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Giba Tarantino sucede Falcone à frente da Câmara Setorial da Cerveja

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Gilberto Tarantino é o novo presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Cerveja, órgão vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária. Ele ocupará a posição nos próximos dois anos, sucedendo a Marco Falcone, que faleceu em janeiro e estava em seu segundo mandato.

A decisão de nomear Tarantino para o cargo foi tomada durante reunião extraordinária da Câmara Setorial da Cerveja. Os participantes enviaram a indicação ao ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, que a oficializou por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União.

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“Precisamos unir o segmento em um momento tão importante como o da reforma tributária. A câmara tem entidades importantes e poderosas, que podem ajudar muito na reforma e na questão do Imposto Seletivo. Também continuarei atuando pelos interesses das artesanais, em temas como o Imposto Seletivo, esperando que as cervejarias que estão no Simples não entrem nessa cobrança”, diz Tarantino ao Guia.

A Câmara Setorial da Cerveja, ligada ao Conselho do Agronegócio do Ministério da Agricultura e Pecuária, tem como objetivo propor, apoiar e acompanhar ações para o desenvolvimento da cadeia produtiva da cerveja no país. Seu colegiado é composto por profissionais de diferentes segmentos do setor, abrangendo embalagens, agricultura, indústrias, supermercados, turismo, bares e restaurantes.

“É uma tremenda responsabilidade ter sido indicado para essa função pelas entidades que compõem a câmara, ainda mais sucedendo meu amigo Falcone que construiu uma bela história no setor”, lembra Tarantino, que também preside a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva).

Um dos principais focos de Tarantino à frente da câmara deverá envolver as discussões sobre a implementação do Imposto Seletivo, prevista na reforma tributária. O setor cervejeiro defende que as alíquotas devem ser diferentes para cada bebida e inversamente proporcionais ao teor alcoólico.

“São muitas as propostas já em andamento que precisamos concretizar. Para isso é fundamental a participação e a união das diversas entidades que compõem a câmara, um trabalho voluntário de todos em favor do setor”, explica o empresário.

Outras propostas envolvem a criação de um CNAE específico para cervejarias artesanais, para ajudar a colher métricas e estatísticas e a desenhar políticas públicas específicas para pequenas e médias cervejarias e brewpubs. Também envolvendo a tributação, há preocupação com a busca por equilíbrio entre as políticas de diferenciação na cobrança do ICMS-ST nos estados.

Tarantino almeja fortalecer a relação com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), para reforçar a exportação da cerveja brasileira, e negociar com o Ibama para resolver questões relacionadas à taxa de fiscalização ambiental.

Quem é o novo presidente da Câmara Setorial da Cerveja
Com vasta experiência no setor de comércio exterior, Tarantino ingressou no segmento cervejeiro com uma importadora, em 2009, a Tarantino Importadora, que ajudou a trazer ao país marcas como Flying Dog, Rogue, Anderson Valley, Founders, Brewdog, Mikkeller e Faxe. Também participou diretamente da chegada de um brewpub da Brewdog ao Brasil em 2014. Em 2017, ao lado de dois sócios, criou a sua própria cervejaria, a Tarantino, em São Paulo. Depois, em 2022, foi eleito para a presidência da Abracerva.

Menu Degustação: RuEra inaugura bar e Brewteco abre nova unidade

O público cervejeiro e boêmio tem agora mais duas opções para explorar. A cervejaria cigana RuEra, em operação há um ano, inaugurou seu próprio bar em Campinas (SP). No Rio de Janeiro, o Brewteco abriu uma nova unidade na zona norte, em Del Castilho, também tendo lançado duas cervejas.

Para quem prefere um estudo cervejeiro, uma oportunidade está sendo oferecida pela Beer Business, que vai dar aula gratuita e online sobre tendências no setor na próxima terça-feira (12). Além disso, a Ambev está com 3 mil vagas abertas para a quarta edição do CervejeiraSouEu, um curso exclusivo para mulheres.

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Confira essas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Bar da RuEra
O bar da RuEra, localizado no bairro Barão Geraldo, em Campinas (SP), dentro do Urbana Food Hub, foi inaugurado no sábado (9). Com capacidade para 70 pessoas, o espaço apresenta uma proposta diversa e jovem, contando com Fernanda Brito e Bruno Martinelli, sommeliers de cerveja e fundadores da RuEra, além da entrada de Ludmyla Almeida como sócia. Oferecendo 8 torneiras e um cardápio variado, incluindo cervejas sazonais e de cervejarias convidadas, o bar da RuEra busca proporcionar uma conexão entre as pessoas em um ambiente descontraído.

Nova unidade do Brewteco
O Brewteco, rede de bares carioca, inaugurou uma unidade na zona norte do Rio de Janeiro, situada na Rua do Rio, no Shopping Nova América, em Del Castilho, sob o nome de Brew Rua do Rio. Este espaço, seguindo o padrão das demais unidades do Brewteco, oferece aos clientes 14 torneiras de chope, atendendo aos apreciadores de cerveja artesanal. Em paralelo à inauguração, a rede lança duas novas cervejas de marca própria na fábrica Brew Lapa: a Belgian Tripel (8,5% de graduação alcoólica), elaborada com malte de cevada, malte de trigo e aveia, apresentando corpo aveludado e aromas condimentados e de frutas secas; e a Weizenbock (8% de graduação alcoólica), com cor marrom avermelhada, aromas de uvas passas, banana e chocolate, além de uma picância na boca.

Tendências cervejeiras
Para explorar as tendências do mercado cervejeiro em 2024, uma aula online gratuita será realizada pela Beer Business na próxima terça-feira (12), às 20 horas, apresentando insights dos Estados Unidos, Alemanha, Bélgica, Reino Unido e Brasil. O evento visa proporcionar uma compreensão das novidades globais, inspiração para inovação nos negócios e a oportunidade de se conectar com outros interessados no setor cervejeiro.

Bolsas de conhecimento cervejeiro
A Ambev anunciou o lançamento da quarta edição do CervejeiraSouEu, um curso exclusivo para mulheres, com 3 mil bolsas de estudos gratuitas. Online, o curso destaca a inclusão produtiva feminina no mercado cervejeiro, oferecendo conhecimento introdutório sobre a cerveja e suas áreas profissionais. Ministrado por especialistas, sommelières e cervejeiras, o programa abrange temas desde a história da bebida até sua produção, ingredientes, estilos e harmonizações. Além do CervejeiraSouEu, a Ambev também oferecerá cursos a suas funcionárias e de segurança de alimentos para mulheres da indústria fabril, reforçando seu compromisso com a inclusão e capacitação.

Bolsas para educação digital
O Grupo Petrópolis estabeleceu uma parceria com a SoulCode, uma edtech brasileira focada em educação tecnológica, para oferecer 32 bolsas de estudos a crianças e adolescentes, de 13 a 17 anos, da Fundação Crescer Criança. O projeto, conduzido pelo LIS – Lab de Inovação e Sustentabilidade da Cervejaria, tem como objetivo promover a educação digital no país. As aulas, iniciadas na segunda-feira (4) e programadas até julho, estão divididas em duas turmas, uma focada nos fundamentos da programação e outra com ênfase na carreira de desenvolvedor Front-end Web.

St. Patrick’s no shopping
O Festival St. Patrick’s Day chega aos Shoppings Aricanduva, Interlagos e Central Plaza, em São Paulo, oferecendo uma celebração gratuita repleta de gastronomia variada, shows ao vivo e muita cerveja. O evento, que ocorre neste domingo (10) e entre os dias15 e 17 de março nos estacionamentos dos shoppings, das 12h às 22h, é uma homenagem ao Dia de São Patrício. Os visitantes poderão desfrutar de delícias temáticas, incluindo o sanduíche de pastrami e o shepherd’s pie. O evento também contará com shows ao vivo, bem como um espaço kids dedicado às crianças.

Aniversário de confraria feminina
A Confraria Feminina de Cerveja (Confece) vai celebrar seu 17º aniversário com uma festa gastronômica no restaurante Paladino, em Belo Horizonte, em 13 de abril, com mais de 100 rótulos de cerveja, drinques, bebidas mistas e pratos de 30 restaurantes, além de música ao vivo para animar os participantes. Os ingressos para o evento estão disponíveis na plataforma Sympla e a celebração é uma produção da Trade Beer, com co-produção da Escola Mineira de Sommelieria.

Cacildis na Resenha do Mumu
A Cacildis é patrocinadora oficial da Resenha do Mumu, evento liderado pelo cantor Mumuzinho, que será realizado neste domingo (10), no Riocentro. Como cerveja oficial do evento, a marca se destaca em ativações exclusivas, oferecendo um camarote, um bar próprio, espaços instagrámaveis e até uma tirolesa para os participantes. Antes do show, a Cacildis organiza um animado esquenta no Bar do Mussum, reunindo seu squad de influenciadores para um encontro descontraído com muito samba e cerveja gelada.

Saideira da Champions Beer
O Champions Beer chega ao fim neste domingo, em Campinas (SP), no estacionamento do Galleria Shopping. Com 14 cervejarias participantes, o evento oferece uma ampla variedade gastronômica, incluindo churrasco e hambúrguer, além de contar com espaços kids e ser pet friendly. Os visitantes terão a oportunidade de apreciar as especialidades das cervejarias presentes, podendo votar presencialmente para eleger a melhor cerveja, cuja campeã será anunciada no último dia do evento. A programação de shows destaca performances de bandas como Coldplay Tribute Brazil. A organização, visando o conforto dos participantes devido às altas temperaturas, disponibiliza climatizadores de ar.

Federação de concursos
A Federação Internacional de Concursos Cervejeiros foi oficialmente lançada em Blumenau (SC), durante a abertura da Semana Brasileira da Cerveja. A entidade reúne organizadores de concursos cervejeiros de países como Brasil, Paraguai, Argentina, México, Colômbia e Uruguai, com o objetivo de promover a cultura cervejeira e aumentar a visibilidade da bebida globalmente.

Balcão Xirê Cervejeiro: O que significa o “Criado Por Elas – Liderado Por Elas”

Balcão Xirê Cervejeiro: O que significa o “Criado Por Elas – Liderado Por Elas”

Olá, seguidores(as) e leitores(as) do Balcão Xirê Cervejeiro do Guia da Cerveja,

Chegamos em março, mês que marca, sobretudo, a luta das mulheres por direitos. E é nessa direção que a nossa coluna se desloca.

Desde que comecei a atuar ativamente no mercado cervejeiro há quase sete anos, venho tensionando o mercado sobre a ausência de mulheres racializadas como donas de seus próprios negócios ou em posição de destaque no mercado cervejeiro.

Muitas estiveram à frente de empreendimentos, que, mesmo sendo de sucesso, não prosperaram. Se é difícil para as mulheres não racializadas, imagine para mulheres racializadas ou trans.

O mercado nem toca nesta questão. É uma ausência total. Elas praticamente não estão inseridas no mercado como donas de seus negócios, e ainda são apenas mão de obra para o mercado. Esse cenário precisa mudar.

Sabemos que é muito mais difícil para corpos racializados conseguirem empréstimos, alugarem espaços para seus empreendimentos, pois, na cultura do mercado, esses corpos não são confiáveis. Para além disso, são corpos que não vêm de uma “cultura de herança”, não são herdeiros ou amigos do “rei”, o que torna tudo mais complexo.

Existem muitas mulheres negras cervejeiras atuando no mercado, mas é comum este mercado nunca encontrá-las (curioso). Quando são “encontradas”, são sempre os mesmos rostos e aqueles mais próximos à brancura, para não destoar do cenário branco normalizado que temos por aí.

Há muitas mulheres negras desejosas por fazer cervejas e eventos vocalizados na cultura cervejeira, mas o que falta é apoio, espaço e convite para que estejam em projetos.

Recentemente, tomei contato com o projeto “Criado Por Elas – Liderado por Elas” e tive uma conversa franca com três mulheres que fazem parte dele. De um universo de 30 participantes, temos apenas duas mulheres negras. É um começo, mas é preciso ampliar. O projeto é interessante e tem possibilidade de amplificar.

Deixo aqui, na íntegra, o relato de 3 das 30 sobre o que é o projeto e o que ele significa para as mulheres do mercado cervejeiro:

Danielle Lira (sócia e fundadora do Torneira Bar)
Como sommelier de cervejas, sempre fui uma grande apreciadora do trabalho da Cervejaria Dádiva.

Em meu papel como empreendedora à frente do Torneira Bar, sempre priorizei a presença de cervejarias produzidas por mulheres, pessoas negras e pessoas LGBT+ em minha lousa de chopes, e a Cervejaria Dádiva nunca ficou de fora da minha seleção. Sou uma entusiasta do trabalho deles, especialmente dos projetos liderados por Luiza (Lugli Tolosa, CEO da Dádiva).

Ao longo do tempo, naturalmente, desenvolvemos uma aproximação e um desejo compartilhado de realizar projetos em parceria entre a Dádiva e o Torneira Bar. No entanto, devido à agitação do empreendedorismo, nem sempre conseguíamos alinhar agendas para uma conversa mais específica.

Este ano, aguardava ansiosamente para descobrir qual projeto seria conduzido para o mês da mulher, algo já tradicional para a Cervejaria Dádiva.

Ao tomar conhecimento do projeto “Criado Por Elas – Liderado Por Elas”, inicialmente, não havia viabilidade para minha participação, uma vez que, até o momento, o Torneira Bar não dispõe de fábrica/cervejaria. Contudo, em um papo informal com a Luiza, surgiu a ideia e o convite para uma colaboração, junto com minha amiga Cinara (Gomes), sócia da cervejaria Serafina, que já esteve presente nas taps do Torneira Bar e é minha parceira em outro projeto do cenário cervejeiro.

Assim nasce, por meio das conversas, a cerveja Aliadas, com o intuito de ir além da celebração do 8 de março. O propósito é fomentar uma reflexão profunda e inclusiva sobre as diversas expressões do feminino na sociedade, especialmente aquelas que têm pouco destaque, são pouco ouvidas e pouco reconhecidas no mercado cervejeiro.

Como mulher negra e proprietária de um bar que valoriza a diversidade e inclusão, principalmente de gênero, refletir sobre todas as feminilidades, especialmente de mulheres trans e travestis dentro da sociedade, e considerar a participação delas no mercado cervejeiro é mais do que um propósito para mim. No Torneira Bar, buscamos fomentar um ecossistema diverso, oferecendo, por meio de projetos e, sobretudo, oportunidades de trabalho e conhecimento cervejeiro a tantas mulheres trans e travestis que trabalham e trabalharam conosco. Nosso objetivo é que esse conhecimento possa abrir portas para atuações significativas no setor.

Acredito, acima de tudo, na construção de mais alianças para intensificar a luta pela diversidade e inclusão no cenário cervejeiro. Em sintonia com o projeto “Criado Por Elas – Liderado Por Elas”, a Aliadas foi pensada, produzida e celebrada para somar e contribuir com as transformações e desconstruções de paradigmas em torno do universo feminino.

Luiza Tolosa (CEO da Dádiva)
A iniciativa “Criado Por Elas – Liderado Por Elas”, está sendo lançada agora, e faremos o primeiro evento em 9/3. O objetivo é incentivar o empreendedorismo feminino e promover as cervejarias criadas e lideradas por mulheres. 

A iniciativa é o começo de uma ideia que eu espero que se propague, que ande sozinha, organicamente, e independentemente da Dádiva. Os rótulos das cervejas terão um selo Eu Apoio Negócios Criados e Liderados por Mulheres, e eu desejo muito que este selo se expanda e atinja muitos outros produtos e setores.

O evento do dia 9/3 é a primeira concretização desta iniciativa, a primeira ação prática dele. Por ser a primeira ação, ele é importante, claro, mas é só a primeira ação dentre muitas que irão acontecer. 

Para isso, buscamos construir o projeto de uma maneira colaborativa, contando com a ajuda de diversas pessoas do mercado (tanto quanto foi possível devido à rapidez que a organização do projeto nos exigiu).

Acredito que temos muito mais para conquistar e muito mais gente para incluir, e a nossa trajetória até aqui e o contato com pessoas incríveis que tivemos nos mostrou isso. Sabemos do potencial de crescimento que o projeto ainda tem e trabalharemos cada vez mais para conseguirmos atingir patamares maiores. No convite que enviamos para as cervejarias, tinha uma mensagem pedindo que o material fosse enviado para outras produtoras e muita gente nos ajudou com essa parte, mas sabemos que ainda temos muito trabalho pela frente para que o projeto chegue a mais pessoas. E que bom que ainda podemos crescer e nos unir cada vez mais.

Cinara Gomes (sócia da Cervejaria Sarafina)
Na minha perspectiva de mulher preta cervejeira, participar do projeto “Criado Por Elas – Liderado Por Elas“, reunindo cervejarias lideradas por mulheres de vários cantos do Brasil, me coloca em reflexão em torno das diversas formas de expressão do feminino e como essas formas se inserem no mercado cervejeiro em suas localidades

Somos extremamente diversas e ocupamos posições sociais muito diferentes em nossa sociedade. Algumas com bastante passibilidades e privilégios e outras, não.

Tomo como exemplo as minhas próprias dificuldades de participação nesse evento por ser uma cervejeira cigana e não poder fazer um rótulo exclusivo sozinha por questões de dificuldade de manter uma empresa pequena com entraves para manter um financeiro saudável, com venda a um preço que viabilize a longevidade do negócio, logística de distribuição e desenvolvimento de novos rótulos. Assim, sabemos que as realidades das cervejarias e cervejeiras do Brasil são muito diferentes.

Ao me convidar para compor um rótulo colaborativo e observar a realidade do meu negócio em BH, a Luiza, da Dádiva, e a Dani Lira, do Torneira, me instigaram a estar junta ao projeto, mesmo com minhas dificuldades, mas enxergando minhas potências.

O rótulo que construímos juntas, intitulado “Aliadas”, é a evidência é a confirmação de que alianças que juntam forças, minimizam distâncias sociais e fortalecem negócios de forma colaborativa são possíveis de verdade!

O dia 08/03, para mim e para a Cervejaria Serafina, ganha um sentido maior porque construímos juntas uma forma mais inclusiva de contemplar nosso feminino. Sabemos que, originalmente, a data não contempla todas as mulheres. Esta ação é fundamental porque devemos estar sempre alerta, pois somos ainda, em pleno 2024, atacadas por abuso de poder, agressões de diversas formas, menos valia, diferenças salariais e preconceitos.


Como vimos pelos depoimentos dados, há mulheres no mercado cervejeiro, é preciso celebrar suas existências e é necessário prospectar a ampliação e presença de mais corpos dissidentes dentro desse cenário.


Sara Araujo é formada em Direito, licenciada em Ciências Sociais, sommelière de cerveja e consultora, além de criadora e gestora do @negracervejassommelier


Cervejarias destacam presença feminina com lançamento e brassagem

No Dia Internacional da Mulher, representantes do setor cervejeiro no Brasil buscam se mobilizar para assegurar que a data seja marcada pelo reconhecimento da presença feminina. Neste 8 de março, e nos dias que se seguem, várias representantes da indústria cervejeira se juntam em um esforço coletivo para ressaltar a influência das mulheres em um campo historicamente masculino.

A agenda de eventos é diversificada, abrangendo desde brassagens com participação do público até o lançamento de cervejas exclusivas. Essas iniciativas visam enfatizar a presença das mulheres e a importância de aumentar a diversidade na indústria cervejeira.

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Um dos destaques acontece na sexta-feira, a partir das 11 horas, quando a Cervejaria Paulistânia e o Eataly São Paul realizam uma brassagem especial, aberta ao público. Sob o comando de Dani Mingatos, sócia da Cia de Brassagem Brasil, e Candy Nunes, sommelière da Paulistânia, será produzida a “Ceres Visia”, uma cerveja que homenageia a deusa romana da agricultura.

O evento acontece no Eataly São Paulo e conta com o suporte de empresas do setor, como Agrária Malte, Levteck e Yakima Chief Hops. “Não podemos nos esquecer da importância e da presença das mulheres na história da cerveja, de deusas a cientistas, desde a sua concepção até os dias atuais. E essa presença vai além, quando vemos que ainda há muitos espaços a serem ocupados por nós, mulheres, com excelência, profissionalismo, resistência e elegância”, reforça Dani Mingatos.

Nesse mesmo dia, a Prussia Bier, de São Gonçalo do Rio Abaixo (MG), introduz uma novidade: a cerveja “Best Bitter”. Criada por um grupo de 16 mulheres cervejeiras e desenvolvida por seis delas, essa cerveja é uma reinterpretação moderna da tradição britânica. E metade dos lucros serão destinados à instituição Filhas de Sara, que apoia mulheres vítimas de violência.

No sábado, a Krug Bier, de Nova Lima (MG), oferece uma visitação especial à sua fábrica, celebrando as contribuições femininas à cervejaria. Fabiana Bontempo, cervejeira e embaixadora da marca, conduzirá os visitantes numa jornada cultural pelo mundo cervejeiro, incluindo um kit exclusivo para as participantes.

E no dia 16 de março, o Everhub, bar da cervejaria Everbrew em São Paulo, promove uma degustação gratuita destinada exclusivamente às mulheres. Comandada pela sommelière Tamires Cirilo, a sessão abrangerá rótulos emblemáticos da marca, favorecendo uma atmosfera de descontração e aprendizado.

Sabores do Malte é melhor cervejaria do Concurso Brasileiro; veja destaques

As cervejarias Sabores do Malte, situada em Maringá (PR), e Brewine Leopoldina, de Garibaldi (RS), foram os principais destaques da edição de 2024 do Concurso Brasileiro de Cervejas. A cervejaria paranaense foi consagrada como a melhor do evento, enquanto a gaúcha conquistou o prêmio de melhor cerveja, com a distinção Best of Show para a Italian Grape Ale Sauvignon Blanc.

Durante a cerimônia de premiação, que ocorreu na noite de quarta-feira, a Sabores do Malte faturou um total de 21 medalhas, divididas em 7 de ouro, 8 de prata e 6 de bronze. A marca já havia alcançado a terceira posição em 2022 e a quinta em 2023 no Concurso Brasileiro de Cervejas, agora levando o título máximo.

Marcos Schiavoni, seu mestre-cervejeiro, foi reconhecido como o segundo melhor de sua função, com uma pontuação média de 39,47 em 50 possíveis, considerando suas 10 cervejas mais bem avaliadas.

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A Brewine Leopoldina, por sua vez, obteve a premiação máxima para sua Italian Grape Ale Sauvignon Blanc, eleita a Best of Show. A cervejaria somou 6 medalhas de ouro, 8 de prata e 2 de bronze, posicionando-se como a segunda melhor do concurso. Rodrigo Veronese, seu mestre-cervejeiro, figurou como o terceiro melhor em seu posto, com 39,41 pontos.

No terceiro lugar do pódio ficou a cervejaria catarinense Big Jack (3 ouros, 4 pratas e 8 bronzes), seguida pela Alem Bier (4 ouros, 3 pratas e 6 bronzes), do Rio Grande do Sul, que além de quarta colocada, teve o melhor mestre-cervejeiro do evento, Carlos Mioranza, com 40,27 pontos. Esta premiação foi uma homenagem criada para o concurso de 2024, tendo levado o nome de Marco Falcone, falecido em janeiro.

Outros destaques
A Opa Bier (3 ouros, 6 pratas e 2 bronzes), de Joinville (SC), foi a quinta colocada. O Top 10 do Concurso Brasileiro de Cervejas em 2024 também contou com as catarinenses Biertal (3 ouros, 2 pratas e 1 bronze) e Karsten (3 ouros, 1 prata e 3 bronzes), além da Vila Dionísio (1 ouro, 4 pratas e 3 bronzes), a melhor cervejaria de São Paulo, assim como as gaúchas Mina Beer (3 ouros e 2 pratas) e Urwald (4 ouros).  

Na disputa da Best of Show, a gaúcha Cherokee foi a segunda colocada, com a Catharina Sour com Mirtilo e Maracujá. A Witbier da paranaense Golden Mist foi a terceira melhor cerveja da disputa, com a London History, da Blauer Berg, em quarto lugar, e a Barley Wine Reserva Amburana, da fluminense Alpendorf, na quinta posição.

A premiação
O Concurso Brasileiro de Cervejas de 2024 registrou a inscrição de 4.147 amostras por 567 cervejarias de 21 estados, avaliadas por um júri internacional de 21 países.  No total, foram entregues 127 medalhas de ouro, 141 de prata e 140 de bronze.

Este evento faz parte da Semana Brasileira da Cerveja, que inclui também a entrega da Comenda da Cerveja Brasileira, o SC Gourmet, o Festival Brasileiro da Cerveja e o Congresso Internacional da Cerveja.

Cerveja em garrafa cresce mesmo com consumo em casa consolidado

A busca por cervejas em garrafas de vidro tem mantido trajetória ascendente, de acordo com avaliação da Associação Brasileira das Indústrias de Vidro (Abividro). Segundo a relações institucionais da entidade, Caroline Morais, foi possível notar um aumento na procura por essa opção para as diferentes ocasiões de consumo nos últimos meses.

“O ano de 2023 foi bastante positivo em termos de crescimento na demanda, temos acompanhado um retorno dos produtos envasados em vidro de forma consistente e o ano passado seguiu essa tendência”, afirma Caroline, ao Guia.

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Durante os momentos mais críticos da pandemia, a busca por cervejas passou por mudanças, especialmente devido às preferências por embalagens destinadas ao consumo residencial, que se tornou a principal opção para as pessoas por alguns meses.

Na avaliação da coordenadora de relações institucionais da Abividro, o consumo residencial consolidou-se, mesmo com a reabertura de bares e a retomada de eventos. Afinal, os brasileiros não abriram mão da opção de consumir em casa, principalmente devido à facilidade de acesso a cervejas e outras bebidas alcoólicas nesse ambiente.

“Durante a pandemia, o perfil de consumo também mudou bastante, mas após a retomada das atividades verificamos uma manutenção do consumo off-trade (em casa).  O consumo on-trade foi se recuperando ao longo de 2023, mas parece que o consumidor brasileiro já aderiu ao seu comportamento o consumo em casa, principalmente com crescimento de outros canais de venda, como aplicativos e e-commerce”, diz.

Adaptando-se a essa nova realidade, a indústria de vidro tem colaborado com as marcas para inovações em embalagens, atuando para torná-las mais atraentes e promovendo uma maior conexão com os produtos. Além disso, esforça-se para elevar os índices de produtividade, reduzindo o peso das embalagens e as emissões no processo de fabricação.

Os desafios relacionados ao acesso às garrafas de vidro, que em alguns momentos recentes afetaram cervejarias, começaram a ser superados com investimentos em ampliações de fábricas no país, como realizados recentemente pela Verallia e Owen-Illinois, e na construção de novas unidades, como a da Ambev em Carambeí (PR).

“Para os próximos anos teremos uma expansão da indústria vidreira no Brasil, com algumas novas plantas de vidro e com ampliações das capacidades instalada, esse crescimento vem conectado para atender ao crescimento da preferência pelo vidro pelos consumidores”, comenta a executiva da Abividro.

Entrevista: Consultor da Câmara Setorial vê setor em momento de qualificação

Entrevista: Consultor da Câmara Setorial vê setor em momento de qualificação

A indústria da cerveja enfrenta diversos desafios, porém, o futuro reserva possibilidades promissoras. Para Eduardo Marcusso, consultor da Câmara Setorial da Cerveja do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pesquisador do setor, o mercado cervejeiro está passando por um período de qualificação essencial para superar obstáculos e promover uma expansão saudável.

Em entrevista sobre os resultados da pesquisa Principais Desafios do Mercado Cervejeiro no Brasil, realizada pelo Guia da Cerveja e acessível pelo link, Marcusso destacou a importância deste estudo como um recurso valioso para fomentar debates e buscar melhorias no setor.

Durante a entrevista, Marcusso explorou os resultados da pesquisa e as soluções propostas para superar os principais entraves, como a questão tributária, oferecendo sua visão sobre os desafios enfrentados pela indústria. O pesquisador do setor também discutiu a adoção do Imposto Seletivo, hoje em fase de debate, e como o governo federal pode apoiar as cervejarias artesanais brasileiras.

Ele ainda ressaltou a importância de se enfrentar os desafios com base em dados, visando a prosperidade do setor cervejeiro.

Confira a entrevista do Guia com Eduardo Marcusso*, consultor da Câmara Setorial da Cerveja do Mapa, sobre o presente e o futuro da indústria da cerveja:

*As opiniões aqui descritas expressam somente a posição do autor e não da Câmara Setorial.


Como você avalia os resultados apresentados pela pesquisa Principais Desafios do Mercado Cervejeiro no Brasil? O que ela diz sobre o setor?
Avalio de forma muito positiva. Escancara e aprofunda as situações que o mercado já vive há muito tempo. Então, quando você traz dados e números com metodologia para mostrar a situação, fica muito mais fácil de compreendermos e atuarmos em cima. A pesquisa mostra que o setor é pujante, é grande, mas tem gargalos importantes, como foi destacado nas questões da carga tributária, da inflação e da logística. Então, agora sabemos realmente o peso que isso tem nas operações.

Quais as soluções para que o setor consiga desatar esses entraves apontados pela pesquisa e superar esses desafios?
A própria pesquisa já traz algumas soluções ao apontar caminhos. Mas é fundamental que tenhamos esses dados para trabalharmos em cima. Então, sobre a carga tributária, a reforma está em discussão, temos que chegar com os dados para mostrar o impacto no setor da cerveja para que isso tenha um tratamento adequado, conforme a necessidade. Quanto mais dados se tiver, melhor vai ser para trabalhar em cima da discussão da carga tributária, seja nacionalmente, com a reforma, seja nos estados, para falar com cada unidade da federação. No caso da inflação são questões mais macroeconômicas, temos que acompanhar o mercado. E na questão logística é trabalhar realmente em cooperação para diminuir o custo logístico, com associações, com cooperativas, para tornar isso um pouco menos custoso.

A pesquisa deixa claro que um dos principais gargalos do setor é a questão dos tributos. Ao mesmo tempo, estamos em pleno debate sobre o Imposto Seletivo, o que pode tornar esse cenário ainda mais complicado. Como você avalia essa questão? Qual é a sua opinião sobre o Imposto Seletivo e quais os impactos que ele pode trazer ao setor?
O Imposto Seletivo é uma realidade em outros países. No Brasil, ele entrou na reforma para combater questões de externalidades negativas que os setores trazem. E a questão do álcool é uma questão de saúde pública, então, ainda que possa levar um tempo, uma hora isso vai acontecer. A questão é como. O setor da cerveja precisa desses dados para conversar com o poder público e mostrar que a cerveja tem um impacto de externalidade negativa diferente de outras bebidas. O debate tem que ser em torno disso: mostrar o quanto a cerveja colabora para a sociedade e que o imposto seletivo seja proporcional às suas externalidades negativas.

Embora o número de cervejarias artesanais venha crescendo ano a ano no Brasil, muitas delas ainda sofrem para operar com lucro e se manterem vivas. O Ministério da Agricultura tem algum plano específico de fomento às cervejarias artesanais brasileiras? Há ações de apoio concretas previstas para os próximos meses/anos? Quais?

O que o Mapa faz e ajuda muito o setor é a fiscalização da produção de bebidas, a normatização dos produtos, as linhas de financiamento para a produção rural, como aconteceu recentemente com o lúpulo, que entrou em uma nova linha para investimento na sua produção. A cevada tem as linhas que outras culturas também têm. Agora, ações do governo em geral podem envolver fomento à exportação e contribuição para o registro de artesanal, que são questões já em discussão.

Qual será o futuro da cerveja brasileira? Devemos ser otimistas com esse setor para os próximos anos? Ou nem tanto? Por quê?
O otimismo tem de guiar nossas ações, senão, paramos. São muitos desafios e essa paixão que move o cervejeiro ajuda também nesse otimismo. Temos barreiras para serem superadas, mas também precisamos ver o número crescente de cervejarias, a expansão, a reforma, a internacionalização da cerveja artesanal que irá acontecer, explorando as suas especificidades, suas madeiras, suas frutas. É um mercado que tem muito para crescer se compararmos em termos mundiais. Então, acho que chegamos em um patamar de expansão, agora vamos passar por uma qualificação do mercado e isso tende a trazer muitos benefícios nos próximos anos, se conseguirmos vencer essas barreiras.

Sobre a Câmara Setorial
Criadas pelo Mapa, as Câmaras Setoriais e Temáticas funcionam como braço assessor do CNPA e são foros de interlocução para a identificação de oportunidades de desenvolvimento das cadeias produtivas e definição das ações prioritárias de interesse para o agronegócio brasileiro e seu relacionamento com os mercados interno e externo. Esse elo entre governo e setor privado resulta em um mecanismo democrático e transparente de participação da sociedade na formulação de políticas públicas.


Ação da Ambev cai 6% após balanço do 4º trimestre e previsão de custos

A divulgação do balanço da Ambev no quarto trimestre de 2023, juntamente com a projeção de custo por produto vendido (CPV) em 2024, provocou impacto negativo sobre o preço da ação da empresa na B3, a bolsa de valores do Brasil. Apesar dessa reação do mercado, a companhia expressa otimismo para o ano em curso e fundamenta suas expectativas em dois pilares: o sólido desempenho nos primeiros meses de 2024, puxado pelo carnaval, e a crença na expansão das vendas de cervejas premium.

No último dia de fevereiro, a ação da Ambev sofreu queda significativa de 6,47%, de R$ 13,45 para R$ 12,58, na sequência da publicação do balanço do período de outubro a dezembro. Essa reversão de tendência resultou em queda mensal de 3,82%, ampliando o declínio acumulado no ano para 8,38%, em contraste com o Ibovespa, que registrou alta de 0,99% no segundo mês de 2024 ao atingir 129.020 pontos.

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O balanço do quarto trimestre de 2023 da Ambev revelou redução de 10,9% no lucro líquido em relação ao mesmo período de 2022, totalizando R$ 4,528 bilhões. O Ebitda ajustado, por outro lado, apresentou aumento de 0,6%, atingindo R$ 7,151 bilhões, enquanto a receita líquida sofreu queda de 11,9% ao alcançar R$ 19,989 bilhões.

Analistas destacam o desempenho desfavorável na região LAS (América Latina, excluindo o Brasil), atribuindo a queda a fatores como hiperinflação na Argentina. “A divisão LAS foi o destaque negativo do quarto trimestre de 2023, com Ebitda 34% abaixo do esperado, impactado principalmente pelas operações na Argentina”, diz a equipe de analistas do Bradesco BBI. Além disso, outro resultado negativo envolveu o declínio nos volumes comercializados no Canadá.

O freio no consumo no Brasil (recuo de 1,1%) também foi citado como um desafio. “Os volumes fracos foram confirmados e, na nossa visão, implicam em perdas de market share e em uma decepção, dada as temperaturas recordes no Brasil”, afirma o JP Morgan.

No mesmo dia em que divulgou o balanço, a Ambev projetou diminuição de 0,5% a 3% no custo sobre produto vendido para 2024. Contudo, essa perspectiva não foi bem recebida pelo mercado, que esperava redução ainda mais expressiva devido à queda nos preços das commodities. Essa situação levou o JP Morgan a modificar a recomendação para a ação da Ambev, passando de compra para neutro, além de reduzir o preço-alvo de R$ 15,50 para R$ 14.

“A peça que falta no quebra-cabeça da recuperação da margem, que seria uma forte redução de custos baseada na queda dos preços das commodities, deve ser mais fraca do que o esperado, de acordo com o guidance da empresa, levantando dúvidas sobre a sustentabilidade das margens para as operações futuras”, diz o JP Morgan, em relatório.

Perspectivas para 2024
Após encerrar o quarto trimestre de 2023 com diminuição de 1,1% no volume de cerveja no Brasil, a Ambev mantém a confiança em suas possibilidades de crescimento, especialmente no segmento de cervejas premium, que continua em expansão.

“Embora o Brasil apresente um dos maiores consumo per capita de cerveja do mundo, vemos oportunidades de continuar crescendo, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde as marcas premium estão crescendo, mas ainda estão sub posicionadas”, afirma o CEO da Ambev, Jean Jereissati.

Para alcançar esses objetivos, a empresa planeja realizar investimentos substanciais em marketing ao longo do ano. Um dos focos será a marca Corona Cero, um rótulo sem álcool que será a cerveja oficial dos Jogos Olímpicos de Paris. “Depois de anos investindo em tecnologia, é o momento de investir mais em marcas e distribuição”, acrescenta Jereissati, também assegurando que a companhia teve um bom desempenho no carnaval, com destaque para a Brahma.

Mercado financeiro fora do Brasil
A queda na ação da Ambev após a divulgação do balanço e das perspectivas de CPV também se repetiu em Nova York. Por lá, a desvalorização após a publicação do resultado financeiro foi de 7,49%, de US$ 2,69 para US$ 2,49. Com isso, o recuo no mês ficou em 4,96%.

Movimento parecido se deu com a AB InBev, que divulgou seu balanço financeiro com lucro líquido de US$ 1,89 bilhão 33% menor do que o ganho em igual período de 2022, com queda de 2,74% nos volumes gerais de vendas, para 144,706 milhões de hectolitros. Em um dia, a ação caiu 3,21%, para 55,72 euros, tendo recuado 3,51% no mês na Europa.

E fevereiro também foi mês de queda para a ação do Grupo Heineken. O recuo mensal foi de 8,45%, para 85,42 euros.


Balcão do Advogado: Cuidados com a publicidade de bebidas alcoólicas

Balcão do Advogado: Cuidados com a publicidade de bebidas alcoólicas

Existem muitas dúvidas relativas ao que pode ou não ser veiculado nas peças publicitárias de bebidas alcoólicas. Apesar de a grande maioria dos fabricantes e dos pontos de venda ter consciência e bom senso quanto ao conteúdo da publicidade, é necessário ter uma série de cuidados para não infringir nenhuma regra ou determinação do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar).

SOBRE O CONAR
O Conar define-se como “uma instituição que fiscaliza a ética da propaganda comercial veiculada no Brasil, norteando-se pelas disposições contidas no Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária”.

Com efeito, o Conar não é um órgão do Judiciário nem uma autarquia federal. Trata-se de uma entidade privada, sem fins lucrativos, com o objetivo de evitar a veiculação de anúncios e campanhas publicitárias de conteúdo enganoso, ofensivo, abusivo ou que desrespeitam, entre outros, a leal concorrência entre anunciantes.

Sua principal função é analisar campanhas publicitárias que podem ter causado algum tipo de desrespeito ao consumidor ou a outras empresas, normalmente por meio de denúncias.

Quando uma denúncia é julgada procedente pelo Conar, a entidade recomenda aos veículos de comunicação a suspensão da exibição da peça ou sugere correções à propaganda. Pode ainda advertir o anunciante e a agência de publicidade. 

VEDAÇÕES À PUBLICIDADE
Além de não poder conter apelo imperativo de consumo e de obrigatoriamente ter a cláusula ostensiva de advertência para responsabilidade social no consumo do produto, a comunicação de publicidade de bebidas alcoólicas deve seguir as seguintes diretrizes estabelecidas pelo Conar:

  • não induzir ao consumo exagerado ou irresponsável;
  • não associar o consumo de bebidas alcoólicas com sinal de maturidade, coragem pessoal, êxito profissional ou social, ou ainda que proporcione ao consumidor maior poder de sedução;
  • não se recomendará a bebida em razão do teor alcoólico ou de seus efeitos sobre os sentidos;
  • a publicidade em redes sociais e por meio de influenciadores digitais igualmente deve respeitar as regras gerais e específicas do segmento;
  • apelos à sensualidade não constituirão o principal conteúdo da mensagem;
  • as mensagens são destinadas unicamente a adultos;
  • não se empregará linguagem, recursos gráficos e audiovisuais do universo infanto-juvenil,
  • somente poderão ser inseridos em programação, publicação ou websites dirigidos predominantemente a maiores de idade;
  • não poderá participar da publicidade pessoa que tenha ou aparente ter menos de 25 anos de idade;
  • as plataformas digitais pertencentes a marcas de produtos que se enquadrem na categoria aqui tratada deverão conter dispositivo de acesso seletivo, de modo a evitar a navegação por menores.

Entre as penalidades possíveis de serem estabelecidas aos eventuais infratores estão:

  1. advertência;
  2. recomendação de alteração ou correção do anúncio;
  3. recomendação aos veículos no sentido de que sustem a divulgação do anúncio;
  4. divulgação da posição do Conar com relação ao anunciante, à agência e ao veículo, através de veículos de comunicação, em face do não acatamento das medidas e providências preconizadas.

As medidas do Conar não têm força de lei, nem podem determinar multa. Contudo, via de regra, suas decisões costumam ser sempre atendidas pelos anunciantes e agências de publicidade.

CASOS EMBLEMÁTICOS

DEVASSA
A cervejaria Devassa (Brasil Kirin/Grupo Heinken) já foi alvo de diversas denúncias no Conar.

Em 2007, a partir da denúncia de uma consumidora, a peça “Devassa – Um tesão de cerveja” foi suspensa. Mesmo com a cervejaria recorrendo à Justiça para manter a campanha, a decisão do Conar de sustar a peça publicitária foi mantida.

Em março de 2010, o Conar, por iniciativa própria, abriu representação contra a divulgação de concurso disponibilizado no site da cervejaria Devassa que prometia “premiação de R$ 3 mil a serem gastos na rede de cervejarias da marca”. Por entender que a promoção poderia estimular o consumo excessivo de álcool, o órgão recomendou a suspensão da promoção, decisão que foi acatada pela marca.

SORVETE SABOR CERVEJA
O Conar decidiu advertir a Ambev pela campanha de divulgação do lançamento de um sorvete da marca Skol com sabor de cerveja, por entender que a propaganda feita no site da empresa e na página da marca no Facebook poderia despertar a atenção do público infanto-juvenil.

Embora as advertências do órgão não estejam associadas a nenhum tipo de punição ou restrição, a decisão sinaliza que a prática é arriscada e que os anunciantes devem redobrar a atenção nas campanhas que possam despertar a atenção de menores de idade.

SKOL ULTRA
Em 2015, a Ambev viu-se obrigada a retirar do ar a propaganda da cerveja Skol Ultra, anunciada como “a cerveja oficial dos atletas não oficiais”.

O Conar entendeu que o comercial desrespeitou as recomendações do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária ao associar bebida alcóolica e esporte. A Ambev recorreu da decisão e, no lugar da sustação da propaganda, o órgão decidiu manter apenas uma advertência, liberando o comercial.

Conhecendo e seguindo as diretrizes do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária e os precedentes do Conar, fica mais fácil de evitar qualquer problema relacionado à publicidade dos produtos. Então, não tem erro: publicidade consciente e dentro das regras é o primeiro caminho para uma campanha de comunicação bem-sucedida.


André Lopes é sócio do escritório Lopes, Verdi & Távora Advogados e criadores do site Advogado Cervejeiro.

Menu Degustação: Everbrew expande aos EUA e terá fábrica na Flórida

A Everbrew vai expandir a sua presença ao mercado cervejeiro internacional, passando a contar com uma unidade produtiva nos Estados Unidos. A marca de Santos (SP) vai passar a operar a fábrica da Clermont Brewing Co. na Flórida, com capacidade produtiva de 16 mil litros mensais.

Essa é uma das novidades do setor, que também viu o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) ganhar mais uma integrante, a Louvada. E o segmento está cheio de eventos ao longo dos próximos dias, como o Concurso Cervejeiro em Blumenau (SC), assim como celebrações com a união entre várias marcas em Brotas (SP), Campinas (SP) e Belo Horizonte.

Leia também – 10 lançamentos realizados pelas cervejarias artesanais em fevereiro

Confira essas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Semana cervejeira em Brotas
Brotas vai realizar a primeira Semana Cervejeira, de 15 a 17 de março. O evento, que contará com a participação de cinco cervejarias locais – Aventura Líquida, Brotas Beer, Casa da Mina, Cultiva e Limonis – promete atrair mais de 10 mil visitantes. Além da degustação de cervejas exclusivas, o público desfrutará de música ao vivo, praça de alimentação diversificada e atividades para crianças. O evento marca o lançamento do Núcleo Cervejeiro de Brotas, uma iniciativa que visa fortalecer o mercado cervejeiro regional, com o apoio da Secretaria de Turismo de Brotas. Estrategicamente agendada durante a St. Patrick’s Day, a festividade oferecerá um chope especial aos participantes. l. O evento acontecerá no Largo do Ciam.

Champions Beer 2024
O Champions Beer iniciou seu tour 2024 em Campinas, marcando presença como um dos principais eventos de cervejas artesanais em São Paulo. Com uma estrutura ampliada, o evento ocorre neste fim de semana (até domingo) e no próximo (8 a 10) no estacionamento do Galleria Shopping, com entrada gratuita. São 14 cervejarias confirmadas: Barossa, Campinas, Tábuas, Landel, todas sediadas em Campinas, Marés, de Americana, Berggren, de Nova Odessa, as piracicabanas Dama Bier, Cevada Pura e Em Nome do Malte, Madalena, de Santo André, Bragantina, de Bragança Paulista, Eisenhügel, de Itapecerica da Serra, Maltesa, de Ribeirão Preto, e Bodebrown, de Curitiba. O evento conta com uma praça de alimentação diversificada, área kids e a oportunidade para o público votar na melhor cerveja, com o resultado da eleição sendo anunciado no último dia. A programação musical destaca atrações como Bon Jovi Cover, AC/DC Rising Power, Queen Cover, Pearl Jam Cover e U2 Cronos.

Circuito cervejeiro
O Circuito Cervejeiro estreará no Mirante Meet, em Belo Horizonte, no estacionamento da churrascaria Porcão, em 9 de março. O evento propõe reunir as mais premiadas cervejarias de Minas Gerais, como Albanos, Krug, Läut, Verace, Cervejaria 040, Slod, Loba e Götter. A proposta gastronômica combina comidas clássicas de boteco e churrasco, incluindo cortes especiais Angus. O palco contará com apresentações de bandas renomadas, como Cash, Velotrol, Saideira, Big Ones e Tomarock, tocando clássicos do rock dos anos 80 e 90. O evento, pet friendly, oferecerá lotes de entrada gratuita mediante retirada no Sympla.

4.147 amostras
O Concurso Brasileiro de Cervejas (CBC) contará com a avaliação de 4.147 amostras de 567 cervejarias representando 21 estados. Mais de 100 jurados de 21 países estarão presentes para eleger as melhores cervejas a partir deste sábado (2). Além disso, uma novidade é a introdução da nota comercial aos vencedores, uma prática comum no mundo do vinho e adotada pela primeira vez nas Américas para cervejas. A noite de premiação está marcada para a próxima quarta-feira (6), de março no Clube Velha Central, encerrando a Semana Brasileira da Cerveja que inclui a entrega da Comenda da Cerveja Brasileira, o SC Gourmet e o Congresso Internacional da Cerveja, realizados no parque Vila Germânica.

Everbrew nos Estados Unidos
A Everbrew anunciou uma expansão aos Estados Unidos ao passar a operar na Clermont Brewing Co, localizada em Clermont, Flórida. Com capacidade de produção mensal de 16 mil litros, a Clermont Brewing Co se destaca por sua localização próxima aos parques da Disney, atendendo tanto o público local quanto os turistas. A transição para Everbrew Brewing Co está prevista para o primeiro semestre. A Clermont Brewing Co, conhecida logo iniciará a produção de latas da Everbrew, possibilitando a distribuição dos produtos por todo o território dos Estados Unidos.

Louvada no Sindicerv
A Cervejaria Louvada acaba de se juntar ao Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv). Inaugurada em 2015 como a primeira cervejaria artesanal de Cuiabá, a Louvada expandiu sua presença, estabelecendo fábricas em três estados e atingindo uma produção mensal de 400 mil litros de cerveja. Com presença em sete estados, 1,6 mil pontos de venda e 11 franquias, a cervejaria é reconhecida por sua diversidade de mais de 20 estilos de cervejas.

Tendências do mercado
A Beer Business oferecerá uma aula online gratuita em 12 de março, a partir das 20 horas, sobre as tendências globais que moldarão o mercado cervejeiro em 2024, explorando novidades dos Estados Unidos, Alemanha, Bélgica, Reino Unido e Brasil. A jornada promete oferecer insights sobre as inovações do setor, permitindo aos participantes compreenderem as tendências globais, obterem inspiração para inovar em seus negócios e conectarem-se com outros entusiastas do universo cervejeiro.

500 vagas no Grupo Petrópolis
O Grupo Petrópolis anunciou a abertura de mais de 500 vagas em todo o país. A empresa busca profissionais em 18 estados e no Distrito Federal para diversas áreas, incluindo trade marketing, administrativo, indústria, comercial e logística, abrangendo diferentes níveis de experiência. Os interessados podem se candidatar por meio do site de carreiras da companhia, onde podem filtrar oportunidades por cidade e estado desejados.

Campanha da Baden Baden
A Baden Baden celebra seus 25 anos de história com o lançamento da campanha “Baden Baden Harmoniza Momentos”, que aconteceu na terça-feira (25). A iniciativa visa promover a valorização de pequenos gestos de afeto e conexão no cotidiano, incentivando os consumidores a criar experiências autênticas com os diversos estilos de cerveja da marca. Em meio à agitação do dia a dia, a campanha destaca a importância de tornar os relacionamentos mais especiais, realçando momentos de afeto e conexão. Desenvolvida pela AlmapBBDO, a campanha inclui cinco vídeos de quinze segundos cada, disponíveis em plataformas digitais como Meta, Youtube e canais de mídia programática. A mensagem central é que para apreciar ocasiões especiais, não é necessário que sejam perfeitas ou idealizadas, bastando a companhia certa e uma boa cerveja Baden Baden.

Krug no Festival do Japão
A Krug Bier estabeleceu uma parceria como operadora oficial no 11º Festival do Japão em Minas, que acontece no Expominas, em Belo Horizonte, até domingo. A cervejaria apresentará seus premiados rótulos e gerenciará toda a operação de bebidas do evento, que atrai mais de 30 mil pessoas. O evento, que tem como tema central as “Wagasas”, sombrinhas japonesas, busca promover uma imersão na cultura nipônica, incorporando tradições como a arte Ukiyo-e, arquitetura paisagística e a simbologia do bambu. Além das atrações culturais, o festival oferecerá uma ampliação de espaço, com um terceiro pavilhão destinado à praça de alimentação, proporcionando maior comodidade aos visitantes.