. Use de forma inteligente e reverta em resultado. Esta é uma função analítica, não é só para mexer panela.

Definir metas, estabelecer e acompanhar indicadores é outra etapa importante e fundamental para a manutenção da saúde financeira da cervejaria. Os objetivos comerciais precisam estar conectados com a fábrica. Desdobre! Invista no controle dos processos, em um sistema que te forneça dados de maneira mais simples. Decisões precisam ser tomadas com base na análise de dados e não em achismos. Assim, você vai enxergar oportunidades, reduzir custos e melhorar a qualidade do produto.

Se algo não está dando certo, provavelmente há falta/falha de planejamento ou má execução. Consolide suas fortalezas, avalie as oportunidades, mapeie suas fraquezas e trate, monitore as ameaças. Mas antes disso, convoque as pessoas e pense junto! O planejamento será muito mais robusto se você contar com a diversidade de sua equipe.


Chiara Barros é proprietária do Instituto Ceres de Educação e Consultoria Cervejeira. Engenheira Química, especialista em Biotecnologia e Bioprocessos, em Gestão da Qualidade e Produtividade e em Segurança de Alimentos, além de cervejeira e sommelière de cervejas.

Menu Degustação: Tábuas vence concurso e fará cerveja com lúpulo dos EUA

A relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos será celebrada com uma cerveja da Tábuas. A marca de Campinas (SP) foi a grande vencedora de um concurso para produzir uma cerveja com lúpulos dos EUA, fornecidos pela USA Hops, que estará presente em eventos de celebração dos 200 anos desse relacionamento.

Essa foi uma das últimas novidades do setor, que também viu o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) ganhar uma nova integrante, a Indústria de Bebidas Paraense (Inbepa). Já para quem deseja se programar, o próximo fim de semana terá um festival no Shopping Metrô Itaquera, em São Paulo, com a presença de marcas da Companhia Brasileira de Cerveja Artesanal (CBCA). Além disso, a Ambev abriu inscrições para o seu programa de estágio.

Leia também – Entrevista: Conheça os desafios e os segredos de um juiz cervejeiro

Confira essas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Cerveja com lúpulos dos EUA
A USA Hops, em parceria com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda, na sigla em inglês), anunciou a Cervejaria Tábuas como vencedora do concurso que marca o bicentenário das relações diplomáticas entre Brasil e EUA, promovendo o uso dos lúpulos norte-americanos na cerveja nacional. A Tábuas foi escolhida entre dez concorrentes brasileiras no Bicentennial Beer Contest. Assim, a marca de Campinas vai receber 40 quilos de lúpulo da USA Hops para fabricar a Bicentennial Beer, que levará um toque brasileiro, a fruta cambuci. O pré-lançamento da cerveja com lúpulos norte-americanos está agendado para a Anuga Select Brazil, em São Paulo, em abril, com presença garantida em todas as comemorações do bicentenário promovidas pela Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil.

Nova associada
O Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) anunciou a adesão da Indústria de Bebidas Paraense (Inbepa) como sua mais recente associada. A marca já lançou dois rótulos de cerveja: a Caribeña e, mais recentemente, a Sibéria. Com uma fábrica localizada em Belém, a Inbepa produziu 16 mil hectolitros de cerveja em 2023, com udistribuição que abrange os estados do Pará, Roraima, Amapá e Maranhão.

Festival no shopping
O Shopping Metrô Itaquera, na zona leste de São Paulo, receberá no próximo fim de semana (6 e 7), um festival de cerveja, das 12h às 20h. Os visitantes poderão desfrutar de shows de artistas como Netinho de Paula e Sampa Crew. Além disso, as cervejarias artesanais Leuven, Unicorn e Schornstein, todas da CBCA, estarão presentes, oferecendo uma variedade de rótulos para todos os gostos. Com uma área de 2.000m², o evento contará com estrutura coberta, mesas, cadeiras, entrada gratuita e uma seleção gastronômica diversificada. Para completar a diversão em família, haverá apresentações de artistas locais, food trucks e uma área kids.

Pub da Turatti
O Grupo Turatti revelou seu novo projeto arquitetônico no bairro Varjota, em Fortaleza, com um investimento de R$ 3,5 milhões. O empreendimento será renovado para se transformar em um pub, semelhante aos ingleses. A marca, anteriormente centrada na produção de cervejas artesanais, está direcionando seu foco para um novo modelo de negócio, combinando restaurante, parrilla e cervejaria. As obras de reforma e ampliação, iniciadas em fevereiro, visam oferecer uma experiência gastronômica sofisticada e moderna, com um toque de conforto para toda a família. O pub será totalmente climatizado e com dois andares,

Eisenbahn no Comida di Buteco
A Eisenbahn firmou seu compromisso com as ocasiões de consumo ao patrocinar o Comida di Buteco em 2024, destacando a importância da harmonização entre petiscos de qualidade e cervejas. Com mais de 560 “botecos” participantes em todo o Brasil, a marca estará presente em 14 circuitos, oferecendo seus rótulos Unfiltered e Pilsen. Sob o mote “Somos Todos Buteco”, o evento destaca a sociabilidade brasileira, incentivando a criatividade e a autenticidade dos bares locais. A competição, que ocorre de 5 de abril a 5 de maio, busca eleger o melhor boteco do país por meio de votação popular e avaliação de jurados especializados.

Curso sobre tributação
A Beer Business realizará nova edição do curso online Tributação para o Mercado Cervejeiro. O programa abordará aspectos importantes dessa temática para evitar erros comuns que podem resultar em prejuízos financeiros, com ensinamentos sobre operações corretas e os percentuais de impostos associados a elas. As aulas ocorrerão nos dias 16, 18 e 22 de abril, das 19h30 às 22h30, com opção de revisão durante um ano. O preço do curso é de R$ 792,89, parceláveis em 6 vezes sem juros, com descontos para parceiros.

Curso sobre segurança
A Academia da Cerveja, escola da Ambev, oferece um curso gratuito de segurança NR13, direcionado para profissionais da indústria cervejeira. Projetado para aqueles que estão envolvidos nos processos de produção, manutenção e controle de qualidade em cervejarias, o curso aborda aspectos essenciais relacionados à segurança na operação de vasos de pressão e caldeiras. Com carga horária de 4 horas, divididas em dois dias de aula online com instrutor ao vivo, o curso visa capacitar os participantes para lidar com as questões cruciais de segurança na indústria. Os interessados podem se inscrever até 8 de abril para as aulas que ocorrerão nos dias 9 e 11.

Estágio na Ambev
A Ambev anunciou a abertura das inscrições para o seu programa de estágio, convidando talentos de todo o Brasil a se juntarem à empresa em uma jornada de aprendizado, liderança e grandes projetos. Há vagas disponíveis nas áreas de Business e Supply. Os candidatos terão até 16 de abril para se inscreverem gratuitamente pelo site, escolhendo a unidade e o segmento que mais os interessam. O processo seletivo será híbrido e o programa presencial, aberto a estudantes dos dois últimos anos de graduação de todos os cursos.

Meta alcançada
A Ambev alcançou um novo marco em sua jornada pela sustentabilidade, atingindo uma meta de eficiência hídrica um ano antes do previsto. Ao reduzir a utilização de água nos processos de produção de suas cervejas em mais de 55% nos últimos 20 anos, a empresa atingiu média de 2,39 litros de água por litro de bebida em 2024, superando o objetivo estabelecido para 2025, que era de 2,5 litros.

Visita em Agudos
A Ambev está oferecendo uma experiência temática de Páscoa na sua cervejaria em Agudos (SP). Até este sábado, os visitantes terão a oportunidade de desfrutar de uma visita guiada gratuita, que inclui harmonização especial para celebrar a data. Durante a visita, os participantes poderão explorar a combinação de cerveja com chocolate e descobrir como harmonizar diferentes pratos típicos da Páscoa com cervejas. Além disso, terão a chance de aprender sobre o processo de produção da cerveja, desde os ingredientes até a fase de filtração, podendo provar a cerveja diretamente do tanque.

Diversificação nas latas
A diversificação do uso das latas de alumínio por diferentes representantes da indústria de bebidas é evidente, como demonstram dados divulgados pela Associação Brasileira de Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas), com aumento de 74,6% nas vendas da água em lata e de 5,3% para o vinho em lata no ano passado.

Marca de cerveja mais vendida no mundo, chinesa Snow Beer entra no mercado dos EUA

Quando alguém pergunta qual a marca de cerveja mais vendida no mundo, muitas vezes não sabe que ela vem da China. É a Snow Beer, que agora está disponível no mercado dos Estados Unidos. A cervejaria lançou no país a Brave the World. E os interessados podem encontrar em supermercados, lojas de bebidas e restaurantes da Califórnia, de Nova York e do estado de Washington, além de outras regiões.

A China Resources Snow Breweries (CR Snow), responsável pela Snow Beer, planeja introduzir mais cervejas da marca nos Estados Unidos nos próximos meses, incluindo a Classic Snow Beer, prevista para o segundo trimestre deste ano. A cervejaria também deve lançar a série Opera Mask, com rótulos inspirados na ópera chinesa, no final de 2024 ou início de 2025 no país.

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“A China Resources Snow Breweries está iniciando uma emocionante jornada ao trazer a rica tradição da fabricação de cerveja chinesa para os Estados Unidos. Nosso objetivo vai além de simplesmente oferecer uma nova opção de cerveja; aspiramos a familiarizar os americanos com a profundidade e sofisticação da cultura cervejeira chinesa, que floresceu ao longo do último século”, afirma a China Resources Snow Breweries no comunicado em que anunciou a chegada da Snow Beer ao mercado norte-americano.

A cervejaria também expressa entusiasmo com a possibilidade de estabelecer novas tradições e conexões com os consumidores dos Estados Unidos. “Com produtos de qualidade, experiência cultural e abordagens inovadoras, a China Resources Snow Breweries está preparada para causar um impacto significativo na indústria cervejeira americana”, declara.

A cervejaria designou o Ever Grand Group como distribuidor oficial da Snow Beer nos Estados Unidos.

Qual a marca de cerveja mais vendida no mundo?

A Snow Beer é atualmente a marca de cerveja mais vendida no mundo. Trata-se de uma cerveja Lager, lançada em 1993 pela CR Snow, inicialmente uma joint venture entre a SABMiller e a China Resources Enterprise. Em 2016, a Anheuser-Busch InBev vendeu sua participação na SABMiller para a até então parceira de negócios chinesa. Em 2018, o Grupo Heineken assinou um acordo com a China Resources Enterprise para adquirir uma participação de 40% na empresa.

Descubra 16 lançamentos de cervejas realizados em março

O mês de março ficou marcado por uma profusão de novidades, com variadas marcas apresentando criações surpreendentes em lançamentos de cervejas que foram motivados, principalmente, por datas especiais do período, como o Dia Internacional da Mulher e a celebração da Páscoa.

Além disso, algumas cervejarias realizaram lançamentos de séries especiais em março, como a Croma Beer, que apresentou a Coffee Rocks Series, e a Dado Bier, que iniciou sua linha de cervejas Concepts. E essas são apenas algumas das surpresas que o mundo cervejeiro reservou para este mês.

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Prepare-se para explorar um universo de sabores e aromas únicos em 16 lançamentos de cervejas realizados em março e selecionados pelo Guia:

Brewteco
O Brewteco lançou duas novas cervejas próprias no mês de março: a Belgian Tripel, uma cerveja robusta com corpo aveludado e aromas condimentados, e a Weizenbock, de cor marrom avermelhada e intensos aromas de frutas secas, disponíveis em todas as unidades da rede de bares no Rio de Janeiro.

Croma Beer
A Croma Beer, lançou, em março, novidades para os amantes de cerveja e café. A marca apresentou a Coffee Rocks Series, uma série exclusiva composta por três cervejas inspiradas nos picos mais altos da Suíça: Matterhorn, Jungfrau e Titlis. Cada variedade utiliza grãos de café de origens distintas – Peru, Colômbia e Honduras, respectivamente – torrados pela Miro Manufactura de Café na Suíça e infusionados pela Croma em uma base de Imperial Stout maturada em barricas de Bourbon, finalizando com nibs de cacau e chocolate. Além disso, a marca apresentou sua segunda edição especial de Páscoa em parceria com a Baianí Chocolates: a cerveja Choco, uma Bourbon Barrel Aged Imperial Stout com adição de nibs e casca de cacau do Vale Potumuju, Bahia, com um toque especial de um blend de três barris de bourbon.

Dado Bier
A Dado Bier também apresentou em março uma novidade para os apreciadores de cerveja artesanal. Com o lançamento de uma edição exclusiva e limitada da Sour Goiaba e Pitaya, a cervejaria inaugurou sua nova linha, a Dado Bier Concepts, destinada a testar novos sabores e criar experiências sensoriais únicas. Desenvolvida pelos mestres cervejeiros Michael Dresch e Josiel Moraes, em colaboração com o beer sommelier Thiago Martins, esta cerveja combina a refrescante acidez de uma Sour com a doçura e frescor da goiaba e da pitaya.

Demonho
O mês de março teve lançamento duplo da Demonho: Maitê e Yasmin Escreve seus Caminhos. Maitê, uma West Coast Double IPA, combina café e coco para uma experiência seca, amarga e complexa. Enquanto isso, Yasmin Escreve seus Caminhos, do mesmo estilo, oferece um contraponto delicado, com um amargor assertivo e notas sutis de frutas tropicais e água de coco, em uma homenagem à diversidade de sabores.

Dogma
A Cervejaria Dogma surpreendeu os amantes de cerveja e chocolate com uma colaboração inédita para a Páscoa em parceria com a marca de chocolates Luisa Abram. A cervejaria lançou duas cervejas exclusivas de edição limitada, a Guará Porter e a Guará Sour, combinando o perfil de sabores do cacau selvagem da Amazônia, usado pela Luisa Abram, com a expertise em cervejas criativas da Dogma. A Guará Porter, uma Imperial Chocolate Porter, oferece uma experiência com notas de chocolate, café e caramelo torrados, enquanto a Guará Sour, leve e refrescante, combina coco e maracujá.

Hocus Pocus
O bar da Hocus Pocus em São Paulo, localizado em Pinheiros, no Largo da Batata, apresentou em março a cerveja Rabbit Hole, uma Imperial Stout com cacau, aveia, coco, coco torrado e nozes negras. Para acompanhar, sugere uma sobremesa exclusiva, uma fatia de torta com cocada de coco queimado, mousse de chocolate e nozes, finalizada com pó de café moído na hora.

Nacional
O Projeto Musas do Verão – 2024 celebrou a maternidade e a força feminina em meio a um mercado muitas vezes desafiador para as mulheres. Explorando a complexidade da maternidade e como ela se relaciona com a estrutura patriarcal, o projeto convida a refletir sobre os saberes ancestrais, potências e brasilidade que podem ser encontrados dentro de um copo de cerveja. A cerveja resultante, a Garrafada da Jurema, é uma Urucum Nacional Ale que incorpora ingredientes como jurema, barbatimão, jucá, catuaba, aroeira, lírio-do-brejo, urucum e cumaru, oferecendo uma narrativa rica que resgata gostos e sabedorias complexas.

Paulistânia
A Cervejaria Paulistânia e o Eataly se uniram para produzir uma cerveja em homenagem à deusa romana Ceres, símbolo da agricultura e dos cereais. Idealizada por duas profissionais do mercado cervejeiro, Dani Mingatos e Candy Nunes. Se trata da Ceres Visia, uma American Wheat que leva maltes de cevada e trigo da Agrária Malte, além de uma lupulagem especial da Yakima Chief Hops. A fermentação ficou a cargo da cepa American Ale TeckBrew 10, da Levteck Tecnologia Viva.

Prussia
A Prussia Bier, de São Gonçalo do Rio Abaixo (MG), realizou o lançamento de uma cerveja com receita desenvolvida por seis cervejeiras e fabricada por 16 mulheres. A Best Bitter combina elegância clássica com sabores contemporâneos, incluindo notas frutadas de amora e framboesa, além de um toque sutil de cacau. Metade dos lucros da venda desta cerveja será doada para o Instituto Filhas de Sara, que oferece apoio a mulheres vítimas de violência. Já o rótulo presta homenagem à deusa da cerveja, Ninkasi, celebrando a contribuição histórica feminina na produção de cerveja ao longo dos séculos.

Stormy Brewing
O lançamento de março da Stormy Brewing foi a Pink Birds, uma Double West Coast IPA. Com 7,6% de teor alcoólico, esta cerveja apresenta lupulagem intensa, combinando os lúpulos Galaxy e Mosaic. Sua base de malte neutra e clara complementa o amargor alto, resultando em uma experiência lupulada, seca e altamente aromática.

Entrevista: Conheça os desafios e os segredos de um juiz cervejeiro

Por trás das sempre aguardadas medalhas distribuídas pelos mais variados concursos cervejeiros, há sempre vários juízes. São eles os responsáveis por avaliar dezenas de rótulos que irão se transformar em um balizador importante de qualidade dentro do setor.

Para compreender melhor essa tarefa, o Guia entrevistou Aline Ferreira, sommelier de cervejas pela ESCM/Doemens Akademy, mestre em estilos e juíza internacional de cerveja BJCP. Na conversa, ela destaca que os juízes de concursos cervejeiros, além de certificações formais, devem ter habilidades sensoriais aguçadas, ética profissional e familiaridade com os regulamentos de cada competição.

Aline destaca o crescimento significativo de concursos cervejeiros na América Latina e os desafios e oportunidades enfrentados pelos juízes em cada contexto regional. Além disso, compartilha a importância do reconhecimento ao trabalho desses profissionais para o desenvolvimento da indústria cervejeira.

Na entrevista, Aline também nos leva aos bastidores do trabalho de um juiz cervejeiro, revelando alguns dos momentos marcantes que enfrentou no dia a dia. Ela ainda explica o que a motivou a criar o curso online “Como Ser um Bom Juiz de Cerveja”, que oferece uma oportunidade para entusiastas e profissionais da área aprimorarem suas habilidades de avaliação de cervejas e está em fase final de inscrições pelo link, com início das aulas em abril.

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Confira a entrevista do Guia com Aline Ferreira sobre o mundo dos juízes cervejeiros, seus segredos e desafios:

Você está lançando um curso para pessoas que querem se tornar juízes cervejeiros. Como será estruturado esse curso e o que ele ensinará na prática? O que o aluno pode esperar dele?
Sim, é um curso voltado para profissionais e entusiastas que querem atuar como juízes em concursos de cerveja. Muita gente me procura para saber como começar e por isso acabei montando o curso.  O curso é dividido em 4 aulas online e ao vivo, com momentos práticos de julgamento de cerveja. Vou abordar sobre a estrutura de concursos, como funciona esse mundo e, principalmente, sobre as técnicas de julgamento. O aluno vai aprender a julgar, preenchendo súmulas, que são as fichas técnicas de avaliação em concursos cervejeiros, e vai aprender a elaborar feedbacks construtivos de acordo com o tipo de concurso.

Temos hoje inúmeros juízes cervejeiros no mercado, mas sabemos que a preparação para se tornar um bom juiz não é fácil. Qual seria, então, essa preparação ideal? O que faz de um profissional um bom juiz cervejeiro e quais erros eles devem evitar?
Ser juiz vai além de certificações ou formação. No geral não há uma formação oficial para juízes de cerveja, o BJCP (Beer Judge Certification Program) é uma ótima ferramenta para aprender a julgar e estudar os estilos de cerveja, há muito conteúdo para estudar. Para mim, esse programa funciona como uma orientação para juízes e ajuda a padronizar alguns requisitos do que se espera de um juiz. Um bom juiz é aquele que sabe avaliar sensorialmente uma amostra, sem considerar suas preferências e opiniões pessoais, que garante a ética e respeito ao cervejeiro ou cervejeira que inscreveu sua amostra, esperando por um feedback justo e eficiente. Um erro que se deve evitar é entregar um feedback somente com a percepção sensorial, é importante identificar os defeitos e sugerir melhorias. Um ponto importante também é conhecer o regulamento e o guia utilizado em cada concurso. Não se pode avaliar uma cerveja baseada no que você acha sobre o estilo, é preciso seguir as diretrizes de cada competição.

De maneira geral, como esse mercado de juízes tem se comportado em diferentes regiões? Como é hoje esse mercado no Brasil, na América Latina e em locais onde o setor de cervejas artesanais é mais consolidado, como Estados Unidos e Europa?
Estamos vendo um crescimento muito grande de competições por toda América Latina, concursos que antes só trabalhavam com amostras nacionais, passam a aceitar cervejas de outros países, internacionalizando ainda mais o mercado e proporcionando maiores chances que aumentem a visibilidade internacional de uma marca, e a oportunidade de que as cervejas sejam julgadas por grandes profissionais de todo o mundo. Aqui estamos aprendendo muito ainda, as organizações de concursos estão se profissionalizando e otimizando o processo de julgamento. Cada concurso funciona como um grande intercâmbio cultural e de cerveja, e para nós juízes é praticamente um treinamento sensorial. Os Estados Unidos têm uma grande quantidade de concursos caseiros, a cena artesanal é muito forte. Já na Europa, os concursos são mais prestigiosos e tradicionais, Essa área ainda é pouco alcançada por brasileiros, visto que envolve maiores custos.

Há uma percepção de profissionais do setor de que nem sempre um juiz cervejeiro é bem remunerado como deveria. Isso ocorre de fato e por quê? Como a não valorização ideal do juiz acaba prejudicando a cadeia cervejeira?
Esse é um tema muito delicado, que acredito que valha a nossa reflexão crítica. Eu como juíza, investi tempo, energia e dinheiro nesse caminho para melhorar minhas habilidades como profissional e por vezes também penso como o mercado “exige” por bons profissionais sem realmente retribuí-los por isso. Essa é uma prática de quase todos os concursos pelo mundo, há um fator ético de que devemos fazer esse nobre trabalho para ajudar o mercado a se desenvolver. Os concursos trabalham com orçamentos apertados e vejo de perto que nem sempre é sobre dinheiro, a maioria dos organizadores que conheço nem sempre pode contar com investidores ou patrocinadores e por vezes já tiraram dinheiro do próprio bolso para ajudar a bancar o evento.

Acredito que essa valorização deva acontecer da consciência de ambas as partes, de nós juízes que nos esforçamos para estudar, viajar (e bancar nossas passagens) e também da parte da organização dessas competições, que geralmente nos pede formação, experiência de julgamento, cartas de recomendação e bom relacionamento com o mercado. Acredito que o primeiro passo seja abrir esses espaços para discutir como podemos valorizar e remunerar esse trabalho de maneira justa e ética, já que é um grande componente neste processo. No geral, não somos remunerados, algumas vezes conseguimos as passagens, além da alimentação e hospedagem. Para mim, a maior riqueza dessa experiência tem sido a troca com outras pessoas, conhecer lugares e países através da cerveja e gastronomia de cada local.

De maneira prática, como é o trabalho de um juiz cervejeiro? Como funcionam as degustações? Qual o segredo para degustar tanta cerveja e seguir firme e forte no propósito de avaliar cada uma das amostras?
Olha, pode parecer pura diversão, mas é um trabalho muito sério e rigoroso. Geralmente temos muitas cervejas por dia, então levantamos bem cedo para um café reforçado e iniciamos o dia de julgamento. As amostras são servidas em pequenas quantidades, por volta de 50ml, a dinâmica de avaliação de cada mesa varia muito de acordo com os profissionais, mas o mais comum é cada um realizar sua avaliação individual, preenchendo a ficha técnica e feedback, e ao final discutimos os pontos principais, pontuando a amostra.

O segredo é muita água e alimentação! Geralmente a gente come um pãozinho ou biscoito entre uma degustação e outra, com muita água (haja banheiro). Vez ou outra a gente levanta pra dar uma voltinha e esticar as pernas, pois são muitas horas seguidas avaliando. Mas um dos maiores incentivos é o sentimento de que cada cervejaria ou produtor merece uma avaliação justa, seja ela realizada no início ou no fim do dia de julgamento.

Em sua vida prática como juíza, por quais situações inusitadas você já passou? Já provou cervejas estranhas? Degustou, por outro lado, cervejas que te fizeram “perder a cabeça”?
Sim, sempre recebemos muitas surpresas na mesa de julgamento, algumas agradáveis e outras nem tanto. Quando há alta intensidade e gravidade de off flavors, é importante indicar as causas para ajudar a cervejaria de maneira respeitosa, mas já passei por situações complicadas. O que sempre me deixa maravilhada é a criatividade dos cervejeiros de juntar alguns ingredientes e processos, cervejas com frutas me chamam muito atenção, é uma grande maneira de conhecer os sabores dos países que visito, e muitas vezes são frutas que eu nunca vi e provei, alguns organizadores nos apresentam as frutas e isso é incrível. Cervejas com pimentas também são muito diferentes. A América Latina tem uma grande variedade de pimentas, das mais tranquilas às mais desafiadoras, e já provei cervejas que realmente são muito ardidas e mesmo gostando de picância, acabei pedindo socorro.

Outra categoria que tem feito muito sucesso é com adição de Cannabis, os produtores estão explorando os aromas e sabores para além das IPAs, adicionando em estilos menos comuns. Em um concurso no México, provei uma Gose com adição de Cannabis, que nunca vou esquecer, tinha um balanço ácido muito refrescante e o herbal intenso trazia tanta complexidade, e no caso desta amostra que tinha THC, tivemos que deixá-la para julgar ao final para não atrapalhar o rendimento do julgamento, já que depois ficamos bem relaxados, se é que me entende.

Reação do setor ainda não chegou às artesanais, avaliam especialistas

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O ritmo de produção e vendas na indústria cervejeira está em recuperação. Porém, essa retomada acontece mais para os grandes conglomerados do setor, enquanto as cervejarias artesanais ainda enfrentam dificuldades para se firmarem no mercado, apontam especialistas ouvidos pelo Guia. O segmento das cervejas artesanais, segundo eles, ainda não conseguiu recuperar seu espaço na cesta de compras dos consumidores.

“O consumo de cervejas artesanais vem sofrendo com a economia, e o público tem optado por produtos de valor mais baixo, fazendo com que as cervejas artesanais deixem de ser prioridade”, avalia o gerente de negócios da GL events e responsável pela Brasil Brau, Gabriel Pulcino.

Leia também – Quais as estratégias das cervejarias diante do aumento de custos

O presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) e da Câmara Setorial da Cerveja, Gilberto Tarantino, identifica um desafio para as marcas artesanais acompanharem a recuperação da indústria cervejeira, relacionado ao aumento dos custos enfrentados ao longo de 2023

“No nosso segmento, as cervejarias com anos de estrada não observaram aumento de produção. Muitas mantiveram o nível da fabricação, comparado com anos anteriores, mas com aumento nos custos, pela alta dos insumos e da logística”, diz.

Dados divulgados pelo IBGE indicam que após um primeiro semestre desafiador, a produção de bebidas alcoólicas registrou reação na segunda metade de 2023, com seis meses consecutivos de crescimento, fechando o ano com expansão de 0,2%. Esse ritmo positivo se manteve em janeiro, com crescimento de 9,4% em comparação com o primeiro mês do ano passado.

Projeções da plataforma internacional Euromonitor, citadas pelo Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), indicam crescimento de 4% na produção de cervejas no Brasil de 2022 para 2023, totalizando 15,7 bilhões de litros. Essa previsão, segundo o sindicato, deve ser confirmada ainda no primeiro semestre.

O Sindicerv avalia que o setor cervejeiro foi positivamente impactado no ano anterior pela retomada de eventos, shows e confraternizações após o fim da pandemia do coronavírus, juntamente com a chegada do verão, período de grande movimentação no país, principalmente turística, visão compartilhada por Pulcino.

“Esse aumento é basicamente conduzido pelo consumo de cervejas mainstream. Os grandes eventos que ocorrem no segundo semestre, assim como as festas de final de ano são responsáveis pelo consumo elevado e com a chegada do verão e carnaval possivelmente esse número se manterá”, conclui o gerente de negócios da GL events.

Principais cervejarias ocidentais perdem 26,7 mi de hectolitros em 2023

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As três principais cervejarias do Ocidente tiveram queda somada de aproximadamente 26,7 milhões de hectolitros nas vendas de cerveja em 2023, em comparação com o ano anterior, segundo dados compilados pelo Guia a partir dos resultados financeiros divulgados recentemente por AB InBev, Grupo Heineken e Grupo Carlsberg. O volume total caiu de 875,9 milhões de hectolitros para 849,2 milhões de hectolitros, o que representa recuo anual de 3,14%.

Entre essas companhias, o Grupo Heineken sofreu a maior perda em 2023, com queda de 14,3 milhões de hectolitros, representando 4,7% de redução, diminuindo de 256,9 milhões de hectolitros para 242,6 milhões de hectolitros em relação a 2022.

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Essa diminuição no volume de vendas foi observada em todas as regiões do mundo, com a maior queda registrada na Ásia Pacífico, onde houve perda de 5 milhões de hectolitros (10,4%).

Além disso, as reduções foram de 6,3% na África, Oriente Médio e Leste Europeu, 5,4% na Europa e 0,1% nas Américas, que é o principal mercado do Grupo Heineken, caindo de 88,5 milhões de hectolitros para 88,4 milhões de hectolitros.

A AB InBev, líder global em vendas de cerveja, apresentou queda de 2,3% no ano passado, ou de 12,4 milhões de hectolitros, com um volume de 505,9 milhões de hectolitros em comparação com os 518 milhões de hectolitros do ano anterior. A maior retração regional foi observada na América do Norte, com uma diminuição de 12,1%, caindo de 102,7 milhões de hectolitros para 90,1 milhões de hectolitros.

Houve, ainda, quedas de 2,8% na Ásia Pacífico, de 0,7% na Europa, Oriente Médio e África e de 1,1% na América do Sul, o seu principal mercado, com o volume comercializado indo de 164,3 milhões de hectolitros para 162,5 milhões de hectolitros. A venda de cerveja pela AB InBev apresentou crescimento na América Central, onde saltou de 147,6 milhões de hectolitros para 148,7 milhões de hectolitros, alta de 0,7%.

Entre os três principais grupos cervejeiros do Ocidente, a Carlsberg teve a menor variação no volume de vendas em 2023 em relação a 2022, com queda de 0,4%, totalizando 101 milhões de hectolitros. A companhia teve retração de 4,7% no Leste e Centro da Europa e de 3,8% na Europa Ocidental.

Enquanto o Grupo Heineken e a AB InBev reduziram suas vendas na Ásia, o continente foi o destaque comercial da Carlsberg no ano passado, em um indicativo de conquista de mercado pela companha de origem dinamarquesa na região em 2023. Por lá, a venda de cerveja cresceu 5,1% em um ano, de 42 milhões de hectolitros para 44,1 milhões de hectolitros.

4º trimestre
Nos últimos três meses de 2023, o desempenho das três cervejarias foi semelhante ao de todo o ano, mas quem mais perdeu vendas na comparação com quarto trimestre de 2022 foi a AB InBev, com recuo de 3,6%, de 128,5 milhões de hectolitros para 123,8 milhões de hectolitros. O resultado foi puxado pela retração de 13,6% na América do Norte.

Já a queda do Grupo Heineken foi de 3,2%, de 63,3 milhões de hectolitros para 59,4 milhões de hectolitros, com perda de 10,1% na Ásia Pacífico. Já o volume global da Carlsberg cresceu 1%, de 19,4 milhões de hectolitros para 19,6 milhões de hectolitros, com expansão de 6,3% na Ásia.

Cerveja com Ciência: Resiliência das artesanais britânicas pós Covid-19

Cerveja com Ciência: Resiliência das artesanais britânicas pós Covid-19

Este artigo contribui para a literatura sobre resiliência e empreendedorismo no setor cervejeiro artesanal, mas tem limitações, como focar apenas no período entre março de 2020 e setembro de 2021, e especificamente no Reino Unido.

Entrevistas realizadas com cervejeiros e a análise estatística de dados do setor nos forneceram informações práticas sobre a indústria cervejeira artesanal do Reino Unido antes e depois da pandemia de Covid-19. Este estudo, que se concentrou nas cervejarias menores do setor, encontrou uma tendência distinta de crescimento nos quatro anos anteriores à Covid-191.

Os resultados da análise quantitativa mostram que a idade de uma cervejaria, o tamanho do seu portfólio de cervejas, as vendas fora de um raio de 65km, a porcentagem de vendas destinadas ao varejo em canais de distribuição, o número de instituições de caridade locais e projetos que a cervejaria apoia, e o número de funcionários qualificados e não qualificados aumentam significativamente a probabilidade de uma cervejaria ultrapassar o limite de faturamento de £ 50 mil (aproximadamente R$ 319 mil, na cotação de março de 2024)1.

Esse padrão, no entanto, foi drasticamente alterado em março de 2020 pelo surto de Covid-19. As únicas formas de chegar ao mercado eram os supermercados, as lojas não licenciadas e as vendas diretas, tanto na cervejaria como online, após o encerramento abrupto das atividades da indústria de turismo, hospitalidade e dos eventos. Depois que o primeiro choque passou, outras táticas surgiram, afirmaram os pesquisadores1.

No que diz respeito à resiliência das cervejeiras, os dados sugerem que aquelas que possuíam ativos pré-crise – como máquinas de engarrafamento e enlatamento no local e uma loja online em funcionamento – estavam mais bem equipadas para resistir à turbulência da indústria com as restrições sociais e por meio do confinamento. Os recursos subutilizados foram transformados em ferramentas úteis para aumentar a resiliência2. Estas cervejarias demonstraram uma maior capacidade de operacionalizar mudanças de forma mais rápida e adaptável do que outras, apoiando as conclusões de outros pesquisadores3,4 sobre o alto grau de agilidade e eficiência de recursos exigido pelas empresas para alterar o curso em resposta a circunstâncias externas.

Os entrevistados identificaram três atos principais que tipificam uma resposta das cervejarias focada no curto prazo: uma ampla reconsideração das embalagens (como sacos em caixas e pequenos barris), avaliação da linha de produtos e investigação de novos canais de distribuição (lojas online, drive-thru e click-and-collect). Muitas dessas respostas foram inicialmente limitadas pelos recursos prontamente disponíveis, pela autonomia e pela bricolagem no modelo5. “Bricolagem” é um termo originalmente emprestado da língua francesa, que se refere ao processo de criação de algo novo ou resolução de um problema usando quaisquer materiais ou recursos disponíveis. Muitas vezes está associado a uma abordagem prática, do tipo “faça você mesmo”, que envolve improvisação e criatividade. Neste contexto, “bricolagem” provavelmente se refere à ideia de que muitas das respostas ou soluções foram inicialmente limitadas pelos recursos imediatamente disponíveis, bem como à autonomia e ao ato de reunir vários elementos para criar uma solução, seguindo o modelo proposto5. Essencialmente, sugere que as respostas foram moldadas por meio da melhor utilização dos recursos disponíveis e da combinação criativa de diferentes componentes para resolver o problema em questão.

Os resultados da segunda rodada de entrevistas revelaram que algumas cervejarias artesanais têm buscado evoluir para oportunidades estratégicas a longo prazo. Estas incluem uma mudança significativa nas embalagens (como um aumento nas vendas de latas, engarrafamento e take-away em growlers), uma utilização mais estratégica de novos canais de comercialização (como assinaturas online e vendas diretas locais ou vendas diretas para lojas de garrafas, omitindo os supermercadistas) e uma intensificação contínua do envolvimento por meio de vendas online.

Muitas cervejeiras procuraram formas de apresentar planos de investimento em resposta às mudanças no cenário comercial e impulsionar novas áreas de expansão para apoiar a sobrevivência, a fim de satisfazer as necessidades de curto prazo.

Por outro lado, alguns optaram por hibernar total ou parcialmente na esperança de regressar rapidamente à vida como era antes da pandemia de Covid-19. Nestas situações, as duras restrições impostas à indústria hoteleira e às indústrias associadas, bem como o trabalho remoto e a suspensão dos trabalhadores, serviram como uma barreira adicional, impedindo a agilidade das pequenas empresas do setor em particular6. Ao contrário das evidências de que a burocracia, que é frequentemente percebida como uma barreira ao crescimento liderado pela inovação entre organizações maiores e mais antigas, pode ter beneficiado cervejarias mais estabelecidas do que as menores, com empréstimos e subsídios disponibilizados prontamente pelo governo do Reino Unido, conforme confirmado por meio das entrevistas. Em comparação com cervejarias mais novas e menores, estas provavelmente têm contatos e experiência na indústria de cerveja artesanal para ajudá-las a lidar com a pressão administrativa de obter apoio comercial.

Para melhorar a resiliência empresarial das cervejeiras, os pesquisadores descobriram que uma rede local forte era um trunfo crucial. Esta descoberta destaca a interação entre os recursos da empresa e os empreendedores para influenciar a sua resposta de resiliência. As entrevistas revelaram que as cervejeiras menores ainda eram suscetíveis de obter o máximo das suas ligações com as comunidades locais, mesmo quando as correlações anteriores à Covid-19 mostravam um maior envolvimento das cervejeiras de maior dimensão em iniciativas de caridade e iniciativas locais em comparação com as menores. Devido à dependência de licenças para vender cerveja, muitas empresas confiaram na clientela local para se manterem à tona durante o bloqueio. As redes locais são fundamentais para o sucesso das cervejeiras artesanais, como demonstrado pelo fato de aquelas que já estavam envolvidas nas suas comunidades terem conseguido redirecionar uma porcentagem maior das suas vendas para clientes privados do que outras empresas.

Como podemos perceber, as cervejarias artesanais no Reino Unido têm adotado ferramentas online e desenvolvido modelos de negócios para atender às mudanças nas rotas do mercado. No entanto, a mudança para as vendas online levanta questões sobre a resiliência da indústria, especialmente em relação aos pubs e restaurantes.

Os subsídios e os empréstimos bonificados do governo do Reino Unido durante a pandemia ajudaram muitas cervejeiras a sobreviver, mas algumas cervejeiras menores estavam menos atentas às oportunidades de investimento. No entanto, o “Job Retention Scheme” e o “Restart support” (Esquema de Manutenção de Emprego e o Suporte para Reinício, em tradução livre) terminaram, e o aumento dos custos de transporte e energia, bem como o aumento dos custos de abastecimento de água e material de embalagem, representam desafios significativos para as cervejeiras que ainda se recuperam da Covid-19.

O Orçamento do Outono de 2021 introduziu uma redução de 5% nos impostos sobre a cerveja de pressão e a sidra para apoiar os bares e instalações licenciadas. Contudo, esta medida também deverá beneficiar as grandes cervejarias e empresas de bares. A Campaign for Pubs and Real Ales (Camra) descreveu esta medida como uma “discriminação direta contra as pequenas cervejarias do Reino Unido”. É necessário um apoio financeiro e logístico mais direcionado, como subvenções ou regimes, para as cervejarias menores.

Em suma, à medida que as cervejarias artesanais do Reino Unido se adaptaram às novas realidades impostas pela pandemia, ficou claro que a resiliência era essencial para a sobrevivência. Aquelas que já possuíam ativos e recursos estratégicos, como máquinas de envase próprias e presença online estabelecida, demonstraram maior capacidade de enfrentar os desafios impostos pela crise.

No entanto, o caminho para a recuperação ainda apresenta desafios significativos. O término de programas de apoio governamental, juntamente com o aumento dos custos operacionais, coloca pressão adicional sobre as cervejarias, especialmente as menores. A redução nos impostos sobre a cerveja anunciada no Orçamento do Outono de 2021 foi recebida com críticas por não abordar adequadamente as necessidades das cervejarias artesanais de menor porte.

O setor cervejeiro artesanal do Reino Unido continua a enfrentar desafios significativos à medida que se recupera da pandemia da Covid-19. Para garantir sua resiliência a longo prazo, é essencial um apoio financeiro e logístico mais direcionado, a fim de sustentar a vitalidade e a diversidade deste mercado essencialmente local e comunitário.

Um forte abraço a todos e saúde!


Referências bibliográficas:

1 Waehning, N., Bosworth, G., Cabras, I., Shakina, E., & Sohns, F. (2023). Resilient SMEs and entrepreneurs: evidence from the UK craft brewing sector. International Journal of Entrepreneurial Behavior & Research, 29(3), 665-686.

2 Ayala, J.C. and Manzano, G. (2014), “The resilience of the entrepreneur. Influence on the success of the business. A longitudinal analysis”, Journal of Economic Psychology, Vol. 42, pp. 126-135.

3 McCann, J. (2004), “Organizational effectiveness: changing concepts for changing environments”, Human Resource Planning, Vol. 27 No. 1, pp. 42-51.

4 Dormady, N., Roa-Henriquez, A. and Rose, A. (2019), “Economic resilience of the firm: a production theory approach”, International Journal of Production Economics, Vol. 208, pp. 446-460.

5 Branicki, L.J., Sullivan-Taylor, B. and Livschitz, S.R. (2018), “How entrepreneurial resilience generates resilient SMEs”, Entrepreneurial Behavior and Research, Vol. 24 No. 7, pp. 1244-1263.

6 Cowling, M., Liu, W. and Zhang, N. (2018), “Did firm age, experience, and access to finance count? SME performance after the global financial crisis”, Evolutionary Economics, Vol. 28, pp. 77-100.


Marcelo Sá é professor de gestão em operações, pesquisador na área de riscos e resiliência em cadeias de alimentos e bebidas, esposo e pai apaixonado por sua família. Em sua folga, pode ser facilmente encontrado com uma IPA ao seu lado.

Menu Degustação: Maralto inaugura loja em espaço gastronômico de São Paulo

O público cervejeiro ganhou recentemente mais um espaço para frequentar. A Cervejaria Maralto inaugurou a sua loja em São Paulo, no bairro Vila Mariana, dentro do Eats Merkato. O espaço conta com três torneiras, além de cervejas envasadas em latas.

Quem também abriu um novo espaço foi a rede de bares Brewteco, que passou a oferece suas cervejas artesanais no Parque Bondinho Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. Já a Itaipava reintroduziu a Go Draft, seu chope envasado, em edição limitada e disponível em seis estados.

Leia também – Preço da cerveja fica estável no varejo em fevereiro

Confira essas e outras novidades do setor cervejeiro no Menu Degustação do Guia:

Espaço gastronômico da Maralto
A Cervejaria Maralto, conhecida por suas receitas inspiradas no universo marítimo, inaugurou sua loja conceito no Eats Merkato, espaço gastronômico localizado no bairro Vila Mariana, em São Paulo. Com nove rótulos de linha e um ambiente temático que remete ao mar, a cervejaria oferece chopes artesanais rotativos, servidos em pints ou growlers para levar, além de suas cervejas envasadas em latas. Com uma fábrica própria no bairro Perdizes, onde são produzidos 7,5 mil litros mensalmente, a Cervejaria Maralto oferece uma variedade de estilos, desde a refrescante Pirata Titã até a encorpada Double West Coast IPA Poderoso Deus do Mar. Os consumidores também podem explorar as histórias por trás de cada cerveja por meio de vídeos acessíveis pelo QR code impresso nas latas.

Brewteco no Pão de Açúcar
A rede de bares Brewteco abriu seu primeiro quiosque no Parque Bondinho Pão de Açúcar, sendo sua oitava unidade na cidade do Rio de Janeiro. Com 170 torneiras, oferecendo uma variedade de marcas e estilos de cerveja, a marca busca simplificar a experiência de beber e se relacionar com a cerveja artesanal. O novo quiosque oferece não apenas uma vista deslumbrante, mas também petiscos, como o buraco quente, bolinho de arroz, coxinha e cocréti (croquete de linguiça com queijo).

Medalhas para a Ashby
A cervejaria Ashby foi a única marca brasileira premiada no European Beer Challenge 2024. O grande destaque foi para a Ashby Weiss, premiada com a Double Gold Medal, o prêmio máximo do concurso. A Ashby Session IPA conquistou a medalha de ouro pelo segundo ano consecutivo. Além disso, duas outras cervejas da Ashby foram contempladas com medalhas de prata: a Ashby British Strong Ale e a Ashby Porter.

Comida di Buteco
O Comida di Buteco 2024 terá início em 5 de abril. Até o dia 28 do próximo mês, os frequentadores estão convidados a eleger o melhor buteco, sob o lema “Somos Todos Buteco”. O concurso, que celebra sua 24ª edição, envolve mais de 1.100 bares participantes em todas as regiões do Brasil. Em 2023, o evento alcançou a marca de 1 milhão de votos e um impacto econômico de mais de R$ 300 milhões na cadeia produtiva. Para 2024, o concurso traz novidades, incluindo a liberdade de tema para a criação dos petiscos, incentivando a criatividade e a inovação dos participantes. O evento estará presente em 27 circuitos e mais de 40 municípios do Brasil.

Volta da Go Draft
A Itaipava reintroduziu a Go Draft, seu chope envasado, no mercado. A bebida é filtrada cinco vezes para garantir qualidade e pureza, preservando suas características sensoriais. O relançamento destaca-se pela embalagem transparente de 330ml, que ressalta os atributos do produto. A novidade, disponível em edição limitada, estará presente nos estados de São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e Goiás.

VOA da Ambev
O programa de voluntariado VOA, da Ambev, que já impactou mais de 10 milhões de pessoas ao longo de seis anos, passou por reestruturação em parceria com a Ago Social. Com o objetivo de transformar o terceiro setor em uma potência de inclusão produtiva, o VOA selecionará 15 ONGs para participarem do primeiro edital. As organizações receberão formação intensiva, incluindo vídeo-aulas, encontros presenciais e online, mentorias e estudos de casos de sucesso em inclusão produtiva. Além disso, o programa abrirá oportunidades para empreendedores e microempreendedores desenvolverem seus negócios sociais. O foco do processo seletivo será em causas relacionadas à empregabilidade e ao empreendedorismo. Para participar, as ONGs devem atender a critérios como ter pelo menos dois anos de CNPJ ativo e demonstrar comprometimento da liderança e potencial de impacto social na região. As inscrições estão abertas até 9 de abril pelo link.

Água da Ambev
A Ambev alcançou um marco significativo com seu projeto AMA, que visa democratizar o acesso à água potável no Brasil. A companhia conseguiu atingir a meta de atender 1 milhão de brasileiros um ano antes do previsto. Iniciado em 2016, o projeto AMA já apoiou 130 iniciativas e arrecadou mais de R$ 10 milhões. Em parceria com organizações como a Fundação Avina, Deep e a startup Água Camelo, a Água AMA busca implementar soluções como poços profundos e bebedouros públicos para distribuir água potável em comunidades carentes.

Beckham e Stella
David Beckham, renomado ícone esportivo, é o novo embaixador internacional da Stella Artois. No Brasil, Beckham apresenta o mais recente lançamento da marca, a Stella Pure Gold, que preserva o sabor característico de Stella com 17% menos calorias e sem glúten. A cerveja será destaque em uma campanha estrelada pelo ex-atleta, refletindo o propósito do produto.

Verdades difíceis de engolir
O Grupo Heineken, em parceria com a agência Dentsu Creative, lançou a campanha de conscientização “Verdades Difíceis de Engolir”, destacando questões como a baixa representatividade feminina na liderança e o assédio no mercado de trabalho brasileiro. A iniciativa envolveu profissionais de alta liderança experimentando uma bebida sem álcool, simbolizando a experiência desagradável das mulheres no ambiente corporativo. O Grupo Heineken tem o compromisso público de atingir 50% de liderança feminina até 2026 e registra 37% destas posições ocupadas.

Imcopa volta ao Grupo Petrópolis
Após uma operação policial que investigou suspeitas de desvios e ilícitos na Imcopa, empresa do agronegócio especializada na produção de soja e derivados, a Justiça do Paraná decidiu devolver o controle da empresa ao Grupo Petrópolis. Os administradores anteriores foram destituídos, após a investigação apontar que atuavam como “laranjas” de agentes do mercado financeiro não vinculados à Imcopa. A decisão visa preservar a empresa de desvios financeiros, comprovados por transferências bancárias ilegais, e garantir a sua estabilidade. A gestão da Imcopa será assumida por novos administradores indicados pelo Grupo Petrópolis, sem a necessidade de uma assembleia geral de credores, dada a expressiva participação do grupo nas dívidas da empresa em recuperação judicial.

Black Princess em Sorocaba
A Black Princess será a patrocinadora e cerveja oficial do Alok Infinite Experience 2024. Marcado para acontecer neste sábado (23), na Uzna em Sorocaba, o evento contará com a presença da Black Princess Gold, o carro-chefe da marca.

Problemas financeiros são desafio significativo para 36% das cervejarias

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Problemas financeiros são desafio significativo para 36% das cervejarias


Os desafios financeiros e o endividamento representam obstáculo significativo para 36% das cervejarias, segundo revelado pela pesquisa Principais Desafios do Mercado Cervejeiro no Brasil, realizada pelo Guia da Cerveja e acessível pelo link. Este dado enfatiza a constante luta das empresas do setor para manter suas finanças em ordem.

Além disso, os resultados da pesquisa indicam que 26% das cervejarias consideram os problemas financeiros um desafio moderado, enquanto apenas 16% dos participantes relatam considerar que se trata de um desafio baixo impacto. Essa distribuição sugere uma preocupação generalizada em relação às finanças na indústria cervejeira.

Em busca de soluções para esses problemas, as cervejarias adotam diferentes estratégias, refletindo a diversidade de abordagens no mercado. Entre as medidas mais comuns, destacam-se a redução de gastos operacionais e a busca por investidores ou parceiros comerciais.

A redução de despesas emerge como a saída adotada por 30% das cervejarias, com destaque para um índice mais elevado, chegando a 40%, entre as cervejarias localizadas na região Centro-Oeste. Isso pode incluir desde a otimização dos processos de produção até a renegociação de contratos com fornecedores.

Por outro lado, a busca por parcerias é a escolha de 29% das cervejarias, sendo especialmente popular entre 46% das empresas do Nordeste. Essa estratégia pode proporcionar acesso a recursos adicionais e oportunidades de crescimento, fortalecendo a posição competitiva no mercado.

A renegociação de dívidas com instituições financeiras é a opção mais buscada por 19% das cervejarias, com um aumento significativo para 33% entre as pequenas cervejarias e atingindo 30% entre os respondentes do Centro-Oeste. Essa abordagem visa aliviar o fardo financeiro e criar condições mais favoráveis para o crescimento sustentável.

Já aumentar os preços é uma resposta adotada por apenas 3% das participantes da pesquisa, mas alcança 17% entre as pequenas cervejarias. Essa medida deve ser implementada com cautela, considerando o impacto potencial sobre a demanda dos consumidores.

Sobre a pesquisa
A pesquisa “Principais Desafios do Mercado Cervejeiro no Brasil” é um estudo quantitativo conduzido por meio de questionário online, com respostas coletadas em setembro de 2023. O estudo contou com a participação de 129 proprietários ou administradores de cervejarias em todas as cinco regiões do país.