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Cerveja artesanal no Rio de Janeiro: sommelier indica 7 locais para beber

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Há uma máxima no turismo que é praticamente inquestionável. As melhores dicas vêm das pessoas que moram no destino a ser visitado. Elas valem ouro. Então, como a capital fluminense completa 461 anos de fundação no próximo domingo, 1 de março, o Guia da Cerveja foi atrás de quem entende da cidade e de cerveja para indicar os sete locais mais relevantes para degustar cerveja artesanal no Rio de Janeiro: o sommelier de cervejas Gil Lebre.

Cerveja artesanal no Rio de Janeiro

Mas ele não é especialista qualquer. Gil foi vencedor do Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas de 2015, competição nacional que avalia os profissionais de maneira criteriosa e ampla, funcionando como seletiva para o Campeonato Mundial. 

Além disso, Gil é morador de Niterói, na região metropolitana, e conhece o Rio de Janeiro muito bem, aproveitando essa experiência para promover eventos de harmonização e degustação guiada e para atuar comercialmente com as marcas Pilsner Urquell, Brooklyn e Maniacs.

E é essa experiência que também vale aqui. Quem já teve a oportunidade de aproveitar dicas de cidadãos locais sabe que, diferente das recomendações que normalmente chegam até os turistas, elas costumam ir além do circuito turístico tradicional e fogem do óbvio. Além disso, podem fazer com que o passeio seja mais autêntico e barato, tornando-o uma experiência mais prazerosa.

Aproveite a oportunidade, anote tudo e não esqueça de compartilhar com seus amigos.

Brewteco

Segundo Gil, é a rede que mais cresce entre os bares especializados em cerveja artesanal no Rio de Janeiro. Foi fundada em 2012 pelo empresário Rafael Farrá com uma unidade no Leblon. Hoje conta até com cervejaria própria, que fica na Lapa. “Além de rótulos do Brew, sempre há marcas cariocas, do Brasil todo e importadas, além de serem muito conhecidos pela gastronomia com pegada de boteco”. Hoje são nove unidades na cidade, que vão na linha “pé limpo” — cara de boteco com qualidade superior.

Endereços: Leblon, Barra da Tijuca, Gávea, Tijuca, Botafogo, Lapa, Morro da Urca e Laranjeiras

Instagram: @brewteco

Lucky Murphys

“O Rio estava carente de um típico pub irlandês, já que vários fecharam no período pós-pandemia. Então o Lucky veio para suprir essa necessidade”, conta o sommelier de cervejas. Inaugurado no fim de 2025, conta com um balcão de dez metros e 12 televisores com transmissão de eventos esportivos nacionais e internacionais. “Com pratos típicos, chope Dry Stout sempre na torneira, mesa de sinuca, apresentações de músicos, tudo isso vai te transportar diretamente para a Irlanda”.

Endereço: Av. Olegário Maciel, 101 – loja B – Barra da Tijuca

Instagram: @luckymurphyspub

Delirium Café

O Delirium Café é um famoso pub belga que ficou famoso no mundo inteiro por conta da sua imensa carta de cervejas com mais de 2,5 mil rótulos. No final dos anos 2000, iniciou uma expansão internacional por meio de franquias. O bar do Rio de Janeiro foi inaugurado em agosto de 2010 em Ipanema, sendo o primeiro da marca na América do Sul. “Além da cerveja do elefantinho cor de rosa, tem boa variedade de chopes, muitas opções de rótulos nacionais e importados, além de gastronomia de inspiração belga”, conta Gil.

Endereço: R. Barão da Torre, 183 – Ipanema

Instagram: @deliriumcaferj

A Fonte Tap Station

“Apesar de um taproom enxuto, eles são muito cuidadosos com a assepsia e higiene. Portanto, beber na Fonte é certeza de um chope cuidado e bem tirado”, explica Gil. Localizado no Shopping Esplanada da Barra, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da capital fluminense, tem boa variedade de rótulos e sempre realiza eventos na área externa. 

Endereço: Av. das Américas, 3939 – Bloco 1 LJ Q – Barra da Tijuca

Instagram: @afonte_barra_da_tijuca

Braseiro Colarinho

Fundado há 15 anos pelo empresário Diego Baião, tem hoje duas casas: Botafogo e no Arpoador, em Copacabana. “O Braseiro segue investindo em carnes feitas na brasa, mas principalmente no chope artesanal que é tão conhecido. Um dos primeiros points cervejeiros do Rio (e do Brasil!)”. São cerca de 30 torneiras de chope nas duas casas, com opções nacionais e importadas.

Endereços

Botafogo: R. Nelson Mandela, 100 – Loja 127 – Botafogo

Arpoador: R. Francisco Otaviano, 30 – Copacabana

Instagram: @braseirocolarinho

O sommelier de cervejas Gil Lebre indica alguns dos melhores locais para beber cerveja artesanal no Rio de Janeiro (Crédito: Arquivo Pessoal)
O sommelier de cervejas Gil Lebre indica alguns dos melhores locais para beber cerveja artesanal no Rio de Janeiro (Crédito: Arquivo Pessoal)

TJK Beer

“O bar é comandado por duas sócias e possui uma clientela fiel que está sempre em busca de novidades”, conta o sommelier. Fundado em 2019, ele fica na Galeria Esmeralda, no coração da Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro. “A casa tem sempre boas opções locais e de fora. O charme extra fica por conta de uma disputada mesa de sinuca, em que os clientes sempre jogam entre um chope e outro”, completa.

Endereço: Rua Conde de Bonfim, 685 – 1º piso – Loja K – Tijuca

Instagram: @beertjk

Brewdega

“Copacabana está bem servida de cerveja artesanal graças ao Brewdega”, diz Gil. O bar foi aberto em 2018 nos limites do Leme, tradicional pela boemia. “Eles funcionam no sistema de autosserviço de chope, onde você serve a quantidade que quiser beber. E geladeiras cheias de opções de latas e garrafas. O ‘dono’ do bar é um simpático cãozinho, o mascote da casa”.

Endereço: R. Barata Ribeiro, 14 – Copacabana

Instagram: @brewdegacervejas

Maniacs Brewing fecha parceria com Cervejaria Blumenau e projeta crescer 15% em 2026

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A Maniacs Brewing Co., de Curitiba (PR), fechou parceria com a Cervejaria Blumenau para expandir sua atuação no Sul do país a partir de março. O acordo envolve a fabricação de cervejas próprias e da marca norte-americana Brooklyn Brewery na planta de Blumenau (SC). Além disso, as empresas devem trabalhar com distribuição cruzada de produtos em seus estados. A expectativa é de crescimento de 15% em volume em 2026.

Segundo Iron Mendes, fundador e CEO da empresa, a escolha da Cervejaria Blumenau se deu não só pela qualidade, capacidade de produção e envase, mas também pela posição geográfica. “O Brasil é gigante, então a gente precisa ter centros de produção próximos das nossas áreas-alvo”, diz.

A Maniacs e a Brooklyn hoje são produzidas também em outras três fábricas no Brasil, com foco de distribuição no Sul e Sudeste do país. “Estamos sempre em busca de bons parceiros”, reforça o CEO.

A primeira produção está marcada para 5 de março, durante o Festival Brasileiro da Cerveja que acontece em Blumenau entre 4 e 7 de março. A cervejaria vai fabricar neste primeiro momento lotes de Brooklyn East IPA e Maniacs IPA sem álcool em garrafas long-neck. Mas outros rótulos de ambas as marcas podem passar a ser feitos por lá em breve, também em latas.

Mendes tem uma longa relação com a cervejaria Brooklyn Brewery, de Nova York. Ele foi importador e distribuidor dela no Brasil desde 2009. E desde 2018, a Maniacs é responsável pela gestão da marca no país. Já a Maniacs Brewing completa dez anos agora em 2026.

Distribuição cruzada

De acordo com Iron, o foco das cervejas produzidas em Blumenau é a distribuição para o estado catarinense e o Rio Grande do Sul. “Mas principalmente Santa Catarina, onde a gente vai fazer essa parceria também comercial com eles”, diz o fundador.

Ele explica que a parceria vai além da produção, envolvendo também a distribuição das marcas Maniacs e Brooklyn pela Cervejaria Blumenau em seu estado. De outro lado, a marca de Curitiba fará o mesmo com as cervejas da produtora catarinense no Paraná. “A gente ainda está alinhando, mas a expectativa é que a distribuição comece a funcionar ainda no mês de março”.

Maniacs Brewing Co. espera crescer 15% em 2026 (Crédito: Divulgação)
Maniacs Brewing Co. espera crescer 15% em 2026 (Crédito: Divulgação)

O fundador da Maniacs Brewing Co. também conta que as marcas estão crescendo com consistência nos últimos anos, após uma grande perda de volume com a Pandemia em 2020. Houve aumento de 22% de 2024 para o ano passado. E os planos para o futuro são simples: “continuar trabalhando e continuar fazendo cerveja boa todo dia”, diz.

A Maniacs IPA foi uma das pioneiras no mercado de cervejas artesanais a se posicionar no mercado como uma cerveja artesanal acessível, com preço entre as cervejas de alto volume e as artesanais de nicho. A inovação mais recente foi a Maniacs IPA sem álcool, lançada em 2025 que, de acordo com Iron, está “desempenhando muito bem”.

Cervejaria Blumenau e Maniacs Brewing Co.

A Cervejaria Blumenau também comemorou a parceria e a chegada das marcas. “Nós passamos por diversos desafios nos últimos anos, mas priorizamos sempre a qualidade dos produtos que são entregues ao mercado. A ampliação de duas marcas tão conhecidas através da nossa fábrica é resultado de uma década de dedicação em produzir e entregar boas cervejas”, diz o diretor executivo Valmir Zanetti.

Eli Junior, que gerencia a área comercial, destaca que a parceria vai ultrapassar os limites da fábrica e será também estratégica. “É uma colaboração, de fato. Uma construção em muitas mãos que vai levar a todos nós a um novo momento, tenho certeza”, adiciona.

Entrevista: diretor da Abracerva pede engajamento em prol da diferenciação no Imposto Seletivo

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Marcos Moraes, Diretor Tributário da Abracerva, fala em entrevista sobre a Reforma Tributária e o Imposto Seletivo (Crédito: Arquivo Pessoal)
Marcos Moraes, Diretor Tributário da Abracerva, fala em entrevista sobre a Reforma Tributária e o Imposto Seletivo (Crédito: Arquivo Pessoal)

Após longos debates, a Reforma Tributária entrou em seu ano-teste, tendo sido aprovada e sancionada no início de 2025. A partir de 2027, a nova mecânica de tributação e os novos impostos entrarão em vigor — incluindo o Imposto Seletivo —, dando continuidade ao cronograma de adaptação. E até o momento há muitas questões ainda em aberto.

Para o setor cervejeiro, uma das principais é o tamanho e o modo de aplicação do Imposto do Pecado, como ficou popularmente conhecido, destinado a desestimular o consumo de produtos considerados pelos legisladores como prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.

E o contador e advogado tributarista Marcos Moraes, atual diretor tributário da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), alerta que as regras que diferenciam o tributo por teor alcoólico e volume de produção, conquistadas recentemente na aprovação da Reforma, não estão garantidas.

“Precisamos agora engajar com nossos deputados e senadores para que sustentem e aprovem a proposta apresentada pela Abracerva”, diz Moraes.

Isso porque o texto da Lei Complementar 214/2025 delegou a uma lei ordinária o tratamento desse tema. E o texto, que está sendo elaborado pelo Governo, deve chegar ao Congresso em breve. É essa lei que vai determinar como será o Imposto do Pecado e o impacto no bolso do consumidor.

Confira todas as explicações e os detalhes dessa situação abaixo na íntegra da entrevista com o diretor tributário da Abracerva, Marcos Moraes.

Em “que pé” estamos com a Reforma Tributária e o Imposto Seletivo no momento (pós-Carnaval), principalmente no caso da cerveja?

Já iniciamos uma jornada de transição da Reforma Tributária sobre o Consumo, jornada essa que levará 7 anos para a sua implementação; todavia, ainda não sabemos o meio e o final; digo isso porque as leis já aprovadas e publicadas alteram diversos princípios, regras básicas e algumas intermediárias, mas ainda não temos as alíquotas dos novos tributos Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e inclusive o Imposto Seletivo (IS). Fala-se em 28%. Contudo, poderá variar de 2% a 3% (provavelmente para mais) até o final da transição em dezembro de 2032.

No tocante ao IS, apelidado de “Imposto do Pecado”, que tem por finalidade sobretaxar produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas/açucaradas, veículos, minérios e bets, havia uma programação para ser apresentado pelo Governo Federal no final de 2025; entretanto, houve um adiamento justificado pela busca por um maior consenso e avaliação do impacto na carga tributária total.

Espera-se que até o final do primeiro semestre de 2026 tenhamos o projeto apresentado para discussão e aprovação no Congresso Nacional. Isso porque a legislação vigente determina que o IPI será substituído pelo IS a partir de 1º de janeiro de 2027. Vamos e temos de esperar.

A Reforma Tributária foi sancionada pelo presidente Lula no início de 2025. E, naquele momento, falava-se que o projeto que definiria as alíquotas do Imposto Seletivo sairia ainda no primeiro semestre. Já estamos no início de 2026, já estamos no ano-teste e nada ainda. Algo evoluiu sobre esse assunto de lá para cá? Qual deve ser o próximo movimento na definição das alíquotas?

A Lei Complementar 214/2025, no parágrafo 7º do artigo 422, delegou a uma lei ordinária tratar desse tema; esse projeto de lei ainda não foi apresentado pelo Governo Federal ao Congresso Nacional para debate e aprovação.

Até o momento, há previsão em lei para que o Imposto Seletivo inicie em 1º de janeiro de 2027 para uma lista pequena de produtos. Todavia, falta informar quais serão as alíquotas.

Cabe ressaltar que o Imposto Seletivo terá duas alíquotas para as bebidas alcoólicas: a alíquota Ad Valorem (percentual sobre o valor da venda) e a alíquota Ad Rem (valor fixo em reais por unidade de medida, como o litro), que será atualizado anualmente.

Agora, qual a alíquota, o valor por litro, bem como quanto será o escalonamento pelo teor alcoólico e pelo volume de produção, não temos nada, salvo expectativas.

O setor cervejeiro teve três conquistas importantes na Reforma: o tratamento diferenciado para pequenos produtores de bebidas alcoólicas em função do volume produzido e da categoria de produto; a previsão de que não haverá aumento da carga tributária; e o texto que prevê alíquotas progressivas do Imposto Seletivo conforme o teor alcoólico das bebidas. Esses ganhos estão garantidos ou ainda podem sofrer algum tipo de revés?

Alcançamos uma importante vitória por já termos incluído na lei a previsão de tratamento tributário diferenciado para os pequenos produtores, com progressividades em função do volume de produção; isso é fato. Contudo, há um ponto de atenção e necessidade de maior engajamento do setor, em especial das micro e pequenas cervejarias, junto aos deputados federais e senadores em seus respectivos estados.

Temos que fazer valer o direito previsto na Lei Complementar (LC) para que tenhamos a aprovação de Lei Ordinária (LO) prevendo tal escalonamento por volume de produção; até o presente momento temos apenas os parágrafos 7º e 8º do artigo 422 da LC 214/2025 dizendo que poderá haver tratamento diferenciado, conforme abaixo:

  • LC 214/2025, artigo 422.
    • § 7º As alíquotas aplicáveis a bebidas alcoólicas poderão ser estabelecidas de modo a diferenciar as operações realizadas pelos pequenos produtores, definidos em lei ordinária.
    • § 8º Para assegurar o disposto no § 7º, as alíquotas poderão ser:
      • I – progressivas em função do volume de produção; e
      • II – diferenciadas por categoria de produto.

[grifos do entrevistado]

Precisamos agora engajar com nossos deputados e senadores para que sustentem e aprovem a proposta apresentada pela Abracerva.

Tratar só de números pode deixar o tema abstrato. Então, qual pode ser o impacto no mercado cervejeiro e no consumidor, em caso de alíquota favorável e desfavorável do Imposto Seletivo?

A Abracerva vem acompanhando muito de perto esse tema, justamente para alcançar tudo o que já está aprovado. E não será diferente com o Imposto Seletivo. Já apresentamos e debatemos diversos cenários e possibilidades de escalonamento por faixa de volume de produção. A última apresentada em meados de 2025, conseguimos demonstrar da necessidade de se aumentar das atuais 2 faixas de escalonamento dos IPI, PIS e COFINS, para 5 faixas do Imposto Seletivo.

Se nossa sugestão for aceita pelo Governo Federal e pelo Congresso Nacional, poderemos ter um avanço relevante para as pequenas cervejarias na tributação do Imposto Seletivo.

Entretanto, como ainda não sabemos qual será a alíquota base do IS, difícil precisar como ficará o escalonamento proposto e assim poder mensurar qualquer impacto.

Como as cervejarias devem se preparar para o que está por vir? Há alguma “lição de casa” que possa ser feita?

Eu entendo que sim: todos os empresários precisam estar preparados para a transformação que estamos começando, não apenas o setor cervejeiro.

Isso porque o Simples Nacional, que foi uma conquista do setor há dez anos, resistirá à reforma tributária e permanecerá vigente. Todavia, a restrição ao envio de créditos ao cliente do varejo aumentará.

Prevendo maiores dificuldades devido ao aumento nas restrições ao crédito de impostos, os fabricantes optantes por essa modalidade poderão ter mais dificuldade de comercializar em determinados canais de venda.

A reforma tributária está prevendo que os optantes possam recolher de forma híbrida o IBS e o CBS (fazendo a não cumulatividade), adicionalmente aos tributos do Simples.

A opção ocorrerá todo início de ano, valendo para os 12 meses do ano. Se o empresário não fizer a conta corretamente e optar errado ou deixar de optar pela forma híbrida, poderá ter que suportar a decisão pelos próximos 12 meses.

Neste sentido, o planejamento estratégico e tributário das operações será fundamental para a sobrevivência e para não pagar mais impostos do que o realmente devido.

Algum conselho para os empresários?

Acho importante que cada empresário inicie suas análises e seu planejamento do futuro do seu negócio, onde ele está e aonde quer chegar, quem são e onde estão seus atuais clientes e fornecedores. Isso será pertinente para que cada um encontre as oportunidades e os desafios que a reforma tributária imporá aos empresários brasileiros. Onde há desafios, há oportunidades.

Budweiser Budvar desafia o mercado e registra recorde de vendas

Em um cenário onde o consumo global e europeu de cerveja tem apresentado retração, uma cervejaria histórica do Velho Continente está nadando contra a maré. A checa Budweiser Budvar — que, por questões de disputas de direitos de marca com a homônima americana, ficou conhecida no Brasil por muito tempo como Checvar — acaba de anunciar um novo recorde histórico de vendas referente ao ano de 2025.

Segundo o site especializado Inside Beer e a emissora Radio Prague International, a cervejaria fechou o ano passado com a expressiva marca de 1,946 milhão de hectolitros comercializados, um volume recorde. O volume representa um aumento de 1% em relação ao ano anterior e consolida o terceiro ano consecutivo de crescimento na produção da empresa.

Afinal, qual é a fórmula do sucesso?

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Para o diretor da cervejaria, Petr Dvořák, esse crescimento contínuo em meio a um mercado em declínio não é obra do acaso. Segundo o executivo, o avanço reflete a forte confiança do consumidor na marca e a alta qualidade inegociável de suas cervejas.

Os dados mostram que a estratégia da empresa tem funcionado bem em diferentes frentes, mesclando tradição com adaptação a novas tendências de consumo. No mercado interno da República Checa, as vendas totais subiram 3%. O grande destaque, no entanto, foi o salto nas embalagens modernas: as vendas de cerveja em lata dispararam impressionantes 25% no país, enquanto as tradicionais garrafas mantiveram sua estabilidade. O estilo clássico da marca também puxou o resultado, com as cervejas Lager registrando um crescimento de 17% nas vendas domésticas.

O sucesso não ficou restrito às prateleiras dos supermercados. A cervejaria registrou expansão também no setor de hospitalidade, com alta nas vendas para bares, restaurantes e hotéis.

Exportações da Budweiser Budvar

Budweiser Budvar é uma marca tradicional da República Checa (Crédito: Divulgação)
Budweiser Budvar é uma marca tradicional da República Checa (Crédito: Divulgação)

O mercado externo é outro pilar fundamental nessa receita. A Budweiser Budvar exporta para mais de 70 países e, de acordo com o Inside Beer, o bom desempenho internacional foi impulsionado pelo chope e pelas chamadas “cervejas de tanque”, que registraram volumes maiores de saída para o exterior.

Fundada em 1895, a Budvar tem uma particularidade que chama a atenção no mercado atual: ela é uma empresa 100% estatal, controlada pelo governo checo. Isso a posiciona como um raro e lucrativo caso de sucesso de gestão pública no competitivo setor cervejeiro europeu.

Turismo cervejeiro

Além do sucesso nos copos, a marca também celebra números positivos no turismo. O centro de visitantes da cervejaria, localizado na cidade de České Budějovice (berço histórico da marca), consolidou-se como um concorrido destino para os amantes da bebida, recebendo mais de 50 mil turistas ao longo de 2025.

No fim das contas, a resposta da Budweiser Budvar para a crise do mercado parece simples na teoria, mas exige rigor na prática. É manter a tradição e a qualidade do líquido, adaptar-se às novas preferências de embalagens do público e apostar forte na experiência de marca.

Giba Tarantino é reeleito na Câmara da Cerveja e promete foco em tributação e capacitação

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Gilberto Tarantino foi reeleito como presidente da Câmara Setorial da Cerveja, órgão ligado ao Conselho do Agronegócio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A decisão foi tomada em reunião em dezembro do ano passado e submetida ao ministro da Agricultura, Carlos Fávaro. A decisão final foi publicada em portaria no Diário Oficial no dia 13 de fevereiro. Além de continuar o trabalho que desenvolveu nas discussões da Reforma Tributária e Imposto Seletivo, ele também pretende dar foco na capacitação dentro do setor no novo mandato.

Nesse segundo mandato, ele diz que uma das prioridades é fazer os negócios da cerveja funcionarem e prosperarem. “O business da produção de cerveja tem que dar certo. Então, a gente vai focar em cursos. Não só de produção, mas de gestão, de marketing e outros, vamos também levar a cerveja para ciência, para gastronomia, para agricultura. A luta é essa”, conclui.

A Câmara Setorial da Cerveja tem como objetivo propor, apoiar e acompanhar ações para o desenvolvimento da cadeia produtiva da cerveja no país. Profissionais de diferentes segmentos do setor, abrangendo embalagens, agricultura, indústrias, supermercados, turismo, bares e restaurantes, compõem o colegiado.

Giba, como é conhecido, é o atual presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) e assumiu o posto após o falecimento de Marco Falcone em janeiro de 2024.

Imposto Seletivo

O principal foco de Tarantino no mandato anterior concentrou-se na discussão sobre a implementação do Imposto Seletivo e a Reforma Tributária.

“E foi onde tivemos mais sucesso. A gente conseguiu incluir que as pequenas indústrias de bebidas — como as de cerveja, vinho e destilados — poderão ter um tratamento diferenciado no Imposto Seletivo. Quanto menor o nível de produção, maior o desconto sobre o Imposto Seletivo. Mas essa briga começa agora”, diz.

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Segundo o presidente reeleito, as discussões sobre o novo tributo devem voltar à pauta do Congresso em março, quando o Ministério da Fazenda deve enviar a proposta sobre qual será a alíquota e a mecânica de operação do imposto.

O Imposto Seletivo, também conhecido popularmente como Imposto do Pecado, é um tributo federal criado pela Reforma para desestimular o consumo de bens e serviços considerados como de risco para a saúde ou o meio ambiente pela nova lei. Bebidas açucaradas e alcoólicas, veículos poluentes, extração mineral estão incluídos. 

Outras pautas da Câmara Setorial da Cerveja

Em relação aos demais objetivos da gestão iniciada há dois anos, Tarantino conta que havia duas propostas principais: a criação de um código da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) para cervejas artesanais e a aproximação com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), para reforçar as exportações.

Tarantino conta que a ideia do CNAE específico acabou sendo descartada em reuniões com a Receita Federal e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os órgãos alegaram que o volume ainda é muito baixo para justificar a mudança e o processo é longo e demorado.

Já no ramo das exportações, novas abordagens estão sendo tentadas com a Associação Brasileira dos Exportadores e Importadores de Alimentos e Bebidas (BFBA). E talvez seja possível viabilizar uma missão comercial de compradores para a Brasil Brau.

Cerveja zero e low alcohol na engenharia de produto: quando a inovação reduz imposto e quando vira reclassificação arriscada

A cerveja zero ou sem álcool, a low alcohol e as chamadas “ultra” deixaram de ser nicho. Elas entraram no cotidiano por diversas razões, como saúde, direção, esporte e rotina de trabalho. Do lado do mercado, os números recentes ajudam a explicar por que esse assunto ganhou destaque, já que há crescimento do consumo e reportagens apontando salto expressivo na produção no Brasil entre 2024 e 2025, com projeções ambiciosas para 2026.

Até aqui, a conversa parece restrita a portfólio e comportamento do consumidor. Há, porém, um segundo motor, menos comentado fora do balcão jurídico, que é o desenho do Imposto Seletivo. Esse tributo nasce com a missão constitucional de incidir sobre bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Nesse ponto, a tendência no and low passa a ser também uma discussão sobre arquitetura de produto e sobre o limite entre inovação legítima e reclassificação arriscada.

A lógica do Imposto Seletivo para bebidas alcoólicas é, em essência, simples de entender. A lei prevê que, para bebidas alcoólicas, a tributação deve levar em conta o teor alcoólico em volume do produto. Se o tributo é calibrado pelo álcool, reduzir o ABV pode significar reduzir custo tributário. Isso influencia decisão de receita, processo, embalagem e posicionamento.

A diferença de cerveja zero e low alcohol

A cerveja low pode pagar menos Imposto Seletivo ou, dependendo do enquadramento, pode nem estar sujeita a ele. No recorte normativo inicial, o Anexo XVII da Lei Complementar 214/2025 associa bebidas alcoólicas aos códigos NCM 2203, 2204, 2205, 2206 e 2208. Em linguagem de mercado, a cerveja de malte (NCM 2203) está no radar do seletivo. 

A cerveja zero ou sem álcool, por sua vez, aparece no comércio e em referências fiscais com a classificação NCM 2202.91.00. Assim, quando o produto é efetivamente uma cerveja sem álcool classificada como 2202.91.00, ele não integra a lista de bebidas alcoólicas do anexo e fica fora do novo imposto. Isso tem implicações diretas de estratégia.

Na linha low alcohol, que em regra continua dentro do NCM 2203, o incentivo é diminuir o teor alcoólico para reduzir a carga tributária. Esse movimento é, por si, um estímulo legítimo à inovação e pode ser saudável para o mercado e para o consumidor. O problema aparece quando a engenharia de produto vira maquiagem.

Sempre que o sistema cria diferenças relevantes de tributação entre categorias próximas, o mercado reage com ajustes de receita, porção, rotulagem e narrativa comercial. Isso não é, em si, errado. Faz parte do jogo regulatório. O erro é confundir marketing com classificação fiscal e acreditar que trocar nome, slogan ou layout de rótulo resolve o enquadramento.

Imposto Seletivo

No Imposto Seletivo, essa distinção tende a ficar ainda mais sensível porque o ponto de partida é a NCM, ou seja, um elemento técnico. Essa classificação depende de características do produto, de notas explicativas, de documentação e de coerência ao longo da cadeia. A estratégia legítima, nesse contexto, é aquela em que a empresa faz uma escolha empresarial verdadeira e sustentada. Quando desenvolve uma session ou “ultra” com menor ABV sem induzir o consumidor a erro. Ou lança uma cerveja sem álcool (ou cerveja zero) com processo e controle que efetivamente a caracterizam como não alcoólica. Ela mantém padrão de qualidade, estabilidade e rotulagem coerentes com o enquadramento. Trata-se de inovação de produto, não de inovação de tese. 

Para pequenas cervejarias, esse tema não precisa virar paranoia, mas exige método. Antes de lançar um novo produto no or low, vale trabalhar com um roteiro de conformidade. Isso inclui ABV-alvo e controle por lote, enquadramento técnico do produto, documentação que sustente a condição de não alcoólica, quando for o caso, e consistência de NCM em toda a cadeia documental.

Inovação e risco

No fim, a mensagem mais útil para quem produz e para quem consome é simples. A tendência no and low é boa para o mercado e pode ser virtuosa para o consumidor, mas ela também inaugura um tipo de competição que envolve enquadramento regulatório. Quem transforma isso em inovação real, com transparência e documentação, colhe vantagem. Quem tenta resolver no design do rótulo aquilo que é problema de substância, assume o risco de descobrir, tarde e caro, onde termina a criatividade e começa o contencioso.


Clairton Gama é advogado e sócio do escritório Kubaszwski Gama Advogados Associados. Possui mestrado em Direito pela UFRGS e é especialista em Direito Tributário pelo IBET. Além disso, é cervejeiro caseiro.


* Este é um texto opinativo. As opiniões e informações contidas nele são de responsabilidade do colunista e não refletem necessariamente a opinião do Guia da Cerveja.

Menu Degustação: Concurso Brasileiro de Cervejas supera 2,7 mil inscrições

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O 14º Concurso Brasileiro de Cervejas (CBC) de Blumenau (SC), que acontece de sábado (28) a domingo (2), chegou à marca de 2,7 mil rótulos inscritos em 175 categorias técnicas. O número representa um crescimento de 7,5% em relação ao ano anterior. A diversidade também cresceu com um aumento de 5,14% no número de estilos contemplados. Os vencedores serão anunciados no dia 3 de março, no Parque Vila Germânica, data que antecede o Festival Brasileiro da Cerveja.

Alguns destaques das inscrições foram a categoria Gluten Free, que teve alta de 700% no número de amostras; rótulos com maturação em madeiras brasileiras, que cresceram 55%; e cervejas sem álcool, com aumento de 9,3%. American IPA e Catharina Sour lideram o ranking de estilos com maior número de cervejas para avaliação.

Confira o resultado do Concurso Brasileiro de Cervejas 2026.

Concurso Brasileiro de Cervejas além dos números

A qualificação do corpo de jurados, selecionado pelo Conselho Consultivo, é, para Carlo Bressiani, fundador da Escola Superior de Cerveja e Malte e um dos organizadores do Concurso Brasileiro de Cervejas, um dos grandes alicerces da credibilidade da competição. “São mais de 70 nomes com experiência atestada pelo mercado e qualificação à altura do desafio que é destacar alguns desses rótulos”, diz.

A edição de 2026 do Concurso Brasileiro de Cervejas marca a inclusão do estilo Manipueira Selvagem, cerveja fermentada a partir de micro-organismos vindos da prensagem da mandioca. O evento também ampliou a parceria com o World Beer Awards para facilitar a inscrição de brasileiros no concurso global. Por fim, a organização publicou um Hall da Fama, com o histórico de premiados no concurso, no site oficial.

Leia também neste Menu Degustação:

Academia da Cerveja dá dicas para o pós-Carnaval

A escola de conhecimento da Ambev, em São Paulo (SP), reforça as dicas para quem vai curtir os bloquinhos de pós-Carnaval: descansar bem na noite anterior, estar bem alimentado com comidas leves e manter a moderação. E, para isso, as cevejas sem álcool podem ajudar bastante para equilibrar o consumo ou alternar entre uma cerveja e outra, mantendo o equilíbrio. A instituição também abriu inscrições para cursos de harmonização gastronômica nos formatos online e presencial. As aulas ensinam combinações de bebidas com carnes e peixes. Informações sobre a agenda completa de cursos estão disponíveis no perfil @academia.da.cerveja no Instagram.

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Oktoberfest Summit oferece desconto de Carnaval

Em Blumenau (SC), a organização do evento que ocorre em outubro reduziu em 100 reais o preço dos ingressos. A promoção termina no sábado (28). O público pode adquirir as entradas pelo site oficial Oktoberfest Summit com o código SUMMITFOLIA. A programação inclui visitas guiadas e palestras sobre a gestão da maior festa alemã das Américas. O encontro revelará bastidores inéditos da gastronomia e dos desfiles da festa.

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Itaipava contrata Virgínia Fonseca para time de influenciadores

A cerveja Itaipava, do Grupo Petrópolis, anunciou em São Paulo (SP) a contratação da influenciadora Virgínia Fonseca. A parceria integra o reposicionamento da marca para atrair o público jovem. Virgínia possui 54,5 milhões de seguidores e soma-se ao grupo que inclui Ivete Sangalo e Nicole Bahls. A estratégia foca em criadores de conteúdo para aumentar a visibilidade nacional. O Grupo Petrópolis é a única grande cervejaria com capital totalmente nacional.

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Amstel e Alceu Valença fazem ação imersiva em Pernambuco

O cantor Alceu Valença usou óculos inteligentes para gravar imagens em primeira pessoa durante o Carnaval de Recife (PE) e Olinda (PE). O conteúdo integra a estratégia de expansão da marca Amstel no Nordeste. A cervejaria foi a patrocinadora oficial dos circuitos de rua e do bloco Galo da Madrugada. Segundo o governo estadual, a folia na região atraiu 4 milhões de pessoas em 2026. A parceria em formato collab distribuiu vídeos dos bastidores e do palco nas plataformas digitais.

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Eisenbahn cria rota de bares para fãs de rock

A marca promove a ação Combo Premiado em São Paulo (SP), Campinas (SP) e Ribeirão Preto (SP) até sexta-feira (27). Consumidores que comprarem duas cervejas long neck recebem brindes exclusivos em bares selecionados. A iniciativa celebra a turnê brasileira da banda australiana AC/DC. O roteiro inclui shows de grupos covers e distribuição de copos personalizados. Os interessados devem realizar cadastro com promotores da marca nos locais participantes. A plataforma busca aproximar a cerveja premium da comunidade rockeira.

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Bodebrown realiza Growler Day com tributo ao AC/DC

Banda Youngs AC/DC Cover será uma das atrações do evento da Bodebrown neste sábado (Foto: Renan Lima)
Banda Youngs AC/DC Cover será uma das atrações do evento da Bodebrown neste sábado (Foto: Renan Lima)

A cervejaria em Curitiba (PR) promove dois shows covers de rock neste sábado (21), das 9 às 18 horas. O evento tem entrada franca e oferece mais de 40 rótulos de cerveja. A programação inclui um café da manhã solidário mediante a doação de três quilos de alimentos não perecíveis. Visitantes também podem realizar passeio guiado pela linha de produção da fábrica com degustação direto da fonte. A homenagem antecede as apresentações da banda australiana marcadas para este mês em São Paulo. Mais informações no perfil do Instagram da Bodebrown.

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Dani Lira e o Torneira Boteco: onde o propósito encontra o pé no chão

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Não lembro exatamente quando foi a primeira vez que fui no Torneira Bar, atualmente Torneira Boteco, mas sei exatamente como me senti: bem. É um ambiente acolhedor que fica na Vila Madalena, região boêmia da Zona Oeste de São Paulo —, mas longe o bastante do fervo para as pessoas poderem ter uma boa conversa enquanto degustam boas cervejas. Duas coisas chamam a atenção desde o início: a arquitetura, já que o desenho do espaço é um prolongamento da rua; e a política de diversidade. Toda a equipe era composta mulheres e pessoas da comunidade LGBTQIAPN+, especialmente trans, grupo que está entre os mais excluídos do mercado formal de trabalho.

Ao chegar lá hoje você pode se surpreender pelo fato de não haver porta, e sim uma entrada “vazada”, um grande pórtico que marca, mas não divide fora e dentro, abraçando o espaço público. Há mesas, cadeiras, bancos, como todo o bar, porém o piso é uma continuação do “petit pavé” da calçada, as paredes têm lambe-lambe e há plantas por todos os lados, como num jardim. O balcão de bar está lá, mas é de concreto, e as torneiras de chope que dão nome ao bar tem decoração com aquele estilo de registos metálicos de água da entrada das casas.

Ou pode estranhar o fato que naquele balcão o chope artesanal divide espaço com cervejas mainstream, lado a lado e sem problema nenhum. Mas nem por isso o bar perdeu sua essência. Continua aberto a todos, democrático, e mantém as políticas de inclusão que fazem parte da sua personalidade.

E muito provavelmente vai encontrar Danielle Lira atrás daquele balcão. Mulher, negra de cabelos orgulhosamente crespos e volumosos, prestes a completar 35 anos agora em março, ela é a mente por trás do Torneira Boteco. “A diversidade sempre foi parte da identidade e dos valores do Torneira. Não como discurso, mas como prática e ações diárias e afirmativas”, conta.

Uma história de competência

Mas, não se preocupe. Essa não é só mais uma história de superação, daquelas que se tornaram quase um clichê no jornalismo ultimamente. A trajetória da Dani é marcada pela competência acima de tudo, o que se torna ainda mais especial por ela ser quem é e vir de onde veio. 

Foi criada na Zona Norte de São Paulo em uma família de origem periférica. Nasceu quando sua mãe tinha apenas 14 anos — hoje cozinheira e parte da comunidade LGBTQIAPN+. “Sempre me incentivou a estudar, a buscar crescimento, a ter autonomia. Ela é uma das minhas maiores referências de coragem e autenticidade”.

Cresceu no caminho do estudo e do trabalho. Conta que sempre foi inquieta, “com personalidade forte”, e gostava de liderar grupos. “Nunca tive medo de falar e ocupar espaços”. Um comportamento ótimo para empreendedores.

Começou a trabalhar com 16 anos em uma rede de fast-food, foi para a área de atendimento e construiu uma carreia de dez anos na área de finanças em instituição financeira. “Foi ali que desenvolvi visão estratégica, capacidade de gestão, negociação e planejamento”. 

O convite

Essas habilidades foram essenciais para que fosse convidada para uma sociedade, para estruturar um negócio. A cerveja artesanal já fazia parte dos seus interesses. Ela estudava e conhecia o mercado, promovendo até degustações entre amigos. 

“Mas, ao mesmo tempo, eu observava um mercado muito fechado, direcionado a um público bastante específico, principalmente masculino. Eu não me sentia pertencente e incluída ali e percebia que outras pessoas também não se sentiam, especialmente mulheres e pessoas da comunidade LGBTQIAPN+”.

Então aquela oportunidade deixou de ser apenas um negócio e se tornou a construção de um espaço. Formada em Marketing e pós-graduada em ESG, com especialização em Diversidade e Inclusão, Dani sempre teve essa bandeira, que passou a ser um pilar central do empreendimento.

A segunda coluna de sustentação foi uma certa “desgourmetização” da cerveja artesanal, mantendo qualidade, mas sem distanciamento. “A proposta nunca foi apenas abrir um bar. Foi criar um espaço onde as pessoas pudessem conhecer a cultura da cerveja artesanal de forma descomplicada e se sentirem confortáveis, sem julgamentos”.

De Torneira Bar para Torneira Boteco

Dani Lira se formou também sommelière de cervejas. O certificado fica na paredo do Torneira Boteco (Crédito: Arquivo Pessoal / Dani Lira)
Dani Lira se formou também sommelière de cervejas (Crédito: Arquivo Pessoal / Dani Lira)

Outro equívoco é achar que a Dani é idealista, daquele tipo que tem a cabeça nas nuvens. É o oposto. Sim, há nela um senso de propósito claro, e ela frisa que a formação não é apenas acadêmica, “mas prática aplicada na minha trajetória”. Porém, a empreendedora sempre teve os pés no chão.

Abriu o bar há cinco anos. Já enfrentou Pandemia de Covid-19, a sazonalidade do mercado cervejeiro, a formação de novos territórios boêmios e mudanças no comportamento de consumo. “O mercado de cerveja artesanal vive um momento de ajuste. O poder de compra mudou, o perfil de consumo mudou. Isso exigiu decisões estratégicas. Eu precisei amadurecer como gestora”, conta.

Tudo isso pediu mudanças no negócio. E elas vieram. Recentemente, o Torneira Bar se tornou Torneira Boteco. Ela fez ajustes estratégicos no sentido de ampliar o público e democratizar ainda mais o espaço, sem abandonar a cerveja artesanal.

“A escolha de incluir marcas mais populares, como a Amstel, do Grupo Heineken, veio da necessidade de uma parceria forte, estruturada e alinhada aos valores do Torneira, que ajudasse na sustentabilidade do negócio. E essa parceria tem sido incrível, com resultados muito positivos”, conta.

Mudar sem perder a essência

As artesanais continuam presentes. Mas hoje a casa oferece diferentes opções de experiências e preços. Houve ajustes também no cardápio, para entrar mais na proposta de boteco. Mas o compromisso e as políticas de inclusão seguem de pé. “Não romantizo essa escolha. Mas, dentro da minha possibilidade de pequena empreendedora, eu escolho olhar para quem muitas vezes não é olhado e/ou escolhido”.

É verdade, o mercado de cervejas artesanais mudou. Está mais desafiador. E Dani tem clareza disso. “Na minha visão, atualmente a cerveja artesanal é consumida de forma mais pontual, mais experiência do que recorrência. E assim, permanece quem tem identidade clara e gestão consciente”.

Hoje, conta, se sente mais madura como empreendedora, entendendo que propósito sustentabilidade precisam caminhar juntos. “Empreender sendo mulher negra no Brasil é construir todos os dias. É desafiador, é cansativo, mas também é transformador e vem me transformando como gestora e mulher”.

O Torneira Boteco segue com suas bases fortes, mostrando soluções para os negócios cervejeiros e representando a inclusão no mercado artesanal. E a Dani é exemplo, não só pela sua história de superação, mas principalmente pela sua visão empreendedora. 

“Sou grata pelo que construí até aqui e pelo legado que o Torneira vem plantando. Mais do que um bar, ele trouxe reflexão sobre inclusão e diversidade dentro do setor cervejeiro. E esse sempre foi o meu maior objetivo”.

Mais pé no chão que isso, impossível.

6 tendências de consumo para o mercado da cerveja em 2026

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Falar de tendências é sempre um exercício de futurologia — e a chance de errar é maior do que de acertar. Mas vale a aposta. Quem chega antes nelas pode garantir uma vantagem competitiva e, muitas vezes, com risco baixo. Mas como saber o que vai ser tendência? Steve Jobs dizia que para prever o futuro “é preciso olhar para as bordas”. Então, para ajudar você a pensar sobre o assunto, o Guia da Cerveja focou nesses movimentos marginais dos principais nichos do mercado cervejeiro e trouxe seis entre as muitas possíveis tendências de consumo para 2026.

Cervejas funcionais vão crescer ainda mais

Aposta: cervejas sem açúcar

Na era do Ozempic e do Mounjaro, quem não prestar atenção na onda de saudabilidade corre sérios riscos de perder boas oportunidades. Já faz algum tempo que o consumidor busca uma melhor saúde e bem-estar e vem bebendo “com o lado esquerdo do cérebro”, priorizando escolhas mais racionais e equilibradas entre lazer e saúde. E nada indica que isso vá mudar esse ano.

Somente o segmento de cerveja sem glúten cresceu mais de 130% em 2024, segundo o Anuário da Cerveja do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Por isso, novos produtos com mais funções não param de pipocar por aí, propondo soluções para diferentes questões dos consumidores. Uma aposta recente vem acontecendo com as cervejas sem açúcar — que nada mais são que o extremo das versões de baixa caloria (low carb). Logo antes do Carnaval, a Ambev lançou a Skol zero zero, sem álcool e sem açúcar. No exterior, se fala e se pesquisa sobre cervejas com proteína e para a saúde intestinal, com fibras ou probióticas. Mas para quem quer se aventurar nessas, melhor consultar o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) antes.

Moderação vai impulsionar cervejas sem álcool

Aposta: cervejas de baixo teor alcoólico

Falar que cerveja sem álcool é uma das tendências de consumo já é algo que ficou velho. Na verdade, esse segmento se tornou um nicho de mercado super relevante com o crescimento de mais de 300% em 2024. E o motivo vai além da saudabilidade hoje. “Pegar leve” já não tem a ver só com bem-estar físico, mas envolve também questões sociais e psicológicas. Dá para dizer que a moderação virou uma tendência à parte.

A questão é que elas podem ganhar companhia das cervejas de baixo teor alcoólico, também conhecidas como de teor alcoólico reduzido. Basta olhar como o público vem usando as cervejas sem álcool para controlar melhor o consumo. Muitos vem “fazendo a zebra”, ou seja, alternando as zero com as comuns. Na conta, seria o mesmo que cortar pela metade o teor alcoólico. A Carslberg está apostando nisso na Dinamarca. E anunciou no começo do ano sua nova linha de produtos Session.

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Aqui no Brasil já existe até um espaço na legislação para isso, no qual as cervejas devem ter entre 0,5% e 2,0%. Mas para o consumidor, essa limitação não importa muito — desde que seja mais “leve” do que a cerveja normal.

Premium como remédio para queda de volume

Aposta: cervejas saborizadas

No difícil equilíbrio entre preço, volume e margem de lucro, as empresas acabam tendo que compensar um com outro algumas vezes. Com venda em menor quantidade no último ano, o valor a mais pago nas cervejas premium acaba equilibrando a conta. É o que mostram os balanços de 2025 da Heineken e Ambev divulgados na semana passada. Por isso, as cervejas premium devem continuar sendo uma das tendências de consumo em 2026. 

Como a classificação premium é uma questão de preço — em geral, 20% a mais do que a cerveja mainstream —, uma das questões é como ampliar a oferta de produtos. E é aí que entram as cervejas saborizadas.

O público continua atento e curioso com novos aromas e sabores. Mas talvez não queira desembolsar o valor de uma cerveja artesanal para isso. São cervejas com botânicos, como a Heinken Lager Spritz, ou com limão, como a Flying Fish, que tem um diferencial claro de sabor no líquido, custam um pouco mais, mas cabem no bolso.

Produção de outras bebidas

Aposta: coquetéis prontos e águas lupuladas

Apertem os cintos: o consumidor sumiu. É assim que se sentem muitos empresários do meio cervejeiro com as mudanças do mercado nos últimos anos. Se antes tudo vendia, agora parece que o público desapareceu. Quem quer continuar no negócio, ou procura meios de encontrá-lo — e aí vem a crescente importância do marketing no setor —, ou atrai outros perfis. 

Aproveitar a estrutura já existente para explorar outras bebidas é um passo lógico. Coquetéis prontos para beber, kombuchas, sidras e o que mais tiver demanda podem ser, sim, boas ideais, desde que bem trabalhadas. 

Essas outras bebidas atingem um público novo ou atendem ocasiões de consumo que a cerveja não consegue entrar. É o caso das as águas lupuladas, uma aposta nos Estados Unidos, como mostra reportagem do New York Times de dezembro. Elas não são novidade. Já existiram outras tentativas sem muito sucesso. Mas talvez dessa vez acabem sendo melhor aceitas como nesse novo momento do mercado.

Eficiência e volta ao básico

Aposta: estilos clássicos para o dia-a-dia e embalagens menores

Todas as mudanças recentes do mercado cervejeiro exigem das cervejarias artesanais uma boa capacidade de adaptação. Não há fórmula mágica. É preciso testar, errar — de preferência com baixo custo — e ajustar rápido. Até achar algo que funcione com o seu público.

Em termos de estilos, parece que o consumidor está cansando de cervejas com excessos sensoriais, pelo menos nos Estados Unidos. Por lá, uma das saídas está sendo a consolidação da tendência das Lagers artesanais, que já vem acontecendo há uns anos. 

Aqui no Brasil, é bastante claro que o mercado está num momento no qual a eficiência conta muito. Manter os custos baixos e melhorar as margens é uma necessidade. Apostar em cervejas “carro-chefe” é uma das maiores recomendações de especialistas. Mas, nesse contexto, uma boa aposta poderia ser a volta ao básico, fazendo estilos clássicos que tem recorrência de consumo em vez lançamentos que o cliente vai comprar uma vez só. É mais fácil e barato vender uma segunda vez para um cliente que já é seu do que atrair um novo.

Outra das tendências de consumo que vem aparecendo forte nos Estados Unidos são as embalagens menores, que diminuíam a percepção de preço nas gôndolas. Recentemente a Sierra Nevada lançou latas de 250 ml.

Cervejaria como varejo

Aposta: melhores experiências e hospitalidade

Saindo de “o que” se consome para o “como”, a venda direta ao consumidor tem se mostrado uma das melhores soluções para as pequenas cervejarias. E é um ganha-ganha com o consumidor. Cortar intermediários garante mais margem para o produtor e um preço melhor para o cliente. 

Mas isso também exige novas competências. A indústria tem que ser cada vez mais varejo e precisa aprender a lidar diretamente com esse consumidor. Um espaço adequado, limpo e com bom serviço é o mínimo. É preciso ser super-premium também na hospitalidade.

O diferencial vai estar na experiência que você oferece — que deve ser memorável, e não algo que o consumidor possa ter em casa —, na autenticidade da sua marca e na conexão com essa comunidade. Ser só mais uma cervejaria ou ter só mais um taproom com decoração industrial não é um diferencial. As pessoas precisam de um motivo para sair do conforto do seu lar.

Preço da cerveja cai no início de 2026; índice é o menor para janeiro em 5 anos

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E o ano começa com uma boa notícia. O preço da cerveja caiu em janeiro. Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), houve deflação de -0,06%. Esta é a menor taxa para um mês de janeiro desde 2020, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado considera as cervejas em domicílio. Já a produção industrial de bebidas alcoólicas apresentou recuo de -4,7% no acumulado do ano de 2025 em relação ao acumulado do ano de 2024.

Preço da cerveja cai

A variação negativa de -0,06% na inflação da cerveja em domicílio ficou abaixo dos 0,33% do IPCA do mês. O resultado interrompe a alta de oito meses consecutivos em que a bebida tinha variação de preço acima do índice geral. Já os preços das cervejas fora do domicílio tiveram avanço de 0,97% em janeiro, acima do IPCA. Esta é a maior taxa para o mês desde 2020.

Denise Ferreira Cordovil, da Gerência Nacional de Índices de Preços do IBGE, explica que, no caso da cerveja, o aumento em janeiro pode ser explicado por alguns fatores. Entre eles, a maior demanda relacionada às festas de fim de ano, o aumento do consumo no verão e o maior consumo como resultado do aumento da renda.

Em dezembro, o preço das cervejas teve alta de 0,73% em domicílio e de 0,60% fora do domicílio, enquanto o índice geral ficou também em 0,33%.

IPCAVariação sobre mês anterior (%)Variação acumulada no ano (%)
Índice geral0,334,44
Alimentação e bebidas0,232,2
Alimentação no domicílio0,10,46
Cerveja-0,065,39
Outras bebidas alcoólicas0,56-1,8
Alimentação fora do domicílio0,556,84
Cerveja0,974,22
Outras bebidas alcoólicas0,537,1
Fonte: IBGE

Onde a cerveja ficou mais cara?

Em janeiro, a cerveja ficou acima do IPCA geral em cinco das 15 capitais monitoradas pelo IBGE. A cidade que lidera o ranking é São Luís (MA), com alta de 2,39% no preço da cerveja em domicílio, se comparado ao mês anterior.

Na sequência vêm Goiânia (GO) e Recife (PE), empatadas com alta de 0,83%; Rio de Janeiro, com alta de 0,63%; e Brasília (DF), com alta de 0,38%.

As maiores quedas de preços foram registradas em Porto Alegre (RS), com recuo de -0,71%; Curitiba (PR), com -0,54%; e Campo Grande (MS), com -0,38%.

No acumulado de 12 meses, São Luís segue tendo a maior variação de preço, com alta de 9,13% na cerveja em domicílio; seguida pela Grande Vitória (ES), com variação de 8,93%, Recife (8,35%) e Campo Grande (MS), com alta de 7,29%.

Variação sobre mês anterior (%)Variação acumulada em 12 meses (%)
São Luís (MA)2,399,13
Goiânia (GO)0,836,96
Recife (PE)0,838,36
Rio de Janeiro (RJ)0,637,01
Brasília (DF)0,384,1
Fortaleza (CE)0,297,07
Belém (PA)0,15,86
Belo Horizonte (MG)0,043,4
Grande Vitória (ES)0,018,93
Salvador (BA)-0,013,72
Aracaju (SE)-0,075,56
São Paulo (SP)-0,334,62
Campo Grande (MS)-0,387,29
Curitiba (PR)-0,547,11
Porto Alegre (RS)-0,714,52
Brasil-0,065,39
Fonte: IBGE

Fabricação de bebidas recua em dezembro

Em meio à queda no consumo, a fabricação de bebidas alcoólicas industriais apresentou recuo em dezembro, de acordo com dados da PIM-PF (Pesquisa Industrial Mensal — Produção Física), do IBGE. Este índice não mede a fabricação por tipo de produto, mas as cervejas correspondem a cerca de 90% do volume de bebidas alcoólicas produzidas no país.

Na leitura dos dados sobre a produção de bebidas alcoólicas, o índice captou um recuo de -5% em dezembro frente ao mesmo mês do ano anterior. E de -4,7% no acumulado de todo o ano de 2025 em relação ao acumulado do ano de 2024.

Já a fabricação de bebidas não alcoólicas teve avanço de 1,6% em dezembro de 2025 e de -0,3% no acumulado do ano passado.

No dado geral, a produção industrial do país teve recuo de -1,2% em 2025. Segundo André Macedo, gerente da PIM, esse “menor dinamismo guarda uma relação importante com a política monetária mais restritiva, especialmente marcada pelo aumento na taxa de juros, o que impacta diretamente nas decisões de investimento por parte das empresas”, avalia.

Fabricação de bebidas alcoólicas
MêsVariação sobre mesmo mês do ano anterior (%)Variação acumulada em 12 meses (%)
dezembro 2025-5-4,7
novembro 2025-6,5-4,6
outubro 2025-1,8-4,5
setembro 2025-6,7-4,8
agosto 2025-11,8-4,3
julho 2025-15,2-3
junho 2025-6,2-1
maio 20252,50,1
abril 20254-0,3
março 20250,5-0,4
fevereiro 2025-6,3-0,8
janeiro 2025-2,80,2
dezembro 2024-3,11,2
Fonte: IBGE