A 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) manteve as cervejarias filiadas à Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) desobrigadas de registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo (Crea-SP). A decisão foi tomada no início deste mês após recurso apresentado pelo Conselho. O objetivo era derrubar um mandado de segurança coletivo concedido pela 7ª Vara Cível Federal de São Paulo em julho de 2025 em favor da entidade cervejeira.
Na prática, a Justiça manteve o entendimento de que sem atividade de engenharia como atividade-fim de uma empresa, não há obrigação de registro. A decisão também confirma a anulação de multas, autuações e débitos aplicados indevidamente.
Fabricação de cerveja não é exclusiva da engenharia
O caso teve origem em um mandado de segurança ajuizado pela Abracerva após diversas cervejarias serem autuadas e multadas com base na alegação de que a atividade de fabricação de cerveja exigiria registro no CREA. Segundo o Conselho, essa atividade estaria vinculada à área da engenharia, o que foi contestado pela entidade representativa do setor.
“Ao analisar o recurso, o Tribunal reforçou que o critério legal para obrigatoriedade de registro em conselhos profissionais é a atividade básica da empresa, conforme previsto na Lei nº 6.839/1980. No entendimento dos desembargadores, a fabricação de cervejas e chopes, por si só, não configura atividade privativa de engenharia, não justificando a fiscalização ou a exigência de registro pelo CREA”, explica André Lopes, do escritório Lopes Verdi Advogados, diretor Jurídico da Abracerva.
Lopes também enfatiza que outro ponto relevante destacado na decisão é que normas infralegais, como resoluções do CONFEA, não podem ampliar obrigações que não estejam previstas em lei. Assim, eventuais tentativas de enquadrar o setor cervejeiro com base em regulamentações administrativas foram consideradas inválidas, explica o advogado.
“A decisão representa mais um importante precedente para o setor, consolidando o entendimento de que a atividade cervejeira não se submete automaticamente às exigências dos conselhos de engenharia, devendo ser analisada à luz de sua atividade principal”, diz.
CREA-SP defende rigor técnico na produção cervejeira
Em nota ao Guia da Cerveja, o CREA-SP diz que respeita as decisões do Judiciário, mas sinaliza que continuará buscando “soluções que conciliem o desenvolvimento econômico com a proteção da sociedade”. O órgão argumenta que a fabricação de cerveja não é apenas um processo cultural, mas uma operação industrial de alta complexidade que envolve riscos à integridade física da população.
O conselho sustenta que etapas como o cálculo estequiométrico de insumos, o dimensionamento de trocadores de calor e o controle de processos físico-químicos exigem, obrigatoriamente, a supervisão de um profissional habilitado por serem de natureza técnica, em especial do ramo da Engenharia Química. Para a autarquia, a presença de um responsável técnico não deve ser vista como uma “exigência formal”, mas como um instrumento essencial de segurança alimentar e operacional.
“Além disso, em razão da própria natureza dessas atividades, que pressupõem a atuação de profissional habilitado, entende-se que a pessoa jurídica que as desenvolve deve estar sujeita ao registro no Conselho profissional competente, justamente para assegurar a vinculação de responsável técnico regularmente habilitado, em conformidade com a legislação vigente”, diz a nota, citando que atividades técnicas como as citadas estão na Resolução nº 218/1973 do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea).
As cervejarias já estão sujeitas à obrigação de ter responsável técnico, porém, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que regula o setor de bebidas, esse profissional não precisa ser exclusivamente engenheiro ou químico. Há casos de biólogos, técnicos industriais e farmacêuticos cumprindo essa função.
Leia a íntegra da nota do CREA-SP:
Nota ao Guia da Cerveja
O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP) vem a público reafirmar seu compromisso com a proteção da sociedade, a segurança dos processos produtivos e a valorização do exercício profissional na área tecnológica, sempre pautado pelo diálogo institucional e pelo respeito às decisões do Poder Judiciário.
A atuação do Crea-SP tem caráter essencialmente preventivo e orientativo, buscando assegurar que atividades técnicas com potencial de impacto à saúde, à segurança e à integridade física da população sejam conduzidas por profissionais legalmente habilitados, com formação adequada e responsabilidade técnica definida.
No caso da produção cervejeira, reconhece-se a relevância econômica e cultural do setor, ao mesmo tempo em que se destaca que o processo produtivo envolve etapas de natureza técnica complexa, que demandam conhecimento especializado. A fabricação de cerveja compreende operações que envolvem controle de processos físico-químicos, dimensionamento e operação de equipamentos industriais, controle de qualidade, automação e gestão de resíduos, elementos que dialogam diretamente com competências típicas da Engenharia, especialmente da Engenharia Química.
Atividades como o cálculo de insumos com base em princípios de estequiometria e balanços de massa, o dimensionamento de tanques de fermentação e trocadores de calor, bem como o controle rigoroso de variáveis operacionais, exigem domínio de áreas como Transferência de Calor e Massa, Operações Unitárias, Mecânica dos Fluidos e Controle de Processos. Tais atribuições encontram respaldo nas disposições da Resolução nº 218/1973 do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), que estabelece as competências profissionais relacionadas à supervisão, planejamento, projeto, operação e controle de processos industriais, inclusive na indústria de alimentos.
Nesse contexto, a presença de responsável técnico não se configura como exigência meramente formal, mas como instrumento de garantia à sociedade de que tais atividades serão conduzidas sob critérios técnicos adequados, mitigando riscos e assegurando a qualidade dos produtos e a segurança das operações.
Além disso, em razão da própria natureza dessas atividades, que pressupõem a atuação de profissional habilitado, entende-se que a pessoa jurídica que as desenvolve deve estar sujeita ao registro no Conselho profissional competente, justamente para assegurar a vinculação de responsável técnico regularmente habilitado, em conformidade com a legislação vigente.
O Crea-SP reitera seu respeito às decisões judiciais e permanece à disposição para o diálogo institucional, contribuindo tecnicamente para o aprimoramento das interpretações e para a construção de soluções que conciliem o desenvolvimento econômico com a necessária proteção da sociedade.
O setor brasileiro de latas de alumínio para bebidas encerrou o ano de 2025 batendo a marca de 34,1 bilhões de unidades comercializadas, o segundo maior número já registrado, de acordo com os dados divulgados pela Associação Brasileira da Lata de Alumínio (Abralatas). O recorde ficou com o ano de 2024, com 34,8 bi de latas vendidas.
Segundo a Abralatas, ao analisar os dados do mercado, é possível observar uma mudança no perfil de consumo de bebidas em lata. As categorias tradicionais, como cerveja e refrigerantes — que continuam respondendo pela maior fatia do volume de latas — registraram uma leve retração no ano. Segundo o levantamento, esse recuo é reflexo de um consumo mais cauteloso por parte dos brasileiros ao longo de 2025.
Novos segmentos ganham espaço nas latas de alumínio
Por outro lado, o motor que manteve o setor aquecido migrou para novos segmentos que vêm ganhando cada vez mais espaço nas gôndolas e alterando os hábitos de consumo.
O grande destaque percentual foi a água em lata, que cresceu 24% em relação ao ano anterior e já se firma como a principal aposta da indústria para os próximos anos, mesmo ainda representando uma fatia pequena do total de vendas. As categorias de drinks prontos, cachaça em lata, energéticos e sucos também apresentaram avanço significativo.
“Passamos de um mercado concentrado em duas categorias para um setor que acompanha a fragmentação dos hábitos de consumo”, afirma Cátilo Cândido, presidente executivo da Abralatas. Ele ressalta que o fato de o setor conseguir operar acima do patamar de 34 bilhões de unidades, mesmo sem o tradicional impulso puxado pela cerveja e pelo refrigerante, comprova a robustez atual da indústria de embalagens.
Apostas para 2026
O otimismo gerado por essa diversificação está se traduzindo em investimentos em infraestrutura. A indústria trabalha hoje com a premissa de um crescimento contínuo na demanda e, por isso, tem movimentado o parque fabril nacional. A empresa Ball, por exemplo, reabriu fábricas no estado de Minas Gerais. A multinacional Ardagh investiu recentemente na ampliação da sua capacidade instalada. A Canpack está com planos de inaugurar uma nova unidade produtiva na cidade de Poços de Caldas (MG), e a Crown está em processo de expansão da sua fábrica localizada em Ponta Grossa (PR).
Com a maturação desses investimentos fabris, a Abralatas já projeta um novo ciclo de alta para o mercado em 2026. A expectativa de crescimento está fundamentada na consolidação dessas novas categorias de bebidas em lata. Além disso, há também um calendário de eventos que favorece o consumo, incluindo uma série de feriados prolongados e a Copa do Mundo.
“A diversificação deixou de ser tendência e virou estrutura”, completa Cândido. “É isso que nos dá confiança para projetar crescimento mesmo em um cenário macroeconômico incerto”, finaliza.
Em primeiro lugar: sim, é um péssimo slogan. Não vai pegar. É a nova caxirola (2014 feelings – bad feelings). Em segundo lugar, notícia fresquíssima, o Brasil levou 5 medalhas na quarta-feira (22) no World Beer Cup – a Copa do Mundo das Cervejas, anualmente conduzida pela Brewers Association (BA). Para ter uma noção do tamanho da competição, este ano foram pouco mais de 8 mil cervejas avaliadas, quase três vezes mais do que nas competições nacionais.
Foram elas:
Cervejaria Unika – Catharina Sour Caju & Pitanga
Cervejaria Unika – The Famous Gose – Morango e Pitanga.
Ainda não tive oportunidade de degustar nenhuma delas e fiquei imaginando harmonizações com cervejas campeãs. Do mais fácil para o mais difícil – e daria um bom jantar de três a quatro tempos.
Harmonizações com cervejas campeãs
Ambas as cervejas da Unika são ácidas, com baixo teor alcoólico e com protagonismos das frutas. São de Santa Catarina. Com certeza eu iria de ostras! Aliás, eu levaria essas cervejas no Puro Oyster Bar no Jurerê. Vi o Pedro Soares “confeitar” ostras com vinagres, salicórnia e outras coisas superinteressantes quando o conheci na Feira Selvagem em 2023.
Imagino a Frutas Vermelhas 277 – Wood Aged, ácida, frutada e com presença de madeira com carnes vermelhas ou de caça, ou mesmo um magret malpassado (o único ponto correto do magret) com molho de redução da própria cerveja.
Aqui a coisa se complexifica. Eu, sinceramente, não me recordo de ter degustado sequer algum exemplar de Adambier. Tive que recorrer ao guideline:
A Adambier é um estilo histórico de cerveja originário de Dortmund, na Alemanha. Trata-se de uma ale forte, escura e complexa, que se destaca pelo seu longo processo de maturação e perfil maltado robusto. Tradicionalmente, essas cervejas podem apresentar notas ácidas ou levemente defumadas devido ao envelhecimento extensivo em barris de madeira. O diferencial está no envelhecimento: o tempo em madeira pode adicionar um caráter de Brettanomyces ou acidez lática, mascarando parte do perfil original de malte e lúpulo. Embora versões modernas possam omitir o defumado, o estilo tradicional frequentemente inclui um toque de fumaça e pode, ocasionalmente, levar trigo na composição.
A Kapitan Lisa tem 9% de ABV e é uma cerveja robusta. Poderia acompanhar perfeitamente um toscano (charuto italiano defumado) após a refeição.
Já a Términus 2026, uma Barley Wine envelhecida em castanheira, merece um queijo azul brasileiro. Cuesta azul da Pardinho, com sua massa macia e untuosa, aromas e sabores pungentes do penicilinum, com sua casca levemente amarga. Tudo ali se encontra bem com uma cerveja potente, de alto teor alcoólico, frutada e com madeira.
Deu fome! Vai Brasa! Saúde!
Jayro Neto é somelelê, CFO, auxiliar administrativo e sócio da Cozalinda. É sommelier de cervejas desde 2015, campeão do Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas de 2019. Também atua como diretor financeiro da Abracerva desde 2022, é juiz BJCP Certified e coautor do livro Guia da Sommelieria Brasileira.
* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.
A Schornstein comemora duas décadas de operação com a realização de um festival em Pomerode (SC). O Schornstein Festival ocorrerá no sábado (6 de junho), das 10h à meia-noite, e no domingo (7 de junho), das 10h às 21h, com entrada gratuita. A estrutura será montada na Rua Hermann Weege, no Centro Histórico da cidade.
A programação terá três palcos simultâneos com apresentações de rock, pop, reggae e discotecagem em vinil. Uma das novidades é o Palco Sem Vergonha, destinado a karaokê com banda ao vivo. O espaço contará também com praça de alimentação, área para crianças e oferta de diversos estilos de cerveja artesanal, vinhos e drinques.
O festival marca a trajetória da empresa como pioneira no setor de cervejas independentes no país. Atualmente, a Schornstein integra a Companhia Brasileira de Cerveja Artesanal (CBCA) e distribui produtos para 2 mil pontos de venda. Detalhes sobre o evento estão disponíveis no site oficial da marca.
Amstel realiza terceira edição do King’s Day em São Paulo
A Amstel promove no sábado (25) e no domingo (26) a terceira edição do King’s Day, em São Paulo (SP). O evento gratuito celebra a principal data nacional dos Países Baixos às margens do Rio Pinheiros, na ciclovia próxima à Ponte do Jaguaré. A programação terá shows de Marcelo D2, Rachel Reis e Diego Martins, além de um palco flutuante inédito sobre as águas e passeios de barco. Os ingressos devem ser retirados pela plataforma Sympla.
O festival ocorre das 15h às 22h30 e oferece gastronomia típica holandesa, com itens como bolinhos Bitterball e Stroopwafels a partir de R$ 28. O acesso ao local é realizado pelo Parque Cândido Portinari. Segundo a organização, a expectativa de público é de 3 mil pessoas por dia. A celebração também será levada pela primeira vez ao Recife (PE), com foco em atrações culturais locais.
Recentemente, o grupo promoveu outras experiências com ativações de marca no país. A UEFA Champions League Trophy Tour passou pelo Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Porto Alegre RS), expondo a taça original do torneio europeu em espaços como o Museu do Futebol. Já na capital fluminense, a Heineken 0.0 realizou no domingo (19) a corrida Finish Line Run, que reuniu mais de mil participantes em um trajeto de 5 quilômetros pelo Centro Histórico, encerrando com brunch e aulas de yoga na Praça Mauá.
Serena Williams é a nova embaixadora da Heineken 0.0
A Heineken 0.0 anunciou a lenda do tênis Serena Williams como embaixadora global em uma parceria de longo prazo. A estratégia foca no crescimento do padel, esporte social praticado pela atleta nos últimos anos. Para marcar o lançamento, Williams surpreendeu jogadores em Miami (EUA) ao participar de partidas reservadas via plataforma Playtomic. A marca planeja novas ações com embaixadores ao longo de 2026 para incentivar conexões sociais sem álcool.
Oktoberfest de Igrejinha elege soberanas da 37ª edição
Igrejinha (RS) escolheu a corte oficial da 37ª Oktoberfest no último sábado (18). Rafaela Robinson Werb foi eleita rainha, tendo Tainara de Conto Nunes e Jhenifer Fais como princesas. A seleção ocorreu após 55 dias de preparação em oficinas de oratória e cultura alemã. O evento comunitário, realizado por 3 mil voluntários, ocorrerá de 9 a 18 de outubro de 2026 no Parque Almiro Grings.
Estrella Galicia assina harmonização no Dinner in the Sky
A Estrella Galicia é a cerveja oficial da temporada 2026 do Dinner in the Sky, em São Paulo (SP). Até o dia 16 de agosto, a marca espanhola oferece harmonizações no Parque Villa-Lobos, abrangendo desde o brunch até o jantar. O portfólio inclui versões sem álcool para períodos matutinos e rótulos premium, como a 1906 Black Coupage, para sessões noturnas. A expectativa é que 13 mil pessoas participem da experiência gastronômica nas alturas.
Sorgo desponta como alternativa para cervejas sem glúten
Uma parceria técnica entre a Advanta Seeds e a cervejaria paulista X Craft Beer resultou no desenvolvimento de um lote experimental de cerveja à base de sorgo. O projeto visa atender à crescente demanda por bebidas artesanais sem glúten, substituindo cereais tradicionais como cevada e trigo pelo grão ancestral. A receita, do estilo Pale Ale, utiliza mais de 50% de sorgo não maltado e técnicas modernas de brassagem com condução enzimática para garantir a conversão do amido em açúcares fermentáveis. Embora ainda não esteja disponível comercialmente, a iniciativa demonstra a viabilidade do cereal como protagonista nutritivo e sustentável na indústria de bebidas nacional.
Erdinger Alkoholfrei reforça presença no mercado brasileiro
A Interfood Importação amplia a distribuição da Erdinger Alkoholfrei no Brasil, versão sem álcool da tradicional cerveja de trigo da Baviera. O rótulo apresenta perfil nutricional com 25 calorias por 100 ml, propriedades isotônicas e vitaminas do complexo B, como B9 e B12, sendo direcionado a consumidores que buscam equilíbrio e um estilo de vida ativo. O produto está disponível em garrafas e latas de 500 ml, com preços a partir de R$ 18,90, e pode ser encontrado em lojas especializadas ou no e-commerce oficial da importadora.
Rio de Janeiro recebe segunda edição do All Beers Sessions
O festival cervejeiro All Beers Sessions retorna ao Rio de Janeiro (RJ) no dia 2 de maio, no Brewteco Tijuca, reunindo 55 produtores artesanais. O evento, idealizado por Raphael Rodrigues, oferece degustação de rótulos clássicos e produções experimentais em formato de circulação livre. Os ingressos estão à venda pela plataforma Sympla, com valores a partir de R$ 270 no primeiro lote. A iniciativa consolida a capital fluminense no roteiro dos grandes encontros nacionais do setor, aproveitando a infraestrutura inspirada nos jardins de cerveja alemães.
Bodebrown lança 6ª cerveja oficial do Iron Maiden em Curitiba
A cervejaria curitibana Bodebrown realiza neste sábado (25) o Trooper Day para o lançamento da Run For Your Lives, sexta cerveja desenvolvida em parceria com a banda Iron Maiden. O evento ocorre na fábrica, em Curitiba (PR), com entrada gratuita das 9h às 18h e apresentações de bandas cover de metal. A novidade é uma Lager ao estilo brasileiro que utiliza lúpulos catarinenses e alemães, apresentando teor alcoólico de 4,9%. A programação incluiu um pré-lançamento fechado na última quinta-feira (23) com a presença do guitarrista Adrian Smith.
Lagunitas promove tarde de drinks e adoção de cães em São Paulo
A marca de cerveja Lagunitas realiza neste sábado (25) o evento Dogs & Drinks no Amargot Bar, em São Paulo (SP), em parceria com a ONG Desabandone. A partir das 14h, o público poderá participar de workshops que combinam coquetelaria para humanos e versões não alcoólicas para pets, com renda total revertida para a causa animal. A programação conta ainda com uma feira de adoção e preços promocionais para a cerveja Lagunitas DayTime. Os ingressos para as sessões de treinamento estão disponíveis via Sympla, reforçando a conexão histórica da cervejaria californiana com a comunidade de tutores de cães.
Eisenbahn anuncia novos embaixadores em campanha nacional
A Eisenbahn, marca premium do Grupo Heineken, anunciou Henrique Fogaça, Ana Paula Padrão e Ricardo Amorim como os novos integrantes da campanha Locomotiva. A ação foi marcada por projeções urbanas em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Ribeirão Preto na última quinta-feira (23) e seguirá com veiculação digital e na televisão até o dia 31 de maio. A estratégia visa conectar a trajetória de superação dos embaixadores à história da cervejaria, fundada em Blumenau (SC) e detentora de mais de 150 prêmios internacionais. A marca busca consolidar-se como a terceira maior força do grupo no mercado brasileiro.
Skol e Climatempo lançam campanha baseada em inteligência climática
A Skol e a Climatempo iniciaram uma parceria inédita que utiliza geolocalização e dados meteorológicos para impactar consumidores em 15 estados brasileiros. A campanha “Skol: Férias e Feriados” personaliza o portal de previsão do tempo com a identidade visual da marca em dias que precedem períodos de lazer, como o feriado de Tiradentes e o próximo Dia do Trabalho (1º de maio). O projeto aproveita o aumento médio de 35% nas buscas por informações climáticas nessas datas para oferecer mídia contextualizada. A estratégia busca aproximar a marca do público independentemente da previsão, focando em momentos de descanso e diversão.
Festival em Campos do Jordão atrai 90 mil pessoas e movimenta R$ 2 milhões
A primeira edição do Bier & Food Festival, encerrada na última terça-feira (21) em Campos do Jordão (SP), superou as expectativas ao receber mais de 90 mil visitantes no Parque Capivari. O evento reuniu 15 operações gastronômicas e cervejarias artesanais da Serra da Mantiqueira, gerando um impacto econômico direto superior a R$ 2 milhões. Com workshops de harmonização e programação musical focada em jazz e rock, o festival ajudou a elevar a ocupação hoteleira da cidade a 80% durante o feriado de Tiradentes. A organização destaca que o sucesso da iniciativa reforça o potencial do destino turístico fora da tradicional temporada de inverno.
Petra patrocina turnê de João Gomes em homenagem a Dominguinhos
A cerveja Petra, do Grupo Petrópolis, anunciou o patrocínio da turnê “Dominguinho”, projeto musical que reúne os artistas João Gomes, Jota.pê e Mestrinho. A abertura da série de 16 shows ocorrerá neste sábado (25), no Allianz Parque, em São Paulo (SP), celebrando um ano do álbum que originou a iniciativa. A marca promoverá ativações como espaços instagramáveis e distribuição de brindes, além de integrar os músicos Jota.pê e Mestrinho ao seu time de influenciadores. O roteiro de apresentações percorrerá capitais como Fortaleza, Rio de Janeiro e Salvador ao longo de 2026, visando reforçar a conexão da empresa com a cultura nordestina e a música brasileira contemporânea.
Pub em Curitiba harmoniza carne de onça com cerveja de pinhão
O pub Masc Beer, em Curitiba (PR), promove até o dia 2 de maio uma ação que combina a tradicional carne de onça com cerveja artesanal de pinhão. A harmonização utiliza o rótulo Langer do Largo, da cervejaria Ignorus, uma American Light Lager que o pinhão em sua receita. O prato segue o preparo clássico com carne fresca, cebola e cebolinha, sendo oferecido em versões individual (R$ 29) e para compartilhamento (R$ 79). A iniciativa busca valorizar ingredientes e costumes da culinária regional paranaense durante o horário de funcionamento da casa, de terça-feira a sábado.
A cerveja como criação singular na trajetória humana ganha novo destaque nas ações do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), que vem usando o mote “Cerveja: Incomparável” para reforçar o valor da bebida na história, na cultura e na economia. A proposta é lembrar que, mais do que um produto de consumo, a cerveja é um ativo cultural, social e econômico que acompanha a humanidade há milhares de anos e hoje movimenta uma das cadeias produtivas mais relevantes do país.
O Sindicerv representa empresas responsáveis por cerca de 80% da produção nacional e tem entre seus associados Ambev e Heineken, duas das maiores cervejarias do Brasil.
A entidade representativa destaca que o país ocupa a segunda posição no ranking mundial de produção de cerveja, com aproximadamente 15 bilhões de litros por ano, o que traduz a força da bebida na mesa dos brasileiros e na geração de emprego e renda.
Da lavoura de cevada e lúpulo aos bares, restaurantes e supermercados, a cadeia cervejeira movimenta bilhões de reais e sustenta uma extensa rede de fornecedores, distribuidores e prestadores de serviço em todas as regiões do Brasil.
Estimativas do setor apontam que a cerveja responde por cerca de 2% do Produto Interno Bruto, o equivalente a algo em torno de R$ 254 bilhões considerando o PIB de 2025, gera aproximadamente 2,5 milhões de empregos diretos, indiretos e induzidos e contribui com mais de R$ 50 bilhões em tributos.
Sindicerv além dos números
Para o Sindicerv, no entanto, a relevância da cerveja vai além dos números. A bebida ocupa um lugar especial na sociabilidade e na cultura brasileira, presente em encontros entre amigos, celebrações familiares, eventos esportivos e manifestações culturais, conectando pessoas, territórios e tradições.
Essa presença vem acompanhada de uma agenda consistente de responsabilidade, com iniciativas voltadas à promoção do consumo moderado, ao combate à combinação álcool e direção e ao apoio a programas de informação ao consumidor.
“Ao reforçar a mensagem de que a cerveja é ‘incomparável’, o Sindicerv reforça que esta é uma criação que nos tornou mais humanos: uma bebida que atravessa séculos, impulsiona a economia, valoriza a agricultura nacional e segue como um elemento central da experiência cultural e social do país. Ou seja, a cerveja ocupa um lugar especial na sociabilidade e na cultura brasileira, presente em encontros entre amigos, celebrações familiares, eventos esportivos e manifestações culturais”, diz a entidade no material de divulgação.
A relação do consumidor com a cerveja passa pela responsabilidade e pelo entendimento dos efeitos do álcool no organismo. No entanto, quando o consumo ultrapassa a capacidade de metabolização do corpo, o resultado fisiológico direto é a ressaca. Por isso, a moderação é tão importante e a melhor estratégia é a prevenção. Mas e quando ela já está instalada, como proceder? Em um mercado em que circulam inúmeras promessas de alívio rápido e produtos milagrosos, torna-se necessário recorrer ao rigor científico para compreender se há cura ou remédio para ressaca, o que realmente mitiga esse mal-estar e o que é desinformação.
Com base nas diretrizes do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), do Instituto Nacional de Abuso de Álcool e Alcoolismo dos Estados Unidos (NIAAA) e em revisões clínicas detalhadas do National Center for Biotechnology Information (NCBI), reunimos informações sobre os tratamentos para a ressaca, os mitos e as verdadeiras estratégias que auxiliam na recuperação do organismo.
O que é ressaca?
A ressaca é uma combinação severa de reações biológicas ao efeito do álcool no organismo. Conforme apontam os dados do CISA e do NIAAA, o primeiro grande impacto é a desidratação. O álcool inibe a produção de vasopressina, um hormônio antidiurético, forçando os rins a eliminarem muito mais líquido do que o normal.
Simultaneamente, ocorre um processo de toxicidade. Durante a metabolização da bebida, o fígado transforma o álcool em acetaldeído, um subproduto tóxico que provoca inflamação significativa no corpo antes de ser totalmente decomposto. O quadro físico é ainda agravado pela irritação direta da mucosa gástrica, que aumenta a acidez no estômago e atrasa a digestão, e por uma alteração profunda na arquitetura do cérebro durante o repouso. O sono induzido pelo álcool é fragmentado e de baixa qualidade, resultando em uma fadiga intensa no dia seguinte.
Não há remédio para ressaca
Diante desse forte estresse fisiológico, os consumidores frequentemente recorrem a estratégias populares que a ciência reprova. A prática de consumir mais bebida alcoólica no dia seguinte para tentar aliviar o mal-estar é fortemente contraindicada pelos especialistas do NIAAA. O novo consumo atua apenas como um sedativo temporário, mascarando a dor enquanto sobrecarrega o fígado com uma nova dose de toxinas, além de ser um comportamento que eleva os riscos de dependência a longo prazo.
Outro mito recorrente é o uso do café forte para curar a embriaguez ou a ressaca. Embora a cafeína seja um estimulante capaz de reduzir a sensação de letargia, ela não acelera em nada a eliminação do álcool da corrente sanguínea e pode até piorar a desidratação devido às suas propriedades diuréticas.
Em relação às soluções de farmácia, a ciência traz um alerta importante. Uma extensa revisão sistemática publicada no NCBI avaliou dezenas de intervenções, suplementos e extratos naturais amplamente comercializados como curas para a ressaca. A conclusão clínica dos pesquisadores foi de que não há evidências científicas sólidas de que qualquer remédio, pílula ou composto previna ou cure a ressaca de forma eficaz. Algumas substâncias apresentaram melhorias muito marginais em sintomas isolados, mas nenhuma demonstrou eficácia clínica comprovada para resolver o problema.
Contenção de danos: como aliviar sintomas
Na ausência de uma cura medicamentosa, o tratamento da ressaca consiste puramente no manejo dos sintomas enquanto o corpo faz o trabalho de eliminar as toxinas. A hidratação rigorosa é a medida mais urgente. O consumo abundante de água, associado a caldos claros e bebidas isotônicas, é recomendado. Ele reverte o déficit de líquidos e repor os eletrólitos minerais perdidos através da urina, o que ajuda a aliviar dores de cabeça e tonturas.
O uso de medicamentos comuns para mitigar a dor exige extrema precaução. O NIAAA adverte que analgésicos e anti-inflamatórios, como o ácido acetilsalicílico e o ibuprofeno, podem agravar a irritação gástrica. O que piora significativamente os quadros de náusea e dor de estômago.
O alerta mais grave, no entanto, vai para o paracetamol. Especialistas alertam que se deve evitar esse medicamento durante a ressaca. Há elementos na sua composição que interagem com os resíduos de álcool ainda presentes no organismo, elevando drasticamente o risco de toxicidade e lesões hepáticas severas.
A alimentação desempenha um papel de suporte fundamental no processo de recuperação. O consumo de carboidratos de fácil digestão, como torradas e bolachas salgadas, auxilia na estabilização dos níveis de glicose no sangue. Essa reposição ajuda a mitigar os tremores, a sudorese e a fraqueza muscular, sintomas frequentemente associados à hipoglicemia induzida pela metabolização do álcool.
Prevenção é o melhor remédio
Apesar de todas as medidas de suporte, o consenso entre o CISA, o NIAAA e os estudos do NCBI é que o único fator realmente curativo é o tempo. O ciclo completo de recuperação do organismo leva, em média, de 8 a 24 horas após o fim do consumo. A pesquisa médica reforça que, para evitar o impacto nocivo ao corpo, a única abordagem garantida continua sendo a prevenção. A moderação no consumo, a hidratação intercalada e a ingestão de alimentos antes e durante a degustação da cerveja.
A Brewers Association (BA), entidade que representa as cervejarias artesanais nos Estados Unidos, realizou na noite desta quarta-feira (22) a cerimônia de premiação do World Beer Cup (WBC) 2026. Entre os vencedores da competição estão quatro cervejarias brasileiras, que trouxeram ao todo cinco medalhas para o nosso país: Unika (a única a faturar duas premiações), Stannis, 277 Craft Beer e Daoravida Brewpub.
O anúncio ocorreu no último dia do Craft Brewers Conference (CBC), reunião anual dos associados da BA, que começou na segunda-feira (20) na Filadélfia, na Pensilvânia. Este ano a competição chega à 17ª edição, completou 30 anos de existência e premiou 353 cervejarias e fabricantes de sidras de todo o mundo em 118 categorias. Só de cervejas, foram 8.166 amostras de 1.644 cervejarias representando 50 nações. Elas foram avaliadas por um painel internacional de 255 jurados de 50 países.
O mundo e o Brasil
Comitiva de brasileiros que estava presente na premiação do World Beer Cup 2026, entre cervejeiros premiados e juízes do concurso. Ao centro, de boné, Giba Tarantino, presidente da Abracerva, e ao seu lado a médica, sommelière e juíza Juliana Koerich (Crédito: Arquivo Pessoal / Gilberto Tarantino)
“Trinta anos depois, a World Beer Cup continua sendo um poderoso reflexo do quanto a indústria cervejeira global evoluiu — e para onde está caminhando”, disse Chris Williams, diretor da competição World Beer Cup. “Mesmo em um ano que desafiou os produtores de bebidas alcoólicas a evoluírem, os vencedores deste ano demonstraram que a inovação, a precisão e a paixão pela cerveja artesanal estão mais fortes do que nunca.”
Sobre a participação brasileira, Gilberto (Giba) Tarantino, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), se diz muito feliz com o aumento de prêmios nos últimos anos. Quatro das medalhas foram obtidas por meio de inscrições distribuídas para os 18 vencedores da etapa final da Copa Cerveja Brasil, competição nacional organizada pela entidade. “Estamos muito contentes e o pessoal da BA aqui também reconheceu a importância das cervejas brasileiras e a constância da parceria com a Abracerva, que é uma maneira importante de levar ao conhecimento do mundo a qualidade da cerveja brasileira”, completa.
O Brasil foi o quinto país com mais cervejas inscritas no World Beer Cup 2026. Foram 164 amostras de 37 cervejarias. Ao todo, a competição recebeu 8.166 cervejas que foram avaliadas pelos juízes em várias etapas — a última delas, durante a conferência, às vésperas da premiação.
Medalhas brasileiras no World Beer Cup 2026
A Cervejarai Unika, de Rancho Queimado (SC), na Serra Catarinense, foi a maior premiada, com duas medalhas. A primeira, de ouro, foi para a Catharina Sour Caju & Pitanga na categoria Experimental Beer. A segunda foi de prata na categoria Gose com a The Famous Gose – Morango e Pitanga.
O estado de Santa Catarina também merece destaque, já que três dos prêmios foram para cervejarias catarinenses. Além das medalhas da Unika, a Cervejaria Stannis, de Jaraguá do Sul (SC) foi condecorada com medalha de ouro na categoria Historical Beer. A cerveja vencedora foi a Kapitan Lisa, uma Adambier.
“O World Beer Cup é uma vitrine global da excelência cervejeira. Estar entre os vencedores já seria motivo de grande orgulho. Voltar com uma medalha de ouro, representando Jaraguá do Sul, Santa Catarina e o Brasil, é um reconhecimento muito importante do trabalho que construímos com consistência, identidade e atenção aos detalhes”, destaca a Stannis em material divulgado à imprensa.
O Sul também se destacou por concentrar a maior parte dos premiados. A quarta medalha da região foi para Foz do Iguaçu (PR). A cervejaria 277 Craft Beer ganhou o bronze pela cerveja Frutas Vermelhas 277 – Wood Aged. Ela foi premiada na categoria Fruited Wood- and Barrel Aged Sour Beer, dedicada a cervejas ácidas com frutas maturadas em madeira. A 277 também conquistou duas medalhas de ouro em 2025.
A última medalha foi para Campinas (SP), para a Cervejaria Daroravida, que ganhou ouro pela Terminus 2026 na categoria Wood- and Barrel Aged Strong Beer. Trata-se da edição comemorativa de 11 anos da cervejaria, uma Barley Wine maturada em castanheira, uma madeira brasileira. A série Terminus da Daoravida já havia mais de 20 medalhas até março deste ano. “Vencer em uma das Categorias mais disputadas do mundo usando a Castanheira reafirma a nossa identidade e mostra que o Brasil tem uma ‘assinatura’ sensorial potente e respeitada lá fora”, destaca Wagner Falci, fundador da Daoravida.
O Brasil também está cada vez mais bem representado no corpo de jurados da competição, por homens e mulheres. Entre eles, estão especialistas com a médica mastologista e sommelière de Florianópolis (SC) Juliana Koerich e o sommelier e Certified Cicerone Francis Mainardi, de São Paulo (SP).
Francis conta que este ano participou da primeira das duas etapas de julgamento das cervejas, realizada em Louisville, no Colorado, em um armazém da BA. A segunda etapa acontece logo antes do CBC. Além da experiência e do intercâmbio com juízes do mundo todo, Francis destaca a premiação de outros países além dos Estados Unidos, como o Brasil, China e Japão. “O World Beer Cup acaba se destacando por isso: ele dá espaço para cervejarias de fora dos Estados Unidos também conquistarem medalhas. O Brasil vem crescendo ano a ano”, diz.
A Stone Brewing Co., uma das cervejarias artesanais mais famosas dos Estados Unidos, deve voltar a ser independente em breve. A Firestone Walker — que hoje conta com participação majoritária da Duvel USA, mas opera de maneira independente — fechou acordo com a divisão norte-americana da japonesa Sapporo para adquirir ativos selecionados e a marca californiana, segundo o site especializado Brewbond. O negócio deve ser selado ainda no segundo trimestre deste ano e os valores não foram revelados.
A notícia veio à tona justamente na semana do Craft Brewers Conference, o encontro anual da Brewers Association (BA), a associação das cervejarias artesanais dos EUA, que acontece até esta quarta-feira (22) na Filadélfia, na Pensilvânia. A Firestone Walker deve ficar responsável pela marca e por quatro bares da Stone na Califórnia, além da distribuição na Costa Oeste americana. Para a Duvel caberá a distribuição no restante do país.
As fábricas da Stone em Escondido, na Califórnia — o que inclui seu taproom — e Richmond, na Virgínia, não entraram no negócio. A Sapporo ainda avalia, de acordo com o Brewbound, o que fazer com a planta californiana. No entanto, vai ficar com a de Richmond para produzir sua linha própria de cervejas nos Estados Unidos.
Após a transação ser concluída, a produção da Stone será dividida na fábrica da Firestone Walker, em Paso Robles, e na Duvel USA, em Kansas City, no Missouri. Não deve haver interrupção nas operações e na produção.
Sapporo acaba encolhendo
A Sapporo foi uma das marcas de cerveja internacionais que investiram fortemente em adquirir artesanais independentes nos Estados Unidos. Em 2019, comprou a icônica Anchor Brewing, de São Francisco, considerada a cervejaria que fundou o moderno movimento da cerveja artesanal norte-americano. Em 2022 foi a vez da Stone Brewing. Ambas faziam parte da estratégia de expansão nos EUA.
Porém, já em 2023 a multinacional japonesa anunciou que encerraria a atividade da Achor, vendendo seus ativos em partes. A polêmica foi grande e o bilionário do setor de iogurtes Hamdi Ulukaya, fundador e CEO da Chobani Yogurt, comprou a empresa em 2024. Na época, ele deu declarações de que reabriria e preservaria a cervejaria – não há mais notícias depois disso.
Agora a Stone Brewing também acaba desmantelada e vendida em partes. Muitas são as críticas de especialistas à Sapporo, que apontam erros de gestão e estratégia como os motivos da derrocada. Somados, os investimentos chegaram a cerca de 250 milhões de dólares.
Entre os fatos apontados, está a tentativa de operar marcas artesanais como se fossem de massa, em grandes escalas e por valores mais baixos. A venda dos ativos mostra agora que a japonesa deve se concentrar nas suas marcas próprias em território norte-americano.
Duvel sai por cima com Stone Brewing
Já a multinacional belga, a Duvel Moortgat, acaba crescendo, em vários sentidos. O primeiro ganho é o reconhecimento da crítica, que acaba atribuindo o sucesso nos investimentos feitos no país ao fato da empresa também ser da área de cervejas especiais, sabendo operar nesse negócio.
Após aquisições de sucesso, como Ommegang (2003) e Boulervard (2013), e o investimento na Firestone Walker (2015), a empresa também assumiu a operação norte-americana da marca alemã Trumer Pils recentemente. Ela vinha sendo fabricada nos Estados Unidos desde 2004 pela The Gambrinus Company, de Berkeley, Califórnia. O negócio foi revelado no final de março deste ano, publicado pela The Brewer Magazine, até o final do verão do hemisfério norte.
Com os dois negócios recentes, a Duvel USA acaba incorporando cerca de 33 milhões de litros de cerveja por ano a mais, elevando sua produção para mais de 105 milhões de litros anuais. Isso deve ser o suficiente para que ela salte da quinta para a quarta posição no ranking das maiores cervejarias independentes dos Estados Unidos.
O Brasil é um dos principais produtores agrícolas do mundo e está na vanguarda de inovação e sustentabilidade no setor. Contudo, existem alguns produtos e insumos de que ainda somos dependentes de importação, tais como os fertilizantes, que tiveram grande aumento devido às tensões geopolíticas, guerras tarifárias e territoriais.
Outros produtos de que ainda somos grandes importadores são insumos para nossa indústria cervejeira. É de notório saber que a indústria nacional de cerveja depende de importação de malte e lúpulo, em torno de 50% e 99%, respectivamente. Isso é um contrassenso, uma vez que o Brasil é o terceiro maior produtor de cerveja do mundo com 15 bilhões de litros por ano.
Diante desse quadro, vamos analisar a produção local desses insumos e verificar o seu impacto na agricultura nacional, ao que passo que joga luz para o tamanho da oportunidade que é avançar na produção local de cevada/malte e lúpulo.
Cevada
A atividade cervejeira no Brasil tem espaço relevante na economia e na cultura nacional, gerando 2% PIB nacional, com quase 2 mil cervejarias de todos os tamanhos nas 27 unidades da federação, gerando mais de 2 milhões de empregos diretos, indiretos e induzidos, com uma produção de mais de 15 bilhões de litros anual. Contudo, existem importantes e crescentes números do impacto positivo do setor cervejeiro na agricultura, a saber, a produção de cevada e a recente produção de lúpulo.
A cevada possui uma história mais longa no Brasil e dados de safra da CONAB mostram que a produção vem crescendo década após década. A série histórica começa em 1976 e há uma grande evolução nos últimos anos, como podemos verificar nos gráficos abaixo sobre área plantada, produção e produtividade.
Fonte: Elaboração própria, a partir de CONAB
Em relação à área plantada importante notar que existe uma grande dispersão de dados no período analisado (1976-2026), o que mostra uma alta heterogeneidade dos dados. Para se ter uma ideia, o valor máximo de área plantada é de 1981, com 161 mil ha, frente à projeção de 146 mil hectares para 2026, contudo, a produtividade daquele ano foi de apenas 628 kg/ha, quanto que para esse ano se espera uma produtividade de 3.898 kg/ha. A primeira vez que a produtividade passou de 2 mil kg/ha foi em 1988, 3 mil kg/ha em 2010 e 4 mil em 2025, com 4.358 kg/ha, sendo o maior valor de série histórica. A projeção para 2026 é de 3.898 kg/ha. Veja que para passar de 2 para 3 mil kg/ha passaram-se mais de 22 anos e de 3 para 4 mil kg/ha 15 anos, ou seja, além do nítido aumento de produtividade existe uma aceleração do crescimento, consolidando a máxima da agricultura nacional, conseguimos produzir mais utilizando menos terra proporcionalmente.
Na análise espacial vemos um grande destaque do estado do Paraná que tomou o posto do Rio Grande do Sul entre 2008 e 2012 em área plantada e depois de 2018, para se consolidar como líder do setor, com 74,2% da área plantada de cevada. Neste ponto o Rio Grande do Sul vem perdendo área para outras culturas e hoje tem apenas 23%, totalizando 34 mil hectares, sendo que esse valor já foi de 76% em 1999. Santa Catarina parou sua produção em 2024 pelo mesmo motivo, mas já teve 23% do total da área plantada de cevada em 1985. O estado de São Paulo aparece como novo ponto de plantação de cevada, mas tem apenas 2,7% do total da área plantada, com 4 mil hectares. Sobre a produtividade, o estado do Paraná ainda é referência com valores maiores que a média nacional. Da mesma forma que no Brasil o Paraná precisou de mais tempo para a primeira barreira entre os 2 mil kg/ha para os 3 mil, do que dos 3 mil para os 4 mil kg/ha, levando 17 de 1985 para 2002 na primeira barreira e apenas 11 anos de 2002 para 2013 na segunda barreira e se mantém nesta faixa de 4 mil kg/ha.
A produção de cevada no Brasil mostra tendência de crescimento em toda a série histórica, chegou perto de 400 mil toneladas em 2005, mas depois teve forte queda no ano seguinte, ficando perto das 200 mil toneladas. A retomada do crescimento se viu a partir de 2009 até o recorde de produção em 2025 com 600 mil toneladas, representando a multiplicação por 3 vezes da produção. A safra esperada para 2026 é de 584 mil toneladas. Novamente na análise especial mostra-se a forte liderança do Paraná desde 2006 e para 2026 espera mais de 80% da produção nacional com 469 mil toneladas, o Rio Grande do Sul já teve 77% do total da produção em 1999, mas hoje tem apenas 17% com 101 mil toneladas e São Paulo com 13 mil toneladas tem apenas 2%.
Os dados do IBGE da Pesquisa Agrícola Municipal – PAM, apesar de atualizados somente para o ano de 2024, trazem informações importantes a nível de município, onde realmente a produção ocorre. A partir desses podemos confirmar a importância do estado do Paraná no setor de cevada, conforme tabela abaixo
Dez principais municípios para o setor da cevada em diferentes aspectos
Nº
Área plantada
Produção
Produtividade
Valor da Produção
1
Guarapuava (PR)
Guarapuava (PR)
Itapeva (SP)
Guarapuava (PR)
2
Arapoti (PR)
Pinhão (PR)
Taquarivaí (SP)
Tibagi (PR)
3
Tibagi (PR)
Candói (PR)
Taquarituba (SP)
Pinhão (PR)
4
Pinhão (PR)
Arapoti (PR)
Pinhão (PR)
Candói (PR)
5
Candói (PR)
Tibagi (PR)
Foz do Jordão (PR)
Arapoti (PR)
6
Ponta Grossa (PR)
Ponta Grossa (PR)
Guarapuava (PR)
Ponta Grossa (PR)
7
Sertão (RS)
Vacaria (RS)
Muitos Capões (RS)
Itapeva (SP)
8
Vacaria (RS)
Reserva do Iguaçu (PR)
Reserva do Iguaçu (PR)
Reserva do Iguaçu (PR)
9
Jaguariaíva (PR)
Itapeva (SP)
Candói (PR)
Carambeí (PR)
10
Carambeí (PR)
Sertão (RS)
Campos Novos (SC)
Vacaria (RS)
Fonte: Elaboração própria, a partir de PAM/IBGE.
Dos 10 municípios com maior área plantada de cevada, oito são do Paraná, com destaque para Guarapuava com quase 20 mil hectares, completam os três primeiros Arapoti e Tibagi, ambos no Paraná. O primeiro fora é Sertão no Rio Grande do Sul, seguido de Vacaria. Dos 155 municípios que produzem cevada, 85 estão no Rio Grande do Sul (55%), 57 estão no Paraná (37%), 7 em São Paulo (5%), além de outros. Isso mostra que os gaúchos têm mais dispersão da produção, os paranaenses estão mais concentrados, como podemos confirmar com os dados da área plantada de Guarapuava-PR, que possui sozinha quase 10% do total plantado no Brasil, com 11.570 hectares, contudo, teve redução de 41% em relação ao ano anterior, ao passo que Arapoti, em segundo lugar, cresceu 55%, alcançando 7148 hectares, representando 6%.
A produção em toneladas, consequentemente, também é liderada por Guarapuava com 55 mil toneladas, e fora do Paraná novamente Sertão e Vacaria no Rio Grande do Sul e Itapeva em São Paulo. Na produção a distância do líder é ainda maior com 13% do total e o segundo, Pinhão (PR), com 6%. Com 29 mil toneladas. Porém, a redução de Guarapuava foi de 9%, enquanto Pinhão cresceu quase 40% e o destaque foi Sertão com mais de 140% de aumento, chegando a 12 mil toneladas.
Já sobre produtividade, a liderança é de Itapeva (SP), com 6000 kg/ha em 2024, somente Taquarituba (SP) ultrapassou esse valor com 7200 kg/ha em 2022. Taquarivaí (SP) também alcança 6000 kg/ha. A maior produtividade fora de São Paulo é de Pinhão com 4910 kg/ha. A aceleração dos ganhos indica avanços em genética, manejo e organização da cadeia produtiva, aproximando o Brasil de padrões internacionais de eficiência.
No valor da produção Guarapurava retoma a liderança com R$ 77 milhões, apesar da redução de 13%, em segundo temos Tibagi (PR), com R$ 48 milhões e crescimento de 71% em relação ao ano anterior, destaque também para Vacaria com aumento de 100% chegando a R$ 14 milhões
Toda essa produção alcança 1988 propriedades rurais nos três estados do Sul e São Paulo, segundo dados do Censo Agropecuário de 2017 do IBGE. Quase a totalidade dessa produção se converte em malte por meio das maltarias que atendem à indústria cervejeira nacional, a cevada que não atinge o grau de germinação necessário acaba virando ração animal e perde muito valor, sendo negociada perto da metade do valor do milho. Nossos maiores fornecedores são, na sequência, Argentina e Uruguai, sendo que o Bloco Mercosul já consegue abastecer significativamente a necessidade de malte de indústria cervejeira brasileira.
Lúpulo
Já o Lúpulo é cultura mais recente, apesar de iniciativas exitosas nos séculos XIX e XX chegando no Brasil antes da Argentina, a produção se perdeu no tempo. Atualmente, segundo dados de 2024 da Associação Nacional de Produtores de Lúpulo – APROLÚPULO, a produção está espalhada em 109 propriedades rurais, em mais de 90 municípios e 13 estados da federação, concentrados em São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro conforme destaca mapa a seguir
Unidades da Federação com produção de Lúpulo
Em 2024 a produção alcançou 81 toneladas, em uma área aproximada de 95 hectares, gerando um valor de produção de aproximadamente R$ 12 milhões anuais. A produtividade alcançou 852 kg/ha, com predomínio de variedades aromáticas — com destaque para Comet, Cascade e Saaz —, reflete uma estratégia alinhada ao perfil da indústria cervejeira brasileira, majoritariamente orientada a cervejas de maior valor agregado e crescente utilização de lúpulos aromáticos e especiais.
Em comparação ao ano anterior ocorreu retração na área plantada (-16%) e no volume de produção (-8%), contudo, ocorreram ganhos de produtividade como eixo central do desenvolvimento atingindo 852 kg/ha (+7,5%), o maior valor da série histórica brasileira. Esse comportamento segue uma trajetória convergente às dinâmicas internacionais do setor, como é observado na Alemanha e nos EUA, com redução da área e aumento de produtividade, que nestes países chega a 2000 kg/ha.
A cadeia agrícola da cerveja ainda é fortemente dependente de importação. Em se tratando de malte, observamos um aumento considerável na capacidade produtiva dos países do bloco do Mercosul, passando de 2,03 mi toneladas em 2021 para 2,44 mi toneladas em 2025, representando um aumento de mais de 20%, sobretudo com expansões no parque produtivo do Brasil e do Uruguai, conforme dados da Cooperativa Agrária, exemplificados na tabela abaixo.
Balanço de Oferta e Demanda de Malte NCM 1107.10.10 toneladas (2021-2025)
Ano
Produção Total de malte Brasil
Consumo Brasileiro de Malte
(-) Déficit interno de Malte
Importação de Países do Mercosul
(-) Déficit e/ou (+) Superávit intrabloco de Malte
Importação de Países Extrabloco Mercosul
(=) Superávit [excedente] extrabloco de Malte
A
B
C=(B-A)
D
E=(D+C)
F
G=(F+E)
2021
719.000
1.900.000
-1.181.000
879.646
-301.353
539.033
237.679
2022
753.630
1.825.000
-1.071.370
900.908
-170.461
371.290
200.828
2023
753.630
1.860.000
-1.106.370
969.157
-137.212
324.143
186.930
2024
930.000
1.900.000
-970.000
926.840
-43.159
243.775
200.616
2025
1.046.000
1.994.000
-948.000
932.302
-15.697
313.069
297.371
Fonte: AGRÁRIA.
Como podemos observar, o Brasil possui uma demanda de malte relativamente estável na casa de 1,9 milhões de toneladas de malte, já a importação de países intrabloco Mercosul tem leves oscilações, se mantendo na casa de 0,9 milhões de toneladas. Contudo, em relação à importação de países extrabloco Mercosul, os números eram bem relevantes em 2021, representando 38% do total, mas já para o ano de 2025 esse valor passou para 25%. Neste contexto, o que mais contribuiu para o balanço quase zero da oferta e demanda de malte foi o aumento da produção nacional que saltou 45% no período analisado, isso significa manter no Brasil a riqueza produzida pela produção de malte e depender cada vez menos das importações.
Se observarmos a importação de maneira agregada dos dois principais insumos da cadeia da cerveja, observamos períodos de crescimento e estabilização. A partir dos dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços – MDIC.
Fonte: Elaboração própria a partir de COMEXSTAT
A parir desses dados é possível estabelecer período de estabilidade bem definidos, entre 1997-2006 a média de importação do agregado malte esteve em 207mo US$ e do agregado lúpulo 16miU$$, para o período 2007-2016 o malte cresceu 184% atingindo uma média de 587miUS$, já o lúpulo cresceu 117% alcançando 36miUS$ de média, no último período analisado, 2017-2025, o malte cresceu 37% para marca de 805miUS$ de média e o lúpulo avançou 74% para casa de 62miUS$ de média. Essas variações têm nítida relação com a produção de cerveja e as flutuações econômicas, tais como crises cambiais e creditícias, e além da já conhecida proximidade com o poder de compra do trabalhador brasileiro, motor do mercado nacional de cerveja. Por fim, a importação de insumos no Brasil movimentou R$ 4,5 bilhões em 2025.
Diante do cenário, podemos afirmar que a atividade cervejeira impacta positivamente a agricultura e possui, devido à necessidade de importação de insumos, vasto caminho para expansão, sobretudo na cultura do lúpulo. Pontos de destaque: temos o crescente aumento de produtividade da cevada nas últimas décadas e do lúpulo nos últimos anos, a concentração da produção de cevada no Paraná e a dispersão da produção de lúpulo em mais de dez unidades da federação.
Essa dinâmica aponta para uma trajetória de verticalização e profissionalização, onde a integração entre a indústria da cerveja e o campo é o motor para reduzir a dependência externa e fortalecer a soberania agroindustrial nacional. Exemplo desse processo é a iniciativa da indústria nacional da cerveja de oferecer suporte técnico e contratos de compra antecipada para produtores de cevada do Sul do país, garantindo assim o escoamento da produção, a estabilidade da renda do produtor e a expansão da área plantada.
Por fim, podemos afirmar que a indústria da cerveja no Brasil impacta cerca de 2,1 mil propriedades rurais, cobrindo uma área de quase 150 mil hectares, com produção perto de 600 mil toneladas, num valor de produção de aproximadamente R$ 600 milhões por ano, em 13 unidades da federação e mais de 250 municípios.
ANEXO – Agregação de NCM por insumo
Código NCM – Descrição Lúpulo
12102010 – Cones de lúpulo, triturados ou moídos, ou em “pellets”
13021300 – Sucos e extratos, de lúpulo
12101000 – Cones de lúpulo, frescos, secos, não triturados, não moídos, etc
APROLÚPULO. Mapa do Lúpulo Brasileiro 2024. Lages-SC: APROLÚPULO, 2025.
CONAB. Acompanhamento da Safra Brasileira. Brasília: CONAB, 2026.
IBGE. Pesquisa Agrícola Municipal. Rio de Janeiro: IBGE, 2024.
IBGE. Censo Agropecuário 2017. Rio de Janeiro: IBGE, 2026.
MARCUSSO, E. Os primórdios do Lúpulo no Brasil. RIHGB, v.183, n.488, 2022.
PIMENTEL-GOMES, F. Curso de Estatística Experimental. Piracicaba: FEALQ, 2009.
Eduardo Fernandes Marcusso é Consultor Técnico da Câmara Setorial da Cerveja e Servidor do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.
Quem busca se aprimorar na teoria e prática cervejeira pode encontrar a excelência na Katholieke Universiteit Leuven (KU Leuven), considerada a universidade mais inovadora da Europa, que fica no país em que a cultura cervejeira ostenta o título de Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco: a Bélgica.
Em meio à tradição secular, a inovação de ponta se destaca. Para os cervejeiros de plantão, a KU Leuven oferece uma formação especializada em teoria e prática por meio do Programa de Pós-Graduação em Ciências de Malteação e Cervejaria (Postgraduate Program in Malting and Brewing Sciences), que é presencial, e o curso aberto e online “Cerveja: A Ciência da Produção” (Beer: The Science of Brewing), de 40 horas.
A pós-graduação é focada na ciência e tecnologia da produção, formando especialistas em cada etapa do processo, passando também pelo módulo de novos negócios, que culmina na apresentação de um plano comercial real avaliado por líderes da indústria. O curso online dá uma visão do campo da ciência e uma introdução básica aos tópicos do programa presencial – uma boa forma de entrar em contato com o idioma e a estrutura do ensino belga.
Em entrevista exclusiva ao Guia da Cerveja, Steven Simmonds, coordenador do programa e pesquisador de pós-doutorado, fala sobre os diferenciais da instituição e afirma que a universidade está de portas abertas aos brasileiros.
Pós-graduação em ciência cervejeira na KU Leuven
O objetivo do curso presencial, segundo Simmonds, é treinar os alunos para serem especialistas em todo o processo de malteação e produção de cerveja, com um conhecimento sólido e aprofundado da ciência por trás de cada etapa. ”Os alunos recebem palestras e cursos de pesquisadores líderes mundiais em todos os tópicos relacionados à malteação e produção de cerveja, desde a compreensão das mudanças bioquímicas que ocorrem em um grão de cevada durante a malteação, até a descoberta dos métodos ideais de embalagem e transporte para garantir que a sua cerveja seja entregue de forma eficiente, sustentável e fresca”, diz o coordenador.
O curso também aproveita todas as oportunidades para destacar a indústria e a cultura cervejeira da Bélgica. Os alunos visitam cervejarias e locais voltados à área, desde abadias até fabricantes de equipamento, para vivenciar em primeira mão tanto a produção inovadora de cerveja pela qual a Bélgica é famosa quanto a herança cultural, explica o Simmonds.
A instalação de micromalteação na universidade permite que os alunos malteem diferentes variedades de cevada e outros cereais em pequena escala, tornando a comparação e a experimentação possíveis. Simmonds explica que as duas cervejarias piloto da KU Leuven têm capacidade de 500 litros e servem como um laboratório prático para experimentar todas as etapas do processo de produção, desde a fermentação até a filtração, usando equipamentos e técnicas de última geração. “Isso permite aos alunos elaborar suas próprias perguntas de pesquisa de ponta para colocar toda a teoria da sala de aula em prática no chão de fábrica da cervejaria”, diz. Fora do laboratório, os alunos produzem cerveja com parceiros industriais para garantir que recebam a visão necessária para ingressar no cenário moderno de carreiras em malteação e cervejaria, segundo o coordenador.
Toda essa estrutura de ensino da pós-graduação é apoiada financeiramente pela Cátedra AB InBev em Malteação e Produção de Cerveja. “Isso significa que a AB InBev investiu em uma ‘cátedra educacional’ de cinco anos na KU Leuven para fortalecer o ensino nas ciências cervejeiras e ressaltar os laços locais com a KU Leuven e a região de Leuven. Na prática, isso fornece o suporte financeiro para administrar o programa, e nós colaboramos regularmente com parceiros industriais, incluindo a AB InBev, para criar conteúdo educacional, como séries de palestras de convidados sobre questões urgentes na indústria ou visitas técnicas inovadoras”, explica Simmonds.
Brasileiros na KU Leuven
O coordenador afirma que os candidatos do Brasil são, no geral, bem qualificados e adequados ao programa. “O nível de especialização técnica dos candidatos brasileiros e latino-americanos é geralmente excelente, o que os torna adequados e os ajuda a se destacar nos elementos mais práticos”, diz. Entre os brasileiros, Simmonds afirma que percebe uma liderança nata, organizando grupos e atividades extracurriculares entre os estudantes internacionais.
Para ele, a lacuna acadêmica mais comum é a bioquímica discutida nas aulas científicas técnicas como, por exemplo, a cinética enzimática ou a mecânica da gelatinização do amido, onde alguns alunos acham a profundidade desses assuntos mais complicada de entender. “O formato de ensino em pequenos grupos, neste caso, é de enorme benefício para os alunos, pois eles podem abordar diretamente o professor para obter ajuda personalizada ao estudar um assunto não familiar ou conceitos que acham difíceis de entender no início”, explica Simmonds.
Ele sugere que os interessados na pós-graduação presencial comecem fazendo o curso online gratuito para observarem se o perfil da formação atenderia aos objetivos do aluno.
Admissão, logística e cursos
A KU Leuven possui diversas iniciativas de bolsas de estudo, como a Science@Leuven Scholarship. No entanto, segundo Simmonds, a que desperta um maior interesse nos alunos é a isenção de taxas do Fonds Verhelst (Fonds Verhelst fee waiver).
Esse apoio financeiro é específico para o Programa de Pós-Graduação em Ciências de Malteação e Produção de Cerveja e cobre a taxa integral do curso (exceto o custo de matrícula, que é de aproximadamente 140 euros) para um aluno a cada ano.
Simmonds explica que qualquer pessoa elegível para se candidatar ao programa também pode solicitar a isenção de taxa, o que é feito no mesmo momento da inscrição mediante o envio de uma carta de motivação demonstrando excelente posição acadêmica ou profissional e delineando uma motivação clara para seguir carreira na indústria de malteação e cervejaria. “Entendemos que nossos candidatos não pertencem a uma categoria única para todos, portanto, os requisitos para solicitar a isenção de taxa são projetados para serem aplicáveis ao maior número possível de nossos candidatos”, afirma.
Para o ano letivo de 2026/2027 foram fixadas taxas de 6.950 euros, que incluem o transporte entre as diferentes unidades da KU Leuven, todas as visitas externas e todos os materiais necessários para as aulas práticas e os momentos de produção de cerveja. Convertendo para o real (considerando uma cotação de R$ 6), o valor daria quase R$ 42 mil. Além deste custo para a formação educacional, o aluno teria que arcar com moradia, alimentação e demais despesas pessoais.
Inovação na KU Leuven
KU Leuven, na Bélgica. (Foto: Reprodução/www.kuleuven.be)
Ter um diploma da Ku Leuven significa carregar uma marca que vai além dos barris e dornas de fermentação. Simmonds destaca que a instituição é responsável por descobertas como o tenofovir, medicamento utilizado por mais de 75% dos pacientes com HIV no mundo, e o algoritmo de criptografia Rijndael, que hoje protege toda a infraestrutura global da internet e computadores desenvolvidos após 2011. Em 2025, a universidade alcançou o terceiro lugar mundial em número de pedidos de patentes no Escritório Europeu de Patentes (EPO).
Quando essa vocação científica se volta para a cerveja, os resultados ajudam a impulsionar o futuro do mercado. Simmonds destaca, por exemplo, o desenvolvimento do perfil genético das leveduras de fazendas escandinavas (farmhouse yeasts), que permitirá aos cervejeiros buscar novos sabores enquanto melhoram a resiliência e a sustentabilidade dos processos de fermentação. “Outro destaque é o desenvolvimento de modelos de IA que podem prever como uma determinada cerveja será avaliada pelos consumidores e quais compostos de aroma os cervejeiros podem adicionar para melhorá-la”, afirma.
A KU Leuven também está trabalhando no aprimoramento da cerveja sem álcool, setor que mais cresce na indústria cervejeira, destaca Simmonds, com estudos que vão desde como melhorar seu corpo e sensação na boca (mouthfeel), até a compreensão de como seu perfil de carbonatação afeta a percepção sensorial dos consumidores.