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Capitosa encerra atividades e tem estrutura assumida pela Turatti no Ceará

O mercado de cervejas artesanais no Ceará acaba de passar por um processo de aquisição de estrutura e fechamento de uma marca. Em fase de expansão, a Cervejaria Turatti alugou a fábrica e adquiriu todos os equipamentos da Capitosa, que decidiu encerrar suas atividades após pouco mais de dois anos de atuação no segmento.

Localizada no bairro Lagoa Redonda, em Fortaleza, a Capitosa enfrentou os desafios de um empreendimento surgido em meio à pandemia do coronavírus. A fábrica ocupava um espaço amplo de pouco mais de 1.000m², que também incluía um taproom, um biergarten e uma área de eventos.

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“Foram muitos anos de idealização, estudo e construção, além dos dois anos de operação (com uma pandemia no meio). Foi uma jornada cheia de aventuras e desafios, da qual temos muito orgulho. Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para cumprirmos nossos objetivos: sermos acolhedores, consistentes e obstinados, entregando qualidade e fomentando o mercado de maneira colaborativa. Temos a certeza de que deixamos nossa marca no mercado cearense”, afirma a marca.

A Capitosa também era elogiada por especialistas devido à boa estrutura de equipamentos em sua fábrica, com capacidade para produzir até 50 mil litros mensais. Além disso, tinha uma variedade de estilos em seu portfólio, como Lager, Weiss, IPA, West Coast IPA e Pasterbier.

Vendemos nossos equipamentos e a infraestrutura da fábrica e alugamos o nosso galpão. Desejamos muita prosperidade para a Cervejaria Turatti, que assumiu nosso espaço. A marca Capitosa, as receitas das cervejas e nosso amor pelas artesanais continuam com a gente

Capitosa

Será essa estrutura que agora a Turatti vai agregar à sua atuação. Com um foco que busca aproximar a cerveja da gastronomia, a marca conta, hoje, com quatro restaurantes: Turatti Sul, Varjota, RioMar Fortaleza e RioMar Kennedy.

Agora, então, decidiu ampliar sua estrutura, assumindo o espaço que era da Capitosa. “Quando soubemos que a Capitosa planejava encerrar as atividades, vimos a oportunidade de expansão para atender a demanda desses clientes que pediam por uma Cervejaria Turatti em suas cidades”, diz Lissandro Turatti, proprietário do Grupo Turatti, em entrevista ao Guia.

De acordo com ele, o espaço será usado para ampliar a realização de eventos. “Além de aumentar a produção e expandir para o Ceará e o Brasil, queremos utilizar o espaço para atender a demanda de eventos sociais e corporativos. Muitos casais nos procuram para casamentos, por exemplo. A ideia é atender melhor essa demanda. Além disso, temos os eventos promovidos pela marca Turatti, como o Texas BBQ DAY, e quem sabe, vem aí uma Oktoberfest de qualidade”, comenta.

Com a aquisição da fábrica da Capitosa, a Turatti ampliará sua capacidade produtiva para 150 mil litros mensais, de acordo com a marca. Esse aumento de volume está alinhado aos planos da empresa, que vem realizando investimentos para ter maior presença no mercado, tendo planos de injetar R$ 2 milhões ao longo dos próximos três anos.

Fundada em 1999 em Florianópolis, a Turatti é uma marca tradicional que se transferiu para o Ceará em 2002, sendo a primeira cervejaria artesanal de Fortaleza. Recentemente, contratou o mestre-cervejeiro Marcos Guerra, que já trabalhou em cervejarias como Lohn e Blumenau. E pretende lançar duas novas marcas de cerveja em breve.

Segundo Lissandro, a incorporação da estrutura da Capitosa ajudará a Turatti a acelerar os planos de expansão, além de possibilitar o lançamento de novos produtos e atender a demanda de cervejarias ciganas, que terceirizam sua produção com parceiros.

“Com mais espaço e uma estrutura fabril incrementada, nós, que já lançávamos uma nova cerveja a cada três meses, poderemos diminuir esse deadline e lançar novos produtos. Já estamos com duas novas marcas em desenvolvimento, uma Premium, com a mão do nosso novo mestre-cervejeiro Marcos Guerra, e uma outra focada em baixo custo, para atender uma demanda de volume, mas puro malte. A aquisição da Capitosa só vai antecipar este projeto. Também vamos ter espaço para que outros restaurantes e investidores criem suas próprias marcas de cerveja conosco”, conclui o proprietário do Grupo Turatti.

Balcão do Tributarista: Como a reforma tributária impacta o setor cervejeiro

Balcão do Tributarista: Como a reforma tributária impacta o setor cervejeiro

O texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) aprovado pela Câmara dos Deputados prevê a unificação dos tributos hoje incidentes sobre o consumo (IPI, PIS e Cofins, atualmente de competência da União; ICMS, de competência dos estados; e ISS, de competência dos municípios) em um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) de caráter dual, composto pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS, de competência da União) e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS, de competência compartilhada entre estados e municípios).

Esses novos tributos terão regras bastante semelhantes, incidindo sobre os mesmos fatos e bases, e serão calculados mediante a aplicação de uma alíquota única, padrão, incidente sobre todos os serviços e bens tributados.

Alíquota
A PEC prevê expressamente a aplicação dessa alíquota única, sem a concessão de quaisquer incentivos ou benefícios fiscais, como isenções e reduções de base de cálculo, por exemplo.

As únicas exceções são as previstas na própria PEC, que estabelecem setores específicos que terão direito a uma alíquota de 40% da alíquota padrão e outros para os quais a alíquota será zerada. A PEC prevê, também, setores para os quais poderão ser criados regimes específicos de tributação.

A alíquota poderá ser reduzida para 40% da alíquota padrão para os serviços de educação e saúde; dispositivos médicos e de acessibilidade, medicamentos, produtos de higiene pessoal e produtos de cuidados à saúde menstrual; serviços de transporte coletivo; produtos agropecuários in natura, alimentos destinados ao consumo humano e insumos agropecuários; produções artísticas, culturais, jornalísticas e audiovisuais; atividades desportivas; e bens e serviços relacionados à segurança e soberania nacional.

A isenção ou alíquota zero dos novos tributos poderá ser concedida para serviços de transporte coletivo; dispositivos médicos e medicamentos específicos; serviços de educação de ensino superior voltados ao Prouni; e atividades de reabilitação urbana de zonas históricas e de áreas críticas de recuperação.

A PEC também cria a chamada Cesta Básica Nacional de Alimentos, cujos produtos que vão compô-la serão definidos em Lei Complementar e terão alíquota zero.

Indústria cervejeira
De modo geral, o setor industrial vê com boas perspectivas as mudanças da reforma tributária, especialmente quanto à simplificação da arrecadação pela unificação de tributos e de legislações e pela previsão de uma ampla possibilidade de creditamento.

Alguns pontos ainda precisarão ser mais bem regulados por Lei Complementar a ser editada futuramente. Dentre eles, os principais dizem respeito à efetiva implementação deste amplo sistema de crédito. Nesse sentido, os contribuintes precisam ficar atentos à possibilidade de que seja implementado um condicionamento da tomada de crédito ao efetivo pagamento do tributo na etapa anterior, o que sem dúvida, criará obstáculos administrativos.

Simples Nacional
A PEC prevê a manutenção do Simples Nacional, dispondo que a geração de créditos pelas empresas optantes deste regime será proporcional à carga tributária incidente.

A fim de tornar as empresas optantes mais competitivas, uma vez que as empresas do regime geral acabarão dando aos seus clientes a possibilidade de um creditamento maior, as empresas poderão optar por recolher os tributos na forma do novo modelo.

Perse
O Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) que beneficiou bares e restaurantes, fica mantido até fevereiro de 2027.

A PEC prevê, ainda, que, por Lei Complementar, seja criado um regime específico de tributação para serviços de hotelaria, parques de diversão e parques temáticos, bem como restaurantes. Neste regime, poderão ser previstas hipóteses de alterações nas alíquotas e nas regras de creditamento.

Próximos passos
O texto da PEC aprovado pela Câmara dos Deputados segue agora para o Senado Federal, onde será apreciado e novamente votado.

Todas as modificações ainda estão cercadas de muitas incertezas. Seja porque o texto final da PEC somente foi conhecido momentos antes da votação, seja porque muitas questões são delegadas para regulamentação em uma futura Lei Complementar.

O fato é que os contribuintes precisam continuar atentos aos próximos passos desta importante e profunda reforma.


Clairton Gama é advogado e sócio do escritório Kubaszwski Gama Advogados Associados. Possui mestrado em Direito pela UFRGS e é especialista em Direito Tributário pelo IBET. Além disso, é cervejeiro caseiro.

Com passivo de R$ 55,4 mi, dona da marca Backer entra em recuperação judicial

A Cervejaria Três Lobos, responsável pela marca Backer, entrou em processo de recuperação judicial. O pedido da empresa foi aceito pelo juiz Adilon Cláver de Resende, da 2ª Vara Empresarial da Comarca de Belo Horizonte. Segundo a cervejaria, a solicitação se deve aos impactos financeiros causados pela maior tragédia já ocorrida no segmento cervejeiro do país, que aconteceu no final de 2019.

Ao aceitar o pedido da Três Lobos, o juiz nomeou a DMA Advogados Associados como administradora judicial da empresa. Além disso, a partir da data da publicação da decisão, que ocorreu em 19 de junho, a companhia tem 60 dias para apresentar um plano de recuperação judicial, caso contrário, poderá ser declarada falida. Também será necessário apresentar demonstrativos financeiros mensais.

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“Será apresentado aos credores um plano de pagamento, dentro das possibilidades da Backer para honrar seus compromissos. Acredito que eles têm potencial para quitar suas dívidas”, argumenta José Murilo Procópio, sócio da Advocacia Procópio de Carvalho, responsável pelo pedido de recuperação judicial, em entrevista ao Guia.

O juiz também deferiu alguns pedidos da Três Lobos. Ele determinou que, mesmo com contas atrasadas, os serviços essenciais de água e energia elétrica fornecidos por Copasa e Cemig, respectivamente, devem ser mantidos. Além disso, o juiz suspendeu o processo de despejo do terreno no bairro Olhos D’Água, em Belo Horizonte, onde estão localizados a sede administrativa e o parque industrial da empresa.

O risco de despejo foi uma das razões que levaram ao pedido de recuperação judicial, como explica Procópio. “Constatamos que era necessário entrar com o pedido de recuperação judicial, pois havia o risco iminente de despejo por falta de pagamento do aluguel, além das dificuldades financeiras envolvendo luz e água. Então, a alternativa foi preparar a documentação para solicitar a recuperação judicial”, diz.

No pedido, a Três Lobos informa que seu passivo sujeito à recuperação judicial é de R$ 55,418 milhões. A empresa afirma que chegou a esse ponto devido aos desafios enfrentados nos últimos anos, que afetaram suas operações a partir do fim de 2019, quando ocorreu o Caso Backer.

No pedido, a Três Lobos menciona os problemas enfrentados após a revelação dos casos de contaminação dos rótulos de suas cervejas, especialmente da Belorizontina, por dietilenoglicol, resultando em dez mortes e dezenas de feridos.

A Backer chegou a ter sua fábrica fechada e ficou proibida de comercializar e produzir cervejas, sendo liberada somente em abril de 2022. A empresa afirma que enfrenta uma crise de liquidez, apesar da demanda de mercado por seus produtos, citando sua presença em 1.200 pontos de venda.

Além disso, a empresa afirma que investidores interessados em parcerias, com propostas de injeção de recursos para garantir a retomada em grande escala de certos rótulos, decidiram rever seus planos nos últimos meses, agravando os desafios econômicos da Três Lobos.

“Em mais um contratempo inesperado, o cenário de incertezas políticas vivenciado em razão da alternância de governo sinalizada a partir dos resultados das eleições de outubro de 2022 fez com que os investidores recuassem, cessando, ao menos por ora, os aportes financeiros regulares”, diz em seu pedido à Justiça.

Portanto, no pedido de recuperação judicial, a empresa responsável pela marca Backer indica que, sem a aceitação do pedido, teria dificuldades para continuar suas operações. “A Backer está enfrentando uma crise econômico-financeira em que precisa decidir onde alocar seus recursos e capital de giro: cumprir suas diversas obrigações relacionadas a esse processo ou investir na compra de insumos e matérias-primas para produzir e atender à demanda do mercado”, argumenta.

Além disso, a companhia destaca que, com a aceitação do pedido, poderá iniciar um processo de recuperação das suas contas, aproveitando sua experiência no segmento cervejeiro. “A verdade é que, voltando seu foco para a produção necessária a atender a certa e crescente demanda de um mercado ávido pelo que a Backer sabe fazer de melhor suas cervejas artesanais, não apenas será possível traçar um plano”, diz.

Recuperação judicial e caso criminal
O caso de recuperação judicial da Três Lobos é o segundo de grande impacto no setor cervejeiro brasileiro em 2023, seguindo os passos do Grupo Petrópolis, que também entrou com um pedido semelhante na Justiça do Rio de Janeiro em março, devido a passivos no valor de R$ 4,2 bilhões.

A recuperação judicial é uma modalidade prevista em lei para auxiliar empresas em dificuldades financeiras a continuarem suas atividades, gerando renda, empregos e pagando impostos. “A recuperação judicial foi uma medida adequada para o caso da Backer, pois eles estavam prestes a sofrer grandes prejuízos, o que afetaria não apenas eles”, argumenta Procópio.

Enquanto preparam uma proposta para seus credores, os responsáveis pela Cervejaria Três Lobos enfrentam uma outra questão, essa na esfera criminal, relacionada à contaminação das cervejas. Anteriormente, o Ministério Público de Minas Gerais apresentou uma denúncia solicitando o indiciamento de 11 pessoas, incluindo três sócios-proprietários da Backer: Ana Paula Silva Lebbos, Hayan Franco Khalil Lebbos e Munir Franco Khalil Lebbos.

As testemunhas de acusação e defesa já foram ouvidas pelo tribunal, que ainda irá colher os depoimentos dos indiciados em datas a serem determinadas, antes da realização do julgamento.

7 avaliações sobre o Anuário da Cerveja e as perspectivas para o setor

Divulgado na semana passada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Anuário da Cerveja de 2022 demonstrou a resiliência do setor ao trazer um crescimento de 11,6% no número de cervejarias registradas no Brasil, chegando às 1.729, um salto positivo de 180 estabelecimentos na comparação com 2021.

Para ter uma visão mais detalhada sobre o momento do setor, o Guia ouviu representantes de diferentes associações e entidades, que apresentaram suas avaliações sobre os resultados expostos pelo documento. E eles apontaram que a alta no número de registros indica que a cerveja continua sendo um produto em alta entre empreendedores e quem consome, mesmo com os desafios econômicos enfrentados nos últimos anos.

Além disso, os especialistas ponderam que os resultados do Anuário da Cerveja de 2022 indicam potencial para expansão da atividade para diferentes regiões do país, ainda que reconheçam dificuldades para empreender e a necessidade de reforço nas políticas públicas para ajudar especialmente os pequenos empresários.

Assim, acreditam ainda haver espaço para um crescimento significativo do segmento, um processo que passa pela expansão geográfica e diversificação dos produtos, aspectos fundamentais para a construção de um futuro promissor para a cerveja artesanal e a indústria cervejeira no Brasil.

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Confira as opiniões dos especialistas sobre o Anuário da Cerveja de 2022:

Abracerva (Gilberto Tarantino, presidente)
“Vemos que os números de fato refletem o que o setor viveu em 2022, um período de recuperação e resiliência. O anuário reforça também que nosso segmento tem altíssimo potencial para gerar bons negócios e ainda não é explorado em todas as suas possibilidades. Enquanto há cidades e estados muito adensados e bastante maduros, outros ainda não foram contemplados com um volume mínimo de cervejarias locais e regionais. Já quando olhamos a taxa de crescimento de fábricas, embora pareça pequena em comparação com anos anteriores, ela é quase 4 vezes maior que a variação do PIB. Isso mostra que sentimos sim os impactos das sucessivas crises, mas temos novos empreendedores que acreditam na cerveja artesanal”.

Abralatas (Cátilo Cândido, presidente-executivo)
“O setor cervejeiro, nosso parceiro de longa data, mostra seu potencial ano a ano. Há um importante impacto das novas cervejarias, que se espalham por todo o Brasil, mostrando o grande público que se interessa pela cerveja brasileira. É importante ressaltar que a maior parte (share) de toda a cerveja vendida hoje no país é em lata, a embalagem mais segura e sustentável que existe. Comemoramos junto ao setor cervejeiro estes números positivos certos de que a latinha e a cerveja estarão sempre juntos, em parceria, agradando em cheio o consumidor brasileiro”.

“Acredito que o setor continuará em crescimento. É visível o interesse do consumidor de cerveja por novas opções, novos formatos de lata e sabores. O consumidor está cada vez mais exigente e curioso, demandando o melhor produto na melhor embalagem. E nós seguimos em conjunto com o mercado cervejeiro nesta busca por mais e melhores opções para a cerveja brasileira”.

Abrasel (Paulo Solmucci, presidente-executivo)
“A constante e pungente taxa de crescimento das cervejarias no Brasil demonstra que os consumidores valorizam muito a cerveja e, consequentemente, essa expansão da oferta se torna muito importante para o setor de bares e restaurantes, especialmente com a qualidade elevada que se observa hoje. A expansão da produção de cervejas no Sul e Sudeste do país chama muita atenção, mas, em especial, nós comemoramos o fato de que as cervejarias estão se expandindo também nas regiões Norte e Nordeste, mercados que certamente valorizarão estes investimentos”.

Aprolúpulo (Herman Wigman, presidente)
“Os dados dos Anuário da Cerveja 2022 trazem muitas boas notícias para o lúpulo brasileiro. Vimos o número de cervejarias crescer em todas as regiões do país, o que é muito importante para uma cultura agrícola que também avança por todo o território nacional. Hoje, as micro e pequenas cervejarias ainda são o principal mercado do lúpulo nacional, então a chegada de quase 200 novas marcas ao mercado amplia ainda mais as oportunidades para o nosso segmento. E outro dado muito relevante diz respeito à aceleração no registro de novos produtos, que indica uma diversificação cada vez maior do mercado, algo em total sintonia com o que o lúpulo brasileiro oferece. Nosso setor também cresce em ritmo acelerado e tem o objetivo de transformar a cerveja brasileira, oferecendo mais qualidade e diversidade, com custos altamente competitivos”.

Febracerva (Marco Falcone, presidente)
“Os números são expressivos. Em um país pós-pandemia, estagnado, ter um crescimento relevante, com mais de 1.700 cervejarias, é algo impressionante. Hoje, respondemos por 2% do PIB nacional, o que não é pouco, com empregos para mais de 2 milhões de pessoas. Isso tudo demonstra o poder de uma área ligada à gastronomia e saudável, por seu baixo teor alcoólico, sendo um alimento importante”.

Ministério da Agricultura (Eduardo Marcusso, servidor público e consultor técnico da Câmara Setorial da Cerveja)
“Acredito que estamos chegando em um platô de crescimento, ou seja, apesar de crescer, existe uma limitação no processo. Assim, a cada pesquisa se consolida a necessidade de incentivos para as pequenas cervejarias. A reforma tributária vai ajudar muito, mas é providencial para manutenções do crescimento das pequenas cervejas a diferenciação tributária por tamanho de empresa para além do Simples Nacional”.

Sindicerv (Márcio Maciel, presidente-executivo)
“Os números apresentados comprovam o potencial do setor cervejeiro, que demonstrou evolução e crescimento de micro, pequenas e médias cervejarias, mesmo diante de um cenário desafiador e marcado pela alta taxa de juros e inflação em elevação”.

“É o primeiro ano cheio após a pandemia. Tivemos um carnaval que foi considerado o maior de todos os tempos, com mais de R$ 8 bilhões inseridos na economia segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio) e grandes eventos que irão acontecer no país, além da sinalização de reformas estruturantes sendo discutidas, como a reforma tributária. Tudo isso é sinalização para o empresário, seja grande ou pequeno, de que vale a pena investir no Brasil e continuar produzindo. Os empregos estão sendo retomados e a perspectiva é que a renda melhore também”.

Menu Degustação: Corrida na Paulista, qualificação de bares, manifesto feminino…

A diversidade de iniciativas marcou os últimos dias do setor cervejeiro. Para quem gosta de unir atividade física e diversão, o domingo será de corrida cervejeira passando pela avenida Paulista, em São Paulo, em um encontro promovido pela Let’s Hop Run.

Em outra frente, o Brasil Beer Cup e o Beer Summit, eventos liderados por mulheres e que acontecerão no fim de agosto em Florianópolis, lançaram um manifesto em que destacam a resiliência feminina no setor.

Já Abrasel e Sebrae se uniram em uma iniciativa que prevê programas de qualificação gratuita para o aprimoramento dos negócios e a capacitação dos empreendedores de bares, restaurantes, lanchonetes e afins.

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Confira essas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Corrida Cervejeira na Paulista
No domingo, a partir das 10h, acontecerá o primeiro “Domingo no Corre” presencial do Let’s Hop Run, uma equipe de corrida de rua e projeto que promove a ideia de uma vida equilibrada para os amantes da corrida e cervejas. O ponto de encontro será no Behbibenn Taberna Pub unidade Jardins, e às 13h30 o grupo partirá para a avenida Paulista para uma corrida ou caminhada de 5km. A linha de chegada será no próprio Behbibenn. Após a corrida, haverá uma celebração, e todos os participantes ganharão o primeiro pint.

Krug Bier na Arena MRV
O entorno da Arena MRV, em Belo Horizonte, está sendo valorizado com diversas novidades, incluindo uma área gastronômica. Neste mês, foi inaugurada a primeira growleria da região, a Central do Malte, que é única nesse segmento nos arredores. A casa é parceira da Krug Bier e oferecerá a linha completa de cervejas e chopes, com oito estilos diferentes de chope disponíveis, além de pratos que receberam novas interpretações no cardápio. A casa também está investindo em atrações musicais.

Manifesto de eventos
O Brasil Beer Cup e o Beer Summit, eventos liderados por um time de mulheres de Florianópolis, lançaram a campanha para a edição de 2023, que acontecerá de 21 a 26 de agosto na capital catarinense. Em um vídeo manifesto narrado por um poema da atriz, escritora e mentora de mulheres Barbara Elioddorio, a comunidade é convidada a espalhar amor e cerveja. As organizadoras do evento escolheram destacar as constantes repressões sofridas por grupos masculinos e instituições para mostrar que a presença feminina no mundo dos negócios traz uma dinâmica diferente: diálogo, construção de pontes e união de forças.

Copa Cervezas com inscrições abertas
As inscrições para a 10ª edição da Copa Cervezas de América já estão abertas. Para ampliar o alcance do evento, produtores e distribuidores de cerveja de todo o mundo podem participar, independentemente do local de produção. No entanto, os participantes devem atender a alguns requisitos. O evento será realizado em três etapas, de 7 a 11 de novembro de 2023, em Valdivia, no Chile. Serão elas: ronda de avaliação, mini-best e Best of Show.

Gastronomia no Festival Brasileiro
O Festival Brasileiro da Cerveja, que ocorrerá em Blumenau entre os dias 6 e 9 de março de 2024, destinará um dos pavilhões do Parque Vila Germânica à gastronomia, em mais uma edição do SC Gourmet, com o apoio do Sebrae/SC. Ambos os eventos fazem parte da Semana da Cerveja Brasileira. De acordo com a organização, o festival busca cada vez mais unir a harmonização gastronômica com experiências proporcionadas por especialistas reconhecidos internacionalmente.

Patrocínio da Oktoberfest
A Bem Brasil, empresa de batatas pré-fritas congeladas, anunciou que será patrocinadora oficial da Oktoberfest deste ano, em Blumenau. O evento, que espera receber 600 mil pessoas, ocorrerá entre os dias 4 e 22 de outubro, com uma programação ampla. A batata é um dos principais pratos típicos da culinária alemã, portanto, durante a Oktoberfest, a empresa realizará diversas atividades para apresentar ao público os itens tradicionais e os lançamentos mais recentes da marca. Uma das ações planejadas é a Casa Bem Brasil, onde serão servidas batatas fritas crocantes e saborosas preparadas pelo chef alemão Heiko Grabolle.

Qualificação para bares
A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) firmaram uma parceria que visa aprimorar os negócios e capacitar os empreendedores de bares, restaurantes, lanchonetes e estabelecimentos similares. A qualificação é gratuita e para se inscrever, basta acessar o site oficial da parceria Abrasel Sebrae. Os participantes terão acesso a recursos exclusivos, como estudos de mercado, tendências de consumo, estratégias de marketing, uso eficiente de recursos, inovação, economia circular, gestão financeira e boas práticas de segurança alimentar, entre outros.

Resultados de circularidade da Heineken
A Heineken, patrocinadora da segunda edição do Mita Festival, que ocorreu no Rio de Janeiro em maio e em São Paulo em junho, revelou os resultados de suas iniciativas de circularidade nos eventos da marca, como a reutilização do Meu Copo Eco Heineken. No total, foram utilizados 64.450 copos, dos quais 35.465 foram devolvidos ao final dos quatro dias de evento. Em outra ação, a marca também contribuiu para a revitalização do centro de São Paulo por meio da instalação de placas solares no rooftop do Shopping Light durante o evento.

Beats na cena da música urbana
Os movimentos culturais do funk, rap e trap, que influenciam milhares de pessoas da periferia e alcançam a classe alta com alguns subgêneros, fazem parte do cenário da chamada música urbana. Para destacar a importância dessas vertentes e valorizar o trabalho desenvolvido nesse meio, a Beats assumiu o compromisso de impulsionar e fortalecer o cenário musical no país, aproximando as pessoas de seus artistas favoritos e tornando-os parte do cotidiano, independentemente do momento ou lugar. Em parceria com diversos artistas, o projeto inclui músicas inéditas, videoclipes, conteúdos exclusivos e promoção nas redes sociais. Como ponto de partida, a marca se uniu a dois novos embaixadores: MC Kekel e MC Danny.

Cervejaria artesanal mais antiga dos EUA irá fechar; entenda legado da Anchor

O setor de cervejas artesanais dos Estados Unidos perdeu uma de suas principais referências. A Anchor Brewing, pioneira no segmento, encerrará suas atividades, deixando como legado sua participação fundamental na revolução da cerveja artesanal no país.

Para justificar o fechamento, os responsáveis pela Anchor Brewing citam a queda nas vendas, que teve início em 2016, e os desafios econômicos. No ano passado, de acordo com informações da New Brewer Magazine, da Brewers Association, foram vendidos 65 mil barris.

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“Esta foi uma decisão extremamente difícil que a Anchor tomou somente após muitos meses de avaliação cuidadosa”, diz o porta-voz da Anchor, Sam Singer. “Reconhecemos a importância e o significado histórico da Anchor para São Francisco e para a indústria cervejeira artesanal, mas os impactos da pandemia, a inflação, especialmente em São Francisco, e um mercado altamente competitivo deixaram a empresa sem opção a não ser tomar essa triste decisão de encerrar as operações”, acrescenta.

Fundada em 1896, durante a Corrida do Ouro na Califórnia, a Anchor Brewing é considerada uma das principais responsáveis pela revolução da cerveja artesanal nos Estados Unidos. A cervejaria foi uma das poucas a sobreviver ao período da Lei Seca no país, apesar de ter enfrentado uma série de turbulências desde sua criação.

“Ela atravessou a história, passando por incêndios, pela Lei Seca nos Estados Unidos e por problemas financeiros”, relembra a sommelière Rosária Penz Pacheco, sócia da Hildegard Cervejaria Cigana e da Fermenta Pessoas.

Um dos passos fundamentais para que a Anchor se tornasse um ícone cervejeiro foi dado em 1965, quando Fritz Maytag a adquiriu, enfrentando graves problemas financeiros. “Ele adorava a California Common, a Steam Beer feita com um processo específico da Anchor”, destaca Rosária.

Desde então, a Anchor cresceu a partir de um modelo de distribuição nacional e com seu rótulo icônico, no qual a fermentação da levedura Lager ocorre a uma temperatura mais alta do que o normal. “Ela começou a ser envasada no início da década de 1970, inspirando as pessoas a produzirem cerveja, seja em casa ou em microcervejarias. Foi lá que começou a nova revolução cervejeira”, diz Rosária.

A Anchor foi uma das primeiras cervejarias dos Estados Unidos a produzir estilos como Porter, Barley Wine e American IPA, como destaca Edson Carvalho, o Viajante Cervejeiro. “A primeira American IPA, claro que bem diferente da atual, foi criada por eles, sendo mais maltada e com o uso do lúpulo Cascade, bastante comum por lá”, diz.

Ele ressalta também a variedade de estilos como outra influência decisiva da Anchor sobre o segmento cervejeiro. “Quando eles começaram a produzir estilos que não eram a clássica American Lager, também foram atrás de outros insumos e tipos de malte, o que não era tão fácil de conseguir na época. Isso abriu portas para outras cervejarias e foi muito importante para o setor”, comenta o Viajante Cervejeiro.

Foi esse sucesso que motivou a Sapporo a adquirir a Anchor por US$ 85 milhões em 2017, esperando lucrar com uma das referências da revolução da cerveja artesanal americana. No entanto, essa união não foi frutífera e até despertou críticas pela mudança no visual dos rótulos da Anchor em 2021, quando a cervejaria comemorava seus 125 anos de história.

Há um mês, a Anchor informou que estava abandonando seu modelo de distribuição nacional, limitando suas vendas à Califórnia. Agora, veio então, o anúncio do fim das atividades, com o encerramento devendo ser concluído nas próximas semanas, sendo que seus 61 funcionários cumprirão dois meses de aviso prévio.

Nesse período, espera-se que ocorra a total venda dos estoques, incluindo uma pequena edição de 2023 da Anchor Christmas Ale, fabricada antes da decisão de encerrar a distribuição nacional da marca e que seria a 49ª produção anual desse tradicional rótulo para o Natal.

Os desafios enfrentados pela Anchor podem estar relacionados aos problemas recentes encarados pelas cervejarias artesanais e independentes nos Estados Unidos, muitos deles provocados por mudança nos hábitos dos consumidores, que têm migrado em parte para outras bebidas alcoólicas, assim como por aumento nos custos e desafios da cadeia de suprimentos. E isso tem se refletido no declínio das vendas das cervejas artesanais. De acordo com o Craft Business Daily, as vendas caíram 4% em receita e 7% em volume até agora neste ano, na comparação com 2022.

Ao anunciar o encerramento das atividades da Anchor, seus responsáveis disseram que buscaram compradores nas últimas semanas, mas sem sucesso. No entanto, seus fãs esperam que a comoção causada pela divulgação da informação possa mudar esse cenário, assim como aconteceu em 1965, quando Fritz Maytag a adquiriu. “Vamos torcer para que, com a divulgação dessa notícia, alguém a compre novamente e sua história não chegue ao fim”, conclui Rosária.

Artigo: Tributo à Anchor, a cervejaria que impulsionou o movimento craft

*Por Leo Sewald

O mundo cervejeiro está de ressaca hoje. 

São poucas as pessoas ligadas de alguma forma ao meio cervejeiro que nunca ouviram falar da Anchor Brewing, do lendário Fritz Maytag e da clássica Anchor Steam.

A Anchor foi catalisadora para o desenvolvimento do que hoje chamamos de “craft”. É o símbolo de uma transformação que aconteceu com o mundo da cerveja, um resgate histórico que se iniciou nos Estados Unidos e depois se espalhou pelo mundo, incluindo o Brasil.

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Tive a oportunidade de conhecer a Anchor e o seu excelente time. Tinas de cobre clássicas serviam como pano de fundo para uma cervejaria moderna, uma mistura perfeita entre o charme e a tradição do passado com a tecnologia necessária para se fazer produtos de ponta.

E que produtos. Steam Beer moderna, alguém?

Mas o fechamento da Anchor não traz só consequências para o mercado cervejeiro. A cervejaria está enraizada na história da cidade de São Francisco, é uma herança cultural do oeste industrial americano. O fechamento da marca representa muito mais do que a simples perda de uma cervejaria de qualidade: é como se estivéssemos assistindo uma página sendo lenta e dolorosamente rasgada de um livro de história.

Pelo menos a Anchor estará viva não apenas nas mentes daqueles que a conheceram, mas seu legado também estará presente em cada copo de California Common servido mundo afora.


*Leo Sewald é fundador da Seasons Beer e sócio da Companhia Brasileira de Cervejas Artesanais (CBCA)

Anuário do Mapa: conheça as cidades mais cervejeiras do Brasil

Terceiro maior produtor de cerveja do mundo, o Brasil tem sua tradição nesse importante setor da economia apoiada pela fabricação disseminada em grandes e pequenas localidades, a maior parte delas localizadas nas regiões Sul e Sudeste. E a partir dos dados da mais recente edição do Anuário da Cerveja, o Guia indica quais são as cidades mais cervejeiras do Brasil.

De acordo com o levantamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o país tem, hoje, 722 municípios com ao menos uma cervejaria, o que representa uma de cada oito localidades. O número é crescente, sendo que o saldo positivo de 2021 para 2022 foi de 50 cidades, de acordo com o Anuário da Cerveja.

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E São Paulo pode se orgulhar de ser uma das cidades mais cervejeiras do Brasil. Afinal, a capital paulista é a localidade com mais cervejarias: 59 das 1.729 registradas no país. Esse número cresceu no ano passado, pois eram 51 em 2021. Hoje, são 17 a mais do que Porto Alegre, que sofreu uma queda – de 43 para 42 – no ano passado.

Entre as cidades do Top 10 de mais cervejarias, cinco não são capitais: as mineiras Nova Lima e Juiz de Fora, as paulistas Sorocaba e Ribeirão Preto e a gaúcha Caxias do Sul. Ribeirão, aliás, ao saltar de 13 para 17 estabelecimentos em 2022, tirou Blumenau, hoje com 16 cervejarias, da relação das dez principais cidades cervejeiras do Brasil.   

Porém, em termos de densidade, os municípios gaúchos são praticamente imbatíveis, ocupando nove das dez primeiras posições. E o principal destaque é Linha Nova. A apenas 87 quilômetros de Porto Alegre, conta com uma cervejaria para cada 862 habitantes (são duas, no total).

Esse domínio gaúcho só é quebrado por Marema, a sétima cidade com menor densidade cervejeira do Brasil. Na localidade, que fica na região metropolitana de Chapecó, há uma cervejaria para cada 1.703 habitantes. O Brasil, por sua vez, possui uma cervejaria registrada para cada 123.376 habitantes.


Com uma cervejaria para cada um dos seus 210.108 habitantes, São Paulo volta a se destacar pelo número de produtos registrados pelos seus estabelecimentos. De 2021, para 2022, se tornou a cidade cervejeira do Brasil com mais produtos registrados – 1.817 –, deixando Porto Alegre, hoje com 1.805, para trás, em segundo lugar.

A lista de dez principais cidades cervejeiras por produtos registrados conta com seis que não são capitais: Nova Lima, Juiz de Fora, Blumenau, Caxias do Sul e as paulistas Itupeva e Várzea Paulista.  

A relação passou por uma mudança de 2021 para 2022, com Caxias do Sul, hoje com 677 produtos, ultrapassando Ribeirão Preto, hoje fora do Top 10, com 671. De acordo com o Ministério da Agricultura, o Brasil possui 42.831 registros de produtos em cervejarias.

Cerveja tem deflação no varejo em junho, mas preço sobe 2,66% no 1º semestre

A cerveja no domicílio, em geral adquirida em redes de varejo, ficou mais barata em junho. De acordo com o IBGE, o item apresentou deflação de 0,27% no período, embora acumule alta de 2,66% no primeiro semestre de 2023. Já no período de 12 meses, a inflação é de 9,75%.

E não foi apenas a cerveja no domicílio que teve deflação em junho. o item no varejo acompanhou o ritmo do IPCA, contribuindo para a queda de 0,08% da inflação oficial, o maior recuo para o mês desde 2017, quando o índice foi de -0,23%.

No ano, o IPCA acumula alta de 2,87% e, nos últimos 12 meses, de 3,16%, abaixo dos 3,94% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Além disso, em junho de 2022, a inflação havia sido de 0,67%.

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Mas, se por um lado os preços da cerveja em domicílio, comercializada no varejo, ficaram mais baixos no mês, por outro a cerveja fora do domicílio, aquela comercializada em bares e restaurantes, teve uma alta de 0,50% em junho. Com este resultado, a inflação do segmento nos seis primeiros meses do ano ficou em 4,19%. E no acumulado dos últimos 12 meses, a alta está em 8,71%.

A deflação da cerveja no varejo em junho também destoou da dinâmica de preços de outras bebidas alcoólicas. No mês, houve altas de 0,61% e 1,27%, respectivamente, nos preços médios desses itens no domicílio e fora do domicílio.

As outras bebidas alcoólicas no domicílio tiveram inflação de 6,72% no semestre, com o índice ficando em 7,40% nos últimos 12 meses. Já as outras bebidas alcoólicas fora do domicílio fecharam o período de janeiro a junho com o indicador em 5,56%. A inflação chega a 9,04% nos últimos 12 meses.

Alimentação, bebidas e transportes puxam deflação
O grupo de alimentação e bebidas (-0,66%) foi o principal responsável pela deflação de 0,08% em junho, com transportes (-0,41%) também tendo contribuição importante. No lado das altas, o maior impacto (0,10%) e a maior variação (0,69%) vieram de habitação.

“Alimentação e bebidas e transportes são os grupos mais pesados dentro da cesta de consumo das famílias. Juntos, eles representam cerca de 42% do IPCA. Assim, a queda nos preços desses dois grupos foi o que mais contribuiu para esse resultado de deflação no mês de junho”, explica André Almeida, analista da pesquisa.

O grupo alimentação e bebidas foi influenciado, principalmente, pelo recuo nos preços da alimentação no domicílio (-1,07%). Destacam-se as quedas do óleo de soja (-8,96%), das frutas (-3,38%), do leite longa vida (-2,68%) e das carnes (-2,10%). 

“Nos últimos meses, os preços dos grãos, como a soja, caíram. Isso impactou diretamente o preço do óleo de soja e indiretamente os preços das carnes e do leite, por exemplo. Essas commodities são insumos para a ração animal, e um preço mais baixo contribui para reduzir os custos de produção. No caso do leite, há também uma maior oferta no mercado”, explica Almeida.

Trans critica falta de apoio da Bud Light após ataques: ‘Pior do que não contratar’

O caso de transfobia envolvendo Dylan Mulvaney e a Bud Light, após a marca se tornar alvo de um boicote nos Estados Unidos devido a uma ação com a influenciadora trans, ganhou um novo capítulo. Dessa vez, a marca da AB InBev foi criticada pela própria Dylan em função da falta de apoio recebido.

Dylan publicou um vídeo em seu perfil no TikTok e no Instagram intitulado “Pessoas trans também gostam de cerveja”. Nele, ela critica a Bud Light por tê-la abandonado diante dos ataques que sofreu após publicar um post patrocinado nas redes sociais, onde exibia uma lata personalizada da marca de cerveja com o seu rosto.

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Em sua publicação, Dylan ressalta a importância de as empresas apoiarem as pessoas trans mesmo quando elas são alvos de críticas. “Contratar uma pessoa trans e depois não apoiá-la publicamente é pior, na minha opinião, do que nem mesmo contratá-la, pois isso dá permissão aos clientes para serem transfóbicos e odiosos à vontade”, afirma, em um trecho do vídeo.

A influenciadora afirma que demorou para se pronunciar sobre o caso devido ao temor de sofrer novos ataques transfóbicos. Ela garante que nunca foi procurada pela Bud Light desde a eclosão dos ataques.

“Há meses, tenho medo de sair de casa. Fui ridicularizada em público, seguida e senti uma solidão que não desejo a ninguém”, diz. “Não estou contando isso para ser alvo de pena, estou compartilhando porque, se essa é minha experiência de uma perspectiva muito privilegiada, você deve saber que é muito, muito pior para outras pessoas trans”, acrescenta.

O caso de transfobia envolvendo Dylan teve início em abril, quando personalidades conservadoras dos Estados Unidos defenderam um boicote à Bud Light logo após a publicação de seu vídeo, no dia 1º daquele mês, com a latinha da marca.

Após os ataques, a AB InBev, grupo cervejeiro responsável pela marca, buscou apenas se distanciar da polêmica, afirmando que a lata com a imagem de Dylan não seria lançada comercialmente. A empresa divulgou um comunicado oficial no qual não mencionava a influenciadora, afirmando que nunca teve a intenção de participar de uma discussão que divide as pessoas. Recentemente, indicou que iria apoiar os atacadistas que ficaram com um estoque encalhado de Bud Light.

“Deveria ser algo simples e não controverso trabalhar conosco, e eu sei que é possível, porque já trabalhei com algumas empresas incríveis que se importam. Mas cuidar da comunidade LGBTQ+ requer muito mais do que apenas fazer uma doação em algum lugar durante o Mês do Orgulho”, afirma Dylan.

A iniciativa transfóbica de boicote obteve sucesso, levando a marca a perder o posto de cerveja mais vendida nos Estados Unidos para a Modelo Especial. Isso se deve, em grande parte, a uma queda de 25% nas vendas da Bud Light nas quatro semanas encerradas em 3 de junho, em comparação com o mesmo período de 2022.

O cenário negativo para a Bud Light tem se mantido. A Modelo Especial foi a marca de cerveja mais vendida nas quatro semanas encerradas em 1º de julho, com uma participação de mercado de 8,7% no varejo durante esse período, enquanto a Bud Light ficou em segundo lugar, com uma participação de mercado de 7%, de acordo com a consultoria Bump Williams, que obtém dados da NielsenIQ.

Veja o pronunciamento de Dylan Mulvaney direcionado à Bud Light:

@dylanmulvaney

Trans people like beer too. ?️‍⚧️?

♬ original sound – Dylan Mulvaney