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Rota RJ passa a ter produtores de lúpulo entre seus associados

A Rota Cervejeira RJ anunciou a chegada de novos membros e, agora, passa a ter também produtores de lúpulo brasileiro. Com a mudança, a associação que reunia cervejarias da Serra Fluminense, das cidades de Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo, Guapimirim e Cachoeiras de Macau, deve intensificar suas ações em prol do turismo cervejeiro e ampliar o leque de atividades com novas experiências turísticas.

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Ana Cláudia Pampillón, coordenadora da associação, explica que os produtores de Lúpulo Riad, Estância Éden, ambos de Petrópolis, e Floresta Mendes, de Nova Friburgo, já estão formalmente associados à Rota RJ. “Outro produtor no Vale das Videiras está aguardando registro para entrar na associação. Há mais um que está iniciando o plantio em Cachoeiras de Macacu.” 

Assim, Ana Cláudia celebra que a Rota RJ terá cinco produtores de lúpulo em breve e potencial para novas experiências turísticas muito em breve. “Os novos associados trazem experiências no campo, aproximando os visitantes e consumidores da matéria-prima que é tão importante na receita da cerveja: o lúpulo”, destaca a coordenadora da rota.

As experiências em campo, inclusive, já vêm sendo planejadas. Na Estância Éden, por exemplo, a harmonização da parrilla com cerveja artesanal já é oferecida. E, em breve, acontecerá a visitação na plantação de lúpulo que está sendo montada, com previsão de plantio para setembro deste ano.

Já na Lúpulo Riad, segundo Ana Claúdia, deverá ser realizada uma experiência turística totalmente diferente. “Como um café da manhã ou almoço no lupulal, bem ao estilo Patagônia”, compara.

Para a coordenadora, o cultivo do lúpulo, que sempre foi tão desacreditado, hoje é uma grata surpresa no mercado brasileiro. “Temos lúpulos com tanta qualidade. E as vivências, ou experiências no campo, realmente encantam qualquer visitante.”

A entrada dos produtores de lúpulo, além de permitir novas experiências à Rota RJ, também os ajudará no fortalecimento econômico com o turismo cervejeiro e com o apoio da associação, segundo Ana Cláudia.

Com aporte de R$ 500 mi, Paraná terá maltaria com foco em maltes especiais

O Paraná ganhará uma nova maltaria para a produção de maltes especiais, visando atender a indústria cervejeira. A Ireks do Brasil, uma joint-venture formada pela Cooperativa Agrária e pela alemã Ireks, anunciou que construirá uma maltaria em Guarapuava, com investimento de R$ 500 milhões e previsão de início das operações em 2026.

As obras de construção estão previstas para começar em 2024, com o empreendimento tendo sido incluído no programa de incentivos fiscais do governo do Paraná. A indústria será instalada ao lado de outra maltaria da Agrária, no distrito de Entre Rios, e tem a perspectiva de gerar 400 empregos diretos e indiretos.

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A nova maltaria terá como objetivo produzir maltes especiais, como caramelo, torrado e melanoidina, em larga escala. Atualmente, esses maltes precisam ser importados pela indústria cervejeira. Na fase inicial de operação da indústria, a projeção é de uma capacidade de produção de 64 mil toneladas anuais.

“A capacidade total projetada para essa fase inicial do projeto já é muito boa. Tendo em vista que, esse mercado hoje não existe ainda em sua totalidade no Brasil, mas vem crescendo muito. Esperamos que até o funcionamento pleno da operação consigamos aumentar ainda mais a nossa capacidade de produção. Temos previsto um aumento de produção de cevada de aproximadamente 75 mil toneladas”, diz Jorge Karl, presidente do conselho de administração da Ireks do Brasil.

A iniciativa visa substituir a importação de maltes especiais pela produção nacional. “Além do tamanho do investimento e dos números de geração de empregos, com esse empreendimento deixaremos de importar mais de US$ 40 milhões em maltes especiais por ano”, afirma Eduardo Bekin, diretor-presidente da Invest Paraná.

A Ireks será responsável pela construção da maltaria, enquanto a operação, a produção e a industrialização da cevada, além da comercialização do malte, serão feitas pela Agrária. “Estamos agora tratando de todas as licenças e das cotações dos equipamentos e obras civis, com a previsão de iniciar a venda dos maltes especiais em 2026. A finalidade é substituir a importação desses produtos, que passarão a ser fabricados no Paraná, em Guarapuava”, afirma Adam Stemmer, presidente da Agrária.

Mais um investimento
O anúncio de uma nova maltaria em Guarapuava se soma a outro investimento recente no insumo, também com a participação da Agrária. Ela e outras cinco cooperativas estão à frente da Maltaria Campos Gerais, em Ponta Grossa (PR), com aporte de R$ 3 bilhões.

A expectativa é iniciar os testes de produção entre novembro e dezembro, com a operação começando em 2024 e a previsão de processamento de 240 mil toneladas de malte por ano.

Essas ações estão alinhadas com a importância da região no cultivo de cevada no país. Segundo os dados mais recentes do IBGE, o Paraná é o maior produtor de cevada do país, com 321.516 toneladas das 452.827 toneladas fabricadas em 2021. E Guarapuava se destaca como o maior produtor nacional, com uma participação de 21%, correspondendo a 95.931 toneladas.

Balcão do Advogado: Cerveja enganosa – Os maiores erros de rotulagem

Balcão do Advogado: Cerveja enganosa – Os principais erros de rotulagem

Apesar da grande evolução criativa dos rótulos das cervejas nacionais, parece que a mesma atenção não tem sido dispensada na hora de cumprir a legislação aplicável à rotulagem.

A quantidade de erros é grande (alguns grosseiros) e não está restrita às microcervejarias: os rótulos das cervejas de massa, de marcas reconhecidas, também costumam apresentar problemas.

É preciso seguir a Lei

Os rótulos de bebidas possuem uma série de regras a serem seguidas. Descumpri-las pode acarretar multas pesadas.

A “Lei de Bebidas” (Decreto nº 6.871/2009) dispõe que “utilizar rótulo em desconformidade com as normas legais vigentes” é uma infração passível de multa no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais) até R$ 117.051,00 (cento e dezessete mil e cinquenta e um reais).

Contudo, as normas não estão condensadas em uma única legislação, o que ajuda a explicar parte da dificuldade das cervejarias. Para a confecção de um rótulo, é necessário atender a referida Lei de Bebidas e ainda outros atos normativos esparsos, entre decretos, instruções normativas e resoluções. Seguem abaixo os principais:

-Decreto Nº 6.871/2009

-RDC 259/2002

-IN 55/2002

-Portaria 157/2002.

-IN 72/2018

-IN 65/2019

-Resolução Conar 01/2008

-Lei Nº 9.294/1996

-Decreto Nº 2.018/1996

-Lei Nº 10.674/2003

-RDC Anvisa 136/2017

-RDC Anvisa 26/2015

– Decreto-Lei Nº 5.452/1943 – CLT

Principais erros
Como visto, a quantidade de atos normativos assusta e pode ocasionar variados erros de rotulagem. Elencamos os mais recorrentes e como corrigi-los:

  1. VALIDADE: o prazo de validade deve ser declarado por meio de uma das seguintes expressões: “consumir antes de…”, “válido até…“, “validade…“, “val:…”, “vence…“, “vencimento…“, “vto:…” , “venc:….”, “consumir preferencialmente antes de…”.

Exemplo de erro: por falta de espaço, muitas cervejarias indicam a validade apenas com a letra “V”, seguida da data, o que não está em conformidade com a RDC Anvisa 259/2002.

  • VOLUME: a unidade de volume deve ser representada pelo símbolo mL ou ml ou cL ou cl ou cm³.

Exemplo de erro: utilizar “ML” ou “Ml”.

  • DENOMINAÇÃO: a denominação do produto é composta de suas classificações quanto à proporção de matérias-primas e quanto ao teor alcoólico.

CERVEJA PURO MALTE CERVEJA (≥ 55% malte de cevada, ≤ 45% adjuntos)

CERVEJA DE… (45 a 80% adjuntos; 20 a 55% malte de cevada)

CERVEJA PURO MALTE DE…

+

SEM ÁLCOOL ou DESALCOOLIZADA (≤ 0,5% v/v)

COM BAIXO TEOR ALCOÓLICO ou COM TEOR ALCOÓLICO REDUZIDO (0,5 a 2,0% v/v/) (sem especificação: > 2,0% v/v/)

Estilo NÃO faz parte da denominação.

A denominação deve constar no painel principal do rótulo, constituindo item distinto, destacado das demais inscrições, com letras em negrito, em cor única e contrastante com a do fundo do rótulo ou do produto.

Exemplo de erro: colocação da denominação fora do painel principal, sem qualquer distinção.

  • ESTILO: o estilo da cerveja pode ser indicado no rótulo, desde que em separado e de forma prontamente distinguível da denominação.

Exemplo de erro: é comum rótulos trazerem a denominação seguida do estilo, sem distinção alguma.

  • TERCEIRIZAÇÃO: as normas de rotulagem não tratam sobre cervejarias ciganas. Na prática, como a cervejaria cigana “não existe” para o MAPA, as informações contidas no rótulo devem ser da cervejaria fabricante, que é a responsável pelo rótulo.

Quando a legislação trata sobre “terceirização”, ela se refere unicamente à relação entre cervejarias com fábrica, ou seja, cervejarias com registro de estabelecimento no MAPA que terceirizam a sua produção em outra cervejaria com registro.

Exemplo de erro: cervejarias ciganas que fazem constar sua razão social no rótulo acrescido da inscrição “PRODUZIDO E ENVASILHADO SOB RESPONSABILIDADE DE”. Trata-se de interpretação equivocada da lei, que não deve ser utilizada.

Dessa forma, conhecendo os principais erros e as normas pertinentes, é possível evitar erros de rotulagem que podem ocasionar multas desnecessárias. É importante que as cervejarias se dediquem à revisão e à adequação legal dos rótulos com o mesmo afinco que o fazem com o respectivo design criativo, afinal, de nada adianta um belo rótulo com erros que podem ocasionar até mesmo a remoção das prateleiras.


André Lopes é sócio do escritório Lopes, Verdi & Távora Advogados e criador do site Advogado Cervejeiro.

8 lançamentos de cervejas artesanais realizados no mês de junho

Como é tradicional, as cervejarias aproveitaram datas marcantes do mês de junho para a realização de lançamentos. Assim, o Dia dos Namorados, celebrado no dia 12, e a chegada oficial do inverno, no dia 21, serviram de inspiração para a criação de diversos rótulos pelo Brasil.

As colaborativas também estiveram em alta neste mês e foram apostas entre as cervejarias Bohemia, Hocus Pocus, Colorado, Wäls, Goose Island e também entre a Pineal e a norte-americana Ripland Brewing.

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Confira a seguir lançamentos das cervejarias artesanais realizados em junho e selecionados pela reportagem do Guia:

Bodebrown
A Bodebrown apresentou a Cerveja do Amor Safra 2023, terceiro rótulo da série Bodebrown Safra 2023 – Gastronomia Além do Infinito, inspirada no romantismo e na arte. A criação, feita por Samuel Cavalcanti, CEO da Bodebrown, é uma homenagem à sua esposa Mônica. A cerveja é uma Saison belga com adição de amora, framboesa e suaves notas de caramelo, com teor alcoólico de 8%. Outra criação da cervejaria em junho foi a Anna Guerra Saison – Safra 2023, que une arte, cultura nordestina, frutas brasileiras, gastronomia e tradições cervejeiras da Bélgica. Esta cerveja, uma Saison belga, conta com a adição de três frutas brasileiras in natura na fermentação: acerola, cupuaçu e graviola, e possui 7,5% de teor alcoólico.

Bohemia, Colorado, Goose Island, Hocus Pocus e Wäls
As marcas Bohemia, Hocus Pocus, Colorado, Wäls, Goose Island e a Fazenda de Lúpulo de Santa Catarina da Ambev se uniram para produzir a 27 horas Fresh Hop Lager, uma cerveja com um frescor diferenciado. Essa cerveja utiliza lúpulo fresco em flor na receita, retendo mais óleo essencial por não ter sido processado, o que resulta em um maior impacto do aroma e sabor. A novidade apresenta aroma de notas cítricas e herbais, remetendo à casca de limão, corpo médio-baixo, médio amargor, sabor cítrico e bom drinkability. É uma Hoppy Lager, com 5% de teor alcoólico e 25 IBUs.

Brewteco e Malteca
No dia 21 de junho, marcando o solstício de inverno, o Brewteco e a cervejaria Malteca anunciaram uma parceria para lançar a linha Estações. Essa novidade apresentará um rótulo inédito a cada estação. Para o inverno, foi lançada uma Black IPA com lúpulos intensos e maltes escuros, resultando em uma cerveja suave e com sabor tostado. Seu aroma equilibra o frescor dos lúpulos com a complexidade dos maltes.

Hocus Pocus
Além do lançamento coletivo com cervejarias parceiras, a Hocus Pocus aproveitou o mês de junho para lançar a Imperatriz, uma Hazy IPA. Essa cerveja sazonal combina os lúpulos Talus, Eclipse e HBC 1019, resultando em aromas cítricos e herbais. Com corpo turvo e aveludado típico das Hazy IPAs, equilibra o doce e o amargo, revelando um mistério a cada gole. Disponível para compra online em todo o Brasil e servida nos bares da Hocus Pocus em São Paulo e no Rio de Janeiro.

ØL Beer
A ØL Beer lançou em junho a American Wheat Lumi Shows Up, uma cerveja refrescante com perfil cítrico e aroma frutado. Com base de malte de trigo, a cerveja é criada com os lúpulos norte-americanos Luminosa e Experimental 1320, proporcionando aromas de limonada, pêssego, manga, casca de laranja cristalizada, amora, mamão e goiaba. A combinação desses lúpulos resulta em uma cerveja extremamente aromática, com notas de frutas cítricas e florais. Com teor alcoólico de 5,5% e amargor de 30 IBUs,

Pineal
A Pineal esteve entre as cervejarias que realizaram lançamentos duplos em junho. Foram elas: a E.Nygma #12 e a Saison do Amaral 2023, essa em colaboração com a Ripland Brewing, dos Estados Unidos. O primeiro rótulo possui 7% de teor alcoólico e foi fermentado diretamente no barril de carvalho americano, por mais de 12 meses, pela microbiota única e exclusiva da cervejaria. Após esse período, retornou ao tanque de inox para receber a adição de tomate caqui e pimenta habanero. A segunda novidade possui 5,8% de teor alcoólico e é uma Mixed Fermentation Saison Barrel Aged, fermentada em barril de carvalho francês de Cabernet Sauvignon Blanc, com um blend de microrganismos importados.

Menu Degustação: Nova safra da Bourbon County, Selo 50 Cervejarias…

O inverno chegou oficialmente no Brasil e foi um dos motivos que fez a Goose Island antecipar um dos momentos mais aguardados do ano pelos cervejeiros: o lançamento da Bourbon County, em uma safra comemorativa de 30 anos.

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Marcado para este final de semana, no Parque Ibirapuera, o Festival Turá terá a Corona como cerveja oficial pela primeira vez. E, após serem adiados, o Festival de Cerveja Bier Brasil e Festival da Coxinha, que ocorreriam no Shopping Campo Limpo, em São Paulo, têm novas datas para acontecer.

Já o Brasil Beer Cup anunciou o selo Top 50 Best Breweries BBC 2023, concedido às 50 melhores cervejarias em pontuação no ranking da edição deste ano da competição cervejeira.

Confira essas e outras novidades da semana no Menu Degustação do Guia:

Bourbon County 30 anos
A Goose Island apresentou a famosa Bourbon County mais cedo neste ano. Geralmente, a cervejaria lançava as novas safras no fim do terceiro trimestre, mas a edição de 2022 veio no final de junho, coincidindo com a primeira semana do inverno. A cerveja é uma Imperial Stout maturada em barris de uísque, com notas de bourbon. O Bourbon Day acontece neste sábado, com o início das vendas físicas na casa da marca em São Paulo, a Goose Island Brewhouse, no Largo da Batata, em Pinheiros. Para este ano, a Goose ainda promete apresentar ao público a oportunidade de se aprofundar no processo que dá origem à cerveja, levando para o espaço diversas atrações, como música ao vivo e gravação de taças e garrafas. A nova safra marca os 30 anos de Bourbon County e coincide com os 35 anos da Goose.

Selo 50 Cervejarias
O Brasil Beer Cup anunciou o selo Top 50 Best Breweries BBC 2023, que será concedido às 50 melhores cervejarias em pontuação no ranking da competição neste ano. Segundo a organização, a distinção é um reconhecimento da excelência e do destaque dessas marcas no cenário cervejeiro. Além do selo, serão fornecidos materiais de marketing adicionais, permitindo que as cervejarias promovam e realcem essa conquista em seus sites, embalagens, eventos e outros canais de divulgação. 

Eisenbahn no Smorgasburg
A Eisenbahn oficializou o patrocínio ao Smorgasburg Brasil, um dos maiores eventos de gastronomia criativa do mundo que está marcado para os dias 22 e 23 de julho, em São Paulo, no Parque do Ibirapuera. Como cerveja oficial do evento, a marca montará um beer garden que exaltará a cultura artesanal e valorizará o respeito ao processo dos preparos e das tradições. No evento, além de muita gastronomia, o público poderá apreciar atrações musicais que vão desde o folk e jazz até o reggae.  

Corona no Festival Turá
Marcado para o final de semana (24 e 25), na área externa do Auditório Ibirapuera, no Parque Ibirapuera, o Festival Turá promete uma experiência completa para o seu público e terá a Corona como cerveja oficial pela primeira vez. A marca vai levar para o evento um bar exclusivo de cerveja, servindo chope em copos 100% sustentáveis — feitos de cana de açúcar. O evento contará com um espaço Corona 100% livre de plástico, instagramável para o público fotografar e se conectar com o lifestyle da marca, além de uma roleta onde as pessoas poderão se divertir e ganhar brindes diversos, como bolsa, boné e até chope. Serão mais de 20 shows durante o final de semana, com destaque para a presença de Jorge Ben Jor e Gilberto Gil & Família, entre outros.

Copa Guarani com inscrições abertas
A Copa Guarani de Cervezas está com inscrições abertas e promete unir o mercado para avaliar a qualidade de cervejas profissionais e caseiras. Organizado pela Acerva Paraguai, o evento está em sua segunda edição e acontecerá em Assunção, no Paraguai, entre os dias 8 e 12 de agosto. A competição recebe inscrições até 4 de agosto e conta com 35 embaixadores e jurados de diversos países. O Brasil está entre eles, além de México, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Chile, Argentina e Uruguai, entre outros. Com categoria aberta para cervejarias e cerveja caseira, a inscrição pode ser feita através do Beer Awards Plataform, um software brasileiro que já está presente em diversas competições cervejeiras pelo mundo. 

Craft Beer Blumenau
A segunda edição do festival Craft Beer Blumenau movimentou o centro histórico de Blumenau e a economia cervejeira local e estadual. Segundo a organização, o evento, que aconteceu nos dias 17 e 18 de junho, recebeu milhares de pessoas que aproveitaram o clima agradável e a presença do sol para curtir o fim de semana ao ar livre. Na programação, com mais de 20 horas de atrações, houve música ao vivo, feiras, gastronomia e mais de 20 cervejarias, oferecendo estilos diferenciados e lançamentos exclusivos para o festival, incluindo sem glúten e sem álcool.

Festival de Cerveja e Coxinha
O Festival de Cerveja Bier Brasil e o Festival da Coxinha, que ocorreriam no Shopping Campo Limpo, em São Paulo, no final de semana passado, precisaram ser adiados para os dias 4 a 6 de agosto. A decisão foi tomada devido às condições climáticas desfavoráveis, com previsão de fortes chuvas e seus impactos. Assim, o evento, que prometia oferecer uma combinação de cervejas artesanais, coxinhas e diversas opções gastronômicas, além de entretenimento para toda a família, foi reagendado para garantir a segurança e o conforto dos participantes. 

Entrevista do Gole: Japas Cervejaria internacionaliza a artesanal brasileira

A história das amigas nipo-brasileiras que estão por trás de rótulos criativos e de uma das cervejarias artesanais mais bem sucedidas do Brasil é, sem dúvida, inspiração para qualquer empreendedor do mercado. Isso porque a Japas Cervejaria, criada por Maíra Kimura, Fernanda Ueno e Yumi Shimada, além de ser um exemplo de empreendedorismo ao apostar em inovação de design, diversidade e inclusão, alcançou um dos maiores e mais importantes mercados cervejeiros do mundo: o dos Estados Unidos.

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A Japas Cervejaria teve origem em São Paulo, em 2014, e sempre manteve em suas criações o resgate à ancestralidade e à cultura japonesa. E, graças ao desenvolvimento de produtos inovadores com qualidade e criatividade, conseguiu levar seus rótulos cervejeiros ao solo norte-americano. 

Por lá, desde 2019, a marca comercializa e produz as suas cervejas, como conta Yumi Shimada, designer de formação, diretora criativa, somelière de cerveja e uma das co-fundadoras da cervejaria, tendo sido entrevista pelo Hora do Gole, podcast apresentado por Eduardo Sena.

“Se a gente for mandar cerveja para lá, vai ficar um absurdo de caro e a cerveja vai chegar estragada. Então, a gente é uma cervejaria cigana aqui e também lá”, conta Yumi. 

Nos EUA, as cervejas da Japas são produzidas em Chicago e Nova York, mas existe também a tentativa de expansão. Já a comercialização ocorre em cerca de oito estados. “Para a gente foi um sonho”, pontua a sócia da marca, que no Brasil faz suas cervejas na Dádiva.

Mas, da criação até a comercialização internacional, foi um longo caminho. A co-fundadora lembra de sua primeira viagem aos EUA, antes de iniciar a cervejaria de fato, quando teve a oportunidade de conhecer uma loja da rede de supermercados Whole Foods.

“Era maravilhoso”, diz Yumi. “Tudo lindo, as marcas são lindas e tem uma variedade incrível de cerveja, iogurte e qualquer coisa que possa imaginar. E eu imaginei se um dia a gente um dia estaria nessa prateleira. E a gente entrou e, agora, está bem feliz. Na verdade, estávamos no Whole Foods em Boston e a última novidade é que entrou em Nova York. Acho que essa é a coisa mais legal dos últimos tempos.”

A entrada na rede norte-americana foi recente, porém não o único reconhecimento internacional da cervejaria. Uma publicação de um site internacional, que é referência em lifestyle e compartilha guias de moda, gastronomia, de bebidas e afins, descreveu a Japas como “uma das cervejarias mais interessantes do planeta”. Em outro reconhecimento, um prestigioso livro sobre designer de cervejas destaca a criatividade e as embalagens da cervejaria.

Se a Japas vem colhendo bons frutos desses quase dez anos de trabalho com criatividade e história, Yumi aponta que um dos motivos por trás de tanto sucesso e prestígio é a união. “São tantas cabeças boas pensantes juntas. Cada uma tem um super poder que traz muito para a cervejaria. Esse coletivo funciona bem. E mais a história da gente, aquele guarda-chuva todo e as coincidências boas que a gente tem.”

Em parceria com o Hora do Gole, o Guia traz os principais trechos da participação de Yumi no podcast, que conta as histórias e desafios da Japas Cervejaria. Confira algumas opiniões de Yumi e acompanhe o episódio na íntegra:

Nascimento da Japas Cervejaria
Foi no curso de sommelier que eu conheci a Fernanda [Ueno]. E no curso a gente começou a ir aos festivais de cerveja e a se meter com o povo. Nessa de ir ao festival, eu conheci a Maíra e ela tinha a 2 Cabeças [cervejaria]. Como eu tenho essa formação de design, fui começando também a trabalhar para outras cervejarias como freelancer.

Fomos nos aproximando. A Fê já era muito amiga da Carol [Carolina Okubo] na época em que ela trabalhava na Invicta.  Nisso, elas resolveram fazer uma cerveja de brincadeira e lembraram de mim, que fazia rótulos. Todas eram descendentes de japoneses e, como todo mundo apontava “as japas”, nos juntamos.

A Nacional [cervejaria] convidou a gente para fazer uma cerveja na época, há quase dez anos, e a gente fez uma com a wasabi, a Wasabiro, que até hoje existe e é uma das que a gente mais tem amor pela receita, justamente porque começou com ela.

Inspiração e criatividade
A gente tem a criatividade na veia. E não é uma coisa que só está na receita e na arte porque, às vezes, a gente acha que criatividade é só isso, mas ela vem até de pensar em como fazer as coisas. Então, como é que a gente não só vai desenvolver uma receita, mas também vai trabalhar junto, sendo que cada uma mora em um lugar? Tem de ser criativa também. Para quais pessoas a gente vai se aliar? Qual ação de marketing a gente vai fazer? Quais restaurantes a gente vai entrar como negócio? E nisso também tem de ser criativo. 

Acho que cada uma traz essa criatividade tão forte na marca. Inclusive, a gente tem uma sócia [a Tânia] nova que entrou na parte “criativa operacional”, com ela tendo esse desafio de organizar a Japas. Toda vez que a gente vai criar um produto novo, e não é só cerveja, porque a gente também se aventura em outras coisas, a gente senta, faz uma reunião online e começa a fazer um brainstorm igual a uma agência. Sempre tem um tema central e tentamos revesti-lo de um jeito que vá se tornar interessante para todo mundo e, logicamente, embaixo do nosso guarda-chuva nipo-brasileiro.

A mulher e a diversidade
A gente gosta muito quando alguém vem e se vê no produto porque nunca temos a oportunidade de se enxergar, não só pelo fato da gente ser mulher, mas também descendentes de japoneses. Então, imagina que vem alguém e fala: nunca vi nenhum tipo de produto que seja liderado por mulheres descendentes. E eu, que sou descendente, também vejo isso e me sinto representada, eu nunca imaginaria uma marca de cerveja onde as donas são mulheres independentes e japonesas.

A pessoa vem feliz e fala que se orgulha. Por exemplo, tem gente que fala assim: antes eu não gostava que me chamassem de japa, agora, quando me chamam de japa, eu sinto orgulho por causa da marca de vocês. Porque ela se vê representada em uma coisa que é forte para ela. Para a gente isso é o melhor resultado da nossa marca.

Explorando o amargor do lúpulo: veja técnicas para melhorar produção

A busca pela produção de cervejas que explorem o amargor do lúpulo, uma das características sensoriais mais marcantes da bebida, tem se tornado uma tendência crescente no segmento cervejeiro. Diante desse cenário, o ingrediente foi o destaque do último dia do Congresso Técnico Internacional da Agrária Malte, realizado nesta quarta-feira (21) no distrito de Entre Rios, em Guarapuava (PR).

Com uma produção de 34,2 mil toneladas no ano passado, na Alemanha, a HVG, representada por Johann Bertazzoni, responsável pelo atendimento a cervejarias artesanais fora do país, abordou como alcançar um amargor que ele descreveu como “elegante” nas cervejas. “As variedades, dosagens e produtos de lúpulo desempenham um papel crucial na intensidade e na qualidade do amargor.”

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Durante sua apresentação, o profissional da HVG ressaltou a importância de os cervejeiros compreenderem as relações químicas que podem influenciar o amargor da cerveja. “Para selecionar a variedade correta para determinada aplicação, o cervejeiro deve entender os efeitos dos componentes químicos do lúpulo”, comentou.

Bertazzoni também destacou que fatores como tempo de fervura mais curto e dry-hopping contribuem para alcançar o amargor “elegante” nas cervejas, assim como a utilização de lúpulos aromáticos. Por outro lado, essa busca é dificultada quando se utilizam apenas lúpulos com alto teor de alfa-ácidos.

Ele ressaltou que uma baixa proporção de cohumulona é positiva para a qualidade do amargor e também explicou que as substâncias amargas polifenólicas conferem um amargor agradável. Além disso, mencionou que compostos químicos podem ser utilizados de maneira prática para alcançar esse objetivo.

“Os componentes de amargor do lúpulo, suas substâncias amargas e polifenóis, têm uma influência significativa no sabor e na estabilidade da cerveja. Suas variedades, produtos e métodos de utilização têm efeitos diretos na qualidade e na intensidade do amargor”, destacou Bertazzoni.

Em cervejas com baixo amargor, acrescentou o especialista da HVG, a adição de lúpulos aromáticos, especialmente durante o meio e o final da fervura, melhora significativamente a qualidade da cerveja, além de permitir melhorias no drinkability e no corpo. “Adicionar quantidades substanciais de lúpulos aromáticos não apenas influencia o aroma, mas também suaviza o amargor das cervejas.”

Mais lúpulo no congresso
Em outra apresentação internacional sobre lúpulo durante o congresso da Agrária, a Virgil Gamache Farms (VGF), dos Estados Unidos, foi destaque. No final dos anos 1980, seus responsáveis descobriram uma nova variedade de lúpulo, chamada Amarillo, famosa por suas notas cítricas e frutadas. Darren Gamache e Stephanie Conn abordaram essa trajetória.

Teresa Yoshiko, proprietária dos Lúpulos Ninkasi, falou sobre o potencial do cultivo do insumo no país. Neste ano, o Ninkasi, localizado em Teresópolis (RJ), tornou-se o primeiro certificador de mudas de lúpulo no Brasil. Além disso, o viveiro em Teresópolis ampliou em dez vezes a capacidade de produção de mudas de lúpulo por ano, saltando de 120 mil em 2022 para 1,2 milhão. Essa expansão foi possível graças à montagem de um laboratório in vitro, que garante a qualidade e a saúde das plantas.

Outros temas discutidos no último dia do congresso incluíram a produção de Lagers em temperaturas elevadas, o uso de maltes especiais e flakes na fabricação de cerveja, o controle de pragas e o processo de digitalização das cervejarias.

Como será o profissional do futuro nas cervejarias? Veja opiniões

Em uma indústria em constante evolução, estimulada pelo avanço tecnológico e por exigências de práticas mais sustentáveis, as cervejarias cada vez mais vão exigir que seus profissionais tenham conhecimento sobre dados, fundamentais para tomadas de decisões, assim como possuam qualidades que vão além de aspectos técnicos: as habilidades comportamentais.

As reflexões sobre como deverá ser o profissional do futuro para as cervejarias foram apresentadas durante a mesa redonda que fechou, nesta terça-feira (20), o segundo dia da programação do Congresso Técnico Internacional da Agrária Malte, no distrito de Entre Rios, em Guarapuava (PR).

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Diante do cenário atual, no qual o uso de dados e algoritmos influencia as decisões, é necessário que os profissionais do setor cervejeiro sejam flexíveis, estejam abertos a aprender e a se atualizar constantemente. Afinal, a rápida evolução tecnológica tem impactado diferentes setores da sociedade, e a indústria cervejeira não é exceção.

“Todos estão coletando dados para ler tendências e formular algoritmos para predizer o que ocorrerá, tornando os processos mais controlados. Assim, a noção sobre tratamento de dados será exigência para contribuir nas tomadas de decisão”, diz José Ivan Vieira de Lima, gerente de tecnologia e desenvolvimento de cerveja do Grupo Heineken.

Com o acesso a uma quantidade cada vez maior de dados, o processo de decisão será cada vez mais pautado por algoritmos e análises mais sofisticadas, proporcionando uma visão mais precisa e controlada do negócio cervejeiro.

“As tomadas de decisões serão diferentes, com mais dados e menos dependência do homem nas escolhas”, prevê Lígia Marcondes, química e professora na Universidade de Vassouras.

Assim, os profissionais do ramo precisam ampliar seus horizontes e adquirir conhecimentos diversos, abrangendo áreas além do processo produtivo, respondendo à diversificação de habilidades que passou a ser uma necessidade imposta pelo mercado.

“Hoje é preciso agregar temas críticos, como as questões de sustentabilidade. O profissional precisa ser mais eclético, conhecer coisas fora do processo de fabricação de cerveja, por necessidade”, avalia José Antunes, coordenador do curso técnico em cervejaria do Colégio Imperatriz, apoiado pela Agrária.

Atemporal e novo
Os especialistas também apontam ser necessário ter capacidade para se adaptar às mudanças e aproveitar o conhecimento dos mais experientes como um diferencial valioso para quem pretende atuar na indústria cervejeira. “O profissional atemporal é o disposto a aprender, a escutar os outros, pois não sabemos tudo, seja numa grande ou numa pequena cervejaria”, comenta Lígia.

O equilíbrio entre inovação e conhecimento consolidado também pode ser fundamental para impulsionar o setor cervejeiro. “Novas habilidades ajudam a acelerar o desenvolvimento do profissional e passam por conseguir se conectar com pessoas experientes. O novo não pode negligenciar o conhecimento técnico de quem está lá dentro”, analisa o gerente de tecnologia e desenvolvimento de cerveja do Grupo Heineken.

Há, ainda, a avaliação de que a troca de conhecimentos contribui para um clima organizacional mais favorável e estimulante. “O profissional precisa fazer de tudo um pouco. Além disso, é fundamental trocar ideias entre as partes. Esse compartilhamento deixa o clima melhor”, diz Fernando Baccaro, mestre-cervejeiro na NewAge Bebidas.

E, com tantas mudanças e exigências, a formação a partir da experiência prática se torna fundamental para o desenvolvimento e aprimoramento das competências profissionais. “A prática é indispensável, se errando na escola. A partir disso, você vai saber, na fábrica, resolver os problemas”, conclui Lígia, professora da Universidade de Vassouras

Outras temáticas
No segundo dia do evento, a Lallemand aproveitou para exibir novidades sobre leveduras para os participantes, com a apresentação de soluções práticas para os cervejeiros, com Sylvie Van Zandycke, e para quem deseja fabricar a opção sem álcool ou com baixo teor alcoólico, com Mariano Tissone. As cervejas sem álcool também foram abordadas por Pérsio Volpini, da Prozyn, assim como as low carb.

O congresso também contou com abordagens avançadas sobre o processo produtivo e cuidados nas diferentes etapas, sobre diacetil. Ainda se falou sobre tecnologia para recuperação de CO2, otimização de ésteres frutados, DMS e boas práticas de fabricação e sanitização, assim como sobre o uso de maltes base.

“Sem quebras, pressão sobre preço da cevada será menor”, prevê especialista

A pressão sobre os custos de insumos cervejeiros, que provocou altas históricas nos preços da cevada e do malte no ano passado, não deverá se repetir na safra atual. A expectativa, inclusive, é de que possa ocorrer recuo no valor da cevada, desde que não ocorram alterações relevantes de demanda ou impacto do clima.

“A perspectiva é de retração na média dos preços para 2024, não tendo quebra de safras da cevada em países como Argentina e Austrália”, afirma Alexandre Karkle, responsável pela originação de grãos e gestão de risco da Cooperativa Agrária.

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A expectativa de menor pressão sobre os preços do insumo, com perspectiva de eventual redução dos custos para as cervejarias, foi apresentada nesta segunda-feira (19), na palestra que abriu a edição de 2023 do Congresso Técnico Internacional, promovido pela Agrária Malte, em Entre Rios, distrito de Guarapuava (PR).

Esse cenário é possível pelo freio na demanda por insumos, um fator provocado pela modesta expansão da indústria cervejeira, que não tem registrado crescimento relevante ao longo da primeira metade de 2023. No primeiro trimestre, de acordo com seus resultados financeiros, a AB InBev teve alta de apenas 0,8% no volume de cerveja, na comparação com o mesmo período do ano anterior, enquanto o Grupo Heineken apresentou recuo de 3%.

Adicionalmente, a expectativa é de que seja colhida uma cevada de melhor qualidade. Além disso, há menor demanda pelo insumo. “O mundo deverá ter a menor importação de cevada dos últimos três anos”, destaca Karkle, apontando que a China tem grande impacto nessa menor busca pela cevada, pois a sua compra junto a outros países está no menor nível dos últimos quatro anos. “Ter a China assim é importante para não ‘estragar’ a dinâmica do mercado.”

Cenário global
Durante a sua apresentação, Karkle destacou que a menor demanda e pressão sobre os preços da cevada repete o comportamento de outras commodities, sendo parte de um contexto mais amplo, provocado especialmente pela desaceleração da economia global.

Para o cenário se inverter, alguns aspectos macroeconômicos também teriam de mudar. Em sua visão, se no Brasil e nos Estados Unidos o mercado já trabalha com a perspectiva de queda nos juros, a economia europeia parece longe de emplacar uma nova fase de expansão, convivendo com uma inflação que deve demandar uma recessão para ser aplacada. E a atividade econômica mundial tem, nesse momento, a sua recuperação apoiada muito mais pela área de serviços do que pela atividade industrial.

Outro fator que pressionou os custos em 2022, a alta da energia na Europa, em grande parte estimulada pelo início da guerra na Ucrânia, não está encerrada. Mas, em parte, nações do Velho Continente encontraram saídas que ajudaram a reduzir parte do crescimento dos preços.

Por fim, há o próprio freio do setor cervejeiro, que deve evitar uma grande pressão da demanda, mesmo diante da perspectiva de nova redução na área de cultivo e da produção total do cereal. A fabricação, segundo estimativas recentes, será a menor para os últimos três anos na Europa e no Reino Unido, assim como a oferta na Rússia e na Ucrânia continua sendo impactada pela continuidade do conflito.

A contínua redução da área de plantio causa preocupações por possíveis flutuações imprevistas, com Karkle citando o impacto da chuva na colheita na Rússia e da seca que afeta o rendimento na Escandinávia. “Qualquer mudança na oferta deixa o mercado mais volátil”, alerta o especialista da Agrária.

1º dia
Além da participação de Karkle, o primeiro dia do Congresso Técnico Internacional contou com a palestra magna de Alírio Caldera, da Weyermann, sobre estabilidade de espuma de cerveja, e encerrou com uma mesa redonda sobre novas perspectivas tecnológicas de malte.

Novidade da programação do evento em 2023, as palestras simultâneas envolveram temas como aumento de eficiência no processo produtivo, melhoria do shelf life, sensorial como ferramenta de qualidade e sua influência no consumo, clean label e propriedades técnicas das garrafas de vidro.

Brasil caminha para ser maior produtor de lúpulo na América do Sul

Tendo mais do que dobrado o número de produtores de lúpulo nos últimos dois anos, o Brasil trabalha com a perspectiva de se tornar, em um período também de dois anos, o maior produtor do insumo cervejeiro na América do Sul, deixando para trás a Argentina, de acordo com as expectativas de Herman Wigman, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Lúpulo (Aprolúpulo).

“As projeções para 2023 apontam para uma aceleração ainda maior da cultura do lúpulo no Brasil, com a expectativa de mais do que dobrar a área cultivada em relação a 2022. Acreditamos que, em 2024, já poderemos ser os maiores produtores da América do Sul, superando a Argentina, que tem meio século de experiência na cultura”, diz, citando a meta de superar os argentinos, que cultivam lúpulo em 181,3 hectares, de acordo com o último relatório da BartHaas.

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Os comentários foram embasados nos números de pesquisa realizada em 2022 pela Aprolúpulo para traçar o perfil da cadeia produtiva de lúpulo no Brasil. De acordo com o levantamento, o país possui 81 produtores de lúpulo, um número que saltou 26% em relação aos 60 de 2021 e mais do que dobrou em comparação aos 39 de 2020. Assim, confirma-se tratar de uma cultura crescente, que em 2015 contava com apenas três produtores no país.

“Sabemos que há mais produtores pelo país, esperamos uma adesão maior à pesquisa agora em 2023. Mas, de qualquer forma, os dados levantados mostram que houve um aumento expressivo de produtores de 2015 para cá”, pondera Alessandro Sato, membro do grupo de trabalho técnico da diretoria da Aprolúpulo.

O trabalho também demonstrou que 11 estados contam com produção de lúpulo no país, com destaque para São Paulo (15,4 hectares), Rio Grande do Sul (9,6 hectares) e Santa Catarina (8,6 hectares), como regiões com maiores áreas de cultivo que, no somatório de todos eles, chegam a aproximadamente 47 hectares.

“Houve também uma diversificação das regiões onde o lúpulo está sendo produzido. Isso demonstra que é uma cultura que pode ser desenvolvida em todo o país, ao contrário do que se pensava lá atrás, quando era muito associada ao clima frio”, diz Sato.

A pesquisa aponta, ainda, que 57% dos cultivadores de lúpulo no Brasil são produtores rurais, além de revelar uma visão diversificada dos desafios para lidar com essa cultura. A peletização lidera a lista das dificuldades da cadeia produtiva, com 34 menções, seguida por colheita (32), secagem (31), controle fitossanitário (31), custo de implantação (30) e comercialização (30), sendo citados em volume relevante.

“Se olharmos para as principais dificuldades da cadeia produtiva, vemos fatos ali como manejo de plantas daninhas, irrigação, suplementação luminosa. Fatores que mostram a busca por novas técnicas, ao invés de simplesmente replicar aqui o que é feito, por exemplo, na Europa ou nos Estados Unidos. Esse foi justamente o maior erro lá atrás, em tentativas passadas de trazer a cultura para o Brasil”, analisa Sato.

O estudo também traz resultados de um levantamento realizado pelo Laboratório Hops Analysis, apontando evolução na qualidade do lúpulo produzido no Brasil, com um aumento no teor de ácido alfa de 2021 para 2022 de 40% e de 22,5% para o teor de óleos essenciais.

“O desafio do setor será avançar nas relações comerciais com as cervejarias, o que tem sido o principal foco da atual gestão da Aprolúpulo. Escalar o volume de produção é fundamental para reduzir os custos de produção e acelerar o refinamento dos processos de beneficiamento, cada vez melhores no Brasil. Esse cenário, somado à já comprovada qualidade do lúpulo nacional, nos faz ver excelentes perspectivas para o setor”,  afirma o presidente da Aprolúpulo.