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Exportação de cervejas ácidas leva o terroir brasileiro para a China

A cerveja artesanal com característica do terroir brasileiro agora tem a oportunidade de ser apreciada em cidades chinesas. Recentemente, duas marcas que se destacam pela produção de cervejas ácidas e pela exploração do terroir local, a Cozalinda e a Zalaz, fecharam um acordo e enviaram um total de cinco pallets de suas criações para o mercado da China.

Essa possibilidade de exportação, que ficou adormecida durante o auge da pandemia, tornou-se possível devido ao interesse pelas cervejas selvagens por parte dos profissionais do setor na China, com as marcas tendo a oportunidade de escolher entre os interessados na exportação, a fim de levar suas produções para o mercado do país asiático. Além disso, as medalhas conquistadas em concursos internacionais e as indicações de juízes especializados em competições cervejeiras contribuíram para facilitar esse processo.

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Divididas entre chope e cervejas engarrafadas, a Zalaz enviou três pallets contendo 18 variedades de suas criações para a China, enquanto a Cozalinda despachou sete rótulos diferentes em dois pallets. Segundo os representantes das marcas, as cervejas serão comercializadas em eventos focados em cervejas selvagens, além de bares e lojas especializadas.

“O exportador está envolvido em um festival de cerveja de fermentação mista, realizado em várias cidades, para o qual procura cervejas de todo o mundo. Estaremos ao lado de outras cervejas ácidas de diferentes partes do planeta”, explica Fabrício Almeida, co-fundador da Zalaz.

Enquanto a marca do interior de Minas Gerais já havia exportado suas cervejas para a China e também para a Europa, em colaboração com outras marcas, a Cozalinda enfrenta essa etapa pela primeira vez.

“O que batemos desde a criação da marca, depois com participações em palestras e concursos no exterior, abriu as portas e agora estamos tendo o retorno: o reconhecimento de que temos uma identidade do terroir do Brasil. E isso é recompensador”, diz Diego Rzatki, sócio-fundador da Cozalinda.

Novas oportunidades de mercado
Tanto para a Cozalinda quanto para a Zalaz, a exportação de cervejas ácidas para a China representa uma abertura de caminho para as cervejarias artesanais brasileiras, especialmente aquelas que valorizam o terroir local. Isso é visto como um diferencial, pois possibilita a oferta de cervejas verdadeiramente únicas, com um perfil que não é encontrado em outros países.

“Se tem um tipo de cerveja produzida aqui com chance de exportação, é a ácida. Ela tem o terroir local, e eles querem ver o gosto do Brasil. Não precisa ser melhor do que a cerveja local, mas ser o que ela é. Como são cervejas únicas, tem um apelo de vendas diferente, por essa singularidade”, comenta Rzatki.

É um caminho certeiro para esse tipo de cerveja, pois mandamos para o mundo o terroir brasileiro. Creio que faça muito sentido, com a exportação de cervejas de guarda e com terroir local sendo uma ótima oportunidade

Fabrício Almeida, co-fundador da Zalaz

O sócio-fundador da Cozalinda também destaca que as cervejas ácidas brasileiras têm potencial para serem competitivas no mercado internacional em termos de preço, devido ao seu alto valor agregado. Isso é particularmente relevante em um cenário em que, por vezes, produtores desse tipo de bebida tem dificuldade de acesso a um público mais amplo dentro do Brasil.

“Temos custos de produção consideráveis, especialmente em relação aos insumos, mas a desvalorização da moeda nos beneficia e nos torna competitivos nesse nicho de cervejas, que tem grande valorização no exterior. Isso nos permite alcançar um preço compatível com os valores praticados fora do Brasil. O fato de termos cervejas com um alto valor agregado nos torna mais competitivos”, afirma Rzatki.

Panorama da exportação
De acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Brasil exportou um total de 200.588.542 quilos de cerveja em 2022, representando uma queda de 16,8% em comparação com o ano anterior. O valor exportado também registrou redução de 8,7%, totalizando US$ 120.047.504.

No ano passado, a China foi um dos 79 países de destino da cerveja brasileira, ocupando a 23ª posição em termos de volume (22.469 kg) e a 24ª posição em valor (US$ 44.701).

Menu Degustação: 9 anos da Uaimií, delivery de barris da Dádiva, Beerland…

Não faltam opções para o público cervejeiro ter dias agitados pela frente, diante da diversidade de eventos e possibilidades oferecidas pelo segmento. Em Belo Horizonte, por exemplo, a Uaimií vai comemorar seu nono aniversário com uma festa na rua, em frente ao seu pub, neste sábado (2).

Em São Paulo, o Beerland acontece no amplo estacionamento da Galeria Carrefour Aricanduva com programação de sabores, música e diversão para todos os públicos em um festival de cervejas artesanais, a partir desta sexta-feira (1º). Já para quem deseja organizar a própria festa, a Dádiva passou a oferecer delivery de seus barris de cerveja.

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Confira essas e outras ações do setor cervejeiro no Menu Degustação do Guia:

Festa da Uaimií 
A cervejaria Uaimií celebra seu nono aniversário com uma festa aberta ao público em Belo Horizonte, com música ao vivo e opções gastronômicas, neste sábado, a  partir das 11h30.  A festa acontecerá na rua Grão Mogol, bem em frente ao pub. O som na celebração da Uaimií fica com as bandas Lady Vinil, Harley Queen e Seu Madruga, além dos DJs Antônio Montana e Andreia Around. Já a parte gastronômica terá os petiscos de Sô Vicente Ramos, XBK e mais dois food trucks. 

Delivery de barris da Dádiva
A cervejaria Dádiva agora oferece entrega em domicílio de seus principais chopes em várias regiões da cidade de São Paulo. A seleção inclui variedades como Premium Lager, Belgian Witbier e Pink Lemonade. O foco é em fornecer barris para festas e eventos.

Cerveja com joelho de porco
A Cervejaria Filosofia fará sua estreia no mercado de cervejas com o lançamento de sua primeira New England IPA. O evento acontecerá neste sábado (2º), a partir das 14h, na Cervejaria Buriti, em Santo André (SP). Os primeiros clientes serão agraciados com uma porção de joelho de porco ao adquirirem a cerveja, enquanto desfrutam da atmosfera musical da banda Mojobox.

Detalhes da Semana Selvagem
A Semana Selvagem, que acontecerá de 6 a 9 de setembro, anunciou detalhes da sua programação. O evento inclui dois dias de congresso, com 26 atividades, entre palestras, mesas redondas, degustações e workshops, reunindo mais de 50 palestrantes do Brasil e do exterior. O encontro é realizado pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) e terá, além do evento técnico-científico, outras atrações, como o pré-lançamento do Projeto Manipueira, com reúne quase 50 cervejarias.

Beerland no Aricanduva
A partir desta sexta-feira, a área externa da Galeria Carrefour Aricanduva, em São Paulo, sediará o Beerland, um festival itinerante de cerveja artesanal. O evento oferecerá uma variedade de cervejas especiais, incluindo opções como Witbier de Maracujá e IPA com Jack Daniels, bem como variedades tradicionais, sendo mais de 10 mil litros de 16 estilos diferentes. O festival também contará com opções de alimentos e outras bebidas, tendo entrada gratuita.

Espaço da Heineken no Blue Note
A Heineken agora conta com um espaço exclusivo para os clientes no Blue Note, renomada casa de shows que reúne artistas icônicos em São Paulo. O espaço foi inaugurado no último dia 26, com um tributo a David Bowie, realizado pela banda Diamond Dogs.

Carreta no Tardezinha
Uma novidade para os participantes do show Tardezinha, do cantor Thiaguinho, é a Carreta Rooftop Itaipava. Patrocinada pelo chope Ita-Draft, a carreta proporcionará uma vista privilegiada do show, oportunidades para fotos, descanso e aquisição de chopes do Grupo Petrópolis. A carreta percorrerá diversas cidades até o término da turnê.

Aniversário de fábrica
A fábrica do Grupo Petrópolis em Uberaba completou três anos de operação, tendo gerado aproximadamente 4,9 mil empregos diretos e indiretos desde sua inauguração. A unidade atende a diversos estados e produz várias marcas de cerveja, além de ter iniciado um projeto de plantio de lúpulo.

Promoção para a Oktoberfest de Blumenau
O Zé Delivery e a Spaten lançaram uma promoção que permite aos consumidores ganharem canecas exclusivas da Oktoberfest Blumenau ao comprarem um engradado de 24 unidades da marca de cerveja – long neck ou lata de 350 ml – pelo aplicativo. Dentre todas elas, cinco serão premiadas e quem as encontrar ganhará uma viagem para duas pessoas, com tudo pago, para viver toda a celebração da festa alemã na cidade catarinense.

Peças de cerâmica da Stella
A Stella Artois e a artista visual Thais Mor lançaram uma colaboração exclusiva de peças de cerâmica inspiradas na cerveja Stella Pure Gold. As peças, que incluem bowls e mini pratos com mensagens estampadas, estarão disponíveis para compra no site da artista a partir da próxima segunda-feira (4).

Aceleração de lideranças negras
A Ambev está realizando a segunda edição do programa de aceleração de lideranças negras, o Dàgbá – líderes do futuro. O programa visa aumentar a diversidade étnico-racial em cargos de liderança e nesta edição contará com 90 participantes, um aumento de 25% em relação à primeira turma. O Dàgbá envolve uma abordagem interdisciplinar com três frentes de atuação: antropologia, design e desenvolvimento comportamental de soft skills.

Primeiros juízes da Copa Cervezas de Américas
A Copa Cervezas de Américas anunciou a sua primeira equipe de juízes para sua décima edição, incluindo o brasileiro Patrick Bannwart, mestre-cervejeiro e sócio-proprietário da BR Brew Cervejaria.  As inscrições para o concurso vão até 14 de setembro e o envio de amostras acontecerá entre os dias 18 e 28.

Dado Bier com Frank Jorge          
O single “Pode Dizer Assim”, de Frank Jorge, ganhou uma nova versão acústica lançada em todas as plataformas de música, tendo sido gravado em uma edição do Loop Sessions, em parceria com a Dado Bier. A cervejaria tem ajudado a lançar clipes mensalmente, apresentando novos artistas na casa do Loop, na Fábrica do Futuro, em Porto Alegre.

Passe digital para cervejarias
A Choose Chicago lançou o Chicago Brew Pass, um passe digital que permite aos participantes visitarem cervejarias por toda a cidade, ganhando pontos que podem ser trocados por prêmios. Os participantes podem usá-lo para explorar mais de 20 cervejarias artesanais participantes em e começar a ganhar recompensas.

Entrevista: Como o setor cervejeiro pode fomentar o empreendedorismo negro

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As desigualdades sociais no Brasil apresentam-se como um problema que abarca diversos setores e estratos da sociedade, destacando-se ainda mais quando observadas sob as lentes da questão racial. No contexto do mercado de trabalho, emerge historicamente uma evidente disparidade entre as pessoas negras e brancas. Diante desse cenário, iniciativas que fortalecem e fomentam a cultura e o empreendedorismo negro ganham relevância, como é o caso da PretaHub, uma organização híbrida criada por Adriana Barbosa, sua CEO.

Um estudo do IBGE divulgado em 2021, considerando a linha de pobreza monetária proposta pelo Banco Mundial, revelou que a proporção de indivíduos pobres no país era de 18,6% entre os brancos, praticamente a metade dos números entre os pretos (34,5%) e pardos (38,4%). E embora mais da metade (53,8%) da força de trabalho brasileira fosse composta por pretos e pardos naquele ano, esses grupos combinados ocupavam apenas 29,5% dos cargos gerenciais, enquanto os brancos abocanhavam 69% dessas posições.

Diante desses alarmantes dados de desigualdade, a PretaHub tem desenvolvido uma série de iniciativas desde 2002, inclusive colaborações com grandes empresas, como a parceria estabelecida com a Ambev, que neste ano se comprometeu a destinar R$ 7 milhões para impulsionar projetos de entretenimento e cultura liderados por pessoas negras em todo o país. Esse fundo integra o programa de inclusão produtiva da Ambev, o BORA, que busca gerar oportunidades de capacitação, emprego e renda.

Além do suporte financeiro, essa iniciativa empresarial visa incentivar os produtores em uma jornada de longo prazo. Os selecionados participam de um programa de capacitação da PretaHub, o Afrolab, tendo acesso aos recursos educativos da Ambev On, um espaço de aprendizagem e desenvolvimento, bem como atividades de formação e conexão destinadas a profissionais do programa BORA.

CEO da Preta Hub, Adriana Barbosa é uma das principais líderes negras de grande influência no Brasil e uma fonte de inspiração no contexto do empreendedorismo negro. Além de ser a fundadora e presidente do Festival Feira Preta, o maior evento de cultura e empreendedorismo da América Latina, que ao longo de 21 anos movimentou cerca de R$ 12 milhões por meio da contratação de pessoas e venda de produtos e serviços, ela é uma especialista em negócios sociais e diversidade racial. Seu currículo é repleto de homenagens e prêmios, como a nomeação como uma das 51 pessoas negras com menos de 40 anos mais influentes do mundo pelo Mipad em 2017, e sua inclusão entre os 500 indivíduos mais influentes da América Latina pela Bloomberg Linea em 2022.

Nesta entrevista ao Guia, Adriana compartilha insights sobre as ações da PretaHub, a parceria com a Ambev e como o estímulo ao empreendedorismo negro pode se estender ao setor cervejeiro.

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Confira, a seguir, a entrevista do Guia com Adriana Barbosa, CEO da PretaHub:

O que é a PretaHub e quais são suas principais ações?
A PretaHub é uma organização híbrida (combinação de ONG com fins lucrativos) que funciona como plataforma para fortalecer e promover a cultura negra no Brasil, unindo empreendedores que transformam sua identidade em produtos, serviços e soluções criativas.

A sede da PretaHub está localizada na Casa PretaHub – Avenida Nove de Julho, 50, Bela Vista, São Paulo. O espaço, focado na economia colaborativa e no apoio de empreendedores negros, possui estúdios de fotografia, de áudio, cozinha compartilhada, biblioteca, loja colaborativa, coworking e sala para palestras e eventos.

A PretaHub realiza diversas atividades voltadas ao fortalecimento da população e do empreendedorismo negro como: a jornada imersiva de autoconhecimento e educação empreendedora, o Afrolab; o espaço criativo para produção de conteúdo e eventos em São Paulo e no Recôncavo Baiano, a Casa PretaHub; o festival de impacto, cultura e empreendedorismo negro, o Festival Feira Preta; e muitos outros. Além disso, a PretaHub desenvolve, por meio da Preta Dados, pesquisas sobre o público e o empreendedorismo negro.

Quais são os objetivos da PretaHub?
Seu principal objetivo é dar visibilidade ao espírito criativo e inventivo da população negra e fomentar o empreendedorismo negro no Brasil, desta forma, a PretaHub é um hub de aceleração, inventividade, criatividade e tendência pretas.

Quem se beneficia das iniciativas da PretaHub?
Atualmente, cerca de 4,7 milhões dos empreendedores do Brasil são mulheres negras. Assim como eu, milhares de mulheres negras encontram no empreendedorismo a possibilidade de sobreviverem. Aqui, o empreendedorismo não é recreativo ou por escolha, no maior número de casos, o empreendedorismo é por necessidade.

E, por isso, a PretaHub é criada com o objetivo de apoiar as pessoas empreendedoras negras, desde educação empreendedora e autoconhecimento, à criação de oportunidades e, até mesmo, no apoio com incentivos financeiros. O objetivo da PretaHub é o de capacitar essas mulheres para que elas conquistem sua emancipação financeira e, com isso, modificar a estrutura onde vivem.

Como a PretaHub fortalece o empreendedorismo negro no Brasil?
A PretaHub oferece e disponibiliza ações para aceleração e desenvolvimento de empreendedores negros e indígenas, seja jornadas imersivas de formação ou cursos presenciais na Casa PretaHub, que são gratuitas. São criados também projetos de incentivo, como o Prêmio Pretas Potências, além do desenvolvimento de uma conversa profunda e sistêmica junto ao mercado, a fim de criar oportunidades e apoio financeiro a empreendimentos negros.

Como as ações da PretaHub se estenderam ao setor cervejeiro?
Por meu olhar condicionado à busca de mais oportunidades para a comunidade negra, especialmente os empreendedores, tenho participado como conselheira de diversas organizações, como a Ambev, empresa que entendeu e acolheu a necessidade de incentivar a criação de empreendedores negros no campo do entretenimento. Assim a PretaHub se aproxima com este setor, realizando junto à empresa o primeiro fundo com foco na economia criativa preta, o Fundo Bora Cultura Preta.

Como surgiu a parceria entre a Ambev e a PretaHub para criar o Fundo Bora Cultura Preta? Quais foram os principais objetivos ao unir forças nesse projeto?
A Ambev já é parceira da PretaHub há algum tempo; inclusive, faço parte do Comitê de Diversidade da empresa. Em nossas discussões, abordamos a necessidade de ter grandes marcas apoiando projetos produzidos por pessoas negras com verba de marketing e não apenas pelo campo do social, e a Ambev, entendendo tal necessidade, criou o Fundo Bora Cultura Preta em parceria com a PretaHub, para apoiar a Economia Criativa Preta, principalmente na área do entretenimento.

Para além do setor cervejeiro, é extremamente importante contar, verdadeiramente, com o apoio das mais diversas organizações para que possamos fortalecer as criatividades e as produções negras de todo o país. A população negra é extremamente criativa, o que falta é incentivo financeiro e visibilidade.

 O Fundo de Cultura Preta não é só sobre valorizar o potencial criativo da população negra, é também reconhecer o protagonismo intelectual e criativo. É sobre viabilizar projetos e ações protagonizadas por esse grupo e contribuir para a distribuição de renda de forma mais equânime.

Com essa iniciativa, espero que os departamentos de marketing de outras empresas se inspirem e invistam financeiramente em proponentes negros, não apenas pelo cunho social, mas por entender o potencial de consumo de mais da metade da população do país.

Dentro do setor cervejeiro, o segmento de artesanais ainda possui uma presença limitada de negros. Você enxerga espaço para impulsionar o empreendedorismo negro nesse setor? Acredita que isso poderia impulsionar o crescimento desse segmento?
Já há incríveis empreendedores negros que produzem cervejas artesanais, como é o caso da Cerveja Preta Bela, da Cervejaria Implicantes, da Cerveja Serafina e da Omi Odara. Mas é necessário a criação de formas de incentivo para inclusão de mais pessoas negras nesta área, visto o custo que existe para a compra dos materiais e os cursos para a criação destas cervejas. O apoio financeiro e a disposição de formações específicas certamente contribuirão para o aumento de empreendedores negros nesta área.

Cultura cervejeira tem desafios para expansão fora do Sul-Sudeste

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O Anuário da Cerveja, divulgado recentemente pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), apontou o crescimento de 11,6% no número de cervejarias registradas no Brasil entre 2021 e 2022, mas essa expansão não é uniforme. De acordo com o levantamento, oito estados e o Distrito Federal, todos eles localizados no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, não apresentaram variação no número de registros entre um ano e outro, em um sinal de desafio para a expansão da cultura cervejeira.

Foi essa a avaliação de especialistas consultados pelo Guia, destacando que esse resultado reflete a dificuldade de se espalhar a cultura cervejeira para além das regiões Sul e Sudeste e dos grandes centros urbanos. Os dados do Anuário da Cerveja corroboram essa observação, já que essas duas regiões concentram 1.484 cervejarias. Em contraste, as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste somam apenas 235 registros, correspondendo a apenas 14,1% das cervejarias do país.

Essa concentração tem crescido estável ou se mantido estável ao longo dos últimos anos, tanto que as regiões respondiam por 14,2% das cervejarias em 2021, 14,4% em 2020, 14,7% em 2019, 16,3% em 2018 e 16,6% de todo o universo de cervejarias do Brasil.

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O Anuário da Cerveja de 2022 também revelou que Distrito Federal, Pernambuco, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Alagoas, Tocantins, Acre, Amapá e Roraima não tiveram crescimento no número de cervejarias registradas no Ministério da Agricultura em 2022. Esses dados ampliam a discrepância em relação às regiões mais cervejeiras do país, uma vez que nenhum deles figura entre os 12 estados com maior número de estabelecimentos cervejeiros.

“Entendo que no caso de alguns estados no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, o consumidor de cerveja ainda não foi impactado pelo produto artesanal”, avalia Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva).

Excluindo as regiões Sul e Sudeste, Goiás é o estado com mais cervejarias registradas – 40. Porém, esse número está distante dos principais polos cervejeiros, como São Paulo (387), Rio Grande do Sul (310), Minas Gerais (222) e Paraná (215). E o número de cervejarias em Goiás é menor que o de algumas cidades, como São Paulo (59) e Porto Alegre (42).

Essa desigualdade se repete na quantidade de cidades com cervejarias registradas. Enquanto São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais possuem 100 ou mais municípios com registros, Goiás, o estado fora das regiões Sul e Sudeste com mais cidades cervejeiras, tem apenas 20 municípios com estabelecimentos abertos. E alguns estados têm apenas uma cidade com cervejarias, como Acre, Amapá e Roraima.

O dado sinaliza que a cultura cervejeira ainda encara o desafio de se espalhar por mais cidades e regiões do Brasil, especialmente aquelas menos urbanizadas, na avaliação de Eduardo Marcusso, servidor público e consultor técnico da Câmara Setorial da Cerveja.

“A cultura cervejeira chegou mais rapidamente nas capitais devido ao aumento exponencial e mais rápido. No entanto, para chegar ao interior, é mais difícil. Há uma escassez de educação, experimentação e compreensão das diferenças entre os produtos, preços e ideias. Introduzir um produto mais caro torna-se uma tarefa mais complexa. Fatores como preço, disponibilidade e cultura dificultam a inserção onde há menos familiaridade e um tempo de expansão do processo mais lento. Esses elementos explicam o passo mais gradual da interiorização da cerveja artesanal em regiões mais remotas do Brasil”, diz.

Para o presidente da Federação Brasileira das Cervejas Artesanais (Febracerva), Marco Falcone, esse desafio da expansão do segmento fora das regiões Sul e Sudeste está relacionado com o fim do boom do setor. A avaliação é apoiada pelos números, pois após o número de registros de cervejarias subir acima dos 20% entre 2012 e 2019, sua expansão se estabilizou entre 11% e 15% nos últimos três anos.

“Isso ocorre porque o período de novidade já passou. O Sudeste começou muito antes e teve um crescimento inicial rápido. As outras regiões atingiram um ponto de saturação, e agora é necessário aguardar até que a agitação inicial se acalme e a situação se estabilize para retomar o crescimento. As economias das diferentes regiões não variam tanto”, avalia.

O cenário pode ser desafiador para a expansão das cervejas artesanais pelo Brasil, mas o presidente da Abracerva também acredita que ele oferece oportunidades de empreendedorismo em regiões que possuem potencial para crescimento do setor.

Embora não seja possível generalizar, notamos que no Nordeste as cervejarias da região estão mais concentradas nas capitais, o que nos faz refletir sobre o enorme potencial de diversas outras cidades do litoral, ou localizadas em outras regiões turísticas dos estados

Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva

Ele também aponta a necessidade de difusão da cultura das artesanais pelo Distrito Federal, que tem a capital federal Brasília como a terceira cidade em termos de população no Brasil e hoje conta com 17 cervejarias, o que a deixa como décimo município com mais registros em todo o país.

“No caso do Distrito Federal, embora haja uma boa densidade cervejeira, ainda falta que a cultura do artesanal seja mais difundida e incorporada pela comunidade. Isso permitiria crescimento das marcas atuais e abertura de novas fábricas”, conclui o presidente da Abracerva.

Heineken se torna marca de cerveja mais valiosa; Brasil tem 3 no Top 25

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A Heineken é a marca de cerveja mais valiosa do mundo. A avaliação é a da consultoria Brand Finance, que apontou a marca da cervejaria de origem holandesa com um valor de US$ 7,594 bilhões, em seu relatório anual sobre bebidas alcoólicas. Isso representa um crescimento de 10% na comparação com a avaliação apresentada pela consultoria em 2022.

Com essa expansão, a Heineken ultrapassou a Corona Extra, que liderava o ranking de marcas de cerveja mais valiosas desde 2019. Agora, porém, está em segundo lugar, embora também tenha aumentado seu valor em relação ao ano passado, em 6%, chegando a US$ 7,425 bilhões.

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Para explicar o crescimento do valor da marca Heineken, a Brand Finance citou o lançamento no ano passado da Heineken Silver, que ainda não está presente no Brasil, assim como a sua forte participação no mercado europeu e o seu sucesso entre as marcas premium.

“O crescimento do valor da marca da Heineken é resultado da contínua inovação da gigante holandesa. Em 2022, a marca lançou a Heineken Silver, uma cerveja premium extra refrescante feita a partir de cevada obtida de forma sustentável em apoio ao modelo de sustentabilidade Brew a Better World da Heineken. Como a marca de cerveja mais vendida da Europa, a Heineken experimentou um aumento nas receitas e no crescimento orgânico devido aos aumentos de preço ao longo do último ano. À medida que os consumidores estão dispostos a gastar mais em produtos percebidos como sendo de maior qualidade, a Heineken alcança um maior valor agregado”, diz o relatório.

O ranking das marcas de cerveja mais valiosas do mundo também inclui a Budweiser e Bud Light, ambas dos Estados Unidos, em terceiro e quarto lugar, respectivamente, seguidas pela Modelo Especial, do México, e a chinesa Snow.

Comparado a 2022, o Top 10 também mostra mudanças, com marcas japonesas e norte-americanas se movendo no ranking. As asiáticas Kirin e Asahi ganharam duas posições, agora ocupando o sétimo e oitavo lugares, superando a Coors (9ª) e a Miller Lite (10ª).

Entre as dez maiores marcas de cerveja, sete delas apresentaram crescimento em seu valor de mercado de 2022 para 2023, segundo a Brand Finance. Para a consultoria, isso é resultado do crescimento do segmento premium.

“Apesar das pressões inflacionárias enfrentadas pelos consumidores, as marcas de cerveja continuam a ver crescimento do valor da marca”, diz a consultoria.

Brand Finance

“Parece que os consumidores de cerveja não necessariamente estão bebendo mais, mas sim estão bebendo melhor. As visitas a bares e restaurantes estão se tornando menos frequentes e menos espontâneas, o que significa que muitos consumidores estão buscando trocar por uma cerveja de maior qualidade, priorizando o sabor e a qualidade em detrimento do preço. As marcas de cerveja que estão oferecendo cervejas premium de alta qualidade parecem estar indo bem”, afirma Henry Farr, diretor associado da Brand Finance.

No contexto brasileiro, embora nenhuma marca nacional esteja no Top 10, três representantes da Ambev figuram no Top 25. A Skol ocupa o 15º lugar, tendo perdido quatro colocações em relação a 2022, a Brahma permanece na 17ª posição e a Antarctica subiu um posto, para o 24º lugar.

Marca mais forte é japonesa
A Asahi ganhou o título de marca de cerveja mais forte, com um índice de 92,6 em 100. A marca japonesa também subiu do décimo para o oitavo lugar em seu valor de marca, com uma alta de 11% em um ano, para US$ 2,8 bilhões. E o relatório cita que a presença global da Asahi deverá se ampliar em 2023, com o seu apoio à Copa do Mundo de Rúgbi.

“Como a marca de cerveja mais popular do Japão, o apoio regional tem sido um fator-chave no desenvolvimento da força da marca. Em 2022, a Asahi lançou sua maior campanha de marketing até então. A campanha multiplataforma incentiva os consumidores a irem ‘Além do Esperado’ e tem ampliado ainda mais o crescimento da categoria da Asahi e o reconhecimento internacional da marca. Olhando para o futuro, o papel da Asahi como parceira mundial na Copa do Mundo de Rúgbi de 2023 buscará expandir ainda mais o alcance global da marca”, afirma.

Marca de cerveja mais valiosa do mundo, a Heineken também foi classificada pela Brand Finance na segunda posição em termos de força da marca, com 87,3 pontos. O Top 5 ainda conta com a sul-africana Carling Black Label (87,2), a Kirin (86,7) e a Snow (86,4).

A análise da Brand Finance avalia o papel de atributos específicos da marca na geração do valor geral da marca, com um deles sendo a sustentabilidade. E a Asahi também é líder nessa relação, com uma pontuação de 5,65 em 10, logo à frente de outra marca japonesa, a Kirin, a sétima em termos de valor de marca, em US$ 3,2 bilhões.

“Com o ambientalismo e a sustentabilidade se tornando um marcador significativo para a cultura japonesa, a Asahi tem continuamente comunicado que: ‘A sustentabilidade é um negócio fundamental para a Asahi Beverages’, à medida que busca criar um negócio global completamente sustentável”, diz o relatório.

Marcas chinesas crescem rápido
A Brand Finance também apontou um forte crescimento de valor de marca das chinesas Tsingtao e Zhujiang, embora a única cerveja do país no Top 10 seja a Snow. A maior expansão entre todas as marcas presentes na relação foi da Zhujiang, com um salto de 44%, para US$ 680 milhões, o que a levou a entrar no Top 50 já na 33ª posição.

“No último ano, a Zhujiang cresceu, em parte, graças à sua melhor posição junto aos consumidores mais jovens e sensíveis a preços. Enquanto os concorrentes optaram por aumentos de preço, a Zhujiang manteve os preços de suas cervejas estáveis, oferecendo uma alternativa de qualidade a um preço intermediário”, diz o relatório.

O valor da marca da Tsingtao aumentou 39%, para US$ 2,1 bilhão, subindo do 19º para o 12º lugar. “O impressionante crescimento do valor da marca da Tsingtao está diretamente relacionado ao modelo de negócios revitalizado da marca. Em 2022, a Tsingtao lançou mais de 250 tavernas e introduziu a nova e envolvente estratégia centrada no cliente da marca. À medida que a marca busca proporcionar uma experiência mais sofisticada ao consumidor, os aumentos de preço nos produtos da Tsingtao resultaram em melhoras nas receitas”, explica.

Confira o top 10 das marcas mais valiosas do mundo segundo a Brand Finance:

18 lançamentos realizados pelas cervejarias artesanais em agosto

Os lançamentos de cervejas artesanais durante o mês de agosto ficaram marcados pela celebração do Dia dos Pais e do IPA Day, além da realização de várias parcerias para a criação de novidades colaborativas.

Foi o caso de Dogma e Oca, que se uniram para lançar duas cervejas. Já a Dádiva se juntou à loja Imaginarium para a criação de um um kit que incluía lançamentos de cervejas artesanais especialmente em função do Dia dos Pais, celebrado em 13 de agosto.

Em função do IPA Day, a Hocus Pocus trouxe novas variedades desse estilo para os seus bares no Rio de Janeiro e em São Paulo. E a 3 Barcaças também aproveitou a ocasião para lançar uma cerveja especial.

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Confira lançamentos das cervejas artesanais realizados em agosto, selecionados pela equipe do Guia:

3 Barcaças
A grande novidade da 3 Barcaças neste mês foi a 24k Gold. Essa cerveja é uma Double Hazy IPA com terpenos isolados, que recebeu esse nome devido à sua coloração dourada, fazendo referência ao ouro 24 quilates. Seu aroma é adocicado e cítrico, com notas de laranja e tangerina equilibradas com nuances terrosas e herbais, de acordo com o seu descritivo. Ela conta com os lúpulos Idaho 7 e Chinook Oregon. Sua graduação alcoólica é de 7,8%. Esse rótulo foi lançado especialmente em função do IPA Day.

Bodebrown
A Bodebrown trouxe diversas novidades neste mês. A Mama Milk, por exemplo, combina uma receita tradicional inglesa com adição de lactose, resultando em uma cerveja com 11,5% de teor alcoólico, com potencial de envelhecimento de até cinco anos. Além disso, uma das cervejas mais cultuadas da marca, a St. Arnould 10 Wood Aged, ganhou lançamento em quatro variações, cada uma amadurecida por 12 meses em diferentes tipos de barris de carvalho: Cherry Spice, Sweet Vanilla, American Blend e Intense. Disponíveis em garrafas de 750ml com rolhas, essas cervejas fazem parte da série Safra 2023 – Gastronomia Além do Infinito.

Corisca, Éden Hops e Zuraffa
No dia 31, vai acontecer o lançamento da segunda edição da cerveja Do Brejo, uma colaboração entre as cervejarias Corisca e Zuraffa, a cervejeira Thamara Andreatta e a Éden Hops, produtora nacional de lúpulo liderada por Camila Gross. Essa novidade é uma Session IPA feita com os lúpulos Cascade, Comet e Nugget, que realçam aromas cítricos e de frutas amarelas. Com 30 IBUs e 4,5% de teor alcoólico, essa cerveja celebra o orgulho, o respeito e a visibilidade lésbica, enquanto destaca a força das mulheres em um mercado ainda predominantemente masculino.

Dádiva e Imaginarium
A parceria entre a Dádiva e a Imaginarium resultou no lançamento de um kit de cervejas artesanais, composto pela Premium Lager Gole de Felicidade e pela Session IPA Sabor de Traz Mais Uma. Esses lançamentos foram pensados especialmente para o Dia dos Pais. A Gole de Felicidade é uma cerveja clara e suave, com notas de cereais, amargor leve e refrescante, além de 5,2% de teor alcoólico. Já a Sabor de Traz Mais Uma apresenta lúpulos americanos com toques cítricos e frutados, acompanhados por um amargor levemente pronunciado. Ela possui 4,4% de teor alcoólico. Ambas as cervejas vêm em embalagens de 473ml.

Dama
A Dama Bier celebrou seu 13º aniversário com o lançamento da Dama Reserva 13, uma cerveja envelhecida em barris. Essa Trippelbock de cor marrom e espuma bege apresenta aromas de coco queimado, frutas secas como uvas-passas e ameixas secas, baunilha, madeira, tostado, castanhas, nozes e caramelo dos maltes. Com 10,6% de teor alcoólico, a bebida maturou por 13 meses em barris de carvalho americano, francês e umburana, esta última uma madeira tipicamente brasileira, sendo parte da série Dama Reserva.

Dogma e Oca
As cervejarias Dogma e Oca lançaram conjuntamente duas novas cervejas: a Truncata, uma Modern American IPA, e a Flor de Seda, uma West Coast IPA. A Truncata possui 7% de teor alcoólico, com sabores mais frutados e tropicais, elaborada com Citra, Idaho Gem e Simcoe. A Flor de Seda, também com 7% de álcool, é uma homenagem à flor-de-maio, uma espécie nativa da Mata Atlântica. Para a produção dessas cervejas, os lúpulos Columbus, Centennial e Cascade foram utilizados.

Hocus Pocus
A Hocus Pocus realizou o seu IPA Day no início de agosto, apresentando quatro variedades de IPAs para celebrar a ocasião. A Overthinking é uma New England IPA que utiliza um único tipo de lúpulo, o experimental EXP 1320. A Hockney’s Dreamscape é outra New England IPA com nuances frutadas, trazendo aromas de goiaba, pêssego e mamão. A Retrofuturism, uma West Coast IPA, combina os lúpulos Pink para criar aromas cítricos de laranja e abacaxi. Por fim, a Too Many Astronauts, West Coast IPA, é uma mistura cítrica de melão e melancia, complementada por notas refrescantes de hortelã.

Narreal e Quatro Graus
A Quatro Graus se uniu ao Narreal para lançar a Calvin’s Lab. Essa novidade é uma Imperial Brett Sour com adição de kiwi fresco. Para capturar a essência da fruta, que contribui com muito sabor mas pouca pigmentação, a receita inclui chlorella, uma alga utilizada na indústria de alimentos como corante natural. O nome da cerveja é uma homenagem a Melvin Calvin e sua pesquisa sobre o Ciclo de Calvin, que elucidou o processo de fotossíntese das plantas ao estudar a Chlorella e lhe rendeu o Prêmio Nobel de Química em 1961.

Uaimií
No decorrer deste mês, a Uaimií lançou a Minas de Ferro – Edição Córrego do Lobo. Com ingredientes botânicos variados e estilo Stein-Grutbier, ela combina diversos grãos maltados, ervas, zimbro e lúpulo. Apresentando uma coloração âmbar e cobre, e com um teor alcoólico de 7,5%, essa cerveja foi desenvolvida em parceria com o cervejeiro Daniel Gontijo. De acordo com a descrição, seu sabor é marcado por um amargor herbal distintivo e refinado, equilibrando-se com o teor alcoólico e a estrutura da bebida.

Brauhalle, Big Jack e marca argentina brilham no Brasil Beer Cup; veja medalhistas

O Brasil Beer Cup premiou neste sábado as melhores cervejas, cervejarias e cervejeiros da edição de 2023, com destaque especial para uma marca estrangeira e duas do Sul do país. A argentina Juguetes Perdidos, a catarinense Big Jack e a paranaense Brauhalle levaram algumas das principais premiações na cerimônia realizada na noite deste sábado no hotel Rede Mar Canasvieiras, em Florianópolis.

A Juguetes Perdidos se destacou ao ser escolhida como a melhor cervejaria de pequeno porte, com produção de até 30 mil litros mensais, do concurso. Além disso, conquistou duas Best of Show, nas categorias “envelhecida em madeira” e “inovação”. Recebeu também o Selo Top 50, destinado às melhores cervejarias da competição.

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A Big Jack, que já havia sido premiada como a terceira melhor cervejaria no Concurso Brasileiro de Cervejas e ganhadora da South Beer Cup deste ano, voltou a brilhar em um campeonato. Além de receber o selo Top 50, foi eleita a melhor cervejaria de médio porte, com produção de 30 mil a 200 mil litros mensais. A cervejaria também conquistou a Best of Show na categoria de “cerveja ácida”, com a Lua de Mel com os Parças.

A Brauhalle foi reconhecida como o melhor brewpub do Brasil Beer Cup em 2023. A cervejaria também conquistou uma das cervejas Best of Show na categoria “Lager escura”, com a Nürnberg Rotbier, e o selo Top 50.

A ganhadora entre as cervejarias de grande porte foi a catarinense Opa Bier, enquanto a melhor cervejaria cigana da competição acabou sendo a gaúcha Ruradélica.

No estilo com maior número de cervejas inscritas, “American-Style India Pale Ale”, com 127 participantes, a cervejaria gaúcha Guarnieri ganhou a medalha de ouro com a Cachorro Ovelheiro Talus.

Além disso, o Brasil Beer Cup premiou a cervejeira e o cervejeiro do ano. Ingrid Matos, responsável pela elaboração das receitas das cervejas premiadas da Masterpiece, recebeu 10 medalhas e a maior pontuação entre as cervejeiras. Marcos Paulo Divino, da Cathedral, ganhou 15 medalhas, sendo o cervejeiro do ano.

Como foi o Brasil Beer Cup em 2023

O evento aconteceu durante toda a semana em Florianópolis, com a análise das amostras e processamento dos dados ocorrendo entre terça e sexta-feira. Mais de 80 jurados de 16 nacionalidades avaliaram as 2.034 cervejas inscritas por 335 cervejarias de 11 países em 162 estilos diferentes.

Foram distribuídas 380 medalhas, sendo 119 de ouro. Santa Catarina teve o maior número de premiações, com 26% do total. A Argentina foi o país mais premiado depois do Brasil, com 14 medalhas.

“O Brasil Beer Cup é um evento único para celebrar a diversidade de sabores, estilos e criatividade que a cultura cervejeira tem a oferecer. Unimos nossas forças para criar um espaço inclusivo e inspirador onde cervejeiros, independentemente de seu porte ou origem, possam mostrar seu talento e compartilhar suas paixões. E mais uma vez nos considero muito bem-sucedidos neste desafio”, diz Amanda Reitenbach, idealizadora do evento e CEO do Science of Beer.

A competição adota os critérios da edição de 2022 do guia de estilos da Brewers Association, assim como premia os estilos Catharina Sour e a Dorada Pampeana, que estão inseridas no BJCP, e aqueles de Brazilian Beer descritos no regulamento.

Para a definição dos prêmios de cervejaria do ano, foram somados 10 pontos para a medalha de ouro, 6 para a prata, 3 para o bronze e 10 para as Best of Show.  A premiação Top 50 reconheceu as 50 melhores cervejarias com base no mesmo cálculo de pontuação.

Veja as cervejas Best of Show do Brasil Beer Cup em 2023:

Brazilian Beer
Cerveja: Tripel Cacau & Amburana
Estilo: Brazilian Beer com ervas e especiarias
Cervejaria: Cervejaria EWAM (SP)

Catharina Sour
Cerveja: Arasour
Cervejaria: Armada Cervejeira (SC)

Cerveja ácida (Sour Beer)
Cerveja: Lua de Mel com os Parças
Estilo: Chili Pepper Beer
Cervejaria: Big Jack Cervejaria (SC)

Cerveja com adjunto
Cerveja: Zapatitos Rojos
Estilo: Fruit Wheat Beer
Cervejaria: Cerveceria Ramuri (México)

Cerveja envelhecida em madeira
Cerveja: Le Fleur Violette
Estilo: Mixed-Culture Brett Beer
Cervejaria: Juguetes Perdidos (Argentina)

Cerveja híbrida
Cerveja: Campinas IPA Zero
Estilo: Non-Alcohol Malt Beverage
Cervejaria: Campinas (SP)

Cerveja lupulada
Cerveja: Hop Lager
Estilo: Contemporary American-Style Pilsener
Cervejaria: Tres Torres Cervejaria (ES)

Cerveja híbrida escura
Cerveja: Salva Eisbock
Estilo: Aged Beer
Cervejaria: Salva Craftbeer (RS)

Cerveja Lager escur
Cerveja: Nürnberg Rotbie
Estilo: Franconian-Style Rotbie
Cervejaria: Brauhalle Cervejaria (PR)

Inovação
Cerveja: Marilyn
Estilo: Brett Bee
Cervejaria: Juguetes Perdidos (Argentina)

Cerveja Light Ale
Cerveja: Kristal Weizen
Estilo: South German-Style Kristal Weizen
Cervejaria: OPA Bier (SC)

Cerveja Lager Light
Cerveja: Hop Lager Nelson Sauvin
Estilo: Contemporary American-Style Lager
Cervejaria: Viking Bier (RS)

Veja as cervejarias que receberam o Selo Top 50 Breweries BBC 2023:

●          277 Craft Beer – Paraná/Brasil
●          7 Vidas – Tacna/Per
●          Água Do Monge Cervejaria – Paraná/Brasil
●          Alright Brewing Co. – Paraná/Brasil
●          Ambev – Rio de Janeiro/Brasil
●          Armada Cervejeira – Santa Catarina/Brasil
●          Barnia Cervejaria – São Paulo/Brasil
●          Big Jack Cervejaria – Santa Catarina/Brasil
●          Blauth Bier – Rio Grande do Sul/Brasil
●          Bodebrown – Paraná/Brasil
●          Brauhalle Cervejaria – Paraná/Brasil
●          Cervecería Loa Metropolitana De Santiago/Chile
●          Cerveceria Ramuri – Baja California/México
●          Cervejaria Belgard – Santa Catarina/Brasil
●          Cervejaria Bierbaum – Santa Catarina/Brasil
●          Cervejaria Bohemia – Rio de Janeiro/Brasil
●          Cervejaria Campinas – São Paulo/Brasil
●          Cervejaria Cathedral – Paraná/Brasil
●          Cervejaria Demonho – São Paulo/Brasil
●          Cervejaria EWAM – São Paulo/Brasil
●          Cervejaria Farrapos Ltda – Rio Grande do Sul/Brasil
●          Cervejaria Fermi – Santa Catarina/Brasil
●          Cervejaria Karsten (Indústria E Comércio De Bebidas Jaraguá Ltda) – Santa Catarina/Brasil
●          Cervejaria Kill Brew – Santa Catarina/Brasil
●          Cervejaria Königs Bier – Santa Catarina/Brasil
●          Cervejaria La Birra – Rio Grande do Sul/Brasil
●          Cervejaria Masterpiece – Rio de Janeiro/Brasil
●          Cervejaria Moondri – Paraná/Brasil
●          Cervejaria Wäls – Minas Gerais/Brasi
●          Dama Bier – São Paulo/Brasil
●          Das Bock Bier – Rio Grande do Sul/Brasil
●          Delta Brew Co. – Rio Grande do Sul/Brasil
●          Frohenfeld Craft Brewery – Paraná/Brasil
●          Genial Mexico – México
●          Hank Bier- Paraná/Brasil
●          Hop Bros – Alagoas/Brasil
●          Hop Capital Beer – Distrito Federal/Brasil
●          Juguetes Perdidos – Buenos Aires/Argentina
●          Lohn Bier – Santa Catarina/Brasil
●          Metzgerbier – Paraná/Brasil
●          Mills Brewery – Minas Gerais/Brasil
●          Ol Beer – Paraná/Brasil
●          Omas Haus Brewpub – Santa Catarina/Brasil
●          Opa Bier – Santa Catarina/Brasil
●          Ruradélica Ales – Rio Grande do Sul/Brasil
●          Salva Craftbeer – Rio Grande do Sul/Brasil
●          Stannis Cervejaria – Santa Catarina/Brasil
●          Suricato – Rio Grande do Sul/Brasil
●          Três Torres Cervejaria – Espírito Santo/Brasil
●          Viking Bier – Rio Grande do Sul/Brasil

Heineken vende operação na Rússia por 1 euro e sai com prejuízo de R$ 1,58 bi

O Grupo Heineken oficializou sua saída da Rússia, concluindo a venda de suas sete fábricas no país por um valor simbólico de 1 euro (equivalente a R$ 5,27 na cotação desta sexta-feira). O Arnest Group foi o comprador de todos os ativos e unidades produtivas da Heineken na Rússia, em negócio aprovado pelo governo local.

O Arnest Group é a maior empresa russa no ramo de cosméticos, utensílios domésticos e embalagens metálicas. A companhia se comprometeu a manter a estabilidade do emprego para os 1.800 funcionários nos próximos três anos.

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O CEO do Grupo Heineken, Dolf van den Brink, ao confirmar a saída da Rússia, reconheceu a demora no processo, enfatizando, no entanto, a importância da segurança aos trabalhadores que o Arnest Group garantiu que irá proporcionar.

“Finalizamos agora nossa saída da Rússia. Os eventos recentes ressaltam os desafios substanciais enfrentados por grandes empresas industriais ao deixar o país. Apesar da demora além das expectativas, essa transação garante a sustentação de nossos colaboradores e nos permite sair do país de maneira responsável”, afirma.

O Grupo Heineken estima um prejuízo de 300 milhões de euros (cerca de R$ 1,58 bilhões) com a saída da Rússia. A empresa explicou que a venda e produção da marca Amstel serão encerradas nos próximos seis meses.

Com exceção de uma licença de três anos concedida a algumas marcas regionais menores, fundamentais para a continuidade das operações comerciais e a aprovação da transação, nenhuma outra marca estrangeira do grupo será licenciada na Rússia.

O Grupo Heineken ainda enfatiza que não receberá quaisquer receitas ou royalties de suas operações na Rússia. Além disso, o acordo firmado não contempla a opção de retorno ao país através da recompra das ações agora negociadas.

Após a invasão da Ucrânia pela Rússia e o início do conflito em fevereiro de 2022, as nações ocidentais impuseram sanções ao país, enquanto empresas que operavam em território russo anunciaram que sairiam de Moscou.

A companhia, que anunciou sua decisão em março do ano anterior, parou imediatamente a produção e comercialização da marca Heineken, mas enfrentou críticas quando surgiram informações sobre o lançamento de outros produtos no mercado russo.

A Heineken, assim, teve um destino diferente ao do Grupo Carlsberg, que após anunciar ter encontrado um comprador para a sua operação na Rússia, foi alvo de intervenção do governo local, que assumiu o controle da companhia.

Essa não é a primeira aquisição fechada pelo Arnest Group em meio ao contexto de guerra na Ucrânia, o que motivou várias empresas ocidentais a anunciarem a intenção de deixar a Rússia. A Ball Corp, uma das líderes globais na fabricação de latas de alumínio, vendeu seus negócios no país para o Arnest Group em setembro de 2022.

A transação incluiu três fábricas de produção de latas de alumínio nas regiões de Moscou, Leningrado e Chelyabinsk e foi fechada à época por US$ 530 milhões (R$ 2,584 bilhões, na cotação atual).

Resistência e inclusão: Filho de quilombolas empreende com cervejas acessíveis

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Historicamente, os quilombos no Brasil representaram centros de resistência para os escravizados que fugiam da opressão. Ao longo dos séculos, esses refúgios evoluíram para comunidades, enraizando-se por meio de práticas culturais e ancestrais. Hoje em dia, embora seus espaços nem sempre sejam respeitados, esses locais persistem, abrigando não apenas tradições resilientes dos quilombolas, mas também paixões, como as cervejas.

É esse o caso de Charles Pinheiro, criado no Quilombo Tocoiós de Minas, no Vale do Jequitinhonha, região nordeste de Minas Gerais, que teve seu primeiro contato ainda jovem com a cerveja, pois seu pai tinha um bar. Isso alimentou a curiosidade por novos sabores no filho de quilombolas e despertou, posteriormente, sua paixão pelas cervejas artesanais.

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“Sempre que saía [do quilombo], procurava experimentar uma cerveja diferente. Minha fascinação pelo processo de fabricação de cerveja sempre foi forte. No quilombo, não tive a chance de aprender sobre isso, e acredito que, por estar distante, seja mais difícil encontrar uma fábrica. Mas saí de lá já apreciando cerveja, provando diversos tipos. E foi em Brasília que conheci a cerveja artesanal”, compartilha Pinheiro.

Com suas raízes quilombolas e sua trajetória, ele se envolveu com as cervejas na capital federal, primeiro como vendedor. Depois, em 2021, concretizou seu sonho de possuir uma cervejaria própria, a Seu Joca. Nela, carrega suas raízes, baseando-se na representatividade negra, na busca por inclusão e no respeito à cultura.

A pequena marca artesanal de Brasília entrou no mercado com uma proposta clara: tornar as cervejas artesanais mais acessíveis aos consumidores menos familiarizados com esse tipo de bebida, nas palavras do filho de quilombolas.

“Se você nunca experimentou uma cerveja artesanal, assim como eu nunca havia feito, provavelmente não apreciará uma IPA. Decidimos fazer cervejas populares e de fácil consumo. Queremos atrair as pessoas para experimentar e apreciar, mostrando que cervejas artesanais não se resumem apenas às mais amargas. Uma vez que alguém adentra esse mundo cervejeiro, dificilmente voltará atrás”, diz Pinheiro.

Essa abordagem levou a Seu Joca, em seus poucos anos de existência, a focar em cervejas puro malte e na APA, representando 80% e 20% da produção, respectivamente, com uma média mensal de 3,5 mil litros de cerveja. E além das vendas diretas na cervejaria, também as fornece para bares locais.

Esse êxito já está gerando planos para expandir a produção, incluindo a aquisição de mais um fermentador. “Nossa cerveja premium tem sido muito procurada, e isso também ajudará em colaborações, já que a demanda ultrapassa nossa capacidade atual de produção”, conclui.

Uma dessas colaborações já saiu do papel, sendo a AfroLager, lançada em julho. Nesse caso, a Seu Joca se uniu ao moçambicano Aninho Irachande, da Cervejaria Dona Maria, e a Paulão Silva, da Brassaria Brasília, com o intuito de ampliar a representatividade no setor e expandir o acesso às suas criações. Essa parceria deu origem à primeira cerveja colaborativa da Seu Joca, a AfroLager, do estilo Hop Lager e com 5,2% de teor alcoólico.

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A ideia era criar uma cerveja de fácil consumo, mas que também intrigasse os consumidores habituais de artesanais, devido à utilização de lúpulos da África do Sul. Embora tenha sido lançada em um pequeno lote, há planos para produções maiores, destinadas a outras regiões do Brasil e locais que compartilhem da mesma visão dos parceiros de criação da AfroLager.

A base para empreender
Se a Seu Joca surgiu da curiosidade de Pinheiro pela diversidade cervejeira além dos limites do quilombo, sua força empreendedora e visão inclusiva têm raízes profundas no Distrito Quilombola de Tocoiós de Minas.

A comunidade de Tocoiós de Minas, que remonta às primeiras décadas do século XX, recebeu esse nome em referência a uma tribo indígena que habitava o local, os Tocoiós. Em maio de 2013, a Fundação Cultural Palmares reconheceu a comunidade como remanescente de quilombo, passando a ser denominada Distrito Quilombola de Tocoiós de Minas.

A economia da região gira em torno do artesanato em algodão, crochê e madeira, além da produção de queijos, doces e mel de abelha, práticas enraizadas em gerações passadas.

“Minha mãe é artesã e trabalha com artesanato. Ficamos felizes quando veem e reconhecem nosso trabalho, mas é triste que muitos digam que o Vale do Jequitinhonha só agora está produzindo artesanato. Isso não é verdade. Sempre houve artesanato, aguardente produzida em alambiques, rapadura… As coisas sempre foram feitas aqui. Meu avô fazia, minha bisavó também, mas ninguém dava valor. Agora, com tanto esforço, as pessoas finalmente estão prestando atenção”, relata.

Refletindo sobre sua infância no quilombo, Pinheiro lamenta que, devido à falta de conhecimento, os residentes não compreendiam que as dificuldades enfrentadas eram resultado das diferenças sociais, culturais, religiosas e históricas sofridas pelo povo negro na região. “Não diria que fomos esquecidos, mas sempre fomos deixados de lado em comparação a outros lugares”, critica.

Conversas com seus pais e avós também revelaram que eles não reconheciam, em sua época, as dificuldades enfrentadas no quilombo como resultados de desigualdades sociais, culturais e históricas. “Existe muita coisa por trás. Embora saiba que a vida foi difícil, meu avô e bisavô falavam sobre isso, especialmente devido à falta de dinheiro. Minha mãe queria estudar, mas não pôde devido aos filhos. Quando juntamos essas histórias, tudo começa a se encaixar”, observa Pinheiro.

Quilombos no Brasil: Redutos de resistência
No último mês, o IBGE divulgou os primeiros números referentes à população quilombola no Brasil e dados sobre seus domicílios, indicando a existência de 1,3 milhão de quilombolas em 1.696 municípios, representando 0,65% da população brasileira. No entanto, mais de 87% desses indivíduos residem fora das 494 áreas oficialmente designadas para comunidades tradicionais com raízes em quilombos.

Os quilombolas brasileiros ainda enfrentam diversos desafios em 2023, como a intolerância religiosa, já que muitas dessas comunidades têm laços profundos com religiões de matriz africana.

“Trata-se do modo de vida nos quilombos, das tradições antigas, das práticas do passado. Acredito que isso ainda seja relevante nas comunidades, pois a Igreja Católica [e outras religiões] tende a se impor e ocorre um choque. Em comunidades menores, outras religiões ainda não foram aceitas. Essa continua sendo uma questão tabu e algo que precisamos discutir mais. Os quilombos continuam sendo um bastião de resistência”, afirma.

Há também desafios relacionados ao racismo, à falta de acesso a políticas públicas e ao direito à terra e moradia. Pinheiro afirma que a relação entre a sociedade e os quilombos ainda é baseada em diferenças, embora muitas comunidades quilombolas tenham conseguido melhorar as condições de vida de seus moradores.

“Acredito que hoje as prefeituras e órgãos próximos aos quilombos estão dando mais espaço para essas comunidades. Elas estão ganhando visibilidade, mas frequentemente há interesses por trás, como a prefeitura ganhando mais recursos do governo estadual, por exemplo. Isso traz benefícios e é positivo, mas também me entristece, pois só acontece por esses motivos. Mas, e se não houvesse benefícios? Como seria então? É um desabafo, e deixo essa pergunta no ar”, reflete.

Essa resistência e luta por uma sociedade mais justa, igualitária e que respeite as diferenças permanecem acompanhadas por violências contínuas. O recente assassinato de Maria Bernadete Pacífico, líder do Quilombo Pitanga dos Palmares na Bahia, é um exemplo desse cenário. Quase seis anos antes, o filho de Mãe Bernadete, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, também foi assassinado.

Um levantamento da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas revelou que, na última década, pelo menos 30 lideranças quilombolas foram assassinadas dentro de quilombos, muitas vezes por armas de fogo.

Menu Degustação: IPA Day Brasil de casa nova, venda de chope para o The Town…

O cenário cervejeiro está com várias novidades para quem deseja aproveitar algum evento nos próximos dias. É o caso do The Town, que tem o apoio da Heineken e anunciou o início da pré-venda de chope para os seis dias do festival em São Paulo, em iniciativa que tem a participação da ZigPay.

Em outra frente, os organizadores do IPA Day Brasil anunciaram que a décima edição do festival em Ribeirão Preto (SP) está de casa nova, o G3 Centro de Eventos, que receberá a festividade no início de novembro. Já para quem gosta de unir cerveja e sustentabilidade, a Masterpiece lançou, em parceria com a Ball Corporation, uma cerveja em lata que leva uma certificação que assegura a sustentabilidade e rastreabilidade do alumínio em toda a cadeia.

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Confira essas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Cerveja com selo sustentável
A Ball Corporation e a Masterpiece lançaram a Donatello em lata, a primeira cerveja do mundo a ostentar o selo da Certificação Aluminium Stewardship Initiative (ASI). A ASI garante a sustentabilidade e rastreabilidade do alumínio em toda a cadeia, destacando o compromisso com práticas responsáveis. A lata foi produzida com a tecnologia Ball Digital Printing.

Novidades no 9º aniversário da Uaimií
A cervejaria Uaimií celebra seu nono aniversário com uma série de novidades. Localizada no bairro Sion, em Belo Horizonte, a cervejaria redesenhou seu pub e lançou um novo cardápio, com a cozinha agora sob a supervisão do chef Vicente Ramos, trazendo uma abordagem contemporânea e diversificada. Além disso, o destaque fica por conta do lançamento da cerveja Minas de Ferro – Edição Córrego do Lobo, produzida em parceria com o cervejeiro Daniel Gontijo.

Passeio de trem promovido pela Campinas
A Cervejaria Campinas promoverá um passeio de trem em parceria com a Maria Fumaça de Campinas. O evento começa na tap house da cervejaria, no bairro Taquaral, com um chope de recepção, e segue para a Estação Anhumas a bordo de um ônibus histórico. O passeio de Maria Fumaça inclui degustação de oito estilos de cerveja e harmonização com queijos e charcutaria artesanal, culminando em uma parada especial na Estação Tanquinho para uma harmonização de cerveja inédita com o sommelier de cervejas Marcos Santos. O retorno à cidade inclui um after na tap house. O evento acontece em 23 de setembro, das 13h30 às 17h.

Pré-venda de chope para o The Town com a Heineken
A Heineken e o The Town, em parceria com a ZigPay, lançaram uma ação de pré-venda de chope para o festival. Por meio do aplicativo do The Town, consumidores maiores de 18 anos poderão adquirir vouchers de chope Heineken antecipadamente, utilizando QR codes gerados pelo aplicativo. Esses vouchers permitirão a retirada de cerveja nos operadores do evento, proporcionando uma experiência mais eficiente e exclusiva, incluindo acesso à fila expressa de chope. A ação estará disponível até 10 de setembro e permite o reembolso de qualquer valor não utilizado sem taxas.

Heineken 0.0 no CBLoL
A Heineken 0.0, patrocinadora oficial do Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL), apresenta a promoção “Você no CBLoL com Heineken 0.0”, oferecendo aos consumidores a oportunidade de ganhar ingressos para a final do CBLoL em Recife, que ocorrerá em 9 de setembro. Cinco sortudos ganharão um par de ingressos com transporte e hospedagem inclusos, enquanto sete ganharão pares de ingressos para a final. A promoção faz parte da campanha “Nem toda rodada é lá fora”, que enfatiza a conexão entre os jogadores e a Heineken 0.0. Para participar, consumidores maiores de 18 anos, residentes no Brasil, devem se cadastrar no site, votar nos times favoritos durante os playoffs e concorrer a números da sorte para o sorteio. O sorteio acontecerá na próxima quinta-feira (30), e os vencedores serão anunciados em 2 de setembro.

IPA Day Brasil em novo local
O IPA Day Brasil realizará sua décima edição em 4 de novembro, estreando em um novo espaço, mais amplo e climatizado, situado no G3 Centro de Eventos em Ribeirão Preto (SP). A mudança de local atende às necessidades dos participantes, especialmente os visitantes de outras cidades, oferecendo acessibilidade por transporte público e aplicativos, além de uma área externa coberta para atividades e um food park.

Shows no Mondial de la Bière Rio
O Mondial de la Bière Rio, evento marcado para 11 a 15 de outubro, anunciou detalhes dos shows que acontecerão na Marina da Glória. Haverá espaço para apresentações de bandas cover, incluindo o Sweet Guns e o Tchopu, que toca músicas do Pearl Jam, com shows agendados para os dias 11 e 14. O samba também estará presente, com Marquinhos Nunes e o Pagode da Beta fazendo shows nos dias 13 e 15 no Mondial. Além disso, a banda de rock Vooduo se apresentará em 12 e 14 de outubro.

Apoio a negócios de impacto positivo pela Ambev
A Ambev está impulsionando soluções de impacto positivo na 5ª edição do programa 100+ Labs Brasil, tendo selecionado 22 novos negócios inovadores e promissores. Em parceria com a a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional e a Plataforma Parceiros pela Amazônia, a iniciativa abrange diversos setores, incluindo agricultura sustentável, embalagem circular, mudanças climáticas, gestão de água, Amazônia, diversidade e inclusão, consumo consciente e responsabilidade ambiental na cadeia de suprimentos. As startups escolhidas, cujas atividades vão desde embalagens sustentáveis até tecnologias agrícolas, passarão por um processo de oito semanas para aprimorar suas soluções, recebendo suporte da Ambev e de parceiros. Além disso, as soluções selecionadas terão acesso a mentoria, rede de executivos, investidores e a possibilidade de receber investimentos e participar do programa global 100+ Accelerator.

Combate à fome com a Ambev
A Ambev fortaleceu seu projeto de combate à fome em todo o Brasil por meio de parceria com a startup Comida Invisível, doando mais de 1 milhão de refeições até o momento. Por meio da Comida Invisível, a empresa já doou mais de 200 toneladas de alimentos para mais de 20 ONGs, impactando positivamente comunidades em todo o Brasil. Com o uso da tecnologia, a startup conecta alimentos excedentes a pessoas necessitadas, visando reduzir o desperdício e garantir uma distribuição mais justa.

Curso da Beer Business sobre tributação
A Beer Business está oferecendo o curso Tributação para o Mercado Cervejeiro online e ao vivo. O curso ocorrerá nos dias 26, 28 de setembro e 3 de outubro, das 19h30 às 22h30, com as aulas gravadas disponíveis por um ano. A iniciativa visa ajudar os participantes a compreenderem os complexos aspectos tributários do setor, abordando tópicos como modelos de operação, regimes de tributação, substituição tributária e particularidades dos estados. Os instrutores, especialistas na área, abordarão diversos temas relevantes, e os inscritos ainda terão acesso a uma masterclass bônus sobre estratégias para reduzir perdas de barris em cervejarias e distribuidoras. O investimento é de R$ 792,89 à vista ou em até 6 parcelas de R$ 132,15.