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Ação da Ambev cai em abril, mas está acima do Ibovespa no ano; veja perspectivas

A Ambev não conseguiu alcançar o segundo mês consecutivo de alta na Bolsa de Valores brasileira. Em abril, a ação da Ambev sofreu leve queda, de 1,18%, tendo fechado a sessão da última sexta-feira (28) valendo R$ 14,13. Assim, caiu em um mês marcado por uma modesta valorização do Ibovespa e por expectativas envolvendo a possibilidade de adoção de novas regras fiscais pelo governo federal e pelas prévias do balanço do primeiro trimestre de 2023 da companhia.

Com o resultado, a ação da Ambev apresenta desvalorização de 2,48% no ano, após terminar 2022 cotada a R$ 14,52. Em comparação, o Ibovespa fechou o quarto mês de 2023 com 104.431,63 pontos, apresentando alta de 2,5% em abril. Porém, tem queda de 4,83% no ano.

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Longe de estar entre os destaques positivos ou negativos da Bolsa em abril, a Ambev se posicionou entre 28 das 88 ações do Ibovespa que se desvalorizaram, em uma lista liderada pelo Assaí (-20,59%). A outra ponta, a das altas, teve a construtora Eztec (19,29%) à frente.

O desempenho da Ambev acima do Ibovespa nos quatro primeiros meses de 2022 foi visto como um indicativo de fortaleza da companhia pelos analistas Leandro Fontanesi e Victor Romano, do Bradesco BBI. Para eles, isso se dá “provavelmente por ser vista como uma ação defensiva no contexto de incertezas macroeconômicas no Brasil”.

Razões para oscilação

A divulgação do relatório com essa avaliação, aliás, esteve relacionada com a maior alta diária da ação da Ambev em abril, de 2,21%, no dia 11. No documento, a equipe do Bradesco BBI manteve a indicação de compra do papel da cervejaria, com preço-alvo de R$ 21,00, o que representa um potencial de valorização de 48,3% do ativo.

Em abril, houve, também, dois dias em que a ação da Ambev apresentou desvalorização acima de 1% no dia. Isso se deu em 24 de abril, com queda de 1,78%, na sequência de declarações do ministro da Economia, Fernando Haddad, sobre a possibilidade de alterações em benefícios tributários, citando a distribuição de Juros sobre Capital Próprio (JCP) e os incentivos concedidos a produtores da Zona Franca de Manaus.

Analistas do Goldman Sachs viram as declarações com preocupação para a Ambev. “Os incentivos fiscais no Brasil representaram 43% do lucro líquido da Ambev em 2022, e qualquer mudança significativa na política tributária pode representar um risco negativo para a empresa”, dizem.

A XP Investimentos, por sua vez, adotou mais cautela em relação a possíveis impactos de uma eventual mudança no pagamento de JCP. “Apesar do potencial de causar um impacto nos resultados das empresas, nem todas seriam afetadas de forma igual. A princípio, o efeito dessa mudança no JCP no balanço de cada companhia ainda não é claro, dada uma série de outras alterações que estão sendo discutidas também como: mudanças no arrecadamento de impostos, alterações na carga tributária das empresas, entre outras pautas”, afirma Jennie Li, estrategista de ações da XP.

O outro recuo relevante da ação da Ambev em abril se deu no dia 13, com queda de 1,15%. Na data, analistas do BTG Pactual divulgaram análise em que definiram 2023 como “ano da verdade” para a companhia, pelo cenário de normalidade encarado, diante do esfriamento da crise sanitária.

Para eles, diante da perspectiva de que a alta dos volumes não mantenha o ritmo de outrora, a Ambev precisará aumentar a sua rentabilidade através dos preços, algo que a equipe do BTG não acredita que irá acontecer.

“Após se beneficiar de um mix favorável de produtos em 2022, a receita por hectolitro deve ser o principal motor de crescimento da receita. Mas nós não estamos confiantes de que isso virá tão cedo”, escrevem os analistas Thiago Duarte e Henrique Brustolin.

Balanço da Ambev vem aí…

Parte do desempenho da Ambev nesse “ano normal” poderá começar a ser constatado nesta quinta-feira, quando a companhia divulgará os seus resultados do primeiro trimestre, antes da abertura da Bolsa brasileira.

“Esperamos um trimestre sem mudanças significativas nas tendências atuais: o desempenho da receita deve permanecer sólido, impulsionado por um aumento positivo da receita líquida por hectolitro devido à premiumização, melhor mix e iniciativas de gerenciamento de receita”, diz Leonardo Alencar e Pedro Fonseca, analistas da XP Investimentos.

Em relação à receita, a expectativa média das instituições é de que a empresa supere a barreira dos R$ 20 bilhões no primeiro trimestre deste ano, o que representaria aumento de pouco mais de 10% ante o mesmo intervalo de 2022. Seria, assim, um saldo positivo entre a conquista de mercado do Grupo Petrópolis, que entrou em recuperação judicial, e um carnaval cheio contra os desafios encarados em função do início de ano chuvoso.

“Espera-se que a Ambev reporte um desempenho tranquilo para o primeiro trimestre de 2023, uma vez que os ganhos sobre a Petrópolis devem compensar a dinâmica climática desfavorável, ambas amplamente esperadas pelo mercado”, afirma Gustavo Troyano, analista do Itaú BBA.

Outros desafios para a companhia envolvem, na visão da XP, a inflação na Argentina e a Selic, a taxa básica de juros do Brasil, em nível elevado. Isso fez a sua equipe de analistas prever queda anualizada de 29% no lucro líquido, para R$ 2,5 bilhões.

Olhando para frente

Ajustando o foco para o futuro, a XP prevê um segundo semestre melhor para a Ambev.

Uma taxa de câmbio mais baixa e preços de commodities devem permitir uma recuperação de margem no 2º semestre de 2023, em nossa visão, também beneficiada pela continuação de um sólido desempenho da receita líquida por hectolitro

XP Investimentos

Esse cenário positivo também é enxergado pelo Bank of America, que ajustou o seu preço-alvo da ação da Ambev de R$ 16,00 para R$ 16,50 em função de perspectivas mais positivas para 2023 e 2024 em função da queda dos custos.

“Esperamos que a Ambev registre forte crescimento do Ebitda em 2023 e 2024 com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 16%, impulsionado principalmente por margens mais altas em Cerveja Brasil e uma recuperação nas margens de custo de aquisição por cliente”, preveem os analistas Isabella Simonato e Guilherme Palhares, em relatório.

Cervejarias fora do Brasil

Assim como aconteceu na Bolsa brasileira, a ação da Ambev sofreu leve desvalorização no último mês em Nova York. Por lá, a queda foi ainda mais modesta, de 0,71%, para US$ 2,80. Já o ativo da AB InBev caiu 3,64% na Europa, para 59,10 euros, ao fim de abril.

O Grupo Heineken, por sua vez, viu sua ação valorizar 5,04% em abril, atingindo o preço de 104,05 euros. Essa alta foi impulsionada pelo seu resultado financeiro do primeiro trimestre de 2023. Afinal, valia 99,90 euros na véspera da divulgação do balanço, subindo para 103,85 euros no dia da apresentação do resultado.

Pode faltar garrafa de vidro para a indústria de bebidas após 2025, alerta estudo

O acesso à garrafa de vidro pode se tornar mais desafiador para a indústria de bebidas alcoólicas após 2025. O alerta foi realizado pela Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) e a KPMG, que produziram um estudo setorial sobre os desafios da cadeia de abastecimento do setor de bebidas alcoólicas.

Essa preocupação com a dificuldade de encontrar as garrafas de vidro se dá por uma recente queda na oferta desse tipo de embalagem. Afinal, enquanto houve crescimento de 12% no volume de bebidas alcoólicas em 2020 e 2021, a produção de vasilhames recuou de 7,708 bilhões em 2019 para 7,311 bilhões de garrafas em 2020.

Leia também – Com carnaval, produção de alcoólicas descola da indústria e cresce 13%

Investimentos recentes em fábricas de vidro e em ampliações de fornos trazem perspectivas de resolução temporária do desafio, pois a expectativa é de que a produção desse tipo de embalagem no Brasil chegue a quase 9,5 bilhões em 2025, com crescimento de 22,5% na comparação com 2019.

Depois disso, porém, Abrabe e KPMG alertam para a possibilidade de falta de vasilhames. “A superação de desafios na cadeia de suprimentos requer uma abordagem estratégica e proativa, com a adoção de medidas preventivas e o uso de tecnologias para melhorar a eficiência e a resiliência da cadeia de abastecimento. Por isso, em conjunto com todas as nossas 36 associadas, trabalhamos para melhorar a reutilização de insumos e minimizar os riscos de um desabastecimento”, diz Cristiane Foja, presidente-executiva da Abrabe.

Os últimos anos têm sido desafiantes para a indústria de bebidas alcoólicas. Afinal, foi necessário lidar com os efeitos que surgiram de modo abrupto com a eclosão da pandemia do coronavírus, a partir de março de 2020. Depois, o segmento também precisou encarar as implicações da Guerra na Ucrânia, que começou em fevereiro de 2022. E foi com a preocupação sobre como a indústria de bebidas alcoólicas vem lidando com o cenário atual que o levantamento foi realizado.

O trabalho conjunto entre Abrabe e KPMG, intitulado Desafios da Cadeia de Abastecimentos da Indústria de Bebidas Alcoólicas, apontou que a escassez da garrafa de vidro é um dos principais desafios a serem superados pelas empresas do setor. Outras preocupações da indústria de bebidas alcoólicas envolvem o aumento de custos de insumos agrícolas e o prazo de entrega de equipamentos.

Não à toa, pois, de acordo Abrabe e KPMG, o estudo “destaca a grande dependência do setor de insumos e maquinário importado e trouxe para os holofotes a complexidade logística internacional combinada com a burocracia nos processos aduaneiros”.

O levantamento foi realizado a partir da compilação e análise de dados disponibilizados pelas principais empresas do mercado, associadas à Abrabe, que representam 29% do volume de bebidas comercializadas no país, com receita bruta de R$ 37,7 bilhões.

“Por um lado, o mercado de bebidas alcoólicas cresce mundialmente e está em plena transformação nos hábitos de consumo, e por outro, a indústria encontra desafios complexos como a falta de insumos e vasilhames, inflação alta, crises climáticas e aumentos expressivos de estoques e custos logísticos. O planejamento em longo prazo e o pensamento inovador e tecnológico são requisitos essenciais para o setor continuar crescendo de maneira sustentável”, diz Thais Balbi, sócia de estratégia da KPMG.

Balcão da Fabiana: Tretas cervejeiras – Onde nascem, do que se alimentam?

Balcão da Fabiana: Tretas cervejeiras – Onde nascem, do que se alimentam, para que servem afinal?

Já deu pra perceber que não costumo fugir de polêmicas. Já levantei algumas por aqui, inclusive, que renderam discussões acaloradas nas dezenas de grupos cervejeiros e redes sociais que rodeiam nosso Brasil. Mas, confesso que de uns tempos pra cá tenho sentido necessidade de me distanciar um pouco de temas que se transformam em polarizações inúteis e pouco saudáveis para o mercado.

Tretas cervejeiras, por exemplo. Houve um tempo em que elas se resumiam a um sommelier X que criticava o Y, a uma pessoa que se arvorava a ser especialista e saía falando besteiras publicamente com lições erradas sobre qualquer coisa, a cervejarias que criticavam influencers acusando-os de só querer beber de graça. Eram pequenas bobagens que até nos divertiam em acompanhar.

Só que desde a pandemia, quando diálogos racistas e homofóbicos dentro de um grupo cervejeiro que contava com mais de 200 membros vieram à tona, a modalidade “ treta cervejeira” descambou para questões muito mais sérias, beirando crimes previstos em nossa legislação. Aí, não dá mais para chamar simplesmente de treta, não é?

Não dá para comentarmos fatos graves expostos nas redes sociais usando o indefectível meme de Michael Jackson (o músico) comendo pipoca no cinema. Isso é uma simplificação nociva.

A última batalha, da qual escolhi não fazer parte em nome da minha sanidade mental, foi a do processo judicial movido por uma escola contra uma associação para definir quem tem o direito de usar o nome de um concurso cervejeiro. Primeiro porque, embora eu tenha acompanhado desde o início o desenrolar do referido processo impetrado como resposta a outro movido pela associação contra a escola (o famoso chumbo trocado), não me senti apta a opinar sobre a questão. Não entendo de marcas, não entendo de princípios de colidência, não sei nada sobre o que nossa legislação determina.

E, para ser muito sincera, pouco me interessa o nome de um ou de outro concurso cervejeiro! 

Em segundo lugar, decidi não entrar numa discussão que corre na Justiça. Ou seja: do que vale a minha opinião, ou a sua, ou a de qualquer ser vivente? Opinião é um direito, gente, não é um dever. Não somos obrigados a opinar sobre tudo a todo o tempo em qualquer lugar.

E por último, escolho hoje entrar apenas nas batalhas que valem a pena, as que possam mudar o rumo da minha vida para melhor. Como player de um mercado, luto para que as condições de trabalho, de suas relações interpessoais sejam melhores. Faço isso através do meu trabalho sério, correto, honesto e ético, esperando que esse meu comportamento influencie o de outros, tipo corrente do bem, sabe?

No mais, é briga de egos. E desta, eu, definitivamente, escolho ficar de fora.


Fabiana Arreguy é jornalista e beer sommelière formada em 2010, pela primeira turma Doemens no Brasil, através do Senac SP. Produz e apresenta, desde 2009, a coluna de rádio Pão e Cerveja, sendo editora de site com o mesmo nome e autora de livros. É curadora de conteúdo, consultora de cervejas especiais, proprietária da loja De Birra Armazém Cervejeiro, além de professora do Science of Beer Institute e do Senac MG, assim como juíza dos principais concursos cervejeiros brasileiros e internacionais.

13 lançamentos realizados pelas cervejarias artesanais em abril 

Os cervejeiros contaram com muitas novidades para o paladar nas últimas semanas. Afinal, celebrações de datas diversas, como as envolvendo a Páscoa, o jazz e o os povos indígenas, serviram de inspiração para diversos lançamentos em abril, muitos deles, mais uma vez, de cervejas colaborativas.

Foi assim, por exemplo, com a Maniacs Brewing e a Dado Bier, que se uniram a empresas fabricantes de chocolate para lançamentos de cervejas temáticas da Páscoa, celebrada em abril. Já a Nacional lançou um rótulo em homenagem e apoio aos povos originários do Brasil em parceria com a Cruls e a Cerrops.

Além das datas comemorativas, as artesanais também investiram, em abril, nos lançamentos de cervejas dos estilos Catharina Sour, como foi o caso da Königs e da Soma.

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Confira, a seguir, lançamentos realizados pelas cervejarias em abril, selecionados pela reportagem do Guia:

Cruls e Nacional
A comemoração, em abril, do Dia dos Povos Indígenas serviu de inspiração para uma parceria entre a Cruls, a Nacional e a Cerrops. O rótulo, batizado como A Lenda Tainá-Kan, é uma Session IPA. A iniciativa buscou, também, arrecadar doações para a Associação da Aldeia Karajá de Aruanã. A novidade tem coloração dourada intensa e límpida. Possui uma presença aromática forte, destacando as características do lúpulo Comet do cerrado brasileiro. Sua composição leva apenas insumos nacionais, incluindo mandioca, em referência à alimentação tradicional dos karajás. Ela tem graduação alcoólica de 5% e 25 IBUs de amargor.

Dado Bier e Magian Cacao
Dado Bier e Magian Cacao se uniram para a criação da primeira cerveja com nibs de cacau produzida artesanalmente pelas marcas. Elas juntaram a cerveja e o chocolate nesta colaborativa, motivada pela Páscoa. A novidade é uma Porter, que possui tonalidade escura e notas maltadas que remetem ao chocolate e ao cacau.

Dilema
A cervejaria Dilema trouxe ao mercado a Splendid Blaze, uma Hazy Double IPA feita com altas quantidades do lúpulo Experimental HBC 1019 e um toque de Sabro. O aroma traz notas de frutas caramelizadas e um toque de laranja Valência e coco. No paladar, segundo o descritivo, as frutas doces, tropicais e cítricas predominam. A bebida tem graduação alcoólica de 8,1% e 40 IBUs de amargor.

Goose Island
A Goose Island se inspirou no som dos clubes de jazz para o lançamento da Bourbon Street.  Para criar a cerveja, foi usado o bourbon, destilado norte-americano que perfuma e inspira um dos rótulos mais emblemáticos da marca, a Bourbon County, maturada em barris previamente usados na maturação do destilado. A novidade, sazonal, tem coloração que remete à do uísque, próxima ao âmbar escuro. No aroma, destaca-se o perfil amadeirado, com notas de carvalho americano, tabaco, cereais e leve dulçor de baunilha. No paladar, o sabor maltado envolve e potencializa a percepção de uísque.

Hocus Pocus
Em abril, a Hocus Pocus lançou uma cerveja com terpenos, a Última tentação de Arjuna Mai. A bebida é fruto de parceria com a Cool Terps, empresa especializada em blends de terpenos no Brasil, que usa um óleo essencial exclusivo para reproduzir o aroma da cannabis. Juntas, elas escolheram o blend Amnesia Haze para protagonizar a bebida, adicionando aromas cítricos e terrosos. Para reforçar ainda mais o aroma dessa Hazy IPA, foi selecionado um único lúpulo, o Strata, com maracujá no sensorial.

Königs
A Königs lançou um rótulo especial do Projeto Identidades, que retrata a cultura, hábitos, lugares e pessoas que têm uma relação com Jaraguá do Sul (SC). Batizada de Rúbia, a novidade é feita especialmente para homenagear as mulheres em uma edição limitada e exclusiva. Rúbia é uma mulher, mãe, avó, empresária, mestre-cervejeira, que empreendeu em um ramo dominado por homens. Já a cerveja Rúbia é uma Catharina Sour com groselha do ceilão e que remete a berry de frutas vermelhas.

Maniacs e Cuore di Cacao
As curitibanas Maniacs Brewing Co. e Cuore di Cacao se uniram em um projeto de cerveja para a Páscoa. A Maniacs Cioccolato, como foi batizada, é uma Dark Ale com adição de chocolate e nibs de cacau da chocolateria. A bebida conta com os maltes Pilsen, Viking Caramel Pale, Viking Caramel 30 e malte de trigo claro Weyermann, tendo 6% de graduação alcoólica e 22 IBUs de amargor.

Prussia e Laboratório da Cerveja
A cervejaria mineira Prussia lançou em abril um rótulo colaborativo com o Laboratório da Cerveja. O projeto deu origem a uma Saison, a Uaild Ale, cuja novidade da receita é o pioneirismo no uso de uma nova espécie de levedura cervejeira, diferente das tradicionais Saccharomyces ou Brettanomyces. É a primeira vez que a espécie Starmerella meliponinorum foi utilizada na indústria e fora dos laboratórios. A Uaild Ale é uma cerveja com malte de centeio, flor de laranjeira e casca de laranja. Tem sabor frutado de frutas maduras, leve adocicado, leve sensação de picância e com aroma pouco fenólico. Possui 5% de graduação alcoólica e 20 IBUs de amargor.

Seasons
Valorizando o aroma de cervejas com produtos locais, a Companhia Brasileira de Cerveja Artesanal (CBCA) lançou um novo rótulo da marca Seasons, em sua linha Moo Engjand IPA: a Cowlifornication Manga. Com 6,2% de teor alcóolico e a adição de polpa da fruta, o produto do estilo Juicy IPA é composto pelos lúpulos Hallertau, Idaho Gem e El Dorado, unindo amargor com drinkability.  Segundo a marca, a escolha da fruta se deu pela intensidade de sabor e aroma da manga.

Soma
A Soma Cervejaria realizou dois lançamentos de cerveja no mês de abril. A primeira é uma Catharina Sour, que leva uma carga de manga e tangerina para a produção de uma bebida leve e refrescante, ideal para dias quentes. A Catharina Sour da Soma traz no aroma um buquê de frutas tropicais, segundo seu descritivo. Ela tem graduação alcoólica de 3,5% e 6 IBUs de amargor.  Em contraste ao estilo Sour, a cervejaria também apresentou uma clássica American IPA, com dry-hop dos lúpulos Ekuanot e Cascade. A bebida tem graduação alcoólica de 6% e 45 IBUs de amargor.

Tarantino e Manioca
A Manioca, indústria de impacto socioambiental da Amazônia, e a Tarantino lançaram a Biére de Garde Puxuri, um rótulo de edição limitada que traz um dos sabores mais icônicos da Amazônia: a noz-moscada da Amazônia ou puxuri, uma semente aromática que é utilizada em muitas receitas, também adicionando notas de cravo e anis estrelado. A harmonização do ingrediente com a cerveja deu origem ao rótulo do estilo típico do norte da França presente em seu nome, com os maltes e aromas se destacando.

Van Been
A Cervejaria Van Been lançou a Red Light District, uma cerveja de estilo Red Ale que traz um ingrediente extra e especial em sua composição: o rum jamaicano. A cerveja apresenta 5,3% de graduação alcoólica, coloração cobre avermelhado, com bastante realce para o malte, e traz como novidade em sua receita a bebida destilada no Caribe. O rum apresenta aromas frutados envoltos em um leve toque de melaço e especiarias, com um final intensamente longo. Já o nome da cerveja faz referência ao famoso bairro da luz vermelha de Amsterdã, capital holandesa.

Levedura inédita ganha uso comercial e reforça busca por perfil brasileiro

Uma levedura descrita pela primeira vez em 2003, por pesquisadores da UFMG, começa, 20 anos depois, a dar frutos dentro da indústria cervejeira do Brasil. A Starmerella meliponinorum ou, agora, Star Brasilis, uma não-Saccharomyces, passou a ser utilizada comercialmente e já compõe uma primeira cerveja, a Uaild Ale, fabricada pela Prussia Bier de modo colaborativo com o Laboratório da Cerveja.

O uso dessa levedura selvagem, isolada da flor da espatódea e associada à abelha sem ferrão, é inédita na produção de cerveja e traz novos sabores para a bebida, além de expectativas para o segmento, por se somar a outras várias iniciativas que buscam trazer características nacionais para a produção, na busca por um perfil tipicamente brasileiro.

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Afinal, para a indústria, a novidade pode oferecer novas características sensoriais, diferentes das obtidas através leveduras já utilizadas no mercado, como explica Luciana Brandão, co-fundadora e CEO do Laboratório da Cerveja, empresa de biotecnologia e soluções em processos cervejeiros que recebeu transferência de tecnologia da UFMG para desenvolvê-la e explorá-la comercialmente.

“A Star Brasilis é uma levedura única e inédita na produção de cerveja, além de ser originalmente brasileira! Diferente das espécies de levedura tradicionais (Saccharomyces) e também das leveduras selvagens utilizadas, como a Brettanomyces, ela produz características sensoriais únicas de frutas brancas, dentre elas abacaxi maduro, damasco, melão, uva, sendo tudo muito sútil e elegante”, diz.

Agora tendo sido usada na produção de uma cerveja, a, hoje, Star Brasilis passou por uma longa trajetória. A primeira descrição da Starmerella meliponinorum data de 2003, quando pesquisadores da UFMG estudavam a biodiversidade de leveduras associadas a abelhas sem ferrão.

Foi também na universidade mineira, já em 2014, que outros pesquisadores trabalhando com leveduras isoladas de nectários de flores tropicais coletaram mais uma vez novos isolados desta espécie, incluindo de flores de espatódea, na mata do campus.

Cinco anos depois, no mesmo laboratório das pesquisas anteriores, a Starmerella meliponinorum foi selecionada dentre outros 150 isolados de leveduras não-Saccharomyces e testada em escala laboratorial e piloto para a produção de cervejas. Foram realizados diversos testes no laboratório como a fermentação de maltose, tolerância alcoólica e a produção de compostos como o enxofre. Em escala piloto, após a seleção da linhagem, foram fabricadas quantidades de 30 litros de uma cerveja para a avaliação da utilização da levedura.

“Naquele momento, várias outras espécies também foram testadas, mas a Starmerella meliponinorum se destacou por algumas características, sendo a principal delas os aromas completamente diferentes de qualquer outra levedura conhecida. Nos testes cegos, a cerveja produzida com a levedura alcançou bons resultados”, relata Luciana.

Esse êxito levou o Laboratório da Cerveja a compreender que havia a oportunidade de o conhecimento sobre a levedura gerado na universidade ser aplicado no mercado cervejeiro, provocando a busca da transferência de tecnologia junto à universidade.

“No final de 2022 nós assinamos com a UFMG o primeiro contrato de transferência de tecnologia dessa natureza para obter os direitos de uso da levedura além do desenvolvimento, produção e exploração comercial. No contrato, também estão contidos mais uma espécie diferente das leveduras tradicionais e mais quatro linhagens de Saccharomyces cerevisiae brasileiras que estão prontas para serem usadas na indústria”, explica a CEO do Laboratório da Cerveja.

Uso na prática
O passo seguinte, então, foi encontrar um parceiro para a produção em escala industrial de uma cerveja com a Star Brasilis. Um acordo foi fechado com a Prussia, que utilizou essa levedura, de modo inédito, na fabricação de 2 mil litros de uma cerveja, que recebeu o nome de Uaild Ale.

“As pesquisadoras nos procuraram enquanto o processo de transferência de tecnologia estava em andamento e nós adoramos a ideia. Fazemos uma curadoria de inovação, de novos projetos relacionados a cerveja e esse se encaixou completamente”, relata Fernando Cota Carvalho, diretor-executivo da Prussia Bier.

Ele explica que a fabricação da cerveja com a nova levedura seguiu os procedimentos padrão adotados na unidade industrial da Prussia Bier, com leves ajustes no processo de fermentação, além do cuidado de reforçar o processo de higienização dos equipamentos.

“Algo que foi ajustado já nos testes finais e na produção industrial foi a temperatura de fermentação um pouco mais alta, mas nada fora do normal. Outro ponto importante é o fato de trabalhar na cervejaria com um microrganismo completamente selvagem e diferente. Então, reforçamos as ações de CIP após a produção”, diz Carvalho.

De acordo com o descritivo divulgado pela Prussia Bier, a Uaild Ale é uma Saison com malte de centeio, flor de laranjeira e casca de laranja. Tem sabor frutado de frutas maduras, leve adocicado, leve sensação de picância e com aroma pouco fenólico. Além da levedura descrita em Minas Gerais, os lúpulos são da Fazenda Cervejeira, também de Belo Horizonte. Possui 5% de graduação alcoólica e 20 IBUs de amargor.


E o uso da Star Brasilis não vai se resumir à Prússia. De acordo com a CEO do Laboratório da Cerveja, a procura pela levedura é grande, o que deve garantir a sua presença em diversos rótulos em breve.

“Já estamos produzindo a levedura para outras cervejarias de Minas Gerais e para fora de Minas. Em breve, vocês terão notícias das cervejas produzidas com a Star Brasilis. Também tem sido bastante procurada por cervejeiros caseiros de todo o Brasil e inclusive para produções fora do país”, revela Luciana.

A expectativa é de que a levedura possa ser utilizada em diversas combinações, com frutos, bem como há a possibilidade de fermentação em barris de madeiras, por meio de técnicas diferenciadas. Assim, podem se tornar um diferencial para quem busca dar uma identidade brasileira para suas cervejas, além de elevar a qualidade sensorial da bebida.

A propagação do uso da Star Brasilis, aliás, se insere em contextos de ampliação dos trabalhos com leveduras encontradas na biodiversidade e do aumento do uso de ingredientes e insumos locais que podem, no futuro, dar origem, a partir dessa mistura, a uma escola brasileira de cerveja, como comenta a CEO do Laboratório da Cerveja.

Hoje já temos vários estudos sobre a utilização de leveduras isoladas no Brasil para a produção de cerveja e eu espero que isso seja apenas o começo. Além das leveduras, a escola brasileira pode vir também das nossas frutas, do uso das nossas madeiras do processo de produção. Ou seja, virá por meio dos nossos insumos, da nossa cultura, nossas tradições e do nosso jeito de fazer cerveja, tudo isso junto e cada um da sua forma

Luciana Brandão, CEO do Laboratório da Cerveja

Menu Degustação: Fundo Bora Cultura Preta, Beck’s para 70+, aniversários…

As iniciativas realizadas por empresas cervejeiras podem ir bem além do seu ecossistema. A Ambev, por exemplo, se juntou à PretaHub e está com inscrições abertas em um edital para financiamento de projetos de entretenimento e cultura para gerar mais oportunidades a produtores, artistas e empreendedores negros, o Fundo Bora Cultura Preta.

Já buscando avançar no contato com outros públicos, a Heineken criou uma ação para reforçar a sua ligação com os gamers. E a Beck’s, em uma ação de marketing, está com uma cerveja mais amarga, destinada para quem tem 70 anos ou mais.  

Enquanto isso, as cervejarias Brass Brew e Hop Flyers Brewing se preparam para celebrar seus aniversários com programações especiais. E Academia da Cerveja, Instituto Ceres e Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) se uniram em um curso de capacitação para quem deseja atuar em bares.

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Confira estas e outras ações cervejeiras no Menu Degustação do Guia:

Edital da Ambev
A Ambev abriu inscrições para o Fundo Bora Cultura Preta, que vai apoiar projetos de entretenimento e cultura, gerando mais oportunidades a produtores, artistas e empreendedores negros. A iniciativa da Ambev em parceria com a PretaHub, aceleradora do empreendedorismo negro, faz parte do programa de inclusão produtiva da companhia que busca gerar oportunidades de capacitação, emprego e renda. O Bora Cultura Preta vai destinar R$ 7 milhões para apoiar o trabalho de empreendedores culturais de todo o país, como valor sendo fruto da combinação de recursos próprios e investimentos via leis de incentivo. As inscrições no Bora Cultura Preta podem ser feitas até as 17h59 do dia 26 de maio.

Curso sensorial
O curso Beer Sensory: Análise e Gestão Sensorial passa a integrar a grade do Science of Beer Institute. Voltado para profissionais e apaixonados por cerveja que buscam expandir suas habilidades e técnicas de avaliação de cerveja, o curso terá sua primeira turma em maio. De casa, o aluno terá aulas com profissionais especialistas e ainda receberá um kit. As inscrições podem ser feitas até o dia 10, com as aulas começando em 22 de maio.

Ceres + ESCM + Academia
A Academia da Cerveja, da Ambev, se uniu novamente à ESCM e ao Instituto Ceres para oferecer uma formação gratuita de iniciação e capacitação no mercado de serviço de bares, restaurantes e outros estabelecimentos relacionados ao universo cervejeiro. Podem participar pessoas de qualquer região do país que tenham acima de 18 anos. O curso é online e on demand. As inscrições ficarão abertas até o dia 18.

Dois anos da Brass Brew
Localizada na Casa das Caldeiras, uma antiga fábrica desativada que é patrimônio histórico de São Paulo, a Brass Brew celebra neste domingo (30) seu aniversário de dois anos. Para isso, um festival foi idealizado, com a presença de blocos de carnaval, e DJs. O espaço também será palco do lançamento da cerveja comemorativa da marca, a 15/23, uma American Pale Ale pensada especialmente para brindar o momento. Para além da música e cervejas, a festa conta com um empório com produtos da Serra da Mantiqueira e outros artesanatos, Casa da Cachaça, diversas opções gastronômicas, flash tattoo e atividade para as crianças visando ser um evento para toda a família.

Sete anos da Hop Flyers Brewing
Criada em 2016 para ser uma cerveja cigana, há quatro anos a Hop Flyers Brewing ganhou casa própria, a Cevada Pura. E agora vai comemorar seu sétimo aniversário exatamente lá. A celebração está marcada para 13 de maio e terá apresentação das bandas Far From Alaska, Jet Set, Sam – O Ermo homem banda e do DJ Ueno. A Cevada Pura fica no bairro Vila Rezende, em Piracicaba (SP).

Artesanais gaúchas no Comida di Buteco
O Comida di Buteco, concurso nacional de culinária “raiz”, conta com bares de cervejarias artesanais entre as concorrentes de Porto Alegre e Canoas ao prêmio de melhor bar. A votação é feita pelo público, que pode visitar os estabelecimentod até o próximo domingo (30). Além de avaliar os pratos, o público dá notas para atendimento, higiene do local e temperatura da bebida. As artesanais participantes são a Baldhead, com o Bar Baldhead (Rua Sarmento Leite, 1086), na Cidade Baixa, e o Biermarket (Rua Barão de Santo Ângelo, 497), no Moinhos de Vento.

Beck’s para 70+
A Beck’s está com uma campanha para o público de 70 anos ou mais. A novidade é uma edição ainda mais amarga: a Beck`s 70+. A ideia é levar para essas pessoas todas as características da cerveja, promovendo uma experiência de degustação completa. A bebida pode ser encontrada nas áreas VIPs de diversos eventos – e não será comercializada.

Festival com Corona
Um dos principais eventos de música eletrônica do mundo e com 19 anos de existência, o Piknic Électronik realizará a sua segunda edição no país, neste sábado (29), no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. O festival, que é apresentado pela Corona, traz uma praça gastronômica especial. Para aqueles que estarão de passagem no parque, mas que queiram fazer suas refeições no espaço do evento, o Piknic Électronik disponibilizará os Lunch Tickets, ingressos a preços mais acessíveis para o público acessar o festival, podendo desfrutar das comidas e bebidas. A entrada será até as 14h deste sábado e os ingressos estarão disponíveis na plataforma Fever.

Ação artística da Corona
A cidade de São Paulo, conhecida por seus grafites espalhados por muros e empenas, recebeu duas obras únicas, feitas com uma tinta fotossensível, visível apenas à luz do sol. Utilizando pela primeira vez este tipo de tinta na pintura de muros no país, a intervenção urbana, intitulada Solar Spots, é uma criação da cerveja Corona Cero Sunbrew, tendo contado com outras artes espalhadas por pontos da cidade. A ação refletiu sobre a importância do sol para o bem-estar e saúde da população e serviu como convite a todos para aproveitarem o poder da luz do dia.

Conexão com gamers
A Heineken está lançando a Beer Matchmaking, uma plataforma que mapeia o perfil dos consumidores que se cadastrarem na página e faz uma seleção baseada em detalhes como jogos preferidos, consoles, horários disponíveis e nível dos jogadores que estão em busca de uma partida. A novidade faz parte da campanha global da marca, intitulada “Nem toda a rodada é lá fora”, desenvolvida pela agência Le Pub Brasil, que tem como objetivo mostrar que os gamers não são antissociais, e o jogo é também um ambiente de socialização e celebração.

Heineken e futebol feminino
Em outra frente, a Heineken segue fortalecendo o movimento pela inclusão de gênero no futebol e neste ano retoma a campanha “Um brinde a todos os fãs. Inclusive homens”, em canais digitais e TV. Criada pela Publicis Itália, a campanha exalta a paixão das torcedoras. Como parte da estratégia, a marca vai continuar alimentando o site Fresher Football, lançado em 2022 em parceria com a Footballco através da GOAL.com, com dados atualizados das competições organizadas pela Uefa, incluindo números importantes do futebol feminino, o que reforça a importância e o protagonismo das mulheres e de suas equipes na história do esporte.

Propaganda em formato 3D
A Heineken será o primeiro anunciante a explorar os recursos da publicidade 3D Play nos circuitos digitais out of home da Clear Channel simultaneamente no Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba. A marca de cervejas utilizará o formato 3D para reforçar a ocasião de consumo nos bares durante os jogos das edições masculina e feminina da Liga dos Campeões.

Zé Compensa
As compras no aplicativo Zé Delivery, da Ambev, passaram a valer pontos para trocas por descontos e experiências com o Zé Compensa. O programa de recompensas do aplicativo vai entregar descontos exclusivos em bebidas geladas, experiências como idas a jogos de futebol em estádios, eventos, shows, festivais de música e cinema. Para participar, basta baixar o aplicativo e se cadastrar gratuitamente no programa.

Trabalho híbrido desafia recuperação dos bares em regiões de escritórios

Afetados durante o auge da crise sanitária, quando muitas pessoas ficaram nas suas casas, passando a atuar no modelo de home office, bares de algumas regiões de grandes cidades precisam lidar com uma nova realidade: o modelo de trabalho híbrido adotado por algumas empresas, uma rotina que afeta a lógica de frequência a esses estabelecimentos quando eles ainda buscam se recuperar da crise que assolou o segmento nos últimos anos.

Esse cenário se expressa mais em algumas regiões, que não conseguiram acompanhar o ritmo de crescimento dos bares e restaurantes ao longo de 2022, com uma expansão de 9% no faturamento na comparação com 2019, o último ano pré-pandemia, de acordo com informações da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

Leia também – “Pesquisa do Guia é mais uma razão para valorização dos pequenos negócios”

Bares em regiões que concentram escritórios, porém, não atingiram o mesmo índice e têm encarado dificuldades com o modelo híbrido de trabalho, que, em sua maioria, permite aos funcionários a possibilidade de trabalhar em casa às segundas e sextas-feiras, só indo às empresas entre terça e quinta-feira. A recuperação do segmento, assim, se dá de modo incompleto.

O cenário é mais perceptível na região da avenida Paulista e no bairro Vila Olímpia em São Paulo, assim como no centro do Rio de Janeiro. “A segunda não faz tanta diferença, mas a sexta foi dramática, por ser o melhor dia da semana, com o famoso sextou”, comenta Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel.

Pode ter aumentado o movimento da quinta, mas não tem o mesmo movimento de indulgência, de se dar de presente uma rodada extra na sexta-feira

Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel

E a perspectiva é de que ainda demore para que essas regiões retomem o nível pré-pandemia, pois há menos pessoas nas ruas nessas localidades, o que afeta diretamente as atividades de comércio e serviços. Por isso, nessas regiões, o encolhimento dos bares e restaurantes pode ter chegado a até 10%.

Para lidar com essa nova realidade e reduzir seu impacto, alguns desses espaços alteram rotinas: horários de funcionamento foram modificados, ampliando a aposta nas atividades mais noturnas. Além disso, como forma de captar recursos, alguns estabelecimentos estão mais abertos a hospedarem eventos corporativos. “Alguns mudaram de perfil, buscando tirar o peso do almoço corporativo, reforçando o foco no delivery”, comenta o diretor e fundador do BaresSP, Fábio de Francisco.

Os bares, claro, não chegam a ficar vazios às sextas-feiras, mas a frequência em alguns horários sofreu maior impacto, especialmente naqueles relacionados ao happy hour, realizado logo após o fim do expediente, costumeiramente no início das noites.

“O principal impacto nos bares envolve o happy hour. O movimento ficou para mais tarde. Somado a isso, se perdeu o Horário de Verão (extinto em 2019), que trazia o movimento para mais cedo”, diz Solmucci.

O diretor do BaresSP pondera que esses estabelecimentos já haviam se adaptado a uma nova realidade quando o home office foi adotado no início da pandemia. “Bares das regiões com muitos escritórios já tinham passado por dificuldades na pandemia e vinham se reajustando, com diminuição de equipe, redução de custos, mudanças de cardápio e de conceitos”, diz.

Bairros crescem, preços freiam
Por outro lado, o local de consumo se modificou, com bares localizados em bairros com características residenciais aproveitando o modelo híbrido de trabalho para ampliarem o faturamento a partir dessa migração de público. “Houve um deslocamento da demanda para os bairros. O que aconteceu é que o mercado está maior. A dificuldade é de rentabilizar”, avalia Solmucci.

Com uma rede de 20 lojas no Rio de Janeiro, o Bar do Adão observou a diminuição do movimento em áreas mais comerciais da capital fluminense. Porém, como muitos bares fecharam as portas durante a pandemia, aqueles que conseguiram sobreviver à crise sanitária têm atuado para captar o consumidor que tem menos opção de escolha.

“O fluxo de pessoas em áreas comerciais caiu substancialmente, porém também houve diminuição das opções: muitos bares e restaurantes fecharam e não abriram novos nos mesmos locais. Isso permite, que em alguma medida, para quem está funcionando, seja possível tentar capturar parte do fluxo”, diz Maurício Costa, diretor-geral do Bar do Adão.

Para conquistar o consumidor, bares também evitaram repassar a alta dos custos integralmente ao consumidor. Nos últimos 12 meses, a inflação da cerveja foi de 10,15% no varejo, com o índice ficando em 6,7% nos estabelecimentos para consumo fora do lar. Além disso, alguns desses espaços fizeram mudanças em seus cardápios.

“Os bares e restaurantes operando começam uma competição baseada em preço, o que acaba reduzindo a margem que já está apertada com o cenário inflacionário”, comenta o diretor do Bar do Adão. “Fizemos mudanças no cardápio, alguns movimentos inéditos. Tivemos que repensar nosso mix de oferta por conta da inflação de custos e despesas que nosso setor tem sentido”, acrescenta.

Para 2023, a Abrasel trabalha com a previsão de crescimento de 2% a 3% para o faturamento dos bares e restaurantes. Mas não será a classe média, que concentra parcela relevante dos trabalhadores em modelo híbrido a impulsionar essa expansão. “O crescimento será puxado pela base da pirâmide”, diz Solmucci, também citando a importância de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, para essa expansão.

“Pesquisa do Guia é mais um motivo para se valorizar pequenos negócios”

“Pesquisa do Guia é mais uma justificativa para valorização dos pequenos negócios”

A pesquisa “O Ano de 2022 para as Cervejarias” indicou que micros, pequenos e médios empreendedores que atuam no setor precisam de políticas públicas condicionadas ao seu modelo de empreendimento para que possam prosperar. Essa foi a avaliação apresentada por representantes do setor a partir da análise dos dados da pesquisa realizada pelo Guia da Cerveja, que pode ser acessada pelo link.

Ao relatar que apenas 46% das cervejarias com produção inferior a 5 mil litros de cerveja ampliaram as suas vendas no ano passado em relação a 2021, em contraponto aos 62% de todo o universo da pesquisa, o trabalho indica um cenário mais desafiador para os microempreendedores, que precisam de políticas mais condizentes com o porte das suas atividades, na visão de Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva).

“Percebemos que a escala de produção tem grande reflexo na lucratividade das empresas e isso tem relação direta com o sistema tributário que trata de forma igual empresas que têm realidades distintas. Dados como estes ajudam a fundamentar nossas ações e nossas prioridades como associação”, diz.  

Essa necessidade de atenção aos pequenos empreendedores também é ressaltada por uma discrepância entre resultado e expectativa. Afinal, ao mesmo tempo em que 46% das cervejarias não apresentaram lucro em 2022, 81% acreditam que 2023 será melhor do que o ano passado.

“Este cenário de altos e baixos é comum também em outros setores e é uma situação que acompanha grande parte das micro, pequenas e médias empresas no Brasil. Assim, é mais uma justificativa para valorização dos pequenos negócios no Brasil”, afirma Eduardo Fernandes Marcusso, servidor público do Ministério da Agricultura e Pecuária e consultor técnico da Câmara Setorial da Cerveja.

A importância dos pequenos empreendedores é reforçada pela abertura recente de novas cervejarias, um dado captado pelo levantamento do Guia e ressaltado pelo presidente-executivo do Sindicerv, Márcio Maciel, ao destacar o potencial gerador de empregos desses novos negócios.

“O levantamento apontou que 44% das cervejarias iniciaram suas atividades nos últimos três anos, e isso reforça o papel estratégico do setor cervejeiro para o desenvolvimento econômico e geração de emprego para o país, na retomada do pós-pandemia”, diz.

O representante do Ministério da Agricultura, por sua vez, aponta que a profissionalização é o caminho para o crescimento da indústria da cerveja artesanal, algo enxergado quando se observa que 64% das empresas dizem ter seus funcionários no regime CLT, segundo a pesquisa do Guia. Porém, muitos desafios ainda precisam ser superados pelo segmento de artesanais, como reconhece Marcusso.

O modelo de maior viabilidade com fábricas próprias e funcionários no CLT indicam o caminho da profissionalização, contudo as questões de distribuição e tributária, além do acesso aos insumos, são as mais complicadas para as artesanais e são todas questões conectadas

Fernandes Marcusso, servidor público do Ministério da Agricultura

Desafios para todos
O presidente do Sindicerv também ressalta que a indústria da cerveja não tem deixado de crescer, tanto que 62% dos respondentes disseram ter apresentado alta nas vendas no ano passado em relação a 2021, apesar de lidarem com uma série de desafios a afetar a operação.

“A pesquisa realizada pelo Guia da Cerveja demonstra a evolução e o crescimento do setor como um todo – em especial das micro, pequenas e médias cervejarias, mesmo diante de desafios como a alta carga tributária, acesso aos insumos e aumento nos custos de produção”, comenta Maciel.

Atuando diretamente em contato com o consumidor das cervejas, representantes de bares e restaurantes ressaltam que as artesanais passam por um cenário semelhante ao desses estabelecimentos, refletindo os problemas macroeconômicos encarados pelo Brasil nos anos recentes, como destaca Fernando Blower, diretor executivo da Associação Nacional de Restaurantes (ANR).

“Acho que é necessário olhar para os dados fazendo uma comparação com a realidade econômica do país. Vivemos um momento inflacionário grande desde 2021, com um processo muito significativo de endividamento das famílias, e a renda está muito comprometida devido a inflação. Então, é natural que o consumo, sobretudo de alguns produtos com maior valor agregado, mas também com o maior preço, esteja represado”, diz.


Paulo Solmucci, presidente-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), lembra que levantamento recente mostrou que 66% desses estabelecimentos estão operando sem resultados positivos, sendo 30% deles em prejuízo, um dado em consonância com os desafios apontados por “O Ano de 2022 para as Cervejarias”.

“Como o principal canal de distribuição das empresas artesanais costuma ser o setor de bares e restaurantes, a dificuldade de um setor acaba acarretando dificuldade para o outro, inclusive no repasse de custos e preços”, comenta.

Além disso, como avalia Marco Antonio Falcone, presidente da Federação Brasileira das Cervejarias Artesanais (Febracerva), houve uma mudança na rotina de consumo que tem dificultado a operação das empresas do segmento. “O mercado mudou muito o perfil, muitas empresas que comercializavam seus produtos ou as cervejas artesanais em bares e restaurantes tiveram que retrair porque muitos desses locais foram fechados”, afirma.

Fonte para políticas práticas
Para Guilherme Canielo, relações corporativas da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Aluminio (Abralatas), o trabalho se soma a outros levantamentos, como o Anuário da Cerveja, produzido pelo Ministério da Agricultura, para ajudar na definição de políticas e estratégias pelo ecossistema cervejeiro.

Acredito que a pesquisa seja um retrato importante que complementa o Anuário da Cerveja e nos apresenta um panorama mais claro desse setor, que cresce a taxas muito altas, mesmo em meio a importantes desafios econômicos e de mercado. Ela nos oferece informações essenciais para basear políticas públicas e estratégias de negócios em todo o nosso segmento

Guilherme Canielo, relações corporativas da Abralatas

Já para o servidor do Ministério da Agricultura, os dados do trabalho devem ser encarados como mais um balizador para ações que ajudem a fomentar o crescimento da indústria cervejeira. “A pesquisa do Guia é excelente para o setor que caminha e necessita de profissionalização, somente com uma visão do setor a partir de dados científicos e confiáveis se pode planejar e crescer, e é isso que o estudo apresenta”, afirma Marcusso.

O Ano de 2022 para as Cervejarias” foi uma pesquisa, quantitativa, realizada por meio de questionário online, com respostas coletadas entre outubro e dezembro de 2022 de 100 donos ou administradores de cervejarias.

Por circularidade do vidro, programa quer criar 1,5 mil pontos de coleta

Com o intuito de contribuir para que o Brasil alcance as metas definidas pelo decreto que criou o sistema nacional de logística reversa de embalagens de vidro, o 11.300/2022, o programa Vidro Vira Vidro, liderado pela Verallia, buscará quintuplicar até 2025 o número de pontos de entrega voluntária desse material.

Com a participação de outros importantes atores da cadeia do vidro, a iniciativa conta, hoje, com mais de 300 pontos de entrega espalhados pelo Brasil e prevê a instalação de 1.500 locais para que esse material seja depositado nas regiões Sul e Sudeste, com meta de expansão para outras localidades do país.

Esses pontos para coleta estão disponibilizados em espaços públicos e privados, como praças, escolas, supermercados e condomínios, com os locais já instalados podendo ser conhecidos pelo link.

A Verallia e a Massfix assumem os custos de instalação de contêineres e realizam a coleta periódica do material descartado. A iniciativa tem a expectativa de coletar 24 mil toneladas de cacos por ano. Com isso, o programa busca contribuir para o aumento dos níveis de reciclagem do vidro, hoje em 25% no Brasil.

“Além do programa Vidro Vira Vidro, estamos buscando novas soluções e iniciativas junto a cooperativas; que são a porta de entrada do vidro pós-consumo, fornecedores responsáveis pelo beneficiamento; grandes geradores de resíduos, como bares e restaurantes; e startups para coletas de resíduos”, diz Quintin Testa, diretor geral da Verallia para América Latina.

A participação da Verallia no Vidro Vira Vidro e em outras iniciativas de circularidade da embalagem é importante, pois estima-se que mais de 1 bilhão de garrafas de vidro sejam descartadas anualmente, com, aproximadamente, 75% indo para aterros sanitários e as demais ficando em locais inadequados, como praias, rios, terrenos baldios e lixões.

É, inclusive, para mudar esse cenário que o sistema nacional de logística reversa de embalagens de vidro foi além das já existentes responsabilidades e obrigações de retorno e reciclagem desse tipo de material por fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes dos produtos e das embalagens descartados impostas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos.

De acordo com o Decreto 11.300/2022, o índice de reciclagem das embalagens de vidro em 2023 deve chegar a 27,25% e a 40% até 2032. Além disso, definiu que o percentual de matéria-prima reciclada usada na fabricação de novas embalagens deve saltar dos atuais 26% para 35% nos próximos dez anos.

“Toda regulamentação é absolutamente bem-vinda, pois cria um ambiente de compromisso e responsabilidade na efetiva participação de todos os agentes do ciclo de vida das embalagens de vidro: fabricantes, envasadores, distribuidores e até mesmo o consumidor final”, avalia o diretor da Verallia.

Ambev “ganha” eletroposto para reduzir uso de diesel em 110 mil litros anuais

A fábrica da Ambev na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro passou a contar com uma estação de recarga rápida da Shell para os seus caminhões elétricos. A ação é fruto de uma parceria com a Raízen (joint-venture entre Cosan e Shell) e visa, inicialmente, o fornecimento anual de 480 MWh de energia limpa e renovável. Além de otimizar o serviço logístico da companhia, a cervejaria estima que a redução no consumo de diesel pode chegar a 110 mil litros por ano.

A estação Shell Recharge no Rio será utilizada por 20 caminhões elétricos. A energia usada para o abastecimento dos veículos vem de fontes renováveis certificadas, ajudando a reduzir a emissão de CO2 em cerca de 300 toneladas por ano.

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O eletroposto terá três carregadores exclusivos para a recarga rápida dos caminhões elétricos. A estrutura completa de carregamento em estações de alta potência (150kW) tem a capacidade de recarregar os veículos em até 60 minutos.

“Estamos muito felizes e orgulhosos em dividir essa jornada com a Raízen, essencial no processo de ampliação do uso de energia renovável para o abastecimento dos caminhões elétricos”, afirma Paulo Zagman, vice-presidente de logística da Ambev.

“É uma honra para a Raízen poder anunciar essa parceria e ter trabalhado para a expansão do projeto de utilização de frota de veículos elétricos nas atividades logísticas da Ambev”, acrescenta Rafael Rebello, diretor de soluções de energia e renováveis da Raízen.

Agenda ESG
A iniciativa entre Ambev e Raízen faz parte da agenda ESG da cervejaria, que conta com ações para a redução de emissões de gases do efeito estufa. Até 2025, a companhia assumiu o compromisso de ter 100% de eletricidade comprada advinda de fontes renováveis, estando, atualmente, com índice de 98%. Além disso, a Ambev se comprometeu a reduzir em 25% das emissões de carbono em toda cadeia de valor – até o momento, alcançou 17%.

No ano passado, a companhia também anunciou o plano global de se tornar net zero em toda sua cadeia de valor, reduzindo as emissões líquidas de carbono dos escopos 1, 2 e 3 até 2040.